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Pratica Com Ervas

O documento aborda a prática de rituais com ervas para limpeza, equilíbrio e energização, enfatizando a importância do merecimento e da preparação espiritual. Apresenta um guia prático dividido em três dias, onde são utilizadas ervas quentes para limpeza, ervas mornas para equilíbrio e ervas frias para objetivos específicos. Além disso, discute a classificação das ervas e a importância do conhecimento e da liberdade na prática ritualística.
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Pratica Com Ervas

O documento aborda a prática de rituais com ervas para limpeza, equilíbrio e energização, enfatizando a importância do merecimento e da preparação espiritual. Apresenta um guia prático dividido em três dias, onde são utilizadas ervas quentes para limpeza, ervas mornas para equilíbrio e ervas frias para objetivos específicos. Além disso, discute a classificação das ervas e a importância do conhecimento e da liberdade na prática ritualística.
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Pratica com Ervas

Rituais com ervas para todos os dias independente de religião.

É muito comum nós acharmos que precisamos de uma energia específica, por
exemplo de prosperidade, e na ansiedade de resolver logo o problema (a suposta
falta da energia), usamos rituais, rezas, banhos, defumações, simpatias, enfim
uma gama de opções para, assim, atingirmos nossa expectativa e resolvê-lo. No
entanto, é comum, após tudo isso, o resultado ser bastante aquém do esperado.
E por que isso acontece?
Primeiro vamos pensar no merecimento. Nem tudo o que fazemos com
intenção direta é prontamente atendido por questões que nem sempre temos
consciência ou condição de definir. O merecimento está ligado às nossas opções
pessoais, espirituais mesmo, aquelas que escolhemos antes de encarnarmos, e
também dos recursos que a Lei Divina nos faculta para cumprirmos nossa tarefa
no meio humano material. É difícil de entender, não é? Mas se a Lei Divina, a Lei
de Causa e Efeito, entender que naquele momento a tão desejada prosperidade
não trará a experiência necessária à nossa evolução, esqueça. As coisas não são
exatamente como nós queremos, na hora e forma como queremos. Isso não quer
dizer que temos que nos conformar e dizer “é assim mesmo”. Podemos sim
mudar nosso destino, ou o chamado carma, mudando nosso comportamento
diante da vida.

1
Lembremos a máxima: “Se você quer um resultado que nunca teve, terá que
fazer coisas que nunca fez.” Isso inclui transformar comportamentos viciados.
A segunda opção é que normalmente estamos impermeáveis à energia
específica. Muitas vezes nosso campo astral está tão apinhado de formações
astrais, acúmulos energéticos que se criam à nossa volta, que uma verdadeira
casca densa torna nosso espírito impermeável, isolado e impossibilitado de
receber qualquer tipo de energia específica, como a que citamos, de
prosperidade. Aí precisaremos de um tratamento de choque, algo que vai diluir
esse cascão e permitir que a energia específica possa ser aplicada. Esse é o
processo de limpeza, onde usamos as ervas QUENTE ou AGRESSIVA.
É necessário também um processo de regeneração, que entendemos como o
equilíbrio necessário para receber a vibração específica. É, na prática, fortalecer
o espírito para que ele possa aproveitar com plenitude a energia que lhe será
proporcionada. Então usamos as MORNAS ou EQUILIBRADORAS. Até aqui temos o
processo natural de limpeza e equilíbrio. Poderíamos parra por aqui, mas se tiver
disponibilidade e quiser continuar...
Podemos então administrar o específico, nos servindo das ervas FRIAS ou
ESPECÍFICAS, que assim, nossos espíritos estarão aptos para recebê-lo e
aproveitar seus benefícios.
Vamos aos exemplos práticos, cada um em um dia (que podem ser
alternados), no horário que ficar mais adequado para você e lembre-se: liberdade
com responsabilidade.

Ritual de limpeza e energização com ervas

1º dia -Limpeza
profunda

Esse primeiro dia é bastante importante, se achar necessário poderá ser


repetido até no máximo três vezes. Use a razão!
Usamos as ervas sempre em número ímpar, por entender que são
desagregadoras. Três, cinco, sete, nove, etc. Não precisamos exagerar.
Normalmente três ervas são suficientes para uma boa limpeza. Sete são usadas
para limpeza bastante complexas, de preferência sob orientação espiritual. Use o
bom senso e dentro dos exemplos que darei a seguir, escolha o número de ervas
necessário para a limpeza profunda:
Arruda, Guiné, Quebra-Demanda, Espadas de São Jorge e Santa Bárbara, Pinhão
Roxo, Casca de Alho, Casca de Cebola, Fumo (de corda ou folha), Erva de Bicho,
Aroeira e Dandá.
Defumamos nossa casa, as pessoas que moram nela, preparamos os banhos e
além de tomá-los, também banhamos nossa casa. Passamos no chão, nos
batentes de portas e janelas com um pano limpo. Os resíduos devem ser jogados
fora de casa. Devolvidos a terra, ou a um rio. Lembre-se das rezas de ativação
para esse processo.
Podemos começar esse primeiro dia de limpeza profunda em qualquer dia da
semana. Às vezes, ficamos presos aos rituais de dias da semana, fases da lua e
outros dogmas e esquecemos que não há dia para pegarmos uma gripe, por
exemplo. Todos os dias são consagrados a Deus, nosso amado Pai Criador e não
há momento específico para amá-Lo. Da mesma forma que não há porque
esperar mais um dia para fazer um banho ou defumação de limpeza, por não
estar no dia certo. Faça e acredite! Se você acredita ser a segunda-feira um bom
dia, faça. Se acredita ser a terça-feira, a quarta-feira, enfim qualquer que seja o

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dia da semana, pode ter certeza que as ervas responderão.

2o dia – Equilíbrio e
energização

Não menos importante que o anterior, esse processo visa, como o nome diz,
equilibrar o ambiente, ou a pessoa para que assim, energizado e estável, possa
receber a energia específica. As ervas para esse processo podem ser usadas em
número ímpar ou par, sem distinção. Também pode ser usado sem a
preocupação de se tornarem um elemento agressivo, como as anteriores. Há
uma característica bastante interessante, as ervas mornas ou equilibradoras
podem ser usadas sozinhas, como elementos de “manutenção energética”, no
dia a dia mesmo, ainda que não seja feito todo o ritual.
Podemos aqui citar Manjericão, Boldo, Alecrim, Alfazema, Hortelã, Calêndula,
Abre caminho, Samambaias e todas as flores de pétalas claras.
Uma característica interessante dessas ervas é que elas são em banhos,
verdadeiros repositórios energéticos em caso de uso exagerado das ervas
quentes ou agressivas. A simples presença de uma dessas ervas num preparo
com as agressivas faz com que seu campo astral se estabilize.
A Sálvia (aguarde texto completo sobre ela), por exemplo, pode ser usada
para defumação sozinha. Coloque-a num recipiente refratário e coloque fogo
diretamente na erva seca. Assopre ou abane e veja como rapidamente você terá
uma defumação com apenas uma erva, e não menos eficiente por isso.
Não se esqueça das rezas apropriadas para o preparo e as determinações que
direcionarão a ação da erva.

3o dia –
Específico

Agora sim você estará preparado para o ritual especifico. Limpo e equilibrado,
seu campo astral estará preparado para receber a energia específica, para aquilo
que inicialmente você acreditava que era o seu único objetivo. É claro que até
aqui, com certeza se sentirá bem melhor. Levando em consideração que muitos
problemas que enfrentamos são causados por vibrações negativas que
desconhecemos e que nos atrapalham sem percebermos. Somente a limpeza já
trará um alívio bastante importante, pois o espírito liberto pode pensar e agir
melhor, assim tomando as melhores decisões. Algumas ervas usadas
especificamente:
Prosperidade: Louro, Café, Abre-Caminho, Samambaias
Estímulo: Rosas, Mentas, Boldo, Calêndula, Pitanga
Saúde: Santa Maria (Mentruz), Assa Peixe, Losna, Manjericão
Tranqüilidade: Capim Limão, Alecrim, Macela
Fortalecimento da mediunidade: Rosa Branca, Anis Estrelado, Folha da Costa
Nesse resumo citamos algumas ervas dentro das três categorias. Sirva-se dos
elementos descritos nas publicações anteriores e permita-se à criatividade com
responsabilidade e coerência. Cabe a você, estudar, pesquisar e escolher dentro
das regras do amor e bom senso, quais são essas ervas.
Temos nesse exemplos um universo de possibilidades. Garanto que com esse
pequeno número de ervas aqui citadas, teremos trabalho por um longo tempo.

Defesa ou manutenção energética


diária

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Podemos unir as ervas usadas para limpeza pesada e as usadas para
equilíbrio e energização em um único preparo, banho ou defumação.
Esse processo é muito conhecido como banho ou defumação de Defesa.
Mais uma vez, use sua criatividade baseado nas regras de amor e bom senso
e sirva-se do conhecimento. Não deixe que apenas as facilidades dos preparos
prontos sejam suas práticas. Há bons preparos prontos no mercado, mas faça os
seus próprios e verá a força ativa que terá em suas mãos. As ervas equilibradoras
podem e devem ser usadas no dia a dia, para limpeza leve e manutenção dos
corpos astrais. São excelentes limpadores leves e energizadores de uso geral.

Classificação das ervas

E nesse nosso caminho de Erveirança, já passamos a primeira dezena de


plantas comentadas, mais um pouquinho de história e causos que foram sendo
encaixados pelo caminho.
Penso que conhecer cada erva seja de suma importância. Entender seu
funcionamento em banhos, defumações e benzimentos são vital para que suas
potências sejam aproveitadas em integridade. Então, que tal falarmos um
pouquinho sobre nosso sistema de classificação e como colocar em prática nos
nossos preparos? Vamos lá, começando com um pouquinho de história!
Este trabalho com ervas nasceu dentro do universo religioso, no chão de
terreiro, na prática. Orientado pelos mestres espirituais, fui buscando e

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acrescentando ao meu conjunto de conhecimentos e habilidades todo um
manancial de saberes que convergiram com suas inspirações e afunilaram nesse
imenso campo de possibilidades em magia natural, aplicada não só no campo
religioso, mas no dia a dia. Gosto de dizer que se o uso das ervas fosse
exclusividade do religioso cresceria só no quintal do pai de santo. E não é
verdade, cresce nos quintais de todos nós, assim como o conhecimento está ao
alcance de todos que pretendam alcançá-lo, todos que queiram e se disponham a
olhar e se comportar com liberdade, respeito e responsabilidade nesse meio
ritualístico.
Nosso sistema de classificação das ervas é simples, original e de fácil
entendimento. Nossa tarefa é levar conhecimento simples e objetivo, cuidando
para que os dogmas e preceitos tenham explicações lógicas e se tiverem que ser
seguidos, que nos dêem bons motivos para isso.
Uma definição resumida bem simples de erva QUENTE OU AGRESSIVA é:
aquelas que têm capacidade, energia e magnetismo para encontrar e anular
definitivamente larvas, miasmas, acúmulos energéticos, magnéticos, vibratórios,
espirituais, conscientes ou não, assim como seres vivos espirituais, inteligências,
elementos condensadores, e toda e qualquer forma negativa ou negativada que
por ventura esteja atuando, natural ou impositivamente, na vida de uma pessoa,
sua casa, família, trabalho ou local sagrado.
Resumindo a função de uma ERVA QUENTE, para seu melhor entendimento: é
como um ácido do astral, capaz de dissolver qualquer substância acumulada que
seja prejudicial à saúde espiritual.
Já as ervas MORNAS OU EQUILIBRADORAS são aquelas que carregam a
capacidade de regenerar, reconstruir, verdadeiramente equilibrar um campo
energético, trazendo-o à naturalidade. Sua estrutura vibracional contém energias
vivas que atuam no sentido de corrigir as perdas energéticas causadas pelo uso
das ervas quentes ou agressivas, harmonizar seus chacras (centros de força),
equilibrar as energias vitais importantíssimas para o bom funcionamento do
organismo espiritual humano e conseqüentemente do físico.
São poderosíssimos energéticos, levantadores de astral e direcionadores.
Ervas que podemos usar no dia a dia, sem restrição alguma.
Já as ervas FRIAS OU ESPECÍFICAS são idênticas às ervas mornas, no entanto
têm campos de ação muito bem definidos, ou seja, tem especialização em algum
sentido. Por exemplo, ervas para tranqüilidade, masculinas, femininas, de atração
pessoal, prosperidade entre outras tantas. Uma erva FRIA pode aparecer
classificada como MORNA, mas dentro do seu campo de ação específico
participar de um preparo especializado.
Exemplo de ervas QUENTES OU AGRESSIVAS: Arruda, Guiné, Alho, Cebola,
Eucalipto, Pinhão Roxo, Espadas, etc.
Exemplo de ervas MORNAS OU EQUILIBRADORAS: Alecrim, Boldo, Alfazema,
Manjericão, Anis Estrelado, etc.
Exemplo de ervas FRIAS OU ESPECÍFICAS: Rosa-branca, Capim-limão, Melissa,
Cipó-Prata, etc

Preparos com SETE ERVAS

A combinação das ervas e sua aplicação depende muito mais do propósito do


que de alguma regra ou técnica.
Não se sabe quando ou onde foi a primeira vez que alguém recomendou um
banho de SETE ERVAS, ou usou o termo SETE ERVAS da JUREMA, mas é sabido
que virou um hábito e nós o herdamos com toda a força da egrégora de
pensamentos e condensação de conhecimentos que ampara as repetições das
práticas assertivas.
5
Por fundamento, podemos entender a base de onde se ergue uma tradição,
que é copiada, reproduzida, uma, duas, dezenas e centenas de vezes até se
consolidar como prática habitual, aceita, funcional, eficaz e com poder realizador
[Link]ão, antes de afirmar que algo é fundamento, deve-se levar em
consideração o que essa prática gerou de base para que outras pessoas a
seguissem, copiassem e praticassem estritamente sem modificações.
Cada prática ritualística tem suas próprias características, e é baseada em
pessoas, seus conhecimentos e convicções.
Em termos coloquiais, ou seja, no modo de dizer, ao invés de afirmar “Ah, isso
é fundamento da minha casa!”, seria mais interessante: “Isso é uma prática
minha, própria da minha casa e dos que seguem essa doutrina”.
Afinal o que é correto para um, pode não ser para o outro. E digo mais: Não há
nada mais errado do que afirmar que o outro está errado! Afinal, a experiência é
dele, ninguém sabe o que ele passou para chegar até ali.
Nós nunca afirmamos sermos os donos da razão, em momento nenhum nas
últimas duas décadas de trabalho com as ervas, seja em matérias escritas nos
veículos de informação que tive a oportunidade de colaborar, seja nas páginas,
blogs e redes sociais.
Sempre que oferecemos uma forma de trabalhar com as ervas foi como
sugestão, para quem entende que é livre e pode, com essa liberdade, aproveitar
a experiência que outros já tiveram uma oportunidade de comprovar a eficácia.
O conhecimento é libertador!
Um dos objetivos desse trabalho é nos libertar de mitos e dogmas sem
fundamento, que só servem para nos acorrentar a práticas que não se explicam
com clareza. Isso serve para todos nós, calejados pelo tempo, e principalmente
para as pessoas que estão buscando conhecimento sobre as religiões naturais e
práticas ritualísticas no começo de suas caminhadas.
Estamos cercados de profundos conhecedores da superfície das coisas, que
por necessidade de dominar aqueles que se colocam no seu caminho, criam e
adaptam procedimentos mal compreendidos como ferramenta para manter seu
pseudo poder.
Aqueles que trazem conhecimento de base fundamentada, explicada e
coerente, com certeza não se incomodam com essas palavras, pois estão seguros
do que fazem, afirmam suas convicções com a leveza da sabedoria. Diferente de
quem precisa desqualificar o trabalho alheio para se manter vivo.
Voltando às SETE ERVAS: é toda e qualquer combinação de ervas num
preparo de base com sete elementos vegetais diferentes, equilibrados entre si e
com um objetivo bem definido.
Então, se sabemos o que são as ervas QUENTES, MORNAS e FRIAS,
conseguimos nós mesmos definir nossos preparos a partir de uma necessidade.
A grande maioria desses preparos tem 3 ou 4 ervas quentes, assim como as
mornas. Os chamaremos assim: 3x4 ou 4x3... três para quatro ou quatro para
três... veja na tabela a seguir:

Tabela Base 7

Quente Morna-Fria
7 --- 0
6 --- 1
5 --- 2
4 --- 3
3 --- 4
2 --- 5
6
1 --- 6
0 --- 7

Se eu souber o que quero, mais limpeza em profundidade e regeneração


relativa, posso usar um banho 5x3, cinco ervas quente mais três ervas mornas.
Quero um preparo de "defesa", 3x4, três ervas quentes e quatro mornas, vamos
usar esse exemplo:
Três ervas quentes: Arruda, Guiné e Casca de Alho
Quatro ervas mornas: Alecrim, Manjericão, Pitanga e Anis Estrelado
Terei nesse banho ou defumação, capacidade de limpeza, descarrego, corte de
energias enfermiças e vampirizadoras, além de equilíbrio, regeneração e
energização dos corpos espirituais, direcionamento e clareamento das idéias.
Resumindo, seu banho de sete ervas está desenhado com os detalhes que tem
aprendido de cada erva que eu posto aqui, formando assim um preparo único,
com objetivo definido.
No próximo texto bônus vamos falar sobre a maior polêmica de todas: os banhos
de ervas na cabeça! Acompanhe os vídeos também! A Erveirança não para!

Erva 1:
Arruda - Ruta graveolens L.

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Esta cheirosa erva de cor verde azulada nos encanta desde sempre. Desde a
Europa e a África, na antiguidade, é tida como uma planta mágica, sempre
cercada de mistérios e segredos guardados pelos rezadores. E até hoje faz parte
do rol das plantas de benzimento contra mau-olhado, mas também para defesa
espiritual e para atrair bons sonhos. Planta de limpeza astral, purificadora por
excelência, proporciona descarga de acúmulos energéticos negativos e cura de
espíritos sofredores, além de anular processos negativos.
Leal e dedicada à família e à casa onde está plantada, a Arruda com sua aura
ígnea, vermelha como a energia do fogo que carrega em sua vibração, cria
campos protetores para a casa e para seus moradores. Ao longo tempo, a
característica ígnea fez com essa erva tenha sido associada à várias divindades
mitológicas também ligadas ao fogo e ao calor: Xangô, Egunitá (Oroiná), Ogum,
Exu, entre outras.
Dentro do sistema de classificação do Erveiro, a Arruda é considerada erva
"quente". Seja em banhos, defumações, benzimentos ou galhinhos atrás da
orelha, proporciona bem estar, cura e purificação únicos.
Eu me lembro, criança, que minha mãe nunca dispensou Arruda em nenhum
preparo de banho que tomávamos, da cabeça aos pés, porque o nosso modelo de
Umbanda prática não nos limitava! E estou falando da década de 70, em que o
conhecimento basicamente era o dos guias espirituais e do núcleo familiar. Minha
mãe tinha aquela faquinha ou tesoura que só ela usava, e ai de quem se
atrevesse a mexer num pé de Arruda! Sempre aparecia alguma vizinha pedindo

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um galhinho, um ramo, e ela nunca negava desde que ela própria cortasse. Mito
ou verdade eu não sei, o fato é que se alguém mexesse no pé de Arruda logo ele
morria. Bastava uns galhos, a velha faquinha, estacas prontas, e já tinha um novo
exemplar dessa tão cheirosa planta!
Arruda macho, Arruda fêmea... nunca tivemos essa distinção de gênero em
casa. Era Arruda miúda e Arruda graúda. Os antigos sabiam das coisas simples, o
importante era o resultado.
A Arruda faz parte da minha história, e seu cheiro característico sempre
remete minha memória olfativa a boas lembranças!
Agradecemos a Deus Pai Criador, à Mãe Natureza e ao Poder das Ervas por
termos Arruda em nossas vidas!

Erva 2:
Alecrim - Rosmarinus officinalis L.

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Se alguém me perguntar qual erva aromática eu acho indispensável, minha
resposta certamente será, independente de eu saber onde vou usá-la, o Alecrim!
Alecrim não pode faltar!
Da horta ou do jardim para o uso, essa planta é uma das mais versáteis e
úteis, seja na cozinha, nos rituais ou na medicina popular. Seus saberes
ultrapassam as eras e percorrem todas as culturas, sociedades e religiões.
Encontrado nas diversas regiões do país, e por que não dizer do mundo, e
pelo seu uso tão difundido na culinária, encontramos o Alecrim facilmente nos
balcões dos mercados, ladeados pelas hortaliças e por outras condimentares, nas
feiras e hortifrutis, nas hortas comunitárias e jardins da vizinhança.
Independente das pequenas variações no formato, folha estreita e larga, ereto
ou rasteiro, ele não perde sua característica marcante - o aroma!
De cheiro bem característico e original, famoso por perfumar as cozinhas ou
local onde é preparada sua infusão, esse pequeno arbusto de origem
mediterrânea, com folhas verde-prateadas, duras e espetadas é verdadeiramente
a erva da alegria e paz de espírito.
A partir das histórias míticas, ao Alecrim é atribuído um caminho fantástico
até sua chegada ao uso ritual brasileiro: incensou e embalsamou os reis egípcios,
escondeu e protegeu Nossa Senhora e o Menino Jesus na fuga para o Egito; foi
queimado na Idade Média como profilático para que a peste não se alastrasse,
ativou a memória dos gregos e simbolizou sua juventude; foi dissecado, estudado
e pesquisado por médicos da antiguidade e da modernidade, entre dezenas de

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outros feitos do rosmarinus e que lhe consagram como uma das mais famosas
ervas aromáticas.
Em nossa forma original, simples e objetiva de classificar as ervas, o Alecrim
se encaixa como uma EQUILIBRADORA ou ERVA MORNA.
Em banhos e defumações, além desse equilíbrio característico, proporciona
paz de espírito, que naturalmente remete à alegria e tranquilidade.
Sua aura, que vai do verde-cristalino ao verde-azulado, transmite ao
organismo espiritual humano uma energia rejuvenescedora, clareadora da
memória e das ideias e iluminadora da visão e da percepção, favorecendo um
melhor olhar sobre as situações. Portanto, seu uso em banhos ritualísticos pode
ser recomendado a todas as pessoas, independente de precisarem dessas
energias específicas. A respiração dos seus ramos é bastante benéfica também,
sendo curadora e animadora.
Religiosamente, o Alecrim é associado aos Orixás Oxalá, Oxum, Iemanjá,
Oxóssi e Ogum, e, portanto, a partir dessas definições também encontramos as
características harmonizadoras das relações e organizadora das idéias. Composta
com outras ervas, proporciona consistência e estabilidade ao preparo.
Abuse das suas folhas e galhos secos queimados em defumações, convidando
os Seres da Natureza Vegetal para que condensem no ambiente as melhores
energias profiláticas e vitalizadoras da nossa saúde.
Se temos Alecrim, temos alegria, e se temos alegria temos Deus junto com a
gente!

Erva 3:
Guiné - Petiveria alliacea L.

