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Interdisciplinaridade na Educação de Freire

O artigo explora a relevância das obras de Paulo Freire em um contexto contemporâneo, enfatizando a interdisciplinaridade e a educação libertadora como essenciais para a formação crítica dos indivíduos. A pesquisa sugere que a educação deve transcender a sala de aula, promovendo a interação social e a conscientização política. Além disso, destaca a importância de uma abordagem educacional que respeite a diversidade de saberes e experiências, contribuindo para a emancipação e transformação social.

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Interdisciplinaridade na Educação de Freire

O artigo explora a relevância das obras de Paulo Freire em um contexto contemporâneo, enfatizando a interdisciplinaridade e a educação libertadora como essenciais para a formação crítica dos indivíduos. A pesquisa sugere que a educação deve transcender a sala de aula, promovendo a interação social e a conscientização política. Além disso, destaca a importância de uma abordagem educacional que respeite a diversidade de saberes e experiências, contribuindo para a emancipação e transformação social.

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Canoas, n. 51, 2022.

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Ressignificando Paulo Freire: uma vivência interdisciplinar

Fabiola Rebessi Zillo1

Rafaela Rebessi Zillo2

Resumo: Considerando as diferentes épocas e eventuais mudanças sociopolíticas, viver Paulo Freire e refletir Paulo
Freire torna o presente um objetivo do passado, esse artigo insere-se no debate explorando as diversas obras do autor,
tipos de leitores e sobretudo identificação e interpretação da conjuntura política atual, a questão interdisciplinar
entre as práticas educativas na escola e adaptações nas realidades do mercado de trabalho, o trabalho investigativo
sugere que uma educação para a liberdade não está limitada somente à sala de aula, e sim em diversos espaços onde
se tem interação social e interdisciplinaridade dos saberes e situações.
Palavras-chaves: Interdisciplinaridade. Educação libertadora. Paulo Freire.

Redefining Paulo Freire: an interdisciplinary experience


Abstract: Considering the different times and possible sociopolitical changes, living Paulo Freire and to reflect Paulo
Freire make the present an objective of the past, this article is part of the discussion exploring the author’s different
works, types of readers and also about the identification and interpretation of the currently political conjuncture,
the interdisciplinary question approach between educational practices at school and realities’s adaptations of labor
market. This article suggests that an education for freedom is not limited only to the classroom, but in several spaces
where there are social interaction and interdisciplinarity of knowledge and situations.

Keywords: Interdisciplinarity. Education for freedom. Paulo Freire.

Introdução

Neste artigo trabalhamos com a contribuição de conhecimento do educador Paulo Freire em diversas áreas do
conhecimento, seus estudos nos apontam para uma interdisciplinaridade que condiz com o passado, presente e o futuro.

Nosso Patrono da Educação Brasileira nasceu em 1921 na cidade de Recife, Paulo Freire foi homenageado
em mais de trinta e cinco instituições do Brasil e no mundo, sendo o brasileiro que mais recebeu títulos honoris3
causa pelo mundo. Esse título é concebido somente para a pessoa que tenha destaques e influências de grande

1 Bibliotecária (USP) Especialista em Tecnologia da Informação (UNIDERP).


2 Mestra em Ciências (USP) Cientista dos Alimentos (USP) Graduanda em Pedagogia (UNIVESP).
3 Título honoris - é o título mais importante concedido pela Universidade, aprovado em sessão do Conselho Universitário.
Pode ser atribuído a personalidade eminente, nacional ou estrangeira, que tenha se destacado singularmente por sua
contribuição à cultura, à educação ou à Humanidade.
2 Fabiola Rebessi Zillo, Rafaela Rebessi Zillo

importância na vida das pessoas e sobretudo promovendo a paz. Morreu em 1997 deixando seu legado e orgulho
para o Brasil.

Suas ideias fazem-se pertinentes ao atual contexto, contribuindo permanentemente com a qualidade no
campo educacional. Na obra de Freire, o ato pedagógico é mais que uma mera transmissão de conteúdo. É um gesto
de participação política, de militância na reinvenção da cultura e do homem.

Freire (2005) trabalha em um ponto padrão que é sua posição política em favor dos menos privilegiados,
contudo manifesta que a educação em seus livros é libertadora e emancipatória que potencialize cada indivíduo e
favoreça o crescimento deste em toda a sua plenitude, que possibilite ser crítico a sua realidade e ao que lhe é imposto.

O conteúdo de suas linhas é profundo, por vezes difíceis de se compreender, mas quando se consegue
penetrar em sua essência, nos mostra uma imensidão de inovações e integrações, verdades que até então estavam
obscuras na ordenação lógica de conceitos.

