TUBERCULOSE
Agente Etiológico
A Tuberculose (TB) é causada pelo Mycobacterium A tb pode ser causada por qualquer uma das sete
tuberculosis, mas conhecido como bacilo de Koch. O espécies que integram o complexo
Mycobacterium tuberculosis é fino, ligeiramente curvo e Mycobacterium tuberculosis: M. Tuberculosis, M.
mede de 0,5 a 3 μm. É um bacilo álcool-ácido resistente Bovis, M. Africanum, M. Canetti, M. Microti, M.
(BAAR), aeróbio, com parede celular rica em lipídios Pinnipedi e M. Caprae.
Em algumas regiões, o M. Bovis é um importante
(ácidos micólicos e arabinogalactano), o que lhe confere agente da tuberculose, semelhante ao M.
baixa permeabilidade, reduz a efetividade da maioria dos Tuberculosis, mas com maior ocorrência de
antibióticos e facilita sua sobrevida nos macrófagos. formas ganglionares e extrapulmonares. Sua
Transmissão transmissão ocorre principalmente pelo consumo
o M. tuberculosis é transmitido por via aérea, de uma de leite e derivados não pasteurizados de
rebanhos infectados, afetando pessoas em áreas
pessoa com tb pulmonar ou laríngea, que elimina bacilos rurais e profissionais do campo, como
no ambiente (caso fonte), a outra pessoa, por exalação de veterinários, ordenhadores e funcionários de
aerossóis oriundos da tosse, fala ou espirro. matadouros. Outro grupo de micobactérias, as
A transmissão se faz por via respiratória, pela inalação de micobactérias não tuberculosas (Mnt),
compreendem diversas espécies como M. Avium,
aerossóis produzidos pela tosse, fala ou espirro de um
M. Kansasii, M. Intracellulare e M. Abscessos com
doente com tuberculose ativa pulmonar ou laríngea. as relevância epidemiológica no brasil restrita a
gotículas exaladas (gotículas de Pflüger) rapidamente se determinadas populações ou regiões.
tornam secas e transformam-se em partículas menores
(<5-10 μm de diâmetro). Essas partículas menores (núcleos de Wells), contendo um a dois bacilos,
podem manter-se em suspensão no ar por muitas horas e são capazes de alcançar os alvéolos, onde
podem se multiplicar e provocar a chamada primo-infecção.
Risco de adoeciMento Transmissão pela pele e placenta são raras e sem relevância epidemiológica.
Objetos como roupas, lençóis e copos não contribuem para a transmissão.
Pacientes com tuberculose extrapulmonar não transmite a doença.
Casos com cultura ou TRM-TB (Teste Rápido Molecular para Tuberculose) positivos também podem transmitir.
"Bacilíferos" são aqueles com tuberculose pulmonar ou laríngea e baciloscopia positiva, sendo os mais transmissíveis.
A probabilidade de uma pessoa ser infectada depende de fatores exógenos. Entre eles, pode-se citar a infectividade do
caso-fonte, a duração do contato e o tipo de ambiente partilhado.
os pacientes com exame bacteriológico de escarro positivo sustentam a cadeia de transmissão da
doença. estima-se que uma pessoa com baciloscopia positiva infecte de 10 a 15 pessoas em média, em
uma comunidade, durante um ano. Entre pessoas com contato prolongado com pacientes de tuberculose
pulmonar, aqueles com BAAR (bacilo álcool-ácido resistente) positivo no escarro são os mais
transmissíveis, geralmente apresentando a forma cavitária ou, mais raramente, a tuberculose laríngea. Já
os pacientes com baciloscopia negativa, mesmo com TRM-TB ou cultura positivos, têm menor
infectividade. Indivíduos com cultura de escarro negativa e aqueles com tuberculose exclusivamente
extrapulmonar não transmite a doença. Pacientes com tuberculose pulmonar e HIV, devido à imunidade
comprometida, tendem a ter menor RISCO DE ADOECIMENTO
acometimento pulmonar e forma POPULAÇÃO VULNERÁVEL RISCO DE ADOECIMENTO POR TB
cavitaria da doença, resultando em Pessoas vivendo em situação de rua 56x maior
menor capacidade de transmissão. Pessoas vivendo com o HIV 28x maior
Crianças com tb pulmonar, em Pessoas privadas de liberdade 28x maior
Indígenas 3x maior
geral, têm baciloscopia negativa e,
por isso, pouca importância na cadeia de transmissão da doença. O bacilo é sensível à luz solar, e a
circulação de ar possibilita a dispersão de partículas infectantes. com isso, ambientes ventilados e com
luz natural direta diminuem o risco de transmissão.
