Anamnese Médica: Guia Completo
Anamnese Médica: Guia Completo
Ex.: João Gina Guda, 57 anos, Leito 202 Histórico da doença atual: Detalhar
perfeitamente, deve-se escrever sobre
1. 14 mar 2019: Desconforto ou
os 7 atributos.
aperto piorando há três dias
2. 14 mar 2019: Doença arterial História Pregressa
coronariana há 10 anos;
História Familiar
3. 14 mar 2019: Tabagista 30
carteiras-ano História Pessoal
4. 14 mar 2019: Apendicectomia há
Revisão de sistemas
30 anos;
5. 14 mar 2019: Hemorragia
digestiva alta há 5 meses.
Existe um teorema de bates que segue
uma cronologia.
Se inicia com a prevalência da doença,
onde avalia as probabilidades da doença
ocorrer naquele indivíduo, logo após se
avalia o cenário (idade, dia do ano).
Exemplo do início da anamnese
Hipertensão: P.S. > 140 mmHg P.D. > 90 Em caso de hipertermia não se adianta
mmHg tomar antitérmicos.
ESTADO GERAL
O estado geral é algo subjetivo. É Paciente em coma há 10 anos, com
independente do estado da doença, e sinais estáveis: pode definir como um
sim da expressão do momento. Existe regular estado geral, apesar do estado
um bom estado geral, regular estado da doença.
geral e um mal estado geral.
Não precisa justificar o motivo de
Considerar: Atitude, fala e coerência, determinar o estado geral, porém, em
sinal de sofrimento (dor, esforço, algumas situações, é razoável uma
respiratório, gemência), condição física, explicação.
CARLOS KADIS 1
FÁCIES gestação? Possui foto para comparar?
Há outras queixas relacionadas com
hipotireoidismo, como cansaço, ganho
de peso, desanimo, pele seca, queda de
ATÍPICA cabelo?
Existe outros motivos que levam a
edema, um exemplo é a insuficiência
cardíaca ou renal causarem edema
periorbital.
HIPOCRÁTICA
MIXEDEMATOSA
CARLOS KADIS 3
Em uma radiografia identifica se a madarose no terço distal da
adenoide está obstruindo a cavidade sobrancelha).
nasal.
PARKINSONIANA
ACROMEGÁLICA
LEONINA
CARLOS KADIS 4
ESCLERODÉRMICA
RENAL
CARLOS KADIS 5
Paralisia facial periférica: O nervo foi normalmente, porém o sorriso não é
lesado na parte periférica (onde surge). distribuído. Puxa pro lado normal. A
Logo, os seus ramos serão danificados, parte doente é a fixa, a que se move está
não tendo inervação da musculatura do saudável (hipotonia do lado inativo – a
olho, bochecha, boca. Dessa forma, há parte feia é a sadia). Observar que
uma paralisia da hemiface, toda paralisias de faces central são
motricidade de um lado está alterada. contralaterais. A central é mais difícil de
resolver.
Já a Lagoftalmia é a incapacidade de
fechar a pálpebra inferior, que
habitualmente fica preenchida por
lágrima “lago”. Pede estar presente na
paralisia facial periférica, mas NÃO na
central. Pode também ser encontrada
em idosos por pela do tônus muscular.
Paralisia facial central: O nervo facial é
lesado “dentro da cabeça”. É
contralateral. Vai ter um acometimento
da pálpebra pra baixo, pois a testa que
enruga os dois lados. Acometimento da
bochecha para baixo, olho abre e fecha
CARLOS KADIS 6
CARACTERÍSTICAS DA PELE A pele e observar o tempo de resposta
para retornar ao estado original.
SEREM AVALIADAS
MOBILIDADE: Capacidade de
COLORAÇÃO: Identificar se a mover sobre os planos profundos (uma
pele possui palidez, hiperemia ausência de mobilidade pode indicar
(aumento do suprimento sanguíneo alguma malignidade em uma lesão).
arterial), cianose (coloração azul
violácea da pele e mucosa, devida à TURGOR: Deve-se pinçar a pele
insuficiente oxigenação), livedo juntamente ao subcutâneo. Em caso de
reticular (aparência malhada e possuir um Turgor diminuído, deve-se
rendilhada da pele) ou eritrocianose pensar em desidratação ou idade
(pele violácea, devido à dilatação avançada. Cuidado, o exame de pinçar é
passiva dos capilares). semelhante ao da elasticidade, porém
nesse exame se pega o tecido
CONTINUIDADE OU subcutâneo.
INTEGRIDADE: Usa-se o termo “solução
de continuidade” quando a pele não SENSIBILIDADE: Identificar se
está íntegra. possui dor ao toque, ou se existe uma
sensibilidade tátil e/ou térmica.
UMIDADE: A umidade da pele
está normal, seca ou sudoesta (umidade LESÃO: Em caso de avaliar
aumentada). lesões, deve se atentar a coloração da
pele e da mucosa.
TEXTURA: Deve-se deslizar a
mão sobre a pele. Identificar se a pele é COLORAÇÃO DA PELE E MUCOSA
normal, lisa/fina ou áspera enrugada
Ao avaliar a coloração deve-se utilizar a
(comum em idosos).
luz natural para ter certeza do
ESPESSURA: Para medir a diagnóstico. A luz branca altera a
espessura, deve-se realizar uma prega coloração real.
da pele, não pegando regiões inferiores.
Ela pode possuir uma pele normal, PALIDEZ
atrófica (translúcida com visualização
de rede venosa – comum em peles finas)
ou grossa (como em casos de
esclerodermia – doença inflamatória do
tecido conjuntivo que torna mais
espessa e dura a pele).
TEMPERATURA: Para fazer a
aferição, utiliza-se o dorso da mão. É
importante comparar regiões
homólogas.
ELASTICIDADE: Para realizar
esse teste, deve-se fazer uma prega da
CARLOS KADIS 7
Palidez da pele deve-se associar a amarelado. A prega da língua também
anemia. Cuidado ao avaliar crianças, fica amarelo em ictéricos (fumantes
pois muitas choram e “escondem” o também coloram o freio da boca).
diagnóstico correto. Logo, onde se
Caso exista dúvidas se a pessoa está
identifica a anemia? Deve-se olhar as
ictérica, olha-se o freio lingual. Pode
mucosas: oculares, oral, coloração da
existir situações em que só a pele fica
língua, lábios, orelhas e no leito ungueal
amarelada. O mecanismo de ação será
(tecido abaixo da unha, estará
investigar qual tipo de bilirrubina está
esbranquiçados em caso de anemia).
alterada (a direta ou a indireta).
Anemia: Geralmente ocorre com
Pode existir um nível avançado de
hemoglobina abaixo de 12 g/dl
icterícia, denominado verdínica, onde a
(mulheres) e 14g/dl (homens).
coloração fica verde amarelado. O
As pregas da mão desbotadas é devido estágio é tão avançado que muitas vezes
uma baixa quantidade de hemácias e a coloração da pele possuirá resquícios
representa uma anemia gravíssima, permanentemente.
cerca de hemoglobina inferior a 5/6
g/dl. DIGITOPRESSÃO
ICTERÍCIA
CARLOS KADIS 8
HIPERCAROTEMIA séptico, infecção grave e choque
hipovolêmico.
ECTOSCOPIA II
Sintoma: É o que o paciente refere,
como exemplo: dispneia (falta de ar),
palpitação, tosse, etc.
Sinal: É o que o médico observa, como
exemplo: cianose, tiragem intercostal,
subcostal, BAN (batimento de asa do
nariz), sudorese, taquipnéia (ciclo
respiratório mais rápido que o normal).
CIANOSE
A cianose é uma alteração na cor da
pele. Ela pode ser periférica ou central.
O Livedo Reticular é o padrão
rendilhado de coloração cianótica ou Em caso de suspeita de alteração na cor
eritemato-cianótica. Resposta da pele, deve-se avaliar em luz natural.
vasoespástica fisiológica ao frio ou a a A quantidade de hemoglobina sem
doenças sistêmicas. oxigênio se torna maior. A coloração
Pode ser uma doença congênita ou azulada de pele e mucosa é causada
adquirida. Na questão adquirida pode com o aumento da Hb reduzida (maior
ser resultado de doenças que5g%. O normal = 2.6g%). O Oxímetro
intravasculares, como por exemplo é um aparelho médico que serve para
Lúpus, artrite reumatoide, choque avaliar o percentual de hemoglobina
saturada (ligada a O2, oxi-hemoglobina)
CARLOS KADIS 9
e reduzida (ligada a CO2, desoxi- Quando se observa a cianose na língua,
hemoglobina). na mucosa oral e nos lábios.
PAC e anemia intensa: Na maioria das
vezes esses quadros clínicos não
apresentam cianose. A não ser em casos
de paciente com hipóxia (quantidade
insuficiente de oxigênio transportado
para os tecidos) gravíssima. PAC é o
nome para a doença da Pneumonia Cianose do tipo central
Adquirida na comunidade (fora do
ambiente hospitalar). A anemia intensa Segmentar: O sinal clínico não será
é quando a quantidade de hemácias uniforme. Haverá cianose em só um
reduzidas ultrapassam 5g% e um dedo, só em um membro, só na mão
hematócrito representa valores esquerda.
próximos de 21%.
Hematócrito: Ht ou Hct é um parâmetro
laboratorial que indica a porcentagem
de células vermelhas (hemácias ou
eritrócitos), sendo importante para
alguns diagnósticos, como anemia. Os
valores de referência é de 35% até 45%
Cianose do tipo segmentar
na mulher e 37% até 44% no homem.
Ao avaliar o tipo da cianose, deve-se
TIPOS DE LOCALIZAÇÃO - BATES classificar a intensidade da cianose, se
ela é leve, moderada ou grave.
Para confiar o diagnóstico de cianose,
tem que observar atentamente as
mucosas do pacientes. O sinal clínico
será mais comum na língua, na mucosa
oral, nos lábios (cuidado, pois o frio
intenso altera sua coloração), no leito
Generalizada (diferente da central):
ungueal das mãos e dos pés. Em casos
Sinal clínico nas 2 pernas.
menos frequentes se observa cianose
no lóbulo da orelha, na ponta do nariz,
na região malar e na pele (cianose na
pele é algo grave, só em estágio
avançado).
Cuidado que existe casos em que a pele
Cianose do tipo generalizada pode estar cianótica, porém a mucosa
não. Em casos leves, a cianose não é
Central: O sangue já sai do coração com
descritível facilmente, logo se orienta a
Hb reduzida, dando a cor cianótica.
CARLOS KADIS 10
realizar uma comparação com sua Sinal clínico: Associação dos
própria pele. mecanismos da cianose central com a
periférica.
Ao observar uma cianose nos membros
inferiores, deve-se investigar que o ALTERAÇÃO NA HB: Problemas na
retorno venoso se encontra prejudicado. fixação do oxigênio, logo o percentual
de Hb saturado se torna baixo e a taxa
TIPOS DE CIANOSE - PORTO de Hb reduzida se eleva.
Central: O sangue sairá da aorta mal Cianose do tipo jabuticaba ocorre
oxigenado, logo o local da cianose se quando o paciente sofre uma apneia
inicia em um ponto central. Geralmente (interrupção do fluxo respiratório),
ocorre por problemas no coração ou devido a um engasgo grande. Ocorre um
pulmão. espasmo da laringe e não entra mais ar.
Sinal clínico: língua, mucosas oreais e Onde se observar a coloração: Lábios,
pele azulada (doenças que prejudiquem ponta do nariz, região malar
a ventilação e oxigenação pulmonar). (bochechas), lóbulos da orelhas, língua,
Periférica: É resultado do fluxo palato, faringe e extremidades dos pés
sanguíneo lento no local, por isso essa (leito ungueal e polpas digitais).
região possui mais Hb desoxigenada e
OUTROS SINTOMAS RELACIONADOS A
leva a cianose. Se conseguir fazer uma
gasometria de uma artéria maior CINOSE
observará que o sangue está oxigenado. Irritabilidade, sonolência, torpor
Quando o fluxo está lento, mais trocas (insensibilidade), crises convulsivas, dor
gasosas ocorrem e a região ficará anginosa, hipocratismo digital (forma
azulada devido a maior quantidade de arredondada anormal do leito digital) e
Hb reduzida. Pacientes com varizes nanismo ou infantilismo.
possuem coloração azulada ao ficar em
pé, devido à dificuldade do retorno O torpor em coma é mais comum na
venoso. retenção de CO2 do que na falta de O2.
Sinal clínico: Pele azulada, mas a língua A falta de O2 sempre causa sonolência e
e mucosas orais não (devido a irritabilidade.
demasiada desoxigenação dos tecidos Qualquer obstrução parcial em uma
periféricos). coronária causa a falta de hemácias e
Mista: Clássico em casos de ICC uma dor anginosa. Logo, a anemia pode
(Insuficiência cardíaca Congestiva – O dar uma dor anginosa. Outras
coração não consegue bombear sangue alterações, como obstrução que cause
na frequência da necessidade uma redução do sangue para o coração,
metabólica). Ocorre um sangue menos (inclui casos em que a massa do
oxigenado saindo do coração, somado a ventrículo esquerdo ou direito seja
uma região com lento fluxo local. maior e leve um maior consumo de O2,
Ocorrerá hipóxia e lentificação do fluxo de forma desproporcional) causa essa
sanguíneo. dor.
CARLOS KADIS 11
O nanismo é a diminuição do exceção de pacientes com DPOC e
crescimento. Já o infantilismo é a cardiopatas congênitos não corrigidos.
pessoa que não possui a maturação
Em casos de oclusão arterial crônica,
sexual dos caracteres sexuais
geralmente não se observa a cianose,
secundários na idade em que deveria.
mas sim uma cor pálida. Isso se justifica
Em pessoas hipóxias crônicas, pode
pelo fato de quando ocorre a
gerar o nanismo, o infantilismo e o
interrupção sanguínea arterial, o
hipocratismo digital.
retorno venoso permanece íntegro.
Hipóxia crônica: É um sinal comum em Esse fato é um sinal de insuficiência
pacientes que possuem problemas arterial e não gera um
pulmonares ou cardíacos congênitos desbalanceamento na taxa de saturação
graves. Essa hipóxia na infância gera os das Hb no local.
sintomas anteriores.
COMO DIFERENCIAR:
Um exemplo de hipóxia crônica na vida
adulta são os casos de fumantes e
cozinheiros de fogão a lenha. Esses
fatores levam a um DPOC (doença HIPEREMIA X CONGESTÃO VENOSA
pulmonar obstrutiva crônica), que Deve-se saber diferenciar a hiperemia
causará um processo de enfisema da congestão venosa. A hiperemia é o
(perda da elasticidade pulmonar devido aumento do fluxo sanguíneo para uma
a exposição constante de poluentes) parte do corpo por dilatação das
com uma bronquite crônica. Todos arteríolas, comum em exposição solar.
esses fatores levam a hipóxia. O capilar é composto por uma arteríola,
Uma observação importante nos casos uma rede de comunicação e uma
de cianose é de que toda vez se vênula, ao aumentar o diâmetro da
manifestar estase venosa (interrupção arteríola, entra mais sangue e o aspecto
de suprimento – por um torniquete, por da pele fica mais corado. Já a congestão
exemplo) causa uma cianose periférica. venosa é, por outro lado, consequência
As varizes (deixa o fluxo lento no local) do processo passivo de uma saída
causa também uma insuficiência venosa alterada do tecido. Ambos os termos
crônica, o que leva ao estado de cianose. indicam aumento do volume de sangue
em um tecido.
A obesidade poderá levar a cianose
devido ao comprometimento do A hiperemia se observar essa dilatação
retorno venoso, pois comprime os vasos das arteríolas, causando uma cor
sanguíneos. avermelhada. Outro sinal bastante
marcado é o Fenômeno de Raynaud,
Em quadro hospitalar, a anestesia e com áreas das mãos possuindo palidez
imobilização de membros também são intensa e outras com hiperemia.
umas das causas da cianose.
Hipóxia crônica nem sempre gera uma
cianose central. Porém, toda cianose
central é fruto de um evento agudo, com
CARLOS KADIS 12
exame de compressão. Na hiperemia há
vasodilatação sem extravasamento,
logo se consegue retirar o sangue de
dentro dos vasos.
CARLOS KADIS 13
A primeira etapa é a coloração branca ser no dorso da mão e, na pediatria, no
dos dedos, devido um início de abdômen na criança.
vasoconstrição. Dedo branco é sinal que
não recebe oxigênio, deve chamar o
angiologista urgentemente.
A segunda etapa é a coloração azul
ciano, pois o dedo para de receber
sangue e o sangue retiro faz trocas,
Como descrever no prontuário: ‘’
elevando o índice de Hb saturada.
Turgor cutâneo diminuído com a
A terceira etapa ocorre uma formação da prega cutânea”.
vasodilatação corretiva, ficando
Cuidado par não realizar o teste de
vermelho. Após uma isquemia, existe
elasticidade, tem que pegar o tecido
uma vasodilatação corretiva.
subcutâneo.
É um sinal clínico inconstante, pode
aparecer as etapas simultâneas, ou
somente uma fica aparente. O
fenômeno de Raynaud está ligado com
doenças reumáticas (esclerodermia,
LES, S. de Sjogren, artrite reumatoide).
