PROJECTO FINAL - NILDA B
PROJECTO FINAL - NILDA B
MONOGRAFIA
BENGUELA, 2025
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ANÁLISES CLÍNICAS E SAÚDE
PÚBLICA
MONOGRAFIA
Benguela, 2025
FICHA CATALOGRÁFICA
Trabalho de Fim de Curso da Licenciatura em Análises clínicas e Saúde Pública. ISP Jean Piaget Benguela,
ano 2025.
À minha mais genuína família e ao meu Deus e Pai, dedicamos o nosso trabalho.
II
AGRADECIMENTOS
III
EPÍGRAFE
IV
ÍNDICE
DEDICATÓRIA ........................................................................................................................ II
AGRADECIMENTOS ............................................................................................................. III
EPÍGRAFE ............................................................................................................................... IV
ÍNDICE...................................................................................................................................... V
SIGLÁRIO ............................................................................................................................ VIII
RESUMO ................................................................................................................................. IX
ABSTRACT .............................................................................................................................. X
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 11
CAPÍTULO I: ENQUADRAMENTO TEÓRICO ................................................................... 15
1.1. Perspectiva histórica da alimentação/nutrição ................................................................... 16
1.2. Conceitos chaves ............................................................................................................... 16
1.2.1. Alimentação e nutrição ................................................................................................... 16
1.2.2. Mal nutrição .................................................................................................................... 18
1.2.3. Gestação.......................................................................................................................... 18
1.3. O período gestacional ........................................................................................................ 18
1.4. Fisiologia na Gestação ....................................................................................................... 19
1.5. Intercorrências gestacionais ............................................................................................... 20
1.6. Importância do acompanhamento nutricional para promoção da alimentação saudável no
período gestacional ................................................................................................................... 22
1.7. Importância do pré-natal .................................................................................................... 23
1.8. Nutrição e seu efeito no feto .............................................................................................. 25
1.9. Nutrição na gestação .......................................................................................................... 26
1.10. Consumo alimentar de gestantes ..................................................................................... 28
1.11. Doenças crónicas não transmissíveis na gestação ........................................................... 29
1.12. Risco do estado nutricional inadequado .......................................................................... 30
1.13. Assistência na educação alimentar e nutricional ............................................................. 34
1.14. Recomendações nutricionais para gestantes .................................................................... 37
1.15. Insegurança alimentar e gestação .................................................................................... 39
1.16. Desfechos maternos e fetais associados ao ganho de peso inadequado na gestação ....... 40
1.17. Gestação – características, demandas e riscos ................................................................. 42
1.18. Avaliação nutricional na gestação ................................................................................... 44
CAPÍTULO II: ENQUADRAMENTO EMPÍRICO ................................................................ 46
V
2.1. Tipos de estudo .................................................................................................................. 48
2.2. Local do Estudo ................................................................................................................. 48
2.3. População Alvo e Amostra ................................................................................................ 48
2.4. Instrumento de recolha de dados ....................................................................................... 48
2.5. Procedimento de recolha de dados .................................................................................... 48
2.6. Procedimento de análise de dados ..................................................................................... 49
2.7. Critérios de inclusão e de exclusão.................................................................................... 49
2.8. Variáveis de estudo ............................................................................................................ 49
2.9. Aspectos Éticos.................................................................................................................. 49
CAPÍTULO III: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ....... 51
CONCLUSÃO .......................................................................................................................... 60
RECOMEMNDAÇÕES ........................................................................................................... 61
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 62
APÊNDICES ............................................................................................................................ 75
ANEXOS .................................................................................................................................. 79
VI
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1: Caracterização da amostra segundo a idade das gestantes atendidas na CPN do
Centro de Saúde Gaspar Domingos Lopes no Iª semestre de 2024 ............................................ 52
Tabela 2: Caracterização da amostra segundo o nível de escolaridade das gestantes atendidas
na CPN do Centro de Saúde Gaspar Domingos Lopes no Iª semestre de 2024 ....................... 52
Tabela 3: Caracterização da amostra segundo a condição social das gestantes atendidas na
CPN do Centro de Saúde Gaspar Domingos Lopes no Iª semestre de 2024 ............................ 53
Tabela 4: Caracterização da amostra segundo estilo de vida alimentar das gestantes atendidas
na CPN do Centro de Saúde Gaspar Domingos Lopes no Iª semestre de 2024 ....................... 54
Tabela 5: o que é uma alimentação inadequada? ...................................................................... 55
Tabela 6: Quais são as reais razões que levam as gestantes das Consultas pré-natal do Centro
de Saúde do Gaspar Domingos Lopes a desenvolver uma alimentação inadequada como factor
de surgimento de doenças crónicas? ......................................................................................... 56
Tabela 7: Quais são as consequências de uma alimentação inadequada durante o período
gestacional? .............................................................................................................................. 57
Tabela 8: Quais são factores de uma alimentação inadequada em gestantes durante o período
gestacional? .............................................................................................................................. 58
Tabela 9: Como a alimentação inadequada, na gestação, pode afectar o desenvolvimento fetal
e a saúde do recém-nascido? .................................................................................................... 59
VII
SIGLÁRIO
RN: Recém-nascido;
CPN: Consulta Pré-Natal;
IA: Insegurança Alimentar;
DMG: Diabetes Mellitus Gestacional;
ADN: Ácido Dexociribonucleico;
ARN: Ácido Ribonucleico;
PE: Pré-Eclâmpsia;
IMC: Índice de Massa Corporal;
IRD: Instrumento de Recolha de Dados:
ISPJPB: Instituto Superior Politécnico Jean Piaget – Benguela.
VIII
RESUMO
A alimentação na gravidez deve seguir uma dieta equilibrada e deve fornecer uma ampla
variedade de alimentos nutritivos, ricos em vitaminas e sais minerais. Todos esses cuidados
alimentares são fundamentais e importante para a saúde materna e para o bebé se desenvolver
adequadamente. O presente estudo tem como objectivo Geral: Analisar o nível de
conhecimento das gestantes em relação a alimentação inadequada como factores de
surgimento de doenças crónicas. Quanto a metodologia, trata-se de um estudo exploratório,
descritivo de abordagem quantitativa, realizado com 12 gestantes que frequentaram as
consultas pré-natais no 1º semestre de 2024. Os dados foram recolhidos através de um
instrumento estruturado de inquérito e analisados estatisticamente, tendo como variáveis
principais: estilo de vida alimentar, conhecimento nutricional, e percepções sobre alimentação
e saúde. Os resultados indicam que 75% das gestantes apresentaram hábitos alimentares
razoáveis. 50% Identificaram baixa condição financeira como principal razão para uma
alimentação inadequada. 58% associaram a má alimentação ao excesso de açúcar e alimentos
processados.67% responderam Baixo peso ao nascer sobre as consequências da má
alimentação na gestação, incluindo risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e doenças
congénitas. 42% entenderam que a falta de nutrientes essenciais pode afectar negativamente o
feto. Destarte, conclui-se que a alimentação inadequada continua a ser uma realidade para
muitas gestantes, seja por falta de recursos, conhecimento ou apoio. Essa situação expõe tanto
a mãe quanto o feto a riscos de doenças crónicas, complicações gestacionais e
desenvolvimento fetal comprometido. Há, portanto, necessidade urgente de políticas públicas
e intervenções educativas eficazes no pré-natal.
