01 Portugues
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Prefeitura de Caranaíba - MG
Português
Português
Pontuação (classificação e emprego)............................................................................. 42
Frase (classificações)...................................................................................................... 47
MATÉRIA
Uso dos “porquês”........................................................................................................... 49
Períodos simples; Períodos compostos (termos essenciais, termos integrantes e ter-
mos acessórios da oração); Períodos compostos por coordenação e subordinação
(classificações); Orações reduzidas................................................................................ 49
Concordância nominal e verbal....................................................................................... 59
Regência nominal e verbal.............................................................................................. 61
Denotação e conotação. Significação das Palavras....................................................... 64
Figuras de linguagem...................................................................................................... 65
Vícios de linguagem........................................................................................................ 70
Funções da Linguagem................................................................................................... 73
Novo acordo ortográfico.................................................................................................. 75
Questões......................................................................................................................... 79
Gabarito........................................................................................................................... 97
Leitura, compreensão, interpretação
Definição Geral
Embora correlacionados, esses conceitos se distinguem, pois sempre que compreendemos adequadamen-
te um texto e o objetivo de sua mensagem, chegamos à interpretação, que nada mais é do que as conclusões
específicas.
Exemplificando, sempre que nos é exigida a compreensão de uma questão em uma avaliação, a resposta
será localizada no próprio texto, posteriormente, ocorre a interpretação, que é a leitura e a conclusão funda-
mentada em nossos conhecimentos prévios.
Compreensão de Textos
Resumidamente, a compreensão textual consiste na análise do que está explícito no texto, ou seja, na
identificação da mensagem. É assimilar (uma devida coisa) intelectualmente, fazendo uso da capacidade de
entender, atinar, perceber, compreender.
Compreender um texto é captar, de forma objetiva, a mensagem transmitida por ele. Portanto, a compreen-
são textual envolve a decodificação da mensagem que é feita pelo leitor.
Por exemplo, ao ouvirmos uma notícia, automaticamente compreendemos a mensagem transmitida por ela,
assim como o seu propósito comunicativo, que é informar o ouvinte sobre um determinado evento.
Interpretação de Textos
É o entendimento relacionado ao conteúdo, ou melhor, os resultados aos quais chegamos por meio da as-
sociação das ideias e, em razão disso, sobressai ao texto. Resumidamente, interpretar é decodificar o sentido
de um texto por indução.
A interpretação de textos compreende a habilidade de se chegar a conclusões específicas após a leitura de
algum tipo de texto, seja ele escrito, oral ou visual.
Grande parte da bagagem interpretativa do leitor é resultado da leitura, integrando um conhecimento que
foi sendo assimilado ao longo da vida. Dessa forma, a interpretação de texto é subjetiva, podendo ser diferente
entre leitores.
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“A Constituição garante o direito à educação para todos e a inclusão surge para garantir esse direito também
aos alunos com deficiências de toda ordem, permanentes ou temporárias, mais ou menos severas.”
Resolução:
Em “A” – Errado: o texto é sobre direito à educação, incluindo as pessoas com deficiência, ou seja, inclusão
de pessoas na sociedade.
Em “B” – Certo: o complemento “mais ou menos severas” se refere à “deficiências de toda ordem”, não às
leis.
Em “C” – Errado: o advérbio “também”, nesse caso, indica a inclusão/adição das pessoas portadoras de
deficiência ao direito à educação, além das que não apresentam essas condições.
Em “D” – Errado: além de mencionar “deficiências de toda ordem”, o texto destaca que podem ser “perma-
nentes ou temporárias”.
Em “E” – Errado: este é o tema do texto, a inclusão dos deficientes.
Resposta: Letra B.
A compreensão básica do texto permite o entendimento de todo e qualquer texto ou discurso, com base na
ideia transmitida pelo conteúdo. Ademais, compreender relações semânticas é uma competência imprescindível
no mercado de trabalho e nos estudos.
A interpretação de texto envolve explorar várias facetas, desde a compreensão básica do que está escrito
até as análises mais profundas sobre significados, intenções e contextos culturais. No entanto, Quando não
se sabe interpretar corretamente um texto pode-se criar vários problemas, afetando não só o desenvolvimento
profissional, mas também o desenvolvimento pessoal.
Busca de sentidos
Para a busca de sentidos do texto, pode-se extrair os tópicos frasais presentes em cada parágrafo. Isso
auxiliará na compreensão do conteúdo exposto, uma vez que é ali que se estabelecem as relações hierárquicas
do pensamento defendido, seja retomando ideias já citadas ou apresentando novos conceitos.
Por fim, concentre-se nas ideias que realmente foram explicitadas pelo autor. Textos argumentativos não
costumam conceder espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Deve-se
atentar às ideias do autor, o que não implica em ficar preso à superfície do texto, mas é fundamental que não
se criem suposições vagas e inespecíficas.
Importância da interpretação
A prática da leitura, seja por prazer, para estudar ou para se informar, aprimora o vocabulário e dinamiza
o raciocínio e a interpretação. Ademais, a leitura, além de favorecer o aprendizado de conteúdos específicos,
aprimora a escrita.
Uma interpretação de texto assertiva depende de inúmeros fatores. Muitas vezes, apressados, descuidamo-
nos dos detalhes presentes em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz suficiente. Interpretar exige
paciência e, por isso, sempre releia o texto, pois a segunda leitura pode apresentar aspectos surpreendentes
que não foram observados previamente.
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Para auxiliar na busca de sentidos do texto, pode-se também retirar dele os tópicos frasais presentes em
cada parágrafo, isso certamente auxiliará na apreensão do conteúdo exposto. Lembre-se de que os parágrafos
não estão organizados, pelo menos em um bom texto, de maneira aleatória, se estão no lugar que estão, é
porque ali se fazem necessários, estabelecendo uma relação hierárquica do pensamento defendido; retomando
ideias já citadas ou apresentando novos conceitos.
Concentre-se nas ideias que de fato foram explicitadas pelo autor: os textos argumentativos não costumam
conceder espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Devemos nos ater às
ideias do autor, isso não quer dizer que você precise ficar preso na superfície do texto, mas é fundamental que
não criemos, à revelia do autor, suposições vagas e inespecíficas.
Ler com atenção é um exercício que deve ser praticado à exaustão, assim como uma técnica, que fará de
nós leitores proficientes.
gênero, tipo, objetivo e meio de circulação de textos diversos (dentre outros, charges,
notícias, tirinhas, cartuns, anúncios, reportagens, contos, fábulas, anúncios, artigos
científicos e de opinião...)
Definições e diferenciação: tipos textuais e gêneros textuais são dois conceitos distintos, cada um com
sua própria linguagem e estrutura. Os tipos textuais se classificam em razão da estrutura linguística, enquanto
os gêneros textuais têm sua classificação baseada na forma de comunicação.
Dessa forma, os gêneros são variedades existentes no interior dos modelos pré-estabelecidos dos tipos
textuais. A definição de um gênero textual é feita a partir dos conteúdos temáticos que apresentam sua estrutura
específica. Logo, para cada tipo de texto, existem gêneros característicos.
Texto narrativo: esse tipo textual se estrutura em apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho. Es-
ses textos se caracterizam pela apresentação das ações de personagens em um tempo e espaço determinado.
Os principais gêneros textuais que pertencem ao tipo textual narrativo são: romances, novelas, contos, crônicas
e fábulas.
Texto descritivo: esse tipo compreende textos que descrevem lugares, seres ou relatam acontecimentos.
Em geral, esse tipo de texto contém adjetivos que exprimem as emoções do narrador, e, em termos de gêneros,
abrange diários, classificados, cardápios de restaurantes, folhetos turísticos, relatos de viagens, etc.
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Texto expositivo: corresponde ao texto cuja função é transmitir ideias utilizando recursos de definição,
comparação, descrição, conceituação e informação. Verbetes de dicionário, enciclopédias, jornais, resumos
escolares, entre outros, fazem parte dos textos expositivos.
Texto injuntivo: esse tipo de texto tem como finalidade orientar o leitor, ou seja, expor instruções, de forma
que o emissor procure persuadir seu interlocutor. Em razão disso, o emprego de verbos no modo imperativo é
sua característica principal. Pertencem a este tipo os gêneros bula de remédio, receitas culinárias, manuais de
instruções, entre outros.
Texto prescritivo: essa tipologia textual tem a função de instruir o leitor em relação ao procedimento. Esses
textos, de certa forma, impedem a liberdade de atuação do leitor, pois decretam que ele siga o que diz o texto.
Os gêneros que pertencem a esse tipo de texto são: leis, cláusulas contratuais, editais de concursos públicos.
GÊNEROS TEXTUAIS
— Introdução
Os gêneros textuais são estruturas essenciais para a comunicação eficaz. Eles organizam a linguagem de
forma que atenda às necessidades específicas de diferentes contextos comunicativos. Desde a antiguidade, a
humanidade tem desenvolvido e adaptado diversas formas de expressão escrita e oral para facilitar a troca de
informações, ideias e emoções.
Na prática cotidiana, utilizamos gêneros textuais diversos para finalidades variadas. Quando seguimos uma
receita, por exemplo, utilizamos um gênero textual específico para a instrução culinária. Ao ler um jornal, nos
deparamos com gêneros como a notícia, o editorial e a reportagem, cada um com sua função e características
distintas.
Esses gêneros refletem a diversidade e a complexidade das interações humanas e são moldados pelas
necessidades sociais, culturais e históricas.
Compreender os gêneros textuais é fundamental para a produção e interpretação adequadas de textos.
Eles fornecem uma moldura que orienta o produtor e o receptor na construção e na compreensão do discurso.
A familiaridade com as características de cada gênero facilita a adequação do texto ao seu propósito comuni-
cativo, tornando a mensagem mais clara e eficaz.
— Definição e Importância
Gêneros textuais são formas específicas de estruturação da linguagem que se adequam a diferentes situa-
ções comunicativas. Eles emergem das práticas sociais e culturais, variando conforme o contexto, o propósito
e os interlocutores envolvidos. Cada gênero textual possui características próprias que determinam sua forma,
conteúdo e função, facilitando a interação entre o autor e o leitor ou ouvinte.
Os gêneros textuais são fundamentais para a organização e a eficácia da comunicação. Eles ajudam a mol-
dar a expectativa do leitor, orientando-o sobre como interpretar e interagir com o texto. Além disso, fornecem
ao autor uma estrutura clara para a construção de sua mensagem, garantindo que esta seja adequada ao seu
propósito e público-alvo.
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Exemplos:
Receita de Culinária:
- Estrutura: Lista de ingredientes seguida de um passo a passo.
- Finalidade: Instruir o leitor sobre como preparar um prato.
- Características: Linguagem clara e objetiva, uso de imperativos (misture, asse, sirva).
Artigo de Opinião:
- Estrutura: Introdução, desenvolvimento de argumentos, conclusão.
- Finalidade: Persuadir o leitor sobre um ponto de vista.
- Características: Linguagem formal, argumentos bem fundamentados, presença de evidências.
Notícia:
- Estrutura: Título, lead (resumo inicial), corpo do texto.
- Finalidade: Informar sobre um fato recente de interesse público.
- Características: Linguagem objetiva e clara, uso de verbos no passado, presença de dados e citações.
Facilitam a Comunicação:
Ao seguirem estruturas padronizadas, os gêneros textuais tornam a comunicação mais previsível e com-
preensível. Isso é particularmente importante em contextos formais, como o acadêmico e o profissional, onde a
clareza e a precisão são essenciais.
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Gêneros Narrativos
Os gêneros narrativos são caracterizados por contar uma história, real ou fictícia, através de uma sequência
de eventos que envolvem personagens, cenários e enredos. Eles são amplamente utilizados tanto na literatura
quanto em outras formas de comunicação, como o jornalismo e o cinema. A seguir, exploramos alguns dos
principais gêneros narrativos, destacando suas características, estruturas e finalidades.
• Romance
Estrutura e Características:
• Cenário: Detalhado e bem desenvolvido, proporcionando um pano de fundo rico para a narrativa.
• Linguagem: Variada, podendo ser mais formal ou informal dependendo do público-alvo e do estilo do
autor.
Finalidade:
- Entreter e envolver o leitor em uma história extensa e complexa.
- Explorar temas profundos e variados, como questões sociais, históricas, psicológicas e filosóficas.
Exemplo:
- “Dom Casmurro” de Machado de Assis, que explora a dúvida e o ciúme através da narrativa do protago-
nista Bento Santiago.
• Conto
Estrutura e Características:
• Personagens: Menos desenvolvidos que no romance, mas ainda significativos para a trama.
Finalidade:
- Causar impacto rápido e duradouro.
- Explorar uma ideia ou emoção de maneira direta e eficaz.
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Exemplo:
- “O Alienista” de Machado de Assis, que narra a história do Dr. Simão Bacamarte e sua obsessão pela cura
da loucura.
• Fábula
Estrutura e Características:
• Extensão: Curta.
Finalidade:
- Transmitir lições de moral ou ensinamentos éticos.
- Entreter, especialmente crianças, de forma educativa.
Exemplo:
- “A Cigarra e a Formiga” de Esopo, que ensina a importância da preparação e do trabalho árduo.
• Novela
Estrutura e Características:
• Enredo: Mais desenvolvido que um conto, mas menos complexo que um romance.
Finalidade:
- Entreter com uma narrativa envolvente e bem estruturada, mas de leitura mais rápida que um romance.
- Explorar temas e situações com profundidade, sem a extensão de um romance.
Exemplo:
- “O Alienista” de Machado de Assis, que também pode ser classificado como novela devido à sua extensão
e complexidade.
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• Crônica
Estrutura e Características:
• Personagens: Pode focar em personagens reais ou fictícios, muitas vezes baseados em figuras do coti-
diano.
• Enredo: Baseado em eventos cotidianos, com um toque pessoal e muitas vezes humorístico.
Finalidade:
- Refletir sobre aspectos do cotidiano de forma leve e crítica.
- Entreter e provocar reflexões no leitor sobre temas triviais e cotidianos.
Exemplo:
- As crônicas de Rubem Braga, que capturam momentos e reflexões do cotidiano brasileiro.
• Diário
Estrutura e Características:
Finalidade:
- Registrar eventos e emoções pessoais.
- Servir como uma ferramenta de auto-reflexão e autoconhecimento.
Exemplo:
- “O Diário de Anne Frank,” que narra as experiências de uma jovem judia escondida durante a Segunda
Guerra Mundial.
Os gêneros narrativos desempenham um papel crucial na literatura e na comunicação em geral. Eles per-
mitem que histórias sejam contadas de maneiras variadas, atendendo a diferentes propósitos e públicos. Co-
nhecer as características e finalidades de cada gênero narrativo é essencial para a produção e interpretação
eficazes de textos, enriquecendo a experiência literária e comunicativa.
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Gêneros Descritivos
Os gêneros descritivos são caracterizados pela ênfase na descrição detalhada de objetos, pessoas, luga-
res, situações ou processos. O objetivo principal desses textos é pintar uma imagem vívida na mente do leitor,
permitindo que ele visualize e compreenda melhor o assunto descrito. A seguir, exploramos os principais gêne-
ros descritivos, destacando suas características, estruturas e finalidades.
• Currículo
Estrutura e Características:
• Experiência Profissional: Lista de empregos anteriores com descrições das responsabilidades e realiza-
ções.
Finalidade:
- Apresentar as qualificações e experiências de uma pessoa de maneira clara e organizada para candidatu-
ras a empregos ou programas acadêmicos.
Características:
- Linguagem objetiva e concisa.
- Estrutura organizada e fácil de ler.
- Foco em informações relevantes para a posição desejada.
Exemplo:
Um currículo detalha as habilidades de um candidato a uma vaga de emprego, destacando suas experiên-
cias anteriores, formações e competências específicas, facilitando a avaliação por parte dos recrutadores.
• Laudo
Estrutura e Características:
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• Conclusão: Interpretação dos resultados e recomendações, se aplicável.
Finalidade:
- Fornecer uma avaliação detalhada e técnica sobre determinado assunto, baseando-se em análises, exa-
mes ou perícias.
Características:
- Linguagem técnica e precisa.
- Descrição objetiva dos procedimentos e resultados.
- Estrutura clara e organizada.
Exemplo:
Um laudo médico detalha os resultados de um exame de imagem, descrevendo as condições observadas e
fornecendo uma interpretação profissional sobre o estado de saúde do paciente.
• Relatório
Estrutura e Características:
Finalidade:
- Informar sobre o progresso, resultados ou conclusões de uma pesquisa, projeto ou atividade específica.
Características:
- Linguagem clara e objetiva.
- Estrutura organizada e lógica.
- Foco na apresentação de dados e análises detalhadas.
Exemplo:
Um relatório de pesquisa detalha os achados de um estudo científico, apresentando dados coletados, mé-
todos utilizados e conclusões derivadas da análise dos dados.
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• Folheto Turístico
Estrutura e Características:
• Informações Práticas: Detalhes sobre como chegar, acomodações, restaurantes e atividades recomen-
dadas.
Finalidade:
- Informar e atrair turistas para um determinado destino, destacando suas principais atrações e facilidades.
Características:
- Linguagem persuasiva e descritiva.
- Uso de imagens atraentes.
- Estrutura organizada para facilitar a leitura e a localização de informações.
Exemplo:
Um folheto turístico sobre Paris descreve a Torre Eiffel, o Louvre e outros pontos de interesse, incluindo
mapas e dicas práticas para visitantes.
• Cardápio
Estrutura e Características:
• Seções: Divisão por categorias de pratos (entradas, pratos principais, sobremesas, bebidas).
• Descrição dos Pratos: Nome, ingredientes principais e modo de preparo de cada prato.
Finalidade:
- Informar os clientes sobre as opções de alimentos e bebidas disponíveis em um restaurante ou estabele-
cimento similar.
Características:
- Linguagem descritiva e atrativa.
- Estrutura organizada por categorias.
- Clareza nas descrições e nos preços.
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Exemplo:
Um cardápio de restaurante italiano descreve pratos como lasanha, espaguete à bolonhesa e tiramisu, in-
cluindo detalhes sobre os ingredientes e preços.
Os gêneros descritivos são fundamentais para a comunicação detalhada e precisa de informações. Eles
permitem que os leitores visualizem e compreendam melhor os assuntos descritos, facilitando a transmissão
de conhecimento e a tomada de decisões. Conhecer e dominar esses gêneros é essencial para a produção de
textos claros e eficazes em contextos variados.
Gêneros Expositivos
Os gêneros expositivos são aqueles que apresentam informações de maneira clara, objetiva e organizada,
com o objetivo de explicar, informar ou esclarecer determinado assunto. Esses textos são amplamente utiliza-
dos em contextos educacionais, científicos e informativos. A seguir, exploramos os principais gêneros expositi-
vos, destacando suas características, estruturas e finalidades.
• Resumo
Estrutura e Características:
• Extensão: Curta.
Finalidade:
- Apresentar de forma concisa os pontos principais de um texto maior, facilitando a compreensão rápida do
conteúdo.
Características:
- Síntese dos principais argumentos, fatos ou ideias.
- Exclusão de detalhes secundários e exemplos.
- Pode ser utilizado como ferramenta de estudo ou introdução a um tema.
Exemplo:
Um resumo de um artigo científico destaca os objetivos, métodos, resultados e conclusões principais, per-
mitindo ao leitor compreender o conteúdo sem ler o texto completo.
Resenha
Estrutura e Características:
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Finalidade:
- Informar sobre o conteúdo de uma obra e apresentar uma análise crítica que possa orientar a percepção
do leitor.
Características:
- Combinação de resumo e opinião crítica.
- Linguagem clara e objetiva, mas com espaço para a subjetividade do resenhista.
- Utilizada para influenciar a recepção de obras literárias, científicas, cinematográficas, entre outras.
