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SP1 - Humor

O documento aborda a avaliação do estado mental e o processo diagnóstico em psiquiatria, enfatizando a importância do exame psíquico e da empatia do médico. Ele detalha as partes do exame, incluindo coleta de dados, avaliação do estado mental e funções psicofisiológicas, além de caracterizar transtornos depressivos como a distimia e ciclotimia, suas características, diagnóstico e epidemiologia. O texto também diferencia as fases fisiológicas e patológicas do luto.

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O documento aborda a avaliação do estado mental e o processo diagnóstico em psiquiatria, enfatizando a importância do exame psíquico e da empatia do médico. Ele detalha as partes do exame, incluindo coleta de dados, avaliação do estado mental e funções psicofisiológicas, além de caracterizar transtornos depressivos como a distimia e ciclotimia, suas características, diagnóstico e epidemiologia. O texto também diferencia as fases fisiológicas e patológicas do luto.

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SP1 - Humor

1. Descreva a avaliação do estado mental e o processo diagnóstico para os


quadros psiquiátricos.

Saber aplicar o exame psíquico é fundamental para todos os médicos, inclusive


para aqueles que, mesmo não sendo psiquiatras, atende pacientes com transtornos
mentais. Por isso, neste texto, trabalharemos de forma prática e resumida o exame
psíquico, exemplificando as funções psíquicas de maior importância.

Lembrando que além do conhecimento teórico, a sensibilidade e capacidade


empática do médico são componentes fundamentais da sua eficácia durante a
entrevista de um paciente psiquiátrico. Isso não é o mesmo que o oferecimento de
um ouvido compreensivo.

O exame psíquico

O exame psíquico pode ser dividido em algumas partes:

● Coleta de dados sociodemográficos, histórico de saúde e biografia do


paciente;
● Exame do Estado Mental
● Avaliação de funções psicofisiológicas

1ª parte do exame psíquico


A primeira parte do exame psíquico vamos fazer perguntas sobre os dados
sociodemográficos, histórico de saúde e a biografia do paciente.

Então devemos perguntar o motivo da pessoa estar ali, história de internamentos


prévios, história familiar, questões de escolaridade e financeiras. É importante
também questionar sobre uso de drogas, álcool, etc.

2ª parte do exame psíquico


Nessa parte vamos realizar o exame do estado mental do paciente. Para tanto
devemos fazer uma avaliação geral e o exame das funções mentais.

Avaliação geral

Para realizar avaliação geral da pessoa devemos analisar:

Aparência
Corresponde a descrição física do paciente, a forma como ele se apresenta na
consulta. Deve-se descrever com detalhes a roupa, presença ou não de adornos,
cabelos, higiene e autocuidado do paciente.

Fazer como se fosse um retrato falado do paciente, contendo inclusive


características como tatuagens, possíveis amputações, cicatrizes, ginecomastia se
presente etc.

Postura e atitudes na situação do exame

Esse fator diz respeito à relação e atitute perante o entrevistador. Quem está
realizando o exame deve dizer se o paciente se encontra cooperante, indiferente,
passivo, fóbico, agressivo, petulante, cabisbaixo, dissimulado, etc.

É importante relatar qual foi a situação que o levou a chegar à essa conclusão.

Sentimento
“O que eu sinto ao ver o paciente”. Seria a 1ª impressão nos dá um diagnóstico
provisório do paciente e a entrevista só será feita para corroborar esse “pré-
diagnóstico”.

Por exemplo, um paciente com roupas vibrantes, que na sala de espera está
sentado de forma confortável, descalço, apoiando os pés na mesinha de centro é
bem mais provável que esteja em mania do transtorno bipolar do que com
depressão.

Biotipo
Alguns biotipos falam mais a favor de algumas doenças, embora nem sempre essa
correlação seja verdadeira.

● Longilíneo → esquizofrenia;
● Brevelíneo → transtornos do humor;
● Atlético → psicopata;
● Displásico → retardo mental.

Vontade
A volição (ou energia volitiva) corresponde à vontade que o indivíduo tem de viver,
realizar suas ambições e concluir seus projetos. Neste ponto, o paciente pode
apresentar volição normal, hiperbulia ou hipobulia.

Já o pragmatismo corresponde a forma como o indivíduo vai alcançar tais ideias e


projetos. Sendo assim, um indivíduo que tem grandes alvos/objetivos, mas que não
apresenta um plano claro e tangível para alcançá-los, pode ser descrito como
hiperbúlico, com pragmatismo prejudicado.
Autopatognose/insight
Se o paciente entende que aquilo é um sintoma/tem consciência da doença.

Juízo de realidade
Crítica que o paciente tem de si, do que está fazendo, etc. Ideia delirante
primária/verdadeira. Ideia delirante secundária (deliroide): a alteração em outra
função psíquica “contaminar” a ideia. Tal que, uma vez corrigida a alteração
primária, a ideia é reestabelecida e o paciente volta a apresentar crítica.

Ex.: paciente com depressão → a ideia pode ser afetada pela alteração
de humor.

Exame das funções mentais

Nesse momento é importante analisar muitos fatores.

Consciência

É nossa percepção em 360º. É o principal fator psíquico; o palco para que todos os
outros possam atuar. Isso porque, se a consciência estiver alterada, todos os outros
quesitos estarão prejudicados de alguma forma – principalmente a atenção,
orientação e memória –, impossibilitando uma avaliação fidedigna. A consciência
pode ser descrita de forma:

Quantitativa: vigil, sonolência, obnubilado, torporoso, estupor, coma, etc.


Qualitativa: estreitamento (quando o foco fica restrito), dissociado (vivencia
momentos dos quais não se lembra ao retomar a integridade da
consciência)sonambulismo, transe, estado crepuscular, hipnose, etc.

Orientação

Dividida em:

● Alopsíquica: quanto ao tempo e espaço;


● Autopsíquica: quanto a si mesmo (crítica em relação a si)

Todo psicótico tem desorientação autopsíquica, visto que estes têm uma perda da
crítica de si mesmo/do que está fazendo. Entretanto, existe uma corrente mais
extrema que diz que os indivíduos só estariam desorientados autopsiquicamente
quando perdessem a total noção de si, de quem é (mas isso é muito raro de se ver
na prática).

Atenção
Classificada quanto a:

● Tenacidade: capacidade de se manter concentrado;


● Vigilância: capacidade de se distrair.

Pacientes com mania, em geral, apresentam-se com hipotenacidade e


hipervigilância. Já pacientes com esquizofrenia, é comum observar uma
hipotenacidade e uma hipovigilância.

Memória

● De evocação: quanto a fatos passados;


● De fixação: quanto a fatos recentes.

Em geral, os psicóticos não apresentam déficits de memória primários, embora


possa haver um comprometimento em virtude de uma falta de atenção ou
desinteresse do paciente.

Inteligência

Diz respeito a capacidade do indivíduo se adaptar a diferentes


situações. As funções mentais também podem ser agrupadas de acordo com o
modo como são acessados durante a entrevista. Assim, a aparência, o nível de
consciência e o comportamento psicomotor serão imediatamente perceptíveis à
observação.

Durante a conversação, poderão ser avaliados atenção e concentração, fala,


linguagem e pensamento, orientação, memória e afeto.

Mediante exploração ativa, por fim, serão analisados humor e volição, percepção,
conteúdo do pensamento, crítica e julgamento.

