0% acharam este documento útil (0 voto)
51 visualizações147 páginas

Análise do Mercado de Trabalho e Desemprego

O documento aborda a dinâmica do mercado de trabalho, incluindo a influência das políticas monetária e fiscal sobre a inflação e o emprego. Apresenta conceitos como taxa de desemprego, tipos de desemprego, e a importância da Taxa de Participação da Força de Trabalho, além de discutir a PNAD Contínua e as políticas ativas e passivas do governo. Também explora a determinação de salários e preços, destacando a relação entre oferta, demanda e condições do mercado de trabalho.

Enviado por

94ckyzyfkv
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
51 visualizações147 páginas

Análise do Mercado de Trabalho e Desemprego

O documento aborda a dinâmica do mercado de trabalho, incluindo a influência das políticas monetária e fiscal sobre a inflação e o emprego. Apresenta conceitos como taxa de desemprego, tipos de desemprego, e a importância da Taxa de Participação da Força de Trabalho, além de discutir a PNAD Contínua e as políticas ativas e passivas do governo. Também explora a determinação de salários e preços, destacando a relação entre oferta, demanda e condições do mercado de trabalho.

Enviado por

94ckyzyfkv
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Universidade Estadual do Rio de Janeiro

Faculdade de Ciências Econômicas

Disciplina: Macroeconomia I
Curso: Economia
Parte II
Prof.: Antonio Carlos Assumpção
Doutor em Economia – UFF
Site: acjassumpcao.com
Introdução
• Obtivemos alguns resultados da política econômica desconsiderando
o possível efeito das políticas monetária e fiscal sobre a taxa de
inflação.
• No modelo IS-LM estávamos considerando os preços rígidos, em
função da existência de capacidade ociosa.
• Agora, devemos pensar como as políticas monetária e fiscal afetam a
demanda por trabalho, os salários e a taxa de inflação. Também,
como a taxa de inflação afeta o nível de atividade econômica.
• Como veremos, podemos descrever a dinâmica dos preços utilizando
uma curva de oferta agregada ou uma curva de Phillips, ambas
derivadas a partir do comportamento do mercado de trabalho.
O Mercado de Trabalho
• O IBGE realiza a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) para obter informações
referentes ao comportamento do mercado de trabalho.
• Principais Indicadores
• População em Idade Ativa (PIA)
• População com 10 anos ou mais.
• População Economicamente Ativa (PEA)
• População em Idade Ativa integrada ao mercado de trabalho.
• Para ser considerado membro da PEA o indivíduo tem de ter ficado
empregado ou tem de ter procurado emprego nos trinta dias anteriores a
pesquisa mensal de emprego (PME), realizada pelo IBGE.
• A diferença entre a PIA e a PEA é a população ativa não integrada ao mercado de
trabalho, ou PNEA (população não economicamente ativa): incapacitados,
aposentados e pensionistas, estudantes, detentos, trabalhadores dedicados aos
afazeres domésticos e os inativos (os que não buscam nem desejam trabalhar).
O Mercado de Trabalho
População Total
100.000

População com Menos PINA : População em


de 10 Anos Idade Não Ativa = 20.000
20.000 PIA = 80.000
População Não
Economicamente Ativa
10.000
População com 10
PEA = 70.000
Anos ou mais Desempregados
80.000 População 7.000
Economicamente Ativa
Ocupados
70.000
63.000

Mercado Formal e Informal


O Mercado de Trabalho
• Logo, a taxa de desemprego é dada por:
D
u Número de Desempregados
PEA
Taxa de Desemprego

• Logo, o nível de emprego ou ocupação (n) é dado por:


D N Número de Empregados
n  1 u  1 
PEA PEA
6.000.000 94.000.000
Exemplo  94%  1  6%  1  
100.000.000 100.000.000
O Mercado de Trabalho
• Observações
• A PME também divulga os dados de desemprego dividindo os indivíduos
por faixa etária, raça e gênero (homens e mulheres).
• A PME também divulga os dados de emprego dividindo os indivíduos em
relação ao empregador (público ou privado) e em relação à situação
(com ou sem carteira assinada).
• A PME também divulga dados sobre o salário médio habitualmente
recebido pelo trabalhador (obviamente que estamos nos referindo ao
salário real).
Tipos de Desemprego
• Desemprego Cíclico ou Conjuntural
• A insuficiência de demanda pode gerar uma recessão, levando o produto
para um nível inferior ao do produto potencial. Quando isso ocorre a
demanda por trabalho se reduz e vários indivíduos que desejam trabalhar
ao salário real vigente não encontram emprego; trata-se de desemprego
involuntário conjuntural; depende da posição cíclica da economia.
• Desemprego Estrutural
• Taxa de desemprego associada ao produto potencial da economia ou taxa
natural de desemprego. É a taxa de desemprego não-aceleradora da
inflação. Uma certa taxa de desemprego de longo prazo, diferente entre os
diversos países, que não é tão pequena a ponto de pressionar os salários e
preços para cima nem tão grande a ponto de pressionar os salários e
preços para baixo. Associada ao desemprego friccional e a fatores
estruturais, legais e institucionais.
Tipos de Desemprego
• A Taxa de Participação da Força de Trabalho é a relação entre a PEA e a PIA.
PEA
Taxa de Participação 
PIA

• A importância da Taxa de Participação


• imagine que os estudantes comecem a ingressar mais cedo no mercado
de trabalho, para complementar a renda dos pais. A taxa de
participação aumentaria, podendo aumentar a taxa de desemprego,
sem que houvesse a extinção de postos de trabalho.
Tipos de Desemprego
• Um Exemplo:
• Suponha uma economia com os seguintes indicadores para o mercado de
trabalho:
• População Total = 1000
• PIA = 800
• População Desocupada = 200
• PEA = 600

• Logo, temos:
• a população ocupada = 400
• a taxa de participação (TP) = 600/800 = 0,75 (75%)
• a taxa de desocupação (u) = 200/600 = 0,33 (33,3%)
• a taxa de Inatividade (TI) = 200/800 = 0,25 (25%)
Tipos de Desemprego
• Suponha que 100 estudantes com mais de 10 anos passem procurar
emprego. Logo, agora eles também pertencem a PEA. Supondo ainda que
nenhum deles encontre emprego, temos:
• PIA = 800
• PEA = 700
• Taxa de Participação (TP) = 700/800 = 0,875 (87,5%)
• Número de Desocupados = 300
• Taxa de Desemprego (u) = 300/700 = 0,429 (42,9%)

• Note que o aumento na taxa de participação aumentou a taxa de desemprego


sem que houvesse uma redução do número de vagas (empregos).
Simplesmente a oferta de trabalho aumentou sem a contrapartida da
demanda.
Tipos de Desemprego
• Sobre a Taxa de Participação
• A taxa de participação é maior entre os homens (afazeres domésticos –
maior entre as mulheres).
• A taxa de participação é maior entre os adultos (comparativamente aos
jovens e idosos, pelos motivos educação e aposentadoria
respectivamente).
• A taxa de participação entre as mulheres tende a aumentar com o
desenvolvimento econômico (a relação entre a mulher e o trabalho passa a
ser vista de outra forma).
Taxa de Rotatividade
• Rotatividade é a substituição de trabalhadores pela empresa. Assim, se a
empresa contrata 15 trabalhadores em um certo mês e demite 5, supõe-se que
5 dos 15 contratados sejam para substituir os cinco desligados. Os outros 10
são os que representam aumento do emprego. Supondo que a empresa
possuísse 100 trabalhadores no mês anterior, a taxa de rotatividade seria dada
por 5/100, ou seja 5% (5% dos trabalhadores “rodaram”).
• Inversamente, se a empresa demite 25 e contrata 10 supõe-se que 10
contratados foram para substituir 10 dos 25 demitidos. Logo, a taxa de
rotatividade seria dada por 10/100 = 10%.

• Observações
• Quanto maior a sazonalidade maior a taxa de rotatividade.
• Setores com a presença de grande quantidade de mão de obra qualificada
tendem a possuir baixa rotatividade.
Taxa de Rotatividade
• Logo, podemos escrever uma expressão para a taxa de rotatividade:
min A t , D t 
tR   100
Et

• Note que a expressão acima funciona para os nossos dois exemplos


anteriores:
min 15,5 min 10, 25
tR   100  5% e t R   100  10%
100 100
PME e PNAD Contínua
• Idealizada em 2006 e com dados coletados a partir de 2012, a PNAD
Contínua foi desenhada para ser uma pesquisa trimestral com
informações mais abrangentes sobre mercado de trabalho do país e
substituir a PME.

