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Fenomenologia: Experiência e Subjetividade

A Fenomenologia é uma abordagem filosófica que busca compreender a experiência humana através da subjetividade, desenvolvida por Edmund Husserl e influenciada por Heidegger e outros pensadores. Na psicologia, enfatiza a vivência do indivíduo e a relação com o mundo, utilizando a suspensão fenomenológica para evitar preconceitos e acessar a essência das experiências. Heidegger, por sua vez, introduz conceitos como Dasein e a distinção entre propriedade e impropriedade, ressaltando a importância da autenticidade e da consciência da mortalidade na construção da existência.

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Isabelle Moraes
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Fenomenologia: Experiência e Subjetividade

A Fenomenologia é uma abordagem filosófica que busca compreender a experiência humana através da subjetividade, desenvolvida por Edmund Husserl e influenciada por Heidegger e outros pensadores. Na psicologia, enfatiza a vivência do indivíduo e a relação com o mundo, utilizando a suspensão fenomenológica para evitar preconceitos e acessar a essência das experiências. Heidegger, por sua vez, introduz conceitos como Dasein e a distinção entre propriedade e impropriedade, ressaltando a importância da autenticidade e da consciência da mortalidade na construção da existência.

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A Fenomenologia é uma abordagem filosófica e metodológica que busca descrever e

compreender a experiência humana como ela é vivida, ou seja, a forma como os fenômenos
aparecem à consciência. Ela foi desenvolvida no início do século XX pelo filósofo Edmund
Husserl e influenciou diversas áreas, como a psicologia, a sociologia, a educação e outras
ciências humanas.

Na fenomenologia, o foco não está em explicar os fenômenos de forma causal ou objetiva, mas
em entender como eles se apresentam ao sujeito, considerando sua subjetividade. Isso
significa que o pesquisador ou o observador tenta "suspender" seus julgamentos e
preconceitos (processo chamado de epoché) para acessar a essência da experiência.

Conceitos principais da fenomenologia:

1. Intencionalidade: Toda consciência é consciência de algo. A relação entre o sujeito e o


mundo é sempre mediada por uma intenção, ou seja, um direcionamento da consciência para
os objetos ou experiências.

2. Vivência: Refere-se à experiência subjetiva imediata, ao "como" algo é vivido por uma
pessoa.

3. Essência: A fenomenologia busca encontrar as estruturas essenciais das experiências,


aquilo que é comum e fundamental em diferentes vivências de um mesmo fenômeno.

A Fenomenologia na Psicologia é uma abordagem que valoriza a experiência subjetiva e o


modo como as pessoas vivenciam o mundo. Inspirada nas ideias filosóficas de Edmund
Husserl e desenvolvida posteriormente por pensadores como Heidegger, Sartre e
Merleau-Ponty, ela influenciou significativamente várias correntes da psicologia, especialmente
as que se opõem ao reducionismo das abordagens positivistas e mecanicistas.

Principais características da fenomenologia na psicologia:

1. Foco na experiência vivida: A fenomenologia busca compreender como os fenômenos (como


emoções, pensamentos ou situações) são experienciados pelo indivíduo, partindo da
perspectiva dele. Não se trata de explicar as causas objetivas, mas de descrever o "como" da
vivência.

2. Compreensão da subjetividade: Diferentemente de abordagens que tentam quantificar ou


categorizar as experiências humanas, a fenomenologia se concentra na singularidade da
experiência subjetiva.
3. Relação com o mundo: Influenciada por Heidegger, a psicologia fenomenológica entende o
ser humano como alguém que está sempre em relação com o mundo e com os outros. O
contexto, portanto, é essencial para compreender a experiência.

4. Epoché (suspensão do juízo): Para acessar a essência das experiências, o psicólogo


fenomenológico tenta suspender suas próprias crenças, preconceitos e julgamentos, permitindo
que o fenômeno se revele por si mesmo.

1. Primeiro contato com a Psicologia Fenomenológica


O autor relata sua experiência inicial com a fenomenologia como uma abordagem que evita
modelos teóricos prévios. Em vez disso, busca descrever a experiência humana tal como ela
se apresenta, sem encaixá-la em categorias rígidas.

