• A visão da árvore
• A explicação do sonho
• O orgulho do rei
• O reconhecimento do monarca
Panorama geral
O capítulo 4 traz uma narrativa diferenciada. Trata-se de um edito ou uma
espécie de carta escrita em primeira pessoa pelo rei Nabucodonosor. Inclui
uma longa confissão a partir da experiência pessoal com Daniel e com o
Deus do profeta.
Provavelmente tal material, incluindo a visão, tenha sido feito nos últimos
do reinado de Nabucodosonor. Alguns comentaristas críticos não creem na
veracidade total deste relato, porém também faltam informações sobre os
últimos 30 anos da vida deste monarca.
Panorama geral
As chamadas Crônicas
Babilônicas, uma porção de
registros feitos em tabletes com
escrita cuneiforme pelos caldeus
ao longo de vários anos, não
falam nada sobre a doença de
Nabucodonosor, muito menos a
possibilidade que tenha se
convertido ao Deus dos hebreus.
Panorama geral
Os principais fatos registrados
sobre este monarca tratam da
chegada de seu pai, Nabopolassar,
ao trono (626 a.C.), sua ascensão
ao trono em 605 a.C., derrota do
Egito, cerco a Tiro, primeira
captura em Jerusalém (597 a.C.),
entre outros fatos.
Panorama geral
O Comentário Bíblico Adventista afirma que esta mudança da narrativa para
primeira pessoa pode ser explicada pelo fato de Daniel ter escrito sob ordem
de Nabucodonosor. Ou, ainda, que como conselheiro próximo do rei ele
tenha acrescentado algumas partes ao edito.
1O rei Nabucodonosor às pessoas
de todos os povos, nações e línguas,
que habitam em toda a terra: “Que a
paz lhes seja multiplicada!
2 Pareceu-me bem tornar conhecidos
os sinais e as maravilhas que Deus,
o Altíssimo, tem feito para
comigo.”
3 “Como são grandes os seus sinais,
e como são poderosas as suas
maravilhas! O seu reino é um reino
eterno, e o seu domínio se estende
de geração em geração.”
4 — Eu, Nabucodonosor, estava
tranquilo em minha casa e feliz no
meu palácio.
Daniel 4:1-4
5 Tive um sonho que me espantou. Quando eu estava na minha cama, os
pensamentos e as visões que passaram diante dos meus olhos me perturbaram.
6 Por isso, expedi um decreto, ordenando que fossem trazidos à minha presença
todos os sábios da Babilônia, para que me revelassem a interpretação do sonho.
7 Então vieram os magos, os encantadores, os caldeus e os feiticeiros. Eu lhes
contei o sonho, mas eles não puderam me revelar a sua interpretação.
Daniel 4:5-7
8 Porfim, apresentou-se Daniel, que é chamado de Beltessazar, em honra ao
nome do meu deus. Ele tem o espírito dos santos deuses, e eu lhe contei o
sonho, dizendo:
9 “Beltessazar, chefe dos magos, eu sei que você tem o espírito dos santos
deuses e que não há mistério que você não possa explicar. Vou lhe contar o
sonho que eu tive, para que você me diga o que ele significa.
Daniel 4:8, 9
Versos 1-9
O fato de o rei falar em tranquilidade indica que seja realmente o final do
seu reinado de 42 anos. Ele se orgulhava do seu império.
Versos 1-9
O historiador Heródoto afirma que Babilônia tinha a forma de um grande
quadrado. Os muros da cidade, com espessura de 30 metros e altura de
104 metros, possuíam uma extensão total de 88 km e a cidade tinha uma área
de 490 quilômetros quadrados.
Versos 1-9
Na Babilônia antiga, apenas para se ter uma ideia, havia uma forte atividade
religiosa. Um tablete cuneiforme do tempo de Nabucodonosor fala de 53
templos dedicados a deuses importantes, 955 pequenos santuários e 384
altares de rua, todos dentro dos limites da cidade. Só para comparar, Assur,
importante cidade assíria, tinha 34 templos e capelas.
Versos 1-9
Os famosos jardins, segundo Diodoro, foram construídos pelo rei para sua
esposa de origem meda (da Média), a fim de que ela pudesse “matar a
saudade” das plantas que tinha em sua pátria natal.