• O IBGE apresenta dados mensais da pesquisa a partir de 2015; as


divulgações a cada três meses começaram em 2014.
• Periodicidade mensal, para um conjunto restrito de indicadores
relacionados à força de trabalho.
• A cada mês são divulgados números referentes a aquele mês junto
com os dois meses imediatamente anteriores. Trata-se de um modelo
que utiliza médias trimestrais.
PME e PNAD Contínua
• Diferenças:
1) Amplitude: a PNAD possui uma amostra maior e é realizada em mais
de 3.500 municípios brasileiros.
2) Conceito de PIA: na PNAD, para pertencer à PIA o indivíduo deve ter
14 anos ou mais.
3) Conceito de Desocupação: na PME, só era considerada desempregada
a pessoa que, além de estar sem trabalho e disponível para entrar no
mercado, havia procurado emprego nos últimos 30 dias. Já na PNAD,
estar sem ocupação e ao mesmo tempo disponível para um emprego é
o suficiente para a pessoa ser considerada desocupada.
Mercado de Trabalho: Políticas Ativas e Passivas
• A atuação do governo no mercado de trabalho é realizada
prioritariamente de duas formas: através de políticas ativas e políticas
passivas.
• O objetivo das políticas ativas é aumentar o nível de emprego e de
salários das pessoas que possuem dificuldade em se inserir no
mercado de trabalho.
• O objetivo das políticas passivas é garantir um determinado nível de
consumo e bem estar para aqueles trabalhadores que não
conseguiram se inserir na atividade econômica.
• O sistema público de emprego tem sido tradicionalmente caracterizado
por uma combinação de políticas passivas (por exemplo, o seguro
desemprego) e ativas (por exemplo, formação profissional e frentes de
trabalho) de emprego.
O Mercado de Trabalho: Análise Formal
 A Determinação dos Salários
 Os trabalhadores normalmente recebem um salário que excede seu
salário de restrição, que é o salário que poderia torná-los indiferentes
entre trabalhar ou permanecer desempregados.
 Os salários normalmente dependem das condições do mercado de
trabalho. Quanto menor a taxa de desemprego, maiores os salários.

 As duas linhas de pensamento para abordar esses fatos são:


O Mercado de Trabalho: Análise Formal
 Negociações  Mesmo na falta de acordo coletivo existe algum poder de
barganha.
 O poder de barganha depende da natureza do trabalho:
 Maior qualificação  Maior poder de barganha.
 Menor qualificação  Menor poder de barganha.

 Salários de Eficiência  As próprias empresas podem desejar pagar um


salário maior que o salário de restrição.
 O custo de ser demitido é dado pelo salário atual menos o salário a ser
recebido no novo emprego. Ao pagar o salário de restrição as firmas
reduzem o custo de demissão do trabalhador tornando-o menos
produtivo.
Adotaremos aqui o enfoque das negociações
Determinação dos Salários
 Da nossa discussão sobre fixação de salários, temos:
() ( )
w  PeF ( u , Z ) onde Z = outros fatores.

 Logo, o salário nominal fixado em uma negociação depende de:


 Firmas e trabalhadores raciocinam em termos de salários reais.
Entretanto, quando w é fixado não há conhecimento do nível de preços.
 Um aumento do desemprego enfrequece o poder de barganha dos
trabalhadores.
 Quanto maior o seguro desemprego (menor custo de oportunidade do
desemprego) ou o ritmo de mudança estrutural da economia, maior o
salário.
Determinação dos Salários
w
 Quando o nível de preços efetivo é conhecido, temos:  F u, Z 
P
w w w
Se P  P          
e

P  P   P  Objetivado
Logo
 w w w
Se P  P          
e

P  P   P Objetivado
 Observe que se o nível de preços observado for igual ao nível de preços
esperado o salário real será igual ao salário real objetivado, implicando em
equilíbrio no mercado de trabalho.
Logo : Equilíbrio no Mercado de Trabalho  P  P e
Fixação de Preços
 Tendo visto a fixação de salários, dado o nível de preços esperado,
examinaremos agora a determinação dos preços, dados os salários.

 Função de Produção  Relação entre os insumos e o nível de produto.


 Hipóteses Simplificadoras
 Força de trabalho como único fator de produção.
 A = PMgN (produtividade marginal do trabalho) = 1.
 Onde N representa o nível de emprego.
Fixação de Preços
Y
Y  AN , com A  1  Y  N

2
DY
PMgN2 DY  PMgN  A  1
1 DN
DN

1 2 N

 Logo, o custo de produzir uma unidade adicional é dado pelo custo de


empregar mais um trabalhador, portanto CMgY = w
Fixação de Preços
 Supondo a inexistência de concorrência perfeita nos mercados, as
firmas fixarão um preço acima do custo marginal, representativo da
margem de lucro ou mark-up

P  1   w
Mark-up

Logo , se A  1 e CMgY  w  $100. Com   0, 5 :


P  1  0, 5  $100  P  $150
Fixação de Preços: Uma Observação
 Observe que podemos trabalhar com valores alternativos para a PMgN.
 Por exemplo, suponha que a PMgN seja igual a 2. Logo, a contratação de um
novo trabalhador aumenta a produção em duas unidades. Assim, temos:

P
1   w
P
1  0, 5  $100
 P  $75
2 2
 Assim, de uma forma geral, podemos escrever:

P
1   w
. Caso A  1  P  1    w
A
Taxa Natural de Desemprego
 Como vimos, tanto a fixação de salários como a fixação de preços determinam
o salário real de equilíbrio, consequentemente, a taxa de desemprego
de equilíbrio, que chamaremos de taxa natural.
Determinação dos Salários Relação de Fixação de Preços

w  P e F u , Z  P  1   w
Em equilíbrio
PP e

1
F u , Z  
1 
O Mercado de Trabalho Graficamente
w Fixação de Preços
P
Quanto maior o mark-up, maior o nível
de preços e menor o salário real
 1 
1    PS
 

WS

un u
Fixação de salários
Taxa Natural de Desemprego
Quanto maior o desemprego, menor o salário real
A Taxa Natural de Desemprego
Taxa Estrutural (Natural) de Desemprego NAIRU
1980-82 1990-92 2000 2001
18
16
14 A Elevada Taxa de Desemprego
12 Natural nos Países Europeus
10
(%)

8
6
4
2
0

on
y

es

ea
ly
m

n
k

ce

D
n
an

nd
ar

ai

pa
Ita

EC
do
iu

at

ni
an

ar
Sp
m
lg

rla

Ja

U
St
ng

lO
Fr
en

ro
Be

er

he

an
Ki

Eu
G
D

ta
te
et

pe
d

To
ni
N

te

ro
U
ni

Eu
U

NAIRU: Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment (Taxa de Desemprego


Não-Aceleradora da Inflação)
Convergência Para a Taxa Natural
w
P

 1 
1    PS
 

WS

u  un un u  un u
w  P  DA  Y  u  w  P  DA  Y  u 
Convergência Para a Taxa Natural
 Explicando Melhor:
1) Uma taxa de desemprego maior que a taxa natural (produto maior que o
potencial) pressiona os salários nominais para cima, segundo nossa regra
de negociação salarial.
2) Um aumento do salário nominal, dado o mark-up e a PMgN, eleva o nível
de preços, segundo nossa regra de mark-up.
3) A elevação do nível de preços reduz a demanda por bens e serviços,
segundo nossa curva de demanda agregada, negativamente inclinada.
4) A redução da demanda agregada faz com que as firmas ajustem sua
produção (redução da produção).
5) A redução da produção aumenta a taxa de desemprego, segundo a lei de
Okun, que veremos a seguir.
6) Esse mecanismo prossegue até que a taxa de desemprego seja igual à taxa
de desemprego natural.
Modificações na Taxa Natural de Desemprego
a) Aumento do Seguro Desemprego
w
P

 1 
1    PS
 
WS’
WS

un u'n u

Diminuição do custo de oportunidade do desemprego  aumento da un


Modificações na Taxa Natural de Desemprego
b) Redução do Mark-Up (aumento da concorrência)
w
P
 1 
1   '  PS’
 

 1  PS
1   
  WS

u '
un u
n

A queda no nível de preços eleva a demanda agregada, aumenta a


produção e reduz a taxa natural de desemprego.
Do Desemprego ao Produto
 Existe um nível natural de emprego associado à taxa natural de desemprego.
Tal relação é dada por:
U L N N
u  1
L L L
 Onde L representa a força de trabalho e N representa o nível de emprego.

 Suponha L = 100.000.000 e N = 94.000.000.