2. Fenomenologia como atitude ingênua


O conceito de "atitude ingênua" refere-se a uma abertura para perceber os fenômenos sem
filtros teóricos ou preconceitos. A ideia é captar o que se mostra da forma mais direta possível.

3. Crítica à psicanálise
A fenomenologia se opõe à ideia de que o sofrimento humano pode ser reduzido a hipóteses
psicanalíticas, como projeção, transferência e inconsciente. Em vez de interpretar o paciente
com base em teorias fixas, busca compreender sua vivência única.

4. Imediatidade sintética homem-mundo


Na fenomenologia, o ser humano e seu mundo não são separados. A forma como alguém se
sente reflete diretamente no modo como percebe o mundo ao seu redor. Isso questiona a ideia
de que emoções e percepções são apenas "projeções internas".

5. Fenomenologia como coexistência


O ser humano existe sempre em relação com os outros e com o mundo. Sua identidade e
forma de ser não são estáticas, mas se constroem no contato com o ambiente e com outras
pessoas.

6. Fenomenologia e temporalidade
A existência não é um processo linear, mas um acontecimento marcado por rupturas,
mudanças e novas possibilidades. O passado, presente e futuro estão sempre interligados na
maneira como a pessoa se percebe.
7. Atitude de não julgamento
O psicólogo fenomenológico busca compreender o paciente sem classificá-lo ou corrigir seu
comportamento. O foco está em permitir que ele se perceba e encontre sentido em sua
existência, sem impor interpretações externas.

Em resumo, a fenomenologia no contexto clínico propõe uma abordagem mais aberta e


descritiva, priorizando a vivência do paciente e sua relação com o mundo, sem encaixá-lo em
explicações fixas ou diagnósticos rígidos.

*Suspensão Fenomenológica:*

A suspensão fenomenológica, ou epoché, é um conceito central na fenomenologia de Edmund


Husserl. Trata-se de um método de investigação que propõe suspender juízos e crenças
pré-concebidas sobre a realidade para analisar os fenômenos como eles se apresentam à
consciência, de forma pura e direta.

Como funciona a suspensão fenomenológica?

1. Colocar entre parênteses o mundo natural: Não negar a existência da realidade externa, mas
temporariamente deixar de lado qualquer suposição sobre ela.

2. Focar na experiência imediata: Observar os fenômenos como aparecem na consciência, sem


interpretar a partir de teorias ou conhecimentos prévios.

3. Redução fenomenológica: Após a suspensão, o investigador busca a essência do fenômeno,


compreendendo como ele se manifesta subjetivamente.

Aplicações da suspensão fenomenológica

Na psicologia: Ajuda na escuta clínica sem julgamentos prévios, permitindo que o terapeuta
compreenda a vivência do paciente de maneira mais autêntica.

Na pesquisa qualitativa: Evita que o pesquisador imponha suas crenças sobre os dados
coletados, favorecendo uma análise mais aberta.

No cotidiano: Pode ser útil para enxergar situações com mais clareza, sem os filtros de crenças
automáticas.
Martin Heidegger, em sua obra Ser e Tempo (1927), busca responder à questão fundamental
da filosofia: "O que é o Ser?". Para isso, ele propõe uma abordagem fenomenológica
existencial, diferenciando o Ser (Sein) dos entes individuais (Seiendes).

O Ser a partir da Existência

Heidegger introduz o conceito de Dasein, que pode ser traduzido como “ser-aí”. O Dasein é o
ente que questiona o próprio Ser, ou seja, o ser humano. Diferente de objetos ou outros seres
vivos, o Dasein não tem uma essência fixa—ele se define por sua existência, pelo modo como
se compreende e se projeta no mundo.

*O ser Humano é o único que questiona o seu ser, que questiona a sua existência*

Para Heidegger, a existência precede a essência, pois o ser humano não é algo determinado
de antemão, mas se constrói a partir de suas escolhas, ações e relacionamentos com o mundo.
Isso significa que o Ser só pode ser compreendido a partir da existência do Dasein, e não como
uma ideia abstrata ou um conceito fixo.

