Análise do Mercado de Trabalho e Desemprego
Análise do Mercado de Trabalho e Desemprego
Disciplina: Macroeconomia I
Curso: Economia
Parte II
Prof.: Antonio Carlos Assumpção
Doutor em Economia – UFF
Site: acjassumpcao.com
Introdução
• Obtivemos alguns resultados da política econômica desconsiderando
o possível efeito das políticas monetária e fiscal sobre a taxa de
inflação.
• No modelo IS-LM estávamos considerando os preços rígidos, em
função da existência de capacidade ociosa.
• Agora, devemos pensar como as políticas monetária e fiscal afetam a
demanda por trabalho, os salários e a taxa de inflação. Também,
como a taxa de inflação afeta o nível de atividade econômica.
• Como veremos, podemos descrever a dinâmica dos preços utilizando
uma curva de oferta agregada ou uma curva de Phillips, ambas
derivadas a partir do comportamento do mercado de trabalho.
O Mercado de Trabalho
• O IBGE realiza a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) para obter informações
referentes ao comportamento do mercado de trabalho.
• Principais Indicadores
• População em Idade Ativa (PIA)
• População com 10 anos ou mais.
• População Economicamente Ativa (PEA)
• População em Idade Ativa integrada ao mercado de trabalho.
• Para ser considerado membro da PEA o indivíduo tem de ter ficado
empregado ou tem de ter procurado emprego nos trinta dias anteriores a
pesquisa mensal de emprego (PME), realizada pelo IBGE.
• A diferença entre a PIA e a PEA é a população ativa não integrada ao mercado de
trabalho, ou PNEA (população não economicamente ativa): incapacitados,
aposentados e pensionistas, estudantes, detentos, trabalhadores dedicados aos
afazeres domésticos e os inativos (os que não buscam nem desejam trabalhar).
O Mercado de Trabalho
População Total
100.000
• Logo, temos:
• a população ocupada = 400
• a taxa de participação (TP) = 600/800 = 0,75 (75%)
• a taxa de desocupação (u) = 200/600 = 0,33 (33,3%)
• a taxa de Inatividade (TI) = 200/800 = 0,25 (25%)
Tipos de Desemprego
• Suponha que 100 estudantes com mais de 10 anos passem procurar
emprego. Logo, agora eles também pertencem a PEA. Supondo ainda que
nenhum deles encontre emprego, temos:
• PIA = 800
• PEA = 700
• Taxa de Participação (TP) = 700/800 = 0,875 (87,5%)
• Número de Desocupados = 300
• Taxa de Desemprego (u) = 300/700 = 0,429 (42,9%)
• Observações
• Quanto maior a sazonalidade maior a taxa de rotatividade.
• Setores com a presença de grande quantidade de mão de obra qualificada
tendem a possuir baixa rotatividade.
Taxa de Rotatividade
• Logo, podemos escrever uma expressão para a taxa de rotatividade:
min A t , D t
tR 100
Et
P P P Objetivado
Logo
w w w
Se P P
e
P P P Objetivado
Observe que se o nível de preços observado for igual ao nível de preços
esperado o salário real será igual ao salário real objetivado, implicando em
equilíbrio no mercado de trabalho.
Logo : Equilíbrio no Mercado de Trabalho P P e
Fixação de Preços
Tendo visto a fixação de salários, dado o nível de preços esperado,
examinaremos agora a determinação dos preços, dados os salários.
2
DY
PMgN2 DY PMgN A 1
1 DN
DN
1 2 N
P 1 w
Mark-up
P
1 w
P
1 0, 5 $100
P $75
2 2
Assim, de uma forma geral, podemos escrever:
P
1 w
. Caso A 1 P 1 w
A
Taxa Natural de Desemprego
Como vimos, tanto a fixação de salários como a fixação de preços determinam
o salário real de equilíbrio, consequentemente, a taxa de desemprego
de equilíbrio, que chamaremos de taxa natural.
