Introdução
O estômago é um órgão muito importante no processo de digestão dos alimentos. Ele se
assemelha a uma bolsa com dois orifícios fechados por músculos que se abrem
periodicamente para dar passagem aos alimentos e se fecham em seguida. Esse “abrir e
fechar” são as contrações que empurram o alimento e fazem a pré-digestão a fim de
seguirem para o intestino, onde serão absorvidos. Por isso, os hábitos alimentares têm
ligação direta com a saúde e bom funcionamento do nosso estômago. Hábitos como
comer rápido demais, tomar líquidos com a refeição, fazer jejum prolongado, comer
grandes quantidades de comida de uma só vez, abusar do café, do refrigerante, do açúcar,
do álcool e da fritura, somados ao estresse mental ou emocional são, muitas vezes, os
principais fatores que prejudicam o funcionamento estomacal.
A gastrite é uma condição inflamatória que afeta a mucosa gástrica, podendo causar desde
desconfortos leves até complicações graves, como úlceras e câncer gástrico. Ela pode ser
causada por uma variedade de fatores, como infecções bacterianas, uso prolongado de
medicamentos e maus hábitos alimentares. Este trabalho abordará de maneira abrangente
os diferentes tipos de gastrite, suas causas, sintomas, diagnóstico, tratamentos e
prevenção, com base em pesquisas científicas recentes.
O termo gastrite foi usado pela primeira vez por Sthal em 1728. Vale salientar que, apesar
da evolução tecnológica ocorrida, ainda não existe um conhecimento completo desta
afecção. Exactamente por não ter um agente etiológico definido, muitas denominações
foram utilizadas, resultando sempre em grande dificuldade na interpretação dos dados da
literatura. Às vezes, situações emocionais de conflito, de depressão ou angústia com
manifestações digestivas eram referidas como “gastrite nervosa”. O diagnóstico de
gastrite deve ficar restrito aos casos em que coexistem lesão celular, processo
regenerativo e infiltração inflamatória com folículos linfoides na mucosa gástrica.
Os microrganismos gástricos são observados há aproximadamente um século. Entretanto,
sua associação com doenças gástricas só foi reconhecida em meados da década de 80,
quando Marshall e Warren identificaram e submeteram à cultura a bactéria gástrica
Campylobacterpyloridis, atualmente conhecida como Helicobacterpylori. Este é
considerado um dos agentes de infecção crônica mais comuns em seres humanos, estando
presente em cerca de metade da população mundial e, por isso, tornou-se importante
objeto de estudo. Trata-se de uma bactéria flagelada, gram-negativa, de forma espiralada,
capaz de colonizar a mucosa gástrica, provocando reações inflamatórias e imunológicas.
Essa bactéria é bioquimicamente caracterizada por ser urease dependente
Doenças gastrointestinais, como a gastrite, são consideradas comuns, já que afetam
grande parte da população mundial, em especial os indivíduos que são infectados com a
Helicobacterpylori, ou que desenvolvem alguns distúrbios que afeta, diretamente, o
sistema gastrointestinal, tais como: mudanças de hábitos alimentares, mudança de rotina
de trabalho ou, ainda, uso abusivo de medicamentos.
Apesar do mecanismo de transmissão ainda não ser totalmente conhecido, sabe-se que a
contaminação normalmente acontece nos primeiros anos de vida e
ocorre principalmente através de exposição fecal-oral, gastro-oral. A taxa deprevalência
em países em desenvolvimento reforça a ideia de que as condições socioeconômicas, de
higiene, de saneamento e meio ambiente também influenciam diretamente na transmissão
do HP. Apesar da enorme incidência em todo o mundo,
80% dos infectados permanecem assintomáticos, e apenas 3% desenvolvem neoplasias.
Estudos mostram que em países em desenvolvimento a incidência em adultospode ser
superior a 80%. A soroprevalência aumenta progressivamente com a idadee é igualmente
encontrada em homens e mulheres..