Exemplo:
Uma resenha de um filme descreve a trama principal, avalia as atuações e a direção, e oferece uma opinião
sobre a qualidade e impacto do filme.
• Verbete de Dicionário
Estrutura e Características:
Finalidade:
- Esclarecer o significado e uso de palavras ou termos específicos.
Características:
- Linguagem objetiva e precisa.
- Estrutura padronizada para facilitar a consulta.
- Pode incluir informações adicionais, como etimologia e sinônimos.
Exemplo:
Um verbete de dicionário define a palavra “democracia” como “sistema de governo no qual o poder é exer-
cido pelo povo, diretamente ou através de representantes eleitos.”
• Relatório Científico
Estrutura e Características:
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• Resultados: Apresentação dos dados coletados, geralmente com tabelas e gráficos.
Finalidade:
- Documentar e comunicar os resultados de uma pesquisa científica.
Características:
- Linguagem técnica e precisa.
- Estrutura rigorosa e organizada.
- Uso de evidências e referências para apoiar os achados.
Exemplo:
Um relatório científico sobre os efeitos de um novo medicamento detalha o objetivo do estudo, métodos de
pesquisa, resultados obtidos e conclusões sobre a eficácia do medicamento.
• Conferência
Estrutura e Características:
Finalidade:
- Expor conhecimentos e pontos de vista sobre determinado assunto, geralmente em um contexto acadê-
mico ou profissional.
Características:
- Linguagem formal e clara.
- Estrutura lógica e coerente.
- Pode incluir elementos argumentativos.
Exemplo:
Uma conferência sobre mudanças climáticas aborda as causas, efeitos e possíveis soluções para o aqueci-
mento global, utilizando dados científicos e opiniões de especialistas.
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Outros Exemplos de Gêneros Expositivos:
Enciclopédia:
Resumo Escolar:
Gêneros Argumentativos
Os gêneros argumentativos são aqueles que têm como objetivo principal convencer o leitor ou ouvinte sobre
determinado ponto de vista, utilizando argumentos lógicos, evidências e técnicas persuasivas. Esses gêneros
são amplamente utilizados em contextos acadêmicos, políticos e midiáticos. A seguir, exploramos os principais
gêneros argumentativos, destacando suas características, estruturas e finalidades.
• Artigo de Opinião
Estrutura e Características:
• Desenvolvimento: Exposição dos argumentos, cada um suportado por evidências, exemplos ou dados.
Finalidade:
- Persuadir o leitor sobre um ponto de vista específico em relação a um tema atual ou polêmico.
Características:
- Linguagem formal e clara.
- Presença de argumentos bem fundamentados.
- Uso de dados, exemplos e citações para apoiar os argumentos.
- Pode incluir um tom pessoal, refletindo a opinião do autor.
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Exemplo:
Um artigo de opinião em um jornal pode argumentar a favor de políticas ambientais mais rígidas, apresen-
tando dados sobre mudanças climáticas e exemplos de sucesso em outros países.
• Discurso Político
Estrutura e Características:
Finalidade:
- Persuadir e mobilizar o público em torno de ideias, propostas ou candidaturas políticas.
Características:
- Linguagem persuasiva e emocional.
- Uso de retórica e oratória.
- Referências a valores e ideais comuns ao público-alvo.
- Pode incluir ataques a opositores e promessas de melhoria.
Exemplo:
Um discurso de campanha eleitoral busca convencer os eleitores a votarem em determinado candidato,
destacando suas qualidades, propostas e a criticando adversários.
• Requerimento
Estrutura e Características:
Finalidade:
- Solicitar formalmente um direito, benefício ou ação específica, convencendo a autoridade competente da
legitimidade do pedido.
Características:
- Linguagem formal e objetiva.
- Argumentação lógica e fundamentada.
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- Estrutura clara e direta.
Exemplo:
Um requerimento de isenção de taxa de concurso público apresenta argumentos baseados na legislação e
na situação socioeconômica do requerente.
• Manifesto
Estrutura e Características:
Finalidade:
- Declarar publicamente uma posição política, ideológica ou social, buscando apoio e mobilização.
Características:
- Linguagem enfática e persuasiva.
- Uso de retórica e apelo emocional.
- Clareza na exposição dos objetivos e propostas.
Exemplo:
Um manifesto ambiental pode denunciar a destruição de florestas e convocar a sociedade a se engajar em
ações de preservação.
• Abaixo-Assinado
Estrutura e Características:
Finalidade:
- Reunir assinaturas para apoiar uma causa, demonstrando a relevância e o apoio popular ao tema.
Características:
- Linguagem clara e persuasiva.
- Argumentação lógica e fundamentada.
- Apelo emocional para mobilizar os signatários.
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Exemplo:
Um abaixo-assinado contra o fechamento de uma escola local apresenta argumentos sobre a importância
da instituição para a comunidade e os impactos negativos do fechamento.
• Sermão
Estrutura e Características:
• Desenvolvimento: Exposição dos ensinamentos, com base em textos sagrados, exemplos e histórias.
Finalidade:
- Transmitir ensinamentos religiosos e morais, persuadindo a audiência a seguir determinados preceitos e
comportamentos.
Características:
- Linguagem formal e respeitosa.
- Uso de retórica e apelo emocional.
- Referências a textos sagrados e histórias exemplares.
Exemplo:
Um sermão sobre a caridade utiliza passagens bíblicas e exemplos de vida para persuadir a congregação
a praticar a generosidade.
Os gêneros argumentativos são essenciais para a comunicação persuasiva em diversos contextos, desde
o político até o religioso. Eles utilizam técnicas retóricas e argumentativas para convencer o leitor ou ouvinte,
apoiando-se em evidências e apelos emocionais. Conhecer e dominar esses gêneros é fundamental para a
produção e interpretação eficazes de textos que visam influenciar opiniões e ações.
Gêneros Injuntivos
Os gêneros injuntivos são aqueles que têm como objetivo principal instruir, orientar ou dirigir o leitor sobre
como realizar determinada ação ou procedimento. Eles são amplamente utilizados em contextos práticos, como
manuais, receitas e bulas de remédio, onde a clareza e a precisão das instruções são essenciais para garantir
a correta execução das atividades descritas. A seguir, exploramos os principais gêneros injuntivos, destacando
suas características, estruturas e finalidades.
• Manual de Instruções
Estrutura e Características:
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• Instruções de Uso: Passo a passo detalhado sobre como montar, operar ou manter o produto.
• Cuidados e Manutenção: Orientações sobre como cuidar e prolongar a vida útil do produto.
Finalidade:
- Orientar o usuário sobre como utilizar um produto de maneira correta e segura.
Características:
- Linguagem clara, objetiva e direta.
- Uso de imperativos e instruções passo a passo.
- Ilustrações e diagramas para facilitar a compreensão.
Exemplo:
Um manual de instruções para uma máquina de café detalha o processo de montagem, operação, limpeza
e manutenção, utilizando diagramas para ilustrar cada etapa.
• Receita Culinária
Estrutura e Características:
Finalidade:
- Instruir o leitor sobre como preparar um prato específico.
Características:
- Linguagem clara e direta.
- Uso de verbos no imperativo (misture, asse, sirva).
- Estrutura organizada em etapas sequenciais.
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Exemplo:
Uma receita de bolo de chocolate lista os ingredientes necessários e descreve, passo a passo, como prepa-
rar a massa, assar o bolo e preparar a cobertura.
• Bula de Remédio
Estrutura e Características:
• Posologia e Modo de Usar: Instruções detalhadas sobre como e quando tomar o medicamento.
Finalidade:
- Fornecer informações detalhadas sobre o uso correto e seguro do medicamento.
Características:
- Linguagem técnica e precisa.
- Estrutura clara e organizada em seções.
- Uso de verbos no imperativo para instruções.
Exemplo:
A bula de um analgésico descreve a composição do medicamento, indicações, posologia, contraindicações
e possíveis efeitos colaterais, orientando o paciente sobre seu uso seguro.
• Edital de Concurso
Estrutura e Características:
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• Etapas do Concurso: Descrição detalhada das fases do processo seletivo.
Finalidade:
- Informar e orientar os candidatos sobre as etapas, requisitos e procedimentos de um concurso público.
Características:
- Linguagem formal e clara.
- Estrutura organizada em seções.
- Uso de verbos no imperativo para instruções.
Exemplo:
Um edital de concurso para professor detalha os requisitos para inscrição, as fases do processo seletivo, o
conteúdo programático das provas e os critérios de avaliação.
• Instruções de Uso
Estrutura e Características:
Finalidade:
- Orientar o leitor sobre como realizar uma tarefa específica de maneira correta e segura.
Características:
- Linguagem clara e objetiva.
- Uso de imperativos e passos sequenciais.
- Ilustrações ou diagramas para facilitar a compreensão.
Exemplo:
Instruções de uso de um aplicativo de celular detalham como baixar, instalar e configurar o app, utilizando
capturas de tela para ilustrar cada etapa.
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• Regulamento
Estrutura e Características:
Finalidade:
- Estabelecer normas e regras para a realização de atividades ou eventos.
Características:
- Linguagem formal e clara.
- Estrutura organizada em seções.
- Uso de verbos no imperativo para instruções.
Exemplo:
Um regulamento de um torneio esportivo detalha as regras do jogo, os critérios de desempate, as penalida-
des para infrações e as disposições finais sobre a organização do evento.
Os gêneros injuntivos desempenham um papel crucial na comunicação prática, orientando e instruindo os
leitores sobre como realizar diversas atividades e procedimentos. Eles são caracterizados pela linguagem clara
e objetiva, pela estrutura organizada e pelo uso de verbos no imperativo, garantindo que as instruções sejam
compreendidas e seguidas corretamente. Conhecer e dominar esses gêneros é essencial para a produção de
textos eficazes em contextos variados.
— Conclusão
Os gêneros textuais desempenham um papel fundamental na comunicação escrita e oral, moldando e orga-
nizando a linguagem de acordo com diferentes contextos e finalidades. A compreensão dos diversos gêneros
textuais é essencial para a produção e interpretação eficazes de textos, permitindo que a mensagem seja trans-
mitida de maneira clara e adequada ao público-alvo.
• Facilitam a Comunicação: Os gêneros textuais padronizam a estrutura e a linguagem dos textos, tor-
nando a comunicação mais previsível e compreensível. Isso é especialmente importante em contextos formais,
como o acadêmico e o profissional, onde a clareza e a precisão são essenciais.
• Ajudam na Organização do Pensamento: A familiaridade com diferentes gêneros textuais auxilia na or-
ganização das ideias e na construção lógica do discurso, tanto na produção quanto na interpretação de textos.
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• Promovem a Eficácia Comunicativa: Cada gênero textual é adaptado a uma finalidade específica, o que
aumenta a eficácia da comunicação. Por exemplo, um artigo de opinião visa persuadir o leitor sobre um ponto
de vista, enquanto um manual de instruções busca orientar o usuário sobre como utilizar um produto.
• Refletem e Moldam Práticas Sociais: Os gêneros textuais não apenas refletem as práticas sociais e
culturais, mas também ajudam a moldá-las, adaptando-se a novas formas de comunicação, como as mídias
digitais.
• Gêneros Narrativos: Contam histórias através de uma sequência de eventos envolvendo personagens e
cenários. Exemplos incluem romances, contos, fábulas, novelas, crônicas e diários.
• Gêneros Descritivos: Destacam-se pela descrição detalhada de objetos, pessoas, lugares ou situações.
Exemplos incluem currículos, laudos, relatórios, folhetos turísticos e cardápios.
• Gêneros Expositivos: Apresentam informações de maneira clara e organizada, com o objetivo de explicar
ou informar. Exemplos incluem resumos, resenhas, verbetes de dicionário, relatórios científicos e conferências.
• Gêneros Argumentativos: Visam convencer o leitor ou ouvinte sobre um ponto de vista, utilizando argu-
mentos lógicos e evidências. Exemplos incluem artigos de opinião, discursos políticos, requerimentos, manifes-
tos, abaixo-assinados e sermões.
• Gêneros Injuntivos: Orientam e instruem sobre como realizar determinadas ações ou procedimentos.
Exemplos incluem manuais de instruções, receitas culinárias, bulas de remédio, editais de concurso, instruções
de uso e regulamentos.
Compreender os gêneros textuais é crucial para a comunicação eficaz em diversas situações e contextos.
Eles fornecem as ferramentas necessárias para que autores e leitores se orientem na construção e interpreta-
ção de textos, facilitando a transmissão clara e precisa de informações.
A familiaridade com diferentes gêneros textuais não apenas aprimora a habilidade de escrever, mas também
de interpretar e analisar textos de forma crítica e informada. Assim, o estudo dos gêneros textuais é uma com-
petência indispensável para estudantes, profissionais e qualquer pessoa que deseja se comunicar de maneira
eficaz e eficiente.
CHARGE
A charge ou cartum é um desenho de caráter humorístico, geralmente veiculado pela imprensa. Ela também
pode ser considerada como texto. Trata-se de um tipo de texto muito importante na mídia atual, graças à sua
capacidade de fazer, de modo sintético, críticas político-sociais.1
Características
- Crítica a fatos sociais e políticos;
- Baseado em notícia jornalística;
- Texto visual devido a linguagem não verbal (desenhos);
- Considera uma narrativa temporária, brevidade;
- Sempre atual, assuntos relacionados a atualidade.
1 https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/interpretacao-de-charges-relacione-a-imagem-a-seus-co-
nhecimentos-previos-de-atualidades.htm
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Exemplo: O tema proposto para a prova de redação era “O indivíduo frente à ética nacional”, que vinha,
como de costume, acompanhado de uma coletânea composta por dois textos opinativos, publicados na mídia
impressa, e a seguinte charge de Millôr Fernandes:
Millôr Fernandes
http://www2.uol.com.br/millor
A charge discute a honestidade social a partir de uma cena irônica: a lamentação de um indivíduo que, por
só poder lidar com gente honesta, encontra-se num deserto.
A charge, associada aos textos da coletânea e ao tema anunciado na proposta, compunham um panorama
mais amplo do problema incluído na proposta, conduzindo o leitor a alguns questionamentos que poderiam
direcionar a elaboração de seu texto:
- Existe alguma pessoa completamente honesta no mundo? O que isso significa?
- O indivíduo que chama os outros de desonestos e antiéticos apresenta realmente um comportamento ético
que o diferencie dos demais?
- O fato de acharmos que a maioria age de modo antiético nos daria o direito de assim também o fazer, para
não sermos os únicos diferentes?
- A ética que deveria nortear as relações humanas é hoje característica de poucos? Ela se tornou uma ex-
ceção?
Essa proposta de redação possibilitou construírem sua argumentação a partir dos exemplos que melhor se
adequassem à sua linha de raciocínio.
Os temas de charges, porém, nem sempre são assim tão amplos. Eles podem estar ligados a acontecimen-
tos específicos de uma época ou local, o que é muito frequente nas charges diárias. Quando são publicadas
em jornais regionais, por exemplo, as charges podem fazer referência a fatos que não são conhecidos por mo-
radores de outras cidades ou Estados (fator regional), o que lhes dificulta a compreensão.
Nos jornais de grande alcance, as charges normalmente recuperam os assuntos que ganharam destaque
nacional nos dias anteriores. Abaixo veremos três exemplos de charges, todas referentes ao mesmo tema: a
queda do governador de São Paulo, José Serra, nas pesquisas que avaliam a intenção de voto do eleitor bra-
sileiro para a campanha presidencial.
Para compreendê-las, o leitor precisa acionar uma série de conhecimentos prévios que já possui no seu
próprio repertório cultural. Vamos examinar cada um dos casos:
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www.juniao.com.br
Como todos sabemos, durante as campanhas eleitorais, os candidatos precisam expor suas ideias, e suas
propostas. A charge, entretanto, ressalta a necessidade do candidato não “falar demais”, ou seja, nesse caso,
não prometer aquilo que ele não será capaz de cumprir, com a finalidade de ganhar o voto do eleitor.
http://arquivosimpertinentes.blogspot.com.br/
Aqui não há texto verbal. A imagem traz um homem sendo “guiado” pela televisão, como se fosse um cava-
lo. Essa charge nos remete à forma como o sensacionalismo e a apelação está levando o povo a ver e acreditar
apenas naquilo que é transmitido, sem cultivar no público a noção de interpretação dos fatos e opinião própria
à respeito dos acontecimentos.
A leitura interpretativa de charges é uma habilidade cada vez mais cobrada em provas em geral, tanto nas
questões de língua portuguesa quanto nos temas de redação. Isso acontece porque a charge é um modelo de
texto que extrapola a linguagem verbal (por vezes até nem usada), exige um bom nível de conhecimento de
mundo e competência para inferir críticas e relacionar fatos sociais. Por isso, treine a leitura de charges, procure
ampliar seu nível de compreensão e evite ser surpreendido.
TIRINHAS
As tirinhas, de acordo com Leide Vilma Pereira Santos são narrativas curtas, desenvolvidas geralmente em
três quadros, ou mais, caracterizados por diálogos somados a elementos visuais, mais especificamente pela
inferência sugerida pelo quadrinho, ao ponto que o leitor se sente como o personagem.
O desfecho inesperado, é o que provoca o efeito de humor a leitura. E o que reforça a ideia de que a história
surpreende em seu final é a expressão facial e o que é dito, sugerindo ao leitor um ar de desdém.
A fonte de comicidade reside mais nos elementos verbais. O aspecto visual, embora importante é tido como
complementar, assim a explicação se ancora em elementos linguísticos. Existem casos que o aspecto visual,
sobrepõe-se ao verbal, a fonte da comicidade está na leitura visual e na inferência que ela permite.
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Vale mencionar que há narrativas que apresentam um quadro só, sem diálogos e tem como elemento me-
diador ou disjuntor o recurso visual e não o linguístico.
Ainda tem casos em que os elementos visuais e verbais trabalham de forma mais harmoniosas sendo am-
bos igualmente relevantes.
As tirinhas em quadrinhos, são definidas por Santos, como uma forma de comunicação visual impressa que
se soma a elementos verbais para compor uma narrativa. Podendo ser publicada de diversas maneiras, entre
elas o formato mais comum seria as tirinhas, como vemos diariamente nos cadernos de cultura dos jornais de
nosso estado.
Segundo Santos as tirinhas podem ser apresentadas de duas formas distintas:
- A primeira como trecho de uma narrativa maior em que apenas uma parte da história é apresentada ao
leitor, o funcionamento seria parecido com o de uma novela de televisão em que o telespectador vivencia em
doses diárias uma história mais longa. Nas tirinhas, a cada dia, o leitor lê um pedaço da aventura (servem de
exemplo os personagens de Mandrake e Fantasma, entre outros) que em geral não tem cunho cômico.
- A segunda é a que nos interessa, é a tirinha humorística, como foi chamada pelo autor. Seria uma história
que apresenta uma gag, termo entendido por Santos como uma piada diária, dado que na maioria dos casos,
é publicada diariamente pelos jornais. Para explicar esse tipo de tirinha, vale o texto de Morin, no qual a autora
europeia aborda textos de humor, ou historietas cômicas.
Como foi traduzido para o português, tais produções teriam em comum três funções: no qual a normalização
apresentava os personagens, a locutora de deflagração colocaria o problema a ser resolvido e a interlocutora
de distinção se encarregaria de transitar a narrativa vigente de um modo sério para o modo cômico.
A mudança de um desfecho “absurdo” é o suficiente para causar humor no interlocutor.
O uso das tirinhas em quadrinhos contribui com o trabalho do professor em níveis diferentes de ensino, visto
que é um roteiro de fácil acesso aos alunos para entretenimento e lazer. As histórias em quadrinhos abordam
vários temas nos quais o professor pode escolher as que melhor satisfazem as necessidades do seu planeja-
mento.
