UNIVERSIDADE LICUNGO
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
LICENCIATURA EM ENSINO DE GEOGRAFIA COM HABILITAÇÕES EM
TURISMO
1ºAno/L
CEJINOCA FERNANDO
FANY MIZE
NELO AFONSO ADAMUGE
WILSON ERNSETO FRENQUE
PROPRIEDADES INDIVIDUAIS DA PERSONALIDADE
Quelimane
2025
CEJINOCA FERNANDO
FANY MIZE
NELO AFONSO ADAMUGE
WILSON ERNSETO FRENQUE
PROPRIEDADES INDIVIDUAIS DA PERSONALIDADE
Trabalho de caracter avaliativo a ser entregue na
cadeira de Psicologia Geral, recomendado pela
docente: Dra. Ana Beatriz J. Raul
Quelimane
2025
Índice
1 Introdução ..................................................................................................................................... 4
1.1 Objectivo geral: ......................................................................................................................... 4
1.2 Objectivos específicos: .............................................................................................................. 4
1.3 Metodologia ............................................................................................................................... 4
2 Conceito e natureza da personalidade .......................................................................................... 5
2.1 Factores ou dimensões da personalidade ................................................................................... 6
2.1.1 Neuroticismo ou equilíbrio emocional ................................................................................... 6
2.1.2 Extroversão ............................................................................................................................. 6
2.1.3 A Abertura à experiência ........................................................................................................ 6
2.1.4 Amabilidade ou socialização .................................................................................................. 6
2.1.5 Conscienciosidade/realização ou escrupulosidade ................................................................ 7
3 Abordagem Psicanalítica: Freud e a Estrutura da Personalidade ................................................. 7
3.1 Id ................................................................................................................................................ 7
3.2 Ego ............................................................................................................................................. 7
3.3 Superego .................................................................................................................................... 8
4. Perspectiva biológica e genética da personalidade ...................................................................... 8
5 Personalidade como construção histórico-social .......................................................................... 9
6 Personalidade moral, ética e jurídica .......................................................................................... 10
6.1 Personalidade moral ................................................................................................................ 11
6.2 Personalidade ética .................................................................................................................. 11
6.3 Personalidade jurídica.............................................................................................................. 12
7 Conclusão ................................................................................................................................... 13
8 Referências bibliográficas .......................................................................................................... 14
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1 Introdução
Personalidade é o conjunto de características psicológicas que determinam os padrões de
pensar, sentir e agir, ou seja, a individualidade pessoal e social de alguém. A formação da
personalidade é processo gradual, complexo e único a cada indivíduo. O termo é usado em
linguagem comum com o sentido de "conjunto das características marcantes de uma pessoa", de
forma que se pode dizer que uma pessoa "não tem personalidade"; esse uso, no entanto leva em
conta um conceito do senso comum e não o conceito científico aqui tratado (Carver e Scheier,
2000). Ela representa o conjunto de características que tornam cada indivíduo único, influenciando
sua forma de pensar, sentir, agir e interagir com o meio. Essa individualidade se manifesta em
traços comportamentais relativamente estáveis ao longo do tempo, mas que não são imutáveis,
pois sofrem interferência de múltiplos fatores (Thomas & Castro, 2012).
1.1 Objectivo geral:
Analisar as propriedades individuais da personalidade a partir de diferentes perspectivas
teóricas
1.2 Objectivos específicos:
Compreender os principais conceitos e estruturas da personalidade nas abordagens
psicanalítica, analítica, biológica e histórico-social;
Investigar o papel da genética e do ambiente no desenvolvimento da personalidade;
Refletir sobre a constituição da personalidade moral e ética;
Relacionar os diferentes fatores que contribuem para a construção da individualidade e da
identidade pessoal;
1.3 Metodologia
Para elaboração deste trabalho, usou-se o método de pesquisa bibliográfica. A pesquisa
bibliográfica é um método de investigação baseado na análise de materiais já publicados, como
livros, artigos científicos, teses, dissertações, leis, entre outros documentos. Ela tem como objetivo
reunir, selecionar e interpretar conhecimentos já disponíveis sobre determinado tema, permitindo
a construção teórica e a fundamentação de novos trabalhos acadêmicos.