Poderão ainda ser realizados testes breves para melhor avaliação de memória e
orientação, bem como pensamento abstrato e inteligência, quando necessários.
Assim, deve-se avaliar:

● Raciocínio lógico;
● Capacidade de fazer contas;
● Dificuldades em estudar;
● Capacidade de abstração;
● Capacidade de generalização;
● Juízo crítico.
Pensamento

É avaliado quanto a(o):

● Curso (acelerado ou lentificado);


● Forma (organizado ou desorganizado);
● Conteúdo (tema predominante das ideias). Ex.: ideias de grandeza,
autorreferentes, sexuais, místicas, paranoides etc.

OBS: Ideias paranoides: ideias de vários temas (grandeza, persecutórias,


místicas etc).

Linguagem
Avaliada principalmente em seu componente verbal, devem considerados também a
forma e o conteúdo. Assim, deve-se observar:

● A quantidade;
● Velocidade;
● Qualidade;
● Volume.

Quanto à forma, analisa-se a velocidade do discurso, que pode estar lentificado,


caso em que normalmente se nota a latência de resposta, definida como uma pausa
acima do normal entre as perguntas feitas pelo entrevistador e a resposta do
paciente.

O discurso pode estar acelerado. Quando o paciente, além de falar rapidamente,


fala em grande quantidade, dizemo-no logorréico e, associada à logorréia houver
fala em alto volume e ininterrupta, fala-se em pressão de discurso, sendo usual
ocorrer em mania e em quadros ansiosos mais graves.

Mussitação, verbigeração e ecolalia são automatismos verbais, semelhantes a uma


reza contínua em voz baixa, no primeiro caso; no segundo, trata-se da repetição
sem sentido de frases ou palavras incessantemente; no último, da repetição
automática das palavras pronunciadas pelo interlucutor.

O conteúdo do discurso acompanha usualmente o conteúdo do pensamento,


devendo ser descritos eventuais temas prevalentes.

Sensopercepção

● Ilusão: distorção da realidade. Motivada por um estímulo externo, havendo


uma questão emocional envolvida;
● Alucinação: alterações dos órgãos do sentido, não há estímulos externos, é
um fenômeno introjetado. Podendo ser, auditivas, táteis, sinestésicas,
gustativas, olfativas e visuais (mais raras);
● Despersonalização: alteração na percepção de si próprio, manifestada por
sentimentos de estranheza ou irrealidade;
● Desrealização: alteração na percepção do meio ambiente.

No exame psíquico, nós descrevemos não o que o paciente refere ou nega


(“ouço/não ouço vozes”, “vejo/não vejo coisas”), mas sim o seu comportamento
alucinatório: fala sozinho? Faz gestos com a mão? Fica desviando o olhar para
algo? etc.

Humor

O humor é o todo da vida emocional, a disposição afetiva de fundo, algo como a


média dos afetos, podendo, portanto, estar polarizado (para depressão, hipomania
ou mesmo mania); se mantém-se levemente deprimido de forma constante, pode-se
considerá-lo distímico.

Hipertímico, por sua vez, é a manutenção de um estado de leve elevação constante.


Finalmente diz-se eutímico do humor sem clara tendência para um ou outro lado ao
longo do tempo.

Afeto

Se avalia a relação do paciente com o mundo. O afeto só estará primariamente


alterado na esquizofrenia. Quando normal é chamado de sintônico. As alterações do
afeto são:

● Distanciamento: Faz interações quando quer/movidas por interesse próprio.


Não empatiza. Afeto menos comprometido do que nas outras alterações.
● Incongruência: afeto não congruente com o discurso.
● Indiferença: Paciente com interação mínima, sem interesse para estabelecer
relações. Monossilábico.
● Embotamento: comprometimento máximo do afeto. O paciente não faz mais
nenhuma relação com o ambiente.

Psicomotricidade

Neste ponto, o paciente é avaliado conforme seu padrão de comportamento


corpóreo. São alterações da psicomotricidade:

● Hipocinesia
● Hipercinesia
● Frangofilia
● Tiques
● Estereotipias
● Maneirismos.

3ª parte do exame psíquico

Nessa parte do exame psíquico, o profissional deve avaliar as funções


psicofisiológicas:

● Sono
● Apetite/dieta
● Suxualidade
● Exame físico

2. Caracterize os transtornos depressivos (fisiopatologia, tipo, características,


epidemiologia, processo diagnósticos, potenciais complicações e
prognósticos).
Transtorno depressivo persistente ou distimia
O aspecto mais característico da distimia, também conhecida como transtorno depressivo
persistente, é a presença de um humor deprimido que dura a maior parte do dia e está
presente quase continuamente.
Existem sentimentos associados de inadequação, culpa, irritabilidade e raiva; afastamento
da sociedade; perda de interesse; e inatividade e falta de produtividade. O termo distimia,
que significa “mal-humorado”, foi introduzido em 1980. Antes, a maioria dos pacientes agora
classificados com distimia era classificada com neurose depressiva (também chamada
depressão neurótica).
A distimia distingue-se do transtorno depressivo maior pelo fato de os pacientes se
queixarem de que sempre estiveram deprimidos. Portanto, a maioria dos casos é de início
precoce, começando na infância ou na adolescência e, sem dúvida, ocorrendo na época em
que os pacientes atingem a faixa dos 20 anos. Um subtipo de início tardio, muito menos
prevalente e não muito bem caracterizado clinicamente, foi identificado entre populações de
meia-idade e geriátricas, em grande parte por meio de estudos epidemiológicos na
comunidade.
Embora a distimia possa ocorrer como uma complicação secundária de outros transtornos
psiquiátricos, seu conceito central se refere a um transtorno depressivo subafetivo ou
subclínico com (1) cronicidade de baixo grau por pelo menos dois anos; (2) início insidioso,
com origem muitas vezes na infância ou na adolescência; e (3) um curso persistente ou
intermitente. A história familiar de indivíduos com distimia é normalmente repleta de
transtornos depressivos e bipolares, o que é um dos achados mais consistentes a apoiar
seu elo com os transtornos do humor primários.

Diagnóstico e características clínicas


Os critérios diagnósticos do DSM-5 para distimia (Tab. 8.2-1) estipulam a presença de um
humor deprimido a maior parte do tempo por pelo menos dois anos (ou um ano, para
crianças e adolescentes). Para satisfazer os critérios diagnósticos, um paciente não deve
ter sintomas que sejam mais bem explicados por um transtorno depressivo maior e jamais
ter tido um episódio maníaco ou hipomaníaco. O DSM-5 possibilita aos clínicos especificar
se o início foi precoce (antes dos 21 anos) ou tardio (21 anos ou mais velho). Além disso,
permite a especificação de aspectos atípicos na distimia.