Determinação dos Salários Relação de Fixação de Preços
w P e F u , Z P 1 w
Em equilíbrio
PP e
1
F u , Z
1
O Mercado de Trabalho Graficamente
w Fixação de Preços
P
Quanto maior o mark-up, maior o nível
de preços e menor o salário real
1
1 PS
WS
un u
Fixação de salários
Taxa Natural de Desemprego
Quanto maior o desemprego, menor o salário real
A Taxa Natural de Desemprego
Taxa Estrutural (Natural) de Desemprego NAIRU
1980-82 1990-92 2000 2001
18
16
14 A Elevada Taxa de Desemprego
12 Natural nos Países Europeus
10
(%)
8
6
4
2
0
on
y
es
ea
ly
m
n
k
ce
D
n
an
nd
ar
ai
pa
Ita
EC
do
iu
at
ni
an
ar
Sp
m
lg
rla
Ja
U
St
ng
lO
Fr
en
ro
Be
er
he
an
Ki
Eu
G
D
ta
te
et
pe
d
To
ni
N
te
ro
U
ni
Eu
U
1
1 PS
WS
u un un u un u
w P DA Y u w P DA Y u
Convergência Para a Taxa Natural
Explicando Melhor:
1) Uma taxa de desemprego maior que a taxa natural (produto maior que o
potencial) pressiona os salários nominais para cima, segundo nossa regra
de negociação salarial.
2) Um aumento do salário nominal, dado o mark-up e a PMgN, eleva o nível
de preços, segundo nossa regra de mark-up.
3) A elevação do nível de preços reduz a demanda por bens e serviços,
segundo nossa curva de demanda agregada, negativamente inclinada.
4) A redução da demanda agregada faz com que as firmas ajustem sua
produção (redução da produção).
5) A redução da produção aumenta a taxa de desemprego, segundo a lei de
Okun, que veremos a seguir.
6) Esse mecanismo prossegue até que a taxa de desemprego seja igual à taxa
de desemprego natural.
Modificações na Taxa Natural de Desemprego
a) Aumento do Seguro Desemprego
w
P
1
1 PS
WS’
WS
un u'n u
1 PS
1
WS
u '
un u
n
Yn 1
Nível Natural de Produto F 1 , Z
L 1
Observação Importante
Deduzimos un , Nn e Yn sob duas hipóteses:
Equilíbrio no mercado de trabalho
P Pe
Entretanto, no curto prazo, não podemos garantir que o nível de preços
seja igual ao nível de preços esperado, utilizado para a fixação dos
salários nominais. Logo, não podemos garantir que a taxa de
desemprego seja igual à taxa natural. Contudo, é pouco provável que as
expectativas sobre o nível de preços estejam sistematicamente erradas
(sempre muito altas ou muito baixas). Logo, devemos esperar que, no
longo prazo, a taxa de desemprego seja igual à taxa natural e que o
produto seja igual ao seu nível potencial.
Agregando Todos os Mercados
A Oferta Agregada
A relação de oferta agregada capta os efeitos do produto sobre o nível de
preços. Ela é deduzida do mercado de trabalho
w P e F u, Z (I)
Equilíbrio no Mercado de Trabalho
P 1 w ( II )
Substituindo ( I ) em ( II ), temos:
P P e 1 F u , Z Y AS
P P 1 F 1 , Z
e
L
N Y
u 1 1
L L
Agregando Todos os Mercados
Y
P P 1 F 1 , Z
e
L
Principais características da curva de oferta agregada
1) Um nível de preços esperado mais alto eleva o nível de preços corrente
Se P e w as firmas fixam preços mais elevados
2) Um aumento do produto leva ao aumento do nível de preços. Esse
efeito resulta de 4 relações básicas:
O aumento do produto conduz ao aumento do emprego.
O aumento do emprego reduz a taxa de desemprego.
A diminuição do desemprego eleva os salários nominais.
O aumento dos salários nominais acarreta um aumento de custos
que, por sua vez, leva as firmas a aumentarem seus preços.
A Curva de Oferta Agregada
e
AS ( P )
P 1
AS ( P0e )
P1 P1e
P0 P0e
Yn Y
Y Yn Y Yn
u un u un
P Pe P Pe
O Ajustamento dos Preços
• Agora, vamos entender os efeitos das políticas monetária e fiscal sobre o
produto e o nível de preços, considerando duas hipóteses:
• A existência de uma taxa natural de desemprego;
• Expectativas sobre o nível de preços formada adaptativamente.