CARLOS KADIS 14
Peça ao paciente olhar para cima, para geral, somado a alterações de humor
conseguir ver a coloração e hidratação (alerta, irritado, prostrado).
da mucosa. Abaixar a pálpebra inferior
A pressão arterial não se altera na
para ver o saco conjuntival.
desidratação leve, à medida que
A pele do paciente perderá a umidade, a aumenta o grau de desidratação
elasticidade e o turgor. ocorrerá: Hipotensão postural, que
levará a uma hipotensão e
Alterações oculares (olho fundo, choro
consequentemente choque.
sem lágrimas e diminuição do Turgor
ocular). O olho fundo lembra a face HIPOTENSÃO POSTURAL
hipocrática (desnutrição, com redução
A hipotensão postural ou ortostática é
da gordura periorbital e enoftalmia –
diagnosticada quando a pressão arterial
olho para dentro).
sistólica cai > 20 mmHg ou a pressão
O pulso radial se encontrará filiforme diastólica cai > 10mmHg após 3 minutos
(diminuição da amplitude e da tensão). em pé. A história da doença atual deve
A língua apresentará um turgor identificar a duração e a gravidade dos
reduzido, deve-se espremer a língua sintomas (síncope ou quedas). A revisão
com uma gaze para ver se ela continua dos sintomas deve averiguar a
achatada (se continuar, representa uma existência de sintomas causadoras,
desidratação grau 3). Abaixo da língua como retenção urinária, incontinência,
existe um plexo venoso, e na insuficiência autonômica, constipação,
desidratação o plexo sublingual está intolerância ao calor.
colabado. Também na cavidade oral
A desidratação leva a perda de peso
deve-se observar as veias raninas (dorso
anormal (sem dieta, onde não se
da língua).
esperava). Essa informação só é válida
quando se tem um peso anterior,
recente e preciso (na mesma balança).
Nessa situação o paciente está
perdendo líquido e não gordura.
CARLOS KADIS 15
desidratação que fazem sensações de
irritabilidade, sonolência, apatia (o
mesmo ocorre em quadros de hipóxia,
retenção de CO2, desidratação).
Em casos de hiperglicemia, aumenta a
frequência urinária, apesar do paciente
MOTIVOS DA DESIDRATAÇÃO
se encontrar desidratado. Casos de
Quando há perdas excessivas (vômitos, diabetes descompensadas geram
diarreia, febre, sudorese, queimaduras poliúria e sede constante.
extensas).
Uma consideração geral importante é
Quando há ingesta de líquidos que a pele é o maior indicador de estado
inadequada (mais comum em idosos e de saúde global.
crianças pequenas que dependem de
outros para alimentá-los).
O sinal na prega (Exame da pele com
tecido subcutâneo) só ocorre em II grau
(prega discreta) e em III grau (prega
acentuada).
CARLOS KADIS 17
avaliar se o paciente possui hipotonia é
realizando exames de hiperelasticidade.
TÔNUS MUSCULAR
O tônus muscular é a contração do
músculo, geralmente o tônus é maior
em músculo flexor (o recém-nascido
encolhido). Toda vez que as crianças
possuem pernas esticadas ou Casos de hiperelasticidade. Nem toda
endurecidas/encolhida, existe uma hiperelasticidade representa hipotonia
hipertonia e hipotonia.
CARLOS KADIS 18
Pesquisar se há hiperextensibilidade; ATITUDES VOLUNTÁRIAS
Fazendo movimentos passivos com o Posição de prece maometana
membro “mole-mole”, com isso (genupeitoral): Alívio da dor em duas
observa-se o comportamento, se possui situações, pericardite e na pancreatite
limitações. aguda.
POSTURA DE WERNICKE MANN
CARLOS KADIS 19
Emprostótono (ao contrário do
opistótono), essa posição é a oposta do
opistótono.
CIRCULAÇÃO COLATERAL
São circulações que não eram para ser
ATITUDE INVOLUNTÁRIA vistas. Pesquisar o sentido do fluxo
sanguíneo para saber onde está
São atitudes passivas (fica onde é
desviando o sangue. Essas veias dilatam
deixado). Entre as mais comuns
porque são usadas mais fortes.
possuímos:
Para saber o fluxo, faz a digitopressão e
Opsistótono: Comum em pacientes
separa os dedos, e solta um para saber
acometidos de meningite e tétano;
o sentido do sangue.
Se divide o sistema de circulação
colateral em tipo: Porta, Cava superior
e Cava inferior.
CARLOS KADIS 20
hipertensão porta, sai do umbigo e
forma grandes ramificações, o sangue é
centrífugo do ponto central. Nem
sempre se forma essa cabeça de
medula.
CARLOS KADIS 22
EXAME DO FUNDO DO OLHO –
OFTALMOSCOPIA
Esse assunto aborda as técnicas e
achados clínicos que o clínico deveria
identificar e reproduzir.
A oftalmoscopia é importante nos sinais A luz atravessa a córnea, a pupila, o
de hipertensão intracraniana, doenças cristalino, o vitrio e chega na retina.
sistêmicas, glaucoma agudo, avaliação
cardiovascular.
CARLOS KADIS 23
A imagem da direita possui sombra, sucessivamente seguindo o padrão
logo possui uma angulação aguda e ao desenhado. A última inspeção é
dilatar a pupila pode desenvolver uma horizontalmente para mácula.
crise de glaucoma agudo.
Estrutura de um oftalmoscópio
Para realizar o exame a luz da sala deve Na imagem abaixo, se observa o
estar escurecida. Não aproximar muito esquema de uma visão pelo
o aparelho, concentre a luz na pupila e oftalmoscópio no olho esquerdo. Deve-
observe com o outro olho aberto se se observar todos os elementos abaixo.
aparece um reflexo vermelho (a retina). A macula é uma mancha pequena e
Essa retina tem que aparecer. Se não fóvea é um buraco no centro. Observe
aparecer existe um problema na que apresenta um reflexo luminoso da
refração do olho. luz do aparelho. O disco óptico estar
mais lateralmente.
Para examinar, o olho direito deve
observar o olho direito e o esquerdo o
olho esquerdo.
CARLOS KADIS 24
O disco óptico pode ser mais temporal,
sendo considerado uma avaliação
Essa imagem no exame é normal,
normal.
apenas uma variação.
ANORMALIDADES ENCONTRADAS NO
EXAME
PAPILEDEMA
ATROFIA
CARLOS KADIS 26
Ao realizar o exame do fundo de olho,
não se enxerga a artéria, mas sim o
conteúdo no interior da artéria. A
parede da arteríola é translúcida. Se
observa também o reflexo da luz nas
artérias.
Fio de Prata
Quando ocorre cruzamentos
arteriovenosos (Imagem da direita) a Ocorre quando existe um espessamento
artéria passa por cima e a vênula por muito marcado. Elas ficam quase que
baixo. esbranquiçadas.
Cruzamentos arteriovenosos
Além de alteração na coloração, a
hipertensão causa alterações nesses
cruzamentos. A vênula se trona
Hipertensão achatada devido ao espessamento das
Na hipertensão pode existir: artérias. A transição dela muda, sai de
estreitamentos focais, nas arteríolas. E um vaso constante e começa a se afinar
na medida em que as paredes das (estreitar) no cruzamento. Por fim, a sua
arteríolas vão espessando (não é dimensão se eleva.
possível observar esse espessamento), a O início do processo (imagem da direita)
coluna de sangue ficou estreitada. Com representa um entrecruzamento
o tempo da doença cardiovascular, a chanfrado. A segunda etapa ocorre os
parede fica mais espessa e a coloração cruzamentos afilados (tapering). A
do sangue se altera, e fica na cor de relação do calibre normal entre vênula e
cobre. arteríola é de 3:2. Nessas alterações, a
proporção se torna 3:1 ou até mesmo
4:1.
Fio de cobre
Esse sinal é referente a uma doença
cardiovascular em uma frequência Brilho da arteríola alterado (Sinal de
temporal elevada. Gunn)
CARLOS KADIS 27
Proporção alterada entre arteríola e
vênula (Sinal de Bonnet). A arteríola
também está retificada. Hemorragia retiniana superficial
Geralmente ocorre em casos de
gravidade de uma hipertensão arterial.
Elas acompanham a distribuição dessas
ramificações arteriais.
HEMORRAGIAS RETINIANAS
Os sinais de hemorragias retinianas
superficiais não devem ser confundidos
com fibras de vela, uma vez que
possuem colorações e formatos
diferentes.
Essas hemorragias também são comuns
em casos de hipertensão, logo os 3
sinais vistos anteriormente pode estar
associado. Hemorragia profunda
CARLOS KADIS 28
Nessa imagem se observa manchas
vermelhas profundas. Elas se
relacionam a um quadro de diabetes ou
de hipertensão.
Retinopatia hipertensiva
É uma lesão vascular da retina causada
por hipertensão. É um sinal clínico do
final da doença. Eu possuo nessa
Microaneurismas
imagem alterações no brilho, na
O aneurisma é uma dilatação dos vasos. proporção de artérias para vênulas e
Pode elevar o risco dos rompimentos nos entrecruzamentos.
dos vasos. Também é um quadro
comum da diabetes.
CARLOS KADIS 29
Essa retinopatia não possui os sinais de
hipertensão arterial. Porém possui
lesões. É uma retinopatia não
proliferativa e moderadamente grave
(definida pela lesão na retina).
Coriorretinite cicatrizada
É uma lesão no revestimento interno do
olho. Essa foi causada por
toxoplasmose, porém pode ser
Retinopatia diabética com resultado de uma queimadura por laser.
neovascularização
Quando isso ocorre na mácula,
geralmente o doente perde a visão e se
torna irreversível.
A função do clínico é observar as lesões,
porém não define o diagnóstico. É
necessário sempre encaminhar o
paciente ao oftalmologista. É necessário
diferenciar um fundo de olho saudável
de um doente, e saber quais sinais estão
alterados. Arterite de Takayasu
Ocorre com uma atrofia isquêmica do
nervo óptico anterior bilateral: Doença
que atinge mais as mulheres. Um dos
sinais é quando acomete os membros
superiores e faz alteração da pressão
arterial. Pode perder o braço devido a
inflamação vascular dos grandes vasos.
Como o fundo de olho nos ajuda?
Exsudatos suaves Paciente com cefaleia e suspeita de
meningite. É necessário realizar uma
Exsudatos são manchas na cor de lã de
punção lombar, porém se existir uma
algodão. É uma alteração de cor clara na
hipertensão intracraniana pode existir
fundoscopia. Também se relaciona na
uma hérnia de uncus. É necessário
hipertensão.
realizar um exame de fundo de olho.
Sua importância para o clínico é:
CARLOS KADIS 30
Saber os sinais de hipertensão
intracraniana;
Retinopatia hipertensiva;
Retinopatia diabética;
Relacionar com algumas doenças
sistêmicas.
Mancha de Roth
Esse fundo do olho apresenta a mancha
de Roth. São sinais de endocardite
bacteriana.
CARLOS KADIS 31
CARLOS KADIS MINEIRO SEMIOLOGIA MÉDICA
Essa aula é indicado usar o Bates como 1º) Face: Realizar a inspeção da face,
material de referência. inspeção e palpação do crânio e couro
cabeludo. Subsequente deve-se seguir
Para se realizar um bom exame de pelo olhos, ouvidos, nariz e seios
cabeça e pescoço é necessário possuir paranasais e, por fim, a cavidade oral.
uma boa Iluminação. A luz branca
artificial dificulta a identificação da cor 2º) Pescoço: Começar pela inspeção do
do paciente, disfarça icterícia, cianose e pescoço, segue para o linfonodos,
hiperemia. Nunca inspecionar garganta palpação das glândulas
com essa luz. submandibulares, inspeção, palpação e
ausculta da glândula tireoide e terminar
Toda vez ao se realizar uma inspeção, com ausculta das artérias carótidas
não tocamos no paciente. comuns. Na carótida primeiro se
Para realizar os exames corretamente, ausculta e depois se palpa.
deve-se saber a posição correta para O que se relata em uma inspeção? Tudo
cada tipo de exame e a todo momento que se observa, sem precisar tocar no
explicar o procedimento a ser realizado. paciente. Ex.: Distribuição androgênica
Os aparelhos utilizados nesses exames de cabelos, fácie hipocrática, desvio de
são: lanterna, espátula (abaixador de septo nasal, etc.
língua), otoscópio, estetoscópio,
EXAME DO CRÂNIO
oftalmoscópio e luvas (ocasionalmente,
para realizar exames de cavidade oral).
A ordem de um exame é
1. Inspeção;
2. Palpação;
3. Percussão;
4. Ausculta. Ordem de consulta comum: iniciar com
a inspeção e palpação. Ao observar e
Nem sempre a ordem é sempre essa. terminar a inspeção, comece a
Uma exceção é que na barriga e na palpação. A palpação é feita com os 5
carótida primeiro se ausculta e depois se dedos abertos, passando por todo o
palpa. crânio, em busca de depressões ou
lesões. Com o exame de inspeção e
palpação o médico deverá saber
identificar: o formato (se possui o crânio
CARLOS KADIS 1
normal, plagiocefalia, braquiocefalia, uma deficiência mental. Não é
escafocefalia) do crânio, tamanho obrigatório.
(macrocefalia e microcefalia), presenças
de abaulamentos, depressões e lesões.
Caso esteja tudo normal, se relata que a
inspeção foi realizada e não identificou
alterações no crânio.
CARLOS KADIS 3
É muito comum observar pacientes com radiações UV e poeiras e ventos. Jamais
edemas na região infra-orbital a pinguécula vai invadir a córnea. Quem
(formando bolsas). invade a córnea é o Pterígio.
DISLIPIDEMIA
A dislipidemia é caracterizada com
elevados níveis de lipídios (gorduras) no
sangue. Colesterol e triglicérides estão
O epicanto (prega da pele com a incluídos nessa gorduras. Seu excesso,
pálpebra superior) é em crianças aumenta o risco de infarto e derrame.
orientais. Na direita vemos edemas
infraorbitais.
Pterígio
O pterígio (retirada cirúrgica) ele
Halo senil
invade a córnea e começa a englobar
O halo senil é uma alteração grande parte dela, chegando a
fisiológica, que forma um anel opaco atrapalhar o campo visual. É conhecida
esbranquiçado na região periférica da como “carninha no olho”. É uma
córnea, ao redor da íris. Aparece para o alteração membranosa também. Pode
paciente com a idade. Antes dos 50 possuir causas inflamatórias, com
anos, sugere dislipidemia. exposições constante ao sol, vento,
poeira e produtos químicos, Olhos
claros e exposição a areia, fumaça e
pólen aumentam a chance de
desenvolver. Os sintomas mais comuns
são os estéticos e além da
irritação/inflamação ocular.
A pinguécula (mancha normal) é O estrabismo (olhar vesgo) é um
o espessamento da conjuntiva ocular, distúrbio que afeta o paralelismo dos
uma degenerescência, muito comum no dois olhos. Eles apontam em direções
canto medial que no lateral. Ela faz com diferentes.
que ocorra um depósito de cor amarela
esbranquiçada na junção entre a córnea
e a esclera. Ou seja, é uma alteração do
tecido da conjuntiva, que resulta no
depósito de proteínas, gorduras e cálcio,
alterando a cor da conjuntiva. É um fator
que aumenta com a idade de ocorrer,
mas também é gerada por exposições a
CARLOS KADIS 4
O estrabismo pode ser convergente O paciente entrópio possui sua
(esotropia) divergente (exotropia) ou pálpebra e cílios virados para dentro.
vertical (hipertropia e hipotropia). O Logo ocorre uma adesão na córnea com
epicanto simula estrabismo. facilidade. É uma lesão grave, pois a
córnea não se regenera, somente se
Para avaliar o estrabismo, coloque uma
recupera com intervenção cirúrgica. As
lanterna a 30 cm dos olhos, bem na linha
queixas são parecidas com o extrópico.
média, e observe o REFLEXO
LUMINOSO, incide no mesmo lugar, nas
duas pupilas. Porque detectar
estrabismo infantil? A criança forçará
apenas um lado da visão,
comprometendo o desenvolvimento do
outro. Xantelasma e xantoma
O xantelasma é o acumulo de
lipídios na região medial das pálpebras
superior e inferior. Tem-se que pensar
em dislipidemia (níveis lipídicos
elevados). Se aparece de várias formas,
Observe que os pontos luminosos não pequeno e grande, na parte superior e
são paralelos entre um olho e o outro inferior. O xantelasma é um xantoma na
região dos olhos, pois aparece em
outros locais do corpo. O prefixo OMA
=tumor. Na imagem se diz que o
paciente possui uma tumoração na
região do tendão de Aquiles bilateral.
Ectrópio na pálpebra inf.
O ectrópio é uma condição
patológica da pálpebra onde o olho não
se fecha completamente. Deixando
expostas a esclera e a conjuntiva Terçol na pálpebra inf. e superior
palpebral. Dificulta a lubrificação ocular,
causa dor, o olho se torna seco e Já o terçol (hordéolo agudo) é
lacrimeja constantemente. O paciente uma infecção bacteriana de uma
achará que fechou o olho e levanta para pequena glândula na pálpebra que
a pálpebra superior, ficando só a geralmente apresenta um ponto de
esclera. flutuação (pontinho amarelo, deve-se
drenar – semelhante ao abcesso na
pele). É acometido de dor. No olho a
drenagem costuma ocorrer de forma
espontânea.