→ A ciclotimia é um distúrbio de humor que afeta cerca de 0,4 a 1% da população


mundial. A incidência em homens e mulheres é a mesma, porém os homens
apresentam maior resistência à busca por tratamento.
→ Quem sofre com esse distúrbio costuma transitar com momentos de sutil
euforia e com leve depressão.
→ Justamente por ser mais branda, a oscilação de humor tende a dificultar o
diagnóstico, como as evidências costumam aparecer na adolescência ou no início
da vida adulta, a possibilidade de a disfunção ser confundida com traços de
personalidade também colabora para que a busca por tratamento seja tardio.
→ Características: A principal característica da ciclotimia é a instabilidade
crônica do humor, é semelhante aos quadros de bipolaridade, porém com sintomas
menos severos.
→ As frequentes flutuações de humor são desproporcionais aos eventos do dia a dia
e geralmente não melhoram sem tratamento.
→ Pessoas com ciclotimia têm maior propensão a desenvolver transtorno
de bipolaridade, estima-se um aumento de 15 a 50% dos casos.
→ É comum pessoas com ciclotimia apresentarem sintomas de outros
problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, que são
encontrados de 20 a 50 % dos casos.
→ Causas: Os motivos que levam ao desenvolvimento de transtornos ciclotímicos
ainda não são completamente conhecidos, porém, o componente genético é um
componente bastante significativo.
→ Exposição excessiva ao estresse, vivência de experiências traumáticas,
problemas familiares e desregulação de neurotransmissores.
→ Diagnóstico: De acordo com o manual diagnóstico e estatístico dos transtornos
mentais, pode ser diagnosticado quando houver as seguintes manifestações:
● episódios de hipomania (euforia leve) e depressão (de baixo grau)
persistentes por, no mínimo, dois anos;
● sintomas hipomaníacos e depressivos que não atendem aos critérios de
bipolaridade ou depressão maior;
● oscilações de humor presentes em mais de 50% do tempo;
● períodos de humor estável com duração inferior a 2 meses;
● ausência de relação entre os sintomas e o uso de medicamentos, abuso de
substâncias ou condições médicas.

3. Diferencie as fases fisiológicas e patológicas do luto, diferenciando o


transtorno depressivo.

Fase 1: Negação
Uma das primeiras fases do luto é permeada por uma forte carga
emotiva. A negação inibe contatos mais próximos com outras pessoas,
dada à dor que este sente. Nesta etapa inicial, há um movimento em se
levantar possibilidades a fim de reverter os fatos. Isso se caracteriza
através de frases como “Se não tivesse acontecido?” ou “E se eu tivesse
interferido?”.

Acredita-se que o Ego influencia nisso, já que se cria um mecanismo de


defesa nessa fase. A dor é aplacada em pouco tempo, já que a aceitação
parcial começa a surgir nesse período. Ela é fundamental para diminuir
a:

➜ Solidão
Como dito acima, o indivíduo em luto tende a se afastar dos demais.
Parte disso se deve ao fato do medo em perder mais pessoas naquele
período tão vulnerável de sua vida. Aos demais, é preciso ter em mente
deixar que o indivíduo se sinta livre para sentir essa dor. Contudo, dê
sinais de que sempre estará por perto.

➜ Tristeza
Sendo a parte mais natural do processo, é perceptível uma falta de
alegria em quem está de luto. Com a perda, também se foi uma conexão
única e positiva construída ao longo dos anos. Ainda que o amor se
preserve, a ausência da conexão física é dolorosa.
➜ Arrependimento
Assim que perdem alguém, algumas pessoas costumam se arrepender de
algumas atitudes. Anteriormente, acreditavam que o tempo era infinito e
teriam todo o tempo do mundo para conviver. Quando a perda ocorre,
entram em um estado de lamentação e pensam em tudo o que queriam
dizer.

Fase 2: Raiva/Ira
Continuando as fases do luto, a segunda se condensa unicamente na
raiva, seja do doente ou dos demais. Quem está de fora consegue sentir
até raiva da própria pessoa, ainda que esta não tenha culpa e saiba disso.
A vulnerabilidade do outro antes e depois de partir evoca a uma sensação
de incapacidade em não poder ajudar.

Na fase da raiva o Ego não consegue selar o isolamento e negação da


fase anterior. Com isso, a pessoa passa a questionar e lutar contra o
evento em si. A ideia aqui é isentar a pessoa que partiu e defendê-la,
exaltando suas virtudes. Mesmo que sem alguma resposta divina, o
questionamento é elaborado com o intuito de extravasar.

Infelizmente, essa revolta dificulta bastante o relacionamento que a


pessoa mantém com os outros. Alguns não conseguem perceber que
esses mesmos indivíduos entendem o quanto essa explosão é necessária.
Mesmo durante a sua raiva, tente cultivar a lealdade existente entre
vocês e busque apoio.

Fase 3: Negociação/barganha
No terceiro caminho das fases do luto, que é a negociação ou barganha,
as fases anteriores já foram subvertidas. Agora entram as ponderações,
onde o indivíduo procura alternativas para aliviar a dor que sente. Nisso,
acaba enfrentando:

➜ Questionamentos
A ideia aqui é pensar em soluções alternativas para ter lidado com o
problema enquanto ele estava vigente. A mente não descansa, já que vai
e volta no evento a fim de procurar alguma falha cabível de intervenção.
Mesmo que seja “inútil”, por assim dizer, o indivíduo inconscientemente
tenta trazer paz a todos.

➜ Acordos
Ao procurar caminhos nos questionamentos, naturalmente se encontra a
ideia de troca entre as pessoas. Por conta do amor que este sente em
relação a quem partiu, a ideia é preservar a sua figura aqui. A autoestima
não fala tão alto e ele acredita que o mundo estaria melhor com o outro.
Em suma, o indivíduo quer ir no lugar de quem partiu.

Fase 4: Depressão
A depressão costuma figurar entre as fases do luto como a que mais dura
na vida do indivíduo. Mesmo que não pareça que está sentindo, o
indivíduo sofre bastante internamente. Não raro, é possível que a fase de
isolamento retorne com mais força, ainda que oscile por muito tempo.

Acima disso, a sensação de melancolia, impotência, desesperança e culpa


podem permear a sua interação social. Como se deve imaginar, é um
campo de introspecção profundo, mas cuidado. Sofrimento e isolamento
em demasia podem adoecer uma pessoa. Ao invés de caminhar até um
status de aceitação, a mesma fica cada vez pior.

É nesta fase que a assistência dos demais é mais necessária do que


nunca. Claro que é bastante difícil tirar alguém dessa situação, mas a
ideia é se fazer presente para quando ele precisar. O depressivo precisa
se dar conta da própria situação e trabalhar ela voluntariamente.

Fase 5: Aceitação
Encerrando as fases do luto, a aceitação vem para fechar o ciclo da dor
que este sente. Depois de desabar, sentir raiva, procurar alternativas e
cair, a ideia é se livrar do peso negativo que o evento trouxe. Mesmo não
sendo um cenário de alegria, é a oportunidade de agregar paz em sua
vida. Com isso, a tranquilidade em relação à vida pode se instalar.

Na aceitação, o indivíduo passa a agregar a realidade e aceitar as coisas


como elas são e aconteceram. Ao invés de focar em desespero, a
serenidade apazígua a dor que este desenvolveu. Consequentemente, a
saudade brota, marcando os momentos felizes que tiveram juntos.

