Urucum em dietas para kinguios: desempenho e cor
Urucum em dietas para kinguios: desempenho e cor
ISSN: 1676-546X
[email protected]
Universidade Estadual de Londrina
Brasil
Fries, Edionei Maico; Correia Bittarello, Alis; Zaminhan, Micheli; Signor, Altevir; Feiden,
Aldi; Boscolo, Wilson Rogério
Urucum em dietas para alevinos de kinguios Carassius auratus: desempenho produtivo e
pigmentação da pele
Semina: Ciências Agrárias, vol. 35, núm. 6, noviembre-diciembre, 2014, pp. 3401-3413
Universidade Estadual de Londrina
Londrina, Brasil
Resumo
O presente trabalho avaliou a influência da adição de urucum como agente pigmentante sobre as
características de coloração da pele, músculo e desempenho produtivo de Carassius auratus, criados
em hapas de 0,15 m3 (dimensões de 0,50 x 0,50 x 0,65 m), dispostos no interior de um tanque de
alvenaria circular de 25 m3. Foram utilizados 336 alevinos de C. auratus distribuídos inteiramente ao
acaso em 28 hapas, com sete tratamentos e quatro repetições, com 12 peixes por unidade. Os níveis de
adição de urucum foram 0,0; 0,25; 0,50; 1,00; 2,00; 4,00 e 8,00%. Os peixes com peso inicial médio
de 1,12 ± 0,18 g e comprimento de 4,31 ± 0,44 cm, foram alimentados as 08, 11, 14 e 17 horas. A
característica colorimétrica de b* (amarelo) mostrou valores significativos aos 96 e 141 dias no sistema
de coordenadas Hunter com adição de 2,0 e 1,0% de urucum na dieta, respectivamente e, no sistema
de coordenadas CMYK aos 96 dias para C (ciano) e aos 141 dias para Y (amarelo) com adição de
8,0 e 2,0% de urucum na dieta respectivamente. Observaram-se diferenças (P<0,05) para peso final
médio, ganho em peso médio, conversão alimentar aparente, taxa de crescimento diário e eficiência
alimentar. Recomenda-se uma dieta contendo 1,0% de adição de urucum para C. auratus para o melhor
desempenho e de 1,0 a 4,0% de adição de urucum para intensificação luminosa da pele dos peixes.
Palavras-chave: Aquicultura, carotenóides, peixes ornamentais, piscicultura
Abstract
This study evaluated the effect of adding annatto as agent pigmentation on the staining characteristics
of the skin, muscle and productive performance of Carassius auratus, reared in 0.15 m3 (dimensions
0.50 x 0.50 x 0.65 m) hapas disposed within a circular masonry tank of 25 m3. We used 336 C. auratus
fingerlings completely randomized design in 28 hapas with seven treatments and four replicates with 12
fish per unit. The addition of annatto levels were 0.0, 0.25, 0.50, 1.00, 2.00, 4.00 and 8.00%. Fish with
an average initial weight of 1.12 ± 0.18 g and length of 4.31 ± 0.44 cm, were fed the 08, 11, 14 and 17
hours. The b * colorimetric characteristics (yellow) showed significant at 96 and 141 days in the Hunter
coordinate system with the addition of 2.0 and 1.0% annatto in the diet, respectively, and the coordinate
system of CMYK and 96 days for C (cyan), and 141 days for the Y (yellow), with the addition of 8.0 to
1
Engº de Pesca, Discente do Curso de Mestrado em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca, Universidade Estadual do Oeste
do Paraná, UNIOESTE, Toledo, PR. E-mail: [email protected]
2
Zootecnista, M.e em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca, Pesquisadora do Grupo de Estudos de Manejo na Aquicultura,
GEMAq, Toledo, PR. E-mail: [email protected]
3
Engos de Pesca, M.e em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca, Discente de Doutorado em Zootecnia da Universidade
Estadual de Maringá, UEM, PR. E-mail: [email protected]; [email protected]
4
Profs. do curso de Engenharia de Pesca, UNIOESTE, Toledo, PR. E-mail: [email protected]; [email protected];
[email protected]
*
Autor para correspondência
Recebido para publicação 09/09/13 Aprovado em 01/02/14
3401
Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 35, n. 6, p. 3401-3414, nov./dez. 2014
Fries, E. M. et al.
