UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA
COORDENAÇÃO DE DIREITO - CURSO DE DIREITO
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 3
PROFESSOR ANDRÉ LOPES DE SOUSA
LISTA DE EXERCICIOS N. 01
REGRAS
A LISTA DEVE SER ENTREGUE RESOLVIDA À CANETA (NÃO UTILIZAÇÃO DE MÉTODO ELETRÔNICO).
A CONSULTA É LIVRE QUANTO A FONTES, EXCETO QUANTO A UTILIZAÇÃO DE IA QUE NÃO
CONTENHA A FONTE.
DEVE SER ENTREGUE IMPRETERIVELMENTE NO DIA DA PROVA. NÃO HAVERÁ RECOLHIMENTO EM
DIA ANTERIOR OUPOSTERIOR EM NENHUMA HIPÓTESE.
VALOR: 1,0
A PROVA ESCRITA TERÁ CINCO QUESTÕES DENTRE AS DA LISTA. RECOMENDA-SE A ELABORAÇÃO
ATENTA.
1. Qual é a definição de título executivo extrajudicial e como ele se
diferencia de um título judicial?
Título executivo extrajudicial
É um documento que comprova uma obrigação (de pagar, fazer, não fazer ou entregar
algo) e que a lei reconhece como suficiente para iniciar uma execução, sem
necessidade de processo anterior.
Exemplos: cheque, nota promissória, contrato com cláusula de confissão de dívida
(art. 784 do CPC).
Título executivo judicial
É uma decisão proferida por um juiz, após um processo completo com contraditório,
que reconhece o dever de uma parte cumprir determinada obrigação.
Exemplos: sentença condenatória, decisão homologatória de acordo, sentença arbitral
(art. 515 do CPC).
Diferença principal:
Título Judicial Título Extrajudicial
Surge de um processo judicial Surge de um documento privado ou público
Exige prévia ação judicial Permite ir direto para a execução
Ex: sentença, acordo homologado Ex: cheque, contrato, duplicata
2. Qual a característica fundamental e o objetivo do processo executivo? O que o
diferencia do processo de conhecimento?
Características e objetivo do processo executivo:
A característica fundamental do processo executivo é que ele parte da existência de
um título que já comprova a obrigação (seja judicial ou extrajudicial). Ou seja,
não se discute mais se há ou não um direito — isso já está comprovado.
Objetivo: é realizar a satisfação do direito, ou seja, fazer com que o devedor
cumpra a obrigação (pagar, entregar coisa, fazer ou não fazer). O processo
executivo atua no plano da efetivação, não da discussão.
Diferença em relação ao processo de conhecimento:
• Processo de conhecimento: tem como objetivo verificar a existência de
um direito. As partes apresentam provas, o juiz analisa os argumentos e, ao final,
dá uma sentença.
• Processo executivo: não há discussão sobre o direito. Ele já está
reconhecido em um título. Aqui, o que se busca é a prática de atos concretos para
obrigar o devedor a cumprir a obrigação (como penhora, leilão, etc.).
3. O que significa sincretismo processual?
Sincretismo processual é a união, em um único processo, das fases de conhecimento e
de execução.
Antes do Código de Processo Civil de 2015 (e mesmo no CPC/1973 após uma reforma),
existiam dois processos separados:
• Um processo de conhecimento, para o juiz reconhecer o direito;
• Depois, outro processo de execução, para fazer cumprir a sentença.
Com o sincretismo, não é mais necessário iniciar um novo processo para executar uma
sentença. A execução agora acontece dentro do mesmo processo onde foi proferida a
decisão — ou seja, a execução virou uma fase do processo.
4. Existem títulos executivos não autorizados por lei?
O título executivo é um documento a que a lei confere força de obrigar, de forma
direta, à prestação exigida. A enumeração legal é taxativa e não se admite título
executivo que não tenha amparo legal.”
Resumo:
• Só é título executivo quem a lei diz que é.
• Se não estiver na lei (como no art. 784 do CPC), não pode ser usado
para execução direta.
• Nesse caso, a parte interessada precisa primeiro propor um processo de
conhecimento, para obter um título judicial.
5. Quais são os títulos que a lei processual considera executivos judiciais?
Os títulos executivos judiciais estão listados no art. 515 do Código de Processo
Civil (CPC). São decisões ou documentos que têm força de execução por já
reconhecerem um direito, sem precisar de nova discussão.
Lista dos títulos executivos judiciais (art. 515, CPC):
I – Sentença condenatória (obriga a pagar, fazer, não fazer ou entregar algo);
II – Decisão homologatória de autocomposição judicial (como um acordo feito entre
as partes no processo);
III – Decisão homologatória de autocomposição extrajudicial, realizada por
conciliação ou mediação;
IV – Sentença penal condenatória transitada em julgado (quando há condenação
criminal com efeitos civis);
V – Sentença arbitral (proferida por árbitro em procedimento de arbitragem);
VI – Decisão estrangeira homologada pelo STJ (para valer no Brasil);
VII – Formal e certidão de partilha, mas somente quanto às obrigações certas,
líquidas e exigíveis.
6. Quais os pressupostos para qualquer execução?
1. Existência de um TÍTULO EXECUTIVO
Fundamento: art. 783 do CPC
• O título deve ser:
• Certo (obrigação definida),
• Líquido (valor conhecido ou calculável),
• Exigível (prazo vencido e obrigação não cumprida).
Pode ser:
• Judicial (art. 515)
• Extrajudicial (art. 784)
2. Legitimidade das partes
Ativa: credor (exequente)Passiva: devedor (executado)
Ambas devem ser capazes, titulares da obrigação e representadas corretamente no
processo.
3. Interesse processual
A execução deve ser necessária e útil para alcançar a satisfação do crédito.
Ex: não cabe execução se o devedor já pagou ou se o título não venceu.
4. Inexistência de causa extintiva da obrigação
Se a dívida já foi paga, novada, compensada ou anulada, não há o que executar.
5. Competência do juízo
A execução deve ser proposta no juízo competente (regra: foro do domicílio do
devedor ou onde se encontra o bem).
6. Cumprimento das formalidades iniciais
Como:
• Petição inicial com os requisitos do art. 798;
• Valor atualizado da dívida;
• Provas do inadimplemento;
• Requerimento de citação do devedor.
Resumo Esquemático:
Pressuposto Fundamento legal (CPC)
Título executivo (certo, líquido, exigível) Art. 783 e 784/515
Legitimidade das partes Regras gerais processuais
Interesse de agir (utilidade/necessidade) Art. 17 e 485, VI
Inexistência de causa extintiva Art. 917 (embargos)
Juízo competente Art. 781
Petição com requisitos formais Art. 798
Resumo final:
Para que a execução seja válida, é necessário haver um título executivo certo,
líquido e exigível, com partes legítimas, interesse processual, inexistência de
extinção da obrigação, e cumprimento dos requisitos formais.
7. Quais são os atributos do título executivo?
Os atributos do título executivo são as características que ele precisa ter para
permitir a execução. Esses atributos vêm expressos no art. 783 do Código de
Processo Civil (CPC).
São três os atributos principais:
1. Certeza
• A obrigação tem que estar claramente definida.
• Não pode haver dúvida sobre o dever de cumprir o que está no título.
2. Liquidez
• O título deve trazer um valor determinado ou determinável.
• Se for necessário calcular o valor, ele deve ser facilmente apurável
por simples operação matemática.
3. Exigibilidade
• A obrigação deve estar vencida e apta para ser cobrada imediatamente.
• Ou seja, o prazo para cumprimento já acabou, e o devedor está em mora.
Doutrina:
De acordo com Fredie Didier Jr.:
“Sem esses três atributos — certeza, liquidez e exigibilidade — não há título
executivo válido e, portanto, não há execução possível.”