Freire (1977) afirma que conhecer não é o ato através do qual um sujeito transformado em objeto, recebe
dócil e passivamente os conteúdos que outro lhe dá ou lhe impõe. O conhecimento pelo contrário, exige uma
presença curiosa do sujeito em face do mundo. Requer sua ação transformadora sobre a realidade. Demanda uma
busca constante. Implica invenção e reinvenção.

Segundo aponta (FREIRE, 1993) a interdisciplinaridade é o processo metodológico de construção do


conhecimento pelo sujeito com base em relação com o contexto, com a realidade, com sua cultura. Visto que,
até mesmo os privilegiados em suas carreiras e situações podem com o saber desenvolver hábitos e culturas que
engrandecem suas pesquisas e teorias.
O homem como um ser inconcluso, consciente de sua inconclusão, e seu permanente movimento de busca
do ser mais (FREIRE, 2005, p.83).

Vários autores relatam um conjunto de fatores que explicitam as contribuições e a significância do saber,
pode-se ele estar vinculado nas áreas de ciências sociais e da terra, ciências biológicas, engenharias, ciências da
saúde, ciências agrárias, ciências sociais aplicadas, ciências humanas, linguística, letras e artes, entre outros. Ter seu
cargo como empresário, advogado, contador, coletor de lixo, servente, professor, a interdisciplinaridade que vincula
Paulo Freire é dianteira diante de suas necessidades individuais e coletivas, o perfil pedagógico é sobretudo o sempre
aprender, ao objeto que dinamiza a questão do querer crescer e aprimorar cada vez mais.
Uma vez constituída, uma ciência não retoma a seu cargo, e nos encadeamentos que lhe são próprios, tudo
que formava a prática discursiva em que aparecia; não dissipa tampouco – para remetê-lo à pré-história
dos erros, dos preconceitos ou da imaginação – o saber que a cerca. A anatomia patológica não reduziu
nem reconduziu às normas da cientificidade a positividade da medicina clínica. O saber não é o canteiro
epistemológico que desapareceria na ciência que o realiza. A ciência (ou o que passa por tal) localiza-se no
em um campo de saber e nele tem um papel, que varia conforme as diferentes formações discursivas e que
se modifica de acordo com suas mutações (FOUCALT, 1995, p. 209).

Segundo Foucault (1995), o saber era uma espécie de afloramento onde a capacidade de desenvolvimento de
uma área específica de torna crescente e não volta a seu lugar de origem.

Os estudos relacionados a Paulo Freire contribuem nas questões políticas humanitárias, ele também era um
político, o ser político é essencial nas questões sociais.
Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado, mas, consciente do inacabamento,
sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o determinado
(FREIRE, 2000, p. 59).

Essa frase nos conduz a compreender esse novo momento histórico que vivemos, a educação é um ato político

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Ressignificando Paulo Freire: uma vivência interdisciplinar 3
que compreende a existência de várias questões políticas que se direciona através da prática e consciência de direitos.

A ascensão do pesquisador se dá principalmente no jeito de se pensar, o Patrono da Educação Brasileira


nos remete características que basicamente nós entregamos no dia-a-dia, e o estudo dele nos faz destacar sua
ressignificância constante diante do pensar e fazer o conhecimento.
O conhecimento, exige uma presença curiosa do sujeito em face do mundo. Requer sua ação transformadora
sobre a realidade. Demanda uma busca constante. Implica em invenção e em reinvenção. Reclama a
reflexão crítica de cada um sobre o ato mesmo de conhecer, pelo qual se reconhece conhecendo e, ao
reconhecer-se assim, percebe “como” de seu conhecer e os condicionamentos a que está submetido seu ato
(FREIRE, 1977, p. 27).

Um exemplo seria Pedagogia do Oprimido, a obra nos remete a liberdade e emancipação, um projeto que se
desenvolvido colabora para que o indivíduo oprimido passe por processos que engrandecem seus saberes e ampliam
suas perspectivas diante de seus objetivos prioritários, sendo assim a interdisciplinaridade esta destacada desde a
área de subordinados até a chefia.

Estudos apontam que as obras de Paulo Freire defendiam sobretudo a Educação, que o aluno seja crítico
diante de suas pesquisas e estudos. A criticidade em Paulo Freire se desenvolve em diversas áreas do conhecimento
desde a questões artísticas, humanas e exatas, seja no ensino infantil a pesquisas científicas de pós-graduação.