2.0% annatto in the diet, respectively. We observed differences (P <0.05) average final weight, weight
gain, feed conversion, daily growth rate and feed efficiency. It is recommended a diet containing 1.0%
added annatto to C. auratus to better performance and 1.0 to 4.0% added annatto to intensified light
fish skin.
Key words: Aquaculture, carotenoids, ornamental fish, fish farming
elétrica (µS cm-1) e oxigênio dissolvido (mg L-1) Ao final do experimento os peixes foram
foram mensurados semanalmente, enquanto que mantidos em jejum por 24 horas para o esvaziamento
a temperatura (°C) foi aferida quatro vezes ao dia do trato gastrointestinal. Posteriormente foram
(08h, 11h, 14h e 17h). insensibilizados em solução de benzocaína a 100
mg L-1 (BITTENCOURT et al., 2012), pesados
Os tratamentos foram compostos por sete dietas
e medidos para determinação dos parâmetros
(0,0; 0,25; 0,50; 1,0; 2,0; 4,0 e 8,0% de adição de
zootécnicos. Foram avaliados o peso final,
farelo de urucum por kg de ração) (Tabela 1). O farelo
conversão alimentar aparente, eficiência alimentar,
de urucum foi adicionado a uma dieta basal contendo
comprimento final total, sobrevivência e fator de
32% de proteína bruta e 3.200 Kcal de energia
condição.
digestível kg-1 de ração (Tabela 2). Os nutrientes
digestíveis foram calculados segundo os valores Para quantificar a intensidade de pigmentação
observados por Pezzato et al. (2002), e Boscolo et al. da pele de C. auratus foi realizada utilizando-se
(2008). Para a elaboração das rações, os ingredientes de duas ferramentas. Uma cotando um ponto logo
foram moídos individualmente em moedor tipo abaixo da nadadeira dorsal do peixe in vivo da
martelo com peneira de malha 0,6 mm, pesados, pele e outro in morte do músculo com colorímetro
homogeneizado manualmente a seco, acrescido o portátil e outra cotando um ponto logo abaixo da
suplemento mineral e vitamínico. Para a mistura dos nadadeira dorsal a partir de fotografias digitais
diferentes níveis de farelo de urucum, foi realizado com software fotográfico dos peixes in vivo.
uma pré-mistura desse componente com os demais
A quantificação da intensidade de pigmentação
ingredientes e posteriormente homogeneizado com
da pele de C. auratus foi realizada com a utilização
o restante da dieta. Em seguida as dietas foram
de fotografias digitais, obtidas e processadas
submetidas ao processo de extrusão com matriz de
conforme metodologia preconizada por Rezende et
1,2 mm. Para a realização deste procedimento, a dieta
al. (2012). Na região selecionada foram cotados três
farelada foi umedecida com 25% de água, extrusada
pontos aleatórios, cada ponto correspondia à área de
e, em seguida, seca em estufa com ventilação forçada
25 pixels quadrados. A resolução das fotografias no
a 55 °C por 48 horas. A extrusão da ração foi realizada
momento da quantificação da pigmentação era de
no Laboratório de Nutrição de Organismos Aquáticos
2592 x 1944 pixels.
do GEMAq/Unioeste.
Para que a variação diurna da incidência
luminosa indireta do sol, não interfira nas cores, as
Tabela 1. Composição percentual química do urucum fotografias digitais foram tiradas em sala fechada,
usado nas rações experimentais para juvenis de kinguios
utilizando apenas iluminação artificial, através de
C. auratus.
uma lâmpada incandescente de 100 watts e outra
Nutrientes1 % fluorescente de 60 watts, posicionadas 80 cm acima
Valor energético 41 kcal – 172KJ da superfície de acomodação dos peixes.