Resumo final:
Para que um título possa ser executado, ele deve ter:
• Certeza: a obrigação está definida;
• Liquidez: o valor é claro ou facilmente calculável;
• Exigibilidade: já pode ser cobrada.
8. O que caracteriza um título executivo judicial?
Um título executivo judicial é aquele que surge de uma decisão proferida por um
juiz (ou órgão com função jurisdicional) dentro de um processo judicial.
Características principais:
1. Origem judicial
• O título nasce dentro de um processo judicial, seja por sentença,
acordo homologado, sentença arbitral, etc.
2. Reconhecimento de obrigação
• A decisão judicial reconhece que existe uma obrigação a ser cumprida
(pagar, fazer, não fazer ou entregar algo).
3. Força executiva automática
• Após o trânsito em julgado (ou quando for uma decisão já executável),
ele pode ser executado diretamente, sem necessidade de novo processo.
Exemplos de títulos judiciais (art. 515, CPC):
• Sentença condenatória;
• Acordo homologado pelo juiz;
• Sentença arbitral;
• Sentença penal com condenação;
• Decisão estrangeira homologada pelo STJ.
Doutrina:
Segundo Humberto Theodoro Júnior:
“Título executivo judicial é aquele que provém de uma atividade jurisdicional, na
qual se reconhece e se impõe a satisfação de uma obrigação.”
Resumo prático:
Um título executivo judicial é aquele que:
• Veio de um processo judicial;
• Reconhece uma obrigação;
• Pode ser executado sem nova discussão.
9. O que caracteriza a certeza, a liquidez e a exigibilidade de um título
executivo?
Esses três requisitos estão no art. 783 do CPC, e são condições essenciais para que
o título possa ser executado.
1. Certeza
• O que é: a obrigação precisa estar claramente definida no título.
• Exemplo: “João deve pagar R$ 5.000 a Maria” é certo. Já “João talvez
tenha que pagar” não é certo.
• Resumo: Não pode haver dúvida sobre a existência da obrigação.
2. Liquidez
• O que é: o valor ou o conteúdo da obrigação deve ser determinado ou
facilmente determinável.
• Exemplo: Um contrato que diga “João pagará R$ 5.000 em 10 dias” é
líquido. Se o valor depende de cálculo, deve ser simples (como juros fixos).
• Resumo: A obrigação tem que ter valor conhecido ou calculável sem
complicação.
3. Exigibilidade
• O que é: a obrigação deve estar vencida e o credor já pode cobrá-la.
• Exemplo: Se o contrato diz que o pagamento é em 30 de abril e hoje é 1º
de maio, a obrigação está exigível.
• Resumo: A dívida deve estar “madura” para cobrança — o devedor está em
mora.
Doutrina:
Segundo Fredie Didier Jr.:
“A certeza, liquidez e exigibilidade são os elementos que conferem força executiva
ao título; sem eles, não é possível exigir o cumprimento forçado da obrigação.”
Resumo rápido:
Requisito O que significa Exemplo prático
Certeza A obrigação está clara, sem dúvidas "João deve pagar R$ 5.000"
Liquidez O valor é exato ou fácil de calcular "João deve pagar R$ 5.000 em
10 dias"
Exigibilidade A obrigação já pode ser cobrada A data de vencimento já
passou
10. Qual o juízo de execução da multa decidida em sentença penal transitada em
julgado?
Segundo o artigo 10 do Código de Processo Civil (CPC) combinado com o artigo 164 da
Lei de Execuções Penais (Lei 7.210/1984), a execução da multa penal deve ocorrer
perante o juízo da execução penal.
Entretanto, é importante observar a jurisprudência atual e o entendimento
consolidado do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça
(STJ) sobre o tema.
Posição consolidada:
• A multa penal (aquela prevista no Código Penal como sanção criminal) é
considerada pena privativa de liberdade substitutiva de natureza pecuniária.
• Portanto, deve ser executada no juízo da execução penal, e não no juízo
cível (como aconteceria com indenizações ou reparações de dano).
Fundamento jurídico:
• Lei de Execuções Penais (LEP), art. 164:"A multa será executada pelo
Ministério Público, perante o juízo da execução penal."
• Código Penal, art. 49, § 1º:"A pena de multa será considerada dívida de
valor e será executada nos termos da legislação da dívida ativa da Fazenda
Pública."Apesar de ser considerada "dívida de valor", a competência para execução
continua sendo penal – o que significa que a cobrança segue as regras da Fazenda
Pública, mas dentro do processo penal.
Resumo objetivo:
O juízo competente para execução da multa penal decidida em sentença penal
transitada em julgado é o juízo da execução penal.
11. Qual o procedimento para a execução da sentença prolatada por juízo
estrangeiro? E no caso de uma decisão interlocutória estrangeira?
A sentença estrangeira só pode ser executada no Brasil após **homologação pelo
Superior Tribunal de Justiça (STJ)**, conforme o art. 961 do CPC, sendo necessária
a comprovação do trânsito em julgado, tradução oficial e ausência de ofensa à
soberania nacional. Já a **decisão interlocutória estrangeira**, que não transita
em julgado, depende de **exequatur em carta rogatória**, também concedido pelo STJ,
nos termos do art. 962 do CPC.
12. Explique o princípio “nulla executio sine titulo” identificando o normativo do
CPC que o contempla.
O princípio “nulla executio sine titulo”, expressão em latim que significa "não há
execução sem título", é um dos pilares do processo de execução no Direito
Processual Civil brasileiro.
1. Conceito do princípio
Esse princípio determina que ninguém pode ser compelido a pagar, entregar, fazer ou
não fazer algo por meio de execução forçada, sem que exista um título jurídico que
legitime essa cobrança.
Ou seja, a execução só pode ser proposta com base em um título executivo que
demonstre, de forma certa, líquida e exigível, a obrigação do devedor.
2. Previsão no Código de Processo Civil (CPC/2015)
Esse princípio está expressamente contemplado no artigo 783 do CPC:
Art. 783 do CPC: "A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título
de obrigação certa, líquida e exigível."
Este dispositivo reforça que não é possível iniciar execução com base em
suposições, alegações genéricas ou provas frágeis: o credor deve apresentar um
documento legalmente reconhecido como título executivo.
3. Tipos de títulos executivos (CPC, arts. 784 e 785)
O Código elenca os títulos executivos judiciais e extrajudiciais, como:
• Judiciais (art. 515): sentença condenatória, decisão homologatória de
acordo, etc.
• Extrajudiciais (art. 784): cheques, notas promissórias, contratos com
cláusula de confissão de dívida, entre outros.
4. Finalidade do princípio
Esse princípio visa:
• Proteger o devedor contra execuções arbitrárias;
• Assegurar o contraditório e a ampla defesa;
• Evitar o uso abusivo do poder judiciário para constranger
economicamente alguém sem respaldo legal.
Resumo:
O princípio “nulla executio sine titulo” exige que toda execução tenha fundamento
em título executivo(judicial ou extrajudicial) que comprove a existência, liquidez
e exigibilidade da obrigação.
Está previsto expressamente no artigo 783 do CPC/2015.
13. O que orienta o princípio do menor sacrifício?
O princípio do menor sacrifício (ou princípio da menor onerosidade do devedor)
orienta que, no processo de execução, os atos praticados devem buscar satisfazer o
crédito do exequente sem causar ao executado um sacrifício desnecessário, excessivo
ou desproporcional.
1. Fundamentação no CPC/2015
Esse princípio está expressamente previsto no artigo 805 do CPC:
Art. 805 do CPC:"Quando por vários meios o credor puder promover a execução, o juiz
mandará que se faça pelo menos gravoso para o devedor."