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Essa poderosa planta brasileira é uma das mais conhecidas e usadas no
universo ritualístico. Nativa da região amazônica, é abundante no Brasil todo e foi
levada para a África por escravos libertos que se adaptaram ao seu uso aqui nas
Américas. É uma das poucas ervas bem conhecida que aparecem nas
enciclopédias nativas acreanas.
Mágica por excelência e famosa pela capacidade de se adaptar a qualquer
trabalho, é duradoura e forte, como seu poder de infestação nos nossos jardins e
seu cheiro que lembra o odor do alho. Este é o Guiné, ou a Guiné, se
considerarmos seu nome botânico "Petivéria".
Não há registro da origem do nome Guiné. Mas ela também é conhecida
largamente por "Amansa-Senhor", fama que adquiriu por a ser a arma que
negros africanos escravizados utilizavam para envenenar lentamente seus
senhores, já que ingerida com regularidade, ela provoca debilidade e confusão
mental. Nas mais diversas regiões do país são encontradas também com os
nomes de Guiné-Pipi, Pipi, Piti, Pitiu, entre muitos outros.
No uso religioso, também tem seu merecido destaque. Na Umbanda, muitas
falanges se formaram usando seu nome como base, como Caboclo Guiné, Preto
Velho Pai Guiné, etc. Além de aparecer em centenas de pontos cantados e linhos
entoados no Catimbó.
Sabe aquela planta que você gostaria de ter com você num campo de batalha
espiritual? Então, é essa erva incrível! No "Sistema de Classificação do Erveiro", o
Guiné tem natureza QUENTE OU AGRESSIVA, pois é extremamente cortante em

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sua atuação "quente" e profundamente curadora de espíritos e locais
energeticamente negativados pelas emoções humanas. A energia da espada
cortante de Pai Ogum e da flecha perfurante de Pai Oxóssi conferem à essa
poderosíssima erva esse peso metálico capaz de anular as mais intrincadas
magias negativas e colocar cada coisa em seu devido lugar.
Poderíamos com todo o respeito associá-la ao poder arcangélico de Miguel,
com sua espada aplicadora da Lei Divina nos campos da Criação, ou de forma
bem figurada (bíblica), à Ira de Deus voltada àqueles que desvirtuaram os
Mistérios da Vida.
Com sua aura energética que vai do verde-intenso ao azul-escuro, temos um
poderoso cortador de demandas e abridor de caminhos usado em banhos,
defumações, pós de assopro, bate folhas e benzimentos. Devidamente ativada
em processos de descarrego e limpeza pesada, é elemento temido pelas
inteligências do baixo astral.
Esse é o Guiné! Somos gratos à Natureza e aos nossos antepassados por
permitirem essa poderosíssima erva e esse incrível conhecimento em nossas
vidas!

Erva 4: Pitanga (Folhas de Pitangueira)


Pitangueira - Eugenia uniflora L.

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Eu tenho uma pitangueira no meu jardim e, quando escolhi esse espaço para
ser meu local de trabalho, ela foi crucial na decisão. Quando eu cheguei, lá
estava ela, parecia que me esperava.
Meu jardim é meu refúgio e me sentar debaixo dessa árvore virou um hábito,
e a força da sua presença na minha vida se tornou uma necessidade pessoal.
Minha pitangueira encantada! Na última década e meia, ela foi parceira de
escolhas e conseqüências, decisões e caminhos a serem tomados. Não foi só eu
que a vi florescer e frutificar duas vezes no ano, tenho certeza de que ela
também acompanhou as minhas transformações.
Só ela sabe quantas lágrimas eu já derramei abraçado ao seu tronco ou
quantos sorrisos e abraços de gratidão já trocamos. Literalmente, "chorei as
pitangas" quando não sabia direito o que queria, qual decisão deveria tomar, que
caminho escolher. E mesmo que eu não tivesse a mínima noção do que era
necessário, ela estava ali, silenciosa, me irradiando sua vibração amorosa e
direcionadora.
Direcionamento amoroso, mas disciplinador. Daquele que faz o íntimo falar
com a razão, tapa a boca das paixões cardíacas e direciona o olhar no caminho
mais adequado ao nosso momento e para o nosso melhor benefício.
Essa é a energia da poderosa Pitangueira, espécie originária da nossa Mata
Atlântica, de aura amarelo-alaranjada que vai até o vermelho (o que condiz com
seu nome em tupi antigo: pytanga=vermelho), que movimenta tudo o que toca
com sua vibração. Tira do lugar comum e ajuda a tomada de decisões, pois

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movimenta o pensamento.
É direcionadora por excelência, ajudando a colocar cada coisa no seu caminho
mais adequado, desde que ativada com esse propósito: encontrar o melhor
caminho, a melhor saída e solução para um problema.
É atribuída à pitangueira conexão com diversas Divindades, dependendo do
contexto religioso e regiões. Na cultura jêje nagô, de acordo com o saudoso Prof.
Pessoa de Barros, é associada a Oxum e Ossaim, já que suas folhas perfumadas
são usadas para forrar os barracões em dia de festa, para banhos e bate-folhas,
pois atraem a prosperidade. Há um inconsciente popular que associa a pitanga a
Pai Ogum, talvez por aparecer em vários preparos de descarrego ou
purificadores, de acordo com Pierre Verger.
Dentro do nosso entendimento das ervas, suas energias, vibrações e
magnetismo astral, associamos uma erva à vibração de um Orixá, buscando a
forma com que ela trabalha, quais campos de ação abrange e que poderes coloca
em funcionamento para realizar a manutenção energética da vida e da evolução
dos seres.
E, se a Pitangueira é vista como uma erva de prosperidade é porque essa
virtude espiritual não se realiza sem direção e movimento, aí encontramos as
vibrações da nossa Sagrada Mãe Iansã, que não se dissocia dos caminhos de
nosso amado Pai Ogum, e nem do poder expansivo de nosso tão querido Orixá
Oxóssi. Então temos que ela traz a capacidade de dar movimento, acelerar e
direcionar os processos aos quais está atribuída.
Por exemplo, as folhas secas numa defumação para um local comercial,
movimentará as energias para que ao entrarmos nesse estabelecimento, não
sintamos energias estacionadas. Num preparo de banho para auto-estima, trará à
pessoa que usá-lo a energia vibrante que tirará do lugar o que está estagnado,
direcionará para o adequado, eliminando assim o cansaço, a depressão espiritual
e a tristeza, características das situações antiprósperas materiais e espirituais. A
característica expansora aparece trazendo o crescimento de dentro para fora,
organizado e direcionado. Amassar as folhas frescas nas mãos e respirar
profundo é garantia de ânimo e motivação.
Então, podemos concluir numa frase que: A Pitanga movimenta cada coisa
para seu melhor caminho, incentivando e tirando do comodismo e ajudando nas
melhores decisões!
Que a força da nossa sagrada Pitangueira nos ajude nas nossas melhores
escolhas!
Assim seja e será! Pois temos Papai Criador e Mamãe Natureza em nossas
vidas!
Gratidão aos seres das árvores frutíferas, em especial da minha querida
Pitangueira pela inspiração!

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Erva 5
Anis Estrelado - Illicium verum Hook. Fil.

Aqui não fazemos um tratado botânico, então eu posso, de uma forma livre,
chamar frutos, flores, folhas, caules e raízes simplesmente de "erva".
E essa erva-fruto, de cor marrom castanho, em formato de estrela de cinco a

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oito pontas, sementes redondas ovaladas, alojadas num pequeno recipiente em
forma de barco em cada uma dessas pontinhas, nos convida a um olhar mais
atento que pode provocar sensações únicas.
Feche os olhos e apanhe em cada uma das mãos um tanto de Anis-estrelado.
Feche as mãos e perceba... Simplesmente sinta. São duras, firmes, de certa
forma até grosseiras. Não precisa fazer isso, mas se apertar as mãos, chega a
machucar os dedos. Agora, com tranqüilidade, leve as mãos à altura do rosto e
sinta o perfume. Sinta seu aroma forte, adocicado e picante ao mesmo
tempo, incompatíveis com sua robustez tateável. Esse sugestivo paradoxo é uma
brincadeira de percepção com essa famosa chinezinha que tem lugar garantido
entre as especiarias mais usadas no mundo.
Desde aromatizar bebidas até a compor pratos exóticos na Ásia, o Anis-
estrelado ou Anis-da-china como também é chamado, substitui a Erva-doce por
ter sabor bem semelhante. Aliás, a Erva-doce também pode ser chamada de
Anis, e há um tipo de Manjericão (Alfavaca) que chamamos de Aniseto, mas isso
é assunto para outro capítulo...
Outro nome atribuído pelos franceses a esse pequeno fruto é "Badiana", e
carregá-lo consigo como amuleto pode trazer sorte ao seu portador.
Cogita-se que seu nome em latim, Illicium, deriva de allure, allurement -
encantamento, fascinação, e até tentação.
Para nós, no uso magístico e religioso, essa poderosa erva classificada no
nosso sistema como MORNA ou EQUILIBRADORA, trata do chacra coronal ou
coroa e das conexões com o lado imaterial da vida, sendo interessantíssimo para
os cuidados da mediunidade. Fortalecedora das conexões espirituais, clareia
nossa ligação com os bons espíritos afrouxando nosso envolvimento com o lado
racional e facilitando a compreensão dos sentidos intangíveis da vida, percepção,
intuição, inspiração.
Importante lembrar que, assim como todas as ervas que atribuímos funções
para mediunidade, nenhuma lhe dará capacidade extra sensorial além das
conquistadas pelo seu próprio espírito. Portanto, nada de achar que tal erva abre
a vidência ou torna alguém médium. Elas simplesmente ajudam a compreensão
do dom que o Criador lhe permitiu nessa experiência humana na matéria.
Seu magnetismo de tranquilidade proporciona bem estar, paz e calma, tão
necessários para as tarefas entre o lado atômico e o etérico.
Seu gradiente de cores energéticas vai do branco cristalino até o azulado,
contrapondo com sua cor física, por isso associado aos Orixás Oxalá e Iemanjá,
entre outros com menor intensidade. Seu uso nos banhos transfere essas cores
incríveis desde o alto da cabeça até os corpos espirituais, conferindo capacidade
de equilíbrio, consciência e luz para as intuições. Triturado e queimado em
carvão em brasa nas defumações é excelente para as meditações e ampliar a
percepção.

Erva 6
6.1 - Casca de Alho - Allium sativum L.
6.2 - Casca de Cebola - Allium cepa L

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Essas duas irmãzinhas de origem oriental, Alho e Cebola são da mesma
família botânica e estão presentes (especialmente o Alho) no nosso mundo
místico desde sempre, desde que o mundo era pequenininho. Arma poderosa
contra os mitológicos vampiros, ficou conhecido pelo trabalho de Bram Stoker, no
romance mundialmente conhecido como Drácula e suas dezenas de versões e
inspirações para o cinema.
Mas de onde vem esse mito de que o Alho espanta o mal?
Não há registro assertivo desse tempo, mas é sabido que entre os egípcios,
"cheirar" a alho e à cebola era característica dos pobres, pois estes comiam e
carregavam consigo para se prevenir de doenças. Assim como os navegadores e
a população portuária do Oriente; na Índia, era rejeitado pelos brâmanes pois
inflamava as paixões.
Aroma irritante do Alho e lacrimejante da Cebola, pouco agradáveis e nada
românticos, seus perfumes únicos e sua presença afastam os maus-olhados,
inveja e perseguições por maus espíritos sugadores de energias (vampiros
energéticos em geral).
Com algumas poucas exceções, usamos apenas as Cascas do Alho e da Cebola,
que são mais do que suficientes para o que precisamos e excelentes para o que
se propõe: anular ligações negativas.
Em banhos e defumações usamos apenas as cascas, pela facilidade e
disponibilidade. Já os frutos, inviáveis pelo aroma muito forte, reservamos ao uso

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culinário.
Quando eu era criança, tinha saúde frágil e sempre carente de cuidados mais
próximos. Eu me lembro que minha mãe às vezes fazia "colar de Alho" para mim.
Isso mesmo, linha ou barbante vermelho com dentes de alho amarrados, fazendo
um colar, que não podia ser tirado de jeito nenhum. Eu não me lembro por
quanto tempo tinha que ficar, se era até quebrar sozinho ou por sete ou 21 dias.
Mas lembro do cheiro e que aquilo chamava a atenção, principalmente quando as
outras crianças perguntavam por que eu usava aquilo.
Outra situação comum naquela época: toda casa de benzedeira tinha uma
réstia de Alho pendurada na cozinha ou atrás da porta. Elemento simbólico e
poderoso de proteção contra ataques do baixo astral.
No nosso trabalho com as ervas, classificamos Alho e Cebola como QUENTES
ou AGRESSIVAS, capazes de anular e dissolver acúmulos negativos e
principalmente repelir investidas dos planos inferiores.
Um poderoso ácido do astral, capaz de corroer proteções, couraças e outros
elementos usados para esconder magias negativas, revelando-as e consumindo-
as. Também proporciona a libertação energética em casos de vampirismo e
obsessões intensas, magias densas com uso de elementos animais. Verdadeiros
desintoxicadores de espíritos que passaram por situações enfermiças.
Com suas cores energéticas que vão do branco leitoso aos pulsos de violeta, é
um verdadeiro profilático para o espírito como curador de parasitas astrais.
Podemos associá-los entre outros, aos Orixás Oxalá, Logunan, Obaluaiyê e
Omulu. Entra também nas oferendas às linhas de Esquerda.
As duas ervas, Alho e Cebola e suas cascas têm vibração muito parecida, e
podem ser usadas juntas ou separadas. Podem ser brancas ou roxas, variando de
acordo com a região de origem, mas todos, todos mesmo, podem ser usados com
essas funções.
Vamos pensar também em reforço do sistema imunológico e proteção, coisas que
nesse momento são muito bem vindas!
Erva 7 - Rosa Branca e outras Rosas
Rosa Branca - Rosa centifolia L.

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Quem nunca ouviu “Na cabeça, só Rosa Branca!”, não sabe o que é um dos
aforismos mais comuns em todos os terreiros do mundo. Definitivamente, a Rosa
Branca é a mais usada nos banhos e defumações tanto na nossa Umbanda,
quanto em diversos outros meios místicos. Mas quero falar de todas as Rosas!
Nome próprio, nome de planta, de sociedades secretas e discretas, bela e
cheirosa, de tantos poderes e significados simbólicos, desde o "silêncio" que a
recebeu como presente na lenda de Eros, passando por Afrodite, que as tinha
como preferidas – símbolo do amor, e ainda na culinária turca e libanesa. Na Ásia
e no Oriente, estudiosos da arqueologia encontraram exemplares fósseis de
Rosas com mais de 30 milhões de anos!
Surgida na Pérsia e disseminada pelo mundo todo, a Rosa tem participado de
rituais mágicos e terapêuticos ao longo da história, nominando de si até uma
parte da paleta de cores entre o magenta e o vermelho. Mas são mais de uma
centena de espécies, contando com seus cruzamentos, e milhares de tons e
nuances. Então, é praticamente impossível definir um número exato de cores
disponíveis mundo afora.
Para nós, simplesmente Rosa! E se, de acordo com o poeta, “As Rosas não
Falam”, para nós, elas dizem muito. Ou "Pra não dizer que não falei das flores",
fazendo jus à sua importância para o nosso universo simples e objetivo de magia
natural. Afinal, somos pétalas da grande flor da criação!
As flores são a parte conceptiva da planta, portanto, podemos afirmar que
todas as rosas são de Oxum! Suas variadas cores as qualificam, como um

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presente da natureza aos outros Orixás.
Desprovidas de caule e espinhos, as pétalas de Rosa Branca são oferendas
perfeitas à beira-mar, para nossa amada Mãe Iemanjá, se oferecidas à uma onda
que venha carinhosamente colhê-las das nossas mãos em concha e levá-las às
mãos da Rainha da Coroa Estrelada, Mãe da Vida.
Já as pétalas cor-de-rosa e amarelas podem ser oferecidas às águas da
cachoeira ou na beira de um rio, em honra à nossa Sagrada Mãe do Amor, a bela
Orixá Oxum.
As poderosas Rosas Vermelhas também são de Mãe Oxum, mas em seu
aspecto magneticamente negativo, são manipuladas com excelência energética
vibratória pelas incríveis Senhoras Pombagiras.
Energeticamente, as Rosas Brancas têm uma função única: ajudam a mente e
o coração a conversarem e se entenderem, encontrando um caminho bom para o
racional e o emocional. Por isso, é tão importante para os médiuns em
desenvolvimento e, também por esse motivo, entra nos amacis e preparos na
vibração de Pai Oxalá, que tem nessa energia de amor, solo fértil para germinar a
fé.
Conhecida também por sua capacidade acalmadora do espírito, é associada
ao desenvolvimento das faculdades psíquicas, purificando com leveza os chacras,
principalmente coronal, frontal e cardíaco, iluminando-os e carregando-os com
energias salutares, propiciando assim uma excelente conexão com o plano
espiritual.
Um Orixá se serve do mistério de outro para se realizar. Mistérios da criação,
unigênitos em si, mas nunca dissociados ou isolados uns dos outros. Então, Rosas
Brancas para Iemanjá e Oxalá, mas também para todos os Orixás. Rosas
Amarelas para Oxum, Iansã e para quem mais você quiser oferecer de coração.
Rosas Vermelhas para as Senhoras Pombagiras, mas se oferecidas na praia em
pedidos para que Mãe Iemanjá "estimule" a vida, são fascinantes. Basta pensar
com liberdade e bom senso, com criatividade e responsabilidade e
encontraremos facilmente os Mistérios de Deus em cada detalhe da Criação.

As Rosas são presença obrigatória nos nossos altares, mas também são muito
bem-vindas em nossas casas como verdadeiros filtros energéticos, e irradiadores
de paz e harmonia. Que usemos as Rosas, todas as Rosas, inclusive as cor de
rosas!

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Erva 8 - Espadas e Lanças
Espadas de São Jorge e de Santa Bárbara - Sansevieria trifasciata var.
laurentii (De Wild.) [Link]
Lança de São Jorge - Sansevieria cylindrica Bojer

Se "eu tenho sete espadas pra me defender, eu tenho Ogum em minha


companhia...". Quem anda na Lei, tem a Lei como sua companhia. Quem anda
fora dela, bom, aí tem a companhia que merece.
Espadas são símbolos sagrados, muito além das armas de combate que tanto
nos encantam nas histórias épicas. Empunhá-las, definitivamente, não é para

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qualquer um. Se não dominarmos os sentidos para onde essas cortantes e
perfurantes simbólicas nos direcionam, com certeza seremos dominados pelos
seus mistérios. Biblicamente falando, espadas são também as palavras de Deus,
traduzidas pelos seus intérpretes humanos, que cortam as incertezas levando ao
conhecimento superior. São ícones de poder e distinção militar.
E essa mítica toda fez com que essas maravilhosos exemplares da natureza
que nos remetem a esse simbolismo tivessem seu lugar garantido no meio
ritualístico. Certamente, essa associação criou um campo energético mental
poderoso em imagem e poder realizador, atribuindo assim um verdadeiro arsenal
de batalha às Espadas vegetais.
São Jorge, o santo guerreiro que dá nome à uma das Espadas, na figura de
Jorge da Capadócia, tão contado e cantado nos terreiros, no samba e na vida, é
sincretizado com nosso sagrado Pai Ogum, Orixá também guerreiro e vencedor
das demandas que nos aprisionam nas trevas da incerteza.
E sua parceria com Santa Bárbara, que nem foi tão guerreira, mas que com
seu manto vermelho, vestes amarelas e espada repousada, alenta seus
seguidores nas horas difíceis da vida. Por isso, sua relação também sincrética
com a aguerrida Mãe Orixá Iansã justifica-lhe a reputação.
O formato espadado das folhas dessas plantas confere a elas sua fama: corta
todos os males em nossa vida, nos protege e guarda do que não nos serve para a
evolução.
No nosso critério de trabalho, classificamos as espadas, tanto de São Jorge
quanto de Santa Bárbara, assim como as Lanças, como ervas QUENTES OU
AGRESSIVAS. Que podem ser usadas em banhos e defumações (frescas ou
secas), em poderosos vasos de proteção, ou em magias bem específicas.
Atribuímos todas as sansevierias, espadas longas, anãs ou lanças, à vibração
de Pai Oxóssi, perfurante como sua flecha, e qualificadas nas forças cortantes de
Pai Ogum e Mãe Iansã, assim como outras divindades aplicadoras da Lei Divina.
Ferramenta de trabalho constante para nossos amados Caboclos e outras
entidades da Umbanda, que empunhando-as, cortam magias negativas e suas
conexões com o baixo astral. Também constantemente recomendada para ser
colocada embaixo da cama, cruzadas ou não, ou atrás das portas de entrada para
proteção da casa.
Para o uso em banhos, devemos cortar um pedacinho bem pequeno e ferver,
pois podem causar algum tipo de reação alérgica. E para defumações, devem ser
cortadas no comprimento e bem secas de forma que percam quase toda a água
que concentram em si, para então serem queimadas em carvão em brasa.
As Lanças, por sua vez, que são folhas cônicas que crescem muito
lentamente, demoram um tanto para secar e tendem a apodrecer, então as
reservamos aos vasos de proteção. Facilmente cultivadas num vaso com água,
para quem não tem espaço, ou na terra onde formam canteiros compactos e
firmes com crescimento garantido.
As folhas totalmente verdes, claras ou escuras e rajadas de branco-
acinzentado, chamamos de Espada de São Jorge ou de Ogum, assim como as
Lanças cônicas. Se tiver as bordas amarelas, chamamos de Espada de Santa
Bárbara ou de Iansã. Há também a espécie anã, que não cresce muito e
dificilmente floresce, mas segue as mesmas atribuições energéticas.
Lembro bem que além dessas formas de uso, minha mãe tinha nas Espadas
uma poderosa aliada na "aplicação da lei" em crianças rebeldes, no caso eu...
bagunceiro que só. Sempre tinha uma Espada me colocando na linha (risos)!
Boas lembranças do coração de menino!
Falando em coração, e fechando o assunto Espadas, vale lembrar que: "Se eu
não tiver um coração, nem todas as espadas da história poderão me defender

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das minhas escolhas e suas consequências!"
Que a Lei Divina nos guie e ampare hoje e sempre!

Erva 9 - Boldo - Tapete de Oxalá


Boldo comum: Plectranthus barbatus Andrews

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Precisaríamos de muitas páginas para falar tudo o que gostaríamos sobre os
Boldos, mas vamos nos limitar aqui ao que nos interessa para o uso ritualístico,
desmembrando o conhecimento e desvendando alguns mitos.
Primeiro, Boldo-do-Chile (Peumus boldus) é um dos boldos, e é árvore nativa
do Chile. Aqui o encontramos seco, já embalado para uso em chás ou banhos e
defumações.
Nos nossos jardins e viveiros, encontramos outros tipos de Boldo, do gênero
Plectranthus: Boldo comum, Falso-Boldo, Boldo miúdo, rasteiro, ornamental, etc.
Essas espécies são de difícil secagem, por isso usamos frescas em banhos e
amacis. São caracterizadas pelo aroma forte e marcante e pelas folhas
aveludadas que lhe conferem a reputação de folha de Oxalá, ou melhor, Tapete
de Oxalá.

