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Análise Estrutural de Aço Bifásico Galvanizado

Este trabalho investiga a evolução microestrutural e mecânica de um aço baixo carbono com adição de molibdênio durante a produção de chapas de aço bifásico galvanizadas. As análises realizadas mostraram um aumento significativo na resistência mecânica e alta ductilidade, atribuídos ao refino de grão e à formação de martensita. O estudo destaca a importância do controle da microestrutura no processo de galvanização contínua.

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Análise Estrutural de Aço Bifásico Galvanizado

Este trabalho investiga a evolução microestrutural e mecânica de um aço baixo carbono com adição de molibdênio durante a produção de chapas de aço bifásico galvanizadas. As análises realizadas mostraram um aumento significativo na resistência mecânica e alta ductilidade, atribuídos ao refino de grão e à formação de martensita. O estudo destaca a importância do controle da microestrutura no processo de galvanização contínua.

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ISSN 1983-4764

ANÁLISE ESTRUTURAL APÓS CADA ETAPA DE


PROCESSAMENTO DE CHAPAS DE AÇO
BIFÁSICO GALVANIZADO*
Daniel de Carvalho Silva1
Andersan dos Santos Paula 2
Rodrigo Rocha Meira3
Mônica Aline Magalhães Gurgel4

Resumo
O presente trabalho estuda a evolução microestrutural e mecânica ao longo do
processo de produção de um aço baixo carbono com micro adição de molibdênio,
destinado a produção de chapas de aço dual phase galvanizadas. Para realização do
estudo foi feita a caracterização microestrutural e mecânica ao longo do processo
produtivo de amostras (placa, chapa laminada a quente, chapa laminada a frio “full
hard”, e galvanizada) deste aço via microscopia ótica e eletrônica de varredura das
amostras, avaliação da dureza via microdurômetro, do comportamento mecânico via
ensaio de tração, este último somente nas amostras de chapa laminada a quente e
galvanizada. Os resultados obtidos revelaram um aumento significativo na resistência
mecânica do material conjugada uma alta ductilidade, devido principalmente ao refino
de grão e a formação de dispersão de martensita.
Palavras-chave: Aço bifásico; Propriedade mecânica; Caracterização
microestrutural.

STRUCTURAL ANALYSIS AFTER EACH STEP PROCESSING OF DUAL PHASE


GALVANIZED STEEL SHEET
Abstract
The present work study the microstructural and mechanical evolution during each step for
low carbon steel with molybdenum microaddition galvannead dual phase sheet production.
Hot rolled, cold rolled and galvannead samples (with same chemical composition) were
collect in order to observe theirs microstructural and mechanical properties. The
characterizations were performed by optical microscopy, scanning electronic microscopy,
microhardness and tensile tests. The results shown that a significantly increased in
mechanical resistance conjugated with high ductility and formability promoted by grain size
reduction and martensite dispersion.
Keywords: Dual phase steel; Mechanical properties; Microstructural characterization.

1
Engenheiro Metalurgista, Mestrando da PPGEM/UFF, Volta Redonda/RJ, Brasil
2
Engenheira Metalurgista, D.Sc., Professor Adjunta, Instituto Militar de Engenharia, Rio de Janeiro,
RJ, Brasil; e orientadora credenciada da PPGEM/UFF, Volta Redonda, RJ, Brasil.
3
Engenheiro Metalurgista. M.Sc. Eng. Especialista de Desenvolvimento na CSN, Volta Redonda/RJ,
Brasil.
4
Engenheira Metalurgista, M. Sc. Eng. Metalúrgica pela PPGEM/UFF, Doutoranda em Ciência dos
Materiais no PGCM/ SE.4 no IME, Rio de Janeiro,/RJ, Brasil.

* Contribuição técnica ao 53° Seminário de Laminação – Processos e Produtos Laminados e