IX
ABSTRACT
Diet during pregnancy should follow a balanced diet and should provide a wide variety of
nutritious foods, rich in vitamins and minerals. All of these dietary precautions are
fundamental and important for maternal health and for the baby to develop properly. The
present study has the General objective: Analyze the level of knowledge of pregnant women
regarding inadequate nutrition as factors in the emergence of chronic diseases. Regarding the
methodology, this is an exploratory, descriptive study with a quantitative approach, carried out
with 12 pregnant women who attended prenatal consultations in the first half of 2024. The
data were collected through a structured survey instrument and analyzed statistically, with the
following main variables: eating lifestyle, nutritional knowledge, and perceptions about food
and health. The results indicate that 75% of pregnant women had reasonable eating habits.
50% identified poor financial condition as the main reason for inadequate nutrition. 58%
associated poor diet with excess sugar and processed foods. 67% answered Low birth weight
about the consequences of poor diet during pregnancy, including the risk of premature birth,
low birth weight and congenital diseases. 42% understood that a lack of essential nutrients can
negatively affect the fetus. Therefore, it is concluded that inadequate nutrition continues to be
a reality for many pregnant women, whether due to lack of resources, knowledge or support.
This situation exposes both the mother and the fetus to risks of chronic diseases, gestational
complications and compromised fetal development. There is, therefore, an urgent need for
effective public policies and educational interventions in prenatal care.
X
INTRODUÇÃO
11
Como resultado da má alimentação durante o período gestacional, associada ao
não acompanhamento nutricional, são observados casos crescentes de ganho de peso em
excesso durante a gravidez, o que pode levar ao desenvolvimento de doenças prementes ou
transitórias na mãe e na criança. Para que ambos permaneçam saudáveis antes, durante e
depois da gravidez é de essencial importância começar pela mãe esse processo de alimentação
saudável (Tresso & tavares, 2019).
A alimentação da gestante deve seguir de alimentos variados respeitando as
quantidades e recomendações para atingir suas necessidades energéticas e nutricionais,
juntamente com o ganho de peso adequado para cada trimestre da gestação (Phillip et al.,
2022). Positivamente a alimentação adequada trará benefícios para a vida toda, prevenindo as
mães das principais complicações que podem surgir durante a fase gestacional. A vantagem de
prezar a qualidade do que está sendo consumido, é porque a saúde e o peso do bebé estão
relacionados directamente com o estado nutricional da gestante (Aktaç, 2020).
As necessidades nutricionais de calorias e nutrientes mudam significativamente
para as mulheres gestantes. Assim, o desenvolvimento do organismo do bebé é uma situação
metabólica que exige um consumo dos compostos nutricionais; desta forma, as futuras
mamães devem se adaptar a um novo estilo de alimentação para evitar quadros de desnutrição
e carência de nutrientes específicos (Anleu, 2019).
De acordo com pesquisas na literatura, mulheres que mantiveram durante a
gestação um padrão alimentar denominado saudável, se mostraram menos susceptíveis a
morbidade, mortalidade da gestante, com melhoria dos desfechos na saúde materno infantil e
no pós-parto. Desta forma, se promove um bom prognóstico nos primeiros anos de vida na
saúde da criança, e para a mulher, a promoção de sua saúde (Barros et al., 2019).
É importante que a gestante receba acompanhamento nutricional durante todo o
período gestacional. Dados da literatura relatam que mães necessitam de informações sobre
nutrição, pois acções educacionais melhoram os níveis de conhecimento, corrigindo assim
comportamentos nutricionais inadequados (Jeje, Andenawoola, & Abosede, 2022). Portanto, é
direito de todo ser humano ter acesso a uma boa alimentação que garanta qualidade e
quantidade. Mas para prevenir a desnutrição é preciso fortalecimento de políticas, e dessa
forma, garantir seus direitos a informações e acesso a serviços de saúde (Katenga-Kaundo, et
al., 2021).
Autores enfatizam o apoio da família, e do companheiro, como forma de
transmitir segurança a gestante. Os factores que podem colocar a adequada da gestante em
12
risco são problemas no âmbito psicossocial, as restrições económicas, dentre outros
problemas que podem impactar de forma negativa o estado nutricional (Peruml, et al., 2021).
Esses dados reforçam que as gestantes precisam de mais atenção pois é uma fase
onde a mulher está aberta a receber explicações e com resultados positivos fundamentais para
estimular a autonomia, intensificando no cuidado com a própria saúde. Assim, aderem a
padrões alimentares adequados para diminuir as consequências da má alimentação para a
saúde da mulher e do bebé (Miyake, Tanka, & Okubo, 2019).
Logo o aporte de um profissional torna-se uma peça fundamental nesse período.
As gestantes devem ser orientadas sendo que os aspectos nutricionais são os que merecem
maior atenção. Sendo assim, apresentar a gestante que a influência da alimentação adequada e
a prática de exercícios físicos sob a orientação de um profissional, irá beneficiar e favorecer
um bom trabalho de parto evitando certas complicações durante e pós-parto (Cetin, et al.,
2019).
Com isso a grávida passa saber a importância da ingestão de determinados
nutrientes, como às proteínas, vitaminas e ferro. Aprenderá a ter uma alimentação mais
saudável, tendo a certeza de que estará consumindo tudo o que o seu corpo e o do bebé em
desenvolvimento necessita (Stravik, et al., 2019).
Importante ressaltar que após o nascimento e durante o período do aleitamento
materno exclusivo, é importante que as mamães procurem por recomendações nutricionais e
mantenha uma dieta pós-parto adequada. Depois que o bebé nascer a mamãe deve continuar
se alimentando de uma maneira equilibrada (Middleto et al., 2021).
Justificação do tema
A justificativa destaca a importância do estudo sobre a alimentação como factor
de surgimento de doenças crónicas em gestantes, focando em dois pontos principais:
Relevância da nutrição na prevenção de complicações gestacional e doenças crónicas.
A pesquisa busca mostrar como uma alimentação adequada durante a gravidez pode
prevenir complicações de saúde tanto para a mãe e para o bebé, incluindo doenças
como diabetes gestacional, hipertensão e obesidade. Este conhecimento pode
contribuir para a conscientização da importância de escolhas alimentares saudáveis no
período gestacional
Desenvolver políticas públicas para o incentivo a boa nutrição no período gestacional.
O tema também pretende destacar a necessidade de incentivar hábitos alimentares
saudáveis de criar ou fortalecer políticas públicas voltadas para saúde gestacional
13
garantindo que a gestante tenha acesso a informação e recursos para manter uma
nutrição equilibrada. A justificativa reforça que abordagem desse tema é valiosa não
apenas para a minha formação académica, mas também para a sociedade, ao contribuir
com soluções, práticas e científicas para melhorar a saúde gestacional.
Problema de investigação
Nesta conscientização, depois de se identificar a falta de conhecimento sobre
alimentação adequada, ausência de acompanhamento nutricional às gestantes aos domicílios,
além da falta de poder financeiro para satisfazer as despesas alimentícias durante o período
gestacional, entendeu-se partir com a seguinte questão norteadora: Que factores alimentares
contribuem para o surgimento de doenças Crónicas às gestantes atendidas nas consultas
Pré-natal do Centro de Saúde Gaspar Domingos Lopes?
Objectivos:
Geral:
Analisar o nível de conhecimento das gestantes em relação a alimentação inadequada
como factores de surgimento de doenças cronicas.
Específicos:
Caracterizar o perfil sociográfico da amostra em estudo;
Identificar as principais doenças causadas pela alimentação inadequada na gestação
das pacientes atendidas nas consultas Pré-natal do Centro de Saúde Gaspar Domingos
Lopes.
Propor estratégias de intervenção nutricional que possam ser integradas à consulta pré-
natal para melhorar os hábitos alimentares das gestantes.
