AVEi Sanar
AVEi Sanar
CLÍNICA MÉDICA II
ACIDENTE VASCULAR
CEREBRAL ISQUÊMICO
1
SUMÁRIO
1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.1. Fatores de risco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.2. E
stratificação de risco no ataque isquêmico transitório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.3. Causas de AVC isquêmico ou AIT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.4. Doença de grandes vasos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.5. Doença cardioembólica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.6. D
oença de pequenos vasos (AVC lacunar) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.7. Causas incomuns . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.8. Quadro clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.9. Diagnóstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.10. T ratamento do AVC isquêmico na fase aguda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.11. Terapia trombolítica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.12. T
erapia endovascular (trombectomia mecânica) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
1.13. Causas de deterioração clínica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
1.14. Investigação etiológica e prevenção secundária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
1.15. AVC aterosclerótico (doença de grandes vasos) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
1.16. AVC cardioembólico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
1.17. A
VC por doença de pequenos vasos (lacunar) e criptogênico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2
ACIDENTE VASCULAR
CEREBRAL ISQUÊMICO
importância/prevalência
u Déficit neurológico focal de instalação aguda é igual a Acidente Vascular Cerebral (AVC), até que se prove
o contrário.
u A principal manifestação clínica é o déficit motor contralateral ao AVC, e o local de predomínio dos sinto-
mas sugere a provável artéria acometida.
u Não é possível diferenciar clinicamente AVC isquêmico de AVCH hemorrágico.
u O primeiro exame a ser solicitado na suspeita de um AVC sempre deve ser a Tomografia de Crânio sem
contraste, que pode ser normal nas primeiras horas após o início dos sintomas.
u Quando o déficit neurológico dura menos de 24 horas e/ou não há evidências radiológicas de isquemia,
chama-se AIT.
u A conduta se baseia em estabilização clínica, decisão sobre realização de trombólise venosa e/ou trom-
bectomia mecânica, suporte intensivo e investigação da etiologia.
Os eventos cerebrais isquêmicos decorrem da interrupção O AVC isquêmico gera sintomas específicos con-
do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral, resultante forme a artéria ocluída. Os sintomas costumam
habitualmente de evento trombótico ou embólico. persistir por mais de 24 horas.
O Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é definido
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) constitui a como sintoma neurológico focal que dura menos
primeira causa de morte no Brasil (superando as de 24 horas (em geral menos de duas horas), e
mortes por causas cardiovasculares), sendo a maior não há evidência de isquemia nos exames de ima-
responsável por incapacidade física, tornando-se gem (principalmente ressonância). O AIT decorre
fundamental em termos de política pública de saúde. de interrupção de fluxo sanguíneo cerebral, que
é restabelecido pelo próprio sistema fibrinolítico
O AVC pode ser dividido em isquêmico (80% dos endógeno. Ele não deve ser negligenciado, e precisa
casos) e hemorrágico (20% dos casos). O AVC hemor- ser investigado como AVC isquêmico.
rágico pode ainda ser subdividido em Hemorragia
3
Acidente vascular cerebral isquêmico Neurologia
Instalação súbita,
geralmente focal
Secundária a uma
Déficil neurológico
lesão vascular
Lesão
encefálica
Irreversível
Não traumático
naturalmente
Obesidade abdominal
Qual o termo correto: Acidente Vascular Cerebral ou (relação cintura-
Encefálico? A terminologia mais correta seria Acidente quadril elevada)
Vascular Encefálico, já que a doença não é restrita ao
cérebro e pode acometer também o cerebelo ou o tronco Dieta
encefálico. No entanto, devido à popularização do termo Sedentarismo
AVC e seu fácil entendimento pela população leiga, não se
justifica mudança na denominação da doença, e devemos Tabagismo
continuar utilizando os termos Acidente Vascular Cerebral
Etilismo
e AVC para as doenças cerebrovasculares agudas.
