ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO
(MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Copyright 2022 Autor da Fé Editora
Categoria: Vida cristã
Primeira edição — 2022
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Autora: Natalie Pinheiro
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Prefácio
Nós estávamos participando de uma cerimônia de casamento
em Brasília quando conhecemos o Beto e a Natie. O nosso primeiro
encontro aconteceu “por acaso” quando vimos que o nosso filho
caçula estava brincando com uma criança que até então não
conhecíamos. Era o Caio, filho primogênito deles. Nós nos aproxi-
mamos e começamos a conversar. Primeiramente, sobre os filhos,
depois sobre a fé, e, por fim, percebemos que tínhamos muitos
pensamentos em comum. No dia seguinte, almoçamos juntos e
ouvimos a história narrada neste livro. Não sabíamos se saboreá-
vamos a deliciosa comida do Coco Bambu ou se parávamos de
comer para prestar mais atenção à história deles.
A história dos dois é impressionante! Eles se casaram, se
divorciaram e se casaram novamente depois de alguns meses
separados! A restauração do casamento não aconteceu sem que
antes houvesse a experiência do perdão. Como a Natie escreveu:
“O processo do perdão é construído”, e se inicia quando a pessoa
tira os olhos de quem a feriu e coloca os olhos em si mesma. Em
vez de exigir do outro uma atitude de arrependimento, a pessoa
ferida decide perdoar ainda que o outro não faça nada.
Enquanto líamos o livro da Natie, nós nos lembramos das pala-
vras do Desmond Tutu, Prêmio Nobel da paz em 1984. Ele disse que:
“Sem o perdão, permanecemos atados àquele que nos prejudicou.
Ficamos presos pelas correntes da amargura, juntos, aprisionados.
Até conseguirmos perdoá-lo, ele deterá as chaves da nossa felicidade;
será o nosso carcereiro. Quando perdoamos, retomamos o controle de
nosso destino e de nossos sentimentos. Tornamo-nos nossos próprios
libertadores. Não perdoamos para ajudar o outro. Não perdoamos
pelos outros. Perdoamos por nós mesmos”. A Natie trilhou esse cami-
nho do perdão e não deixou que a amargura a aprisionasse. Como
ela escreveu, ao submeter a humanidade dela ao senhorio de Cristo,
ela experimentou uma mudança no próprio coração. Com o coração
transformado, ela conseguiu olhar para o ex-marido com outros olhos
e construir em Deus a restauração do seu casamento.
É interessante ouvir a percepção do Beto sobre esse momento
de mudança da Natie. Ele disse que “o comportamento acolhedor da
Natie me constrangia constantemente e fez toda a diferença na nossa
reconciliação. Ela nunca impôs que eu mudasse, mas a sua postura
me fazia querer mudar”. A mudança dela moveu a mudança dele e,
consequentemente, promoveu a restauração da família.
Nós não sabemos em que estágio de vida você se encontra, mas
podemos garantir que existe esperança para você. A história da
Natie e do Beto, como você lerá nas páginas deste livro, é uma
evidência inquestionável do que Deus pode fazer na vida de quem
se abre para viver a restauração do casamento e da família.
Boa leitura,
Pastores Gustavo Bessa e Ana Paula Valadão Bessa,
Igreja Diante do Trono.
***********
Nossos queridos amigos e filhos no ministério, Natalie e Beto,
como também os seus preciosos rebentos que carregam uma
história de vida e têm muito a comunicar nestes dias as pessoas,
cônjuges, famílias e comunidades do Reino.
O homem contemporâneo vive num tempo de desconstrução;
entretanto, a mensagem deste casal é fruto de um encontro com o
Abba, que leva ao conhecimento contínuo Dele, contribuindo para
a construção do novo homem em Cristo, bem como a descoberta
do propósito de vida e família.
Um processo transformador se estabeleceu no casamento deles e
nessa jornada os dois têm muito para nos contar e repartir conosco.
São filhos ensináveis e frutíferos como se pode ver aqui. Para eles
a pessoa de Cristo se tornou o centro de tudo e da grande transforma-
ção que descrevem neste livro. Tudo isso para revelar o ministério
deles como um presente de Deus para as famílias da Terra.
Espero que tenham uma ótima leitura e sejam inspirados em
sua jornada, aproveitando também para compartilhar com outros
essas bençãos.
Parabéns por este primeiro livro Natalie e Beto, que essa men-
sagem marque e transforme vidas e famílias.
Apóstolos Hudson e Risselma Teixeira,
Brasil de Joelhos.
********
Lembro-me do dia exato em que conhecemos a Natalie. Eu e mi-
nha esposa, Lulu, ministramos para famílias; e, por isso, já viajamos
muito. Numa dessas viagens, nos vimos dentro de uma casa linda,
com pessoas que nem conhecíamos. Entre eles, o Beto e a Natalie.
Olhamos um para o outro e falamos: “Por que aceitamos essa agenda?
Só pode ter sido Deus”. E de fato foi. Ali nos sentamos à mesa e a Na-
talie foi nos contando um pouco da sua história e de como o Senhor
havia restaurado seu casamento e junto com ele, a sua família.
No decorrer deste livro você encontrará duas histórias, a de um
casamento sem princípios e falido; e outra, de um casamento genuíno,
de uma aliança estabelecida por Deus e de uma linhagem restaurada.
Estas páginas poderão despertar em você memórias dolorosas
e feridas abandonadas ou até mesmo fazer você pensar: “Eu não
tenho essa força que a Natie teve”. Quero lhe dizer que a força dela
veio do Senhor, porque Ele se aperfeiçoa na nossa “fraqueza”.
Você chegou até aqui, este livro está em suas mãos, isso quer
dizer que o Senhor já enviou um recurso e acredite Ele tem muito
mais para lhe entregar. Oro para que a cada página Deus acrescen-
te mais fé, graça e misericórdia a você e que possa sentir o amor
vindo de quem é amor, o Senhor. E por último, que você reconheça
que a glória da segunda casa é maior do que a primeira (Ag 2:9).
Boa leitura e Deus abençoe!
Pastor Jucelio de Souza,
Ministério Mevam.
**********
Todos já ouvimos, por várias vezes, a frase: “Família é um projeto de
Deus”; no entanto, raramente mergulhamos na Palavra desse mesmo
Deus para compreender o que de fato isso significa. Apenas homens
e mulheres disponíveis à desconstrução de padrões culturais não
cristãos, prontos para a quebra de paradigmas como romance, conto
de fadas e fantasias, estão aptos a ter seus olhos desvendados para o
que Deus imaginou quando instituiu o casamento e a família. É nesse
ponto que as histórias de superação e transformação encontram seu
lugar. São exatamente histórias assim, nas quais as experiências de
dor e perda acabam por conduzir seus protagonistas a caminhos de
busca, possibilitando que se encontrem com princípios eternos que
finalmente abrirão seu entendimento para o verdadeiro significado
da frase. Isso é uma das coisas mais importantes que você vai perce-
ber na leitura deste livro. A experiência vivida por Beto e Natalie os
conduziu ao lugar exato onde Deus se revelaria definitivamente para
ambos, reconstruindo a partir dali toda a sua compreensão de família
e vida a dois.
Conhecemos Beto e Natie, em 2005, ainda em Fortaleza, antes
de toda a história. E depois nos reencontramos, bem no período
do perdão e restauração, para a partir dali iniciarmos uma cami-
nhada juntos. Testemunhar o processo de Deus em seus corações
e casamento, bem como sua entrega para edificar outros casais a
partir de seu testemunho e vida espiritual, fornece força e verdade
eterna a este livro, pois a família realmente subsiste a tudo, desde
que firmada na Rocha Eterna, que é Cristo.
Natalie e Beto entenderam isso, colocaram em prática e, com suas
vidas, ensinam como viver sob essa Verdade diariamente. Nossa casa
e nosso ministério têm sido abençoados por esse testemunho, pela
vida desse casal tão precioso e temos convicção, em nossos corações,
que a compreensão de casamento de quem tiver este livro nas mãos
se ampliará para níveis poderosos em Deus, após a leitura e aplicação
dos princípios contidos nas entrelinhas dessa linda e poderosa história
de amor: um homem e uma mulher que resolveram fazer de Cristo,
seu único e permanente amor para todo o sempre.
Sejam edificados,
Pastores Dino e Melissa Guimarães,
Ministério Cristo Salinas.
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Beto e Natie são corajosos! Este livro, embora violento em seu
testemunho, não revela ou expressa metade do que é lutar por um
casamento falido; pois, só eles saberão exatamente o quanto custa
morrer para si mesmo para gerar vida no cônjuge. Talvez, durante
a leitura destas páginas você também chegue a essa conclusão
após decidir pela aliança em vez de dar ouvidos a todos os seus
motivos pessoais para terminar um casamento.
Natalie é cirúrgica e pontual, tem sido uma voz que clama pelo
casamento e tem provido luz para milhares de mulheres sem uma
direção clara do que fazer diante das inúmeras turbulências da
relação entre os aliançados. A traição, o ponto chave desta obra
literária, talvez seja o que mais dilacera a alma e somente uma
ação sobrenatural do Espírito Santo e uma decisão interior poderá
reverter o dano causado por um repúdio. Ela venceu e pode pegar
sem suas mãos e ajudar você a transitar por essa jornada de con-
solo e paz no descanso do Senhor, em convicção pela restauração.
Em um tempo de degradação moral e corrosão da família tra-
dicional, levantar a bandeira do casamento é um ato de ousadia e
intrepidez. Hoje, após todos estes anos de ministério, creio que uma
das áreas mais sensíveis, porém fundamentais para o Reino de Deus
é o matrimônio. É justamente por isso que é tão atacado pelo sistema
de crenças comuns infiltrado na mentalidade do ser humano.
O apóstolo Paulo declara: “Digna dentre todas as instituições
é o casamento”. Isso demonstra que Paulo havia recebido uma
revelação de que a vida conjugal não era uma mera formatação
cultural ou social, mas sim o modelo terreno do padrão divino de
relacionamento ao modo de Deus. Isto porque, Deus se enamorou
de uma nação e a chamou de Israel. A tomou para si como esposa
e com ela teve um filho, o qual na idade varonil, pediu ao pai uma
adjutora e ele lhe deu a Igreja, todos aqueles nascidos de novo da
água e do espírito.
Existe um modelo na eternidade, um padrão preestabelecido
antes de todas as civilizações. Cristo desposou sua noiva e deu a
ela sua vida e esta, constrangida por tão grande amor, se entregou
completamente em aliança com o seu amado.
Dizem alguns rabinos messiânicos, que Adão e Eva no jardim
que ficava no Éden, teofanizaram essa relação espiritual. Imagine
pois, que ambos eram como gêmeos. Adão, foi posto em sono
profundo e do seu lado, local onde se concentra o armazenamento
de DNA foi tirada a sua esposa Eva. Pecaram, e caídos tornaram-se
almas viventes sem mais usufruir da vida eterna pois a transgres-
são fez separação entre eles e o Eterno Criador. Por isso que, ao
acordar, ele a vê tão semelhante a ele que declara: “Esta senão é,
ossos dos meus ossos e carne da minha carne”.
O mesmo acontece na cruz do Calvário, ferido em seu lado ao
ser transpassado por uma lança romana, Jesus Cristo, o último
Adão de espírito vivificante verte sangue e água, justamente do
lado onde o primeiro Adão foi ferido para gerar vida. Ali, naquele
momento ímpar, nasce a Igreja, a noiva que está sendo adornada
para o encontro com o Cordeiro. Uma relação eterna, interminável
e inseparável.
Você, que já teve um encontro com Cristo e obteve a revelação des-
te pacto em aliança eterna consegue imaginá-lo trocando de esposa?
Penso que seja inadmissível! Ele a ama profundamente a ponto de se
entregar por ela, lavando-a e purificando-a pela água que é a Palavra.
Ele segue perdoando-a mesmo diante de traições, permanece fiel a
palavra que empenhou diante de Deus Pai. Assim, podemos entender
que o cordão de três dobras não se quebra. A aliança matrimonial não
é apenas entre o casal e sim um pacto de permanência em Deus, no
qual ambos lutarão para levar adiante o sim que professaram perante
o Deus trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Somente de uma relação tão
poderosa poderia se gerar filhos. Imagine, sementes piedosas, as quais
se tornam um elo geracional como legado para as futuras gerações
perpetuando a real importância do casamento para o equilíbrio da
vida na Terra enquanto família de Deus.
Por isso, o casamento tem um grau de relevância tão grandioso;
pois na Terra revela o amor de Jesus por sua Igreja. Dois se tornam
um! Indivisíveis, a ponto de se fundirem tanto que são capazes de
gerar outro ser que seja composto por dois seres tão diferentes e ao
mesmo tempo tão iguais: um homem e uma mulher.
Hoje, o casamento se banalizou, tornou-se um evento, um
sentimento, uma emoção e as pessoas têm muito mais compro-
misso com o que sentem do que com a aliança. Mesmo diante dos
inúmeros motivos que a lei legal e influência cultural apresentam
como saída para uma relação adoecida, creia que Deus pode trans-
formar qualquer situação adversa; e a sua lei moral é a base para
a restauração plena de um casamento o tornando feliz.
Boa leitura!
Pastores Luiz Hermínio e Iraci F. Santos,
Ministério MEVAM.
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“O casamento não é uma mera união civil, mas é em parte
espiritual e em parte divino, e, portanto, somente Deus tem o
poder de determinar seu início, sua continuação e seu fim.”
(A. W. Pink – autor britânico)
O sucesso do casamento cristão não depende de sentimentos
e emoções, não pode depender. Os sentimentos são susceptíveis a
mudanças e variações. Você não pode prometer e garantir que terá
determinado sentimento sempre. Logo, se o amor fosse apenas um
sentimento, o voto de casamento não faria o menor sentido. Mas
o voto de casamento faz todo sentido porque o amor não é um
sentimento.
Mas, então, se amor não é um sentimento, o que ele é? O amor
é um compromisso, a minha vontade empenhada e comprometida
com o verdadeiro bem da outra pessoa. É claro que as pessoas que se
amam geralmente também têm sentimentos fortes, mas alguém pode
ter sentimentos fortes sem ter amor. O verdadeiro amor, repetindo, é
um compromisso da vontade com o verdadeiro bem de outra pessoa.
Jesus deixou muito claro em Seu ministério e ensinos que o ca-
samento é uma obra única de Deus. Não é simplesmente uma rela-
ção contratual que pode ser encerrada à vontade, pois o que Deus
uniu não pode ser terminado levianamente. Embora um contrato
ou aliança civil esteja envolvido, o casamento é um estado de ser,
não apenas de pertencer. Esse pensamento está contido na palavra
“casamento”, que traduz a ideia bíblica de estar indissoluvelmente
“casado = ligado” um com o outro. O casamento pretende ser um
vínculo para toda a vida, e o apelo de Jesus nos fornece uma visão
elevada do casamento, um contraste vívido com o ensino liberal
tanto daquela época como de hoje.
Já o divórcio é como uma pessoa cortando um braço ou uma per-
na porque tem uma farpa ou um espinho nele. Em vez de lidar com
qualquer problema que surja entre marido e mulher, o divórcio tenta
resolver o problema destruindo a união, amputando a relação. Em
um nível mais profundo, o divórcio destrói uma união que o próprio
Deus construiu. É por isso que Jesus disse que ninguém pode separar
aquilo que o próprio Deus ajuntou (Mt 19:6). Nosso Senhor, como
Criador de todas as coisas, entre elas o casamento, jamais deseja que
esta unidade seja quebrada. O divórcio é uma negação da vontade de
Deus e uma destruição de Sua obra.
Conheço o Beto e a Natalie há muitos anos, e tenho visto como
Deus foi maravilhoso para com eles. O nosso passado não nos
define, a experiência de nossos ancestrais não nos define; o que
realmente nos define é a Palavra de Deus e os propósitos que Ele
tem para nós. E como é lindo ver esse casal tão precioso vencendo
suas lutas, quebrando barreiras, aprendendo lições, recomeçando
e se tornando padrão dos fiéis. A Bíblia diz claramente que me-
lhor é o final das coisas do que o começo delas (Ec 7:8). Claro que
“fim” aqui não é somente a ideia de “término”, mas de propósitos
cumpridos, de finalidade! Mas também de “término”, no sentido
de acabar bem, em vitória, em paz e harmonia.
Este livro é um testemunho vivo, mas é também um alerta
para casais que estejam em crise e considerando a possibilidade
do divórcio. Natalie escreve com a experiência de alguém que
passou por muitas fases de crises pessoais e conjugais, chegando,
inclusive, a um divórcio. Mas é encorajador ver como ela, pouco a
pouco, trilhou o caminho da autodescoberta, do perdão, da paciên-
cia, da fé, da oração e da perseverança. O princípio bíblico de que
a mulher sábia edifica a sua casa (Pv 14:1) se aplica perfeitamente
às atitudes que ela aprendeu e desenvolveu. E o resultado foi uma
intervenção sobrenatural de Deus em favor do casamento e da fa-
mília. Os dois casaram novamente, dois casamentos com a mesma
pessoa, desta vez para sempre!
Eu vejo no Beto um homem de Deus, sensível e aberto ao agir divi-
no. Quando o Espírito Santo tocou, inquietou o seu coração, ele soube
se quebrantar e permitir que os planos de Deus fossem cumpridos em
sua vida e na vida de sua família. A prova disso é uma família linda,
restaurada, que ama a Deus e pode se colocar como exemplo para
outras famílias, tanto naquilo que não fazer, como, acima de tudo, no
que fazer para viver em vitória e harmonia, em todas as áreas.
A Natalie escreve com paixão e desenvoltura. Recomendo com
entusiasmo a leitura deste livro. Certamente ele ajudará muitos
casais a aplicar os princípios de superação e reconciliação que
tanto ajudaram o Beto e a Natalie a construir a família abençoada
que eles têm hoje.
Pastor Abe Huber,
Paz Church São Paulo.
********************
Quando as pessoas veem um casamento feliz pensam que
sempre foi assim, ou que aquele casal se ajustou automaticamente
e não houve sofrimento ou desgastes. A verdade é que há muito
trabalho, suor e lágrimas por trás de um casamento bem-sucedido
e duradouro.
Há um princípio no Reino de Deus que é o da morte e da
ressurreição. Desejamos viver o poder que tirou Cristo da morte,
mas não queremos passar pela cruz. Se olharmos com atenção
verificaremos que os mandamentos do Criador para a família são
elevadíssimos e não podem ser cumpridos sem um poder do Alto,
que só é liberado quando há rendição e arrependimento (cruz).
Maridos precisam confessar que não conseguem, por si mes-
mos, amar as esposas como Cristo amou a Igreja e clamar por
socorro. Estas, precisam entender que não conseguem respeitar e
amar o marido, como se ele fosse o próprio Senhor. Mesmo assim
é necessário se empenhar nessas tarefas, pois o céu é trazido para
o lar quando cada um faz o seu papel.
Talvez, o mais difícil e vital mandamento na família seja o
perdão. Quando duas pessoas se juntam trazendo ainda as
marcas da queda e as limitações do pecado, ferir um ao outro é
inevitável, e o perdão constante e gracioso precisa ser liberado
por ambas as partes.
Trabalhando para Deus com famílias há mais de trinta e cinco
anos posso dizer, sem vacilar, que amo o que faço, porque não há
prazer maior do que presenciar a ação do Espírito Santo curando
pessoas e restaurando famílias. Difícil explicar. Sinto um gozo único
e duradouro quando presencio o meu Senhor agindo e tocando em
áreas que só Ele pode alcançar! Quem pode propor a uma esposa
traída que perdoe? Quem pode sugerir a um marido ultrajado que
desculpe? Não é somente o Justo? Ele manda perdoar, porque Ele
capacita a fazê-lo! O Senhor ordena orar, porque Ele responde às
orações mais improváveis!
Temos um trabalho que se realiza no Centro Terapêutico da
Família, onde atendemos centenas de casais por ano! Sou teste-
munha ocular de milagres e mais milagres e posso afirmar que
poucos se comparam ao que será contado pela Natalie, a pastora
que cuida das esposas feridas e que escreveu este livro que você
tem em suas mãos.