Muito, mas muito cuidado mesmo para não chamar tudo de Boldo-do-chile, ou
dizer que um ou outro são o "verdadeiro" Tapete. Ervas diferente com nome
popular iguais, ou ervas iguais para diversos nomes é mais comum do que a
gente imagina. Nome popular não tem dono, pertence à cultura regional, e se
devemos respeitá-los como são, precisamos também ter conhecimento suficiente
para não gerarmos mais confusão do que já existe.
Há ainda uma planta nativa, ornamental, chamada Orelha-de-Onça (Pleroma
heteromallum), com características visuais idênticas (exceto o aroma e sabor),
folhas aveludadas, flores arroxeadas e porte arbustivo, que era chamada no

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passado de Tapete-de-Oxalá e, por pura adaptação, gerou toda uma história com
os Boldos que assumiram essa fama. Vamos falar dessa planta em outra
oportunidade.
Resumindo, a função de uma erva, é adaptada a outra e depois a outra. E
todas elas passam a responder pela mesma vibração. E por qual motivo isso
acontece? Pela força da egrégora! O poder do conjunto, que hoje a física quântica
traduz com muita propriedade para nós. Explica que além de ser mais fácil
aprendermos algo que alguém já aprendeu, pois criou um campo de ideia, ou
campo morfogênico, isso significa que tudo que é repetida ganha poder pela
realização do conjunto, adapta-se e passa a se autorrealizar da mesma forma.
Nosso olhar sistêmico sobre os Boldos nos permite observar que todos
mantêm a mesma relação energética, magnética e vibratória, seja por natureza
ou por atribuição adaptativa, permitindo assim sua substituição entre si. Erva
MORNA ou EQUILIBRADORA por excelência, cabe como complemento
regenerador em qualquer preparo.
O nome Tapete de Oxalá não acontece por acaso. Aos Boldos atribuímos
principalmente as vibrações de Oxalá, Oxum e Logunan, entre outras divindades.
Essa erva é uma poderosa magnetizadora e fortalecedora do chacra coronal.
Traduzindo: anima, aquece o espírito e traz confiança tanto para as práticas
religiosas mediúnicas, como para situações em que é necessário vencer o
desânimo e o derrotismo. A palavra do Boldo é essa: confiança! Exatamente por
isso tão bem acomodada no meio místico. Também pode ser usado para pessoas
dispersas, com dificuldade de concentração e foco, na forma de banhos, da
cabeça aos pés.
Seu sumo macerado pode ser usado diretamente na cabeça como amaci, em
seguida envolvendo com um pano branco para esse fim. O objetivo dessa prática
é desobstruir o chacra coronário, cristalizá-lo, no sentido de proteção, isolando,
fortalecendo e preparando para receber algum magnetismo específico, como
uma iniciação, por exemplo.
Graças a Deus, Graças aos Pais e Mães Orixás, Graças a Oxalá, Graças aos
Boldos!

Erva 10 - Pinhão Roxo


Pinhão Roxo - Jatropha gossypiifolia L.

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Nem toda planta de folhas ou flores roxas são de Omulu. Nem todas as folhas
em formato de espada ou lança são de Ogum, assim como é primário afirmar que
todo vegetal que tem forma parecida com coração é de Oxum. Mas há uma
probabilidade dessas características definirem pelo menos uma das vibrações
que colocam a erva em questão na faixa frequencial do Orixá.
Vale lembrar que os Mistérios da Criação nos são desdobrados conforme
nossa necessidade e oportunidade, de acordo com o que podemos aprender
naquele momento.
Desde que se fala sobre Umbanda de forma escrita - em 1941, quando
aconteceu o primeiro congresso -, cada ramificação definiu as sete linhas de
acordo com seu ponto de vista. Mais recentemente, com o surgimento de uma
nova teologia trazida por Pai Benedito de Aruanda, entre outros Mestres, por
meio da mediunidade do nosso saudoso Pai Rubens Saraceni, estabeleceu-se o
culto direto a quatorze Orixás, ou Sete Tronos de Deus, polarizados em
magnetismo e gênero, ou seja, um Pai e uma Mãe assentados em cada Trono, e
ainda a visão de que Exu, Pombagira e Mirins são Orixás. Enfim, a partir dessa
visão definimos um número de Divindades da Criação. Mas se observarmos por
outros ângulos de visão, teremos números maiores ou menores dessas mesmas
potências criadoras. E quem está certo? Todos! Cada um interpreta da sua forma,
a partir do seu conjunto de conhecimentos, habilidade e sua vivência.
Então, quando uma erva é atribuída diretamente a um Orixá, deve-se levar
em consideração o segmento ou o ponto de vista de quem fez essa atribuição.

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Por isso, colocamos as ervas em seu lugar energético, magnético e vibratório,
pois assim cada um com sua experiência pessoal podem atribui-la às Divindades
de acordo com sua relação análoga às energias.
Nossa poderosa ERVA QUENTE OU AGRESSIVA hoje é o Pinhão-Roxo, que traz
a cor no próprio nome e a atribui diretamente a Pai Omulu. Esta incrível prima-
irmã da Mamona é uma das mais utilizadas nos campos de magia natural,
benzimentos, rezações, feitiços do bem e de outras opções, conhecida desde as
regiões Norte e Nordeste até o Sudeste, principalmente. Como adora o calor, é
um pouco mais difícil de ser cultivada no Sul do país, mesmo assim, com alguma
insistência e dedicação, durante os períodos mais quentes, é possível tê-la
plantada e consagrada a Pai Omulu e Mãe Iansã, como protetora da casa e da
família. No inverno, suas folhas, que não suportam o frio, caem restando apenas
o caule. Mas no início das estações mais quentes volta à vida com folhas novas.
A falta de conhecimento acerca das Divindades e seus campos de ação aliado
às escolhas pessoais de alguns poucos, fizeram com que o Pinhão-Roxo fosse
também usado em práticas contrárias ao bem estar, principalmente pela sua cor
e toxidade, que lhe garantem essa capacidade agressiva.
Usada em banhos e defumações, é um interessante consumidor de larvas e
miasmas astrais, sendo capaz de engolir mentais negativos conscientes ou não, e
magias negativas inteiras com sua energia, assim como seus ativadores e
controladores. Excelente para libertação de obsessões que conduzem a vícios em
todos os sentidos.
Entra nos preparos de limpeza profunda, desobsessão, anulação e libertação
de magias negativas, consumindo-as por completo, sendo uma curadora por
excelência. Além dos Orixás citados, também pode ser associada a Pai Ogum e
Pai Obaluaiyê, e é manipulada pelos mistérios da Esquerda por sua característica
paralisadora de fluxos energéticos negativos.
Nosso incrível Pinhão-Roxo também é conhecido por Jalapa, Pião-Roxo ou
Mamoninha entre outros nomes populares.
Erva 11 - Cipó Caboclo
Davila rugosa Poir.

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Já dissemos aqui que podemos usar cascas, raízes, folhas, enfim, todas as
partes das plantas e denominá-las "ervas", pois afinal não fazemos um tratado
botânico, então para nós, cipó é planta, cipó é erva!
Tanto para ervas frescas, encontradas nos jardins e hortas, e principalmente
secas, compradas no comércio de especiarias desidratadas, é necessário ter
bastante cuidado com a procedência e com os achismos. Quando não
conhecemos uma planta, especialmente as secas, é importante que tenham uma
identificação do nome científico, esse em latim que colocamos no topo de todas
as matérias, e no corpo de alguns textos como o do Boldo (dia 9). Melhor conferir
e se certificar que está comprando a erva correta do que confiar no
conhecimento de alguns "vendedores" que temos por aí. Cuidado nunca é
demais.

E nosso querido Cipó-Caboclo é uma dessas incríveis ervas que é muito mais
fácil ser achada nas lojas especializadas, do que nos quintais do Brasil. A nossa
querida - Davila rugosa Poir. Chamada também de Cipó de Caboclo, Folha de Lixa
ou Sambaíba.
Erva cuja denominação já remete ao uso ritualístico. Os Caboclos estão
presentes nas várias manifestações culturais religiosas brasileiras e são a base
da Umbanda, basta lembrarmos a manifestação do Sr. Caboclo das 7
Encruzilhadas no seu médium Zélio de Moraes, na fundação ou anúncio dessa
religião.

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Falando desse termo etimológico, "Caboclo", que pode ser pejorativo por
remeter a uma casta inferior ao branco. Assim como a união de índio e branco.
Em tupi existem duas traduções especulativas: caa-boc = aquele que vem da
mata; e kari’boka, que significa “filho do homem branco”. Eu gosto mais da
primeira: Caboclo é quem vem da mata! Caboclo é o homem (ser humano) da
terra! O Índio, o mestiço, o simples... adoro a forma com que "Tião Carreiro" e
todos os seus parceiros de viola caipira falaram de caboclo, assim como o
brasileiríssimo Rolando Boldrin ilustra em poesia esse universo caipira... Não
importa, sou fã de Caboclo e ponto final! (risos)
Voltando às ervas... Essa incrível trepadeira nativa, encontrada nas matas e
cerrados, é bastante utilizada nas preparações e iniciações ao Sagrado Orixá
Oxóssi, por sua característica expansora e sua forma de crescimento rápido e
seguro, agarrado às árvores mesmo. Sua aparência forte, de encorpado marrom
escuro e áspero ao toque, dão-lhe a visão de força e certeza.
É uma potente ERVA MORNA ou EQUILIBRADORA que proporciona pé no chão,
firmeza de propósito, concentração e foco, quando utilizada em banhos e
defumações. Pode ser usado um pedacinho de Cipó Caboclo junto ao corpo, num
colar ou guia, para que crie um campo vibratório que proporcione direção e
raciocínio, além de segurança e proteção.
É praticamente impossível para quem os tem no seu panteão de Divindades,
dissociá-lo de Pai Oxóssi e Mãe Obá, principalmente se levarmos em conta sua
cor energética que vai do verde-escuro ao marrom-avermelhado. Ainda
encontramos num grau frequencial mais discreto, as vibrações de Mãe Iansã.
Ah, tenho um causo para contar: o termo ERVEIRANÇA surgiu numa conversa
com um caboclo, desses encarnados e cheios de sabedoria... meu querido amigo
Elves do Juruá, que deu ao seu trabalho com as medicinas da floresta o nome de
"Caboclança". Aí um dia eu falei - Pajé = Pajelança; Caboclo = Caboclança;
Erveiro = ERVEIRANÇA! É isso!
Salve todos os Caboclos, na matéria e no espírito! Salve os Caboclos da
Umbanda! Okê Caboclo!

Erva 12 - Para-raio
Para-raio – Melia azedarach L.

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Nas andanças que a gente faz por aí descobre cada coisa... E aquela minha
máxima de que "não tem nada mais errado do que achar que o outro está
errado", se afirma em cada uma dessas oportunidades. Quantas vezes eu, em
aulas fora de São Paulo, em especial no Rio Grande do Sul, fui questionado sobre
alguma erva e seu nome regional, e disse afirmativamente que não conhecia.
Depois, olhando um pouco melhor, descobri que eram plantas comuns para gente
e que, chamadas dessa forma somente naquele local, se escondiam de ser
identificadas. Isso aconteceu com a trapoeraba, com o alumã e, entre outras,
também o cinamomo.
Nossa poderosíssima erva de hoje é o Para-raio. Escreve-se pára-raios, mas
aqui nos referimos a um nome popular, de forma coloquial, então que seja o
Para-raio! Como disse, em algumas regiões é o Cinamomo, Amargoseira, Árvore
de Santa Bárbara ou Erva de Santa Bárbara.
É muito parecida, por isso importante não confundir com o Neem (Nim), usado
como um defensivo natural para plantas, que também é chamado de
Amargoseira e até o nome científico é parecido: Neem = Azadirachta indica. No
entanto, essa irmãzinha botânica pode perfeitamente ser usada com as mesmas
funções energo-magnéticas da nossa espécie em questão, o Para-raio.
Para nós, essa intrigante erva é usada para limpeza energética de modo geral
e para forrar o chão dos ambientes religiosos, em processos de limpeza,
preparação para assentamentos iniciais e para neutralizar o magnetismo de um
local.

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No nosso critério de classificação, é uma erva QUENTE OU AGRESSIVA e é
usada também em bate-folhas de descarrego e limpeza de casas novas ou recém
alugadas, locais onde a energia ambiente percebe-se estagnada. Essa erva
proporciona ao ambiente um padrão energético bastante motivador,
principalmente para locais onde o ânimo e a boa vontade são imprescindíveis.
De origem oriental, é uma árvore que pode chegar a vinte metros de altura,
mas facilmente encontrada por ser interessante para a arborização urbana. Aqui
em São Paulo, a encontramos na beirada de alguns rios arteriais na cidade.
Um dos seus nomes populares revela sua conexão com nossa Sagrada Mãe
Iansã. Seu caráter desagregador de acúmulos e concentrações negativas a coloca
em sintonia fina com os mistérios da Lei Maior e Justiça Divinas, então a
associamos também a Ogum, Xangô e Egunitá. E sua intrigante potência de
neutralizar, ou trazer de volta ao magnetismo original, a coloca como uma força
cristalizadora de Mãe Oiá-Tempo (Logunan).
Observem como algumas ervas permitem essas múltiplas ligações com os
Sagrados Orixás e outras divindades mitológicas. Dificilmente encontraremos
uma planta exclusiva de uma vibração. É seu padrão energético que determina
isso. No mundo vegetal não há personalismo, tudo é de todos, e todos participam
de tudo!
Nossas afirmações são fruto de trabalho, trabalho e mais trabalho, nada
diferente disso! Use de forma simples, e verá como esse universo se colocará a
serviço do bem, para o nosso melhor aproveitamento e evolução.

Erva 13 - Louro
Louro - Laurus nobilis

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Ser aclamado, reconhecido por um feito que seja, chegar em primeiro lugar, se
sobressair em algo, ser o campeão, a campeã.. "And the Oscar goes to..." Uau,
que incrível não é? Poderíamos simbolizar esse momento usando expressões
como "os louros da glória", ou "foi laureado", que indica alguém homenageado ou
premiado. Ao vencedor, os louros. Essas expressões mostram a herança de
simbolismo que recebemos dos povos antigos, e a força que torna tão esta planta
“laureante”.
Vimos nas Olimpíadas de Atenas que os vencedores de cada prova recebiam
coroas de "Oliveira", símbolo da vitória, adaptadas no lugar do Louro por ser essa
erva um dos símbolos da cidade. Mas essa cultura simbólica vem de muito longe,
da própria mitologia grega que conta sobre a ninfa Daphne, que se escondia na
figura do loureiro para escapar de Apolo, e que este se serviu dessa simbologia
para lembrar a sua amada. Apolo, o Deus Grego da Iluminação, da Cura, da Luz
do Saber, protetor dos atletas e dos jovens guerreiros, ou por adaptação, dos
vencedores. Para eles, receber ramos de Louro entrelaçados era o símbolo da
glória suprema, o que hoje representam as medalhas de bronze, prata e ouro.
Louro, o símbolo da vitória, glória e sucesso; Alecrim, símbolo da juventude...
símbolos e mais símbolos. Se uma árvore de Louro morresse, certeza de mau
agouro, tão dedicada a sua força e resistência.
Trocar ou presentear com folhas de Louro na virada do ano também é um tipo
de simbolismo. Carregar esse amuleto na carteira ou bolsa durante o ano todo é
a prova de que na virada você tinha um plano, uma meta ou simplesmente um
desejo. E essa é uma das poderosas funções do Louro, armazenar essas

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informações e nos lembrar no decorrer do ano. Parece louco isso né, como uma
erva pode nos rememorar de algo de meses atrás? Será que uma planta
consegue fazer por mim o que eu deveria estar fazendo? Isso serve para todas as
ervas de uso ritualístico. Nunca farão por nós aquilo que nós mesmos não
faríamos. Prova disso, é que no meio do ano a gente nem "lembra" que está
carregando o louro, muito menos que planejou algo no réveillon.
Nesse caso, muitas vezes o Louro é associado a "não faltar dinheiro", mas
poderíamos lembrar que um bom planejamento de metas e objetivos e disciplina
para cumpri-los, leva a uma situação favorável no sentido econômico. É o
primeiro passo da vontade de cada um para que dê certo, e é aí que o Louro
entra. Essa energia viva, magnetizadora dos objetivos, que clareia os caminhos
em uma direção já definida; que ajuda cada um a lembrar (desde que queira) das
suas metas.
Nos nossos critérios de classificação, essa é uma erva FRIA OU ESPECÍFICA
(acompanhe no texto bônus mais sobre classificação). Erva masculina, não no
sentido de gênero, mas de atuação, sendo considerada realmente um imã de
energia material, física, atômica mesmo, catalisando assim o desejo de progresso
e crescimento.
Nós a associamos à vibração construtora, magnetizadora e iluminadora de
Oxalá. Energia leve, mas forte e potente na ação, pode ser usada em todos os
preparos desse Pai Orixá, e nos preparos de todos os Orixás onde seja necessária
uma ação intensa, de magnetismo firme e contundente para o propósito
desejado. Encontramos ainda a certeza (assertividade) de Pai Oxóssi, a
abundância natural do que é correto nas nossas vidas. Traz firmeza de propósito,
racionalidade e percepção reta, indicada como banhos e defumações para
pessoas que viajam nas nuvens da imaginação e são pouco realizadoras.
Ah, quase esqueci de falar, o Louro vem temperando nossos feijões e outros
pratos a séculos, e um ramo dele pendurado na cozinha garante harmonia,
prosperidade e panelas cheias o ano todo! Só não esqueçamos de fazer a nossa
parte, senão não há erva que possa nos ajudar!
Que as lindas vibrações do Louro nos abençoe e não nos deixe esquecer quem
somos!
Erva 14 – Capim Rosário
Capim Rosário, Lágrima de Nossa Senhora, Lágrima de Cristo, Conta de
Lágrimas, Capiá, entre outros nomes populares - Coix lacryma-jobi L

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. "Preto Velho senta no toco, faz o sinal da cruz, pede proteção a Zambi para
os filhos de Jesus... Cada conta do seu rosário, é um filho que ali está... se não
fosse Preto Velho, eu não sabia caminhar..."
Não tem como falar de Capim Rosário e não lembrar de Preto Velho, não é?
Com suas guias de contas, rosários feitos à mão pelos seus médiuns caprichosos,
a simplicidade explícita na figura do velho escravo que se libertou não só das
correntes do sinhô, mas das amarras do ego, da ilusão da matéria e da
necessidade de ter. Ele simplesmente é! Assim como essa poderosa erva
espontânea – chamada pelos jardinistas de daninha pois infesta nossos jardins e
terrenos baldios Brasil afora –, simplesmente vem chegando, se estabelece e não
precisa de muito alarde, nem show de cores, mas mostra sua força na
naturalidade da sua propagação.
Podemos dizer que é a "erva do bem", do exemplo para o bem, e assim ele é
se olharmos sua simplicidade e o exemplo que nos mostra: aparece discreto aqui,
num ato isolado. Daqui a pouco se propaga, ainda discreto, surge aqui e ali, e
tem força e domínio, sem precisar mostrar à mão esquerda o que a direita está
fazendo. Óia só eu filosofando bonito aqui! (risos)
Essa poderosa e tradicionalíssima erva com várias funções dentro do uso
ritualístico já foi mais encontrada nos nossos quintais. Hoje temos até mudas
comerciais, atendendo assim a necessidade daqueles que não tem contato direto
com a terra. E também já desperta interesse econômico pela qualidade dos seus
frutos (contas) na alimentação, na forma de farinha.

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Há muita história dessa pequena asiática naturalizada em terras tupiniquins,
desde sua origem até o uso indígena em adornos sagrados e artesanato em
geral, passando pelos tradicionais e misteriosos brajás ou fios de contas de
Rosário usados pelos mestres catimbozeiros, até sua perfeita adaptação na
Umbanda. Então, sobre tudo isso estamos falando das sementes, frutos na
verdade, que vão do branco até o preto, passando pelo cinza e castanho.
Mas pouco se fala das folhas do Capim Rosário, que para nós em banhos e
defumações fazem dessa planta uma incrível aliada nas curas e regenerações de
doentes. Sua energia luminosa e colorida que vai do branco cristalino até o lilás
profundo, passando por várias nuances de verde e amarelo, a habilitam às mais
variadas ações benéficas.
Suas folhas podem ser colocadas embaixo da cama de crianças com sono
agitado e pesadelos constantes, deixada por quarenta dias e depois retiradas e
devolvidas na natureza. O banho com as folhas é excelente para convalescência;
também pode ser associado a outras ervas em preparos para desenvolvimento
mediúnico, calma e tranquilidade. Eu particularmente gosto muito de colocá-la
em banhos para crianças, pois traz uma energia ímpar de Mãe Nanã, ou melhor,
com todo respeito, do colo de Vovó Nanã.
Dentro dos nossos critério de classificação, é uma erva MORNA OU
EQUILIBRADORA, associada, como já dito, à Mãe Nanã, Pai Oxalá e em faixas
frequenciais mais sutis a Pai Oxóssi e Mãe Iansã. E suas contas podem compor
elementos de trabalho de Pretos Velhos, Caboclos, Mestres Juremeiros, etc. etc.
etc, sempre com criatividade e muito respeito.
Esse é o nosso Capim Rosário, ou o nome que você quiser dar a ele!

Erva 15 - Peregun Roxo - Dracena Roxa


Cordyline terminalis (L.) Kunth.

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Há de se sentir a erva, perceber o que ela quer dizer, qual sentimento está
irradiando. Para isso, por instantes deve-se deixar de ser humano e participar do
universo da planta como ela é, entender seu psiquismo naturalmente subjetivo.
As plantas se comunicam conosco. Na década de 60, o chamado efeito Bakster
foi discernido no livro “A Vida Secreta das Plantas”, explicando como elas
"reagem" aos nossos estímulos e até às intenções de cortá-las, queimá-las ou nos
servirmos delas para o bem.
Os antigos sabiam dessas coisas de modo também subjetivo, ou seja, não
tinham conhecimento técnico de como essas coisas funcionavam, mas sabiam
que funcionavam, e sabiam como colocar em funcionamento, o que é mais
importante ainda. Da ancestralidade africana herdamos um infinito de saber, mas
se podemos absorver apenas uma ínfima parte disso, levando em consideração
que o conhecimento nessa cultura é privilégio dos iniciados nos seus ritos
religiosos, já é bastante para nos beneficiarmos com seus feitos sobrenaturais.
Para muita gente esse misticismo revela ignorância e falta de conhecimento. Para
quem o vive, revela um universo de sabedoria que não está ao alcance dos olhos
acostumados com os grande volumes dos livros científicos.
Nossa erva de hoje é o Peregun, especificamente o roxo, chamado também de
Dracena Roxa. Sobre os outros tipos de Peregun, o verde, verde-amarelo e verde-
branco, falaremos em outra oportunidade.
Seu nome vem da cultura africana e há algumas traduções simbólicas para
seu nome, entre elas: "aquela que chama os espíritos". Para mim, de uma forma

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bem simples adaptando os diversos fonemas e seus significados: a que chama o
movimento ou o movimento atrator. Não sou e nem pretendo ser versado em
línguas e traduções, simplesmente me sirvo dos nomes usados nas tradições e
que continuam a nos servir na prática ritualística, portanto vamos ao que
interessa, o que essa poderosíssima erva pode fazer por nós!
Há dezenas de tipos de Dracenas ou Pereguns, uma planta de grande
interesse paisagístico, e essa variedade "roxa" não é tão usada (ou pelo menos
falada) nos cultos de matriz africana, mas é de um poder e grandeza inigualáveis
no tocante a desinfecção de ambientes, onde as ações negativas tornaram o
astral tóxico ao espírito. Usar as folhas, destacadas e espalhadas pelo chão,
enquanto se defuma o ambiente com uma boa combinação de ervas quentes o
torna um poderoso fechador e anulador de portais negativos abertos por ações
religiosas (antigos portais de magia), indicado para casas antigas onde
funcionavam terreiros, ou locais onde se praticavam sacrifícios animais, etc.
Essas folhas são recolhidas após oito horas no mínimo e despachadas na terra,
numa mata ou jardim, fora de casa.
Pode ser usada também sob a sola dos pés para descarga de energias densas,
ou para pessoas impossibilitadas de tomar banho (acamadas por exemplo). Em
banhos, é um poderoso limpador purificador de energias mórbidas e doentias. Em
vasos plantados e consagrados às Divindades e suas Forças Naturais, é um
excelente protetor para o ambiente, filtro esgotador de energias enfermiças.
Seu padrão energético que vai do amarelo intenso ao roxo profundo,
passando vários tons de violeta, permite que seja associada às vibrações de
Mães Obá e Iansã, Pais Omulu e Obaluaiyê.
Eu comecei esse texto falando sobre a comunicação das plantas... pois é, hoje
no nosso roteiro teríamos outra erva, mas o Peregun Roxo me comunicou que
fazia questão de ser ele hoje, e não amanhã ou depois... Manda quem pode,
obedece quem escuta.