Expectativas Adaptativas Estáticas Pt e Pt 1
AD1
AD0
Yn Y’ Y1
Y
Os Efeitos da Expansão Fiscal
O aumento do déficit público (aumento em G ou redução em T) eleva a
demanda por bens e serviços, deslocando a curva IS e a curva AD
para a direita. Se os preços se mantiverem estáveis, a economia
atinge o produto Y1.
Como alguns preços sobem após o aumento da demanda agregada, a
quantidade real de moeda se reduz, de forma que o equilíbrio de curto
prazo acontece com P`, i’ e Y’.
Com o passar do tempo os salários começam a subir (Y > Yn u < un),
pressionando os preços e reduzindo a quantidade real de moeda, até
que o produto retorne ao seu nível natural.
Algumas Conclusões
YP Y 1 Y
Curto Prazo Y Y n e P P e .
Longo Prazo Y Y n e P P e .
Choques Adversos de Oferta
Um choque adverso de oferta deve ser entendido como um aumento exógeno
no preço de um insumo utilizado em larga escala (aumento de custos).
P re ço do Pe tróle o Re fina do (Índice - 1967-1 = 100)
(Dados M e ns ais - 1967-1 - 2001-4)
900
850
800
750
700
650
600
550
500
450
400
350
300
250
200
150
100
50
0
1967 1969 1971 1973 1975 1977 1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
Variações no Preço do Petróleo (EUA)
Os Choque s do Pe tróle o
PIB Real (% ) Des emp(% ) CPI
16
15 Primeiro Segundo
14 Choque Choque
13
12
11
10
9
8
(%)
7
6
5
4
3
2
1
0
-1
-2
-3
1981
1991
1967
1969
1971
1973
1975
1977
1979
1983
1985
1987
1989
1993
1997
1995
1999
A Dinâmica do Ajuste
w
P
1 A
PS
1
1 A1
PS1
1 1
WS
un u 1 u
n
Yt 1
Pt Pt (1 ) F 1 , z ou Pt Pt Yt Yn
e e
Lt
AD0
Y2n Y1 Y0n Y
A Dinâmica do Ajuste
O aumento do preço do petróleo gera, no curto prazo, o aumento do
nível de preços e a queda do produto (efeito direto sobre o índice de
preços do aumento no preço do petróleo).
A curva de Phillips, baseada nos dados acima, mostra uma relação negativa
entre inflação e desemprego.
Inflação, Inflação Esperada e Desemprego
Y
A curva de oferta agregada é dada por: P P 1 F 1 ,Z
e
AS
L
Y Y
Como F 1 , Z e 1 u , temos: P P e ( 1 μ )F( u,z )
L L
Pt Pt e
1 1 u t Z
Pt 1 Pt 1
Pt Pt 1 Pt P e
P P e
Como t 1 t e te t t 1
t 1 te
Pt 1 Pt 1 Pt 1 Pt 1
1 t
Logo, 1 t 1 1 1 ut Z
e
1 ut Z
t
1 t 1
e
Inflação, Inflação Esperada e Desemprego
Como
1 t 1 e 1 e 1 u Z
1 t 1
e t t t t t
Finalmente, temos:
πt π et μ z αut Curva de Phillips
Inflação, Inflação Esperada e Desemprego
Note que, novamente, para nos referirmos a inflação, inflação esperada ou
desemprego em um ano específico, precisamos incluir um indicador de
tempo, como se segue:
πt π et μ z αut
5% 8% u
CPh
Mutações
A relação negativa estável entre a taxa de desemprego e inflação perdurou ao
longo da década de 1960, mas desapareceu depois desse período, por duas
razões:
Um aumento no preço do petróleo.
Note que choques adversos de oferta reduzem o produto (aumentam a
taxa de desemprego) com a inflação subindo “estagflação”.
Uma mudança na forma como os fixadores de salário formavam suas
expectativas, devido a uma mudança no comportamento da taxa de
inflação.