Muitas pessoas viveram o milagre, mas nem todas conseguem
perceber os princípios que levaram a isso e ainda multiplicam tais
resultados sobrenaturalmente! Quem me dera que houvesse milhares
de pastoras Natalie e de pastores Beto, para que cada cidade do Brasil
pudesse ter um ministério com famílias consistente e abençoado!
A obra que você tem em mãos é tanto um testemunho quanto
um ensino. O primeiro não pode ser contestado, afinal, ela viveu
e nos relatou com transparência as suas dores, tristezas, sonhos
e vitórias; já o ensino é da melhor qualidade, porque patrocinou
a experiência e foi confirmado por ela. Assino embaixo de cada
linha de instrução trazida pela pastora e sei que se você, leitora,
mergulhar nas propostas e desafios por ela apresentados experi-
mentará a mão de Deus mudando a sua sorte.
Ler este livro é como caminhar ao lado da autora nos meses
mais críticos de sua vida. A leitura é leve, emocionante e profunda.
Você tanto poderá compartilhar o que ela sentiu como perceberá
o Deus que esteve com ela o tempo todo. Amada, leia este livro e
examine a si mesma. Busque o Deus dela e desfrute do que pode
ser o livro mais importante da sua vida.
Boa leitura,
Pastor Josué Gonçalves,
Igreja Família Debaixo da Graça.
*******
O Manual do Divórcio é uma obra que levará a reconstruir as
pontes que um dia foram quebradas em seu relacionamento para
voltar ao primeiro amor. Se você não sabe o que fazer pois está
desacreditado, cansado e sem esperança, esta leitura é urgente! De
forma leve e prática, Natalie ensina sobre a verdadeira essência
do casamento e como superar conflitos considerados impossíveis.
Pastor Arthur e Talitha Pereira,
Igreja do Amor.
*******
O casamento foi a primeira instituição da Terra e foi estabelecida
pelo próprio Criador no Éden, quando o casal ainda não conhecia o
pecado, ou seja, é a primícia de todas as organizações. Este é o tema
central do presente livro escrito pela Natalie e pelo Beto.
Conhecemos há mais de uma década esse casal, e tivemos o
privilégio de acompanhar de perto muitas de suas experiências
com o Espírito Santo, que tem feito deles os líderes maduros e
influentes que são atualmente.
Eles viveram e superaram situações extremas, algumas delas
pareciam não haver esperança. E, por isso, adquiriram autoridade
para ajudar outros naquilo que foram sarados. Assim, a nobreza
do conteúdo deste livro se revela na autenticidade dos fatos vividos
e expressados pelo casal. Eles conseguiram, com muita sabedoria,
traduzir suas próprias experiências com Deus em ferramentas que
podem auxiliar os leitores a superar, crescer e se fortalecer nas
adversidades.
Nos sentimos honrados e privilegiados em prefaciar esta obra,
pois creio que ajudará nossa sociedade na construção de famílias
seguras e saudáveis. Ao ler este livro, o leitor terá o privilégio de
acessar uma nova perspectiva de como lidar e discutir, sem receios
ou ressalvas, as diferentes questões pertinentes ao relacionamento
do casal.
José Carlos e Angélica Peréa,
presidentes do Instituto Família em Curso.
Sumário
Introdução.................................................................................. 21
PRIMEIRA PARTE | MINHA HISTÓRIA............................................... 25
DECEPÇÃO, DORES E FERIDAS NA ALMA........................................... 27
A FAMÍLIA RESISTE A TUDO.............................................................. 31
Um amigo....................................................................................... 35
As alianças.................................................................................. 41
Novidades..................................................................................... 45
Acolhida por deus....................................................................... 49
“Levanta, ajoelha e ora pelo seu marido!”................................ 59
Bendito serás!.............................................................................. 63
Perfeito, no plano de Deus.......................................................... 67
SEGUNDA PARTE | MANUAL ANTIDIVÓRCIO..................................... 75
Algumas explicações................................................................. 77
O princípio de tudo........................................................................ 79
O que o casamento é.................................................................... 85
É tempo de reflexão................................................................... 95
O poder da oração................................................................... 101
O poder da comunicação......................................................... 107
O poder do perdão................................................................... 115
Palavras finais....................................................................... 125
Introdução
F
ico muito feliz, de verdade, por poder compartilhar nas próxi-
mas páginas com você tudo o que aprendi. Meu aprendizado
aconteceu por meio da forma mais terrível de todas: pela dor.
Não que eu me julgue especial por causa disso, não. De maneira
nenhuma; mas entendo que é por esse motivo que Deus me conferiu
autoridade para ajudar pessoas que passam pelo mesmo problema.
Essa é a razão pela qual, hoje, você tem nas mãos este Manual Antidi-
vórcio. Sim, pela autoridade que o Senhor me deu, pude escrever este
livro; porque já estive no lugar que acredito que você possa estar agora.
Talvez, soe estranho um livro com este título. Até porque, quando
alguém se decide pelo divórcio é porque o relacionamento está
muito desgastado, as crises se somaram; quem sabe, o desrespeito
tomou conta completamente da relação, houve adultério... Eu não
sei da sua história. O que sei é que aprendi que Deus é um Deus
de aliança e que tem promessas a serem cumpridas na vida de seus
filhos por meio do casamento. Sendo assim, sei que Ele me curou e me
habilitou a contar e a ter essa conversa com você nas próximas páginas.
Como disse, aprendi sobre tudo o que me dispus a escrever e já
estive no lugar de divórcio. Foi por intermédio dessa experiência
que tenho ajudado muitas mulheres e também casais a refazerem
21
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
seus casamentos. Algo que sei, por tudo que vivi e das bênçãos que
desfruto hoje, é que a traição não foi o meu fim, mas o começo
de uma grande missão, uma grande jornada para que, assim, eu
pudesse ser feliz de verdade e ajudar outras pessoas.
Muitos me perguntam se, quando olho para o passado e penso
em tudo o que atravessei, ainda dói, pois, muitas vezes, conto a
minha história e me emociono. Quando olho para trás, não sofro
mais, porque verdadeiramente eu fui curada. Quando somos sara-
dos, não existe mais dor, é como uma pele cicatrizada, pois o sinal
fica, é possível ver a cicatriz, mas ela não dói mais. E o que me
emociona, de fato, é saber que Deus é real e está pronto a realizar
milagres. Desde que O peçamos e acreditemos que Ele o fará.
Muitas das pessoas que chegam até mim perguntam se Deus,
com certeza, irá restaurar seu casamento, o amor e a vida a dois.
Infelizmente, eu não tenho a resposta exata para essa pergunta.
Primeiro, porque não sei dos planos de Deus, segundo, porque não
sei o quanto cada um está disposto a se render aos planos de Deus
e a ser moldado segundo a poderosa mão dEle.
Mas há algo muito importante que aprendi e compartilho com
boa vontade: sobre o poder do perdão. No entanto, compreendi que
perdoar não é uma prática única, mas um estilo de vida, no qual
Deus nos ensina que é possível deixar os erros para trás, a fim de
viver o novo que só Ele pode dar a nós. Você está disposto a viven-
ciar esse poder? Sinceramente, espero que sim.
Bem... é por este e muitos outros motivos que quero compartilhar
o passo a passo da minha virada de chave. Como Deus modificou
o meu pensamento, a minha forma de me ver e todo o contexto
no qual eu estava inserida e me colocou, amorosamente, em outro
patamar. Quero, nas próximas páginas, abrir a caixa preta, e contar
fatos que normalmente não costumo contar, detalhes do que acon-
teceu comigo.
22
NATALIE PINHEIRO
Por isso, este livro será dividido em duas partes. Na primeira,
contarei a minha história. Falarei um pouco de mim, de minha
família de base, de quem verdadeiramente sou, da minha trajetória
de vida, do meu casamento, de tudo o que enfrentei e o que me
levou a ser uma mentora de mulheres e de casamentos. Na segunda,
entraremos propriamente no manual. Não darei uma receita a ser
seguida; não. Quem dera ela existisse. Mas mostrarei alguns pontos
muito importantes a todo ser humano e que podem transformar
qualquer história de forma positiva. Minha intenção é ajudar você,
minha leitora, meu leitor, a virar o jogo da sua vida. Tanto pessoal-
mente quanto em seu relacionamento conjugal.
E há algo muito poderoso que creio, de todo o meu coração, e
desde já quero que você se aposse dessa verdade: o mesmo Deus
que me amou de tal maneira, me abençoando com tudo que estou
vivendo hoje, também tem todo o poder para fazer o mesmo na
sua vida. Não importa o que aconteceu na sua história de vida, no
seu casamento, acredite, o mesmo milagre que aconteceu comigo
pode acontecer com você.
Minha oração é que, por intermédio da minha história, no seu
coração, seja gerada a esperança de que o seu casamento pode ser
restaurado. Ainda, de que Deus irá habitar na sua casa e de que os
seus filhos serão criados, cuidados e amados pelo pai e pela mãe,
juntos!
De verdade, oro para que o Senhor o abençoe como tem aben-
çoado a mim. Sendo assim, aqui estou para ajudar você. Que as
próximas páginas tragam esse auxílio. Boa leitura!
Natalie Pinheiro.
23
P R I M E I R A P A R T E
MINHA
HISTÓRIA
CAPÍTULO 1
DECEPÇÃO, DORES E
FERIDAS NA ALMA
“Ao homem pertencem os planos do coração,
mas do Senhor vem a resposta da língua”
(Provérbios 16:1 – NVI).
S
abe qual era meu maior sonho? Ter minha própria família.
Até onde me alcança a memória tudo o que eu mais queria
na vida era me casar, ter filhos, ser mãe. Não me lembro de
ter alguma vez me imaginado como uma mulher de sucesso, uma
executiva ou empresária, não. Eu queria ter uma família bonita,
numerosa, feliz, barulhenta até. Como aquelas famílias incríveis
que a gente vê nos filmes ou nos comerciais de margarina. Esse era
o desejo mais profundo do meu coração.
E, apesar de ter passado por algumas desilusões amorosas, no
início da juventude — quem não passou, não é mesmo? —, eu
havia me casado e estava, depois de quatro anos e alguns meses
de união, à espera do meu primeiro filho. Como aquele bebê tinha
sido almejado, sonhado e desejado. Que alegria era saber que uma
vida crescia dentro de mim.
27
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Mas... infelizmente, essa felicidade era apenas minha. Meu
esposo, o pai da criança, não recebera a notícia muito bem. Também,
nosso casamento havia entrado numa fase não muito boa. Por
alguma razão que eu não conseguia bem identificar, meu marido
estava agindo como um homem solteiro. Beto saia com os amigos
para beber, farrear e ter aventuras por aí. Ah, se ele soubesse como
o seu comportamento me machucava... o que eu podia fazer?
Por um tempo, havíamos estado separados por motivos profis-
sionais. Ele estava abrindo um novo empreendimento a mil e nove-
centos quilômetros de mim. Ainda assim, durante esse período,
tínhamos nos encontrado pelo menos uma vez por mês. Até que,
grávida, precisando de seu apoio, sentindo que ele estava distante,
não apenas fisicamente, fui ao seu encontro para estar perto e cons-
truir a nossa família.
No entanto, quando cheguei a Brasília, cidade em que meu
marido se encontrava, percebi que minha presença, em função de
seu estilo de vida, seria um grande empecilho para ele. Até porque,
tudo o que Beto não queria, naquele momento, era uma família.
O DESEJO DELE ERA TOTALMENTE OPOSTO AO
MEU. SEU MOMENTO DE VIDA ERA, COM CERTEZA,
DIFERENTE DO MEU.
Ser rejeitada daquela maneira, vivenciando uma gravi-
dez, precisando tanto da presença de meu esposo física e
emocionalmente, trouxe dores profundas à minha alma.
Tanto que essas dores não ficaram apenas no plano emocional, pois
comecei a sangrar. Meu corpo sentiu a minha dor. Não era mais
um coração ferido por uma rejeição de amor... era o corpo de uma
mãe pedindo socorro.
28
NATALIE PINHEIRO
Minha maior preocupação
Por isso, passei a me preocupar muito com a vida do meu bebê.
Toda mulher tem em si um senso de cuidado e proteção muito
grande com a sua prole; ainda que no começo de uma gestação. E
eu, que sonhava tanto em ter filhos, não era diferente. A gestação
tornou-se delicada e a recomendação que recebi do médico foi que
fizesse o mais absoluto repouso para não complicar ainda mais o
momento que vivenciava.
O problema é que, embora eu conseguisse não carregar peso,
passar parte do dia imóvel, e me envolver apenas em atividades
leves, a situação emocional não mudava. Pelo contrário, ela se agra-
vava. Certo dia, o sangramento se intensificou de tal maneira que
precisei ir às pressas ao hospital. Ali, descobri que estava com desco-
lamento de placenta.
Foi quando compreendi que mais do que repouso físico eu
precisava de um alívio emocional. Mas isso não parecia ser possí-
vel pois a situação entre meu esposo e eu se deteriorava mais e
mais.
Algumas noites depois dessa minha conclusão, fomos, eu e Beto,
jantar em um restaurante. Aparentemente, tudo estava bem. Mas
ele acabou bebendo demais. E, em determinado momento, atendi
a um telefonema. Enquanto conversava, meu marido saiu para
farrear com os amigos. Foi quando compreendi que, se não fosse
embora, perderia o meu filho. E isso, definitivamente, não era algo
que eu quisesse.
Assim, saí do restaurante, fui para casa, liguei para os meus
pais, expliquei o que estava acontecendo, fiz as minhas malas.
Posicionei-me e fui embora sem dizer uma só palavra ao Beto.
Diante de toda aquela situação, adiantaria falar alguma coisa?
Mais até do que eu já havia falado? Creio que não. Por isso, virei
as costas e tomei essa atitude por mim e por meu bebê.
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ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Quando Beto chegou em casa, às 4 horas da manhã, e não
encontrou nenhum pertence meu, me ligou dizendo que eu havia
tomado a melhor decisão da minha vida, pois, finalmente, ele estava
livre. Quanta dor aquelas palavras me trouxeram. Por mais
que eu tivesse ido embora, não queria ouvir aquilo. Eu
queria escutar que ele se arrependia e que a nossa família
era muito importante para ele. Enquanto o ouvia falando,
senti como se o chão se abrisse sob os meus pés, como se
uma parte da vida saísse de mim... as lágrimas rolaram
pelo meu rosto sem que me esforçasse por controlá-las.
Dentro de mim, havia apenas dor.
30
CAPÍTULO 2
A FAMÍLIA RESISTE A
TUDO
“Seus filhos se levantam e a chamam de ‘abençoada’,
e seu marido a elogia:
‘Há muitas mulheres virtuosas neste mundo,
mas você supera todas elas!’”
(Provérbios 31:28,29 – NVI).
Q
uando voltei para casa, para a minha família de base,
estava magoada, fragilizada... meu emocional, nos dias
seguintes à separação, se manifestou de forma totalmente
diferente ao que sabia a meu respeito. Eu não me reconhecia...
Foram muitas lágrimas, muita dor, muita angústia em meu peito...
Na verdade, meu sentimento de fracasso, frustração e a desilusão
pelo meu sonho perdido eram enormes.
Mas, antes de prosseguir em minha história, faz-se necessário
voltar um pouco mais ao meu passado. Dessa maneira, será mais
fácil entender como eu estava ali, carregando um filho e precisando
de um novo rumo para seguir.
Como já contei, o grande sonho da minha vida sempre foi ter
a minha família. Isso vinha desde a infância. Prova disso é que
a minha brincadeira preferida, tanto com os primos e amigos ou
31
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
até mesmo quando estava na fazenda do meu avô, era brincar
de casinha. E sempre, invariavelmente, nessas brincadeiras eu
era a mãe. Aquela que coordenava, dominava, mandava, cuidava
dos filhos e via a vida acontecer a partir da minha autoridade
de mãe.
Hoje, quando puxo pelas minhas memórias, lembro que, desde
cedo, já havia em meu coração o desejo de me casar, ter uma casa
com filhos, uma família; enfim, ser esposa e mãe.
Tenho quase certeza de que esse meu desejo nasceu da minha
própria vivência em casa, pois meus pais se casaram bastante cedo.
Minha mãe aos 15 anos e meu pai aos 19. Sou a terceira filha, de
quatro irmãos, e pude aprender muito dentro do meu núcleo fami-
liar, onde cresci e desenvolvi esse senso de família.
Sempre admirei muito a minha mãe que foi uma mulher
de uma enorme sabedoria, força e resiliência. Penso que
foi dela que adquiri a crença de que a família é a prova
de bala, aguenta tudo. Veja, meu pai oscilou entre momentos
nos quais ganhou muito dinheiro e outros em que perdeu muito
também. Além disso, ele atravessou uma depressão, traiu minha
mãe e acabou tendo uma filha fora do casamento. Mas, ainda assim,
diante desse cenário difícil e devastador, minha mãe permaneceu
forte, sábia e cheia de fé. Ela era uma mulher que estava sempre
firme e bem posicionada. A sensação que sempre tinha era de que
minha mãe saía de cada crise sempre melhor do que havia entrado.
Sabe pessoas que são forjadas no fogo e não sucumbem nunca? Pois
é... é assim que vejo minha mãe.
O que me movia
Como também já relatei, tenho plena certeza de que
vivenciar esse contexto em relação ao casamento gerou
em mim um significado de que a união do casal, a aliança
32
NATALIE PINHEIRO
firmada, realmente, deve ser “a prova de balas”. E, na minha
cabeça, uma crença muito forte se formou de que a família
resiste a tudo. Sempre. Aconteça o que aconteça.
Fui crescendo movida por esse sonho de ter minha família. No
entanto, passei por relacionamentos sem futuro, fui sofrendo muitas
defraudações, pois acabei me relacionando com pessoas que não
correspondiam às expectativas que eu tinha nelas. Assim, fui me
decepcionando, me frustrando, me magoando.
O que acontecia é que tive alguns namoros que pareciam ter
futuro, mas que, na verdade, não tinham. Logo, quando esses rela-
cionamentos terminavam, havia em mim uma sensação horrível
de ter sido usada e abusada. Eu me doava emocionalmente, sem
ter os meus anseios satisfeitos. Sem ter sido respeitada, acolhida.
Eu acreditava na relação, investia nela, levava as coisas a sério,
acreditava que seria pedida em casamento, mas o namoro termi-
nava; para, rapidamente, o rapaz começar a namorar com outra e
se casar com ela.
Acredite, isso aconteceu por cinco vezes consecutivas. Quando
eu achava que seria pedida em casamento, o namoro terminava e
o fulano rapidamente se casava com outra. Isso gerou em mim feri-
das emocionais. Tanto que desisti do meu sonho; e por um tempo
acreditei que não teria a minha família.
No entanto, apesar de machucada, decidi que era tempo de olhar
e cuidar de mim. Percebi que estive tanto tempo focada em encon-
trar o “príncipe”, em ser algo para os outros, que me esquecera de
olhar para mim, de me amar. Então, me dei conta de que estava
carregando um peso extra no meu corpo. E que, sim, aquilo afetava
a minha saúde, as minhas emoções, a minha autoestima.
Decidida a investir em mim, me submeti a uma cirurgia
bariátrica. A partir desse processo, passei a cuidar mais de mim
mesma. A focar em comer de forma mais saudável e a me exercitar
33
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
também. Aproveitei o fato de estar mais leve para fazer da corrida
o meu exercício físico. Assim, todos os dias eu corria pela orla de
Fortaleza. Como é bom gerar endorfinas em contato com a luz do
sol e com a brisa do mar. Posso dizer, com toda a segurança, que
me sentia bem, leve, física e emocionalmente. E digo mais, quando
estamos bem, estamos abertos a novidades, mesmo que, muitas
vezes, nem percebamos.
34
CAPÍTULO 3
Um amigo
“É melhor ter companhia do que estar sozinho,
porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas.
Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se”
(Eclesiastes 4:9,10a – NVI).
