Nariz e Seios Paranasais
Fundamentos de Anatomia e Fisiologia Antecedentes familiares
Função conduzir o ar em condições adequadas para História familiar de alergia associasse ao aparecimento
alvéolos; e modulação do fluxo aéreo; filtração de rinite (Ambos pais com rinite, filho tem 80% de
(vibrissas), aquecimento (vascularização da mucosa chance de adquirir).
nasal) e umidificação (secreções nasais, da Sinais e sintomas
transudação serosa e secreção lacrimal) do ar
inspirado; pelo reflexo do espirro, ação adesiva e Obstrução nasal
bactericida do muco e pelos cílios do epitélio de
o Lateralidade (uni ou bilateral)
revestimento da mucosa nasal.
o Início (insidioso, rapidamente progressivo ou
Os seios paranasais iniciam seu desenvolvimento aos 2 abrupto);
meses de vida intrauterina (transição embrião e feto) o Fator desencadeante
começando pelas células etmoidais anteriores e seio o Fator de melhora
maxilar. esfenoidais e frontais vão se desenvolver após o Manifestações clínicas associadas (coriza
os 4 e 6 anos de vida. hialina, espirros e prurido nasal sugerem
edema inflamatório da mucosa nasal)
Exame Clínico
o Medicamentos que pode provocar alteração
1° Anamnese: vasomotora na mucosa nasal e causar e/ou
agravar a obstrução.
Identificação
Rinorreia
o Idade
o Lateralidade (uni ou bilateral);
RN com alteração respiratória: suspeite de o Viscosidade (hialina, espessa, purulenta);
malformação congênita e infecções perinatais; o Periodicidade (persistente ou ocasional);
- de 6 meses pode ser uma urgência pôs RN é o Fatores desencadeantes (perfumes, fumaça,
respirador nasal obrigatório. poluição atmosférica)
o Sintomas associados (tosse e cefaleia)
o Sexo
o Em crianças com rinorreia unilateral fétida
Atresia de cóana (malformações congênitas), são duas deve-se sempre pesquisar presença de corpo
vezes mais prevalentes no sexo feminino estranho.
o Profissão Alteração do olfato
Local de trabalho como fabrica com emissão de gases o anosmia (perda completa da olfação);
(resultantes da combustão de óleos ou de formação hiperosmia (aumento da olfação);
de produtos químicos) podem ser a causa de rinites o hiposmia (diminuição da olfação);
ocupacionais. o disosmia (distorção da percepção olfatória):
Antecedentes pessoais disosmia subdividida em:
o Tabagismo e etilismo; o parosmia, quando há um estímulo ambiental,
o Antecedentes cirúrgicos o fantosmia, sem estímulo ambiental, que é
( otorrinolaringológicos); uma alucinação olfatória).
o Doenças sistêmicas;
Procura-se identificar a região da via olfatória
o Uso de medicamentos
acometida:
(descongestionante nasal, ácido
acetilsalicílico, estatina); Condutiva
o Exposição a ambientes com irritantes
Bloqueio na chegada das moléculas de odor ao
inalatórios;
epitélio olfatório.
o História de trauma cranioencefálico.
o Rinites
o Alterações anatômicas da cavidade nasal
o Tumores intranasais Analisa-se a pirâmide nasal:
Neurossensoriais o Dismorfias
o distúrbios de desenvolvimento
lesões no epitélio olfatório e nos nervos olfatórios,
o desvios;
como nas infecções virais ou traumatismo
cranioencefálico com ruptura de nervos; sinais sugestivos de processos infecciosos:
central o hiperemia;
o edema
o tumores intracranianos
o abaulamento;
o doenças degenerativas.
