UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA
RELATÓRIO DE ENSAIO DE TRAÇÃO-ANÁLISE DE CORPOS-DE-
PROVA METÁLICOS: FERRO FUNDIDO; AÇO CARBONO 1020; LATÃO E
ALUMÍNIO
PROF. CARLOS ALBERTO MONEZI OLIVEIRA
MATEUS MAGALHÃES CAMARA
TIA/RA: 32331959/10417784
TURMA: 5D11
São Paulo
2025
1 OBJETIVO..............................................................................................................3
2 INTRODUÇÃO......................................................................................................4
2.1 COMO FUNCIONA UM TESTE DE TRAÇÃO....................................................................................4
2.2 GRÁFICO TENSÃO X DEFORMAÇÃO...........................................................................................6
2.2.1 Deformação Elástica............................................................................................................7
2.2.2 Deformação Plástica............................................................................................................8
2.2.3 Ruptura.................................................................................................................................9
2.3 CÁLCULO DO ERRO......................................................................................................................9
3 MATERIAIS E MÉTODOS................................................................................10
3.1 EQUIPAMENTOS UTILIZADOS.....................................................................................................10
3.1.1 Zwick Roell z100.................................................................................................................10
3.1.2 Corpos-de-prova.................................................................................................................11
3.2 PROCEDIMENTOS.......................................................................................................................12
4 RESULTADOS......................................................................................................14
5 CONCLUSÕES.....................................................................................................15
5.1 FERRO FUNDIDO........................................................................................................................15
5.2 AÇO CARBONO...........................................................................................................................16
5.3 LATÃO.......................................................................................................................................16
5.4 ALUMÍNIO..................................................................................................................................17
6 REFERÊNCIAS....................................................................................................18
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1 OBJETIVO
O objetivo deste ensaio visa: analisar o comportamento de diferentes tipos de materiais
quando expostos à tração; analisar gráficos de Tensão X Deformação e ler os dados fornecidos
por eles, como tensões de escoamento e tensões limites de resistências e comparar com
valores tabelados de cada material e com isso definir o erro do experimental.
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2 INTRODUÇÃO
Durante um projeto, seja ele de qualquer área imaginável, é de extrema importância a
escolha correta dos materiais que serão utilizados, assim evitando prejuízos, danos materiais e
principalmente para não colocar a vida de nenhuma pessoa em risco. Portanto, quando
engenheiros vão decidir entre algum material, eles consultam tabelas que contêm dados e
propriedades para poder comparar as vastas opções de escolha. Mas como esses dados de
resistência são recolhidos?
Uma das mais importantes características de um material é sua resistência e para
determinar tais valores, ensaios têm que serem realizados para a determinação experimental
desses valores. Por questões de padronização, a ISO (International Organization for
Standardization ou Organização Internacional de Normalização) normalizou uma série de
regras e padrões para a realização destes ensaios, que são descritos na ISO 6892-1, que
normaliza os testes de tensão à materiais em temperatura ambiente.
2.1 COMO FUNCIONA UM TESTE DE TRAÇÃO
Tração é a força que age em um corpo para esticá-lo ou puxá-lo em uma direção. Ela
ocorre, por exemplo, quando uma corda é puxada em ambas as extremidades. A aplicação
desse tipo de força, pode, ou não, causar danos sovereiros à estrutura caso o material não
aguente tal tensão, por isso, em um laboratório, corpos-de-prova são testados ao limite, para
assim, inferir quais são os limites à tração que aquele material suporta.
O teste é relativamente simples: uma máquina irá aplicar tração, movendo uma de suas
superfícies, no corpo-de-prova, que terá suas dimensões de comprimento monitoras através de
um extensômetro. Na máquina existe uma célula de força que irá medir qual a força de tração
aplicada à peça. Quando o corpo-de-prova se romper, a máquina irá perceber e vai parar de
coletar os dados, e então gerando um gráfico de Tensão X Deformação.
A tensão é calculada pela fórmula abaixo, sendo F a força aplicada e A0 a área inicial.