2. O que significa na prática?
Na prática, esse princípio busca equilibrar o direito do credor à satisfação do
crédito com a proteção da dignidade do devedor, orientando o juiz a:
• Escolher meios menos gravosos de execução, como penhorar saldos
bancários antes de bens essenciais ou imóveis de moradia;
• Evitar medidas desproporcionais, como bloqueio de valores muito
superiores à dívida;
• Permitir substituição de bens penhorados por outros de menor impacto,
desde que mantenha a garantia da dívida.
3. Limites e condições
O princípio não impede a execução, nem protege o devedor contra os efeitos naturais
do inadimplemento, mas impede abusos.
Para que o juiz determine a execução por meio menos oneroso, o devedor deve
comprovar que há alternativa viável e eficaz para o credor.
4. Relação com outros princípios
Este princípio se conecta com:
• Princípio da proporcionalidade e razoabilidade;
• Princípio da efetividade da execução (CPC, art. 797: a execução deve
ser feita para satisfação do credor);
• Princípio da dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III).
Resumo:
O princípio do menor sacrifício (art. 805 do CPC) orienta que a execução seja
realizada de forma menos onerosa ao devedor, desde que não comprometa a efetividade
da cobrança e a garantia do crédito do exequente.
14. Explique o princípio da patrimonialidade. Aponte exceção a esse princípio.
O princípio da patrimonialidade é um dos fundamentos essenciais do processo de
execução no Código de Processo Civil (CPC), e estabelece que:
1. Conceito:
A execução recai, via de regra, sobre o patrimônio do devedor, e não sobre sua
pessoa.
Ou seja, o devedor responde pela dívida com seus bens, e não com sua liberdade ou
integridade física.
2. Fundamentação legal:
O princípio encontra respaldo em vários dispositivos do CPC/2015, com destaque
para:
• Art. 789 do CPC:“O devedor responde, para o cumprimento de suas
obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições
estabelecidas em lei.”
3. Finalidade do princípio:
• Garantir a efetividade da execução através da expropriação de bens;
• Proteger os direitos fundamentais do devedor, especialmente sua
liberdade;
• Evitar execuções abusivas que ultrapassem o limite patrimonial e afetem
a dignidade humana.
4. Exceção ao princípio da patrimonialidade:
Embora a execução, em regra, seja patrimonial, existem exceções onde a pessoa do
devedor pode ser diretamente afetada:
Exemplo clássico de exceção:
Prisão civil por dívida de alimentos (alimentos inadimplidos)
• Fundamento:
• CF/88, art. 5º, LXVII:“Não haverá prisão civil por dívida, salvo a do
responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação
alimentícia...”
• CPC, art. 528, § 3º:Permite a prisão civil do devedor de alimentos por
até 3 meses, caso ele não pague o débito.
Outras exceções discutidas (debatidas, mas menos consolidadas):
• Prisão do depositário infiel – embora proibida no Brasil após o Pacto
de San José da Costa Rica e interpretação do STF, é uma exceção histórica.
Resumo:
O princípio da patrimonialidade (art. 789 do CPC) determina que o devedor responde
com seus benspelas dívidas.
Exceção relevante: prisão civil por dívida de alimentos, autorizada
constitucionalmente e prevista no art. 528 do CPC.
15. Explique o princípio da disponibilidade da execuçãoexpondo quando ele pode ser
excetuado.
O princípio da disponibilidade da execução estabelece que a execução está sob o
controle da parte exequente (credor), que pode, em regra, iniciá-la, suspendê-la,
desistir ou convencionar formas alternativas de satisfação do crédito, desde que
respeitados os limites legais.
1. Conceito:
A execução não se impõe automaticamente pelo Estado, mas depende de iniciativa e
manifestação de vontade do credor.Ele pode escolher o momento de propor a execução,
renunciar ao crédito, suspender, desistir do processo, ou celebrar acordo com o
devedor.
2. Fundamentação legal:
O CPC/2015 prevê esse princípio em vários dispositivos. Alguns exemplos:
• Art. 775 do CPC:“É lícito ao exequente desistir da execução, ainda que
iniciada a fase de expropriação do bem.”
• Art. 922 do CPC:Dispõe sobre a suspensão da execução por convenção das
partes.
3. Exemplos práticos de aplicação:
• O credor pode deixar de executar uma sentença se não tiver interesse em
fazê-lo.
• Pode optar por negociar com o devedor e suspender a execução durante o
cumprimento voluntário de acordo.
• Pode desistir do processo de execução a qualquer tempo, mesmo após
bloqueio de bens.
4. Exceções ao princípio da disponibilidade:
Apesar da regra geral, há hipóteses em que o credor não tem total liberdade sobre a
execução, como por exemplo:
a) Execução de alimentos – art. 528 do CPC
• Em alguns casos, o Ministério Público pode intervir, especialmente
quando envolver incapazes, e a desistência da execução pode ser submetida à
apreciação judicial.
b) Execuções fiscais (Dívida ativa da Fazenda Pública)
• A Fazenda Pública não pode simplesmente desistir ou deixar de propor a
execução, pois o crédito é de interesse público.
• Lei 6.830/1980 (LEF), art. 1º e ss., impõem limites à desistência ou
renúncia pela Procuradoria.
c) Interesse de incapazes ou tutelados
• Quando há representados, tutelados ou curatelados, a desistência pode
depender de autorização judicial ou manifestação do Ministério Público (art. 178 do
CPC).
Resumo:
O princípio da disponibilidade da execução significa que a execução é de iniciativa
do credor, que pode dar início, desistir, suspender ou negociar a execução.
Exceções ocorrem quando o crédito envolve interesse público (como nas execuções
fiscais), alimentos de incapazes, ou direitos indisponíveis, onde a intervenção
judicial ou do MP é obrigatória.
16. Quando se tem a nulidade da execução do título extrajudicial?
A execução de título extrajudicial será nula quando não preencher os requisitos
legais essenciais ou violar garantias processuais fundamentais. O Código de
Processo Civil (CPC/2015) traz critérios objetivos para a validade da execução, e
sua inobservância leva à nulidade do processo de execução.
1. Quando ocorre a nulidade da execução de título extrajudicial?
A nulidade ocorre, principalmente, nas seguintes hipóteses:
a) Inexistência de título executivo válido (CPC, art. 783 e 784)
Se o documento não for um título executivo reconhecido pela lei, a execução é
inválida.
Exemplos:
• Documento sem assinatura do devedor;
• Instrumento sem liquidez, certeza ou exigibilidade;
• Cobrança baseada em obrigações meramente morais ou naturais.
b) Título inexigível ou ilíquido
O título deve estar vencido e definido em valor certo.
• Se depender de condição suspensiva ainda não verificada (como
vencimento futuro), a execução será nula.
• Se não é possível apurar o valor da dívida com base no título, sem
cálculo prévio, não pode haver execução direta.
c) Violação ao contraditório e ampla defesa (CF, art. 5º, LV)
Exemplo: ausência de citação válida do executado.
• Se a citação não foi feita regularmente, a execução é nula desde o
início;
• Citação por edital sem esgotamento das tentativas pessoais, por
exemplo, é passível de anulação.
d) Falta de legitimidade ou capacidade das partes
Quando o exequente não é titular do crédito, ou o executado não é parte legítima, a
execução é inválida.
• Exemplo: execução movida por quem não detém cessão válida de crédito.
e) Existência de pagamento anterior (art. 917, II do CPC)
Se a dívida já foi paga, a execução é nula por ausência de interesse processual
(ação sem objeto).
2. Fundamento legal direto:
• Art. 783 do CPC:“A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre
em título de obrigação certa, líquida e exigível.”