14
CAPÍTULO I: ENQUADRAMENTO TEÓRICO
1.1. Perspectiva histórica da alimentação/nutrição
A história da nutrição como ciência teve início no século XX, devido aos avanços
obtidos em fisiologia e principalmente no desenvolvimento da química fisiológica no século
XIX. Eesse surgimento no âmbito científico está relacionado com a disciplina “Higiene
Alimentar” presente nos currículos dos cursos de Medicina do século XIX. Entretanto, é
possível dizer que as relações entre a alimentação e a saúde começam a ser realizadas muito
antes, visto que desde a Grécia Antiga a alimentação é observada como factor importante para
preservação da saúde, como observado por meio da actuação de Hipócrates e a valorização
que ele atribuía a uma dietética adequada, aliada com a prática de exercícios físicos (Motta,
Oliveira, & Boog, 2020).
Acredita-se que Galeno também acreditava no potencial de cura e prevenção de
doenças através dos alimentos. Desde o século XVII, se têm estudos sobre a alimentação, os
efeitos do peso corporal e também a relação da cura do escorbuto, por exemplo, com a prática
alimentar. Ademais, ainda é possível evidenciar que o químico Antoine Lavoiser pode ser
considerado como o “Pai da nutrição”, visto que ele forneceu grandes contribuições para o
campo da calorimetria e do metabolismo energético pelos alimentos (Negri, et al., 2023).
É válido salientar que os termos, dietética e nutrição, estão fortemente
relacionados, já que, os dois referem-se aos alimentos de forma que promovam a recuperação,
prevenção e manutenção da saúde do homem (Toloza, 2022). Assim, é necessário também
evidenciar alguns registos da ocorrência da profissão de Dietista/Nutricionista pelo mundo. O
registo mais antigo obtido em Nutrição acontece no Canadá, apontando a actuação de Irmãs
da Ordem de Ursulinas em Quebec (1670), no ensino da Economia Doméstica.
Além disso, o primeiro curso para formação de dietistas em âmbito universitário
ocorreu em Toronto, em 1902, porém o exercício pioneiro dessa actividade se deu nas clínicas
das antigas universidades europeias, juntamente com o surgimento da ciência da nutrição,
através dos médicos que estipulavam uma dieta especial para os doentes, sendo as enfermeiras
responsáveis pela realização do alimento (Toloza, 2022).
16
conceitos, que acabam por ser utilizados, muitas vezes, como sinónimos ou terminologias
necessariamente incorporadas uma a outra. (Bosi & Prado, 2020).
A alimentação pode ser definida como o processo biológico e cultural que se
traduz na escolha, preparação e consumo de um ou vários alimentos. A nutrição, por sua vez,
é definida como estado fisiológico que resulta do consumo e da utilização biológica de
energia e nutrientes em nível celular. A alimentação, portanto, engloba o alto de nutrir,
embora não se restrinja apenas a ele dado que o alimento transcende e extrapola o suprimento
das necessidades biológicas (Ministério da Saúde do Brasil, 2021).
Assim sendo, a alimentação não diz respeito apenas a processos biológicos, a
nutrição não se restringe ao estado fisiológico. A nutrição é também um campo científico, que
abarca os estudos sobre a composição química dos alimentos e seus nutrientes, bem como
seus efeitos sobre o corpo, mente e relações humanas; além de ser, ainda, um campo de
formação, geração de conhecimento, profissionalização e de um amplo conjunto de práticas
(Bosi & Prado, 2020).
A alimentação diz respeito a todos os aspectos que envolvem o comer (como ato
voluntário), incluindo o nutrir (como característica do alimento ingerido), ou seja, a relação
entre o ser humano e o alimento. Levando em conta que o alimento carrega consigo
significados culturais, comportamentos afectivos extremamente singulares, os quais não
podem ser minimizados ou relegados, a alimentação, tendo em si o alimento como aspecto
central, expressa as relações sociais, valores e história dos indivíduos e dos grupos
populacionais (Ministério da Saúde do Brasil, 2021).
A complexidade da alimentação é explicitada a partir do conceito de sistema
alimentar, compreendido pelo Marco de Referência em Educação Alimentar e Nutricional
para as Políticas Públicas. Para Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome
(2022, p.12) define a alimentação como:
O processo que abrange desde o acesso à terra, à água e aos meios de
produção, as formas de processamento, de abastecimento, de
comercialização e distribuição, a escolha e consumo dos alimentos,
incluindo as práticas alimentar individuais e colectivas, até a geração
e distinção de resíduos.
Portanto, pensando de forma abrangente, a alimentação vai além do momento de
escolha do alimento, e não se finda com o consumo, atingindo dimensões sociais, ambientais
e culturais extremamente amplas.
17
1.2.2. Mal nutrição
Segundo o Cebola (2021, p.43), a malnutrição pode ser entendida como um estado
em que uma deficiência, um excesso ou um desequilíbrio em termos de energia, proteínas ou
outros nutrientes, causam efeitos adversos na função corporal ou em indicadores clínicos.
A má nutrição, tanto hiponutrição quanto hipernutrição, durante a fase gestacional,
aumenta a susceptibilidade da prole a alterações metabólicas e neuronais (Lucindo & Soares,
2021).
1.2.3. Gestação
A gestação é um processo transicional, complexo, único, especial e
multidimensional que envolve a mulher, o homem, a família e a sociedade. Não se trata
apenas de um evento isolado nem descontextualizado dos demais processos que ocorrem na
vida humana. Ela é influenciada pelas experiências anteriores dos envolvidos, por suas
crenças, valores, cultura e educação e pelo contexto existencial, assistencial e socioeconómico
em que ocorre (Zampieri, 2019).
A Gestação é caracterizada por constantes mudanças tanto físicas quanto
emocionais na vida da mulher. É um episódio de normalidade anatómica e fisiológica com
manifestações clínicas e perfil laboratorial próprio que condiz com as adaptações necessárias
para assegurar o normal desenvolvimento da vida intra-uterina (Cruz, França, & Gruber,
2020).
21
As mulheres gestantes são um dos grupos populacionais com maior risco de
desenvolvimento de anemia. A deficiência de ferro na gestante pode acarretar efeitos adversos
tanto para a sua saúde quanto para a do recém-nascido. As anemias maternas, moderada e
grave, estão associadas a um aumento na incidência de abortos espontâneos, partos
prematuros, baixo peso ao nascer e morte perinatal. Os efeitos no feto podem ser a restrição
do crescimento intra-uterino, prematuridade, morte fetal e anemia no primeiro ano de vida,
devido às baixas reservas de ferro no recém-nascido (Rocha, et al., 2020).
22
mulher como a criança em desenvolvimento enfrentam vários riscos de saúde nesse período.
Neste âmbito, é importante que toda a gestação seja monitorizada pelos prestadores de
cuidados especializados (Marques et al., 2021).
Rejali, et al., (2020), o consumo de uma mistura nutricionalmente e com aceitação
de sabor poderá não só manter, a saúde da mãe e do bebé, evitando problemas durante o parto,
mas também, estabelecer os alicerces essenciais para o crescimento saudável da criança.
Com base em análises que apresentam uma reflexão sobre como os hábitos
socioculturais e as relações sociais que podem interferir na prática alimentar de gestantes,
ressalta-se a necessidade de se abordar questões relacionadas a alimentação na gestação por
uma visão interdisciplinar que reconheça e respeite, além das necessidades nutricionais, o
contexto social e emocional (Santos et al., 2019).