CARLOS KADIS 5
ducto lacrimal. Deve-se ministrar
antibióticos orais para tratamento.
CARLOS KADIS 6
entrarem no canal do parto possuem
um retorno venoso comprometido.
Úlcera de córnea
Conjuntivite
O nevo ocular é um sinal
pigmentado. Já a melanoma ocular é o A conjuntivite é uma doença nos
acúmulo de melanina nos olhos e é mais olhos, causada por bactérias, alergias ou
comum em pessoas afrodescendentes, vírus. Sensação de ardência (areia nos
porém acomete pessoas brancas. O olhos), com prurido e secreção. A
melanoma ocular pode ser um sinal que bacteriana é que possui mais pus,
vem de um melanoma da pele. Na pele Frequentemente, uma infecção viral
se manifesta como um tumor maligno, evolui para uma bacteriana.
que dá metástase precocemente. Pode
EXAME DE ORELHA
existir na coroide, na íris e na esclera.
O nervo ocular geralmente é de
nascença e não aumenta de tamanho. Já
o melanoma é uma pigmentação que
surge e aumenta com o tempo. O
melanoma pode se manifestar com mais Inicialmente, para iniciar o exame das
de um tipo de coloração. orelhas, deve identificar suas partes:
Geralmente se confunde os dois e se anti-hélice, hélice, escapa, lobo, trago e
pergunta justamente sobre: Há quanto concha.
tempo apareceu? Está crescendo? O exame clínico possui a ordem sua
Mudando de cor? Algum sintoma? ordem. Na orelha continua com a regra
CARLOS KADIS 7
geral: primeiro inspeção, após a uma sugestão, pode estar relacionada
palpação e por fim otoscopia. com outras coisas.
Todo exame clínico de inspeção e OTOSCOPIA
palpação deve se procurar câncer. A
área da cabeça, apesar de comum, não Otoscopia é o exame realizado na
é muito inspecionada. orelha, com a presença do aparelho
otoscópio.
Técnica: Na otoscopia é dividida em
orelha externa, média e interna. O
conduto auditivo possui retificação na
criança diferente do adulto (no adulto
Gota puxa a orelha para cima e da criança
para puxar para trás). O otoscópio na
É muito comum possuir
mão direita deve ser usado para
pequenas tumorações na hélice da
observar a orelha direita da paciente.
orelha de coloração branca e
Deve apoiar o otoscópio, para evitar que
consistência dura. É um sinal de gota,
ele se mexa.
causada pelo excesso de ácido úrico.
Tumorações na orelha também ocorre
em casos de doenças reumáticas, como
lúpus, artrite reumatoide e outras.
CARLOS KADIS 8
da membrana). Se observa bolhas de ar,
pois o ouvido médio é ventilado. Na
Otite serosa não há abalamento da
membrana.
CARLOS KADIS 9
Pode inserir um duto dentro da
membrana, para pacientes que sofrem
otite por repetição.
CARLOS KADIS 10
inspeção observar a centralidade do visível fazendo a rinoscopia, sendo
nariz, simetria dos olhos, narinas com visível por uma endoscopia nasal, raio-x,
tamanhos semelhantes, com desvio ou tomografia. A lâmina de pus correndo
não de septo e só daí realizar uma na cavidade nasal (imagem à esquerda),
rinoscopia anterior. é fruto do seios da face. É comum em
quadro de sinusite.
RINOSCOPIA ANTERIOR
Sinusite x Otite x Conjuntivite: Muitas
vezes, em especial as crianças, coçam os
olhos, ouvidos e nariz com a mesma
mão, compartilhando a infecção. O
ducto lacrimal que drena lagrimas do
olho, ao receber um infecção, drena
esse liquido infeccioso. O problema é
A Rinoscopia anterior busca observar as que passa pelo nariz, logo uma infecção
hipertrofia de cornetos/conchas, do olho pode comprometer o nariz.
palidez da mucosa na rinite crônica,
hiperemia, desvio de septo, perfuração A sinusite é a infecção dos seios nasais
de septo, lesões e secreção nasal. Se (Seja um, dois – bilateral - ou todos).
pode fazer a rinoscopia com o Pacientes que se recusam a usar
otoscópio, se pede para o paciente antibióticos podem ter complicações. A
parar a respiração por um instante, para proximidade do seio etmoidal com a
conseguir examinar. lâmina crivosa do osso etmoide (que se
comunica com a parte da fossa anterior
do crânio e meninge) pode espalhar a
infecção, causando meningite.
Toda vez que se gripa existe obstrução
nasal, pois há edema da mucosa. Por
estar edemaciado, obstrui os pontos de
drenagem, obstrui o toro tubário (local
onde vai sair, na cavidade nasal
[nasofaringe], a tuba auditiva).
Corneto do nariz
O corneto é o que está dentro da
cavidade nasal anterior, posteriormente
está a adenoide. Existe o corneto
Inspeção da cavidade oral
inferior, médio e superior. A adenoide
fica posterior na cavidade nasal, não é
CARLOS KADIS 11
Deve inspecionar a cavidade oral com definidos. A maligna, também chamada
uma lanterna ligada e espátula na mão. de câncer, não apresenta limites
Tirar a prótese se houver. Afastar as definidos, invade tecidos vizinhos e
bochechas com espátula para ver as possuem crescimento rápido.
gengivas superior e inferior. Não se deve
colocar a língua para fora no exame
orofaringe, pois levanta o assoalho da
boca e dificulta a visualização. Tente
inicialmente sem a espátula, caso não
consiga, peça ao paciente falar “AAAA”.
Toda vez que inserir a espátula, avise
sobre seu grau de profundidade Foco séptico
(procure não ultrapassar a metade da A cavidade oral nos fornece: Estado de
língua, pois provoca ânsia). hidratação “umidade da mucosa”
A cavidade oral deve ser toda “turgência do plexo sublingual”
examinada. O palato duro e mole, “coloração da mucosa (palidez, cianose,
gengiva, sua parte int/ext, sup/inf, hiperemia”, estado da higiene e dentes
dente (são sépticos), cáries (foco séptico “cáries e foco séptico”.
de bactérias), plexo sublingual e freio
lingual. A orofaringe deve ser
examinada.
Como examinar a língua? Peça o
paciente para colocar a língua para
cima, para baixo, e para os lados. As Petéquias no palato e queilite angular
amígdalas são as últimas partes da Lesões na cavidade oral: Petéquias em
inspeção. Procurar lesões em tudo palato, queilite angular, normal,
(neoplasia?). Deve-se palpar a língua petéquias em palato e hipertrofia em
em busca de nódulo. amigdalas.
CARLOS KADIS 12
linfático atrofia com a idade (Seja
gânglio, adenoide, amígdala).
A hipertrofia das amígdalas ocorre mais
na juventude. Ela reduz com o tempo.
Para diferenciar uma amigdalite
bacteriana de uma viral é que a Equimose no céu da boca x hematoma
bacteriana possui placas. Não se usa na perna
antibiótico sem placas formadas. Dor
suportável se recomenda somente anti-
inflamatório. Gelo aumenta a dor,
gargarejo com salmoura quente ajuda a
aliviar. Caso não saiba diferenciar,
aguarde 24 horas e veja se formou
placar.
Difteria no paciente
QUEILITE ANGULAR A difteria não pode ser confundida com
A queilite angular é a rachadura no amidalite bacteriana. É uma doença
canto da boca. Surge em climas secos ou muito grave que forma uma membrana
deficiência de vitamina B (comum). que pode obstruir as vias respiratórias.
A membrana pega o palato, úvula, não é
PETÉQUIA EM PALATO igual a amigdalite (localizada somente
Muito comum em amigdalite na amígdala). Ambos possuem cheiro
bacteriana. Se nas amígdalas não tiver ruim.
placas, peça o paciente retornar em 24
horas (para produção de placas). Caso
não apareça e regrida a infecção não se
utiliza antibióticos.
EQUIMOSE E HEMATOMA
São manchas roxas que podem aparecer
em todo o corpo. É uma infiltração de Caseum
sangue na malha de tecidos do
O caseum é uma placa localizada, bem
organismo devido a ruptura de
delimitada, esbranquiçada/amarela. É
capilares. Geralmente se relaciona com
como uma pedra na amígdala. Pode ser
traumas. Hematoma é considerado com
um resto de alimento, resto de célula
rupturas de vasos de maiores calibres,
morta com bactérias normais que já tem
um derramamento maior que pode
na cavidade oral e vai entrar nas criptas
infiltrar o tecido celular subcutâneo e
das amígdalas. É facilmente removível.
músculos. Podem ser desvios
Ele não se queixa de dor de garganta.
hematológicos.
CARLOS KADIS 13
Deve avaliar se são lesões recentes ou
não.
Candidíase oral
A candidíase oral é a presença de fungo,
muito comum em pacientes com má Angiodema
higiene. Crianças com mamadeiras não
fervidas, que colocam tudo na boca, não O angioedema é um edema que pode
possuem resistência e criam sapinhos. acometer os olhos, lábios, face, nariz. É
Ocorre também com próteses má um edema rápido de característica
higienizadas e imunodepremidos. alérgica. Cuidado que reações alérgica
Candidíase oral em adultos é sinal de podem inchar a glote, epiglote, faringe e
imunossupressão, como diabetes, HIV, obstruir as vias respiratórias do
câncer. paciente. É assimétrica. Geralmente faz
doses de anti histamínico e corticoide.
HPV - Condiloma
Língua fissurada
Na oroscopia, se atentar para o câncer
de boca. Uma das causas é o HPV- A língua fissurada é um sinal que vem
condiloma. São iguais aos condilomas desde o nascimento da pessoa. Não é
penianos, vaginais, da vulva ou do colo patológico.
do útero. O HPV transmite em sexo oral,
sai do genital para a boca. HPV é pré
cancerosa.
Língua atrofiada
A língua atrofiada não está brilhante,
fina ou lisa (sem pelos da língua normal).
Queilite actínia na direita e lesões no Geralmente é hiperemiada. É comum
lábio na esquerda nos idosos (80/90 anos), devido uma
maior propensão a deficiência
A queilite actínica refere-se a perda dos
vitamínica.
contornos dos lábios pelo sol. Mais
comum em lábios inferiores
(trabalhadores de lavoura possuem).
CARLOS KADIS 14
O toro palatino e mandibular são
comuns (25% da população). Pode
passar despercebido. Possui
consistência dura e muitas vezes é uma
má formação óssea com saliência.
Cuidado para não confundir com a raiz
Língua saburrosa do canino.
Ocorre em pacientes que não estão se
alimentando corretamente. Mãe que
SÍFILIS
relata que o filho não come, porém ele A sífilis possui uma lesão primária
não possui língua saburrosa e está bem (cranco). É uma lesão única no pênis que
hidratado, essa criança come escondido. fura pouco tempo e desaparece. Ao
A língua também fica inchada (mais passar do tempo, ela reaparece como
grossa) em ausência de alimentação. uma sífilis secundária, cuja
característica principal é um exantema
em todo corpo, muito visível na palma
da mão e planta dos pés. Lesão única no
pênis pode indicar sífilis primária ou
terciária (irreversível). O sexo oral
possui muitas DST’s transmissíveis. Na
Leucoplasia boca pode existir herpes sífilis
(nenhuma relação com a genital) e pode
A leucoplasia deve possuir um
ter herpes que possui reação.
diagnóstico diferenciado de candidíase
oral. A candidíase é um fungo. Se pegar
um gaze e tentar remover e não sair é
leucoplasia. A candidíase sai e fica
hiperemiada. É pré cancerosa, então
faz-se biópsia. Sífilis bocal
No exame da cavidade, sempre procurar
tumor maligno em qualquer parte
cavidade (língua, gengiva, no assoalho e
teto).
Língua geográfica
A língua geográfica é uma alteração
comum e não é uma doença. Forma
desenhos na língua. Não possui dor,
nem sintomas. O normal é a parte
Toro palatino e mandibular branca, a parte comprometida é a
vermelha. É notada por acaso.
CARLOS KADIS 15
Com o sinal clínico de gengivite, a
gengiva do paciente pode estar
inflamada, se orienta a escovação dos
dentes e pergunta se ao escovar sangra
e dói.
Língua pilosa
A língua pilosa é causada por uma má
higiene bucal, perda dentária,
hipossalivação, utilização crônica de Sífilis congênita
antibiótico, usuários de tabaco, etilistas.
Formação de pelo claro ou escuro. Presença de dentes de Hutchinson
Alguns fatores que causam a língua (dentes divididos). A criança possuirá
pilosa causam a saburrosa. uma face bem característica.
CARLOS KADIS 19
formado pelos dois ligamentos do ECM
com a clavícula.
Deve-se inspecionar a pulsação
carotídea (pegar o pulso radial, que
pulsa junto na sístole). Tem que
descrever a execução desse exame.
Homicídio doloso por compressão de
ambos os seios carotídeos Frêmito é a sensação tátil por vibrações
simultaneamente produzidas no coração ou nos vasos. Em
casos de frêmito, deve-se investigar
EXAMES DAS ARTÉRIAS CARÓTIDAS localização, situação do ciclo cardíaco e
intensidade.
CARLOS KADIS 20
CARLOS KADIS MINEIRO SEMIOLOGIA MÉDICA
CARLOS KADIS 1
Na face lateral, deve-se traçar uma linha
axilar média, e dela deriva duas linhas
paralelas, uma mais anterior e outra
mais posterior.
CARLOS KADIS 2
inferior. Olhando anteriormente, divide em lobo superior e médio. O
somente se ver os lobos superior e pulmão esquerdo possui somente uma
médio. Lateralmente se observa os três fissura (oblíqua) e dois lobos, o inferior
lobos. Posteriormente se observa e o superior. Na altura da T3 na porção
somente o inferior e o superior. Logo ao posterior está o ápice do lobo inferior,
pedir um raio-x deve solicitar diferentes acima dele é o superior. Na porção
perfis, pois pode ocultar patologias anterior a mesma coisa, na altura da T3
pulmonares. divide os lobos, cuidado que segue o
caminho semelhante ao feito pela 6
articulação esternocondral, ou seja, vai
existir uma curvatura inferiormente.
O esterno é divido em manúbrio, corpo
e processo xifoide.
CARLOS KADIS 4
possui dificuldade para sair. São comum do raquitismo é a falta de
pacientes de DPOC. No decorrer dos vitamina D e cálcio. O raquitismo em
anos altera o formato do tórax. Em adultos é conhecido como Osteomalácia
idosos pode causar, além de alteração ou ossos moles.
do tórax, uma cifose. Não chega a ser
C) Tórax cariniforme: Esterno é
atenuante igual ao da imagem.
proeminente e as costelas
horizontalizadas. Peito de pombo.
Congênito ou adquirido (raquitismo na
infância). Ocorre em vários graus, mais
projetado para frente é cariniforme, não
precisa ser tão eminente.
Tórax infundibuliforme
Sempre pergunte sobre a alimentação,
pois ausência de vitamina D e
Tórax cônico ou em sino
desnutrição gera raquitismo.
E) Tórax cifótico: A curvatura dorsal é
RAQUITISMO exagerada e forma uma gibosidade.
Afeta o desenvolvimento dos ossos em Cifose é um desvio da coluna dorsal. A
crianças. Isso faz com que os ossos se coluna cria mecanismos entre cifose e
tornem suaves e fracos, o que leva a lordose para realizar equilibro, caso haja
deformidades ósseas. A causa mais alterações.
CARLOS KADIS 5
Tórax com cifose
Tórax plano
F) Tórax cifoescoliótico: desvio lateral
Ao avaliar o tórax, deve se avaliar a pele.
adicionado. Coluna em S. É uma cifose +
A pele foi elemento de estudo passado,
uma escoliose (desvio lateral). Perceba
mas para relembrar se avalia: coloração,
que não existe simetria nos ombros,
presença de lesões elementares,
escoliose importante notada sem
circulação colateral, turgor, hidratação.
esforço, parte torácica da coluna
Nessa inspeção não se toca em nada.
voltada para direita e parte tóraco-
Para avaliar aspectos restantes, se faz na
lombar voltada para esquerda.
palpação, como exemplo o Turgor.
Totalmente assimétrica. Ausência de
visibilidade da escápula na esquerda. INSPEÇÃO DINAMICA
Deve-se avaliar tudo aquilo que se
move. O tórax armazena o pulmão e o
coração. Somente os movimentos
respiratórios são visíveis. A forma que o
paciente se apresenta é importante,
pois se possui ortopneia (dificuldade de
respirar deitado) já sugere insuficiência
cardíaca.
Tórax cifoescoliótico
G) Tórax plano (ou chato): Padrão,
maioria das pessoas possuem, redução
do diâmetro anteroposterior, pois é
bem menor quando se compara com o
diâmetro látero-lateral (em pessoas A frequência respiratória é o
magras ou moídas), não indica doença e primeiro ponto a ser observado (entre
sim característica. Muitas pessoas 14-20 rpm/Bates). Existe Bradipnéia
possuem esse tórax, porém não (redução da frequência) e taquipnéia
possuem nenhuma relação clínica nem (aumento da frequência). Não confundir
significado patológico. taquipnéia com Hiperpnéia (aumento
da amplitude, causando o aumento da
CARLOS KADIS 6
expansibilidade, inspiração muito por falta de espaço abdominal, esse tipo
acentuada). de respiração é comum. Ascite e
grandes tumores também ocorre.