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1 INTRODUÇÃO

A indústria automobilística num esforço contínuo para desenvolver veículos mais


leves, mais seguros e mais duráveis levou a indústria siderúrgica a intensificar
esforços na melhoria do desempenho dos aços destinados a este segmento [1].
Surgindo assim no final da década de 1970 o primeiro desenvolvimento nesse sentido,
o assim chamado aço bifásico (“Dual Phase” ou DP), que, como seu nome dá a
entender, apresenta microestrutura constituída por uma matriz de ferrita poligonal
macia somada a martensita dura [2]. Esses aços bifásicos surgiram como uma solução
para aplicações que requeiram uma razoável ductilidade, boa conformabilidade, aliada
a uma considerável resistência e boa soldabilidade [1] Esses aços apresentam uma
microestrutura mais complexas do que as ferríticas ou ferrítico-perlíticas normalmente
presentes nas ligas comuns de baixo C. Devido a matriz ferrítica e ilhas dispersas de
martensita, ou de acordo com o processamento a presença de bainita e perlita
resultando assim em interações mais complexas entre os vários constituintes
presentes, os quais, por sua vez, promove variações significativas de dureza entre si,
além de apresenta uma série de características mecânicas que lhe asseguram boa
conformabilidade: escoamento contínuo, ou seja, ausência do patamar de
escoamento típico dos aços ferrítico-perlíticos, mesmo microligados [3].
O aço plano tem sido, ao longo dos anos, o principal material utilizado pela indústria
automobilística para fabricação de carrocerias. O uso de chapas de aço com
revestimento de zinco aumentou nos últimos anos, devido à maior durabilidade destes
produtos sob corrosão. Sendo a resistência à corrosão nos dias de hoje um dos
requisitos básicos dos automóveis, deixando de ser considerada como um diferencial.
Os projetos desenvolvidos pelas diferentes montadoras apresentam características
especiais quanto ao tipo de revestimento a ser aplicado nas diferentes peças. Sendo
assim a utilização de aços bifásicos têm-se ampliado, gerando também uma demanda
desse aço revestido, que alia a resistência mecânica com a resistência à corrosão
promovida pela galvanização [1].
Devido a esses fatores a siderurgia vem neste contexto produzindo aços bifásicos via
galvanização contínua, o que torna o controle da microestrutura muito mais crítico
devido às baixas taxas de resfriamentos praticadas.
Neste trabalho objetivou-se realizar uma caracterização de um aço baixo carbono com
micro adição de Molibdênio destinado a produção de chapas de aço “Dual Phase”
laminadas a frio e galvanizadas, através de amostras retiradas ao longo do processo
produtivo de aço, ou seja, amostras retiradas da placa, da bobina laminada a quente,
da bobina “full hard” e após galvanização, onde realizou-se caracterização
microestrutural via microscopia ótica e eletrônica de varredura, avaliação da dureza
via microdurômetro e avaliação do comportamento mecânico via ensaio de tração,
somente nas amostras de chapa laminada a quente e galvanizada.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 Material

O material em estudo foi um aço baixo carbono com adição de molibdênio. Para o
devido acompanhamento microestrutural em estudo foram retiradas amostras ao
longo do processo de produção: da placa; após o processo de laminação quente (LQ);
após laminação a frio (LF); e após a galvanização na planta da CSN Porto Real. A

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composição química do material está representada pelas percentagens máximas dos


elementos de liga na Tabela 1.

Tabela 1. Composição química do material em estudo.

2.2 Métodos

2.2.1 Preparação Metalográfica e Análise Microestrutural


De modo a obter as amostras para as análises metalográficas e de dureza foi
conduzida a preparação metalográfica. Na qual após o corte, tendo o cuidado de
deixar na parte a ser analisada a direção de laminação, as amostras foram decapadas
com solução de ácido clorídrico para limpeza no caso da LQ e LF e remoção do
revestimento no caso das amostras galvanizadas. As amostras foram embutidas a
quente em baquelite, seguido do processo de lixamento com lixas de carbeto de silício
na sequência de 150, 240, 400, 600 e 1200 Mesh, fazendo uso de água como líquido
refrigerante e lubrificante. O polimento foi manual, com pano de polimento e pasta de
diamante nas granulometrias de 6, 3 e 1 μm, com lubrificação de álcool absoluto
99,3%. Por fim as amostras foram atacadas com dois reagentes: o Nital e o Picral.
O Nital 3% (3% de ácido nítrico e 97% de álcool etílico PA), por esfregamento com
algodão por 4 segundos e posterior remoção do ataque com auxílio de uma etapa de
polimento com solução de alumina na granulometria de 0,05μm e lubrificação de água
destilada, seguido de um re-ataque nas mesmas condições de Nital. Para a
quantificação da segunda fase formada, utilizou-se o ataque com Picral 4%, até que
as amostras ficassem foscas. A fim de otimizar os resultados com os ataques Picral
4%, a solução original foi submetida a um tratamento de envelhecimento, onde o
composto de ácido pícrico diluído em etanol na concentração de 4% é adicionado
pequenos pedaços de aço. As imagens foram realizadas na seção transversal
associada a direção de laminação a ¼ da espessura, para um melhor tratamento
estatístico foram realizadas 10 micrografias na direção de laminação (DL) e 10 na
direção transversal a laminação (DT). As caracterizações microestruturais foram
realizadas por meio da microscopia ótica, porém para confirmação dos resultados
obtidos com o ataque Nital as amostras laminadas a frio (LF) e galvanizada foram
analisadas por meio de Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) Carl Zeiss
(modelo EVO MA 10 com filamento de tungstênio, instalado na EEIMVR/UFF, com
tensão de aceleração de 22 kV) com detector de elétrons secundários (spot size de
550 e distância de trabalho de 9 mm).
De posse das micrografias foram realizadas:
- a quantificação da fração volumétrica das amostras atacadas com Nital e Picral, com
o auxílio da macro “Phase” do módulo “Materials – Pro” do programa “Image Pro Plus”,
sendo feito o cálculo da média e desvio padrão a partir de imagens de regiões distintas
da amostra com aumento de 1000x.
- a avaliação do tamanho médio de grão (TG) pelo método do intercepto de Heyn (ou
Método Linear) nas amostras: placa, LQ e galvanizada. A amostra LF não apresentou
grãos definidos devido ao encruamento sofrido e por esse motivo não foi realizado a
análise de tamanho de grão nela.

