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Metas Ambientais do Pará para a COP 30

O Governo do Estado do Pará apresenta um conjunto de 13 metas e compromissos ambientais para a COP 30, baseados no Plano Estadual Amazônia Agora, visando reduzir as emissões de gases de efeito estufa e promover um desenvolvimento sustentável. As metas incluem restauração florestal, rastreabilidade na pecuária, pagamentos por serviços ambientais e inovação na bioeconomia, com foco na inclusão social e proteção territorial. A implementação dessas metas requer forte coordenação governamental e engajamento do setor privado e da sociedade civil.
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Metas Ambientais do Pará para a COP 30

O Governo do Estado do Pará apresenta um conjunto de 13 metas e compromissos ambientais para a COP 30, baseados no Plano Estadual Amazônia Agora, visando reduzir as emissões de gases de efeito estufa e promover um desenvolvimento sustentável. As metas incluem restauração florestal, rastreabilidade na pecuária, pagamentos por serviços ambientais e inovação na bioeconomia, com foco na inclusão social e proteção territorial. A implementação dessas metas requer forte coordenação governamental e engajamento do setor privado e da sociedade civil.
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Visão do Pará

Quem sedia a COP deve fazer sua parte. Além dos projetos de infraestrutura e preparativos para a
COP 30 em Belém, o Governo do Estado apresenta um conjunto de metas e compromissos que
refletem o centro de sua política ambiental e climática.
Esses compromissos estão baseados no Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), que visa reduzir as
emissões de gases de efeito estufa (GEE) provenientes do uso da terra, floresta e agricultura. Esse
plano foi estabelecido em 2020 pelo Decreto 941/2020 e atualizado em sua segunda versão pela Lei
nº 10.750, de 2024.

Aqui, apresentamos o tema, seguido pelas metas específicas e os motivos que as justificam. Algumas
dessas metas estão estabelecidas para 2030, outras para 2026 (último ano do atual mandato) e
algumas até a COP 30. Alcançar esses compromissos exigirá, além de forte coordenação central por
parte do Governo, o engajamento do setor privado e da sociedade civil organizada em alto nível.
Para impulsionar esse engajamento, estamos apresentando publicamente essas 13 metas.

Economia Verde e Liderança Ambiental


Proposta: transformar o Pará em líder global em um novo modelo de desenvolvimento que beneficie
tanto as pessoas quanto a natureza.

1. Restauração florestal
Designação ou incorporação de 100.000 hectares de terras públicas ao Programa de Concessão da
Unidade de Restauração Florestal até 2026, com 20.000 hectares designados até a COP 30 para
acelerar e fortalecer o setor, viabilizando um arco de restauração efetivo no Pará.
Por quê?
O principal gargalo para avançar no setor de restauração produtiva é a disponibilidade de terras. O
Estado se posiciona como provedor, reduzindo os riscos de posse de terra e acelerando o setor.

2. Integridade na cadeia de suprimento de pecuária


100% do rebanho bovino movimentado em novembro de 2025 deve ter rastreabilidade individual,
iniciando a universalização da pecuária sustentável.

Por quê?
Isso representa uma mudança estratégica no comportamento do setor, impulsionada pelo risco de
restrições de mercado. Está alinhado com a necessidade de intensificação moderada da pecuária
na Amazônia, especialmente por meio da recuperação de pastagens e assistência técnica.

3. Pagamentos por Serviços Ambientais


Será estabelecido e operacionalizado um programa público de valoração de serviços ambientais
para pelo menos 20.000 famílias até 2030, com 2.000 famílias beneficiadas até a COP 30. Serão
oferecidos incentivos para aqueles que entregarem serviços ambientais, facilitando o engajamento
do setor privado na escala necessária.
Por quê?
Os projetos atuais de pagamento por serviços ambientais são de pequena escala e mal
interconectados. O setor privado, que se beneficia desses serviços, precisa se posicionar como co-
financiador dessa agenda. O Estado avançará e consolidará o programa para dar o exemplo e
superar barreiras comuns, criando um efeito de transbordamento positivo que, por fim, levará à
adoção em larga escala do PSA (Pagamento por Serviços Ambientais).

4. Inovação, pesquisa e novos empreendimentos de Bioeconomia


O Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia estará em operação até a COP 30, apoiando a
incubação de novos negócios, pesquisa bioativa e exportação de produtos da bioeconomia.
Por quê?
A agenda climática — especialmente na Amazônia — é também uma agenda econômica e social. A
bioeconomia baseada na floresta deve servir como plataforma para alcançar metas climáticas,
enquanto impulsiona o progresso social e econômico. Atualmente, as poucas cadeias de suprimento
economicamente viáveis são curtas e baseadas no extrativismo, tornando a derrubada de árvores
para agricultura e pecuária mais atraente. O investimento em novos negócios e ativos baseados na
biodiversidade requer investimento público inicial para superar as primeiras fases de
desenvolvimento, que são menos atraentes para o mercado. O Parque sintetizará essas duas
missões.