Nessa perspectiva, estudos freireanos sobre a educação bancária revelam como ela pode ser um instrumento
de opressão (FREIRE, 2004). Entende-se que há uma busca de uma educação libertária e emancipatória que
potencialize cada indivíduo e favoreça o crescimento deste em toda a sua plenitude, que possibilite ser crítico a sua
realidade e ao que lhe é imposto (FREIRE, 2005, p.71-73).
Na visão “bancária” da educação, o “saber” é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam
nada saber. Doação que se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão – a
absolutização da ignorância, segundo a qual esta se encontra sempre no outro (FREIRE, 2005, p. 67).

Na verdade, Freire aponta que o educador sabe, tem a sabedoria, e se os educandos nada sabem, cabe aos
educadores dar, entregar, levar e transmitir o conhecimento e leva-los adiante como um organismo em crescimento,
ressignificando o verdadeiro saber diante da contemporaneidade, a educação tem que ser libertadora, criadora,
inovadora e história e não bancária onde fica estagnada.

Entende-se que na educação bancária é como se os educadores preenchessem espaços vazios com
conhecimentos que eles julgam necessários, não contemplando criatividades e interpretações diversas.

Educação libertadora

A perspectiva nas obras de Paulo Freire nos sugere uma inquietação referente a prática da liberdade, onde
remetem diversas áreas contemplando a interdisciplinaridade propostas em melhorias nas práticas de ensino atuais,
mais especificamente na educação voltada a problemas políticos e socioculturais, questões ambientais, ações culturais
e comunicação para a liberdade. Mas o que seria interdisciplinaridade? Para responder esse questionamento é
necessário compreender que o tema abrange múltiplos sentidos, sendo estes: área do conhecimento, assuntos que se
integram entre si.
A perspectiva interdisciplinar é uma posição metodológica usada para permitir que os sujeitos avaliados
sejam respeitados em seu cotidiano, isto é, o avaliador não pode estar à procura de elementos que se
encaixem dentro de modelos ou padrões preestabelecidos (QUELUZ, 2000, p. 15).

Nesse sentido, a obra educação como prática da liberdade propõe condições e métodos para que ninguém

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4 Fabiola Rebessi Zillo, Rafaela Rebessi Zillo

seja mais excluído ou posto à margem da vida nacional.

Segundo Freire (2005) não há educação fora das sociedades humanas e não há homem no vazio, é um
pensamento engajado onde há alternativas para se reinventar e transformar, o pensar esperançoso que nada mais é
pensar no futuro, emancipação diante dos oprimidos.
É preciso, porém, que tenhamos na resistência que nos preserva vivos, na compreensão do futuro como
problema e na vocação para o ser mais como expressão da natureza humana em processo de estar sendo,
fundamentos para a nossa rebeldia e não para a nossa resignação em face das ofensas que nos destroem o
ser. Não é na resignação, mas na rebeldia em face das injustiças que nos afirmamos (Freire, 1996, p. 87).

A seguir, o autor destaca uma contradição entre opressão e libertação.


A opressão, que é um controle esmagador, é necrófila. Nutre-se do amor à morte e não do amor à vida //
a concepção bancária, que a ela serve, também o é. No momento mesmo em que se funda num conceito
mecânico, estático, especializado da consciência e em que transforma, por isto mesmo, os educandos em
recipientes, em quase coisas, não pode esconder sua marca necrófila. Não se deixa mover pelo ânimo de
libertar o pensamento pela ação dos homens uns com os outros na tarefa comum de refazerem o mundo e
de torná-lo mais e mais humano (FREIRE, 2005, p. 74-75).

De forma organizada e interdisciplinar, considera todos os saberes como importantes, a pluralidade de


conhecimentos e sua absorção é o que prevalece.

Para Freire (2005), a ideia de liberdade está ligada à autonomia, à responsabilidade e à conscientização. Ela
se torna uma interdisciplinaridade comum em que o objetivo central é de ser mais, superar as dificuldades impostas
vivenciadas no decorrer da vida e vencer diante da libertação.

Freire (2005) destaca ao afirmar que tanto os oprimidos quanto os opressores necessitam de liberdade, estes
por sua vez sentiram em suas vidas tais sentimentos como: perda de qualidades, as sensibilidades se tornaram frias,
espiritualidades escassas, compaixão diminuída e dignidade afetada pelo mundo a sua volta, perdas de sentimentos
caracterizam as qualidades do ser humano, pois torna-se recorrente o fato de controlar, julgar, ordenar, obedecer.

