FARMÁCIA CLÍNICA E PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA: MELHORANDO A
ADESÃO AO TRATAMENTO E O USO RACIONAL DOS MEDICAMENTOS
CLINICAL PHARMACY AND PHARMACEUTICAL PRESCRIPTION: IMPROVING
ADHERENCE TO TREATMENT AND RATIONAL USE OF MEDICINES
Hithalo Queiroz da Silva1, orientador 2
1 – Discente do curso de Farmácia do Centro Universitário Maurício de Nassau; 2 – Orientador, MsC em Medicina Tropical,
docente do Centro Universitário Maurício de Nassau.
RESUMO
O uso inadequado de medicamentos é grave problema de saúde pública,
prevalente em todo o mundo, podendo causar sérios danos à saúde da população.
Este estudo objetivou conhecer e compreender a importância da educação em
saúde para a promoção do uso racional de medicamentos e as contribuições do
farmacêutico neste contexto. Método de Levantamento bibliográfico em materiais
(artigos, livros e manuais), bases de dados Scielo, Biblioteca Virtual em Saúde,
busca e análise de publicações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da
Saúde (MS), coletados nos últimos cinco anos. O trabalho desenvolvido pelo
farmacêutico, em conjunto com a Estratégia de Saúde da Família ou quando incluso
nas equipes do Núcleo de Apoio à Saúde da Família, é essencial para a implantação
de práticas educativas e ações de promoção, proteção e recuperação da saúde,
através dos serviços de Assistência Farmacêutica e das atividades estratégicas da
Atenção Farmacêutica. O farmacêutico assume sua co responsabilidade pela
terapêutica e bem-estar do usuário, enfatizando os fatores que contribuem para a
eficácia do tratamento, objetivando assim, fortalecer a adesão ao tratamento
farmacológico e minimizar ou eliminar os problemas relacionados aos
medicamentos.
Palavras-chaves: assistência farmacêutica, uso racional, medicamentos, dispensação farmacêutica
ABSTRACT
The inappropriate use of medicines is a serious public health problem, prevalent
worldwide, and can cause serious damage to the health of the population. This study
aimed to know and understand the importance of health education for the promotion
of the rational use of medicines and the contributions of the pharmacist in this
context. Bibliographic survey method in materials (articles, books and manuals),
Scielo databases, Virtual Health Library, search and analysis of publications from the
World Health Organization and the Ministry of Health (MS), collected in the last five
years. The work developed by the pharmacist, in conjunction with the Family Health
Strategy or when included in the teams of the Family Health Support Center, is
essential for the implementation of educational practices and health promotion,
protection and recovery actions, through Pharmaceutical Assistance services and the
strategic activities of Pharmaceutical Care. The pharmacist assumes his joint
responsibility for the therapy and the well-being of the user, emphasizing the factors
that contribute to the effectiveness of the treatment, thus aiming to strengthen
adherence to pharmacological treatment and minimize or eliminate problems related
to drugs.
Keywords: pharmaceutical assistance, rational use, medicines and pharmaceutical dispensing
INTRODUÇÃO
A farmácia clínica teve seu início já na década de 70, após o surgimento das
principais associações internacionais de farmácia clínica, conhecidas como
American College of Clinical Pharmacy (ACCP) e a European Society of Clinical
Pharmacy (ESCP). No entanto, só ganhou destaque e trouxe contribuição de forma
significativa, com a consolidação de conceitos direcionados para a segurança do
paciente, já no final da década de 90, inicialmente vista somente no âmbito
hospitalar1.
No Brasil, com a regulamentação da resolução nº 585 de 29 de Agosto de
2013, a farmácia clínica passou a ser uma área específica de atuação do
farmacêutico, desenvolvida não somente em hospitais, como também em farmácias
comunitárias, drogarias, unidades de atenção primária a saúde, entre outros
[Link] contexto,visando melhorar a qualidade de vida dos indivíduos, o
farmacêutico clínico irá promover desde a prática do uso racional de medicamentos 3,
podendo intervim e contribuir em prescrições médicas, até o acompanhamento e
monitoração da farmacoterapia do paciente, minimizando possíveis interações
medicamentosas e melhorando a adesão ao tratamento4.