Tuberculose primária: Ocorre logo após a infecção, comum em crianças e imunossuprimidos.
Geralmente grave, mas com baixa transmissibilidade. Em outras circunstâncias pode ser contida
temporariamente pelo sistema imunológico.
Infecção latente: Infecção latente pelo M. tuberculosis – ILTB. Bacilos podem permanecer inativos por
anos. Reativação leva à tuberculose pós-primária (ou secundária). Ocorre em 80% dos casos no pulmão,
frequente a presença de cavidade.
Reinfecção e imunidade: Pode ocorrer por nova exposição, mais comum em áreas de alta prevalência.
Infecção prévia não confere imunidade, permitindo recidivas.
Sinais e sintomas
Tosse persistente seca ou produtiva, geralmente, por 3 semanas ou mais, febre baixa vespertina,
emagrecimento, sudorese noturna emagrecimento e fadiga. A tuberculose pode manifestar-se sob
diferentes apresentações clínicas, relacionadas com o órgão acometidos. As principais formas de
apresentação são a forma primária, a pós-primária (ou secundária) e a miliar e os sintomas podem
ocorrer em qualquer das três apresentações.
Diagnóstico
Diagnóstico clínico para Tuberculose Pulmonar
Tuberculose Pulmonar Primária: Ocorre após o primeiro contato com o
bacilo, mais comum em crianças. Manifestações clínicas insidiosas:
irritabilidade, febre baixa, sudorese noturna e inapetência (sem apetite).
Tosse nem sempre presente. Exame físico pode ser inexpressivo.
Tuberculose Pulmonar Pós-Primária (Secundária): Pode ocorrer em
qualquer idade, mas é mais comum em adolescentes e adultos jovens.
Caracterizada por tosse seca ou produtiva. Em locais com alta incidência,
tosse prolongada deve ser investigada para TB. Expectoração pode ser
purulenta ou mucoide, com ou sem sangue. Febre vespertina sem
calafrios, geralmente abaixo de 38,5°C. Sudorese noturna e anorexia comuns. Exame físico pode indicar
fácies de doença crônica, emagrecimento e alterações na ausculta pulmonar.
Tuberculose Miliar: A tuberculose miliar recebe esse nome por causa das incontáveis lesões minúsculas
que se formam nos pulmões do tamanho do milho-painço, as sementinhas redondas na ração de
passarinhos. A tuberculose miliar pode afetar um ou vários órgãos ou ocorrer por todo o corpo. Mais
frequentemente ela afeta os pulmões, o fígado e a medula óssea, mas pode afetar qualquer órgão,
incluindo os tecidos que recobrem o cérebro e a medula espinhal (meninges) e a membrana de duas
camadas ao redor do coração (pericárdio).
● Forma grave da doença, pode ocorrer na TB primária ou secundária. ● Mais comum em
imunocomprometidos, como pacientes com HIV avançado. ● Apresentação clínica aguda ou subaguda,
mais frequente em crianças e adultos jovens. ● Pode se manifestar como doença crônica em idosos ou
febre de origem obscura. ● Sintomas em 80% dos casos: febre, astenia, emagrecimento e tosse. ● Exame
físico pode revelar hepatomegalia (35%), alterações no sistema nervoso central (30%) e raras alterações
cutâneas (eritemato-máculo-pápulo-vesiculosas).
