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Apelação Cível: Busca e Apreensão em Veículo

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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ

18ª CÂMARA CÍVEL - PROJUDI


RUA MAUÁ, 920 - ALTO DA GLORIA - Curitiba/PR - CEP: 80.030-901 - E-mail: 18CC@[Link]

Recurso: 0000879-19.2018.8.16.0175
Classe Processual: Apelação Cível
Assunto Principal: Busca e Apreensão
Apelante(s): Geysa Lopes de Oliveira Reghin
Apelado(s): Roberto Koike
Elizabeth Soares dos Santos Koike

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE RESOLUÇÃO DE CONTRATO


CUMULADO COM PEDIDO DE BUSCA E APREENSÃO. COMPRA E
VENDA DE VEÍCULO USADO. ANÚNCIO PARTICULAR REALIZADO NO
SITE “OLX”. FALSO ANÚNCIO. ATUAÇÃO DE ESTELIONATÁRIO.
EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. FATO DE TERCEIRO. DEVER
DE REPARAR O DANO NÃO CONFIGURADO. ALEGAÇÃO DE CULPA
CONCORRENTE. INOVAÇÃO RECURSAL. HONORÁRIOS
ADVOCATÌCIOS MINORADOS. RECURSO PARCIALMENTE
CONHECIDO E, NESTA PARTE, PARCIALMENTE PROVIDO.

1. Não obstante o evidente prejuízo sofrido pela apelante, não é


possível atribuir a responsabilidade aos apelados, por ausência
de prova de ato ilícito de sua parte, o qual apenas pode ser
atribuído ao terceiro estelionatário.

2. É vedada a supressão de instância e não há interesse recursal


quando o apelante inova em seu recurso, abordando temas que
não foram apresentados ao Juízo de origem.

3. Entendo que o valor fixado na sentença deve ser minorado


para 12% do valor da causa considerando que: (i) a causa não se
mostra muito complexa, (ii) houve audiência de instrução e
julgamento e (iii) o tempo razoável que a demanda tramitou para
o deslinde da demanda em questão.

VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível nº.


0000879-19.2018.8.16.0175, da Vara Cível da Comarca de Uraí, em que é
Apelante GEYSA LOPES DE OLIVEIRA REGHIN e Apelados ELIZABETH SOARES DOS
SANTOS KOIKE e ROBERTO KOIKE.

I – RELATÓRIO
Trata-se de ação de resolução cumulado com pedido e busca e a
preensão proposta por GEYSA LOPES DE OLIVEIRA REGHIN contra ELIZABETH
SOARES DOS SANTOS KOIKE e ROBERTO KOIKE, através da qual pretende a
resolução do contrato com a restituição do veículo (mov. 1.1).

Após as tramitações de praxe, sobreveio sentença (mov. 302.1),


nos seguintes termos:

Ante o exposto, com fundamento no artigo 487, inciso I, do Código de


Processo Civil, JULGO IMPROCEDENTE a pretensão da autora GEYSA
LOPES DE OLIVEIRA REGHIN em desfavor de ROBERTO SADAAKI KOIKE e
ELIZABETH SOARES DOS SANTOS KOIKE, nos autos nº 879-19.2018.

Por consequência, determino a manutenção da posse e a transferência do


veículo Toyota Corolla XEI 2.0, placa AOL-5077, cor prata, para os
requeridos supracitados, conforme avençado no momento em que se
operou da tradição.

Por outro lado, com fulcro no artigo 487, inciso I, do CPC, JULGO
PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido deduzido em desfavor de EDGAR
BRAGA FELIX, para condená-lo à reparação do dano material
correspondente ao valor da negociação feita entre o filho da autora e este
requerido.

O valor deverá sofrer atualização monetária pelo índice do INPC, desde a


data da tradição e, acrescidos de juros de mora de 1% (um por cento) ao
mês (art. 406 do CC/02), a contar da citação até o efetivo pagamento.