➔ Luto patológico
● De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) a
principal diferença entre o processo normal de luto e um processo complexo seria o tempo –
cronológico mesmo, não no seu sentido figurado

● Quando uma pessoa apresenta sintomas persistentes de luto por um período de doze
meses ou mais (ou seis meses em casos de crianças) é dito que possui um Transtorno do
Luto Complexo Persistente - o Luto Patológico
4. Compreenda como a depressão impacta o vínculo familiar e social na
conduta da terapêutica.
Rede de apoio familiar e social para com o paciente psiquiátrico

O suporte social e, principalmente, familiar é um pilar importante no tratamento dos


quadros psiquiátricos. Os familiares desempenham um papel especial no acompanhamento
do tratamento de seu parente, pelo contato mais próximo com a realidade de dor e
sofrimento do mesmo. Eles podem contribuir para a redução dessa carga, tornando menos
penoso o enfrentamento de situações estressoras diárias e das próprias dificuldades
inerentes à doença. A melhor forma de contribuir para alcançar o objetivo principal (sucesso
terapêutico, com restabelecimento da saúde mental) se dá, inicialmente, através da busca
de informações consistentes a respeito do transtorno psiquiátrico e do tratamento,
demonstrando interesse genuíno em compreender e aceitar o que está acontecendo e
buscar auxiliar em sua recuperação, num ambiente amoroso e acolhedor, com paciência e
respeito. Além disso, é extremamente necessário evitar julgamentos, comentários
preconceituosos, desqualificações, invalidações e também cobranças exageradas ao exigir
esforço (“força de vontade”) e melhora rápida. Em contrapartida, nada melhor do que
incentivar a cumprir as recomendações, encorajar a prática de hábitos saudáveis de vida, e,
principalmente, enaltecer e enfatizar cada etapa de melhora e esforço advindo do paciente.
É mais fácil acreditarmos na recuperação quando percebemos que aqueles que estão ao
nosso redor torcem pelo nosso sucesso.

5. Apresente os critérios diagnósticos da ideação suicida.


*O comportamento suicida também pode ser categorizado em:
a) tentativa efetiva;
b) tentativa abortada;
c) atos ou comportamentos preparatórios.

A avaliação do comportamento suicida envolve, ainda, determinar a gravidade dos danos


físicos associados à tentativa de suicídio ou o potencial letal daquele comportamento na
ausência de lesão física.
Ideação suicida pode ser definida como pensamentos passivos sobre desejar estar
morto ou pensamentos ativos sobre se matar, não acompanhados de
comportamento preparatório.2 A Escala de Avaliação do Risco de Suicídio de
Columbia (C-SSRS, do inglês Columbia-Suicide Severity Rating Scale), uma das
mais usadas no mundo, categoriza a ideação suicida em:
1- desejo de estar morto (o paciente confirma ter pensamentos sobre o desejo de
estar morto ou de não mais viver, ou desejar dormir e nunca mais acordar);
2- pensamentos suicidas ativos não específicos (pensamentos suicidas não
específicos de querer colocar fim à vida/tentar o suicídio sem ideia sobre como se
matar/métodos associados, intenções ou planos);
3- ideação suicida ativa, com algum método (sem plano), sem intenção de agir (o
paciente confirma pensamentos de suicídio e já pensou em pelo menos um método
durante o período de avaliação. Isso difere de um plano específico, com elaboração
de detalhes de hora, lugar ou método);
4- ideação suicida ativa com alguma intenção de agir, sem plano específico
(pensamentos suicidas ativos de se matar e o paciente relata ter alguma intenção
de colocá-los em prática);
5- ideação suicida ativa, com plano específico e intenção (pensamentos sobre se
matar, com detalhes do plano, total ou parcialmente elaborados, e o paciente tem
alguma intenção de executá-lo).

-epidemiologia:

-Os fatores de risco para o suicídio podem ser classificados em dinâmicos


(presentes em um momento, mas variando na duração e intensidade, como uso de
substâncias ou sentimento de desesperança), estáveis (tendem a não mudar, como
características da personalidade), estáticos (não se alteram, como história de
tentativa prévia), e futuros (os quais podem ser antecipados, como o acesso a
meios letais). Os fatores de risco também podem ser classificados em
populacionais, ambientais e individuais. Os fatores de risco populacionais, em geral,
se referem à perda da coesão social, incluindo o isolamento social, problemas
econômicos e mudanças rápidas na estrutura e valores sociais. Os fatores de risco
ambientais incluem o acesso a meios letais, acesso insuficiente ao sistema de
saúde mental e abordagem incorreta do suicídio em veículos de comunicação. Os
fatores de risco individuais podem ser classificados em distal ou predisponente,
mediador ou de desenvolvimento, e proximal ou precipitante, dependendo de sua
relação temporal com o suicídio ou com outras variáveis que também conferem
risco.

6. Caracterize os transtornos bipolares (fisiopato, características,


epidemiologia, processo diagnósticos, potenciais complicações e
prognósticos).
FISIOPATOLOGIA:
EPIDEMIOLOGIA:

O transtorno bipolar (TBP) é uma condição psiquiátrica relativamente frequente.


Consiste em uma doença crônica que afeta entre 1% e 2% da população. Além
disso, representa uma das principais causas de incapacitação no mundo.

Cerca de 4% da população adulta mundial sofre de transtorno bipolar. Segundo a


Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), essa prevalência vale também
para o Brasil, representando cerca de 6 milhões de pessoas no país.

⇒ Prevalência igual entre homens e mulheres; +- 20 - 25 anos


Episódios maníacos são mais comuns em homens e depressivos são mais comuns
em mulheres.;
A mania na mulher tem mais probabilidade de quadro misto e tem mais alta taxa de
ciclagem rápida.

O transtorno bipolar caracteriza se por episódios de oscilações imprevisíveis de


humor e de mania ou hipomania para depressão
● Alguns pacientes são acometidos apenas por crises recorrentes de mania –
que são aumento das atividades psicomotoras -- extroversão social
excessiva; diminuição da necessidade de sono; impulsividade e prejuízo no
juízo crítico; humor expansivo e grandioso
Na mania grave os pacientes podem apresentar delírios e pensamentos paranoicos
– muito parecido com a esquizofrenia.
No transtorno de bipolaridade tipo 2 – pacientes não têm todas essas características
de mania – apresenta uma hipomania onde ele tem um leve aumento da energia. --
sem sintomas psicóticos.
Tipo 1 – paciente tem a mania – com sintomas psicóticos.

DIAGNÓSTICO:
TRANSTORNO BIPOLAR TIPO I
O TB tipo I é caracterizado pela presença de pelo menos um episódio maníaco ao
longo da vida. Cabe destacar que esse episódio pode ter sido ou não acompanhado
por um episódio depressivo ao longo da vida.

TRANSTORNO BIPOLAR TIPO II


O TB tipo II é confirmado quando há a presença de pelo menos um episódio
hipomaníaco e um episódio depressivo ao longo da vida.

TRANSTORNO CICLOTÍMICO
O transtorno ciclotímico é caracterizado por cronicidade e oscilações do humor. O
diagnóstico é realizado quando, por um período de pelo menos dois anos (um ano
para crianças e adolescentes), o sujeito apresenta vários períodos de sintomas
hipomaníacos e depressivos, sem jamais atender a todos os critérios para um
episódio de mania, hipomania ou depressão maior.
TRATAMENTO:
O tratamento é feito com estabilizadores de humor (a base de lítio) e/ou
antipsicóticos.
Não há como controlar a bipolaridade sem medicamentos. Portanto, eles devem ser
utilizados sempre, não só nas crises.
Esses fármacos levam pelo menos 2-4 semanas para terem um efeito significativo. A
melhora dos sintomas pode levar alguns meses e depois disso é necessário manter a
medicação por mais algumas semanas/meses, dependendo da gravidade.

Depois de melhorar por completo, o paciente segue para a fase de manutenção.

A eletroconvulsoterapia deve ser considerada em pacientes graves, resistentes ao


tratamento ou quando preferida pelo paciente.