Carboidratos 2
Proteínas 2
Gorduras totais 3
1
Informações nutricionais para uma porção 6,7g, fornecida no
rotulo do produto.
Fonte: Elaboração dos autores.
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Tabela 2. Composição percentual e química das rações experimentais com diferentes níveis de adição de urucum para
juvenis de kinguios C. auratus.
Os registros foram obtidos com câmera equilíbrio de cores, através do software Adobe
SAMSUNG SL202 de 10.2 Megapixels, fotografando Photoshop® versão CS4. Para a obtenção dos valores
três peixes por unidade experimental num total de 12 percentuais referentes às cores amarela e magenta
indivíduos por tratamento. As primeiras fotografias utilizou-se o modo de exibição de cores CMYK.
obtidas aos 21 dias experimentais, e as demais a
Foram quantificadas as colorações da pele dos
cada 15 dias durante um período de 156 dias, foram
peixes utilizando as coordenadas Hunter e o sistema
efetuadas com o intuito de verificar o período de
de coordenadas CMYK (%). No sistema de cotação
tempo necessário para a dieta com adição de urucum
de cores Hunter (L*a*b*), L* representou brilho
influenciar a pigmentação da pele dos peixes. A
(–100, preto e +100, branco), a* (–100, verde e +100
câmera foi posicionada a 35 cm dos peixes, a um
vermelho) e b* (–100, azul e +100, amarelo). Os
ângulo aproximado de 60º em relação à superfície
valores, em percentuais, observados nos sistema de
de acomodação do animal a ser fotografado.
coordenadas CMYK foram transformados através
Inicialmente as fotografias passaram por da equação:
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Urucum em dietas para alevinos de kinguios Carassius auratus: desempenho produtivo e pigmentação da pele
Figura 1. Exemplar fotografado e utilizado para avaliar a pigmentação da pele no sistema de coordenadas Hunter e
CMYK. (a) foto do peixe utilizada no estudo; (b) foto do mesmo exemplar após o equilíbrio de imagem.
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Tabela 3. Índices de coloração no sistema de coordenadas Hunter e CMYK obtidos de Carassius auratus alimentados
com diferentes teores de Bixa orellana L. na dieta a partir de fotografias digitais utilizando o software Adobe PhotoShop
CS4®. Dados convertidos e apresentados em radianos.
Continua ...
Índices de 0,00 0,25 0,50 1,00 2,00 4,00 8,00 CV (%)
coloração 21 dias experimentais
L 41,00 40,50 41,25 40,33 40,42 41,83 43,67 6,93NS
a 33,08 32,83 36,83 36,08 36,58 38,50 36,33 12,06NS
b 43,75 41,83 43,42 42,08 43,50 45,08 43,17 6,40NS
C 0,553 0,557 0,535 0,539 0,538 0,522 0,513 3,63NS
M 1,083 1,097 1,123 1,133 1,132 1,142 1,096 5,86NS
Y 1,524 1,542 1,552 1,531 1,544 1,550 1,509 3,08NS
K 0,492 0,502 0,459 0,478 0,477 0,441 0,422 10,38NS
36 dias experimentais
L 42,25 41,58 42,58 39,92 44,08 42,08 39,75 8,95NS
a 33,08 31,25 37,33 37,08 31,42 39,08 37,75 11,78NS
