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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI

FERNANDO GONÇALVES DE ARAUJO

CIÊNCIAS ABA PARA CRIANÇAS TEA

2024
CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI

FERNANDO GONÇALVES DE ARAUJO

CIÊNCIAS ABA PARA CRIANÇAS TEA

Trabalho de conclusão de curso


apresentado como requisito parcial à
obtenção do título de Licenciatura em
educação especial

2024
CIÊNCIAS ABA PARA CRIANÇAS TEA

FERNANDO GONÇALVES DE ARAUJO

RESUMO- O transtorno do espectro do autismo (TEA) é um


transtorno invasivo do desenvolvimento que persiste por toda a vida e não
possui cura nem causas claramente conhecidas. Mas, sabe-se que
intervenções e métodos educacionais, com base na análise do comportamento
aplicada (do inglês, Applied Behavior Analysis ou ABA), têm promovido uma
variedade de habilidades sociais, acadêmicas, de comunicação e
comportamentos adaptativos em indivíduos com TEA. O objetivo do trabalho
é abordar a importância do tema e aplicação do ABA para crianças TEA.

PALAVRAS-CHAVE: Transtorno do espectro do autismo. Metodologia ABA.


Aplicação ABA no TEA.
1 INTRODUÇAO

O transtorno do espectro do autismo (TEA) é caracterizado por


alterações qualitativas nas habilidades de interação social, dificuldades de
comunicação e o engajamento em comportamentos repetitivos e
estereotipados (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2000).
O TEA pode afetar crianças de qualquer raça ou cultura e a
expressão dos sintomas pode variar de leve a severo através dessas
três áreas fundamentais (BERTOGLIO; HENDREN, 2009).
Desse modo, os comportamentos, habilidades, preferências,
funcionamento e necessidades de aprendizagem são diferentes de
criança para criança e mudam ao longo do desenvolvimento (BOYD et
al., 2008; LORD et al., 2000).
Devido a variação na severidade dos sintomas, o transtorno do
espectro do autismo representa um termo amplo que inclui,
predominantemente, características diferentes de crianças com autismo
clássico, síndrome de Asperger e transtorno invasivo do desenvolvimento
sem outra especificação (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2000;
LEACH et al., 2009)
A prevalência de crianças diagnosticadas com TEA vêm crescendo em
todo o mundo. Estatísticas recentes estimam que 1 em cada 50 crianças em
idade escolar (6-12 anos) são diagnosticadas com autismo nos Estados
Unidos (BLUMBERG et al., 2013; CENTER OF DISEASE CONTROL AND
PREVENTION, 2013).
No Brasil, não existe uma estimativa epidemiológica oficial (BRASIL,
2013), mas o número de brasileiros afetados pelo TEA também vem
aumentando, em parte pelo maior acesso à informações sobre o transtorno e à
ferramentas de identificação precoce.
O presente trabalho tem como objetivo demonstrar a ciência ABA para
crianças com TEA, passando pelos seus conceitos , historia e aplicação,
justificando assim a importância do assunto abordado para o leitor e a ciência.
A metodologia utilizada para o desenvolvimento do artigo foi a revisão
bibliográfica, com busca no banco de dados do google acadêmico de autores
que abordavam o assunto.
2 TRANSTORNO DO ASPECRO AUTISTA