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2 Conceito e natureza da personalidade
A personalidade é um dos conceitos centrais da psicologia e refere-se ao conjunto de
características psicológicas duradouras que determinam os padrões consistentes de
comportamento, pensamento e sentimento de um indivíduo. É o conjunto integrado de traços
psíquicos, consistindo no total das características individuais, em sua relação com o meio,
incluindo todos os fatores físicos, biológicos, psíquicos e socioculturais de sua formação, julgando
tendências inatas e experiências adquiridas no curso de sua existência (Freud, 1976). Essas
características distinguem uma pessoa das demais e influenciam a forma como ela interage com o
mundo e com as outras pessoas. A personalidade não é apenas um traço fixo, mas um processo
dinâmico que se desenvolve e se transforma ao longo da vida (Carver e Scheier, 2000).
Segundo Carver e Scheier (2000), personalidade é uma organização interna e dinâmica dos
sistemas psicofísicos que criam os padrões de comportar-se, de pensar e de sentir característicos
de uma pessoa. Essa definição enfatiza dois aspectos fundamentais: primeiro, que a personalidade
é composta por uma organização interna ou seja, não é aleatória, mas estruturada e, segundo, que
ela é dinâmica, sujeita a mudanças e desenvolvimento ao longo do tempo. Isso significa que,
embora haja estabilidade nos traços da personalidade, o ambiente, as experiências e os contextos
sociais podem influenciar esse sistema.
De acordo com Comar, a personalidade é um processo gradual e único, moldado por uma
variedade de fatores que vão desde a herança genética até as influências culturais, sociais e
emocionais. A autora argumenta que a forma como um indivíduo percebe, pensa, sente e age está
diretamente relacionada a essas influências múltiplas, tornando a personalidade uma construção
complexa e singular. Para ela, não é adequado limitar o conceito de personalidade ao senso comum,
como se fosse apenas uma questão de ser “extrovertido” ou “tímido”; é, na verdade, uma estrutura
ampla que abrange emoções, crenças, atitudes, motivações e percepções (Carver e Scheier, 2000).
E importante salientar que a personalidade também pode ser analisada em termos de traços.
Os modelos baseados em traços, como o modelo dos Cinco Grandes Fatores (Big Five), propõem
que a personalidade humana pode ser descrita a partir de dimensões amplas como abertura à
experiência, conscienciosidade, extroversão, agradabilidade e neuroticismo. Esses traços ajudam
a prever comportamentos em diferentes contextos e a compreender as diferenças individuais entre
as pessoas (McCrae & Costa, 1997).
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2.1 Factores ou dimensões da personalidade
2.1.1 Neuroticismo ou equilíbrio emocional
O Neuroticismo ou Equilíbrio emocional relaciona-se com a tendência que o indivíduo
pode apresentar para experimentar estados emocionais negativos, e com o nível crônico de
ajustamento e instabilidade emocional do indivíduo, tendendo a encarar o mundo de forma
negativa. Os indivíduos que apresentam valores elevados nesta dimensão são propensos a
vivenciar sofrimento emocional, a apresentar caraterísticas tais como ansiedade, baixa
hospitalidade, depressão, sentindo-se menos à vontade ao pé dos outros, sendo mais impulsivos e
entrando facilmente em pânico, tornando-se facilmente dependentes; já valores mais baixos
caraterizam indivíduos menos ansiosos e estáveis emocionalmente (Thomas & Castro, 2012).
2.1.2 Extroversão
A Extroversão apresenta-se como uma dimensão relacionada com a afetividade positiva e
com a sociabilidade, indicando como as pessoas interagem com as demais, e o quanto são
comunicativas, ativas e assertivas. Os indivíduos que obtenham pontuações mais elevadas nesta
dimensão apresentam tendência a sentirem-se bem consigo mesmos, tendendo a ser mais afetuosos,
sociáveis, mais assertivos, mais ativos, aceitando novos riscos, amistosos e propensos a
experienciar emoções positivas (Thomas & Castro, 2012).