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2.2.2 Ensaios Mecânicos


Para o ensaio de dureza foi utilizado o microdurômetro Ernst Leitz do laboratório de
metalografia da UFF respeitando a distância entre as indentações de pelo menos sete
vezes o tamanho desta e o tempo de penetração de 20 segundos, onde realizou-se
10 medições distribuídas ao longo de um quarto da espessura da amostra, em uma
linha paralela à borda, calculando a média aritmética dos valores obtidos.
Para o ensaio de tração foram retirados 5 corpos de prova na base 80 mm para cada
direção de laminação tanto da bobina quente bem como o da bobina zincada, sendo
estas direções: a de laminação (DL), a diagonal a laminação (DD) e a direção
transversal a laminação (DT). O ensaio de tração foi realizado em uma máquina de
tração Instron 4204 com célula de carga de 150 KN, o software utilizado para obtenção
dos resultados foi o Series que com auxílio do extensômetro “clip gage” para base 80
gerou os dados de propriedades mecânicas do limite de resistência (LR), da razão
elástica (R) e o alongamento total até a fratura (ΔL). A velocidade de ensaio foi de 2
mm/min até o limite de escoamento (LE) e de 10 mm/min após o LE. Para as amostras
galvanizadas os ensaios foram realizados em uma máquina de tração Instron 5582
com célula de carga de 100 KN, o software utilizado para obtenção dos resultados foi
o Bluehill que através do AVE (Advanced Video Extensometer) gerou os dados de
propriedades mecânicas do limite de escoamento a 0,2% de deformação (LE 0,2%),
do limite de resistência (LR), da razão elástica (R), do alongamento total até a fratura
(ΔL), do coeficiente de encruamento entre 10 e 20% de deformação (n 10-20%). Os
cálculos para tensão e deformação foram com base nos conceitos de Tensão e
Deformação de Engenharia. O coeficiente de anisotropia r foi obtido pelo software da
máquina, sendo este obtido a uma deformação de 20% (r-20%). Através dos dados
de r nas direções DL, DT e DD foi possível calcular o valor médio tendo em vista que
o mesmo varia no plano da chapa, este valor médio é conhecido por coeficiente de
anisotropia normal r.
Através dos dados de r nas direções DL, DT e DD foi possível calcular também o
coeficiente de anisotropia planar que indica a diferença de comportamento mecânico
que o material pode apresentar no plano da chapa. A velocidade de ensaio foi de 3
mm/min até o LE e após de 10mm/min.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Caracterização Microestrutural

3.1.1 Placa
Na Figura 1 são apresentadas as micrografias das amostras da placa após ataque
com Nital, em três regiões distintas, onde pode-se observar a presença da matriz
ferrítica na tonalidade clara e a presença de perlita na tonalidade escura. Através da
análise das micrografias foi possível constatar que a microestrutura apresentou
homogeneidade ao logo de toda a seção das direções analisadas. Os grãos ferríticos
e a perlita se apresentaram de forma grosseira devido ao processo de solidificação
que envolve um resfriamento lento desde a temperatura de lingotamento até a
temperatura ambiente

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(a) (b) (c)


Figura 1. Micrografia das amostras a)1, b)2 e c)3 apresentando matriz ferrítica com regiões de perlita,
ataque Nital, 100x.

Com base na análise microestrutural realizada, foi procedida a quantificação de fases


e avaliação do tamanho de grão ferrítico presente na placa do material em estudo,
onde os resultados são apresentados nas Tabelas 3 e 4.
Tabela 3. Quantificação de fase das amostras 1, 2 e 3 oriundas da placa em estudo

Tabela 4. Determinação do tamanho de grão ferrítico das amostras 1, 2 e 3 da placa em estudo.