• Art. 917 do CPC – Embargos à Execução (hipóteses que podem levar à
nulidade):
• I – inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação;
• II – penhora incorreta ou avaliação errônea;
• III – excesso de execução;
• IV – ilegitimidade das partes;
• V – cumulação indevida de execuções.
Resumo:
A execução de título extrajudicial será nula quando:
• O título não for certo, líquido e exigível (art. 783);
• Não for considerado executivo pela lei (art. 784);
• Houve vícios na citação, ilegitimidade das partes ou falta de interesse
processual;
• For violada qualquer garantia processual essencial.
17. Qual a diferença entre as astreintes (art. 774, p. único do CPC) e a multa de
que trata o art. 523, § 1.º do CPC)
Ótima pergunta! Os dispositivos citados do Código de Processo Civil (CPC/2015)
tratam de duas espécies distintas de multa com finalidades diferentes dentro do
processo executivo. Vamos analisar:
1. Astreintes (art. 774, parágrafo único do CPC)
Natureza:
• Multa processual coercitiva por ato atentatório à dignidade da justiça.
• Tem caráter sancionador e punitivo.
Finalidade:
Punir a resistência injustificada ao cumprimento da ordem judicial ou o abuso do
direito de defesa, que prejudica o processo de execução.
Fundamento legal:
Art. 774, parágrafo único do CPC: "Considera-se atentatória à dignidade da justiça
a prática de qualquer ato pelo executado com o intuito de fraudar a execução, opor
resistência injustificada ao cumprimento de ordem judicial, ou praticar qualquer
ato atentatório ao andamento regular do processo. Nestes casos, o juiz aplicará
multa de até vinte por cento do valor atualizado do débito em execução."
Exemplo prático:
• O devedor simula a venda de bens para evitar a penhora;
• Oposição reiterada e infundada aos atos de penhora ou avaliação;
• Descumprimento de ordem judicial deliberado, não apenas involuntário.
2. Multa do art. 523, § 1º do CPC (multa por não pagamento voluntário)
Natureza:
• Multa coercitiva e compensatória, com caráter indenizatório.
• Aplica-se no cumprimento de sentença (fase pós-sentença).
Finalidade:
Incentivar o cumprimento voluntário da sentença no prazo de 15 dias após a
intimação.Se não pagar, o devedor sofre:
• Multa de 10% sobre o valor da condenação;
• Mais honorários advocatícios de 10%.
Fundamento legal:
Art. 523, § 1º do CPC: “Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o
débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários de
advogado de dez por cento.”
Exemplo prático:
• O réu é condenado a pagar R$ 20 mil.
• É intimado e não paga em 15 dias.
• O valor da dívida sobe para R$ 24.000 (R$ 2.000 de multa + R$ 2.000 de
honorários).
Resumo comparativo:
Aspecto Astreintes (art. 774, p. único) Multa do art. 523, § 1º
Natureza Punitiva, coercitiva (sanção por má-fé) Indenizatória, coercitiva
(descumprimento de obrigação)
Finalidade Punir atos que atentem contra a dignidade da justiça Induzir ao
pagamento espontâneo da condenação
Valor da multa Até 20% do valor da execução 10% de multa + 10% de honorários
Momento de aplicação Durante a execução, por má conduta Após sentença, se não
houver pagamento voluntário
Depende de provocação? Sim, geralmente provocada por petição do exequente
Aplica-se automática após o prazo legal
18. Quais as consequências do não pagamento voluntário no prazo da obrigação de
pagar após a intimação do juiz no cumprimento de sentença?
No cumprimento de sentença que impõe obrigação de pagar quantia certa, quando o
devedor não realiza o pagamento voluntário no prazo legal de 15 dias contados da
intimação, o Código de Processo Civil (CPC/2015)impõe consequências automáticas e
bastante severas.
1. Consequência imediata: multa e honorários (art. 523, §1º do CPC)
Se o devedor não paga voluntariamente em 15 dias, a dívida será acrescida de:
• Multa de 10% sobre o valor da condenação;
• Honorários advocatícios de 10% sobre o valor atualizado.
Fundamento legal:
Art. 523, § 1º, CPC: “Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o
débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários de
advogado de dez por cento.”
2. Consequência subsequente: início da execução forçada (penhora)
Vencido o prazo de 15 dias sem pagamento, inicia-se automaticamente a fase de
execução forçada, que pode envolver:
• Penhora online de valores (via SISBAJUD);
• Penhora de bens móveis ou imóveis;
• Protesto da decisão judicial (art. 517 do CPC);
• Inclusão do nome do devedor nos cadastros de inadimplentes, por ordem
judicial.
3. Possibilidade de parcelamento (art. 916 do CPC)
Antes da penhora, o devedor pode requerer o parcelamento da dívida, desde que:
• Faça o depósito de 30% do valor da dívida (incluindo multa e
honorários);
• Pague o restante em até 6 parcelas mensais.
4. Cálculo dos acréscimos:
Exemplo prático:
• Dívida original: R$ 10.000
• Não pagou em 15 dias:
• Multa: R$ 1.000 (10%)
• Honorários: R$ 1.000 (10%)
• Total para execução: R$ 12.000
Resumo:
Se o devedor não pagar voluntariamente em até 15 dias após a intimação no
cumprimento de sentença (CPC, art. 523), ele sofrerá:
• Multa de 10% sobre o valor da dívida;
• Honorários de 10%;
• Início da execução forçada, com penhora e outros meios de coerção.
19. Explique a utilização da atipicidade dos meios executivos.
A atipicidade dos meios executivos é uma inovação relevante do CPC/2015 (Código de
Processo Civil), consagrada no art. 139, IV, que confere ao juiz poderes amplos e
flexíveis para garantir o cumprimento efetivo das decisões judiciais, especialmente
na fase de execução.
1. O que é a atipicidade dos meios executivos?
Significa que o juiz pode adotar medidas não previstas expressamente na lei
(medidas "atípicas") para compelir o devedor a cumprir sua obrigação, desde que
sejam legais, proporcionais, razoáveis e eficazes.
Ou seja, a execução não está limitada aos meios "típicos" como penhora, arresto ou
bloqueio bancário – o juiz pode inovar, desde que observe os direitos fundamentais
do executado.
2. Fundamento legal:
Art. 139, IV do CPC: “O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste
Código, incumbindo-lhe: [...] IV – determinar todas as medidas indutivas,
coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o
cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação
pecuniária.”
3. Exemplos práticos de medidas atípicas já adotadas pela jurisprudência:
• Suspensão da CNH do devedor;
• Suspensão de passaporte;
• Restrições em cartões de crédito;
• Impedimento de participação em licitações públicas;
• Bloqueio de contas em redes sociais para fins de penhora de
monetização;
• Proibição de frequência a clubes ou uso de bens de luxo (medida
coercitiva indireta);
4. Limites e controle constitucional:
Apesar da liberdade judicial, essas medidas devem respeitar princípios
constitucionais, como:
• Proporcionalidade e razoabilidade;
• Dignidade da pessoa humana;
• Devido processo legal;
• Ampla defesa.
O STJ já decidiu que não se pode aplicar medida atípica automaticamente – o juiz
deve justificar a escolha, e o devedor deve ser ouvido (ex: REsp 1.864.409/SP).
5. Finalidade da atipicidade:
• Garantir a efetividade da execução quando os meios tradicionais são
ineficazes;
• Evitar o uso abusivo do sistema por devedores contumazes e estratégicos
(os chamados "devedores profissionais").
Resumo:
A atipicidade dos meios executivos (art. 139, IV do CPC) permite ao juiz adotar
medidas não previstas expressamente em lei para forçar o cumprimento das decisões,
desde que sejam legais, proporcionais e eficazes.Essas medidas complementam os
meios típicos da execução, tornando o processo mais flexível e justo, especialmente
diante de devedores que burlam a justiça.