Leboyer (2005) explica que o autismo foi definido pela primeira vez por
Kanner1 (1943), e nesses estudos os três núcleos de transtornos do autismo
atualmente em vigor foram distinguidos na definição: (1) transtorno qualitativo
do relacionamento, (2) distúrbios da comunicação e linguagem e (3) falta de
flexibilidade mental e comportamental.
De acordo Leboyer (2005), em sua palestra sobre Desenvolvimento
Normal e Autismo, em 1997, Rivière menciona três períodos principais de
estudo do autismo até aquele momento: os primeiros vinte anos após Kanner,
nos quais o autismo é considerado um distúrbio produzido por fatores
emocionais inapropriados no relacionamento da criança com as figuras infantis,
predominando as concepções psicodinâmicas; um segundo período até 1983,
no qual a imagem científica do autismo foi modificada e as hipóteses baseadas
na existência de alterações afetivas começaram a ser afastadas: com base em
pesquisas empíricas rigorosas e controladas, foi considerada a existência de
alterações cognitivas mais do que afetivas, surgindo o tratamento educativo
como principal recurso.
E um terceiro e último estágio, no qual explicações e tratamentos são
significativamente modificados e é feita uma mudança para uma perspectiva
evolutiva e não apenas psicopatológica do distúrbio: a Teoria da Mente
aparece, a partir da qual explica que no autismo há uma incapacidade
específica de atribuir estados mentais a outras pessoas, e os procedimentos
para o tratamento do autismo são caracterizados pelo uso de técnicas
educacionais mais naturais, focadas na comunicação como núcleo essencial
do desenvolvimento e mais respeitoso dos recursos e capacidades das
pessoas autistas.
Finalmente, há uma necessidade teórica e prática de considerar o
transtorno da perspectiva de todo o ciclo de vida e não apenas como uma
alteração típica da infância. Isso é evidenciado na inclusão do autismo nos
distúrbios do desenvolvimento no DSM-III, criando assim uma categoria para
diferenciá-lo da esquizofrenia ou da psicose infantil e de transtornos
específicos do desenvolvimento (nos quais geralmente, uma única função é
afetada e não várias como no TGD – Transtorno Global do Desenvolvimento).
As três dimensões mencionadas acima como núcleos de autismo estão
incluídas nas definições de diagnósticas mais usadas atualmente: o DSM-V
(2014) da American Psychiatric Association (APA) e a CID-10 da Organização
Mundial da Saúde.
O transtorno autista é encontrado no DSM-V (2014) como um subtipo
dos chamados Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD),
acompanhados por outros distúrbios conhecidos como Síndrome de Rett
(distúrbio genético do substrato que afeta as meninas), Transtorno
Desintegrativo da Infância (desordem que também se manifesta nos primeiros
anos de vida e após um período de desenvolvimento normal), Síndrome de
Asperger (desordem um pouco menos incapacitante, que não apresenta atraso
geral de linguagem clinicamente significativo) e TGD atípico ou não
especificado, o grupo mais numeroso na prática clínica.
Gauderer (1997) explica que Wing3 diferenciou quatro dimensões
principais de variação no espectro do autismo: (1) transtorno nas capacidades
de reconhecimento social, (2) transtorno nas capacidades de comunicação
social, (3) transtorno nas habilidades de imaginação e compreensão social (que
compõe a chamada tríade de Wing) e (4) padrões repetitivos de atividade.
Duas ideias interessantes com consequências importantes podem ser
extraídas do estudo de Wing e Gould: (1) o autismo, no sentido estrito, é
apenas um conjunto de sintomas que podem ser associados a distúrbios
neurobiológicos muito diferentes e a níveis intelectuais muito variados; e (2)
existem muitos atrasos e alterações no desenvolvimento que são
acompanhados por sintomas autistas sem realmente serem sintomas de
autismo.
De acordo com Leboyer (2005), Rivière elaborou o conceito de TEA com
maior profundidade. Segundo este conceito, a consideração do autismo como
um continuo de diferentes dimensões (e não como uma categoria única e bem
definida) que ocorre em diferentes graus e em diferentes quadros de
desenvolvimento, permite reconhecer ao mesmo tempo o que existe em
comum e diferente entre pessoas autistas, ou seja, entender que todas
apresentam alterações em maior ou menor grau em uma série de aspectos ou
dimensões.
Silva, Gaiato e Reveles (2012) explicam que as relações estabelecidas
entre o autismo, como transtorno nuclear e prototípico, os transtornos
generalizados do desenvolvimento e transtornos do espectro do autismo
podem ser observados na figura 1. Em primeiro lugar, qualquer diagnóstico de
autismo também é um TGD e um TEA; em segundo lugar, não se pode supor
que um TGD seja estritamente um quadro de autismo, embora ainda seja um
TEA; e, finalmente, uma criança com TEA, não pode ser entendida nem como
um TGD nem como um quadro de autismo.
Silva, Gaiato, e Reveles (2012) apontam, por sua vez, seis fatores
principais que dependem da natureza e expressão específica das alterações
que as pessoas com TEA apresentam nas dimensões estão alteradas: a
associação ou não do autismo ao retardo mental, a gravidade do distúrbio que
apresentam, idade (momento evolutivo da pessoa), sexo (o transtorno autista
afeta com menos frequência, mas com maior grau de alteração as mulheres do
que os homens), a adequação e eficácia dos tratamentos utilizados e
experiências de aprendizagem, e o compromisso e apoio da família.
Nas palavras de Mello (2007), a noção de um TEA que pode ser
associada a vários tipos de alterações podem ser muito úteis do ponto de vista
clínico e para uma perspectiva educacional. No primeiro aspecto, ela nos
permite descobrir uma ordem abaixo da heterogeneidade desconcertante de
traços autistas; no segundo, ajuda a entender como as pessoas com autismo
ou condições relacionadas podem evoluir previsivelmente através do processo
educacional.
Também destaca a necessidade de fornecer recursos (por exemplo,
especialização em determinados quadros) que podem não apenas ser
aplicáveis a casos de autismo no sentido estrito, mas também a um grupo mais
amplo de pessoas que, sem serem autistas, mostram traços de incapacidade
social, comunicativa, inflexibilidade, deficiência simbólica e dificuldade em
entender a própria ação.
De acordo com Mello (2007), Rivière também enfatiza a importância do
aspecto funcional da linguagem como um ponto fundamental sobre o código ou
de sua estrutura: levando em consideração o contexto funcional para que o
nível máximo de atividade comunicativa ocorra nas situações naturais da
criança ou adulto.