C
erto dia, eu estava correndo pela orla, em Fortaleza, me
exercitando, quando vi um rapaz vindo em minha dire-
ção. Nós nos conhecíamos, pois mais ou menos um ano
antes, quando eu ainda estava me relacionando com alguém, uma
amiga tinha nos apresentado. Naquele dia, ele me pareceu bastante
diferente do dia em que nos conhecemos, mas, ainda assim, sem
dúvida, era ele. Era o Beto.
Beto também me viu e parou para conversar comigo. Senta-
mo-nos e batemos um bom papo como se nos conhecêssemos de
longa data. Foi muito bom. Ele acabou se abrindo, e contou que
estava atravessando um processo de depressão. Frisou que naquele
momento a vida dele não tinha muito sentido, nem apresentava
nenhum colorido.
35
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Quando ouvi o que o Beto dizia, meu coração se encheu de
uma compaixão imensa. Cortou-me mesmo o coração encontrar
alguém novo, bonito, com um futuro todo pela frente, vivendo de
forma tão triste. De alguma maneira, eu entendia o que se passava
com ele. Até porque, antes de decidir cuidar de mim mesma tive
meus momentos depressivos, tristes. Então, eu disse que poderia e
queria ajudá-lo a sair daquela situação em que se encontrava. E,
mais, faria o possível para que ele achasse um colorido diferenciado
para a vida dele. Beto sorriu meio incrédulo, meio desanimado, mas
agradeceu e concordou.
A partir daquele encontro, passei a buscá-lo todos os dias em
casa para corrermos juntos pela orla. Minha intenção era que,
praticando uma atividade física, o corpo dele gerasse uma quan-
tidade maior de endorfina e dopamina, e, com isso, o ânimo, a
disposição e até a esperança melhorassem. Por três meses, tive-
mos uma amizade intensa, verdadeira, sem nenhuma intenção
amorosa. Na verdade, Beto também tinha acabado de
sair de um relacionamento, estava muito machucado e
tínhamos isso em comum: não queríamos nos envolver
com ninguém naquele momento. Estávamos numa fase
para curar as nossas feridas. Creio que foi por isso que
a nossa amizade foi dando tão certo.
Outra certeza que tenho é que esse fator em comum nos possi-
bilitou uma grande intimidade. Conversamos sobre tudo um com
outro. Abrimos a nossa “caixa preta”. Sabe qual é? Os aviões têm
uma caixa preta na qual ficam guardados todos os detalhes dos
voos, certo? Quando acontece um acidente, por exemplo, as respos-
tas se encontram lá. E com as pessoas não é diferente. Temos a nossa
36
NATALIE PINHEIRO
caixinha de segredo. Mas, quando encontramos um bom amigo, é
mais fácil nos abrirmos.
Assim, por termos muita intimidade, Beto e eu contamos um
ao outro os nossos segredos, as expectativas, o que pensávamos,
tiramos as máscaras. Falamos, ainda, dos acertos, dos erros, das
experiências vividas em relacionamentos, do passado. Enfim... havia
entre nós uma cumplicidade que só existe entre grandes e verda-
deiros amigos.
Certo dia, depois de termos corrido, conversado, brincado e nos
divertido, como sempre fazíamos quando estávamos juntos, ele me
deu uma ótima notícia. Beto me contou que tinha ido ao médico e
que tinha superado a depressão. Tanto que o médico suspendera
seus medicamentos. Ele estava muito feliz, animado diante de novas
perspectivas e o mais importante, se sentindo bem.
Naquela noite, tínhamos uma festa para ir. E ele me segre-
dou que estava se sentindo tão bem, mas tão bem que se sentia
disposto até a “pegar alguém” naquela noite. Lembro-me bem desse
momento, do tom de sua voz, do sorriso. E concordei com ele. Inclu-
sive, decidi ajudá-lo a dar uma melhorada no visual, agindo exata-
mente como uma boa amiga faria. Assim, fiz com que passasse um
gel no cabelo, colocasse uma camisa descolada, um bom perfume
e estivesse pronto para a noite.
Ciúmes
Quando estávamos na festa, ficamos na área vip e pedi um
champanhe, a fim de comemorar aquela vitória dele. Disse a ele que
seria também para deixá-lo mais relaxado e melhor preparado para
o “ataque”. O clima era de descontração e brincadeira. Estávamos
cercados por amigos da nossa faixa etária, que, na época, era entre
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ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
21 e 22 anos. Quando, de repente, percebi que Beto estava olhando
para uma “jovem senhora”, pelo menos foi assim que a defini, na
época. Mas, na verdade, era apenas uma mulher um pouco mais
velha que nós, na casa dos seus 30, 35 anos.
Confesso que até ali eu tinha sido realmente uma amiga, mas,
quando percebi os olhares entre os dois, o ciúme rugiu dentro de
mim. Um sentimento enorme, poderoso e sobrenatural. Ocorreu-me
que, durante todo aquele tempo, quem o conhecera, quem fora
amiga dele, quem o ajudara fora eu. E que, agora, ele estava pronto
para se relacionar novamente e eu o perderia...
Fui observando os dois se aproximando, sorrindo, tendo a
chance de ficarem juntos... Rapidamente, pensei que não poderia
deixar que aquilo acontecesse. Eu olhei para o Beto e meus olhos
brilharam, então, percebi que não queria e não iria perdê-lo para
outra mulher. Não mesmo.
Eles estavam dançando... não perdi tempo. Por ter uma estatura
acima da média, duas passadas minhas significam quatro, de uma
mulher menor. Por isso, fui rápida e entrei no meio dos dois. Olhei
dentro dos olhos dele e disse: “Se eu perder para essa mulher, vou
ganhar de quem?”. A mulher se assustou, deu um pulo para trás e
eu dei meu primeiro beijo no Beto. Como resultado, ficamos juntos
naquela noite!
Porém, no dia seguinte, fomos acometidos de uma grande
ressaca moral; afinal, éramos grandes amigos... Beto me chamou
para almoçarmos e conversar sobre o que tinha acontecido. Dentre
as coisas que conversamos, ele me perguntou o que era necessá-
rio um rapaz ter para que eu pudesse namorá-lo. Respondi que
38
NATALIE PINHEIRO
eu precisava admirá-lo. Rapidamente, ele me perguntou se eu o
admirava. Disse que sim.
Então, combinamos que começaríamos a namorar. Era dia 10 de
dezembro de 2004, e, como estávamos no final do ano e já tínhamos
nossas programações de Natal e Réveillon, com nossas famílias,
seguiríamos o que já estava estabelecido e levaríamos o relaciona-
mento de forma leve. Em outras palavras, nada de pressão.
Isso foi o que dissemos, e, no princípio, foi assim mesmo. Mas
apenas o comecinho de nosso relacionamento...
39
CAPÍTULO 4
As alianças
“Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão;
mas um só, como se aquentará?”
(Eclesiastes 4:11 – NVI).
C
omo já falei, no primeiro momento namoramos mesmo de
forma leve, sem pressa, nem pressão. Na verdade, como
tínhamos uma boa amizade como base sólida, nosso rela-
cionamento fluía de maneira verdadeira e gostosa.
Em determinado momento desse nosso início, acho que tínha-
mos uns quatro meses de namoro, eu, que tinha uma loja, precisei
fechá-la. E, certo dia, estava em casa com ele, e peguei umas peças
de bijuterias para avaliá-las, pensar se deveriam ser vendidas, ou o
que fazer com elas. Lá, no meio dessas peças, estava um par
de alianças. O interessante foi que elas cabiam perfeita-
mente em nossos dedos.
Foi quando Beto sugeriu que “trolássemos” nossos familiares,
usando as alianças e dizendo que “estávamos noivos”. Topei a brin-
cadeira.
No entanto, nem eu, nem ele estávamos esperando que a reação
de nossas famílias fosse a que recebemos. O fato é que nossos fami-
41
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
liares acreditaram de tal maneira em nosso noivado que o que
a princípio era uma brincadeira acabou se tornando coisa séria
mesmo. Nosso “noivado” foi tão inesperado, e se tornou tão real
que, cinco meses depois, estávamos nos casando.
Na verdade, nesse tempo, meu pai recebeu uma proposta para
abrir uma empresa na Bahia, em Salvador. E, por enxergar no Beto
alguém inteligente, capaz, trabalhador e dedicado, o convidou para
dirigir esse novo negócio.
Esse convite de meu pai veio ao encontro do que Beto buscava.
Naquela época, ele trabalhava em um banco, sofria muita pressão
e não via muita perspectiva de crescimento profissional. Essa era
uma das causas de seu desânimo em relação ao trabalho. E, de
repente, uma nova oportunidade, um novo negócio, representava
um desafio, mas também a chance de crescimento. Diante disso,
Beto aceitou a proposta de meu pai.
Foi aí que decidimos nos casar e aceleramos os preparativos,
com o objetivo de já irmos para a Bahia casados. A intenção de
meu pai nem tinha sido essa, pelo contrário. Mas consideramos,
Beto e eu, que aquela era uma boa oportunidade para iniciarmos
nossa vida a dois.
Assim, selamos a nossa aliança com a bênção de um
pastor, familiares e poucos amigos, em uma cerimônia
íntima, aconchegante e muito especial, na casa da minha
família. Naquele dia, não usei um vestido de noiva, apenas
uma roupa bonita. Mesmo assim, dia 29 de julho de 2005,
foi um dia muito importante, e é a data do nosso primeiro
casamento.
Três dias depois da cerimônia, nos mudamos para outro estado
para iniciarmos nossa nova vida.
42
NATALIE PINHEIRO
Desafios
A verdade é que, quando duas pessoas se casam, enfrentam
inúmeros desafios em seu primeiro ano juntas. Afinal, cada uma
carrega a sua própria bagagem de cultura, estrutura familiar, hábi-
tos, sonhos, formas de se expressar e até a própria idealização da
relação. Durante esses doze meses acontece uma adequação, um
conhecimento mais profundo de quem o outro é.
No nosso caso, havia ainda outras adaptações a serem feitas.
Tínhamos nos mudado para outro estado, estávamos distantes
dos nossos familiares e amigos. Também, havia a estruturação
de uma nova empresa. Isso significava que, além de nosso rela-
cionamento com seus desafios diários, havia a luta por um posi-
cionamento profissional e social. Aqueles foram dias difíceis, mas
fomos superando.
Quando já estávamos na Bahia havia quase dois anos, perce-
bemos que o negócio que estávamos desenvolvendo não iria pros-
perar. O que fazer? Como casal, estávamos diante de uma decisão
muito difícil. Mas, juntos, decidimos fechar a empresa e voltar para
a nossa cidade, Fortaleza.
Particularmente, acredito que, para os homens, em geral, seja
muito mais difícil passar por situações como essa, na qual a cons-
trução de um empreendimento não dá certo.
E com o Beto não foi diferente. Ele ficou muito abalado durante
todo esse processo, e acabou concluindo que havíamos nos casado
precipitadamente. Ele entendia que tínhamos casado por causa da
empresa e da implantação dela, e, já que o negócio não decolara,
agora, deveríamos cada um voltar para a casa dos seus pais, a fim
de nos separarmos e seguir com nossas próprias vidas.
Mas eu não via as coisas por esse ângulo, muito pelo
contrário. Lembra da crença que eu carregava em mim?
43
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
De que a família resiste a tudo? Pois bem, prontamente,
me posicionei e expliquei que ele talvez estivesse confun-
dindo as coisas, pois, naquele momento, não estávamos
sendo bem-sucedidos no âmbito empresarial, mas o nosso
relacionamento de dois anos não tinha nada a ver com o
momento profissional. Nos dávamos bem, tínhamos cons-
truído uma boa relação, éramos parceiros, amigos, enfim...
tínhamos um bom casamento. Se analisássemos o casa-
mento, veríamos que estávamos bem.
Foi no meio de todos esses acontecimentos que me lembrei de
um grande amigo, o Paulo Vieira. Nós frequentávamos a mesma
igreja e foi ele que nos sugeriu fazer um curso de casais que ele
ministrava.
Sabiamente, propus ao Beto que fizéssemos esse curso. Minha
proposta era a seguinte: o curso tinha a duração de treze semanas. O
que isso representaria no meio de tudo o que havíamos vivenciado
até ali? Sim, poderíamos nos dar uma última chance, certo? Quem
sabe um aprendizado mostrasse outro caminho? Mas deixei o Beto
livre. Se, ao final do curso, e desse período, ele ainda quisesse se
separar, eu daria a separação sem contestar. Disse a ele que, após
o curso, se essa ainda fosse a vontade dele, iríamos ao cartório e
faríamos tudo da maneira que ele desejasse.
Perceba que a todo o momento eu me agarrava a minha crença
de que a família resiste a tudo e trabalhava com todas as minhas
forças nesse sentido.
44
CAPÍTULO 5
Novidades
“Por isso, o homem deixa pai e mãe
e se une à sua mulher,
tornando-se os dois uma só carne”
(Gênesis 2:24 – NAA).
B
eto concordou comigo e fomos fazer o curso. E quer que eu
diga? Essa foi uma decisão muito feliz que tomamos. A cada
semana aprendemos sobre princípios cristãos em relação ao
casamento, coisas que até ali desconhecíamos. Aprendemos muito
sobre os diversos temas tratados, por exemplo: como ser uma só
carne, o poder da aliança, do perdão, da comunicação, da união
entre os dois e Deus, e muitos outros. Foram aprendizados edifi-
cantes e preciosos.
Chegando ao final do curso, entendemos que precisávamos de
mais de Deus na nossa vida para que nosso casamento desse certo
e a nossa vida como um todo. Assim, nós dois nos batizamos e
passamos a frequentar seriamente uma igreja. Foi nesse momento
que Beto, que antes estivera disposto a se separar, pediu, mais uma
vez, minha mão em casamento.
O que, na verdade, aconteceu entre nós foi uma reno-
vação de votos. E como ela foi significativa. A partir dela,
começou um período muito especial em nossas vidas. E
45
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
o Beto começou a se relacionar com Deus de uma forma
intensa e genuína.
Paralelamente, Beto fazia parte de um negócio familiar que,
naquele momento, se encontrava no auge. No entanto, ele não
estava se encontrando dentro daquele trabalho e pediu para se
desligar dessa empresa, porque queria prospectar algo diferente.
Na verdade, seu sonho era ter um empreendimento próprio.
Já eu estava trabalhando com meu pai, e, prontamente, me posi-
cionei, dando a ele todo suporte para essa nova fase, o que incluía
segurar as finanças da casa para que Beto pudesse encontrar aquilo
que procurava.
Durante esse tempo em que esteve prospectando, surgiram cinco
boas oportunidades de negócios que despertaram seu interesse, e a
que Beto escolheu foi abrir um restaurante em Brasília.
Confesso que, quando ele me contou de sua decisão, meu cora-
ção ficou bem apertado. Tínhamos renovado nossos votos há pouco
e estávamos vivendo um tempo muito gostoso juntos. Também, para
que o negócio desse certo, ele teria que ir para Brasília acompanhar
a obra do restaurante. E eu era o suporte financeiro de nossa casa.
Então, significava ficar distante.
Outro fator de preocupação, para mim, foi o fato de que ele
conviveria com pessoas que tinham um estilo de vida diferente
do nosso; e isso poderia trazer prejuízo ao nosso relacionamento.
Afinal, a entrega de nossa relação nas mãos de Deus era muito
recente. Mesmo assim, o apoiei e disse que continuaria a dar todo
o suporte necessário para que ele pudesse seguir com seu plano.
Eu me tornei a base...
Depois de tudo acertado, Beto foi para Brasília e eu fiquei em
Fortaleza trabalhando, tocando a vida, sendo o suporte, exatamente
como havíamos combinado. Ele ficou hospedado em um hotel,
acompanhando as obras e quem pagava as despesas do cartão de
crédito dele era eu. Foi aí que comecei a perceber alguns gastos
46
NATALIE PINHEIRO
que não faziam sentido... e quanto mais eu pensava neles, mais
a boca do meu estômago ficava gelada, apreensiva, me sentindo
desconfortável, tomada por um sentimento de desconfiança e medo.
Passei, então, a questionar a respeito do que significavam aque-
les gastos. As reações dele às minhas perguntas eram basicamente
três: mudava de assunto, ou fazia que não tinha ouvido, ou ficava
ligeiramente agressivo, partia para um contra-ataque perguntando
o que eu estava pensando, imaginando ou insinuando. Como está-
vamos distantes e a situação era delicada, eu não queria brigar. Por
isso, relevava. Deixava para lá. Muito embora meu coração estivesse
tremendamente inquieto.
Havíamos combinado também que nos encontraríamos ao
menos uma vez por mês. Em uma dessas idas do Beto a Fortaleza,
convidei os amigos que tínhamos feito no curso para casais para
um jantar em nossa casa. Preparei um delicioso jantar e recebemos
aqueles novos amigos. No entanto, naquela noite, percebi que a
grande maioria deles já estavam preparados, ou se preparando,
para ter filhos, e isso reacendeu o meu desejo antigo de ter a minha
própria família, de ser mãe.
Depois que o jantar acabou e nossos amigos se retiraram, apro-
veitei o momento para conversar com Beto sobre o assunto. Até ali
a sua posição era de que não estava pronto para ser pai. No entanto,
naquela noite, ele cedeu e aceitou se abrir para essa possibilidade.
Assim, namoramos liberados para o novo de Deus.
Dias depois, Beto retornou para Brasília e eu continuei em
Fortaleza nas minhas atividades. Contudo, menos de trinta
dias depois daquela noite, confirmei minha gravidez. Que
alegria! Eu seria mãe! Minha família começava a ser real!
Não seríamos mais apenas Beto e eu. Seríamos pais. Meu
coração se encheu de uma felicidade e de uma ternura
inexplicáveis... O que eu não sabia era que, naquele
momento, estava adentrando uma jornada totalmente
diferente da qual havia sonhado.
47
CAPÍTULO 6
Acolhida por deus
“Pois o seu Criador, o Senhor Todo-Poderoso,
será seu marido; o Santo Deus de Israel,
o Deus do mundo inteiro, a salvará”
(Isaías 54:5 – NTHL).
T
ão logo confirmei minha gravidez, liguei para o Beto muito
feliz com a novidade. Porém, ele não foi receptivo quando
recebeu a notícia de que seria pai. Pelo contrário, me disse
que estávamos em plena crise e que aquele não era o momento,
por tudo o que estávamos vivendo; pela distância, pelos negócios,
pelos problemas. Ainda acrescentou que, como eu havia feito dessa
forma, largasse tudo em Fortaleza e fosse viver com ele em Brasília
então, para termos a nossa família.
Naquela época, a minha vida profissional ia muito bem. Eu era
proprietária de um restaurante que estava vivendo um grande
momento. Contudo, um dia, aprendi, e carregava comigo isso, que o
sucesso familiar é muito mais importante do que o profissional. Por
isso, me submeti, abri mão do meu trabalho e fui ao encontro dele.
49
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Quando cheguei em Brasília, tive uma grande surpresa: Beto
vivia como um solteiro. Eu até havia ficado preocupada com seus
gastos, no cartão, pressentido algo; mas, definitivamente, não estava
pronta, de forma nenhuma para o que encontrei. Aquele homem
que tinha se batizado, renovado os votos comigo e que queria um
melhor relacionamento com Deus, aparentemente, tinha sido subs-
tituído por outro. Ele já não frequentava a igreja, bebia muito e só
pensava em sair e farrear. Em função de suas escolhas, passei a ser
um impedimento para seu estilo de vida. Como consequência, ele
passou a me rejeitar.
Essa rejeição trouxe dores amargas e profundas ao meu peito.
Tanto que sofri em meu corpo com elas. E minha preocupação
principal se tornou com a saúde e a vida do meu bebê.
Não quero detalhar o tanto que sofri. Mas foram muitos pensa-
mentos ruins, muita dor, muito estresse. Até a noite em que resolvi
partir. Como já contei, certa noite, quando vi que estava sendo
ferida, humilhada, tomei uma atitude, peguei todos os meus perten-
ces e retornei para a casa dos meus pais.