b 41,92 41,50 43,50 38,58 44,00 42,92 39,75 7,91NS
C 0,545 0,560 0,525 0,540 0,541 0,521 0,541 3,71NS
M 1,075 1,063 1,114 1,146 1,045 1,141 1,151 6,59NS
Y 1,554 1,520 1,523 1,485 1,531 1,528 1,531 3,43NS
K 0,462 0,486 0,434 0,485 0,441 0,435 0,482 12,19NS
51 dias experimentais
L 39,58 40,33 43,67 41,17 39,92 39,58 41,25 8,12NS
a 33,33 33,17 33,17 34,67 36,25 35,25 31,75 12,00NS
b 38.17 40,03 41,92 41,33 41,25 40,50 39,50 8,19NS
C 0,557 0,553 0,542 0,547 0,547 0,549 0,561 3,35NS
M 1,108 1,092 1,068 1,115 1,123 1,133 1,079 6,43NS
Y 1,471 1,471 1,478 1,527 1,538 1,506 1,504 5,04NS
K 0,510 0,490 0,437 0,473 0,491 0,493 0,508 10,47NS
66 dias experimentais
L 41,50 39,67 41,58 41,92 45,42 43,58 39,25 7,71NS
a 32,83 35,58 34,83 33,67 33,67 35,08 36,00 10,49NS
b 39,33 38,92 40,83 41,50 43,17 42,58 40,17 6,81NS
C 0,552 0,544 0,543 0,545 0,525 0,526 0,548 3,01NS
M 1,077 1,136 1,100 1,091 1,070 1,082 1,147 6,40NS
Y 1,457 1,456 1,491 1,510 1,490 1,505 1,542 4,62NS
K 0,476 0,493 0,463 0,480 0,405 0,526 0,504 10,41NS
81 dias experimentais
L 38,83 39,75 41,00 40,58 43,83 40,67 41,33 5,97NS
a 37,00 37,08 38,83 38,58 36,08 40,40 37,42 8,95NS
b 38,33 37,50 39,25 38,50 42,33 42,00 38,33 7,08NS
C 0,548 0,545 0,528 0,532 0,525 0,524 0,536 3,44NS
M 1,152 1,147 1,154 1,165 1,090 1,171 1,139 4,57NS
Y 1,494 1,453 1,467 1,444 1,501 1,532 1,422 4,58NS
K 0,504 0,483 0,452 0,460 0,421 0,452 0,461 9,34NS
96 dias experimentais
L 39,67 36,00 35,58 37,25 40,83 37,17 34,00 11,38NS
a 19,00 19,33 21,33 22,17 21,58 22,42 15,83 18,25NS
b 34,58ab 31,92b 31,67b 33,42ab 40,08a 33,50ab 29,50b 10,41*
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Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 35, n. 6, p. 3401-3414, nov./dez. 2014
Urucum em dietas para alevinos de kinguios Carassius auratus: desempenho produtivo e pigmentação da pele
... Continuação
Índices de 0,00 0,25 0,50 1,00 2,00 4,00 8,00 CV (%)
coloração 96 dias experimentais
C 0,632ab 0,648ab 0,636ab 0,630ab 0,612b 0,623ab 0,679a 4,51*
M 0,947 0,979 1,004 1,005 0,961 0,993 0,954 5,39NS
Y 1,353 1,344 1,367 1,388 1,469 1,388 1,325 5,42NS
K 0,574 0,631 0,633 0,592 0,538 0,604 0,679 11,32NS
111 dias experimentais
L 38,00 39,33 37,58 35,50 38,33 35,58 34,67 13,62NS
a 28,58 22,92 27,67 25,00 24,75 23,83 27,25 14,22NS
b 35,17 36,50 36,75 31,17 36,08 36,67 33,75 10,90NS
C 0,587 0,614 0,587 0,617 0,601 0,620 0,606 3,73NS
M 1,061 1,014 1,038 1,049 1,024 1,022 1,080 6,35NS
Y 1,396 1,437 1,428 1,331 1,434 1,461 1,427 6,18NS
K 0,559 0,568 0,566 0,592 0,585 0,620 0,622 12,45NS
126 dias experimentais
L 32,75 36,58 34,33 37,75 38,33 37,58 34,08 11,17NS
a 26,58 19,83 23,42 25,00 23,92 23,08 22,17 16,81NS
b 29,67 35,00 33,75 33,67 34,67 35,17 32,50 13,72NS
C 0,617 0,645 0,626 0,610 0,615 0,619 0,639 4,81NS
M 1,081 0,983 1,023 1,032 1,011 1,010 1,026 5,30NS