Diagnóstico clínico para Tuberculose Extrapulmonar
as apresentações extrapulmonares da tb têm seus sinais e sintomas dependentes dos órgãos ou
sistemas acometidos. sua ocorrência aumenta em pacientes coinfectados pelo HIV, especialmente entre
aqueles com imunocomprometimento grave.
Tuberculose Pleural: A tuberculose pleural é a forma mais frequente de tuberculose extrapulmonar,
sendo causada pela ruptura de um foco caseoso subpleural ou pela disseminação hematogênica da
infecção. Esse processo desencadeia uma resposta imunológica mediada por linfócitos T, levando ao
acúmulo de líquido no espaço pleural e à formação de granulomas. Embora raramente ocorra ruptura de
cavitação pulmonar no espaço pleural, casos mais graves podem evoluir para empiema ou
piopneumotórax tuberculoso. Apesar de ser uma doença crônica, caracterizada por sintomas como
astenia, emagrecimento, sudorese noturna e febre baixa, a tuberculose pleural pode apresentar-se de
forma aguda, com febre, dor torácica, tosse seca e dispneia. A intensidade desses sintomas está
relacionada ao volume do derrame pleural e ao tempo de evolução da doença. O derrame pleural
tuberculoso (DPT) ocorre principalmente em adultos jovens entre 20 e 40 anos, mas pode afetar qualquer
faixa etária. Com a melhora epidemiológica da tuberculose, observa-se um aumento dos casos em
pacientes idosos. Estudos indicam que 62,2% dos casos ocorrem em indivíduos com menos de 35 anos.
O exame clínico pode revelar a síndrome clássica do derrame pleural, mas raramente há abaulamento
torácico, pois o volume do líquido pleural geralmente não é grande. O teste tuberculínico pode auxiliar no
diagnóstico, embora até um terço dos pacientes apresente resultado negativo, especialmente em
indivíduos imunodeprimidos, como aqueles coinfectados com HIV. O exame radiológico do tórax evidencia
um derrame pleural unilateral de pequeno a moderado volume, raramente ocupando mais de dois terços
do espaço pleural. Em 20 a 50% dos casos, há lesões pulmonares associadas. A tomografia
computadorizada (TC) de tórax pode confirmar esses achados e detectar linfonodomegalias
mediastínicas.
Empiema pleural tuberculoso: O empiema tuberculoso (ET) apresenta um quadro mais grave, podendo
levar a toxemia. A radiografia torácica frequentemente revela piopneumotórax, decorrente da ruptura de
uma cavidade pulmonar para o espaço pleural. Em alguns casos, o ET pode ser a evolução de um DPT,
manifestando-se com maior volume e sinais de septação pleural. Em situações mais raras, ocorrem
abaulamentos torácicos e drenagem de secreção purulenta, caracterizando o chamado empiema
necessitatis. O diagnóstico definitivo do DPT requer análise do líquido pleural e da pleura, por meio de
diferentes métodos laboratoriais. No Brasil, devido à alta prevalência da tuberculose, qualquer caso de
derrame pleural deve ter a etiologia tuberculosa considerada.
TB Pleural Empiema Pleural Tuberculoso
Forma mais comum de TB extrapulmonar Resulta da ruptura de uma cavidade
em pessoas sem HIV. tuberculosa no espaço pleural.
Mais frequente em jovens, com dor torácica Pode causar pneumotórax secundário à
pleurítica. fístula broncopleural.
A tríade astenia, emagrecimento e anorexia Clinicamente semelhante ao empiema
ocorre em 70% dos pacientes, e febre com pleural bacteriano.
tosse seca, em 60%. Baciloscopia e cultura no líquido pleural têm
Pode simular pneumonia bacteriana aguda. alto rendimento.