Erva 16 - Saião ou Folha da Costa - Kalanchoe


Kalanchoe pinnata (Lam.) Pers.

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As plantinhas desse gênero são aquelas encantadoras e duradouras que
compramos em vasinhos com preço "bem bom", e colocamos nas nossas casas
com a certeza de que, mesmo depois de semanas estarão lá, senão floridas,
prontas para se manter firmes até a próxima florada.
Suas folhas suculentas e agradáveis ao toque, são ao mesmo tempo sensíveis
e prontas para cair, mostrando sua força de germinação... Sim, elas germinam a
partir das suas folhas caídas, tornando-as incrivelmente autoregeneradoras. São
as chamadas de forma genérica de Kalanchoes (pronuncia calanxóes ou
calancoés), que tem em seu conjunto na natureza, dezenas de espécies. Folha da
Costa, Folha da Fortuna, Saião, Fortuna, Folha da Vida, etc, etc... O Aranto é um
desses exemplares exóticos, invasores vindo de terras africanas, as quais
devemos ter cuidado com a propagação para não causarem desequilíbrio no
nosso meio ambiente sul-americano, seja atraindo seres que predam outras
espécies ou intoxicando polinizadores de outras plantas nativas.
Para nós, chamadas de Folha da Costa ou Saião, independente de
encontrarmos dois tipos diferentes, uma de borda mais serrilhada (crenada), e
outra menos (K. brasiliensis), são imprescindíveis no uso ritualístico. Essa
poderosíssima folha de Oxalá aparece em diversos contos africanos e faz parte
da liturgia de todas as nações de candomblé. Seu nome nagô, Odundun remete
ao seu poder acalmador e preparador para os ritos específicos. Foi chamada por
Verger por seu nome ioruba Eletí.
O fato é que todas as folhas dessa natureza trazem a mesma vibração capaz

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de segurar e manter a potência energética das outras ervas constantes no
mesmo preparo, equalizando-as e tornando-as capazes de agirem da mesma
forma, em uma mesma faixa frequencial. Um exemplo é a preparação de
médiuns para amacis individuais, cada um numa vibração de diversos Orixás. A
Folha da Costa é perfeita para essa indicação, colocando todos num mesmo
objetivo. Ou na preparação de um corpo mediúnico para uma única vibração, de
um Orixá específico, a Folha da Costa serviria como normalizadora, ou seja,
colocaria todas as ervas do preparo na mesma vibração e propósito.
Seu pulsar energético é multicolorido, sempre bastante brilhante e constante.
Sua perfeita associação às vibrações de Pai Oxalá e Mãe Nanã, a coloca à
disposição de todas as outras Divindades, podendo entrar nos seus preparos com
excelência.
Regeneradora e curadora para os doentes, fortalecedora do espírito,
potencializadora das virtudes! Precisa falar mais da Folha da Costa? Ah, sempre
tem mais alguma coisa né!
Muito recomendada para o desenvolvimento mediúnico, assim como o boldo,
rosa branca e anis estrelado, proporciona iluminação e clareza para o chacra
coronal, e por consequência as ligações espirituais.
Fácil plantio, fácil manutenção, fácil propagação... e torna nossa vida mais
leve, próspera e saudável!
Gratidão Saião, Folha da Costa ou Fortuna! Traga luz para as nossas vidas,
abra nossos caminhos!

Erva 17 – Mamona
Ricinus communis L.

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Sempre que tenho a oportunidade de perguntar em aulas ou palestras: "de
quem é a mamona?", a maioria esmagadora das respostas é: “De Exu! Claro que
é de Exu!”. Porque assim foi aprendido e assim foi passado de uma pessoa para
outra, simplesmente não se importando o quando e onde surgiu esse saber.
Debruçar sobre esse assunto, de certo ou errado, é com certeza investir horas
e mais horas de pesquisas e conjecturas que levarão a lugar nenhum, pois a
partir do momento que algo é feito, se repete e mostra efeito, passa a ser
considerado correto e ponto. Mas temos que ir muito além do visível nos rituais
para entender o funcionamento dessa poderosa Euforbiácea, tóxica por definição
e extremamente útil nos interesses da indústria mundial. Para mim, quando
criança suas sementes não passavam de munição poderosa, interessante sim,
mas para as brincadeiras de rua! Tenho certeza que muita gente se identificou
agora!
Falando sério, vamos evocar os velhos itans, contos e cantos da cultura
ioruba, que se servem da história relembrada inúmeras vezes como verdadeiro
árbitro para resolver as questões do dia a dia, as disputas de opinião, e deve ser
aceita e nunca discutida. As lendas contadas pelos velhos babalaôs ou os griots,
mananciais de conhecimento e sabedoria ambulantes, trazem que "Exu come na
terra...", mas que fique claro isso não é literal. Assim como esse sagrado Orixá
não tem mil bocas. Mas absorve e anula como função fatoral divina, na terra,
elemento base e com suas mil bocas em todas as dimensões, conhecidas ou não,
engole no seu vazio tudo o que não deve ter lugar na criação. Por definição de

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estudo, o Mistério Exu engole nos seus domínios do vazio tudo o que é preciso
ser engolido.
Então como evocar Exu sem que ele "engula" algo? Usando um elemento que
dê base de plenitude.
Você pode estar lendo e relendo e pensando: “Uau! Quanta coisa esse erveiro
tá fando aqui, e não estou entendendo”. Ou: “Onde ele quer chegar?”
Vale lembrar, antes que chovam as críticas, que aqui não faço nenhum
tratado teológico ou explicativo de Orixás na Umbanda, nos cultos de nação, etc.
Aqui falamos sobre ervas e os por quês de algumas conexões com os Orixás.
Então continuemos:
Se oferenda Exu em agradecimento, ou pedido de algo que se precise,
forrando a base da sua oferenda, seja num alguidar ou diretamente na terra, com
folhas, inclusive de Mamona! E Mamona, essa poderosa erva quente associada a
Pai Oxalá em seu magnetismo positivo sustentador de quantas vibrações forem
necessárias, se tornou um elemento manipulado por Exu, que precisa desse
elemento para atuar com seu mistério na dimensão humana, de forma criadora,
sustentadora e mantenedora. É um "prato" para se arriar oferendas de Exus e
Pombagiras. Lembro que minha mãe colocava farofa nas folhas de mamona e
depositava na estrada, rua, linha de trem, enfim, para pedidos de prosperidade,
saúde e abertura de caminhos. Claro que também colocava marafo (cachaça) e
um bom fumadô (charuto).
Ufa! Daí vem a fama dessa erva! E é assim, a gente começa a falar de Exu, dá
uma vírgula a Ele, e ele "come" uma página inteira!
Voltando à Mamona, que tem a origem do nome no termo kimbundo
“mumono”, com influência da palavra "mamão", muito provavelmente devido à
semelhança das folhas.
Planta abundante em todo o Brasil, muito fácil de ser achada, em beiras de
estrada inclusive, é uma poderosa erva quente, capaz de esgotar processos
infecciosos provenientes do astral negativo e de energias enfermiças, que
possivelmente estejam minando a saúde de suas vítimas.

Também pode ser usada em banhos e defumações e de outras formas como


"cama de mamona": durante uma hora no máximo, forrando uma esteira ou
cama com suas folhas, cobrindo com um lençol branco, e deitando-se a pessoa a
ser tratada sobre esse lençol. Depois desse processo, devolvem-se as folhas para
a terra, num jardim, beira de mata, ou o local mais adequado na natureza. Esse
procedimento é interessante auxiliar para o tratamento de doenças
degenerativas. Pode-se associá-la a outras práticas como o reiki por exemplo.
Verde ou Roxa, sua potência limpadora é ímpar! Limpa em profundidade, cura
e combate as forças negativas voltadas contra a pessoa, casa ou local religioso.
Imantadora por definição, esgotadora por vocação, nos ajuda a vencer os
desafios cármicos facilitando sua assimilação.
Além das vibrações de Pai Oxalá, Pais Omulu e Obaluaiyê fluem nas intensas
ondas verdes arroxeadas dessa incrível planta que Deus Pai Criador e Mãe
Natureza permitem em nossas vidas.
Gratidão às Divindades aqui citadas, principalmente a Exu (olha ele de novo
aqui fazendo eu escrever mais... risos, ou melhor, gargalhadas). Laroyê!
Gratidão à Mamona e aos seres incríveis que respondem nas suas essências
vibratórias! Gratidão por toda cura!

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Erva 18 - Comigo Ninguém Pode
Dieffenbachia amoena Bull.

Não, não e não tomamos banho com Comigo Ninguém Pode! Na dúvida, mas
espero de coração que não haja dúvida, repita o nome dela e acredite que sim,
ela faz jus à sua reputação.
Há vários tipos desta incrível e perigosa planta ornamental, caracterizada por
diversos padrões de desenho nas suas folhas. Seu alto nível de toxidade a torna
responsável por milhares (isso mesmo, milhares) de acidentes domésticos todos
os anos, com crianças e adultos, e também com animais de estimação.

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Contém nas folhas, caules e raízes um componente identificado como oxalato
de cálcio, na forma de micro cristais, chamados também de "ráfides", que são
minúsculas lâminas ou agulhas que são liberados no simples toque, e podem
penetrar na pele e mucosas lesionando-as e resultando em uma resposta alérgica
de inchaço e irritação profunda. O contato com os olhos pode provocar danos
irreversíveis ao conjunto ocular. E, em caso de ingestão, esse inchaço na boca e
garganta podem obstruir a respiração levando a óbito. Mesmo assim é uma
importante planta ornamental, bastante comercializada pela sua facilidade de
manutenção e resistência. Não exige muita luz natural e vai bem em qualquer
cantinho da casa ou do jardim.
Responsabilidade acima de tudo! É importantíssimo saber dessas informações
antes de simplesmente colocar essa planta em casa para proteção. Mas vamos
ao lado bom do Comigo-Ninguém-Pode:
Já falamos que não a usamos em banhos em hipótese nenhuma, certo? No
entanto, podemos guardar com cuidado suas folhas secas e usá-las em
defumações para limpeza profunda. Tendo todos esses cuidados, sua presença
garante um filtro incrível de energias densas e acúmulos emocionais negativos
no ambiente. Protetora por definição, quando ativada e colocada na guarda de
nossas casas e locais religiosos. Ah, e como podemos fazer isso?
Com uma reza evocatória bem simples:
Amado Pai Criador, Sagrada Mãe Natureza, Sagrado Poder Vivo e Divino das
Ervas, Sagradas Forças Naturais, eu vos saúdo e peço respeitosamente que
abençoem essa planta, tornando-a viva e ativa, guardadora e protetora da minha
casa e da minha família, de todos os males da matéria e do espírito e de
investidas contrárias às virtudes. Peço que mantenha nesse ambiente as
vibrações benéficas de cura, caminhos abertos, saúde, segurança e proteção.
Amém, Assim Seja e Assim Será!
Dentro da sua convicção religiosa, acrescente evocações e pedidos pessoais
que não saiam deste caminho sugerido.
Associamos o Comigo-Ninguém-Pode às vibrações de Pai Oxóssi e Pai Oxalá
em especial, mas há outras nuances, como já descrito no texto da Mamona, que
devem ser levadas em consideração também. Com muito cuidado, respeito, bom
senso e amor, teremos nesta poderosa e tradicional erva ritualística, uma aliada
de peso significativo!
Se temos Comigo-Ninguém-Pode, temos guarda e proteção!
Que assim seja, é, e será! Gratidão às forças vivas da natureza vegetal!

Erva 19 - Alfazema - Lavanda


Alfazema - Lavandula dentata L.

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Então, é Lavanda ou Alfazema? É Alfazema ou Lavanda?
Entre diversas espécies e subespécies, centenas de opiniões e dezenas de
estudos botânicos, chega-se a conclusão que um dia uma dessas espécies de
Lavanda foi chamada de Alfazema, e a ela atribuído um valor sócio-econômico,
cultural e místico que logo foi adaptado a todas as plantas do gênero e... enfim,
tudo é Lavanda e tudo é Alfazema! Essa historinha é sobre a Europa, mais
especificamente Portugal, e chega aqui para nós num tempo longínquo... Desde o
tempo romano, onde a água do banho era perfumada com ela. Era usada para
curar feridas e hematomas e para repelir pulgas e piolhos. Na França, foram
cultivadas desde o século 17 para extração do seu óleo, usado na perfumaria até
hoje, além das suas propriedades terapêuticas.

Aqui no Brasil, há uma divisão que aconteceu há muito tempo atrás, fora dos
registros escritos, sobre essa diferença de nomes: os jardinistas, botânicos e
outras pessoas de olhar técnico sobre a planta, sempre a chamaram de Lavanda
e deixaram o nome Alfazema para os mais afastados desse ambiente de
conhecimento mais garboso. Então, os benzedeiros e as rezadoras, o povo de
santo e os místicos ficaram com a Alfazema, Arfazema, ou simples e
mineiramente falando a Fazêma. Só uma curiosidade também sem registro
nenhum, apenas minha memória visual e olfativa, minha mãe chamava Sálvia de
"alfazema branca", e a usava em defumação, que deixava aquele característico
"cheiro de terreiro". Talvez a mais falada, cantada e contada em verso e prosa,

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essa poderosa mediterrânea ocupa com louvor seu devido lugar no universo das
ervas aromáticas.
Aqui no Brasil há duas espécies básicas de plantio comum, e muitas outras
específicas na coleção botânica de cultivadores mais dedicados. Essas espécies
diferem pelo formato da folha, e algumas pessoas insistem em afirmar que esteja
aí a diferença dos dois nomes. Nossa Alfazema mais comum Lavandula dentata
L., caracterizada pelas folhas "serrilhadas", é a mais fácil de ser cultivada em
locais diferentes do Sul, onde naturalmente é mais frio e mais agradável para ela.
Outra Alfazema é a L. angustifólia Mill. ou L. officinalis Chaix, ou chamada
popularmente de Lavanda verdadeira, com folhas lisas e verde-esbranquiçadas.
Enfim, há de se prestar bastante atenção na identificação dessas ervas, pois
além da sua variedade, por serem bastante cheirosas, podem receber vários
nomes populares que a remetem à família dos alecrins e hissopos.
Todas tem flores incrivelmente perfumadas e que vão do cinza azulado até o
roxo, passando pelo rosáceo e lilás.
Para nós no trato ritualístico e de acordo com a classificação do Erveiro, é uma
poderosíssima erva MORNA OU EQUILIBRADORA, com um leque de cores
energéticas e campos de atuação incrivelmente diversos, que vão do branco-
cristalino quase transparente até o azul profundo como o céu... passando pelo
verde, rosa e um lilás incrível!
Suas principais vibrações a conectam com Mamãe Iemanjá e Oxalá, mas
nunca dispensando seus ponteiros voltados para Oxum, Oxóssi e Nanã... Seja
para o desenvolvimento mediúnico, para compor preparos de harmonia e
prosperidade, ou um acalentador colo de mãe. Fresca ou seca, desempenha seu
papel com destreza que fica acentuada em duas situações que faço questão de
destacar: é excelentíssima para ajudar na aceitação daquilo que não podemos
mudar e na aceitação de perdas irreversíveis. E como um paradoxo, é a erva da
gestante, mamãe e bebê. Indicadíssima para as pré-mamães, no período
gestacional todo e na preparação para o parto, e em sequência, a recém-mãe e
seu bebê.

A famosa "seiva-de-alfazema", perfume líquido muito cheiroso largamente


usado nos rituais religiosos garante seu funcionamento baseado na força da
egrégora, já falada por aqui em outras matérias. É indiscutível sua ação positiva
em todos os rituais dentro da Umbanda e outros meios místicos, não importando
se a industrialização a tornou mais sintética do que natural.
Uma erva “maternal” com característica harmonizadora, energia vibratória
tranquilizadora, não chega a ser um calmante espiritual, mas traz a paz de
espírito necessária à resolução dos problemas cotidianos e no específico à
aceitação e compreensão de perdas. Por essas qualidades é associada também
ao desenvolvimento e preparação de médiuns e conexão com a espiritualidade.
Além dos banhos e defumações, suas folhas e flores podem ser
acondicionadas em saquinhos de pano poroso e ser colocados sob o travesseiro
para proporcionar sono tranqüilo e reconfortante.
Essa é a nossa Alfazema, clássica, simples e objetiva, despertadora da fé e da
intuição. Ahhh eu queria mais e mais páginas pra falar dessa maravilha em
nossas vidas!
A benção a todas as mamães, a benção mamãe Alfazema! Olhem pelas nossas
vidas humanas e pelo nosso planeta abençoado! Gratidão de sempre!

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Erva 20 - Tabaco - Fumo
Nicotiana tabacum L.

Nossa erva de hoje é o Tabaco, ou Fumo, como é popularmente conhecido.


O uso do Tabaco como planta de poder, ritualístico e religioso, remonta nossa
história de descoberta das Américas. Foi aqui encontrada e levada para a Europa
e África e disseminada no mundo todo da forma que conhecemos. Quando
"Colombos e Cabrais" aportaram nas nossas Américas, encontraram um povo
nativo ancestral que já pitava seu tabaco, social, recreativo e sagrado-religioso.

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Temos alguns poucos tipos dessa folha que se destacam mais pela forma com
que são beneficiados, ou seja, como são colhidos, secos, fermentados ou
curados, e preparados para serem consumidos na forma de fumo em cigarros,
cachimbos e rapés de uso comercial. Os tipos de tabaco prontos para consumo
mais conhecidos são o Virginia, de coloração física mais clara que vai do amarelo-
dourado ao laranja-escuro, e que são os mais suaves com maturação mais rápida
e mais usados na indústria fumageira; e a qualidade Burley que vai do marrom-
claro ao escuro, maturação lenta e sabor mais acentuado, mais forte.
Aqui no Brasil temos as diversas regiões produtoras dos seus fumos de rolo ou
corda como também são chamados – Arapiraca (AL), Poço Fundo e outros
mineiros, e Sobradinho (RS) com sua diversidade incrível de fumos crioulos
(esses os meus preferidos), entre tantos outros.
Como sempre, vale lembrar que temos a responsabilidade de trazer
conhecimento simples e BENÉFICO a todos, e assim como fizemos com o Comigo-
Ninguém-Pode, não recomendamos nenhum tipo de uso que possa colocar em
risco a saúde e integridade de ninguém. Então, se alguém usa a erva da forma
contrária a que recomendamos é uma questão de escolha e consequência
pessoal... o que é bom para mim mas prejudica o outro, não pode ser bom para
mim. Que cada um encontre a SUA verdade! Aqui não fazemos apologia à prática
tabagista, que é viciante por definição e prejudicial à saúde, enfraquecendo o
sistema respiratório e favorecendo o desenvolvimento de tumores malignos pelo
seu uso contínuo, comprovados estatisticamente. Outra coisa importante: Fumo é
tudo o que se fuma. A Umbanda e os espíritos luminosos que a sustentam não
fazem uso de substancias psicotrópicas ilegais para seu trabalho. O respeito a
todo ser vivo, principalmente o indefeso, inclui a saúde e a integridade moral do
corpo mediúnico.
Para nós, no uso ritualístico e religioso, o Tabaco é poderosa erva QUENTE OU
AGRESSIVA, de espectro energético que vai do branco-esverdeado ao verde-
escuro, associando-a aos Pais Oxóssi e Oxalá e tradicionalmente manipulada
(com excelência) por Exu. Imprescindível nos processos litúrgicos, nas diversas
religiões da natureza, nos xamanismos e centenas de práticas indígenas
impossíveis de serem catalogadas aqui. Nos candomblés, é fundamental nas
feituras de alguns Orixás, variando a nação correspondente. Na Umbanda, seu
uso entra na própria presença do Preto-Velho e seu cachimbo, nos charutos de
Caboclos, Exus e outras entidades, e cigarros de palha de forma genérica. Usado
também na fundamentação de vibrações à Esquerda e para lavagem dos seus
assentamentos e ferramentas.
É um profilático do astral, e seu uso dentro desse contexto religioso (fumado)
remete a isso, limpar, proteger, dissolver larvas e miasmas nos corpos espirituais
mais [Link] que não o vemos como uso viciante, mas como uso
ritualístico mesmo. Um médium incorporado com uma entidade espiritual que
esteja usando um cigarro de palha, por exemplo, não irá “tragar”, ou engolir essa
fumaça para satisfazer o vício de fumar, mas tão somente puxar a fumaça e
baforar com ela, como uma projeção limpadora, e também protetora do médium
contra alguns ataques sutis que podem acontecer durante os atendimentos
espirituais.
Nos banhos e defumações, vamos encontrá-lo como verdadeiro profilático e
cicatrizador de corpos espirituais adoentados, para espíritos encarnados ou não.
Essa capacidade cicatrizadora também é observada no conhecimento terapêutico
popular. Poderoso cauterizador de feridas astrais, curando também espíritos
doentes cuja energia é usada para transferir sintomas de doenças para suas
vitimas.
Usa-se um pedaço de fumo de corda ao entrar na mata, como oferenda aos
seres guardiões da natureza vegetal, pedindo licença e proteção para entrar e
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sair em segurança. Deixado na terra, no pé de uma árvore à esquerda de quem
entra, junto com um punhado de farinha de milho ou mandioca, ou simplesmente
sozinho.
Assim como comentado no texto sobre o Peregun Roxo, para os doentes
impossibilitados de andar e tomar seus banhos padrão, as folhas de Tabaco
podem ser colocada sob os pés. Coloque a pessoa sentada em uma cadeira ou à
beira da cama, ou mesmo deitada com as folhas atadas nas solas. Uma folha de
fumo embaixo de cada um dos pés, faça a reza de ativação Pedindo a Deus Pai
Criador, Mãe Natureza, seu Poder Divino e Forças Naturais, que enviem a
purificação de todos os males e a cura mais adequada para aquela pessoa, e
mais saúde, esperança e fé para que se recupere o quanto antes. Além de pedir a
ajuda necessária aos médicos da matéria para que encontrem caminhos para sua
recuperação.
Eis o Tabaco-Fumo, e como sempre eu queria escrever mais e mais sobre essa
maravilha da natureza! Mas teremos outras oportunidades... Que tal falarmos dos
"preparos de fumo" e rituais de conexão? Um texto somente sobre as
combinações! Uhu, me animei!
Gratidão ao Pai Criador e Mãe Natureza pela permissão de trocar um cadinho
de saber sobre as plantinhas do mato! Vamos em frente! Gratidão imensa, ainda
e sempre!

Erva 21 - Capim Cidreira


Cymbopogon citratus (DC) Stapf.