Considerando o princípio da sucumbência, condeno a parte autora ao


pagamento de 50% das custas processuais e honorários advocatícios em
favor do patrono dos requeridos Roberto e Elizabeth, que fixo em 20%
(vinte por cento, sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85,
§2º do CPC.

Pelo mesmo fundamento, condeno o requerido EDGAR BRAGA FELIX ao


pagamento de 50% das custas processuais e 20% (vinte por cento) do valor
da condenação a título de honorários advocatícios em favor do patrono da
autora, conforme disposição do art. 85, §2º do CPC.

Condeno o Estado do Paraná ao pagamento de R$ 300,00 (trezentos reais)


a título de honorários advocatícios em favor do Dr. DOUGLAS SANTOS
MEZACASA - OAB PR 7548, com fundamento no art. 22, § 1º da Lei nº 8.906
/94 e, com base na Resolução PGE-SEFA 015/2019.
Insatisfeita, a autora interpôs recurso de apelação (mov. 305.1)
sustentando, em suma, que:

a) houve notório inadimplemento por parte da ré, visto que a


parte autora não recebeu os valores devidos pelo veículo, é natural que se de
procedência ao pleito inicial, determinando-se a devolução do bem para quem de
direito. Logo, deve ser reformada a decisão para que se altere a sentença no
sentido de que se devolva o veículo à parte autora e que EDGAR BRAGA FELIX
realize a devolução dos valores para a parte ROBERTO e ELIZABETH;

b) os apelados são comerciantes de veículos, conhecido no ramo


comercial há mais de 30 anos, inclusive foi proprietário de uma pessoa jurídica do
ramo de revenda de veículos;

c) O veículo foi anunciado por R$57.500,00 pela parte apelante.


No entanto, foi adquirido pela parte apelada por R$ 42.750,00, uma diferença
gritante quando comparado aos valores vigentes aos veículos semelhantes ao do
objeto da ação;

d) requer-se que o apelado seja condenado a devolver o veículo e


sucessivamente indenizar a apelante, eis que está devidamente comprovado a sua
omissão aos fatos e colaboração para fraude do negócio devido ao excesso de
vantagens;

e) sucessivamente temos o advento da culpa concorrente, onde,


ocorrendo prejuízo, esse deve ser rateado entre as partes. Caso seja de
entendimento desta Emérita Turma, requer-se que o apelado seja condenado a
ressarcir a apelante em 50% do valor do veículo nos termos da que dispõe a culpa
concorrente;

f) requer, pois, sejam reduzidos os honorários advocatícios


impingidos contra a parte requerente em valor mais adequado à realidade
processual encontrada.

Pugnou, ao final, pelo conhecimento e provimento do recurso.

A parte apelada apresentou contrarrazões no mov. 311.1.


É a breve exposição.

II - VOTO E SUA FUNDAMENTAÇÃO:

Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso deve ser


conhecido.

Alega a apelante que houve notório inadimplemento da parte


apelada, visto que não recebeu os valores devidos pelo veículo, por esta razão,
afirma que deve ser reformada a decisão para que se altere a sentença no sentido
de que se devolva o veículo à parte autora e que EDGAR BRAGA FELIX realize a
devolução dos valores para a parte ROBERTO e ELIZABETH.

Sustenta ainda que o veículo foi anunciado por R$57.500,00 pela


parte apelante, no entanto, foi adquirido pela parte apelada por R$ 42.750,00, uma
diferença gritante quando comparado aos valores vigentes aos veículos
semelhantes ao do objeto da ação.

Vejamos.

Dispõe o artigo 476 do Código Civil, que:

"Art. 476 Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de


cumprir a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro."

Contratos bilaterais são aqueles negócios jurídicos em que ambas


as partes assumem direitos e deveres recíprocos.

Ocorre que, da análise apurado dos autos, é possível aferir das


mensagens realizadas via aplicativo de conversa apresentada aos autos (mov. 1.7),
que a parte apelante GEYSA LOPES DE OLIVEIRA REGHIN, com a ajuda do seu filho
(Bruno) negociou a venda do veículo diretamente com o terceiro (Edgar), que havia
se comprometido a realizar o pagamento de R$56.000,00 pelo veículo descrito na
inicial.