Dispneia pode ocorrer em casos mais
avançados. Líquido pleural tem
característica de exsudato, predomínio de
linfócitos e baixo rendimento de
baciloscopia (pesquisa de BAAR) (<5%) e
cultura (<15%).
Níveis elevados de adenosina deaminase
(ADA) são aceitos como critério diagnóstico.
Cultura do escarro induzido positiva em até
50% dos casos.
TB ganglionar periférica: A tuberculose ganglionar é a segunda forma mais comum de tuberculose
extrapulmonar no Brasil e pode ser classificada em periférica, mediastinal e intra-abdominal. Em países
com alta prevalência da doença, como o Brasil, é geralmente causada pelo Mycobacterium tuberculosis,
enquanto em locais de menor prevalência, micobactérias não tuberculosas também podem estar
envolvidas. A forma periférica manifesta-se de forma crônica, caracterizada por febre moderada,
inapetência, fadiga e emagrecimento. Acomete principalmente a cadeia ganglionar cervical, de maneira
unilateral, podendo atingir também as cadeias supraclaviculares e axilares. Essa manifestação é mais
frequente em pacientes com HIV, chegando a 60% dos casos. O tempo médio de evolução é de três
meses, com o aumento dos gânglios como principal queixa. Inicialmente duros, os gânglios podem se
agrupar formando massas, e, com a progressão, tornam-se amolecidos devido à necrose central,
podendo drenar para o meio externo, formando a escrófula. O acometimento pulmonar é mais frequente
em pacientes HIV positivos. A tuberculose ganglionar periférica afeta principalmente indivíduos entre 20 e
40 anos, e a prova tuberculínica (TT) geralmente é reativa, exceto em pacientes imunossuprimidos. A
tuberculose ganglionar mediastinal é uma manifestação da tuberculose primária, comum na infância em
locais de alta prevalência, mas também pode acometer adultos jovens em regiões de menor prevalência
ou em pacientes HIV positivos. Resulta da disseminação linfática do complexo primário de Ranke. Os
sintomas incluem febre, perda de peso, fadiga e sudorese noturna, podendo estar associados a tosse e
disfagia. Em pacientes com HIV, a tuberculose pulmonar concomitante é mais comum. A tuberculose
ganglionar intra-abdominal afeta principalmente os gânglios periportais, peripancreáticos e mesentéricos,
podendo causar complicações como icterícia, hipertensão portal e hipertensão renovascular devido à
compressão das artérias renais. Com a erradicação da tuberculose bovina, a incidência da tuberculose
ganglionar mesentérica foi significativamente reduzida. O diagnóstico da tuberculose ganglionar deve
incluir exames laboratoriais, como cultura para identificação da micobactéria, principalmente em locais de
menor prevalência.
Forma extrapulmonar mais frequente em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) e crianças.
Mais comum abaixo dos 40 anos.
Causa aumento indolor, assimétrico e subagudo das cadeias ganglionares cervicais anterior e
posterior, além da supraclavicular (linfonodos cervicais e supraclaviculares).
Em PVHIV, acometimento tende a ser bilateral e com maior comprometimento geral.
No exame físico os gânglios podem apresentar-se endurecidos ou amolecidos, aderentes entre si e
aos planos profundos, podendo evoluir para flutuação e/ou fistulização espontânea, com a
inflamação da pele adjacente.
Diagnóstico por aspirado por agulha ou ressecção ganglionar para exames bacteriológicos e
histopatológicos.
A biopsia de gânglio pode cursar com fístula no pós-operatório.
