Inês da Ana Robath
Poluição Marítima: Um Desafio Global para a Preservação dos Oceanos
Pemba, 2025
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Índice
Introdução...................................................................................................................................3
1. Conceito de Poluição Marítima..............................................................................................4
2. Tipos de Poluição Marítima....................................................................................................4
2.1. Poluição por Resíduos (Plásticos)........................................................................................4
2.2. Poluição Química.................................................................................................................5
2.3. Poluição por Nutrientes (Eutrofização)...............................................................................5
2.4. Poluição Radioactiva...........................................................................................................6
2.5. Poluição Térmica.................................................................................................................6
2.6. Poluição Sonora...................................................................................................................6
3. Fontes da Poluição Marinha....................................................................................................6
3.1. Actividades Terrestres.........................................................................................................6
3.2. Transporte Marítimo e Acidentes com Petróleo..................................................................7
3.3. Pesca Predatória e Redes Fantasmas....................................................................................7
4. Impactos Ambientais e Sociais...............................................................................................7
5. Medidas de Prevenção e Controle...........................................................................................8
Conclusão....................................................................................................................................9
Referências Bibliográficas........................................................................................................10
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Introdução
A poluição marítima é uma das maiores preocupações ambientais da actualidade,
afectando directamente os ecossistemas marinhos, a biodiversidade, a saúde humana e as
economias dependentes dos oceanos. À medida que as actividades humanas se intensificam
nas zonas costeiras e nos ambientes urbanos, cresce a quantidade de resíduos que acaba sendo
direccionada ao mar. O que antes era considerado um recurso inesgotável agora mostra sinais
de esgotamento e desequilíbrio. A degradação dos oceanos é um reflexo directo da acção
irresponsável do ser humano.
Estudos recentes indicam que os mares recebem milhões de toneladas de resíduos
anualmente, provenientes principalmente de fontes terrestres. Esse fenómeno é impulsionado
pela má gestão de resíduos sólidos, pelo despejo inadequado de esgoto, e por práticas
industriais e agrícolas pouco sustentáveis. Além disso, os oceanos têm sofrido com o aumento
da temperatura global, acidificação e sobrepesca, o que agrava ainda mais a sua capacidade de
recuperação diante dos impactos.
Este trabalho tem como objectivo discutir o conceito de poluição marítima, os
principais tipos existentes, os agentes poluentes envolvidos, os impactos decorrentes dessa
prática e, por fim, as estratégias de prevenção e controle. O intuito é fornecer uma análise
aprofundada sobre o tema, com base em dados científicos e abordagens multidisciplinares,
visando conscientizar sobre a urgência de acções efectivas.
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1. Conceito de Poluição Marítima
A poluição marítima pode ser conceituada como a introdução directa ou indirecta de
substâncias ou energia no ambiente marinho que causem efeitos adversos à vida marinha, à
saúde humana, ao uso sustentável dos recursos marinhos e às actividades económicas. Essa
definição, segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (1982), engloba
uma ampla gama de fontes e tipos de contaminação, evidenciando a complexidade do
fenómeno.
A poluição do mar não se limita apenas ao lixo visível ou aos derramamentos de
petróleo. Ela inclui também a contaminação química por metais pesados, nutrientes em
excesso, resíduos radioactivos, poluição térmica, poluição sonora e mesmo a introdução de
espécies invasoras que desequilibram o ecossistema. Em todos os casos, o impacto ambiental
é significativo, alterando os ciclos naturais e ameaçando a biodiversidade.
Além disso, é importante destacar que grande parte da poluição marinha tem origem
terrestre, o que significa que as actividades realizadas nas cidades, zonas rurais e áreas
industriais acabam por atingir os oceanos de maneira indirecta. Isso amplia a responsabilidade
da sociedade como um todo, que precisa repensar suas práticas quotidianas e industriais.
2. Tipos de Poluição Marítima
A poluição marítima pode ser classificada em diferentes tipos, de acordo com a
natureza dos poluentes e os meios pelos quais chegam ao ambiente marinho.
Os principais tipos incluem: poluição por resíduos sólidos (principalmente plástico),
poluição química, poluição por nutrientes, poluição por hidrocarbonetos (petróleo), poluição
radioactiva, poluição térmica, poluição biológica e poluição sonora. Cada um desses tipos
gera impactos distintos, afectando de formas diversas os organismos marinhos, os
ecossistemas costeiros e até as comunidades humanas.
2.1. Poluição por Resíduos (Plásticos)
A poluição por resíduos sólidos, especialmente os plásticos, é a mais visível e uma das
mais preocupantes. Plásticos de uso único como garrafas, canudos, sacolas, embalagens, redes
de pesca abandonadas e microplásticos compõem a maior parte dos detritos encontrados no
mar. Esses materiais não são biodegradáveis e podem levar centenas de anos para se
decompor.