Versos 1-9
Aparentemente, o rei ouviu primeiro os sábios da sua corte, embora, no
fundo, tivesse a forte impressão de que a verdadeira resposta viria do hebreu
Daniel.
Versos 1-9
A expressão “espírito dos deuses santos” indica o reconhecimento da
superioridade espiritual de Daniel, mas não necessariamente uma palavra
que atestasse a crença no mesmo Deus de Daniel.
10 Estas foram as visões que
passaram diante dos meus olhos
quando eu estava deitado na minha
cama: eu estava olhando e vi uma
árvore no meio da terra, cuja altura
era enorme.
11 A árvore cresceu e se tornou
forte, de maneira que a sua altura
chegou até o céu; ela podia ser vista
desde os confins da terra.
12 A sua folhagem era bela, o seu
fruto era abundante, e nela havia
sustento para todos. Debaixo dela os
animais selvagens achavam sombra,
e as aves do céu faziam morada nos
seus ramos; e todos os seres vivos
se alimentavam dela.
Daniel 4:10-12
13 No meu sonho, quando eu estava
na minha cama, vi um vigilante, um
santo, que descia do céu, 14 gritando
em alta voz: ‘Derrubem a árvore,
cortem os seus ramos, arranquem as
folhas e espalhem os seus frutos.
Espantem os animais que estão
debaixo dela e as aves que fazem
morada nos seus ramos.
Daniel 4:13, 14
15 Mas o toco, com as raízes, deixem
na terra, amarrado com correntes de
ferro e de bronze, em meio à erva
do campo. Que esse toco seja
molhado pelo orvalho do céu, e que
a parte que lhe cabe seja a erva da
terra, junto com os animais.
16 Que o coração dele seja mudado,
para que não seja mais coração
humano, e lhe seja dado coração de
animal; e passem sobre ele sete
tempos.
Daniel 4:15, 16
17 Esta sentença é por decreto dos vigilantes, e esta ordem é por mandado
dos santos, para que os que vivem saibam que o Altíssimo tem domínio
sobre o reino dos homens. Ele dá esse reino a quem quer, e põe sobre ele
até o mais humilde dos homens.’”
18 — Este foi o sonho que eu, rei Nabucodonosor, tive. Você, Beltessazar,
diga a interpretação, porque todos os sábios do meu reino não puderam me
revelar a interpretação. Mas eu sei que você pode, porque você tem o
espírito dos santos deuses.
Daniel 4:17, 18
Versos 10-18
Doukhan explica que o símbolo da árvore não era estranho para
Nabucodonosor.
“O próprio Nabucodonosor, em uma inscrição, compara Babilônia a uma
grande árvore que abriga as nações do mundo. Além disso, o paralelo entre a
árvore e a estátua do capítulo 2 é suficientemente claro para que
Nabucodonosor compreenda alguma coisa da mensagem básica do sonho”.
Versos 10-18
O início da descrição da árvore é positivo. Apresenta uma árvore muito
grande, bem estabelecida, que chegava até o céu e servia de abrigo a todos.
Alguns veem aqui paralelo com a árvore descrita em Ezequiel 31:3-9, onde é
apresentado claramente o conceito de orgulho e força da nação conhecida
como Assíria.
Há similaridades com a árvore sonhada pelo rei babilônico.
Versos 10-18
A segunda parte do sonho não é positiva para o rei. Fala de um vigilante, um
santo, que descia do céu para cortar os ramos. Doukhan diz que “de acordo
com uma antiga crença babilônica, atestada no comentário zoroástrico do
Avesta, o grande deus colocou quatro vigilantes sobre os quatro cantos do
céu e sobre os movimentos astrais”.
Ou seja, a linguagem usada do vigilante faria sentido na mentalidade pagã
do monarca do Império da Babilônia. Ele entenderia que a presença de seres
celestiais indicava a determinação do seu destino da parte de Deus.
Versos 10-18
O verso 15 indica, segundo o Comentário Bíblico Adventista, que os futuros
brotos da árvore ficariam. Isso pode indicar que o rei seria restaurado da sua
enfermidade posteriormente, demonstrando que se tratava de um juízo
contra ele e não necessariamente sobre a nação, esta, sim, condenada já em
diferentes momentos proféticos.
