DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO
1. Limites à eficácia da Lei no espaço:
As normas jurídicas enquanto normas de conduta que são, têm o seu âmbito de eficácia
limitado por factores temporais e especiais, ou seja, elas não podem regular factos que se
passaram antes ad sua entrada em vigor e nem os factos que se passaram ou passam sem
qualquer contacto com o estado que as criou.
Quanto aos factores da ordem especial, há aquela limitação, na medida em que , sendo a
natural expectativa dos indivíduos na comunidade e estabilidade das suas relações jurídicas
ou direitos um pressuposto fundamental da existência do direito como ordem implementada
na vida humana de relação, há que respeitar os direito adquiridos ou as situações jurídicas
constituídas à sombra da lei eficaz, isto é, da lei sob cujo império ou dentro de cujo âmbito
de eficácia o direito foi adquirido ou a situação jurídica se constitui.
Assim sendo, o ponto de partida de todo o DIP assenta em dois princípios ou regras:
Regra da não transactividade: nenhuma lei, seja a do foro ou qualquer outra, aplica-
se à factos que não se achem em contacto com ela.
Principio do reconhecimento das situações jurídicas constituídas no âmbito de
eficácia duma lei estrangeira.
Do exposto resulta que, quer o direito de conflitos de lei no tempo, quer o direito de conflitos
de lei no espaço têm como critério base “a localização dos factos” por um lado no tempo e
por outro no espaço, daí que se afirma que estes dois direitos são “direitos de conexão”. A
conexão dos factos com os O.J é que constitui o ponto determinante de aplicabilidade dos
mesmos sistemas jurídicos, por isso, podemos anunciar como regra base de todo direito
de conflitos a seguinte: “ a quaisquer factos aplicam-se as leis – e só se aplicam as leis –
que com eles se achem em contacto”. Esta regra é que nos vai dar o âmbito de aplicação
possível de qualquer lei.
2. Na vida jurídica, uma relação jurídica pode estar em contacto com um ou mais
ordenamento jurídico através de um dos seus elemento, daí que temos situações
jurídicas internas; relactivamente internacionais; e absolutamente internacionais.
Internas: Um contrato de mútuo celebrado em Portugal, entre portugueses para ser
executado em Portugal; aqui não se põe qualquer problema de aplicação da lei no
espaço, pois, a situação jurídica está em contacto com apenas um O.J e será este o
competente para regular o caso.
Relactivamente internacionais ou puramente internos relactivamente à um estado
estrangeiro: Um contrato de mútuo celebrado em Portugal, entre portugueses para ser
executado em Portugal: aqui também, a situação jurídica está apenas em contacto
com um só ordenamento jurídico, mas o conflito resultante dessa relação jurídica foi
submetido à apreciação de um ordenamento jurídico com o qual a situação jurídica
não teve contacto algum. Aqui coloca-se o problema de saber se o ordenamento
jurídico do estado foro (aquele ao qual as partes submeteram a apreciação do
litígio) uma ves que vê o seu âmbito de aplicabilidade limitado no espaço, que
atitude deve tomar perante os factos que transcendem o deu âmbito especial de
aplicabilidade? Deve abster-se de os regular? Deve submete-los à um direito
material especial? Ou deve apreciá-lo em face do ordenamento jurídico dentro
de cujo âmbito de eficácia eles se passaram?
Solução: Por força de um principio universal de direito, segundo o qual, “devem ser
respeitados os direitos adquiridos e deve-se garantir a continuidade da vida jurídica dos
indivíduos, tutelando as suas naturais expetativas, devemos concluir que, o juiz do foro,
neste caso, deve aplicar o direito estrangeiro com o qual a situação jurídica tem contacto,
poi, aqui não se colca o problema da lei aplicável, na medida em que a situação está apenas
em contacto com um único O.J e só este pode ser aplicado.