Linfadenite tuberculosa: Linfadenite tuberculosa (escrófula) normalmente compromete os linfonodos
nas cadeias cervicais e supraclaviculares posteriores. Considera-se que a infecção nessas regiões ocorra
por contiguidade dos vasos linfáticos intratorácicos ou da infecção das tonsilas e adenoides. Os
linfonodos mediastinais também costumam estar aumentados na doença pulmonar primária. Linfadenite
tuberculosa cervical é caracterizada por edema progressivo dos linfonodos afetados. Em casos
avançados, os nódulos podem se tornar inflamados e sensíveis; a pele sobrejacente pode romper
resultando em uma fístula.
Tuberculose cutânea: Tuberculose cutânea (escrofulodermia) resulta da extensão direta de um foco de
tuberculose subjacente (p. ex., linfonodo regional, osso ou articulação infectados) à pele sobrejacente,
formando úlceras e tratos sinusais. O escrofuloderma é forma de tuberculose cutânea, também
denominada escrófula ou tuberculose gomosa, que atinge o tecido subcutâneo e provoca fistulização e
ulceração da pele que o recobre. Predomina em crianças e adultos jovens. O mecanismo de infecção é
endógeno, ou seja, provém de focos tuberculosos prévios que invadem a pele por contiguidade,
geralmente com origem em lesões ósseas, articulares ou nos gânglios linfáticos, o que explica na maioria
dos casos a topografia das lesões. O tratamento consiste no uso de drogas antituberculosas. A maioria
dos pacientes responde efetivamente às medicações utilizadas no tratamento da tuberculose pulmonar.
TB do Sistema Nervoso Central: A tuberculose do sistema nervoso central (SNC) é uma forma grave da
tuberculose extrapulmonar, cuja incidência está diretamente relacionada à prevalência da doença. Em
países com alta prevalência, afeta principalmente crianças e jovens, enquanto no Brasil, devido à
vacinação universal com BCG, sua ocorrência é mais baixa, representando cerca de 1% dos casos
extrapulmonares. No entanto, continua sendo uma preocupação em pacientes imunossuprimidos,
especialmente aqueles com HIV.
A patogênese envolve a disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis a partir de um foco
pulmonar primário, formando pequenos granulomas na superfície do encéfalo, conhecidos como nódulos
de Rich. Esses nódulos, localizados predominantemente nas meninges, podem romper e causar infecção
meníngea disseminada. O processo inflamatório intenso da leptomeninge leva ao acúmulo de exsudato,
resultando em edema cerebral, hipertensão intracraniana e hidrocefalia, além de possíveis lesões nos
pares cranianos III, VI e VII, bem como no quiasma óptico.
A evolução da meningoencefalite tuberculosa ocorre de forma insidiosa, com sintomas inespecíficos nas
fases iniciais, como cefaleia, irritabilidade, alteração do humor, apatia e inapetência. Febre vespertina e
emagrecimento podem estar presentes. Com a progressão, surgem sinais neurológicos mais marcantes,
incluindo rigidez de nuca, crises convulsivas, sinais de Kernig e Brudzinski, além do acometimento de
nervos cranianos. Nos casos mais graves, a evolução pode levar ao coma.
A apresentação clínica é dividida em três estágios:
Estágio I: Síndrome meníngea com nível de consciência preservado, sem déficits neurológicos ou
hidrocefalia.
Estágio II: Alteração da conduta, sinais focais neurológicos como paresia de nervos cranianos ou
hemiparesia.
Estágio III: Convulsões, estupor ou coma, com déficits neurológicos evidentes.
O diagnóstico envolve exames laboratoriais, imagem e testes imunológicos. O líquor geralmente
apresenta características de meningite a liquor claro, podendo ser xantomatoso se muito proteico. A
reatividade ao teste tuberculínico (TT), quando presente, auxilia no diagnóstico. A tomografia
computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) são fundamentais para identificar exsudatos
meníngeos na base do crânio, dilatação ventricular e tuberculomas, que são lesões nodulares com centro
necrótico e halo captante de contraste. Alterações vasculares sugestivas de infarto também podem estar
presentes.