Presença de traço sobre o dorso nasal denominado
Epistaxe
“saudação alérgica”
Alteração da hemostasia dentro da cavidade nasal, em
o pode estar associado a rinite.
decorrência de comprometimento da mucosa. Deve-
se avaliar:
o lateralidade (uni ou bilateral); pode-se observar a fáceis característica:
o tempo de evolução;
o quadros clínicos semelhantes anteriores; respirador bucal (ausência de vedamento labial,
encurtamento de lábio superior, eversão de lábio
o fatores associados ao início do sangramento
inferior, narinas estreitas, olheiras evidentes);
(trauma, infecções de vias respiratórias
superiores, rinite); Rinoscopia anterior
o comorbidades (hipertensão arterial e
espéculo nasal (lateralização da asa do nasal para
Coagulopatia são consideradas como
permitir melhor visão do interior da cavidade nasal);
facilitadoras do sangramento nasal);
o medicamentos utilizados (anticoagulantes e Observar: inferiormente, o assoalho da cavidade nasal
ácido acetilsalicílico);
o tabagismo e alcoolismo (são facilitadores do o secreções ou lesões;
sangramento nasal); lateralmente, a cabeça da concha inferior
o melhora do sangramento apenas com
compressão nasal; o coloração da mucosa
o repercussão hemodinâmica da hemorragia o hipertrofia
(hipotensão arterial); o degenerações polipoides
cabeça da concha média e meato médio
(local em que ocorre drenagem das secreções
provenientes dos seios frontal, maxilar e etmoidal
anterior);
medialmente, septo nasal
o deformidades
o perfurações
o ulcerações
o abaulamentos
Rinoscopia posterior
Língua relaxada, apoiada no assoalho da boca e assim
Exame físico mantida com auxílio de abaixador de língua, introduz-
se o espelho de laringe pequeno, previamente
inspeção e a rinoscopia anterior e posterior. aquecido, em direção à parede posterior da orofaringe
Inspeção até ultrapassar os limites do palato mole;
Avaliar as paredes da rinofaringe, as cóanas, a cauda Embora a videonasofibroscopia seja o exame mais
da concha inferior, a porção posterior do septo nasal, utilizado para avaliação das tonsilas faríngeas ou
o tamanho das tonsilas faríngeas e as tubas auditivas adenoides, a radiografia simples do cavum, realizada
bilateralmente (exame de difícil realização em crianças no momento adequado (criança sem infecção) e na
e pacientes não colaborativos). posição correta para o exame (perfil perfeito, sem
deglutir e sem chorar), permite o diagnóstico de
Oroscopia
hiperplasia de tonsila faríngea.
no paciente com obstrução nasal, observar o palato e
avaliar características da mordida. Comum palato
atrésico (ogival)
hiperplasia de adenoides
Exames Complementares Os exames de imagem nas doenças rinossinusais são
necessários apenas nos pacientes em que se suspeita
Endoscopia nasal de complicações.
Visualizar toda cavidade nasal do vestíbulo ate a Nestes casos, o exame adequado é a tomografia
rinofaringe, posicionar o endoscópio através do meato computadorizada de seios da face, a qual possibilita a
inferir ou médio, que permite avaliar avaliação dos seios paranasais e das estruturas
o Posição e deformidades do septo nasal; adjacentes, podendo-se diferenciar as estruturas
ósseas, os tecidos moles e o ar, com demonstração da
o Secreções anormais no assoalho da cavidade
anatomia e de suas variações anatômicas e presença e
nasal;
extensão de lesões intra e extras sinusais
o Coloração das conchas nasais e suas
dimensões; meato médio (presença de
secreção, bloqueio ou degeneração
polipoide);
o Tecido adenoideano,
o Outras lesões e tumores nasais.
Não se deve solicitar radiografia simples de seios da
face para avaliação de pacientes com suspeita de
rinossinusite aguda, pois este é um diagnóstico clínico,
sendo a secreção purulenta, oriunda do meato médio,
sinal patognomônico desta condição;
Avaliação de secreção
análise bacterioscópica da secreção nasal o paciente
não deve utilizar medicamentos tópicos nasais nas 12
secreção purulenta em meato médio h que antecedem a coleta.
Exame de imagem Biopsia
Radiografia simples em perfil do cavum é utilizada na Mucosa nasal, quando se suspeita de discinesia ciliar,
avaliação da tonsila faríngea ou adenoide, sendo ou quando se encontra no exame físico lesão
possível identificar o tamanho e o nível de obstrução expansiva e/ou tumoral.
na via respiratória superior.
distúrbio do sono; impacto em atividades diárias, lazer
ou esporte; impacto na escola ou no trabalho;
sintomas presentes incomodam.
o distúrbio do sono;
Doenças do Nariz e dos Seios Paranasais o impacto em atividades diárias, lazer ou
esporte;
Rinites
o impacto na escola ou no trabalho;
Descrição: inflamação da mucosa de revestimento do o sintomas presentes incomodam .
nariz; Sintomas - obstrução nasal, rinorreia, espirros,
O prurido não se limita ao nariz; em alguns casos,
prurido e hiposmia.
envolve palato, olhos, faringe e laringe, assim
Infecciosas como orelhas.
o Viral A rinorreia normalmente é hialina, sendo anterior,
o Bacteriana posterior ou ambas
o Fúngica
A obstrução nasal pode ser bilateral ou intermitente,
o Outros agentes
alternando de uma cavidade nasal para a outra.