Porém, como toda mulher que acredita no amor e que
deseja ver seus sonhos de amor realizados, — na parte do
Manual Antidivórcio falarei mais sobre isso — eu ainda esperava
que minha atitude de ir embora tocasse o coração do Beto
e que ele se arrependesse, me fizesse declarações e que
reatássemos e tudo ficasse bem.
Mas, ao retornar para Fortaleza, já na casa dos meus pais, recebi
um telefonema dele, durante a madrugada, dizendo que a decisão
que eu tinha tomado, de ir embora, era a melhor que eu já tomara
em minha vida; pois ele, finalmente, estava livre.
50
NATALIE PINHEIRO
Não sei nem mensurar o tamanho da dor que senti. Só sei que
dizer que, naquela hora, cada uma daquelas palavras entrou no
peito com a força de diversas punhaladas. Que dor! As lágrimas
escorreram sem que eu fizesse forças. Pois, eu sei, sempre espera-
mos que a pessoa se arrependa, volte atrás, peça desculpa, enxergue
o nosso valor e nos peça para voltar. E isso era exatamente o que
eu esperava.
Assim, tão logo pude emitir um tom de voz mais firme e,
confiante, disse a Beto que viesse até Fortaleza a fim de assinar os
papéis do divórcio. Acrescentei que ele não era nem o pai que eu
desejava para o meu filho, como também não era, nem de longe,
o marido que eu merecia. E ainda afirmei que pediria a Deus para
enviar alguém melhor para mim. Eu estava ferida, muito ferida. E,
quando isso acontece, a única coisa que queremos é ferir o outro.
Já percebeu isso?
Divórcio
Quinze dias depois, Beto veio a Fortaleza e fomos assinar os
papéis do divórcio no cartório de uma amiga. Porém, essa amiga
se negou a participar daquilo, até porque o tempo que tínhamos de
separação de corpos era muito pouco, não havia tido audiência de
conciliação e nada. Assim, ela não permitiu que nos divorciássemos
em seu cartório.
Mas estávamos decididos, penso eu. Ou profundamente
magoados, sem saber exatamente o que fazer... Muitas vezes,
é muito mais fácil se apegar a ideia do “casou, não deu certo,
separa!”, do que investir, reinvestir, chamar Deus para ser o
centro da relação e trabalhar para que o casamento dê certo. Até
51
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
porque esse processo é trabalhoso, cansativo, eu diria exaustivo
até. Por isso, o que queríamos naquele momento era acabar com
nosso casamento de uma vez. Assim, buscamos outro cartório
que nos desse o que queríamos.
Ali, foi necessário mentir. Afirmamos que estávamos em separa-
ção de corpos há muito tempo, que não tínhamos filhos e nenhum
bem a ser dividido. Pronto. Estávamos aptos ao divórcio.
Porém, quando o juiz começou a ler aquele decreto, me veio um
sentimento terrível de tristeza, uma sensação enorme de fracasso, de
perda... Comecei a chorar intensamente, as lágrimas simplesmente
caiam sem que eu conseguisse segurá-las. A dor era enorme. Por
isso, pedi ao juiz para apenas assinar o documento, ele não preci-
sava ler, pois eu entendia o que se passava e não queria ouvir mais
nada. Dentro de mim, havia um mix indescritível e insuportável de
sentimentos e dores. Meu coração sangrava, minha alma estava
abatida, quebrada. Nem lembro como voltei para casa aquele dia.
Tudo em mim doía.
A partir do dia em que assinei o divórcio, comecei a viven-
ciar um processo genuíno de autoconhecimento. Foi quando me
descobri uma Natalie frágil, que tinha vergonha de sair na
rua sozinha, de perceber que as pessoas tinham dó dela,
que não conseguia mais se expressar em público, revelar
suas emoções, chorar, enfim... uma Natalie que, em toda
minha existência, jamais julguei existir.
Em função de tantas dores, tantas mágoas, escolhi ficar mais
tempo dentro do meu quarto. Ali, me sentia segura, não precisava
ficar me justificando para ninguém, encontrei meu refúgio entre
aquelas quatro paredes. Mas houve mais nesse período dentro de
52
NATALIE PINHEIRO
meu quarto, passei a aprofundar meu relacionamento com Deus.
Era com Ele que eu conversava, era para Ele que eu chorava, era na
presença dEle que podia derramar minhas lágrimas até a exaustão,
se fosse o caso.
O que se passava em minha mente é que eu queria olhar para
a frente e visualizar um novo caminho. Eu estava ciente de que o
que havia acontecido era passado e eu não havia como mudá-lo ou
revivê-lo. Então, eu queria encontrar um novo modo de viver, um
novo caminho para trilhar. A partir daí, comecei a investir muito
em mim. Buscava estar alegre e forte, mas, no fundo, queria que
minha vida fosse totalmente diferente.
Agora, apesar de fragilizada, de dolorida, acabei retomando a
amizade com Beto. Tínhamos sido bons amigos e eu sentia falta de
sua presença em minha vida. No entanto, ele sempre fazia ques-
tão de salientar que nunca deveríamos ter mudado o nosso plano
original, de sermos somente amigos. Contudo, para mim, aqueles
quatro anos que tínhamos estado juntos como marido e mulher
tinham sido muito, mas muito importantes mesmo. E ouvir daquele
que era o meu marido que ele achava que eu deveria ser “apenas”
amiga dele era doloroso demais.
Acho que nós, mulheres, temos esse dom do acolhi-
mento pelas boas coisas que o outro traz a nós. Mas nem
sempre será positivo para nós mesmas esse acolher. Doerá,
fará a ferida sangrar de novo, mas, ainda assim, haverá um
ganho. Sinceramente, eu gostava do amigo Beto, queria a presença
dele na minha vida também, porque, afinal, ele era o pai do filho
que eu esperava. Mas ouvi-lo referir-se a mim como uma amiga
era muito triste.
53
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Certo dia, meu pai começou a falar algumas coisas a respeito do
Beto. Como a fala dele me incomodou. Puxa! Eu mesma não tinha
noção de como ouvir comentários não muito favoráveis não me
faria muito bem. Sim, ele me magoara, eu não estava vivendo como
gostaria, mas não queria ouvir aquilo. Dessa maneira, pedi a meu
pai que não fizesse mais aquilo; que, se fosse para falar mal, que não
falasse nada. Afinal, Beto tinha sido escolha minha, como marido e
também como pai do meu filho. Ouvir coisas ruins a respeito dele
me remetia a uma sensação de fracasso que eu não queria e não
podia mais sentir.
Buscando a Deus
Assim, no meio de tantos sentimentos, decidi começar a pedir a
Deus uma pessoa diferente, que fosse separada por Ele para mim.
Na verdade, naquele momento, eu estava vivendo uma fase de
muitos medos. Se pararmos para observar bem, sempre que os
medos surgem, parece que atraímos justamente aquilo que mais
tememos. Já notou isso?
Um dos medos que eu tinha era em relação ao futuro do meu
filho. Meu bebê logo nasceria e eu tinha um receio enorme de
colocar alguém na nossa vida que não fosse adequado para ele.
Enquanto pensava nisso, parece que por “coincidência” comecei
a assistir reportagens e a ouvir histórias de abusos por parte de
padrastos, que me levaram a ter medo de me relacionar com um
outro homem. Muito embora, eu ainda quisesse a minha família.
Sendo muito sincera, existia um conflito na minha mente, pois,
ao mesmo tempo que desejava não passar o resto da minha vida
na casa dos meus pais, existia o receio de um novo relacionamento.
54
NATALIE PINHEIRO
Também não desejava que meu filho fosse criado na casa dos avós,
que fosse uma criança super mimada. Enfim, um turbilhão de
pensamentos tomava conta de mim e, para todas essas questões,
eu nunca encontrava soluções ou respostas.
Um fato desses dias tão difíceis que atravessei foi que passei a
buscar entender, cada vez mais, que, muitas vezes, as coisas não
dependem da força do nosso braço, mas, exclusivamente, da nossa
fé. Por isso, eu buscava Deus cada vez mais. Eu precisava ouvi-Lo,
senti-lo, tê-lo perto para que direcionasse a minha vida. Se até então,
tudo o que eu fizera fora pela minha vontade, eu queria agora que
fosse pela dEle, que tem pensamentos muito maiores e melhores do
que os meus. Assim, nessa busca por Ele, meu relacionamento com
Deus se intensificou. E isso, sem interferência de pastores, líderes,
ou quem quer que fosse.
Eu estava sempre buscando a presença dEle. Mas, nos dias
mais difíceis, encontrava refrigério no chuveiro. No banheiro
do meu quarto, na casa dos meus pais, havia uma janela
grande, que me dava a nítida sensação que Deus estava ali,
me ouvindo.
AQUELE FOI O LUGAR ESCOLHIDO PARA QUE EU
PUDESSE CHORAR, GEMER, A FIM DE DESCANSAR
A MINHA ALMA E O MEU CORAÇÃO NO SENHOR. LÁ,
EU PEDIA A DEUS QUE MUDASSE A MINHA HISTÓRIA,
QUE ME AJUDASSE A CUIDAR DAS MINHAS EMOÇÕES
E PENSAMENTOS. E SEMPRE SAÍA DE LÁ RENOVADA!
55
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
E quer saber? Ainda hoje é assim. Quando enfrento problemas,
o lugar onde me refugio e converso mais tranquilamente com Deus
é o banheiro. Pode parecer estranho, mas adquiri esse hábito. E é
ali onde dispo a minha alma, o meu coração, e converso tudo com
o Senhor. Não sei se você tem um lugar onde se prepara e se forta-
lece em Cristo, mas eu acredito que podemos e devemos criar esse
lugar. Seja ele qual for, é necessário ter um lugar só seu para esses
encontros especiais.
Mas, naqueles dias, quando os pensamentos ruins vinham, para
não ser atormentada por eles, comecei a criar estratégias. Então,
colocava uma música, escrevia, pensava no meu filho e criava em
minha mente um futuro espetacular para ele. Até mesmo, procurava
pela companhia de pessoas que me fizessem rir. Essas foram táticas
que adotei e me faziam me sentir melhor, até que o momento de
dor passasse.
Durante todo esse processo de superação, de esquecimento e
de buscar a cura das minhas emoções, cobrei de Deus respostas e
sinais que não vieram. Até o dia em que comecei a pensar que já
que eu não estava conseguindo ouvi-Lo e deveria buscar ajuda de
outras pessoas, orando com elas. Afinal, pessoas podem ser usadas
por Deus, e, dessa forma, talvez fosse possível receber as respostas
que eu tanto queria.
E assim eu fiz, busquei amigas que eram mulheres de oração
e profetisas. Elas me disseram que havia um mistério de Deus
muito grande na minha vida, e que elas não conseguiam discer-
nir. Porém, uma delas me transmitiu um recado muito especial
de Deus para mim.
56
NATALIE PINHEIRO
Lembro-me bem que ela disse que eu deveria me preparar,
porque iria me casar com um homem que seria um grande pastor.
Um homem que teria o coração quebrantado como o do rei Davi, e
eu precisaria estar preparada para andar ao lado dele. Aquele dia
ficou marcado em mim, pois fui invadida por uma grande alegria e
uma paz indescritível. Ali, pude ver o cuidado de Deus e um futuro
como eu desejava.
Depois desse encontro, fui para casa repleta desse espírito de
alegria. Quando cheguei em casa, liguei para o Beto, e contei da
palavra que havia recebido. Falei que iria me casar com um pastor
e que nosso filho seria criado por um homem de Deus. Ele recebeu
bem aquela mensagem. Sua voz ficou feliz e senti um agradeci-
mento genuíno em seu coração pela ideia de ter o filho dele criado
por um pastor. Por sermos amigos, aquele foi um momento em que
nós dois nos alegramos juntos no que o Senhor estava reservando
para mim e para o nosso filho.
57
CAPÍTULO 7
“Levanta, ajoelha e
ora pelo seu marido!”
“Assim será a palavra que sair da minha boca:
não voltará para mim vazia,
mas fará o que me apraz e
prosperará naquilo para que a designei”
(Isaías 55:11 – NAA).
O
tempo foi passando... alguns dias eram mais fáceis, outros
bem mais difíceis; mas, com a ajuda de Deus e dos amigos,
eu ia levando. Quando já estava no sétimo mês de gravidez,
certa madrugada, fui acordada por uma voz que dizia para me
levantar, ajoelhar e orar pelo meu marido.
Acordei confusa e até pensei ser uma alucinação. Mas a voz se
repetiu e ouvi de maneira bem clara: “Levanta, ajoelha e ora pelo
seu marido!”.
Automaticamente, comecei a questionar a Deus. Naqueles dias
de minha gestação, eu já estava tendo dificuldade para dormir. Não
era fácil encontrar uma posição. E Ele me pedia para acordar, me
levantar, e ainda me ajoelhar por alguém que não queria compro-
misso, nem comigo e nem com Ele. Contudo, ouvi, pela terceira vez:
“Levanta, ajoelha e ora pelo seu marido!”.
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ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Decidi obedecer. Levantei, me ajoelhei e fui orando. Pedi a
Deus que guardasse a vida do Beto, independentemente
de onde ele estivesse. Agora, o interessante é que eu sabia que
Deus estava falando do Beto. Quando o Senhor dizia “seu marido”,
eu conseguia discernir que era ele a pessoa. Eu entendi que Deus
via o Beto como meu marido e não como meu ex-marido. Sendo
assim, durante aquela madrugada orei bastante por ele.
Quando me senti em paz em relação à ordem que Deus havia
me dado, pude voltar para a cama e dormir tranquilamente.
No dia seguinte, recebi uma ligação do meu ex-marido. Beto me
contou que fora a uma festa e, durante a madrugada, alguém havia
colocado droga em sua bebida. Como resultado, ele tinha ficado
inconsciente. Ainda assim, saíra da festa sem saber exatamente para
onde estava indo ou quem estava dirigindo o carro dele.
Quando ouvi sobre o que acontecera, entendi o motivo pelo
qual Deus me levara a acordar na madrugada para orar por Beto.
Minhas orações tinham sido em favor de um grande livramento
que o Senhor tinha operado na vida dele.
Um sentimento novo
A partir daquele dia, todos aqueles sentimentos ruins, a dureza,
as mágoas, as feridas dentro de mim foram sumindo... De repente,
eu sentia sendo gerado dentro de mim um amor, um cuidado e uma
admiração pelo Beto que, anteriormente, não existiam.
O interessante é que nada havia mudado. Ele continuava sendo
exatamente o mesmo. Mas eu entendia que todos aqueles bons senti-
mentos estavam sendo colocados em mim por Deus. E, juntamente
com eles, vinha uma vontade constante de orar pela vida dele, por seus
negócios, por ele de uma forma geral e não de uma forma romântica.
No entanto, quanto mais eu orava por Beto, menos mudanças
eu via na vida dele. Era como se minhas orações não tivessem efeito
60
NATALIE PINHEIRO
algum. Ele continuava namorando demais, farreando e bebendo
muito; agindo de forma totalmente diferente daquilo que eu gostaria
de ver nele...
MAS POSSO LHE GARANTIR QUE DEUS TRABALHA
NAS CONTRADIÇÕES E NOS PARADOXOS HUMANOS.
ATÉ PORQUE ELE VÊ O FIM DESDE O PRINCÍPIO E
ERA EXATAMENTE ISSO QUE O SENHOR QUERIA ME
ENSINAR.
Durante esse tempo, algo que me questionava sempre era: Como
Deus estava colocando dentro de mim amor por alguém que não
tinha nada a ver comigo? E que vivia um estilo de vida do qual eu
não queria fazer parte? Pior, que gostava de me lembrar que eu
não me encaixava em sua vida? E, além disso, em todas as opor-
tunidades que surgiam, sempre me lembrava que me via apenas
como uma irmã, e me dizia que eu era uma pessoa muito especial,
mas que não era mulher para ele? Sim... em nossas conversas, Beto
fazia questão de falar que eu era a melhor amiga dele e que ele não
tinha nenhuma atração sexual por mim.
Perceba, eu ainda o amava. Agora de uma outra forma, de outra
maneira, pois era um amor novo, concedido por Deus, livre de
mágoas. Mas eu não via futuro para o meu sentimento. Em minha
cabeça, não havia como me reconciliar com alguém que olhava
para mim enxergando uma irmã e não uma mulher.
Para completar, como éramos amigos, em determinado
momento, o carnaval se aproximava e ele me ligou buscando conse-
lhos, pois estava confuso. Naqueles dias, ele namorava três mulheres
ao mesmo tempo. E uma queria ir para Miami no feriado, enquanto
outra escolheu ir à Bahia e a terceira queria ir para Jurerê. Ouvi sua
61
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
história, incrédula! Como podia ser? Quem era ele? Respirei fundo
e disse que não tinha muito o que dizer sobre o “problema” que
ele enfrentava.
Dias depois, ele decidiu deixar as três para trás e passar o carna-
val em Fortaleza, alegando que estava perto do filho nascer...
Na verdade, eu tinha um desejo muito grande no meu coração,
que era o de receber o Caio junto com o Beto. Eu gostaria mesmo
que, quando nosso filho nascesse, ele estivesse ao menos perto, para
vê-lo e para me dar o apoio de sua presença. O triste fato é que,
naquele momento, Beto não tinha esse comprometimento e muito
menos esse desejo. Assim, quando o feriado terminou e ele voltou
para Brasília, fui invadida por uma tristeza muito grande... Eu não
podia compreender por que orava por ele se não via mudanças.
Aos meus olhos, aquela situação era impraticável. Eu
não via possibilidade nenhuma; a não ser que fosse da
vontade de Deus e Ele realizasse um grande milagre. Eu
já estava no oitavo mês de gravidez, e me sentia como um
barco à deriva; pois não sabia o que fazer, muito menos
para onde ir. Não sabia o que falar, nem como me compor-
tar. Então, voltei novamente a cobrar respostas de Deus.
Eu necessitava que Ele falasse muito claramente comigo.
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CAPÍTULO 8
Bendito serás!
“Se ouvirem a voz do Senhor, seu Deus,
sobre vocês virão e os alcançarão todas estas bênçãos (...).
Benditos serão vocês ao entrar e benditos serão ao sair”
(Deuteronômio 28:2;6 – NAA).
E
u estava chegando ao finalzinho da gestação. Já faltava bem
pouco para Caio nascer. Mas meu coração andava pesado
e eu continuava insistindo, em oração, que Deus falasse
comigo. Eu precisava saber o que Ele tinha reservado para mim,
para o meu filho, para o meu futuro.
Certa noite, decidi ir à igreja e pedi para ouvir Sua voz, por
intermédio da Palavra. Fui, na certeza de que o Senhor me ouviria.
Enquanto a ministração de louvor acontecia, fiquei à espera. Mas
ouvi apenas o silêncio. E não a Sua voz. Depois, veio a Palavra. Eu
estava inquieta. E, embora como Palavra tenha sido edificante, não
era para mim. Nada me disse.
Quando o culto terminou, fui para o carro me sentindo massa-
crada, pesada, quase que desiludida. E ali, no carro, tive uma crise
intensa de choro. Coloquei a mão na minha barriga e disse a Deus
que não era possível que Ele não falasse nada comigo. Eu estava
vivendo tudo aquilo de forma intensa... Havia momentos melhores,
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ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
era verdade, eu sabia que Deus trabalhava para me restaurar. Mas
meu coração estava dilacerado e a minha alma quebrada... Sendo
muito sincera, me sentia envergonhada de viver daquela maneira.
Eu tinha muita vergonha de estar grávida, mas não ser casada. Um
senso de fracasso enorme pesava o meu coração. Na verdade, eu
estava, emocionalmente, destruída. Por isso, precisava de
um sinal de Deus, pois não podia acreditar que o Senhor
não estivesse disposto a fazer algo a meu favor!
Foi quando ouvi uma voz doce me dizer para aumentar o
volume da música, prestar atenção ao que ela dizia e ouvir o que Ele
realizaria na minha vida. Obviamente, eu relutei, afinal, fazia três
meses que aquele CD estava no meu carro. Não havia nada ali que
eu já não tivesse ouvido. Mas a voz mais uma vez disse: “Aumenta
o volume, e ouça o que irei realizar na sua vida!”.