6.000.000 94.000.000
U  6.000.000  u   6%  1 
100.000.000 100.000.000
Do Desemprego ao Produto
 Note que a expressão anterior pode ser escrita como: N  1  u L
 Como, associado a um certo nível natural de desemprego, temos um certo
nível natural de emprego, temos também um certo nível natural de produto;
o produto de pleno emprego.
U L N N
un  Nn Yn Como u  1 e Y  N
L L L

 Yn  1
Nível Natural de Produto F 1  , Z  
 L  1 
Observação Importante
 Deduzimos un , Nn e Yn sob duas hipóteses:
 Equilíbrio no mercado de trabalho
 P  Pe
 Entretanto, no curto prazo, não podemos garantir que o nível de preços
seja igual ao nível de preços esperado, utilizado para a fixação dos
salários nominais. Logo, não podemos garantir que a taxa de
desemprego seja igual à taxa natural. Contudo, é pouco provável que as
expectativas sobre o nível de preços estejam sistematicamente erradas
(sempre muito altas ou muito baixas). Logo, devemos esperar que, no
longo prazo, a taxa de desemprego seja igual à taxa natural e que o
produto seja igual ao seu nível potencial.
Agregando Todos os Mercados
 A Oferta Agregada
 A relação de oferta agregada capta os efeitos do produto sobre o nível de
preços. Ela é deduzida do mercado de trabalho

w  P e F u, Z  (I)
Equilíbrio no Mercado de Trabalho
P  1   w ( II )

 Substituindo ( I ) em ( II ), temos:

P  P e 1   F u , Z   Y  AS
P  P 1   F 1  , Z 
e

 L 
N Y
u 1 1
L L
Agregando Todos os Mercados
 Y 
P  P 1   F  1  , Z 
e

 L 
 Principais características da curva de oferta agregada
1) Um nível de preços esperado mais alto eleva o nível de preços corrente
 Se P e  w  as firmas fixam preços mais elevados
2) Um aumento do produto leva ao aumento do nível de preços. Esse
efeito resulta de 4 relações básicas:
 O aumento do produto conduz ao aumento do emprego.
 O aumento do emprego reduz a taxa de desemprego.
 A diminuição do desemprego eleva os salários nominais.
 O aumento dos salários nominais acarreta um aumento de custos
que, por sua vez, leva as firmas a aumentarem seus preços.
A Curva de Oferta Agregada
e
AS ( P )
P 1

AS ( P0e )
P1  P1e

P0  P0e

Yn Y
Y  Yn Y  Yn
u  un u  un
P  Pe P  Pe
O Ajustamento dos Preços
• Agora, vamos entender os efeitos das políticas monetária e fiscal sobre o
produto e o nível de preços, considerando duas hipóteses:
• A existência de uma taxa natural de desemprego;
• Expectativas sobre o nível de preços formada adaptativamente.
Expectativas Adaptativas Estáticas  Pt e  Pt 1

• Veremos que, dada a rigidez de alguns preços no curto prazo, expansões da


demanda agregada tendem a elevar o nível de produção. Entretanto, caso
tenhamos o produto real acima do produto potencial (taxa de desemprego
abaixo da taxa de desemprego natural), o nível de preços tende a se ajustar
(subir), reduzindo assim a quantidade demandada, até que o produto retorne
ao seu nível potencial (longo prazo). Note também que, conforme o nível de
preços aumenta, a expectativa do nível de preços também aumenta.
O Ajustamento dos Preços e o Longo Prazo: Neutralidade da Moeda no Longo Prazo
i LM0 (M0/P0) =(M1/P1)
LM1 (M1/P’)
LM’ (M1/P0)
i0 
i1 
i’ 
IS0
P Yn Y1 Y’ AS1 (Pe =YP1)
AS0 (Pe = P0)
P1 
P’ 
P0   P
AD1
AD0
Yn Y1 Y’ Y
O Ajustamento dos Preços e o Longo Prazo
 O aumento da oferta monetária nominal desloca a curva LM para a
direita até LM`. Se os preços se mantiverem constantes haverá um
aumento do investimento, pela queda da taxa de juros (i`), o que
desloca a curva AD para a direita, com o produto atingindo Y`.
 Como alguns preços sobem após o aumento da demanda agregada, a
quantidade real de moeda se reduz, de forma que o equilíbrio de curto
prazo acontece com P`, i1 e Y1.
 Com o passar do tempo os salários começam a subir (Y > Yn  u < un),
pressionando os preços e reduzindo a quantidade real de moeda, até
que o produto retorne ao seu nível natural.
Os Efeitos da Expansão Fiscal
i LM2 (M0/P1)
LM1 (M0/P’)
i2
i’ LM0 (M0/P0)
i1
i0 
IS1
IS0
Yn Y’ Y1 Y
P AS1 (Pe = P1)
AS0 (Pe = P0)
P1
P’
P0  P

AD1
AD0
Yn Y’ Y1
Y
Os Efeitos da Expansão Fiscal
 O aumento do déficit público (aumento em G ou redução em T) eleva a
demanda por bens e serviços, deslocando a curva IS e a curva AD
para a direita. Se os preços se mantiverem estáveis, a economia
atinge o produto Y1.
 Como alguns preços sobem após o aumento da demanda agregada, a
quantidade real de moeda se reduz, de forma que o equilíbrio de curto
prazo acontece com P`, i’ e Y’.
 Com o passar do tempo os salários começam a subir (Y > Yn  u < un),
pressionando os preços e reduzindo a quantidade real de moeda, até
que o produto retorne ao seu nível natural.
Algumas Conclusões

 A política fiscal não pode ser considerada neutra no longo


prazo, pois um aumento do déficit público aumenta a taxa de
juros final, reduzindo o investimento e a taxa de crescimento.

 Políticas de demanda agregada podem ser utilizadas para


amenizar os efeitos dos choques adversos sobre o nível de
produção, entretanto, isto acarreta maior variabilidade do
nível de preços.
Nossas Primeiras Conclusões
OALP
P OA1CP  P e  P2 
P2 OA0C P  P e  P0 
P1
P0
DA1
DA0

YP Y 1 Y

Curto Prazo  Y  Y n e P  P e .
Longo Prazo  Y  Y n e P  P e .
Choques Adversos de Oferta
 Um choque adverso de oferta deve ser entendido como um aumento exógeno
no preço de um insumo utilizado em larga escala (aumento de custos).
P re ço do Pe tróle o Re fina do (Índice - 1967-1 = 100)
(Dados M e ns ais - 1967-1 - 2001-4)
900
850
800
750
700
650
600
550
500
450
400
350
300
250
200
150
100
50
0
1967 1969 1971 1973 1975 1977 1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
Variações no Preço do Petróleo (EUA)
Os Choque s do Pe tróle o
PIB Real (% ) Des emp(% ) CPI
16
15 Primeiro Segundo
14 Choque Choque
13
12
11
10
9
8
(%)

7
6
5
4
3
2
1
0
-1
-2
-3
1981

1991
1967

1969

1971

1973

1975

1977

1979

1983

1985

1987

1989

1993

1997
1995

1999
A Dinâmica do Ajuste
w
P

1 A
PS
1 

1 A1
PS1
1  1
WS

un u 1 u
n

 O Aumento da Taxa Natural de Desemprego (supondo um choque permanente)


A Dinâmica do Ajuste
 Um aumento no mark-up, ocasionado por uma alta no preço do
petróleo, resulta na elevação do nível de preços, qualquer que seja o
nível de produto. Portanto, a curva de oferta agregada desloca-se para
a esquerda, elevando o nível de preços e reduzindo o produto
 Note que existe uma simplificação no raciocínio acima que pode gerar
um problema de interpretação: como a curva de oferta agregada
desenvolvida até aqui não contempla um termo que sirva para captar o
aumento de custos e, como isso tende a elevar o nível de preços, o
mark-up foi elevado. Será que após o aumento no preço do petróleo a
margem de lucros aumenta ? Provavelmente não.
A Dinâmica do Ajuste
 Podemos contornar esse problema, adicionando um componente de
custos na curva de oferta agregada ().

 Yt  1
 Pt  Pt (1   ) F 1  , z     ou  Pt  Pt  Yt  Yn    
e e

 Lt  

Esta é uma forma bastante popular de escrever uma curva


de oferta agregada: na ausência de choques de oferta, o
nível de preços depende da posição cíclica da economia.
A Dinâmica do Ajuste
Efeito secundário do aumento
P AS2
do preço do petróleo
AS1
AS0
P2 Efeito direto do aumento
P1 do preço do petróleo
P0

AD0

Y2n Y1 Y0n Y
A Dinâmica do Ajuste
 O aumento do preço do petróleo gera, no curto prazo, o aumento do
nível de preços e a queda do produto (efeito direto sobre o índice de
preços do aumento no preço do petróleo).

 Com o tempo, o nível de preços continua a subir e o produto continua a


cair (efeito secundário sobre o índice de preços, dado o aumento no
preço do petróleo).

 No final, há uma redução do produto potencial (supondo um choque


permanente).
A Taxa de Desemprego e a Curva de Phillips
Inflação versus desemprego nos
Estados Unidos, 1900-1960

No período 1900-1960, nos


Estados Unidos, uma taxa de
desemprego baixa estava
tipicamente associada a uma
alta taxa de inflação e,
inversamente, o alto
desemprego a uma inflação
baixa ou negativa.

 A curva de Phillips, baseada nos dados acima, mostra uma relação negativa
entre inflação e desemprego.
Inflação, Inflação Esperada e Desemprego
 Y 
 A curva de oferta agregada é dada por: P  P 1    F  1  ,Z 
e
 AS 
 L 
 Y  Y
 Como F 1  , Z  e 1  u , temos: P  P e ( 1  μ )F( u,z )
 L  L

 A equação acima é a relação de oferta agregada deduzida anteriormente.