3.1.2 Laminada a quente


Na Figura 2 são apresentas as micrografias das amostras laminadas a quente após o
ataque com Nital, na direção de laminação e transversal. Pode ser observado um
refino de grão se comparado com a Figura 1. Esse refino de grão está associado ao
tratamento termomecânico de laminação a quente controlada que ao reduzir a
espessura a uma temperatura acima de Ar3, gera encruamento dos grãos austeníticos
em paralelo a sua recristalização (dinâmica e/ou estática), a qual em cada grão
encruado nucleia em novos grãos livres de deformação, gerando uma microestrutura
altamente refinada. Pode ser observado na Figura 2(a) um alongamento dos grãos na
direção de laminação e a presença de perlita em ambas amostras.

(a) (b)
Figura 2. Micrografia das amostras Laminadas a quente a) DL, b) DT apresentando matriz ferritica
com regiões de perlita, ataque Nital 3%, aumento de 1000X.

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Com base na análise microestrutural realizada, foi procedida a quantificação de fases


e avaliação do tamanho de grão ferrítico dessa condição (LQ) do material em estudo,
apresentados nas Tabelas 5 e 6.

Tabela 5. Quantificação de fase das amostras laminadas a quente DL.

Tabela 6. Determinação do tamanho de grão das amostras laminadas a quente DL e DT.

Podem haver diferenças entre o valor de tamanho de grão médio obtido e o valor
real devido à microestrutura ser extremamente refinada e ao fato da grande dispersão
de segunda fase existente, que para a metodologia utilizada (método dos interceptos)
e aumento utilizado, pode promover a referida diferença, contudo, para fins de análise
comparativa entre as amostras, pode-se adotar os valores.

3.1.3 Laminada a Frio


Na Figura 3 são apresentadas as micrografias da amostra laminada a frio na direção
de laminação, após o ataque de Nital. Pode-se observar a deformação dos grãos na
direção de laminação e a presença das mesmas fases, ferrita e perlita, observadas na
condição laminada a quente.

(a) (b)
Figura 3. Amostra laminada a frio. Ataque Nital 3% a) microscopia ótica,1000X e b) MEV com
aumento de 5000X.

3.1.4 Galvanizada
Na Figura 4 são apresentadas as micrografias analisadas por microscopia ótica e MEV
da amostra galvanizada na direção de laminação, com ataque de Nital. Verifica-se
nesta condição a presença de grão ferríticos e uma segunda fase, atribuída a
presença de martensita (constituinte MA - regiões em alto relevo e claras). Também
pode-se observar pela análise no MEV a presença de resquícios de deformação pela
presença de grãos ferríticos alongados (regiões em alto relevo de mesma coloração
da de baixo relevo).

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Figura 4. Micrografia amostra galvanizada DL: a) microscopia ótica,1000X e b) MEV, 5000X.


Nital 3%.

Foi realizada a quantificação de fase após o ataque de de Picral (Tabela 7).

Tabela 7. Quantificação de fase da amostra galvanizada DL. Reagente Picral.


Fase Constituinte MA (%) Carbonetos (%)
Média 13,55 0,77
Desvio padrão 2,01 0,45

Foi possível com o uso do reagente Picral distinguir as regiões pertinentes ao


constituinte MA das regiões de carbonetos.
Realizou-se também o tamanho de grãos, apresentado na Tabela 8.

Tabela 8. Determinação do tamanho de grão da amostra galvanizada DL.

Podem haver diferenças entre o valor de tamanho de grão médio obtido e o valor
real devido à microestrutura ser extremamente refinada e ao fato da grande dispersão
de segunda fase existente, que para a metodologia utilizada (método dos interceptos)
e aumento utilizad, pode promover a referida diferença, contudo, para fins de análise
comparativa entre as amostras, pode-se adotar os valores.

3.2 Ensaios mecânicos

Os resultados referentes a dureza Vickers das amostras em estudo são apresentados


no gráfico da Figura 5. Estes resultados estão coerentes com as microestruturas
observadas no tópico anterior, onde a placa apresenta grãos ferríticos grosseiros com
fração volumétrica acima de 80%, possibilitando assim uma baixa dureza. Após a
laminação a quente a dureza do material teve um acréscimo, o que pode ser explicado
pelo fato de ter ocorrido um refino de grão durante a deformação na laminação a
quente controlada. A maior dureza é observada no material laminado a frio, o que
pode ser entendido devido ao material estar com elevado nível de encruamento. Após
a galvanização o material apresenta um decréscimo de dureza, quando comparado
ao LF, que está relacionado a recristalização ocorrida durante o recozimento. Porém
quando se compara o material galvanizado ao LQ, o mesmo apresenta um valor
elevado de dureza que se deve ao fato do material galvanizado apresentar ilhas
dispersas de martensita (constituinte MA) que ocasionam um aumento de dureza,
além da presença de pequenas regiões de ferida deformada.