Pesquisa realizada recentemente declarou que, fica mais fácil o processo de aprendizagem e memorização
quando estabelecemos a ligação com o conhecimento prévio do aluno.
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E por meio de uma reportagem realizada pela Revista Nova Escola, intitulada como “Quadrinhos poderosa
ferramenta pedagógica” se observa que os professores afirmam que 100% dos alunos gostam de histórias em
quadrinhos. Portanto, é recomendável o uso de histórias em quadrinhos para o processo de aprendizagem.
Podemos observar também por meio da historinha “Cambada do Feioso” fatores que fomentam a capaci-
dade de observação e expressão; aguçam o senso de humor e a leitura crítica; correlacionada a mensagem
verbal e não verbal, assim como também a cultura formal e informal. Além de conhecer e respeitar as variantes
linguísticas do português falado desvendando as formas coloquiais da linguagem.
As tirinhas ajudam a aproximação das informações cientificam artísticas e históricas da realidade social do
aluno, ajudando a desenvolver melhor a produção de textos. Do ponto de vista governamental, os quadrinhos
são vistos, como ferramenta bastante atraente para estimular a leitura dos alunos. O que pode ser comprovado
através do MEC, pois o mesmo acredita que a inclusão dessas obras, facilita o aprendizado das crianças em
temas mais difíceis. É interessante que o professor ofereça a seus alunos, as tirinhas ou revistas em quadrinhos
e de imagens, como outra opção de formas gráficas para se contar histórias e também na exemplificação da
língua portuguesa usada no cotidiano.
Características das Tirinhas
- Caráter sintético;
- Linguagem verbal;
- Linguagem não-verbal;
- Frases curtas e claras;
- Crítica a valores sociais;
- Texto com tom humorístico;
- Sem narrador.
— Definição
Classes gramaticais são grupos de palavras que organizam o estudo da gramática. Isto é, cada palavra
existente na língua portuguesa condiz com uma classe gramatical, na qual ela é inserida em razão de sua fun-
ção. Confira abaixo as diversas funcionalidades de cada classe gramatical.
— Artigo
É a classe gramatical que, em geral, precede um substantivo, podendo flexionar em número e em gênero.
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A classificação dos artigos
– Artigos definidos: especificam um substantivo ou referem-se a um ser específico, que pode ter sido men-
cionado anteriormente ou ser conhecido mutuamente pelos interlocutores. Eles podem flexionar em número
(singular e plural) e gênero (masculino e feminino).
– Artigos indefinidos: indicam uma generalização ou ocorrência inicial do representante de uma dada
espécie, cujo conhecimento não é compartilhado entre os interlocutores, por se tratar da primeira vez em que
aparece no discurso. Podem variar em número e gênero.
Observe:
– Indicação de posse: antes de palavras que atribuem parentesco ou de partes do corpo, o artigo definido
pode exprimir relação de posse. Por exemplo:
Na frase, o artigo definido “a” esclarece que se trata do marido do sujeito “ela”, omitindo o pronome posses-
sivo dela.
– Expressão de valor aproximado: devido à sua natureza de generalização, o artigo indefinido inserido
antes de numeral indica valor aproximado. Mais presente na linguagem coloquial, esse emprego dos artigos
indefinidos representa expressões como “por volta de” e “aproximadamente”. Observe:
“Faz em média uns dez anos que a vi pela última vez.”
“Acrescente aproximadamente umas três ou quatro gotas de baunilha.”
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PREPOSIÇÃO
de em a per/por
singular o do no ao pelo
masculino
plural os dos nos aos pelos
ARTIGOS DEFINIDOS
singular a da na à pela
feminino
plural as das nas às pelas
singular um dum num
masculino
plural uns duns nuns
ARTIGOS INDEFINIDOS
singular uma duma numa
feminino
plural umas dumas numas
— Substantivo
Essa classe atribui nome aos seres em geral (pessoas, animais, qualidades, sentimentos, seres mitológicos
e espirituais). Os substantivos se subdividem em:
– Próprios ou Comuns: são próprios os substantivos que nomeiam algo específico, como nomes de pes-
soas (Pedro, Paula, etc.) ou lugares (São Paulo, Brasil, etc.). São comuns aqueles que nomeiam algo de forma
geral (garoto, caneta, cachorro).
– Primitivos ou derivados: os substantivos derivados são formados a partir de palavras, por exemplo, car-
reta, carruagem, etc. Já os substantivos primitivos não se originam de outras palavras, no caso de flor, carro,
lápis, etc.
– Concretos ou abstratos: os substantivos que nomeiam seres reais ou imaginativos, são concretos (ca-
valo, unicórnio); os que nomeiam sentimentos, qualidades, ações ou estados são abstratos.
– Substantivos coletivos: são os que nomeiam os seres pertencentes ao mesmo grupo. Exemplos: mana-
da (rebanho de gado), constelação (aglomerado de estrelas), matilha (grupo de cães).
— Adjetivo
É a classe de palavras que se associa ao substantivo, atribuindo-lhe caracterização conforme uma qualida-
de, um estado e uma natureza, bem como uma quantidade ou extensão à palavra, locução, oração, pronome,
enfim, ao que quer que seja nomeado.
Os tipos de adjetivos
– Simples e composto: com apenas um radical, é adjetivo simples (bonito, grande, esperto, miúdo, regu-
lar); apresenta mais de um radical, é composto (surdo-mudo, afrodescendente, amarelo-limão).
– Primitivo e derivado: o adjetivo que origina outros adjetivos é primitivo (belo, azul, triste, alegre); adje-
tivos originados de verbo, substantivo ou outro adjetivo são classificados como derivados (ex.: substantivo:
morte → adjetivo: mortal; verbo: lamentar → adjetivo: lamentável).
– Pátrio ou gentílico: é a palavra que indica a nacionalidade ou origem de uma pessoa (paulista, brasileiro,
mineiro, latino).
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O gênero dos adjetivos
– Uniformes: possuem forma única para feminino e masculino, isto é, não flexionam em gênero. Exemplo:
“Fred é um amigo leal.” / “Ana é uma amiga leal.”
– Biformes: os adjetivos desse tipo possuem duas formas, que variam conforme o gênero. Exemplo: “Me-
nino travesso.” / “Menina travessa”.
– Superlativo absoluto: refere-se a apenas um substantivo, podendo ser Analítico ou Sintético, como nos
exemplos a seguir:
“A modelo é extremamente bonita.” (Analítico) - a intensificação se dá pelo emprego de certos termos que
denotam ideia de acréscimo (muito, extremamente, excessivamente, etc.).
“Pedro é uma pessoa boníssima.” (Sintético) - acompanha um sufixo (íssimo, imo).
Pronome adjetivo
Recebem esse nome porque, assim como os adjetivos, esses pronomes alteram os substantivos aos quais
se referem. Assim, esse tipo de pronome flexiona em gênero e número para fazer concordância com os subs-
tantivos. Exemplos: “Esta professora é a mais querida da escola.” (o pronome adjetivo esta determina o subs-
tantivo comum professora).
Locução adjetiva
Uma locução adjetiva é formada por duas ou mais palavras, que, associadas, têm o valor de um único ad-
jetivo. Basicamente, consiste na união preposição + substantivo ou advérbio.
Exemplos:
– Criaturas da noite (criaturas noturnas).
– Paixão sem freio (paixão desenfreada).
– Associação de comércios (associação comercial).
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— Verbo
É a classe de palavras que indica ação, ocorrência, desejo, fenômeno da natureza e estado. Os verbos se
subdividem em:
Verbos regulares: são os verbos que, ao serem conjugados, não têm seu radical modificado e preservam
a mesma desinência do verbo paradigma, isto é, terminado em “-ar” (primeira conjugação), “-er” (segunda con-
jugação) ou “-ir” (terceira conjugação). Observe o exemplo do verbo “nutrir”:
– Desinência: “-ir”, no caso, pois é a terminação da palavra e, tratando-se dos verbos, indica pessoa (1a,
2a, 3a), número (singular ou plural), modo (indicativo, subjuntivo ou imperativo) e tempo (pretérito, presente ou
futuro). Perceba que a conjugação desse no presente do indicativo: o radical não sofre quaisquer alterações,
tampouco a desinência. Portanto, o verbo nutrir é regular: Eu nutro; tu nutres; ele/ela nutre; nós nutrimos; vós
nutris; eles/elas nutrem.
– Verbos irregulares: os verbos irregulares, ao contrário dos regulares, têm seu radical modificado quando
conjugados e/ou têm desinência diferente da apresentada pelo verbo paradigma.
Exemplo: analise o verbo dizer conjugado no pretérito perfeito do indicativo: Eu disse; tu dissestes; ele/ela
disse; nós dissemos; vós dissestes; eles/elas disseram. Nesse caso, o verbo da segunda conjugação (-er) tem
seu radical, diz, alterado, além de apresentar duas desinências distintas do verbo paradigma”.
Se o verbo dizer fosse regular, sua conjugação no pretérito perfeito do indicativo seria: dizi, dizeste, dizeu,
dizemos, dizestes, dizeram.
— Pronome
O pronome tem a função de indicar a pessoa do discurso (quem fala, com quem se fala e de quem se fala),
a posse de um objeto e sua posição. Essa classe gramatical é variável, pois flexiona em número e gênero. Os
pronomes podem suplantar o substantivo ou acompanhá-lo; no primeiro caso, são denominados “pronome
substantivo” e, no segundo, “pronome adjetivo”. Classificam-se em: pessoais, possessivos, demonstrativos,
interrogativos, indefinidos e relativos.
Pronomes pessoais
Os pronomes pessoais apontam as pessoas do discurso (pessoas gramaticais), e se subdividem em prono-
mes do caso reto (desempenham a função sintática de sujeito) e pronomes oblíquos (atuam como complemen-
to), sendo que, para cada caso reto, existe um correspondente oblíquo.
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Observe os exemplos:
– Na frase “Maria está feliz. Ela vai se casar.”, o pronome cabível é do caso reto. Quem vai se casar? Maria.
– Na frase “O forno? Desliguei-o agora há pouco. O pronome “o” completa o sentido do verbo. Fechei o
que? O forno.
Lembrando que os pronomes oblíquos o, a, os, as, lo, la, los, las, no, na nos, e nas desempenham apenas
a função de objeto direto.
Pronomes possessivos
Esses pronomes indicam a relação de posse entre o objeto e a pessoa do discurso.
Exemplo: “Nossos filhos cresceram.” → o pronome indica que o objeto pertence à 1ª pessoa (nós).
Pronomes de tratamento
Tratam-se de termos solenes que, em geral, são empregados em contextos formais — a única exceção é o
pronome você. Eles têm a função de promover uma referência direta do locutor para interlocutor (parceiros de
comunicação).
São divididos conforme o nível de formalidade, logo, para cada situação, existe um pronome de tratamento
específico. Apesar de expressarem interlocução (diálogo), à qual seria adequado o emprego do pronome na
segunda pessoa do discurso (“tu”), no caso dos pronomes de tratamento, os verbos devem ser usados em 3a
pessoa.
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Pronomes demonstrativos
Sua função é indicar a posição dos seres no que se refere ao tempo, ao espaço e à pessoa do discurso –
nesse último caso, o pronome determina a proximidade entre um e outro. Esses pronomes flexionam-se em
gênero e número.
PESSOA DO
PRONOMES POSIÇÃO
DISCURSO
Os seres ou objetos estão próximos da pessoa
1a pessoa Este, esta, estes, estas, isto. que fala.
Os seres ou objetos estão próximos da pessoa
2a pessoa Esse, essa, esses, essas, isso. com quem se fala.
Aquele, aquela, aqueles, aquelas,
3a pessoa De quem/ do que se fala.
aquilo.
Observe os exemplos:
“Esta caneta é sua?”
“Esse restaurante é bom e barato.”
Pronomes Indefinidos
Esses pronomes indicam indeterminação ou imprecisão, assim, estão sempre relacionados à 3ª pessoa do
discurso. Os pronomes indefinidos podem ser variáveis (flexionam conforme gênero e número) ou invariáveis
(não flexionam). Analise os exemplos abaixo:
– Em “Alguém precisa limpar essa sujeira.”, o termo “alguém” quer dizer uma pessoa de identidade indefi-
nida ou não especificada.
– Em “Nenhum convidado confirmou presença.”, o termo “nenhum” refere-se ao substantivo “convidado” de
modo vago, pois não se sabe de qual convidado se trata.
– Em “Cada criança vai ganhar um presente especial.”, o termo “cada” refere-se ao substantivo da frase
“criança”, sem especificá-lo.
– Em “Outras lojas serão abertas no mesmo local.”, o termo “outras” refere-se ao substantivo “lojas” sem
especificar de quais lojas se trata.
Confira abaixo a tabela com os pronomes indefinidos:
Pronomes relativos
Os pronomes relativos, como sugere o nome, se relacionam ao termo anterior e o substituem, ou seja, para
prevenir a repetição indevida das palavras em um texto. Eles podem ser variáveis (o qual, cujo, quanto) ou
invariáveis (que, quem, onde).
Observe os exemplos:
– Em “São pessoas cuja história nos emociona.”, o pronome “cuja” se apresenta entre dois substantivos
(“pessoas” e “história”) e se relaciona àquele que foi dito anteriormente (“pessoas”).
– Em “Os problemas sobre os quais conversamos já estão resolvidos.” , o pronome “os quais” retoma o
substantivo dito anteriormente (“problemas”).
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CLASSIFICAÇÃO PRONOMES RELATIVOS
O qual, a qual, os quais, cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta, quan-
VARIÁVEIS tos, quantas.
INVARIÁVEIS Quem, que, onde.
Pronomes interrogativos
Os pronomes interrogativos são palavras variáveis e invariáveis cuja função é formular perguntas diretas e
indiretas. Exemplos:
“Quanto vai custar a passagem?” (oração interrogativa direta)
“Gostaria de saber quanto custará a passagem.” (oração interrogativa indireta)
— Advérbio
É a classe de palavras invariável que atua junto aos verbos, aos adjetivos e mesmo aos advérbios, com o
objetivo de modificar ou intensificar seu sentido, ao adicionar-lhes uma nova circunstância. De modo geral, os
advérbios exprimem circunstâncias de tempo, modo, vlugar, qualidade, causa, intensidade, oposição, aprova-
ção, afirmação, negação, dúvida, entre outras noções. Confira na tabela:
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Talvez, quiçá, porventura, e palavras que “Quiçá seremos recebidas.” “Provavelmente,
ADVÉRBIO DE
expressem dúvida, acrescidas do sufixo “: sairei mais cedo.”
DÚVIDA -mente”, como possivelmente. “Talvez eu saia cedo.”
“Por que vendeu o livro?” (Oração interrogati-
Quando, como, onde, aonde, donde, por va direta, que indica causa)
ADVÉRBIO DE que; esse advérbio pode indicar circuns-
“Quando posso sair?” (oração interrogativa
tâncias de modo, tempo, lugar e causa; é
INTERROGAÇÃO direta que indica tempo)
usado somente em frases interrogativas
diretas ou indiretas. “Explica como você fez isso.”(oração interro-
gativa indireta, que indica modo.
— Conjunção
As conjunções integram a classe de palavras que tem a função de conectar os elementos de um enunciado
ou oração e, com isso, estabelecer uma relação de dependência ou de independência entre os termos ligados.
Em função dessa relação entre os termos conectados, as conjunções podem ser classificadas, respectiva-
mente e de modo geral, como coordenativas ou subordinativas. Em outras palavras, as conjunções são um vín-
culo entre os elementos de uma sentença, atribuindo ao enunciado uma maior clareza e precisão ao enunciado.
“Eles ouviram os pedidos de ajuda. Eles chamaram o socorro.” – “Eles ouviram os pedidos de ajuda e cha-
maram o socorro.”
No exemplo, a conjunção “e” estabelece uma relação de adição ao enunciado, ao conectar duas orações
em um mesmo período: além de terem ouvido os pedidos de ajuda, chamaram o socorro. Perceba que não há
relação de dependência entre ambas as sentenças, e que, para fazerem sentido, elas não têm necessidade
uma da outra. Assim, classificam-se como orações coordenadas, e a conjunção que as relaciona, como coor-
denativa.
– Conjunções coordenativas: essas conjunções se reclassificam em razão do sentido que possuem cinco
subclassificações, em função do sentido que estabelecem entre os elementos que ligam. São cinco:
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CLASSIFICAÇÃO FUNÇÃO EXEMPLOS
Estabelecer relação de adição “No safári, vimos girafas,
Conjunções (positiva ou negativa). As principais conjun- leões e zebras”
coordenativas ções coordenativas aditivas são “e”, “nem” “Ela ainda chegou, nem sabemos
aditivas e “também”. quando vai chegar.”
“Havia flores no jardim, mas
Estabelecer relação de oposição.
Conjunções As principais conjunções coordenativas estavam murchando.”
coordenativas adversativas são “mas”, “porém”, “contudo”, “Era inteligente e bom com
adversativas “todavia”, “entretanto”. palavras, entretanto, estava
nervoso na prova.”
Estabelecer relação de alternância. “Pode ser que o resultado saia
Conjunções As principais conjunções coordenativas amanhã ou depois”
coordenativas alternativas são “ou”, “ou ... ou”, “ora ... ora”, “Ora queria viver ali para sempre,
alternativas “talvez ... talvez” ora queria mudar de país.”
Estabelecer relação de conclusão.
Conjunções “Não era bem remunerada, então
As principais conjunções coordenativas con-
coordenativas decidi trocar de emprego.”
clusivas são “portanto”, “então”,
conclusivas “Penso, logo existo.”
“assim”, “logo”
“Quisemos viajar porque não
Conjunções Estabelecer relação de explicação. conseguiríamos descansar aqui
coordenativas As principais conjunções coordenativas em casa”
explicativas explicativas são “porque”, “pois”, “porquanto” “Não trouxe o pedido, pois
não havia ouvido.”
– Conjunções subordinativas: com base no sentido construído entre as duas orações relacionadas, a
conjunção subordinativa pode ser de dois subtipos:
1 – Conjunções integrantes: introduzem a oração que cumpre a função de sujeito, objeto direto, objeto
indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto de outra oração. Essas conjunções são que e se. Exem-
plos:
«É obrigatório que o senhor compareça na data agendada.”
“Gostaria de saber se o resultado sairá ainda hoje.”
2 – Conjunções adverbiais: introduzem sintagmas adverbiais (orações que indicam uma circunstância
adverbial relacionada à oração principal) e se subdividem conforme a tabela abaixo:
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Mais, menos, menor, maior, pior, me-
Conjunções lhor, seguidas de que ou do que. Qual
Introduzem uma oração que expressa
subordinativas depois de tal,. Quanto depois de
uma comparação,
comparativas tanto. Como, assim como, como se,
bem como, que nem.
Conjunções Indicam uma oração em que se admite Por mais que, por menos que, apesar
subordinativas um fato contrário à ação principal, mas de que, embora, conquanto, mesmo
concessivas incapaz de impedi-la. que, ainda que, se bem que.
Introduzem uma oração, cujos
Conjunções acontecimentos são simultâneos, A proporção que, ao passo que, à
subordinativas concomitantes, ou seja, ocorrem no medida que, à proporção que.
proporcionais mesmo espaço temporal daqueles
conditos na outra oração.
Depois que, até que, desde que, cada
Conjunções Introduzem uma oração subordinada vez que, todas as vezes que, antes
subordinativas indicadora de circunstância de tempo. que, sempre que, logo que, mal
temporais quando.
Tal, tão, tamanho, tanto
Conjunções Introduzem uma oração na qual é (em uma oração, seguida pelo que em
subordinativas indicada a consequência do que foi outra oração).
consecutivas declarado na oração anterior. De maneira que, de forma que, de
sorte que, de modo que.