Antipsicótico + benzodiazepínicos: antes não eram associados, agora passaram a ser


usados no tratamento de TAB. (Terapia medicamentosa)

ESTABILIZADORES DE HUMOR (1° escolha -> lítio)

São os remédios mais importantes e devem ser usados a partir do diagnóstico do


transtorno bipolar. Eles controlam o processo de ciclagem de um episódio a outro,
reduzindo a quantidade de depressões e manias. Portanto, variam entre si no efeito
antidepressivo e antimaníaco. Os mais utilizados são: carbonato de lítio (prevenção do
suicídio), carbamazepina e ácido valpróico.

ANTIDEPRESSIVOS

São indicados para as depressões. No paciente com TAB, o médico pode começar
com um estabilizador de humor e, se não melhorar, associa um antidepressivo.
Não utilizado em monoterapia pelo risco de “virada mania”.

ANTIPSICÓTICOS

São medicamentos com efeito antimaníaco e antipsicótico, podendo ser utilizados


durante um período de depressão, mania ou estado misto caso haja sintomas psicóticos
(alucinações e delírios). Os mais utilizados são a risperidona e olanzapina.

Recomendações adicionais

Os psiquiatras recomendam a abstinência de cafeína, nicotina e álcool, além da


redução do açúcar da dieta. Remédios emagrecedores, antigripais, antialérgicos ou
analgésicos e outros estimulantes do SNC devem ser abolidos, pois podem ser o gatilho
para um novo episódio da doença

Eletroconvulsoterapia

A eletroconvulsoterapia (ECT) é um tratamento efetivo para certos subgrupos de


indivíduos que sofrem de doenças mentais graves à é um tratamento psiquiátrico no qual
são provocadas alterações na atividade elétrica do cérebro induzidas por meio de
passagem de corrente elétrica, sob condição de anestesia geral.

Estabilizador de humor:

O lítio foi o primeiro fármaco comprovadamente útil no tratamento da fase maníaca do


transtorno bipolar que não era também um fármaco antipsicótico. Algumas vezes, o lítio é
também usado como tratamento adjuvante na esquizofrenia. Continua sendo usado para a
fase aguda do transtorno, bem como para a prevenção de episódios maníacos e
depressivos recorrentes.

Um grupo de fármacos estabilizadores do humor que também atuam como fármacos


anticonvulsivantes passou a ser amplamente utilizado. Esse grupo compreende a
carbamazepina e o ácido valproico para o tratamento da mania aguda e para a prevenção
de sua recidiva. A lamotrigina foi aprovada para uso na prevenção da recidiva depressiva. A
gabapentina, a oxcarbazepina e o topiramato são algumas vezes usados no tratamento do
transtorno bipolar, porém não estão aprovados pela FDA para essa indicação! A foram
aprovadas para o tratamento da depressão bipolar.
7. Compreenda a farmacologia dos anti depressivos e estabilizantes de
humor.

CLASSE EXEMPLOS IMPORTANTE MECANISMO DE EFEITOS ADVERSOS


AÇÃO

Inibidores Apresenta Inibem


● Citalopram ● Náusea
seletivos de escassa especificamente a
recaptação ● Escitalopram atividade recaptação da ● Ansiedade
de serotonina bloqueadora em serotonina
(ISRS) ● Fluoxetina receptores 🡪 aumento da ● Sonolência
muscarínicos, concentração do
● Fluvoxamina α-adrenérgicos neurotransmissor ● Insônia
e H1- na fenda sináptica
● Paroxetina histamínicos 🡪 ● Disfunção sexual
escassos
efeitos adversos
● Sertralina

Inibidores da Utilizados em Inibem a


● Desvenlafaxina ● Cefaleia
recaptação pacientes nos recaptação de
de serotonina ● Duloxetina quais não serotonina e ● Insônia
e tiveram norepinefrina
norepinefrina ● Levomilnacipra resultados com 🡪 aumento da ● Disfunção sexual
(IRSN) na ISRS concentração
desses ● Boca seca
● Venlafaxina neurotransmissores
na fenda sináptica ● Tontura

● Sudorese

● Perda do apetite

Antidepressiv Inibe a recaptação de dopamina e O efeito adverso vai


● Bupropiona
os atípicos norepinefrina depender do medicamento
escolhido:
Aumenta a neurotransmissão de
● Mirtazapina
serotonina e norepinefrina + ● Aumento da massa
antagonista dos receptores de 5-HT corporal
Inibidores fracos da recaptação de
● Nefazodona ● Sedação
serotonina
● Trazodona 🡪 bloqueio dos receptores 5-HT
● Constipação
Inibe a recaptação de serotonina e um ● Náuseas
● Vilazodona
agonista parcial de 5-HT.
● Tonturas
uma combinação da inibição da
● Vortioxetina
recaptação de serotonina, agonista 5-
HT1A e antagonista 5-HT3 e 5-HT7
Antidepressiv Melhoram o Bloqueiam a
● Amitriptilina ● Aumento da massa
os tricíclicos humor e o alerta recaptação de
(ADTs) mental, norepinefrina e corporal
● Amoxapina
aumentam a serotonina no ● Xerostomia
● Clomipramina atividade física neurônio pré-
e reduzem a sináptico ● Constipação
● Desipramina preocupação
mórbida de 50 a + ● Retenção urinária
● Doxepina 70% dos
● Imipramina indivíduos. Bloqueiam os ● Visão borrada
receptores ● Taquicardia
● Maprotilina Necessita de 2 muscarínicos, α-
semanas para adrenérgicos, ● Arritmias
● Nortriptilina se ter efeito. histamínicos e
serotoninérgicos ● Náuseas
● Protriptilina
● Sonolência
● Trimipramina

Inibidores da Disponível em O IMAO pode Indivíduos tratados com


● Fenelzina
monoaminoxi administração inativar reversível IMAO são incapazes de
dase (IMAO) ● Isocarboxazin transdérmico 🡪 ou irreversivelmente degradar a tiramina
único a enzima, presente na dieta. A
a permitindo que as tiramina causa liberação
Seu uso é moléculas do de grande quantidade de
● Selegilina
limitado devido neurotransmissor catecolaminas
● Tranilcipromin às complicadas fujam da armazenadas nos
restrições de degradação e, terminais nervosos,
a dieta exigidas assim, se resultando em “crise
durante a acumulem dentro hipertensiva” com sinais e
utilização do neurônio pré- sintomas como:
desses sináptico e vazem
● Cefaleia occipital;
fármacos 🡪 para o espaço
evitar alimentos sináptico. ● Rigidez no pescoço;
contendo
tiramina. ● Taquicardia;

● Náuseas;

● Hipertensão;

● Arritmias cardíacas,

● Convulsões;

Estabilizadores do Humor:

Os fármacos estabilizadores do humor tem sua principal indicação de uso para os


pacientes com transtorno bipolar.

Mais recentemente, o conceito de estabilizador do humor foi definido de maneira


abrangente, desde “uma substância capaz de atuar como o lítio”, passando por “um
anticonvulsivante usado para o tratamento do transtorno bipolar”, até “o antipsicótico
atípico utilizado no tratamento do transtorno bipolar”.

Desse modo, infere-se que há três grupos principais de fármacos utilizados como
estabilizadores do humor:

● Carbonato de lítio: o principal estabilizador conhecido. O texto será baseado


nele.
● Alguns anticonvulsivantes: ácido valproico, lamotrigina, carbamazepina e
oxicarbazepina
● Alguns antipsicóticos atípicos: quetiapina, olanzapina, risperidona, lurasidona,
aripiprazol, asenapina e ziprazidona.
● Lítio: o único estabilizador de humor cientificamente comprovado

O único estabilizador do humor, cientificamente comprovado é o lítio. o ácido


valpróico e carbamazepina, embora possam ser usados, não são primeira linha de
tratamento e nem entram primariamente na classe dos estabilizadores do humor.
O lítio foi usado terapeuticamente pela primeira vez em meados do século XIX em
pacientes com gota. Na década de 1940, foi usado por um breve período de tempo
como substituto do cloreto de sódio em pacientes hipertensos, porém foi proibido
após comprovação de sua excessiva toxicidade para uso sem monitoração.