Deus muda a mentalidade do rei e o torna como um animal. O texto sugere
que isso deveria durar pelo menos sete anos. Neste ato, Deus reafirma Sua
soberania sobre os homens, deixando que sigam o curso da sua vontade.
Versos 10-18
O rei termina sua fala, confirmando que quem pode dar a correta
interpretação é Daniel. O rei confia Nele, porque vê realmente neste servo de
Deus alguém ligado a uma divindade superior.
Doukhan afirma que “Nabucodonosor deixará de ser animal só quando
reconhecer que ‘o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens’. Em
outras palavras, o estado animal do rei está ligado à sua inconsciência
religiosa. O rei não tem conhecimento real de Deus”.
19 Então Daniel, cujo nome era Beltessazar, ficou perplexo por algum tempo, e
os seus pensamentos o perturbavam. Então o rei lhe disse: — Beltessazar, não
deixe que o sonho ou a sua interpretação o perturbem. Beltessazar respondeu:
— Meu senhor, quem dera o sonho fosse a respeito daqueles que o odeiam, e
a sua interpretação se aplicasse aos seus inimigos!
20 A árvore que o senhor viu, que cresceu e se tornou forte, cuja altura chegou
até o céu, que foi vista por toda a terra, 21 cuja folhagem era bela, cujo fruto
era abundante, na qual havia sustento para todos, debaixo da qual os animais
selvagens achavam sombra, e em cujos ramos as aves do céu faziam morada,
Daniel 4:19-21
22 aquela árvore é o senhor, ó rei, que cresceu e veio a ser forte. A sua
grandeza, ó rei, cresceu e chega até o céu, e o seu domínio se estende até a
extremidade da terra.
23 Quanto ao vigilante ou santo que o rei viu, que descia do céu e que dizia:
“Cortem e destruam a árvore, mas deixem o toco com as raízes na terra,
amarrado com correntes de ferro e de bronze, em meio à erva do campo; que
esse toco seja molhado pelo orvalho do céu, e que a parte que lhe cabe seja
com os animais selvagens, até que passem sobre ele sete tempos”, 24 esta é a
interpretação, ó rei, e este é o decreto do Altíssimo, que virá contra meu
senhor, o rei:
Daniel 4:22-24
25 osenhor será expulso do meio das pessoas, e a sua morada será com os
animais selvagens; o senhor comerá capim como os bois, e será molhado
pelo orvalho do céu; e passarão sete tempos, até que o senhor, ó rei,
reconheça que o Altíssimo tem domínio sobre os reinos do mundo e os dá a
quem ele quer.
26 Quanto ao que foi dito, que se deixasse o toco da árvore com as suas
raízes, isto significa que o seu reino voltará a ser seu, depois que o senhor
tiver reconhecido que o Céu domina.
Daniel 4:25, 26
27 Portanto,ó rei, aceite o meu conselho: abandone os seus pecados,
praticando a justiça, e acabe com as suas iniquidades, usando de misericórdia
para com os pobres; assim talvez a sua tranquilidade se prolongue.
Tudo isso, de fato, aconteceu com o rei Nabucodonosor.
Daniel 4:27, 28
Versos 19-28
Aqui vemos um profundo desejo da parte de Deus de fazer com que o
monarca babilônico se desse conta da sua condição e se voltasse a Deus.
A condição dele seria muito baixa mesmo: ser como um animal.
Alguns psiquiatras podem deduzir que o rei sofreu de uma variante de
paranoia ou esquizofrenia. Neste caso, a pessoa imaginaria que se
transformou em um animal e passaria a se comportar como tal.
Versos 19-28
No seu livro, Doukhan fala de uma descoberta, ocorrida em 1975, de tabletes
cuneiformes que podem atestar este período de insanidade de
Nabucodonosor. Ali é dito que, durante algum tempo, a vida do monarca
parecia ser sem valor.
Que ele estaria dando ordens contraditórias, sem sentido, não conseguia
expressar afeição pelo filho ou filha, nem reconhecia seu clã. Provável
confirmação do relato bíblico.
Versos 19-28
Há a promessa, no entanto, de que se ele reconhecesse o verdadeiro Deus
poderia voltar ao seu estado normal. Havia esperança para ele.
