1.
Introdução
O presente trabalho da cadeira de ética social que tem como tema: as instituições
escolares desempenham um papel crucial no cultivo da consciência moral moçambicana,
visando a redução de conflitos, durante a realização do trabalho foi possível perceber que ao
promover a formação de cidadãos conscientes, responsáveis e com capacidade de resolução
pacífica de problemas. A educação escolar oferece um espaço para o desenvolvimento de
valores, princípios éticos e a compreensão da importância da convivência pacífica e da justiça
social.
As instituições escolares não têm apenas o papel de transmitir conhecimento formal,
mas também o de formar cidadãos conscientes, críticos e comprometidos com valores éticos e
morais. Em Moçambique, um país marcado por uma história de lutas pela independência e
pela paz, a escola deve ser um espaço privilegiado para o fortalecimento da consciência moral
e da convivência pacífica.
A função social das instituições escolares no cultivo da consciência moral moçambicana
em vista a redução de conflitos
Esse é um tema bastante relevante e profundo, especialmente no contexto moçambicano, onde
a diversidade cultural, os desafios sociais e o histórico de conflitos armados colocam as
instituições escolares em uma posição estratégica para a promoção da paz e da consciência
moral.
Proposta de desenvolvimento sobre a função social das instituições escolares no cultivo
da consciência moral moçambicana em vista à redução de conflitos:
2. Contexto moçambicano e os desafios sociais
Moçambique enfrentou longos períodos de instabilidade política e social, desde a colonização
até os conflitos pós-independência. Ainda hoje, algumas regiões vivem tensões ligadas a
fatores étnicos, políticos e econômicos. Neste cenário, a formação moral torna-se uma
ferramenta poderosa para:
Prevenir e reduzir conflitos;
Promover o respeito à diversidade cultural;
Estimular o diálogo e a resolução pacífica de problemas.
3. A função social da escola
A escola, como microcosmo da sociedade, pode contribuir para a formação moral dos alunos
através de:
Currículos integradores, que incluam temas como direitos humanos, educação para a
paz, ética e cidadania;
Práticas pedagógicas dialógicas, que valorizem o debate, o respeito às opiniões e a
empatia;
Ambiente escolar inclusivo, onde todos se sintam pertencentes e valorizados.
4. A consciência moral como base para a paz
A consciência moral refere-se à capacidade de distinguir o certo do errado, agir com
responsabilidade e empatia. Ela é construída socialmente e reforçada em ambientes
educativos. A escola pode fortalecer essa consciência através de:
Exemplos concretos de justiça e solidariedade no cotidiano escolar;
Participação dos alunos em decisões escolares, promovendo o senso de
responsabilidade;
Educação intercultural, para combater o preconceito e promover o respeito mútuo.
5. Educação moral e redução de conflitos
Investir na educação moral é uma estratégia eficaz para:
Diminuir comportamentos violentos;
Promover o diálogo em vez da confrontação;
Formar líderes comunitários conscientes e comprometidos com o bem comum.
A escola deve ser entendida como fundamento. (arché). A escola tem um papel de agente
socializador
1. A Escola como Espaço de Socialização Primária e Secundária
Segundo Émile Durkheim (1978), um dos fundadores da sociologia da educação, a escola é
uma instância essencial de socialização moral, onde o indivíduo aprende a conviver com
regras, normas e valores que transcendem o universo familiar. Embora a família exerça a
socialização primária, é na escola que o sujeito entra em contato com o "outro", com a
coletividade, com a diferença.
Em Moçambique, marcado por uma diversidade étnica, linguística e cultural, essa função da
escola torna-se ainda mais significativa. Através de práticas pedagógicas intencionais, o
espaço escolar pode promover uma convivência harmoniosa e plural, favorecendo o
reconhecimento e o respeito mútuo. Como aponta Freire (1996), educar é um ato político, e a
escola deve assumir essa responsabilidade ética diante das realidades sociais em que está
inserida.
2. Escola como Espaço de Construção da Consciência Moral
A consciência moral, entendida como a capacidade de discernir entre o certo e o errado, não
nasce pronta — ela é forjada ao longo das experiências sociais. Piaget (1932) destacou que a
moralidade se constrói nas interações sociais, principalmente quando mediadas por regras e
cooperação.
Nesse processo, a escola tem papel insubstituível. Ao cultivar valores como a empatia, a
responsabilidade e a solidariedade, ela possibilita a emergência de sujeitos morais capazes de
contribuir para a transformação da sociedade. Em um país como Moçambique, onde se busca
a consolidação da paz e da justiça social, tal formação é condição essencial para um futuro
mais equilibrado e coeso.