2.1 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA

ABA é a abreviação para Applied Behavior Analyse. Muitos definem a


aplicação de ABA para crianças autistas como “aprendizagem sem erro”. A
análise comportamental é uma abordagem científica para o estudo do
comportamento.
De acordo com Santos (2015), como principais características, podemos
citar que é interacional, uma vez que seu estudo se refere às relações
comportamento-ambiente; analítico, porque busca identificar relacionamentos
funcionais entre eventos comportamentais e ambientais; experimental, uma vez
que tenta demonstrar que os eventos são responsáveis pela ocorrência ou não
ocorrência do comportamento, manipulando variáveis; e pragmático, porque
consiste em pesquisa básica e aplicada, e propõe-se que o entendimento
permita a previsão e controle de eventos.
Silva (2012) destaca que as pesquisas e experimentos relacionados à
análise do comportamento começam no início dos anos 1920, com importantes
precursores, como Thorndike, Pavlov, Watson e Skinner; e por volta de 1950 os
postulados do behaviorismo e dos princípios de aprendizagem dos problemas
de comportamento humano, destacando as produções de Skinner entre outros.
Na década de 1970, com o surgimento de teorias cognitivas, muitos
terapeutas comportamentais passaram a trabalhar a partir da estrutura
cognitiva, descartando variáveis ambientais e enfatizando o processamento de
informações. Por seu lado, o trabalho com a ABA mantém a tradição operante e
se desenvolve usando os princípios de aprendizagem aplicados ao
desenvolvimento de comportamentos específicos e à avaliação de mudanças
produzidas, ocupandose com problemas relacionados especialmente à
educação e intervenções terapêuticas em comportamentos problemáticos,
como a automutilação presente em distúrbios graves, fobias, dependência de
drogas, distúrbios alimentares e problemas sociais, como criminalidade.
Lovaas comparou um grupo experimental de crianças que receberam
tratamento ABA por 40 horas por semana, durante 2 anos, com dois grupos de
controle recebendo outros tratamentos, obtendo funcionamento normal de 47%
dos casos em funcionamento normal, em comparação a 2% dos outros dois
grupos.
Características gerais de uma intervenção baseada na ABA
tipicamente envolvem identificação de comportamentos e habilidades que
precisam ser melhorados (por exemplo, comunicação com pais e professores,
interação social com pares, etc.), seguido por métodos sistemáticos de
selecionar e escrever objetivos para, explicitamente, delinear uma
intervenção envolvendo estratégias comportamentais exaustivamente
estudadas e comprovadamente efetivas.
Além disso, ABA é caracterizada pela coleta de dados antes,
durante e depois da intervenção para analisar o progresso individual da
criança e auxiliar na tomada de decisões em relação ao programa de
intervenção e às estratégias que melhor promovem a aquisição de
habilidades especificamente necessárias para cada criança (BAER, WOLF;
RISLEY, 1968, 1987; HUNDERT, 2009).
Por apresentar uma abordagem individualizada e altamente
estruturada, ABA torna-se uma intervenção bem sucedida para crianças
com TEA que tipicamente respondem bem à rotinas e diretrizes claras e
planejadas (SCHOEN, 2003).
Sabe-se que o método ABA possui grande suporte científico e tem sido
o método de intervenção mais pesquisado e amplamente adotado,
sobretudo nos Estados Unidos, para promover a qualidade de vida de
pessoas com transtorno do espectro do autismo (GILLIS & BUTLER,
2007; LOVAAS, 1987; VAUGHN et al., 2003; VIRUÉS-ORTEGA, 2010;
HOWARD et al., 2005; LANDA, 2007).
No entanto, uma melhor e mais completa compreensão do ABA,
enquanto método de intervenção em todas as suas dimensões e
complexidade, requer o claro entendimento de sua base conceitual e dos
princípios do comportamento que determinam a sua prática e fazem
desta uma abordagem de intervenção efetiva, principalmente para
pessoas com autismo.
Portanto, nos propomos a seguir a introduzir brevemente, mas com
maior profundidade, a definição, características e conceitos filosóficos que
subjazem esta disciplina. Inicialmente, a análise do comportamento aplicada