É fundamental ressaltar que o Helicobacterpylori apresenta uma relação causal com um
largo espectro de afecçõescomo úlcera péptica, linfoma e carcinoma gástrico, estando
relacionado com oaumento da morbidade dos países subdesenvolvidos. Particularmente
nos países Africanos e Asiáticos a prevalência é elevada nainfância e mantem-se elevada
em todos os grupos etários. A infecção aumentarapidamente nainfância podendo atingir
50% em crianças com idade inferior a 5anos e ultrapassar os 90% na população adulta.
No Brasil, registou-se a incidênciade infecção de 4% ao ano em crianças de Belo
Horizonte.
Em África, onde a esperança de vida é em média de 50 anos, a infecçãoparece ser
adquirida na infância e a incidência de neoplasias é baixa, a infecção por H. pylori deve
ser enquadrada como um problema de Saúde Pública, faltando umaideia mais
esclarecedora sobre os factores intervenientes, como e quem tratar. Realçam-se aspectos
étnicos e culturais como factores de risco. Estudo apresentadonos Estados Unidos da
América refere um risco de infecção duas vezes superior nosafroamericanos e hispânicos
em relação aos anglosaxónicos.
A assistência aos doentes do fórum gastrenterológico, até 1994, era exercidano Hospital
Militar Principal com a participação de especialistas estrangeiros e no Hospital Américo
Boavida (instituição hospitalar adestrita à Faculdade de Medicina), por 2 médicos
angolanos especialistas em Medicina Interna, com diferenciação paraa execução de
endoscopia digestiva. É de se referir que as unidades hospitalares
com serviço de gastrenterologia, têm as áreas de apoio de diagnóstico, nomeadamente, o
serviço de anatomia patológica, patologia clínica e o serviço de imagiologia.
Actualmente em todas as unidades hospitalares terciárias, são realizados exames
endoscópicos, sendo os doentes acompanhados por gastrenterologistas angolanos e da
cooperação estrangeira. O reduzido número de especialistas não permite responder à
procura pelos doentes que acorrem às consultas de gastrenterologia em Angola. Os
escassos meios para o diagnóstico, são factores que interferem não só no diagnóstico
atempado, tratamento e acompanhamento destes doentes, mas também no conhecimento
do perfil do doente do fórum gastrenterológico em Angola. Considerando a centralidade
dos serviços de saúde em Luanda e nas capitais provinciais, a escassez de cuidados de
saúde disponíveis para resposta às necessidades básicas das populações, em particular das
que vivem em ambienterural, na inexistência de investigação publicada, propusemo-nos
avaliar a infecçãopor H. pylori empopulações de Angola, com o objectivo obter um
primeiro grau deconhecimento qualificado quanto ao estado da arte da infecção por este
microrganismo no País.
1. Definição e Tipos de Gastrite.
Para entender melhor sobre essa doença, é importante saber como a nossa digestão
funciona. Sempre que comemos algo, os alimentos são mastigados e engolidos. Depois
disso, eles passam pelo esôfago e descem para o estômago, onde sofrem ação do suco
gástrico, um líquido que é constituído por ácido clorídrico e pepsina.
O estômago precisa ser ácido para facilitar a absorção das vitaminas e minerais e também
proteger de bactérias ruins. Qualquer fator que mude a quantidade desse ácido diminui a
qualidade da digestão. Por isso, muitas pessoas sentem queimações como a azia, gases e
refluxo. Voltando ao funcionamento do estômago, podemos destacar a função da mucosa
que, além de revestir internamente o estômago, auxilia na proteção das células contra a
agressão causada pelo ácido, quando a mucosa está inflamada o estômago produz menos
ácido, enzimas e muco.
A gastrite nada mais é do que a inflamação da mucosa do estômago. Essa inflamação
desenvolve-se como uma resposta do organismo quando ocorre uma agressão à sua
integridade. Entretanto, essa resposta pode ir além da normalidade e levar ao
desenvolvimento de sinais e sintomas característicos dessa doença. A agressão que
desencadeia o processo pode ser aguda ou crônica e, de acordo com seus tipos, podemos
classificar as diversas formas de gastrite.