3. A Função Pacificadora da Escola
A escola é também um espaço de pacificação social, especialmente em contextos pós-conflito.
Moçambique, que enfrentou anos de guerra civil e tensões políticas, precisa fortalecer
instituições que promovam o diálogo e a coesão social. A escola pode e deve ser esse lugar de
reconstrução simbólica e real.
Como defendem Galtung e Fischer (2013), a paz não é apenas a ausência de guerra, mas a
presença de justiça social, igualdade e respeito. A escola, ao desconstruir discursos de ódio,
promover a inclusão e valorizar a escuta ativa e o diálogo intercultural, torna-se instrumento
de construção de uma cultura de paz. Assim, ela não apenas ensina sobre paz — ela vive a paz
no cotidiano das suas práticas.
4. O Educador como Modelo Ético e Mediador Social
O papel do educador transcende a função técnica de ensinar conteúdos. Ele é, antes de tudo,
um exemplo ético e um mediador das tensões sociais vividas dentro e fora da escola. Para
Freire (1996), o educador deve ser alguém comprometido com a transformação da realidade e
com a formação de sujeitos críticos.
É através da postura, do discurso e das ações do educador que os alunos internalizam valores
como o respeito, o diálogo e a responsabilidade coletiva. Em contextos onde o conflito ainda
reverbera no tecido social, como em algumas regiões moçambicanas, o educador torna-se
peça-chave na promoção da reconciliação e da justiça.
Deve se entender a consciência como a faculdade que o espirito tem de distinguir o bem
do mal.
Perfeitamente! Essa definição de consciência se alinha muito bem à tradição filosófica e
espiritual, especialmente dentro de perspectivas éticas e até mesmo religiosas, como o
pensamento de Jean-Jacques Rousseau, Allan Kardec, ou até Santo Agostinho, que
relacionam a consciência à voz interior do espírito, um guia natural que orienta o ser humano
na distinção entre o certo e o errado.
Abaixo, integro essa definição ao texto anterior e desenvolvo o trecho de forma mais profunda
e contextualizada, dentro do tema da função social da escola na formação da consciência
moral moçambicana:
2.1 A Consciência Moral: A Faculdade do Espírito de Distinguir o Bem do Mal
A consciência moral, antes de ser apenas um conceito psicológico ou sociológico, pode e deve
ser compreendida como uma faculdade do espírito — ou seja, a capacidade íntima e intrínseca
do ser humano de distinguir o bem do mal. Essa ideia está presente em tradições filosóficas e
espirituais diversas, nas quais a consciência representa uma voz interior que orienta o
indivíduo para a retidão, para a justiça e para a responsabilidade ética.
Como afirma Allan Kardec em O Livro dos Espíritos (1857), "a consciência é um pensamento
íntimo que pertence ao espírito e o adverte constantemente para o que é bom ou mal." Nessa
linha, a consciência moral não é imposta de fora para dentro, mas sim despertada e
desenvolvida através da educação e da experiência.
Nesse sentido, a escola tem um papel fundamental: despertar e cultivar essa consciência no
sujeito, permitindo que ele, com liberdade e responsabilidade, tome decisões pautadas em
valores humanistas e solidários. Ao proporcionar situações de convivência, de tomada de
decisões e de reflexão ética, a escola age como catalisadora desse desenvolvimento moral.
Esse entendimento é especialmente relevante em Moçambique, onde a formação de uma
consciência ética coletiva é crucial para o fortalecimento da paz e da justiça social. Através de
práticas pedagógicas que valorizem o diálogo, o respeito ao outro e a reflexão crítica, a escola
permite que o indivíduo não apenas aprenda sobre ética, mas viva eticamente no cotidiano "A
consciência é o pensamento íntimo que pertence ao espírito, e que o adverte sobre o bem e o
mal. Ela é o juiz interior, a bússola moral que guia o ser humano em sua jornada de
evolução." (KARDEC, 1857, O Livro dos Espíritos).
Todos povos tem a faculdade da consciência
2.2 A Universalidade da Consciência Moral: Uma Faculdade Presente em Todos os
Povos
A consciência moral, entendida como a faculdade que o espírito tem de distinguir o bem do
mal, é inerente a todos os seres humanos, independentemente da cultura, etnia ou origem
geográfica. Trata-se de uma característica universal, que possibilita ao ser humano viver em
sociedade, tomar decisões éticas e responder por seus atos com senso de justiça e
responsabilidade.
Allan Kardec, ao tratar da consciência como algo próprio do espírito, afirma que todos os
povos, em todas as épocas, possuem os elementos básicos da moralidade, mesmo que
expressos de formas diferentes:
“Todos os povos têm a intuição das leis morais; isso é o que os torna semelhantes na base do
sentimento do bem e do mal.” (KARDEC, O Livro dos Espíritos, 1857).