23
orientar sobre a ingestão suficiente de determinados minerais ou vitaminas. O ácido fólico
desempenha um papel chave na redução do risco de desenvolvimento de má-formação do
tubo neural do bebé (Pires et al., 2020).
Portanto no período da gravidez os cuidados continuam e a deficiência de iodo
durante a gravidez pode comprometer o desenvolvimento cognitivo fetal. As mulheres em
preconcepção, grávidas ou amamentando devem receber um suplemento diário de iodo. Desde
o período preconcepção, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno
exclusivo, pelo que deverá ser prescrito o medicamento com a substância activa de iodeto de
potássio na dose devidamente ajustada (Keakts et al., 2019).
As recomendações de cálcios são importantes para os ossos e dentes saudáveis
tanto da mãe quanto do bebé. Visto também que a vitamina D é fundamental para a fixação do
cálcio, para o equilíbrio entre os ossos e a formação do esqueleto e dentes do bebé. Pode-se
assim, dar como exemplo de alimentos ricos em vitamina D, o salmão, ovos, leite e queijos. É
importante ressaltar que a vitamina D é, sobretudo, produzida pela exposição ao sol,
lembrando que se faz necessário o uso de protector solar (Rios, 2020).
De acordo com dados científicos, Coutinho, Contunho, & Continho, (2021)
afirmam que “o consumo adequado de magnésio durante a gravidez está associado à
diminuição do risco de pré-eclâmpsia, de nascimentos prematuros e de atraso no crescimento
intra-uterino”.
Sobre orientação médica, é importante tomar suplemento vitamínico pré-natal
para ter certeza de que o corpo da mãe receberá todos os nutrientes de que precisa; o zinco
desempenha funções cruciais em diversos processos biológicos do organismo, tais como,
síntese proteica, metabolismo energético, metabolismo de hidratos de carbono e de lipídios,
metabolismo do ADN e do ARN e é ainda necessário para a diferenciação e divisão celular e
bom funcionamento do sistema imunológico. Assim, o zinco é um suplemento especialmente
importante e necessário para o bom desenvolvimento neurológico do bebé e a sua deficiência
pode provocar má-formação congénita, baixo peso ao nascimento e morte prematura (Hwang
et al., 2022).
Como é observado, a anemia causada pela carência de ferro e ácido fólico ao
longo da gestação tem correlação com várias condições adversas, incluindo o elevando risco
de mortalidade materna durante o período perinatal, o baixo peso ao nascer e partos pré-
termos. Compreendendo que o factor de risco mais importante para a causa dos defeitos do
tubo neural, é a anemia por falta de ácido fólico, que ocorre na fase inicial do
24
desenvolvimento fetal, entre a terceira e quinta semana de gestação (Koivuniemi, et al.,
2020).
Lembrando que a ausência de ferro durante a gravidez ocorre principalmente pelo
consumo insuficiente na dieta devido a maior precisão desse nutriente nesse período. Sendo
assim, como consequência clínica ocorre a anemia, com frequência de 30% entre as gestantes
(Adeboye, Bodunde, & Okekunle, 2020).
Nesse contexto a nutrição da gestante é, portanto, decisiva para o curso
gestacional, e dessa forma, a dieta no primeiro trimestre da gestação é muito importante para
o desenvolvimento e diferenciação dos diversos órgãos fetais. Observa-se que nos trimestres
subsequentes a dieta está mais envolvida com a optimização do crescimento e do
desenvolvimento cerebral do feto (Gomes et al.,2019).
25
sol (em horários ideais) estão associadas a uma menor incidência de cárie e diminuição da
prevalência de hipoplasia de esmalte (Schoth, 2023).
Alguns profissionais da área da saúde prescrevem suplementação de cálcio e
fósforo; no entanto, se essa suplementação foi insuficiente, pode aumentar o risco de defeitos
no. O baixo peso ao nascer pode retratar fatos ocorridos durante o período fetal (pudesse citar
como exemplo a alimentação não-balanceada da gestante), pois reflecte as condições
nutricionais do recém-nascido e da mãe durante a gestação (Massoni et al., 2019).
Caixeta & Correa (2019), realizaram uma pesquisa com crianças prematuras, com
o objectivo de avaliar a erupção dentária e a prevalência de defeitos no esmalte. Os defeitos
no esmalte apareceram em 51,43% das crianças com peso muito baixo e 14,29% com peso
normal, indicando uma tendência à associação inversa entre peso e defeito; com relação à
erupção dentária, esta não foi retardada, porém, o número total de dentes até 36 meses
mostrou-se menor do que os resultados encontrados em crianças normais. Evidências de
países subdesenvolvidos com má nutrição mostram que um defeito no esmalte chamado
hipoplasia do esmalte é comum. (Caixeta & Correa, 2019).
Algumas pesquisas têm mostrado que o esmalte hipoplásico é mais susceptível à
colonização por Streptococcus mutans; dessa forma, é uma condição favorável ao acúmulo de
biofilmes cariogênicos. Por essa razão, crianças com hipoplasia de esmalte têm uma chance
muito maior de desenvolver lesões de cárie nessas áreas (Santos et al.,2019).
26
diversos órgãos fetais. Já nos trimestres subsequentes, a dieta está mais envolvida com a
optimização do crescimento e do desenvolvimento cerebral do feto (Drehmer, 2020).
As gestantes são susceptíveis à inadequação nutricional, pelo aumento da
demanda de energia, de macro e de micronutrientes, que ocorrem durante a gravidez, a fim de
se garantir a saúde materno-fetal (Fazio, 2019).
Seja em termos de micro ou macronutrientes, o inadequado aporte nutricional da
gestante pode levar a uma competição entre a mãe e o feto, limitando a disponibilidade dos
nutrientes necessários ao adequado crescimento fetal. Portanto, a literatura é consensual ao
reconhecer que o estado nutricional materno é indicador de saúde e qualidade de vida tanto
para a mulher quanto para o crescimento do seu filho (Freitas et al.,2019).
Considera-se importante a alimentação adequada no período gestacional e o
aconselhamento nutricional a partir do primeiro trimestre da gravidez, como meio de
proporcionar e promover mudança de comportamento e, consequentemente, redução de
doenças pelo estilo de vida. A inadequação da dieta na gravidez é um problema de saúde
pública e aumenta o risco de baixo peso ao nascer, crescimento fetal inferior, defeitos do tubo
neural, obesidade materna, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e parto prematuro. (Oliveira et
al., 2019).
O que acontece é que muitas mulheres têm noções pouco corretas acerca dos
cuidados alimentares a ter durante a gravidez e/ou amamentação, devido a ideias
preconcebidas e mitos relacionados com a ingestão de determinados alimentos. Observa-se
em alguns casos a privação de certos alimentos desnecessariamente. Assim como, por vezes,
ocorre a alteração dos hábitos alimentares destas mulheres de forma inadequada, podendo
inclusive afectar o desenvolvimento normal do embrião/feto, ou mesmo, afectar o estado de
saúde da futura mãe. Um bom estado nutricional durante a gravidez e a amamentação permite
à mãe e ao filho uma óptima saúde (Pinheiro & Seabra, 2020).
A falta de conhecimento sobre uma alimentação saudável pelas gestantes reflecte
directamente nas suas escolhas dietéticas, que podem estar influenciadas por factores como
aumento do apetite, paladar acentuado, condições socioeconómicas e influências locais
(Beckrnkamp, Sulzbach, & Granada, 2019).