Tipos de Gastrite
1. Gastrite Aguda
Descrição: É uma inflamação súbita e temporária da mucosa do estômago, que
pode se resolver em poucos dias ou semanas, especialmente com o tratamento
adequado.
Causas: Geralmente relacionada ao uso de medicamentos (anti-inflamatórios não
esteroidais - AINEs), consumo excessivo de álcool, infecções ou estresse físico
(como traumas ou cirurgias).
Sintomas: Dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e, em alguns casos, presença
de sangue no vômito ou nas fezes (indica possível hemorragia).
2. Gastrite Crônica
Descrição: A inflamação persiste por longos períodos, meses ou até anos, e pode
causar danos progressivos ao revestimento do estômago.
Causas: A causa mais comum é a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, mas
pode ser causada também por doenças autoimunes, uso prolongado de
medicamentos ou exposição a fatores irritantes, como álcool.
Sintomas: Os sintomas podem ser mais leves do que na gastrite aguda, incluindo
dor abdominal leve, inchaço, náuseas e sensação de plenitude após comer.
3. Gastrite Atrófica
Descrição: Variante da gastrite crônica, onde há uma perda progressiva das
células que revestem o estômago, levando à atrofia da mucosa gástrica.
Causas: Comumente associada à infecção por H. pylori ou a processos
autoimunes, onde o sistema imunológico ataca as células do estômago.
Complicações: A gastrite atrófica pode aumentar o risco de câncer gástrico
devido à diminuição da produção de ácido e de fatores protetores da mucosa.
4. Gastrite Erosiva
Descrição: Caracterizada por erosões ou feridas superficiais na mucosa do
estômago. Não necessariamente resulta em inflamação grave, mas pode causar
sangramentos.
Causas: Frequentemente associada ao uso excessivo de AINEs, abuso de álcool
ou estresse grave (como traumas e queimaduras severas).
Sintomas: Pode ser assintomática ou causar dor, náuseas, vômitos com sangue e
fezes escuras.
5. Gastrite Autoimune
Descrição: Uma condição rara em que o sistema imunológico ataca as células da
mucosa gástrica, causando inflamação crônica e destruição progressiva das
células produtoras de ácido.
Causas: Doenças autoimunes, como a anemia perniciosa (que ocorre devido à
deficiência de vitamina B12), estão associadas a este tipo de gastrite.
Complicações: Pode levar à deficiência de vitamina B12, resultando em anemia
megaloblástica e outros problemas de saúde.
6. Gastrite Alcoólica
Descrição: Causada pelo consumo excessivo de álcool, que irrita a mucosa do
estômago, levando à inflamação e, em casos graves, erosões.
Sintomas: Incluem dor no estômago, náuseas, vômitos e, em casos mais graves,
hemorragia.
7. Gastrite Reativa (ou Gastrite Química)
Descrição: Causada pela exposição prolongada a substâncias irritantes, como
bile, medicamentos ou álcool, que danificam a mucosa do estômago.
Causas: Uso prolongado de AINEs, refluxo biliar ou cirurgia gástrica podem
levar a este tipo de gastrite.
Sintomas: Podem incluir dor leve, náuseas e sintomas de indigestão.
8. Gastrite Infecciosa
Descrição: Pode ser causada por vírus, fungos ou bactérias, além da Helicobacter
pylori.
Causas: Ocorre frequentemente em pacientes com sistema imunológico
debilitado ou em situações de saúde crítica (como internações prolongadas).
Sintomas: Podem variar dependendo do patógeno, mas geralmente incluem dor
abdominal, náuseas e febre.
Esses são os principais tipos de gastrite, cada um com características e causas específicas
que influenciam o tratamento e prognóstico.