Junto a essa área de atuação e como forma de desafogar os sistemas de
saúde, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) regulamentou o ato de prescrição
farmacêutica através da Resolução 586, de 29 de agosto de 2013, onde passou a
ser permitido que o farmacêutico prescrevesse medicamentos que, embora sejam
limitados, solucionam alguns dos problemas apresentados por vários
pacientes5,sendo evitados possíveis eventos adversos ocasionados pela
automedicação sem as devidas orientações do profissional habilitado6.
Uma pesquisa realizada em Curitiba com pacientes que foram consultados
por farmacêuticos demonstrou que podem ser obtidos resultados bastante
significativos tanto na adesão do tratamento, quanto na melhoria da qualidade de
vida e uso racional dos medicamentos e que as intervenções realizadas durante as
consultas com farmacêutico e resolução de problemas de saúde considerados
autolimitados7,como:dores, diarreias, congestão nasal, resfriados e febre até menos
de três dias,podem ser facilmente resolvidos, por meio de medidas não
farmacológicas ou mesmo farmacológicas, sendo prescrito pelos farmacêuticos,
quando necessário, alguns medicamentos isentos de prescrição médica, os
chamados MIP’s para melhora do quadro do paciente8.
Os MIP’s fazem parte da classe de medicamentos direcionados à atenção
básica de saúde que engloba o tratamento de doenças de fácil manejo clínico,
classificadas como transtornos menores de saúde. Esses medicamentos podem ser
dispensados numa farmácia sem necessitar de autorização de um médico ou
farmacêutico, que são os profissionais mais habilitados para propor a melhor
farmacoterapia para o paciente9. No entanto, embora os MIP’s sejam fármacos
isentos de prescrição não significa que estão isentos de risco 10. Os riscos ainda são
altos e vai desde uma interação medicamentosa, reação adversa, até toxicidade
devido o uso inadequado da medicação11.
Diante disso, o profissional farmacêutico atuante na farmácia clínica tem
papel fundamental, já que é de sua responsabilidade identificar, solucionar e
antecipar Problemas Relacionados a Medicamentos (PRMs) bem como colaborar
para um tratamento racional que elevam a qualidade de vida dos indivíduos. Suas
atribuições concebidas conforme resoluções fizeram com que passassem a possui
ferramentas de assistência e atenção farmacêutica, possibilitando a realização de
seu trabalho ativo junto à sociedade, estando o paciente como o principal
beneficiário12.
Aliada a farmácia clínica está a prescrição farmacêutica, uma vez que este
ato é precedido da consulta farmacêutica, onde o profissional farmacêutico irá
demonstrar seu verdadeiro papel, que é auxiliar o paciente em seus problemas de
saúde. Através da prescrição farmacêutica, as pessoas terão a oportunidade de
receber recomendações a cerca do problema apresentado, além de tirar dúvidas a
respeito de alguma medicação, aumentado assim, a segurança à sua saúde, adesão
ao tratamento e uso racional do medicamento13.
Vale ressaltar que durante a prática clínica através da consulta farmacêutica é
de suma importância que haja a correta compreensão, concordância e cumprimento
do tratamento por parte do paciente para que se garanta a efetividade e segurança
da [Link]ém disso, pode ser estabelecido um plano de cuidado junto ao
paciente como forma de melhorar a sua adesão ao tratamento. Dessa forma, as
metas terapêuticas traçadas, assim como as intervenções aplicadas trarão
resultados bem mais significativos, prevenindo problemas relacionados ao uso de
inadequado dos medicamentos15.
.Junto a essa ferramenta deve-se haver também, uma boa comunicação entre
o farmacêutico e o paciente tanto verbal por meio da escrita e da fala, como não
verbal por intermédio de vários fatores como: o contato visual, expressões corporais,
uso do toque e distância entre as pessoas. Frente a isso, precisa existir ainda, um
bom acolhimento, uma escuta ativa, empatia, saber questionar o paciente e
aconselhá-lo, a fim de obter melhorias no processo de uso de medicamentos. Todos
esses serviços farmacêuticos prestados irão possibilitar uma melhor adesão ao
tratamento e nos resultados terapêuticos, bem como reduzir o desperdício de
recursos17.