Em 1949, foi descoberto que o lítio constituía um tratamento efetivo para o


transtorno bipolar, levando à realização de uma série de estudos clínicos
controlados, que confirmaram a sua eficácia como monoterapia na fase maníaca do
transtorno.

Mecanismos de ação

O lítio é um íon cujo mecanismo de ação ainda não está estabelecido com certeza.
O lítio inibe diretamente duas vias de transdução de sinais e suprime a sinalização
do inositol pela depleção do inositol intracelular e também inibe a glicogênio sintase
cinase-3 (GSK-3), uma proteína-cinase multifuncional.

A principal hipótese funcional atualmente reconhecida para explicar o mecanismo


terapêutico de ação do lítio pressupõe que seus efeitos sobre a renovação do
fosfoinositol, que levam a uma redução relativa inicial de mioinositol no cérebro
humano, fazem parte de uma cascata de iniciação de alterações intracelulares.

Os efeitos sobre isoformas específicas da proteína-cinase C podem ser mais


relevantes. As alterações na sinalização mediada pela proteína–cinase C alteram a
expressão gênica e a produção de proteínas implicadas em eventos neuroplásticos
de longo prazo, que podemestar subjacentes à estabilização do humor em longo
prazo.

Farmacocinética

Quanto a farmacocinética do lítio, temos:



● Absorção: praticamente completa em 6-8 h;. Os níveis plasmáticos máximos
são alcançados em 30 min a 2 h
● Distribuição: através do plasma com entrada lenta no compartimento
intracelular. O volume inicial de distribuição é de 0,5 L/kg, aumentando para
0,7 a 0,9 L/kg; ocorre algum sequestro no osso. O fármaco não apresenta
nenhuma ligação às proteínas plasmáticas.
● Metabolismo: nenhum. A meia-vida plasmática é de cerca de 20 h.
● Excreção: praticamente todo o fármaco é eliminado na urina. A depuração do
lítio é de cerca de 20% da creatinina.
● Concentração plasmática alvo: 0,6-1,4 mEq/L (janela terapêutica).
● Dose: 0,5 mEq/kg/dia em doses fracionadas.
● Tempo para início da ação: 7 a 21 dias.
Farmacodinâmica dos estabilizadores do humor

As vias onde agem o lítio, são:

Efeitos sobre os eletrólitos e o transporte de íons: o lítio está estreitamente


relacionado com o sódio nas suas propriedades. Pode, inclusive, substituir o sódio
na geração de potenciais de ação e na troca de Na+-Na+ através da membrana. O
lítio inibe este último processo, isto é, a troca de Li+-Na+ é gradualmente retardada
após a introdução de lítio no corpo. Em concentrações terapêuticas (cerca de 1
mEq/L), o lítio não afeta significativamente a troca de Na+-Ca2+ ou a bomba de
Na+/K+-ATPase, apenas em superdosagens.

Efeitos sobre segundos mensageiros: Um dos efeitos mais bem definidos do lítio é a
sua ação sobre os fosfatos de inositol. Há muito tempo se sabe que o lítio
demonstrou alterações nos níveis de fosfato de inositol no cérebro, porém a
importância dessas alterações só foi percebida quando os papéis de segundo
mensageiro do 1,4,5-trifosfato de inositol (IP3) e do diacilglicerol (DAG) foram
descobertos. Estas moléculas são segundos mensageiros importantes para a
transmissão tanto α-adrenérgica como muscarínica. O lítio inibe a inositol
monofosfatase (IMPase) e outras enzimas importantes na reciclagem normal dos
fosfoinositídeos da membrana, incluindo a conversão do IP2 (difosfato de inositol)
em IP1 (monofosfato de inositol) e a conversão do IP1 em inositol. Esse bloqueio
leva a uma depleção do inositol livre e, por fim, do 4,5-bifosfato de fosfatidilinositol
(PIP2), o precursor de membrana do IP3 e do DAG. Com o passar do tempo, os
efeitos dos transmissores sobre a célula diminuem proporcionalmente à quantidade
de atividade nas vias dependentes de PIP2. Postula-se que a atividade dessas vias
esteja aumentada durante um episódio de mania, no transtorno bipolar e por conta
disso, acredita-se que o tratamento com lítio possa diminuir a atividade desses
circuitos.
Os estabilizadores do humor também podem ter efeitos indiretos sobre os
neurotransmissores e sua liberação

Uso clínico dos estabilizadores do humor

Além do transtorno bipolar, o lítio pode ser usado no tratamento da depressão


recorrente (usado para aumentar a resposta aos antidepressivos convencionais na
depressão maior aguda em pacientes que tiveram uma resposta inadequada à
monoterapia) e no transtorno esquizoafetivo (por estabilizar melhor pacientes
caracterizados por uma mistura de sintomas esquizofrênicos e de humor –
depressão ou excitação).

Monitorização
Todo paciente antes de iniciar o uso do lítio deve realizar alguns exames para
avaliar seu estado de saúde, como função renal (ureia e creatinina) e função
tireoidiana (TSH e T4L). Se o paciente for maior de 50 anos, solicitar um
eletrocardiograma também.

Além disso, pacientes em uso de lítio devem realizar periodicamente as litemias,


aferições dos níveis plasmáticos da substância a fim de avaliar a concentração
sérica. A litemia deve ser realizada 12h, após a última dose e o resultado deve estar
entre 1 e 1,5 mEq/L para o tratamento agudo e 0,6 a 1,2 mEq/L para tratamento
crônico.

Note que a faixa terapêutica do lítio é extremamente encurtada, ou seja, o limiar


entre tratamento e toxicidade é baixo.

Inicialmente, a litemia deve ser realizada a cada 2 semanas até atingir concentração
sérica terapêutica. Depois, entre 2 a 3 meses nos primeiros 6 meses.

Quando o paciente estiver estável com a dose ajustada, solicitar a dosagem duas
vezes por ano assim como a função renal. Sempre que houver mudança da dose,
solicitar litemia.

Efeitos adversos

Muitos efeitos colaterais associados ao tratamento com lítio são relatados na


literatura médica. Alguns são inócuos, porém é importante estar atento para os
efeitos colaterais que podem significar graves reações tóxicas iminentes.

Os principais efeitos, são:

● Efeitos colaterais neurológicos e psiquiátricos: principalmente o tremor


essencial.
● Diminuição da função da tireoide: o efeito é reversível ou não progressivo, e
alguns pacientes desenvolvem aumento franco da tireoide (bócio)ou um
número ainda menor exibe sintomas de hipotireoidismo.
● Diabetes insípido nefrogênico e outros efeitos colaterais renais: pacientes
queixam-se de polidipsia e poliúria.
● Edema: pode estar relacionado com algum efeito do fármaco sobre a
retenção de sódio e consequente acúmulo de líquido.
● Efeitos cardíacos: Na presença da síndrome de bradicardia-taquicardia
(doença sinusal) o uso deve ser interrompido.
● Erupções acneiformes: quadro transitório e mais pronunciado no início do
tratamento.
● Leucocitose: secundário ao estímulo na leucopoiese
● Ganho de peso: importante avaliar o IMC do paciente periodicamente.
Interações medicamentosas dos estabilizadores do humor

Pacientes em uso concomitante com diuréticos (principalmente os tiazídicos),


apresentam depuração renal reduzida em cerca de 25% por diuréticos e pode ser
necessário reduzir as doses pelo risco de toxicidade, uma vez que se aumenta a
concentração plasmática.