Comunidades prósperas e inclusivas


Construir uma sociedade inclusiva, promovendo o desenvolvimento sustentável em comunidades
rurais e urbanas, com foco na criação de empregos verdes e segurança alimentar.

5. Planejamento sustentável do uso da terra


Até 2026, estabelecer um polo de desenvolvimento rural sustentável na a Unidade de Recuperação
Triunfo do Xingu (URTX), com foco nos serviços públicos essenciais, especialmente no planejamento
do uso da terra, promoção de uma economia verde e combate às atividades ilegais.

Por quê?
O modelo de colonização das décadas de 1960 e 1970 não se concretizou, deixando as
comunidades rurais sem direitos sociais básicos, sem segurança de posse da terra ou cumprimento
do Código Florestal. Isso gerou um ambiente propício para economias ilegais com presença estatal
mínima, um padrão repetido em muitos territórios no Pará.

6. Adaptação climática
Desenvolver um plano estadual de adaptação climática até 2026, definindo claramente os riscos e o
planejamento de médio prazo para a produção rural e os territórios coletivos, considerando cenários
climáticos adversos.

Por quê?
Grande parte das mudanças climáticas previstas para os próximos 20 anos já estão afetando o
Estado, impactando especialmente as pequenas propriedades, terras indígenas, comunidades
quilombolas e territórios extrativistas. O Estado precisa planejar ações compensatórias e de
mitigação para lidar com esses danos existentes.
Proteção territorial e segurança jurídica
Proposta: Garantir segurança jurídica e territorial para proteger os direitos territoriais, promover o uso
sustentável da terra e combater crimes ambientais.

7. Controle do desmatamento e incêndios florestais


Até a COP 30, expandir, treinar e equipar as forças de combate ao desmatamento e incêndios
florestais até 100% de sua capacidade de 2024. Além disso, promover a criação de brigadas
privadas ou comunitárias para prevenção e controle de incêndios.

Por quê?
A ação direta contra atividades ilegais continua sendo essencial e uma responsabilidade do Estado
que não pode ser delegada. Esse compromisso garante o fortalecimento institucional para a
aplicação da lei, especialmente contra o desmatamento.

8. Regularização fundiária e destinação de terras públicas não destinadas


Até 2026, garantir e alocar terras em risco de desmatamento, incluindo títulos de terras legais, e até
2030, alocar 100% das terras públicas não destinadas do Estado.

Por quê?
Tanto o governo estadual quanto o federal têm passivos significativos em relação às terras públicas
não destinadas — terras sem propósito específico. Essas áreas são pontos críticos para o
desmatamento devido à insegurança jurídica. O objetivo de curto prazo é garantir que ao menos
aquelas localizadas em hotspots de desmatamento sejam 100% destinadas.

9. Áreas protegidas
Criar 1 milhão de hectares adicionais de Unidades de Conservação Estaduais até 2026 e desenvolver
planos de manejo para todas as unidades que não os possuem até 2030.

10. Cumprimento do código florestal


Validar 100% dos Cadastros Ambientais Rurais do Pará até 2026.

11. Planejamento territorial


Até 2026, revisar o Plano de Zoneamento Ecológico-Econômico de 2005 do Pará para alinhar o uso
dos recursos naturais com a preservação e conservação ambiental.

Cidades amazônicas do futuro


Proposta: Transformar as cidades do Pará em espaços sustentáveis, resilientes às mudanças
climáticas, e inclusivos, além de centros de conhecimento e agregação de valor para o futuro.
12. A Amazônia urbana do futuro
Envolver os governos municipais dos principais centros urbanos do Pará para desenvolver e
implementar uma agenda de adaptação climática, gestão de resíduos sólidos e saneamento básico,
ajustando a infraestrutura das cidades para suportar eventos climáticos extremos.

Por quê?
A maior parte da população da Amazônia é urbana, e muitas cidades não têm uma gestão
adequada de resíduos sólidos e saneamento básico. Além disso, os eventos climáticos extremos
afetam desproporcionalmente as populações urbanas, causando danos significativos. Vale destacar
que esta é uma agenda multi-governamental: o governo estadual não pode implementar sozinho,
mas precisa convocar e mobilizar os municípios e o governo federal.

Financiamento climático e governança


Proposta: Garantir financiamento adequado e fortalecer a governança ambiental para ações de
longo prazo.

13. Financiamento climático e governança


Estabelecer um sistema REDD+ no Pará com certificação ART/TREES, garantindo pelo menos R$ 2
bilhões em financiamento climático até 2026 para impulsionar a transição econômica e acabar com
o desmatamento ilegal. Garantir a participação igualitária da sociedade civil e dos povos tradicionais
na governança.

Por quê?
O financiamento e a governança são os alicerces que garantem a implementação dessas medidas
além do mandato atual. A abordagem jurisdicional do REDD+ adotada pelo Pará tem o potencial de
fornecer os recursos necessários em escala. O Estado possui um ativo de carbono de
aproximadamente 390 milhões de toneladas disponíveis para comercialização, com potencial de
captação superior a R$ 30 bilhões. Mecanismos de governança fortes garantem a prestação de
contas dos recursos e fortalecem a credibilidade internacional.

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