FACULDADE DE DIREITO
CURSO DE LICENCIATURA EM DIREITO
MÓDULO DE DIREITOS REAIS
TRABALHO DE CAMPO
Nome:Amina da Fania Joaquim Nhiga
Código do Estudante:11230474
Beira, Março de 2025
UNIVERSIDADE ABERTA UNISCED
FACULDADE DE DIREITO
CURSO DE LICENCIATURA EM DIREITO
Tema:Caso Prático
Trabalho de Campo de Direitos Reais a Ser
Submetido na Coordenação do Curso de
Licenciatura em Direito da UNISCED
Beira, Março de 2025
RESOLUÇÃO
a) Quem adquiriu a posse e de que modo?
A posse é o exercício de fato de um direito sobre a coisa, independentemente da legitimidade dessa
posse. Neste caso, B tem a posse do prédio rústico desde 1998, e alega que o cultivava como se fosse
seu, além de ter "emprestado" o prédio a C entre 2000 e 2014. Considerando os factos, B parece ter
exercido a posse do imóvel de forma contínua, pacífica e pública. A posse adquirida por B, portanto,
é uma posse "adversa" ou não legítima, pois B não tinha título de propriedade sobre o imóvel, mas sim
um exercício de fato do direito de posse.
Em 2013, A regressa à aldeia natal e vende o imóvel a C, que passa a ter a posse do prédio com
base num contrato de compra e venda.
Portanto:
B adquiriu a posse através de uma posse prolongada, contínua e sem oposição, ou seja, por usucapião.
C adquiriu a posse a partir de 2013, por meio de compra e venda com A, que é o proprietário
legítimo do imóvel.
b) Pode B intentar uma ação de reivindicação contra C se este se recusar à entrega do imóvel na data
acordada?
A ação de reivindicação é a ação através da qual o proprietário legítimo de um bem busca reavê-lo
da pessoa que o detém sem direito, isto é, uma ação para reivindicar a posse do bem. Neste caso, A é
o proprietário legítimo do imóvel, e C adquiriu o bem de A por contrato de compra e venda. Se C
recusar a entrega do imóvel a B, a ação que B poderia intentar seria uma ação de reintegração na
posse, não uma ação de reivindicação, pois B não é o proprietário, apenas detém a posse.
B pode tentar reaver a posse do imóvel com base na ideia de que foi o possuidor de longa data, mas
não pode intentar uma ação de reivindicação contra C, porque C é o atual proprietário legítimo. A
reivindicação de B contra C poderia ser feita se B fosse o legítimo proprietário, mas neste caso, B não
tem base legal para tal ação.
c) A quer saber se pode reagir.
A, como proprietário legítimo, tem o direito de reagir à situação de perda de posse do imóvel,
sobretudo considerando que o vendeu a C em 2013. A pode agir de diversas formas:
✓Reagir à venda feita por C a B em 1995: A situação em que B foi convencido por C de que ele era
o proprietário e que então celebrou um contrato de compra e venda com C, é um exemplo de um
possível vício de consentimento ou erro. Caso A prove que foi fraudado, ele pode recorrer à ação de
nulidade do contrato ou de anulação da venda. Contudo, isso dependeria de A demonstrar que não
tinha conhecimento dessa situação e que C agiu de forma desonesta.
✓Em relação a B, após a venda a C: A não pode contestar a venda a C, uma vez que vendeu o imóvel
de boa-fé, sendo a venda legal. A pode, no entanto, verificar se o contrato celebrado entre C e B em
1995 tem algum vício ou ilegalidade. Caso tenha ocorrido algum vício na posse ou fraude, poderia
buscar a nulidade ou reparação do contrato.
Conclusão.
a) B adquiriu a posse por meio de usucapião, e C adquiriu a posse a partir de 2013 com a compra e
venda.
b) B não pode intentar uma ação de reivindicação contra C, pois C é o proprietário legítimo do imóvel.
c) A pode reagir à venda se provar que houve erro ou fraude na transação entre B e C, mas não pode
contestar a venda que fez a C.