A frequência respiratória (e suas
alterações) não são dados confiáveis A respiração é um processo que permite
para informar a qualidade do paciente. o controle e a consciência, logo deve
Há pacientes com falta de ar com uma enganar o paciente para conseguir
frequência respiratória dentro do observar o ritmo sem que ele altere
normal. (fingir que está avaliando o coração,
pulsos).
“O paciente não sobre de falta de ar,
pois possui uma FR de 15 rpm” É uma A EXPANSIBILIDADE DO TÓRAX
informação errada!
Toda vez que avaliar a expansibilidade
Tipo e ritmo respiratório do tórax, deve avaliar a simetria. Essa
representa a forma e a constância dos expansão é simétrica dos dois lados? Se
movimentos respiratórios, se eles não é, o que estar causando isso? Deve
ocorrem de forma síncrona e correta se avaliar o ápice (3 cm acima da linha
com a normalidade. clavicular), e observar se movimentam
A) Tipo tóraco-abdominal é o comum, a em conjunto e igualmente. Pedir
barriga e o tórax se movem juntos, em sempre inspirações fundas, e realizar
sintonia para o interior e a superfície. comparativos na base inferior e na parte
Esse ritmo é o normal, não havendo posterior.
anormalidades. Quando não ocorre expansão simétrica
B) Tipo Abdominal (diafragmática): o é porque um lado possui a
tórax não se move e a barriga sim. Típica expansibilidade reduzida. A doença está
em bebes e em pacientes com tórax em do lado que a expansibilidade é menor,
tonel. Cuidado, em pacientes deitados, sem conseguir encher o pulmão de ar
a respiração em ritmo abdominal é corretamente.
comum, não indica patologia (ela é Como descrever no prontuário:
predominante). Pacientes idosos que “Inspeção do tórax anterior, diminuição
possuem processos de calcificação dos da expansibilidade do ápice direito e
ligamentos e das cartilagens da caixa tórax posterior com expansibilidade
torácica fazem essa respiração. Um simétrica”
paciente com DPOC (doença pulmonar
obstrutiva crônica) pode apresentar Geralmente, assimetrias no ápice são
essa respiração, porém possui um observadas tanto anteriormente, como
diâmetro anteroposterior aumentado posteriormente, mas existe casos que a
(devido a hiperinflação). musculatura reduz em apenas um
plano. Por tanto sempre descrever a
C) Tipo Torácico: Movimento simetria (ou sua ausência) em todos os
predominante da caixa torácica, lados. Depressões e saliências devem
frequente em processos inflamatório, ser observadas e descritas.
onde existe dor que impede o
movimento respiratório. Na gravidez,
CARLOS KADIS 7
O ritmo de Biot é uma respiração
totalmente sem ritcimidade. Ela não
Uma patologia pulmonar que resulta de
possui uma constância, porém se
feridas penetrantes é o hemotórax. Ela
identifica amplitude e frequências
é o derrame e presença de sangue na
variáveis seguidas de apneia. Logo, toda
cavidade pleural, podendo alterar os
respiração que possui expiração e
ritmos e expansibilidade pulmonar.
inspiração com intensidades,
Logo, ao investigar, se questiona: É uma
amplitudes e expansibilidades variáveis,
patologia causada por trauma? DPOC?
intercaladas por pausas, deve-se pensar
Crise asmática? Alterações ou dor
em ritmo de Biot. O ritmo de Biot leva a
abdominais e torácica?
crer que existe um comprometimento
RITMOS RESPIRATÓRIOS do encéfalo.
Ritmo de Cheyne-Stokes
O ritmo suspiroso é quando se respira
Ritmo de Kussmaul
normalmente (expiração e inspiração
CARLOS KADIS 8
constantes) e suspira. Tem relação com Tiragem intercostal e da fúrcula
ansiedade. esternal
A respiração paradoxal é uma
respiração que pode se observar
movimentos paradoxais entre o tórax e
Ritmo suspiroso o abdome (tórax instável, há retração do
gradil costal durante a inspiração –
TIRAGEM E RESPIRAÇÃO PARADOXAL ocorre nos traumas torácicos – faturas
Tiragem: Em condições de normalidade, de costelas). O tórax ao inspirar vai
em indivíduos brevilíneos e magros, se entrar e ao expirar sai. Muito comum
observa depressões ligeiras nos espaços nas áreas que sofreram lesão,
intercostais durante a inspiração (mais ocorrendo uma distribuição da pressão.
visível na parte lateral do tórax). Em
casos de obstrução crônica, o
parênquima correspondente a aquele
brônquio entra em colapso e a pressão
negativa torna-se maior, aumentando a
retração do espaço intercostal. Espaços
intercostais MUITO deprimido indica Tórax instável
patologia. Cuidado, pois é normal existir A respiração paradoxal pode estar
ligeiras depressões. O quadro pode ser ligada ao contrário movimento do
difuso ou localizado. Pode acometer abdome com a caixa torácica, ou seja,
área supraclavicular, infraclavicular, trabalham em movimentos opostos. É
intercostal e epigástrica. Quando mais um sinal clínico grave, indica exaustão
acima se observar a tiragem, mais grave respiratória, o diafragma entrou em
é o estado do paciente. exaustão e não funciona. Pode ter
diversas causas, como paralisia do nervo
frênico, paralisia diafragmática.
O chiado é o sibido audível SEM O
ESTETO. Ocorre por um estreitamento
da via aérea. Pode ser um som áspero
Batimento de asa de nariz: a asa do ou um som musical. O volume do chiado
nariz se movimenta (presente em falta é variado. Deve-se ver o uso da
de ar) musculatura acessória (envolvem
músculos do pescoço e abdome).
O tempo respiratório identifica o tempo
para ocorrer a inspiração e o tempo para
ocorrer a expiração. Note que sua
proporção deve ser de 1 para 1. O
tempo expiratório prolongado indica
dificuldade de expelir o ar, causada por
CARLOS KADIS 9
possíveis doenças obstrutivas
pulmonares – asma, DPOC).
A posição da traqueia deve ser levada
em conta para avaliar os movimentos
respiratórios do paciente.
DOENÇAS PULMONARES
IMPORTANTES Derrame Pleural
Pneumonia
Derrame pleural: Deve-se lembrar que a Pneumotórax e atelectasia
pleura visceral é aderida a pleura
A atelectasia consiste em um colapso
parietal, com uma pressão negativa
pulmonar associado a Hipoventilação,
dentro delas. Se algo romper esse
podendo acometer um lobo, segmento
mecanismo, a opressão hidrostática se
ou todo o pulmão. Reduz a relação
altera e ocorre o acumulo de liquido
ventilação/perfusão. Costuma ser
entre as pleuras. O líquido se distribui
assintomática, mas hipoxemia e dor
pela base do pulmão.
torácica pleurítica podem estar
Ou seja, o derrame pleural nada mais é presentes. O pulmão pode chegar a um
que líquido entre as pleuras. A parietal estágio irreversível, pois existirá
se comunica com a caixa torácica e a aderência entre suas partes.
visceral com o pulmão.
CARLOS KADIS 10
deformidades, como fibrose, perdendo
a capacidade de realizar trocas gasosas.
CARLOS KADIS 11
PALPAÇÃO Uma regra prática é colocar a mão o
mais próximo da base, mas se certificar
É um exame onde você irá tocar no que possui pulmão. Logo, se conta 4
paciente. Antes, a inspeção (estática e dedos abaixo da escápula como sendo o
dinâmica) somente avaliava o paciente, último ponto do pulmão.
sem realizar exame físico.
2. Palpação do Frêmito Toravocal
1. Palpação da Expansibilidade (FTV)
O primeiro exame que fará no paciente O segundo exame de palpação é o de
de palpação é verificando a frêmito Toravocal. Corresponde as
expansibilidade. O primeiro local a vibrações perceptíveis transmitidas à
verificar a expansibilidade é no ápice parede torácica. Nem sempre ocorre
pulmonar. Se realiza o exame na parte (mais perceptível em pacientes de voz
posterior, se coloca os dedos juntos na grave), logo se utiliza o artefato de se
fossa supraclaviculares, simétricos e os falar “33”. FTV nos homens são mais
polegares se tocando na linha vertebral, nítidos. A mão deve ficar espalmada
ao respirar eles se afastam. sobre a superfície do tórax, comparando
regiões homólogas. O FTV é mais fácil de
identificar À direita e nas bases. Ápice
possui poucas vibrações. Na técnica, o
paciente coloca a mão no ombro
(sempre na palpação e em
Expansibilidade do ápice pulmonar procedimentos de ausculta). Não
esquecer de fazer a palpação da região
A segunda etapa, ainda na parte
axilar.
posterior do paciente, é verificar a
expansibilidade da base pulmonar. Se
coloca os dedos polegares nas linhas
paravertebrais e o restante
acompanhando os últimos arcos costais.
CARLOS KADIS 12
O frêmito não é uma palpação delicada
deve-se fazer pressão.
3. Palpação Estática do tórax
Nessa palpação estática, corresponde a
todas palpações que se quer realizar na
região. O médico avaliará lesões
Ordem do exame superficiais, sensibilidade dolorosa,
Diminuição simétrica do FTV: Asma, contraturas musculares, temperatura
enfisema, bronquite crônica e da pele (por comparação em áreas
obesidade. homólogas, utilizando o dorso da mão),
sudorese, gânglios axilares e
Aumento do FTV: Nas consolidações supra/infraclaviculares (sua textura é
pulmonares (pneumonia-PN, infarto fibra elástica, se aparecer duros,
pulmonar [uma artéria se fecha e forma isolados e de aparecimento recente
tumor], tuberculose pulmonar - TB) suspeita de malignidade), deve avaliar
broquiectasias (Só se houver secreção edemas sobre a pele (síndrome da cava
dentro) e congestão por insuficiência superior), realizar todos os exames de
cardíaca esquerda - IC (pode aumentar pele (turgor, pregas subcutâneas,
devido a congestão na base do pulmão elasticidade). Uma pneumonia pode
e os alvéolos ficarão cheio de líquidos, aumentar a temperatura de uma área.
porém não costuma). O aumento do FTV Um processo inflamatório pode gerar
só ocorre se tiver mais “meio” para um abcesso.
facilitar a propagação do som.
Enfisema subcutâneo: O enfisema
Em uma cama hospitalar, se o paciente pulmonar possui o acúmulo de ar dentro
for impossibilitado de se movimentar, dos alvéolos. Já o enfisema subcutâneo
pode dispensar o exame. possui ar no tecido subcutâneo. Houve
Em casos de atelectasia, não se sente o uma perfuração do pulmão e o ar sai
frêmito, ou está extremamente dele e passa par ao tecido. Cuidado para
reduzido. não confundir com edema, pois como é
ar, se consegue palpar e sentir uma
Frêmito brônquico: Sensação tátil dos crepitação.
estertores subcrepitantes. São as
sensações tátil dos ruídos anormais que
podem ser ouvidos no início da
inspiração quanto na expiração, devido
a presença de secreção no pulmão.
Frêmito pleural: Sensação tátil do atrito
pleural, provocado pelas duas
superfícies rugosas dos folhetos pleurais
e que pode preceder o derrame. Essa Fratura pulmonar, onde causou um
vibração entre as pleuras é pontual. enfisema subcutâneo no rosto e fossa
supraclavicular
CARLOS KADIS 13
PERCUSSÃO Percussão e ausculta anterior
CARLOS KADIS 15
A ausculta é sempre simétrica e Pectorilóquia fônica: Se ausculta a voz
comparativa (método denominado nitidamente.
barra grega).
Pectorilóquia afônica: Ausculta a voz
1. Ressonância vocal – É a ausculta mesmo que cochichada.
do som da palavra “33”
Egofonia: É uma Broncofonia de
O princípio da ressonância vocal é qualidade metálica e anasalada (som
semelhante do frêmito. Alterações no nasal). Comum em derrames pleurais e
frêmito serão observadas na condensação pulmonar. Comparada ao
ressonância também. balido do bode.
O exame é realizado com o paciente 2. Sons pleuropulmonares
realizando a fala do “33”, enquanto o
A segunda parte do exame de ausculta é
médico percorre os pontos da ausculta
identificar os sons pleuropulmonares.
com o estetoscópio. O som produzido
Eles são classificados em sons normais
pelas cordas vocais reproduzidos pela
(4 subdivisões), sons anormais e sons
parede torácica é denominado
vocais.
ressonância vocal. Não se ouve a palavra
33 nítida em condições normais SONS NORMAIS NA AUSCULTA
(apresenta sons incompreensíveis), pois
o parênquima absorve os componentes Existe 4 tipos de sons normais. Será, em
sonoros. ordem crânio caudal, som traqueal, som
brônquico, som broncovesicular e
Quais são os resultados possíveis? murmúrio vesicular.
A ressonância vai ser normal, maior ou
diminuída.
Diminuída ou ausente: Ocorreu alguma
patologia que o som não consegue ser
transmitido por ressonância, pois existe
ar entre os espaços. Pode ser um
derrame pleural, pneumotórax,
espessamento pleural, hiperinsuflação
pulmonar e atelectasia.
Aumentada: Existiu uma consolidação
que facilitou a transmissão do som.
Pode se pensar em casos inflamatórios
(Pneumonia), neoplasia, tuberculose.
Som traqueal: Quando se posiciona o
Identificando que existiu um aumento, estetoscópio na traqueia. A expiração
podemos especificar o que aconteceu: será um pouco mais intensa que a
inspiração. Possuem ruídos
Broncofonia: O som aumentou, porém
equivalentes. É um som alto e agudo.
sem nitidez. Consolidação ou infarto
pulmonar.
CARLOS KADIS 16
Som brônquico: Quando se posiciona o CUIDADO: No frêmito, seja na
estetoscópio nos brônquios principais. ressonância ou na vibração, patologias
Sobre o manúbrio – quando é que enchem o alvéolo de líquido, ou de
auscultado. Sua intensidade é tumoração, aumenta o frêmito e a
relativamente alta e o som de inspiração ressonância. Já no murmúrio vesicular,
é da mesma intensidade que da condensações reduzem a intensidade
expiração. do murmúrio. Qualquer coisa entre a
pleura diminuirá o murmúrio.
Som broncovesicular: Quando se
posiciona os estetoscópio na 1º e 2º Precisa-se saber identificar sons
espaço intercostal na face anterior e brônquicos e broncovesicular em áreas
entre as escápulas. Ou seja, na região de murmúrio. Outro exemplo de
esternal superior e condensação pulmonar é a caverna com
interescapulovertebral superior. O som brônquio permeável (característica de
é de intensidade moderada (com tuberculose não tratada), são cavadas
expiração igual a inspiração). pela bactéria da doença e causa
amolecimento e esvaziamento do
Murmúrio vesicular: Maioria do
tecido, dando aspecto esburacado de
pulmão, em suas periferias será
queijo. Quando se existe caverna
auscultado. O quadro inspiratório é mais
pulmonar, a doença se denomina
intenso que o expiratório. Possui um
hemoptise com tosse seca e
som grave.
acompanhada de pus e sangue. Uma
Sempre existe uma apneia entre a caverna sem nada dentro, emite um
expiração e a inspiração. Na ausculta da som timpânico. Com brônquios se
maioria do pulmão, a inspiração é comunicando, o ar entra circula na
melhor ouvida que a expiração (só caverna e forma um som patológico
escuta o início), por isso que no denominado sopro cavernoso. Uma
murmúrio vesicular, que é suave, não caverna com secreção emitirá um som
conseguimos identificar bem a brônquico.
expiração.
O murmúrio é gerado pela turbulência
Tempos de inspiração igual de expiração do ar chocando-se contra as saliências
na ausculta estranhe: possivelmente é das bifurcações brônquicas.
um som broncovesicular ou brônquico.
Alterações do murmúrio vesicular
Diferenciar sons:
MV aumentado: Após esforço, em
Traqueal: É um som robusto, facilmente crianças, pacientes magros, pulmão
identificado pela anatomia. sadio (vicariante) quando tenta
compensar uma alterações unilateral
Brônquico x broncovesicular: O som
grave.
brônquico é mais áspero. Ele não possui
muito apneia entre sua alternância, ao MV diminuído: Derrame pleural,
contrário do traqueal que é bem pneumotórax, espessamento pleural,
consistente a inspiração, expiração e a enfisema pulmonar, dor que impeça a
apneia. expansão torácica e atelectasia.
CARLOS KADIS 17
Ao auscultar o paciente e só identificar se um ruído. No final da inspiração, é
som brônquico, é impossível ele possuir quando o ar chega aos alvéolos, logo
todo o pulmão consolidado e estar bem essa é uma patologia alveolar. Esse
para realizar o exame. Possivelmente, o barulho representa o quase
a parede do pulmão é fina, logo o colabamento dos alvéolos. Ao abrir, o
murmúrio é mais intenso (crianças e alvéolo quase colabado faz barulho. É
pessoas magras). Em idosos, as paredes causada por insuficiência cardíaca
mais rígidas facilitam a propagação. esquerda (causa edemas nas duas bases
do pulmão). A pneumonia causa
Prolongamento da fase expiratória
crepitação, porque os alvéolos estão
sugere (o dobro da inspiração)
cheios de líquidos (cuidado que o
obstrução dos brônquios. O ar terá mais
murmúrio pode estar diminuído devido
dificuldade para sair.
a pneumonia). Os sons são mais agudos
Bronquioconstrição dificulta mais a
nas periferias do trato respiratório e
expiração porque o a inspiração é ativa
mais grave na traqueia e grandes
e a expiração é passiva.
calibres. Secreções, como muco,
SONS ANORMIAS NA AUSCULTA causam a crepitação.