Uma redução semelhante da depuração do lítio foi observada com vários fármacos
anti- -inflamatórios não esteroides (AINE’s) mais recentes que bloqueiam a síntese
de prostaglandinas. Essa interação não foi relatada com o ácido acetilsalicílico nem
com o paracetamol.

Todos os neurolépticos testados até o momento, com a possível exceção da


clozapina e dos antipsicóticos atípicos mais recentes, são capazes de produzir
síndromes extrapiramidais mais graves quando associados com o lítio.

Outras drogas com potencial de atuarem como estabilizadores do humor

Com o avanço científico, novas drogas tem surgido com potencial de atuarem como
estabilizadores de humor, como o ácido valproico e a carbamazepina.

Ácido valproico

Também connhecido como valproato de sódio (ou só valproato). Atua primariamente


como um fármaco anticonvusilvante.

Todavia, sabe-se que exerce efeitos antimaníacos também. De modo geral, o ácido
valproico apresenta uma eficácia equivalente àquela do lítio durante as primeiras
semanas do tratamento, embora não se tenha certeza de que sua eficácia seja
equivalente à do lítio como tratamento de manutenção.

Observa-se que o valproato tem sido efetivo em alguns pacientes que


nãoresponderam a terapia com o lítio. Além disso, seu perfil de efeitos colaterais é
tal que é possível aumentar rapidamente a dose sem causar sintomatologia que
impeça o uso.

Carbamazepina:

Trata-se de um anticonvulsivante, que surge como o alternativa razoável para o lítio


quando ele não tem eficácia ideal. Entretanto, devido às interações da
carbamazepina é mais difícil usar esse fármaco quando comparado com outras
opções terapêuticas disponíveis para o transtorno bipolar. Apesar disso, sabe-se
que pode ser usada para o tratamento da mania aguda, bem como para terapia
profilática.
8. MINT.
ANOTAÇÕES:
● Avaliação do estado mental → a avaliação integral no paciente é
muito importante para auxiliar no diagnóstico de possíveis
transtornos de humor e pode ser dividido em algumas partes >
Coleta de dados sociodemográficos, (histórico de saúde e biografia
do paciente), exame do estado mental e avaliação de funções
psicofisiológicas;
● Coleta de dados sociodemográficos → devemos perguntar o motivo
da pessoa estar ali, história de internamentos prévios, história
familiar, questões de escolaridade e financeiras;

● É importante também questionar sobre uso de drogas, álcool, etc;


● Exame do estado mental → é realizado a avaliação geral e o exame
das funções mentais, nessa segunda parte são avaliadas algumas
generalidades:

● Aparência → descrição física do paciente, a forma como ele se


apresenta na consulta. Deve-se descrever com detalhes a roupa,
presença ou não de adornos, cabelos, higiene e autocuidado do
paciente;

● Postura e atitudes no exame → relação e atitude do paciente


perante o entrevistador. Deve-se avaliar se o paciente se encontra
cooperante, indiferente, passivo, fóbico, agressivo, petulante,
cabisbaixo, dissimulado, etc;

● Sentimento → “O que eu sinto ao ver o paciente”. Seria a 1ª


impressão nos dá um diagnóstico provisório do paciente e a
entrevista só será feita para corroborar esse “pré-diagnóstico”;

● Biotipo → Alguns biótipos falam mais a favor de algumas doenças,


embora nem sempre essa correlação seja verdadeira;

● Longilíneo : esquizofrenia;
● Brevilíneo: transtornos do humor;
● Atlético: psicopata;
● Displásico: retardo mental;
● Vontade → vontade que o indivíduo tem de viver, realizar suas
ambições e concluir seus projetos. Pode apresentar volição normal,
hiperbulia ou hipobulia;

● Autopagnosia/insight → se o paciente entende que aquilo é um


sintoma/tem consciência da doença;

● Juízo de realidade → crítica que o paciente tem de si, do que está


fazendo, etc (avalia se o paciente possui delírios);

● Ex.: paciente com depressão → a ideia pode ser afetada pela


alteração de humor;

● Exame das funções mentais → nessa etapa do exame mental é


avaliada a consciência, memória, inteligência, orientação, atenção,
pensamento, linguagem, sensopercepção, abstração (ter a
capacidade de compreender o que o outro está pensando) humor,
afeto e psicomotricidade;
● A terceira parte do exame psíquico envolve avaliação psicofisiológica como
sono, sexualidade, apetite, exame físico, etc;
● Para diagnósticos de transtornos de humor → olhar critérios do DSM;

● Diferença entre tristeza e depressão está no prejuízo, a depressão apresenta


muitos mais prejuízos sociais, emocionais, psíquicos, etc;
● Distimia → é a presença de um humor deprimido que dura a maior
parte do dia e está presente quase continuamente (inadequação,
culpa, irritabilidade e raiva; afastamento da sociedade; perda de
interesse; e inatividade e falta de produtividade);

● Pensar num paciente com transtorno depressivo crônico porém sem muitos
prejuízos;
● A maioria dos casos é de início precoce, começando na infância ou na
adolescência, ocorrendo na época em que os pacientes atingem a faixa dos
20 anos;
● Diagnóstico → presença de um humor deprimido a maior parte do
tempo por pelo menos dois anos (ou um ano, para crianças e
adolescentes), além de não dever ter sintomas explicados por um
transtorno depressivo maior e jamais ter tido um episódio maníaco
ou hipomaníaco;

● Ciclotimia → distúrbio de humor que afeta cerca de 0,4 a 1% da


população mundial. A incidência em homens e mulheres é a mesma,
os pacientes costumam transitar com momentos de sutil euforia e
com leve depressão;

● Possui uma instabilidade crônica do humor, é semelhante aos quadros de


bipolaridade, porém com sintomas menos severos;
● Diagnóstico → episódios de hipomania e depressão leve persistentes
por no mínimo dois anos, sintomas hipomaníacos e depressivos que
não atendem aos critérios de bipolaridade ou depressão maior,
oscilações de humor presentes em mais de 50% do tempo, períodos
de humor estável com duração inferior a 2 meses, ausência de
relação entre os sintomas e o uso de medicamentos, abuso de
substâncias ou condições médicas;

● Depressão → é usado como uma nomenclatura geral para se referir


a qualquer um dos transtornos depressivos existentes;

● Transtorno disruptivo de desregulação do humor → humor


persistentemente irritável e frequentes crises de raiva
desproporcional aos acontecimentos e desenvolvimento da criança
e do adolescente, iniciadas após os 6 anos de idade;

● Transtorno depressivo maior → Sintomas depressivos diários e


persistentes na maior parte do tempo, duração mínima de duas
semanas, com intensos prejuízos funcionais;
● Transtorno disfórico pré-menstrual → Alterações de humor e
sintomas gerais significativos (labilidade, depressão, irritabilidade,
ansiedade, letargia, alterações sono, apetite, libido) em período
precedente à menstruação, presentes na maior parte dos ciclos
menstruais ao longo de um ano;