2.1.3 A Abertura à experiência
A Abertura à Experiência prende-se com a tendência apresentada pelo indivíduo para
procurar novas atividades ou, pelo contrário, apresentar um leque limitado de interesses,
prendendo-se assim com comportamentos exploratórios e com a importância atribuída a novas
experiências. Os indivíduos com pontuações mais elevadas apresentam-se mais criativos,
valorizam a beleza, valorizam os próprios sentimentos, gostam de estar em ação, são curiosos e
apresentam uma capacidade para reavaliar os valores sociais (Thomas & Castro, 2012).
2.1.4 Amabilidade ou socialização
A Amabilidade ou Socialização refere-se à facilidade, ou não, que o indivíduo demonstra
para o relacionamento com os outros, ou seja, à qualidade das relações. Valores elevados nesta
dimensão refletem indivíduos frontais e sinceros ao lidar com os outros, generosos, empáticos,
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preocupados com os outros, e que aceitam a opinião dos outros, sendo simpáticos e guiados pelos
sentimentos (Thomas & Castro, 2012).
2.1.5 Conscienciosidade/realização ou escrupulosidade
A Conscienciosidade/Realização ou Escrupulosidade prende-se com o grau de
escrupulosidade, organização, perseverança e controlo. Os indivíduos que obtenham pontuações
mais elevadas nesta dimensão sentem-se capazes de lidar com a vida, são organizados, confiáveis,
trabalhadores, decididos, obedecem a normas e padrões de comportamento, são motivados em
função de um objetivo e apresentam cautela e ponderação nos seus pensamentos (Thomas & Castro,
2012).
3 Abordagem Psicanalítica: Freud e a Estrutura da Personalidade
A teoria psicanalítica desenvolvida por Sigmund Freud no final do século XIX e início do
século XX revolucionou a compreensão do funcionamento psíquico e da formação da
personalidade. A proposta de Freud não apenas inaugurou uma nova forma de pensar a mente
humana, mas também introduziu conceitos que ainda hoje são essenciais no campo da psicologia.
A estrutura da personalidade, segundo o modelo freudiano, é composta por três instâncias: o Id, o
Ego e o Superego, que actuam de maneira dinâmica e interdependente (Thomas & Castro, 2012).
3.1 Id
O Id representa a parte instintiva e inconsciente da mente. É a fonte dos impulsos
primitivos, dos desejos sexuais e agressivos, regido pelo princípio do prazer, ou seja, pela busca
de satisfação imediata sem considerar as consequências (Freud, 1976). Ele está presente desde o
nascimento e atua de forma automática e irracional. O Id é composto por conteúdos inconscientes,
e sua função básica é reduzir tensões por meio da gratificação dos instintos.
3.2 Ego
O Ego, por sua vez, surge como uma instância mediadora entre os impulsos do Id, as
exigências da realidade e os valores do Superego. Ele atua sob o princípio da realidade, buscando
satisfazer os desejos do Id de forma socialmente aceitável e segura. O Ego é responsável por
funções importantes como o julgamento, a memória, a percepção e o pensamento racional
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(Freud,1976). Trata-se, portanto, da parte mais consciente da personalidade, embora inclua
também aspectos inconscientes.
3.3 Superego
Já o Superego constitui a internalização das normas, valores e ideais morais transmitidos
pelos pais e pela sociedade. Atua como uma espécie de juiz ou censor moral, influenciando o
comportamento através de sentimentos de culpa, vergonha e orgulho. Freud (1976) destaca que o
Superego desenvolve-se a partir do complexo de Édipo e é fortemente influenciado pela cultura e
pelos padrões sociais
Essas três instâncias psíquicas interagem de forma contínua e, muitas vezes, conflitiva. Por
exemplo, um desejo inconsciente gerado pelo Id pode ser inaceitável para o Superego, o que exige
que o Ego tome decisões para manter o equilíbrio interno e externo do sujeito. Quando esse
equilíbrio é ameaçado, o Ego pode lançar mão de mecanismos de defesa, como a repressão, a
negação ou a projeção, que ajudam a manter o conteúdo ameaçador longe da consciência (Freud,
1996).