O diagnóstico precoce é essencial para um melhor prognóstico, pois a resposta ao tratamento depende
diretamente da rapidez com que a terapia é iniciada.
Tuberculose Meningoencefálica
Representa 3% dos casos em pacientes sem HIV e até 10% em pessoas com PVHIV.
Meningite basal exsudativa é a forma mais comum, mais frequente em crianças menores de 6
anos.
Clinicamente, pode ser subaguda ou crônica (sinais e sintomas com duração superior a quatro
semanas). Na forma subaguda, cursa com cefaleia holocraniana, irritabilidade, alterações de
comportamento, sonolência, anorexia, vômitos e dor abdominal associados à febre, fotofobia e
rigidez de nuca por tempo superior a duas semanas.
Pode apresentar sinais focais por isquemia ou acometimento de pares cranianos (II, III, IV, VI, VII).
Forma crônica evolui com cefaleia persistente até surgir comprometimento de pares cranianos.
TB pulmonar concomitante em até 59% dos casos.
O quadro clínico é o de um processo expansivo intracraniano de crescimento lento, com sinais e
sintomas de hipertensão intracraniana, sendo que a febre pode não estar presente.
Tuberculose Pericárdica
Apresentação subaguda, geralmente sem associação com TB pulmonar.
Sintomas principais: dor torácica, tosse seca e dispneia.
a dor não se manifesta como a dor pericárdica clássica.
Pode ocorrer febre, emagrecimento, astenia, tontura, edema de membros inferiores, dor no
hipocôndrio direito (congestão hepática) e aumento do volume abdominal (ascite).
Raramente evolui para tb pericárdica com sinais clínicos de tamponamento cardíaco.
Tuberculose Óssea
Mais comum em crianças (10-20% das lesões extrapulmonares na infância) e adultos entre 40-50
anos.
Acomete mais a coluna vertebral, articulação coxofemoral e joelho, embora possa ocorrer em
outros locais.
A TB da coluna Mal de Pott (TB da coluna) representa 1% de todos os casos de TB e até 50% dos
casos de TB óssea.
Acomete mais a coluna torácica baixa e lombar, causando a tríade dor lombar, dor à palpação local
e sudorese noturna.
Tuberculose dos ossos e das articulações: As articulações que suportam peso são geralmente as mais
envolvidas, mas ossos do punho, da mão e do cotovelo podem também ser afetados, especialmente após
lesão. A doença de Pott é uma infecção na coluna espinal que começa em um corpo vertebral e, muitas
vezes, se dissemina para as vértebras adjacentes, com estreitamento do espaço discal entre elas. Sem
tratamento, as vértebras podem desmoronar, atingindo possivelmente a coluna espinal. Os sintomas
incluem dor progressiva ou constante nos ossos envolvidos e artrite crônica ou subaguda (em geral,
monoarticular). Na doença de Pott, a compressão da coluna espinal produz deficits neurológicos, inclusive
paraplegia; edema paravertebral pode resultar de um abscesso.
Tuberculose peritonite (peritonitepor tuberculose): A infecção peritoneal representa disseminação de
linfonodos abdominais ou de salpingooforite. A peritonite é especialmente comum entre alcoolistas com
cirrose. Os sintomas podem ser leves, com fadiga, dor e sensibilidade abdominal que pode ser intensa o
suficiente para se assemelhar a abdome agudo.
Tuberculose gastrointestinal: Como toda a mucosa gastrointestinal (GI) resiste à invasão por
tuberculose, a infecção requer exposição prolongada e inoculação enorme. É muito incomum em países
em que a TB bovina é rara (p. ex., por causa do leite pasteurizado e de testes de tuberculose de rotina do
gado).
Úlceras de boca e orofaringe podem se desenvolver com a ingestão de laticínios contaminados por M.
bovis; lesões primárias também podem ocorrer no intestino delgado. A invasão intestinal geralmente
produz hiperplasia e uma síndrome inflamatória do intestino, com dor, diarreia, obstrução e hematoquezia.