Daniel conclui dando algumas orientações bem específicas ao rei:
Abandonar os seus pecados
Usar de misericórdia para com os pobres
29 Passados doze meses, quando
estava passeando no terraço do
palácio real da cidade da Babilônia,
30 o rei disse: — Não é esta a grande
Babilônia que eu construí para a
casa real, com o meu grandioso
poder e para glória da minha
majestade?
31 Enquanto o rei ainda falava, veio
uma voz do céu, que disse: — A
você, rei Nabucodonosor, se
anuncia o seguinte: Este reino lhe
foi tirado.
Daniel 4:29-31
32 Você será expulso do meio das pessoas, e a sua morada será com os
animais selvagens; você comerá capim como os bois, e passarão sete
tempos, até que você reconheça que o Altíssimo tem domínio sobre os
reinos do mundo e os dá a quem ele quer.
33 No mesmo instante, se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor. Ele foi
expulso do meio das pessoas e começou a comer capim como os bois. O
seu corpo foi molhado pelo orvalho do céu, até que lhe cresceram os
cabelos como as penas da águia, e as suas unhas, como as garras das aves.
Daniel 4:32, 33
34 — Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao
céu, e recuperei o entendimento. Então eu bendisse o Altíssimo, e louvei e
glorifiquei aquele que vive para sempre: “O seu domínio é eterno, e o seu
reino se estende de geração em geração.
35 Todos os moradores da terra são considerados como nada, e o Altíssimo
faz o que quer com o exército do céu e com os moradores da terra. Não há
quem possa deter a sua mão, nem questionar o que ele faz.”
Daniel 4:34, 35
36 — Nesse tempo, recuperei o entendimento e, para a dignidade do meu
reino, recuperei também a minha majestade e o meu resplendor. Os meus
conselheiros e os homens importantes vieram me procurar, fui
restabelecido no meu reino, e a minha grandeza se tornou ainda maior.
37 Agora eu, Nabucodonosor, louvo, engrandeço e glorifico o Rei do céu,
porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos são justos.
Ele tem poder para humilhar os orgulhosos.
Daniel 4:36, 37
Versos 29-36
É provável que o rei estivesse
falando dos famosos jardins
suspensos da Babilônia, cujos
muros largos e fortes foram
escavados. Ou um palácio de verão
na parte nova da cidade.
O orgulho de Nabucodonosor ainda
o impedia de enxergar mais além do
que a suntuosa cidade. Cumpriu-se,
então, o sonho em sua vida e se
tornou como um animal.
Versos 29-36
No final dos 7 anos, preditos para a
duração do período de loucura do
rei, houve o restabelecimento da
razão do monarca.
Mas ele só voltou ao normal quando
reconheceu a Deus como soberano.
Doukhan afirma que “até no poço
da bestialidade, é possível erguer os
olhos e se reunido à humanidade.
Tudo o que Nabucodonosor tinha de
fazer era levantar seus olhos para o
céu”.
Versos 29-36
Nos primeiros quatro capítulos de Daniel, vemos claramente o desejo de
Deus de levar mesmo reis impiedosos a um contato próximo com Ele.
Sobre o fim da vida do monarca babilônico, deixo duas ideias de dois
autores.
Versos 29-36
Doukhan
“Nabucodonosor se livro do seu orgulho ingênuo. Ao amadurecer, tornou-se
uma pessoa humilde. O que muitos demoram uma vida inteira para aprender,
Nabucodonosor compreendeu em sete anos. Tendo experimentado a
precariedade da vida, ele passa a saber que não é eterno. E, ciente de suas
limitações, decide seguir o caminho do arrependimento e da humildade. O
monarca finalmente experimentou a conversão”.
Versos 29-36
Ellen White
“Nabucodonosor tinha afinal aprendido a lição que todos os reis precisam
aprender. De que a verdadeira grandeza consiste na verdadeira bondade. Ele
reconheceu a Jeová como Deus vivo dizendo: “Eu, Nabucodonosor, louvo e
exalto, e glorifico ao Rei do Céu; porque todas as Suas obras são verdade, e os
Seus caminhos juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba”.
Bibliografia
consultada:
• Comentário Bíblico Adventista
• Segredos de Daniel – Jacques
Doukhan
• Daniel – Introdução e Comentário
– Joyce Baldwin
• Daniel – Wisdow to the wise –
Zdravko Stefanovic
• Profetas e Reis – Ellen White