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F
σ=
A0
Um ponto que deve ser ressaltado é que a deformação é dada em formato percentual
(adimensional) para assim poder ser inferida para todos os outros ensaios ou usos do material.
Outro ponto é que quando ocorre a estrição, a área da seção transversal diminui, o que faria a
tensão aumentar, porém, seria muito difícil medir a redução da área, por isso chamamos esses
gráficos de “Curva Convencional” ou “Curva de Engenharia”, pois todas as contas são feitas
considerando a área da base inicial.
A deformação é dada pela fórmula abaixo, sendo ε a deformação adimensional; L0 o
comprimento útil original do corpo-de-prova e L o comprimento da carga aplicada.
L−L0 ΔL
ε c= =
L0 L0
Figura 1 Diagrama de funcionamento de uma máquina de tração
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Figura 2 Diagrama de corpo-de-prova padrão
2.2 GRÁFICO TENSÃO X DEFORMAÇÃO
A figura abaixo é um exemplo de um gráfico de tensão X Deformação. Nele,
observamos a deformação do material em função da tensão aplicada, e com isso analisar as
tensões que ele suporta, classificar como dúctil ou não etc.
Figura 3 Gráfico exemplo de Tração X Deformação
Podemos dividir o gráfico em 3 partes: deformação elástica, deformação plástica e
ruptura. Cada uma será explicada nas seções abaixo.
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2.2.1 DEFORMAÇÃO ELÁSTICA
Figura 4 Parte em vermelha do gráfico representa a região de deformação plástica
Está região é compreendida por uma reta. Essa primeira parte do gráfico representa
que a tensão aplicada não é capaz de deformar permanentemente o material, ou seja, ao se
retirar a tensão, o material volta a ter as condições iniciais. Chamamos a tensão máxima que
um material pode receber sem sofrer deformação plástica de tensão ou limite de escoamento.
Se o corpo ficar muito tempo sob tração, mesmo que dentro do limite de escoamento, ele vai
deformar um pouco, mas para pouco tempo de aplicação, podemos considerar que há zero
deformação. Por ser um comportamento elástico, o corpo obedece à Lei de Hooke e por isso o
gráfico é uma reta.
Como pode-se observar, a troca da região de deformação elástica para plástica não é
bem definida, portanto, para descobrir uma aproximação da tensão de escoamento, traçamos
uma reta paralela a do gráfico, com início em deformação de 0,2%.
Podemos definir a tensão de escoamento como:
σ =E ⋅ε
Sendo σ a tensão; E o Módulo de Elasticidade (ou Módulo de Young) e ε a
deformação.
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2.2.2 DEFORMAÇÃO PLÁSTICA
Figura 5 Parte em vermelha representando a região de deformação plástica
A região de deformação plástica consiste na região do gráfico em que a deformação é
permanente no corpo, ou seja, ele não irá voltar mais para as dimensões de antes da aplicação
da tensão. Há três partes interessantes para se observar nessa seção: a transição de deformação
elástica para plástica; o ponto de tensão máxima; e o começo da queda da curva.
A região de transição é clara pois percebe-se que com pouco aumento de tensão a
deformação é bem alta e não linear.
O ponto M representa o Limite de Resistência de Tração, que é o ponto mais alto da
curva. Nele, a seção transversal do corpo-de-prova começa a se deformar, então a energia da
tração aplicada é gasta não para deformar o corpo em seu comprimento, mas sim no
estreitamento da seção transversal.
A seguinte fórmula dito o comportamento plástico de um material:
n
σ =k ⋅ ε
Sendo k uma constante do material e n o índice de encurtamento.
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2.2.3 RUPTURA
Figura 6 Parte em vermelha representando a região de ruptura
Nesta última parte do gráfico, o material já se encontra muito fadigado, e é questão de
tempo para ocorrer a falha, que é notada no ponto F. nesta parte, o corpo-de-prova se rompe
em dois. A tendencia é que o rompimento ocorra perto das extremidades do corpo-de-prova.