A taxa de inflação tornou-se consistentemente positiva.
A inflação tornou-se mais persistente.
Mutações
Inflação versus desemprego nos
Estados Unidos, 1948-1969
O declínio contínuo do
desemprego nos Estados Unidos
durante a década de 1960 esteve
associado a um aumento também
contínuo da inflação.
Mutações
Inflação versus desemprego nos
Estados Unidos, 1970-2000
t60 u
n
u
cph 70 70e
t70
cph 60 te t60
Formação de Expectativas
Se as expectativas são formadas adaptativamente, temos:
πt θπt1 μ z αut
Na equação acima, quando q é igual a zero, a relação entre inflação e taxa de
desemprego é :
πt μ z αut
Quando q é positivo, a taxa de inflação depende tanto da taxa de
desemprego como da taxa de inflação do ano anterior:
πt θπt1 μ z αut
Quando q é igual a 1, a relação de Phillips torna-se:
πt πt1 μ z αut
Formação de Expectativas
πt πt 1 μ z αut
Curva de Phillips com expectativas adaptativas:
Versão aceleracionista da curva de Phillips ou versão de Friedman-Phelps.
te 1 t 1 te1
Logo, a expectativa de inflação é uma média ponderada entre a expectativa
de inflação e a inflação efetiva do período anterior.
Se 0 te t 1 Expectativ as Estáticas
Observações Sobre Expectativas Adaptativas
Problemas com expectativas adaptativas
Falta de racionalidade: os agentes econômicos só utilizam informações
passadas tentando prever o comportamento futuro da variável.
Se a inflação for crescente os agentes econômicos sempre a subestimarão
(cometerão erros de forma sistemática).
Formação de Expectativas
A curva original de Phillips é dada por:
πt μ z αut
πt πt1 μ z αut
Uma taxa de desemprego muito “baixa” fará com que a taxa de inflação
aumente continuamente: πt πt1 , πt 1 πt ,...
Mas o que é uma baixa taxa de desemprego, de forma a aumentar
continuamente a taxa de inflação ?
Taxa Natural de Desemprego
Friedman e Phelps questionaram a existência da alternância entre
desemprego e inflação. Eles argumentaram que a taxa de desemprego não
poderia ser mantida abaixo de um determinado nível que chamaram de "nível
natural de desemprego". O nível natural de desemprego é a taxa de
desemprego em que a taxa inflação corrente é igual à taxa de inflação
esperada. Dito de outro modo, a taxa natural de desemprego corresponde a
taxa de desemprego não-aceleradora da inflação.
Logo un t t 1 0
z
0 ( μ z ) αun então, un
Observe, como vimos anteriormente, que a taxa natural de desemprego pode
ser diferente, dependendo de fatores como e z.
Taxa Natural de Desemprego
μz
Como un αun μ z
α
Se π t π te μ z αut π t π te αu n αut
π t π t 1 α ut u n
Taxa Natural de Desemprego
πt πt1 α ut un Versão Aceleracionista da Curva de Phillips
t te 3 ut 6% t t 1 3 ut 6%
Um Exemplo Numérico da Curva de Phillips
b) Suponha que o governo deseje reduzir a taxa de desemprego para 5% e
mantê-la nesse patamar. Quais seriam as taxas de inflação nos próximos
3 períodos ?
te t 1 0
t te 0,18 3ut
t t 0 0,18 30,05
t 0,03 3%
t 1 6%
t 3%
t 1 0 u
5 % 6%
cph3 te 2 6 %
cph 1 te 0 cph2 πte1 3%
Observações Importantes:
Como as expectativas são adaptativas, caso o Bacen realize uma política
monetária expansionista, após as expectativas serem formadas, teremos
a taxa de inflação maior que a expectativa de inflação (produto maior que
o potencial e taxa de desemprego menor que a natural).
No período seguinte, a expectativa de inflação se ajusta à inflação, na
ausência de novos choques monetários, com o produto voltando ao seu
nível potencial e a taxa de desemprego convergindo para a taxa natural.
Entretanto, com uma taxa de inflação maior.