De acordo com Freud (1976), essa visão da personalidade como um sistema composto por
forças inconscientes, conscientes e morais que estão em constante negociação revela a
complexidade do comportamento humano. Para a autora, compreender a dinâmica entre Id, Ego e
Superego é fundamental para entender não apenas os conflitos internos que o indivíduo vivencia,
mas também a formação de traços duradouros da personalidade.
Além disso, Freud propôs que o desenvolvimento da personalidade está diretamente
relacionado às fases do desenvolvimento psicossexual: oral, anal, fálica, latência e genital. Cada
fase corresponde a uma etapa da infância onde a libido está concentrada em uma zona erógena
específica, e os conflitos não resolvidos nessas fases podem gerar fixações e influenciar a
personalidade adulta (Freud, 1996).
4. Perspectiva biológica e genética da personalidade
A personalidade, além de ser influenciada por factores psicológicos e sociais, também é
moldada por aspectos biológicos e genéticos. A abordagem biológica considera que diferenças
individuais nos traços de personalidade têm, em grande parte, uma base herdada geneticamente,
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embora não exclusiva. A genética do comportamento é o campo da ciência responsável por
investigar como os genes influenciam características comportamentais e psicológicas, e os avanços
nas últimas décadas têm proporcionado descobertas significativas nesse sentido (Harris, 2006).
De acordo com Harris (2006), cerca de 40% a 60% da personalidade humana pode ser
explicada por fatores genéticos. Essa estimativa é baseada em estudos com gêmeos monozigóticos
e dizigóticos, adotados e familiares, que demonstram níveis significativos de herdabilidade para
traços como extroversão, neuroticismo, agressividade e impulsividade. Harris argumenta ainda
que, ao contrário do que muitos pensavam, os pais têm menos influência sobre a personalidade
dos filhos do que o grupo de pares e o temperamento biológico inato.
Comar destaca que os genes influenciam características como tendência à depressão,
agressividade, orientação sexual e até mesmo traços como otimismo e timidez. No entanto, esses
genes não determinam diretamente o comportamento, mas sim oferecem uma predisposição, cuja
manifestação dependerá da interação com o ambiente e das experiências vividas. Isso nos leva à
compreensão de que a personalidade resulta de uma relação contínua entre genética e ambiente, o
que caracteriza a abordagem epigenética.
Dessa forma, a perspectiva biológica e genética da personalidade não ignora o papel do
ambiente, mas busca demonstrar que existe uma base estrutural, herdada e física, que condiciona
mas não determina as formas como os indivíduos agem, sentem e pensam. O comportamento
humano, nesse contexto, é entendido como produto de um sistema de probabilidades biológicas
que se manifesta diferentemente a depender do ambiente e das experiências vividas por cada
sujeito (Harris, 2006).
5 Personalidade como construção histórico-social
A concepção da personalidade como uma construção histórico-social surge em
contraposição às abordagens essencialistas e deterministas, que tentam explicar os traços de
personalidade apenas a partir de fatores inatos ou intrapsíquicos. Essa perspectiva entende que o
sujeito é resultado direto das relações sociais, culturais, políticas e econômicas nas quais está
inserido, sendo a personalidade um reflexo das condições históricas e dos processos de interação
social vivenciados pelo indivíduo ao longo da vida.
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Coelho e Coelho (2016) afirmam que a personalidade deve ser compreendida como a forma
concreta pela qual o ser humano se relaciona com o mundo e com os outros. Para os autores, a
ciência da personalidade é a ciência da vida real dos indivíduos, pela qual constroem uma maneira
particular de funcionamento. Ou seja, a personalidade não é algo estático, nem tampouco nasce
pronta. Ela é construída na prática cotidiana, nas escolhas feitas em contextos sociais específicos,
e em resposta às condições objetivas da existência.
De acordo com Martin (2009), a personalidade é constituída pela indissolúvel unidade entre
o indivíduo e o gênero humano. Essa formulação amplia a visão de sujeito ao situá-lo no processo
histórico e social de forma dialética. Segundo a autora, a singularidade de cada pessoa não é algo
que existe à parte da sociedade, mas é justamente através da relação com o coletivo que o indivíduo
se constitui como sujeito. Assim, a personalidade é uma síntese entre o que é social e o que é
individual, entre o que é vivido e o que é internalizado.