2.3 CÁLCULO DO ERRO
Para acharmos o erro do ensaio em relação à valores tabelados, usamos a fórmula:
|v T −v E|
E= ⋅100
vT
Sendo vt o valor teórico e ve o valor experimental. O resultado será em porcentagem.
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3 MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 EQUIPAMENTOS UTILIZADOS
Para este ensaio foram utilizados: paquímetro digital Digimess para medição das
dimensões dos corpos-de-prova; quatro corpos-de-prova cilíndricos (ferro fundido; aço
carbono; latão e alumínio) usinados nos Laboratórios de Usinagem da UPM; e uma Zwick
Roell z100, modelo de máquina de ensaio de tração utilizada neste ensaio.
3.1.1 ZWICK ROELL Z100
A Zwick Roell é uma empresa alemã fabricante de equipamentos de teste de materiais,
oferecendo soluções para ensaios mecânicos em diversos setores, como automotivo,
aeroespacial e biomédico. O modelo Zwick Roell Z100 é uma máquina de ensaio universal
usada para testes de tração, compressão e flexão em materiais. Possui capacidade de carga até
100 kN, alta precisão (sensibilidade mínima de 0,2kN e velocidade de 0,0005 mm/min a
600mm/min), e é amplamente utilizado na indústria e pesquisa para avaliar propriedades
mecânicas de metais, plásticos e outros materiais. Seu sistema modular permite integração
com acessórios para diferentes tipos de ensaios, além de oferecer controle por software para
análise detalhada dos resultados.
A máquina utilizada no laboratório da UPM pertence à própria Universidade.
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Figura 7 Zwick Roell z100 do laboratório de Materiais da UPM
3.1.2 CORPOS-DE-PROVA
Foram utilizados 4 corpos-de-prova de iguais dimensões (considerando aproximação),
mas os dados inseridos nas máquinas foram os aferidos com o paquímetro. A tabela abaixo
contém os diâmetros medidos para cada corpo de prova. O comprimento útil foi considerado
40 mm para todos os corpos-de-prova.
Corpo-de-Prova Diâmetro (mm)
Ferro Fundido 4,00
Aço Carbono (1020) 4,01
Latão 3,95
Alumínio 3,89
Tabela 1 Diâmetros dos corpos-de-prova utilizados no ensaio
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3.2 PROCEDIMENTOS
O primeiro passo para a realização do ensaio foi a medição dos corpos de prova,
principalmente da parte útil e de seu diâmetro para que esses dados fossem inseridos na
máquina. Devida a alta complexidade do equipamento, os alunos não manusearam a máquina
e um dos técnicos do laboratório, Cleito.
Após programar a máquina com todas as cotas, ele começava o procedimento para
prender o corpo-de-prova nas travas, girando esses dois volantes na frente (vistos na próxima
foto) e mais dois atrás. Feito isso, o corpo já estava devidamente preso ao equipamento,
podendo ser dado início ao ensaio.
A máquina então começava a tracionar o corpo-de-prova com velocidade de 1 mm/min
e instantaneamente o gráfico já começava a ser gerado na tela do computador. Durante o
processo, o professor ia nos explicando o que estava acontecendo. Quando se ia chegando
mais para o final do ensaio, os corpos-de-prova começavam a emitir uns estalos metálicos
(com exceção do ferro fundido) até que eles se rompiam. Neste momento, a máquina parava
de gerar o gráfico e o ensaio estava terminado. Esse processo foi repetido por quatro vezes,
um ensaio para cada tipo de material que tínhamos disponível.
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Figura 8 Corpo-de-prova de ferro fundido durante o ensaio
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4 RESULTADOS
Este foi o gráfico gerado pela máquina. Nele, podemos observar as linhas para vermos
o comportamento de cada material.
Figura 9 Gráfico Tensão x Deformação gerado pela máquina. Ferro fundido=vermelho. Aço=verde. Latão=azul.
