PGANS504 - Teoria Antropológica II (2021.
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Carga Horária: 60hs
Créditos: 4
PROFESSORES:
Thiago Mota Cardoso (responsável)
Raimundo Nonato Pereira da Silva (colaborador)
Sidney Antonio da Silva(colaborador)
EMENTA
Mapeamento das produções estruturalistas e pós-estruturalistas, bem como os
estudos sobre colonialismo e descolonização, abordagem interpretativista e pós-
moderna e antropologia feminista, pós-social e ecológica. Problematização dos
grandes divisores (agência e estrutura; natureza e cultura; sujeito e objeto;
sociedade e individuo) e do método etnográfico.
OBJETIVO
Este curso tem como objetivo apresentar uma visão geral da produção
antropológica a partir da década de 1970, destacando temas de ordem teórica e
metodológica que orientam o debate contemporâneo da disciplina. Em termos
específicos, visa:
a) Estimular a leitura de monografias consolidadas que permitem o contato com
temas de relevante impacto na constituição do campo disciplinar da
Antropologia contemporânea;
b) Lidar com a pluralidade epistemológica da disciplina e suas capacidades de
produção de conhecimento.
c) Capacitar os/as estudantes para a construção de uma reflexão autônoma
referente aos textos clássicos e contemporâneos da Antropologia Social.
CONTEÚDO
1. Introdução e apresentações - 17/08/2021
CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto. Sobre o pensamento antropológico.
Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003.
GOLDMAN, Marcio; LIMA, Tânia Stolze. Como se faz um grande
divisor. GOLDMAN, M. Alguma antropologia. Rio de Janeiro: Relume-
Dumará, p. 83-92, 1999.
VELHO, Otávio Guilherme. Antinomias do real. Editora UFRJ, 2018.
(Capítulo 15 e Posfácio)
Leitura Complementar:
ORTNER, Sherry. 2011 [1984]. Teoria na antropologia desde os anos
sessenta. MANA 17(2): 419-466. Disponível em
http://www.scielo.br/pdf/mana/v17n2/a07v17n2.pdf
PEIRANO, Mariza. 1990. Os antropólogos e suas linhagens. Série
Antropologia 102. Brasília: UnB.
Disponível em: http://www.dan.unb.br/images/doc/Serie102empdf.pdf
2. A noção de estrutura - 24/08/2021
LÉVI-STRAUSS, Claude. O campo da Antropologia. In Antropologia
Estrutural Dois. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1976, pp. 11-40.
LÉVI-STRAUSS, Claude. A noção de Estrutura em Etnologia. In
Antropologia Estrutural. São Paulo: UBU Editora, 2017, pp. 281-324.
LÉVI-STRAUSS, Claude. A estrutura e a Forma. In Antropologia
Estrutural Dois. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1976, pp. 121-151.
3. Mito, ciência do concreto, natureza e cultura - 31/08/2021
LÉVI-STRAUSS, Claude. A ciência do concreto. In O pensamento
selvagem. 6ª. Edição. Campinas: Papirus Editora, 1989, pp. 15-50.
LÉVI-STRAUSS, Claude. Capítulo I – Natureza e Cultura. In As formas
elementares do parentesco. Petrópolis: Editora Vozes, 2003, pp. 41-49.
LÉVI-STRAUSS, Claude. A gesta de Asdiwal. In Antropologia Estrutural.
São Paulo: UBU Editora, 2017, pp. 281-324.
4. Cultura, interpretação, ação simbólica – 10/09/2021 (extra)
GEERTZ, Clifford. Parte II – Capítulo 4 O senso comum como sistema
cultural, Capítulo 5 A arte como sistema cultural e Capítulo 6 Centros,
reis e carisma: reflexões sobre o simbolismo do poder. In O saber local –
Novos ensaios em antropologia interpretativa. Petrópolis: Editora Vozes,
2004, pp. 111-248.
GEERTZ, Clifford. Dois Países, Duas Culturas. In Observando o Islã. Rio
de Janeiro: Jorge ZAHAR Editor, 2004, pp. 15-35.
GEERTZ, Clifford. Parte IV – 6. Ideologia como sistema cultural e 7. A
política do significado. In A Interpretação da Cultura. Rio de Janeiro:
LCT, 2015, pp. 000-000.
5. Antropologia da prática e performance - 14/09/2021
BOURDIEU, CHAMBOREDON E PASSERON. Pierre, Jean-Claude e
jean-Claude. Primeira Parte – A ruptura. In Ofício de sociólogo –
Metodologia da Pesquisa na sociologia. Petrópolis: Editora Vozes, 2015,
pp. 23-44.
BOURDIEU, Pierre. Livro 1 Crítica da razão teórica. In O senso prático.
Petrópolis: Editora Vozes, 2009, pp. 41-238.