pode ser definida como uma sistema teórico para a explicação e modificação
do comportamento humano baseado em evidência empírica (HEFLIN; ALAIMO,
2007).
Entretanto, uma completa definição da ABA requer o entendimento deste
campo do conhecimento como uma abordagem científica, tecnológica e
profissional. Como uma abordagem científica, ABA é definida como um método
para avaliar, explicar e modicar comportamentos baseado nos princípios do
condicionamento operante introduzidos por B.F. Skinner (SKINNER, 1953).
Em outras palavras, o comportamento é influenciado pelos
estímulos ambientais que o antecedem (chamados de antecedentes),
e são aprendidos em função de suas consequências.
Comportamentos que são seguidos por consequências que são
especificamente agradáveis para o sujeito (por exemplo, atenção ou
recompensa) tendem a ser repetidos e aprendidos, enquanto
comportamentos que tem como consequência situações desagradáveis para o
sujeito (por exemplo, uma reprimenda), tendem a não ser repetidos ou
não aprendidos (ALBERTO; TROUTMAN, 2009).
Considerando que esses princípios governam os comportamentos
dos seres humanos, estes são entendidos como passíveis de predição, sendo
que suas causas e funções podem ser identificadas nos eventos do ambiente
(SKINNER, 1978).
Portanto, ABA investiga as variáveis que afetam o comportamento
humano, sendo capaz de mudá-los através da modificação de seus
antecedentes (o que ocorreu antes e pode ter sido um possível gatilho
para a ocorrência do comportamento) e suas consequências - eventos que
se sucederam após a ocorrência do comportamento, e que podem ter sido
agradáveis ou desagradáveis determinando a probabilidade de que ocorram
novamente (SUGAI, LEWIS-PALMER; HAGAN-BURKE, 2000).
Para estes propósitos, ABA usa métodos experimentais e sistemáticos
de observação e mensuração dos comportamentos, os quais são definidos
como aquelas ações dos indivíduos que são passíveis de serem observadas e
mensuradas (MAYER et al., 2012).
Ao medir comportamentos observáveis, ABA assume uma
abordagem conduzida pelos dados na avaliação e intervenção de
comportamentos que são importantes para os indivíduos e para a
sociedade (BAER, WOLF, RISLEY, 1968).
Portanto, enquanto uma abordagem científica, ABA utiliza princípios
derivados de investigações científicas e demostra experimentalmente, através
de dados empíricos consistentes, a eficácia dos procedimentos utilizados nas
intervenções. Na medida em que o conhecimento sobre como os
comportamentos humanos são aprendidos e modificados são gradualmente
produzidos em investigações experimentais, analistas do comportamento
desenvolvem novos procedimentos e estratégias de intervenção para
comportamentos que requerem atenção, tais como aqueles relacionados à
habilidades acadêmicas, sociais e habilidades adaptativas de vida diária.
Ao fornecer uma descrição específica, completa e cuidadosa de
procedimentos baseados na evidência para modificar tais comportamentos,
ABA é definida como uma tecnologia que é aplicada em situações de vida reais
onde comportamentos apropriados e inapropriados podem ser melhorados,
aumentados ou diminuídos.
Embora amplamente conhecida como um método de intervenção
para pessoas com autismo (HOWARD et al., 2005; LANDA, 2007), ABA é uma
tecnologia que pode ser aplicada à crianças e adultos com ou sem
necessidades especiais em clínicas, escolas, hospitais, em casa, no
ambiente de trabalho ou na comunidade (CAUTILLI, DZIEWOLSKA,
2008).
Procedimentos usados pela ABA são baseados na avaliação
detalhada das consequências que mantém os comportamentos de cada
indivíduo e podem ser modificados, na medida em que a evidência demostra
melhoras ou não ao longo do tempo e da intervenção.
Embora estes procedimentos tenham sido estudados em
experimentos com animais, a pesquisa atual tem enfatizado e
demonstrado empiricamente que métodos baseados em técnicas de
reforçamento positivo, que são consequências que motivam e aumentam
a probabilidade de comportamentos desejáveis e adequados ocorrerem
novamente, são mais efetivas e produzem melhoras mais significativas e
duradouras do que métodos de punição, devendo portanto serem utilizadas