Alumínio=laranja
Todos os dados foram gerados numa sala a temperatura ambiente de 22°C
Ensaio Tensão Máxima Deformação (%) Tensão de Tensão de
(Mpa) Ruptura Escoamento
(Mpa) (Mpa)
Ferro Fundido 245 2,0 245 -
Aço Carbono (1020) 451 24,7 288 297
Latão 377 15,1 271
345
Alumínio 301 8,3 201 301
Tabela 2 Tabela com os dados fornecidos
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5 CONCLUSÕES
Dada a situação não tão normatizada que estávamos nos laboratórios, levando em
consideração erros maiores que a tolerância da norma em todo o processo de fabricação dos
corpos-de-prova; a fixação não-perfeita na máquina e a realização de apenas um ensaio,
concluímos que o ensaio foi bem-sucedido para sua proposta.
Todos os erros foram calculados com valores retirados do livro Resistência dos
Materiais, de Russell C. Hibbeler.
Figura 10 Corpos-de-prova após o ensaio. Da esquerda para a direita: ferro fundido; aço; latão e alumínio
5.1 FERRO FUNDIDO
Como podemos observar no gráfico, só há deformação elástica e não houve
empescoçamento, e durante o ensaio, pode-se ouvir um som repentino de quebra. Calculando
os erros:
Resistência Máxima:
|276−245|
E= ∗100=11 %
276
Alongamento:
|5−2|
E= ∗100=60 %
5
15
5.2 AÇO CARBONO
Há deformação plástica, e patamar de escoamento. O corpo-de-prova após o
rompimento apresentou uma superfície em formato de taça e bastante rugosa, que é uma
característica de materiais dúcteis graças aos seus contornos de grãos. Também houve no
gráfico uma área chamada de “efeito transitório”, que é justamente uma transição bem
definida da transformação plástica para elástica. Calculando os erros:
Tensão de Escoamento:
|250−297|
E= ∗100=19 %
25 0
Resistência Máxima:
|400−451|
E= ∗100=13 %
400
Alongamento:
|30−24 ,7|
E= ∗100=18 %
30
5.3 LATÃO
A deformação plástica se inicia, mas não há formação de patamar de escoamento. É
importante ressaltar que durante o ensaio com o latão, houve escorregamento durante o
processo, fazendo com que o gráfico crescesse e depois caísse de forma repetida por diversas
vezes, isso ocorreu devido à fixação do corpo-de-prova à máquina e isso afetou o resultado.
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Não foi possível fazer a comparação com dados tabelados devido à falta de informações a
respeito da liga.
5.4 ALUMÍNIO
Começou a deformação plástica sem a formação de patamar de escoamento. Durante o
ensaio, percebeu-se que não era alumínio puro, pois se não ele apresentaria maior
ductibilidade. Calculando os erros:
Tensão de Escoamento:
|255−301|
E= ∗100=18 %
255
Resistência Máxima:
|290−301|
E= ∗100=4 %
290
Alongamento:
|12−8 , 3|
E= ∗100=31 %
12
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6 REFERÊNCIAS
GARCIA, A., Spim, J. A., Santos, C. d. (2012). Ensaios dos Materiais, 2ª edição.
[[VitalSource Bookshelf version]]. Retrieved from vbk://978-85-216-2114-0. Accesso em: 03
mar. 2025
HIBBELER, Russell Charles. Resistência dos materiais. 10. ed. São Paulo, SP:
Pearson, 2018. E-book. Disponível em: [Link] Acesso em: 01 mar.
2025.
INTERNATIONAL STANDARD ORGANIZATION. ISO 6892-1: Metallic materials
— Tensile testing — Part 1: Method of test at room temperature. 1 ed. Suíça: Iso, 2009.
Disponível em: [Link] Acesso
em: 27 fev. 2025.
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room temperature. Disponível em: [Link]
3:v1:en. Acesso em: 27 fev. 2025.
OLIVEIRA, Carlos Alberto Monesi de. Ensaio de Tração. São Paulo: Universidade
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Https://[Link]/Fileadmin/Content/Files/Sharepoint/User_Upload/Pi_En/
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ZWICK ROELL. ISO 6892-1 Ensaio de tração em metal a temperatura ambiente.
Disponível em: [Link]
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