Mesmo que durante a gravidez as mulheres estejam cercadas por uma
racionalidade técnica, sobretudo por meio do contacto com o discurso científico no pré-natal,
as crenças, os valores, os gostos, as prescrições e interdições continuam a agir como fortes
referenciais. O conhecimento em nutrição e a cultura alimentar podem se justapor, contrapor
27
ou conjugar, às vezes interferindo na margem de autonomia da gestante sobre suas escolhas
alimentares (Baião & Deslandes, 2021).
28
De acordo com estudo conduzido por Shin & Song (2023), as gestantes que
consumiam maior quantidade de carboidratos simples e gorduras totais possuíam maior risco
de desenvolver diabetes gestacional.
Já o estudo feito por Hernandez et al., (2023), sugere que uma dieta constituída
por alimento com menor teor de gordura, carboidratos complexos e com menor índice
glicémico e adequada em proteínas contribui para um melhor controlo glicémico.
Dados científicos ressaltam que grávidas cujo ganho de peso que ultrapassa as
recomendações tem maior risco de desenvolverem diabetes gestacional, síndromes
hipertensivas, hipertensão crónica e pré-eclâmpsia, pois, podem gerar complicações a saúde
da nutricional no bebé e intercorrências no trabalho de parto (Shirem, Brudner, & Atsmon,
2019).
Também apresentam riscos aumentados para uma gravidez tardia e morte fetal
ultra uterino a classificar como aborto. Outro factor crítico é que bebés nascidos podem
associar-se a microssomia fetal (Mohamed et al., 2022).
Assim, a obesidade e o baixo peso podem acarretar diversas complicações
maternas, fetais e perinatais. Destaca-se que o ganho de peso adequado é considerado um
processo natural devido ao aumento das necessidades nutricionais e metabólicas, para garantir
o correto desenvolvimento e crescimento fetal (Sartorelli et al., 2020)
Desta forma, estudos têm mostrado que o cuidado com a alimentação no período
que antecede a concepção deve ser priorizado. Para conferir essa importância, um estudo
realizado com mulheres obesas que apresentavam problemas de fertilidade indicou positiva
correlação entre a condução de orientações nutricionais para a perda de peso no momento que
antecedeu a concepção e aumento no número de gestações espontâneas no período do estudo (
Zhang et al., 2020).
Na fase da gravidez o sobrepeso requer um cuidado de ajuste alimentar, para
reduzir o risco de doenças que são prevalentes durante a gestação como a diabetes
gestacional. Em um estudo realizado com mulheres diagnosticadas como intolerantes a
glicose, observou-se que intervenções nutricionais voltadas para redução do risco de
obesidade foram essenciais para a saúde da mulher durante a gestação, reduzindo o risco de
diabetes gestacional. Dentre as condutas nutricionais, os pesquisadores priorizaram o aporte
de micronutrientes como vitaminas do complexo B e vitamina D e melhora da saúde intestinal
(Beitune et al., 2019). Estudos trazem um enfoque realizado com mulheres que estavam em
29
tratamento para a fertilidade, e observou-se que as que consumiam mais fastfood e menos
frutas, apresentavam mais dificuldade para a concepção acontecer.
De forma complementar, mulheres que reduziram o consumo de fastfood de
quatro para duas vezes por semana tiveram redução do risco de infertilidade em 41%. Estas
análises reforçam a necessidade do cuidado com a alimentação durante todas as fases da vida,
inclusive durante o planeamento da gestação. Com a redução do risco de obesidade,
certamente a gestação será mais saudável e a prevalência de doenças metabólicas será
reduzida, tanto para a mãe quanto para o bebé (Miotto, Grieger, & Grzeskowiak, 2021).
31
gestação e o atendimento nutricional não apenas para as gestantes com baixo peso, mas
também para aquelas com sobrepeso pré-gestacional e risco de ganho excessivo de peso
durante a gravidez. (Araujo, 2023).
Entre as mulheres obesas, a alimentação nem sempre se encontra adequada para o
período da gestação, podendo levar a um ganho de peso inadequado. A adequação à
recomendação de ganho de peso requer mudanças no padrão alimentar desde os primeiros
momentos da gestação ou antes dela - para que os conceitos sobre alimentação saudável sejam
incorporados e colocados em prática pela gestante. (Niquini, 2019).
O ganho ponderal gestacional excessivo pode exercer influência negativa para o
recém-nascido e o excedente pode afectar o estado nutricional materno e não necessariamente
ser ofertado para o feto. Entre esses desfechos, podem ser citados macrossomia, sofrimento
fetal e trabalho de parto prolongado, além de obesidade infantil, diabetes e hipertensão nas
crianças (Lisboa et al., 2019).
Como a família constitui o principal foco de decisões de compra de alimentos e é
o grupo de referência que mais influência no consumo alimentar das gestantes, dessa forma, a
abordagem sobre o ganho de peso adequado e mudança de hábitos alimentares para gestantes
obesas deve ser feita continuamente durante toda a gestação, incentivando o apoio da família.
(Araujo, 2023). O ganho ponderal adequado da gestante pode ter influência positiva na saúde
da mulher e da criança (Lisboa et al., 2019; Silva & Bong, 2021).
As gestantes são as principais responsáveis pela formação dos hábitos alimentares
da criança, o que reforça ainda mais a importância da promoção da alimentação saudável e
adequada neste período (Gomes et al., 2019).
Se a gestante está desnutrida, consequentemente subtende-se que o bebé não está
recebendo os nutrientes necessários da mãe. O bebé poderá apresentar problemas no
crescimento e baixo peso. Os efeitos gerais da desnutrição sobre o corpo geram imunidade
baixa, maior risco para doenças e baixo crescimento. (Lisboa et al., 2019).
Alguns efeitos da desnutrição durante a gestação acompanham a criança durante
toda a sua vida. Um bebé desnutrido é mais susceptível a infecções na fase de crescimento e
na vida adulta. Também se comprova que os problemas cognitivos e a dificuldade de
aprendizado estão ligados aos sintomas de desnutrição, principalmente durante a gravidez e na
infância. As mulheres que sofrem com desnutrição na gestação tendem a ter filhos com baixo
peso ao nascer. (Niquini, 2019).
32
A anemia é uma das doenças que mais afectam as mulheres grávidas com
desnutrição em todo o mundo. Aumenta o risco de mortalidade, tanto da mãe quanto do bebé
durante o parto. Além disso, outros efeitos graves gerados pela desnutrição são partos
prematuros, com complicações hemorrágicas e defeitos congénitos no feto. (Organização
Mundial da Saúde, 2013) Um aporte nutricional inadequado, considerando energia, macro e
micronutrientes, pode levar à uma competição entre a necessidade da gestante e do feto,
influenciando na disponibilidade de nutrientes indispensável para o adequado crescimento
fetal e sendo capaz de gerar um prognóstico desfavorável da gestação (Lisboa et al., 2019;
Ferraz et al., 2020).
Os micronutrientes, como as vitaminas e minerais, também são determinantes no
desfecho da gestação, destacando as vitaminas A, D, E, C, ácido fólico, B12 e B6, e os
minerais tais como ferro, zinco e selénio. Dentre eles, cita-se o ácido fólico, o qual a sua
suplementação tem efeito considerável na prevenção de defeitos do tubo neural e outras
anormalidades congénitas (Lisboa et al., 2019; Ferraz et al., 2020)
O estado nutricional inadequado tem grande impacto sobre o crescimento e
desenvolvimento do recém-nascido, podendo comprometer o crescimento pós-natal, com alto
risco de morbidade no primeiro ano de vida. As deficiências nutricionais são responsáveis por
grande parte da morbidade e mortalidade perinatais (Fujimore, 2019).