2. Causas da Gastrite
Na maior parte das vezes a causa da gastrite crônica é a infecção pela Helicobacter pylori
(H. pylori). A é uma bactéria que infecta a parede do estômago podendo ser transmitida
através da água ou alimentos contaminados. Outra causa muito comum é o uso
prolongado de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como aspirina e ibuprofeno.
Esses remédios reduzem a proteção gástrica se usados por um longo período,
principalmente. Álcool, drogas e cigarro também podem causar gastrite. Essas
substâncias colaboram para o aumento a produção de ácido no estômago causando
irritação e dificultando a digestão. Também está entre as causas a gastrite autoimune que
ocorre quando o sistema imune produz anticorpos que agridem e destroem as células
gástricas do próprio organismo
3. Sintomas Comuns
A gastrite é uma condição caracterizada pela inflamação do revestimento do estômago e
pode se manifestar através de diversos sintomas. A seguir está uma descrição detalhada
dos sintomas comuns da gastrite:
3.1. Dor ou Queimação no Estômago
Descrição: A dor geralmente se localiza na parte superior do abdômen, no centro
ou ligeiramente à esquerda. Pode ser uma dor tipo queimação ou sensação de
pressão, piorando após as refeições ou quando o estômago está vazio.
Características: A intensidade da dor pode variar de leve a intensa, e muitas
vezes é aliviada temporariamente por alimentos ou antiácidos.
3.2. Náuseas e Vômitos
Descrição: A pessoa pode sentir uma sensação constante de enjoo ou desejo de
vomitar, especialmente após as refeições. Em casos mais graves, pode ocorrer o
vômito.
Características: O vômito pode ter um conteúdo amargo ou ácido e, em casos
mais graves, pode conter sangue ou parecer borra de café, sinalizando
sangramentos internos no estômago.
3.3. Perda de Apetite
Descrição: A gastrite pode causar falta de vontade de comer, associada a uma
sensação de plenitude no estômago, mesmo após pequenas quantidades de
alimentos.
Características: A perda de apetite pode ser contínua, dificultando a ingestão de
alimentos, e é frequentemente acompanhada de desconforto abdominal.
3.4. Inchaço Abdominal
Descrição: A distensão abdominal é uma sensação de estufamento ou aumento no
volume da barriga, muitas vezes acompanhada de gases.
Características: A sensação de inchaço é frequentemente mais pronunciada após
as refeições, especialmente se a digestão estiver comprometida devido à
inflamação no estômago.
3.5. Indigestão (Dispepsia)
Descrição: A indigestão é uma sensação de desconforto ou dor no estômago, que
pode ser acompanhada de queimação, arrotos frequentes e sensação de estômago
pesado após a ingestão de alimentos.
Características: É comum sentir uma sensação de digestão lenta ou incompleta,
o que pode ser desconfortável durante e após as refeições.
3.6. Fezes Escuras ou com Sangue
Descrição: As fezes podem apresentar uma cor escura ou quase preta, similar à
borra de café, devido à presença de sangue digerido, o que indica sangramento no
trato gastrointestinal.
Características: Esse sintoma é um sinal de alerta grave, pois sugere que o
sangramento no estômago é significativo e pode requerer tratamento urgente.
3.7. Gases Excessivos
Descrição: A gastrite pode levar ao acúmulo de gases no estômago e intestinos, o
que resulta em flatulência excessiva.
Características: Isso ocorre devido à digestão ineficaz dos alimentos, que pode
gerar uma quantidade anormal de gases.
3.8. Arroto Excessivo
Descrição: O arroto excessivo (eructação) pode ocorrer devido ao acúmulo de ar
no estômago, que é liberado por meio da boca.
Características: O aumento da produção de gás, associado à dificuldade do
estômago em processar alimentos corretamente, contribui para essa condição.
3.9. Sensação de Plenitude
Descrição: Mesmo após ingerir pequenas quantidades de alimentos, a pessoa
sente o estômago excessivamente cheio ou empanturrado.