Conjunções Introduzem uma oração indicando a
subordinativas A fim de que, para que.
finalidade da oração principal.
finais
— Numeral
É a classe de palavra variável que exprime um número determinado ou a colocação de alguma coisa dentro
de uma sequência. Os numerais podem ser: cardinais (um, dois, três), ordinais (primeiro, segundo, terceiro),
fracionários (meio, terço, quarto) e multiplicativos (dobro, triplo, quádruplo). Antes de nos aprofundarmos em
cada caso, vejamos o emprego dos numerais, que tem três principais finalidades:
1 – Indicar leis e decretos: nesses casos, emprega-se o numeral ordinal somente até o número nono; após,
devem ser utilizados os numerais cardinais. Exemplos: Parágrafo 9° (parágrafo nono); Parágrafo 10 (Parágrafo
10).
2 – Indicar os dias do mês: nessas situações, empregam-se os numerais cardinais, sendo que a única exce-
ção é a indicação do primeiro dia do mês, para a qual deve-se utilizar o numeral ordinal. Exemplos: dezesseis
de outubro; primeiro de agosto.
3 – Indicar capítulos, séculos, capítulos, reis e papas: após o substantivo emprega-se o numeral ordinal
até o décimo; após o décimo utiliza-se o numeral cardinal. Exemplos: capítulo X (décimo); século IV (quarto);
Henrique VIII (oitavo); Bento XVI (dezesseis).
Os tipos de numerais
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– Ordinais: indicam ordem de uma sequência (primeiro, segundo, décimo, centésimo, milésimo…), isto é,
apresentam a ordem de sucessão e uma série, seja ela de seres, de coisas ou de objetos.
Os numerais ordinais variam em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Exemplos:
primeiro/primeira, primeiros/primeiras, décimo/décimos, décima/décimas, trigésimo/trigésimos, trigésima/trigé-
simas.
Alguns numerais ordinais possuem o valor de adjetivo. Exemplo: A carne de segunda está na promoção.
– Fracionários: servem para indicar a proporções numéricas reduzidas, ou seja, para representar uma par-
te de um todo. Exemplos: meio ou metade (½), um quarto (um quarto (¼), três quartos (¾), 1/12 avos.
Os números fracionários flexionam-se em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Exem-
plos: meio copo de leite, meia colher de açúcar; dois quartos do salário-mínimo.
– Multiplicativos: esses numerais estabelecem relação entre um grupo, seja de coisas ou objetos ou coi-
sas, ao atribuir-lhes uma característica que determina o aumento por meio dos múltiplos. Exemplos: dobro,
triplo, undécuplo, doze vezes, cêntuplo.
Em geral, os multiplicativos são invariáveis, exceto quando atuam como adjetivo, pois, nesse caso, passam
a flexionar número e gênero (masculino e feminino). Exemplos: dose dupla de elogios, duplos sentidos.
Coletivos: correspondem aos substantivos que exprimem quantidades precisas, como dezena (10 unida-
des) ou dúzia (12 unidades).
Os numerais coletivos sofrem a flexão de número: unidade/unidades, dúzia/dúzias, dezena/dezenas, cen-
tena/centenas.
— Preposição
Essa classe de palavras cujo objetivo é marcar as relações gramaticais que outras classes (substantivos,
adjetivos, verbos e advérbios) exercem no discurso. Por apenas marcarem algumas relações entre as unidades
linguísticas dentro do enunciado, as preposições não possuem significado próprio se isoladas no discurso.
Em razão disso, as preposições são consideradas uma classe gramatical dependente, ou seja, sua função
gramatical (organização e estruturação) é principal, embora o desempenho semântico, que gera significado e
sentido, possua valor menor.
Preposições essenciais: são aquelas que só aparecem na língua propriamente como preposições, sem
outra função. São elas: a, antes, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por (ou per, em
dadas variantes geográficas ou históricas), sem, sob, sobre, trás.
Exemplo 1 – ”Luís gosta de viajar.” e “Prefiro doce de coco.” Em ambas as sentenças, a preposição de man-
teve-se sempre sendo preposição, apesar de ter estabelecido relação entre unidades linguísticas diferentes,
garantindo-lhes classificações distintas conforme o contexto.
Exemplo 2 – “Estive com ele até o reboque chegar.” e “Finalizei o quadro com textura.” Perceba que nas
duas fases, a mesma preposição tem significados distintos: na segunda, indica recurso/instrumento; na primei-
ra, exprime companhia. Por isso, afirma-se que a preposição tem valor semântico, mesmo que secundário ao
valor estrutural (gramática).
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Classificação das preposições
– Preposições acidentais: são aquelas que, originalmente, não apresentam função de preposição, porém,
a depender do contexto, podem assumir essa atribuição. São elas: afora, como, conforme, durante, exceto,
feito, fora, mediante, salvo, segundo, visto, entre outras.
Exemplo: ”Segundo o delegado, os depoimentos do suspeito apresentaram contradições.” A palavra “se-
gundo”, que, normalmente seria um numeral (primeiro, segundo, terceiro), ao ser inserida nesse contexto, pas-
sou a ser uma preposição acidental, pois tem o sentido de “de acordo com”, “em conformidade com”.
Locuções prepositivas
Recebe esse nome o conjunto de palavras com valor e emprego de uma preposição. As principais locuções
prepositivas são constituídas por advérbio ou locução adverbial acrescido da preposição de, a ou com. Confira
algumas das principais locuções prepositivas.
— Interjeição
É a palavra invariável ou sintagma que compõe frases que manifestam, por parte do emissor do enunciado,
surpresa, hesitação, susto, emoção, apelo, ordem, etc. São as chamadas unidades autônomas, que usufruem
de independência em relação aos demais elementos do enunciado.
As interjeições podem ser empregadas também para exigir algo ou para chamar a atenção do interlocutor e
são unidades cuja forma pode sofrer variações como:
– Locuções interjetivas: são formadas por grupos e palavras que, associadas, assumem o valor de interjei-
ção. Exemplos: “Ai de mim!”, “Minha nossa!” Cruz credo!”.
– Palavras da língua: “Eita!” “Nossa!”
– Sons vocálicos: “Hum?!”, “Ué!”, “Ih…!»
Os tipos de interjeição
De acordo com as reações que expressam, as interjeições podem ser de:
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DESEJO “Tomara!”
DOR “Ai!”, “Ui!”
DÚVIDA “Hã?!”, “Hein?!”, “Hum?!”
ESPANTO “Eita!”, “Ué!”
IMPACIÊNCIA (FRUSTRAÇÃO) “Puxa!”
IMPOSIÇÃO “Psiu!”, “Silêncio!”
SATISFAÇÃO “Eba!”, “Oba!”
SUSPENSÃO “Alto lá!”, “Basta!”, “Chega!”
Acentuação gráfica
— Definição
A acentuação gráfica consiste no emprego do acento nas palavras grafadas com a finalidade de estabe-
lecer, com base nas regras da língua, a intensidade e/ou a sonoridade das palavras. Isso quer dizer que os
acentos gráficos servem para indicar a sílaba tônica de uma palavra ou a pronúncia de uma vogal. De acordo
com as regras gramaticais vigentes, são quatro os acentos existentes na língua portuguesa:
– Acento agudo: Indica que a sílaba tônica da palavra tem som aberto. Ex.: área, relógio, pássaro.
– Acento circunflexo: Empregado acima das vogais “a” e” e “o”para indicar sílaba tônica em vogal fechada.
Ex.: acadêmico, âncora, avô.
– Acento grave/crase: Indica a junção da preposição “a” com o artigo “a”. Ex: “Chegamos à casa”. Esse
acento não indica sílaba tônica!
– Til: Sobre as vogais “a” e “o”, indica que a vogal de determinada palavra tem som nasal, e nem sempre
recai sobre a sílaba tônica. Exemplo: a palavra órfã tem um acento agudo, que indica que a sílaba forte é “o”
(ou seja, é acento tônico), e um til (˜), que indica que a pronúncia da vogal “a” é nasal, não oral. Outro exemplo
semelhante é a palavra bênção.
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Não recebem acento gráfico:
– As monossílabas tônicas: par, nus, vez, tu, noz, quis.
– As formas verbais monossilábicas terminadas em “-ê”, nas quais a 3a pessoa do plural termina em “-eem”.
Antes do novo acordo ortográfico, esses verbos era acentuados. Ex.: Ele lê → Eles lêem leem.
Exceção! O mesmo não ocorre com os verbos monossilábicos terminados em “-em”, já que a terceira pes-
soa termina em “-êm”. Nesses caso, a acentuação permanece acentuada. Ex.: Ele tem → Eles têm; Ele vem
→ Eles vêm.
As palavras cuja última sílaba é tônica devem ser acentuadas as oxítonas com sílaba tônica terminada em
vogal tônica -a, -e e -o, sucedidas ou não por -s. Ex.: aliás, após, crachá, mocotó, pajé, vocês. Logo, não se
acentuam as oxítonas terminadas em “-i” e “-u”. Ex.: caqui, urubu.
São classificadas dessa forma as palavras cuja penúltima sílaba é tônica. De acordo com a regra geral,
não se acentuam as palavras paroxítonas, a não ser nos casos específicos relacionados abaixo. Observe as
exceções:
– Terminadas em -ei e -eis. Ex.: amásseis, cantásseis, fizésseis, hóquei, jóquei, pônei, saudáveis.
– Terminadas em -r, -l, -n, -x e -ps. Ex.: bíceps, caráter, córtex, esfíncter, fórceps, fóssil, líquen, lúmen, réptil,
tórax.
– Terminadas em -i e -is. Ex.: beribéri, bílis, biquíni, cáqui, cútis, grátis, júri, lápis, oásis, táxi.
– Terminadas em -us. Ex.: bônus, húmus, ônus, Vênus, vírus, tônus.
– Terminadas em -om e -ons. Ex.: elétrons, nêutrons, prótons.
– Terminadas em -um e -uns. Ex.: álbum, álbuns, fórum, fóruns, quórum, quóruns.
– Terminadas em -ã e -ão. Ex.: bênção, bênçãos, ímã, ímãs, órfã, órfãs, órgão, órgãos, sótão, sótãos.
Ditongos e Hiatos
Acentuam-se:
– Oxítonas com sílaba tônica terminada em abertos “_éu”, “_éi” ou “_ói”, sucedidos ou não por “_s”. Ex.:
anéis, fiéis, herói, mausoléu, sóis, véus.
– As letras “_i” e “_u” quando forem a segunda vogal tônica de um hiato e estejam isoladas ou sucedidas por
“_s” na sílaba. Ex.: caí (ca-í), país (pa-ís), baú (ba-ú).
Não se acentuam:
– A letra “_i”, sempre que for sucedida por de “_nh”. Ex.: moinho, rainha, bainha.
– As letras “_i” e o “_u” sempre que aparecerem repetidas. Ex.: juuna, xiita. xiita.
– Hiatos compostos por “_ee” e “_oo”. Ex.: creem, deem, leem, enjoo, magoo.
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O Novo Acordo Ortográfico
Confira as regras que levaram algumas palavras a perderem acentuação em razão do Acordo Ortográfico
de 1990, que entrou em vigor em 2009:
5 – Palavras com trema: somente para palavras da língua portuguesa. Exemplos: bilíngüe – bilíngue; en-
xágüe – enxágue; linguïça – linguiça.
6 – Paroxítonas homógrafas: são palavras que têm a mesma grafia, mas apresentam significados diferen-
tes. Exemplo: o verbo PARAR: pára – para. Antes do Acordo Ortográfico, a flexão do verbo “parar” era acentua-
da para que fosse diferenciada da preposição “para”.
Atualmente, nenhuma delas recebe acentuação. Assim:
Antes: Ela sempre pára para ver a banda passar. [verbo / preposição]
Hoje: Ela sempre para para ver a banda passar. [verbo / preposição]
— Visão Geral
O sistema de pontuação consiste em um grupo de sinais gráficos que, em um período sintático, têm a fun-
ção primordial de indicar um nível maior ou menor de coesão entre estruturas e, ocasionalmente, manifestar as
propriedades da fala (prosódias) em um discurso redigido. Na escrita, esses sinais substituem os gestos e as
expressões faciais que, na linguagem falada, auxiliam a compreensão da frase.
O emprego da pontuação tem as seguintes finalidades:
– Garantir a clareza, a coerência e a coesão interna dos diversos tipos textuais;
– Garantir os efeitos de sentido dos enunciados;
– Demarcar das unidades de um texto;
– Sinalizar os limites das estruturas sintáticas.
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— Sinais de pontuação que auxiliam na elaboração de um enunciado
Vírgula
De modo geral, sua utilidade é marcar uma pausa do enunciado para indicar que os termos por ela isolados,
embora compartilhem da mesma frase ou período, não compõem unidade sintática. Mas, se, ao contrário, hou-
ver relação sintática entre os termos, estes não devem ser isolados pela vírgula. Isto quer dizer que, ao mesmo
tempo que existem situações em que a vírgula é obrigatória, em outras, ela é vetada. Confira os casos em que
a vírgula deve ser empregada:
• No interior da sentença
1 – Para separar elementos de uma enumeração e repetição:
ENUMERAÇÃO
Adicione leite, farinha, açúcar, ovos, óleo e chocolate.
Paguei as contas de água, luz, telefone e gás.
REPETIÇÃO
Os arranjos estão lindos, lindos!
Sua atitude foi, muito, muito, muito indelicada.
2 – Isolar o vocativo
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9 – Isolar o nome de um local na indicação de datas:
• Entre as sentenças
1 – Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas
“Meu aluno, que mora no exterior, fará aulas remotas.”
2 – Para separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas, com exceção das orações iniciadas
pela conjunção “e”:
“Liguei para ela, expliquei o acontecido e pedi para que nos ajudasse.”
3 – Para separar as orações substantivas que antecedem a principal:
“Querida, disse o esposo, estarei todos os dias aos pés do seu leito, até que você se recupere por completo.”
“(…) e os desenrolamentos, e os incêndios, e a fome, e a sede; e dez meses de combates, e cem dias de
cancioneiro contínuo; e o esmagamento das ruínas...” (Euclides da Cunha)
3 – Emprega-se a vírgula sempre que orações coordenadas apresentam sujeitos distintos, por exemplo:
O uso da vírgula é vetado nos seguintes casos: separar sujeito e predicado, verbo e objeto, nome de
adjunto adnominal, nome e complemento nominal, objeto e predicativo do objeto, oração substantiva e oração
subordinada (desde que a substantivo não seja apositiva nem se apresente inversamente).
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Ponto
1 – Para indicar final de frase declarativa:
– “p.” (página)
Ponto e Vírgula
1 – Para separar orações coordenadas muito extensas ou orações coordenadas nas quais já se tenha uti-
lizado a vírgula:
“Gosto de assistir a novelas; meu primo, de jogos de RPG; nossa amiga, de praticar esportes.”
2 – Para separar os itens de uma sequência de itens:
“Os planetas que compõem o Sistema Solar são:
Mercúrio;
Vênus;
Terra;
Marte;
Júpiter;
Saturno;
Urano;
Netuno.”
Dois Pontos
1 – Para introduzirem apostos ou orações apositivas, enumerações ou sequência de palavras que explicam
e/ou resumem ideias anteriores.
“Não me conformo com uma coisa: você ter perdoado aquela grande ofensa.”
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2 – Para introduzirem citação direta:
“Desse estudo, Lavoisier extraiu o seu princípio, atualmente muito conhecido: “Nada se cria, nada se perde,
tudo se transforma’.”
3 – Para iniciar fala de personagens:
Reticências
1 – Para indicar interrupção de uma frase incompleta sintaticamente:
“Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...” (Cecília -
José de Alencar).
4 – Suprimem palavras em uma transcrição:
Ponto de Interrogação
1 – Para perguntas diretas:
“Quando você pode comparecer?”
2 – Algumas vezes, acompanha o ponto de exclamação para destacar o enunciado:
“Não brinca, é sério?!”
Ponto de Exclamação
1 – Após interjeição:
“Nossa Que legal!”
2 – Após palavras ou sentenças com carga emotiva
“Infelizmente!”
3 – Após vocativo
“Ana, boa tarde!”
4 – Para fechar de frases imperativas:
“Entre já!”
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Parênteses
a) Para isolar datas, palavras, referências em citações, frases intercaladas de valor explicativo, podendo
substituir o travessão ou a vírgula:
“Mal me viu, perguntou (sem qualquer discrição, como sempre)
quem seria promovido.”
Travessão
1 – Para introduzir a fala de um personagem no discurso direto:
“O rapaz perguntou ao padre:
— Vá com Deus!”
3 – Para unir grupos de palavras que indicam itinerários:
Aspas
1 – Para isolar palavras ou expressões que violam norma culta, como termos populares, gírias, neologis-
mos, estrangeirismos, arcaísmos, palavrões, e neologismos.
Frase (classificações)
Frase
É todo enunciado capaz de transmitir, a quem ouve ou lê, tudo aquilo que pensamos, queremos ou senti-
mos. Pode revestir as mais variadas formas, desde a simples palavra até o período mais complexo, elaborado
segundo os padrões sintáticos do idioma. São exemplos de frases:
- Muito obrigado!
- Cada um por si e Deus por todos.
- “As luzes da cidade estavam amortecidas.” (Érico Veríssimo)
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Muitas frases, principalmente as que se desviam do esquema sujeito + predicado, só podem ser entendidas
dentro do contexto (o escrito em que figuram) e na situação (o ambiente, as circunstâncias) em que o falante
se encontra.
Declarativas: aquela através da qual se enuncia algo, de forma afirmativa ou negativa. Encerram a decla-
ração ou enunciação de um juízo acerca de alguém ou de alguma coisa:
Paulo parece inteligente. (afirmativa)
Neli não quis montar o cavalo velho, de pelo ruço. (negativa)
Interrogativas: aquela onde se pergunta algo, direta (com ponto de interrogação) ou indiretamente (sem
ponto de interrogação).
“Por que faço eu sempre o que não queria.” (Fernando Pessoa)
“Não sabe, ao menos, o nome do pequeno?” (Machado de Assis)
Imperativas: aquela através da qual expressamos uma ordem, pedido ou súplica, de forma afirmativa ou
negativa. Contêm uma ordem, proibição, exortação ou pedido:
“Cale-se! Respeite este templo.” (afirmativa)
Não cometa imprudências. (negativa)
Exclamativas: aquela através da qual externamos uma admiração. Traduzem admiração, surpresa, arre-
pendimento, etc. São marcadas pelo ponto de exclamação (!):
Como eles são audaciosos!
“Uma senhora instruída meter-se nestas bibocas!” (Graciliano Ramos)
Optativas: É aquela através da qual se exprime um desejo. São sinalizadas com o ponto de exclamação (!):
Bons ventos o levem!
“E queira Deus que te não enganes, menino!” (Carlos de Laet)
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Uso dos “porquês”
– Porquê (junto e com acento): trata-se de um substantivo e, por isso, pode estar acompanhado por artigo,
adjetivo, pronome ou numeral. Exemplo: Não ficou claro o porquê do cancelamento do show.
– Por quê (separado e com acento): deve ser empregado ao fim de frases interrogativas. Exemplo: Ela foi
embora novamente. Por quê?
A sintaxe é um ramo da gramática que estuda a organização das palavras em uma frase, oração ou
período; bem como as relações que se estabelecem entre elas.
— Frase
É todo enunciado capaz de transmitir ao outro tudo aquilo que pensamos, queremos ou sentimos, ou seja,
é um conjunto de palavras que transmite uma ideia completa. Além disso, ela pode possuir verbo ou não.
Exemplos:
Caía uma chuva.
Dia lindo.