Uma boa alimentação na gestação, contribui para a prevenção de uma série de
ocorrências negativas. Enfatiza-se a necessidade do acompanhamento nutricional para as
gestantes, para que as refeições possam ser distribuídas da forma correta, recomenda-se a
ingestão de alimentos seis vezes ao dia e com intervalos de três horas, entre cada refeição,
para que os mitos relacionados a alimentação possam ser desmistificados e para que haja uma
educação alimentar correcta. A nutrição se ocupa em adequar as recomendações nutricionais
às necessidades de nutrientes dos indivíduos nas diversas fases do ciclo da vida. Porém, para
Gomes (2019), as práticas alimentares de mulheres, mesmo em estados fisiológicos de grande
importância, sob o ponto de vista nutricional, tais como gestação, puerpério e lactação, são
permeadas por crenças, prescrições e proibições. O conhecimento científico e as práticas
culturais podem estar em oposição, os preceitos científicos podem tornar-se sem relevância,
diante de valores culturais e simbolismos dos alimentos (Niquini, 2019).
Com isso, legumes, frutas, ovos, peixes e carnes podem ser excluídos da dieta,
consideradas “fortes” e perigosas para a saúde da mãe e da criança. Em diversas culturas, as
33
crenças, os valores, gostos, as prescrições e interdições alimentares têm grande importância
para muitas mulheres grávidas e puérperas. (Niquini, 2019).
35
Desta forma, além destes factores é importante ressaltar que a disponibilidade de
nutrientes e compostos bioactivos nos alimentos orgânicos que não são cultivados com
defensivos agrícolas é superior. Visando melhor qualidade, o aumento no consumo de
alimentos orgânicos deve ser encorajado, sendo uma forma de promover mais saúde e
preservação do nosso meio ambiente e qualidade de boa alimentação para a gestante (Shaw,
Yang, & Roberts, 2021).
Os nutrientes e compostos bioactivos presentes em muitos alimentos exercem
efeitos protectores, reduzindo o risco de diversas doenças. Vale ressaltar que, dentre os
nutrientes, as gorduras saudáveis ingeridas ganham maior destaque, por serem essenciais para
o funcionamento das células, especialmente pela actuação estrutural que conferem (Flannery,
et al., 2020).
Os ácidos graxos ómega 3 são amplamente estudados, sendo constatada sua
importância para o desenvolvimento cognitivo das crianças, especialmente pela acção de
neuroprotecção contra hipóxia, permitindo integridade dos mediadores de reacções
neurológicas (Miyake, Tanaka, & Okubo, 2019).
Contudo estima-se que além do efeito protector em sistema nervoso central o
consumo de fontes de ómega três (3) pelas gestantes também pode estar associado à redução
no risco de problemas imunológicas, como alergias de trato respiratórios. Conforme uma
análise conduzida com gestantes, observou-se que o uso de ómega três (3) durante o terceiro
trimestre de gestação (com suspensão na última semana gestacional) promoveu redução do
risco de condições alérgicas de trato respiratório até o terceiro ano de idade (Miyake, Tanaka,
& Okubo, 2019).
A literatura relata que tais resultados reforçam a importância da qualidade das
gorduras boas que irão fazer parte da dieta das gestantes. Considerando que além deste
importante factor, é necessário levar em consideração os outros nutrientes que farão parte da
alimentação. É válido destacar com segurança, que a gestação é um período de tempo
relativamente longo, possibilitando a realização de um importante processo educativo em
saúde e nutrição que vise a modificação comportamental da mulher grávida, no sentido de que
a gestante adopte hábitos alimentares e estilos de vida saudáveis (Ngogalah, et al., 2021).
Dessa forma pode-se ressaltar que a adequada orientação nutricional fornecida
durante o pré-natal é indispensável à saúde e a nutrição satisfatória das gestantes, irá
beneficiar e pode contribuir de forma directa na redução dos riscos associados a desnutrição e
a obesidade; outra questão importante é evitar o ganho ponderal gestacional inadequado e
36
auxiliar nas escolhas alimentares e adopção de estilos de vida saudáveis (Bianchi, et al.,
2021).
Assim medidas nutricionais devem ser avaliadas pelos profissionais de saúde
como uma das estratégias de intervenção dietética que podem contribuir para a reeducação
alimentar da mulher grávida e para desfecho gestacional satisfatório. Portanto, cabe assegurar
o estabelecimento de vínculo profissional, e a adesão e satisfação das grávidas às propostas
nutricionais (Cozzi, et al., 2022).
Acredita-se que a importância da orientação está não só na certeza de que uma
boa alimentação irá resultar em uma gestação saudável, mas, alertará as gestantes que de fato
possam adquirir um hábito inadequado e nesse sentido pode ter consequências graves na
saúde da mãe e do bebe. Destaca-se em especial, o privilégio de fornecer esse tratamento na
formação de uma nova vida, contribuindo para que ela tenha uma história saudável em todos
os sentidos (Shaw, Yang, & Roberts, 2021).
A alimentação durante o período gestacional deve ter grande atenção para garantir
a saúde da mulher. Assim, a equipe de saúde, formada por médicos, enfermeiros, cirurgiões-
dentistas, nutricionistas, entre outros, deve estar integrada com o intuito de prestar uma
assistência integral à gestante, já que ela passa por intensas modificações metabólicas (Shaw,
Yang, & Roberts, 2021).
Inicialmente, a equipe de saúde deve estar atenta ao Estado Nutricional materno e
acompanhar o ganho de peso ao longo da gestação que deve ser em torno de 11 a 16 kg para
mulheres eutróficas, 12 a 18 kg para gestantes com baixo peso; e entre 6 e 7 kg para mulheres
com sobrepeso e/ou obesas. O gasto energético de uma gestação completa (40 semanas) varia
de acordo com as características nutricionais de cada mulher. Entretanto, as recomendações de
ingestão de alimentos são comuns a todas as gestantes. Segue abaixo algumas recomendações
importantes que os profissionais da saúde, inclusive os cirurgiões-dentistas, devem transmitir
às gestantes (Abanto et al., 2019):
a) Fazer refeições pequenas e mais frequentes (de seis a oito refeições ao dia);
b) Dar preferência a alimentos leves com baixas quantidades de gorduras, sal e açúcares;
c) Evitar alimentos industrializados;
d) Consumir três porções diárias de frutas e hortaliças;
e) Comer devagar, mastigando bem os alimentos;
f) Ingerir, pelo menos, 2 L de água ao dia;
37
g) Aumentar a ingestão de fibras (cascas, sementes de frutas e verduras cruas, frutas
secas, cereais integrais);
h) Reduzir o consumo de sal (na preparação dos alimentos, em enlatados, salame,
azeitona, queijo parmesão).
Além dessas recomendações, alguns micronutrientes também são importantes, tais
como:
a) Ferro: é importante durante todo o período gestacional sendo que, no último trimestre
há um maior requerimento de ferro pela gestante. A Organização Mundial da Saúde
recomenda que todas as gestantes recebam um suplemento deste nutriente durante o
último período gestacional como medida profilática. A ingestão de alimentos ricos em
ferro, pode ajudar na prevenção de uma possível anemia. Assim, a orientação
alimentar deve priorizar a ingestão de ferro heme (presente em carnes e vísceras) e
melhorar biodisponibilidade de ferro não heme (presente em leguminosas, hortaliças
verdes-escuras, ovos), com a ingestão de sucos ou alimentos ricos em vitamina C.
b) Vitamina C: recomenda-se a ingestão diária de alimentos fonte de vitamina C, sem
necessidade de suplementação. Entre os alimentos fonte dessa vitamina estão: acerola,
kiwi, laranja, limão, morango, maracujá, goiaba, entre outros.
c) Vitamina D: Essencial para a saúde da gestante e do bebé, ela pode ser facilmente
obtida por meio da exposição regular a raios solares (entre 6 h e 8 h, pela manhã e 16
h e 18 h, durante a tarde) e pela ingestão de alimentos como atum, sardinha, gema de
ovo, óleo de peixe e fígado.
d) Cálcio: As melhores fontes de cálcio são os queijos, leite e alguns vegetais como
brócolis, mandioca e milho. Entretanto, o cuidado com a alimentação não deve ser
dado apenas durante o período gestacional. O período pós-parto também requer
atenção dos profissionais da equipe e, a alimentação adequada contribui não só para
saúde materna, mas também, para com a qualidade do leite a ser fornecido ao bebé.