Y 1,327 1,453 1,421 1,369 1,402 1,438 1,416 6,51NS
K 0,655 0,617 0,631 0,574 0,569 0,592 0,651 11,23NS
141 dias experimentais
L 37,50 41,58 39,42 41,00 41,42 39,67 40,75 7,54NS
a 23,08 20,00 21,50 21,83 21,17 24,17 16,42 20,94NS
b 26,58b 32,17ab 33,08ab 34,00a 33,42ab 33,58a 29,75ab 9,53*
C 0,630 0,622 0,625 0,614 0,614 0,608 0,651 5,08NS
M 1,011 0,939 0,982 0,968 0,959 0,998 0,918 5,27NS
Y 1,165b 1,272ab 1,306ab 1,325ab 1,352a 1,342ab 1,247ab 6,18*
K 0,592 0,541 0,565 0,562 0,532 0,549 0,565 10,41NS
156 dias experimentais
L 44,83 44,25 45,25 43,50 45,25 42,25 42,08 8,87NS
a 20,25 22,17 23,33 23,42 25,17 24,58 23,00 19,16NS
b 30,00 35,67 37,08 29,17 37,33 32,50 30,67 15,24NS
C 0,610 0,593 0,582 0,602 0,572 0,590 0,598 5,43NS
M 0,925 0,948 0,952 0,967 0,970 0,590 0,973 6,48NS
Y 1,165 1,295 1,335 1,174 1,355 1,247 1,248 7,02NS
K 0,473 0,485 0,461 0,486 0,454 0,506 0,505 13,27NS
*Médias na mesma linha seguidas de letras distintas diferem (P<0,05) pelo teste de Duncan.
Fonte: Elaboração dos autores.
3407
Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 35, n. 6, p. 3401-3414, nov./dez. 2014
Fries, E. M. et al.
são descritos a bixina, norbixina, quercetina, (9’Z)- Rema (2005), fatores como tamanho do peixe, idade,
apo-6’-licopenato, 7-glicosilapigeina, 7-bissulfato- composição da dieta, período de suplementação,
apigeina, 7-glicosilluteolina, 7-bissulfato-luteolina fonte e concentração de carotenóides, maturação
(LIMA et al., 2001). Moyle e Cech (1996) sexual, fatores genéticos e a temperatura da
salientam que a cor dos peixes é controlada pelo água afetam a pigmentação do peixe. Os mesmo
sistema endócrino e nervoso, no entanto, fontes de autores afirmam que, para esse último parâmetro, o
pigmentos alimentares também podem desempenhar ambiente onde os C. auratus estão inseridos deve
um papel na coloração dos peixes. A glândula permanecer entre 26 a 30 °C. Valores esses que são
pituitária segrega hormônios que controlam o bem superiores ao presente estudo.
metabolismo e o armazenamento de pigmentos
O uso de pigmentos carotenóides está bem
ao longo da vida de um peixe e em particular,
documentado na literatura e as suas funções mais
quando é alcançada a maturidade. A produção e
efetivas são como antioxidante e pró-vitamina A,
armazenamento desses elementos normalmente
bem como aumentam a resposta imune, reprodução,
são maiores no início da maturidade, podendo essa
crescimento, maturação e fotoproteção. Essas
ser a razão pela qual muitas das espécies de peixes
mesmas moléculas desempenham papel vital na
lançam mão da sua coloração para a camuflagem
fisiologia e saúde em geral por serem nutrientes
e para atrair um parceiro (SINHA; ASIMI, 2007).
essenciais e, portanto, devem ser incluídos em dietas
Os autores sugerem ainda que a intensificação da
para animais aquáticos (SINHA; ASIMI, 2007).
