UNIVERSIDADE SÃO TOMÁS DE MOÇAMBIQUE
Trabalho de Práticas Jurídicas
Contestação
Discente: Marinela Francisco Gouveia
Turma: TMP7LDR3 – Sala: 6
Codigo do estudante :
Docente: [Link] Armindo
Maputo, Março de 2025
Meritíssimo Doutor Juiz do Tribunal Judicial
da Província de Maputo
Processo n. º 05/20/B – 6ª Secção Cível
RUI MAGAIA, ora Réu, nos autos da acção que lhe move Pedro Filipe Magaia, vem,
mui respeitosamente, à presença de V. Excia, por intermédio do seu mandatário
legalmente constituído, apresentar contestação, nos termos dos artigos 486.º e seguintes
do CPC, o que faz com os seguintes fundamentos de facto e de direito:
POR EXCEPÇÃO
A) Exceção de falta de legitimidade passiva da esposa do Réu.
1.º
O Réu suscita nos termos da Alinea b) do nº 1 do art 494 do CPC, a excepção dilatória
de ilegitimidade passiva quanto à sua esposa, Lúcia Manguele, que foi indevidamente
incluída no polo passivo da acção.
2º
A referida senhora jamais interveio nos contratos ou transações relacionados com o
imóvel.
3º
Excepção de enriquecimento sem causa.
4º
Caso V. Excia entenda que o Requerente tem algum direito sobre o imóvel, requer-se o
reconhecimento de enriquecimento sem causa.
5º
O Réu investiu valores expressivos no imóvel, bem como arcou com empréstimos
financeiros ao pai do Requerente.
6º
Requer-se a condenação do Requerente no pagamento dos valores investidos, sendo
metade para o Réu e metade para sua segunda esposa.
POR IMPUGNAÇÃO À CAUTELA
7º
O Réu impugna, por não corresponderem à verdade, os factos constantes da petição
inicial, designadamente no que se refere à titularidade da casa objecto da presente lide.
8º
A verdade dos factos é que o Réu recebeu procuração com poderes amplos e
irrevogáveis, passada em vida pelo pai do Requerente, na qual lhe foi conferido o direito
de usar, alienar, hipotecar ou vender o imóvel, inclusive a si próprio.
9º
Tal procuração foi outorgada muito antes do falecimento do outorgante e não por causa
de doença, mas sim em razão da grave situação financeira que este atravessava.
10º
O Réu, com base nessa procuração, formalizou a venda do imóvel em seu favor,
legitimamente e dentro dos poderes conferidos.
11º
O Réu realizou investimentos substanciais no imóvel, em valor aproximado de
200.000,00MT, conforme se pode comprovar por documentos e testemunhas.
12º
O Requerente sempre residiu no imóvel por mera liberalidade do Réu.
13º
O Réu não reconhece a veracidade dos documentos juntos pelo Autor, os quais se
suspeita serem apócrifos.
II. PEDIDO:
Termos em que, nos mais de direito aplicável e noutros que forem supridos por V. Excia,
deve a presente contestação ser julgada procedente e, por via dela:
15º
Sejam julgados improcedentes todos os pedidos formulados pelo Requerente;
16º
Seja a esposa do Réu, Lúcia Manguele, excluída do polo passivo da acção;
17º
Subsidiariamente, seja o Requerente condenado ao pagamento dos valores investidos
pelo Réu;
18º
Seja o Requerente condenado em custas e demais encargos legais.
III. PROVA
O Réu pretende provar os factos acima alegados por todos os meios de prova admitidos
em direito, especialmente:
Prova documental:
a. Procuração;
b. Declarações de emprestimos monetários.
Prova testemunhal, nomeadamente:
a. Sr. Chico Abreu, colega do Réu;
b. Sr. Saul Magaia, primo e testemunha da outorga da procuração.
Valor da Causa: Dois Milhões de Meticais (2000.000.000).
Maputo, 24 de Março de 2025
O Advogado Estagiário
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Moisés Júnior
Carteira Proficional nº 100