Dessa forma, Abanto et al., (2019), apresentam algumas recomendações devem
ser dadas às mães, durante a amamentação:
i) Ingestão diária de 2 litros de água;
j) A ingestão de álcool não é recomendada, pois modifica o odor do leite materno;
k) Consumo de peixe três vezes na semana para garantir os níveis de ácido graxo ômega-
3 adequados no leite materno;
38
l) Evitar alimentos como chocolate, café, refrigerantes, pois podem causar cólicas no
bebé;
m) Consumir alimentos ricos em Vitamina A.
39
Esta relação entre hiperglicemia e aumento da pressão arterial também está
fortemente associada ao surgimento de graves complicações, como o diabetes mellitus
gestacional (DMG) e a pré-eclâmpsia, aumentando o risco de o recém-nascido apresentar
desvio de peso, baixos índices de maiores incidências de parto cesariana e pré-termo outros
(Oliveira, Tavares, & Bezerra, 2019).
Um estudo identificou que a DMG foi 2,76 vezes mais provável de ocorrer em
mulheres com insegurança alimentar em relação aquelas de famílias com segurança alimentar
(Olson, 2021)
O estado nutricional na gestação é um factor importante no processo de
desenvolvimento da pré-eclâmpsia (PE). Esta condição é uma das principais causas de morte
materna e fetal no mundo e foi identificada maior chance de desenvolvê-la na presença de
insegurança alimentar (Silva et al., 2021).
Além de problemas físicos, também é constatada a influência da IA na saúde
psíquica da mulher. A carência de acesso seguro aos alimentos, a ansiedade alimentar e a fome
são causas de estresse diário, principalmente para mulheres. A IA está associada a sentimentos
de desespero, vergonha, angústia, desesperança e ansiedade constante, que podem contribuir
para o sofrimento mental. Portanto, a insegurança alimentar pode ser considerada um
importante factor de saúde, associado a um maior risco de transtorno mental (Harmel &
Hofelmann, 2022).
40
Ante o exposto, conforme retratado por Barros et al., (2023), alguns artigos
demonstram que a inadequação do estado antropométrico da mulher, no período
compreendido antes e durante a gestação, implica em um problema de saúde pública uma vez
que pode facilitar o desenvolvimento de complicações gestacionais, além de influenciar no
resultado de saúde materna após o parto e do bebé.
De acordo com estudos citados por Barros et al., (2023), a associação entre o
ganho de peso da gestante e o peso ao nascer da criança foi reconhecido nos Estados Unidos
da América na década de 1960 e alguns estudos posteriores reafirmaram os efeitos positivos
do ganho de peso adequado durante a gestação para melhor resultado para mãe e bebé. Ao
passo que, em amostra do estudo de Nascimento (2019) é apontada prevalência de baixo peso
ao nascer associados de forma significativa à número de consultas pré-natal, intercorrências
clínicas na gestação, idade gestacional e sexo do recém-nascido.
A faixa de ganho de peso recomendado pelo Institute of Medicine é embasado na
classificação do estado nutricional anterior à gestação, utilizando-se Índice de Massa Corporal
pré-gestacional (IMC=peso pré-gestacional/estatura2) (Barros et al., 2023) A população
referência do estudo foi de mulheres americanas saudáveis, que não representam a população
de mulheres de países em desenvolvimento, gerando crítica à adopção desse índice no Brasil.
O estudo de Fonseca (2021), observou que não apenas as gestantes com excesso
de peso podem gerar complicações perinatais indesejadas, mas também as com baixo peso, o
que pode desencadear um risco de morbimortalidade neonatal.
Dentre os factores que podem evoluir em prognósticos negativos na gravidez está
o estado nutricional da gestante. Mesmo após o parto, o peso pré-gestacional pode ser
considerado factor de risco tanto para ganho de peso no decorrer da gestação quanto na
manutenção do peso no pós-parto. Alguns estudos mostram que as mulheres que iniciaram a
gestação acima do peso têm a tendência a não voltar ao peso anterior à gestação (Nogueira &
Carreiro, 2021).
O ganho de peso insuficiente durante a gestação associado ou não ao baixo peso
pré-gestacional gera maiores riscos de anemia e hemorragias, além de ser considerado
importante indicador de desfechos adversos no período gestacional. Em contrapartida, o
sobrepeso e obesidade pré-gestacionais ou o ganho de peso acima da expectativa durante a
gestação promovem um risco aumentado para não manutenção do peso pré-parto,
desenvolvimento de diabetes gestacional e hipertensão gestacional (Campos, 2019).
41
Segundo Brasil (2019) foi constatado um maior número de casos de nascimentos
de baixo peso em estabelecimentos públicos, comparativamente com estabelecimentos não
públicos. Isso pode se dar pelo fato de que esses estabelecimentos atendem uma quantidade
maior de mulheres e recém-nascidos com maior vulnerabilidade. O peso ao nascer foi a
variável mais usada como desfecho nos estudos apresentados por Barros et al., (2023).
O peso ao nascer é reconhecido como influenciado pela prematuridade e retardo
no crescimento intra-uterino, sejam eles associados ou não. Diante do exposto pode-se
concluir que o ganho de peso inadequado durante a gestação pode influenciar os desfechos
maternos e fetais. Reforçando a importância da realização das consultas de pré-natal
qualificado, além da necessidade da realização de mais estudos que possam envolver essa
temática para produção de informações e protocolos capazes de contribuir para avaliação
nutricional materna
42
A qualidade da alimentação da gestante, bem como seu estado nutricional antes e
durante a gestação influenciam o desfecho da gravidez, afectando o crescimento e
desenvolvimento do feto (Texeira & Cabral, 2019).
Desta forma, pode-se destacar que as inadequações do ganho de peso na gestação
são importantes preditores de complicações para o binómio mãe-bebé. Conforme o estudo de
Barros (2023), a influência da prematuridade e do retardo do crescimento intra-uterino em
associação ou isolados, além de idade materna e gestacional, são grandemente reconhecidos
como influência no peso ao nascer do bebé. Existem diversas evidências de que carências
nutricionais podem vir a provocar um crescimento intra-uterino de forma deficiente, além de
gerar a redução de células nos diferentes sectores da economia fetal, principalmente no que
tange o sistema nervoso central (Siqueira, et al., 2021).
A partir da avaliação do consumo de forma adequada de macro e micro nutrientes,
pudesse determinar o estado nutricional da gestante. Já o consumo de maneira inadequada
poderá acarretar inúmeras complicações tanto para a mulher gestante quanto para o feto que
está sendo gerado, comprometendo a saúde de ambos (Almeida et al., 2021).