49
Vamos começar falando de alguns dos seus nomes populares: Capim Santo,
Capim Limão, Capim Cidrão, Cidrilo, Chá da Estrada, Lemongrass, entre tantos
outros.
Importante não confundir com a Citronela (Cymbopogon winterianus Jowitt), que
mesmo aparentemente iguais, se diferem pelo cheiro: o próprio nome Capim
Limão determina seu aroma (e sabor) predominante; e a Citronela odor forte e
característico de repelente.
Sabemos que nome popular não tem dono e não se discute, então que cada um
encontre uma forma de tratar o Capim Cidreira, assim como eu escolhi, e nesses
casos em que as opiniões pessoais, guardado o bom senso, são aceitáveis, achar
que a escolha do outro está errada é um erro.
Lembro de uma ocasião em que fui dar aula de ervas no interior de SP, na
cidade de São Carlos, e alguém fez um panelão de chá de capim santo... E eu
sentia um cheiro forte de repelente no ar e não associei ao chá... rs... Só na hora
de beber que caiu a ficha: era citronela! Não fez mal pra ninguém e ainda
espantou os mosquitos!
Ah, vamos lembrar também que por "CIDREIRAS" são conhecidas outras ervas de
aroma cítrico: as Melissas (Melissa officinalis e Lippia alba), chamadas de erva-
cidreira, cidreira-de-folha, cidreira-de-árvore, etc.. Todas elas e inclusive o capim
cidreira são largamente utilizados na fitoterapia como calmantes sistêmicos, e
levam esse mesmo nome. Essas são assunto para outro texto.
Nativa do Sul da Índia é presença quase obrigatória nos quintais e hortas

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domésticas do Brasil, suas folhas usadas em chás e sucos bem coados antes do
uso, ou seus caules tenros comestíveis, a colocam no rol das "PANC", plantas
alimentícias não convencionais, e no grupo das populares mais conhecidas e
usadas.
Nosso tratado aqui não é para chás e outros preparos comestíveis ou
terapêuticos. É sempre bom antes de beber ou comer alguma planta, procurar
fontes confiáveis de orientação.
Um cuidado sempre importante de lembrar é que as folhas do Capim Cidreira
cortam como laminas e requerem atenção de coagem antes do uso para evitar
acidentes.
Dentro dos nossos critérios de trabalho com as ervas para seu uso ritualístico,
magístico e religioso, o Capim Cidreira é uma FRIA-ESPECÍFICA, que como já foi
explicado no texto bônus, tem campo de ação muito bem definido, mas no uso
genérico é uma equilibradora natural. (Veja o texto bônus já publicado).
Seu uso nos rituais de banhos, defumações e benzimentos, acompanha sua
reputação popular: é acalmadora por excelência. E por conseqüência, essa
tranqüilidade proporcionada traz resultados incríveis no campo da organização
pessoal e do ambiente.
Isso mesmo, o Capim Cidreira é uma erva de organização, de ordem! Mas faz isso
nos colocando com os pés no chão e respirando em profundidade para oxigenar o
cérebro e melhorar a percepção do que é necessário. Pronto! É isso que uma erva
calmante do espírito deve fazer, ao contrário do que muita gente pensa que
calma é sinônimo de leseira ou indolência.
A defumação com capim cidreira proporciona ao ambiente tranquilidade e
percepção, que levam à racionalização e entendimento das melhores opções
para tomada de decisão, e também para a preparação de locais religiosos antes
de cerimônias. Banhos devem ser administrados para tranquilizar o espírito;
aceitação de situações irreversíveis e desenvolvimento mediúnico. Nos quartos
das crianças, para diminuir o medo e acalmar, pode ser usada em bate-folhas ou
debaixo dos colchões.
Sua energia certeira e organizadora a coloca nas vibrações de Pai Ogum e Pai
Oxóssi, por mais incrível que pareça! Sim Pai Ogum é ordem, e não apenas
guerra e batalhas... É com calma, organização e firmeza que se vence as
batalhas da vida! Sem "ordem" não há progresso!
Que as vibrações organizadoras e tranquilizadoras possam nos envolver
nesses dias difíceis que enfrentamos, trazendo entendimento do que é
necessário, razão e consciência!
Gratidão infinita aos Mistérios Divinos da Lei e da Ordem! Progredir sempre!
Gratidão sempre!

51
Erva 22 - Dandá - Junça
Dandá da Costa – Tiririca – Cyperus rotundus L.

O Dandá da Costa, ou simplesmente Dandá, é o nome africano dado aos


tubérculos ou "batatinha" dessa planta conhecida como "Tiririca", esse matinho
infestador de jardins e plantações que tira o sono de muita gente, pois se
desenvolve com velocidade e força, e é de difícil controle, considerado
tecnicamente uma praga. Portanto, não chamamos a planta toda de Dandá, mas

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sim sua parte que fica subterrânea.
Há dezenas de espécies do gênero Cyperus, e de acordo com seus locais de
infestação, todos chamados também de Tiririca. Podemos encontrá-los todos com
diversos nomes populares como Junco, Junçá, Junquinho, Três-quinas, Tiririca
amarela ou vermelha. Sua alta capacidade de infestação a coloca como a planta
daninha mais nociva de todo o mundo, pois se propaga em todo tipo de solo e
clima, exceto nos campos inundados para lavoura de arroz. Ainda para a lavoura,
é uma perigosa inibidora da brotação para algumas culturas.
Eu cresci ouvindo sobre mitos em relação ao Dandá. Principalmente que não
se podia com ele, pois é erva de muita força e conexão com Exu. Então, se
encostasse na cabeça traria desequilíbrio e loucura. Além de não poder ser
manuseada por qualquer pessoa. Enfim, o tempo passou, eu cresci e conheci
outros meios religiosos e percebi que as atribuições feitas ao Dandá não eram
muito diferentes, mas caiam em verdadeiros paradoxos: ao mesmo tempo que
poderia ser essa erva perigosa ao manuseio, a ela também se associava a
atração pessoal e material (financeira mesmo), a sacralização de objetos de
poder; portada nos velórios como afastadora de "eguns", os espíritos dos mortos
e de outras más influências.
Pesquisando, percebi que houve uma mistura de mitos do Dandá e de outra
erva prima-irmã dessa: a Priprioca ou Piripirioca (C. articulatus)! Essa última
nativa das regiões amazônicas, de rara infestação, portanto cultivada com
controle, e largo uso na fitocosmética e medicina popular regional. Há inclusive
grandes empresas do ramo que usam a "Priprioca" e seus incríveis óleos
aromáticos em sabonetes e águas de cheiro. Há muitas lendas nativas sobre essa
planta e seu surgimento. Nos mercados populares do Norte e Nordeste, essa sim
é sugerida e vendida como atrator de dinheiro, amor, caminhos abertos, etc.,etc.
Já o nosso poderosíssimo Dandá, de cheiro de terra mesmo, concentra uma
energia limpadora incrível. Exímia anuladora de vibrações inferiores e de
elementos materiais usados em magias negativas. Anula e esteriliza em
profundidade energias condensadas pelo uso de elementos animais e suas partes
(sangue, ossos, etc.), assim como paralisa as ações de rezas malignas e
encantamentos. Usada em assentamentos, firmezas e proteções, oferendada às
vibrações da Esquerda da nossa Amada Umbanda, os Senhores e Senhoras Exus
e Pombagiras, com todas essas funções protetoras e desagregadoras.
Além dessas vibrações, conecta-se energeticamente com Pais Ogum e Omulu,
e Mães Obá e Iansã, podendo, em todas essas nuances, ser ativada em sua
capacidade esgotadora em profundidade de magias inteiras, seus elementos,
ordens mágicas e seus ativadores.
Além dos amuletos e firmezas, podemos usar o Dandá em banhos e
defumações. É legal cortá-lo com uma tesoura de jardim ou triturá-lo para um
melhor aproveitamento. Por se tratar da parte dura da planta, pode ser fervida
(banhos), e também usada em pó nos preparos ou assoprada nos cantos da casa
para limpeza e proteção.
O caminho do despertar da consciência nos permite extrair dos mitos o
conhecimento, esse sim, que preenche as lacunas do desconhecido. Conhecer as
ervas é importante, ter sabedoria para usá-las é vital!

Erva 23 - Erva de Santa Maria - Mentruz


Chenopodium ambrosioides L.

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Mentruz, Mastruz, Mastruço, Ambrósia, Erva-Santa, Chá-do-México,
Lombrigueira, Cola-Osso, Quenopódio... E não adianta discutir ou brigar, nome
popular é assim mesmo, e quem o usa tem razão sobre ele! De qualquer forma
que você chamar essa planta em algum lugar do mundo ela será reconhecida,
afinal é considerada uma das mais utilizadas entre os remédios da farmacopéia
popular, segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde (H. Lorenzi-2002).
Chama a atenção pelo cheiro forte e peculiar, agradável mas não unânime,
espontânea e invasora pouco cultivada, mas de relevância ímpar nas hortas,
jardins ou terrenos baldios onde cresce sem ser chamada. No mercado de ervas,
nas hortas e na linguagem dos mateiros, o nome Mentruz é mais comum e faze-
se melhor de entender. Mas para mim, é nome de santa, nome de mãe, nome de
Maria.
Mesmo que seu aroma não agrade a todos, é indiscutível que traga aquela
recordação de casa de vó para alguns de nós, os nascidos nos últimos trinta a
quarenta anos do século passado (nossa parece bastante né rs). É
verdadeiramente colo de mãe, de avó, acolhedora e curadora por excelência.
Sua capacidade curativa explícita no uso cotidiano, se oculta no uso
ritualístico, exigindo de quem a manipula certa coragem e destreza para colocá-
la em funcionamento. Por isso, não é uma erva tão comum nos banhos e
defumações, seja na Umbanda ou outros meios místicos.
A Erva de Santa Maria seca e queimada em carvão não libera um perfume tão
intenso quanto ela fresca usada em banhos. Sua conexão energética, magnética

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e vibratória, a remete aos elementos água e terra, portanto sua natural ligação
com as Sagradas Mães Aquáticas e também nosso Sagrado Pai Obaluaiyê. A cura
das águas! Olha só que incrível: a vibração de Papai Obaluaiyê é terra-água,
então um dia essa erva me contou que age como uma profunda curadora, de
dentro para fora, com a firmeza da terra e as ondas fluídicas das Divindades das
Águas, em conjunto.
Por cura, entendemos as transformações necessárias para se continuar o
caminho evolutivo. Muitas vezes somos retidos numa lição da vida, até aprender
antes de continuar o caminho, aí encontramos as vibrações de Mãe Nanã,
senhora das águas (quase) paradas, o lagos. Por regeneração, encontramos as
águas salgadas de Mamãe Iemanjá, trazendo vida; e por fluidez e renovação, as
águas doces e rápidas dos rios e cachoeiras de Mamãe Oxum! Lindo isso, né?
Falo dessas Mães e Pais Orixás com liberdade, para nossa simples
compreensão e aqui não com "pegada" teológica, portanto leia com o coração e
compreenda com a alma. Para nós, é uma erva FRIA OU ESPECÍFICA, curadora por
definição! (veja mais sobre classificação no texto bônus 1)
Resumindo a ação da poderosa Erva de Santa Maria: ela é capaz de despertar
o curador interno, ou auto-curador que existe em cada um de nós. Na forma
principal de banhos, ou benzimentos, faz com que nossos corpos espirituais
vibrem frequências curadoras de dentro para fora, como foi dito.
Gosto muito de recomendar Erva de Santa Maria para pessoas doentes, em
tratamento longo que requeira paciência e aceitação, ou convalescentes que
estejam desanimados com a demora da cura, e também aquelas pessoas que
desistiram de se curar.
Essa é a Erva de Santa Maria! "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, seus
filhos nem sempre conscientes do Seu Amor!

Erva 24 abre caminho


Lygodium volubile Sw.

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Seremos bem genéricos e nada técnicos para definir essa incrível planta: uma
samambaia do mato! Como todas do gênero não florescem e tem como
particularidades o crescimento na terra (é terrícola), ao contrário do que se pensa
que cresce em árvores, apenas se apóia nelas se for necessário.
Nos apoiamos na definição dos nomes, popular e científico na base do
"Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira - SiBBr", que define que
o Lygodium Volubile é chamado popularmente de Abre-Caminho.
Essa poderosa erva trepadeira é nativa e muito abundante na Mata Atlântica e
faz jus ao nome popular atribuído a ela. Não é encontrada no comércio de plantas
e mudas, e depende da extração por mateiros conhecedores da arte e venda nas
feiras livres Brasil afora. É abundante e com boa observação é possível encontrá-
la espontânea nas beiras de mata.
Entendemos “abrir caminhos” como melhorar o astral a ponto de aproveitar
as oportunidades que acontecem e, às vezes estamos tão envolvidos com os
problemas cotidianos que não as percebemos. Essa erva, que no nosso sistema
de identificação é classificada como MORNA OU EQUILIBRADORA, literalmente
nos deixa ligados no que interessa, aguça nossa percepção, e por consequência
atrai a boa sorte. Melhora o ânimo para a solução das dificuldades do dia a dia.
Um verdadeiro levantador de astral, como toda samambaia!
Pela sua capacidade expansora, também é usado na cabeça, na forma de
“coroas”, para iniciação (coroação) de médiuns, e imantação nas vibrações de Pai

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Oxóssi e Pai Ogum, que por definição acompanham essas energias. Seu
gradiente de cores energéticas é verde, verde, muito verde!
Os nomes chamados genéricos – abre caminho, abre tudo, quebra demanda,
etc., vem sendo usados há muito tempo como forma de definir energeticamente
o padrão de funcionamento de uma erva. Deve-se tomar cuidado com a definição
da erva a ser usada e sua procedência para não sermos enganados por pessoas
mal intencionadas que só procuram comercializar alguns “matos” sem critério.
Ufa, é isso, como sempre tem mais pra ser falado sobre essas ervas, mas por
hoje está bom! Esperamos ter esclarecido e diminuído um pouco a confusão
sobre essas maravilhosas ervas, cada uma senhora do seu campo de ação.
Observem as fotos, identifiquem corretamente o que tem no seu jardim, e seja
criterioso para adquirir ervas. Conhecimento é libertador e a única coisa que
ninguém tira de nós!
Gratidão Pai Criador, Mãe Natureza, Poder Vivo e Divino e Sagradas Forças
Naturais!
Que sejam quebradas as demandas nas nossas vidas e que nossos caminhos
sejam abertos! Amém! Assim seja e assim será! Gratidão Imensa! Muito
obrigado, muito obrigado, muito obrigado!

Dia 25 - Quebra-Demanda –
Justicia gendarussa L.

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Ao dedicar esse espaço conjunto para duas ervas de uma só vez, quero
"tentar" dissolver uma confusão incrível criada por nomes populares parecidos
para ervas muito diferentes, tanto do ponto de vista da jardinagem e da botânica,
como sob o olhar energético, magnético e vibratório.
No Brasil todo são muitas as ervas chamadas por esses dois nomes e muitos
outros que remetem à mesma vibração: Quebra-Demanda, Vence-Demanda,
Vence-Tudo, Quebra-Tudo, Corta-Demanda, Desata-Nó, Tira-Inveja, Comigo-
Ninguém-Pode-Africano, Sai-Azar, etc., etc.,etc. Nós, dentro desse trabalho já
identificamos algumas delas de forma regional, e essas duas que separamos para
falar por aqui são as mais usadas, pela facilidade de se encontrar e pelo
conhecimento disseminado.
Essas duas em especial tem um histórico em comum que seria engraçado se
não fosse prejudicial ao bom entendimento das coisas, vejam só:
- O Quebra-Demanda (Justicia gendarussa) é ornamental, encontrado nas casas
de jardinagem na forma de mudas ou compondo vasos de sete ervas. De facílima
propagação, pega na terra e na água, e é bastante resistente à falta de
iluminação natural, sendo usado até para cerca viva ou divisor de ambientes em
jardins.
- Eu, por pura curiosidade, já perguntei nessas casas de comércio de mudas o
motivo de chamarem-na de "Abre-Caminho", sendo que é conhecida por Quebra-
Demanda. Bom, a resposta mais sincera que ouvi, depois de ser praticamente
ignorado por trás de diversos "não sei", é que eles perdiam vendas para certos

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clientes de algumas denominações religiosas que deixavam de comprar a erva
chamada Quebra-Demanda por "não ser de Deus", mas a MESMA erva chamada
"Abre-Caminho", aí sim tinha benção... Então, para não perder a venda... Bom,
vocês já sabem o final da história né? Aí um vai repetindo, o outro copiando e
enfim, daqui a pouco todo mundo chamando o Quebra-Demanda de Abre-
Caminho.
Se, por um lado podemos afirmar com simplismo que o que pode quebrar as
demandas tem poder de abrir os caminhos, pelo lado da coerência se gerou uma
confusão sem fim.
Estabelecer um ponto comum, uma forma simples e mais geral possível de
chamar uma erva, diminui a possibilidade de erro, então chamamos oficialmente
de Quebra-Demanda a Justicia gendarussa! Uma escolha pessoal, sem medo de
errar ou querer reinventar a roda, para realmente facilitar as nossas vidas.
Dentro do nosso trabalho, o Quebra-Demanda é classificado como uma erva
QUENTE OU AGRESSIVA, o que justifica seu nome, associado às vibrações de
Papai Ogum e Mamãe Iansã, e que pode ser usado em banhos e defumações,
fresco ou seco, mas nessa última forma é de pouco aroma, portanto ao natural é
preferível nos banhos. Como já dito, compõe com maestria os vasos de sete
ervas principalmente pela sua durabilidade. Suas flores são discretas e delicadas
e seus galhos ficam por semanas em arranjos acomodados em recipientes com
água, chegando a enraizar e podem ser transportados para a terra sem traumas.
Anula e repele vibrações negativas de inveja e mau-olhado, são discretas,
verdadeiros "seguranças" que protegem sem chamar a atenção.
Aliás, esses vasos com Quebra-Demanda plantados são excelentes presentes
acompanhados de desejos de proteção! Olha a dica, às vezes é difícil presentear
seu amigo(a) místico ou esotérico, não é? Esse é o Quebra-Demanda (veja na
imagem).

erva 26 - Losna –
Artemisia absinthium L.

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Se você quiser conhecer e nunca mais se esquecer da Losna, basta colocar
algumas folhinhas na boca e mastigá-las com vontade, deixando seu sabor
convencer suas papilas gustativas de que a experiência poderia ter sido
dispensada! Brincadeiras à parte, é sim amarga, mas deliciosa – na minha
opinião é claro! Seu amargor característico não combina com a dedicação do seu
nome à Deusa Grega Ártemis, cuja deferência deu origem ao seu nome botânico
"Artemísia". Divindade da caça, protetora da vida selvagem e do saber.
Desse gênero, observam-se diversas espécies, mas com essa característica de
sabor e odor, apenas a variedade "absinthium" permanece. Os outros tipo de
artemísias são tão incríveis quanto e merecem ser objeto de estudo
personalizado, pois gozam de grandeza suficiente para mais páginas e tem seu
lugar garantido no nosso herbário ritualístico. Dessas, destacamos a A. vulgaris
e A. camphorata.

Originária da Europa e da Ásia, suas propriedades e características


fitoquímicas deram origem a uma bebida que leva seu nome qualificador, o
Absinto. Essa clássica bebida foi proibida em diversos países no início do século
20. A também chamada "fada-verde" foi condenada pela alta graduação
alcoólica, por causar rápida dependência, problemas no sistema nervoso e,
teoricamente, psicose e alucinações, entre outras doenças, mas principalmente
porque ao seu consumo regular foi atribuído o aumento da violência. Com o
passar do tempo, foi-se constatando que não era exatamente a bebida, mas todo

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um conjunto de fatores, proporcionando condições de ser novamente fabricada.
Aqui no Brasil, o absinto voltou a ser comercializado no final do último século.
O conhecimento é libertador. Mesmo sendo o lado negativo de um subproduto
dessa planta, acho importante saber os "comos e porquês" da história, pois assim
saberemos discernir quando algum desavisado atribuir funções negativas à nossa
querida Losna, por superficialidade ou falta de conhecimento mesmo.
Para nós, o que interessa é que essa poderosa erva MORNA OU
EQUILIBRADORA faz com justiça seu trabalho nos banhos e defumações aos quais
é adicionada. Entre outras vibrações, as de Mãe Iansã e Pai Oxumaré presentes
nessa erva com seus lindos tons de esverdeados a aturquesados, espiralando em
ondas amarelo-pálidas, tornam-na uma poderosa direcionadora, movimentadora
e renovadora de energias de pessoas e ambientes. É indicada quando se faz
necessária energia para tomada de decisões rápidas e precisas, compreensão
para mudanças compulsórias e quando precisamos de força e coragem para
transformações urgentes. Nos "amacis" coletivos é usada combinada com ervas
de outros Orixás para melhorar a percepção e incorporação mediúnica.
Linda por excelência e exuberância, encanta os nossos jardins e hortas e
responde por diversos nomes populares regionais como: Losma, Absinto, Losna-
Maior,Acinto, Artemísia, Erva-Amarga, Ambrosia, Amargosa, entre outras.
Se um dia você encontrar um arbusto de Losna, o reverencie, abrace
carinhosamente e sinta seu frescor e aroma saudáveis. E, e se tiver coragem,
faça o que falamos no primeiro parágrafo, mastigue algumas folhinhas e deixe-a
te levar do amargo ao doce sabor da natureza! Sinta, simplesmente sinta! É
magia, é a "fada-verde", é o poder do simples!
Muita gratidão, caminhos de renovação e consciência para todos nós!

Erva 27 - Macela –
Achyrocline satureioides (Lam.) DC

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A maioria das pessoas que entra pela primeira vez no mercado público de
Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, fica, no mínimo, curiosa para saber o que são
aqueles maços de florzinhas amarelas cor de palha em quase todas as bancas de
hortifruti e nas casas de artigos religiosos. Da mesma forma que os que, como
eu, adoram viajar de carro, se encantam com essa plantinha que acompanha por
quilômetros as beiras de plantações nas estradas, principalmente no Sul do país,
de onde é um dos seus símbolos oficiais.
Macela, Macela-do-Campo, Marcela, Macelinha, Alecrim-de-Parede, Chá-de-
Lagoa, Carrapichinho-de-Agulha, Camomila-Nacional... Nossa, quantos nomes
populares! E tem um bem curioso expresso num dialeto alemão-riograndense:
Karfreitachstee, ou no padrão: Karfreitagstee, que numa tradução livre significa
"Chá da Sexta-feira Santa", o que justifica a tradição de colher as flores de
Macela nesse dia santo, antes do sol nascer, afirmando-se que seu poder
medicinal e energético está mais concentrado. Pelo menos um pequeno
ramalhete dessa Macela colhida permanece nas casas até o próximo ano como
símbolo de harmonia e boa sorte.
Considerada pelos agricultores uma planta daninha, infestadora de pastagens
e plantações, é queridinha na medicina caseira tanto no Brasil como em outros
países da América do Sul. Os famosos "travesseiros de Macela", enchidos com
suas flores secas e bem cheirosas, garantem para crianças e adultos um sono
mais tranquilo e regenerador, e melhor respiração. São indicados também para
quem tem enxaquecas.

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No sistema de classificação do Erveiro, é uma erva MORNA ou
EQUILIBRADORA, mas tem requintes de FRIA-ESPECÍFICA, pois transita nos
campos de ação da tranquilidade espiritual com louvor. (Veja mais sobre
classificação no texto complementar bônus 1.)
Sua cor e pulsar energéticos acompanham o que é captado pelos nossos
sentidos. As retinas interpretam com a incidência de luz o amarelo ouro, o ouro
de Mamãe Oxum, e nosso tato e olfato rememoram até o lilás envelhecido de
Vovó Nanã! Lindo isso, não é?
Linda é a Macela e o que ela traz de poder tranquilizador e relaxante,
verdadeiro mergulho em águas tranquilas, ou o aspergir da chuva numa tarde
quente concentrados num banho da cabeça aos pés, respirando fundo seu vapor
e após mantendo-se em silêncio, por alguns minutos. Um bom caminho para se
ouvir a "voz interior".
Esse processo de respirar o vapor da Macela antes do banho é excelente para
aliviar dores de cabeça de "fundo espiritual" e curar espíritos sofredores
atrelados ao nosso campo astral, assim como os obsessores necessitados dessa
medicina da natureza para que reencontrem o ser divino em si e possam ser
acolhidos pelos mecanismos da Lei Divina que os recolocarão em suas rotas de
evolução. Poderosa aliada nos processos de cura, para adultos e crianças, e para
essas últimas, em especial, excelente acalmadora e aliviadora do sofrimento
causado por doenças de tratamento longo e desgastante.
Além de tudo isso, ainda ajuda na recuperação da autoestima, para homens e
mulheres se sentirem mais "bonitos e atraentes" para si mesmos!
Ah, eu acho que vai ter bastante gente querendo tomar banho de Macela! A
gente encontra no comércio de ervas secas e farmácias de produtos naturais.
Não se esqueça de adquirir produtos de boa procedência, identificados e com
nome científico correto!
E que os seres naturais da Macela nos irradiem suas essências espirituais
acalmadoras do espírito para que a gente possa compreender as necessidades
desse momento. Muita gratidão, ainda e sempre!