TURNER, Victor W. 3. Liminaridade e “Communitas”, 4. A
“Communitas” e Modelo e Processos e Humanidade e Hierarquia. A
Liminaridade da Elevação e da Reversão de “Status”. In O processo
ritual. Petrópolis: Editora Vozes, 1974, pp. 116-246.
6. Indivíduo, estrutura, modernidade - 21/09/2021
DUMONT, Louis (1985) O individualismo: uma perspectiva
antropológica da ideologia moderna. Introdução e gênese 1 (Do indivíduo
fora do mundo ao indivíduo no mundo) e 5. Rio de Janeiro: Rocco; p. 11-
71.
DUMONT, Louis (1992) Homo Hierarchicus: o sistema das castas e suas
implicações. Introdução, Caps. 1, 2, 3 e cap. 11. São Paulo: Editora da
Universidade de São Paulo, p. 49 - 143; 277 – 299.
Leitura Complementar:
STOLCKE, Verena. Gloria o maldición del individualismo moderno según
Louis Dumont. Rev. Antropologia, São Paulo, v. 44, n. 2, 2001,
7. Estrutura, agência, história - 28/09/2021
SAHLINS, Marshall 1985. Ilhas de História. Chicago: Univ. of Chicago
Press. [Cap. 1,2,4 e 5]
SAHLINS, Marshall Metáforas históricas e realidades míticas. 2008.
Prefácio; Introdução; Cap. 1; Conclusão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar; p.
17-68; 125-143.
Leitura Complementar:
OVERING, Joana. O mito como história: um problema de tempo,
realidade e outras questões. In: Mana. Estudo de Antropologia Social.
Volume 1, número 1, outubro de 1995.
KUPER, Adam. 2002 (1999) “Marshall Sahlins: história como cultura”.
In: Cultura: a visão dos antropólogos. Bauru, São Paulo: EDUSC, pp.
207-258
8. Etnicidade e globalização - 05/10/2021
BARTH, F. Grupos Étnicos e suas Fronteiras. In: Teorias da Etnicidade,
p.185-227.
CARNEIRO DA CUNHA, Manuela. Etnicidade: da cultura residual mas
irredutível. Antropologia do Brasil, p. 97-108, 1986.
RIVERA CUSICANQUI, Silvia. Etnicidad estratégica, nación y (neo)
colonialismo en América Latina. Alternativa. Revista de Estudios
Rurales, v. 3, n. 5, 2013.
Leitura Complementar:
BARTOLOMÉ, Miguel Alberto. As etnogêneses: velhos atores e novos
papéis no cenário cultural e político. Mana, v. 12, n. 1, p. 39-68, 2006.
9. Pós-modernismo, virada reflexiva e o trabalho etnográfico - 19/10/2021
CLIFFORD, James - 1998. “Sobre a autoridade etnográfica”. In:
A Experiência Etnográfica . Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1998
CLIFFORD, James. “Introducción: verdades parciales”. In: CLIFFORD, James &
MARCUS, GeorgeE. (org.). Retoricas de la antropologia . Madrid, Ediciones
Júcar, 1991, pp. 25-60) OU CLIFFORD, James &MARCUS, George (orgs.). 2016
[1986].
MARCUS, George. O que Vem (logo) Depois do “Pós”: o Caso da
Etnografia. Revista de Antropologia, p. 7-34, 1994.
Leitura complementar:
MARCUS, George - Entrevista - Mana, Vol 21, n. 2, 2015
10. Colonialismo e o outro - 26/10/2021
TAUSSIG, Michael T. Xamanismo, colonialismo e o homem selvagem:
um estudo sobre o terror e a cura. Paz e Terra, 1993.
RIVERA CUSICANQUI, Silvia. Ch'ixinakax utxiwa. Una reflexión sobre
prácticas y discursos descolonizadores. Tinta limon, 2010.
Leitura Complementar:
BORGES, Antonádia et al. Pós-Antropologia: as críticas de Archie Mafeje
ao conceito de alteridade e sua proposta de uma ontologia
combativa. Sociedade e Estado, v. 30, p. 347-369, 2015.
ASAD, Talal. Introdução a" Anthropology and the Colonial Encounter",
Talal Asad. Ilha Revista de Antropologia, v. 19, n. 2, p. 313-327, 2017.
CARVALHO, José Jorge. 2001. O olhar etnográfico e voz subalterna.
Horizontes Antropológicos15:107- 147
11. Feminismo e antropologia - 04/11/2021
HARAWAY, Donna. Antropologia do ciborgue: as vertigens do Pós-
humano. Belo horizonte, Autêntica, 2009.
STRATHERN, M. O Gênero da dádiva. Campinas: Ed. Unicamp, 2006.
(Introdução, parte II e Conclusão.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Editora
Companhia das Letras, 2020.
Leitura complementar:
STRATHERN, Marilyn. Uma relação incômoda: o caso do feminismo e da
antropologia. Mediações-Revista de Ciências Sociais, v. 14, n. 2, p. 83-
104, 2009.