Então, obedeci. Aumentei o som, fechei os olhos e ouvi o louvor,
que dizia:
“Não, este não pode ser teu fim, não é o que Deus sonhou
pra ti
Não podes aceitar ver tua família se acabar, tua esperança
se apagar, tua fé esmorecer.
Sei que é difícil crer que sim, se tudo em volta diz que não
E a angústia te faz esquecer de tudo o que Deus prometeu
que sobre a tua vida estão as mesmas bençãos de Abraão.
Bendita será tua casa, benditos serão teus filhos e Deus
engrandecerá o teu nome”
(Bendito serás – Davi Sacer).
Naquele momento, meu coração se encheu de uma gratidão
imensa pela certeza do que Deus já estava atuando na minha história.
64
NATALIE PINHEIRO
Fui para casa leve, renovada, em paz, com a convicção de que Deus
transformaria toda a vergonha que eu sentia em coisas grandiosas.
Mulher virtuosa
Mas veja como Deus age... eu não sabia, mas, naquela mesma
noite, em Brasília, Beto tinha ido a uma pequena reunião religiosa.
Ele havia sido convidado por um cliente, se sentira tocado e fora.
Ali, compartilharam uma Palavra sobre a mulher sábia, aquela que
edifica a sua casa. Ele ficou extremamente mexido com o que foi
dito. Pois a Palavra falava que o homem que tem uma mulher sábia
seria colocado entre os grandes, entre os juízes. Ele sentiu que tudo
o que ouviu remetia muito a quem eu era como mulher.
Assim que ele saiu da reunião, seu coração queimava... e ele
me ligou, contando tudo o que vira e ouvira. E eu havia ouvido o
que de Deus? Quando Beto terminou de contar o que vivenciara,
perguntou onde estava a minha aliança e pediu que eu a pegasse
e colocasse no dedo.
Fiquei em choque quando ouvi suas palavras. Mas, pronta-
mente, eu disse que não o faria. E acrescentei que, se ele quisesse
retomar o casamento, deveria vir, pessoalmente, ao meu encontro.
Deveria, também, pedir perdão aos meus pais, e, ainda, pedir minha
mão em casamento, mais uma vez. Assim, estaríamos, realmente,
fazendo tudo da forma mais correta possível.
65
CAPÍTULO 9
Perfeito, no plano
de Deus
“O meu amado é meu, e eu sou dele”
(Cânticos 2:16 – NAA).
B
eto e eu tivemos nossa conversa em uma terça-feira à
noite. E eu fui muito incisiva ao dizer que queria tudo
do jeito certo. Acredito que ele tenha pensado e refletido
muito. Assim, na sexta-feira, ele me ligou, pedindo para buscá-lo
no aeroporto.
Eu fui. Meu coração estava entre esperançoso e temeroso. Mas,
daquela vez, eu sabia que as coisas estavam acontecendo conforme
a promessa de Deus. Portanto, elas seriam perfeitas, dentro do plano
dele. Assim, Beto alinhou comigo tudo conforme havíamos conver-
sado. Então, pediu perdão aos meus pais, pediu minha mão em
casamento novamente, e pediu, inclusive, autorização para cuidar
do nosso filho.
Eu estava feliz. O que eu mais poderia esperar?
Dez dias se passaram rapidamente e o Caio nasceu. Nunca vou
me esquecer de quando olhei para trás e o Beto estava lá, na sala
de parto, comigo. Exatamente como eu havia sonhado. Mas, mais
ainda, aquilo era o cumprimento de uma promessa.
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ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Depois que nosso filho nasceu, ele foi ao cartório para registrar
o Caio, e voltou com dois documentos: a Certidão de Nascimento e
a solicitação de um novo pedido de casamento.
Então, quarenta e cinco dias depois do nascimento do nosso filho,
exatamente no dia 5 de maio de 2010, nos casamos pela segunda vez.
E, dois meses depois, eu me mudei com Caio para Brasília.
O cordão de três dobras
Depois de todas essas “aventuras e desventuras”, alinhamos
nosso pensamento ao de Deus. Colocamos o Senhor no centro de
nossa união. Descobrimos, verdadeiramente, o poder que
existe no cordão de três dobras: “Um homem sozinho pode
ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão
de três dobras não se rompe com facilidade” (Eclesiastes
4:12 – NVI). Dessa maneira, passamos a viver dias de glória.
E esses dias felizes estão completando aproximadamente 13 anos,
dos 17 anos juntos, no ano que escrevo este livro, em 2022.
Não posso dizer que não temos problemas. Como qualquer casal
temos, sim; mas temos sido ensinados por Deus constantemente. E
é aí que reside o nosso sucesso. Deus tem me ensinado como ser
uma mulher sábia e ao Beto a ser um marido que sabe me honrar
e valorizar.
E, para realmente selar sua promessa, nossa unidade familiar e
realizar meu sonho, Deus nos deu mais filhos. Primeiro, veio o Caio,
depois, a Ana, a Sofia e o João.
E quer que eu lhe diga? Minha crença nunca esteve errada, a
família resiste a tudo, sim. Mas ela resiste e é feliz com a presença
de Deus. Acredite!
Nasce o ministério somos um
por Beto Pinheiro
Junto com a restauração da família, nasceu um ministério para
casais, fruto de muita luta, como a Natalie relatou tão bem. Mas acre-
68
NATALIE PINHEIRO
dito ser importante compartilhar um pouquinho da minha história,
afinal, nós refletimos na idade adulta muito do que vivemos na
infância.
Eu, Beto Pinheiro, nasci em um lar comum, com pais casados,
duas irmãs mais velhas, e tudo corria aparentemente bem. Até ver
minha família desmoronar, ao presenciar brigas e infidelidades
constantes por parte dos meus pais, as quais os fizeram optar pelo
divórcio definitivo. Devido a isso, ocorreu, no meu lar, uma deses-
tabilização financeira, emocional e também espiritual, afinal, não
tínhamos o conhecimento dos princípios da Palavra de Deus e, infe-
lizmente, o divórcio foi inevitável.
Acabamos morando com minha mãe que se sentia injusti-
çada e acreditava que deveríamos confrontar meu pai, em defesa
dela. Com duas irmãs mais velhas, sendo eu o caçula e o único
homem, senti nos ombros, em plena adolescência, o peso colo-
cado por minha mãe de ser o “homem da casa”. Essa postura
causou muitos atritos com meu pai, brigas e desentendimentos
que geraram, aproximadamente, quatro anos de distanciamento
entre nós.
Minha mãe estava vivendo um período de depressão severa, e
isso me fazia não querer estar naquele ambiente no qual prevale-
cia a tristeza, cobranças e murmuração constantes. Nesse processo,
comecei a beber e a me relacionar com mulheres de forma promís-
cua. Vivia em meio a mentiras e traições, em verdadeiros relaciona-
mentos descartáveis. Sem compromisso nenhum, inclusive, comigo
mesmo. E foi assim que iniciei a minha vida adulta.
No âmbito financeiro, estava focado em trabalhar e estudar para
vencer a condição ruim em que nos encontrávamos e da qual lutava
intensamente para sair. Afinal de contas, não tendo a presença do
meu pai, inconscientemente me vi como o responsável pela provi-
são da casa, mesmo que as minhas irmãs também contribuíssem.
69
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Contudo, diante de uma vida totalmente desregulada, emocio-
nalmente desestruturada, acabei entrando em um processo depres-
sivo também, que antecedeu o início do meu relacionamento com
a Natie, como ela tão bem contou.
Na verdade, esse pequeno relato sobre minha vida tem a inten-
ção de contextualizar a estrutura familiar na qual estabeleci minhas
bases, e, por tudo que presenciei e vivenciei, não havia em mim a
intenção de casar e ter filhos.
Fiz questão de deixar isso bem claro no início do nosso relaciona-
mento, enfatizei que não tinha a intenção de me casar. Certamente,
o trauma do divórcio dos meus pais gerou em mim o pensamento
equivocado de que família não foi feita para dar certo.
Mas acabamos nos casando. No entanto, durante os primeiros
anos do nosso casamento, ao me deparar com pequenos ou grandes
problemas, a solução, no meu inconsciente, era o divórcio. Funda-
mentado nesse pensamento equivocado, após quatro anos de casa-
dos, o nosso casamento também chegou ao fim.
Diferentemente de como a maioria das mulheres reage, rece-
bendo a separação com dor, com senso de perda e vivendo o “luto”
pelo fim da relação; eu, como homem, celebrei a minha liberdade.
Na minha cabeça, eu estava livre para viver o que bem entendesse.
Naquele momento, eu não me preocupei com as consequências,
com as responsabilidades de um futuro pai ou em estar repetindo
os mesmos erros dos meus próprios pais, pelo contrário, me senti
aliviado e finalmente livre para “curtir a vida”.
Porém, conforme o tempo foi passando, comecei a comparar a
vida de solteiro que estava levando com a vida de esposo e futuro
pai que eu poderia estar desfrutando. E, quanto mais me envolvia
na promiscuidade, mais vazio e incompleto me sentia, apesar de
achar que tudo aquilo era a verdadeira felicidade. A minha fuga se
tornou a bebida alcoólica, pois beber me levava a uma falsa alegria
70
NATALIE PINHEIRO
e me fazia esquecer do peso na consciência de ter abandonado a
minha esposa grávida.
Apesar desses sentimentos que me sobrevinham, retomar o
casamento não era um desejo meu, nem da Natie. Durante esse
tempo, ela se tornou uma grande amiga, que, em vez de me acusar,
cobrar e rejeitar, me acolhia com os seus conselhos. Afinal de contas,
ela estava mergulhada em um relacionamento com Deus, que a
preenchia por completo.
Nós nos falávamos todos os dias, o que também me levava
a refletir sobre a vida que estava levando, sobre o verdadeiro
motivo de ter ido morar em Brasília. Até porque o tipo de vida
que estava levando, naquela época, não afetava somente a minha
integridade física, emocional e espiritual, mas também a minha
vida profissional.
De fato, eu vivia uma falsa felicidade, na qual quem me via
achava que estava tudo certo comigo. Mas o que havia, de fato, era
um enorme buraco dentro do meu peito.
Preciso destacar que o comportamento acolhedor da Natie me
constrangia constantemente e foi ele que fez toda a diferença na
nossa reconciliação. Ela nunca impôs que eu mudasse, mas a sua
postura me fazia querer mudar.
A minha verdadeira conversão a Jesus e a Seus princípios foi um
ponto fundamental na mudança que estaria acontecendo dentro
de mim. E, mesmo que tenha levado algum tempo para que isso se
refletisse externamente, as mudanças já haviam se iniciado, inter-
namente.
Em um determinado dia, eu recebi o convite para participar de
uma reunião de oração e fui. Durante essa reunião, eu vivi algo que,
apesar de simples, foi muito cirúrgico e profundo da parte de Deus e
o suficiente para me convencer. No mesmo dia, decidi que, de fato,
71
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
queria retomar o meu casamento e reconstruir a minha família; por
isso, liguei para a Natie, propondo uma conversa.
Poucos dias depois, fui pessoalmente até ela em Fortaleza, pedi
perdão pelo tempo em que a abandonei, reconheci as minhas irres-
ponsabilidades e infidelidade para com a nossa aliança. Ao aceitar
o meu perdão, pedi a mão dela em casamento novamente para os
seus pais e pastores também.
Depois de tudo isso que vivemos, sentimos o desejo muito
grande, no nosso coração, de ajudar outras famílias a não repetirem
os mesmos erros e a priorizarem o seu lar. Foi assim que nasceu o
Ministério Somos Um.
Caro leitor ou leitora, não se deixe enganar pela aparência de
uma vida “perfeita”, porque ela não existe. Esse tipo de vida banaliza
o que verdadeiramente importa, servindo apenas como reflexo do
vazio existencial que habita no interior de uma pessoa. Uma vida
de bebidas, drogas, mulheres é uma vida de pseudofelicidade, uma
fuga eterna da realidade, na qual não há satisfação nenhuma. Não
se deixe enganar pelas aparências; quem vive assim não prova o
que é o contentamento, ou seja, uma vida plena, como nos mostra
a Palavra.
Assim como tudo que está bom pode melhorar, tudo que está
ruim pode piorar. Não se deixe enganar, o fundo do poço não existe,
afinal de contas, se você não “acordar”, tudo na sua vida tende a
piorar.
Por isso, atualmente, eu sou uma voz masculina, levantada por
Deus para dizer aos homens que esse estilo de vida não vale a pena,
não constrói nada, apenas gera destruição. O que, verdadeiramente,
vale a pena, e sei por experiência própria, é ser bem casado, se
relacionar bem com sua esposa e com seus filhos. Ter tempo de
qualidade com eles, educar, brincar e prepará-los para que possam
construir as suas próprias famílias.
72
NATALIE PINHEIRO
Em união, o homem e a mulher formam uma família, ou seja,
um lar conforme o desejo do coração de Deus. Essa é a realidade
que vivo hoje, na qual tenho contentamento e plena percepção da
vida que vivi e da que escolhi viver.
Digo, com segurança, que essa escolha não foi fácil, mas foi
fruto de uma palavra, Rhema,1 que abriu espaço para que o Espírito
Santo de Deus pudesse tirar as escamas dos meus olhos e do meu
coração para tudo que já havia sido plantado dentro de mim. Foi
um trabalho tão intenso do Senhor na minha vida, que, hoje,quero
liberar isso na vida de outros homens e encorajá-los a não desis-
tirem de suas famílias, assim como minha amada esposa trabalha
com as mulheres.
Queremos transbordar essa unção poderosa de Deus para outras
famílias. Por isso, digo: Tenha bom ânimo, pois o melhor de Deus
ainda está por vir. Conte sempre com a nossa família e com nosso
ministério. Vamos juntos, afinal, isso é só o começo!
E aí, vamos juntos para a próxima fase da sua vida?
1 Rhema (ῥῆμα – rhḗma) é uma palavra comum no Novo Testamento, aparecendo setenta
vezes no texto sagrado. O seu significado básico é “palavra” e com mais profundidade podemos
dizer que é “uma palavra dita pelo Senhor” que tem o poder de trazer vida, transformação,
renovo.
73
S E G U N D A P A R T E
MANUAL
ANTIDIVÓRCIO
CAPÍTULO 10
Algumas
explicações
E
ste Manual Antidivórcio surgiu, primeiramente, da minha
necessidade. Se eu tivesse, em algum momento, lá atrás,
recebido os conceitos que apresentarei nas próximas pági-
nas, talvez minha experiência fosse outra. Sim, recebi instruções, fiz
um curso, renovei meus votos, mas, ainda assim, havia necessidade
de mais. E, verdade seja dita, sempre precisamos desse mais.
E, depois, o Manual nasceu da necessidade que percebi nas
mentorias, ministrações e cursos que dou a mulheres e casais.
Infelizmente, por muitas razões culturais, sociais, familiares, entra-
mos no casamento totalmente inconscientes do que vem a ser
esse projeto de Deus. Muitos nem se apercebem que carregam
sua própria bagagem emocional e cultural e querem que o outro
a receba e “esteja tudo bem”. Outros tantos se preocupam com o
casamento como uma festa, uma cerimônia, e pensam na vida a
dois até ali. Imaginando que o que virá depois será o “felizes para
sempre”. Mas é justamente o depois que será a construção do lar,
da vivência, do relacionamento e da família.
Durante as mentorias e ministrações, não é pequeno o número
de ouvintes que se assustam com o que falo. Mas, quando penso
em casamento hoje, diante de tudo o que vivenciei e do que Deus
77
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
tem me ensinado dia após dia, entendo que, muitas vezes, “dura é
essa palavra. Quem consegue ouvi-la?” (João 6:60 – NVI). E percebo
que aqueles que querem usufruir o melhor para si, e para os seus,
acabam por compreender o que é o casamento, aceitar e ser rica-
mente abençoados.
O que quero dizer é que este Manual não é uma “receita de bolo”,
a qual você irá adicionar os ingredientes, preparar a massa, pôr para
“assar” e, ao final, tudo dará certo. Mas são conceitos, verdades e
reflexões de quem trilhou e tem trilhado um caminho árduo para
que o casamento esteja no centro do propósito de Deus. E, por isso,
se sentiu chamada a ajudar outros.
Sendo assim, sugiro que leia com atenção, oração, com o coração
aberto para as verdades contidas nas próximas páginas. Sublinhe
trechos, se necessário. Abra a Bíblia e releia as passagens registra-
das aqui, na versão que você tem. Sublinhe lá também. Faça desse
manual um estudo.
Tenho certeza absoluta de que, se você se permitir, esses ensina-
mentos poderão transformar o seu casamento. Aliás, peço a Deus,
com todas as minhas forças, por isso.
78
CAPÍTULO 11
O princípio de tudo
“E ele lhes disse: ‘Quando orardes, dizei:
Pai nosso, que estás nos céus,
santificado seja o teu nome; venha o teu reino;
seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu’”
(Lucas 11:2 – ACF).
H
á algo muito importante que precisamos entender a
respeito de nós mesmos, antes de pensarmos em casa-
mento, antes mesmo de qualquer coisa. Até porque, se a
nossa identidade não estiver muito bem estabelecida, como pode-
remos ser indivíduos emocionalmente saudáveis? Ou somar posi-
tivamente em uma relação?
A grande verdade, da qual nos esquecemos com grande facili-
dade é que somos únicos e filhos de Deus. Mas há algo maior no fato
de sermos filhos de Deus: temos o direito a usufruirmos do melhor
que Ele tem para nós. Já pensou nisso?
Quando Jesus esteve aqui nesta Terra, ministrou uma oração
aos Seus discípulos. Orar é uma forma de comunicação com
Deus, é a maneira que temos de nos achegar a Ele. E as palavras
que Cristo ensinou são extremamente significativas para que
79
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
entendamos quem somos. Veja: “E ele lhes disse: ‘Quando orardes,
dizei: Pai nosso...’” (Lucas 11:2 – ACF). Isso quer dizer que Deus se
revela como nosso Pai. Isso significa que não somos nem estamos
órfãos. Mas é mais que isso. Também, sempre que oramos, “Pai
nosso” estamos trazendo a identidade de Deus sobre a nossa vida.
Estamos reafirmando que fomos criados à imagem e semelhança
dEle (Gn 1:26).
Dessa maneira, aconteça o que acontecer saiba que você tem
um Pai. Ainda que se sinta só ou rejeitado, você tem um Pai. Há um
outro texto da Bíblia que afirma: “Porque, se o meu pai e a minha mãe
me abandonarem, o Senhor me acolherá” (Salmos 27:10 – NAA). Isso
diz respeito à identidade de cada um. Reconhecer que, ainda que
abandonados por nossos pais terrenos, temos um Pai celestial deve
ser motivo de alegria, conforto e nos trazer um profundo sentimento
de segurança.
O que acontece é que, quando não temos uma iden-
tidade firmada, carregamos uma lacuna de orfandade.
E essa lacuna é muito perigosa. E por quê? Quando nos
sentimos órfãos, solitários, à deriva, qualquer atenção,
carinho, ou demonstração de afeto “nos completa”, “nos
satisfaz”. O fato é que uma pessoa que não sabe de sua
verdadeira identidade não tem segurança, não tem autoes-
tima, carrega em si uma tremenda necessidade de aprova-
ção, pois tem em si uma raiz de rejeição.
Imagine um filho que foi abandonado pelos pais... esse aban-
dono pode ser material ou real. Essa é uma dor enorme de se
carregar, um buraco no peito difícil demais de ser preenchido. E
acredite: a certeza de acolhimento e pertencimento só virá com
a presença de Deus. Não há como ser diferente disso. Mas olhe
que maravilha! Deus nos garante que é nosso Pai. Isso significa
80
NATALIE PINHEIRO
que a nossa identidade está atrelada a dele. Isso quer dizer que
podemos todas as coisas nEle. Por meio da oração que Ele nos
ensinou, ou seja, do acesso que Ele mesmo nos garantiu, temos
o remédio e a cura para os sentimentos de rejeição, falta de
aprovação, medo, solidão e falta de identidade. O amor do Pai
do céu consolida, em nosso coração, a nossa identidade. A saber,
quem somos de fato.