— Oração
É a frase que apresenta pelo menos um verbo conjugado e uma estrutura sintática (normalmente, como
sujeito e predicado, ou só o predicado).
Exemplos:
Ninguém segura este menino – (Ninguém: sujeito; segura: verbo; segura este menino: predicado).
Havia muitos suspeitos – (Sujeito: suspeitos; havia: verbo; havia muitos suspeitos: predicado).
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— Termos da oração
Sujeito;
Termos essenciais Predicado
objeto direto
Complemento verbal; objeto indireto
Termos integrantes Complemento nominal;
gente da passiva.
Adjunto adnominal;
Termos acessórios adjunto adverbial;
aposto.
Vocativo
Diz-se que sujeito e predicado são termos “essenciais”, mas note que os termos que realmente são, é o
núcleo da oração e o verbo.
Exemplo:
Choveu muito durante a noite – (Núcleo: choveu; verbo: choveu; predicado: muito durante a noite).
— Sujeito
Sujeito é o termo da oração com o qual, normalmente, sofre ou realiza a ação expressa pelo verbo.
Exemplos:
A notícia corria rápida como pólvora – (A notícia – sujeito; Corria – verbo; Corria está no singular concordando
com a notícia).
As notícias corriam rápidas como pólvora – (Corriam, no plural, concordando com as notícias).
O núcleo do sujeito é a palavra principal do sujeito, que encerra a essência de sua significação. Em torno
dela, como que gravitam as demais.
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Sujeito simples: tem um só núcleo.
Sujeito elíptico (ou oculto): não expresso e que pode ser determinado pela desinência verbal ou pelo
contexto.
Exemplo: Viajarei amanhã – (sujeito oculto: eu, descrito pela desinência verbal).
Sujeito indeterminado: é aquele que existe, mas não podemos ou não queremos identificá-lo com precisão.
Ocorre:
– Quando o verbo está na 3ª pessoa do plural, sem referência a nenhum substantivo anteriormente expresso.
Exemplo: Batem à porta.
– Com verbos intransitivo (VI), transitivo indireto (VTI) ou de ligação (VL) acompanhados da partícula SE,
chamada de índice de indeterminação do sujeito (IIS).
Exemplos:
Vive-se bem. (VI)
Precisa-se de pedreiros. (VTI)
Falava-se baixo. (VI)
Era-se feliz naquela época. (VL)
– Predicado
O predicado é uma parte essencial da estrutura de uma oração, expressando o que é dito sobre o sujeito.
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Predicado nominal
O núcleo do predicado é um nome, ou seja, o núcleo fica em torno do qual as demais palavras do predicado
gravitam e contém o que de mais importante se comunica a respeito do sujeito.
Esse núcleo é um nome, isto é, um substantivo ou adjetivo, ou palavra de natureza substantiva. Com isso,
o verbo de ligação liga o núcleo ao sujeito, indicando estado (ser, estar, continuar, ficar, permanecer; também
andar, com o sentido de estar; virar, com o sentido de transformar-se em; e viver, com o sentido de estar
sempre), e por fim temos o predicado nominal que dá característica ao núcleo.
Exemplo:
Os príncipes viraram sapos muito feios – (verbo de ligação (viraram) mais núcleo substantivo ( sapos) =
Predicado Nominal: feios).
Verbos de ligação
São aqueles que, sem possuírem significação precisa, ligam um sujeito a um predicativo. São verbos de
ligação: ser, estar, ficar, parecer, permanecer, continuar, tornar-se etc.
Predicativo do sujeito
É o termo da oração que, no predicado, expressa qualificação ou classificação do sujeito.
O predicativo do sujeito, além de vir com verbos de ligação, pode também ocorrer com verbos intransitivos
ou com verbos transitivos.
Predicado verbal
Ocorre quando o núcleo é um verbo. Logo, não apresenta predicativo. E formado por verbos transitivos ou
intransitivos.
Exemplo: A população da vila assistia ao embarque. (Núcleo do sujeito: população; núcleo do predicado:
assistia, verbo transitivo indireto).
— Verbos intransitivos
São verbos que não exigem complemento algum; como a ação verbal não passa, não transita para nenhum
complemento, recebem o nome de verbos intransitivos. Podem formar predicado sozinhos ou com adjuntos
adverbiais.
— Verbos transitivos
São verbos que, ao declarar alguma coisa a respeito do sujeito, exigem um complemento para a perfeita
compreensão do que se quer dizer. Tais verbos se denominam transitivos e a pessoa ou coisa para onde se
dirige a atividade transitiva do verbo se denomina objeto. Dividem-se em: diretos, indiretos e diretos e indiretos.
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Verbos transitivos diretos: Exigem um objeto direto.
— Complementos verbais
Os complementos verbais são representados pelo objeto direto (OD) e pelo objeto indireto (OI).
Objeto indireto
É o complemento verbal que se liga ao verbo pela preposição por ele exigida. Nesse caso o verbo pode ser
transitivo indireto ou transitivo direto e indireto. Normalmente, as preposições que ligam o objeto indireto ao
verbo são a, de, em, com, por, contra, para etc.
Objeto direto
Complemento verbal que se liga ao verbo sem preposição obrigatória. Nesse caso o verbo pode ser transitivo
direto ou transitivo direto e indireto.
Objeto pleonástico
É a repetição do objeto (direto ou indireto) por meio de um pronome. Essa repetição assume valor enfático
(reforço) da noção contida no objeto direto ou no objeto indireto.
Exemplos:
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— Predicado verbo-nominal
Esse predicado tem dois núcleos (um verbo e um nome), é formado por predicativo com verbo transitivo
ou intransitivo.
Exemplos:
A multidão assistia ao jogo emocionada. (predicativo do sujeito com verbo transitivo indireto)
— Predicativo do sujeito
O predicativo do sujeito, além de vir com verbos de ligação, pode também ocorrer com verbos intransitivos
ou transitivos. Nesse caso, o predicado é verbo-nominal.
— Predicativo do objeto
Exprime qualidade, estado ou classificação que se referem ao objeto (direto ou indireto).
— Adjunto adnominal
É o termo acessório que vem junto ao nome (substantivo), restringindo-o, qualificando-o, determinando-o
(adjunto: “que vem junto a”; adnominal: “junto ao nome”).
Observe:
Os meus três grandes amigos [amigos: nome substantivo] vieram me fazer uma visita [visita: nome
substantivo] agradável ontem à noite.
São adjuntos adnominais os (artigo definido), meus (pronome possessivo adjetivo), três (numeral), grandes
(adjetivo), que estão gravitando em torno do núcleo do sujeito, o substantivo amigos; o mesmo acontece
com uma (artigo indefinido) e agradável (adjetivo), que determinam e qualificam o núcleo do objeto direto, o
substantivo visita.
O adjunto adnominal prende-se diretamente ao substantivo, ao passo que o predicativo se refere ao
substantivo por meio de um verbo.
— Complemento nominal
É o termo que completa o sentido de substantivos, adjetivos e advérbios porque estes não têm sentido
completo.
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Objeto: recebe a atividade transitiva de um verbo.
O complemento nominal é sempre ligado ao nome por preposição, tal como o objeto indireto.
— Adjunto adverbial
É o termo da oração que modifica o verbo ou um adjetivo ou o próprio advérbio, expressando uma
circunstância: lugar, tempo, fim, meio, modo, companhia, exclusão, inclusão, negação, afirmação, duvida,
concessão, condição etc.
— Período
Enunciado formado de uma ou mais orações, finalizado por: ponto final ( . ), reticencias (...), ponto de
exclamação (!) ou ponto de interrogação (?). De acordo com o número de orações, classifica-se em:
Apresenta apenas uma oração que é chamada absoluta.
O período é simples quando só traz uma oração, chamada absoluta; o período é composto quando traz mais
de uma oração. Exemplo: Comeu toda a refeição. (Período simples, oração absoluta.); Quero que você leia.
(Período composto.)
Uma maneira fácil de saber quantas orações há num período é contar os verbos ou locuções verbais. Num
período haverá tantas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais nele existentes.
Há três tipos de período composto: por coordenação, por subordinação e por coordenação e subordinação
ao mesmo tempo (também chamada de misto).
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– Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só... mas também, não só... mas ainda.
A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de acréscimo ou adição com referência
à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa aditiva.
– Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto.
A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de oposição à oração anterior, ou seja,
por uma conjunção coordenativa adversativa.
– Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou, ou... ou, ora... ora, seja... seja, quer... quer.
A 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que estabelece uma relação de alternância ou escolha com
referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa alternativa.
Causais: expressam a causa do fato enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como (=
porque), pois que, visto que.
Condicionais: expressam hipóteses ou condição para a ocorrência do que foi enunciado na principal.
Conjunções: se, contanto que, a menos que, a não ser que, desde que.
Concessivas: expressam ideia ou fato contrário ao da oração principal, sem, no entanto, impedir sua
realização. Conjunções: embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo que.
Conformativas: expressam a conformidade de um fato com outro. Conjunções: conforme, como (=conforme),
segundo.
Temporais: acrescentam uma circunstância de tempo ao que foi expresso na oração principal. Conjunções:
quando, assim que, logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que).
Finais: expressam a finalidade ou o objetivo do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: para
que, a fim de que, porque (=para que), que.
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Consecutivas: expressam a consequência do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: porque,
que, como (= porque), pois que, visto que.
Comparativas: expressam ideia de comparação com referência à oração principal. Conjunções: como,
assim como, tal como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado com menos ou mais).
Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona proporcionalmente ao que foi enunciado na principal.
Conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto menos.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: é aquela que exerce a função de objeto direto do verbo
da oração principal.
Observe:
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: é aquela que exerce a função de objeto indireto do
verbo da oração principal.
Observe:
Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: é aquela que exerce a função de sujeito do verbo da oração
principal.
Observe:
Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: é aquela que exerce a função de complemento
nominal de um termo da oração principal.
Observe:
Oração Subordinada Substantiva Predicativa: é aquela que exerce a função de predicativo do sujeito da
oração principal, vindo sempre depois do verbo ser.
Observe:
Oração Subordinada Substantiva Apositiva: é aquela que exerce a função de aposto de um termo da
oração principal.
Observe:
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– Orações Subordinadas Adjetivas
Exercem a função de adjunto adnominal de algum termo da oração principal.
As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por um pronome relativo (que, qual, cujo, quem,
etc.) e são classificadas em:
Subordinadas Adjetivas Restritivas: são restritivas quando restringem ou especificam o sentido da palavra
a que se referem.
Subordinadas Adjetivas Explicativas: são explicativas quando apenas acrescentam uma qualidade à
palavra a que se referem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi-lo ou especificá-lo.
— Orações Reduzidas
São caracterizadas por possuírem o verbo nas formas de gerúndio, particípio ou infinitivo. Ao contrário das
demais orações subordinadas, as orações reduzidas não são ligadas através dos conectivos. Há três tipos de
orações reduzidas:
Desenvolvida: Meu desejo era que eu ganhasse na loteria. (Oração Subordinada Substantiva Predicativa)
Desenvolvida: A mulher que sequestraram foi resgatada. (Oração Subordinada Adjetiva Restritiva)
Desenvolvida: Desde que respeitem as regras, não terão problemas. (Oração Subordinada Adverbial
Condicional).
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Concordância nominal e verbal
Sumariamente, as concordâncias verbal e nominal estudam a sintonia entre os componentes de uma ora-
ção.
– Concordância verbal: refere-se ao verbo relacionado ao sujeito, sendo que o primeiro deve, obrigato-
riamente, concordar em número (flexão em singular e plural) e pessoa (flexão em 1a, 2a, ou 3a pessoa) com o
segundo. Isto é, ocorre quando o verbo é flexionado para concordar com o sujeito.
– Concordância verbal com o infinitivo pessoal: existem três situações em que o verbo no infinitivo é
flexionado:
I – Quando houver um sujeito definido;
II – Para determinar o sujeito;
III – Quando os sujeitos da primeira e segunda oração forem distintos.
Observe os exemplos:
“Eu pedi para eles fazerem a solicitação.”
“Isto é para nós solicitarmos.”
– Concordância verbal com o infinitivo impessoal: não ocorre flexão verbal quando o sujeito não é defi-
nido. O mesmo acontece quando o sujeito da segunda oração é igual ao da primeira, em locuções verbais, com
verbos preposicionados e com verbos no imperativo.
Exemplos:
“Os membros conseguiram fazer a solicitação.”
“Foram proibidos de realizar o atendimento.”
– Concordância verbal com verbos impessoais: nesses casos, verbo ficará sempre em concordância
com a 3a pessoa do singular, tendo em vista que não existe um sujeito.
Observe os casos a seguir:
Verbos que indicam fenômenos da natureza, como anoitecer, nevar, amanhecer.
Exemplo: “Não chove muito nessa região” ou “Já entardeceu.»
O verbo haver com sentido de existir. Exemplo: “Havia duas professoras vigiando as crianças.”
O verbo fazer indicando tempo decorrido. Exemplo: “Faz duas horas que estamos esperando.”
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– Concordância verbal com o verbo ser: diante dos pronomes tudo, nada, o, isto, isso e aquilo como sujei-
tos, há concordância verbal com o predicativo do sujeito, podendo o verbo permanecer no singular ou no plural:
– Concordância verbal com pronome relativo quem: o verbo, ou faz concordância com o termo prece-
dente ao pronome, ou permanece na 3a pessoa do singular:
– Concordância verbal com pronome relativo que: o verbo concorda com o termo que antecede o pro-
nome:
– Concordância verbal com a partícula de indeterminação do sujeito se: nesse caso, o verbo cria
concordância com a 3a pessoa do singular sempre que a oração for constituída por verbos intransitivos ou por
verbos transitivos indiretos:
“Precisa-se de cozinheiro.” e “Precisa-se de cozinheiros.”
– Concordância com o elemento apassivador se: aqui, verbo concorda com o objeto direto, que desem-
penha a função de sujeito paciente, podendo aparecer no singular ou no plural:
Aluga-se galpão.” e “Alugam-se galpões.”
– Concordância nominal com muitos substantivos: o adjetivo deve concordar em gênero e número com
o substantivo mais próximo, mas também concordar com a forma no masculino no plural:
“Casa e galpão alugado.” e “Galpão e casa alugada.”
“Casa e galpão alugados.” e “Galpão e casa alugados.”
– Concordância nominal com pronomes pessoais: o adjetivo concorda em gênero e número com os
pronomes pessoais:
“Ele é prestativo.” e “Ela é prestativa.”
“Eles são prestativos.” e “Elas são prestativas.”
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– Concordância nominal com adjetivos: sempre que existir dois ou mais adjetivos no singular, o substan-
tivo permanece no singular. Se o artigo não aparecer, o substantivo deve estar no plural:
“A blusa estampada e a colorida.” e “O casaco felpudo e o xadrez.”
“As blusas estampadas e coloridas.” e “Os casacos felpudos e xadrez.”
– Concordância nominal com é proibido e é permitido: nessas expressões, o adjetivo flexiona em gêne-
ro e número, sempre que houver um artigo determinando o substantivo. Caso não exista esse artigo, o adjetivo
deve permanecer invariável, no masculino singular:
“É proibida a circulação de pessoas não identificadas.” e “É proibido circulação de pessoas não identifica-
das.”
“É permitida a entrada de crianças.” e “É permitido entrada de crianças acompanhadas.”
Concordância nominal com menos: a palavra menos permanece invariável independente da sua atua-
ção, seja ela advérbio ou adjetivo:
– “Menos pessoa/menos pessoas”.
– “Menos problema/menos problemas.”
– Concordância nominal com muito, pouco, bastante, longe, barato, meio e caro: esses termos instau-
ram concordância em gênero e número com o substantivo quando exercem função de adjetivo:
“Tomei bastante suco.” e “Comprei bastantes frutas.”
“A jarra estava meia cheia.” e “O sapato está meio gasto”.
“Fizemos muito barulho.” e “Compramos muitos presentes.”
Visão geral: na Gramática, regência é o nome dado à relação de subordinação entre dois termos. Quando,
em um enunciado ou oração, existe influência de um tempo sobre o outro, identificamos o que se denomina
termo determinante, essa relação entre esses termos denominamos regência.
— Regência Nominal
É a relação entre um nome o seu complemento por meio de uma preposição. Esse nome pode ser um subs-
tantivo, um adjetivo ou um advérbio e será o termo determinante.
O complemento preenche o significado do nome, cujo sentido estaria impreciso ou ambíguo se não fosse
pelo complemento.
Observe os exemplos:
“A nova entrada é acessível a cadeirantes.” “Eu tenho o sonho de viajar para o nordeste.”
“Ele é perito em investigações como esta.”
Na primeira frase, o adjetivo “acessível” exige a preposição a, do contrário, seu sentido ficaria incompleto.
O mesmo ocorre com os substantivos “sonho“ e “perito”, nas segunda e terceira frases, em que os nomes exi-
gem as preposições de e em para completude de seus sentidos. Veja nas tabelas abaixo quais são os nomes
que regem. Veja nas tabelas abaixo quais são os nomes que regem uma preposição para que seu sentido seja
completo.
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REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO A
acessível a cego a fiel a nocivo a
agradável a cheiro a grato a oposto a
alheio a comum a horror a perpendicular a
análogo a contrário a idêntico a posterior a
anterior a desatento a inacessível a prestes a
apto a equivalente a indiferente a surdo a
atento a estranho a inerente a visível a
avesso a favorável a necessário a
— Regência Verbal
Os verbos são os termos regentes, enquanto os objetos (direto e indireto) e adjuntos adverbiais são os ter-
mos regidos. Um verbo possui a mesma regência do nome do qual deriva.
Observe as duas frases:
I – “Eles irão ao evento.” O verbo ir requer a preposição a (quem vai, vai a algum lugar), e isso o classifica
como verbo transitivo direto; “ao evento” são os termos regidos pelo verbo, isto é, constituem seu complemento.
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II – “Ela mora em região pantanosa.” O verbo morar exige a preposição em (quem mora mora em algum
lugar), portanto, é verbo transitivo indireto.
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Denotação e conotação. Significação das Palavras
Visão Geral: o significado das palavras é objeto de estudo da semântica, a área da gramática que se dedica
ao sentido das palavras e também às relações de sentido estabelecidas entre elas.
Denotação e conotação
Denotação corresponde ao sentido literal e objetivo das palavras, enquanto a conotação diz respeito ao
sentido figurado das palavras. Exemplos:
“O gato é um animal doméstico.”
“Meu vizinho é um gato.”
No primeiro exemplo, a palavra gato foi usada no seu verdadeiro sentido, indicando uma espécie real de
animal. Na segunda frase, a palavra gato faz referência ao aspecto físico do vizinho, uma forma de dizer que
ele é tão bonito quanto o bichano.
Hiperonímia e hiponímia
Dizem respeito à hierarquia de significado. Um hiperônimo, palavra superior com um sentido mais abran-
gente, engloba um hipônimo, palavra inferior com sentido mais restrito.
Exemplos:
– Hiperônimo: mamífero: – hipônimos: cavalo, baleia.
– Hiperônimo: jogo – hipônimos: xadrez, baralho.
Polissemia e monossemia
A polissemia diz respeito ao potencial de uma palavra apresentar uma multiplicidade de significados, de
acordo com o contexto em que ocorre. A monossemia indica que determinadas palavras apresentam apenas
um significado. Exemplos:
– “Língua”, é uma palavra polissêmica, pois pode por um idioma ou um órgão do corpo, dependendo do
contexto em que é inserida.
– A palavra “decalitro” significa medida de dez litros, e não tem outro significado, por isso é uma palavra
monossêmica.
Sinonímia e antonímia
A sinonímia diz respeito à capacidade das palavras serem semelhantes em significado. Já antonímia se
refere aos significados opostos. Desse modo, por meio dessas duas relações, as palavras expressam proximi-
dade e contrariedade.