Assim, a gestante deve estar atenta ao ganho de peso de forma a manter o aporte
de energia e nutrição adequada ao feto. Como a gestante necessita manter o aporte de energia
e nutrição para o feto, na gestação, são desenvolvidos complexos processos no organismo
requerendo uma maior oferta de energia, vitaminas, proteínas e minerais, como forma de
suprir as necessidades básicas e formar reservas energéticas. Assim, as necessidades de
calorias aumentam conforme o trimestre gestacional, como forma de fornecer maior
suprimento ao gasto energético ocasionado pelo aumento da taxa de metabolismo basal e
ganho de peso adequado (Freitas et al., 2019, citado por Almeida et al., 2021).
A identificação precoce de mudanças comportamentais, que podem estar
associadas ao ganho de peso inadequado durante a gestação, contribui para adopção de
medidas de intervenção positivamente associadas à saúde materno infantil. Portanto, torna-se
essencial a adequada avaliação nutricional para diagnóstico oportuno e proposições de
medidas mais efectivas. Através de uma nutrição que possibilite uma alimentação intuitiva,
que propicie a autonomia e seja, principalmente mais humana e gentil é possível atender às
necessidades da gestante, uma vez que a gestação gera uma necessidade calórica aumentada
para suprir as necessidades do feto e da mãe. O organismo da mulher se adapta para receber o
feto e forma reservas energéticas para mãe e bebé, gerando também mudanças em seu corpo.
43
1.18. Avaliação nutricional na gestação
45
CAPÍTULO II: ENQUADRAMENTO EMPÍRICO
Metodologia da investigação faz referência às fases e aos procedimentos seguidos
numa determinada investigação. Desta forma, define-se método científico, como um conjunto
de procedimentos técnicos e intelectuais adoptados, com vista a atingir o conhecimento
(Vilelas, 2020).
47
2.2. Tipos de estudo
48
codificar um conjunto de comportamentos e ambientes que estão ligados ao objecto que se
pretende estuda.
Teve-se em função do autor supra, trabalhar de forma periódica com o período
diurno, exclusivamente, lembrando que a hora do expediente no CPN é de 7 horas às 15
horas..
Uma variável, tal como o nome indica, é algo que varia. Por variável, entendemos
qualquer característica ou qualidade da realidade que é susceptível de assumir diferentes
valores (Vilelas, 2020).
Segundo os mesmos autores, variáveis independentes são as que podem ou não
influenciar o resultado da variável dependente. É chamada independente, pois dentro da
relação estabelecida não depende de nenhuma outra (Vilelas, 2020). A variável dependente é a
que se espera observar como resultado das outras variáveis do estudo (Néné & Sequeira,
2020). No presente estudo foram consideradas as seguintes variáveis:
Variável Dependente: Doenças crónicas;
Variáveis Independentes: Sociodemográficas (idade, sexo, nível de
escolaridade, condição social e estilo de vida).
50
CAPÍTULO III: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS
RESULTADOS
Neste capítulo, designado por Apresentação, Análise e Discussão de Dados,
pretende-se nos atermos ao processamento de dados estatísticos sobre informações ligadas ao
que se pode obter dos inquiridos durante o processo de recolha de dados junto das inquiridas
na Consulta Pré Natal (CPN) do Centro de Saúde Gaspar Domingos Lopez, sob a temática
subordinada a Alimentação inadequada como factor de surgimento de doenças crónicas às
gestantes atendidas na Consultas Pré-Natal do Centro de Saúde Gaspar Domingos Lopes no Iª
semestre de 2024.
53
Tabela 4: Caracterização da amostra segundo estilo de vida alimentar das gestantes
atendidas na CPN do Centro de Saúde Gaspar Domingos Lopes no Iª semestre de 2024
1
Quando tem uma refeição somente
2
Quando tem uma a duas refeições por dia
3
Quando tem três ou mais refeições por dia, rica em proteínas vitaminas e nutrientes
54
Tabela 5: o que é entendes por alimentação inadequada?
55
Tabela 6: Quais são as reais razões que levam as gestantes das Consultas pré-natal do
Centro de Saúde do Gaspar Domingos Lopes a desenvolver uma alimentação
inadequada como factor de surgimento de doenças crónicas?
56
Tabela 7: Quais são as consequências de uma alimentação inadequada em gestantes
atendidas na CPN do Centro de Saúde Gaspar Domingos Lopes no Iª semestre de 2024
durante o período gestacional?
Total 12 100%
Fonte: Instrumento de recolha de dados, 2024.
58
Tabela 9: Como a alimentação inadequada, na gestação pode afectar o desenvolvimento
fetal e a saúde do recém-nascido?
Designações Frequência Percentagem
A falta de nutrientes essenciais (como 5 42%
proteínas, ferro, ácido fólico, cálcio, zinco e
vitaminas)
A deficiência de ácido fólico 3 25%
Má nutrição está associada ao aumento do 1 8%
risco de parto prematuro
A carência de nutrientes como zinco, selénio, 3 25%
ferro e vitaminas A, C e D
Total 12 100%
Fonte: Instrumento de recolha de dados, 2024.
Os resultados mostram que a maioria das gestantes (42%, frequência 5) reconhece
que a falta de nutrientes essenciais (como proteínas, ferro, ácido fólico, cálcio, zinco e
vitaminas) pode comprometer a gestação. 25% (frequência3) mencionaram especificamente a
deficiência de ácido fólico, e outra 25% frequência 3) referiram-se à carência de nutrientes
como zinco, selénio, ferro e vitaminas A, C e D. Apenas 8% (frequência 1) citaram que a má
nutrição está associada ao risco de parto prematuro.
Segundo Papathakis e King (2019), deficiências nutricionais durante a gravidez
em particular de ácido fólico, ferro, zinco e vitaminas A e D estão associadas a defeitos do
tubo neural, baixo peso ao nascer, retardo no crescimento intra-uterino e comprometimento do
desenvolvimento cognitivo do bebé.
Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2016) destaca que a má
nutrição materna está directamente relacionada ao aumento do risco de mortalidade neonatal,
parto prematuro e desenvolvimento de doenças crónicas na vida adulta do recém-nascido,
como diabetes tipo 2 e hipertensão.
O facto de apenas 8% das gestantes associarem directamente a má nutrição ao
parto prematuro pode indicar falta de acesso a informações aprofundadas durante as consultas
pré-natais. Segundo Silva et al. (2022), a abordagem nutricional durante o pré-natal deve ir
além das recomendações genéricas, incluindo explicações claras sobre como a alimentação
influencia o crescimento fetal e os riscos de complicações obstétricas.
59
CONCLUSÃO
60
RECOMEMNDAÇÕES
61
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74
APÊNDICES
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PÚBLICA
Estou ciente de que os responsáveis pelo projecto estarão aptos a esclarecer-me qualquer
dúvida sobre o desenvolvimento do trabalho, bem como os poderei solicitar para inquietação
sob questões que forem colocadas.
Estou ciente que não obterei qualquer benefício financeiro ou de outra ordem ao fazer parte
desta pesquisa.
2. Nível de escolaridade: Técnico básico (____); Técnico Médio (____); Licenciada (____) .
3. Condição social: Baixa (____); Média baixa (____); Média alta (____).
4. Estilo de vida alimentar (____): Saudável (____); Razoável (____); Instável (____).
2.1. Presada gestante, temos a certeza de que alguma vez chegou a ouvir dizer sobre a
alimentação inadequada.
2.2. Quais são as reais razões que levam as gestantes da Consultas Pré-Natal do Centro de
Saúde do Gaspar Domingos Lopes a desenvolver uma alimentação inadequada como factor de
surgimento de doenças crónicas?
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______
2.3. Quais são as consequências de uma alimentação inadequada durante o período
gestacional?
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