Essa abordagem crítica se afasta das interpretações reducionistas que buscam explicar a
personalidade exclusivamente a partir de estruturas internas ou de predisposições genéticas.
Embora não negue a existência de fatores biológicos ou psicológicos, essa visão entende que eles
só ganham sentido no contexto de relações sociais determinadas. Por exemplo, traços como
timidez, agressividade ou solidariedade podem ter origens em disposições internas, mas se
expressam e se consolidam conforme os papéis sociais, as normas culturais e as experiências
concretas que a pessoa vivencia.
Martin (2009) argumenta que o sujeito é, ao mesmo tempo, produto e produtor da realidade
social. Isso significa que, embora seja condicionado por estruturas sociais como classe, gênero,
etnia, religião e cultura, ele também exerce um papel ativo na reprodução ou transformação dessas
estruturas por meio de suas ações, escolhas e interações. Assim, a personalidade é construída no
interior dessa tensão entre sujeição e autonomia, entre condicionamento e liberdade.
6 Personalidade moral, ética e jurídica
Além das abordagens psicológicas, biológicas e sociais, a personalidade também pode ser
analisada sob perspectivas normativas, especialmente nas dimensões moral, ética e jurídica. Cada
uma dessas dimensões oferece uma forma distinta de compreender como o ser humano se relaciona
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com os valores, as regras sociais e os sistemas legais, contribuindo significativamente para a
formação da identidade e da conduta individual.
6.1 Personalidade moral
A personalidade moral refere-se à capacidade do indivíduo de agir com base em valores
internalizados, refletindo sobre o certo e o errado, e tomando decisões éticas diante de dilemas
cotidianos. Para Puig (1998), a educação moral é uma tarefa destinada a dar forma moral à própria
identidade humana, por meio de um trabalho de reflexão e ação que parte das circunstâncias que
cada sujeito encontra no seu dia a dia. Essa definição reconhece que a moralidade não é algo que
se impõe externamente, mas que se constrói internamente, em constante diálogo com o contexto
em que o indivíduo está inserido.
A formação da personalidade moral está diretamente relacionada ao processo educativo.
Puig (1998) afirma que a moralidade se desenvolve à medida que a criança aprende a resolver
conflitos sociais e afetivos de forma autônoma, com base em princípios e não em regras rígidas
impostas. A escola, nesse sentido, desempenha um papel fundamental como espaço de socialização
e construção de valores, pois oferece oportunidades para a vivência de situações que exigem
escolhas morais.
6.2 Personalidade ética
A personalidade ética, embora próxima da moral, está ligada à capacidade do indivíduo de
agir com consciência e responsabilidade diante de si mesmo e dos outros, levando em consideração
a afetividade e a convivência social. Segundo Gomide (2006), formar pessoas éticas exige mais do
que regras; exige escuta, afeto e valorização da experiência do sujeito como agente de suas
decisões. A ética, nesse sentido, está relacionada à vivência de valores internalizados que orientam
o comportamento, mesmo na ausência de controlo externo.
O desenvolvimento da personalidade ética também ocorre por estágios, desde os afetos
elementares até os sentimentos normativos e ideais, como aponta Gomide (2006). Esses estágios
envolvem desde as reações básicas de agrado e rejeição, passando pela empatia e pela construção
da vontade moral, até chegar à formação de princípios éticos autônomos, como a solidariedade, a
justiça e o respeito mútuo.
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Dessa forma, a personalidade ética se manifesta não apenas no cumprimento de normas
sociais, mas principalmente na capacidade de refletir sobre elas, questioná-las quando necessário
e agir de forma coerente com os próprios valores, mesmo sob pressão ou em situações adversas.
A ética, portanto, é uma expressão da liberdade responsável e da maturidade moral.
6.3 Personalidade jurídica
Já a personalidade jurídica refere-se ao reconhecimento legal do indivíduo como sujeito de
direitos e deveres perante a ordem jurídica. No Brasil, esse reconhecimento se dá a partir do
nascimento com vida, conforme o artigo 2º do Código Civil: A personalidade civil da pessoa
começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro
(Brasil, 2002, art. 2º).