A interdisciplinaridade ao alcance de todos

Sabemos, contudo, que cada esfera da vida tem o seu próprio tempo; mais apropriadamente, a sua
temporalidade. A interrupção deste ciclo se tornou um dos grandes problemas da teoria política, mas afinal é
possível que a democracia se degenere? duas certezas nos restam: o tempo não para, e o tempo da política é agora, e
a educação não pode esperar, ela tem vários problemas e dimensões, quando falamos das ferramentas digitais para as
escolas, então partimos da premissa internet, mas em uma país com tanta desigualdade como o Brasil, como ficam
os menos privilegiados?

Freire (2000) tinha em mente a escola cidadã, a mesma promove o exercício da cidadania por todos que dela
participam.
A escola cidadã é aquela que se assume como um centro de direitos e de deveres. O que a caracteriza é a
formação para a cidadania. A Escola Cidadã, então, é a escola que viabiliza a cidadania de quem está nela
e de quem vem a ela. Ela não pode ser uma escola cidadã em si e para si. Ela é cidadã na medida mesma
em que se exercita na construção da cidadania de quem usa o seu espaço. A Escola Cidadã é uma escola
coerente com a liberdade. É coerente com o seu discurso formador, libertador. É toda escola que, brigando
para ser ela mesma, luta para que os edu-candos-educadores também sejam eles mesmos. E, como ninguém
pode ser só, a Escola Cidadã é uma escola de comunidade, de companheirismo. É uma escola de produção
comum do saber e da liberdade. É uma escola que vive a experiência tensa da democracia’ (FREIRE, 2000).

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Ressignificando Paulo Freire: uma vivência interdisciplinar 5
As razões que motivaram Freire a desenvolver esse projeto foram baseadas na interdisciplinaridade voltado
na reforma curricular, este nos dias atuais seria de grande importância na atual conjuntura política e também nas
questões relacionadas com a pandemia, porém, o movimento foi rejeitado.

A lógica é simples, tudo é questão de política, e a interdisciplinaridade como prática sempre foi uma
preocupação permanente de Freire, ela é estabelecida como requisito para uma visão da realidade nas situações
atuais, ultimamente encontramos nos debates políticos ataques aos trabalhos de Paulo Freire, nas redes sociais
e recorrentemente ele é citado de forma negativa, segundo Fátima Linhares Paulo Freire gera revoltas na ala
conservadora por seus métodos e teorias pedagógicas “que não passaram de fachadas para abrigar ideais e movimentos
organizados de lutas de classes.”

Em suas obras Paulo Freire destaca a ideia de pedagogia libertadora, foi resultante de movimentos da
educação popular ocorridos nas décadas de 1970, que batiam de frente com o autoritarismo, tornando-se o aluno
ativo diante de justiças sociais.

Para Dennis (2021), esse ódio atual ao educador Paulo Freire tem origem no período da ditadura militar e
integra o pensamento conservador brasileiro que esconde os reais problemas da educação, sendo o principal deles
o financiamento.
“O pensamento conservador quer esconder isto: não interessa a valorização da educação principalmente
porque os filhos das classes dominantes podem estudar em escolas particulares de alto nível, mas para não
mostrar esta realidade responsabilizam o professor, os profissionais da educação, o Paulo Freire, por tudo
isso” (DENNIS, 2021).

É nesse contexto que a ressignificação das práticas pedagógicas criadas por Paulo Freire assume um papel
importante na vida das pessoas e sobretudo nas interdisciplinaridades das situações.

Terezinha Azerêdo Rios (2021) no Posfácio do livro: A importância do ato de ler: em três artigos que se
completam, enfatiza sobre a importância do ato de Freirear:
E já anuncio: freirear não é seguir Paulo Freire. Walter Kohan nos faz lembrar de algo dito pelo educador
em uma de suas obras: “(...) sempre digo que a única maneira que alguém tem de aplicar, no seu contexto,
algumas das proposições que fiz é exatamente refazer-me, quer dizer, não seguir-me. Para seguir-me, o
fundamental é não seguir-me”. Assim, quando freireamos, estamos nos propondo a atender à provocação
de Paulo, de ir com ele por trilhas que a todo momento solicitam nossa atenção no sentido de rever,
repensar, renovar ideias, crenças, sentimentos, ações sobre a realidade (RIOS, 2021, p. 157).

Nesse sentido, não adianta lermos todos os livros do autor se não praticamos a ressignificação de suas
palavras e atos, a atualização se faz necessário pois a realidade atual depende de um novo discurso e práticas, mas a
ideia central permanece. Complementa também:
Cada um se aproxima da vida e da obra de Paulo de um jeito particular. Cada um freireia estimulado por
necessidades, desejos, identificações com as provocações que o pensador nos traz. Mas há algo em comum
nos gestos dos que freireiam: a proximidade com as marcas de uma forma de estar no mundo – com o
mundo e com os outros – específicas de uma pessoa crítica, alegre, generosa, transgressora, amorosa, aberta
à vida. E mais: preocupada essencialmente com a construção de uma educação libertadora, emancipadora,
uma escola verdadeiramente pública e democrática, ideia-chave do pensamento de Freire (RIOS, 2021, p.
157).