*Propriedade e Impropriedade*

Na fenomenologia de Martin Heidegger, os conceitos de propriedade (Eigentlichkeit) e


impropriedade (Uneigentlichkeit) estão ligados à sua análise da existência humana (Dasein) em
Ser e Tempo. Esses conceitos não se referem a posse material, mas ao modo como o ser
humano se relaciona com sua própria existência.

Impropriedade (Uneigentlichkeit)

A impropriedade ocorre quando o Dasein vive de maneira inautêntica, alienado de sua própria
singularidade e absorvido pelo mundo cotidiano. Esse estado se caracteriza por:

Viver segundo as expectativas dos outros (das Man, "o impessoal" ou "o eles"), sem uma
reflexão profunda sobre suas próprias possibilidades.

Evitar a angústia existencial, refugiando-se em distrações e rotinas.

Fugir da responsabilidade sobre o próprio ser, deixando-se levar pelo "se faz assim" ou "é
normal agir assim".

Ou seja, a impropriedade é um modo de ser no qual o indivíduo não assume ativamente sua
existência, mas se deixa conduzir pela média social, sem refletir sobre o que realmente quer
ser.
Propriedade (Eigentlichkeit)

A propriedade, por outro lado, ocorre quando o Dasein se apropria de sua existência de
maneira autêntica. Isso significa:

Reconhecer sua finitude, compreendendo que a morte é uma possibilidade sempre presente.

Assumir responsabilidade por suas escolhas, em vez de apenas seguir convenções sociais.

Viver com autenticidade, escolhendo conscientemente quem deseja ser, em vez de apenas
repetir padrões estabelecidos.

O caminho para a propriedade, segundo Heidegger, passa pela angústia (Angst), que revela ao
Dasein a sua liberdade e o coloca diante da necessidade de escolher sua própria existência.

Conclusão

A distinção entre propriedade e impropriedade não é moral, mas existencial. A maioria das
pessoas oscila entre esses dois modos de ser. A impropriedade não é um erro, mas um estado
comum da existência cotidiana. No entanto, a propriedade representa um chamado para viver
de maneira mais genuína e consciente

*Ente e Onto*

Na fenomenologia, os conceitos de "onto" e "ente" estão ligados à questão do ser e à forma


como ele se manifesta na experiência humana. Esses termos são fundamentais na filosofia de
Martin Heidegger, um dos principais pensadores fenomenológicos.

Entendimento dos Conceitos:

Ente: É tudo aquilo que existe, ou seja, qualquer coisa que podemos perceber, pensar ou
nomear. Um ente pode ser uma pessoa, um objeto, uma ideia – qualquer coisa que seja
identificável como existente.

Onto (Ser): O "ser" (ou ontologia) diz respeito àquilo que possibilita a existência dos entes.
Enquanto os entes são "o que" existe, o ser é "o que significa existir". Heidegger destaca essa
diferença ao afirmar que a filosofia tradicional muitas vezes se preocupou apenas com os
entes, sem investigar a fundo o ser.

Na Fenomenologia:
Para a fenomenologia, especialmente na tradição husserliana e heideggeriana, o ser (onto) não
é uma coisa, mas um processo que se revela na experiência vivida.

Heidegger introduz o conceito de Dasein (ser-aí), que é a forma específica de ser do humano,
caracterizada pela consciência de si e pela relação com o mundo.

A fenomenologia busca compreender como os entes aparecem para nós e como atribuímos
sentido a eles a partir da nossa existência e vivência no mundo.

Ou seja, enquanto o ente é tudo o que percebemos como existente, o ser é a estrutura mais
profunda que permite essa existência e sua compreensão.

*Nível Ôntico e Ontológico*

*Nível Ôntico:* Ele fala sobre as características e particularidades empíricas das coisas
existentes.

*Nível Ontológico:* Fale sobre as estruturas mais profundas. O nível ontológico busca
compreender as condições mais profundas que tornam possível a existência e o significado das
coisas.