CARLOS KADIS 18
Sons Anormais Contínuos ou retumbante? Altera com a tosse? A
partir daí se gera hipóteses diagnósticas.
Roncos são sons muito mais
grosseiro que o subcrepitante. Eles Estridor: É um barulho
seguem o mesmo princípio, porém só inspiratório e grosseiro, ocorre pela
são mais altos. Também se alteram com obstrução ou semi-obstrução da via
a tosse. área superior (traqueia, faringe,
laringe). Neoplasia, estenose
[envelhecimento natural que ocorre na
coluna vertebral, ligamentos, superfície
articular], laringite e difteria [infecção
bacteriana que forma placas amareladas
nas amígdalas, laringe e nariz] causam
Ronco esse som. Laringite aguda é a causa mais
comum.
São originados pela vibração das
paredes brônquicas de maior calibre, Existe condição congênita, rara, que é a
quando o ar passa pelos ductos laringotraqueomalácia ou
estreitados por secreção aderida à pele. laringomalácia. Essa doença é causada
Ocorre na inspiração e na expiração por uma má formação, as cartilagens da
(fase mais dominante). laringe são moles (não é firme e
amparada para os movimentos
São sons grosseiros, fugazes e mutáveis, respiratórios) e faz um som estridor
podendo desaparecer e reaparecer em (guincho inspiratório). Habitualmente,
curto período (é o que diferencia quem possui estridor, possui a “tosse de
facilmente dos subcrepitantes). cachorro”, com tonalidade metálica.
Sibilo é um estreitamento da via Sopros respiratórios: A ausculta
respiratória. Pensar em um apito ou de um sopro respiratório traduz a perda
assobio. É muito mais expiratório, como da textura normal do pulmão. Então vai
é um processo passivo, incomoda mais existir uma alteração do parênquima
na saída do que na entrada. Deve pulmonar. Eles possuem 3
encaminhar para uma tomográfica. classificações:
Pode ser um corpo estranho, um
carcinoma intra brônquico. Sopro tubário: É o mais comum em
locais com alto índice de pneumonia.
Chiado é o sibilo tão alto que se Sua forma lembra um sopro cardíaco.
houve sem estetoscópio. É expiratório. Ele lembra um som brônquico, porém o
Caso faça chiado na inspiração, pode ser som é mais soprado. Como o alvéolo
crise asmática ou DPOC severo e está cheio de secreção, na pneumonia,
descompensado. altera a ressonância, facilitando seu
Ao ouvirmos um barulho, temos que processo. Em uma área que deveria está
identificar se é: inspiratório, ou tendo um murmúrio vesicular e eu ouço
expiratório? Grosseiro ou suave? Seco um som brônquico mais soprado (sopro
tubário) deve-se associar a alterações
no parênquima.
CARLOS KADIS 19
Sopro cavitários: É um sopro quando deve-se investigar na região axilar. É um
alguma patologia, como tuberculose, som grave e baixo.
está curada porém criou cavidades
Com isso, se acaba a parte de ausculta,
comunicantes. Possui cicatriz. Vai existir
restando apenas identificar o
uma caverna e um espessamento de sua
mecanismo de dor e como examinar a
parede. Essa caverna pode se comunicar
mama feminina.
ou não, com outros brônquios. Quando
a caverna se comunica, é porque ela DOR (DECÁLOGO)
estar em um estágio avançado da
doença, e o ar ao chegar nessa região de Na dor, você deve investigar os
caverna mais comunicantes faz um som seguintes mecanismos (LICIDE-FFF):
de sopro em uma cavidade. Localização: Sempre peça ao paciente
Sopro anfórico: Pode ser audível em que informe onde dói. O local exato ou
casos de pneumotórax hipertensivo ou a região.
espontâneo. Na inspiração entra mais ar Irradiação: Pergunte sempre se a dor se
do que sai, em casos de patologias de espalha, se ela aumenta ou fica parada.
constrição dos brônquios. O
pneumotórax é causado por lesão ou Caráter da dor: Como você sente essa
por entrar mais ar no pulmão do que sai. dor? É em facada? Contínua? Surda?
Seu som é de um som de sopro tubário Intermitente? Periódica? É um aperto?
modificado pela interposição de uma Deve descrever a dor com as palavras do
cavidade grande, cheia de ar, com paciente.
paredes lisas e tensas. É o som que se faz Intensidade: A dor é classificada como?
ao soprar uma dentro de uma garrafa Fraca, média ou forte? Numere de 0 a
vazia. 10.
Atrito pleural: Como o próprio Duração: Quanto tempo dura a sua dor?
nome diz, vai ser o som produzido pelo Começou quando? Quanto menor o
atrito das duas pleuras. O barulho tempo da dor, mais importante se
ouvido será como se estivesse identificar uma precisão temporal.
esfregando. É bem inconstante sobre
sua forma de aparecer (inspiração, Evolução: Como a dor evoluiu nesse
expiração, em ambas, com intervalo). tempo? Ela aumentou ou diminuiu?
Mais ou menos frequente?
Cuidado, esse som serve para identificar
possíveis previas patológicas. O atrito Fatores desencadeantes/agravantes:
pode indicar que nesse local irá Tem algo que piore a dor? Alguma
acontecer um derrame pleural, ou que atividade que você realiza? Alguma
uma pleura irá se romper. Caso isso comida?
ocorra, qualquer coisa que fique entre Fatores atenuantes: O que ajuda a
as pleuras evitará que esse som seja melhorar a dor? Algo que você faça que
reproduzido novamente. Som comum alivia? Toma uma medicação?
nas bases pulmonares, pois se
movimentam mais que o ápice. Logo
CARLOS KADIS 20
Fatores acompanhantes: Além dessa “Paciente gripado, com dores nas costas
dor, algo acompanha ela? Sudorese? forte (parece que estão me
Náuseas? Vômito? esfaqueando). O que piora sua dor:
tossir, espirrar, movimentos de
Dor Pleurítica
Hiperventilação”.
Vai ser sentida no tórax e o paciente
associará aos movimentos respiratórios. INF IMPORTANTES DAS DOENÇAS
Cuidado quer dor no tórax, apesar de PARA SEMIOLOGIA DO TÓRAX
não possuir as mesmas características,
Tuberculose: Doença subestimada. Ela
pode se relacionar com problemas
pode acometer a pleura, ossos, rins,
cardiovasculares. Então para diferenciar
porém só se associa ao pulmão. Se for
precisamente, deve realizar uma boa
dentro do pulmão ela irrita a pleura e
anamnese da dor, seguindo os
causa dor pleurítica. Porém ela pode ser
fundamentos da dor (LICIDEFFF). Ela é
uma tuberculose pleural. É bacteriana e
uma dor bem localizada porque é
transmissível.
parietal, visceral que é mal localizada.
Toda pneumonia possui dor pleurítica? Hipoxemia e Hipercapnia: Hipoxemia é
Não. a falta de oxigênio. A Hipercapnia é a
retenção de CO2. Na hipóxia os órgãos
A dor pleurítica seguirá os seguintes
nobres não estão sendo ventilados e o
fundamentos:
paciente faz vasoconstrição periférica.
L – Bem localizada no tórax, o paciente Se falta O2 eu início taquipnéia e
apontará onde a pleura estar inflamada. taquicardia, para entrar mais ar e
consequentemente O2. Retenção de
I – Não se irradia, é uma dor pontual
CO2 causa vermelhidão e acidose
C – É uma dor em facada, aguda. respiratória (caso de Hipercapnia).
Pessoas com hipoxemia deve colocar
I – A intensidade é de moderada a
cateter com O2. Na Hipercapnia não se
intensa;
coloca cateter, as vezes se utiliza um
D – É uma dor persistente, sempre PEEP (aparelho para pressão expiratória
doendo. positiva).
CARLOS KADIS 22
até na anamnese, não ignorar pacientes
pela a faixa etária. Cuidado com as
informações sobre o autoexame, nem
todos sabem a execução correta ou se a
paciente possui capacidade de notar
problemas. Sempre inspecionar.
EXAME DE MAMA
Como qualquer outro exame, uma boa
anamnese já é meio caminho andado
para identificar possíveis patologias e
doenças.
O que se questiona na anamnese?
Presença de massas e nódulos
mamários?
Dor ou desconforto? Em qual período do
ciclo menstrual?
Dor não é um sinal patológico,
necessariamente. Pode estar
relacionado com o período menstrual.
CA pequeno não costuma doer, logo é
até considerado um sinal positivo a
presença de dor, pois começa a se Orientar o autoexame e os
investigar que talvez o motivo não seja procedimentos corretos é uma
câncer. Tudo são suposições iniciais, obrigação do médico que examina
existem câncer de tórax que causam Estimular secreções saídas da mama,
necrose na pele e acabam gerando dor identificar se a mama é homogênea,
na mama. procurar em toda a mama possíveis
Alteração na pele da mama? tumorações (seja alterações cutâneas,
nódulos, caroços). Qualquer alteração,
Secreção mamilar? Sanguinolenta? solicite a paciente para procurar ajuda
Histórico de CA de mama? profissional, pois o CA de mama é uma
doença frequente.
Realizou mamografia e fez ultrassom
(US)? Quando? Sinais de alerta: Pele vermelha, pele
com aspecto de casca de laranja,
Realiza autoexame? Com que mamilo invertido e secreção do
frequência? mamilo.
Cuidado: Existe câncer de mama em Até esse momento, somente foi feito
pacientes com 20 anos, existe câncer de uma anamnese sobre o histórico do
mama em pacientes com 30 anos. Por paciente e realizado uma explicação
isso, ao realizar o exame de inspeção, e sobre o autoexame. O médico ainda não
CARLOS KADIS 23
avaliou patologias e tampouco A aréola é usada como ponto de
inspecionou a mama. referência de achados. (Distância em cm
do “achado semiológico” em relação a
O exame físico se organiza,
aréola).
respectivamente, em inspeção estática
e dinâmica, palpação dos linfonodos Existe duas queixas mamárias:
axilares supra e infraclaviculares, mastodinia e mastalgia relacionada a
palpação mamária e expressão papilar. dor. Mastodinia é a dor na mama que
precede a menstruação e a mastalgia é
INSPEÇÃO a dor na mama em qualquer ciclo
As mamas situam-se na parede torácica menstrual. Essas duas representam 50%
anterior, na altura da 2° e 6° arcos das queixas mastológicas.
costais. A mama assemelha-se a uma A mastalgia pode ser cíclica (dor difusa e
glândula sudorípara especializada. Na bilateral e sua intensidade varia com o
pele identificamos a aréola e a papila. ciclo) e acíclica (não há associação com
o ciclo menstrual). A acíclica deve
associar a cisto, mastites, traumas,
tromboflebite superficial e mastopatia
diabética.
Inspeção estática
CARLOS KADIS 25
Palpação mamária aderência aos planos superficiais ou
profundos.
Nessa hora do exame, a paciente está
em decúbito dorsal, com as mãos na Expressão papilar
cabeça e braços abertos.
Terminada a palpação, faz-se uma
delicada pressão no nível da aréola e da
papila, identificando as características
da secreção como coloração, se ocorre
por um ou múltiplos dutos e se é
Posição para palpação mamária espontânea ou provocada.
Expressão papilar
Informações importantes: O câncer de
mama é a doenças mais comum entre as
mulheres. Corresponde a cerca de 25%
Técnicas do exame de palpação dos novos casos de novos câncer a cada
A palpação deve ser feita de forma leve ano.
(para identificar nódulos superficiais) e
em segundo momento com toques mais
profundos (procurando nódulos
profundos). Segue-se da região
subareolar até a paraesternal,
infraclaviculares, e axilares
(prolongamento da axila no mamilo). No
período pré menstrual a mama pode
estar mais sensível.
CARLOS KADIS 26
radiações ionizantes (Raios-X), alteração mamária (chances de CA). Pode ocorrer
genética, uso de contraceptivos dela se desenvolver.
hormonais e reposição hormonal após
menopausa.
CA em homens: Dos cânceres que
acomete homem, CA de mama
representa 1%. É baixo, mas existe.
Média de idade no momento do
diagnóstico é de 67 anos. Porém existe
relatos de pacientes entre 5 e 93 anos.
CARLOS KADIS 27
CARLOS KADIS 28
CARLOS KADIS MINEIRO SEMIOLOGIA MÉDICA
CARLOS KADIS 1
no leito da artéria pulmonar. A ordem de diferenciar um som alto de um som
passagem é de: átrio valva baixo. Um som alto é agudo e um som
ventrículo. baixo é grave. A campânula do
estetoscópio serve para procurar sons
As valvas mitral e tricúspide são as
graves.
atrioventriculares. Já as valvas aórticas e
pulmonar são as semilunares (pois PROJEÇÕES DO CORAÇÃO
possuem formato de lua).
Região anterior
Semiologia: O fechamento das valvas
cardíacas originam as bulhas B1 e B2,
derivadas de vibrações que emanam das
válvulas das valvas, das estruturas
adjacentes cardíacas e do fluxo
sanguíneo. Em adultos acima de 40
anos, os ruídos B3 e B4 são patológicos
e estão relacionados à insuficiência
cardíaca e à isquemia miocárdica aguda.
O coração é formado por 3 camadas:
Perceba que a maior parte da superfície
epicárdio (ou pericárdio visceral,
cardíaca estar no lado esquerdo,
formada de tecido conjuntivo que
representado pelo ventrículo direito
possui camada de gordura infiltrado),
(VD). Essa câmera e a artéria pulmonar
pericárdio parietal (camada resistente e
compõe a estrutura cuneiforme
não elástica, faz distensão lenta e
(pontilhada) que fica atrás e a esquerda
gradual) e miocárdio (principal
do esterno.
componente, com fibras musculares
cardíacas, a espessura da parede da A borda inferior do VD fica onde o
câmera é proporcional ao trabalho esterno se junta com o processo xiloide.
executado (ventrículos são mais E o ápice fica no 2° espaço intercostais
espessos que os átrios e o ventrículo direito e esquerdo adjacente ao
esquerdo possui quase que o dobro de esterno.
espessura do direito, pois a pressão da
O ventrículo esquerdo VE fica atrás do
Aorta é bem maior que o da Art.
direito, forma a borda lateral esquerda
Pulmonar.
do coração. Sua extremidade inferior
Quando um paciente possui uma queixa cônica é chamada de ápice cardíaco.
específica, a sistematização do exame
Saber localizar o ápice cardíaco é
cardiovascular é importante para o
importante, pois é onde produz o
profissional avaliar, de forma eficiente e
impulso apical, identificado, durante a
abrangente, a gravidade do diagnóstico.
palpação da região precordial como
Deve-se identificar qual fato é o mais ictus cordis ou ponto de impulso
importante. “O que interessa não é máximo (PIM). Esse impulso fica a
saber mais, é saber o que Os sons margem esquerda do coração no 5º
cardíacos dependem da gente espaço intercostal. Ou de 7 a 9 cm
CARLOS KADIS 2
lateralmente da linha esternal média ou CONDUÇÃO ELÉTRICA DO CORAÇÃO E
medialmente a linha hemiclavicular.
ELETRICOCARDIOGRAMA
Esse ponto nem sempre é palpável.
Conhecimento básico para entender
Raramente, somente no situs inversus e
semiologia cardiovascular
na dextrocardia, o ictus cordis está
localizado no lado direito do tórax.
CARLOS KADIS 3
átrio direito. O nódulo sinoatrial manda Se divide em onda P, complexo QRS e
estimulo até esse nó atrioventricular. onda T.
Como o ventrículo não pode contrair ao
A onda P representa a despolarização
mesmo tempo que o átrio, ele segura o
atrial (sístole atrial). O complexo QRS
estímulo e pausa. Ele causa um retardo,
compreende a sístole ventricular
pois quando o átrio contrai, deve existir
(despolarização ventricular). A onda T
um tempo para o ventrículo encher de
representa a repolarização dos
sangue. Depois de alguns milissegundos
ventrículos. Todo músculo que contrai
deve mandar os ventrículos contraírem.
está despolarizado e todo músculo que
Para mandar estimulo para os relaxa repolariza. A repolarização atrial
ventrículos, se utiliza os Feixes de His. está escondida no complexo QRS.
Quando entra no septo intraventricular
ele se ramifica em ramos direito e
esquerdo. Patologias relacionadas a
bloqueio de ramo é nesse feixe.
Nas paredes do ventrículo existe as
Fibras de Purkinje. As fibras de Purkinje
Taquicardia ventricular
penetram nos ventrículos e fazem a
contração muscular. Uma característica da taquicardia
ventricular é possuir o complexo QRS
Em toda contração atrial, existe o
mais longo. Os batimentos ventriculares
relaxamento ventricular. São bombas
ficam totalmente fora de ritmo em
que funcionam simultaneamente de
relação ao átrio. Nesse caso o ventrículo
forma contraditória par ocorrer o
bate bem mais rápido que o átrio.
afluxo. Sístole ventricular ocorre na
diástole atrial e vice e versa. Qualquer
alteração nesse ritmo causa arritmias
cardíacas.