em detrimento destes últimos (CAMERON, PIERCE, 1994; MAAG, 2001).
Considerando que a aplicação dos métodos da ABA requer
treinamento apropriado, ABA pode ser também definida como uma
abordagem profissional (MAYER et al., 2012).
Analistas do comportamento são profissionais treinados para
conduzir a análise do comportamento em sua dimensão, tanto
experimental (através da pesquisa), quanto aplicada (através da
intervenção). Os analistas do comportamento são orientados a utilizar
intervenções efetivas, baseadas na evidência através de pesquisas
experimentais controladas em casos envolvendo tanto comportamentos
simples quanto complexos e possuem um código de princípios éticos
fundamentais para guiar sua prática (BAILEY, BURCH, 2011).
Nos Estados Unidos, o Behavior Analysis Certification Board é uma
organização que representa e regulamenta a profissão, fornecendo
certificação para profissionais que provem estar habilitados para
desenvolver e aplicar intervenções baseadas nos princípios da análise
dos comportamento.
Embora nem todos os profissionais envolvidos com ensino e
pesquisa em ABA, obrigatoriamente, tenham certificação do Board, a
mesma tem sido exigida àqueles que oferecem serviços de intervenção
para o público (CAUTILLI, DZIEWOLSKA, 2008; MAYER et al., 2012). Em
outros países, como o Brasil, psicólogos são licenciados para trabalhar com
a análise do comportamento, mas cabe ressaltar que estes devem
buscar treinamento adicional e continuado de qualidade para atuar
nessa área (TODOROV, HANNA, 2010).
As características científicas, tecnológicas e profissionais que
definem a ABA acima descritas estão intimamente relacionadas com
quatro pressupostos filosóficos, nos quais esta área do conhecimento se
baseia: determinismo, empiricismo, parcimônia e método científico
(ALBERTO, TROUTMAN, 2009; KIMBALL, 2002; MAYER et al., 2012).
Estes pressupostos têm suas raízes nos movimentos filosóficos do
século XIX (a saber, positivismo, funcionalismo, estruturalismo e
associacionismo), que enfatizavam que o comportamento humano deveria
ser objetivamente estudado ao invés de abstratamente especulado
(ALBERTO, TROUTMAN, 2009; KIMBALL, 2002).
O determinismo é o pressuposto filosófico de que o
comportamento humano é determinado ou causado pelos eventos do
ambiente, portanto está sujeito à investigação científica e à predição, como
qualquer outro fenômeno natural (LOCKE, 1964).
Esta perspectiva da regularidade dos comportamentos é essencial na
ABA que, baseada nos princípios do condicionamento operante, postula
que a forma como seres humanos se comportam está diretamente e
funcionalmente relacionada às consequências de suas ações (SUGAI,
LEWIS-PALMER, HAGAN-BURKE, 2000).
Devido ao fato de que essa perspectiva se mostra contrária às
postulações filosóficas do livre arbítrio, em que seres humanos são
considerados livres para decidir o curso de suas ações, técnicas
comportamentais que alteram o comportamento humano são frequentemente
criticadas como práticas coercivas e desumanas (AXELROD, 1996).
Entretanto, o pressuposto de regularidade e leis que regem os
comportamentos não indicam que ABA rejeita a liberdade humana
(NEWMAN, REINECKE, KURTZ, 1996).
Ao contrário, analistas do comportamento definem liberdade em termos
da habilidade dos seres humanos de fazerem escolhas e do direito de
exercitarem essa habilidade e terem opções (ALBERTO, TROUTMAN,
2009; BANDURA, 1975).
Para ser considerada aplicada, uma intervenção deve focar
comportamentos ou situações que são imediatamente importantes para o
indivíduo e para a sociedade ao invés de importantes para teoria. Ao invés de
estar interessada em comportamentos alimentares por que são
importantes para o metabolismo, por exemplo, ABA está interessada
neste comportamento devido a sua importância para a saúde e qualidade de
vida das pessoas (BAER, WOLF, RISLEY, 1968).
O objetivo final de uma intervenção considerada aplicada é tornar as
pessoas mais independentes e socialmente ajustadas. Portanto, uma
intervenção baseada na ABA deve ter validade social, isto é, deve vir ao
encontro das necessidades dos indivíduos e da sociedade que devem estar