*Tríplice Abertura do Daisen Ontológico*

*Encontrar-se*

* O fato de alguém se encontrar de uma determinada maneira afetivamente falando. É uma


abertura para os afetos. Heidegger usa o termo "encontrar-se" para descrever o estado afetivo
e emocional do Dasein. Diferente de uma mera reação emocional, o Befindlichkeit revela como
o Dasein está situado no mundo em um dado momento. Isso significa que: O encontrar-se não
é algo que escolhemos ter; ele já está sempre presente na nossa experiência.

Ele nos mostra como estamos afetivamente envolvidos com o mundo antes mesmo de
refletirmos sobre isso racionalmente.

Ele nos coloca diante de nossa própria existência e da maneira como nos relacionamos com os
outros e com o mundo.

*Entender*

O entender é a maneira como o Dasein se projeta no mundo e compreende suas


possibilidades.
O Dasein entende-se sempre a partir de suas possibilidades – ele não apenas "sabe" sobre si
mesmo, mas já está projetado em um futuro possível.

O entender não é um ato puramente racional – ele envolve todo o ser, incluindo emoções
(Befindlichkeit) e ações.

O Dasein nunca entende o mundo de forma neutra – ele sempre interpreta a realidade a partir
de sua própria existência.

*Discurso*

O discurso (Rede) é a articulação do entendimento (Verstehen) em palavras, gestos ou


qualquer outra forma de expressão. Ou seja, quando falamos, não estamos apenas
transmitindo informações, mas manifestando a maneira como compreendemos o mundo e
nossa existência.

O discurso pode ser verbal (falamos sobre algo, explicamos um conceito, contamos uma
história) ou não verbal (expressões faciais, arte, gestos).

Ele não é apenas um meio de comunicação, mas a forma como o Dasein expressa seu
ser-no-mundo.

Toda fala já parte de um pré-entendimento – ninguém fala a partir do "zero", mas sempre dentro
de um contexto de significados que já existem.

*Estruturas do Daisen*

*Ser Com*

é uma das características fundamentais do Dasein, ou seja, do ser humano. Ele indica que o
ser humano nunca existe isolado, mas sempre em relação com os outros.

O Mitsein significa que a existência humana é essencialmente compartilhada. Desde o


nascimento, o Dasein já se encontra em um mundo onde há outros seres humanos, e sua
compreensão de si mesmo passa pela convivência com eles.

Não escolhemos ser-com os outros – essa é uma condição da nossa existência.

A relação com os outros pode ser tanto autêntica (quando reconhecemos nossa individualidade
e a dos outros) quanto inautêntica (quando nos perdemos no "senso comum" e simplesmente
seguimos o que a maioria faz).
*Ser Mortal*

Para Heidegger, a morte não é apenas um evento futuro, mas uma possibilidade sempre
presente que define nossa existência. O Dasein é o único ser que tem consciência da sua
mortalidade e, por isso, precisa lidar com ela ao longo da vida.

A morte não é algo que "acontece no final", mas uma possibilidade que nos acompanha desde
sempre.

Ter consciência da morte pode gerar angústia (Angst), mas também nos leva a assumir nossa
existência de forma mais autêntica.

Muitas vezes, evitamos pensar na morte e nos refugiamos no "senso comum" (Das Man), que
trata a morte como algo abstrato, que só acontece com os outros.

---

Relação com Outros Conceitos Heideggerianos

1. Ser-para-a-Morte e Autenticidade

Quando reconhecemos nossa mortalidade, percebemos que nossa vida tem um limite e que
somos responsáveis por nossas escolhas.

Isso nos ajuda a viver de forma mais autêntica, ou seja, assumindo nossas próprias
possibilidades ao invés de apenas seguir o que a sociedade espera de nós.

2. Ser-para-a-Morte e Angústia (Angst)

A angústia surge quando o Dasein se dá conta de sua finitude e percebe que sua existência
não é fixa, mas cheia de possibilidades.

Diferente do medo (que tem um objeto específico), a angústia não tem um "algo" concreto – ela
revela o nada, ou seja, a possibilidade do fim da existência.

*Preocupação (Sorge)*

O Daisen está sempre envolvido e preocupado com o seu ser e com o mundo ao seu redor.
No nosso Ser existe essa preocupação com a nossa existência e com a existência dos outros.
Essa preocupação constitui a nossa existência, sempre projetado para o futuro, refletindo sobre
as nossas escolhas e nossa existência como o todo.