cor da pele de kinguios pode ser usada como um
marcador para o desenvolvimento das gônadas. No Lima et al. (2001) afirmam que o efeito
entanto, as interações entre os fatores supracitados hipolipidêmico da bixina no controle e prevenção
são complexas e parcialmente estudadas pelos da aterosclerose de animais vem sendo atribuído à
fisiologistas (CHATZIFOTIS et al., 2005). sua ação antioxidante. Ao explicar seu mecanismo
de ação, Lima et al. (1999) sugeriram a formação
A bixina é o carotenóide majoritário em
de quelatos entre a enzima e a bixina, que levam à
sementes de urucum (cerca de 80%) e a norbixina
mudança conformacional da enzima, alterando seu
está presente em menor quantidade, no entanto,
centro ativo. As moléculas da bixina e norbixina, após
as concentrações da primeira podem variar de
serem capturadas protegem o endotélio dos vasos
1.540 a 3.540 mg kg-1 de colorífico (TOCCHINI;
sanguíneos da oxidação de lipoproteínas de baixa
MERCADANTE, 2001). A grande variação nas
densidade (LDL), pois, danos ao endotélio podem
concentrações desse elemento dos coloríficos
causar lesões ateroscleróticas (LIMA et al., 2001).
dificulta uma recomendação precisa para a sua
Lima et al. (1999), salientam que a concentração
utilização como ingrediente na formulação de
de 5,4 x 10-5 mol L-1 de bixina e norbixina
rações, a menos que análises químicas prévias
maximiza a atividade da lipase lipoprotéica, sendo,
sejam realizadas para determinar seu conteúdo
a enzima, responsável por catalisar a hidrólise de
específico (TOCCHINI; MERCADANTE, 2001).
triacilglicerídeos a ácidos graxos e glicerol.
A salinidade, intensidade de luz e temperatura
Os resultados obtidos por Mukherjee, Mandal
da água são fatores ambientais que influenciam na
e Banerjee (2009) indicaram melhor deposição de
pigmentação dos peixes (STOREBAKKEN; NO,
astaxantina para Poecilia reticulata com 45 mg
1992). O fato de não haver diferenças desse fator na
de astaxantina g-1 de dieta, tendo como fonte a
pele dos peixes aos 156 dias pode estar relacionado
cúrcuma (Curcuma longa). Para Pseudotropheus
às baixas temperaturas e a alta transparência da
acei os maiores índices de luminosidade, tonalidade
água, pois a mesma permaneceu cristalina durante
amarela e vermelha foram observados nos peixes
todo o período experimental. Segundo Gouveia e
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Urucum em dietas para alevinos de kinguios Carassius auratus: desempenho produtivo e pigmentação da pele
Tabela 4. Índices de coloração no sistema de coordenadas Hunter (L*a*b*) obtidos de C. auratus alimentados com
diferentes teores de Bixa orellana L. na dieta a partir de colorímetro (Minolta-CR410S) da pele e músculo aos 156
dias experimentais.
A cor do músculo dos peixes reage de forma De acordo com Schiedt (1989), a velocidade
diferente de acordo com a alimentação que de absorção dos carotenóides varia de acordo com
recebem. Yesilayer e Erdem (2011) observaram a espécie de peixe e, segundo Putnam (1992) a
que a luminosidade diminuiu enquanto a* e b* capacidade de converte-los em pigmentos utilizáveis
aumentaram ao longo do período experimental, varia de acordo com a espécie, bem como com a taxa
influenciadas pelo consumo de rações com de deposição dos mesmos no tegumento (HUDON,
incorporação de agentes pigmentantes, com as cores 1991). Em virtude deste fato, mesmo dietas ricas em
sendo mais intensas pela adição de astaxantina em carotenóides podem ser deficientes nos compostos
comparação a óleo resina de páprica (YESILAYER; apropriados para a pigmentação da pele de uma
ERDEM, 2011). determinada espécie. Baixas taxas de assimilação
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Fries, E. M. et al.
refletirão na coloração, visto que a quantidade de diferenças significativas (P<0,05) para peso final
pigmento depositado aumenta com a concentração médio, ganho em peso médio, conversão alimentar
de carotenóides na dieta (SOMMER; D’SOUZA; aparente, taxa de crescimento diário e eficiência
MORRISSY, 1992). alimentar. Neste trabalho, pode-se verificar que a
adição de 8% de urucum na dieta apresentou o pior
Os resultados das características de desempenho
índice de conversão alimentar aparente dos animais,
produtivo dos peixes ao final do experimento
embora não tenha influenciado no crescimento dos
encontram-se na Tabela 5. Observaram-se
peixes.