● Transtorno depressivo induzido por substância/medicamento →


Quadro depressivo relacionado ao uso de substâncias ou
medicamentos, não explicado por outros transtornos depressivos
antecedentes, sintomas breves de intoxicação ou delirium;

● Transtorno depressivo devido a outra condição médica → Quadro


depressivo persistente relacionado à presença de doenças clínicas,
não explicado por outros transtornos mentais, transtorno de
ajustamento relacionado à presença de mudanças e perdas com a
doença ou delirium;

● Histórico familiar, idade e história de abuso sexual são os principais tópicos


predisponentem para o desenvolvimento de algum transtorno de humor;
● Tratamento → antidepressivos associado à psicoterapia e mudança
comportamental (realizar exercícios físicos);

● Fases do luto → são componentes essenciais do processo de


aceitação das perdas, é um processo que se inicia a partir da perda
de uma pessoa querida;

● A pessoa em luto entra em um estado de recolhimento e durante esse tempo,


é comum que aparente estar sempre triste, tenha crises de choro, se recuse
a sair de casa e perca o interesse em atividades que antes amava;
● Embora dolorosa, essa experiência é necessária para ela retomar o contato
com o mundo exterior (trabalho, vida social, relacionamento e projetos
pessoais);
● Cada indivíduo passa por essa trajetória de forma única;
● Primeira pessoa a falar sobre o luto → Elisabeth Kübler-Ross (1926 –
2004);

● Negação → a pessoa não acredita nem quer tentar acreditar na


possibilidade de ter perdido um ente querido, então, rejeita a
própria realidade;

● Raiva → sentimentos de raiva, angústia, desespero, medo, culpa e


frustração, condutas ríspidas e desagradáveis (pessoa pode
expressar a sua raiva por meio de atitudes autodestrutivas);

● Barganha/negociação → se constitui por negociações, a pessoa


negocia consigo mesma ou com a entidade superior em que
acredita na tentativa desesperada de aliviar a sua dor (“e se eu
tivesse feito isso” ou de “se eu fizer X coisa, posso reverter a
situação”);
● Depressão → a pessoa é acometida por um grande sofrimento, o
qual pode se prolongar por semanas ou meses, se apega à dor
causada pela partida do ente querido (chora copiosamente, repensa
as suas decisões e experiências de vida, se isola de familiares e
amigos, tem crises de saudade, não consegue retomar à vida
normal da mesma maneira que antes);

● Estágio do luto que mais requer conversa e apoio de pessoas próximas, além
de acompanhamento psicológico;
● Aceitação → é o último estágio do luto, mesmo quando a
experiência não é linear, a pessoa compreende a sua nova
realidade, constituída pela ausência de quem partiu;

● Pode haver a sexta fase → se refere a ressignificação;

● Luto patológico → a principal diferença entre o processo normal de


luto e um processo complexo é o tempo;

● Quando uma pessoa apresenta sintomas persistentes de luto por


um período de doze meses ou mais (ou seis meses em casos de
crianças) → Transtorno do Luto Complexo Persistente;

● Depressão e vínculo familiar → suporte social e, principalmente,


familiar é um pilar importante no tratamento dos quadros
psiquiátricos;

● Os familiares desempenham um papel especial no acompanhamento do


tratamento, pelo contato mais próximo com a realidade de dor e sofrimento;
● Família → contribui para a redução da carga, torna menos penoso o
enfrentamento de situações estressoras diárias e das próprias
dificuldades inerentes à doença;

● Ideação suicida → Pensamentos passivos sobre desejar estar morto


ou pensamentos ativos sobre se matar, não acompanhados de
comportamento preparatório (com ou sem planejamento);

● Frequência, duração e capacidade de controle dessa ideação (“como você


sai desse pensamento?”;
● Tentativa de suicídio → Comportamento com potencial autolesão
associado a pelo menos alguma intenção de morrer, como resultado
desse comportamento; Alguma evidência de que o indivíduo teve
intenção de se matar pode ser explícita ou inferida do
comportamento ou circunstância; tentativa de suicídio pode resultar
ou não em autolesão;

● Pode ser efetiva, abortada, atos/comportamentos preparatórios;


● Danos físicos associados (expressa a intensidade do quadro), potencial letal
da tentativa;
● Suicídio → Morte resultante de um comportamento de autolesão
associado a alguma intenção de morrer como resultado desse
comportamento;

● Auto mutilação → meio encontrado para a resolução da dor


psicológica, forma de escape/alívio da angústia;

● Fatores de risco para o suicídio → ambientais, individuais


(personalidade, infância, genética), histórico familiar, dinâmicos
(coisas de momento), estáticos (tentativas prévias), futuros (acesso
a meios letais), sociais (isolamento, problemas financeiros);

● Epidemiologia do suicídio → mulheres tentam mais, porém homens


tem amaior taxa de conclusão do ato;

● Fisiopatologia → envolve o aumento da neurotransmissão


(dopamina, glutamato, noradrenalina e diminuição de serotonina),
neurotrofinas, estresse oxidativo, inflamação e resiliência celular;

● É prevalente em ambos os sexos, com maior incidência de episódios


maníacos em homens e depressivos em mulheres, possui associação
genética (80% homozigose);
● Está envolvida com muitos quadros de piora por conta de manifestações
orgânicas (infecções, estresse, etc);
● Transtornos bipolares → grupo de doenças caracterizado pela
presença de episódios depressivos e maníacos;

● Transtorno bipolar do tipo 1 → caracterizado pela presença de pelo


menos um episódio maníaco ao longo da vida;

● Tal episódio pode ter sido ou não acompanhado por um episódio depressivo
ao longo da vida;
● Transtorno bipolar do tipo 2 → há a presença de pelo menos um
episódio hipomaníaco e um episódio depressivo ao longo da vida;

● Episódio maníaco → três ou mais sintomas por pelo menos uma


semana (auto-estima elevado, grandiosidade, taquilalia, fuga de
ideias, gastos excessivos, erotomania, menos necessidade de sono,
aceleração psicomotora,etc), pode haver necessidade de
internação;

● Episódio hipomaníaco → três ou mais sintomas por pelo menos 4


dias consecutivos (auto-estima elevado, grandiosidade, taquilalia,
fuga de ideias, gastos excessivos, erotomania, menos necessidade
de sono, aceleração psicomotora,etc), não há grande prejuízo social
e não há necessidade de internação;

● Tratamento → estabilizadores de humor, ECT, antidepressivos,


anticonvulsivantes;
● Lítio (1° escolha) → usado na fase aguda ou na fase maníaca ou
depressiva, inibe diretamente duas vias de transdução de sinais e
suprime a sinalização do inositol pela depleção do inositol
intracelular e também inibe a glicogênio sintase quinase-3 (GSK-3);

● Ação lenta, por isso geralmente pode-se associar um antidepressivo no


começo;
● Ácido valpróico → anticonvulsivante, porém exerce efeitos
antimaníacos, avaliar seu uso em mulheres em idade fértil (pode
causar malformação cardíaca), usado em doses mais elevadas;

● Carbamazepina → anticonvulsivante que também atua como


antimaníaco, mais usado no tratamento de mania aguda e terapia
profilática;

● Eletroconvulsoterapia → método mais seguro para gestante;

Livros para estudo:


Tratado de Psiquiatria da Associação Brasileira de Psiquiatria;
Clínica psiquiátrica: as grandes síndromes psiquiátricas, volume 2;

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