Estamos sempre conectados com a Temporalidade (preocupados com o passado, presente,


futuro)

*A história dos Desejos*

- O desejo na fenomenologia, diferente da psicanálise que é uma pulsão manifesta no


inconsciente, aqui ele se insere na questão de dar um significado para a existência na
consciência;

- Os desejos são sonhos que desejamos que se realizem, os sonhos podem ser mais simples,
manifestos no cotidiano, como um final de semana na praia, até sonhos mais completos;

- O sonho também revela os nossos medos, sonhos que temos medo de não se realizar, as
vezes medo de sonhar;

- Existem Sonhos que não queremos contar, existe o medo de contar o sonho, pois parece algo
tão nosso, tão particular que se contar, alguém pode tirar esse significado, então não contar
pode ser uma forma de proteger este sonho.

- Dentro dos sonhos geralmente idealizamos demais, dentro disso acabam ocorrendo situações
de desilusão;

- Quando a idealização "cai por Terra" existe uma sensação de vazio, onde muitas vezes
aspectos da existência perdem o sentido, se esvaem;

- *A realização dos nossos sonhos passam por outras pessoas também*, pois o Ser com na
fenomenologia fala sobre a nossa existência passar pela relação com o outro, outras pessoas
fazem parte da realização destes sonhos;

- Quando um sonho perde o sentido ou quando alguém não se encaixa neste sonho, há um
vazio *os sonhos podem ser destruídos de uma hora para a outra*

- Existem pessoas que são raivosas para com os nossos sonhos, isso porque já sonharam e se
frustraram, o sonho foi morto para ela;

- Os nossos sonhos nos fazem sensíveis, nos abrem para o cuidado dos outros, das coisas e
até de nós mesmos ;

- Alguém que não sonha se torna amargo, cético, pois se fechou para essa sensibilidade
existencial que o sonho traz;
- Existem pessoas que esquecem os seus sonhos, desta forma vivem de forma inautêntica, no
piloto automático, pois os sonhos trazem um significado para o nosso Daisen, para a nossa
existência, quando esquecemos os nossos sonhos, perdemos esse sentido e vivemos de forma
automática, o famoso "deixa a vida me levar"

- Para esquecer um sonho, as pessoas vão transformando ele em mentira, algo que não é real;

- *O sonho não é uma mentira*, ele faz parte da nossa verdade, da nossa realidade. Somos
aquilo que sonhamos

- "Se o sonho é uma mentira, a nossa existência acaba se tornando uma mentira, pois somos
aquilo que sonhamos"

- Os sonhos morrem, mas a força deles não;

- *Os sonhos perdidos não foram esquecidos, eles alimentam as raízes dos sonhos novos que
surgem*

- Existem os *teimosos* que mesmo com as desilusões, seguem sonhando, este é o exemplo
que devemos seguir. Seguir sonhando, pois os sonhos trazem sentido a nossa existência,
fazem com que vivamos de forma autêntica.

*Fenomenologia Revisão*

- Huseal Faz um estudo da consciência, buscando estudar os fenômenos a partir da


consciência;

- A Fenomenologia diz que não é possível estudar o Ser Humano a partir das ciências naturais,
pois independentemente das circunstâncias, as coisas existem dentro da nossa consciência,
porém os significados são diferentes de acordo com a subjetividade de cada um, mas elas
estão na nossa consciência;
*Exemplo: Uma cadeira, podemos descrever o objeto, mas dentro da consciência ela tem um
significado para nós, se levamos uma cadeirada ela pode representar medo, se estamos
cansados por termos passado o dia todo em pé, ela vai ter um significado para nós*

A Fenomenologia não nasce como uma abordagem psicológica, mas ela nasce como um
*método de pesquisa* que busca estudar os fenômenos da forma que são vividos de acordo
com a subjetividade de cada sujeito;

*Intencionalidade da Consciência*

- A consciência está sempre voltada para algo;


- A Intencionalidade da consciência diz que ela sempre está voltada para algo, a consciência
não é neutra, mas movimentada, voltada para algo;

*Epoche*

- A époche na Fenomenologia é um conceito criado por Edmund Husserl e significa uma


espécie de "suspensão do juízo". Basicamente, é o ato de *colocar entre parênteses tudo
aquilo que já acreditamos sobre o mundo para enxergá-lo de uma maneira mais pura e direta.*

Imagine que você está olhando para uma árvore. Normalmente, você já traz consigo várias
ideias sobre o que é uma árvore: que ela cresce, tem folhas, pode dar frutos, etc. A époche
propõe que você tente deixar de lado esses conceitos pré-concebidos e apenas perceba a
árvore como ela se apresenta para você no momento.