20. Em que circunstância e por qual razão uma sentença judicial transitada em
julgado pode ser levada a protesto.
A sentença judicial transitada em julgado que condena ao pagamento de quantia certa
pode ser levada a protesto, mesmo antes da instauração da fase de cumprimento de
sentença. Essa possibilidade está prevista no art. 517 do CPC/2015.
1. Circunstância em que é possível levar a sentença a protesto:
Quando houver uma sentença condenatória transitada em julgado (ou seja, sem
possibilidade de recurso), que condene o réu ao pagamento de valor certo ou já
fixado.
Ou seja:
• A sentença já transitou em julgado;
• A obrigação é líquida (tem valor definido ou já calculável);
• O credor/exequente deseja pressionar o devedor a pagar, mesmo antes de
iniciar a execução judicial.
2. Fundamento legal:
Art. 517 do CPC: “A sentença transitada em julgado pode ser levada a protesto, nos
termos da lei, por iniciativa do credor.”
3. Razões para o protesto da sentença:
• Constranger economicamente o devedor a cumprir a obrigação;
• Evitar a necessidade de execução forçada;
• Inserir o nome do devedor em cadastros de inadimplência, o que pode
dificultar:
• Obtenção de crédito;
• Participação em licitações;
• Contratações com o poder público.
4. Vantagens para o credor:
• Instrumento rápido e extrajudicial de cobrança;
• Mais barato e eficaz do que a execução em certos casos;
• Reforça a coercitividade da decisão judicial, estimulando o pagamento
voluntário.
5. Procedimento:
O credor deve:
1. Solicitar uma certidão da sentença com trânsito em julgado no juízo que
proferiu a decisão;
2. Levar essa certidão ao cartório de protesto de títulos;
3. O cartório notificará o devedor para pagamento em 3 dias úteis;
4. Não havendo pagamento, o protesto é registrado, com efeitos similares
ao protesto de cheque ou duplicata.
Resumo:
Uma sentença judicial transitada em julgado pode ser protestada (art. 517 do CPC)
quando condena ao pagamento de quantia certa.
O objetivo é estimular o cumprimento voluntário da obrigação, sem necessidade de
execução judicial, funcionando como forma de pressão extrajudicial legítima e
eficaz.
21. O que é liquidação?
No processo civil, liquidação é a fase que antecede a execução da sentença,
utilizada quando a decisão judicial reconhece a existência do direito, mas não fixa
de forma precisa o valor da condenação.
1. Conceito:
Liquidação é o procedimento destinado a determinar o valor exato de uma obrigação
reconhecida em sentença.
Serve para tornar líquida (quantificável) uma condenação ilíquida, ou seja, que não
possui valor definido.
2. Fundamentação legal:
Art. 509 do CPC/2015: “Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida,
proceder-se-á à liquidação, a pedido do credor:I – por arbitramento, quando
determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela natureza do
objeto da liquidação;II – pelo procedimento comum, quando houver necessidade de
alegar e provar fato novo.”
3. Finalidade da liquidação:
• Quantificar a obrigação reconhecida na sentença;
• Permitir a execução do valor certo e exigível;
• Assegurar o contraditório, pois o devedor pode impugnar o valor
apurado.
4. Espécies de liquidação:
Tipo de Liquidação Quando se aplica Características principais
Por arbitramento Quando depende de avaliação técnica ou pericial Envolve perito e
laudo técnico
Pelo procedimento comum Quando há necessidade de alegar fatos novos Se as partes
divergem sobre elementos da base de cálculo
Por cálculo aritmético Quando o valor pode ser obtido por simples conta Não
exige novo processo, feito por contador ou advogado
Observação: A liquidação não rediscute o mérito da sentença, apenas apura o valor
da condenação.
5. Exemplo prático:
Imagine uma sentença que condena uma empresa a indenizar danos materiais causados a
um consumidor, sem especificar o valor.
• Para executar, o credor precisa primeiro liquidar a sentença, provando,
por exemplo, notas fiscais, laudos, ou apresentando cálculo técnico com base nos
danos.
Resumo:
Liquidação é a fase que quantifica a obrigação imposta em sentença condenatória
ilíquida.
É obrigatória quando o valor não está definido, e sua finalidade é viabilizar a
execução, com base em um título líquido, certo e exigível (CPC, art. 509).
22. Qual a diferença entre tutela específica e tutela pelo equivalente.
A diferença entre tutela específica e tutela pelo equivalente está no modo de
satisfação do direito do credor dentro do processo. Elas representam formas
distintas de cumprimento da obrigação reconhecida judicialmente.
1. Tutela Específica
Conceito:
A tutela específica busca realizar exatamente aquilo que foi determinado na
sentença, ou seja, entregar o próprio bem da vida devido ao credor.
Objetivo:
• Cumprir fielmente a obrigação, do modo como ela foi assumida.
• Preservar o interesse original do credor, sem substituições.
Exemplos:
• Entrega de um bem específico (como um imóvel, obra de arte);
• Cumprimento de uma obrigação de fazer ou não fazer;
• Reintegração de posse;
• Obrigação de prestar alimentos (em espécie e não em dinheiro, quando
possível).
Fundamento legal:
• Art. 497 do CPC:“Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o
cumprimento da obrigação far-se-á pela obtenção da tutela específica ou, não sendo
possível, pelo equivalente.”
2. Tutela pelo Equivalente (Substitutiva)
Conceito:
É a substituição da prestação originária (o "bem da vida") por uma indenização
pecuniária ou valor em dinheiro.
Objetivo:
• Compensar a impossibilidade de obter a tutela específica;
• Evitar o enriquecimento sem causa, mesmo quando não há como obter o bem
original.
Exemplos:
• Em vez de receber o carro prometido, a parte recebe o valor de mercado
do carro;
• Quando o réu descumpre ordem de fazer, e é condenado a pagar multa
(astreinte) ou indenização equivalente.
3. Relação entre as duas:
Critério Tutela Específica Tutela pelo Equivalente
Natureza Entrega direta do bem da vida Substituição por valor em dinheiro
Finalidade Cumprimento exato da obrigação Compensação pela perda ou
descumprimento
Prioridade Preferencial (art. 497, CPC) Subsidiária, quando a específica é
impossível
Exemplo típico Entrega de imóvel, reintegração de posse Pagamento de valor
equivalente ao imóvel ou dano
Resumo:
• A tutela específica visa realizar o direito exatamente como pactuado ou
determinado – é preferencial no CPC/2015.
• Já a tutela pelo equivalente só é aplicada quando não for possível ou
viável cumprir a obrigação exatamente como devida, substituindo-a por indenização
em dinheiro.
23. Explique esquematicamente o procedimento para execução de um título
extrajudicial que verse sobre obrigação de fazer e não fazer.
Claro! Vamos esquematizar o procedimento para execução de título extrajudicial que
envolva obrigação de fazer ou não fazer, conforme o CPC/2015, especialmente os
artigos 815 a 821:
1. TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL
(art. 784 do CPC)
• Exemplo: contrato com cláusula de obrigação de prestar um serviço
(fazer) ou cláusula de não concorrência (não fazer).
• Deve ser certo, líquido e exigível.
2. INICIAL DA EXECUÇÃO (Art. 815, caput)
• A execução é ajuizada com:
• Indicação do título;
• Prova da inadimplência;
• Pedido da providência: cumprimento forçado, conversão em perdas e danos
ou cominação de multa.
3. CITAÇÃO DO DEVEDOR (Art. 815, parágrafo único)
• O devedor é citado para:
• Cumprir a obrigação em 10 dias, OU
• Apresentar embargos à execução, no prazo de 15 dias.