Características: Essa sensação de plenitude pode ser desconfortável e persistente,
principalmente após refeições.
Sintomas Graves
Em casos mais avançados ou complicados de gastrite, alguns sinais podem indicar a
necessidade de atenção médica urgente:
Vômito com sangue: Pode aparecer como sangue vivo ou com aparência de borra
de café.
Fezes com sangue ou escuras: Indica sangramento no estômago ou trato
gastrointestinal.
Dor abdominal intensa e persistente: Dificuldade de alívio, mesmo com
antiácidos ou após a ingestão de alimentos.
4. Diagnóstico da Gastrite
O diagnóstico da gastrite é realizado através de uma combinação de avaliação clínica,
histórico médico e exames específicos. O médico vai investigar os sintomas, as causas
potenciais e realizar testes para confirmar a presença de inflamação no estômago. A seguir
estão os principais métodos usados para diagnosticar a gastrite:
4.1. Avaliação Clínica
Histórico Médico: O médico começará com uma entrevista detalhada,
questionando sobre os sintomas, duração, frequência e intensidade das dores no
estômago, além de outros sintomas como náuseas, vômitos, perda de apetite e
inchaço.
Exame Físico: O médico pode palpar a área do abdômen para verificar sinais de
dor ou sensibilidade, além de procurar sinais de inflamação.
4.2. Exames de Sangue
Hemograma Completo: Pode ser solicitado para verificar sinais de infecção,
anemia ou outras condições que possam estar associadas à gastrite.
Testes de função hepática e renal: Embora não específicos para a gastrite, esses
exames podem ser solicitados para descartar outras condições que poderiam
causar sintomas semelhantes.
Testes para Helicobacter pylori: Exames de sangue podem ser realizados para
detectar a presença de anticorpos contra a bactéria Helicobacter pylori, uma das
principais causas de gastrite.
4.3. Endoscopia Digestiva Alta (Esofagogastroduodenoscopia)
Descrição: Este é o exame mais comum e eficaz para diagnosticar gastrite.
Durante a endoscopia, um tubo flexível com uma câmera na ponta (endoscópio)
é inserido pela boca para visualizar diretamente o revestimento do esôfago,
estômago e duodeno.
Objetivo: A endoscopia permite ao médico observar sinais de inflamação, úlceras
ou sangramentos. Também pode ser usada para colher amostras de tecido
(biópsias) para análise laboratorial.
Quando é indicado: Geralmente, é recomendado em casos de sintomas
persistentes, sinais de sangramento (como fezes escuras) ou quando o médico
suspeita de complicações mais graves.
4.4. Teste de H. pylori
O diagnóstico da infecção por Helicobacter pylori, que é uma das causas mais comuns de
gastrite, pode ser feito por meio de vários testes, como:
Teste de respiração com ureia (teste da urease): O paciente ingere uma
substância que contém ureia marcada, e, em seguida, exala um ar que será
analisado. Se H. pylori estiver presente, ele converte a ureia em dióxido de
carbono, que pode ser detectado no ar expirado.
Teste de fezes: A análise de amostras de fezes pode detectar a presença da bactéria
ou seus antígenos.
Exame de sangue: Pode ser usado para detectar anticorpos contra H. pylori,
embora não seja o teste mais preciso, já que o corpo pode continuar produzindo
anticorpos mesmo após a infecção ter sido tratada.
4.5. Exame de Ultrassom Abdominal
Descrição: Embora não seja especificamente usado para diagnosticar a gastrite, o
ultrassom pode ser útil para descartar outras condições que possam causar
sintomas semelhantes, como cálculos biliares ou problemas no fígado.
Quando é indicado: Quando o médico precisa verificar a presença de outras
condições abdominais que possam estar confundindo o diagnóstico.
4.6. Raio-X do Abdômen
Descrição: Em alguns casos, pode ser solicitado um raio-X com contraste (como
o uso de bário) para ajudar a visualizar anomalias no estômago ou no esôfago. No
entanto, este exame não é tão preciso quanto a endoscopia.