Exemplos de palavras sinônimas: morrer = falecer; rápido = veloz.
Exemplos de palavras antônimas: morrer x nascer; pontual x atrasado.
Homonímia e paronímia
A homonímia diz respeito à propriedade das palavras apresentarem: semelhanças sonoras e gráficas, mas
distinção de sentido (palavras homônimas), semelhanças homófonas, mas distinção gráfica e de sentido (pala-
vras homófonas) semelhanças gráficas, mas distinção sonora e de sentido (palavras homógrafas). A paronímia
se refere a palavras que são escritas e pronunciadas de forma parecida, mas que apresentam significados
diferentes. Veja os exemplos:
64
– Palavras homônimas: caminho (itinerário) e caminho (verbo caminhar); morro (monte) e morro (verbo
morrer).
– Palavras homófonas: apressar (tornar mais rápido) e apreçar (definir o preço); arrochar (apertar com força)
e arroxar (tornar roxo).
– Palavras homógrafas: apoio (suporte) e apoio (verbo apoiar); boto (golfinho) e boto (verbo botar); choro
(pranto) e choro (verbo chorar) .
– Palavras parônimas: apóstrofe (figura de linguagem) e apóstrofo (sinal gráfico), comprimento (tamanho) e
cumprimento (saudação).
Figuras de linguagem
As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais
expressiva. É um recurso linguístico para expressar de formas diferentes experiências comuns, conferindo
originalidade, emotividade ao discurso, ou tornando-o poético.
As figuras de linguagem classificam-se em
– figuras de palavra;
– figuras de pensamento;
– figuras de construção ou sintaxe.
Figuras de palavra
Emprego de um termo com sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conseguir
um efeito mais expressivo na comunicação.
– Metáfora: comparação abreviada, que dispensa o uso dos conectivos comparativos; é uma comparação
subjetiva. Normalmente vem com o verbo de ligação claro ou subentendido na frase.
Exemplos:
...a vida é cigana
É caravana
É pedra de gelo ao sol.
(Geraldo Azevedo/ Alceu Valença)
Encarnado e azul são as cores do meu desejo.
(Carlos Drummond de Andrade)
– Comparação: aproxima dois elementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos
explícitos: como, tal qual, tal como, que, que nem. Também alguns verbos estabelecem a comparação: parecer,
assemelhar-se e outros.
Exemplo:
Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol, quando você entrou em mim como um sol no quintal.
(Belchior)
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– Catacrese: emprego de um termo em lugar de outro para o qual não existe uma designação apropriada.
Exemplos:
– folha de papel
– braço de poltrona
– céu da boca
– pé da montanha
Sinestesia: fusão harmônica de, no mínimo, dois dos cinco sentidos físicos.
Exemplo:
Vem da sala de linotipos a doce (gustativa) música (auditiva) mecânica.
(Carlos Drummond de Andrade)
A fusão de sensações físicas e psicológicas também é sinestesia: “ódio amargo”, “alegria ruidosa”, “paixão
luminosa”, “indiferença gelada”.
– Antonomásia: substitui um nome próprio por uma qualidade, atributo ou circunstância que individualiza
o ser e notabiliza-o.
Exemplos:
O filósofo de Genebra (= Calvino).
O águia de Haia (= Rui Barbosa).
– Metonímia: troca de uma palavra por outra, de tal forma que a palavra empregada lembra, sugere e
retoma a que foi omitida.
Exemplos:
Leio Graciliano Ramos. (livros, obras)
Comprei um panamá. (chapéu de Panamá)
Tomei um Danone. (iogurte)
Alguns autores, em vez de metonímia, classificam como sinédoque quando se têm a parte pelo todo e o
singular pelo plural.
Exemplo:
A cidade inteira viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos de seu
cavalo. (singular pelo plural)
Figuras Sonoras
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– Assonância: repetição do mesmo fonema vocal ao longo de um verso ou poesia.
Exemplo:
Sou Ana, da cama,
da cana, fulana, bacana
Sou Ana de Amsterdam.
(Chico Buarque)
– Onomatopeia: imitação aproximada de um ruído ou som produzido por seres animados e inanimados.
Exemplo:
Vai o ouvido apurado
na trama do rumor suas nervuras
inseto múltiplo reunido
para compor o zanzineio surdo
circular opressivo
zunzin de mil zonzons zoando em meio à pasta de calor
da noite em branco
(Carlos Drummond de Andrade)
Observação: verbos que exprimem os sons são considerados onomatopaicos, como cacarejar, tiquetaquear,
miar etc.
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– Anáfora: repetição da mesma palavra no início de um período, frase ou verso.
Exemplo:
Dentro do tempo o universo
[na imensidão.
Dentro do sol o calor peculiar
[do verão.
Dentro da vida uma vida me
[conta uma estória que fala
[de mim.
Dentro de nós os mistérios
[do espaço sem fim!
(Toquinho/Mutinho)
– Assíndeto: ocorre quando orações ou palavras que deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas
aparecem separadas por vírgulas.
Exemplo:
Não nos movemos, as mãos é
que se estenderam pouco a
pouco, todas quatro, pegando-se,
apertando-se, fundindo-se.
(Machado de Assis)
– Polissíndeto: repetição intencional de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma
gramatical.
Exemplo:
Há dois dias meu telefone não fala, nem ouve, nem toca, nem tuge, nem muge.
(Rubem Braga)
Exemplos:
Não os venci. Venceram-me
eles a mim.
(Rui Barbosa)
Morrerás morte vil na mão de um forte.
(Gonçalves Dias)
Já o Pleonasmo vicioso é frequente na linguagem informal, cotidiana, considerado vício de linguagem. Deve
ser evitado.
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Exemplos:
Ouvir com os ouvidos.
Rolar escadas abaixo.
Colaborar juntos.
Hemorragia de sangue.
Repetir de novo.
– Elipse: supressão de uma ou mais palavras facilmente subentendidas na frase. Geralmente essas palavras
são pronomes, conjunções, preposições e verbos.
Exemplos:
Compareci ao Congresso. (eu)
Espero venhas logo. (eu, que, tu)
Ele dormiu duas horas. (durante)
No mar, tanta tormenta e tanto dano. (verbo Haver)
(Camões)
Exemplos:
Foi saqueada a vila, e assassina dos os partidários dos Filipes.
(Camilo Castelo Branco)
Rubião fez um gesto, Palha outro: mas quão diferentes.
(Machado de Assis)
Exemplos:
Passeiam, à tarde, as belas na avenida.
(Carlos Drummond de Andrade)
Paciência tenho eu tido...
(Antônio Nobre)
– Anacoluto: interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, alterando a sequência do processo
lógico. A construção do período deixa um ou mais termos desprendidos dos demais e sem função sintática
definida.
Exemplos
E o desgraçado, tremiam-lhe as pernas.
(Manuel Bandeira)
Aquela mina de ouro, ela não ia deixar que outras espertas botassem as mãos.
(José Lins do Rego)
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– Hipálage: inversão da posição do adjetivo (uma qualidade que pertence a um objeto é atribuída a outro,
na mesma frase).
Exemplo:
...em cada olho um grito castanho de ódio.
(Dalton Trevisan)
...em cada olho castanho um grito de ódio)
– Silepse:
Na Silepse de gênero não há concordância de gênero do adjetivo ou do pronome com a pessoa a que se
refere.
Exemplos
Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho...
(Rachel de Queiroz)
V. Ex.a parece magoado...
(Carlos Drummond de Andrade)
No entanto a Silepse de pessoa não apresenta concordância da pessoa verbal com o sujeito da oração.
Exemplos:
Os dois ora estais reunidos...
(Carlos Drummond de Andrade)
Na noite do dia seguinte, estávamos reunidos algumas pessoas.
(Machado de Assis)
Já na Silepse de número não tem concordância do número verbal com o sujeito da oração.
Exemplo:
Corria gente de todos os lados, e gritavam.
(Mário Barreto)
Vícios de linguagem
Vícios de Linguagem são os deslizes cometidos em ralação a norma culta da língua, eles podem estar pre-
sentes nos níveis semânticos, morfológicos ou sintáticos. São eles:
Barbarismo
São desvios cometidos na grafia, flexão ou pronúncia de uma palavra.
- Barbarismo cometido devido à má pronúncia das palavras
Exemplo: eu robo /róbo/ - ele roba /róba/ Quando deveria ser: eu roubo / ele rouba
- Barbarismo provocado pela alteração da posição da sílaba tônica
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Exemplos: récorde em vez de recorde
Solecismo
Erro cometido pelo descumprimento das regras de sintaxe.
- Solecismo de regência
Exemplo: Duas casa depois da minha existe uma loja de conveniência. (frase incorreta)
Ambiguidade
Ocorrência de duplo sentido na frase.
Exemplos:
Eles viram o incêndio do prédio.
(O prédio está em chamas.)
(Do prédio, eles assistem ao incêndio.)
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Ele não agiu legal. (Legal = termo polissêmico - de várias significações)
(Ele não agiu dentro da lei.)
(Ele agiu mal.)
Preciosismo ou Arcaísmo
Linguagem extremamente rebuscada, dificultando a clareza e o entendimento.
Exemplo: A eloquente verborragia de teus ditames balouçam minha inerme consciência.
(A fácil capacidade de falar e impor suas vontades embaralham meu pouco conhecimento)
Cacofonia
Som desagradável decorrente de construções mal elaboradas.
- Cacófato: encontro de sílabas de dois ou mais vocábulos, causando um som inconveniente ou pejorativo.
Exemplos: fé demais, havia dado, essa fada, por cada.
- Colisão: sequência de consoantes iguais.
Arcaísmo
Consiste no emprego de palavras ou expressões antigas que já caíram de uso. Exemplo: asinha em vez de
depressa, antanho em vez de no passado.
Neologismo
Criação de novas palavras ou expressões introduzidas na língua portuguesa.
Exemplo: Meu irmão está fazendo um bico na empresa. (Fazer um bico: trabalho temporário)
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Eco
Ocorre quando há palavras na frase com terminações iguais ou semelhantes, provocando dissonância.
Exemplo: A divulgação da promoção não causou comoção na população.
Hiato
Ocorre quando há uma sequência de vogais, provocando dissonância. Exemplo: Eu a amo; Ou eu ou a
outra ganhará o concurso.
Colisão
Ocorre quando há repetição de consoantes iguais ou semelhantes, provocando dissonância. Exemplo: Sua
saia sujou.
Funções da Linguagem
Funções da linguagem são recursos da comunicação que, de acordo com o objetivo do emissor, dão ênfase
à mensagem transmitida, em função do contexto em que o ato comunicativo ocorre.
São seis as funções da linguagem, que se encontram diretamente relacionadas com os elementos da co-
municação.
Função Referencial
A função referencial tem como objetivo principal informar, referenciar algo. Esse tipo de texto, que é voltado
para o contexto da comunicação, é escrito na terceira pessoa do singular ou do plural, o que enfatiza sua im-
pessoalidade.
Para exemplificar a linguagem referencial, podemos citar os materiais didáticos, textos jornalísticos e cientí-
ficos. Todos eles, por meio de uma linguagem denotativa, informam a respeito de algo, sem envolver aspectos
subjetivos ou emotivos à linguagem.
Exemplo de uma notícia:
O resultado do terceiro levantamento feito pela Aliança Global para Atividade Física de Crianças — enti-
dade internacional dedicada ao estímulo da adoção de hábitos saudáveis pelos jovens — foi decepcionante.
Realizado em 49 países de seis continentes com o objetivo de aferir o quanto crianças e adolescentes estão
fazendo exercícios físicos, o estudo mostrou que elas estão muito sedentárias. Em 75% das nações participan-
tes, o nível de atividade física praticado por essa faixa etária está muito abaixo do recomendado para garantir
um crescimento saudável e um envelhecimento de qualidade — com bom condicionamento físico, músculos e
esqueletos fortes e funções cognitivas preservadas. De “A” a “F”, a maioria dos países tirou nota “D”.
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Função Emotiva
Caracterizada pela subjetividade com o objetivo de emocionar. É centrada no emissor, ou seja, quem envia
a mensagem. A mensagem não precisa ser clara ou de fácil entendimento.
Por meio do tipo de linguagem que usamos, do tom de voz que empregamos, etc., transmitimos uma ima-
gem nossa, não raro inconscientemente.
Emprega-se a expressão função emotiva para designar a utilização da linguagem para a manifestação do
enunciador, isto é, daquele que fala.
Exemplo: Nós te amamos!
Função Conativa
A função conativa ou apelativa é caracterizada por uma linguagem persuasiva com a finalidade de conven-
cer o leitor. Por isso, o grande foco é no receptor da mensagem.
Trata-se de uma função muito utilizada nas propagandas, publicidades e discursos políticos, a fim de in-
fluenciar o receptor por meio da mensagem transmitida.
Esse tipo de texto costuma se apresentar na segunda ou na terceira pessoa com a presença de verbos no
imperativo e o uso do vocativo.
Não se interfere no comportamento das pessoas apenas com a ordem, o pedido, a súplica. Há textos que
nos influenciam de maneira bastante sutil, com tentações e seduções, como os anúncios publicitários que nos
dizem como seremos bem-sucedidos, atraentes e charmosos se usarmos determinadas marcas, se consumir-
mos certos produtos.
Com essa função, a linguagem modela tanto bons cidadãos, que colocam o respeito ao outro acima de tudo,
quanto espertalhões, que só pensam em levar vantagem, e indivíduos atemorizados, que se deixam conduzir
sem questionar.
Exemplos: Só amanhã, não perca!
Vote em mim!
Função Poética
Esta função é característica das obras literárias que possui como marca a utilização do sentido conotativo
das palavras.
Nela, o emissor preocupa-se de que maneira a mensagem será transmitida por meio da escolha das pala-
vras, das expressões, das figuras de linguagem. Por isso, aqui o principal elemento comunicativo é a mensa-
gem.
A função poética não pertence somente aos textos literários. Podemos encontrar a função poética também
na publicidade ou nas expressões cotidianas em que há o uso frequente de metáforas (provérbios, anedotas,
trocadilhos, músicas).
Exemplo:
“Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...”
(Cecília Meireles)
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Função Fática
A função fática tem como principal objetivo estabelecer um canal de comunicação entre o emissor e o re-
ceptor, quer para iniciar a transmissão da mensagem, quer para assegurar a sua continuação. A ênfase dada
ao canal comunicativo.
Esse tipo de função é muito utilizado nos diálogos, por exemplo, nas expressões de cumprimento, sauda-
ções, discursos ao telefone, etc.
Exemplo:
-- Calor, não é!?
-- Sim! Li na previsão que iria chover.
-- Pois é...
Função Metalinguística
É caracterizada pelo uso da metalinguagem, ou seja, a linguagem que se refere a ela mesma. Dessa forma,
o emissor explica um código utilizando o próprio código.
Nessa categoria, os textos metalinguísticos que merecem destaque são as gramáticas e os dicionários.
Um texto que descreva sobre a linguagem textual ou um documentário cinematográfico que fala sobre a
linguagem do cinema são alguns exemplos.
Exemplo:
Amizade s.f.: 1. sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas ou entidades. “sentia-se feliz
com a amizade do seu mestre”
2. POR METONÍMIA: quem é amigo, companheiro, camarada. “é uma de suas amizades fiéis”
O Acordo Ortográfico de 1990 passou a ser prescrito por lei em 2016, quando então, ficou conhecido como
Novo Acordo Ortográfico. Basicamente, consiste em um sistema de normas para a escrita, firmado entre as
nações cujo idioma oficial é a língua portuguesa. Assim, faz parte acordo a Comunidade de Países de Língua
Portuguesa (CPLP), que inclui, além de Brasil e Portugal, as nações africanas Angola, Cabo Verde, Guiné-
-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. As principais mudanças dizem
respeito à acentuação gráfica, ao emprego do hífen, à regulamentação maiúsculas e minúsculas na primeira
letra de uma palavra, à extinção da trema, à adição de letras ao alfabeto oficial da língua e à padronização da
escrita de palavras com dupla grafia.
Regras de acentuação
Queda do acento:
— em palavras paroxítonas (quando a tônica recai sobre a penúltima sílaba) que formadas pelos ditongos
abertos “-e”i e “-oi”. Exemplos:
jóia → joia
protéico → proteico
assembléia → assembleia
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— em palavras paroxítonas com vogais “i” e “u” depois do ditongo. Exemplos:
feiúra → feiura
bocaiúva → bocaiuva
cauíla → cauila
lêem → leem
enjôo → enjoo
vôo→ voo
Queda do acento diferencial: nos casos em que a distinção do sentido da palavra for dada pelo contexto.
Exemplos:
O acento diferencial deve ser mantido em alguns casos:
— forma (verbo) / fôrma (substantivo)
— por (preposição) / pôr (verbo)
— pode (a vogal “o” aberta, para conjugação no tempo presente) / pôde (vogal “o” fechada, para conjugação
no tempo presente)
Hífen
Separando prefixo: o hífen passou ocorrer somente nos casos em que a primeira letra do segundo elemento
for igual à última letra do prefixo ou quando essa letra for “H”. Exemplos:
micro-ondas
anti-inflamatório
auto-observação
co-herdeiro
super-homem
anti-herói
Prefixos específicos: se o elemento da palavra for um dos prefixos “auto”, “contra”, “extra”, “infra”, “intra”,
“neo”, “proto”, “semi”, “supra”, “ante”, “anti”, “arqui” e “sobre”, o hífen não se aplica, devendo os dois elementos
serem unidos sem necessidade do sinal gráfico. Exemplos:
auto-estima → autoestima
contra-cheque → contracheque
extra-conjugal → extraconjugal
infra-estrutura → infraestrutura
intra-racial → intrarracial
neo-liberal → neoliberal
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proto-evangelho → protoevangelho
pseudo-científico → pseudocientífico
semi-aberto → semiaberto
supra-sumo → suprasumo
ultra-sonografia → ultrassonografia
ante-sala → antessala
anti-ético → antiético
arqui-inimigo → arquiinimigo
sobre-sala → sobressala
Colocação pronominal: o hífen deixou de ser prescrito em colocações pronominais compostas pela forma
verbal “haver”, quando esse verbo for monossílabo e sucedido pela preposição “de”. Exemplos:
hei-de → hei de
hás-de → hás de
há-de → hás-de
hão-de→ hão de
Locuções: o hífen não deve mais ocorrer em locuções com preposição ou outro elemento de ligação. Exem-
plos:
É importante destacar que existem exceções, ou seja, casos em que as locuções que se enquadram na
condição supracitada não perderam a hifenização, como “mais-que-perfeito”, “pé-de-meia” e “cor-de-rosa”.
Palavras compostas:
— o hífen passou a não ocorrer quando houver justaposição sem preposições (ou quaisquer outros
elementos de ligação), ou seja, nos casos em que noção de palavra composta é perdida. Exemplos:
— também houve queda do hífen em palavras compostas sempre que o primeiro elemento terminar com
vogal e o segundo elemento começar com “R” ou “S”, devendo-se duplicar a consoante na união dos elemen-
tos. Exemplos:
manda-chuva → mandachuva
pára-quedas → paraquedas
Obrigatoriedade do hífen: é imperativo o uso do hífen após determinados prefixos, como “além-“, “aquém”,
“ex-”, “recém-“, “sem-”, “pós-”, “pré-” e “pró-”. Exemplos:
auto-retrato → autorretrato
anti-social → antissocial
além-mar
pós-congresso
sem-terra
77
ex-presidente
recém-chegado
pré-aprovado
Maiúsculas e minúsculas
As letras maiúsculas são obrigatórias no início de nomes próprios (Maria, João, Paulo), pontos cardeais
designando região (Sudeste, Centro-Oeste), nomes de festividades (Natal, Semana Santa, Carnaval). As letras
minúsculas devem iniciar os dias da semana os meses do ano, as estações do ano, expressões genéricas (fu-
lano, sicrano, beltrano) e os pontos cardeais designando direção (norte, sul, leste, oeste, noroeste, sudoeste).