4. CONSEQUÊNCIAS DO NÃO CUMPRIMENTO:
a) Obrigação de fazer (Art. 816):
• O juiz pode:
• Determinar que o credor realize o ato às custas do devedor;
• Fixar multa diária (astreintes);
• Converter a obrigação em perdas e danos, se inviável o cumprimento.
b) Obrigação de não fazer (Art. 817):
• Se o devedor descumprir a abstenção, o juiz pode:
• Determinar medidas coercitivas;
• Impor multa diária;
• Converter em perdas e danos, se o ato já for irreversível.
5. EMBARGOS À EXECUÇÃO (Art. 914 e seguintes):
• Devedor pode impugnar alegando:
• Inexigibilidade do título;
• Cumprimento da obrigação;
• Impossibilidade de cumprimento nos termos ajustados.
6. CUMPRIMENTO FORÇADO OU CONVERSÃO EM PERDAS E DANOS (Art. 818):
• Se o juiz reconhecer que não há como cumprir o que foi pactuado:
• A obrigação será convertida em perdas e danos (indenização).
7. POSSIBILIDADE DE PRISÃO CIVIL?
• Não se aplica a obrigações de fazer ou não fazer (apenas para alimentos
– art. 528 do CPC).
ESQUEMA RESUMIDO
A[Início da execução] --> B[Verificação do título extrajudicial]
B --> C[Citação do devedor - 10 dias para cumprir]
C --> D1{Cumpriu?}
D1 -- Sim --> E[Fim da execução]
D1 -- Não --> F[Fixação de multa ou medidas coercitivas]
F --> G[Conversão em perdas e danos, se necessário]
G --> H[Execução de quantia certa]
Resumo final:
A execução de obrigação de fazer ou não fazer com base em título extrajudicial
segue o rito previsto nos arts. 815 a 821 do CPC, com prioridade à tutela
específica, aplicação de medidas coercitivas (multas) e, se for o caso, conversão
em perdas e danos.
24. Explique esquematicamente o procedimento para execução de um título
extrajudicial que verse sobre obrigação de pagar quantia certa.
Perfeito! Abaixo está um esquema claro e detalhado do procedimento para execução de
título extrajudicial que verse sobre obrigação de pagar quantia certa, conforme os
artigos 824 a 825 e seguintes do CPC/2015.
1. TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL (Art. 784 do CPC)
O processo começa com um título válido, como:
• Cheque, nota promissória, contrato com cláusula de pagamento,
• Confissão de dívida, duplicata etc.
O título deve ser:
• Certo (obrigações definidas),
• Líquido (valor conhecido ou apurável),
• Exigível (prazo vencido).
2. PETIÇÃO INICIAL DE EXECUÇÃO (Art. 798)
A petição deve conter:
• Identificação das partes;
• Apontamento do título e valor atualizado;
• Indicação dos bens a serem penhorados (se houver);
• Requerimento de citação do devedor.
3. CITAÇÃO DO DEVEDOR (Art. 827)
O juiz manda citar o devedor para:
• Pagar a dívida em 3 dias (prazo legal);
• Ou apresentar embargos à execução no prazo de 15 dias, após a garantia
do juízo (ou seja, após penhora ou depósito do valor).
4. NÃO PAGAMENTO EM 3 DIAS – PENHORA E AVALIAÇÃO (Art. 831 e 829)
Se o devedor não paga, o juiz determina:
• Penhora de bens suficientes para garantir o valor;
• Avaliação dos bens penhorados.
Penhora pode ser feita via:
• SISBAJUD (bloqueio bancário),
• RENAJUD (veículos),
• INFOJUD (IR e dados da Receita).
5. EMBARGOS À EXECUÇÃO (Art. 914)
• O devedor pode apresentar embargos em 15 dias, mas só após garantir o
juízo com penhora ou depósito.
• Os embargos têm natureza de ação autônoma.
6. EXPROPRIAÇÃO DOS BENS (Art. 879 e ss.)
Se não houver impugnação válida ou se os embargos forem rejeitados:
• Os bens penhorados serão expropriados, por:
• Alienação judicial (leilão),
• Adjudicação (credor fica com o bem),
• Apropriação de valores bloqueados.
7. PAGAMENTO AO CREDOR (Art. 904)
• Após a expropriação:
• O valor arrecadado será usado para pagar o credor;
• Eventual saldo será restituído ao executado.
ESQUEMA VISUAL:
A[Início da execução] --> B[Petição com título e valor devido]
B --> C[Citação do devedor - 3 dias para pagar]
C --> D1{Pagamento?}
D1 -- Sim --> E[Fim da execução]
D1 -- Não --> F[Penhora de bens]
F --> G[Embargos à execução (15 dias após garantia)]
G --> H{Embargos acolhidos?}
H -- Sim --> I[Execução extinta ou modificada]
H -- Não --> J[Leilão, adjudicação ou apropriação]
J --> K[Pagamento ao credor e extinção da execução]
Resumo final:
A execução de título extrajudicial de quantia certa (CPC, art. 824 e seguintes)
segue o rito:Petição inicial → Citação → Prazo de 3 dias para pagar → Penhora →
Embargos (se houver) → Expropriação → Pagamento ao credor.
25. Explique esquematicamente o procedimento para execução de um título
extrajudicial que verse sobre obrigação de entregar coisa certa/incerta.
Perfeito! Vamos explicar esquematicamente o procedimento de execução de título
extrajudicial que verse sobre obrigação de entregar coisa certa ou incerta,
conforme os artigos 806 a 814 do CPC/2015.
1. TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL (Art. 784, II e IV do CPC)
Exemplo: contrato de compra e venda com cláusula de entrega de coisa certa (bem
específico) ou coisa incerta (bem genérico a ser individualizado).
Requisitos: obrigação certa, líquida e exigível.
2. PETIÇÃO INICIAL DE EXECUÇÃO (Art. 798)
A petição deve indicar:
• A descrição da coisa (se certa ou critérios para individualização, se
incerta);
• O local onde a coisa se encontra (se possível);
• Pedido de citação do devedor para cumprir voluntariamente ou apresentar
embargos.
3. CITAÇÃO DO DEVEDOR (Art. 806, parágrafo único)
• O executado é citado para:
• Entregar a coisa em 15 dias, OU
• Apresentar embargos à execução, no prazo de 15 dias, após depósito ou
apreensão da coisa.
4. CONSEQUÊNCIAS DO NÃO CUMPRIMENTO:
a) Coisa Certa (Art. 807 a 809 do CPC)
Se o devedor não entrega a coisa certa:
• O juiz ordena a busca e apreensão do bem;
• Se não for encontrada:
• A obrigação é convertida em perdas e danos, apurados e executados como
quantia certa.
b) Coisa Incerta (Art. 810 a 812 do CPC)
Se a obrigação for de coisa incerta (ex: "um cavalo de raça X"):
• O credor indica a coisa conforme os critérios do título;
• O devedor pode impugnar a escolha em 5 dias;
• Se aceita ou não impugnada, o juiz manda entregar;
• Se não entregue, segue-se o mesmo rito da coisa certa.
5. EMBARGOS À EXECUÇÃO (Art. 914 e ss.)
• O devedor pode opor embargos em até 15 dias após a apreensão ou
depósito da coisa, ou após ser citado.
6. CONVERSÃO EM PERDAS E DANOS (Art. 808 e 812)
• Se a entrega não for possível, o juiz converte a obrigação em pagamento
de indenização (execução por quantia certa).