Essa relação pode ser reescrita para estabelecer uma relação entre inflação,
inflação esperada e taxa de desemprego.
 Primeiro, suponha que: F ( u , z )  1  α u  z
 Agora, substitua esta função na forma acima: P  P e ( 1  μ )( 1  α u+z )
Inflação, Inflação Esperada e Desemprego
 Sendo P o nível de preços do período t, Pe o nível de preços esperado
do período t e u a taxa de desemprego do período t:

 Pt  Pt e 1   1   u t  Z  : D ividindo por Pt 1

Pt Pt e
  1   1   u t  Z 
Pt 1 Pt 1

Pt  Pt 1 Pt P e
 P P e
 Como  t    1   t e  te  t t 1
 t  1   te
Pt 1 Pt 1 Pt 1 Pt 1

1 t 
 Logo, 1   t   1    1   1   ut  Z  
e
 1   ut  Z 
t
1   t  1   
e
Inflação, Inflação Esperada e Desemprego

 Como
1   t   1     e    1     e    1   u  Z
1   t  1   
e t t t t t

 Finalmente, temos:
πt  π et  μ  z   αut  Curva de Phillips
Inflação, Inflação Esperada e Desemprego
 Note que, novamente, para nos referirmos a inflação, inflação esperada ou
desemprego em um ano específico, precisamos incluir um indicador de
tempo, como se segue:

πt  π et  μ  z   αut

 A variáveis , et, e ut referem-se a inflação, inflação esperada e desemprego


no ano t;  e z são consideradas constantes e não têm indicador de tempo.
Inflação, Inflação Esperada e Desemprego
πt  π et  μ  z   αut
 Segundo esta equação:
 Um aumento da inflação esperada leva ao aumento da inflação efetiva.
 Dada a inflação esperada, um aumento no mark-up, ou um aumento
nos fatores que afetam a determinação do salário, leva a um aumento
na inflação.
 Dada a inflação esperada, um aumento na taxa de desemprego, leva a
uma queda na inflação.
Curva de Phillips (1ª Versão)
 Sendo a inflação esperada = 0, então:
πt  μ  z   αut
 Esta é a relação inversa entre desemprego e inflação que Phillips constatou
para o Reino Unido e Solow Samuelson para os Estados Unidos (ou a curva
de Phillips original).
 Segundo a curva de Phillips original, existe um trade-off permanente entre
inflação e desemprego. Logo, o formulador de política econômica pode
escolher entre diversas combinações de inflação e desemprego.
Curva de Phillips (1ª Versão)
 Observações Importantes
 A relação estimada originalmente por A. W. Phillips, com dados para o
Reino Unido, foi uma relação entre a taxa de variação dos salários nominais
e a taxa de desemprego. Posteriormente, R. Solow e P. A. Samuelson
estimaram, para os EUA, a relação entre inflação e a taxa de desemprego.
 A intuição de Solow e Samuelson:
 Como P  1    w , assumindo o mark-up constante, as variações no
salário nominal seriam iguais as variações nos preços.
 Adicionalmente, considerar a inflação esperada como sendo zero não
parecia ser um problema em uma economia onde a média da variação dos
preços na primeira metade da década de 1900 era próxima de zero
Curva de Phillips (1ª Versão)
O trade-off permanente entre inflação e desemprego
  Desconsiderando a expectativa de inflação,
haveria um trade-off permanente entre inflação
e desemprego.
 Isso permitiria ao formulador de política
econômica escolher entre diversas combinações
4% de inflação e desemprego.
2%

5% 8% u
CPh
Mutações
 A relação negativa estável entre a taxa de desemprego e inflação perdurou ao
longo da década de 1960, mas desapareceu depois desse período, por duas
razões:
 Um aumento no preço do petróleo.
 Note que choques adversos de oferta reduzem o produto (aumentam a
taxa de desemprego) com a inflação subindo  “estagflação”.
 Uma mudança na forma como os fixadores de salário formavam suas
expectativas, devido a uma mudança no comportamento da taxa de
inflação.
 A taxa de inflação tornou-se consistentemente positiva.
 A inflação tornou-se mais persistente.
Mutações
Inflação versus desemprego nos
Estados Unidos, 1948-1969

O declínio contínuo do
desemprego nos Estados Unidos
durante a década de 1960 esteve
associado a um aumento também
contínuo da inflação.
Mutações
Inflação versus desemprego nos
Estados Unidos, 1970-2000

A partir de 1970, a relação entre a


taxa de desemprego e a taxa de
inflação desapareceu nos Estados
Unidos.
Formação de Expectativas
 Suponha que as expectativas sobre a inflação sejam formadas de acordo com:

π e t  θπ t1 Expectativas adaptativas estáticas

 O parâmetro q captura o efeito da taxa de inflação do ano passado, t-1, sobre


a taxa de inflação prevista para este ano, et.
 O valor de q aumentou continuamente na década de 1970, de zero a um.
Formação de Expectativas

Com a inflação sistematicamente positiva,
a expectativa de inflação aumentou,
deslocando a curva de Phillips para cima.
 t
70

 t60 u
n
u

cph 70  70e
  t70 
cph 60  te   t60 
Formação de Expectativas
Se as expectativas são formadas adaptativamente, temos:
πt  θπt1 μ  z   αut
 Na equação acima, quando q é igual a zero, a relação entre inflação e taxa de
desemprego é :
πt  μ  z  αut
 Quando q é positivo, a taxa de inflação depende tanto da taxa de
desemprego como da taxa de inflação do ano anterior:
πt  θπt1 μ  z   αut
 Quando q é igual a 1, a relação de Phillips torna-se:
πt  πt1  μ  z   αut
Formação de Expectativas

πt  πt 1   μ  z   αut
Curva de Phillips com expectativas adaptativas:
Versão aceleracionista da curva de Phillips ou versão de Friedman-Phelps.

 Quando q = 1, a taxa de desemprego não afeta a taxa de inflação, mas


sim a variação da taxa de inflação.
 A partir de 1970, surgiu uma relação negativa entre a taxa de
desemprego e a variação da taxa de inflação nos Estados Unidos.
Observações Sobre Expectativas Adaptativas
 Expectativas Adaptativas

 Forma Geral   te   te1  1     t 1   te1  I 


 A expectativa de inflação no período atual é dada pela expectativa de
inflação do período passado, ajustada pelo erro de previsão do período
anterior.
Observações Sobre Expectativas Adaptativas
 De I  temos :
  te   te1  1     t 1  1     te1
  te  1     t 1   te1   te1   te1

  te  1     t 1   te1
 Logo, a expectativa de inflação é uma média ponderada entre a expectativa
de inflação e a inflação efetiva do período anterior.

 
Se   0   te   t 1  Expectativ as Estáticas 
 
Observações Sobre Expectativas Adaptativas
 Problemas com expectativas adaptativas
 Falta de racionalidade: os agentes econômicos só utilizam informações
passadas tentando prever o comportamento futuro da variável.
 Se a inflação for crescente os agentes econômicos sempre a subestimarão
(cometerão erros de forma sistemática).
Formação de Expectativas
 A curva original de Phillips é dada por:

πt   μ  z   αut

 A curva de Phillips modificada, ou curva de Phillips aumentada pelas


expectativas, também chamada de curva de Phillips aceleracionista, é:

πt  πt1   μ  z  αut
 Uma taxa de desemprego muito “baixa” fará com que a taxa de inflação
aumente continuamente: πt  πt1 , πt 1  πt ,...
 Mas o que é uma baixa taxa de desemprego, de forma a aumentar
continuamente a taxa de inflação ?
Taxa Natural de Desemprego
 Friedman e Phelps questionaram a existência da alternância entre
desemprego e inflação. Eles argumentaram que a taxa de desemprego não
poderia ser mantida abaixo de um determinado nível que chamaram de "nível
natural de desemprego". O nível natural de desemprego é a taxa de
desemprego em que a taxa inflação corrente é igual à taxa de inflação
esperada. Dito de outro modo, a taxa natural de desemprego corresponde a
taxa de desemprego não-aceleradora da inflação.
 Logo un  t  t 1  0
 z
0  ( μ  z )  αun então, un 

 Observe, como vimos anteriormente, que a taxa natural de desemprego pode
ser diferente, dependendo de fatores como  e z.
Taxa Natural de Desemprego
μz
 Como un   αun  μ  z
α
 Se π t  π te   μ  z   αut  π t  π te  αu n  αut

 Finalmente, supondo que as expectativas são formadas adaptativamente:

π t  π t 1  α ut  u n 
Taxa Natural de Desemprego
πt  πt1 α ut  un  Versão Aceleracionista da Curva de Phillips

 A equação acima nos proporciona outra maneira de pensar sobre a taxa


natural de desemprego:
 A taxa de desemprego não-aceleradora da inflação, é a taxa de
desemprego necessária para manter a inflação constante.
 Caso a taxa de desemprego se mantenha abaixo da taxa natural de
desemprego, a taxa de inflação aumentará permanentemente.
 Logo, com expectativas adaptativas, não existe um trade-off
permanente entre inflação e desemprego.
Um Exemplo Numérico da Curva de Phillips
 Suponha que a curva de Phillips seja dada por :  t   te  0,18  3u t
com    t 1
t
e
e, em t-1, u  un e  0
a) Qual a taxa natural de desemprego ?
Resposta: como a taxa natural de desemprego é a taxa de
desemprego não-aceleradora da inflação, devemos ter, t t 1  0.