É necessário Freirear nos tempos atuais, onde o ódio tenta se intensificar a cada dia. Freirear hoje é mais
necessário do que nunca.

Vale retomar o que ele escreveu em 1971, no exílio, e que Nita Freire reproduziu em Pedagogia dos sonhos possíveis:
“Nosso discurso diferente

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6 Fabiola Rebessi Zillo, Rafaela Rebessi Zillo

– nossa palavração – será dito


por nosso corpo todo:
nossas mãos, nossos pés, nossa reflexão.
(...) Se emudecermos ao se calarem
as mentiras atuais
novas mentiras surgirão,
em nome de nossa libertação.
Nosso discurso diferente
– nossa palavração –
como discurso verdadeiro,
se fará e re-fará;
jamais é ou terá sido,
porque sempre estará sendo.”
(FREIRE, 1971)

Levar adiante os nossos ensinamentos, é uma prática inovadora que nos remete a redirecionar os
conhecimentos adquiridos nos dias atuais, é sobretudo reinventar-se a educação libertadora do autor.

Uma frase bem conhecida do nosso Patrono da Educação e que se destaca diante desse movimento de ódio
e que faz referências interdisciplinares é:

“Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. (FREIRE
1979, p.84). Palavras simples e de entendimento mútuo que nos remetem a acreditar que a mudança é necessária e
real, mesmo vivendo com ideologias diferentes e constantes.

Conclusão

Quando um país aceita o grande desafio do desenvolvimento, nada mais necessário que atentar para o
seu processo de civilização, o civilizar-se, e para isso as práticas educadores de Paulo Freire devem ser vividas e
reinventadas em suas diversas interdisciplinaridades.

As obras de Freire nos inspiram em processos socioeducativos inovadores independente se você for educador
ou dono de uma empresa, o reinventar-se é necessário, é exigido no mundo atual e nos processos como prática da
liberdade e emancipação. Paulo Freire nos ensinou a ler o mundo em suas interdisciplinaridades, é um ressignificar
constante, é uma educação para a liberdade e não está limitada somente à sala de aula, ela pode e deve ocorrer no
cotidiano, as obras enfatizam a interação social, além de sua aplicação do conhecimento também ser múltipla.

Paulo Freire, presente!

Referências
ADOTTI, M. Paulo Freire: uma biobibliográfica. São Paulo : Cortez, 1996.
AGÊNCIA CEUB. OLIVEIRA, Dennis de. Paulo Freire, 100 anos: pesquisador analisa ataques a Patrono da Educação.
Agência de notícias, 2021. Acesso em: 24/10/2022 disponível em: <https://agenciadenoticias.uniceub.br/destaque/
paulo-freire-100-anos-por-que-em-2021-patrono-da-educacao-no-brasil-e-atacado/>
AZEVEDO, J. C. Escola Cidadã: desafios, diálogos e travessias. Petrópolis: Vozes, 2000.

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Ressignificando Paulo Freire: uma vivência interdisciplinar 7
FREIRE, P. Conscientização. São Paulo : Cortez, 2018.
FREIRE, P. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
FREIRE, P. A importância do ato de ler [livro eletrônico] : em três artigos que se completam / Paulo Freire. São
Paulo : Cortez, 2022.
FREIRE, P. Conscientização: teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire.
Tradução de Kátia de Mello e Silva. São Paulo: Cortez & Moraes, 1979.
FREIRE, P. Pedagogia dos sonhos possíveis: organização e apresentação de Ana Maria Araújo Freire. São Paulo:
Editora Unesp, 2001.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 41.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. 213p. ISBN 85-219-0005-8
FREIRE, P. Extensão ou comunicação? 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977. 93 p.
FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. 23. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999. 158 p.
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FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitaria, 1995. 239 p. ISBN 85-218-
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QUELUZ, A. G. (Org.) Interdisciplinaridade: formação de profissionais da educação. São Paulo: Pioneira, 2000.
SÍVERES, L. (Org.) Diálogos com Paulo Freire. Caxias do Sul, RS: Educs, 2021.
ZITKOSKI, J. J.; STRECK, D. R.; REDIN, E. Dicionário Paulo Freire. Belo Horizonte, MG: Autêntica Editora, 2022.

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