Dia 28 - Eucaliptos
Eucalipto Comum - Eucalyptus globulus
Eucalipto Cheiroso - Eucalyptus citriodora
Eucalipto Ornamental - Eucalyptus cinérea

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Entre 1995 e 1999, quando esse conhecimento sobre uso ritualístico de ervas
estava sendo formatado, ainda nas primeiras experiências pessoais e muito longe
de eu imaginar que seria essa a minha vida, o Eucalipto foi uma das primeiras
ervas que "conversaram" comigo. Abundante e muito fácil de achar aqui na
minha região, o ABC paulista, era erva constante nos banhos e defumações os
mestres espirituais me orientavam a fazer. Só não foi mais presente que a Sálvia
e o Pinhão Roxo, as ervas mestras de contato energo-magnético e vibratório.
Conversar com o Eucalipto (e com todas as ervas que quiseram se comunicar) foi
importantíssimo para todo o aprendizado.
Abundante praticamente no mundo todo, essa grande espécie tem uma
característica peculiar: todos os mais de seiscentos tipos de Eucalipto tem origem
na Australia! Já foi amado e considerado a solução para as questões de
desmatamento, combustível (carvão e madeira), e também já foi odiado por se
nutrir de mais água do que o ambiente podia oferecer, matando assim a
biodiversidade nativa.
Aqui no Brasil há diversas tipos de Eucalipto, mas vamos citar três em
especial porque são os mais comuns e fáceis de achar: Eucalipto "Globulus",
também chamado (erroneamente) de Eucalipto-macho, com suas folhas largas e
pouco cheirosas, exceto quando colocadas na água. É rico em óleo e
importantíssimo para a indústria de higiene e limpeza. O Eucalipto "Citriodora",
ou Eucalipto-cheiroso, rico em componentes voláteis, ao toque das mãos recende
um incrível aroma cítrico. E o Eucalipto "Cinerea", de caráter ornamental, é

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diferente dos dois primeiros, suas folhas são em formato de lança, ou outros têm
as folhas arredondadas, mas tão cheirosas que o torna inconfundível e bastante
presente em buquês e arranjos florais.
Eu particularmente trabalho há anos com esses três tipos mais comuns, e é
isso o que nos interessa. Saber para que serve cada exemplar das mais de seis
centenas além de impossível, é totalmente dispensável. Então, tudo o que
dissermos aqui valerá para todos os tipos de Eucalipto, certo? Todos respondem
nas mesmas faixas frequenciais, então, falar de Eucalipto é falar de todos os
tipos.
Dentro do Sistema de Classificação do Erveiro, o Eucalipto é uma erva
QUENTE OU AGRESSIVA, de particularidade ímpar também. Muito poderosa na
limpeza e desinfecção astral, além da dissolução de acúmulos causados por
campos de energia e magnetismo densos, gerados na linha do tempo, ou seja, de
magias antigas, decretos e praguejos que criam ou ativam portais negativos que
se mantêm vivos por tempo indeterminado e se reativam naturalmente ou pelo
comando do seu ativador.
Um verdadeiro esterilizador das fontes geradoras e replicadoras de padrões
negativos, é excelente coadjuvante nos tratamentos para clareamento, resolução
e libertação de situações cármicas e de traumas inconscientes, desta e de outras
vidas. Ajuda a se desacorrentar de medos, culpas, vícios e manias nocivos à
evolução.
Nós o associamos às vibrações do "Tempo", e às Divindades Mães Iansã e
Logunã, e Pais Ogum e Oxóssi, entre outros. Seu pulsar energético atemporal
remete do prata-azulado ao verde-critalino, formando espirais maravilhosas e
envolventes, altamente purificadoras e magnetizadoras.
Além do uso comum em banhos, defumações, bate-folhas e cobertura de
chão, pode ser usado para forrar camas de cura para aplicação de passes
energéticos. Colocado embaixo do colchão por quarenta dias e rezado para que
seja força viva fechadora de portais para realidades inferiores, é excelente ajuda
para se livrar de vícios e ações negativas reincidentes, desmagnetizando-as
definitivamente.
O Eucalipto é uma daquelas ervas que eu queria falar e falar, e falar muito
mais. Mas temos tempo pela frente, então, deixe espaço nas suas anotações que
vem mais coisas por aí!
Queria eu poder fazer um grande banho de Eucalipto para desinfetar o mundo
todo desse vírus que nos assola. Como não é possível, rezemos aos Mistérios da
Natureza para que enviem os seres capazes de se alimentar dessas coisas ruins
que tem por aqui e dejetá-las nos locais apropriados do Universo, de onde não
possam causar mal algum.
Que assim seja feita a Vontade de Deus Nosso Pai Criador, expressa em Mãe
Natureza!

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Dia 29 - Calêndula
Calêndula - Calendula officinalis L.

Essa Calêndula é uma "maravilha"! Esse trocadilho serve para lembrar um dos
nome populares dessa planta: Maravilha, e também "Malmequer" em algumas
regiões. Uma margaridinha amarelinha, linda linda! Margaridinha é por minha
conta, pois não é uma "Margarida", mesmo pertencendo à mesma família
(Asteráceas), e parecendo com as diversas flores do campo amarelas que temos
na diversidade das ornamentais.

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Na história das culturas e tradições, aparece junto ao povo grego e sua relação
com a energia do sol. Curiosamente ela se fecha no ocaso e volta a se abrir
quando os primeiros raios da manhã aparecem. Seu nome tem origem do latim,
tem a ver com o primeiro dia de cada mês e o próprio nome "calendário", que se
ralaciona com o ciclo solar. Assim, pela sua força e poder, a Calêndula conquistou
espaço na medicina popular desde a Idade Média. Hoje, algumas espécies de
Calêndula são cultivadas com fim comercial e entram na fabricação de
cosméticos e fitomedicamentos com um leque enorme de aplicações.
Vale reforçar que aqui sempre focamos no uso ritualístico, religioso e
magístico da ervas que comentamos, então, se é esse nosso objetivo, vamos a
ele!
Queria eu que tivéssemos a possibilidade de "sensibilizar" as publicações para
poder dividir com todos essa força perceptível pelo olfato e pelo tato em suas
pétalas de toque macio e agradável. Nós a encontramos principalmente no
comércio de ervas secas e embaladas e nas farmácias de produtos naturais.
Procure adquirir observando a procedência e a responsabilidade.
As cores, que vão do amarelo pálido ao laranja forte, determinam fisicamente
sua característica energizadora por excelência. A cor do sol intenso, da energia,
da explosão de força movimentadora. Suas características de energia e
magnetismo a associam com as Mães Orixás Oxum, Iansã e Egunitá, e também
com Pai Xangô.
Ao mesmo tempo é leve e muito agradável nos banhos e amacis, em que é
usada no seu aspecto religioso e magístico para estimular a energia em pessoas
com apatia, desânimo, falta de vontade, e aquelas que precisam e queiram
reagir, sair de uma situação ruim que esteja cômoda. Isso mesmo, nós seres
humanos tendemos a nos acomodar em situações ruins também, por achar que
não há saída, ou que as coisas são "assim mesmo"... Vale a reflexão.
Seja em banhos ou saches para respirar profundamente, é excelente para
convalescência ou seja, recuperação de doentes. Veja dica para respirar o vapor
no texto sobre Macela.
É também uma poderosa aliada na cura de campos astrais que foram
deteriorados, alvos de ações negativas, e que estão em regeneração, pós-
tratamentos de limpeza energética.
Na associação com outras ervas, aumenta a permanência da vibração e dá
equilíbrio ao conjunto do preparo.
Que seja sol nas nossas vidas, clareza para os nossos olhos, energia para
nosso espírito, ó Sagrada Calêndula! Saudamos seu espírito vivo e suas forças
naturais!

Erva 30 – Angico
Angico - Anadenanthera peregrina (L.) Speg. - (entre outras)

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Temos falado por aqui de todo tipo de erva e suas partes: folhas, raízes, flores
e agora vamos de cascas! Que tal o Angico? Então, vamos de Angico!
Algumas pessoas me perguntam sobre essa nossa definição de erva. Bom, para
nós, por uso coloquial da palavra, tudo é erva! Não falamos em uso ritualístico –
"tome um banho de raízes, ou de sementes", e sim de ervas, independente se
nesse banho tenha raízes, folhas ou cascas. Então, por definição, chamamos de
erva todo elemento vegetal que pode ser usado em banhos, defumações e
benzimentos. Na botânica, erva é a planta que cresce de forma "herbácea", mas
esse é outro assunto né?
Nosso Angico é árvore, e das grandes! Por Angico encontramos a definição de
diversas árvores e seus qualificadores: Angico- branco, Angico-vermelho, Angico-
liso, Angico-do-cerrado, e outros nomes populares como, Maricá ou Jurema-
branca (nomes que se adequam melhor a outras espécies), e Paricá ou Yopo –
cujos nomes são conhecidos nos meios indígenas e xamânicos mais pelo preparo
de rapé feito com suas sementes e aplicado em cerimônias com as chamadas
"medicinas da floresta", do que pela planta propriamente dita.
Conhecemos o Angico também na forma de cachimbos ou chanducas (este
último, nome kariri ou fulni-ô), que assim como seus similares de Jurema
(madeira da árvore), são largamente utilizados em ritos dos Juremados,
Catimbós, na Umbanda como herança adaptada, pelos indígenas de diversas
etnias no consumo de tabaco e ritos sagrados, e nos diversos meios Xamânicos.
As folhas do Angico não são “comerciais” e, por isso, não tão fáceis de serem
encontradas, então nos servimos das suas cascas, que para nós podem ser
usadas em banhos e defumações, como agente purificador e consumidor de

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larvas, miasmas e acúmulos negativos. Dissolvedor de formas plasmadas,
formas-pensamento, e criações mentais de baixa frequência.
Na nossa classificação, uma erva QUENTE OU AGRESSIVA, e mesmo assim,
dentro dessa característica, guarda um poder protetor único, verdadeira barreira
de energia ígnea contra os ataques do baixo astral. O que a coloca
vibratoriamente nas frequências vivas de nosso Amado Pai Xangô, entre outras.
Uma lasca de Angico serve como amuleto protetor contra inveja e mau-olhado e
é um magnetizador de força de vontade, criatividade e inteligência.
A maioria das cascas queimadas em defumação tem cheiro de madeira
queimada, podendo não ser tão agradáveis ao olfato, mas energeticamente
mantém suas propriedades vibracionais, nos conectando aos padrões naturais
úteis para a manutenção do nosso bem estar espiritual e por consequência,
material.
Abracemos árvores, se puder um Angico, senão a que você puder!

Erva 31 - Erva de Bicho


Erva de Bicho – Polygonum persicaria L.

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Neste instante humano, eu sou Adriano Camargo, conhecido como O Erveiro,
nome que integrei ao meu naturalmente. E não foi imposição de marketing,
necessidade de uma identidade de divulgação, ou como cópia de algo ou alguém.
Este trabalho com ervas existe desde o ano 2000, e vem se aprimorando
continuamente com estudo, pesquisa e, principalmente, vivência da realidade
daquilo que se prega. Tudo o que falamos aqui faz parte do nosso mundo. E se
me permito pinceladas técnico-científicas, mesmo sem a profundidade que as
ervas merecem nos estudos botânicos, é para que, dentro desse nosso universo
místico, elas não caiam nos "achismos" e aforismos de "dizem que", ou "ouvi
dizer..." – o que não concede a elas o merecido respeito. E, ao apontar às ervas
as vibrações das Divindades, nossos Amados Pais e Mães Orixás, é porque essa é
a minha escolha, minha convicção religiosa: A Umbanda, e, portanto, minha
melhor referência. Isso serve de parâmetro para que cada um encontre caminhos
e se liguem às energias e essências naturais que se servem desse modelo
mitológico para se manifestarem nas nossas vidas naturalmente.
As ervas tem espírito e inteligência, não da forma que entendemos para o
humano, mas os têm. Neste momento das nossas existências, não temos como
provar por meio dos instrumentos materiais tudo o que atribuímos às ervas, seus
poderes realizadores e capacidades por nós identificadas e comprovadas pela
observação, experimentação e comparação. Práticas e mais práticas, nos campos
religiosos e de magia natural, e assim vamos desenhando de forma simples um
sistema que sirva para todos, independente de religião.
Todos podemos nos servir dessas maravilhas da natureza. "Se o uso da erva
fosse exclusividade de alguma religião, cresceria somente no quintal do
religioso." Então, vamos aprender para nos beneficiarmos e aos nossos

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semelhantes! Vamos de Erveirança 5.0! Vamos de Erva de Bicho! Isso mesmo,
Erva de Bicho!
Eu lembro que de criança, não tinha pet shops ou vets à disposição, e para as
criações de casa: gato, cachorro, etc., restava o conhecimento das medicinas
populares. Então a Erva de Bicho era ponto forte quando aparecia a "bicheira",
sarna e outras doenças que eram tratadas com essa planta, mais Babosa, Anileira
(o Anil, planta de verdade e não produto químico), e Genciana. Antes que meus
amigos veterinários me matem, reconheço que hoje é muito melhor com os
tratamentos mais adequados!
A Erva de Bicho, também chamada em algumas regiões de Cataia, Capiçoba,
Pimenta-d´Água, vem desse ambiente da cultura popular e se insere no universo
místico no mesmo grau curador. Sendo recomendada para banho,
principalmente, para cura de doenças causadas por mal espiritual.
Sabe aqueles sintomas de doença que pousam sobre uma pessoa e a
derrubam, e nem os médicos depois de um bateria de exames conseguem
diagnosticar? Então, a Erva de Bicho é uma poderosa ferramenta para esses
diagnósticos difíceis. Um poderosa reveladora de atuações negativas espirituais,
vampirizadoras e causadoras dessas doenças. Por isso, a colocamos como uma
erva QUENTE ou AGRESSIVA de caráter curador, revelador e de desobsessão. Sua
natureza aquática que a liga às frequências vibratórias de Mãe Iemanjá e Mãe
Nanã traz em si seu poder de liquefazer acúmulos energéticos densos e a torna
única nesses casos de cura espiritual, em que a vítima atingida por fatores
inferiores, desenvolveu doenças físicas, principalmente de pele, feridas, etc., com
quadro de difícil diagnóstico e tratamento.
Por essa característica curadora, é associada em algumas regiões a Pai
Obaluaiyê. E por ser usada para sacralizar objetos de ritual e limpar
assentamentos, também aos Pais Orixas Oxalá e Exu.
Tenhamos na Erva de Bicho uma poderosa benção de Pai Criador e Mãe Natureza
em nossas vidas, para nossa cura e de nossos semelhantes!

Erva 32 - Manjericão
Manjericão ou Alfavaca comum - Ocimum basilicum L.
Alfavacão Cravo – Ocimum gratissimum L.
Alfavaca Anis ou Aniseto - Ocimum carnosum (antes era Ocimum selloi)
Manjericão Roxo - Ocimum basilicum var. purpurascens

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Se existe uma erva a qual podemos atribuir um poder de "rei ou rainha", essa
é o Manjericão! Conhecido no mundo todo em alguma das suas dezenas de
espécies com suas centenas de nomes populares e identificações crescentes,
seja no incrível universo das especiarias, seja na farmácia caseira, e sem dúvida
nenhuma, nos meios ritualísticos e religiosos onde é mais do que consagrado.
Ahhh esse é o nosso manjericão! Mas enfim, qual deles? Pergunta bem boa de
se fazer quando alguém recomenda um banho com "oito folhas de manjericão
para prosperidade"... Qual manjericão? E por que oito folhas? Se cada tipo de
manjericão tem características bem próprias, tamanhos, cores e cheiros
diferentes, como vou saber qual manjericão usar?
Primeiro vamos aos tipos e nomes populares mais conhecidos: Manjericão
comum, miúdo, roxo, branco, de folha larga, da praia, italiano, tailandês, alface,
sagrado, tulsi, doce, cheiro de anis, de canela, de limão, roxo, roxinho,
Manjeriquim, Favaca, Favaquinha, Basílico, e entre outros tantos também de
ALFAVACA, sim ALFAVACA é MANJERICÃO e vice-versa, Alfavacão, Alfavaca Cravo,
Alfavaca Anis...! Olha só quanta identificação. Como sempre digo, daria pra
ocupar páginas e mais páginas falando só dessa planta! Então, quando ler
Manjericão, leia-se também Alfavaca e todos os outros nomes!
Alguns mais fáceis de encontrar do que outros, a origem do seu nome oficial,
Ocimum, é grega e vem de odor, fragrância, aroma. Diziam os herboristas do
século 17, que seu cheiro era bom para o coração e para a cabeça, e que trazia
alegria e felicidade.

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Manjericão é aquela erva que encontramos o ano todo e em todas as regiões.
É abundante, cresce rápido, cheiroso por excelência e se encaixa em toda e
qualquer necessidade. Costumo dizer em tom de brincadeira: “Quando você não
souber o que fazer, faça com Manjericão!” Todos os Manjericões tem função
energética bem parecidas e variam acrescentando a cada tipo sua qualidade
específica e campo de ação preferencial.
Em suas variações é uma das ervas mais utilizadas nos meios litúrgicos,
presente em praticamente todos os rituais conhecidos. Não dá pra dissociar as
famosas "águas de cheiro" da presença do Manjericão.
Em nosso sistema de classificação de ervas, o Manjericão é MORNA ou
EQUILIBRADORA. Seu gradiente de cores energéticas é incrivelmente abrangente
e sua ampla frequência o coloca em posição de destaque com vibrações
suficientes para ser associado a todos os Orixás, mas especialmente à Mãe
Iemanjá, ou melhor, à todas as Mães ligadas ao elemento aquático, então Mãe
Nanã e Mãe Oxum compartilham suas vibrações. A presença marcante das
essências divinas de Pai Oxalá também determina que pode entrar em todos os
amacis, para todas as funções, pois proporciona ligação com as faixas mais sutis,
necessárias a um preparo.
Banhos, defumações com suas folhas secas, óleos e tinturas alcoólicas são
alguns dos preparos que podemos fazer com os mais variados tipos de
manjericão. Usamos todas as partes da planta, folhas, caules mais suculentos,
flores e raízes.
De modo geral todos são poderosíssimos equilibradores, regeneradores,
reconstrutores de corpos espirituais, fortalecedores do espírito. Devolvem a
energia rapidamente, harmonizam os chacras e são excelente para
convalescença. Num preparo proporcionam ligação e estabilidade às outras
ervas.
Vamos citar alguns tipos e suas qualificações que se acrescentam às
características gerais acima:

Manjericão Roxo (todos) – proteção (Pai Xangô)


Manjericão-Alfavaca Anis ou Aniseto – conexão espiritual (Pai Oxalá, Mãe Logunã)
Alfavacão, Manjericão Cravo – cura física, regeneração e organização (Pai Ogum,
Mãe Nanã)
Que Mamãe Natureza em nome de todas as mamães receba nossa gratidão
nesse dia, e possa nos abençoar em cura viva, saúde, equilíbrio e poder
realizador!

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Erva 33 - Mentas - Hortelãs e outras
Hortelã Comum – Mentha sp.
Hortelã Pimenta – Mentha x piperita L.
Levante – Mentha arvensis L.
Poejo – Mentha pulegium L.

De natureza fresca, picante, adocicada e muito aromática, essa ervinha


rasteira é considerada na Europa uma plantinha "promíscua", pois cruza e se
mistura com facilidade com outros tipos. Essa dá trabalho para quem gosta de
escrever bastante! São diversos tipos desse gênero, dezenas mesmo, e fica bem
difícil escolher de quais falar em poucas linhas.

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Para o nosso entendimento , assim como fizemos com o Manjericão e o Boldo,
escolhemos quatro tipos clássicos e fáceis de encontrar. Mas que fique claro, há
dezenas de tipos de Menta-Hortelã espalhados pelo mundo, com talvez centenas
de nomes populares, variando de região para região. Destes, destaco na região
amazônica (Manaus-Belém) o nome "Chama", um dos mais curiosos para
identificar as Mentas. Nome popular não tem dono, por isso é importante prestar
atenção no nome científico e na identificação visual correta, para não cairmos no
lugar comum dos aforismos "dizem que... ouvi dizer.. ou aqui é assim e conheço
dessa forma e ponto final."
Alguns dos seus nomes populares: Hortelã, Hortelã-comum, Hortelã-pimenta,
Menta, Levante, Alevante, Elevante, Poejo, Poejinho, das crianças, Menta-miúda,
Chama, Hortelã-branca, Vick, entre outras.
Espécies diferentes do mesmo "gênero" tem formato, textura, cheiro,
coloração de folhas e caules diferentes entre si, diversos nomes populares e um
sem fim de saberes livres de embasamento científico, mas continuam espécies
do mesmo gênero! E nós, baseados nos saberes dos mestres acadêmicos,
afirmamos sem medo de errar!
Conhecimento é perturbador e tira do lugar comum, provoca desconforto e faz
pensar. Mas assim como as Mentas, incomoda e causa irritação somente nos
acomodados.
A origem da palavra Menta deriva de Mintha, que, nos contos mitológicos,
remete à ninfa transformada em erva pela deusa grega Persefone, por ciúme de
seu marido Hades (o Plutão romano), para que todos pisassem nela. Seu uso
ritualístico, assim como o medicinal, remonta à antiguidade. Os chineses já
cultuavam suas propriedades curadoras. Hipócrates, o pai da medicina,
considerava-a afrodisíaca e estimulante, e Plínio, o velho filósofo romano,
apreciava suas propriedades analgésicas.
Na prática ritualística, todas as Mentas tem a mesma característica energética
e vibratória, no entanto há algumas particularidades que devem ser levadas em
consideração na hora de escolher qual usar, como a disponibilidade e a facilidade
de cultivo, dependendo do tipo e da região.
Nos banhos e defumações, as Mentas são usadas como estimulantes,
energizadoras, mantenedoras e estabilizadora da energia vital. Uma excelente
erva MORNA OU EQUILIBRADORA, dentro dos nossos critérios de classificação.
Benção de Mamãe Natureza para fortalecer o espírito, trazendo ânimo e
coragem.
Suas cores energéticas vibrantes e pulsantes se instalam nos corpos
espirituais e ali insistem em tirar do lugar comum, movimentar, dar um pontapé
no traseiro que empurra para frente! Mas é preciso consciência para querer as
transformações, senão, como disse, chega a provocar irritação aos mais
acomodados.
Podemos associá-las a todas as vibrações de Pais e Mães Orixás, sempre
lembrando que são ervas de ação estimulante, o que requer um pouco de
cuidado nos banhos antes de dormir, pois podem te deixar "ligado".