Drogadição
Uso de anticoncepcional
1.1. FATORES DE RISCO
Apneia do sono
Diabetes mellitus Sexo Todo paciente com déficit focal revertido em menos
Síndrome metabólica Raça de 24 horas deve ser submetido à estratificação
de risco por meio do escore ABCD2, que estima
Doenças cardíacas Genética
o risco de recorrência de eventos isquêmicos em
sete dias (Quadro 2).
4
Acidente vascular cerebral isquêmico Cap. 5
Idade ≥ 60 anos 1
Quadro 3. Classificação de TOAST.
PAS ≥ 140 ou PAD ≥ 90 1
TOAST 1 Doença de grandes vasos
Clínica
TOAST 2 Cardioembolia
• Hemiparesia unilateral 2
• Distúrbio da fala isolado 1 TOAST 3 Doença de pequenos vasos
• Outros 0 TOAST 4 Causas incomuns
Duração dos sintomas Quando não é possível identificar
• ≥ 60 minutos 2 TOAST 5 a etiologia ou há mais de uma
etiologia determinada
• 10-59 minutos 1
• < 10 minutos 0 Fonte: Adaptado de Ay4.
Diabetes 1
1.4. DOENÇA DE GRANDES VASOS
Fonte: Adaptado de Johnston3.
5
Acidente vascular cerebral isquêmico Neurologia
Fibrilação atrial (FA) permanente ou paroxística As principais doenças desse grupo são dissecção
Válvula protética mecânica arterial (causa de quase 20% dos AVC em jovens
adultos), vasculites, colagenoses, trombofilias adqui-
Estenose mitral com FA
ridas e hereditárias, e doenças genéticas.
Trombo no átrio esquerdo ou ventrículo esquerdo
Acinesia ventricular esquerda Na prova, sempre que houver um paciente jovem com dor
cervical associada a sintoma focal, pense em dissecção
Mixoma atrial
arterial.
Endocardite infecciosa
Próximo à carótida interna passam fibras do Sistema
Insuficiência cardíaca congestiva Nervoso Autônomo Simpático; quando há uma dissecção,
com fração de ejeção < 40% pode haver lesão de tais fibras, provocando a Síndrome
de Claude Bernard-Horner, caracterizada por semiptose,
Fontes de médio risco para cardioembolia
miose, enoftalmia e anidrose ipsilateral. O déficit (hemi-
Estenose mitral sem FA paresia) pelo AVC é contralateral, e o Horner é ipsilateral,
ou seja, há Horner de um lado com hemiparesia do outro.
Flutter atrial
6
Acidente vascular cerebral isquêmico Cap. 5
7
Acidente vascular cerebral isquêmico Neurologia
contraste), desde que ela não atrase o início de uma Item Pontuação
eventual trombólise.
0 – sem queda por 10”
5 1 – queda, mas não
Motor Membro atinge o leito em 10”
DIA A DIA MÉDICO
Superior 2 – queda e atinge o leito
Dimídio esquerdo 3 – movimenta, mas não
Técnicas avançadas de neuroimagem, como ressonância Dimídio direito vence gravidade
difusão-perfusão, têm sido utilizadas em centros avan-
4 – sem movimento
çados a fim de selecionar pacientes para tratamento de
reperfusão em janelas de tempo mais tardias após AVC 0 – sem queda por 5”
isquêmico (6 a 24h). 6 1 – queda, mas não
Motor Membro atinge o leito em 5”
Inferior 2 – queda e atinge o leito
Quadro 7. Escala de AVC do NIHSS.