De outro lado, também por meio das mensagens realizadas via


aplicativo de conversa os apelados - ROBERTO e ELIZABETH -, acreditavam estar
comprando o veículo do terceiro (Edgar) (mov. 44.8), com o qual combinou preço
diverso e efetuou o respectivo pagamento, no valor de R$ 42.760,00, conforme
comprovante apresentado no mov. 44.7.

Da narrativa apresentada pelas partes e pelas provas carreadas


aos autos, nota-se que restou configurada a modalidade de golpe do falso anúncio
de venda de veículos pela internet, via site OLX.

Em tais casos, um estelionatário, neste caso a pessoa de nome


Edgar, publica uma cópia do anúncio de venda do veículo, na intenção de enganar
tanto o vendedor (Sra. Geysa) do veículo quanto o interessado na compra (Sr.
Roberto), haja vista que há a possibilidade de o comprador pagar por um bem que
nunca irá receber, como também a de o vendedor entregar o bem sem obter a
respectiva contraprestação, porquanto o dinheiro da compra é depositado para o
terceiro, estelionatário.

Impõe-se observar que esse tipo de golpe envolve a expectativa


de vantagem por parte de ambas as vítimas, o comprador, que geralmente se vê
atraído pelo valor do bem, e o vendedor que anseia a sua liquidez imediata.

Fato é que, ao final da transação, o terceiro estelionatário recebe


o valor do veículo, frustrando a expectativa de uma das partes.

Nessa linha de raciocínio, sob o ângulo contratual, não é o caso


de resolução, porque as partes não entabularam contrato entre si, mas cada um
com o estelionatário Edgar.
Nesse sentido, dispõe o art. 148 do Código Civil:

Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro, se a parte
a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento; em caso
contrário, ainda que subsista o negócio jurídico, o terceiro responderá por
todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou.

Cumpre destacar que, na espécie, não restou comprovado que os


apelados agiram em conluio com o estelionatário Edgar, nem que buscaram obter
vantagem indevida com a transação, sendo tão vítima quanto a apelante, a qual,
contudo, arcou arduamente com os prejuízos da conduta do terceiro estelionatário.

Ressalte-se que, o simples fato de o veículo ter sido adquirido por


pessoas que trabalhou com venda de veículo por valor inferior ao de mercado não
faz presumir a má-fé das apeladas, o enriquecimento ilícito ou sua imprudência na
transação.

Na verdade, a boa-fé é sempre presumida e a má-fé deve ser


efetivamente comprovada.

Por outro lado, ao autorizar a entregar do bem antes de se


certificar que o dinheiro havia sido creditado em sua conta, a apelante assumiu o
risco da transação.

Nesse sentido:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE ANULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO POR DOLO,