Logo, 0  0,18  3u n  3u n  0,18  u n  0,06  6 %

Observe então, que a curva de Phillips pode ser escrita como:

 t   te  3  ut  6%    t   t 1  3  ut  6% 
Um Exemplo Numérico da Curva de Phillips
b) Suponha que o governo deseje reduzir a taxa de desemprego para 5% e
mantê-la nesse patamar. Quais seriam as taxas de inflação nos próximos
3 períodos ?
 te   t 1  0
 t   te  0,18  3ut
t  t  0  0,18  30,05
 t  0,03  3%

 t 1   te1  0,18  3ut 1


Logo,
t+1 t 1  0,03  0,18 30,05  t  2  0.09  9%
 t 1  0,06  6%
Graficamente
 CphLP

 t  2  9% Curva de Phillips de longo prazo:


associada a taxa natural de desemprego.

 t 1  6%
 t  3%

 t 1  0 u
5 % 6%
cph3  te 2  6 % 

cph 1  te  0  cph2 πte1  3%
 Observações Importantes:
 Como as expectativas são adaptativas, caso o Bacen realize uma política
monetária expansionista, após as expectativas serem formadas, teremos
a taxa de inflação maior que a expectativa de inflação (produto maior que
o potencial e taxa de desemprego menor que a natural).
 No período seguinte, a expectativa de inflação se ajusta à inflação, na
ausência de novos choques monetários, com o produto voltando ao seu
nível potencial e a taxa de desemprego convergindo para a taxa natural.
Entretanto, com uma taxa de inflação maior.
 Caso o Bacen deseje manter a taxa de desemprego sistematicamente
abaixo da natural ele deverá promover choques monetários de maneira
sequencial. Nesse caso, a inflação subirá permanentemente.
 Por conta desse último resultado, a curva de Phillips com expectativas
adaptativas também é conhecida como “versão aceleracionista”.
Custo de Combate à inflação com Expectativas adaptativas
Assuma que a curva de Phillips seja dada por :  t   t 1    ut  6%

 Suponha que a taxa de inflação seja igual a 10% a.a. e o Banco Central
deseje reduzi-la para 5% de uma única vez (em um período, por
exemplo, um ano).
 Como as expectativas são formadas adaptativamente, a expectativa de
inflação para t+1 é igual a 10% e, mesmo que o Banco Central anuncie
uma política de desinflação, esta não afeta as expectativas.
 Com isso, para reduzir a taxa de inflação de 10% a.a. para 5% a.a.,
quando a expectativa de inflação é igual a 10%, se faz necessário um
aumento da taxa de desemprego.
Custo de Combate à Inflação com Expectativas Adaptativas

 CphLP
A política monetária contracionista
eleva a taxa de desemprego. Com a taxa
de desemprego mais alta a inflação se
reduz. A queda da inflação reduz a
 t  10% expectativa de inflação.

 t 1  5%

6% 11% u
cph1  te  10% 
cph2  te1  5% 
Inflação e Indexação
 A indexação dos salários passa a prevalecer quando a inflação está alta.
 Seja  a proporção dos salários (contratos) indexados à inflação corrente
e (1-) a proporção dos salários que não é indexada à inflação corrente
(depende da inflação passada).
 Logo, se πt  πte  α ut  u n  , temos :

 t   t  1      ut  u
t
e n

 Quando  = 0, todos os salários são definidos com base na inflação esperada
(inflação do período anterior). Logo:

 t   t 1   ut  u n

Inflação e Indexação
 Se  > 0, temos:

 t  t  1   t 1   ut  u n    t  t  1   t 1   ut  u n 

1    t  1    t 1   ut  u n   1    t   t 1    ut  u n 



 t   t 1  
1 
u t  un 
 Logo, se  se aproxima de 1, pequenas variações no desemprego provocam
grandes variações na inflação.
Inflação e Indexação
 Um exemplo numérico:
 Suponha que a curva de Phillips seja representada por:
 t   t 1  0,18  3u t
Como π t  π t 1   μ  Z   αu t e u n  π t  π t 1
μZ
0   μ  Z   αu  u  n
 0 , 06  6 %
n

α
Logo , π t  π t 1  αu n  αu t  π t  π t 1   α u t  u n 

 Sendo  = 0,9, temos:



 t   t 1  
1 
u t  
 u n   t   t 1  30 ut  u n 
Inflação e Indexação
 Alguns Resultados Importantes
 A relação entre desemprego e inflação tende a mudar com o nível e a
persistência da inflação.
 Quando a inflação é alta, ela tende a variar mais.
 A estrutura dos acordos salariais também varia com o nível de
inflação. A indexação dos salários, regra que atrela o aumento dos
salários à inflação, passa a prevalecer quando a inflação está alta.
Produto, Desemprego e Inflação
 Esta parte (capítulo 7 – Blanchard) baseia-se em três relações:
 A lei de Okun, que relaciona a variação no desemprego ao crescimento do
produto.
 A curva de Phillips, que relaciona variações na inflação ao desemprego.
 A relação de demanda agregada, que relaciona o crescimento do produto
à inflação e à expansão monetária.
Crescimento do Produto, Desemprego,
Inflação e Expansão Monetária

Aumento da Aumento do
Oferta Monetária DA Produto

Lei de Okun

Aumento da Taxa Curva de Redução da Taxa


de Inflação Phillips de Desemprego
Lei de Okun: do Crescimento do Produto ao Desemprego
ut  ut 1   g yt
 Segundo a equação acima, a variação da taxa de desemprego deve ser igual
à variação negativa da taxa de crescimento do produto.
 Por exemplo, se o crescimento do produto for de 4%, então, a taxa de
desemprego deve cair 4%.
 Note que a equação acima nos diz que 1p.p. a mais de crescimento
reduz a taxa de desemprego em 1 p.p.
 Geralmente, a relação, em termos quantitativos, não é essa.
Lei de Okun: do Crescimento do Produto ao Desemprego
 A verdadeira relação entre o crescimento do produto e a variação da taxa
de desemprego é conhecida como lei de Okun, e deve ser escrita da
seguinte maneira:


ut  ut1 β g yt  g y 
Taxa “normal” de crescimento

Taxa de crescimento necessária para


manter a taxa de desemprego constante.

Sensibilidade da variação da taxa de desemprego


ao crescimento acima (abaixo) da taxa “normal”.
Lei de Okun: do Crescimento do Produto ao Desemprego
 Seja ut ut1 0, 4 g yt 3%

 Segundo a equação acima:

 Para manter constante a taxa de desemprego, o produto deve crescer 3% ao


ano. Essa taxa é chamada de taxa normal de crescimento.
Lei de Okun: do Crescimento do Produto ao Desemprego
ut ut1 0, 4 g yt 3%

 Segundo a equação acima, uma expansão do produto 1p.p. acima do


“normal” provoca uma redução de apenas 0,4 p.p. da taxa de
desemprego, pelos seguintes motivos:
 Manutenção dos empregos: as empresas preferem manter os
funcionários em vez de demiti-los quando o produto cai.
 Crescimento da PEA: como a PEA aumenta ao longo do tempo, existe
uma certa taxa de crescimento requerida somente para manter a taxa
de desemprego constante.
A Curva de Phillips
 Conforme vimos: π  π e  α u  u
t t t

n

 Considerando que as expectativas são formadas adaptativamente:

π t  π t 1  α u t  u n 

 De acordo com a curva de Phillips:


u t  un   t   t  1
u t  un   t   t  1
A Relação de Demanda Agregada: da Expansão
Monetária e Inflação ao Crescimento do Produto
 A relação de demanda agregada deduzida anteriormente é dada por:
 Mt 
Relação AD  Yt  Y  ,Gt ,Tt 
P t


 Ignorando as variações no produto causadas por todos os demais fatores,


exceto a variação no estoque real de moeda, temos:
Mt
Yt  γ
Pt
A Relação de Demanda Agregada: da Expansão
Monetária e Inflação ao Crescimento do Produto
 Em termos de taxas de crescimento, temos:
g yt  g mt   t  g mt  g yt   t

 De acordo com a relação de demanda agregada:


g mt   t  g yt  0
g mt   t  g yt  0

 Dada a inflação, uma política monetária expansionista aumenta a taxa de


crescimento do produto.
Exemplo
 Seja uma economia descrita pelas seguintes relações:
ut  ut 1  0, 4  g yt  0, 03 Lei de Okun
 t   t 1    ut  0, 06  Curva de Phillips
g yt  g mt   t Demanda Agregada

a) Qual a taxa natural de desemprego ?


un   t   t 1  0. Logo, 0  utn  0, 06  un  6%
Exemplo
b) Suponha que a inflação seja igual a 10% a.a. e que a taxa de desemprego
seja igual à taxa natural. Para manter a taxa de desemprego em seu nível
natural, qual deve ser a taxa de crescimento do produto ? Qual deve ser a
taxa de expansão monetária ?
 Para manter a taxa de desemprego constante, neste caso, igual à taxa
natural, utilizamos a Lei de Okun.
 Dada a taxa de inflação e a taxa de crescimento, podemos calcular a taxa de
crescimento da oferta monetária.
__
g yt  g y  3%
Logo, como g yt  g mt   t  g mt  0, 03  0,1  13%
Exemplo
c) Nestas condições, caso o Banco Central decida utilizar a política monetária
para reduzir a taxa de inflação de forma permanente, de uma única vez (1
período), para 5% a.a. , quais seriam os efeitos sobre a taxa de crescimento
do produto, taxa de crescimento da oferta monetária e taxa de desemprego ?
Queremos  t 1   t  5%  0, 05    ut 1  0,06   t 1  11%.