Também pode ser semelhante à apendicite. Ulceração e fístulas são possíveis.
Tuberculose do fígado: A infecção hepática é comum com tuberculose pulmonar avançada e
amplamente disseminada ou tuberculose miliar. Porém, o fígado geralmente cicatriza sem sequela
quando a infecção principal é tratada. A tuberculose no fígado ocasionalmente se dissemina para a
vesícula biliar, levando à icterícia obstrutiva.
Outros locais de infecção por tuberculose: A doença pode infectar a parede de um vaso sanguíneo e
romper até mesmo a aorta. O envolvimento suprarrenal, levando à doença de Addison, era comum, mas é
raro nos dias de hoje. Os bacilos da tuberculose podem se disseminar para uma bainha tendínea
(tenossinovite tuberculosa) por extensões diretas de lesões adjacentes no osso ou disseminação
hematogênica de qualquer órgão infectado.
Diagnóstico Bacteriológico
A pesquisa bacteriológica é fundamental em adultos tanto para o diagnóstico quanto para o controle do
tratamento, mas também para quadros clínicos sugestivos para TB em sintomáticos respiratórios
identificados na busca ativa em comunidade.
Exame Microscópico direto – baciloscopia direta
A baciloscopia é a pesquisa do bacilo álcool-ácido resistente – baaR, pelo método de Ziehl-nielsen, é a
técnica mais utilizada. Pode detectar até 60 a 80% dos casos de TB pulmonar em adultos desde que
executada corretamente, em crianças a sensibilidade é diminuída pela dificuldade de obtenção de ima
amostra com boa qualidade.
A baciloscopia de escarro é indicada nas seguintes condições:
No sintomático respiratório, durante estratégia de busca ativa;
Em caso de suspeita clínica e/ou radiológica de tb pulmonar, independentemente do tempo de
tosse;
Para acompanhamento e controle de cura em casos pulmonares com confirmação laboratorial.
A baciloscopia de escarro deve ser realizada em duas amostras: uma por ocasião do primeiro contato
com a pessoa que tosse e outra, independentemente do resultado da primeira, no dia seguinte, com a
coleta do material sendo feita preferencialmente ao despertar. Nos casos em que houver indícios clínicos
e radiológicos de suspeita de tb e as duas amostras de diagnóstico apresentarem resultado negativo,
podem ser solicitadas amostras adicionais.
baciloscopia positiva e quadro clínico compatível com tb fecham o diagnóstico e autorizam o início de
tratamento da tb. É importante lembrar, contudo, que outros microrganismos podem ser evidenciados na
baciloscopia direta e essa possibilidade deve ser considerada na interpretação de casos individualizados.
diagnóstico de certeza bacteriológica só é obtido com a cultura (que é o padrão ouro) e/ou testes
moleculares.
Leitura e interpretação dos resultados de baciloscopia de escarro
Leitura Resultado
Não são encontrados BAAR em 100 campos observados NEGATIVO
Relata-se a quantidade de bacilos
1 a 9 BAAR em 100 campos observados
encontrados
10 a 99 BAAR em 100 campos observados POSITIVO +
1 a 10 BAAR por campo em 50 campos observados POSITIVO ++
Em média mais de 10 BAAR por campo em 20 campos
POSITIVO +++
observados
leitura e interpretação de resultados de baciloscopias de outros materiais
Achados Resultados
Não são encontrados BAAR no material examinado NEGATIVO
São encontrados BAAR em qualquer quantidade no material
POSITIVO
examinado
TESTE RÁPIDO MOLECULAR PARA TUBERCULOSE (TRM-TB)
o tRM-tb está indicado, prioritariamente, para o diagnóstico de tuberculose pulmonar e laríngea em
adultos e adolescentes.