Dimídio esquerdo 3 – movimenta, mas não
Item Pontuação Dimídio direito vence gravidade
4 – sem movimento
0 – alerta
1a 1 – desperta com estímulo verbal 7 0 – sem ataxia
Nível de 2 – desperta com Ataxia 1 – ataxia em 1 membro
consciência estímulo doloroso Apendicular 2 – ataxia em 2 membros
3 – apenas resposta reflexa/coma
0 – normal
Idade e mês 1 – déficit unilateral, mas
8
1b 0 – 2 corretos reconhece estímulo (ou
Sensibilidade afásico, confuso)
Orientação 1 – 1 correto dolorosa
2 – não reconhece estímulo
2 – nenhum correto
(ou coma, ou déficit bilateral)
Abrir/fechar os olhos –
0 – normal
apertar/soltar a mão
1c 9 1 – afasia leve/moderada
0 – 2 corretos
Comandos Linguagem 2 – afasia grave
1 – 1 correto
3 – afasia global (mudo, coma)
2 – nenhum correto
0 – normal
2 0 – normal
10 1 – leve a moderada
Motricidade 1 – paresia do olhar conjugado
ocular Disartria 2 – grave, ininteligível ou mudo
2 – desvio do olhar conjugado
x – intubado
0 – normal
0 – normal
1 – hemianopsia parcial,
3 1 – negligência de uma
quadrantanopsia 11
Campos visuais modalidade sensorial
2 – hemianopsia completa Negligência
2 – negligência grave ou em mais
3 – cegueira cortical
de uma modalidade sensorial
0 – normal
NIHSS TOTAL
4 1 – paresia central mínima
Fonte: Adaptado de Brott.7
Paresia facial 2 – paresia central evidente
3 – paresia do padrão periférico
8
Acidente vascular cerebral isquêmico Cap. 5
Descida à Terra.
Mamãe
Tic-Tac
Paralelo
Obrigado
Estrada-de-ferro
Jogador de futebol
9
Acidente vascular cerebral isquêmico Neurologia
10
Acidente vascular cerebral isquêmico Cap. 5
Reconhecimento
do AVE pela
escala FAST
• ABCD primário e
secundário Excluir diagnósticos
• AVP diferenciais: • Síncopes;
• Glicemia capilar
• Crise epiléptica;
+ monitorização +
• Uremia;
exames gerais
• TC de crânio: • Hipo ou Hiperglicemia;
• Neoplasia/infecção
Sem sangramento do SNC;
• Distúrbio psiquiátrico;
• Distúrbio hidroeletrolítico;
• Intoxicação aguda;
• Insuficiência hepática;
Afastadas doenças
Com sangramento • Hematomas
que simulem AVE traumáticos do SNC
Fonte: Mendelson12.
11
Acidente vascular cerebral isquêmico Neurologia
PA sistólica > 185 mmHg ou PA diastólica > 110 mmHg O fato de o paciente ser submetido à trombólise não con-
traindica de forma alguma a realização de trombectomia,
Sintomas sugestivos de hemorragia meníngea caso ele seja candidato.
Uso de novos anticoagulantes orais nas últimas
48 horas ou uso de varfarina com INR > 1,7
1.12. TERAPIA ENDOVASCULAR
Uso de heparina em dose plena nas últimas 48 horas (TROMBECTOMIA MECÂNICA)
Plaquetas < 100.000/mm3, INR >
1,7, TTPa > 40s ou TP > 15s
Glicemia inicial < 50 ou > 400, caso não controladas BASES DA MEDICINA
12
Acidente vascular cerebral isquêmico Cap. 5
Quadro 10. Indicações de terapia própria isquemia) com risco de hipertensão intra-
endovascular no AVC isquêmico agudo. craniana e/ou hidrocefalia e crises convulsivas.