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Os valores de propriedades mecânicas referentes aos ensaios de tração uniaxial das


amostras retiradas após a laminação a quente e galvanização na direção diagonal,
transversal e longitudinal à laminação são apresentados nas Tabelas 9 e 10.

Figura 5. Gráfico dureza Vickers nas distintas etapas de produção de “Dual Phase”.

Tabela 9. Propriedades mecânicas da amostra retirada após laminação a quente (direção longitudinal
em relação a laminação).
Tensão Tensão
Razão Razão
Patamar Patamar Alongamento
Corpo de prova LR (MPa) Elastica Elastica
superior Inferior (%)
Superior Inferior
(Mpa) (Mpa)
Média 472 466 540 0,883 0,873 23
Desvio Padrão 20 21 55 0,107 0,110 1

Os corpos de prova LQ apresentaram patamar de escoamento típico dos aços


ferrítico-perlíticos e alongamento comparados aos aços “Dual Phase” galvanizados.
Os baixos valores de razão elástica apresentados pelos corpos de prova
galvanizados, em geral, anunciam uma maior capacidade de encruamento do material
e uma maior ductilidade, fatores esses que podem contribuir para um melhor
desempenho do material em operações de conformação, além de permitir a estes
aços a capacidade de absorver grande quantidade de deformação sem risco de
ruptura [4]. As propriedades mecânicas obtidas a partir das amostras LQ e
galvanizada estão completamente relacionados com a microestrutura, onde o refino
de grão aliado a presença de ilhas de martensita dispersas na matriz ferrítica
possibilitaram um aumento do limite de resistência aliado a um decréscimo do limite
de escoamento, sem ocasionar perda considerável de ductilidade. Além disso,
possibilitou o decréscimo da razão elástica, que como discutido no parágrafo anterior
ocasiona uma melhora de conformabilidade.
Tabela 10. Propriedades mecânicas da amostra retirada após a galvanização (direção longitudinal
em relação a laminação).
Corpo LE 0.2 % Razão Alongamento r n (10‐
LR (MPa) r médio ∆r
de prova (MPa) Elastica (%) (20%) 20%)
Média 402 609 0,66 22 0,613 0,177 0,904 ‐0,426
Desvio
16 5 0,03 0 0,075 0,005 0,064 0,107
Padrão

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4 CONCLUSÕES

Com base nos resultados obtidos e discussão apresentado, conclui-se que:


As condições de deformação a quente e a frio estão sendo eficazes no refinamento
de grão da microestrutura do produto final, ocasionando junto a presença de
martensita a obtenção de um material com alto limite de resistência e alongamento
apreciável.
O recozimento intercrítico realizado na linha de galvanização está sendo realizado em
uma temperatura suficiente para proporcionar o enriquecimento da austenita, de modo
a formar martensita no resfriamento sem evidências de percentuais significativos
associados a presença de perlita e/ou bainita.
A taxa de resfriamento foi suficiente para proporcionar a transformação martensítica
para a composição do aço analisada, aliada a temperatura de recozimento intercrítico.

Agradecimentos

Os autores agradecem à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) pelo fornecimento


do material e recursos técnico-laboratoriais disponibilizados para a execução deste
trabalho. A UFF pelos recursos para caracterização microestrutural utilizados.

REFERÊNCIAS

1 FONSECA, F.A.V. Aço bifásico Processado via Linha de Galvanização Continua -


Revisão e estágio atual de produção na USIMINAS/UNIGAL - Contribuição Técnica ao
42° Seminário de Laminação da ABM - Processos e Produtos Laminados e Revestidos;
Santos, SP, 25 a 28 de outubro de 2005.
2 RASHID, M. S. GM 980X – Potential Applications and Review. International Automotive
Engineering Congress and Exposition. S.A.E. Technical Publication n° 770211. Detroit
(EUA), fev./mar. 1977, 12 p.
3 GORNI, A.A. Efeito da Temperatura de Acabamento e Velocidade de Resfriamento
sobre a Microestrutura e Propriedades Mecânicas de um Aço Bifásico. Dissertação de
Mestrado, Dep. de Eng. Metalúrgica da Escola Politécnica da USP, 1989, p.184.
4 KUVIN, B. So much information, so little time. Metalforming magazine.V.41, N. 7, p. 44-
45, 2007.

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