 
Pela Lei de Okun : 0, 05  0, 4 g yt 1  0, 03  g yt 1  9, 5%

Logo : g mt 1  0, 095  0, 05%  4,5%

 A contração da oferta monetária em 4,5% reduz o PIB em 9,5% e


aumenta a taxa de desemprego em 5%. Com isso, a taxa de inflação
converge para 5% a.a.
 cphLP

A política monetária contracionista eleva a taxa


de desemprego. Com a taxa de desemprego mais
alta a inflação se reduz. A queda da inflação reduz
a expectativa de inflação.
 t  10%

 t 1  5%

6% 11% u
cph1  te  10% 
cph2  te1  5% 

 Resumindo: uma contração monetária de 4,5% em faz com que a taxa de crescimento da
economia em t+1 seja igual -9,5%, elevando assim a taxa de desemprego para 11% e, com isso,
reduzindo a taxa de inflação em 5p.p. (de 10% a.a. para 5% a.a.).
Exemplo

Note que, no Médio Prazo :

  5%
g m  8%
g y  3%  u  u n  6%
O Médio Prazo __
 Considere uma taxa constante de expansão monetária, g m .
 No médio prazo temos que ut 1  ut  un , implicando que o produto cresce
à sua taxa natural : g yt  g y .
__ __ __ __
 Logo, g y  gm      gm  g y .
 Assim, no médio prazo, a taxa de inflação é igual a expansão monetária
ajustada (pelo crescimento do produto).
 Observe que o argumento desenvolvido acima é bastante simples:
 No caso de um aumento da oferta monetária nominal de 10%, caso o
produto ajuste-se aumentando 3%, a taxa de inflação será igual a 7%.
O Médio Prazo
 u  un
__ __ __ __
A
gm  g y   gm  g y
Redução do Crescimento
da Oferta Monetária
__ __ __ __
B
g m'  g y  '  gm  g y
'

un u
 Inflação e desemprego no médio prazo
 No médio prazo, o desemprego é igual à taxa natural e a inflação é igual
à expansão monetária nominal ajustada.
Desinflação: Quanto Desemprego? Por Quanto Tempo?
 Com expectativas adaptativas o custo do combate à inflação é dado por um
aumento temporário na taxa de desemprego. Então, devemos nos perguntar:
quanto desemprego ? Por quanto tempo ?
 Um ano-ponto de excesso de desemprego é a diferença entre as taxas de
desemprego atual e natural de um ponto percentual por ano.
 Suponha que a curva de Phillips seja dada por:

π t  π t 1  α ut  un  Suponha  = 1

 Reduzir a inflação em 10 pontos percentuais em cinco anos requer cinco anos de


desemprego 2 pontos percentuais acima da taxa natural.
 Reduzir a inflação em 10 pontos percentuais em um ano requer um ano de
desemprego 10 pontos percentuais acima da taxa natural.
Desinflação: Quanto Desemprego? Por Quanto Tempo?
 Note que, em cada caso, o número de anos-ponto de excesso de
desemprego para reduzir a inflação em 10 pontos percentuais é o mesmo.
 Logo, com expectativas adaptativas, o Banco Central pode escolher a
distribuição do excesso de desemprego ao longo do tempo, mas não pode
alterar o número total de anos-ponto de excesso de desemprego.

 Uma outra maneira de analisarmos o custo de combate à inflação é


calcularmos a razão de sacrifício.
A Razão de Sacrifício
anos  ponto de excesso de desemprego
RS 
diminuição da inflação
π t  π t 1
Como π t  π t 1  α ut  u   n
 α
ut  u n

 ut  u n  1
Logo , RS     
  t   t 1  

 Se α  1  πt  πt1 10  ut u n  10, durante um ano

 Se α  2  πt  πt1 10  ut un  5, durante dois anos


A Razão de Sacrifício
 Observe que o resultado acima é válido, desde que as expectativas sejam
formadas adaptativamente.
 Qual seria o resultado se uma modificação na política econômica
conseguisse alterar as expectativas dos agentes econômicos ?
 Responderemos esse pergunta (e outras), na próxima seção.
A Desinflação Norte-Americana de 1979-1985
Inflação e desemprego, 1979-1985
Em porcentagem 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985

Crescimento do PIB 2,5  0,5 1,8  2,2 3,9 6,2 3,2

Taxa de desemprego 5,8 7,1 7,6 9,7 9,6 7,5 7,2

Inflação pelo IPC 13,3 12,5 8,9 3,8 3,8 3,9 3,8

Desemprego acumulado 1,0 2,6 6,3 9,9 11,4 12,6

Desinflação acumulada 0,8 4,4 9,5 9,5 9,4 9,5


Taxa de sacrifício 1,25 0,59 0,66 1,04 1,21 1,32

• O desemprego acumulado é a soma dos anos-ponto de excesso de desemprego a


partir de 1980, com base em uma taxa natural de desemprego de 6%. A desinflação
acumulada é a diferença entre a inflação em um dado ano e a inflação em 1979. A taxa
de sacrifício é o quociente entre o desemprego acumulado e a desinflação acumulada.
Histerese e a Hipótese da Taxa Natural de Desemprego
 Nossa discussão sobre política econômica se baseou na existência de uma taxa
natural de desemprego.
 Vimos que variações na demanda agregada afetam as variáveis reais da
economia somente no curto prazo, ou seja, provoca flutuações da taxa de
desemprego em relação ao seu nível natural.
 A hipótese de que mudanças na demanda agregada poderiam afetar a taxa de
desemprego mesmo no longo prazo (afetar a taxa natural de desemprego), é
conhecida como Histerese.
 O termo diz respeito a uma influência de longa duração sobre a taxa de
desemprego.

Histerese  u  f ut 1 ,ut 2 ,...


n
Histerese e a Hipótese da Taxa Natural de Desemprego
 Quais os fatores que podem fazer com que uma recessão, ocasionada por uma
retração da demanda agregada, aumentem a taxa natural de desemprego
(exerçam um efeito permanente sobre a taxa de desemprego ?
 Podem existir dificuldades em reintegrar trabalhadores que ficam
desempregados por um longo período, por exemplo:
a) Por conta da perda de certas competências (habilidades) valiosas de
trabalho.
b) Por conta da redução do custo de oportunidade do desemprego, caso o
governo responda ao aumento do desemprego aumentando os
benefícios aos desempregados.
Observação Final
 Muitas vezes a ANPEC se refere aos economistas “monetaristas”. Isto merece
algumas considerações:
1) Não existe uma escola separada de economia monetária; claro, alguns
economistas enfatizam mais o fenômeno monetário do que outros.
 Note que existem trabalhos importantes sobre economia monetária de diversos
autores ao longo da história econômica: Knut Wicksell, Irving Fisher, Milton
Friedman,...
2) Em geral, quando a ANPEC se refere a um “Modelo Monetarista” ela está se
referindo, fundamentalmente, às ideias de Milton Friedman.
a) Um modelo com expectativas adaptativas e existência de uma taxa natural de
desemprego que, como vimos, faz com que a moeda seja neutra no longo
prazo;
b) Dada a estabilidade da demanda por moeda, seria adequada uma política
monetária com crescimento constante da oferta monetária (x-rule).
c) Versão friedmaniana da teoria quantitativa da moeda.
PROVA DE 1999 - QUESTÃO 10
Assinale se as afirmativas abaixo são falsas ou verdadeiras:
(3) Uma curva de Phillips aceleracionista com expectativas adaptativas implica
na existência de um trade off permanente entre inflação e produto. F
• Conforme vimos, se as expectativas forem formadas adaptativamente
(versão aceleracionista da curva de Phillips) teremos um trade off
temporário entre inflação e desemprego.