Oclusão de artéria carótida interna até segmento
proximal da artéria cerebral média 1.14. INVESTIGAÇÃO ETIOLÓGICA E
Idade ≥ 18 anos PREVENÇÃO SECUNDÁRIA
Obs.: o escore de ASPECTS avalia sinais indiretos e 1.15. AVC ATEROSCLERÓTICO (DOENÇA
precoces de isquemia na TC de crânio em território DE GRANDES VASOS)
de artéria cerebral média, e vai de 0 a 10, sendo
10 a melhor pontuação (nenhum sinal indireto de Para sua determinação, deve-se investigar os vasos
isquemia cerebral). intra e extracranianos. Para avaliação dos vasos
Mais recentemente têm sido publicados novos extracranianos, pode-se lançar mão da ultrasso-
estudos (DAWN e DEFUSE-3) que estenderam o nografia com doppler de carótidas e vertebrais,
tempo da trombectomia mecânica para até 24 angiotomografia ou angiorressonância cervicais, ou
horas a pacientes altamente selecionados. Essa mesmo a arteriografia convencional, sendo o último
seleção de pacientes entre 6-24h do início do déficit é o padrão-ouro. No entanto, é um exame invasivo
baseada no conceito de mismatch clínico-radiológico e menos disponível (na prática, raramente se faz
(grande déficit neurológico para AVCi pequeno na arteriografia para investigação de AVCi). Para o
neuroimagem) ou puramente radiológico (baseado estudo dos vasos intracranianos, pode-se utilizar o
em técnicas avançadas de difusão-perfusão). ultrassom doppler transcraniano, a angiotomografia,
a angiorressonância intracraniana ou a arteriografia
convencional.
DIA A DIA MÉDICO Na identificação de doença de grandes vasos,
deve-se instituir terapia antiplaquetária e estatina,
A trombectomia tem virado realidade mesmo em centros além de correção de fatores de risco para doença
do Sistema Único de Saúde, o que ressalta a importância aterosclerótica.
da solicitação inicial da angiotomografia para seleção
de pacientes. Para carótidas tidas como sintomáticas, ou seja,
com história de AVC ou AIT nos últimos 6 meses
atribuída à doença aterosclerótica ipsilateral à artéria
1.13. CAUSAS DE DETERIORAÇÃO CLÍNICA carótida acometida, a regra é a seguinte:
Nem sempre a deterioração clínica tem origem neu- u Endarterectomia beneficia pacientes com este-
rológica, sendo infecções, distúrbios hidroeletrolíti- noses graves (70-99%) com expectativa de vida
cos, trombose venosa profunda e tromboembolismo maior que 5 anos quando comparada ao trata-
pulmonar importantes causas de piora neurológica. mento clínico otimizado em pacientes com AVCi
não incapacitante, principalmente se realizada nas
Entre as causas neurológicas mais comuns estão primeiras semanas após o evento. Utilização de
transformação hemorrágica, hemorragia cerebral stent carotídeo é uma alternativa nesses casos.
sintomática, edema citotóxico (ocasionado pela
13
Acidente vascular cerebral isquêmico Neurologia
W Para homens com estenose carotídea mode- Em caso de estenose intracraniana e doença de
rada (50-69%), endarterectomia pode ser in- artérias vertebrais, os estudos ainda não mostra-
dicada em casos selecionados, porém o nível ram vantagem da terapia cirúrgica ou endovascular
de evidência é menor. sobre o tratamento clínico, podendo-se, nesses
casos, realizar a dupla antiagregação plaquetária
u Em mulheres com estenoses moderadas, o be-
por 30 a 90 dias, associada a estatinas de alta
nefício da endarterectomia é menor e com maio-
intensidade, além de controle rigoroso dos fatores
res taxas de complicação; portanto, considerar
de risco cerebrovasculares.
o tratamento clínico.
14
Acidente vascular cerebral isquêmico Cap. 5
Paciente com escala de CHADS2 de 0 está asso- Nesses casos, não há terapia bem definida para
ciado a baixo risco anual de AVC e pode ser con- prevenção secundária; deve ser instituído o con-
siderada apenas a antiagregação plaquetária. Em trole de fatores de risco com mudança de hábitos
pacientes com CHADS2 de 1-2 (moderado risco) e ≥ de vida, controle da hipertensão, diabetes mellitus,
3 (alto risco), deve ser considerada a anticoagulação. dislipidemia, obesidade, apneia obstrutiva do sono,
além do uso de terapia antiplaquetária com AAS
Mais tarde foi criada a escala de CHA2DS2-VASc,
50-300 mg/dia e estatinas.
com objetivo de incluir outros fatores de risco para
embolia na FA.