METODOLOGIA
Metodologia da Pesquisa
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica para a resolução da hipótese por meio
de referenciais teóricos publicados, analisando e discutindo as várias contribuições
científicas. Esse tipo de pesquisa trará subsídios para o conhecimento sobre o que
foi pesquisado, como e sob que enfoque e/ou perspectivas foi tratado o assunto
apresentado na literatura científica.
O levantamento de literatura foi realizado a partir de artigos publicados nas
bases de dados eletrônicas Scientifc Eletronic Library Online (SciELO), o banco de
dados da Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências das Saúdes
(LILACS) e Biblioteca Virtual de Saúde Ministério da Saúde (BVS/MS). Para
identificação dos dados a serem abordados foram utilizadas as palavras-chave:
assistência farmacêutica, uso racional, medicamentos e dispensação farmacêutica.
Será considerado para o referencial teórico as publicações indexadas entre os anos
de 2015 e 2020 nos idiomas português e inglês.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Uso irracional de medicamentos
O UIM envolve fatores como prescrição excessiva de medicamentos, ou seja,
a pratica de automedicação. Decorrente desses fatores há um acréscimo na procura
por serviços de saúde, aumentando principalmente o índice de hospitalizações, onde
51% são ocasionadas pelo UIM. Dessa forma essa prática se torna responsável por
surgimento de novas patologias e complicações no seu estado de saúde18.
Casos como automedicação e a aquisição de medicamentos via Internet
tornam-se cada vez mais frequentes nos dias atuais. A automedicação é uma forma
de autocuidado à saúde, entendida como escolha do uso de medicamentos
baseadas na sintomatologia apresentadas pelo próprio paciente, sem a orientação
ou acompanhamento de um profissional habilitado19. De acordo com a Associação
Brasileira da Indústria Farmacêutica (ABIFARMA), no Brasil aproximadamente 80
milhões de indivíduos são adeptos dessa pratica20.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde:
[...] a automedicação é a seleção e o uso de medicamentos por
pessoas para tratar doenças autodiagnosticadas ou sintomas e
deve ser entendida como um dos elementos do autocuidado. A
mesma entidade define automedicação responsável como a
prática pela qual os indivíduos tratam os seus problemas de
saúde com medicamentos aprovados e disponíveis para serem
adquiridos sem prescrição, que sejam seguros e efetivos
quando utilizados como indicado21.
Essa prática se tornou um problema potencialmente prejudicial à saúde da
população, devido ao uso indiscriminado de medicamentos como podemos destacar
os over the conter (OTC), ou de venda livre, por exemplo: Paracetamol, Ácido
Acetilsalicílico, Dipirona Sódica, Ibuprofeno, entre outros, que podem causar
diversas consequências como mascarar sintomas de diversas doenças,
interferências em resultados clínicos22.
Outro fator relevante que podemos destacar, é a pratica de conservar
medicamentos em casa, decorrentes das interrupções de tratamentos por diversos
motivos, dentre eles os efeitos adversos e o número excessivo de medicamentos
prescritos, gerando “sobras de medicamentos” que acabam sendo estocados nas
famosas “caixinhas de remédio” ou “farmacinhas”. Desta forma aumentará o risco de
UIM, intoxicação medicamentosa, administração errônea principalmente entre os
idosos e podem causar agravamentos no estado de saúde22.
No Brasil no ano 2010 o Sistema Nacional de Informação Tóxico-
Farmacológicas, realizou um estudo de investigação sobre a morbimortalidade e
intoxicação associada ao uso de medicamentos e agrotóxico agrícola, onde os
medicamentos ficaram na lista de maior causa de intoxicação e segunda maior em
óbito por agentes tóxicos no país, como mostra o Gráfico abaixo:
Gráfico 1: Estatística anual de casos de intoxicação e envenenamento.