Caso o Bacen deseje manter a taxa de desemprego sistematicamente
abaixo da natural ele deverá promover choques monetários de maneira
sequencial. Nesse caso, a inflação subirá permanentemente.
Por conta desse último resultado, a curva de Phillips com expectativas
adaptativas também é conhecida como “versão aceleracionista”.
Custo de Combate à inflação com Expectativas adaptativas
Assuma que a curva de Phillips seja dada por : t t 1 ut 6%
Suponha que a taxa de inflação seja igual a 10% a.a. e o Banco Central
deseje reduzi-la para 5% de uma única vez (em um período, por
exemplo, um ano).
Como as expectativas são formadas adaptativamente, a expectativa de
inflação para t+1 é igual a 10% e, mesmo que o Banco Central anuncie
uma política de desinflação, esta não afeta as expectativas.
Com isso, para reduzir a taxa de inflação de 10% a.a. para 5% a.a.,
quando a expectativa de inflação é igual a 10%, se faz necessário um
aumento da taxa de desemprego.
Custo de Combate à Inflação com Expectativas Adaptativas
CphLP
A política monetária contracionista
eleva a taxa de desemprego. Com a taxa
de desemprego mais alta a inflação se
reduz. A queda da inflação reduz a
t 10% expectativa de inflação.
t 1 5%
6% 11% u
cph1 te 10%
cph2 te1 5%
Inflação e Indexação
A indexação dos salários passa a prevalecer quando a inflação está alta.
Seja a proporção dos salários (contratos) indexados à inflação corrente
e (1-) a proporção dos salários que não é indexada à inflação corrente
(depende da inflação passada).
Logo, se πt πte α ut u n , temos :
t t 1 ut u
t
e n
Quando = 0, todos os salários são definidos com base na inflação esperada
(inflação do período anterior). Logo:
t t 1 ut u n
Inflação e Indexação
Se > 0, temos:
α
Logo , π t π t 1 αu n αu t π t π t 1 α u t u n
Aumento da Aumento do
Oferta Monetária DA Produto
Lei de Okun
ut ut1 β g yt g y
Taxa “normal” de crescimento
π t π t 1 α u t u n
Pela Lei de Okun : 0, 05 0, 4 g yt 1 0, 03 g yt 1 9, 5%
t 1 5%
6% 11% u
cph1 te 10%
cph2 te1 5%
Resumindo: uma contração monetária de 4,5% em faz com que a taxa de crescimento da
economia em t+1 seja igual -9,5%, elevando assim a taxa de desemprego para 11% e, com isso,
reduzindo a taxa de inflação em 5p.p. (de 10% a.a. para 5% a.a.).
Exemplo
5%
g m 8%
g y 3% u u n 6%
O Médio Prazo __
Considere uma taxa constante de expansão monetária, g m .
No médio prazo temos que ut 1 ut un , implicando que o produto cresce
à sua taxa natural : g yt g y .
__ __ __ __
Logo, g y gm gm g y .
Assim, no médio prazo, a taxa de inflação é igual a expansão monetária
ajustada (pelo crescimento do produto).
Observe que o argumento desenvolvido acima é bastante simples:
No caso de um aumento da oferta monetária nominal de 10%, caso o
produto ajuste-se aumentando 3%, a taxa de inflação será igual a 7%.
O Médio Prazo
u un
__ __ __ __
A
gm g y gm g y
Redução do Crescimento
da Oferta Monetária
__ __ __ __
B
g m' g y ' gm g y
'
un u
Inflação e desemprego no médio prazo
No médio prazo, o desemprego é igual à taxa natural e a inflação é igual
à expansão monetária nominal ajustada.
Desinflação: Quanto Desemprego? Por Quanto Tempo?
Com expectativas adaptativas o custo do combate à inflação é dado por um
aumento temporário na taxa de desemprego. Então, devemos nos perguntar:
quanto desemprego ? Por quanto tempo ?
Um ano-ponto de excesso de desemprego é a diferença entre as taxas de
desemprego atual e natural de um ponto percentual por ano.