ESQUEMA VISUAL:
A[Início da execução] --> B[Petição inicial com descrição da coisa]
B --> C[Citação do devedor (15 dias para entregar)]
C --> D1{Entregou a coisa?}
D1 -- Sim --> E[Fim da execução]
D1 -- Não --> F[Busca e apreensão (coisa certa) ou escolha pelo credor (incerta)]
F --> G{Coisa localizada?}
G -- Sim --> H[Entrega forçada ao credor]
G -- Não --> I[Conversão em perdas e danos]
I --> J[Liquidação e execução de quantia certa]
Resumo final:
A execução de título extrajudicial para entrega de coisa certa ou incerta segue o
rito dos arts. 806 a 814 do CPC:Citação → Entrega voluntária em 15 dias → Busca e
apreensão (coisa certa) / Escolha e impugnação (coisa incerta) → Entrega ou
conversão em perdas e danos.
26. Explique esquematicamente o cumprimento de sentença que verse sobre obrigação
de fazer e não fazer
1. CONCEITO:
O cumprimento de sentença é a fase em que se busca obrigar o devedor a cumprir o
que foi decidido judicialmente.Quando a sentença impõe uma obrigação de fazer ou
não fazer, o cumprimento pode ocorrer de forma espontânea ou forçada, com uso de
medidas coercitivas (astreintes).
2. FUNDAMENTO LEGAL:
Art. 536 do CPC: Aplica-se ao cumprimento de decisões que impõem ao réu uma
obrigação de fazer (ex: construir, reparar, entregar serviço) ou não fazer (ex:
parar uma obra, cessar publicação).
3. ESQUEMA DO PROCEDIMENTO:
Fase inicial: Requerimento do exequente
• O credor pede o cumprimento da sentença (art. 513).
• O juiz intima o devedor para cumprir no prazo fixado na sentença ou, se
omisso, em 15 dias.
Fase intermediária: Análise do cumprimento
A) O devedor cumpre espontaneamente:
• Processo se extingue.
**B) O devedor não cumpre:
O juiz pode:
• Aplicar astreintes (multa diária);
• Autorizar execução forçada (substituição, medidas indutivas ou
coercitivas);
• Converter a obrigação em perdas e danos (indenização em dinheiro), se
for impossível o cumprimento específico.
4. DIFERENCIAÇÃO ENTRE FAZER e NÃO FAZER:
Obrigação de Fazer:
• Ex: executar obra, prestar serviço, remover algo.
• Se não cumprir:
• O juiz pode permitir que o credor execute por terceiros às custas do
devedor (art. 536, § 1º);
• Pode haver multa diária.
Obrigação de Não Fazer:
• Ex: não divulgar, não construir, não acessar um local.
• Se descumprida:
• Pode ser impedida coercitivamente;
• Pode haver reversão do ato com multa ou perdas e danos.
5. EMBARGOS OU IMPUGNAÇÃO:
O devedor pode apresentar impugnação ao cumprimento de sentença (art. 525), com
base em:
• Cumprimento já realizado;
• Impossibilidade de execução;
• Causa extintiva da obrigação.
6. ESQUEMA VISUAL:
A[Sentença transitada em julgado (obrigação de fazer ou não fazer)]
A --> B[Credor requer cumprimento (art. 513)]
B --> C[Juiz intima o devedor para cumprir]
C --> D1{Cumpriu?}
D1 -- Sim --> E[Fim do processo]
D1 -- Não --> F[Juiz aplica multa (astreintes) e/ou medidas coercitivas]
F --> G{Cumprimento forçado possível?}
G -- Sim --> H[Execução direta: fazer por 3º ou impedir ato ilícito]
G -- Não --> I[Conversão em perdas e danos]
Resumo final:
O cumprimento de sentença que impõe obrigação de fazer ou não fazer segue o rito do
art. 536 do CPC e pode envolver:
• Intimação para cumprimento;
• Aplicação de astreintes (multas);
• Medidas coercitivas ou substitutivas;
• Conversão em perdas e danos, quando o cumprimento for inviável.
27. Explique esquematicamente o cumprimento de sentença que verse sobre obrigação
de pagar quantia certa
O cumprimento de sentença que impõe obrigação de pagar quantia certa inicia-se com
requerimento do credor (exequente), conforme o art. 523 do CPC. O devedor
(executado) será intimado a pagar em 15 dias, sob pena de aplicação de multa de 10%
sobre o valor da dívida e honorários advocatícios também de 10%. Caso não haja
pagamento, a execução segue com penhora de bens e atos expropriatórios. O devedor
poderá apresentar impugnação ao cumprimento da sentença no prazo de 15 dias, após a
penhora ou depósito da dívida.
28. Explique esquematicamente o cumprimento de sentença que verse sobre obrigação
de entregar coisa certa/incerta
No caso de sentença que impõe obrigação de entregar coisa certa, o devedor será
intimado para cumprir voluntariamente no prazo fixado. Caso não entregue, o juiz
pode determinar busca e apreensão (CPC, art. 538, c/c art. 806 a 808).Se a
obrigação for de entregar coisa incerta, o credor indicará a coisa conforme os
critérios definidos na sentença ou no título. O devedor poderá impugnar a escolha
em 5 dias. Se a entrega for impossível, a obrigação será convertida em perdas e
danos, que passam a ser executados como quantia certa.
29. O que significa responsabilidade patrimonial?
Responsabilidade patrimonial é o princípio segundo o qual o devedor responde com
todos os seus bens presentes e futuros para satisfazer obrigações inadimplidas,
conforme o art. 789 do CPC. Esse princípio fundamenta a execução forçada,
autorizando a penhora e expropriação de bens do devedor para pagamento do crédito.
Também admite exceções legais como a impenhorabilidade de bens essenciais.
30. Quais são os títulos extrajudiciais passíveis de execução no ordenamento
jurídico brasileiro?
Estão elencados no art. 784 do CPC. Alguns exemplos principais:
• Contrato assinado com cláusula de confissão de dívida;
• Cheque, nota promissória, duplicata, letra de câmbio;
• Escritura pública reconhecendo dívida;
• Contrato de fiança, seguro, locação com obrigação de pagar;
• Crédito documental reconhecido por endosso;
• Decisão arbitral;
• Documento assinado digitalmente com certificação ICP-Brasil;
• Títulos de crédito regidos por leis especiais;
• Contrato garantido por hipoteca ou penhor com cláusula executiva.
31. Quais são os requisitos necessários para que um título extrajudicial seja
passível de execução?
De acordo com o art. 783 do CPC, o título deve preencher três requisitos
essenciais:
• Certeza: a obrigação está bem definida e não depende de prova
adicional;
• Liquidez: o valor é determinado ou determinável mediante cálculo;
• Exigibilidade: a dívida já venceu e não foi cumprida.
32. Quais são os documentos que devem acompanhar a petição inicial de execução de
título extrajudicial?
Segundo o art. 798 do CPC, devem acompanhar:
• O título executivo extrajudicial original ou cópia autenticada;
• Cálculo atualizado do valor da dívida;
• Documentos que comprovem a inadimplência;
• Procuração do advogado e documentos de identificação das partes;
• Comprovante de endereço, se exigido localmente.
33. Quais são as formas possíveis de defesa do devedor em uma execução de título
extrajudicial?
O devedor pode se defender por:
• Embargos à execução (art. 914), após garantia do juízo, alegando
pagamento, nulidade do título, ilegitimidade, entre outros fundamentos;
• Exceção de pré-executividade, sem garantia do juízo, usada para alegar
matérias de ordem pública ou vícios evidentes (ex: prescrição, ausência de título);
• Ação autônoma paralela, em hipóteses excepcionais (ex: ação anulatória
de título).
34. Quais as características da exceção de pré-executividade?
É um instrumento informal e incidental que permite ao devedor apresentar defesa na
execução sem garantia do juízo, desde que aborde matérias de ordem pública ou
nulidades evidentes (ex: prescrição, ausência de título, ilegitimidade passiva).
Não tem prazo específico e pode ser usada a qualquer momento da execução, enquanto
não houver preclusão. Apesar de não prevista expressamente no CPC, é aceita pela
jurisprudência (Súmula 393 do STJ).