12. Cultura como invenção - 09/11/2021 (extra)
WAGNER, Roy 2010 [1975]. A Invenção da cultura. São Paulo: Cosac
Naify (cap 1,2 e 3)
CUNHA, M. C. Cultura com aspas e outros ensaios. São Paulo, Cosac &
Naify, 2009, “Religião, comércio e identidade” [1977] (cap. 13), “‘Cultura’
e cultura: conhecimentos tradicionais e direitos intelectuais”, p. 223-233
e 311-373.
Leitura complementar:
COELHO DE SOUZA, Marcela. A vida material das coisas intangíveis. In:
Conhecimento e cultura: práticas de transformação no mundo indígena.
Brasília: Athalaia, p. 97-118, 2010.
INGOLD, Tim.”Human worlds are culturally constructed?”. In: Key
debates in anthropology. Routledge, 2003.
13. Virada Ontológica - 16/11/2021
DESCOLA, Philippe. Além de natureza e cultura. Tessituras: Revista de
Antropologia e Arqueologia, v. 3, n. 1, p. 7, 2015.
DE ALMEIDA, Mauro W. Barbosa. Caipora e outros conflitos
ontológicos. Revista de Antropologia da UFSCar, v. 5, n. 1, p. 7-28, 2013.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A antropologia perspectiva e o método
de equivocação controlada. Aceno-Revista de Antropologia do Centro-
Oeste, v. 5, n. 10, p. 247 a 264-247 a 264, 2018.
Leitura complementar:
TODD, Zoe. Uma interpelação feminista indígena à “Virada Ontológica”:
“ontologia” é só outro nome para colonialismo, 2015. Disponivel em:
https://maquinacrisica.org/2015/12/22/uma-interpelacao-feminista-
indigena-a-virada-ontologica-ontologia-e-so-outro-nome-para-
colonialismo/
CARRITHERS, Michael et al. Ontology is just another word for culture:
Motion tabled at the 2008 meeting of the group for debates in
anthropological theory, University of Manchester. Critique of
anthropology, v. 30, n. 2, p. 152-200, 2010.
GOLDMAN, Marcio. Os tambores do antropólogo: antropologia pós-
social e etnografia. Ponto Urbe. Revista do núcleo de antropología
urbana da USP, n. 3, 2008.
14. Ecologia da Vida - 23/11/2021
INGOLD, Tim. Estar vivo: ensaios sobre movimento, conhecimento e
descrição. Editora Vozes Limitada, 2015.
BATESON, Gregory. Pasos hacia una ecología de la mente. Buenos Aires:
Lohlé-Lumen, 1998.
Leitura complementar:
CARDOSO, Thiago Mota. Por uma antropologia imersa na
vida. Cadernos de Campo: Revista de Ciências Sociais, n. 21, 2016.
VELHO, Otávio. De Bateson a Ingold: passos na constituição de um
paradigma ecológico. Mana, v. 7, p. 133-140, 2001.
CHIESA, Gustavo Ruiz. À procura da vida. Revista de Antropologia, v.
60, n. 2, p. 410-435, 2017.
15. Antropologia pós-social, socialidade, ANT e multiespecie - 30/11/2021
LATOUR, Bruno. Reagregando o social: uma introdução à teoria do ator-
rede. Salvador: EdUFBA, 2012 (Introdução e Capítulo 1 e 2)
TSING, Anna. Viver nas ruínas: paisagens multiespécies no
Antropoceno. Brasília: IEB Mil Folhas, 2019.
Leitura complementar:
KIRKSEY, S. Eben et al. A emergência da etnografia multiespécies.
Revista de Antropologia da UFSCar, v. 12, n. 2, p. 273-307, 2020.
CARDOSO, Thiago Mota. A arte de viver no Antropoceno: um olhar
etnográfico sobre cogumelos e capitalismo na obra de Anna
Tsing. ClimaCom – Fabulações Miceliais [Online], Campinas, ano
6, n. 14, abr. 2019 . Available
from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/?p=10723
ENSINO
O curso será organizado de forma remota na plataforma Google Sala de Aula. As
aulas síncronas serão ministradas via Google Meet, em torno dos temas
previamente definidos no Plano de Aula, tendo como base a bibliografia
designada. O fórum do curso, as atividades, os exercícios ocorrerão no Google
Sala de Aula. A bibliografia será disponibilizada num Drive do curso.
AVALIAÇÃO
1. Avaliação parcial. Deverá ser entregue 03 ensaios em forma e data
estabelecida pelos professores com o seguinte formato: fonte 12, times news
roman, espaçamento duplo.
2. Trabalho final: a ser entregue em prazo estabelecido pelos professores. O
estudante deverá escolher um tema para trabalho de reflexão etnográfica, que
deverá ser cotejado com autores listados na bibliografia da disciplina. Sugere-se
que o trabalho final tenha como base o projeto de pesquisa de mestrado ou
doutorado do estudante.