Quando é indicado: Este exame é mais raro e é usado apenas quando há suspeita
de outras condições ou quando a endoscopia não está disponível.
4.7. Teste de pH Esôfago-gástrico
Descrição: Este exame mede o nível de acidez no esôfago e no estômago. Pode
ser útil para determinar se a gastrite está sendo exacerbada por um excesso de
ácido gástrico ou refluxo.
Quando é indicado: Quando o médico suspeita que o paciente tem refluxo
gastroesofágico associado à gastrite ou quando os sintomas são difíceis de
diferenciar.
4.8. Biópsia Gástrica
Descrição: Se durante a endoscopia o médico observar anomalias, ele pode
realizar uma biópsia, ou seja, retirar uma pequena amostra de tecido do
revestimento do estômago para análise laboratorial.
Objetivo: A biópsia pode ajudar a confirmar o diagnóstico de gastrite, além de
ser útil para detectar infecções, como H. pylori, ou condições mais graves, como
câncer gástrico ou gastrite autoimune.
Diagnóstico Diferencial
Além da gastrite, várias outras condições podem causar sintomas semelhantes, como
úlceras pépticas, refluxo gastroesofágico, síndrome do intestino irritável, ou até câncer
gástrico. Por isso, o diagnóstico da gastrite deve ser feito com base em uma combinação
de exames e avaliação médica cuidadosa.
5. Tratamento da Gastrite
O tratamento da gastrite depende da sua causa, gravidade e dos sintomas apresentados.
Pode envolver uma combinação de medicamentos, mudanças na dieta e no estilo de vida,
além de abordagens específicas para tratar a causa subjacente, como a infecção por
Helicobacter pylori ou o uso excessivo de medicamentos. Aqui estão as principais
estratégias de tratamento para a gastrite:
5.1. Medicamentos
A farmacoterapia é frequentemente necessária para controlar a gastrite, reduzir a acidez
e promover a cicatrização do revestimento gástrico.
Antiácidos
Objetivo: Neutralizar a acidez do estômago, proporcionando alívio rápido da dor
e desconforto.
Exemplos: Hidróxido de magnésio, hidróxido de alumínio, bicarbonato de sódio.
Como funcionam: Esses medicamentos ajudam a reduzir a acidez no estômago,
aliviando a sensação de queimação e dor associada à gastrite.
Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs)
Objetivo: Diminuir a produção de ácido gástrico.
Exemplos: Omeprazol, esomeprazol, pantoprazol, lansoprazol.
Como funcionam: Esses medicamentos bloqueiam a bomba de prótons, que é
responsável pela secreção de ácido gástrico. Eles são muito eficazes para reduzir
a acidez no estômago e ajudar na cicatrização da mucosa gástrica.
Antagonistas H2 (Bloqueadores H2)
Objetivo: Reduzir a produção de ácido gástrico.
Exemplos: Ranitidina, famotidina, cimetidina.
Como funcionam: Esses medicamentos bloqueiam os receptores H2 no
estômago, responsáveis pela produção de ácido. Embora menos eficazes que os
IBPs, eles podem ser úteis para controle da acidez em casos mais leves.
Protetores Gástricos
Objetivo: Proteger a mucosa gástrica da ação do ácido.
Exemplos: Sucralfato, misoprostol.
Como funcionam: Eles formam uma camada protetora sobre o revestimento do
estômago, ajudando na recuperação e prevenindo danos adicionais pela acidez
estomacal.
Antibióticos (para Helicobacter pylori)
Objetivo: Erradicar a infecção por Helicobacter pylori, que é uma das principais
causas de gastrite crônica.
Exemplos: Amoxicilina, claritromicina, metronidazol.
Como funcionam: Quando a infecção por H. pylori é diagnosticada, um regime
de antibióticos combinado com medicamentos para reduzir a acidez (IBPs) é
utilizado para eliminar a bactéria e curar a gastrite.