Isso é essencial para a Fenomenologia porque permite estudar os fenômenos como eles
realmente aparecem na nossa consciência, sem filtros ou julgamentos prévios. Em outras
palavras, a époche nos ajuda a enxergar o mundo de forma mais autêntica, sem deixar que
nossas crenças e experiências anteriores distorçam essa percepção.

*A epoche não nega a realidade, apenas coloca ela entre parênteses para se atentar ao
fenômeno de forma mais autêntica*

*Redução Fenomenológica*

A redução fenomenológica é um exercício de foco na experiência pura, deixando de lado


qualquer suposição sobre a existência real das coisas.

Exemplo 1: Xícara de Café

Imagine que você tem uma xícara de café na sua frente. No dia a dia, você automaticamente
pensa:

“Isso é uma xícara.”

“Ela é feita de cerâmica.”

“Tem café dentro.”

Na redução fenomenológica, você tenta ignorar tudo isso. Você não se pergunta se a xícara
realmente existe no mundo físico. Em vez disso, você apenas se concentra em como ela
aparece para você:
O formato arredondado que você vê.

A cor do café.

O aroma que sente.

A temperatura que percebe ao tocá-la.

Ou seja, em vez de pensar na xícara como um objeto concreto no mundo, você apenas
observa como ela se manifesta na sua consciência, sem assumir nada além da experiência
direta.

Exemplo 2: Sonho

Imagine que você está sonhando com uma praia. Enquanto sonha, tudo parece real: o mar, a
areia, o som das ondas. Mas, ao acordar, você percebe que aquela praia não existia no mundo
real, apenas na sua consciência.

A redução fenomenológica foca exatamente nisso: não importa se algo existe ou não no mundo
externo, o que importa é como ele aparece para a nossa consciência.

Resumindo: a redução fenomenológica ajuda a estudar os fenômenos da experiência como


eles são vividos, sem se preocupar com a existência objetiva das coisas. É uma forma de
enxergar o mundo sem filtros ou crenças prévias.

*Heidegger*

*Daisen:* Significa "Ser aí" que é algo característico do Ser Humano, é um ser que questiona o
sentido da sua existência. Ele vai além do "ente" que é algo que existe, além de existir, o
Daisen se caracteriza por sua capacidade de *questionar* e *compreender* sua própria
existência.

*Nível Ôntico (Superficial, Factual)*

Está ligado aos seres concretos, ou seja, às coisas que existem no mundo.

Pergunta "O que é essa coisa?" e se preocupa com suas características específicas.

*Exemplo: Um psicólogo estudando o comportamento de uma pessoa deprimida está no nível


ôntico, pois foca nos sintomas, na história da pessoa, no diagnóstico.*
*Nível Ontológico (Profundo, Essência do Ser)*

Investiga o próprio significado do ser, indo além da simples existência das coisas.

Pergunta "O que significa ser?" ou "O que é a existência?"

*Exemplo: Em vez de estudar só os sintomas da depressão, um fenomenólogo pode se


perguntar "O que é a experiência de estar deprimido?", investigando como a depressão se
manifesta na consciência da pessoa.*

Resumindo:

O ôntico estuda os seres individuais e concretos (exemplo: uma árvore, uma pessoa, uma
doença).

O ontológico investiga o sentido da existência desses seres (exemplo: o que significa "ser uma
árvore", "ser humano", "estar doente").

Husserl e Heidegger exploraram muito essa diferença, sendo que Heidegger, por exemplo,
focava mais no nível ontológico com sua pergunta fundamental: "O que é o ser?”

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