35. O que é embargos à execução? Quando ele é cabível?
Embargos à execução são a principal forma de defesa do executado na execução de
título extrajudicial. Previstos nos arts. 914 a 920 do CPC, são uma ação autônoma
com efeito suspensivo, cabível após a garantia do juízo (por penhora, caução ou
depósito). O prazo é de 15 dias e as alegações podem incluir: excesso de execução,
nulidade do título, pagamento, novação, prescrição, compensação, ilegitimidade,
entre outras.
36. Por que não são cabíveis embargos à execução em execução de título judicial?
Porque, nos casos de execução fundada em título judicial, ou seja, quando há uma
sentença transitada em julgado, o devedor se defende por impugnação ao cumprimento
de sentença (art. 525 do CPC). Os embargos à execução são cabíveis apenas quando se
executa um título extrajudicial, como um contrato, cheque, duplicata etc. Isso
ocorre porque, no processo judicial, o devedor já teve oportunidade de se defender
na fase de conhecimento.
37. Em que consiste o efeito suspensivo dado aos embargos à execução? A concessão
pode ser dada de ofício? Trata-se de uma regra ou de uma exceção?
O efeito suspensivo é a possibilidade de paralisar temporariamente os atos de
execução, impedindo a penhora ou expropriação de bens enquanto os embargos são
julgados. No entanto, esse efeito não é automático: o devedor deve requerê-lo
expressamente e demonstrar os requisitos da tutela provisória (probabilidade do
direito e risco de dano grave).O juiz não pode conceder de ofício esse efeito.
Trata-se de uma exceção, pois a regra é que a execução prossiga normalmente, mesmo
com a oposição de embargos.
38. Há a necessidade de se garantir o juízo em embargos à execução? E na impugnação
ao cumprimento de sentença?
Sim, para a oposição dos embargos à execução, o CPC exige que o devedor garanta o
juízo, ou seja, ofereça bens em penhora ou depósito judicial que assegurem o
pagamento do valor executado. Isso demonstra boa-fé e intenção de cumprir eventual
condenação.Por outro lado, na impugnação ao cumprimento de sentença, essa garantia
não é requisito para que o executado possa apresentar sua defesa. Assim, a
impugnação pode ser feita mesmo sem penhora prévia.
39. É preciso garantir o juízo para requerer e obter efeito suspensivo nos embargos
à execução?
Sim. A concessão de efeito suspensivo aos embargos exige que a execução esteja
garantida por penhora, depósito ou caução idônea. Sem essa garantia, o juiz não
pode apreciar o pedido de suspensão dos atos executivos. Essa exigência busca
evitar o uso abusivo dos embargos apenas para atrasar o processo.
40. Quais as matérias suscetíveis de impugnação em cumprimento de sentença?
A impugnação permite que o executado discuta questões formais e materiais da
execução judicial, como:
• Falta ou nulidade da citação (se não tiver ocorrido no processo de
conhecimento);
• Ilegitimidade das partes;
• Inexequibilidade ou inexigibilidade do título (ex: sentença
condicional);
• Erro ou excesso de execução (valores incorretos);
• Penhora incorreta ou avaliação errada de bens;
• Cumulação indevida de execuções;
• Incompetência do juízo;
• Fatos novos que extinguem ou modificam a obrigação (como pagamento,
novação, etc).
Esses pontos limitam o debate a aspectos objetivos da execução.
41. Cabe reconvenção em embargos à execução?
Não cabe reconvenção nos embargos à execução. Isso porque os embargos já são uma
forma de ação autônoma dentro do processo executivo. No entanto, é possível ao
executado formular pedido contraposto ou reconvencional indireto, desde que seja
conexo com o objeto da execução. A reconvenção, como peça autônoma, é
característica do processo de conhecimento.
42. Qual a natureza jurídica da decisão em embargos à execução? Qual o recurso
contra essa decisão?
A decisão que julga os embargos à execução tem natureza de sentença, pois resolve o
mérito da ação incidental (os embargos). Sendo assim, o recurso cabível é a
apelação.No entanto, se a decisão for interlocutória (por exemplo, indeferindo o
efeito suspensivo), o recurso adequado será o agravo de instrumento.
43. O que é arresto?
O arresto é uma medida cautelar que consiste na apreensão judicial de bens do
devedor, quando há risco de que ele se desfaça desses bens antes da penhora. O
arresto visa garantir a efetividade da execução, especialmente nos casos em que o
devedor tenta ocultar patrimônio ou está em lugar incerto. O CPC prevê sua
aplicação nos artigos 830 a 838.
44. Qual o prazo para o devedor pagar a dívida na obrigação de pagar quantia certa
no processo de execução de título extrajudicial?
Após ser citado, o devedor tem o prazo de 3 dias úteis para efetuar o pagamento do
valor cobrado (art. 829 do CPC). Se não o fizer, poderá ter bens penhorados e
responder pelas custas e honorários.
45. Quais são os casos de impenhorabilidade tratados pelo CPC?
O art. 833 do CPC enumera os bens impenhoráveis, ou seja, que não podem ser objeto
de penhora, tais como:
• Bens inalienáveis (ex: bens públicos);
• Salários e rendimentos até 50 salários mínimos, salvo para pensão
alimentícia;
• Bens de família (protegidos pela Lei 8.009/90);
• Instrumentos de trabalho;
• Pequenas propriedades rurais trabalhadas pela família;
• Poupança com saldo inferior a 40 salários mínimos;
• Alimentos e valores destinados à subsistência.
46. O que significa penhora frustrada?
A penhora frustrada ocorre quando a tentativa do oficial de justiça ou do sistema
eletrônico de localizar e apreender bens do devedor não tem sucesso, seja porque o
devedor não possui bens em seu nome, os bens são impenhoráveis ou foram ocultados.
Nesses casos, pode-se requerer o bloqueio eletrônico (Bacenjud/Sisbajud),
investigação patrimonial ou até medidas mais rigorosas.
47. Qual o recurso cabível contra a decisão que não concede efeito suspensivo aos
embargos à execução?
A decisão que nega o efeito suspensivo tem natureza interlocutória e o recurso
adequado é o agravo de instrumento, previsto no art. 1.015 do CPC. Esse recurso
visa garantir a análise urgente da decisão que mantém o andamento da execução,
mesmo diante de potencial ilegalidade.
48. Quais as matérias possíveis de serem discutidas em embargos à execução?
Conforme art. 917 do CPC, o executado pode alegar nos embargos:
• Inexigibilidade ou inexequibilidade do título;
• Ilegitimidade das partes;
• Penhora incorreta ou avaliação errada;
• Excesso de execução;
• Cumulação indevida de execuções;
• Nulidade do processo de execução;
• Qualquer causa extintiva, modificativa ou impeditiva da obrigação (ex:
pagamento, prescrição, compensação, etc.).
Esses embargos funcionam como uma ação de defesa plena contra a execução.
49. O que significa penhora?
A penhora é o ato processual pelo qual determinados bens do devedor são apreendidos
judicialmente e ficam afetados à satisfação do crédito exequendo. Funciona como uma
garantia de que, caso a dívida não seja paga, o bem penhorado poderá ser
expropriado e convertido em dinheiro para o credor.
50. O que é fraude à execução? Dê um exemplo.
A fraude à execução ocorre quando o devedor, já sabendo que está sendo executado ou
processado, transfere ou vende bens do seu patrimônio com o intuito de prejudicar o
credor e impedir o sucesso da cobrança.Exemplo: um réu, já citado em execução
fiscal, vende seu único imóvel para um terceiro de má-fé, ocultando o bem da
penhora. Essa alienação pode ser anulada judicialmente por configurar fraude.