Escala de CHA2DS2-VASc
Item Pontuação
Hipertensão arterial 1
65-74 anos 1
≥ 75 anos 2
Diabetes mellitus 1
Sexo feminino 1
Fonte: Adaptado de Lip15.
15
Acidente vascular cerebral isquêmico Neurologia
Hemiparesia
Hemianopsia
Afasia
Hipoestesia
Escala
Sorria Outros
Abrace pré-hospitalar:
Música Cincinatti
Urgente ligue 192
Medidas gerais
Cálculo do NIHSS
Conduta AVC Diagnóstico
Glicemia
Sim Não
(AVC hemorrágico) (AVC isquêmico)
>4,5H <4,5H
Avaliar critérios de
inclusão e exclusão
para trombectomia. Avaliar critérios de
inclusão e exclusão
para trombólise e
trombectomia.
16
Acidente vascular cerebral isquêmico Cap. 5
17
Acidente vascular cerebral isquêmico Neurologia
QUESTÕES COMENTADAS
18
Acidente vascular cerebral isquêmico Cap. 5
19
Acidente vascular cerebral isquêmico Neurologia
após alta hospitalar por acidente vascular cerebral sinais de sangramento. Qual tratamento abaixo é o
isquêmico. Assinale a alternativa que NÃO apresenta mais adequado para o paciente citado?
indicação adequada para o caso acima.
⮦ Anticoagulação.
⮦ Uso de estatina. ⮧ Terapia fibrinolítica com alteplase intra-arterial.
⮧ Uso de AAS. ⮨ Antiagregação plaquetária.
⮨ Endarterectomia de carótida na presença de ⮩ Nitroprussiato de sódio em bomba de infusão
estenose de 50%. contínua endovenosa.
⮩ Controle da hipertensão arterial sistêmica com
diurético ou IECA.
Questão 10
⮪ Uso de varfarina na presença de fibrilação atrial.
(HOSPITAL REGIONAL DE MS – ROSA PEDROSSIAN – 2009) Uma
senhora de 63 anos foi admitida no PAM após ter
Questão 8
sido encontrada caída em sua residência. Ao exa-
(HOSPITAL DAS CLÍNICAS DO PARANÁ – 2018) Em relação ao me físico, nota-se nível de consciência rebaixado
acidente vascular encefálico isquêmico, assinale (Glasgow 11), ausculta cardíaca irregular e desvio
a alternativa que apresenta as principais manifes- conjugado do olhar para a esquerda. ECG compatí-
tações clínicas típicas de envolvimento da artéria vel com fibrilação atrial. TC mostra hipodensidade
cerebral anterior. acometendo todo o território da artéria cerebral
média esquerda, apagamento de sulcos corticais e
⮦ Déficit sensorial e/ou motor contralateral, com discreto desvio de linha média. Das medidas abaixo,
predomínio facial e braquial (face e braço > per- qual deverá ser evitada inicialmente?
na); afasia.
⮦ Anticoagulação, devido à extensão do infarto e
⮧ Déficit sensorial e/ou motor contralateral, com
ao risco de transformação hemorrágica.
predomínio crural (perna > braço e face); abulia.
⮧ Correção dos níveis de glicemia.
⮨ Déficit sensorial e/ou motor contralateral, com
predomínio facial e braquial (face e braço > per- ⮨ Uso de manitol.
na); negligência hemiespacial contralateral. ⮩ Controle dos níveis pressóricos se PAS >= 200
⮩ Déficit sensorial e/ou motor ipsilateral, com pre- e/ou PAD>= 120 mmHg.
domínio facial e braquial (face e braço > perna); ⮪ Controle de hipertemia.
afasia.
⮪ Déficit sensorial e/ou motor ipsilateral, com pre-
Questão 11
domínio crural (perna > braço e face); abulia.
(ALIANÇA SAÚDE – PR – 2020) A respeito do tratamento do
Acidente Vascular Encefálico de etiologia isquêmica,
Questão 9
na sua fase aguda, assinale a alternativa CORRETA.