Da Hortelã Comum (Mentha sp.) temos o cheiro adocicado dos jardins; um


verde vibrante, pulsar médio, e conexão com a Fé (Pai Oxalá) e o Saber (Pai
Oxóssi), entre outras vibrações.
Hortelã-Pimenta (Mentha x piperita), tem o cheiro e o gosto picante de "bala
de menta". Um macinho encostado no rosto, boca e nariz, e respirado em
profundidade já dá ânimo e coragem e clareia os pensamentos.
Do Levante (Mentha arvensis), o aroma rústico da menta selvagem e a
capacidade de honrar seu nome mais conhecido, realmente LEVANTA o astral
com seu pulsar intenso. Vibração potencializadora de Pai Ogum!
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E do Poejo (Mentha pulegium), o cheiro de casa e remédio de vó! A Mentinha
das crianças, consagrada nos xaropes para os pequeninos! Para nós, a
estimulante mais leve, desperta para a realidade e traz pé no chão. Pai Oxóssi e
Mãe Obá bem presentes nessa vibração.
Em caso de necessidade podemos substituir uma pela outra sem prejuízo do
preparo. É muito comum vermos receitas usando Levante ou Poejo que não
permitem substituição. Isso é um mito que pode comprometer o preparo já que
algumas dessas ervas respeitam a sua temporada e não são encontradas
facilmente o ano todo.
As Mentas estão na nossa memória olfativa! Subjetivamente falam das suas
potências, dizem de si em nós, nos convidando a sermos quem devemos ser!
Como sempre digo, queria falar muito mais, faltaram diversas outras Mentas,
mas por hora é isso! Melhor conhecer uma erva em profundidade do que ser
especialista na superfície de tantas! Vamos em frente, vem mais Erveirança por
aí!

Erva 34 - Aroeira
Aroeira comum– Schinus terebinthifolia Raddi
Aroeirinha - Schinus molle L.

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"Nessas árvores tem folhas... Tem rosário de Nossa Senhora! Tem Aroeira de
São Benedito... São Benedito me valha nessa hora!"
Impossível eu falar de Aroeira e não lembrar dessa reza que virou canto e
encanta os trabalhos de Pretos Velhos, Caboclos, e as rodas de Jurema!
Aroeira encanta, e assusta os incautos, mais por falta de conhecimento e
apego aos achismos do que por alguma qualidade negativa mesmo. A ela foi
atribuída a fama de ser árvore de Exu, a qual deveria ter-se todo o cuidado para
manusear. E que também é brava, provocando coceiras. Preste atenção no texto
para não ler essa frase simplesmente e assumir como condição da planta.

Existem vários tipos de Aroeira, e muitos mitos em relação ao seu uso. Um


tipo de Aroeira, chamado de “brava” desprende elementos capazes de
desenvolver urticárias e afecções de pele pelo simples contato. Por uma questão
de bom senso, essa qualidade de Aroeira não tem uso ritualístico. Essa é a
Lithraea brasiliensis March, aroeira-brava ou aroeira-preta. Vamos lembrar que
toda erva pode provocar alergias em quem tem sensibilidade a algum dos seus
componentes, assim como pelos de animais, peixes, etc. Então, vale a pena
conhecer seu organismo e evitar aquilo que pode te provocar alguma reação.
Para nós, esses dois tipos de Aroeira citados são bastante comuns e usados na
arborização urbana em praticamente todo o país. Podemos usar as folhas frescas
ou as cascas, mais fáceis de encontrar no comércio de ervas desidratadas.
Característica da Aroeira é seu fruto, a pimenta-rosa. Isso mesmo, a pimenta-

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rosa, adorada na culinária, é o fruto das Aroeiras!
Damos uso em banhos, defumações, benzimentos e bate-folhas para as
chamadas Aroeira-comum, Aroeirinha, Aroeira-pimenteira, Aroeira-branca,
Aroeira-mansa, Aroeira-salsa, nas variedades Schinus terebinthifolia e S. molle.
Aqui no terreiro usamos as folhas para forrar o chão nos dias de gira de
Caboclos. Nunca faltam ramos de Aroeira em trabalho de cura de Caboclo. E os
Vovôs e Vovós, nossos amados "pretinhos-velhos", não dispensam em seus
benzimentos.
Erva QUENTE OU AGRESSIVA por definição, energia nas vibrações de Pais
Ogum e Xangô, caracterizada pela sua conexão elemental com os fatores ígneos,
protetora por excelência, e em seus aspecto magnético específico, serve aos
propósitos do Mistério Exu, aliás, de todos os mistérios à Esquerda, seja na
fundamentação dos assentamentos como na limpeza periódica deles.
Não precisa exagerar na quantidade. Um punhadinho das folhas ou um
pedacinho da casca num preparo de banho são mais que suficientes para uma
limpeza profunda, purificação, neutralização de ações negativas e bem estar
geral. Sua aura avermelhada, de pulsar discreto e contínuo, apinhada dessa
energia de "fogo", proporciona a eliminação de elementos nocivos à saúde.
Seus galhos podem ser colocados em vasos com água e mantidos por vários
dias em casa ou no local de trabalho, ativados como purificadores do ambiente,
esterilizadores do espaço espiritual, dissolvendo aquele ar pesado que muitas
vezes fica no ambiente.
Eu tenho certeza que tem alguma Aroeira perto de você... Na rua, numa
praça, enfim... Lembre-se de lavar as folhas antes do preparo, pois a fuligem da
cidade é o que também pode provocar alguma reação a peles mais sensíveis.

Encontre uma Aroeira, deixe que ela te encontre num abraço! Encoste o corpo
todo nela, respire junto, faça amizade! Se não tiver Aroeira, abrace alguma outra
árvore, deixe que te chamem de louco ou louca, mas não passe a vida sem fazer
isso! Louco é quem corta árvores e não quem as abraça!

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Erva 35 – Assa-Peixe
Assa-Peixe - Vernonia polyanthes Less. [sin. atual Venonanthura
phosphorica (Vell.)[Link].]

Um dia um índio Guarani me disse que essas folhas não queimavam se fossem
colocadas sobre a brasa, e o peixe por cima assaria até o ponto certo...
realmente nunca testei pra saber se é verdade ou não, mas que essa planta é
conhecido de Norte a Sul, isso é verdade! E olha que muita gente tem outras
histórias sobre a origem desse nome! Muitos mitos existem e ninguém sabe
definir porque são o que são, mas isso não importa quando os respeitamos
mantendo seu lugar na história e procurando a essência mítica, o que ele quer
dizer de prático, funcional e útil na nossa vida.
Também conhecida como Cambará ou Assapeixe-branco, as suas raízes são
conhecidas na farmácia caseira, suas folhas entram na composição de xaropes e
ainda é considerada uma PANC – Planta Alimentícia Não Convencional, onde suas

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folhas entram em receitas – empanadas e fritas.
Considerada uma planta daninha e invasora de pastagens e terrenos baldios,
indesejada nas áreas de plantio, mas amada pelas abelhas que da sua florada
produzem um excelente mel expectorante.
Em algumas regiões, há comparação com uma variedade dessa planta
chamada também de Alumã, Boldo-baiano, Árvore-de-pinguço, Figatil, que é a
Vernonia condensata. Na região Sul, nas casas de Nação ou Batuque, é chamada
de Orô (éwúró), onde é associada principalmente aos Pais Xangô e Ogum e entra
em diversos ritos de iniciação e purificação. Da Bahia até o Rio, o Assa-Peixe é
atribuído a Oxum nos diversos Candomblés, principalmente os "Jêje-Nagô".
Seu pulsar energético, magnético e vibratório lhe garante um gradiente de
cores que passa pelo verde azulado, indo até o lilás intenso. Foram captadas
também nuances amarelo-alaranjado (quase vermelho).
Para nós, dentro do sistema de classificação do Erveiro, o Assa-Peixe é uma
erva FRIA-ESPECÍFICA, pois tem um campo de ação muito bem definido – a cura.
(Vale reler o texto sobre classificação). E nos preparos genéricos, uma
equilibradora com vasto poder regenerador.
Esse caráter curador do Assa-Peixe nos convida a compreender as vibrações
das Divindades associadas, Pai Ogum e Mãe Nanã. Como já dissemos no texto do
Capim-Cidreira, Pai Ogum não é só guerra e batalha, mas a Ordem Divina em si.
E para encontrar a saúde é necessário ordem, organização. Tem função que o
coloca também nas frequências renovadoras de Pai Oxumaré.
Pode ser usada em banhos ou defumações, assim como bate folhas nos
ambientes onde estão os doentes. Uma sugestão é fazer cama de esteira com
folhas de Assa-Peixe para que os convalescentes fiquem por algum tempo, uns
trinta minutos são suficientes. Pode-se cobrir com um lençol claro pois suas
folhas um pouco mais rústicas podem não ser agradáveis no contato com a pele.
Indicado também para resgate e cura de espíritos doentes e sofredores atrelados
a pessoas ou ambientes familiares.
Esse é o nosso Assa-Peixe, essa é a nossa Erveirança, e estamos aqui para
isso!
Conhecimento é única coisa que ninguém pode tirar de você!
Gratidão, muita cura para o nosso planeta, para toda a humanidade, para cada
um de nós!
Assim seja e assim será!

Erva 36 - Café - Cafeeiro


Cafeeiro - Coffea sp.

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E hoje, dia de homenagear os Pretos-Velhos na Umbanda, nossa Erveirança
continua com um cafezinho! Ah, não tem como não lembrar de Vovós e Vovôs,
não é? Adorei as Almas! As Almas adorei! Saravá Pretos Velhos! A Benção, Santas
Almas! Amém!...
Talvez a história da humanidade tivesse um rumo diferente se não existisse o
café! Essa afirmação, exagerada é claro, ilustra a ideia do efeito transformador
dessa plantinha de origem espontânea na Etiópia e disseminada no mundo todo
desde Marco Polo e os Árabes, primeiros cultivadores e preparadores do café que
o monopolizaram enquanto puderam. O Cafeeiro é o pé-de-café. A origem desse
nome designa o (efeito do) fruto e vem do árabe Kahoua ou Qahwa, o excitante.
O Brasil é um dos maiores, senão o maior produtor de café no mundo, e o
segundo maior consumidor, perdendo apenas para os Estados Unidos.
Há uma lenda que conta que o café foi descoberto por um pastor de ovelhas,
que as viu comendo as frutinhas e percebeu que tinham disposição de sobra pra
caminhar um dia inteiro. Um monge resolveu experimentá-la e descobriu uma
bebida que os deixava acordados durante as longas rezas. Outra lenda, que não
sabemos se é verídica, é que a jovem "Joanne" escrevia os originais de Harry
Potter em uma cafeteria... enfim, o que seria do nosso mundo sem o café? Nesse
momento, escrevendo sobre ele, tenho uma caneca bem cheirosa à minha
frente! Santo café, santa cafeína diária que acorda e diz para o corpo que o dia já
começou!
Mas aqui o que nos interessa desse lindo arbusto é tudo o que pode nos

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oferecer para o uso ritualístico e religioso! Sem entrar no mérito dos líquidos e
bebidas nas oferendas, colocar uma canequinha com café e uma vela branca ou
bicolor aos pés das imagens de Pretos-Velhos é condensar vibrações de firmeza
de propósito dentro de casa, paz, tranquilidade, paciência e harmonia para a
família.
Os próprios grãos inteiros de café, in natura ou já torrados, podem participar
de oferendas a Pais Oxóssi e Oxalá e linhas de trabalho. Uma colher de pó de
café misturado com uma colher de açúcar, pode ser "polvilhado" nos cantos de
um imóvel à venda ou disponível para locação para melhorar o magnetismo. Ah,
eu já recomendei isso para vender carro também...rs... Deve-se tomar cuidado
pois açúcar = formiga, bom não precisa nem dizer né?
Energia de terra, masculina, pé no chão, bastante equilibradora e
racionalizadora. Por isso, mesmo atribui-se a ela a capacidade de atrair
prosperidade. Sem razão, agindo-se apenas pela emoção, não há prosperidade
que aguente. Em nosso sistema de classificação de ervas, identificamos como
MORNA ou EQUILIBRADORA. Vibrações de Pais Oxalá, Oxóssi e Xangô, e muito
discretamente a presença de vida de Mãe Iemanjá.
Seu campo de energia e magnetismo é diretamente proporcional à vibração “da
matéria”, portanto associado a esse astral masculino e a vibração de
prosperidade. A defumação com folhas de café é excelente para casas
comerciais. E em lugares onde não é possível defumar, podemos espalhar as
folhas pelo chão e deixá-las até o dia seguinte imantando o ambiente.
Exerce limpeza astral leve e auxilia na firmeza de propósito, sendo
recomendado seu uso antes de estudos profundos e dedicados. Por exemplo,
antes de “virar” a noite estudando ou preparando um trabalho complexo que
exija atenção e dedicação, um bom banho com folhas de Café é bem vindo.
Indicada também para o “pontapé inicial” de alguma tarefa ou negócio, como
erva protetora e incentivadora desse começo.

Erva 37 - Samambaias
Samambaia de Barranco – Dicranopteris pectinata (Willd.) Underw.
Samambaia do Brejo, de Caboclo – Blechnum brasiliense Desv.
Renda Portuguesa – Davallia fejeensis Hook.
Xaxim Samambaiaçu, feto – Dicksonia sellowiana Hook.
Paulistinha, rabo de gato – Nephrolepis pectinata (Willd.) Schott
Samambaia amarela, caboclo – Nephrolepis multiflora (Roxb.) F.M.
Samambaia americana – Nephrolepis exaltata (L.) Schott.
Metro – Nephrolepis cordifolia (L.) C. Presl
E mais dezenas de outras de outros tipos!

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Estima-se que quando os dinossauros passearam por aqui, as Samambaias já
estavam no planeta há alguns séculos! É praticamente obrigatório citar as
samambaias quando falamos do uso ritualístico de ervas. Uma enorme variedade
de Samambaias é encontrada na flora brasileira e praticamente todas tem uso
garantido nos banhos e defumações.
Entre os mitos que encontramos, cito um que ouvi numa rádio famosa aqui de
São Paulo, a comunicadora pedia para o ouvinte tirar as Samambaias que tinha
em casa pois estavam levando a prosperidade dele embora... Ouvi isso
estupefato! Militei mais de vinte anos no mundo corporativo e se tem uma coisa
que aprendi é que o que leva a prosperidade embora é desorganização, é gastar
mais do que se ganha, é falta de controle financeiro... Isso sim leva à perda de
dinheiro, e não a presença da "pobre" Samambaia que naquele momento era a
culpada pelo desequilíbrio de um humano.
Contrapondo a lenda, são poderosas ervas de expansão, crescimento e atratoras
de sorte! Independente do tipo, essa poderosa erva também energizadora, pode
ser encontrada espontânea ou cultivada em vasos e xaxins, esse último também
de origem em um desses exemplares. Gradativamente os xaxins originais, feitos
de Samambaiaçu, foram sendo substituídos pela fibra de coco e outros
elementos, pois se encontra perto da extinção.
Erva MORNA ou EQUILIBRADORA, segundo o sistema de classificação do Erveiro,
é usadas nos clássicos banhos e amacis e ainda enfeitam os terreiros e os
iniciados em dias de coroação, iniciação e os demais ritos de passagem. Para os
sacerdotes, uma função poderosa dessa erva nos terreiros é, por meio do uso dos

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seus ramos e folhas, energizar os altares, imagens e elementos de
assentamentos. Separa-se as folhas de Samambaia em um cesto ou bacia,
associa-se pétalas de Rosas brancas e consagra-se esse preparo ao Pai Criador,
Mãe Natureza, Poderes Divinos e Forças Naturais, aos Sagrados Pais e Mães
Orixás, ao Sagrado Mistério Vegetal, e deixa iluminado por sete velas verdes até
queimarem pela metade. Acrescenta-se pó de pemba e espalha-se essas folhas
em todo o congá (altar), deixando-as por pelo menos um dia inteiro. É comum os
guias espirituais fazem esse procedimento durante uma gira de Umbanda,
dispensando o tempo das velas queimando, e acrescentando outros elementos
do seu trabalho e do seu “axé” às folhas.
É importante para o sacerdote que conheça o procedimento, e mais importante
ainda é que ouça seus guias espirituais para que possa usar a criatividade de
oferecer os elementos necessários para que eles, através da mediunidade,
possam realizar no terreiro o que é preciso, seja para descarga, para proteção,
energização, força, etc. As Samambaias, especialmente a Samambaia-de-
Caboclo, respeitando as condição regionais, são associadas ao Mistério Caboclo
na Umbanda.
Além de tudo que dissemos, forrar o chão ou uma esteira com folhas de
Samambaia, tanto para a preparação de médiuns como para rituais de cura
espiritual, é pratica de muito beneficio energético.
Podemos usar a samambaia para todas as vibrações de Orixá, mas é
predominante a força viva de Pais Oxóssi e Ogum e Mamãe Iansã.
Força, dedicação, atenção, foco, fé! Juntos e organizados somos mais fortes!

Erva 38 - Cravo

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Erva 39 - Canela

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Erva 40 - Sabugueiro
Sabugueiro - Sambucus australis Cham. e Schltdl.

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Não podia deixar de falar dessa poderosa árvore de pequeno ou médio porte
que é encontrada em todas as regiões e usada na arborização urbana também. O
nosso querido Sabugueiro, ou Sabugueirinho, não tem outros nomes populares
conhecidos, mas está envolvida em diversas e improváveis lendas na "boca do
povo". Por exemplo, que foi a madeira da crucificação; ou que cortá-la traz má
sorte porque ao espremer seus pequenos frutinhos escorre um caldo que lembra
o sangue. Enfim, assim como tantas outras plantas envolvidas nessas histórias
que são boas para ilustrar, mas que não devem ser levadas como regra na hora
de utilizar em rituais.
Para nós, as folhas e flores dessa maravilhosa curadora podem ser usadas em
banhos para cura física, regeneração e reforço da imunidade, recuperação da
energia perdida em processos de doenças. Suas flores branco-amareladas e de
cheiro inconfundível, depois de secas, podem ser usadas em defumações pré-
trabalhos de cura.
MORNA OU EQUILIBRADORA em nosso sistema de classificação, essa erva tem
uma aura de energia e magnetismo que pulsa num gradiente de cores que vai do
amarelo pálido até o violeta e a coloca indubitavelmente na vibração principal de
Pai Obaluaiyê, portanto uma excelente curadora em todos os sentidos.
Transformação é uma das suas palavras! Mudança de estado, saindo de
doenças e buscando saúde; saindo de situações de desequilíbrio e entrando em
harmonia.
Vale lembrar que aqui não damos receitas de chás ou tratamento fitoterápico,

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mas é importante estar atento à toxidade e aos cuidados que devemos ter ao
administrar uma erva com informações encontradas na internet.
Este é o nosso Poderosíssimo Sabugueiro, do nosso Poderosíssimo Pai da
Cura, da Saúde, das Transformações, da Evolução contínua e da Sabedoria! Atotô
meu Pai!
Gratidão, muita cura e saúde pra todos nós! Assim seja e assim será!

Erva 41 - Chorão - Salgueiro Chorão


Chorão ou Salgueiro Chorão - Salix babylonicus

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Essa árvore é a cara da magia! Sua visão encanta e assusta, e assim é a
magia. Ao mesmo tempo que causa encantamento e atração para alguns de nós,
causa repulsa, medo e rejeição para outros.
Quantos Chorões já não foram cortados de quintais ou de calçadas por puro
preconceito? Isso mesmo, chamada de árvore de mau-agouro, árvore de
cemitério e mesmo árvore de morto, o Chorão tem esse nome pois seus galhos
flexíveis descem até o chão formando assim uma copa com aparência de
"tristeza ou melancolia". Assim como dias nublados e cinzentos convidam
algumas pessoas à tristeza, a simples visão dessa incrível árvore, injustiçada pela
falta de conhecimento principalmente aqui nas Américas, ao provocar esse
sentimento, gera nesses seres humanos uma repulsa capaz de aniquilá-las.
Os olhos captam aquilo que já está na alma. Para mim, de coração, dias
cinzentos e nublados são dias tão lindos quanto os ensolarados. Cada um tem
seu charme, seu valor e remete a um estado de espírito que já está em nós, e ao
não repudiarmos esse estado de possível melancolia, podemos lidar com ele com
mais facilidade, transformando-o em um lindo dia!
Este é o nosso Salgueiro-Chorão!
Varinhas mágicas feitas com seus galhos mais rígidos já foram cogitadas como
poderosos elementos de magia. Seus galhos flexíveis já formaram coroas e
colares iniciatórios; trançados, já formaram laços tríplices usados em diversos
rituais e sua casca já inspirou a criação do analgésico mais famoso do mundo
(Aspirina – Salix alba). Já foi morada de seres da natureza mítica como fadas e

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duendes e já abrigou nas suas copas bruxas em fuga dos inquisidores.
Suas folhas com dorso prateado a colocam na reputação das ervas mágicas
menos conhecidas e mais encantadoras. Cresce nas margens de rios e lamaçais,
e é abundante em cemitérios o que ajuda na sua fama.
Lendas e contos à parte, para nós o Chorão é uma poderosa erva QUENTE ou
AGRESSIVA, com características de limpeza profunda e muita, mas muita
proteção mesmo! Como já dissemos, para uma erva ser considerada QUENTE ou
AGRESSIVA deve preencher certos requisitos, e o Chorão faz isso com excelência.
Mas dificultou nossos trabalhos de identificação, pois tem também certas
qualidades que não são tão comuns para as suas companheiras de categoria:
capacidade de criar campos de proteção "irradiadores" de fluxos de energia. Essa
função normalmente ocorre com as MORNAS, mas enfim, ele á a própria magia,
não é? Então para o Salgueiro-Chorão tudo é possível!
Suas cores energéticas fluem em tons que vão do verde-azulado até o verde-
escuro, com pulsos intermediários de prata e lilás. Se conecta com as vibrações
de Pais Oxóssi e Oxumaré, mas é uma curadora com nuances de Mãe Nanã, além
de carregar a força atemporal de Mãe Logunã, com requintes de Pai Obaluaiyê.
Usada em banhos, isoladamente ou junto com outras ervas, forma um
composto de limpeza e eventual equilíbrio (veja o texto complementar 3). Por sua
força atemporal e cristalina, assim como o Eucalipto, proporciona libertação que
leva ao perdão e gratidão, fazendo soltar e compreender as amarras do passado.
É uma decantadora por definição, por isso ajuda a deixar para trás (libertação de
novo!), aquilo que já não tem mais serventia ou que não pode mais estar aqui. Eu
gosto muito de usar o Chorão para trabalhos de desobsessão mais intrincados,
em que a defumação com as suas folhas secas, associadas com Casca-de-Alho,
Eucalipto ou Cipó-Cruz, formam uma ferramenta bastante efetiva.
E não se esqueça, as conexões que faço aqui com os Pais e Mães Orixás fazem
parte da minha opção religiosa que é a Umbanda, dentro dessa visão trazida pelo
incrível trabalho do Mestre Rubens Saraceni, o qual honramos a memória. Se
sua convicção religiosa for outra, ou mesmo se seu modo de ver a Umbanda for
diferente, não tem problema, basta associar as ervas e as vibrações que cito à
sua forma de ver o mundo. As ervas e as inteligências da natureza que as
sustentam não se importam com as formas, mas sim com o conteúdo.
Que todas as magias sejam em nós, principalmente as simples!
Gratidão e transformação!

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Dia 42 - Erva 42 - Picão
Picão Preto – Bidens pilosa L.