Suponha que a curva de Phillips seja dada por:
π t π t 1 α ut un Suponha = 1
ut u n 1
Logo , RS
t t 1
Inflação pelo IPC 13,3 12,5 8,9 3,8 3,8 3,9 3,8
πt 1 5%
π t 2 , 5%
t 1 0 u
5 % 6%
0 2 t 1 2 ,5%
e
cph 1 e cph π
t
PROVA DE 2003 - Questão 8
Avalie as proposições:
(4) Na Teoria Geral, de Keynes, os salários reais têm comportamento
anticíclico. V
• De acordo com Keynes, o salario real possui comportamento anticíclico. Ou
seja, durante uma expansão econômica, os preços subiriam com o aumento
da demanda agregada, reduzindo os salários reais, dada a rigidez dos
salários nominais.
Prova de 2003 – Questão 9
Avalie as proposições que se seguem, relativas ao comportamento da oferta
agregada:
(1) Segundo a abordagem de Friedman, curva de Phillips passa a explicar a
aceleração da taxa de inflação (e não simplesmente a taxa de inflação). V
Conforme vimos : πt πt1 α ut un
(2) Quanto mais horizontal for a curva de Phillips, menor será o sacrifício
decorrente do processo de estabilização. F
• Quanto mais vertical a curva de Phillips menor a razão de sacrifício.
(4) Quando os preços esperados forem idênticos aos preços realizados, a curva
de oferta será horizontal. F
Como Yt Yn Pt Pt e Se Pt Pt e Yt Yn ut u n .
Prova de 2009 – Questão 12
Suponha uma economia caracterizada pela seguinte Curva de Phillips:
e 0, 5 Y Yn
Em que Y é o produto e Yn é o nível natural de produto (produto potencial).
Além disso, π é a taxa de inflação, πe é a taxa de inflação esperada, sendo
ambas expressas em percentuais ao ano (ou seja, se a inflação é 1% a.a, então
π = 1). Os agentes devem formar expectativas de inflação antes de observá-la.
Há dois cenários possíveis: inflação alta (i.e., π = 10) e inflação baixa
(i.e., π = 2). O público atribui 25% de chance ao cenário de inflação alta e 75%
de chance ao cenário de inflação baixa. Supondo Yn = 50, calcule o produto
caso o cenário de inflação alta ocorra.
e 0,5 Y Yn
• Logo, como e 0, 5 Y Yn :
10 4 0,5 Y 50 0,5Y 25 10 4 Y 62
• Observe que o produto é maior que o seu nível potencial, pois a inflação é
maior que a inflação esperada.
CphLP
Cph1 te 4%
t 10%
t 4%
Y n 50 Y 62 Y
PROVA DE 2004 - Questão 11
• Considere uma economia descrita pelas equações de comportamento.
ut ut 1 0 , 2 g yt 0 ,02 Lei de Okun
Curva de Phillips
t t 1 ut 0, 05
g yt g mt t Demanda Agregada
São corretas as afirmativas:
(0) A taxa de desemprego natural é igual a 5%. V
Se t t 1 0 0 un 0, 05 un 5%
(1) Caso a taxa de desemprego vigente seja igual à natural, uma taxa de
crescimento do produto igual a 4% manterá constante a taxa de desemprego. F
• Se u = un teremos a economia funcionando no pleno emprego, com
u = un = 5% e gy = 2%.
(2) Caso a taxa de desemprego vigente seja menor que a natural, a taxa de
inflação vigente será maior que aquela que seria observada caso a taxa de
desemprego vigente fosse igual à taxa natural. V
Se ut un t t 1 0.
(3) Caso a taxa de desemprego vigente seja igual à natural e a taxa de inflação
vigente seja igual a 5%, uma taxa de crescimento monetário de 9% manterá
constante a taxa de desemprego. F
Se ut un t t 1 0 t 5%.
Se ut ut 1 0 0 0 , 2 g yt 0, 02 g yt 2%
g yt g mt t g mt g yt t g mt 0 , 02 0 , 05 g mt 7%
(4) Caso a taxa de desemprego vigente seja maior que a natural, a taxa de
inflação vigente será menor que aquela que seria observada caso a taxa de
desemprego vigente fosse igual à taxa natural. V
Se ut un t t 1 0.