(CLÍNICA DE CAMPO GRANDE/MS – 2017) Paciente do sexo
⮦ Pacientes com quadro de AVE extenso de origem
masculino, 78 anos, sem comorbidades prévias,
cardioembólica devem receber anticoagulantes
com quadro de hemiplegia à direita, de início agu-
orais ainda nas primeiras horas de tratamento.
do há 12 horas, com afasia global e sonolento. Na
entrada, a pressão arterial estava 180 x 110 mmHg, ⮧ O tempo ideal para o início da infusão de fibrino-
normoglicêmico e afebril. Foi realizada tomografia líticos é de 4,5 horas a partir do último momento
computadorizada de crânio que mostrava uma hi- em que o paciente foi visto sem o déficit.
podensidade discreta no território de artéria cere- ⮨ Caso um paciente seja submetido a tratamento
bral média à esquerda, de tamanho moderado, sem fibrinolítico, ele deve receber associado terapia
com AAS idealmente nas primeiras 24 horas
20
Acidente vascular cerebral isquêmico Cap. 5
21
Acidente vascular cerebral isquêmico Neurologia
GABARITO E COMENTÁRIOS
Y Dica do Professor: A escala NIHSS é utilizada para Y Dica do Professor: Instalação súbita de sinal neu-
pontuar de forma objetiva os achados do exame rológico focal com tomografia de crânio sem san-
neurológico em suspeitas de Acidente Vascular gramento aponta para o diagnóstico de AVC isquê-
Cerebral. Quando mais alterações no exame físico, mico. Escala NIHSS maior que 6 indica presença de
maior a pontuação da escala. A maioria de nós neu- déficit neurológico significativo ao passo que esca-
rologistas não temos essa escala completamente la radiológica ASPECTS acima de 6 sugere pouco
decorada, sendo consultada na prática rapidamente infarto cerebral definido. Nesse contexto, em um
para pontuar, entretanto a questão cobrou alguns paciente com 5h30, caso haja presença de oclusão
detalhes dessa escala (com algum bom senso dava de carótida ou cerebral média, o paciente pode ser
para responder). candidato a trombectomia mecânica.
Alternativa A: CORRETA. É aquela regra de prova, po- Alternativa A: INCORRETA. Ressonância é um exame
der quase tudo pode. Realmente, na escala NIHSS, pouco disponível e muito demorado para ser reali-
a avaliação de ataxia envolve as manobras index- zado neste momento.
-nariz e calcanhar-joelho. Alternativa B: CORRETA. Como visto acima. Angioto-
Alternativa B: INCORRETA. Paciente intubado pode mografia é o exame inicial de escolha para estudar
realizar avaliação da linguagem pelo menos es- os vasos cerebrais no contexto de AVC.
crevendo (então não confere pontuação máxima Alternativa C: INCORRETA. Geralmente não se indica
automaticamente). trombólise acima de 4h30min de déficit.
Alternativa C: INCORRETA. Paciente amputado deve Alternativa D: INCORRETA. Ressonância é um exame
ser registrado como "não testável". A esses não pouco disponível e muito demorado para ser reali-
devem ter atribuída pontuação máxima. zado neste momento.
Alternativa D: INCORRETA. Se não é possível avaliar ✔ resposta: B
extinção ou negligência, como em um caso de re-
baixamento do nível de consciência, a pontuação
é normal. Questão 3 dificuldade:
Alternativa E: INCORRETA. Pode ser utilizada para Y Dica do professor: São contraindicações absolutas
ambos, AVC isquêmico ou hemorrágico; entretanto, para anticoagulação no AVC: Idade <18 anos; sinto-
pode impactar mais a conduta de AVC isquêmico mas compatíveis com Hemorragia Subaracnóidea
inclusive (ex. decisão de trombectomia). (HSA); presença de endocardite bacteriana; presença
✔ resposta: A de dissecção de aorta; sangramento intracraniano
prévio; neoplasia intra-axial do SNC; coagulopatia
conhecida; neoplasia do trato gastrointestinal; san-
gramento do trato gastrointestinal nos últimos 21
dias; AVC isquêmico/neurocirurgia/TCE grave nos
últimos 3 meses; uso de anticoagulantes (uso de
22
Acidente vascular cerebral isquêmico Cap. 5
Varfarina com INR ≥1.7, última dose de heparina ple- manter o paciente estável, a realização de glicemia
na < 24 horas, última dose de anticoagulante oral < capilar, monitorização da saturação de oxigênio, da
48 horas com função renal normal). pressão arterial e cardíaca, além do exame de ima-
✔ resposta: B gem para descartamos ou confirmarmos a lesão.