satisfeitos com os procedimentos e resultados obtidos (WOLF, 1978).
Uma intervenção considerada comportamental é aquela
preocupada com o que os indivíduos fazem ao invés do que eles dizem
que fazem (BAER, WOLF, RISLEY, 1968).
Para reduzir esse problema, analistas do comportamento utilizam
medidas de confiabilidade para calcular o percentual de concordância entre
dois ou mais observadores. Em sua dimensão analítica, ABA requer a
demonstração confiável dos eventos responsáveis pela ocorrência ou
não-ocorrência dos comportamentos em estudo, permitindo assim a
predição e controle das variáveis que afetam e mantém tais
comportamentos (BAER, WOLF, RISLEY, 1968).
Uma demonstração confiável envolve a replicação de medidas que
consistentemente e repetidamente indicam certos procedimentos como
responsáveis pelas mudanças observadas nos comportamentos.
Demonstrações consistentes e controladas são geralmente obtidas através de
designs de caso único (por exemplo, reversão experimental e linhas de base
múltiplas) através das quais torna-se possível demonstrar e analisar relações
causais entre os comportamentos e os eventos que os precederam ou
sucederam.
A dimensão tecnológica da ABA refere-se à elaboração e definição
operacional completa das estratégias e procedimentos que são efetivos
para a aprendizagem e mudança de comportamentos (BAER, WOLF,
RISLEY, 1968).
Descrições tecnológicas são características importantes da ABA por que
permitem a aplicação e replicação dos procedimentos de intervenção
utilizados. Além de precisa, a descrição dos procedimentos da ABA
deve ser conceitualmente sistemática (BAER, WOLF, RISLEY, 1968).
Efetiva é outra característica essencial da ABA (BAER, WOLF,
RISLEY, 1968). Os efeitos produzidos pelas técnicas comportamentais
devem ser grandes o suficiente para produzir contribuições e mudanças
importantes para a qualidade de vida do indivíduo e da sociedade. Novamente,
isso refere-se a efeitos socialmente significativos pela sua importância prática
ao invés de sua importância teórica. Portanto, uma análise do quão grande
é uma mudança de comportamento é necessária para avaliar a efetividade de
uma intervenção comportamental. Isto é possível através das consistentes
coletas de dados ao longo da intervenção.
No entanto, uma análise do tamanho da mudança ou do efeito da
intervenção pode ser relativa e deve incluir pessoas que convivem diariamente
com o comportamento alvo da intervenção, pois uma mudança aparentemente
pequena de comportamento (por exemplo, aumento do repertório verbal de
uma criança de 0 para 10 palavras) pode ser considerado significativo e
socialmente importante.
A característica final da ABA descrita por Baer, Wolf, Risley (1968)
é a generalidade. Intervenções comportamentais devem, não somente
produzir mudanças socialmente importantes no comportamento, mas estas
mudanças devem persistir através do tempo, dos ambientes e pessoas
diferentes daquelas inicialmente envolvidas na intervenção. Uma intervenção
que melhora a comunicação de uma criança com autismo na clínica, por
exemplo, demonstra generalidade se a criança também consegue se
comunicar com os pais, professores ou outras pessoas, em casa, na escola ou
na comunidade, durante e após o término da intervenção.
Entretanto, os autores enfatizam que a generalidade dos progressos
comportamentais, não ocorrem automaticamente, sobretudo, em crianças com
autismo que possuem dificuldades de transferir habilidades aprendidas para
outros contextos. Portanto, a ocorrência de generalidade “deve ser
programada e não esperada” (BAER, WOLF, RISLEY, 1968, p. 97).
A publicação das dimensões que caracterizam a ABA
constituiu e impulsionou o campo como uma ciência, tecnologia e profissão
promissoras. As sete dimensões são importantes, não apenas por que
descrevem, mas também por que guiam a análise do comportamento na
produção de intervenções científicas que são baseadas na evidência e são
úteis para a sociedade.
Portanto, estas dimensões são designadas a guiar a análise
formativa da ABA, definindo critérios para a adequação da pesquisa e
da prática, movendo o campo em direção à aplicação de intervenções
mais efetivas (COOPER, HERON, HEWARD, 2007).