Nomes de obras: nesses casos, o uso de maiúsculas e minúsculas é facultativo (O Bem Amado / O bem
amado).
Trema
Foi abolido da escrita da língua portuguesa o sinal gráfico trema (¨), que servia para indicação de que a
vogal “U” deveria ser pronunciada nos casos de possibilidade de ser confundida com os dígrafos “gu” e “qu” —
quando não ocorre a pronúncia da vogal. Exemplos:
Para a escrita de palavras que não pertencem à língua portuguesa, o trema deve ser mantido. Exemplos:
Müller, Bündchen, mülleriano.
bilínguë → bilíngue
freqüência → frequência
tranqüilo → tranquilo
Alfabeto
As letras K, W e Y, que antes não eram parte do alfabeto da língua portuguesa, foram integradas ao conjunto
de letras desse sistema de escrita, que deixou de ter 23 letras e passou a ter 26.
antônimo/antónimo
sinônimo/sinónimo
gênero/género
bebê/bebé
apazígua/apazigua
enxágue/enxague
averígue/averigue
78
Questões
1. FCC - 2022
79
(D) advérbio.
(E) conjunção.
2. FCC - 2022
Atenção: Para responder à questão, leia a crônica “Tatu”, de Carlos Drummond de Andrade.
O luar continua sendo uma graça da vida, mesmo depois que o pé do homem pisou e trocou em miúdos a
Lua, mas o tatu pensa de outra maneira. Não que ele seja insensível aos amavios do plenilúnio; é sensível, e
muito. Não lhe deixam, porém, curtir em paz a claridade noturna, de que, aliás, necessita para suas expedições
de objetivo alimentar. Por que me caçam em noites de lua cheia, quando saio precisamente para caçar? Como
prover a minha subsistência, se de dia é aquela competição desvairada entre bichos, como entre homens, e de
noite não me dão folga?
Isso aí, suponho, é matutado pelo tatu, e se não escapa do interior das placas de sua couraça, em termos
de português, é porque o tatu ignora sabiamente os idiomas humanos, sem exceção, além de não acreditar em
audiência civilizada para seus queixumes. A armadura dos bípedes é ainda mais invulnerável que a dele, e não
há sensibilidade para a dor ou a problemática do tatu.
Meu amigo andou pelas encostas do Corcovado, em noite de prata lunal, e conseguiu, por artimanhas só
dele sabidas, capturar vivo um tatu distraído. É, distraído. Do contrário não o pegaria. Estava imóvel, estático,
fruindo o banho de luz na folhagem, essa outra cor que as cores assumem debaixo da poeira argentina da Lua.
Esquecido das formigas, que lhe cumpria pesquisar e atacar, como quem diz, diante de um motivo de prazer:
“Daqui a pouco eu vou trabalhar; só um minuto mais, alegria da vida”, quedou-se à mercê de inimigos maiores.
Sem pressentir que o mais temível deles andava por perto, em horas impróprias à deambulação de um profes-
sor universitário.
− Mas que diabo você foi fazer naqueles matos, de madrugada?
− Nada. Estava sem sono, e gosto de andar a esmo, quando todos roncam.
Sem sono e sem propósito de agredir o reino animal, pois é de feitio manso, mas o velho instinto cavernal
acordou nele, ao sentir qualquer coisa a certa distância, parecida com a forma de um bicho. Achou logo um cipó
bem forte, pedindo para ser usado na caça; e jamais tendo feito um laço de caçador, soube improvisá-lo com
perícia de muitos milhares de anos (o que a universidade esconde, nas profundas camadas do ser, e só permite
que venha aflorar em noite de lua cheia!).
Aproximou-se sutil, laçou de jeito o animal desprevenido. O coitado nem teve tempo de cravar as garras
no laçador. Quando agiu, já este, num pulo, desviara o corpo. Outra volta no laço. E outra. Era fácil para o tatu
arrebentar o cipó com a força que a natureza depositou em suas extremidades. Mas esse devia ser um tatu
meio parvo, e se embaraçou em movimentos frustrados. Ou o sereno narrador mentiu, sei lá. Talvez o tenha
comprado numa dessas casas de suplício que há por aí, para negócio de animais. Talvez na rua, a um vendedor
de ocasião, quando tudo se vende, desde o mico à alma, se o PM não ronda perto.
Não importa. O caso é que meu amigo tem em sua casa um tatu que não se acomodou ao palmo de terra
nos fundos da casa e tratou de abrigar longa escavação que o conduziu a uma pedreira, e lá faz greve de fome.
De lá não sai, de lá ninguém o tira. A noite perdeu para ele seu encanto luminoso. A ideia de levá-lo para o zoo-
lógico, aventada pela mulher do caçador, não frutificou. Melhor reconduzi-lo a seu hábitat, mas o tatu se revela
profundamente contrário a qualquer negociação com o bicho humano, que pensa em apelar para os bombeiros
a fim de demolir o metrô tão rapidamente feito, ao contrário do nosso, urbano, e salvar o infeliz. O tatu tem ra-
zões de sobra para não confiar no homem e no luar do Corcovado.
Não é fábula. Eu compreendo o tatu.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond. Os dias lindos. São Paulo: Companhia das Letras, 2013)
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No desfecho da crônica, o cronista revela, em relação ao tatu, um sentimento de
(A) empatia.
(B) desconfiança.
(C) superioridade.
(D) soberba.
(E) desdém.
3. FCC - 2022
Melancolia e criatividade
Desde sempre o sentimento da melancolia gozou de má fama. O melancólico é costumeiramente tomado
como um ser desanimado, depressivo, “pra baixo”, em suma: um chato que convém evitar. Mas é uma fama
injusta: há grandes melancólicos que fazem grande arte com sua melancolia, e assim preenchem a vida da
gente, como uma espécie de contrabando da tristeza que a arte transforma em beleza. “Pra fazer um samba
com beleza é preciso um bocado de tristeza”, já defendeu o poeta Vinícius de Moraes, na letra de um conhecido
samba seu.
Mas a melancolia não para nos sambas: ela desde sempre anima a literatura, a música, a pintura, o cinema,
as artes todas. Anima, sim: tanto anima que a gente gosta de voltar a ver um bom filme melancólico, revisitar
um belo poema desesperançado, ouvir uma vez mais um inspirado noturno para piano. Ou seja: os artistas
melancólicos fazem de sua melancolia a matéria-prima de uma obra-prima. Sorte deles, nossa e da própria
melancolia, que é assim resgatada do escuro do inferno para a nitidez da forma artística bem iluminada.
Confira: seria possível haver uma história da arte que deixasse de falar das grandes obras melancólicas?
Por certo se perderia a parte melhor do nosso humanismo criativo, que sabe fazer de uma dor um objeto aberto
ao nosso reconhecimento prazeroso. Charles Chaplin, ao conceber Carlitos, dotou essa figura humana ines-
quecível da complexa composição de fracasso, melancolia, riso, esperteza e esperança. O vagabundo sem
destino, que vive a apanhar da vida, ganhou de seu criador o condão de emocionar o mundo não com feitos
gloriosos, mas com a resistente poesia que o faz enfrentar a vida munido da força interior de um melancólico
disposto a trilhar com determinação seu caminho, ainda que no rumo a um horizonte incerto.
(Humberto Couto Villares, a publicar)
No terceiro parágrafo, a personagem Carlitos é invocada para
(A) dar um sentido de nobreza a todas as experiências de fracasso humano.
(B) testemunhar a determinação de um indivíduo em alcançar seus altos objetivos.
(C) indicar a possibilidade da transformação sistemática da dor em franca alegria.
(D) personificar a complexa conjunção entre força poética e marginalidade social.
(E) promover a felicidade que pode desfrutar quem não está comprometido com nada.
4. FCC - 2022
A independência política em 1822 não trouxe muitas novidades em termos institucionais, mas consolidou
um objetivo claro, qual seja: estruturar e justificar uma nova nação.
A tarefa não era pequena e quem a assumiu foi o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), que,
aberto em 1838, no Rio de Janeiro, logo deixaria claras suas principais metas: construir uma história que ele-
vasse o passado e que fosse patriótica nas suas proposições, trabalhos e argumentos.
Para referendar a coerência da filosofia que inaugurou o IHGB, basta prestar atenção no primeiro concurso
público por lá organizado. Em 1844, abriam-se as portas para os candidatos que se dispusessem a discorrer
sobre uma questão espinhosa: “Como se deve escrever a história do Brasil”. Tratava-se de inventar uma nova
história do e para o Brasil. Foi dado, então, um pontapé inicial, e fundamental, para a disciplina que chamaría-
mos, anos mais tarde, e com grande naturalidade, de “História do Brasil”.
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A singularidade da competição também ficou associada a seu resultado e à divulgação do nome do vence-
dor. O primeiro lugar, nessa disputa histórica, foi para um estrangeiro − o conhecido naturalista bávaro Karl von
Martius (1794-1868), cientista de ilibada importância, embora novato no que dizia respeito à história em geral e
àquela do Brasil em particular − , o qual advogou a tese de que o país se definia por sua mistura, sem igual, de
gentes e povos. Utilizando a metáfora de um caudaloso rio, correspondente à herança portuguesa que acabaria
por “limpar” e “absorver os pequenos confluentes das raças índia e etiópica”, representava o país a partir da
singularidade e dimensão da mestiçagem de povos por aqui existentes.
A essa altura, porém, e depois de tantos séculos de vigência de um sistema violento como o escravocrata,
era no mínimo complicado simplesmente exaltar a harmonia. Além do mais, indígenas continuavam sendo dizi-
mados no litoral e no interior do país.
Martius, que em 1832 havia publicado um ensaio chamado “O estado do direito entre os autóctones no
Brasil”, condenando os indígenas ao desaparecimento, agora optava por definir o país por meio da redentora
metáfora fluvial. Três longos rios resumiriam a nação: um grande e caudaloso, formado pelas populações bran-
cas; outro um pouco menor, nutrido pelos indígenas; e ainda outro, mais diminuto, alimentado pelos negros.
Ali estavam, pois, os três povos formadores do Brasil; todos juntos, mas (também) diferentes e separados.
Mistura não era (e nunca foi) sinônimo de igualdade. Essa era uma ótima maneira de “inventar” uma história
não só particular (uma monarquia tropical e mestiçada) como também muito otimista: a água que corria repre-
sentava o futuro desse país constituído por um grande rio caudaloso no qual desaguavam os demais pequenos
afluentes.
É possível dizer que começava a ganhar força então a ladainha das três raças formadoras da nação, que
continuaria encontrando ampla ressonância no Brasil, pelo tempo afora.
(Adaptado de: SCHWARCZ, Lilia Moritz. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras,
2019)
O verbo sublinhado no segmento Mistura não era (e nunca foi) sinônimo de igualdade está flexionado nos
mesmos tempo e modo que o sublinhado em:
(A) a disciplina que chamaríamos, anos mais tarde, e com grande naturalidade
(B) Três longos rios resumiriam a nação
(C) O primeiro lugar, nessa disputa histórica, foi para um estrangeiro
(D) A independência política em 1822 não trouxe muitas novidades
(E) a água que corria representava o futuro desse país
5. FCC - 2022
Atenção: Considere o texto abaixo, do pensador francês Voltaire (1694-1778), para responder à questão.
O preço da justiça
Vós, que trabalhais na reforma das leis, pensai, assim como grande jurisconsulto Beccaria, se é racional
que, para ensinar os homens a detestar o homicídio, os magistrados sejam homicidas e matem um homem em
grande aparato.
Vede se é necessário matá-lo quando é possível puni-lo de outra maneira, e se cabe empregar um de vos-
sos compatriotas para massacrar habilmente outro compatriota. [...] Em qualquer circunstância, condenai o
criminoso a viver para ser útil: que ele trabalhe continuamente para seu país, porque ele prejudicou o seu país.
É preciso reparar o prejuízo; a morte não repara nada.
Talvez alguém vos diga: “O senhor Beccaria está enganado: a preferência que ele dá a trabalhos penosos e
úteis, que durem toda a vida, baseia-se apenas na opinião de que essa longa e ignominiosa pena é mais terrível
que a morte, pois esta só é sentida por um momento”.
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Não se trata de discutir qual é a punição mais suave, porém a mais útil. O grande objetivo, como já dissemos
em outra passagem, é servir o público; e, sem dúvida, um homem votado todos os dias de sua vida a preservar
uma região da inundação por meio de diques, ou a abrir canais que facilitem o comércio, ou a drenar pântanos
infestados, presta mais serviços ao Estado que um esqueleto a pendular de uma forca numa corrente de ferro,
ou desfeito em pedaços sobre uma roda de carroça.
(VOLTAIRE. O preço da justiça. Trad. Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 18-20)
Voltaire acusa o sentido contraditório de um determinado posicionamento ao referir-se a ele nestes seg-
mentos:
(A) massacrar habilmente um compatriota / detestar o homicídio
(B) matem um homem / em grande aparato
(C) Beccaria está enganado / o grande objetivo é servir o público
(D) presta mais serviços ao Estado / trabalhos penosos e úteis
(E) servir ao público / preservar uma região da inundação
6. FCC - 2022
Ai de ti, Ipanema
Há muitos anos, Rubem Braga começava assim uma de suas mais famosas crônicas: “Ai de ti, Copacabana,
porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te
abalará até as entranhas.” Era uma exortação bíblica, apocalíptica, profética, ainda que irônica e hiperbólica.
“Então quem especulará sobre o metro quadrado de teu terreno? Pois na verdade não haverá terreno algum.”
Na sua condenação, o Velho Braga antevia os sinais da degradação e da dissolução moral de um bairro
prestes a ser tragado pelo pecado e afogado pelo oceano, sucumbindo em meio às abjeções e ao vício: “E os
escuros peixes nadarão nas tuas ruas e a vasa fétida das marés cobrirá tua face”.
A praia já chamada de “princesinha do mar”, coitada, inofensiva e pura, era então, como Ipanema seria de-
pois, a síntese mítica do hedonismo carioca, mais do que uma metáfora, uma metonímia.
No fim dos anos 50, Copacabana era o éden não contaminado ainda pelos plenos pecados, eram tempos
idílicos e pastorais, a era da inocência, da bossa nova, dos anos dourados de JK, de Garrincha. Digo eu agora:
Ai de ti, Ipanema, que perdeste a inocência e o sossego, e tomaste o lugar de Copacabana, e não percebeste
os sinais que não são mais simbólicos: o emissário submarino se rompendo, as águas poluídas, as valas ne-
gras, as agressões, os assaltos, o medo e a morte.
(Adaptado de: VENTURA, Zuenir. Crônicas de um fim de século. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999, p. 166/167)
Ao qualificar a linguagem de Rubem Braga em sua crônica “Ai de ti, Copacabana”, Zuenir Ventura se vale
dos termos exortação e condenação, para reconhecer no texto do Velho Braga,
(A) a tonalidade grave de uma invectiva.
(B) a informalidade de um discurso emocional.
(C) o coloquialismo de um lírico confessional.
(D) a retórica argumentativa dos clássicos.
(E) a força épica de uma celebração.
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7. FCC - 2022 - TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Analista Judiciário - Área Administrativa-
8. FCC - 2022
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Excitação efêmera, sinal de tédio à espreita. Estará longe o dia em que toda essa pressa deixe de ser uma
obsessão? Será que a adaptação triunfante aos novos tempos da velocidade máxima acabará por esvaziar até
mesmo a consciência dessa nossa degradação descontrolada?
(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 88)
Está plenamente adequada a pontuação do seguinte período:
(A) Ao detectar, em nossos dias tão agitados, o vírus da pressa, que contamina não apenas o tempo do
trabalho, mas também o tempo de outras ocupações, o autor mostra seu temor de que, se assim continuar,
nossa civilização se degradará.
(B) Ao detectar em nossos dias, tão agitados o vírus da pressa, que contamina não apenas o tempo do tra-
balho mas, também, o tempo de outras ocupações, o autor mostra seu temor, de que, se assim continuar,
nossa civilização se degradará.
(C) Ao detectar, em nossos dias tão agitados o vírus da pressa, que contamina, não apenas o tempo do
trabalho mas também o tempo de outras ocupações, o autor mostra seu temor de que, se assim continuar
nossa civilização, se degradará.
(D) Ao detectar em nossos dias tão agitados, o vírus da pressa que contamina, não apenas o tempo do
trabalho mas, também o tempo, de outras ocupações, o autor mostra seu temor de que, se assim continuar
nossa civilização se degradará.
(E) Ao detectar em nossos dias tão agitados o vírus, da pressa que contamina não apenas o tempo do tra-
balho, mas também o tempo de outras ocupações, o autor mostra, seu temor, de que, se assim continuar
nossa civilização se degradará.
9. FCC - 2022
O meu ofício
O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada so-
bre o valor daquilo que posso escrever. Quando me ponho a escrever, sinto-me extraordinariamente à vontade
e me movo num elemento que tenho a impressão de conhecer extraordinariamente bem: utilizo instrumentos
que me são conhecidos e familiares e os sinto bem firmes em minhas mãos. Se faço qualquer outra coisa, se
estudo uma língua estrangeira, se tento aprender história ou geografia, ou tricotar uma malha, ou viajar, sofro
e me pergunto como é que os outros conseguem fazer essas coisas. E tenho a impressão de ser cega e surda
como uma náusea dentro de mim.
Já quando escrevo nunca penso que talvez haja um modo mais correto, do qual os outros escritores se
servem. Não me importa nada o modo dos outros escritores. O fato é que só sei escrever histórias. Se tento
escrever um ensaio de crítica ou um artigo sob encomenda para um jornal, a coisa sai bem ruim. O que escrevo
nesses casos tenho de ir buscar fora de mim. E sempre tenho a sensação de enganar o próximo com palavras
tomadas de empréstimo ou furtadas aqui e ali.
Quando escrevo histórias, sou como alguém que está em seu país, nas ruas que conhece desde a infância,
entre as árvores e os muros que são seus. Este é o meu ofício, e o farei até a morte. Entre os cinco e dez anos
ainda tinha dúvidas e às vezes imaginava que podia pintar, ou conquistar países a cavalo, ou inventar uma nova
máquina. Mas a primeira coisa séria que fiz foi escrever um conto, um conto curto, de cinco ou seis páginas:
saiu de mim como um milagre, numa noite, e quando finalmente fui dormir estava exausta, atônita, estupefata.
(Adaptado de: GINZBURG, Natalia. As pequenas virtudes. Trad. Maurício Santana Dias. São Paulo: Cosac
Naify, 2015, p, 72-77, passim)
As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas em:
(A) As palavras que a alguém ocorrem deitar no papel acabam por identificar o estilo mesmo de quem as
escreveu.
(B) Gaba-se a autora de que às palavras a que recorre nunca falta a espontaneidade dos bons escritos.
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(C) Faltam às tarefas outras de que poderiam se incumbir a facilidade que encontra ela em escrever seus
textos.
(D) Os possíveis entraves para escrever um conto, revela a autora, logo se dissipou em sua primeira tenta-
tiva.
(E) Não haveria de surgir impulsos mais fortes, para essa escritora, do que os que a levaram a imaginar
histórias.