5.2. Mudanças na Dieta e Estilo de Vida
As mudanças alimentares e de estilo de vida são fundamentais no tratamento da gastrite
e para evitar que os sintomas piorem.
Evitar Alimentos Irritantes
Alimentos a evitar: Alimentos muito gordurosos, frituras, café, álcool, alimentos
picantes, bebidas gaseificadas e alimentos ácidos (como frutas cítricas).
Por que evitar: Esses alimentos podem irritar a mucosa gástrica e agravar a
inflamação.
Alimentação em Pequenas Quantidades
Estratégia: Comer porções menores, mas mais frequentes, para evitar
sobrecarregar o estômago com grandes quantidades de comida.
Benefício: Reduz a produção excessiva de ácido gástrico e diminui o risco de
irritação no revestimento do estômago.
Evitar Fumar
Por que evitar: O tabagismo prejudica a defesa do estômago contra os ácidos
gástricos, além de diminuir a produção de muco protetor na mucosa gástrica.
Efeito: O cigarro pode agravar os sintomas da gastrite e retardar o processo de
cicatrização.
Redução do Estresse
Como reduzir: Técnicas de relaxamento, como meditação, yoga, exercício físico
regular e práticas de respiração profunda, podem ajudar a reduzir os níveis de
estresse.
Benefício: O estresse pode aumentar a produção de ácido gástrico e piorar os
sintomas da gastrite, portanto, controlá-lo é uma parte importante do tratamento.
5.3. Tratamento para Causas Específicas
Dependendo da causa da gastrite, o tratamento pode ser direcionado para a condição
subjacente:
Para Gastrite por Medicamentos (AINEs ou Corticosteroides)
Solução: A recomendação pode ser interromper o uso do medicamento causador
da gastrite, ou substituir por alternativas que sejam menos irritantes para o
estômago.
Alternativas: O médico pode prescrever medicamentos para proteger a mucosa
gástrica enquanto o paciente continua usando os outros medicamentos necessários
para tratar condições subjacentes.
Para Gastrite Autoimune
Tratamento específico: Se a gastrite for causada por uma reação autoimune, o
tratamento pode incluir medicamentos imunossupressores, como corticosteroides,
para reduzir a inflamação.
Monitoramento: O paciente pode precisar de acompanhamento regular para
monitorar o progresso e ajustar o tratamento conforme necessário.
Para Refluxo Biliar
Tratamento: Medicamentos como ursodesoxicólico podem ser prescritos para
reduzir os efeitos da bile no estômago e minimizar a irritação.
Mudanças no estilo de vida: Pode ser necessário ajustar a dieta e evitar alimentos
que possam desencadear o refluxo.
5.4. Tratamento para Complicações
Em casos graves de gastrite, como quando há sangramentos ou úlceras, o tratamento pode
incluir:
Transfusão de sangue: Se houver perda significativa de sangue devido a úlceras
sangrantes ou gastrite hemorrágica.
Endoscopia terapêutica: Procedimentos endoscópicos podem ser realizados para
estancar o sangramento ou remover úlceras.
5.5. Monitoramento e Acompanhamento
Exames periódicos: Em casos crônicos, o médico pode recomendar exames
regulares, como endoscopia, para monitorar a recuperação do estômago e prevenir
complicações.
Ajustes no tratamento: Com base nos resultados dos exames e na resposta ao
tratamento, o médico pode ajustar a medicação e as orientações de dieta.
O tratamento da gastrite visa aliviar os sintomas, curar a inflamação do estômago e tratar
a causa subjacente. A combinação de medicamentos adequados, mudanças no estilo de
vida, alimentação balanceada e, em alguns casos, antibióticos para erradicar infecções
como Helicobacter pylori, pode resultar em uma melhora significativa. O
acompanhamento médico é essencial para garantir que a gastrite seja tratada corretamente
e evitar complicações a longo prazo.