(4) No modelo original da curva de Phillips o trade off entre inflação e


desemprego é permanente. V
• Conforme vimos, essa foi a primeira interpretação da curva de Phillips.
PROVA DE 2001 - QUESTÃO 03
Quanto ao dilema de política econômica expresso pela curva de Philips, indique
se as afirmações são falsas ou verdadeiras:
(0) O custo da redução do desemprego, medido em aumento de taxa de
inflação, será tanto maior quanto maior for a capacidade ociosa da economia. F
• Quanto mais inclinada for a curva de Phillips maior será a sensibilidade da
inflação em relação à taxa de desemprego, ou seja, maior será o aumento da
taxa de inflação associada à redução da taxa de desemprego, o que deve
ocorrer quanto menor a capacidade ociosa da economia (quanto mais
aquecida estiver a economia).
• Dito de outra forma quanto menor a capacidade ociosa da economia maior
será o impacto sobre a taxa de inflação de uma redução na taxa de
desemprego.
(1) Uma curva de Phillips negativamente inclinada significa que, por exemplo,
uma redução da tributação expande a demanda agregada, reduz o desemprego,
mas eleva a taxa de inflação. V
• Exatamente como vimos.
(2) Segundo Friedman, curva de Phillips de longo prazo é uma reta vertical. V
• Friedman (juntamente com Edmund Phelps) foi o primeiro a incorporar
expectativas na curva de Phillips; nesse caso, adaptativas.
• Conforme vimos, no caso da curva de Phillips com expectativas adaptativas
(versão aceleracionista, ou Friedman-Phelps), teremos uma curva
negativamente inclinada no curto prazo e vertical no longo prazo.
(3) A redução da inflação esperada não tem impacto algum sobre a relação de
curto prazo entre inflação e desemprego. F
• Conforme vimos, a redução da inflação esperada reduz a taxa de inflação
efetiva
(4) A curva de Phillips indica que a opção de inflação baixa é preferível à de
inflação alta devido à hipótese de neutralidade da moeda no curto prazo. F
• A curva de Phillips nos mostra que, dada a neutralidade da moeda no longo
prazo, uma inflação menor é preferível a uma inflação maior.
ANPEC – 2002 – Questão 8
Sobre o mercado de trabalho e a Curva de Phillips, pode-se afirmar que:
(0) O aumento da taxa de rotatividade no emprego tende a elevar a taxa
natural de desemprego. V
• A maior rotatividade aumenta o desemprego “friccional”, aumentando a
taxa natural de desemprego.
(1) A adoção de políticas de seguro-desemprego tende a reduzir a taxa
natural de desemprego. F
• Como vimos, um aumento do seguro-desemprego reduz o custo de
oportunidade do trabalhador ficar desempregado, aumentando assim o
tempo médio que o trabalhador fica desempregado. Com isso, temos um
aumento da taxa natural de desemprego.
(2) A formulação da curva de Phillips que incorpora as expectativas em relação à
inflação é incompatível com a ocorrência de períodos de estagflação. F
• Conforme vimos, no caso de um choque adverso de oferta, teremos um aumento
da taxa de desemprego juntamente com uma taxa de inflação maior
(“estagflação”).
(3) A existência de uma taxa natural de desemprego implica que a curva de
Phillips de longo prazo é horizontal. F : vertical !
(4) Como a hipótese de expectativas racionais não implica previsão perfeita, ela
é compatível com a ocorrência de desvios da taxa de desemprego em relação a
seu valor natural. V
• Como veremos a seguir, a frase é perfeita e esclarece uma grande confusão sobre
“expectativas racionais”; muitas vezes existe a “imaginação” de que, caso as
expectativas sejam formadas racionalmente não existirá a possibilidade de erros
de previsão e, consequentemente, a possibilidade de flutuações cíclicas.
PROVA DE 2002 - QUESTÃO 15
A curva de Phillips da economia é t - t-1 = 0,15 – 2,5ut. Em t-1 ,a taxa de
desemprego iguala a taxa natural e a inflação é nula. No início do período t, o
governo baixa a taxa de desemprego para 5% (ut = 0,05) e a mantém neste
patamar daí em diante. Determine a taxa de inflação em t+1. (Escreva a
resposta em percentual, isto é, multiplique o resultado por 100.)
• Primeiramente devemos calcular a taxa natural de desemprego.
un  πt πt1  0  0,15 2,5un  un  0,06  πt πt1 2,5ut  0,06
• Observe que, caso a taxa de desemprego seja mantida em 5%, 1 ponto
percentual abaixo da taxa natural, a taxa de inflação aumentará em 2,5 p.p..
• Logo, se em t-1 a taxa de inflação é nula, em t+1 ela será igual a 5%.
 CphLP
Curva de Phillips de longo prazo:
associada a taxa natural de desemprego.

πt 1  5%

π t  2 , 5%

 t 1  0 u
5 % 6%

  0 2  t 1  2 ,5%
e
cph 1  e cph π
t
PROVA DE 2003 - Questão 8
Avalie as proposições:
(4) Na Teoria Geral, de Keynes, os salários reais têm comportamento
anticíclico. V
• De acordo com Keynes, o salario real possui comportamento anticíclico. Ou
seja, durante uma expansão econômica, os preços subiriam com o aumento
da demanda agregada, reduzindo os salários reais, dada a rigidez dos
salários nominais.
Prova de 2003 – Questão 9
Avalie as proposições que se seguem, relativas ao comportamento da oferta
agregada:
(1) Segundo a abordagem de Friedman, curva de Phillips passa a explicar a
aceleração da taxa de inflação (e não simplesmente a taxa de inflação). V
 Conforme vimos : πt  πt1 α ut  un 
(2) Quanto mais horizontal for a curva de Phillips, menor será o sacrifício
decorrente do processo de estabilização. F
• Quanto mais vertical a curva de Phillips menor a razão de sacrifício.
(4) Quando os preços esperados forem idênticos aos preços realizados, a curva
de oferta será horizontal. F
 Como Yt  Yn    Pt  Pt e   Se Pt  Pt e  Yt  Yn  ut  u n .
Prova de 2009 – Questão 12
Suponha uma economia caracterizada pela seguinte Curva de Phillips:
   e  0, 5 Y  Yn 
Em que Y é o produto e Yn é o nível natural de produto (produto potencial).
Além disso, π é a taxa de inflação, πe é a taxa de inflação esperada, sendo
ambas expressas em percentuais ao ano (ou seja, se a inflação é 1% a.a, então
π = 1). Os agentes devem formar expectativas de inflação antes de observá-la.
Há dois cenários possíveis: inflação alta (i.e., π = 10) e inflação baixa
(i.e., π = 2). O público atribui 25% de chance ao cenário de inflação alta e 75%
de chance ao cenário de inflação baixa. Supondo Yn = 50, calcule o produto
caso o cenário de inflação alta ocorra.
   e  0,5 Y  Yn 

  te  0,25   Alta  0,75   Baixa   te  0,25 10%  0,75  2%   te  4%


• O produto natural é igual a 50. Queremos calcular o produto efetivo quando
ocorre o cenário de inflação alta, isto é,  = 10%.

• Logo, como    e  0, 5 Y  Yn  :

10  4  0,5 Y  50   0,5Y  25  10  4  Y  62

• Observe que o produto é maior que o seu nível potencial, pois a inflação é
maior que a inflação esperada.
 CphLP
Cph1  te  4% 

 t  10%

 t  4%

Y n  50 Y  62 Y
PROVA DE 2004 - Questão 11
• Considere uma economia descrita pelas equações de comportamento.
 ut  ut 1  0 , 2  g yt  0 ,02   Lei de Okun 
 Curva de Phillips 
  t   t 1    ut  0, 05 
 g yt  g mt   t  Demanda Agregada 
São corretas as afirmativas:
(0) A taxa de desemprego natural é igual a 5%. V
 Se  t   t 1  0  0    un  0, 05   un  5%
(1) Caso a taxa de desemprego vigente seja igual à natural, uma taxa de
crescimento do produto igual a 4% manterá constante a taxa de desemprego. F
• Se u = un teremos a economia funcionando no pleno emprego, com
u = un = 5% e gy = 2%.
(2) Caso a taxa de desemprego vigente seja menor que a natural, a taxa de
inflação vigente será maior que aquela que seria observada caso a taxa de
desemprego vigente fosse igual à taxa natural. V
 Se ut  un   t   t 1   0.
(3) Caso a taxa de desemprego vigente seja igual à natural e a taxa de inflação
vigente seja igual a 5%, uma taxa de crescimento monetário de 9% manterá
constante a taxa de desemprego. F
 Se ut  un   t   t 1   0   t  5%.
 Se ut  ut 1  0  0  0 , 2  g yt  0, 02   g yt  2%
 g yt  g mt   t  g mt  g yt   t  g mt  0 , 02  0 , 05  g mt  7%
(4) Caso a taxa de desemprego vigente seja maior que a natural, a taxa de
inflação vigente será menor que aquela que seria observada caso a taxa de
desemprego vigente fosse igual à taxa natural. V
 Se ut  un   t   t 1   0.
Expectativas, Credibilidade e Rigidez de Preços (ou salários)
 Vamos examinar como as mudanças na formação de expectativas
podem afetar o processo de desinflação.
 Veremos que, se as expectativas forem formadas racionalmente,
caso a política de desinflação seja crível e exista prefeita
flexibilidade de preços e salários, o custo da desinflação pode ser
igual a zero.
 Mesmo com expectativas formadas racionalmente, caso exista
algum tipo de rigidez, mesmo uma política crível de desinflação
elevará a taxa de desemprego.
Expectativas Racionais: A Ideia.
 Vimos anteriormente alguns resultados quando os agentes
econômicos formam expectativas de forma adaptativa
(comportamento backward-looking).

 Caso as expectativas sejam formadas racionalmente (comportamento


forward-looking), teremos:

 te  Et 1  | I t 
 Onde  t é a expectativa ótima de inflação no momento t-1, dadas
e

todas as informações disponíveis (It).


Expectativas e Credibilidade: A Crítica de Lucas.
 A crítica de Lucas afirma que não é realista supor que os fixadores de
preços não considerariam mudanças na política ao formarem suas
expectativas.
 Se fosse possível convencer os fixadores de preços de que a inflação
seria menor do que a do ano anterior, eles baixariam suas
expectativas de inflação, o que por sua vez diminuiria a inflação atual,
sem necessidade de uma mudança na taxa de desemprego.
Thomas Sargent, que trabalhava com Robert Lucas, argumentou que, para
alcançar a desinflação, o aumento no desemprego poderia ser pequeno.
Segundo ele, o ingrediente essencial da desinflação bem-sucedida é a
credibilidade da política monetária : i) a convicção de que o Banco Central
de fato está comprometido com a redução da inflação e ii) a inflação
objetivada é plausível.
Expectativas e Credibilidade: A Crítica de Lucas.
 Expectativas Racionais e Desinflação

  
Tomar a equação  t   te   ut  u n   que, como vimos, no caso
das expectativas serem formadas adaptativamente, equivale
 
a t t 1   ut  u   , é como supor que os fixadores de preços
n

e salários continuariam a esperar que a inflação futura fosse mesma


do passado e que não se alteraria em resposta a uma mudança na
política econômica.
Expectativas e Credibilidade: A Crítica de Lucas.