Quando a pessoa sofre infarto, a área de
morte do miocárdio, se gera fibrose.
Essa fibrose atrapalha o fluxo desses
estímulos. Fibrilação ventricular e assistolia
O eletrocardiograma é o registro Tanto na taquicardia e na fibrilação, o
cardíaco desse estímulo. ventrículo bate tão rápido que não
enche de sangue.
A última etapa se denomina assistolia,
onde é uma ausência de atividade
elétrica cardíaca.
Sempre que se referir a sístole ou
diástole sem especificar, estamos
falando do ventrículo.
CARLOS KADIS 4
SÍSTOLE E DIÁSTOLE Após a ejeção, uma parte do sangue
reflui, que ajuda a fechar as valvas
Sístole semilunares, fazendo a presença da B2
Sístole: Possui dois momentos, o (marca o fim da sístole).
primeiro momento é de contração B1 – Inicio da sístole, fechamento das
isovolumétrica e o segundo momento valvas atrioventriculares. TUM
de ejeção. Começa com B1 (TUM) e
termina com B2 (TÁ). B2 – Fim da sístole, fechamento das
valvas semilunares. TÁ
Na contração isovolumétrica o
músculo se contrai todo e aumenta Sempre ouvimos um TUM-TÁ, TUM-TÁ,
muito a pressão do ventrículo esquerdo. TUM-TÁ. Entre o TUM e o TÁ ocorre a
Ao aumentar a pressão do ventrículo sístole ventricular e entre o TÁ e o TUM
esquerdo, as valvas semilunares –valva ouvimos a diástole ventricular.
aórtica e pulmonar – se abrem. Para Conceitos importantes:
permitir a passagem do sangue do VD e
VE. No eletrocardiograma coincide Volume diastólico final: É o sangue que
como pico da onda R. Nesse mesmo está no ventrículo antes de começar a
momento, ocorrerá o fechamento das sístole.
valvas atrioventriculares. Ao fechar Débito sistólico: O sangue que sai
essas valvas se forma o B1 (som do ciclo durante a sístole. Cerca que 50% do
cardíaco que marca o fechamento das volume diastólico final.
valvas AV). São contrações
isovolumétricas, pois não se muda o Volume sistólico final: O sangue que
volume, não ejetamos ainda o sangue fica depois da sístole. A sobra desse
do ventrículo e ele não recebe mais 50%. É o que não foi ejetado.
nada pois a valva atrioventricular está O aumento da frequência cardíaca
fechada. O que está nesse ventrículo é o causa a redução do volume sistólico
volume diastólico final. final, pois se ejeta mais sangue. Uma
Acabou a contração isovolumétrica, menor resistência dos vasos, aumenta a
iremos fazer ejeção. A ejeção é dividida facilidade de ejeção, logo reduz também
em duas partes, a rápida e a reduzida. o volume sistólico final.
CARLOS KADIS 5
Diástole sobre a coluna de sangue que já estava
no ventrículo.
Diástole ventricular: Começa com B2
(TÁ) e termina com B1 (TUM). Pode O volume que fica no ventrículo após
existir sons no meio desses. essas 4 etapas é o volume diastólico
final, denominado pré carga. É o volume
A diástole é dividida em 4 processos:
antes da contração, antes da sístole.
Relaxamento isovolumétrico,
enchimento rápido, diástole, contração Pré carga: É o volume diastólico final.
atrial. Influenciada pelo retorno venoso. É o
volume que chega ao coração. É o
O relaxamento isovolumétrico é
volume que está dentro do ventrículo.
o fechamento das valvas semilunares,
Quando maior o retorno venoso, maior
abertura das valvas atrioventriculares (o
sua pré carga.
músculo papilar se relaxa, logo abre as
valvas) e redução da pressão ventricular Pós carga: É após a contração
(o coração está relaxado). Não altera o isovolumétrica, contra o que o coração
volume ventricular. deve lutar. É a resistência imprimida ao
coração. É influenciada pela resistência
O enchimento rápido é a ejeção
arterial.
do sangue que estava nos átrios
escoando para os ventrículos. Podemos Sopros são os sons gerados pelo sangue
ter B3. Não é frequentemente passando por um espaço estreito ou
auscultada. Normal é só ouvir B1 e B2. refluindo por um lugar folgado. Bulha
B3 pode ser patológica, principalmente extra é diferente de sopro. B3 e B4 são
em pacientes com volume ventricular bulhas extras.
grande. O sangue que cai do átrio pro
O sopro é “shiii” “” shiii”. O sopro indica
ventrículo faz um barulho “shuuaaa”,
problema valvar.
em um ventrículo grande. Esse som B3
ocorre quando o sangue desacelera Estenose é um problema valvar que
subitamente. Nesses casos se pensa em gera o estreitamento da valva.
insuficiência cardíaca (presente
Insuficiência cardíaca gera
inclusive nos critérios de diagnósticos de
incapacidade de fechamento da valva.
Framingham).
Sopro de origem sistólica (entre B1 e
A terceira fase é a diástese, o
B2), vai existir uma estenose das valvas
sangue que continua vindo da veia cava
semilunares ou uma insuficiência das
superior, inferior e artéria pulmonares
valvas atrioventriculares.
(no VE) vai escoar nos ventrículos, pois
estarão com as valvas atrioventriculares Sopro de origem diastólica (entre B2 e
abertas durante a diástole. B1), vai existir estenose atrioventricular
e insuficiência das semilunares.
A quarta fase é a contração
atrial, é uma espremida do átrio.
Podemos ter nesse caso uma B4. B4
pode ser fisiológica ou não. O B4 é o
impacto do sangue da contração atrial
CARLOS KADIS 6
EVENTO DO CICLO CARDÍACO valva tricúspide se abre de modo que o
sangue possa fluir para o átrio direito.
O coração atua como uma bomba, que
produz pressões variáveis, à medida que Para compreender os fenômenos
suas câmaras se contraem e relaxam. A estetacústicos, é necessário entender o
sístole é a contração ventricular e a ciclo cardíaco e seus eventos.
diástole e o período de relaxamento O trabalho mecânico do coração
ventricular. A pressão do ventrículo depende do: volume de sangue e
esquerdo eleva-se de 5 mmHg para 120 pressão. A contração das fibras
mmHg (saindo do repouso para o valor miocárdicas determina a elevação da
máximo normal). Na diástole, a pressão pressão e seu relaxamento induz a
ventricular cai ainda mais para menos queda pressórica. Em um momento do
de 5 mmHg e o sangue fui do átrio para ciclo cardíaco ocorre repouso elétrico e
ventrículo. No final da diástole, a mecânico do coração.
pressão ventricular se eleva
discretamente.
CARLOS KADIS 7
Passo a passo para compreender o “U” invertido no gráfico). Após essa
gráfico: ejeção, ocorre a ejeção rápida, ejeção
lenta, ambas caem até que a pressão
O gráfico mostra curvas de pressão do
aórtica supera a pressão ventricular
VE, AE e da Aorta. Cruzamentos dos
(próximo ponto de cruzamento, ao lado
gráficos demostram aberturas e
do ápice do gráfico). Nesse ponto,
fechamentos de valvas. As valvas
quando a pressão aórtica supera a
envolvidas no lado esquerdo são:
pressão ventricular esquerda, ocorre o
Aórtica (entre VE e Aorta - semilunar) e
fechamento da valva aórtica. Quando se
mitral (entre o AE e o VE –
fecha, ocorre uma queda de pressão do
atrioventricular). Lembrar que: Iniciar o
ventrículo, pois com as valvas fechadas,
gráfico pela esquerda com o
sofrerá o relaxamento isovolumétrico,
fechamento da valva mitral, momento
reduzindo a pressão sem que cause
que a pressão ventricular supera a atrial
redução de volume. Esse relaxamento
esquerda e não entra mais nada. Após
ocorre uma queda de pressão tão alta
isso, vão existir movimentos de
que a pressão do átrio esquerdo supera
contrações até rupturas de pressão
a pressão ventricular esquerda,
(abrindo valvas) e ejeção. A queda
motivando a abertura da valva mitral.
começa a ocorrer, fechará 2 valvas e o
relaxamento cardíaco só na base do A abertura da valva mitral marca o início
gráfico, após fechar a valva mitral se da diástole. Abriu a mitral, começa o
inicia a diástole. enchimento rápido ventricular, ocorre o
preenchimento lento, até que ocorra a
1º Fechamento da valva mitral: O que
sístole atrial (sístole atrial ocorre depois
antecede: ao analisar essa imagem, no
da onda P, manifestação
fim da diástole (etapa 8), a valva mitral
eletrocardiográfica da despolarização
está aberta, porém pouco ou nenhum
[contração] atrial). E a ejeção
sangue passa por ele, pois existe pouca
cardiovascular só ocorre após o
diferença de pressão entre o átrio e o
complexo QRS se manifestar no
ventrículo esquerdo, essa fase é do
eletrocardiograma (após a onda de
enchimento ventricular lento.
despolarização [contração] ventricular
O fechamento da valva mitral, B1, acontecer.
encerra a diástole, o ventrículo
esquerdo está cheio de sangue, está
pronto para ejetar para circulação
sistêmica. Mas antes, ele passa por uma
contração isovolumétrica (aumenta a
pressão, sem alterar o volume), até o
ponto que cruza com a pressão aórtica
e chega a superá-la. Ao superá-la ele
motiva a abertura da valva aórtica. A
pressão ventricular esquerda + pressão
aórtica aumentam juntas na ejeção. A
ejeção/sístole é no ápice (no centro do
CARLOS KADIS 8
EXAME FÍSICO CARDIOVASCULAR Cabeça
INSPEÇÃO DO CARDIOPATA
Antes de falar com o paciente, já é Arco senil, xantelasma e proptose
necessário reunir informações sobre sua
atitude. A dislipidemia é uma doença causada
pela elevação de colesterol e
Um exemplo é a posição de Blechmann, triglicerídeos no plasma. Pode
onde o paciente possui as coxas e contribuir para aterosclerose.
pernas dobradas e pôr uma almofada,
na qual se apoia a cabeça, entre os A região malar: Rash malar +
joelhos, é sugestivo de pericardite. É telangectasia. Essas duas patologias,
uma posição que alivia os sintomas. compõe a fácie mitral, síndrome
caracterizada por uma limitação da
Uma atitude ortopnéica, não consegue abertura da valva mitral.
deitar em decúbito dorsal na cama.
Sugere insuficiência cardíaca esquerda.
O paciente com o sinal de Levine sugere
síndrome coronariana aguda.
Fácie Mitral
O Rash malar da fácie mitral não é a
mesma do lúpus, pois não polpa o sulco
nasogeniano. Não possui tanta relação
com o sol igual o Lúpus.
A inspeção do sistema cardíaco é
complexa. Não possui manifestações Pavilhão Auricular: Sinal de
somente no tórax. Deve se iniciar da Frank e sinal de Linchtein. São as pregas
cabeça aos pés sua inspeção. na orelha, Antero tragais e a prega
diagonal.
CARLOS KADIS 9
Turgência jugular
Sinais de Linchtein e Frank
Membros inferiores e
Elas duas juntas, possuem um valor de
superiores: Novamente, pacientes que
propositivo de quase 90% para doenças
possuem síndrome de Marfan (possuem
arterial coronariana. Essas pregas são
valvulopatia) tem a envergadura
causadas por uma fragilidade de tecido
aumentada e aracnodactilia (dedos
conjuntivo, uma perda de fibras
alongados). Cianoses diferencial em
elásticas.
membros superiores e inferiores
Boca: Olhar a conservação dos (persistência do canal arterial ou em
dentes, palato alto e arqueado. Procurar hipertensão pulmonar grave com
síndrome de Marfan, língua protusa e shunt).
parótidas aumentadas.
Procurar o splinter ungueal (micro
hemorragias ungueais), baqueamento
digital (diagnóstico diferencial com
síndromes pulmonares ou em
cardiopatias cianóticas) e edemas de
membros inferiores, para pacientes com
insuficiência cardíaca congestiva (que
levará a uma insuficiência venosa
crônica e levará a uma dermatite ocre
em bota).
Abdome o mais importante é
observar a ascite, que pode acontecer
Pescoço: A inspeção mais em pacientes com insuficiência cardíaca
importante é observar a turgência congestiva. E procurar pulsação de
jugular. Deve sempre procurar a aneurisma de aorta abdominal, que
turgência no lado direito e esquerdo, também pode ser visível principalmente
porém o lado direito é o lado mais em pacientes que são bem magros.
importante. Pode existir turgência
jugular só a esquerda (mais rara).
Aumento da tireoide pode indicar
patologias cardíacas (hipertireoidismo
que causa arritmias).
Ascite
CARLOS KADIS 10
A inspeção do tórax ocorre de forma A pressão arterial média é a Pressão
natural, olhando todo tórax (sistólica + 2 X diastólica) / 3. NUNCA
tangencialmente (paciente deitado no SOMAR AS DUAS E DIVIDIR POR DOIS, É
leito e olhar tangencial). Logo após se MÉDIA PONDERADA, COM D
faz a inspeção do precórdio.
Pressão de pulso: É a pressão sistólica –
PULSO ARTERIAL a pressão diastólica.
CARLOS KADIS 11
Pulsos da Aorta Pulso Bisferiens (dicrótico): Ocorre
com insuficiência aórtica crônica, mais
estenose aórtica. Ou em um paciente
normal, com febre ou que realiza um
exercício. O pulso Bisferiens tem uma
“lombada” – representa dois picos na
pressão sistólica.
Um pulso alternante é quando o
paciente possui um comprometimento
tão grave cardíaco, que as vezes ele
realiza picos corretos e outras vezes
não. Uma sístole promove um volume
maior seguido de um volume menor. É
anárquico.
Um pulso paradoxal é um pulso em que
a pressão sistólica cai mais de 10 mmHg
na inspiração. Quando inspira
profundamente, nós aumentamos o
retorno venoso. Aumentando o retorno
venoso, os batimentos seguintes terão
um aumento de pré carga VE. No pulso
Pulso Anacrótico (parvus tardus):
paradoxal, na inspiração o pulso não
Possui uma amplitude diminuída e
sobe e sim reduz, logo é paradoxal. Algo
retardo na elevação de pulso. Quando
está restringindo o enchimento
presente implica em severidade da
ventricular direito. Isso ocorre com
lesão. Causa mais provável é estenose
pacientes com pericardite constritiva,
aórtica moderada ou severa. Na
paciente com tromboembolismo
estenose existe uma barreira que
pulmonar (TEP) e pacientes com HAP
impede a ejeção, dificulta a sístole
grave (hipertensão arterial pulmonar
ventricular, logo existe um pulso arterial
grave), obesos e grávidas (sem
que sobe lentamente e alcança uma
repercussão clínica nenhuma). Ao tentar
amplitude baixa.
aumentar o retorno venoso na
Pulso martelo-d’água (Corrigan): É um inspiração profunda, o ventrículo direito
pulso associado a insuficiência aórtica. se abaúla contra o ventrículo esquerdo,
Possui uma ascensão rápida, uma logo ele limita a quantidade de sangue
estabilidade e uma queda abrupta. Isso no ventrículo esquerdo. Quedas de 15-
ocorre devido a recogitação de sangue 20 mmHg são até palpáveis no pulso
que aumenta o volume sistólico do VE e radial.
na próxima ejeção existirá mais volume
para ser ejetado. Aumentando o débito
cardíaco, existirá um aumento da onda
de pulso.
CARLOS KADIS 12
Pulso Venoso: Coincide com o pulso carotídeo, tudo
que ocorre na direita, ocorre na
Lembrar que o átrio direito recebe
esquerda.
sangue venoso sistêmico, pela veias
cavas inferior. Passa pro ventrículo Esq,
vai para pulmão, retorna ao átrio Dir, vai
para o ventrículo esquerdo e é ejetado
para o corpo pela Aorta.
Definições: Quem é quem?
Onda A: Marca a sístole atrial, é o Pulso jugular
aumento da pressão atrial, é uma onda
positiva. Antecede B1. B1 é o
MANOBRA VAGAL
fechamento da valva AV tricúspide. Possui várias técnicas de execução. São
recursos simples e não invasivos para
Onda C: É uma onda positiva, ela
controle do sistema nervoso autônomo
representa a sístole ventricular direita.
parassimpático vagal. São empregadas
O ventrículo direito, quando realiza a
em diagnóstico (diferenciar taquicardia
sístole ele abala a tricúspide contra o
supraventricular estável, TVS, e
átrio direito. Alguns autores dizem que
taquicardias ventriculares.
é a repercussão do pulso carotídeo no
pulso venoso. A melhor forma de execução é
comprimindo o seio carotídeo no ângulo
Descenso X: É o esvaziamento
da mandíbula. No seio carotídeo existe
ventricular, se puxa a valva tricúspide +
barorreceptores, se comprime o seio
com o átrio vazio. Esse puxamento da
carotídeo, eu simulo um aumento de
valva e átrio direito pelo ventrículo,
pressão arterial. Quem determina a
reduz a pressão do átrio e causa o
pressão arterial é o débito cardíaco e a
descenso X.
resistência vascular periférica. Um
Onda V: Agora irá reiniciar a diástole modo de diminuir a pressão arterial é
para receber sangue. É o enchimento reduzir a frequência cardíaca, na
atrial. Ela inicia a diástole aumentando a manobra vagal.
pressão, que repercute na onda V.