COM PEDIDO CUMULADO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E
MORAIS. SENTENÇA QUE JULGOU PARCIALMENTE PROCEDENTES OS
PEDIDOS EM RELAÇÃO A ALGUNS RÉUS E IMPROCEDENTES EM RELAÇÃO A
OUTROS, ALÉM DE PARCIALMENTE PROCEDENTES OS PEDIDOS
RECONVENCIONAIS. INSURGÊNCIA DO AUTOR. (1) ANÚNCIO DE VENDA DE
VEÍCULO NA INTERNET. AUTOR QUE ASSINA O DUT E ENTREGA A POSSE DO
VEÍCULO AO REPRESENTANTE DA COMPRADORA, ACREDITANDO QUE O
PREÇO FORA PAGO MEDIANTE DEPÓSITO DE UM CHEQUE EM CONTA
CORRENTE DE TITULARIDADE DE SUA ESPOSA. POSTERIOR CONSTATAÇÃO
DE QUE O CHEQUE NÃO FOI COMPENSADO. ESTELIONATÁRIO QUE, NESSE
INTERREGNO, ANTES DE A FRAUDE VIR À TONA, REVENDE O VEÍCULO A
TERCEIRO. AUTOR QUE, SEM SOMBRA DE DÚVIDA, FOI VÍTIMA DE GOLPE,
SENDO INDUZIDO EM ERRO PELO DOLO DO ADQUIRENTE. AUSÊNCIA DE
PROVA, CONTUDO, DE QUE, CONTRIBUINDO PARA ISSO, TENHAM
CONCORRIDO OS TERCEIROS QUE, NO DESDOBRAMENTO DOS FATOS,
COMPRARAM O VEÍCULO DOS FRAUDADORES. CIRCUNSTÂNCIAS DO
NEGÓCIO QUE NÃO PERMITIAM A ESTES TERCEIROS SUPOR QUE O
NEGÓCIO ANTERIOR ESTAVA CONTAMINADO PELO VÍCIO DE VONTADE DO
AUTOR. VALIDADE E EFICÁCIA DA COMPRA POR ELES REALIZADA, EX VI DO
ARTIGO 148 DO CÓDIGO CIVIL. MANUTENÇÃO DO DECRETO DE
IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS DO AUTOR DE ANULAÇÃO DO NEGÓCIO E
RETOMADA DA POSSE DO VEÍCULO. (2) CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE
INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL IMPOSTA ANTE O ACOLHIMENTO DE
PEDIDO FORMULADO EM RECONVENÇÃO QUE NÃO DEVE SUBSISTIR. AUTOR
/RECONVINDO QUE, AO ACIONAR A POLÍCIA PEDINDO A INVESTIGAÇÃO DAS
CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE SE DEU A PERDA DO DOMÍNIO E POSSE DO
VEÍCULO, LEVANDO A QUE ESTE FOSSE APREENDIDO, EXERCEU
REGULARMENTE O DIREITO DE OBTER A APURAÇÃO DOS FATOS E A
RESPONSABILIZAÇÃO DOS CULPADOS. DESCABIMENTO DE QUALIFICAÇÃO
COMO ILÍCITA, ADEMAIS, A CONDUTA DO AUTOR/RECONVINDO DE, NA
AÇÃO QUE PROPÔS VISANDO RECUPERAR O VEÍCULO, IMPUTAR AOS
RECONVINTES PARTICIPAÇÃO NA FRAUDE COMETIDA PELOS
ESTELIONATÁRIOS. MERO EXERCÍCIO DE DIREITO DE AÇÃO, SEM PROVA DE
QUE O AUTOR TIVESSE CONHECIMENTO PRÉVIO DA INOCÊNCIA DOS
RECONVINTES. SENTENÇA REFORMADA NESTES PONTO. (3) HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS FIXADOS EM PERCENTUAL DO VALOR DA CAUSA, NA AÇÃO
PRINCIPAL. CRITÉRIO ACERTADO, HAJA VISTA A AUSÊNCIA DE
CONDENAÇÃO. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NA PORÇÃO
CONHECIDA, PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 18ª C.Cível - 0030862-
03.2018.8.16.0001 - Curitiba - Rel.: JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO EM
SEGUNDO GRAU LUIZ HENRIQUE MIRANDA - J. 23.03.2022)

APELAÇÃO. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL C/C BUSCA E APREENSÃO.