Coelho e Coelho (2016) explicam que, na esfera jurídica, a personalidade é um atributo
essencial do ser humano, pois confere a ele a aptidão para participar das relações civis e legais. Há
dois tipos principais de personalidade jurídica: a pessoa natural, que corresponde ao indivíduo
humano, e a pessoa jurídica, que refere-se às entidades coletivas como empresas, associações e
instituições que possuem representação legal.
A doutrina jurídica apresenta diferentes teorias para explicar a natureza da personalidade
jurídica, entre elas a teoria da ficção, a teoria da realidade técnica e a teoria do organismo social.
A mais aceita atualmente é a teoria da realidade técnica, segundo a qual a personalidade jurídica é
um reconhecimento do Estado de que determinado ente coletivo pode ser titular de direitos e
obrigações, com base em sua função social e legal (Coelho & Coelho, 2016).
A personalidade jurídica, portanto, embora distinta da personalidade moral e ética, também
faz parte da identidade do indivíduo em sociedade, pois garante a ele o acesso à justiça, à cidadania,
à educação, à saúde, ao trabalho e a todos os demais direitos fundamentais previstos na
Constituição e na legislação vigente.
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7 Conclusão
Personalidade é o conjunto de características que definem o indivíduo. Cada pessoa tem a
sua, mesmo que as pessoas sejam criadas em circunstâncias semelhantes. Isto acontece porque
cada um vai reagir de forma bem particular aos estímulos que chegam, já que cada um possui um
temperamento que predispõe a forma como vai receber as informações. O estudo das propriedades
individuais da personalidade revela a complexidade do ser humano e sua constituição enquanto
sujeito activo na vida em sociedade. A personalidade não é um fenômeno isolado nem determinado
por uma única variável, mas sim o resultado de uma interação dinâmica entre fatores biológicos,
psíquicos, sociais, históricos, éticos e legais. No senso comum o termo personalidade é usado para
descrever características marcantes de uma pessoa, como “essa pessoa é extrovertida ou aquela
menina é tímida” e etc, porém o conceito de personalidade está relacionado as mudanças de
habilidades, atitudes, crenças, emoções, desejos, e ao modo constante e particular do indivíduo
perceber, pensar, sentir e agir, além da interferência de fatores culturais e sociais nessas
características. A partir da abordagem psicanalítica, observamos que a personalidade é formada
pelas tensões entre as instâncias do Id, Ego e Superego, em constante luta pela adaptação e
equilíbrio interno. A psicologia analítica de Jung, por sua vez, ampliou essa visão ao incorporar os
arquétipos do inconsciente coletivo e o processo de individuação, valorizando a dimensão
simbólica e espiritual da constituição.
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8 Referências bibliográficas
Brasil. (2002). Código Civil Brasileiro. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002.
Carver, C. S., & Scheier, M. F. (2000). Perspectives on personality (4ª ed.). Boston: Allyn & Bacon.
Coelho, L. L., & Coelho, L. L. (2016). Personalidade. In F. Barros (Org.), Revista de Iniciação
Científica - Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba.
Comar, S. E. (s.d.). Psicologia da personalidade. InfoEscola. Recuperado de
[Link]
Freud, S. (1976). O ego e o id (J. Salomão, Trad.). Rio de Janeiro: Imago.
Freud, S. (1996). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (J. Salomão, Trad.). Rio de Janeiro:
Imago. (Original publicado em 1905)
Freud, A. (1996). O ego e os mecanismos de defesa (4ª ed.). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira
Gomide, V. (2006). A formação da personalidade ética. Campinas: Mercado de Letras.
Harris, J. R. (2006). No two alike: Human nature and human individuality. New York: Free Press.
Jung, C. G. (1961). Memórias, sonhos, reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
Martin, L. (2009). A natureza histórico-social da personalidade. Cadernos CEDES.
McCrae, R. R., & Costa, P. T. (1997). Personality trait structure as a human universal. American
Psychologist, 52(5), 509–516. [Link]
Puig, J. M. (1998). A construção da personalidade moral. São Paulo: Ática.
Thomas, C., & Castro, E. (2012). Personalidade, comportamentos da saúde e adesão ao
tratamento a partir do modelo dos cinco grandes factores: uma revisão da literatura.