Entenda o que está orando
Agora, preste atenção! Essa oração é uma diretriz; ela não é para
ser repetida vezes sem fim, sem compreensão do que se quer dizer.
Não. Ela deve ser orada a partir do seu entendimento e da sua acei-
tação de ser filho de Deus e herdeiro desde já das bênçãos do Reino.
Mas há algo mais que quero ressaltar: como Jesus se colocou
como filho de Deus quando esteve aqui nesta Terra? Em obediência.
Isso é o que Deus espera de nós. Ele tem, sim, muitas bênçãos reser-
vadas a cada um. Mas reconhecê-Lo como Pai significa obedecê-Lo,
para aí sim, ter acesso a essas bênçãos.
Compreendida essa primeira parte, podemos aprender mais
com essa oração, pois ela continua dizendo: “...Pai nosso, que estás
nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino...” (Lucas 11:2
– ACF). É um fato, o nosso Pai está nos céus e o nome dEle deve
ser santificado e adorado. Mas há algo mais para aprendermos
aqui, Deus nos fala para pedirmos: “venha o teu reino”. Eu tinha
uma ideia de pensar nesse “venha o teu reino” como pedir pela
eternidade. Quem me mostrou que poderia ser diferente foi o
Beto. Ele me apresentou uma ideia muito pura de que a eterni-
dade começa agora e é real.
Quando oramos “venha o teu reino, estamos trazendo à existên-
cia as coisas do céu para começar a vivê-las agora, já! Veja, não é
81
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
preciso estar no céu para ter paz, para viver em amor, para conce-
der o perdão. Não.
“QUANDO EU PEÇO AO PAI QUE O REINO DELE VENHA É
PORQUE PRECISO QUE TODOS OS ATRIBUTOS DO REINO
JÁ FAÇAM PARTE DA MINHA VIDA, DA VIDA DA MINHA
FAMÍLIA, DO MEU LAR. SE EU ENTENDI E ACEITEI QUE SOU
FILHA, OU FILHO, DELE; E QUE TENHO UMA IDENTIDADE
NELE JÁ POSSO DESDE ENTÃO VIVER O REINO DELE AQUI,
NA TERRA, E EM MIM.”
Mas há algo mais aqui. Quando pensamos em “venha o teu
reino”, precisamos nos lembrar que Jesus nos ensinou algo muito
importante: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça,
e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33 – ARA). Isso
quer dizer que, se buscamos o Reino de Deus, fazer a Sua vontade
e a Sua justiça, todas as coisas de que necessitamos como filhos de
Deus nos serão dadas. Eu entendo que o que Deus deseja para nós,
e de nós, é que reconheçamos tão somente o que podemos ser e
obter vivendo a realidade de filhos dEle.
Isso quer dizer também que é preciso colocar a minha
vontade na submissão da vontade de Deus. Porque, se
eu busco o Reino e a justiça dEle, logo busco a realidade
de quem Ele é. Assim, não cabe mais a mim querer as
coisas do meu modo, no meu tempo, ou como entendo
que devam ser.
E a oração prossegue: “...seja feita a tua vontade, assim na terra,
como no céu” (Lucas 11:2 – ACF). Essa fala confirma a ideia que
82
NATALIE PINHEIRO
apresentei anteriormente. Posso viver o que há no Reino aqui, na
Terra. Tenho o direito a viver a vontade dEle aqui, desde que essa
compreensão chegue à minha vida. Posso ser e obter o que Ele
tem para mim se eu tão somente desejar a vontade dEle na minha
vida. Quando você entende quem de fato é e reconhece sua
verdadeira identidade, pode se colocar nas mãos de Deus
para viver o propósito dEle na sua vida.
E qual é esse propósito? É reconhecer-se filho, ou filha, buscar
as coisas do Reino e, pela graça dEle, viver uma nova existência.
Existência essa repleta de significado na qual o amor do Pai esteja
no centro. Assim, será mais fácil ser uma pessoa melhor, um cônjuge
melhor, um pai, ou mãe, melhor. Sem o entendimento de que você
é filho de Deus, sem a aceitação dessa adoção, se torna muito difí-
cil qualquer tipo de relacionamento, porque você sempre estará à
espera de que o outro lhe dê tudo aquilo que apenas o seu Pai pode
lhe prover.
83
CAPÍTULO 12
O que o casamento é
“O amor é paciente, o amor é bondoso.
Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses,
não se ira facilmente, não guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça,
mas se alegra com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”
(1 Coríntios 13:4-7 – NVI).
C
ompreendida a questão da identidade em Deus, precisa-
mos pensar em alguns conceitos terrenos que foram incu-
tidos em nós, ao longo dos anos a respeito do casamento.
O primeiro deles, e talvez o mais cruel, é que, desde muito novos,
somos ensinados a romantizar o que não é, de forma alguma,
romântico. E, aqui, já deixo claro: o amor não é romântico.
Mas o que acontece? A menina cresce com a mentalidade de que
ela é uma princesa, ou será quando for adulta, e ela está à procura
de um príncipe encantado para fazer um bonito casamento e morar
85
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
em um lindo castelo. Só que onde está o príncipe? E onde está a
princesa? Assim, quando esse homem e essa mulher começam a
viver o seu casamento, descobrem que essa ideia não é real. Mas o
problema é que esse imaginário foi tão alimentado, tão sonhado e
tão desejado que a mulher acaba por ficar sempre na expectativa
de que, um dia, esse príncipe surja, ou que as dificuldades do casa-
mento, do relacionamento real, sejam sanadas e deem lugar a esse
casamento de sonhos.
Essa é a primeira ideia errônea... e não são poucas as mulheres
que romantizam o amor. Eu já romantizei. E muito. Mas repito:
o amor não é romântico. Quando a Bíblia fala em amor, o
que ela nos apresenta? Deus apresenta o amor de maneira
linda, mas dicotomizamos a ideia dele, porque ansiamos
pelo romantismo. Mas, veja, o texto sagrado nos diz:
“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho
Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas
tenha a vida eterna” (João 3:16 – NVI). A partir desse texto,
conseguimos perceber que o amor não é um sentimento,
mas é uma entrega.
Outro texto da Bíblia, agora escrito pelo apóstolo Paulo, que fala
sobre o amor é 1 Coríntios 13. Muito se fala desse texto, suas pala-
vras são recitadas, cantadas; mas não se para para pensar no que
é, verdadeiramente, esse amor quando expresso. Vamos ler: “Ainda
que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei
como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha
o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e
tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei.
Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo
86
NATALIE PINHEIRO
para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá. O amor é
paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não
guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com
a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios
13:1-7 – NVI).
Em uma análise rápida, se não houver amor nas suas ações,
nenhuma delas de nada vale. Esse é o primeiro ponto. Depois,
entram as qualidades, ou características, que o amor deve apre-
sentar: paciência, bondade, não ser invejoso, nem vaidoso, muito
menos orgulhoso. Ainda, não maltratar, nem procurar os seus
próprios interesses. Do que estamos falando aqui? Novamente, de
entrega. Não de sentimento, mas de serviço. De doação. De abrir
mão do que se deseja, de seus desejos próprios e egoístas, de posse,
para dar ao outro; para servir.
O problema acontece quando entendemos, em função do que
alimentou a nossa imaginação, que o amor é um sentimento. Assim,
pensamos que o amor é como nos sentimentos em função e por
causa do outro. E, pior, como devemos nos sentir com aquilo que
o outro nos faz.
Mas é preciso deixar bem clara a ideia — e compreendermos
isso — de que o amor não é o que sentimos, e sim a maneira que
agimos. Portanto, o amor é uma decisão e um comporta-
mento fundamentado no servir, na entrega e na doação.
Por isso, é preciso começar a ressignificar o casamento a
partir da perspectiva de que o amor não é somente romance. O
amor é doação.
87
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
O outro não é o responsável pela sua felicidade
Outro conceito que se tem a respeito do casamento, que está
atrelado à ideia de romance, e que precisa ser quebrado, é que
“você se casa para ser feliz”. Acredite: essa é a maior mentira que
já nos venderam. Nós, e, aqui, falo principalmente às mulheres,
fomos criadas adestradas, treinadas, manipuladas, ensinadas
sobre o que era o casamento dessa maneira. Quantas e quantas
vezes a ideia de que “é preciso casar para ser feliz” foi passada?
Já ouviu a canção que diz “é impossível ser feliz sozinho”? Pois é.
Não estou dizendo que Deus não nos criou para o casamento,
não é isso. Mas o ponto não é a felicidade. E, quando falo de
nós, mulheres, é porque a grande maioria está vivendo infeliz,
frustrada, porque tem expectativas a respeito do casamento que
nunca se tornarão reais. Ficarão apenas no plano das expecta-
tivas se o olhar sobre o que o casamento não é não for mudado
urgentemente!
Preste atenção: nada amplifica mais o caráter de um ser
humano do que o casamento. E por quê? Porque o casamento
é o único “lugar” no qual você nunca consegue se mover
mantendo a guarda alta. Quando você chega em casa, a
primeira coisa que faz é tirar todas as suas armaduras. Você
abaixa a guarda, fica vulnerável, disponível, revela todas as
suas fragilidades. É por isso que afirmo que o casamento é
um amplificador de caráter. As qualidades serão ressaltadas,
mas os defeitos também. E a convivência fará com que esse
amplificador seja visto em todas as dimensões.
Agora, se você busca a felicidade, — e está certo em buscá-la
— só precisa saber onde está a sua verdadeira fonte. Ao encontrar
88
NATALIE PINHEIRO
a felicidade real, verdadeira, duradoura e que satisfaz, você poderá
trazê-la para contribuir, para somar, no seu casamento. Quando
você tem a felicidade, quando bebeu da fonte da verdadeira felici-
dade, não espera que o casamento seja a fonte da felicidade. Conse-
gue entender? — isso está atrelado à ideia de identidade no Pai que
apresentei no capítulo anterior.
Quero compartilhar alguns textos da Bíblia para ajudá-lo nesse
sentido: “Tu me alegras, Senhor, com os teus feitos; as obras das tuas
mãos levam-me a cantar de alegria” (Salmos 92:4 – NVI). E mais: “Não
se entristeçam, porque a alegria do Senhor os fortalecerá” (Neemias 8:10
– NVI). Há outro texto: “Alegrem-se sempre no Senhor; outra vez digo:
alegrem-se!” (Filipenses 4:4 – NAA). E mais um: “Tenho lhes dito estas
coisas para que a minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja
completa” (João 15:11 – NAA).
Eu ainda poderia citar muitas outras passagens, mas o que quero
apresentar é que a alegria vem de Deus, não do casamento. Se você
não estiver feliz, alegre, contente nEle, que é a fonte da vida, que
é o Senhor de tudo, como poderá querer estar alegre por causa de
um ser humano que é falho, com defeitos, paradoxos? Consegue
perceber o quanto essa ideia é infundada?
Mas vou dar um exemplo prático para você entender o que
é o casamento, na grande maioria das vezes. Quando você está
no trabalho e seu chefe briga, o que você faz? Vai embora? Bate
o pé, a porta, responde? Faz birra? Não. Você abaixa a cabeça,
respira fundo, espera a poeira abaixar e continua trabalhando. Em
outras palavras, você faz o que é preciso e não conforme o que
está sentindo. Da mesma forma é no casamento, você faz o
89
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
que precisa ser feito e não o que está sentindo. Até porque
quem age pelo que sente são as crianças.
Já reparou o que acontece quando você diz “não” para uma
criança a respeito de algo que ela deseja muito? Ela se joga no
chão, grita, esperneia, faz birra. E o pai, a mãe, o adulto que está
com ela, faz o quê? Manda que ela pare, porque a reação dela não
pode produzir efeito. Então, eu pergunto: Por que, no casamento,
agimos de maneira tão infantil? Fazemos biquinho, nos estranha-
mos, brigamos, fazemos drama; já reparou?
Então, esse é um conceito que também precisa ser ressignificado.
É preciso entender e aceitar que, no casamento, a gente faz o que
precisa ser feito, e não o que estamos sentindo. Ainda, é preciso se
libertar daquela ideia de: “o outro me fará feliz” e, de que, se assim
não for, eu brigo, faço beicinho e ajo como uma criança.
Suas mazelas emocionais são suas
Outra coisa que precisamos compreender e nos submeter a
essa verdade é que o casamento não é o “lugar” de suprir
as suas necessidades humanas, ou seja, preencher as
suas lacunas na alma. Se você tem mazelas emocionais — e
todos temos —, não pode esperar que o seu cônjuge as resolva.
Isso não é responsabilidade dele. Aliás, se você jogar suas insa-
tisfações, traumas, inseguranças em cima dele, pode ser que o
peso seja difícil demais de ser suportado.
Mas veja: “O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus
desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos.
Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas
nunca faltam” (Isaías 58:11 – NVI). Ei, preste atenção! Deus quer
90
NATALIE PINHEIRO
pegar esse seu terreno ressequido, ou seja, esse seu coração que
está cheio de mágoas, cheio de sentimento de abandono, de rejei-
ções, de traumas, de tudo o que já você viveu e o feriu e trazer
para fontes de águas que nunca faltam. Ele vai lavar suas feridas
e curá-las. Mas é Ele quem vai fazer isso, pois o poder para isso
é dEle.
É preciso estar ciente de que você não se casou com o seu pai
ou com sua mãe. Digo isso porque, se o seu pai o abandonou,
seu cônjuge não é o seu pai. Ou se o abandono foi materno, a
sua esposa não é a sua mãe. Por isso, faz todo o sentido levar as
lacunas do nosso coração a Deus, entregá-las e permitir que Ele
as preencha. Até porque ninguém mais tem esse poder. Agora,
é claro que, se você buscar em Deus a cura, isso demandará
tempo, compromisso com Ele, paciência, perseverança. Mas a
sua restauração será completa. E esse peso você não trará ao
seu casamento.
Busque a maturidade
Outro ponto é que o casamento não é para pessoas infantiliza-
das, para crianças. O casamento é para pessoas adultas e maduras.
Olhe o que a Bíblia diz sobre isso: “Por essa razão, o homem deixará pai
e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gênesis
2:24 – NVI). Essa palavra é tão taxativa que irá aparecer novamente
no Novo Testamento, em Mateus 19:5 e em Efésios 5:31. O que Deus
espera de um homem e de uma mulher que se unem em casamento
é maturidade.
Isso quer dizer que, quanto mais responsabilidade e maturidade
o casal tiver, mais força e compromisso terá também para fazer de
91
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
seu lar um lugar melhor. Isso significa resolver os próprios proble-
mas, não correr para a mãe ou para o pai chorando, pedindo ajuda.
Por isso, busque a maturidade intencionalmente.
Sendo assim, é preciso entender e aceitar que o casa-
mento é o lugar em que dois indivíduos adultos e maduros
se equiparam, se prepararam para gerar filhos benditos
para o Senhor e fazem o seu melhor nesse sentido.
Outro ponto importante para se pensar é que o casamento não
é lugar para se ser egoísta, nem para se alimentar o próprio ego.
Como já disse anteriormente, amor é serviço. E, se você quer que o
seu casamento dê certo, precisa matar o seu ego todos os dias. Até
porque a sua relação precisa apontar para Deus, que é dono da
vontade boa, perfeita e agradável. E não para humanos donos de
vontades falíveis e mesquinhas.
Não pense que o que afirmo é exagero. Exagero é viver uma
vida confusa, fundamentada nas próprias crenças e vontades. O
que, via de regra, vai fazer com que a relação naufrague.
Pode ser que você me pergunte: “Então, Natie, o que faço
para o meu casamento dar certo? Até aqui você falou do que o
casamento não é. Mas o que ele é, afinal?”. O casamento existe
para você glorificar a Deus, exaltar o Criador desse plano para
a família. Veja: “Não foi o Senhor que os fez um só? Em corpo e em
espírito eles lhe pertencem. E por que um só? Porque ele desejava
uma descendência consagrada” (Malaquias 2:15 – NVI). Isso quer
dizer que Deus criou o casamento para que homem e mulher
consagrassem a sua descendência a Ele. Entende o poder contido
nessa verdade?
92
NATALIE PINHEIRO
Portanto, o casamento é para você glorificar a Deus.
Assim, o princípio de tudo significa morrer para si e viver
as coisas do Céu. Por isso, o casamento não é, nem pode
ser, o seu deus. Nem as suas emoções podem ser governa-
das pelo seu cônjuge. Perceba que, se as suas emoções, se
o seu equilíbrio emocional e a sua vida giram em torno do
seu cônjuge, você está vivendo em idolatria. Quem precisa
governar as suas emoções, a sua mente, o seu pensamento,
a sua forma de viver, o seu casamento, é Deus.
93
CAPÍTULO 13
É tempo de reflexão
“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento,
guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”
(Filipenses 4:7 – ARA).
E
m minha trajetória com o Beto, atravessamos diversos
processos e, melhor dizendo, obstáculos, até termos um
verdadeiro encontro com Jesus dentro de nosso casamento.
Parte deles diz respeito ao que apresentei nos dois capítulos ante-
riores. Mas algo muito necessário nessa construção foi a reflexão
de que tempo estávamos vivendo dentro da nossa relação conjugal.
O que quero dizer é que, muitas vezes, colocamos um holo-
fote em cima da vida do nosso cônjuge, quando, na verdade, esse
“canhão de luz” deveria estar em nossa vida. Assim, poderíamos
focar muito mais em nós do que no outro. E, quando afirmo isso,
não me refiro a pensar em si de forma egoísta, não. Faço menção a
tudo o que já comentei a respeito de maturidade e responsabilidade.
Eu sei que é muito fácil responsabilizar o outro pelos fracassos
ou problemas que enfrentamos. Na verdade, a grande maioria das
pessoas quando são confrontadas com um problema, logo apontam
o outro como o culpado; e nunca a si mesmas. Mas é bom lembrar
95
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
que, se somos dois e, consequentemente, uma só carne, ambos
temos nossa parcela de deveres a serem cumpridos na relação.
Algo importante é não se esquecer da responsabilidade
enquanto esposa e marido, assim também como pais. Isso significa
dizer que, se queremos filhos “saudáveis”, precisamos de um casa-
mento saudável também. Ou seja, curado, sarado, livre de traumas
e mazelas emocionais e espirituais. A verdade é que não podemos
esperar que nossos filhos mudem de comportamento, por exemplo,
se não acontecerem mudanças dentro das relações familiares. E
estas só serão possíveis quando houver transformação no indivíduo;
ou seja, primeiramente no pai e na mãe.
Por isso, torna-se importante refletir em que momento a relação
está para distinguir quais são os ataques que a sua família vem
sofrendo. A partir dessa autorreflexão, é possível caminhar para
um processo de mudança.
A Bíblia nos fala muito a respeito do tempo de todas as coisas. No
livro de Eclesiastes, capítulo 3, encontramos: “Tudo tem o seu tempo
determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo
de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que
se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo
de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo
de dançar; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo
de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo
de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; tempo de rasgar, e
tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar,
e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz” (versos 1-8 - AC).
Que tempo você está vivendo?
Quero, agora, que responda às questões a seguir, pensando na
melhor forma de entregar o seu momento a Deus, para que Ele
possa modificar a sua história.
96
NATALIE PINHEIRO
• Em que tempo você está?
• Você vive um tempo de paz no seu casamento?
• Ou seu casamento está em um tempo de guerra?
• Você está no tempo de chorar ou de rir?
• Qual a sua visão em relação ao tempo que está vivendo?
• É tempo de semear?
• Está vivendo um tempo de colheita?
• Quando ora a respeito do tempo que está vivendo, sua
oração é de gratidão ou são pedidos incessantes por
mudanças?
• Seus pedidos passam para Deus uma condição de depen-
dência ou de independência?
Lembre-se de que a paz que excede todo o entendi-
mento precisa ser o árbitro e o ambiente da nossa casa.
Também, precisamos nos questionar quanto a isso; afinal, a paz
que vem do Senhor tem encontrado lugar para estar na sua casa?
Porque, se ela não faz parte do seu lar, então, vocês estão em tempo
de guerra. E isso não é propósito de Deus.