Alérgica Quando a congestão é intensa podem ocorrer
Ocupacional (alérgica e não alérgica) anosmia ou hiposmia e perda do paladar.
Induzida por medicamentos exame físico
o Ácido acetilsalicílico pode se observar em alguns edema nas pálpebras,
o Outros medicamentos cianose periorbitária (à estase venosa secundária a
obstrução nasal crônica)
Hormonal
linhas de DennieMorgan (pregas nas pálpebras
Outras causas inferiores)
o Rinite eosinofílica não alérgica frequentes movimentos de suspensão da ponta no ato
o Irritantes de coçar para evitar a rinorreia
o Alimentos
Rinossinusite aguda
o Emocional
o Atrófica (é inferior a 12 semanas e há resolução completa dos
o Refluxo gastresofágico sintomas); inflamação do nariz e dos seios paranasais,
acompanhada por dois ou mais dos seguintes
Idiopática.
sintomas:
Rinite alérgica
o congestão nasal;
Inflamação da mucosa, mediada por IgE, após o rinorreia anterior ou posterior (mais
exposição com alergênicos; frequentemente, mas não obrigatoriamente
purulenta).
Duração
o Odinofagia;
Intensidade o Disfonia
o Tosse (mais frequente na criança e no período
Leve – Não apresenta.
noturno);
o Distúrbio do sono; o pressão e plenitude auricular;
o Impacto nas atividades diárias, lazer ou o astenia, mal estar e febre.
esporte; o Cefaleia
o Impacto na escola ou no trabalho;
Sinais de alerta: ausência de resposta ao antibiótico
o Sintomas presentes não incomodam
adequado após 72 h, presença de edema e/ou
Moderada/grave – eritema palpebral, alterações visuais, cefaleia intensa
e irritabilidade, manifestações de toxemia, Dor e deformidades geralmente são manifestações
manifestações de irritação meníngea. tardias, o crescimento do tumor permanece silencioso
até que tenha infiltrado algum par craniano,
provocando erosão óssea ou obstruindo o óstio de
drenagem do sei
Rino sinusite crônica
(o superior a 12 semanas e não há resolução completa
dos sintomas)
Compreende duas entidades clínicas: rinossinusite
crônica sem polipose nasossinusal e rinossinusite
crônica com polipose nasossinusal.
sintomas são:
o obstrução e congestão nasal;
o rinorreia anterior/posterior, geralmente
mucopurulenta;
o pressão ou dor facial ou cefaleia
o Tosse em geral improdutiva
exacerbação à noite, devido ao gotejamento nasal
posterior, que provoca inflamação secundária da
faringe.
tomografia computadorizada de seios paranasais é o
exame de escolha para avaliar a extensão da doença e
informar sobre a anatomia da região (radiografias
simples de seios da face não são adequadas para o
diagnóstico).
Hiperplasia adenoideana
Forma crônica promove a mudança do padrão
respiratório, o que gera desvios do crescimento
craniofacial e dentário, além de maior frequência de
infecções das vias respiratórias superiores e distúrbios
do sono.
Crianças: roncos noturnos, sono agitado, pausas
respiratórias durante a noite, sonolência e/ou
irritabilidade durante o dia. Costumam dormir com a
boca aberta em decorrência da obstrução nasal.
Ao exame físico evidenciam-se maxila atrésica,
protrusão dos incisivos superiores, mordida aberta e
cruzada, eversão do lábio inferior, lábio superior
hipodesenvolvido, narinas estreitas e hipotonia da
musculatura perioral.
NEOPLASIAS NASAIS E NASOSSINUSAIS
A principal queixa é a obstrução nasal unilateral, mas
podem ocorrer também rinorreia purulenta, epistaxe
e cacosmia.