O TRM-TB é um teste de amplificação de ácidos nucleicos utilizado para detecção de DNA dos bacilos do
complexo M. tuberculosis e triagem de cepas resistentes à rifampicina pela técnica de reação em cadeia
da polimerase (pcR) em tempo real. o teste apresenta o resultado em aproximadamente duas horas em
ambiente laboratorial, sendo necessária somente uma amostra de escarro a sensibilidade do tRM-tb em
amostras de escarro de adultos é de cerca de 90% sendo superior à da baciloscopia. o teste também
detecta a resistência à rifampicina, com uma sensibilidade de 95%.
o tRM-tb está indicado nas seguintes situações:
diagnóstico de casos novos de tb pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes (Figura 5);
diagnóstico de casos novos de tb pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes de populações
de maior vulnerabilidade (Figura 6);
diagnóstico de tb extrapulmonar nos materiais biológicos já validados;
triagem de resistência à rifampicina nos casos de retratamento (Figura 7);
triagem de resistência à rifampicina nos casos com suspeita de falência (ver capítulo esquemas de
tratamento para a tuberculose) ao tratamento da tb.
Uso do tRM-TB na população pediátrica
Sensibilidade reduzida em crianças menores de 10 anos (66% comparado aos adultos).
Indicado em crianças quando há possibilidade de coleta de escarro (o que é raro).
O uso rotineiro é mais indicado em adolescentes (≥10 anos), pois geralmente têm TB bacilífera e
conseguem coletar escarro.
Não recomendado para confirmação diagnóstica de TB pulmonar na infância, pois crianças
pequenas geralmente não conseguem expectorar e necessitariam de métodos invasivos para
coleta (lavado gástrico, escarro induzido, lavado brônquico) e quando solicitado dever ser
associado a cultura.
Limitações do tRM-TB:
Não recomendado para diagnóstico de tuberculose em casos de retratratamento (abandono ou
recidiva), pois pode detectar bacilos mortos ou inviáveis. Nesses casos, o diagnóstico da tb deve
ser feito com baciloscopia de escarro e cultura para micobactérias, seguida do teste de
sensibilidade antimicrobiano (TS) para verificação de resistência aos fármacos, e o tRM-tb poderá
ser utilizado apenas para triagem da resistência à rifampicina.
Resultado negativo não exclui tuberculose extrapulmonar. O tRM-tb pode ser utilizado para
diagnóstico de tb extrapulmonar, nas seguintes amostras: líquor, gânglios linfáticos e outros
tecidos. nesses casos, como a sensibilidade é mais baixa que nas amostras pulmonares, o
resultado negativo não exclui tuberculose, sendo necessário manter a investigação.
amostras recomendadas para realização do tRM-tb:
escarro;
escarro induzido;
lavado broncoalveolar;
lavado gástrico;
líquor;
gânglios linfáticos e outros tecidos.
Resultados e interpretação do TRM-TB
Resultados Interpretaçãio
MTB não detectado NEGATIVO
MTB detectado e resistência à rifampicina não- Positivo para tuberculose, SEM resistência à
detectada rifampicina
Positivo para tuberculose, COM resistência à
MTB detectado e resistência à rifampicina detectada
rifampicina
Positivo para tuberculose, resistência à
MTB detectado e resistência à rifampicina
rifampicina inconclusiva – repetir o teste em
indeterminada
nova amostra
Sem resultado/inválido/erro Inconclusivo – repetir o teste em nova
amostra
MTB (complexo Mycobacterium tuberculosis)
O uso do tRM-TB para o diagnóstico da tuberculose ativa deve ser adaptado de acordo com o perfil da
população investigada. Para isso, existem algoritmos específicos que orientam a investigação da doença
em diferentes cenários: casos novos em adultos e adolescentes na população geral; casos novos em
adultos e adolescentes de populações de maior vulnerabilidade; e casos de retratamento em adultos e
adolescentes.