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Os resíduos plásticos constituem o tipo mais visível e disseminado de poluição nos
oceanos. Estima-se que mais de 11 milhões de toneladas de plástico entrem nos oceanos
anualmente (Jambeck et al., 2015).
O plástico leva centenas de anos para se decompor e, durante esse processo,
fragmenta-se em partículas menores, que são ingeridas por organismos marinhos,
prejudicando sua saúde e podendo entrar na cadeia alimentar humana.
2.2. Poluição Química
A poluição química ocorre quando substâncias tóxicas oriundas de indústrias, esgoto
doméstico, mineração e agricultura atingem os corpos d’água. Dentre os principais poluentes
químicos estão os metais pesados (mercúrio, chumbo, cádmio), pesticidas, e hidrocarbonetos
derivados do petróleo causam severos danos ao ambiente marinho.
Estas substâncias geralmente são despejadas no mar por meio do escoamento de águas
pluviais contaminadas, descargas industriais ou vazamentos acidentais. Tais poluentes podem
acumular-se nos tecidos dos organismos marinhos, provocando mutações genéticas, redução
na taxa de reprodução e morte. Além disso, acumulam-se nos tecidos dos animais marinhos,
sendo transferidos para os humanos por meio da alimentação, especialmente com frutos do
mar.
A poluição por hidrocarbonetos, especialmente devido ao derramamento de petróleo, é
outra grande ameaça. Acidentes com navios petroleiros, vazamentos em plataformas de
extracção e descarte ilegal de resíduos oleosos causam manchas de óleo que se espalham
rapidamente pela superfície do mar.
O petróleo afecta directamente a fauna marinha ao cobrir penas de aves, escamas de
peixes e carapaças de tartarugas, impedindo sua movimentação, respiração e isolamento
térmico. Além disso, os componentes químicos do óleo são tóxicos e persistentes no
ambiente.
Em Julho de 2021, ocorreu um derrame de combustível na nossa cidade (Pemba), a
origem do combustível derramado não foi imediatamente identificada.
2.3. Poluição por Nutrientes (Eutrofização)
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Também conhecida como eutrofização. Ela resulta do excesso de nitrogénio e fósforo
presentes em fertilizantes agrícolas e esgoto não tratado. Esses nutrientes promovem o
crescimento descontrolado de algas, o que impede a entrada de luz e reduz a quantidade de
oxigénio dissolvido na água.
Isso provoca a morte de peixes e a formação de “zonas mortas”, regiões onde a vida
marinha não consegue sobreviver. Esse fenómeno tem aumentado consideravelmente nas
últimas décadas em áreas costeiras altamente povoadas.
2.4. Poluição Radioactiva
A poluição radioactiva decorre principalmente do descarte inadequado de resíduos
nucleares e de acidentes em usinas próximas ao litoral. Elementos como o césio-137 e o iodo-
131 podem permanecer activos por décadas, acumulando-se nos organismos marinhos e
representando riscos significativos à saúde humana. Um exemplo marcante foi o desastre de
Fukushima, no Japão, que lançou materiais radioactivos no Pacífico, afectando a vida marinha
e os pescadores da região.
2.5. Poluição Térmica
A poluição térmica ocorre quando indústrias utilizam a água do mar para resfriamento
de equipamentos e a devolvem com temperaturas elevadas. Essa mudança térmica altera o
equilíbrio ecológico dos habitats marinhos, reduzindo a concentração de oxigénio dissolvido e
afectando o metabolismo dos organismos aquáticos. Espécies mais sensíveis à temperatura
são eliminadas, favorecendo a proliferação de organismos mais resistentes, o que modifica
toda a estrutura do ecossistema.
2.6. Poluição Sonora
A poluição sonora, embora menos perceptível aos olhos humanos, afecta
profundamente a fauna marinha. Mamíferos como baleias, golfinhos e focas utilizam sons
para se orientar, se comunicar e caçar. O aumento do tráfego marítimo, da exploração sísmica
e das actividades industriais subaquáticas gera ruídos intensos que interferem nesses
processos naturais. Isso pode causar desorientação, estrese e até levar ao encalhe de animais
em massa.
3. Fontes da Poluição Marinha
3.1. Actividades Terrestres
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Estudos indicam que cerca de 80% da poluição marinha tem origem em actividades
humanas em terra firme (UNEP, 2018). Isso inclui esgoto doméstico e industrial, lixo urbano,
resíduos agrícolas e efluentes de mineradoras. A má gestão de resíduos sólidos é um dos
factores mais críticos, especialmente em regiões com infra-estrutura inadequada.