Assim como, não é propósito dEle que as mulheres frequentem
à igreja sozinhas, sem os maridos ou sem os filhos. E, ultimamente,
isso tem acontecido muito. Já percebeu? Mulheres que vão à igreja,
oram e jejuam por seus familiares, muitas vezes por anos, e se
sentem exaustas de tanto orar e chorar pelos seus, afinal, não veem
as respostas de suas orações.
A partir do momento que você identificar o momento em que
está o seu casamento, apresente-o a Deus. Ele é o seu Pai e o Senhor
de todas as coisas. Além disso, o casamento é algo instituído por Ele
e só Ele tem o poder de mudar a sua história, se você se submeter
à vontade dEle e permitir que Ele o faça.
97
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Missão, visão e valores
Algo muito importante para pensarmos em termos de casamento
e família é a respeito da missão da visão e dos valores que queremos
ter dentro da nossa casa. Eu sei que isso pode soar estranho, por
exemplo, as empresas, geralmente, têm uma missão, uma visão e
seus valores. A intenção delas e por intermédio desse discernimento
crescer e se solidificar. E, pensando em termos de família, por que
não tentar?
Algo que tenho percebido, em meu trabalho é que importante
que a família entenda qual é o seu propósito, o para quê ela existe.
E, consequentemente, sua visão; ou seja, aonde pretende chegar.
Assim, é importante ela entender ainda os seus valores, onde está
ancorada.
Algo que preciso ressaltar é que a missão da família é ministerial
e espiritual. Por isso, é determinante entender essa missão, só assim
será possível passá-la aos filhos e trabalhar em unidade. A visão,
como já disse, é para onde a família está indo. Inclusive, seria bom
pensar em termos de tempo. Dentro dos próximos três ou cinco
anos, aonde ou como a sua família estará? Quais são os projetos
que estão em andamento? Ou que serão colocados em pauta? Que
projetos fazem parte do planejamento da sua família?
Quando me refiro a planejamentos penso nos mais variados
tipo. Pode ser um novo trabalho, um livro, um curso, a conquista
da casa própria, por exemplo. Para executar a visão é bom ter
prazos, números estabelecidos. Às vezes, até metas. Trabalhar
com tudo bem definido ajuda a família a se unir em torno de um
propósito único.
Lembrando que a missão e a visão são elaboradas pelo casal
e, depois, passadas aos filhos. O objetivo é que eles entendam que
estão ancorados em uma família que tem um propósito e uma razão
98
NATALIE PINHEIRO
de existir. Essa clareza ajuda muito e facilita bastante a comunicação
e o relacionamento.
Já os valores são o conjunto de características da família. Eles
dizem respeito a tudo o que os pais creem como inegociáveis, na
maioria das vezes, e desejam transmitir a seus filhos. Entendo que a
unidade dentro de casa precisa ser preservada por esses princípios,
que são indiscutíveis. Caso isso não aconteça a relação familiar se
tornará frágil. E esta não é a vontade de Deus.
Em 1 Coríntios 1:10 lemos: “Irmãos, pelo nome de nosso Senhor
Jesus Cristo, peço-lhes que todos estejam de acordo naquilo que falam e
que não haja divisões entre vocês; pelo contrário, que vocês sejam unidos
no mesmo modo de pensar e num mesmo propósito” (NAA). Deus está
na unidade. E a família tende a se fortalecer quando unida e na
presença dele.
O que acontece é que, a partir do momento que a sua famí-
lia compreende sua missão, sua visão e seus valores, ela passa a
entender o porquê de sua existência. Facilita e muito para saber o
que pode ou não pode ser prioridade na vida dos pais e dos filhos.
Algumas pessoas dizem que “tempo é dinheiro”. Mas, para mim,
tempo é vida. E quando você sabe o que quer, o que é, e para onde
vai, e, o mais importante, o que não negocia, otimiza o tempo e pode
ter mais vida em família. E o que Deus deseja dar a nós? Vida. E
vida em abundância (Jo 10:10).
Quando vivemos no centro da vontade de Deus; e, especifica-
mente, a vontade dele para a nossa família, tudo flui. É possível
viver em paz e alegria no Espírito, é possível viver de uma forma
muito mais leve.
99
CAPÍTULO 14
O poder da oração
“E não vos conformeis com este século,
mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,
para que experimenteis qual seja a boa, agradável
e perfeita vontade de Deus”
(Romanos 12:2 – ARA).
M
uitas pessoas sentem que as suas orações não estão
sendo respondidas. É como se Deus estivesse contem-
plando em silêncio, enquanto nos debatemos em busca
de respostas. Sei, por experiência própria, que essa falta aparente
de respostas gera em nós uma inquietude maior do que se Ele
tivesse dito “não”.
Quando contei um pouco da minha história, falei um pouco das
minhas orações. Lembro-me bem, durante o processo do divórcio,
que, quanto mais eu orava, mais o Beto namorava. Na verdade, me
parecia que, quanto mais orava, pior a situação ficava. E, quando
questionava Deus, Ele me dizia que eu estava pedindo mal, pedindo
errado. E o que acontecia? O que era esse pedir mal?
Entendo que nós, mulheres, nascemos com um chamado do
Senhor para sermos intercessoras do lar, o pilar de oração da nossa
casa. No entanto, mesmo diante desse chamado, nós também temos
uma característica contrastante, que é a ansiedade. E, na ânsia de
obter resultados para as nossas orações, não focamos no que é
101
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
devido. Ou, ainda, não entendemos qual a melhor maneira de nos
relacionarmos com Deus. Quantas vezes você tem desejado mudan-
ças, orado por elas, mas, quando vê, está vivendo em plena guerra?
E por que isso? Porque oramos pelo desejo do nosso coração, e, por
isso, pedimos mal.
Veja, a Palavra nos diz algo muito importante a respeito disso:
“De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm
disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?
Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcan-
çar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e
não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites”
(Tiago 4:1-3 – ACF).
Como afirmei, sei, por experiência própria, o que é isso. E
há um número enorme de mulheres que oram para que Deus
mude o marido, por exemplo, ou para que ele pare de beber, ou
se converta. Mas parece que nada acontece. Pelo contrário, a
situação só se agrava.
O que acontece é que o holofote da oração não pode
ser colocado nos seus próprios desejos. Em coisas que lhe
trarão deleite. Como já disse, o casamento não é um lugar
onde se deva ser egoísta. Isso é um fato. Sendo assim, a
oração menos ainda deve ser egoísta.
Quando colocamos o foco de nossas orações na transforma-
ção do outro, estamos sendo egoístas. Estamos pensando no que a
mudança do outro nos beneficiaria. E, definitivamente, não é isso
que Deus nos pede. Se queremos viver um novo tempo no nosso
casamento e desfrutar do que Deus tem no coração dEle, precisamos
pedir certo.
Preste bastante atenção: é preciso virar o holofote daquilo que
você quer e sonha que seja o melhor e pedir por si mesma. E não,
isso não é ser egoísta. É orar pedindo pela sua própria transfor-
mação. Pedindo pela sua sujeição à vontade de Deus, que é boa,
perfeita e agradável (Rm 12:2).
102
NATALIE PINHEIRO
Você já parou para entender a dimensão de um Deus que se
assenta sobre o Universo e descansa os pés na Terra? Um Deus
que, com uma mão, sustenta as águas do oceano e, sobre a outra,
sustenta o pó da Terra? Com as palmas de Suas mãos, Ele soma a
dimensão do céu. Consegue compreender isso? Então, se esse Deus
tem poder para tanto, por que Ele não ouviria a minha oração —
quando feita em sujeição a Ele? A grande verdade é que somente
o Senhor sabe o que podemos acessar por meio de nossas orações.
“‘Porque os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, e os
caminhos de vocês não são os meus caminhos’, diz o Senhor. ‘Porque,
assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus cami-
nhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos
são mais altos do que os pensamentos de vocês’” (Isaías 55:8,9 – NAA).
Sendo assim, o foco de nossas petições deve ser a sujeição
à vontade dEle.
Uma das coisas que mais me impacta, atualmente, diante do
contexto que vivo, é olhar para tudo que Deus fez e perceber que
Ele sonhou com a minha família. Na verdade, os planos dEle são
sempre muito maiores e melhores do que os nossos.
A Bíblia afirma que minha família, e também a sua, nasceu no
coração de Deus. Ela diz, inclusive, que o projeto principal de Deus
são as famílias. Diante disso, é possível acreditar que, se as suas
orações não são respondidas, é porque o Senhor não se importa?
Ele se importa, sim. No entanto, é preciso saber se as orações estão
sendo feitas da forma correta.
No vale da oração
Certo dia, Deus me deu uma bela “lapada no ouvido” — essa é
uma expressão bem cearense — para que eu aprendesse a orar! Ele
me levou à Bíblia, até a história de Jacó, que usurpou seu irmão, lhe
roubando a primogenitura. Mas, também, me levou junto com ele
103
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
para o vau, para receber a restituição. Vamos ler: “Jacó, porém, ficou
só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu. E vendo este que
não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a
juntura da coxa de Jacó, lutando com ele. E disse: ‘Deixa-me ir, porque já
a alva subiu’. Porém ele disse: ‘Não te deixarei ir, se não me abençoares’.
E disse-lhe: ‘Qual é o teu nome? E ele disse: ‘Jacó’. Então disse: ‘Não te
chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e
com os homens, e prevaleceste’. E Jacó lhe perguntou, e disse: ‘Dá-me,
peço-te, a saber o teu nome’. E disse: ‘Por que perguntas pelo meu nome?’
E abençoou-o ali. E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque
dizia: ‘Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva’. E saiu-lhe
o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa. Por isso os
filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura
da coxa, até o dia de hoje; porquanto tocara a juntura da coxa de Jacó no
nervo encolhido” (Gênesis 32:24-32 – ACF).
Deus me mostrou que Jacó viajava com suas duas mulheres,
duas servas e onze filhos, caminhando para encontrar seu irmão
e tentar uma reconciliação. Eles não se viam há muito tempo e a
forma como tinham se afastado não fora das melhores. Em um
determinado momento de sua jornada, Jacó deixou a todos em
segurança do outro lado do ribeiro e voltou para a margem oposta,
para o vau do Jaboque (Gn 32:22).
A Palavra conta que ele entrou no vale para ter um encontro
com Deus. E, nesse momento, não pede a Deus que mude ninguém,
nem ao menos seu irmão. Mas pede que ele mesmo seja mudado.
Ele entende que quem precisava de graça era ele. Assim, passa a
noite toda lutando sozinho com Deus e prevalece alcançando a
bênção que tanto desejava.
E qual era a bênção que Jacó buscava? Era não ter mais que se
esconder atrás de máscaras. Era poder ser alguém melhor. E, por ter
104
NATALIE PINHEIRO
lutado com Deus, o Senhor o libera para que seja um novo homem
e lhe dá um novo nome: Israel.
Jacó saiu da luta, naquele vau, mancando, ferido no corpo, mas
com a alma liberta. Dono de um novo nome. Foi abençoado de tal
maneira que a sua descendência usufruiu dessas bênçãos. Além de,
a partir desse encontro com Deus, ter se conciliado com seu irmão.
É preciso aprender que o vau, o nosso lugar de oração,
deve ser enfrentado quando realmente queremos a
mudança. Mas não do outro, a nossa mesma. O vale é um
lugar de autorresponsabilidade e trata de uma nova iden-
tidade, de uma nova forma de andar e de uma bênção que
se perpetuará por muitas descendências. Por exemplo, se
quer filhos de caráter, seja uma pessoa de caráter. Essa
experiência de orar pela sua transformação é o ponto de
partida para todas as mudanças que você deseja em sua
vida. Ela é individual e intransferível.
Em suas orações, Deus quer saber se você reconhece quem é e
vai lhe perguntar:
Qual é o seu nome?
Qual a sua escolha?
Você está disposta a lutar pelas bênçãos perpétuas para a
sua família?
E qual o legado deixará?
Eu asseguro a você que, quando aprendermos a orar, mostrando
a Deus quem somos, nosso lar será o melhor lugar para se viver,
o porto seguro para os nossos filhos e para toda a nossa família.
Assim, as mudanças nos filhos não acontecem se não há mudança
no casamento, e essas mudanças são possíveis somente quando
mudamos a nós mesmas!
105
CAPÍTULO 15
O poder da
comunicação
“A morte e a vida estão no poder da língua;
quem bem a utiliza come do seu fruto”
(Provérbios 18:21 – NAA).
S
omos os únicos seres da criação de Deus com o poder da fala,
da comunicação. Deus nos fez seres relacionais que preci-
sam se comunicar. No entanto, um dos grandes problemas
no casamento é uma comunicação ruim ou a falta dela.
Por exemplo, quantas vezes, os dois brigam e vão dormir sem
resolver o assunto? Ou, pior, ficam dias sem se falarem direito?
Mas a Bíblia nos ensina o seguinte: “Quando vocês ficarem irados,
não pequem”. Apaziguem a sua ira antes que o sol se ponha e não
deem lugar ao diabo” (Efésios 4:26,27 – NVI). Isso significa dizer
que o casal não deve ir dormir sem ter feito as pazes, sem ter
resolvido seus problemas e conversado sobre o que está desgas-
tando a relação.
Outra situação é dizer uma coisa quando, na verdade, se quer
dizer outra, completamente diferente. Penso que você já tenha
107
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
vivenciado algo assim. Nós, mulheres, somos mestras em dizermos
o oposto do que estamos sentindo. Por exemplo, o marido fez algo
que nos incomoda, nós fechamos a cara e, quando ele pergunta o
que se passa, respondemos que nada está acontecendo, que está
tudo bem. Já vivenciou algo assim?
Quero, a partir de agora, propor algo para você: geralmente,
quando pensamos em uma cor para simbolizar o amor, nos vem
a imagem o vermelho ou o cor-de-rosa. Acertei? Mas quer que
eu diga? A cor que simboliza o amor deve ser transpa-
rente. Sim, todo aquele que ama tem que ser transpa-
rente com o seu cônjuge. E por quê? Para que o outro
possa saber exatamente o que você quer dizer ou o que
esperar de você.
Apenas a título de curiosidade, vamos pensar em comunica-
ção de uma forma geral, está bem? Existem quatro formas de nos
comunicarmos. Podemos dizer que a primeira delas é a verbal. Ela
se desenvolve por meio da conversa. A segunda é a escrita. Antiga-
mente, o instrumento eram as cartas. Hoje, são as mensagens por
aplicativos e quem sabe e-mails. A terceira seria a visual. Por meio
de imagens, fotos e mesmo do olhar dizemos muito. A quarta é a
corporal; a expressão facial, os gestos, a postura, tudo comunica.
Relembro esses tipos de comunicação porque faz bem identificar-
mos o tipo com o qual melhor nos identificamos. Assim, poderemos
utilizá-lo de modo mais eficiente.
Quando faço mentorias individuais, percebo que muitos
casais têm facilidade de se comunicarem pela escrita. No entanto,
já não encontram a mesma facilidade quando vão conversar.
Minha ideia, aqui, é propor que, se vocês se comunicam mais
108
NATALIE PINHEIRO
eficazmente por um meio, usem partido disso, mas não deixem
jamais de se comunicar.
Agora, há algo que preciso destacar. Beto gosta muito de dizer
que o casamento, a família, é um time. E, para que os jogadores do
time vençam, é preciso que eles falem a mesma linguagem. Sempre.
O zagueiro do time não ataca o goleiro do seu time. Não existe isso.
Eles se comunicam sempre da maneira mais clara possível, se prote-
gem, e focam no mesmo objetivo, que é o dar certo.
Mas já reparou que, embora marido e mulher façam parte do
mesmo time, — ou devessem ter a consciência de que pertencem a
mesma equipe — muitas vezes, as maiores feridas são produzidas
pelo que falamos? Ou ouvimos? Às vezes, as maiores feridas são
geradas pelo nosso cônjuge e vice-versa, as minhas palavras geram
nele feridas também. Só que se marido e mulher estão no mesmo
time, então por que isso acontece? E se feridas são produzidas a
vitória desse time fica cada vez mais distante.
Portanto, a primeira coisa que é preciso entender é que
existe a necessidade de se ter zelo com as palavras, com a
postura corporal, com a escrita, com a comunicação. Para
que ela não gere dor, mas vida.
Como se comunicar?
Em cima disso que abordei, quero lembrar que existem três tipos
de comunicação. A primeira é a comunicação agressiva. Ela é comple-
tamente ineficaz, porque parte do ataque. Ela acontece, geralmente,
quando você está errado, mas quer paralisar o outro. Então, você ataca
o sentimento do seu cônjuge. O pensamento dele. E essa comunicação
não é produtiva de maneira positiva. Apenas negativa.
109
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
No meu casamento, tínhamos esse tipo de comunicação agres-
siva. Mas, quando aprendemos a respeitar o sentimento um do
outro, pudemos melhorar nesse sentido. Isso não quer dizer que
somos perfeitos. Não. Temos nossos problemas e temos nossas
brigas. Mas aprendemos a como nos apoiarmos, já que somos joga-
dores do mesmo time.
E como aprendemos isso? Pela Palavra. Veja: “Se alguém
se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a
si mesmo. Sua religião não tem valor algum!” (Tiago 1:26 – NVI).
Também encontramos o seguinte: “Há alguns que falam como
que espada penetrante, mas a língua dos sábios é saúde. O lábio da
verdade permanece para sempre, mas a língua da falsidade, dura por
um só momento” (Provérbios 12:18,19 – ACF). Há mais um texto:
“Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Não
deis lugar ao diabo” (Efésios 4:26,27 – ARC). Isso quer dizer que,
quando você ficar irado, não deve dar lugar ao diabo. Ou seja,
deve se afastar desse sentimento. Trabalhar para que as coisas
fiquem novamente em harmonia e em paz.
E há mais dois textos que quero compartilhar: “Que a palavra
de vocês seja: Sim, sim; não, não. O que passar disto vem do Maligno”
(Mateus 5:37 – NAA). “Como maçãs de ouro em bandejas de prata, assim
é a palavra dita a seu tempo” (Provérbios 25:11 – NAA). Se soubermos
a hora de falar, produziremos ouro. Maçãs de ouro, em bandejas de
prata. Ou seja, estaremos distribuindo o nosso melhor.
O segundo tipo de comunicação é a defensiva. Ela traz consigo
três comportamentos perigosíssimos. O primeiro é a impaciência.
Quando você está na defensiva, não deixa o outro falar, fica impa-
ciente diante das palavras do outro. O segundo e o terceiro são o
110
NATALIE PINHEIRO
desprezo e o silêncio ensurdecedor. Como você não quer ouvir o
outro, você desdenha dos sentimentos dele e fica em silêncio como
se ele não existisse. Já viveu algo assim? A comunicação defensiva
isola. Ela faz com que a parte que “não quer ser ouvida” se sinta
um nada, se sinta alguém sem valor, ela é tóxica.
Mas é preciso maturidade, para sentar, conversar,
dialogar. Aprender a construir a vitória como um time de
verdade. Dar ao outro o mesmo valor que se dá para si.
Como podemos vencer a comunicação defensiva? Com a Pala-
vra. Veja: “Pois toda espécie de animais, de aves, de répteis e de seres
marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano, mas a língua
ninguém é capaz de domar; é mal incontido, cheio de veneno mortal.
Com ela, bendizemos o Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos as
pessoas, criadas à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção
e maldição. Meus irmãos, isso não deveria ser assim.
Por acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar água doce e água
amarga?
Meus irmãos, será que a figueira pode produzir azeitonas ou a videira,
figos? Assim, também, uma fonte de água salgada não pode dar água
doce. Quem entre vocês é sábio e inteligente? Mostre as suas obras em
mansidão de sabedoria, mediante a sua boa conduta.
Se, pelo contrário, vocês têm em seu coração inveja amargurada
e sentimento de rivalidade, não se gloriem disso, nem mintam contra
a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; pelo contrário,
é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e rivalidade, aí
há confusão e toda espécie de coisas ruins. Mas a sabedoria lá do
alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, gentil, amigável, cheia
de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em
111
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz”
(Tiago 3:7-18 – NAA).