 Robert Lucas: Por que os fixadores de preços e salários não


deveriam levar em consideração as mudanças na política
econômica ?

 Sendo crível a promessa do Bacen de desinflacionar isso deveria


reduzir a expectativa de inflação, reduzindo assim a inflação, sem
a necessidade de um desemprego muito elevado ou prolongado.
Expectativas e Credibilidade: A Crítica de Lucas.
 A Lógica do Argumento:

 Se  t      ut  u   
t
e n
e  te   t 1 , para reduzir a inflação devemos

ter u  u n . 
 Suponha agora que t     ut  u   
t
M n
, onde  M é a meta de inflação
anunciada pelo Bacen, o que equivale a dizer que  te   tM . (Caso em que
o Bacen possui credibilidade completa).
 Desta forma, o anúncio de uma meta de inflação menor por parte do
Bacen reduziria a expectativa de inflação e a própria inflação, sem que
a taxa de desemprego se desviasse do seu nível natural.
Expectativas e Credibilidade: A Crítica de Lucas.
 Mais Credibilidade X Menos Credibilidade
 Suponha que  te    tM  1     t 1  :

 Se   1   te   tM  credibilidade completa

 Se   0   te   t 1  ausência de credibilidade

 Desinflação Rápida ou Lenta ?


 Seria mais provável um menor custo no primeiro caso, pela maior
dificuldade de mudanças e desistências ao longo do caminho.
Um Exemplo
 Suponha que o Banco Central, sob um regime de metas para a inflação,
deseje reduzir a taxa de inflação de 4% a.a. para 2% a.a..
 Suponha ainda que o melhor palpite para a taxa de inflação seja a meta
de inflação fixada pelo Bacen.
  t 1  t  
e M
 Nesse caso, t E | I t . Logo, a curva de Phillips é dada
por  t   t    u t  u  .
M n

 n 
____________
 t 1   t 1    ut 1  u    t 1   t 1    ut 1  u 
M n M

 
 Desta forma, o anúncio de uma meta crível de inflação menor por parte
do Bacen reduziria a expectativa de inflação e a própria inflação, sem
que a taxa de desemprego se desviasse do seu nível natural. Logo, uma
meta de 2% poderia levar a inflação para 2% com u = un.
Um Exemplo

Logo, uma política crível de combate à
inflação pode fazer com que a inflação
caia sem que a taxa de desemprego
aumente, desde que as expectativas
sejam formadas racionalmente (forward
 t  4% looking) e que P e w sejam flexíveis.

 t 1  2%

n
u
u
cpht  te   t  4% 
cpht 1  te1   t 1  2% 
Um Resumo do que Vimos:
Monetaristas Novos-Clássicos
Expectativas Adaptativas Expectativas Racionais
OALP Política Antecipada (P e w Flexíveis)
P OA1CP P OA1CP
P2 OA0C P OA0C P
P1
P1
P0 P0
DA1 DA1
DA0 DA0

YP Y1 Y YP Y

C .P . : Y  Y n e P  P e . C .P . : Y  Y n e P  P e .
L .P . : Y  Y n e P  P e . L.P . : Y  Y n e P  P e .
Resumindo
 Se as expectativas forem formadas adaptativamente, a política
econômica terá efeitos reais no curto prazo, mas no longo prazo
afetará somente as variáveis nominais (neutralidade da moeda no
longo prazo).

 Se as expectativas forem formadas racionalmente (caso P e w


sejam flexíveis), uma política econômica, quando antecipada
pelos agentes econômicos, será neutra mesmo no curto prazo.
O Problema da Inconsistência Dinâmica
 Suponha que a Autoridade Monetária (Bacen) anuncie a adoção de
uma política monetária consistente com uma inflação de 2% e que
os agentes econômicos acreditem que a inflação será 2%.
 Imagine que, após as expectativas serem formadas, o Bacen decida
explorar o trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego
(produto), fazendo uma política monetária incompatível com uma
taxa de inflação igual a 2%.
 Por exemplo, uma redução da taxa básica de juros que “aqueça” a
economia, mas eleve a taxa de inflação para 6%.
O Problema da Inconsistência Dinâmica
 Nesse caso, o Bacen estará se desviando da política definida para
alcançar, no curto prazo, uma taxa de desemprego abaixo da taxa
natural (produto acima do potencial).
 Esse incentivo para se desviar da política anunciada, depois que o
outro jogador (neste caso, os agentes econômicos - fixadores de
preços e salários) fez sua jogada, é conhecido como inconsistência
temporal (ou dinâmica) da política monetária.

 Mas qual o problema da Autoridade Monetária se comportar de


forma inconsistente dinamicamente ?
O Problema da Inconsistência Dinâmica
 Os fixadores de salários percebem esse comportamento do Bacen
(incorporam esse comportamento às suas expectativas) e começam
a esperar uma inflação de 6% para os próximos períodos.
 A economia acaba com a mesma taxa natural de desemprego, mas
com uma inflação mais alta.
 Dito de outro modo, a política inconsistente do Bacen gera um viés
inflacionário.
 Note que, ao assumir o compromisso de não se comportar dessa
forma, o Bacen pode obter um resultado melhor no longo prazo:
inflação menor com a taxa de desemprego igual à natural (produto
igual ao potencial).
O Problema da Inconsistência Dinâmica
 Logo, temos uma lição fundamental:
 Uma “política de regras” a ser perseguida pela Autoridade
monetária tende a ser superior a uma “política discricionária”,
pelo fato de evitar o viés inflacionário.
O Problema da Inconsistência Dinâmica

 CphLP

 t  6% Viés Inflacionário

 t  2%

un u
cph   6 % 
t
e

cph  te  2 % 
O Problema da Inconsistência Dinâmica
 Conquistando a Credibilidade
 Formas de lidar com o problema de inconsistência temporal, sem
privar completamente o Bacen de seu poder de formulação de
política econômica, incluem:
 Tornar o banco central independente. Dessa forma, o banco
central pode resistir comais vigor à pressão política para
diminuir o desemprego.
 Escolher um presidente conservador para o Bacen, que seja
muito avesso à inflação.
Regra de Taylor (Regra de Política Monetária)
 Regra para a condução da política monetária que leva em
consideração os desvios da inflação em relação à meta e os desvios
da taxa de desemprego em relação ao seu nível natural (ou desvios do
produto em relação ao seu nível potencial).
Inflação Ótima (Meta de Inflação)

 

it  i  a  t    but  un   
ou it  i   a  t      Yt  Yn 

 Se  t   e u t  u n , então, o Banco Central deve fixar it em um


valor igual à taxa natural (taxa neutra) de juros, i* (taxa de juros


compatível com a inflação ótima).
Regra de Taylor (Regra de Política Monetária)
 
it  i   a  t     but  un 
 Quanto maior o valor de a, mais o Banco Central aumentará a taxa de
juros em resposta à inflação (Presidente da Autoridade Monetária mais
avesso à inflação).
 Quanto maior o valor de b, maior é a disposição do Banco Central de
se desviar da meta de inflação para tentar manter o desemprego
próximo de sua taxa natural.
 Em suma, esses coeficientes refletem o grau de preocupação do
Banco Central com o desemprego em relação à inflação.
Regra de Taylor (Regra de Política Monetária)
 Em que medida a taxa de juros nominal estabelecida pelo Banco
Central deve reagir a variações na inflação ?
 Lembre-se que a taxa nominal de juros é dada pela taxa real de juros
mais a taxa de inflação. Portanto:
 
it  i  a  t     but  un 
it  r  π   aπt  π  but un 
 O Princípio de Taylor: um aumento de 1 p.p. na inflação induz um
crescimento de (1 + a) p.p. na taxa nominal de juros.
it Logo, o Princípio de Taylor estabelece que o Banco Central deve reagir
 1 a a um crescimento na inflação aumentando mais do que
πt proporcionalmente a taxa de juros nominal (promovendo, assim, um
aumento da taxa real de juros).
Observação Final
 Mesmo com expectativas racionais, pode haver impacto sobre o
produto no caso de uma variação na demanda agregada; basta que os
preços se ajustem lentamente.
 Os modelos Novos Keynesianos incorporam as expectativas racionais
e a microfundamentação dos modelos macroeconômicos, mas
observam que a economia demora mais para retornar para o equilíbrio
por causa da rigidez de preços e salários.
 Dito de outro modo, a rigidez de preços e salários faz com que a
política monetária não seja neutra no curto prazo.
 OBS. Existem várias formas de formalizar de maneira organizada e
microfundamentada a rigidez (Qual a lógica otimizadora para fixar um
preço?:
 Falhas de Coordenação, Custos de Menu, Salários de Eficiência, Modelo
Insider-Outsider, Reajustes Descompassados.

Você também pode gostar