Se realizar a manobra na direita, leva o
Descenso Y: Início da diástole paciente a assistolia, pois está
ventricular. Fase de enchimento rápido. conectado com o nó sinoatrial. Se
O átrio já encheu, já teve aumento de realizar a manobra a esquerda, terá
pressão, irá abrir a valva mitral e encher atuação no nó atrioventricular. Isso
o ventrículo direito. Após isso, é a serve para causar bradicardia. Esse
contração atrial, reiniciando o pulso método resolve uma taquicardia
jugular. ventricular. Se ele tiver um Flutter atrial,
outro tipo de taquicardia de QRS
O descenso Y, ocorre pós B2, pois deve
estreito e ritmo regular não resolve com
fechar as valvas semilunares para
a manobra vagal, reduz os complexos
começar a diástole. Fechou a valva
QRS.
pulmonar para começar a diástole VD.
CARLOS KADIS 13
É uma manobra importante, pois possui ângulo de Louis é uma referência, pois
informações práticas em taquiarritmias. ao lado dele sempre se sabe que está no
segundo espaço intercostal. Achando
PALPAÇÃO DO PRECÓRDIO – ICTUS esse 2 espaço intercostal, nós vamos
CORDIS margeando ela, até achar o 5º espaço
intercostal, onde se encontra o Ictus
Como realizar a palpação de um Ictus
Cordial normal.
Normal?
O que avaliar no ictus digital: O tamanho
O ictus cordis é o “choque da ponta ou
do ictus. Deve-se que ele mede cerca de
impulso apical” do local da parede
2-3 polpas digitais e sempre menos que
torácica onde se pode palpar o pulso do
dois espaços intercostais.
coração.
Um ictus maior que esses dois espaços
Sua posição varia de acordo com o
intercostais, dizemos que o ictus está
biótipo do paciente. Nos mediolíneos o
globoso ou difuso, por causa de
ictus localiza na linha hemiclavicular
dilatação de câmaras (cuidado, não é
com o 5°espaço intercostal. Nos
hipertrofia). Hipertropia não aumenta o
brevilíneos e cerca de 2 cm mais lateral
ictus, altera a qualidade do batimento.
e no 4° espaço intercostal. Já no
longilíneos, localiza-se no 6° espaço Ictus palpável não é patológico, porém
intercostal e mais central (1 ou 2 cm) da deve saber o tamanho em que ele está
linha hemiclavicular. palpável. Ele não é palpável em
pacientes obesos, grandes mamas,
A melhor forma de palpar o ictus cordis
musculosos ou com enfisema pulmonar.
é com o paciente deitado, em uma
altura de 30°. Deslocamento do ictus indica dilatação
ou hipertrofia do ventrículo esquerdo.
Ocorre em estenose aórtica,
insuficiência cardíaca, insuficiência
mitral, hipertensão arterial,
miocardiosclerose.
Deve-se avaliar a qualidade do ictus e
sua intensidade. Se for muito intensa se
denomina pulso propulsivo, e
Ictus Cordis normal
representa hipertrofia ventricular
Pode-se palpar com as pontas dos esquerda. Quanto mais sustentado for a
dedos. Inicie sua referência com o hipertrofia mais intenso e longo esse
manúbrio esternal. Encontra a fúrcula batimento.
esternal (fácil palpação, é a chanfradura
Desvios de ictus:
côncava existente na extremidade
cranial do esterno). Abaixo da fúrcula, Longilíneos (baixo – normal);
existe o manúbrio esternal, e abaixo Brevilíneos (cima e lateral –
desse manúbrio existe uma normal);
proeminência, o Ângulo de Louis. O
CARLOS KADIS 14
Hipertrofia VD (cima [tamanco Já a campânula é o lado de menor
holandês] - patológico); contato com a pele, ele filtra o som de
Hipertrofia de VE (desvio para alta intensidade e permite auscultar
baixo - patológica). sons de baixa intensidade. Por exemplo
as bulhas acessórias, a B3 e B4. Não
pode pressionar fortemente a
campânula (pois aumenta a superfície
de contato e transforma em diafragma).
Onde auscultar?
Encontra a fúrcula esternal (fácil
palpação, é a chanfradura côncava
Alterações de posição do ictus
existente na extremidade cranial do
Alterações de parênquima pulmonar esterno). Abaixo da fúrcula, existe o
pode desviar o Ictus. manúbrio esternal, e abaixo desse
manúbrio existe uma proeminência, o
Pneumotórax hipertensivo ou um
Ângulo de Louis. O ângulo de Louis é
grande derrame pleural empurra o
uma referência, pois ao lado dele
ictus. Uma atelectasia atrai o ictus.
sempre se sabe que está no segundo
Podem desviar o ictus sem representar
espaço intercostal. Achando esse 2
doenças cardíacas.
espaço intercostal, nós vamos
Deve saber na palpação, além da margeando ela, até achar o 5º espaço
qualidade, deve saber se ele é móvel, ou intercostal, onde se encontra o foco
seja ao mudar de posição o ictus se mitral (é o primeiro foco).
altera.
Na anatomia do coração o VD é mais
Se não mover suspeita de pericardite anterior, é a câmara cardíaca mais perto
constritivas. Pode se observar as ondas do esterno. O V3 possui uma parte
pré sistólicas (B4), é sentir um impulso, anterior, porém é mais posterior,
antes do impulso pré sistólico ictus. A B4 igualmente com o átrio esquerdo. O
é melhor palpar que auscultar. átrio direito também é anterior.
As ondas de enchimento rápido são as
representações tátil da B3, o que você
ausculta.
AUSCULTA - ESTETOSCÓPIO
O estetoscópio é o aparelho utilizado
para auscultar. Ele possui o diafragma
(maior contato com a pele), ele filtra o
Coração na caixa torácica
som de baixa intensidade e permite
auscultar os sons de alta intensidade,
como a B1 (TUM)e B2 (TÁ).
CARLOS KADIS 15
Para encontrar a valvas cardíacas componentes M1 e T1. Ela marca o
começaremos pela Mitral, vindo do início da sístole. Se eu fechei as valvas
átrio esquerdo (posterior), até o atrioventriculares, os ventrículos já
ventrículo esquerdo. Se ausculta o som podem contrair e fazer a sístole. Sempre
da mitral no 5º espaço intercostal, na que for auscultar deve saber a posição
linha hemiclavicular. O que se ausculta do ciclo cardíaco, logo a B1 antecede o
é o fluxo sanguíneo, a reverberação do pulso carotídeo.
som do sangue. Esse é o melhor ponto
A B1 pode estar alterada. Pode ficar
anterior para ouvir.
hiperfonética ou hipofonética.
Hiperfonética: Pacientes com a
espessura diminuída do tórax causa
impressão de hiperfonética. Sobre a
velocidade de elevação de pressão
altera em casos de estados
hiperdinâmicos (febre, anemia,
tireotoxidade e exercícios). Estenose
mitral, mixoma atrial e P-R curto. Valva
mitral com degeneração mixomatosa e
folhetos amplos.
Hipofonética: Obesidade, enfisema
pulmonar e tamponamento cardíaco (as
3 são devido a anatomia do tórax). Já,
O foco tricúspide também é no 5º
em relação a variação de pressão, um
espaço intercostal direito, porém é mais
baixo débito cardíaco (choque ou
medial.
miocardiopatia) e bloqueio do ramo
O foco aórtico que apesar de sair do esquerdo. P-R longo (200-500ms) e
ventrículo esquerdo, se ausculta na insuficiência aórtica grave. Casos de
direita. Na anatomia, a aorta curta o estenose mitral calcificada.
plano medial do corpo, por isso se
O enfisema pulmonar aumenta o espaço
ausculta na direita. Se ouve no 2º
entre o estetoscópio e B1 e
espaço intercostal direito.
tamponamento cardíaco é um derrame
O foco pulmonar que sai também do pericárdio volumoso que dificulta o
ventrículo direito, porém se ausculta contato para ouvir a B1.
melhor no lado esquerdo. É ouvido na
A B1 possui dois componentes, o mitral
borda paraesternal no lado esquerdo no
e o tricúspide. A tricúspide é
segundo espaço intercostal.
naturalmente atrasada, as vezes pode
B1 – É a ausculta que a gente ouve a se auscultar um desdobramento. Mas
partir do fechamento das valvas cuidado, paciente com bloqueio de
atrioventriculares (alteração de fluxo de ramo direito você observa esse
sangue inerente a esse fechamento – desdobramento acentuado.
mitral e tricúspide). Ela possui dois
CARLOS KADIS 16
B2 – Ela marca o final da sístole, O desdobramento de B2 é mais fácil de
momento que as valvas semilunares ser auscultada.
fecham. Entre B1 e B2 pulso carotídeo,
sístole. Você palpa o pulso carotídeo,
antes dele subir, B1. Após ele passar, B2.
Hiperfonética: As causas anatômicas
Se pede ao paciente inspirar
são as mesmas (baixa espessura).
profundamente (com o objetivo de
Estado hiperdinâmico. Hipertensão
aumentar o retorno venoso e aumentar
arterial sistêmica (aumento de pós
a complacência dos vasos pulmonares,
carga e com seu componente aórtico
diminuição da resistência dos vasos
mais hiperfonético, altera a fonética da
pulmonares e, por consequência disso,
B2 – novo). Uma hipertensão arterial
se atrasa a P2.
pulmonar (com o componente
pulmonar mais hiperfonético também Inspiração profunda: Normal B2
aumenta – novo). Aneurisma desdobrada. Não é natural que na
[Aneurisma é uma dilatação nos vasos] inspiração se junte a B2. Ele só vai
de aorta, e aneurisma pulmonar, encostar o componente pulmonar no
aproximam mais a ausculta também aórtico se existir um atraso, logo é
causa hiperfonética, logo dilatações na chamado de tipo paradoxal decorrente
aorta ou art. Pulmonar causam essa hf. de um bloqueio completo de ramo
esquerdo ou estenose aórtica.
Uma hipertensão pulmonar
hiperfonética é descrita no exame físico
com P2 maior que A2.
Cuidado, HAS e HAP causam a No desdobramento fixo ocorre o
hiperfonética, porém o componente desdobramento sempre, não altera se
altera. Sistêmica relaciona-se a HAS e inspirar mais rapidamente ou menos,
pulmonar a HSP. ocorre na comunicação intratrial (CIA).
Hipofonética: Obesidade, enfisema
pulmonar e tamponamento cardíaco.
Baixo débito cardíaco. Todos os casos
No desdobramento amplo (não fixo),
que reduzem a pressão pós carga ou
ocorre sempre o desdobramento da P2,
redução de pressão.
porém ela se altera a depender da
Como essas bulhas se comportam na inspiração profunda (aumenta mais esse
expiração e inspiração? desdobramento). Ocorre no bloqueio
completo do ramo direito.
CARLOS KADIS 17
a variação com a respiração.
Desdobramentos de B2 variam muito
com inspirações profundas. B3 não varia
com a inspiração. A B3 se ausculta
melhor nos focos do ápice e os
desdobramentos de B2 se ausculta
melhor nos focos da base (Cuidado, que
a base é a posição mais cranial que a o
Comparativo de todos os tipos ápice). B2 se ausculta melhor com o
Som de B1 (TUM) e o som de B2 (TÁ). diafragma e B3 com a campânula.
Para ficar mais fácil a didática,
considerar todos os sons com o mesmo
barulho (TUM = tanto B1 quanto B2).
Mas deve lembrar que a B2 (TÁ) possui
um som diferente da B1
TUM --- SENTIR O PULSO -- TUM ---TUM
B1 ---------- CAROTÍDEO ------B2 -------- B3
BULHAS ACESSÓRIAS Como a B3 varia? Com o aumento de
B3 – É o resultado do som do sangue ao sangue no ventrículo, pacientes com
descer na fase de enchimento rápido na taquicardia, com menos tempo de
diástole ventricular. É resultado de uma ejeção, possui uma B3 mais audível, ao
sobrecarga volumétrica. Se ocorre no deitar o paciente pode auscultar menos.
início da diástole, sua posição será Pacientes com bradicardia reduzem o
depois de B2. A bulha com a B3 será som.
ouvido a B1 a B2 e logo em seguida se B4 – A quarta bulha acessória é oriunda
ouvirá a B3, parecendo a B2 novamente. da contração atrial, ela só se torna
audível quando existe uma sobrecarga
acessória. É o resultado do fluxo
sanguíneo na contração atrial. Se
ausculta em pacientes com uma
hipertrofia ventricular esquerda. É um
idoso, hipertenso de longa data, que
começou o remodelamento de seu
coração (hipotrofiou o ventrículo,
A B3 reflete o início da diástole, o deixando menos complacente). É um
enchimento rápido ventricular. A B3 marcador prognóstico ruim para o
possui um som mais grave, melhor paciente, que está desenvolvendo
audível com a campanula, e ouvimos insuficiência cardíaca diastólica.
melhor nos focos do ápice.
A quarta bulha vem antes de B1. Ela
Como diferenciar B3 de um vem:
desdobramento de B2? Primeiramente,
CARLOS KADIS 18
TUM--TUM ----------------- TUM (esquerdo) e tricúspide (direito) [valvas
atrioventricular]. O barulho que se ouve
B4----B1-------------------- B2
não é de aberturas, mas sim de
B4 é melhor auscultada nos focos do fechamento de valvas. Bulha é o
ápice. fechamento das valvas. Primeira bulha é
o fechamento da mitral e tricúspide, já a
TUM-TUM- PULSO CAROTÍDEO ---- TUM
segunda bulha é o fechamento aórtica e
B3 e B4 são sons graves, ausculta melhor pulmonar (na diástole).
com a campanula, nos pontos apicais.
Na diástole, existe a fase de enchimento
Para aumentar B4 é necessário realizar
rápido (70%) e enchimento lento (30%).
uma manobra que impõe maior
A facha de enchimento lento é
sobrecarga pressórica no paciente, uma
dependente da contração atrial.
manobra de Handgrip (os pacientes
fecham a mão e as pressionam, O lado esquerdo do coração possui
aumenta a resistência vascular pressões mais altas que do lado direito.
periférica, aumenta pós carga, aumenta As valvas possuem fechamento mais
a dificuldade de ejeção sanguínea). difíceis no lado esquerdo, devido a
maior pressão.
Pode existir B3 e B4 juntas, o que se
ausculta é exatamente: O fechamento da mitral tem mais
repercussão que da válvula tricúspide?
TUM-TUM------TUM-TUM
Sim, logo o som M1 (fechamento da
Vem a B4 antes da B1 e a B3 depois da mitral será maior que a T1).
B2.
O fechamento da valva aórtica tem
Quando existe um paciente mais repercussão que dá valva
taquicárdico, que diminui o tempo pulmonar? Sim, logo A2 será mais alto
diastólico ou tempo sistólico também, que P2.
existe o galope de soma (não consegue
diferenciar as bulhas).
DESDOBRAMENTO DA SEGUNDA
BULHA
CARLOS KADIS 20
TIPOS DE DESDOBRAMENTO DE B2
Manobra de Riviero Carvalho: Toda
inspiração profunda aumenta o retorno
venoso e aumenta o volume no AD e VD.
A intensidade de qualquer som no
coração direito aumenta e também irá A P2 se atrasa um pouco mais que a A2.
retardar os eventos no coração direito. O que muda da esquerda para direita é
Se eu fecho a valva aórtica um pouco a inspiração. Veja que não altera, pois a
antes da pulmonar, se eu estiver mais comunicação é constante, tanto faz eu
volume vou retardar esse fechamento. inspirar como expirar.
A tendência da manobra é distanciar o
fechamento da valva pulmonar da Desdobramento persistente não fixo:
aórtica. Em casos de bloqueio de ramo direito,
vai existir um atraso na contração do
ventrículo esquerdo.
Estenose de artéria pulmonar: Estenose
é uma dificuldade de abrir a válvula. Um
exemplo, ao invés da valva abrir 100%,
ela abre 30%. O sangue vai passar pela
Antes e o depois da manobra de válvula, porém vai demorar mais essa
Riviero carvalho passagem. Uma valva estenosada fecha
normalmente, sua dificuldade é de
O que muda da esquerda para direita é
abertura. Se o sangue, na estenose,
a inspiração.
demora mais tempo para sair, a válvula
Ao invés de TUM-TÁ você ouve TUM- vai atrasar seu tempo para iniciar o
TRÁÁ. fechamento.
Qual é a diferença do desdobramento CUIDADO: Insuficiência de válvula é
da 2 bulha para a B3? Independe dessa dificuldade de fechar e estenose é
manobra. O desdobramento da segunda dificuldade de abrir.
bulha é totalmente depende da
inspiração.
Desdobramento persistente fixo: É
constante. Principal representante é a
comunicação interatrial (os dois átrios
se comunicam). Tem um buraco entre
os átrios, o sangue se move de acordo
com a pressão. Como o lado esquerdo Bloqueio de ramo direito
possui maior pressão, geralmente
ocorre esse fluxo do AE para o AD. O
volume do AD e VD aumentam, devido a
comunicação.
CARLOS KADIS 21
Se eu peço ao paciente inspirar no
bloqueio de ramo direito, como existe a
estenose somada a manobra de Riviero
Carvalho, a inspiração (na direita)
aumentará o intervalo entre A2 e P2.