Quer dizer... que dificuldade é domar a língua! Mas é
possível se houver sabedoria. E, é claro, sozinhos não a
temos. Mas a própria Palavra nos garante: “Se algum de
vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá
livremente, de boa vontade; e lhe será concedida” (Tiago
1:5 – NVI). Sim, é possível deixar de praticar a comunicação
defensiva e viver em sabedoria e harmonia.
Assim, estaremos praticando o terceiro tipo de comunicação,
a convidativa. Essa forma de comunicação parte de um princípio,
ouvir para cooperar. A ideia é se posicionar para ouvir, cooperar,
acolher. Quem não gosta de ser escutado? Quem não gosta de rece-
ber uma ajuda? E quem não gosta de ser acolhido?
Como disse, no princípio do capítulo, há formas de nos comu-
nicarmos, maneiras. Pelas conversas, pela escrita, pelos gestos e
por imagens. Seja qual for a maneira que você escolher, seja inten-
cional, no seu corpo, na sua mente, na sua fala, na sua escrita, no
seu jeito de ser. Diga: “Meu amor, estou aqui. Eu quero ajudar”.
Ou “Meu amor, o que posso fazer para contribuir positivamente
nessa situação?”. Muitas vezes, o que o outro vai precisar é apenas
ser acolhido. Ou saber que, ali, pode depositar seus sentimentos,
suas emoções. Lembre ao seu cônjuge que vocês pertencem
ao mesmo time e que só conseguirão vencer se estiverem
agindo juntos!
Agora, a comunicação convidativa traz em si mais um princípio:
você decide entender o outro. Você respeita o sentimento do outro.
Durante muito tempo, eu e o Beto erramos nesse ponto. Mas, depois,
112
NATALIE PINHEIRO
percebemos que, quando expomos um sentimento, por exemplo,
não estamos querendo que o outro o justifique, o defenda, o expli-
que, não. Queremos apenas ser ouvidos, acolhidos, amparados.
Não queremos ser julgados. Por isso, para nos comunicarmos de
maneira convidativa, é preciso seguirmos Jesus: “Respondeu Jesus:
‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e
de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E
o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”
(Mateus 22:37-39 – NVI).
Comprometa-se, hoje, com Deus e com você, a ter uma comuni-
cação convidativa. Eu tenho certeza absoluta que você será bem-su-
cedida aonde quer que vá, com quem se relacionar. Mas o mais
importante, a paz de Deus que excede todo o entendimento fará
morada no seu lar.
113
CAPÍTULO 16
O poder do perdão
“Seu Pai celestial os perdoará
se perdoarem aqueles que pecam contra vocês.
Mas, se vocês se recusarem a perdoar os outros,
seu Pai não perdoará seus pecados”
(Mateus 6:14,15 – NVT).
D
urante a jornada de acompanhamento com minhas
alunas, seja nos atendimentos pessoais ou em prega-
ções e congressos, todas me perguntam se, realmente,
é possível perdoar. Eu digo por experiência, você já sabe: “Sim, o
perdão existe!”.
Ele não só existe como também faz parte da vida de muitas
mulheres, e eu vejo isso todos os dias na minha caminhada. No
entanto, existe um conceito muito errado no que diz respeito ao
perdão. É comum as pessoas pensarem que é preciso se arrepender
do que fez ou mudar, para ser perdoada. Assim, vinculam o perdão
à outra pessoa. Mas verdadeiramente, não é dessa forma que o
perdão funciona.
115
ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Posso afirmar que tentei várias ferramentas relacionadas ao
perdão, no âmbito humano, e elas geraram em mim processos
paliativos, sem efetivar um processo de cura e libertação. Alivia-
vam a dor, porém, temporariamente.
Da mesma maneira, pude acompanhar várias mulheres que
investiram em várias ferramentas e obtiveram resultados momentâ-
neos, que acalmavam, mas não curavam a ferida e a dor. Eu mesma
não conheci ninguém que tenha sido liberta definitivamente com
alguma dessas ferramentas humanas.
Mas descobri, e isso compartilho, que o processo do perdão é
construído. Afinal, quando sofremos uma decepção, o primeiro
sentimento que nasce dentro da gente é o sentimento de
vingança. Aquela vontade louca de revidar, de bater e de xingar,
ou seja, o juízo próprio. E, quando isso acontece, nos tornamos o
juiz da nossa causa. Isso nos leva a combater o mal com o mal.
Em outras palavras, a agirmos a partir de uma das características
da natureza humana.
Após uma decepção, mesmo que você se considere bom, por
dentro, sempre existem sentimentos tóxicos, como raiva, ódio e
vingança. E, dentro desse contexto, fica bem difícil imaginar um
quadro que, humanamente, favoreça o perdão.
Setenta vezes sete
A Palavra de Deus traz a seguinte história: “Então, Pedro, aproxi-
mando-se, lhe perguntou: ‘Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará
contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?’ Respondeu-lhe Jesus:
‘Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete’” (Mateus
18:21,22 – ARA). Essa foi a recomendação que Jesus deu a Pedro. E
é a mesma para nós.
116
NATALIE PINHEIRO
Isso quer dizer que devemos perdoar 70 x 7. Sendo assim,
devemos perdoar, ao menos quatrocentos e noventa vezes, a
mesma pessoa.
Costumo dizer, em minhas palestras, e muita gente se
assusta, que não existe melhor lugar para trabalharmos
o perdão, do que no casamento. Deus criou o casamento
para nos prepararmos para o Céu. Portanto, o perdão faz
parte dessa preparação. Perdoar o cônjuge e construir uma
relação de perdão é o propósito de Deus para nós.
Mas a respeito, especificamente, dessa palavra é que a condição
do perdão não é humana, mas, sim, sobrenatural. Por isso, podemos
abrir nosso entendimento sobre perdão a partir da morte de Jesus
na cruz. E é nesse lugar onde devemos depositar as nossas dores, e,
a partir dele, observar o perdão não como uma condição humana,
mas espiritual.
Desta forma, não devemos relacionar o perdão com o
arrependimento ou com a mudança do outro. Ele não tem
nada a ver com isso, e sim com o desejo de ser livre da
dor que estamos sentindo. E esse desejo de perdoar não
pode, em hipótese alguma, estar vinculado à decisão do
outro de mudar ou não. Da mesma forma que a oração,
o amor, a entrega e o serviço em uma relação não podem
ser colocados no holofote que miramos em nosso cônjuge,
o perdão também não.
Não podemos servir de escravas desses sentimentos ruins e dolo-
rosos, carregando-os para todos os lados. Se assim for, para onde
você for ou o que quer que faça, estará sempre cheia de ranco-
res, raiva, ódio, e acabará esquecendo qual o real valor da vida. E
pessoas que são escravas da dor começam a definhar física, emocio-
nal e espiritualmente. Muitas vezes, muitas delas deixam de ter
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ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
um relacionamento com Deus, por causa de uma traição humana.
Precisamos nos lembrar, constantemente, que somos filhas dEle e
temos acesso ao Reino e a tudo que é sobrenatural, por meio dEle.
Alma x espírito
Nosso corpo físico vai refletir o que há de mais forte dentro
de nós, a alma ou o espírito. Na alma, estão nossas emoções
e nossas decisões impulsivas e espontâneas, inclusive, o nosso
juízo próprio. Enquanto o espírito, é aquele que recebe a Pala-
vra, que recebe a direção espiritual, e, por isso, muitas vezes, vai
andar na contramão do mundo. Prevalece o que estiver mais
forte, mais bem alimentado!
Se for a sua alma, você vai sentir vontade das piores coisas, vai
sentir que a pessoa que o magoou não a merece, inclusive sentirá
vontade de se vingar. Mas o espírito dirá que se submeta à vontade
dele, pois ele se conecta com o Espírito Santo de Deus.
Nessa submissão, há cura da dor e liberação de bênçãos.
Quando o espírito cresce, a alma, proporcionalmente, diminui.
Imagine que cada um deles está sentado em um lado de uma
gangorra. Assim, automaticamente, sempre um estará em alta
e o outro em baixa. Somente fortalecendo o espírito, é possível
compreender o verdadeiro perdão e viver o processo para a sua
cura e libertação. Nesse fortalecimento, anulamos o juízo próprio
e deixamos de ver as coisas a partir da nossa perspectiva e das
nossas dores. Submetemos tudo isso àquEle que pode, verdadei-
ramente, cuidar de tudo.
O entendimento relacionado a esse processo do perdão torna
a libertação muito fácil, e, para isso, é preciso fortalecer o espírito.
Quando isso acontece, há o enfraquecimento da carne, e, como as
dores se alojam nela, consequentemente, elas irão diminuir. E é
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NATALIE PINHEIRO
incrível como depois dessa mudança, com o espírito fortalecido,
quando você olha para a sua dor, parece que ela faz parte de um
livro que conta outra história.
Sei, por experiência própria, que é muito difícil para as pessoas
entenderem isso. O que mais sou questionada é se eu não sofro, ou
se ainda choro, quando lembro do que me aconteceu no passado.
Mas acredite: eu fui curada, liberta e estou sarada!
O processo de dor me fez estar mais perto de Deus e estreitar
o meu relacionamento com Ele. Isso não aconteceu por intermé-
dio de nenhuma igreja, aconteceu no meu quarto. Mais especifi-
camente, no meu banheiro, como contei anteriormente. Foram
longas conversas que me trouxeram consolo e fortalecimento
espiritual. Além disso, o meu desenvolvimento espiritual foi
acontecendo de tal forma que comecei a ver as coisas terrenas
de outro patamar. Olhando para elas de um lugar mais alto. E,
desse lugar, a dimensão das coisas tem muito menos força do
que costumava ter.
Isso me fez mudar, inclusive, meu olhar pelo Beto. O que, antes,
era ódio, se tornou compaixão. E, assim, eu pude entender e ver
que ele não tinha um fortalecimento espiritual porque não havia
compreendido quem de fato era Deus na vida dele. Isso foi muito
diferente de mim, que busquei e me entreguei ao fortalecimento
do meu espírito, em que eu trocava a dor pela oração, e, assim, era
fortalecida dia após dia. Isso foi gerando em mim uma identidade
firmada em Deus, com palavras proféticas que geraram um futuro
diferente daquele momento que estava vivendo.
É importante dizer que, enquanto eu vivia esse processo, nada
ao meu redor havia mudado. Muito pelo contrário, havia momentos
em que a situação até piorava. E, diante desse cenário, me lembro
bem de dizer a Deus que meus olhos físicos viam uma situação,
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ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
mas, ao mesmo tempo, no meu interior, havia paz. Sim, a paz que
excede todo entendimento!
Enquanto escrevo, relembro de tudo isso, porque posso ver
claramente que não agia pelo que meus olhos viam, e sim pelo
que meu espírito sentia. Dessa maneira, meus atos estavam reple-
tos de sabedoria; da sabedoria que vem de Deus. Isso incluía
alegria, compaixão e fé, e, definitivamente, fez mudar toda a
minha história.
A mudança não aconteceu com base em juízo humano ou em
uma atitude por parte do Beto, mas ela começou quando eu mudei.
A escolha que eu fiz de ser livre de todas aquelas dores do passado
fez com que tudo ao meu redor mudasse também.
E, mesmo que muitas pessoas ainda achem que isso é difícil,
praticamente impossível, eu posso afirmar que é possível. Eu sou
a prova viva desse processo, a minha vida é real e eu a vivo de
forma autêntica e sem máscaras. Na verdade, quem não consegue
assimilar esse processo é porque não entendeu o verdadeiro sentido
do perdão.
O perdão diário
Sempre digo que perdoar está 100% ligado ao ato de amar.
Dessa forma, quando eu amo, perdoo e vice-versa. E, se a prática
do perdão está diretamente ligada ao amor, assim como eu pratico
o amor o tempo todo, também devo praticar o perdão.
Um bom exemplo disso foi uma experiência que vivi no trânsito.
Por causa de uma fechada, a pessoa do carro ao lado me chamou
de todos os nomes, me mandou para todos os lugares, e eu, após o
susto do momento, tive uma crise de riso.
Naquele momento, em vez de me ofender com o motorista
do outro carro, simplesmente ri da situação. O Espírito Santo
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NATALIE PINHEIRO
me mostrou, claramente, que eu havia escolhido não me deixar
afetar pelo que aconteceu e muito menos pelo que foi dito, que
eu havia escolhido não colocar aquela pessoa em um lugar que
não era dela.
Mas acredite: isso só foi possível porque eu desco-
bri a minha identidade, quem eu sou em Deus. Porque
fortaleci o meu espírito e sei tudo que Ele fez e faz por
mim. A partir dessa compreensão, entendi que precisava
desenvolver paredes emocionais, com a função de me
proteger, especialmente, com as pessoas do meu dia a
dia; afinal, a convivência pode, de alguma forma, difi-
cultar isso.
Um bom exemplo disso é quando o marido chega aborrecido do
trabalho e, de alguma forma, acaba sendo grosseiro. Quando isso
acontece com o Beto, eu decido sorrir, porque, dentro de mim, eu
entendo que aquele problema não tem a ver comigo. O problema
é dele, e não meu!
Com essa postura, eu não trago problema das outras pessoas
para a minha vida, além de praticar, no meu dia a dia, o perdão.
Porque, quanto menos alguém me fere, mais fácil se torna perdoar.
Até porque a força com que sou ferida é uma escolha minha.
Para que você entenda o que digo, imagine que criei alguns
filtros emocionais que me distanciam de problemas e pessoas,
e incluí neles meu marido e até meus filhos. Não me importo
com o que dizem ao meu respeito, porque, para mim, o que
verdadeiramente importa é o que Deus pensa sobre mim, quem
eu sou para Ele.
Na verdade, você precisa lembrar sempre que Ele é o seu Cria-
dor. Então, só Ele pode dizer quem você é e qual o seu valor nEle.
Ele sabe tudo a seu respeito e não as pessoas aqui, nesta Terra. O
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ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
Criador tem uma linda história para a sua vida, com recomeços e
muitas conquistas.
Estar em Cristo é estar em um lugar onde aprendemos a amar
quem não merece, onde descobrimos que a dor pode ser dimi-
nuída, rapidamente. E, a partir desse lugar, não nos tornamos
mais vítimas das situações, mas aprendemos com elas e nos
tornamos donas da vitória.
Quero deixar bem claro que esse processo não tem nada a ver
com autoajuda, mas, verdadeiramente, com a ajuda do Alto. E esse
é o segredo para todas nós, que precisamos viver o processo do
perdão genuinamente, sem camuflar dores.
Nós somos agentes da mudança que queremos, precisamos e
merecemos viver, e, nesse processo, conseguimos fazer com que a
Palavra se torne tangível, para que possamos compreender e colocar
em prática.
Por isso, não espere por ninguém, não se deixe influen-
ciar pela condição que está a vida ao seu redor, apenas se
fortaleça espiritualmente. Alimente o seu espírito, dimi-
nua o alimento da sua alma. Assim, será possível sair do
lugar de juízo, afinal, Justo Juiz só existe um. E é nEle que
podemos e devemos descansar.
Como diz o salmista: “O que habita no esconderijo do Altíssimo e
descansa à sombra do Onipotente diz ao Senhor: ‘Meu refúgio e meu
baluarte, Deus meu, em quem confio. Pois ele te livrará do laço do
passarinheiro e da peste perniciosa. Cobrir-te-á com as suas penas,
e, sob suas asas, estarás seguro; a sua verdade é pavês e escudo. Não
te assustarás do terror noturno, nem da seta que voa de dia, nem da
peste que se propaga nas trevas, nem da mortandade que assola ao
meio-dia’.
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NATALIE PINHEIRO
Caiam mil ao teu lado, e dez mil, à tua direita; tu não serás atingido.
Somente com os teus olhos contemplarás e verás o castigo dos ímpios.
Pois disseste: ‘O Senhor é o meu refúgio. Fizeste do Altíssimo a tua
morada’.
Nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará à tua tenda. Porque
aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos
os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares
nalguma pedra. Pisarás o leão e a áspide, calcarás aos pés o leãozinho e
a serpente. Porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei; pô-lo-ei a
salvo, porque conhece o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei;
na sua angústia eu estarei com ele, livrá-lo-ei e o glorificarei.
Saciá-lo-ei com longevidade e lhe mostrarei a minha salvação”
(Salmos 91:1-16 – ARA).
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Palavras finais
D
ividi nestas páginas um pouco da minha história e concei-
tos que aprendi por meio da oração, da leitura da Palavra
e de ouvir a Deus para que Ele me ensinasse a como fazer
meu casamento dar certo. Conto a minha história porque foram
quase oito meses separados e em oração. Mas, quando virei o holo-
fote para mim e eu fui modificada, não se passaram quinze dias
para que meu marido fosse tocado pelo Espírito Santo de Deus. E
assim, nos encontramos e fomos libertos em Cristo.
Baseado nessa vivência, tenho sido mentora de relacionamentos
desde então, e ajudado milhares de pessoas que chegam até mim
com problemas, dificuldades e relacionamentos que elas pensam
estarem falidos.
Quero finalizar este livro com duas histórias da Bíblia que penso
serem bastante oportunas e que podem ajudar muito na construção
de pessoas melhores e relacionamentos bem-sucedidos.
“Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos
principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: ‘Rabi,
sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode
fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele’. A isto,
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ANTES DE DIVORCIAR, LEIA ESTE LIVRO (MANUAL ANTIDIVÓRCIO)
respondeu Jesus: ‘Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não
nascer de novo, não pode ver o reino de Deus’.
Perguntou-lhe Nicodemos: ‘Como pode um homem nascer, sendo
velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?’
Respondeu Jesus: ‘Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer
da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido
da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires
de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves
a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o
que é nascido do Espírito’.
Então, lhe perguntou Nicodemos: ‘Como pode suceder isto?’” (João
3:1-9 – ARA).
O que quero trazer com essa história? Por favor, nasça de novo!
Tenha um olhar novo para o seu casamento a partir de tudo o que
apresentei aqui. Liberte-se das ideias humanas, da cultura social na
qual estamos inseridos e que estamos aprisionados por ela. Quantos
conceitos você carregou até aqui que só trouxeram dor e desilu-
são? Lembre-se de que em Deus somos livres. Livres para viver o
propósito dEle e para vivermos desde já o Reino em nossas casas,
em nossa vida, em nosso casamento.
Quando Jesus disse a Nicodemos que ele precisava nascer de
novo, ele não compreendeu exatamente o que isso queria dizer. Mas
a ideia é essa, se libertar do que não é vontade de Deus para você.
Sinceramente, espero que você não esteja mais aprisionada ao
passado e a conceitos românticos e a ideias que não colaboram para
o seu crescimento como filha de Deus. Peço a Ele que você tenha
entendido que existem ferramentas que Ele mesmo forneceu para
que o seu casamento esteja no centro da vontade dEle.
Eu sei que o sucesso familiar e profissional, verdadeiramente,
não é um golpe de sorte. Existem princípios a serem obedecidos e
padrões a serem seguidos. Entre eles, avaliar a sua rotina, os seus
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NATALIE PINHEIRO
pensamentos e atitudes. Por isso, escolha as mudanças que devem
e podem acontecer na sua vida, para que tudo ao seu redor seja
modificado. É de dentro para fora, e não ao contrário.
Também sei que a família é uma instituição poderosa. Acredito
nisso e vivo isso. É por essa razão que pelo menos um do casal tem
que estar em Cristo, porque, assim, o outro será conduzido pelo
poder do Espírito Santo. Em Cristo, há transformação, porque Ele
é o plano perfeito!
Agora, estando nEle, Ele nos diz: “Eu sou a videira verdadeira, e
meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele
o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.
Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado; permanecei em
mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto
de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar,
se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem
permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada
podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à
semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o quei-
mam. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem
em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu
Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos. Como
o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor” (João
15:1-9 – ARA).
Veja esta preciosa promessa: “Se permanecerdes em mim, e as
minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos
será feito”. Ele tem alegria, paz e bênçãos para você, seu casamento
e sua família. Esteja nEle. Permaneça nEle!
Um abraço,
Natalie Pinheiro.
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