Considerando a regência nominal e o emprego do acento grave, o trecho destacado em “inerentes a esta
festa” está corretamente substituído em:
(A) inerentes à determinado momento
(B) inerentes à regras de convivência
(C) inerentes à regulamentos anteriores
(D) inerentes à evidência de incorreções
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Quando abrimos nossos olhos, ficamos com a impressão de termos visão nítida, rica e bem detalhada do
mundo que se estende por todo nosso campo visual. A consciência de nossa percepção não é limitada, mas
nossa atenção e nossa memória de curtíssimo prazo são. Não somos capazes de memorizar tudo instantane-
amente à nossa volta e nem podemos nos ater a tudo que nos cerca. Nossa introspecção da grandiosidade de
nossa experiência visual confronta com nossas limitações perceptivas práticas e cria uma vivência rica, porém
efêmera e sujeita a erros de interpretações. Dimensiona um gradiente entre o que é real e o que se presume,
algo que favorece os acidentes de trânsito.
Podemos interpretar que o acidente do exemplo do início do texto se deu porque o motorista convergiu sua
atenção às partes centrais da pista, por onde os carros preferencialmente circulam sob velocidade mais ou me-
nos previsível. Assim que o último carro passou, ficou fácil pressupor que o centro da pista permaneceria vazio
por um intervalo de tempo seguro para a travessia. As laterais da pista, locais em que motocicletas geralmente
trafegam, não tiveram a atenção merecida, e a velocidade da moto não estava no padrão esperado.
O mundo aqui fora é um caos repleto de acontecimentos, e nossos cérebros têm que coletar e reter alguns
deles para que possamos compreendê-lo e, assim, agirmos em busca da nossa sobrevivência. Mas essas in-
formações são salpicadas, incompletas e mutáveis. Traçar uma linha que contextualize todos esses dados não
é simples. Eventualmente, esse jogo mental de ligar pontinhos cria armadilha para nós mesmos, pois por vezes
um ponto que deveria ser descartado é inserido em uma lógica apenas por ser chamativo. E outro, ao contrário,
deveria ser considerado, mas é menosprezado, pois à primeira vista não atendeu a um pressuposto.
Essas interpretações podem provocar outras tragédias além de acidentes de carro.
Disponível em:<https://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 20 abr. 2019. (texto adaptado)
No trecho “[...]poderemos assistir à queda de um deles.”, a ocorrência do acento grave é justificada
(A) pela exigência de artigo do termo regente, que é um verbo, e pela exigência de preposição do termo
regido, que é um nome.
(B) pela exigência de preposição do termo regente, que é um nome, e pela exigência de artigo do termo
regido, que é um verbo.
(C) pela exigência de artigo do termo regente, que é um nome, e pela exigência de artigo do termo regido,
que é um verbo.
(D) pela exigência de preposição do termo regente, que é um verbo, e pela exigência de artigo do termo
regido, que é um nome.
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de jornalistas e do público. As respostas, inclusive, podem ser conferidas por profissionais de imprensa, com
divulgação posterior, o que facilita o discernimento por parte de eleitores sobre o que corresponde ou não à
verdade.
O Rio Grande do Sul enfrenta uma crise fiscal no setor público que, se não contar com uma perspectiva de
solução imediata, praticamente vai inviabilizar a implantação de qualquer plano de governo. Por isso, é promis-
sor que, enquanto em outros Estados predominam denúncias e acusações, os candidatos ao governo gaúcho
venham dando ênfase nas conversas diretas a projetos de governo de interesse específico dos eleitores.
Democracia se faz com diálogo e transparência. Sem discussões amplas, perdem os cidadãos, que ficam
privados de informações essenciais para fazer suas escolhas com mais objetividade e menos passionalismo.
(A IMPORTÂNCIA dos debates. GaúchaZH, 17 de outubro de 2018. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.
com.br. Acesso em: 30 de agosto de 2022)
No segundo parágrafo do texto, há a frase: “Colocados frente a frente nos microfones da Rádio Gaúcha,
ambos tiveram a oportunidade de enfrentar questões importantes ligadas ao cotidiano dos eleitores.” Conforme
se observa, na expressão em destaque, não há ocorrência da crase.
Assim, seguindo a regra gramatical acerca da crase, assinale a alternativa em que há o emprego da crase
indevidamente:
(A) cara a cara; às ocultas; à procura.
(B) face a face; às pressas; à deriva.
(C) à frente; à direita; às vezes.
(D) à tarde; à sombra de; a exceção de.
Ainda alcancei a geração que cedia o lugar às senhoras grávidas. Se uma delas tomava o bonde, três, qua-
tro ou cinco jovens se arremessavam. E a boa e ofegante senhora tinha seu canto, tinha seu espaço. E, quando
ia pagar a passagem, dizia o luso condutor por trás dos bigodões: “Já está paga, já está paga!”.
E assim, num simples gesto, temos o perfil, o retrato, a alma do antigo jovem. Hoje, não. Outro dia, fui tes-
temunha auditiva e ocular de um episódio patético. Vinha eu, em pé, num ônibus apinhado. Passageiros amas-
sados uns contra os outros. Essa promiscuidade abjeta desumanizava todo mundo. O sujeito perdia a noção da
própria identidade e tinha uma sensação de bicho engradado. Pois bem. E, de repente, o ônibus para, e entra,
exatamente, uma senhora grávida. Oitavo ou nono mês.
O ônibus estava vibrante, rumoroso de jovens estudantes. Imaginei que esses latagões(*) iam dar uns dez
lugares à mater recém-chegada. Pois bem. Ninguém se mexeu e, repito, ninguém piou. E foi aí que percebi
subitamente tudo. Ali estava uma nova geração, sem nenhuma semelhança com as anteriores. Durante meia
hora a pobre mulher ficou em pé, no meio da passagem. Faço uma ideia das cambalhotas que não virou o filho.
Eis o que importa destacar: – ela viajou e desceu, e não teve a caridade de ninguém.
(Nelson Rodrigues, Jovens imbecilizados pelos velhos. O óbvio ululante: primeiras confissões. Adaptado)
(*)latagões: homens jovens, robustos e de grande estatura.
A passagem do texto em que todas as palavras estão empregadas em sentido próprio é:
(A) Ninguém se mexeu e, repito, ninguém piou.
(B) E, quando ia pagar a passagem, dizia o luso condutor por trás dos bigodões…
(C) O ônibus estava vibrante, rumoroso de jovens estudantes.
(D) Se uma delas tomava o bonde, três, quatro ou cinco jovens se arremessavam.
(E) E foi aí que percebi subitamente tudo.
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15. Quadrix - 2023
O vocábulo “probo”, na sentença “Ele sempre se orgulhou de ser um sujeito probo”, é antônimo de
(A) desonesto.
(B) leal.
(C) intolerante.
(D) negligente.
(E) justo.
O termo “efêmeros”, na sentença “É uma pena que momentos como esse sejam efêmeros”, é sinônimo de
(A) desvalorizados.
(B) tênues.
(C) banais.
(D) insignificantes.
(E) fugazes.
Escola inclusiva
É alvissareira a constatação de que 86% dos brasileiros concordam que há melhora nas escolas quando se
incluem alunos com deficiência.
Uma década atrás, quando o país aderiu à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e as-
sumiu o dever de uma educação inclusiva, era comum ouvir previsões negativas para tal perspectiva generosa.
Apesar das dificuldades óbvias, ela se tornou lei em 2015 e criou raízes no tecido social.
A rede pública carece de profissionais satisfatoriamente qualificados até para o mais básico, como o ensino
de ciências; o que dizer então de alunos com gama tão variada de dificuldades.
Os empecilhos vão desde o acesso físico à escola, como o enfrentado por cadeirantes, a problemas de
aprendizado criados por limitações sensoriais – surdez, por exemplo – e intelectuais.
Bastaram alguns anos de convívio em sala, entretanto, para minorar preconceitos. A maioria dos entrevis-
tados (59%), hoje, discorda de que crianças com deficiência devam aprender só na companhia de colegas na
mesma condição.
Tal receptividade decerto não elimina o imperativo de contar com pessoal capacitado, em cada estabeleci-
mento, para lidar com necessidades específicas de cada aluno. O censo escolar indica 1,2 milhão de alunos
assim categorizados. Embora tenha triplicado o número de professores com alguma formação em educação
especial inclusiva, contam-se não muito mais que 100 mil deles no país. Não se concebe que possa haver um
especialista em cada sala de aula.
As experiências mais bem-sucedidas criaram na escola uma estrutura para o atendimento inclusivo, as
salas de recursos. Aí, ao menos um profissional preparado se encarrega de receber o aluno e sua família para
definir atividades e de auxiliar os docentes do período regular nas técnicas pedagógicas.
Não faltam casos exemplares na rede oficial de ensino. Compete ao Estado disseminar essas iniciativas
exitosas por seus estabelecimentos. Assim se combate a tendência ainda existente a segregar em salas es-
peciais os estudantes com deficiência – que não se confunde com incapacidade, como felizmente já vamos
aprendendo.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 16.10.2019. Adaptado)
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Assinale a alternativa em que, com a mudança da posição do pronome em relação ao verbo, conforme
indicado nos parênteses, a redação permanece em conformidade com a norma-padrão de colocação dos pro-
nomes.
(A) ... há melhora nas escolas quando se incluem alunos com deficiência. (incluem-se)
(B) ... em educação especial inclusiva, contam-se não muito mais que 100 mil deles no país. (se contam)
(C) Não se concebe que possa haver um especialista em cada sala de aula. (concebe-se)
(D) Aí, ao menos um profissional preparado se encarrega de receber o aluno... (encarrega-se)
(E) ... que não se confunde com incapacidade, como felizmente já vamos aprendendo. (confunde-se)
Dieta salvadora
A ciência descobre um micróbio adepto de um
alimento abundante: o lixo plástico no mar.
O ser humano revelou-se capaz de dividir o átomo, derrotar o câncer e produzir um “Dom Quixote”. Só não
consegue dar um destino razoável ao lixo que produz. E não se contenta em brindar os mares, rios e lagoas
com seus próprios dejetos. Intoxica-os também com garrafas plásticas, pneus, computadores, sofás e até car-
caças de automóveis. Tudo que perde o uso é atirado num curso d’água, subterrâneo ou a céu aberto, que se
encaminha inevitavelmente para o mar. O resultado está nas ilhas de lixo que se formam, da Guanabara ao
Pacífico.
De repente, uma boa notícia. Cientistas da Grécia, Suíça, Itália, China e dos Emirados Árabes descobriram
em duas ilhas gregas um micróbio marinho que se alimenta do carbono contido no plástico jogado ao mar.
Parece que, depois de algum tempo ao sol e atacado pelo sal, o plástico, seja mole, como o das sacolas, ou
duro, como o das embalagens, fica quebradiço – no ponto para que os micróbios, de guardanapo ao pescoço,
o decomponham e façam a festa. Os cientistas estão agora criando réplicas desses micróbios, para que eles
ajudem os micróbios nativos a devorar o lixo. Haja estômago.
Em “A Guerra das Salamandras”, romance de 1936 do tcheco Karel Čapek (pronuncia-se tchá-pek), um
explorador descobre na costa de Sumatra uma raça de lagartos gigantes, hábeis em colher pérolas e construir
diques submarinos. Em troca das pérolas que as salamandras lhe entregam, ele lhes fornece facas para se de-
fenderem dos tubarões. O resto, você adivinhou: as salamandras se reproduzem, tornam-se milhões, ocupam
os litorais, aprendem a falar e inundam os continentes. São agora bilhões e tomam o mundo.
Não quero dizer que os micróbios comedores de lixo podem se tornar as salamandras de Čapek. É que, no
livro, as salamandras aprendem a gerir o mundo melhor do que nós. Com os micróbios no comando, nossos
mares, pelo menos, estarão a salvo.
Ruy Castro, jornalista, biógrafo e escritor brasileiro. Folha de S. Paulo. Caderno Opinião, p. A2, 20 mai. 2019.
Os pronomes pessoais oblíquos átonos, em relação ao verbo, possuem três posições: próclise (antes do
verbo), mesóclise (no meio do verbo) e ênclise (depois do verbo).
Avalie as afirmações sobre o emprego dos pronomes oblíquos nos trechos a seguir.
I – A próclise se justifica pela presença da palavra negativa: “E não se contenta em brindar os mares, rios e
lagoas com seus próprios dejetos.”
II – A ênclise ocorre por se tratar de oração iniciada por verbo: “Intoxica-os também com garrafas plásticas,
pneus, computadores, sofás e até carcaças de automóveis.”
III – A próclise é sempre empregada quando há locução verbal: “Não quero dizer que os micróbios comedo-
res de lixo podem se tornar as salamandras de Čapek.”
IV – O sujeito expresso exige o emprego da ênclise: “O ser humano revelou-se capaz de dividir o átomo,
derrotar o câncer e produzir um ‘Dom Quixote’”.
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Está correto apenas o que se afirma em
(A) I e II.
(B) I e III.
(C) II e IV.
(D) III e IV.
Assinale a alternativa que indica, correta e respectivamente, os processos de formação das palavras “guar-
da-sol”, “felizmente” e “quilo”.
(A) Derivação por sufixação, composição por justaposição e redução.
(B) Composição por justaposição, redução e derivação por sufixação.
(C) Composição por justaposição, derivação por sufixação e redução.
(D) Redução, composição por justaposição e derivação por sufixação.
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21. FEPESE – 2021
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Folha de S. Paulo, Caderno B6, 23/4/2019 (com adaptações).
O texto caracteriza‐se como:
(A) Descritivo, visto que nele predominam descrições de comportamentos humanos associados a inúmeros
problemas de saúde.
(B) Dissertativo‐argumentativo, no qual se defende a ideia de que problemas de memória podem ser curados
por meio de terapias de sono profundo.
(C) Dissertativo‐expositivo, porque nele se expõem as causas da privação de sono nas nações industriali-
zadas.
(D) Dissertativo‐informativo, visto que seu objetivo central é informar o público leitor dos prejuízos causados
à saúde pela privação do sono.
(E) Narrativo, dada a presença de discurso direto e de fatos cronológicos que exemplificam os achados de
uma pesquisa científica.
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23. QUADRIX – 2019
24 FEPESE – 2019
94
Coluna 2
Descrições
( ) Texto que deve instruir o leitor acerca de um procedimento. Um manual de instruções é um bom exem-
plo.
( ) Este tipo de texto leva o leitor a criar uma imagem mental do objeto ou ser relatado.
( ) Texto que traz sequência de ações reais ou imaginárias.
( ) Texto que visa persuadir o leitor a concordar com a tese defendida.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
(A) 1 • 4 • 3 • 2
(B) 2 • 3 • 1 • 4
(C) 2 • 4 • 1 • 3
(D) 4 • 1 • 2 • 3
(E) 4 • 2 • 1 • 3
A sociedade do medo
O filósofo Vladimir Safatle afirma que o medo se transformou em um elemento de coesão de uma sociedade
refém de um discurso de crise permanente
[...]
No seu Quando as Ruas Queimam: Manifesto pela Emergência, você diz que nossa época vai passar
para a história como o momento em que a crise virou uma forma de governo. Você está falando do medo
que é gerado pela crise?
Sim, como efeito. É importante entender como o discurso da crise se transformou num modo de gestão
social. As crises vêm para não passar. Por exemplo, nós vivemos numa crise global há oito anos. Isso do lado
socioeconômico. No que diz respeito aos problemas de segurança, vivemos uma situação de emergência há
quinze anos, desde 2001. Ou seja, são situações nas quais vários direitos vão sendo flexibilizados, em que
os governos vão tendo a possibilidade de intervir na vida privada dos seus cidadãos em nome de sua própria
segurança. É muito mais fácil você gerir uma sociedade em crise. Então, a sociedade em crise é uma socieda-
de, primeiro, amedrontada; segundo, é uma sociedade aberta a toda forma de intervenção do poder soberano,
mesmo aqueles que quebram as regras, quebram as normas constitucionais. Como estamos em uma situação
excepcional, essas quebras começam a virar coisa normal. Esses discursos a respeito da luta contra a crise são
muito claros no sentido de impedir a sociedade de reagir. Não se reage porque “a situação é de crise”.
E aí entra o medo.
Exatamente. Aí entra um pouco essa maneira de transformar o medo num elemento fundamental da gestão
social. Ou seja, o medo produzido, em larga medida, potencializado, administrado, gerenciado. É o gerencia-
mento do medo como única forma de construir coesão hoje em dia. Nós podemos construir coesão a partir da
partilha de ideias; só que, quando a sociedade chega no ponto em que ela desconfia dos ideais que lhe foram
apresentados como consensuais, quando desconfia das gramáticas sociais que são responsáveis pela media-
ção dos conflitos, não resta outra coisa a não ser um tipo de coesão negativa. Não coesão por algo que todos
afirmam, mas uma coesão através de algo que todos negam.
95
Quando você fala da gestão da crise, quem são os agentes? O poder constituído do Estado, os agen-
tes financeiros, o corpo social?
De fato, o discurso da maneira como eu estava colocando pode dar um pouco a impressão de que há uma
espécie de grande sujeito por trás. Eu diria que o que acontece é: nós partilhamos de um modo de existência
que, por não conseguir realizar as suas próprias promessas, e também por impedir uma abertura em direção a
outros modos de existência, começa a funcionar numa chave de conservação. É importante falar de modos de
existência porque isso tira um pouco a figura do sujeito que delibera.
Então temos, sei lá, o poder do Estado, a burocracia que controla o poder do Estado, o capital financeiro. É
inegável que haja de fato projetos de grupos nos modos de gestão social, mas para além disso há uma coisa
muito mais brutal: uma forma de racionalidade que se transformou para nós em um elemento quase natural,
que faz com que todos comecem a pensar dessa maneira. Essa forma de racionalidade, que acaba operando
esses processos de dominação, deixa uma situação mais complexa. Não se trata simplesmente de subverter o
poder, mas de pensar de outra maneira, o que é muito mais complicado do que pode parecer.
Quais são os instrumentos de que dispomos pra romper com essa racionalidade, com esse circuito
baseado no medo? O que fazer?
Tenho duas colocações a fazer. A primeira é: muitos acreditam que a melhor maneira de se contrapor a cir-
cuitos de afetos vinculados ao medo seja constituir outros circuitos vinculados aos afetos que seriam o oposto
ao medo – por exemplo, a esperança. Só que aí há uma reflexão muito interessante, de toda uma tradição
filosófica, de insistir que o medo e a esperança não são afetos contraditórios – são complementares. O que é
o medo a não ser a expectativa de um mal que pode ocorrer? O que é a esperança a não ser a expectativa de
um bem que pode ocorrer? Quem tem a expectativa de que um mal ocorra, também espera que esse mal não
ocorra. Da mesma maneira, quem tem a expectativa de que um bem ocorra, teme que esse bem não ocorra.
Então, a reversão contínua de um polo a outro, da esperança ao medo, é uma constante, porque são dois tipos
de afetos ligados a um mesmo modo de experiência temporal. São afetos ligados à projeção de um horizonte
de expectativas. Nesse sentido, toda forma de pensar o tempo de maneira simétrica vai produzir resultados
simétricos. Então, um outro afeto seria necessariamente um afeto que teria uma outra relação com a ideia de
acontecimento.
[...]
Freitas, Almir. Disponível em: <https://goo.gl/qggKy8>. Acesso em: 27 set. 2017 [Fragmento adaptado].
O gênero textual entrevista possui como principal função a informação. No entanto, nesse caso específico,
ele possui características bem próximas de um outro gênero textual em função de uma de suas características
principais.
De acordo com as características desse texto e dos gêneros textuais, assinale a alternativa que indica esse
outro gênero com o qual essa entrevista se assemelha.
(A) Biografia.
(B) Notícia.
(C) Artigo de opinião.
(D) Debate.
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Gabarito
1 D
2 A
3 D
4 E
5 A
6 A
7 E
8 A
9 B
10 D
11 B
12 D
13 D
14 E
15 A
16 E
17 D
18 A
19 D
20 C
21 C
22 D
23 B
24 E
25 C
97