Alternativa A: CORRETA. Se o paciente se encontrar
muito hipoglicêmico, é necessária a correção des-
Questão 4 dificuldade: te distúrbio antes de se pensar em qualquer outra
Y Dica do professor: O AVE é uma importante causa medida, pois a hipoglicemia, como mencionado na
de morbidade e mortalidade na população geriátrica. dica, pode inclusive ser a geradora das manifesta-
ções apresentadas.
Alternativa A: INCORRETA. O AVE é uma importan-
te causa a ser lembrada de perda da capacidade Alternativa B: INCORRETA. Os eventos hemorrágicos
funcional em idosos, mas não é a 3ª maior causa. costumam se manifestar com cefaleia de forte in-
tensidade, classificada como a pior da vida, além
Alternativa B: INCORRETA. O Holter 24h é um impor-
da apresentação de nosso paciente.
tante exame na investigação do mecanismo de AVE,
mas seu resultado normal não exclui uma possível Alternativa C: INCORRETA. Devemos iniciar a antiagre-
arritmia. Quando a suspeita é grande, podemos rea- gação plaquetária dupla apenas após confirmarmos
lizar exames mais prolongados, com até 7-30 dias que se trata de um acidente vascular isquêmico, o
de duração (Ex: Looper). que é realizado com a tomografia de crânio, visto
que caso se trate de um evento hemorrágico, esta
Alternativa C: INCORRETA. Em pacientes com AVE
terapia poderá levá-lo a óbito.
isquêmico agudo não candidatos à trombólise, a
pressão arterial deve ser mantida abaixo de 220x120 Alternativa D: INCORRETA. O ataque isquêmico tran-
mmHg nas primeiras 24 horas. sitório apresenta costuma apresentar uma dura-
ção máxima de 30-45 minutos, logo não podemos
Alternativa D: INCORRETA. A hipodensidade precoce
considerá-lo para o paciente, que já apresenta 2
em > 1/3 do território da artéria cerebral média é
horas de história.
um sinal de maior gravidade, mas NÃO é mais con-
siderada como uma contraindicação absoluta para Alternativa E: INCORRETA. Pressão >185/110 mmHg é
a trombólise com alteplase. Apesar da alternativa uma contraindicação relativa à terapia trombolítica
D ter sido a resposta fornecida pela banca, discor- ✔ resposta: A
damos do gabarito.
Alternativa E: INCORRETA. As unidades de AVC estão dificuldade:
Questão 6
entre as poucas medidas no tratamento do AVE
com nível de evidência IA, com impacto positivo Y Dica do professor: Quadro clássico de amaurose
na redução de mortalidade e sequelas funcional. fugaz, um tipo de Ataque Isquêmico Transitório
✔ resposta: D (AIT) em artérias que suprem a retina. A investiga-
ção demonstra atereosclerose em nível de artérias
carótidas, sendo indicada antiagregação, controle
Questão 5 dificuldade: de pressão arterial e antilipemiantes. Na época em
que essa questão foi realizada, não existia indicação
Y Dica do professor: Estamos diante de um paciente
de dupla antiagregação no AVC isquêmico e, por
idoso, sabidamente tabagista, hipertenso e diabéti-
isso, a resposta correta foi a letra B. Nos últimos
co em tratamento irregular, que apresenta afasia e
anos foram publicados alguns ensaios clínicos que
hemiparesia à direita de início súbito há duas horas,
demonstraram benefício de dupla antiagregação
o que nos fazer suspeitar de AVC. Porém, devemos
com AAS + clopidogrel por 21 dias em pacientes
levar em consideração que algumas situações po-
com AIT de alto risco ou AVCi pequeno (minor). AIT
dem mimetizar o acidente vascular cerebral, como
de alto risco é definido quando o escore na escala
a hipoglicemia, sendo assim importante além de
ABCD2 é maior ou igual a 4 (tabela abaixo).