RECONVENÇÃO. PARTES QUE FORAM VÍTIMAS DE GOLPE APLICADO POR
MEIO DO SITE OLX. GOLPE DO ANÚNCIO CLONADO. APELANTE QUE
TRANSFERIU O VEÍCULO QUE ESTAVA VENDENDO AO APELADO DE BOA-FÉ,
QUE CHEGOU ATÉ ELE POR MEIO DE ANÚNCIO FALSO VEICULADO POR
TERCEIRO. TERCEIRO QUE PEDIU PARA QUE O VENDEDOR ORIGINAL
/APELANTE SE PASSASSE POR SEU PRIMO E NÃO NEGOCIASSE VALORES
COM OS DOIS HOMENS QUE IRIAM AVALIAR O CARRO, QUE SUPOSTAMENTE
SERIAM SEUS FUNCIONÁRIOS. VENDEDOR QUE ACREDITOU NO TERCEIRO
GOLPISTA E CONCORDOU EM SE PASSAR POR SEU PRIMO. VENDEDOR QUE
CONFIOU NO COMPROVANTE DE TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA FALSO.
APELADO/REQUERIDO QUE FEZ QUESTÃO DE PROVIDENCIAR CONTRATO DE
COMPRA E VENDA EM QUE CONSTASSE QUAIS AS CONTAS PARA AS QUAIS
AS TRANSFERÊNCIAS SERIAM REALIZADAS. APELADO QUE CONFERIU SE OS
VENDEDORES CONHECIAM O TERCEIRO POR MEIO DE FOTOGRAFIA.
APELANTES QUE CONFIRMARAM QUE O CONHECIAM MESMO SEM CONHECÊ-
LO. DOLO DE TERCEIRO, PORÉM SEM O CONHECIMENTO DA PARTE A QUEM
O NEGÓCIO APROVEITOU. ART. 148, DO CÓDIGO CIVIL. RECURSO
CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (TJPR - 17ª C.Cível - 0012039-
39.2019.8.16.0035 - São José dos Pinhais - Rel.: DESEMBARGADOR FABIO
ANDRE SANTOS MUNIZ - J. 21.03.2022)

Sendo assim, não obstante o evidente prejuízo sofrido pela


apelante, não é possível atribuir a responsabilidade aos apelados, por ausência de
prova de ato ilícito de sua parte, o qual apenas pode ser atribuído ao terceiro
estelionatário.

Por estas razões, nego provimento ao recurso.

Culpa concorrente

Sucessivamente, pugna a apelante pela aplicação da culpa


concorrente, ao caso dos autos, com a condenação do apelado a ressarcir a
apelante em 50% do valor do veículo.

Com efeito, é vedada a supressão de instância e não há interesse


recursal quando o apelante inova em seu recurso, abordando temas que não foram
apresentados ao Juízo de origem.

Portanto, não conheço do recurso neste ponto.

Dos honorários

Pugna a parte apelante pela redução na condenação dos


honorários advocatícios em valor mais adequado à realidade processual encontrada.
Para a fixação da verba honorária nos casos em que há
condenação, o julgador deve se nortear pelos requisitos previstos no § 2º, do artigo
85 do CPC/15, levando em consideração a complexidade e natureza da causa, o
grau de zelo do profissional e o tempo exigido para o seu serviço.

Por isso, entendo que o valor fixado na sentença deve ser


minorado para 12% do valor da causa, considerando que: (i) a causa não se mostra
muito complexa, (ii) houve audiência de instrução e julgamento e (iii) o tempo
razoável que a demanda tramitou para o deslinde da demanda em questão.

Da sucumbência

Considerando que não ocorreu alteração substancial na sentença,


deve ser mantido o ônus de sucumbência arbitrado na sentença.

Ante o parcial provimento do recurso, incabível a aplicação do art.


85, § 11 do CPC.

III - DECISÃO:

Ante o exposto, acordam os Desembargadores da 18ª Câmara


Cível do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ, por unanimidade de votos, em julgar
CONHECIDO EM PARTE O RECURSO DE PARTE E PROVIDO OU CONCESSÃO EM
PARTE o recurso de Geysa Lopes de Oliveira Reghin.

O julgamento foi presidido pelo (a) Desembargador Vitor Roberto


Silva, com voto, e dele participaram Desembargador Marcelo Gobbo Dalla Dea
(relator) e Juíza Subst. 2ºgrau Ana Paula Kaled Accioly Rodrigues Da Costa.

Curitiba, 23 de setembro de 2022

Des. MARCELO GOBBO DALLA DEA


Relator

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