Tabela 5. Desempenho produtivo de alevinos de kinguios (C. auratus), em função dos níveis de adição de urucum na
dieta.
Tratamentos
Parâmetros
0,00 0,25 0,50 1,00 2,00 4,00 8,00 CV (%)
Peso Inicial Médio 1,17 1,16 1,18 1,16 1,17 1,16 1,16 1,59NS
Peso Final Médio 7,10ab 7,10ab 6,62b 7,29 a
6,60b 6,71b 6,92ab 4,79*
Ganho de Peso Médio 5,93ab 5,94ab 5,44b 6,12 a
5,43b 5,55b 5,76ab 7,71*
Comprimento Padrão 4,74 4,73 4,72 4,77 4,74 4,66 4,72 2,45NS
Comprimento Total 7,14 7,14 7,13 7,18 6,93 7,07 7,13 3,13NS
Sobrevivência 97,92 95,83 100 100 95,83 100 97,92 3,46NS
Conversão Alimentar Aparente 1,56b 1,64ab 1,70ab 1,55 b
1,68ab 1,53b 1,76a 6,35*
Taxa Crescimento Diário 1,31abc 1,31ab 1,25c 1,33 a
1,26c 1,27bc 1,29abc 2,65*
Eficiência Alimentar 0,64ab 0,61abc 0,60bc 0,65 ab
0,60abc 0,65a 0,60c 6,26*
Fator de Condição 1,98 1,96 1,83 1,98 1,98 1,91 1,91 10,61NS
*Médias na mesma linha seguidas de letras distintas diferem (P<0,05) pelo teste de Duncan.
Fonte: Elaboração dos autores.
São inexistentes trabalhos avaliando fatores poedeiras, especialmente quando se usa uma fonte
antinutricionais ou possível toxidade causada por ausente de pigmentos, como sorgo, quirera de arroz,
níveis elevados de adição do urucum em dietas entre outros (OLIVEIRA, 2004), substituindo o
para peixes. No entanto, em estudo com ratas milho amarelo, que apresenta o pigmento zeaxantina
Paumgartten et al. (2002), não tiveram redução (LIÑAN-CABELLO; PANIAGUA-MICHEL;
de peso corporal aos 21 dias de gestação e em HOPKINS, 2002).
suas proles, após administração de dose diária de
Os carotenoides têm papel fundamental no
extrato seco de urucum (500 mg), contendo 28%
metabolismo intermediário dos peixes (SEGNER et
de bixina, por quilo de peso corporal, essa dosagem
al., 1989), podendo melhorar a absorção de nutrientes
equivale ao consumo diário médio de 140 mg de
e consequentemente incrementar o crescimento
bixina por quilo de massa corporal. O fato da bixina
dos animais (AMAR et al., 2001). Gouveia et al.
não ser tóxica, quando utilizada em doses elevadas
(2003) utilizando dietas enriquecidas com biomassa
(140 mg por quilo de massa corporal ao dia) na
de Chlorella vulgaris, Haematococcus pluvialis,
alimentação, demonstra que a mesma não apresenta
Arthrospira maxima (Spirulina) e astaxantina
fator limitante quanto ao uso na alimentação animal
sintética para juvenis de carpas koi (Cyprinus carpio)
(REZENDE, 2006). Esse é o fato pelo qual a bixina
e C. auratus não observaram diferenças na taxa de
tem sido usada na pigmentação de gemas de ovos de
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Urucum em dietas para alevinos de kinguios Carassius auratus: desempenho produtivo e pigmentação da pele
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