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Acidente vascular cerebral isquêmico Neurologia
Alternativa B: CORRETA.
Alternativa C: INCORRETA. O predomínio facial e bra-
quial, como já dito, é na cerebral média, mas, asso-
ciado à heminegligência, o hemisfério acometido é
o não dominante (geralmente o direito).
Alternativa D: INCORRETA. Não cursa com afasia, nem
com predomínio facial e braquial, nem ipsilateral.
Alternativa E: INCORRETA. Não cursa com déficit ip-
silateral, apesar do predomínio crural e da abulia.
✔ resposta: B
✔ resposta: B
Questão 9 dificuldade:
Questão 7 dificuldade:
Y Dica do professor: Paciente se encontra fora da
janela de tempo para realização de terapias de re-
Y Dica do professor: A profilaxia secundária do AVC perfusão: trombólise (4,5h) e trombectomia (6h).
isquêmico deve ser direcionada para o fator etio- Dessa forma, a maioria desses pacientes é sub-
lógico identificado na avaliação. Caso seja identi- metida a tratamento com antiagregante plaquetá-
ficada fibralação atrial, deve ser indicada anticoa- rio para prevenção secundária de um novo evento.
gulação com varfarina ou novos anticoagulantes Não há indicação de anticoagulação de rotina na
orais. Por outro lado, se há presença de estenose fase aguda do AVC isquêmico. Não há indicação de
carotídea >70% ipsilateral ao AVC, pode ser indicada reduzir pressão arterial com droga endovenosa em
endarterectomia carotídea ou stent carotídeo em paciente que não vai ser submetido a trombolítico
pacientes selecionados. Se não é encontrada uma caso pressão sistólica < 200-220 mmHg.
causa específica para o AVC, a maioria dos pacien- ✔ resposta: C
tes é submetido à terapia para controle de fatores
de risco cardiovascular (AAS, estatina, controle de
hipertensão arterial). Não há indicação de endar- Questão 10 dificuldade:
terectomia em pacientes com estenose carotídea
ao redor de 50%.
Y Dica do professor: Anticoagulação habitualmente
não está indicada na fase aguda do AVC isquêmico
✔ resposta: C pelo risco de transformação hemorrágica e pela au-
sência de benefício baseado em evidência. Manitol
Questão 8 dificuldade:
pode ser necessário em pacientes que evoluem
com edema cerebral e hipertensão intracraniana.
Y Dica do professor: Quando no AVCi há envolvi- Correção de alterações na glicemia e hipertermia
mento sensorial ou motor por acometimento da podem melhorar desfechos em pacientes com AVC.
artéria cerebral anterior, temos que marcar bem o O controle pressórico com drogas endovenosas
acometimento da PERNA, contralateral! Lembre-se: para redução gradual e cuidadosa da pressão ar-
ela irriga o lobo frontal, portanto pode haver altera- terial pode ser necessário apenas em níveis muito
ções do comportamento e de funções executivas, elevados (PAS > 200-220 mmHg).
como ocorrência de abulia (perda da capacidade ✔ resposta: A
de iniciar algo ou de tomar decisões).
Alternativa A: INCORRETA. O predomínio facial e bra-
quial com afasia ocorre no acometimento da cere-
bral média do hemisfério dominante (geralmente
o esquerdo).
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Acidente vascular cerebral isquêmico Cap. 5
Questão 11 dificuldade:
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Fixe seus conhecimentos!
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