Há um bom tempo atrás, quando a brincadeira era na rua ou nos terrenos


baldios, antes de construírem tantos prédios, era comum as crianças chegarem
em casa com as roupas cheias de Picão grudados. Lembro minha mãe me fazia
tirar todos da roupa antes de colocar para lavar, depois de um dia de diversão
nas beiradas de mato que tinha na vizinhança de onde morávamos. Ah! Bons
tempos de criança, tempos que tinham coisas boas de lembrar como essa e
outras não tão boas, assim como todos os tempos foram e serão. De nostalgia a
gente faz causos e, hoje, brinco de grudar Picão na roupa e no cabelo da netinha,
que sim, prefere o celular e os diversos entretenimentos da internet, mas não

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dispensa o jardim do vovô, balança pendurada na goiabeira e catar minhoca e
tatuzinho na mão!
A forma com que essa plantinha passa despercebida na beirada do mato, ou
por entre as hortaliças, garantiu sua sobrevivência desde sempre. Grudando em
quem passasse, roupas ou pelos, ia se espalhando e surgindo aqui e ali.
Quem diria que o Picão ainda seria considerado alimento? Além das inúmeras
funções na medicina caseira, desde diuréticos até os banhos em bebês para
debelar a icterícia, dos povos indígenas da Amazônia até os campos de pecuária,
divisa do Sul do país, quem diria que olharíamos para o Picão e veríamos uma
poderosa erva ritualística?
A natureza nos surpreende com sua simplicidade e o Picão é um expoente
desse exemplo. Cem gramas das suas folhas frescas, bem lavadas, fervidas em
um litro de água, coadas e batidas em liquidificador com o suco de dois limões e
gelo resulta num refresco funcional incrível e saboroso. É uma PANC – Planta
Alimentícia Não-Convencional, e pode ser até refogado em alho e cebola assim
como a couve.
Para nós, nos critérios de uso religioso e ritualístico, em banhos e defumações,
usamos todas as suas partes, folhas, flores, sementinhas e caules. É uma
poderosa erva QUENTE ou AGRESSIVA, mas de característica leve, carinhosa no
ato de limpar, não provocando muito impacto reativo. Um verdadeiro "detox", um
desintoxicante dos corpos espirituais, dos eixos energéticos, da alma mesmo.
Com o passar do tempo e a rotina de trabalhos espirituais, nossos corpos
etéricos vão acumulando cargas de magnetismo negativo que começam como
uma simples poeira e vão se condensando até virarem verdadeiros cascões. Não
necessariamente provocadas por agentes inteligentes mas pela natureza
energética e magnética de nós seres humanos mesmo.
Tenha no Picão fresco ou seco, nos jardins ou no comércio de ervas secas, um
aliado para essa limpeza periódica. De tempos em tempos, acrescente-o aos seus
banhos e verão seu poder discreto e eficaz! Um poderoso detergente astralino,
desobstruidor dos condutores energéticos e dos chacras. Sua cor energética
puxada no verde-terroso a coloca nas vibrações de Pai Xangô e Mães Obá e
Oxum.
Dependendo da região pode ser chamado pelo seus nomes populares: Picão
roxo, Picão-preto, Pico-Pico, Carrapicho, Erva-Picão, Picão do Campo, entre
outros.
Esse é o nosso Picão, e que ele possa nos emprestar sua leveza e disponibilidade
e nos sirva de exemplo de simplicidade e eficácia!

Erva 43 - Cana
Cana-de-Açúcar - Saccharum officinarum L.

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Dia desses vi um moço descer a rua com um carrinho de mão e vários
pedaços de Cana, além de mandioca e batata doce. Isso me remeteu à infância,
mais uma vez, e às lembranças de pegar cana nos quintais da vizinhança para
descascar, tirar os seus filetes, morder, chupar e extrair seu caldo doce. Quando
a gente vê um pé de Cana de Açúcar, nunca associa essa planta ao
abastecimento do carro, ao açúcar branquinho que adoça tantas gostosuras na
nossa cozinha brasileira e mundial, e muito menos à obesidade ou às alterações
glicêmicas que chamamos de diabetes.
Há muita história sobre a Cana e sobre o açúcar e como influenciaram nosso
mundo moderno. Desde sua origem na Nova Guiné e Ásia até onde se estima que
foi seu primeiro refino, há cerca de 2500 anos pelos indianos, deixou um rastro
de desastre social de longo prazo com marcas profundas e doloridas até hoje. Foi
alvo de disputas nos mares Índico e Atlântico por navegadores portugueses e
piratas, gerou guerras e muitas disputas pelo mercado lucrativo, tanto da própria
planta quanto de escravos.
Mas que importa nesse nosso bate papo de Erveirança são os benefícios que a
planta, ou erva como as chamamos, pode nos oferecer nas práticas ritualísticas,
religiosas e magísticas.
Eu via minha mãe queimar as palhas de cana de tempos em tempos dentro de
casa. Pegando-as no pé mesmo, que eram abundantes no quintal, fazia
chumaços ou tranças e ateava fogo diretamente, então abanava para espalhar a
fumaçada. O próprio pé de Cana era um local a ser respeitado, a ele se atribuía

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um ponto de Exu. Próximo a ele se despachava cachaça e pimenta, pedindo que
essa entidade descarregasse a casa ou alguma pessoa que tivesse vindo benzer.
Assim como suas folhas imersas em água com cachaça eram usadas para lavar
os assentamentos do "povo da Esquerda".
Os toletes, pedaços da Cana cortada em rodelas, eram usados nas oferendas a
Pai Oxóssi, Mãe Oxum e aos Ibejis nos Candomblés, ou Erês (Crianças) na
Umbanda. Assim como pedaços de Cana descascados eram colocados à
disposição dos Caboclos em dias de festa. Já o açúcar mascavo podia ser usado
em defumações atratoras de prosperidade, junto com pó de café, e outras
especiarias. O mesmo açúcar, pedaços de rapadura, ou mesmo o melaço de
Cana, é usado para adoçar a chamada Jurema-de-Caboclo, bebida ritual oferecida
em dias de rituais.
Além dessas formas de uso, para nós, as folhas da Cana e o bagaço do fruto
tem poder limpador, QUENTE ou AGRESSIVO capaz de dissolver aglomerados
energéticos negativos, causados por magias densas e com uso de múltiplos
elementos, inclusive de origem animal. Com as folhas da Cana fazemos desde
defumações, banhos e bate-folhas até camas em esteiras onde pessoas podem
deitar por alguns minutos com o intuito de se limparem energeticamente. Já o
bagaço do fruto, tem alto poder de limpeza em banhos (e defumações também)
indicado para acúmulos de natureza "sexual", ou seja, purificação do chacra
básico e libertação de vícios dessa origem.
Vibrações de Exu e Pombagira lhe dão a reputação de planta do "povo da
Esquerda". Encontramos nos nossos estudos inegáveis vibrações de Pais Ogum e
Oxóssi, e de Mãe Oxum, o qual aquilatamos mais pela tradição do uso do que
pelo caráter "adocicado".
Há de se investir um pouco de tempo e paciência para se alinhar os propósitos
ritualísticos com toda essa característica da Cana. Use-a com muito respeito e
bom senso e terá uma poderosa ferramenta ao seu dispor.
Laroyê Exu, Exu Mojubá!
Laroyê Pombagira, Pombagira Mojubá!
Laroyê Mirins, Mojubá Vossas Forças!
Erva 44 - Mangueira
Mangueira - Mangifera indica

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Vamos falar da Mangueira, essa árvore mística, principalmente na Umbanda, e
que gera tantas, mas tantas interpretações energéticas, que fica realmente difícil
apontar para algo assertivo. Grande e frondosa, é considerada em alguns estudos
a maior frutífera em volume, altura e largura de copa, conhecida no mundo.
Acredita-se que se originou na Índia e foi introduzida na África e nas Américas
ainda no século 16, mas há controvérsias históricas. Fato é que se adaptou e é
abundante em todos os continentes.
Para esse olhar sobre a Mangueira no uso ritualístico, apelo ao mestre Prof.
Pessoa de Barros que apontou o uso da Mangueira da seguinte forma: nos cultos
Jêje-Mina, em banhos para as iniciantes; nas casas Nagô, no Pará, atribuída a
Oxóssi; nos Candomblés Angola, banhos de purificação e lavagem de fios de
conta; em Cuba, entre os "lucumis", é atribuída à Oxum; e no culto Jêje-Nagô,
com o nome de "òró òyìnbó", é atribuída a Ogum e Iroko.
Esse comparativo serve para nos guiar nos porquês da Mangueira ser
atribuída a Exu e Ogum de modo geral, e carregar tanta mítica. Então temos
primeiro uma qualidade de fruto chamada "Manga Espada", pelo seu formato
assim como o das folhas, e naturalmente leva a uma interpretação subjetiva.
Orixá Ogum, símbolo e arma, espada, e a associação natural. Segundo, uma
grande linha de trabalho à esquerda da Umbanda, tem o nome simbólico de Exu
Mangueira.
Há quem afirme categoricamente que a Mangueira seja erva de limpeza, o que
contestamos pelo seu aspecto histórico religioso, mas principalmente pelas
experiências e experimentos que já realizamos. Isso não tira dela a conexão com

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aspectos magneticamente negativos, aos quais ela serve com louvor. Oferendas
podem ser feitas embaixo de Mangueiras, tanto para Exu e Pombagira, quanto
para os outros Orixás. Claro que com o devido cuidado para não provocar
acidentes com velas ou outros elementos agressivos ao ambiente.
Suas folhas também são espalhadas no chão dos terreiros em dias de rito
aberto, tanto para proteção como para condensação de energias salutares. Seus
frutos oferendados aos Orixás, Caboclos e Crianças. Eu mesmo conheço um Erê
que adora frutas...rs...
Assim como a maioria das frutíferas, é uma erva MORNA ou EQUILIBRADORA,
proporcionando em banhos, vitalidade, energia boa, vivacidade em pensamentos
e sentimentos, regeneração, organização das idéias, magnetismo atrator, entre
outros atributos positivos.
Sua capacidade de limpeza é relativa, leve mesmo. E de acordo com nossos
estudos, conexão vibratória com Pais Ogum e Oxóssi, Mães Oxum, Iansã e
Logunã, entre outros, assim como os Mistérios à Esquerda.
Assim como já disse em outras postagens, apontar uma planta a um Orixá
pelo simples formato da folha pode ajudar sim, mas não define uma vibração.
Vamos estudar para entender cada vez melhor, de forma simples e objetiva!
Gratidão aos Mistérios da Lei Divina por permitirem que o conhecimento nos
alcance, e gratidão a todos que permitem ser alcançados por ele!
Que Deus Pai Criador, com Seus Mistérios Vivos e Divinos, na sua infinita
bondade e misericórdia, nos ampare e guie hoje e sempre!

Erva 45 - Mirra-Folha ou Incenso-Folha


Mirra ou Incenso Folhas - Tetradenia riparia ou Iboza riparia

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Vamos hoje de Mirra-Folha ou Incenso-Folha!
Eu diria que essa é uma das ervas mais difíceis de falar dos seus nomes
populares sem criar mais confusão, começando pelo título, então vou procurar
ser bastante didático para diminuir a possibilidade dela continuar a ser chamada
pelo nome de outras plantas. Alguns dos nomes atribuídos à ela: Mirra, Incenso,
Folha-da-Jurema, Jureminha, Pluma, Pluma-de-neve, Limonete, Pau-de-Incenso,
Falsa-Mirra, Falso-Incenso, Sândalo, Aloísia, etc, etc, etc..
Dentro do nosso sistema de trabalho com as ervas, assim como fizemos com o
Abre-Caminho e a Quebra-Demanda, onde atribuímos um nome fixo a cada um,
para nos orientarmos e dar sentido correto ao trato ritualístico, vamos chamar a
nossa Tetradenia riparia de Mirra-Folha, ou Incenso-Folha.
Como já dissemos, nome popular não tem dono e não se discute, pois cada
pessoa conhece de um jeito e algumas gostam de discutir e afirmar seus pontos
de vista como verdades absolutas e isso a gente não faz. Procuramos facilitar a
vida ritualística identificando com hegemonia, ou seja, a maioria daqueles que se
sentem tocados pela nossa forma simples e objetiva de falar das plantinhas,
falando a mesma língua.
Só peço "pelamordedeus" que não a chamem de Jurema, pois Jurema é outra
planta beeeem diferente! Acompanhem a próxima postagem em que falaremos
sobre as resinas vegetais, entre elas o Incenso, Mirra e Benjoim em RESINAS, que
são muito diferentes da nossa Mirra-Folhas, e nem são extraídas dessa planta.

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Arbusto lindo, e com ou sem flores é muito cheiroso! A sua textura lembra o
boldo, e seu aroma característico lembra a Cânfora. Nativo do continente
africano, suas folhas produzem um óleo aromático inconfundível. Esse aroma é
bastante volátil e não permanece na folha depois de seca com a mesma
intensidade, então pode decepcionar quando se espera dela uma defumação
cheirosa.
MORNA OU EQUILIBRADORA, suas folhas entram em banhos e amacis (águas de
lavagem de cabeça), com a potência da conexão espiritual. Limpeza leve para o
chacra coronário, iluminação, direcionamento, clareza. Esses atributos a colocam
entre outras vibrações, nos colos de Papais Oxalá e Oxóssi, e Mamães Oxum e
Iemanjá.
Seu gradiente de cores energéticas pulsa entre o cristalino esverdeado ao azul
claro, mas passa por todas as nuances tornando a Mirra-Folhas excelente para
entrar nos preparos de todas as vibrações. Seu poder mantenedor de
magnetismos específicos a coloca na reputação de erva adequada para nivelar,
equilibrar, harmonizar e fixar o propósito de um preparo.
Seu nome Pluma-de-Neve é mais usado na jardinagem e paisagismo e diz
respeito à sua floração, que é linda e cai como neve. Seus ramos floridos podem
ficar em vasos dentro de casa, ativados com pedidos de bênçãos de harmonia,
paz e saúde, e são poderosos filtros de condensações de energias de frequência
negativa.
Mais uma vez, evitem confundir a Mirra-Folhas com as resinas ou com Jurema.
O conhecimento agradece!

46-47-48 As Resinas vegetais


Incenso (Olíbano) – Boswellia carterii Birdw.
Mirra – Commiphora sp.
Benjoim (Estoraque) – Styrax benjoin Dry

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A Erveirança continua com três ervas no mesmo post! Elas compõem o
conjunto básico de Resinas Vegetais para a defumação, por isso estão todas
juntas. Então, vale aproveitar tudo que publicamos até aqui para colocar o
conhecimento em prática. Conhecimento gosta de ser utilizado! Vamos lá e não
se esqueçam da nossa programação de lives!
Mesmo que as controvérsias da história nunca se alinhem, seja quanto aos
nomes dos reis magos, ou aos elementos que eles levaram ao recém-nascido
menino Jesus, a herança desse conto mítico sem dúvida nenhuma é bastante
cheirosa e cheia de mistérios.
Belchior da Europa, Gaspar da Ásia e Baltazar da África, trazem cada qual da sua
região Ouro, Incenso e Mirra... Levando em consideração que Mirra era medicina;
Benjoim era queimado (como incenso) para agradar aos deuses e o Olíbano,
resina aromática que se tornou bíblica, tinha peso de ouro ou moeda de troca e
indicava realeza ou divindade; poderíamos afirmar que foram "defumar o
menino" para sua proteção e preparação, para aguentar na matéria as vibrações
densas que essa Divindade alojada num corpo material, atômico, mas qualificado
como o Filho dileto do Criador, teria que passar para trazer a nós o amor e a fé, e
mostrar que isso é possível aqui no nosso meio humano.
Contos místicos ou bíblicos à parte, aqui só os esbocei, sem nenhum critério
histórico e sim especulativo, pois nosso interesse são as RESINAS! É costume
chamar de incenso tudo aquilo que queimamos para aromatizar a casa, mas nem
tudo é Incenso, da mesma forma que nem tudo que se fuma, é Tabaco. Então

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chamaremos, de modo geral, de RESINAS VEGETAIS. Assim como tratamos na
postagem anterior sobre a Mirra-folhas, aqui vamos tratar do Incenso, Mirra e
Benjoim em Resinas.
As resinas são extraídas ou são expelidas naturalmente da entrecascas de
árvores de diversos gêneros, sempre aromáticas, e servem para manter possíveis
predadores à distância, garantindo assim a saúde do tronco e por consequência a
sobrevivência do exemplar. Seja entre cristãos, hindus, budistas tibetanos,
muçulmanos, africanos ou índios americanos, é umas das mais tradicionais
formas religiosas de elevação purificatória, simbolizando a devoção, honra,
reverência e sacrifício.
Favorece a meditação, o contato com as divindades, eleva mentes e corações,
traz calma e conexão. Como uma nuvem de fumaça aromática, sobe até Deus
levando assim pedidos e ofertórios. É verdadeiramente elemento de OFERENDA.
Além de todas essas qualidades, as Resinas queimadas em carvão em brasa tem
simbologia muito pertinente nos dias atuais quanto à purificação, limpeza,
equilíbrio e energização, e ainda aromatizam o ambiente como prática profana.
Vamos aqui discorrer sobre esses três tipos de Resinas mais conhecidas e
usadas por todos os povos. Há centenas delas e precisaríamos de páginas e mais
páginas para falar de todas, o que será explorado nos próximos projetos. Vamos
falar de cada uma delas:

Incenso Resina – Olíbano – Boswellia carterii Birdw.

É o tão conhecido incenso de igreja, aquelas pedrinhas de coloração amarelada


que perfumam e dão permanência nas defumações com carvão em brasa.
Associado a outras ervas secas, proporciona ao ambiente e às pessoas que se
defumam com ele uma leveza ímpar. Estabelece no ambiente uma aura de
tranquilidade e paz de espírito, ânimo e incentivo ao bem comum. Considerado
também um poderoso imantador, prepara o ambiente religioso, para os
assentamentos e firmezas, principalmente quando associado com as outras
resinas. Além disso, combina e estabiliza a função das outras ervas num preparo
conjunto.
Sua capacidade principal é criar um magnetismo espiritual adequado para que os
magnetismos específicos se estabeleçam.
Sinônimos populares: incenso de igreja, incenso do padre, olibanum.
Cor energética: luz intensa, do cristalino ao azulado. Todos os Orixás,
principalmente Oxalá.
Indicações ritualísticas: defumações para o dia a dia; estabilização da vibração
das defumações; imantação dos ambientes religiosos.

Benjoim – Styrax benjoin Dry.

Essa resina também usada exclusivamente para defumação, tem característica


purificadora e limpadora leve. Entra na maioria dos defumadores populares e sua
queima em brasa proporciona, além do aroma agradável, um ambiente
energético propício à religiosidade e ao aprendizado. Também é usado como pré-
defumador, antes do assentamento de forças numa casa religiosa, facilitando a
entrada do magnetismo específico.
Sinônimos populares: bejuim, estoraque, árvore de balsamo, benjoeiro do sião.
Cor energética: branco ao cinza claro. Orixás principais: Oxalá, Oyá-Logunan.
Indicações ritualísticas: defumações com leve poder de limpeza, capaz de
imantar um ambiente com as vibrações de Fé, preparando-o para vibrações
específicas.

100
Mirra – Commiphora sp.

Essa resina clássica vem sendo empregada, desde a antiguidade, em cerimônias


sagradas e cultos religiosos. Os egípcios, entre outras funções, empregavam-na
nas mumificações e nos cultos ao Deus Sol. Os rituais fúnebres de vários povos
estaria incompleto sem a presença da Mirra. Seu nome quer dizer "lágrimas
amargas" ou simplesmente amargor, referência à sua seiva, de sabor amargo e
na forma com que escorre da casca da planta quando é cortada.
Na Umbanda, compõe os defumadores juntamente com o Incenso e o Benjoim e
participa de praticamente todas as defumações básicas.
Sua energia também avermelhada, remete ao poder de limpeza leve, mas
consistente e duradouro, deixando assim, impregnado nas pessoas e ambientes
defumados, uma aura luminosa capaz de promover bem estar e tranquilidade.
Orixás principais: Oxalá, Xangô e Ogum.

Aqui fizemos um básico de Resinas. Teríamos muitas páginas para falar das
diversas variações de Olíbano, Benjoim e Mirra, e também de Copal, Almécega,
Damar, Breu Branco, etc. Mas como não pretendemos parar esse caminho de
conhecimento por aqui, vamos deixar para outra oportunidade!
Que Deus Nosso Pai Criador, Nossa Mãe Natureza, seus Poderes Divinos e
Forças Naturais aceitem e recebam nossas oferendas de queima de incenso,
como pedidos de amparo e proteção, gratidão pela vida! Que assim seja e assim
será.

Erva 49 - Sálvia
Sálvia - Salvia officinalis L.
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Vamos à Sálvia! Uma das ervas mais usadas em defumações em diversas
culturas e religiões pela sua capacidade de autoqueima, sem a necessidade do
carvão em brasa, e pelo aroma agradabilíssimo que proporciona.
A Sálvia foi responsável pelo aforismo “De que pode morrer um homem se em
seu quintal cresce a Sálvia”... Que é bem justo, pois é remédio para muitos
males, como é anunciado e comprovado pela fitoterapia. Largamente usada
também na culinária, apresenta sabor marcante e tempera carnes, peixes e
saladas.
No uso ritualístico, entendemos que a Sálvia é erva consagrada, classificada
como MORNA ou EQUILIBRADORA, que carrega vibração de “ancestralidade”,
remetendo-nos a um clima de sabedoria anciã, por isso é associada aos Orixás
Pais Obaluaiyê e Oxalá e Mãe Nanã.
As defumações com Sálvia, sozinha ou compostas com resinas, proporcionam
excelente purificação e iluminação espiritual para o ambiente e pessoas
presentes. Costumamos queimá-la diretamente dentro de conchas de abalone,
lembrando um processo xamânico, a “defumação dos quatro elementos”, onde
abanamos a erva com um instrumento de penas, representando o elemento ar; a
concha representa o elemento água ou o próprio útero gerador; o fogo colocado
na erva o seu próprio elemento e a erva propriamente dita o elemento terra –
vegetal.
Acendemos a erva com fogo, seja de um fósforo ou de um isqueiro, pois ela
realmente se torna uma defumação depois de consagrada como tal, caso

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contrário é apenas erva queimando e aromatizando o ambiente. Essa queima por
ser muito fácil de fazer é indicada para benzimentos rápidos, cerimônias de
casamento, batismo e funeral e defumações onde não há condições de usar
carvão em brasa.
Suas folhas depois de bem secas também podem compor os “fumos
sagrados”, associada ao Alecrim e ao Anis Estrelado, sua mistura mais conhecida,
difundida por nós desde os anos 2000. No lugar desse Anis, recebe bem o Cravo
e a Canela, resultando em uma ótima combinação. Vale lembrar que quando nos
referimos a "fumo sagrado", não é qualquer coisa que se fuma de forma profana.
Há de ser consagrado, rezado e usado de forma respeitosa. Diferença entre
remédio e veneno pode ser a dose, a forma, o contexto. E com veneno só se
brinca uma vez!
Nos banhos é extremamente equilibradora, proporcionando “pés no chão”,
capacidade de discernimento, sabedoria e propiciando as melhores condições de
tomadas de decisão.
É importante lembrar que a Sálvia a que nos referimos é a Salvia officinalis,
essa simples mesmo, que cresce nos nossos quintais. Há também a Sálvia Branca
(S. apiana), preferida pelos praticantes dos diversos caminhos xamânicos,
bastante usada pelos nativos americanos, e outra qualidade de Sálvia usada
como enteógeno (alterador da consciência) da qual não fazemos referência.
Como já dissemos, a Sálvia é elemento consagrado na fitoterapia, culinária e
uso ritualístico e a cada dia essa fantástica erva me surpreende com uma nova
ação. Vale a pena pelo menos uma vez na vida ter uma experiência pessoal com
ela, seja em banhos, defumações, amacis, ou com os fumos sagrados, afinal é a
nossa erva de sabedoria e ancestralidade.

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