Cuidado, tanto na ins/expiração estão
ocorrendo o desdobramento, porém na
inspiração aumenta mais.
Causas mais comum de um
desdobramento persistente não fixo: SOPROS CARDÍACOS
estenose pulmonar + bloqueio do ramo Os sopros são resultados de
direito. turbilhonamento de sangue. Nós
Desdobramento paradoxal: Existirá o escutamos o sopro como manifestação
bloqueio do ramo esquerdo do coração, audível do sangue passando. Porque
junto com uma estenose aórtica. A valva esses sons? Alterações anatômicas em
aórtica se fecha antes da pulmonar. Na estruturas, casos de hiperfluxo (muito
estenose aórtica existe um aumentado). Deve saber diferenciar
retardamento do fechamento. O sopros de funcionais (sem doenças
componente A2 que vinha antes, vai valvais), de orgânicos (comprometem a
para trás do P2 se distanciando. anatomia das valvas).
Os sopros funcionais são inerentes aos
estados hiperdinâmicos (estados que
aumentam o fluxo sanguíneo, como
anemia, tireotoxicose, febre,
insuficiência cardíaca de alto débito). O
sopro funcional sempre é sistólico
(entre B1 e B2). Se for diastólico (entre
Na respiração normal a A2 passou a P2 B2 e B1) é orgânico. Como suas causas
(normal significa sem a inspiração são independentes de anatomia, podem
profunda, o paciente ainda tem ser auscultados em qualquer foco
estenose aórtica + bloqueio de ramo (pancardíaco – pode auscultar em
esquerdo). Ao inspirar profundamente o qualquer foco).
P2 se aproxima do A2. A manobra de
Além de ser sistólico, ele pode ser
Riviero Carvalho atrasa os eventos do
protosistólico (início da sístole ou
lado direito, logo atrasa A P2. O
diástole), metasistólico (no meio entre a
paradoxo é que existe um
sístole e a diástole) e telesistólico (no
desdobramento da B2 normalmente e
final da sístole ou diástole). Se acontece
ao realizar a manobra esse
durante toda a sístole ou toda a diástole
desdobramento se cessa.
vai ser olosistólico ou olodiastólico.
A graduação do sopro vai ser de 1 cruz
até 6 cruz. A partir de 4 cruz existe
CARLOS KADIS 22
frêmito. (Cruz = +). 6 é o mais grave e o
1 mais leve.
A irradiação depende do local da valva.
Sopros de estenose mitral irradiam pra
ápice. Já para insuficiência mitral, pode
ter irradiação axilar. Sopros aórticos
podem gerar irradiação carotídea.
CARLOS KADIS 23
SÍNDROMES CARDIOLÓGICAS A partir da disfunção cardíaca, pode
existir disfunção na sístole e na diástole.
Na sístole ocorre uma redução do débito
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA cardíaco, esse débito cardíaco gerará
uma menor perfusão sistêmica, um
A primeira síndrome estudada a fundo é
aumento da pressão arterial e um
a insuficiência cardíaca. É uma síndrome
aumento da frequência cardíaca.
complexa, na qual o coração é incapaz
de bombear sangue de forma a atender Uma disfunção miocárdica diastólica
às necessidades metabólicas tissulares, leva o aumento da pressão diastólica
ou pode fazê-lo somente com elevadas final do VE (PDFVE) que pode levar a
pressões de enchimento. isquemias, congestão pulmonar,
hipoxemia, arritmia, progressão da
É a definição da associação brasileira. É
disfunção miocárdica e a morte.
incompleta, porém bem sintetizada.
Uma disfunção miocárdica também
Causas das disfunção cardíaca
resultará em um quadro inflamatório.
Ocorrerá uma infecção sistêmica, onde
se liberará citocinas inflamatórias, que
aumentarão o nível de óxido nítrico
levando uma vasodilatação que
derrubará a perfusão sistêmica.
Outra rota que causa fisiopatologias
geradas pela insuficiência cardíaca são
as rotas adrenérgicas e as rotas do
sistema RNAA.
CARLOS KADIS 24
Diferentes vias causam muitos danos, gerar insf. Cardíaca diastólica). O
deve-se inibir na base de problema sistólica é na contratilidade.
medicamentos. Disfunção sistólica sempre está
associada a diastólica. O oposto não é
Existe bloqueadores, de aldosterona, da
verdade. Só por exames físicos não
ECA e betabloqueadores inibem essas
identificamos se é só diastólica ou
fisiopatologias.
diastólica + sistólica.
Pós carga é a força pressórica com a
qual o ventrículo precisa bombear o
sangue. Uma pós carga aumentada
causa patologias.
Uma característica da IC é gerar
retenções hidrossalinas, que ocorrem
para manter a pressão arterial, porém
causa vasoconstrição, e não consegue se
adaptar para receber o fluxo sanguíneo.
Em um coração com problemas em seu
funcionamento, o aumento de
enchimento do ventrículo esquerdo, na
medida que aumenta sua pressão, por
transmissão de pressão, aumenta a
Esse esquema é mais mecânico. Possui a pressão do átrio esquerdo, que se
grande circulação em baixo e a pequena transmite para veias e capilares e
circulação em cima. arteriais pulmonares. Após isso vai para
A Pré carga (especialmente do VD, o ventrículo direito, e o ventrículo
primeiro pelo átrio direito) é todo direito deve bombear mais forte para
aporte de sangue que deve chegar no vencer todo esse aumento da pressão.
coração antes de iniciar a sístole, ou As consequências do aumento de
seja, todo o sangue venoso da circulação pressão são do ventrículo para trás ou
sistêmica retornou pelo átrio direito, e do ventrículo para frente. Para trás é
foi mandado para o ventrículo direito e mais precoce e para frente indicam um
antes de iniciar a sístole, o volume quadro mais longo e severo. Para trás
dentro dos ventrículos correspondem se refere em uma transmissão do
ao valor de pré carga. 61% do sangue ventrículo para o átrio e para ventre do
circulante está nas veias e vênulas. 18 % ventrículo para artéria.
estão nas artérias. Porém a pressão das
artérias são bem maiores. No ventrículo esquerdo para
trás (pouco complacente), ocorre o
Uma incapacidade de bombear e de aumento retrógado daí para trás. Na
relaxar para receber o sangue (Atentar área pulmonar, surge como sintoma
com os dois, esquecem do relaxamento dispneia, aumento dos esforços,
ventricular, a sua complacência pode ortopneia, dispneia paroxística noturna,
CARLOS KADIS 25
tosse seca por congestão pulmonar e,
em quadros muito abrupto causa
edemas agudos pulmonares. O edema é
o espectro máximo das síndromes
esquerdas. O espectro esquerdo é mais
brando e mais longo. Manifestações
para trás, na esquerda, são essas: tosse
seca, dispneia, ortopneia, dispneia
paroxística noturna e no fim edema
agudo pulmonar que elimina secreção Somente explicação dos textos
rosa área. passados.
CARLOS KADIS 26
Quando mais progride, mas sobe os sub- Pesquisar todos os tópicos.
crepitantes.
Quadro clínco
CARLOS KADIS 27
Mais irradiada a dor, mais carac´tericas
se acha que é isquemia miocárdia.
..
90 POR CENTO Ocorre pela redução de
oferta de o2 pro miocárdio. Essas placas
aumentam ao ponto de reduzir a luz do Pesquisar de Levine
vaso.
CARLOS KADIS 28
Típica deve ter os 3 componentes. 3 formas de manifestação em quadros
Atípica com 2 e dor torácica não instáveis de angina.
cardíaca é somente 1 ou nenhum.
CARLOS KADIS 29
CARLOS KADIS MINEIRO SEMIOLOGIA MÉDICA
Para conseguir realizar um bom exame Lembrar que: existe a região gástrio
do abdome é necessário possuir (hipo, hiper e meso), os flancos, a fossa
conhecimentos anatômicos e as divisões ilíaca e o hipocôndrio.
do abdome.
INSPEÇÃO
Divisão para um inspeção A primeira etapa da inspeção abdominal
é saber classificar os tipos de abdome.
Nas linhas mediais existe o epigástrio,
mesogástrio e hipogástrio (ordem
crânio-caudal).
No lado esquerdo, existe o hipocôndrio
esquerdo, flanco esquerdo e fossa ilíaca
esquerda (ordem crânio caudal).
CARLOS KADIS 1
ATÍPICO para síndrome metabólica e risco
cardiovascular.
BATRÁQUIO
Atípico
Abdome atípico é aquele que não típico
de nenhuma patologia. É o abdome
normal (Cuidado para não confundir,
pois o nome sugere erro). Abdome Batráquio
O nome refere-se a um saco (lembra um
saco). É proeminente nas laterais. Na
ESCAVADO foto o paciente possui ascite (edema
abdominal).
AVENTAL
Abdome Escavado
Presente em pacientes muito magros,
pode indicar doenças relacionadas a
nutrição ou síndromes metabólicas que Abdome Avental
possuem a perda de peso como sinal.
É como a pele do abdome caísse para
GLOBULOSO baixo. É típico de pacientes que
possuem uma enorme perda de peso,
como os que realizaram bariátrica.
CICATRIZES ABDOMINAIS
Ao analisar um abdome, as cicatrizes
indicaram procedimentos cirúrgicos
realizados anteriormente.
Abdome Globuloso
É o paciente que possui uma
concentração de gordura maior no
abdome. Lembrar dos fatores de risco
CARLOS KADIS 2
Para isso se realiza a manobra de Smith-
Bates.
HÉRNIAS
Tipos de hérnias
Circulação colateral
A circulação porta-cava são mais retas e
a cabeça de medusa possuem um ponto
de origem. Na cabeça de medula vai Divisão abdominal
existir um sopro contínuo na região
A divisão em 9 segmentos é a mais
umbilical, que se denomina sinal de
completa e a mais precisa. Ela consegue
Cruveilhier-Baumgarten. O fluxo grande
se relacionar com os órgãos.
gera um sopro contínuo.
1 – Fígado e vesícula biliar;
2 – Estômago, pâncreas
3 – Loja esplênica (área de
Trauber);
4 – Rins;
5 – Intestino delgado;
6 – Rins;
7 – Apêndice
8 – Mulher: Queixa urinária,
Sinal de Kussmaul 9 – Parte mais distal do intestino,
o sigmoide (pode ser um
Nesse sinal, os movimentos peristálticos diverticulite;
estão visíveis. Esse é um sinal
abdominal, não relacionar com
CARLOS KADIS 4
Geralmente só sabe-se o lobo direito do
fígado com essa percussão, somente
indo para o lado lateral anterior que se
descobre o esquerdo (o esquerdo estará
mais a esquerda, mas também na face
anterior). Vai acompanhando o som
maciço.
Deve-se iniciar pelo:
O ponto de McBurney é o ponto de 1. Linha Hemiclavicular direita (2°
melhor acesso para explorar o apêndice espaço intercostal);
. Traçar uma linha da crista ilíaca até o 2. Deve-se descer até achar o limite
umbigo, dividir em três e o 2/3 mais do fígado.
distal do umbigo é o ponto. 3. Fossa ilíaca direita e subir;
4. Delimitar o limite inferior;
5. Estimar o tamanho.
O lobo direito equivale a 6 – 12 cm e o
esquerdo 4 -8 cm. Valores normais.
Sinal de Torres-Homem significa dor na
percussão do fígado. Pode ser causada
por abscesso hepático.
Sinal de Jobert: Quando se percute
O ponto de Murphy ou Cístico é o o Timpanismo na loja hepática, é um sinal
ponto que vem da linha hemiclavicular de pneumoperitôneo.
até o rebordo costal direito. Serve para
verificar dor vesicular. Sinal de Chilaiditi: Indica uma
interposição de alças intestinais sobre o
PERCUSSÃO fígado. Também causa Timpanismo.
Deve diferenciar pela clínica.
ÁREA DE TRAUBER
É um espaço virtual, representa a loja
esplênica, no hipocôndrio esquerdo. Ao
realizar a percussão, existe som
timpânico.
Sempre começar pelo lado direito
(inferior ou superior).
Qual é o som normal? É o som
timpânico.
Hepatimetria é descobrir o tamanho do
fígado somente fazendo a percussão.
CARLOS KADIS 5
Sua referência anatômica é: Paciente com ascite
1. Chega ai 6 espaço intercostal na O paciente está em decúbito dorsal, o
linha axilar; volume líquido vai para as margens
2. Extensão até 9-10 Espaço abdominais do paciente. As bordas
intercostal; serão maciças e o meio do abdome será
3. Acima do rebordo intercostal timpânico.
esquerdo (limite anterior);
4. Limite mais medial é o lobo
esquerdo do fígado;
5. Deve percutir.
Deve saber como percutir e o som
normal é timpânico.
Para confiar, peça ao paciente ficar em
Se o som estiver maciço? Aumento do
decúbito lateral.
baço (esplenomegalia), neoplasias,
cardiomegalia, alimentação copiosa, Sinal de Piparote, precisa de uma mão
derrame pleural e hepatomegalia (LE). dividindo o abdome e o outro realiza a
ação de dar um peteleco. A outra mão
Causas de esplenomegalia: A
deverá estar no outro quadrante. Se
esplenomegalia de grande monta é
existir uma reverberação da onda
quando o baço ultrapassa a cicatriz
(devido o líquido) existe ascite.
umbilical.
CARLOS KADIS 6
AUSCULTA Sopros nas artérias renais são
decorrente de estenose da art. Renal,
Na ausculta abdominal nós queremos pode causar uma hipertensão
ver a peristalse. Peristalse nada mais é renovascular.
do que os ruídos hidroaéreos. Auscultar
os 4 quadrantes por 1 minuto. PALPAÇÃO
Se coloca: RHA positivo. A palpação de abdome é dividida em
palpação superficial e palpação
Deve se ouvir entre 5 – 34 ruídos
profunda.
hidroaéreos em um minuto.
Obstrução parcial: Ruído metálico, que
é a mesma coisa que uma peristalse de
luta.
Obstrução total: Ausência total.
O que causa uma obstrução intestinal?
Neoplasias, infecções, doenças A parte superficial é feita nos 4
inflamatórias, enterolito, ascaridíase, quadrantes com uma mão, verificamos
benzoares e bridas. Neoplasias de colón hipersensibilidade, grau de resistência,
direito é a que mais sangra e as viceromegalia, alguma massa.
neoplasias de colón esquerdo são as que
A palpação profunda é feita com as duas
mais obstruem.
mãos, se aprofundando mais. Procurar
Um toque retal é necessário para dor localizada. Algumas vísceras, em
desobstrução. Quanto tempo está com pacientes magros podem se palpar.
dor? Estar flatulando?
Redução da peristalse em todos os
quadrantes: Suspeitar de:
Íleo paralítico ou diabetes. Elas reduzem
a peristalse, não fazem a obstrução
intestinal.
Palpação profunda
Israel x Guyon
CARLOS KADIS 7
Palpação renal. O paciente estará em Dor na região lombar e no trato urinário.
decúbito lateral, uma mão na lombar e Se faz o punho-percussão. Doe aguda.
outra no rim. O rim esquerdo é mais Marca quadros de pielonefrite
fácil. O habitual é não palpar. (inflamação renal).
A manobra de Guyon é parecida, porém SINAL DE KEHR
o paciente estará em decúbito dorsal.
SINAL DE MURPHY
SINAL DE GIORDANO
Lemos-Torres x Mathieu
Essas são as duas manobras de palpação
do fígado. O mais importante da
palpação do fígado é fazer a sincronia
Exame do sinal de Giordano respiratória com o paciente. Se inicia da
fossa ilíaca e vai subindo de acordo com
CARLOS KADIS 8
a respiração do paciente. Toda Outra posição mais frequente e mais
inspiração o fígado desce e toda cobrada é fazer a palpação em decúbito
expiração o fígado sobe. lateral direito, na posição de Schuster.
Nem sempre é palpável. O fígado possui
dois lobos.
APENDICITE RETROCECAL
É a apendicite quando o apêndice está
ligada à parte de trás do ceco. Altera os
O sinal de Blumberg é relacionado a sintomas da apendicite clássico. Ela é
irritação peritoneal (deve lembrar de atípica.
apendicite, porém ela não é a única
representante). O sinal de Blumberg é
uma dor à descompressão abrupta do
abdome. Se faz muito no ponto de
McBurney no abdome (posso fazer em
qualquer outro ponto) e representa dor
peritoneal. ,
Manobra do obturador
Sinal de Aaron é a dor referida em
região epigástrica à compressão do A manobra do obturador é uma dor na
ponto de McBurney, ou seja, faz uma região hipogástrica após flexão do
compressão no ponto de McBurney e membro inferior direito, seguida de
sentirá dor na região epigástrica. uma rotação interna de quadril. Para
fazer essa rotação do quadril, se faz uma
A manobra de Rovsing é uma dor
rotação externa da perna.
referida em topografia do apêndice
durante a palpação retrógrada do Já o sinal de Psoa é a dor hipogástrica
intestino grosso. Repare que a dor é após uma extensão forçada da região
durante. proximal de MID.
CARLOS KADIS 10
ABDOME AGUDO Palpação Dolorosa (superficial e
profunda), sinal de Carnett, Sinal de
Blumberg.
CARLOS KADIS 11