3.2. Transporte Marítimo e Acidentes com Petróleo
O tráfego marítimo comercial e os acidentes com navios petroleiros também são
grandes fontes de poluição. Vazamentos de petróleo, como o desastre do Exxon Valdez
(1989) e da Deepwater Horizon (2010), liberaram milhões de litros de óleo no oceano,
matando milhares de animais marinhos e impactando ecossistemas inteiros por décadas.
3.3. Pesca Predatória e Redes Fantasmas
A pesca predatória e o abandono de equipamentos de pesca (as chamadas redes
fantasmas) causam enredamento e morte de tartarugas, aves e mamíferos marinhos. Esses
materiais plásticos continuam a capturar e matar indiscriminadamente mesmo sem operação
humana directa.
4. Impactos Ambientais e Sociais
Os impactos da poluição marítima são vastos e se manifestam nas esferas ambiental,
social e económica. No âmbito ambiental, há a destruição de habitats marinhos, a extinção de
espécies, o comprometimento da cadeia alimentar e a perda da biodiversidade. Espécies
vulneráveis como tartarugas, aves marinhas e cetáceos frequentemente morrem por ingestão
de plásticos ou emaranhamento em redes de pesca abandonadas.
Do ponto de vista social, comunidades costeiras que dependem da pesca artesanal
sofrem directamente com a escassez de recursos marinhos e com a contaminação do pescado.
Além disso, a degradação do ambiente marinho afecta negativamente a saúde pública, uma
vez que o consumo de frutos do mar contaminados com metais pesados ou microplásticos
pode causar doenças graves.
Economicamente, a poluição dos oceanos representa prejuízos bilionários em sectores
como a pesca, o turismo e o transporte marítimo. Praias poluídas afastam turistas, gerando
queda na renda de hotéis, restaurantes e comércio local. Da mesma forma, a contaminação dos
estoques pesqueiros leva à perda de mercado e compromete a subsistência de milhares de
famílias.
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A longo prazo, a persistência desses impactos compromete a sustentabilidade do
planeta, uma vez que os oceanos desempenham papel fundamental no equilíbrio climático e
na produção de oxigénio. Sem acções efectivas de contenção, os prejuízos serão cada vez
mais difíceis de reverter, exigindo investimentos ainda maiores para restauração dos
ecossistemas degradados.
5. Medidas de Prevenção e Controle
O combate à poluição marítima exige um conjunto de medidas articuladas entre
governos, empresas e sociedade civil. A principal estratégia deve ser a prevenção na fonte,
evitando que os resíduos cheguem aos oceanos. Isso implica em políticas públicas que
incentivem o tratamento de esgoto, o manejo adequado dos resíduos sólidos, a fiscalização
das actividades industriais e agrícolas, e o incentivo à economia circular.
A educação ambiental é outro pilar essencial. Através da conscientização da
população, é possível reduzir o consumo de plásticos descartáveis, promover a colecta
selectiva e valorizar a preservação dos ambientes naturais. Escolas, universidades, ONGs e
meios de comunicação têm papel importante na disseminação dessas informações.
Tecnologias ambientais como barreiras de contenção de plásticos, sistemas de
filtragem em rios, e o uso de microrganismos bio degradantes também têm sido empregadas
com sucesso. Ainda assim, o maior desafio é alinhar desenvolvimento económico com
conservação ambiental, criando uma sociedade que utilize os recursos naturais com
responsabilidade.
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Conclusão
A poluição marítima é uma ameaça concreta e urgente que demanda acções integradas
e sustentáveis. A compreensão do conceito, dos tipos e das fontes poluentes é essencial para a
formulação de estratégias eficazes de controle. Os impactos negativos transcendem o meio
ambiente, afectando directamente a saúde humana, a segurança alimentar e a economia
global.
Somente por meio de políticas públicas eficientes, uso de tecnologias limpas e ampla
conscientização social será possível reverter o actual quadro de degradação dos oceanos. A
responsabilidade é de todos: governos, empresas, instituições de ensino e cidadãos. A saúde
dos mares reflecte a saúde do planeta e, consequentemente, o nosso próprio futuro.
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Referências Bibliográficas
JAMBECK, J. R. et al. Plastic waste inputs from land into the ocean. Science, v. 347, 2015.
UNEP - United Nations Environment Programme. Single-Use Plastics: A Roadmap for
Sustainability. 2018.
CARVALHO, C. E. V.; TORRES, J. P. M. Poluição Marinha: uma introdução. Ciência Hoje,
v. 41, 2008.
OLIVEIRA, U. R.; FRANÇA, A. R. Avaliação de impactos ambientais em zonas costeiras.
Revista Brasileira de Geografia Física, v. 13, 2020.
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