3 CONCLUSÃO

Desde a primeira publicação em 1968, ABA tem alcançado um


crescimento notável, especialmente nos Estados Unidos, onde este campo
de conhecimento foi originado. ABA está constantemente avançando
para concretizar todas as dimensões que a tornam uma ciência
respeitável.
Muitas estratégias de pesquisa, avaliação e intervenção (por
exemplo, designs de caso único, análise funcional do comportamento e
estratégias de suporte comportamental positivos) foram desenvolvidas
incorporando aspectos comportamentais, tecnológicos e conceituais que vem
sendo utilizados como ferramentas valiosas para melhorar repertórios de
comportamentos sociais, acadêmicos e de atividades de vida diária no
cotidiano das pessoas (HORNER et al., 2005; IWATA, DORSEY, 1994; SUGAI,
LEWIS-PALMER, HAGAN-BURKE, 2000).
Quanto ao aspecto teórico, essa abordagem do autismo, levando em
consideração as necessidades de um adulto, mostra que a maioria dos estudos
e desenvolvimentos teóricos é baseada em crianças e que somente nos
últimos anos há movimentos de organizações e grupos de pais orientados a
obter cuidados adequados e serviços durante todo o ciclo de vida e não apenas
durante a infância.
Sobre isso, vale ressaltar a importância e a necessidade de atenção
específica aos adultos autistas, pois é muito provável que adultos autistas
sejam encaminhados para centros neuropsiquiátricos, perdendo não apenas a
possibilidade de serem independentes ou de trabalhar – levando em
consideração tudo que uma pessoa com autismo pode fazer se tiver apoio
adequado –, mas também a possibilidade de manter as habilidades
alcançadas, mesmo quando estão dentro de uma estrutura institucional.
No Brasil, ABA está gradualmente ganhando espaço enquanto um
método de intervenção para o autismo, mas somente poucos profissionais
possuem treinamento apropriado na área. Dessa forma, enquanto o campo
gradativamente progride, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, ABA
cumprirá o seu papel de melhorar a qualidade de vida das
pessoas, especialmente daquelas com transtornos do espectro do autismo.

4 REFERÊNCIA

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