Essa visão dialoga com o pensamento de Immanuel Kant, que via na consciência moral uma
lei interior universal, expressa pela famosa ideia do imperativo categórico: “Age apenas
segundo aquela máxima pela qual possas ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei
universal.” Ou seja, o ser humano, como ser racional e moral, é naturalmente capaz de
reconhecer o valor do bem.
Consciência moral e pluralidade cultural
Em Moçambique, onde coexistem diferentes culturas, línguas e visões de mundo, a
consciência moral não está ausente ou fragmentada — pelo contrário: ela se manifesta por
meio de valores como o respeito aos mais velhos, a solidariedade comunitária, a partilha, a
justiça tradicional e a hospitalidade. Tais valores, mesmo que não formalizados em códigos
legais, revelam uma consciência ética profundamente enraizada nas práticas socioculturais do
povo moçambicano.
Assim, a escola deve reconhecer, valorizar e trabalhar essa dimensão moral já presente nas
comunidades, sem impor uma moral ocidentalizada, mas sim promovendo uma educação ética
enraizada na realidade local, que dialogue com as tradições e ao mesmo tempo prepare para a
convivência democrática no mundo contemporâneo.
Fazer crescer na consciência colectiva moçambicana a necessidade da Paz e consequente
redução de conflito
2.3 A Escola como Instrumento para o Crescimento da Consciência Coletiva da Paz em
Moçambique
A construção de uma sociedade pacífica não depende apenas de acordos políticos ou de
estruturas formais de segurança; ela exige uma profunda transformação da consciência
coletiva, especialmente em países com históricos de conflito como Moçambique. A paz
precisa ser compreendida não como um estado passivo de ausência de guerra, mas como uma
cultura viva, ativa e construída diariamente por meio da educação, do diálogo e da
convivência.
A consciência coletiva, segundo Durkheim (2000), é o conjunto de crenças e sentimentos
comuns aos membros de uma sociedade, que forma uma alma coletiva. Assim, quando a paz
passa a ser um valor partilhado e internalizado socialmente, ela transforma-se numa força
orientadora das ações individuais e coletivas. Nesse sentido, a escola moçambicana deve
assumir o papel de semeadora dessa nova consciência, cultivando nos estudantes o
entendimento de que a paz é um bem comum, essencial ao progresso social, econômico e
humano do país.
Além disso, a educação para a paz não deve limitar-se ao conteúdo didático, mas sim
atravessar o currículo, o ambiente escolar e as relações interpessoais dentro da escola. Como
diz Paulo Freire (1996), “a educação é um ato de amor e, por isso, um ato de coragem; não
pode temer o debate. A formação moral e ética não pode prescindir do diálogo.” Desse modo,
a promoção da paz deve ocorrer por meio de metodologias participativas, que incentivem a
empatia, a escuta, o respeito às diferenças e a resolução não violenta dos conflitos.
A história recente de Moçambique mostra que os conflitos armados deixaram cicatrizes
profundas, e ainda existem tensões políticas, desigualdades sociais e regionais que alimentam
a instabilidade. Por isso, fazer crescer na consciência coletiva moçambicana o valor da paz é
uma urgência nacional. Essa tarefa é educativa por excelência e precisa ser assumida com
responsabilidade pelo sistema de ensino, com apoio de políticas públicas, capacitação docente
e envolvimento comunitário.
Como destaca Galtung (2013), um dos principais teóricos da paz, “não basta evitar a violência
direta — é preciso eliminar as violências estruturais e culturais que impedem a equidade e o
bem-estar comum.” A escola, portanto, tem o dever de formar cidadãos críticos que saibam
identificar e transformar essas estruturas, cultivando uma cultura de paz enraizada nos valores
da justiça, solidariedade e respeito mútuo.
Conclusão
Referencias bibliográficas
Durkheim, É. (2000). As Regras do Método Sociológico. São Paulo: Martins Fontes.
Freire, P. (1996). Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São
Paulo: Paz e Terra.
Galtung, J. (2013). Teoria da Paz. São Paulo: Palas Athena.
Durkheim, É. (1978). Educação e Sociologia. São Paulo: Editora Nacional.
Freire, P. (1996). Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São
Paulo: Paz e Terra.
Piaget, J. (1932). O juízo moral na criança. São Paulo: Livraria Pioneira.
Galtung, J., & Fischer, D. (2013). Teoria da Paz: Um Ensaio sobre o Significado e as
Condições da Paz. São Paulo: Palas Athena.