Expectativas, Credibilidade e Rigidez de Preços (ou salários)
Vamos examinar como as mudanças na formação de expectativas
podem afetar o processo de desinflação.
Veremos que, se as expectativas forem formadas racionalmente,
caso a política de desinflação seja crível e exista prefeita
flexibilidade de preços e salários, o custo da desinflação pode ser
igual a zero.
Mesmo com expectativas formadas racionalmente, caso exista
algum tipo de rigidez, mesmo uma política crível de desinflação
elevará a taxa de desemprego.
Expectativas Racionais: A Ideia.
Vimos anteriormente alguns resultados quando os agentes
econômicos formam expectativas de forma adaptativa
(comportamento backward-looking).
te Et 1 | I t
Onde t é a expectativa ótima de inflação no momento t-1, dadas
e
Tomar a equação t te ut u n que, como vimos, no caso
das expectativas serem formadas adaptativamente, equivale
a t t 1 ut u , é como supor que os fixadores de preços
n
Se t ut u
t
e n
e te t 1 , para reduzir a inflação devemos
ter u u n .
Suponha agora que t ut u
t
M n
, onde M é a meta de inflação
anunciada pelo Bacen, o que equivale a dizer que te tM . (Caso em que
o Bacen possui credibilidade completa).
Desta forma, o anúncio de uma meta de inflação menor por parte do
Bacen reduziria a expectativa de inflação e a própria inflação, sem que
a taxa de desemprego se desviasse do seu nível natural.
Expectativas e Credibilidade: A Crítica de Lucas.
Mais Credibilidade X Menos Credibilidade
Suponha que te tM 1 t 1 :
Se 1 te tM credibilidade completa
Se 0 te t 1 ausência de credibilidade
n
____________
t 1 t 1 ut 1 u t 1 t 1 ut 1 u
M n M
Desta forma, o anúncio de uma meta crível de inflação menor por parte
do Bacen reduziria a expectativa de inflação e a própria inflação, sem
que a taxa de desemprego se desviasse do seu nível natural. Logo, uma
meta de 2% poderia levar a inflação para 2% com u = un.
Um Exemplo
Logo, uma política crível de combate à
inflação pode fazer com que a inflação
caia sem que a taxa de desemprego
aumente, desde que as expectativas
sejam formadas racionalmente (forward
t 4% looking) e que P e w sejam flexíveis.
t 1 2%
n
u
u
cpht te t 4%
cpht 1 te1 t 1 2%
Um Resumo do que Vimos:
Monetaristas Novos-Clássicos
Expectativas Adaptativas Expectativas Racionais
OALP Política Antecipada (P e w Flexíveis)
P OA1CP P OA1CP
P2 OA0C P OA0C P
P1
P1
P0 P0
DA1 DA1
DA0 DA0
YP Y1 Y YP Y
C .P . : Y Y n e P P e . C .P . : Y Y n e P P e .
L .P . : Y Y n e P P e . L.P . : Y Y n e P P e .
Resumindo
Se as expectativas forem formadas adaptativamente, a política
econômica terá efeitos reais no curto prazo, mas no longo prazo
afetará somente as variáveis nominais (neutralidade da moeda no
longo prazo).
CphLP
t 6% Viés Inflacionário
t 2%
un u
cph 6 %
t
e
cph te 2 %
O Problema da Inconsistência Dinâmica
Conquistando a Credibilidade
Formas de lidar com o problema de inconsistência temporal, sem
privar completamente o Bacen de seu poder de formulação de
política econômica, incluem:
Tornar o banco central independente. Dessa forma, o banco
central pode resistir comais vigor à pressão política para
diminuir o desemprego.
Escolher um presidente conservador para o Bacen, que seja
muito avesso à inflação.
Regra de Taylor (Regra de Política Monetária)
Regra para a condução da política monetária que leva em
consideração os desvios da inflação em relação à meta e os desvios
da taxa de desemprego em relação ao seu nível natural (ou desvios do
produto em relação ao seu nível potencial).
Inflação Ótima (Meta de Inflação)
it i a t but un
ou it i a t Yt Yn