Fonte: SINITOX, 2010.
O uso excessivo de medicamentos é um tema preocupante de saúde pública,
e cabe ao profissional farmacêutico estimular ações e promover reflexões que
abordam esse tema, atraindo profissionais de saúde, políticos, gestores e
principalmente a população, pois o paciente só terá resultados positivos se acesso
ao tratamento fármaco terapêutico, se a prescrição acolher à racionalidade
terapêutica23.
Política nacional de medicamentos e suas ações
A Política Nacional de Medicamentos (PNM) é uma parte essencial da Política
Nacional de Saúde constituindo um dos elementos fundamentais para a efetiva
implementação de ações eficientes, capazes de promover e garantir o acesso da
população a medicamentos seguros, eficazes e de qualidade, além de melhorias nas
condições da assistência à saúde da populaçã24. A PNM foi constituída em 1999,
constituindo um dos seus grandes marcos: o Ministério da Saúde (MS).
A partir daí criou-se a ANVISA, por meio da Lei nº. 9.782, que foi
caracterizada pela missão de “proteger e promover a saúde, garantindo a segurança
sanitária dos produtos e serviços submetidos à Vigilância Sanitária”. Desde então, a
ANVISA tornou-se o órgão responsável pela inspeção do controle de qualidade na
fabricação dos medicamentos25. Em 2004, foi aprovada a Política Nacional de
Assistência Farmacêutica (PNAF) por meio da Resolução nº. 338/2004 do Conselho
Nacional de Saúde, apresentando definições de AF e AT, focando na PNM26.
A PNM há como quarta diretriz a “Promoção do Uso Racional de
Medicamentos”, que pode ser compreendida como um conjunto de práticas que
inclui: A escolha terapêutica medicamentosa adequada; a indicação apropriada;
dispensação correta, incluindo informação apropriada sobre os medicamentos
prescritos; adesão ao tratamento pelo paciente; seguimento dos efeitos desejados e
a “Garantia da Segurança, Eficácia e Qualidade dos Medicamentos” que tem por
finalidade o cumprimento da regulamentação sanitária, enfatizando as atividades de
inspeção e fiscalização26.
De uma forma geral, a implantação da PNM obteve avanços na Política de
Saúde e algumas diretrizes vêm sendo implementadas. Destaca-se a RENAME
estimada como “pedra fundamental” para a PNM e a Reorientação da Assistência
Farmacêutica que ocasionou aumentos de pessoas que foram beneficiadas com o
Programas de Assistência Farmacêutica (PAF), sendo: aumento de 385% no
Programa de Medicamentos Excepcionais, 313%, no PAF na Atenção Básica e
193% no PAF de Doenças Sexualmente Transmissíveis/Síndrome da
Imunodeficiência Adquirida26.
As contribuições do farmacêutico para a promoção da saúde pública
As ações de farmacovigilância surgiram após o ano de 1962, devido a
catástrofe decorrentes do uso da talidomida por gestantes onde ocorreu uma
epidemia de focomelia, como consequência resultou-se em uma nova forma de
encarar o uso de medicamentos, passando a atentar-se a farmacoterapia do
paciente27.
A farmacovigilância se baseia na detecção, avaliação, compreensão e
prevenção dos efeitos adversos ou quaisquer PRM, tendo a capacidade de avaliar
os benefícios e riscos do produto, para assegurar que este mantenha a qualidade,
segurança e eficácia compatíveis com seu uso racional27.
O País passou-se a atentar-se na promoção do URM, seguindo o conceito da
RENAME:
[...] O conceito de medicamentos essenciais tem como objetivo
primordial fornecer condições para contemplar as necessidades
da terapêutica e melhorar a qualidade de assistência e não o
de restringir a oferta terapêutica. A seleção de medicamentos
de importância sanitária, eficazes, seguros e de qualidade, por
meio de critérios epidemiológicos, com custos acessíveis para
serem disponibilizados28.
Nesse novo modelo da prática farmacêutica, o farmacêutico concentra-se
para a atenção ao paciente e o medicamento passa a ser visto como uma
ferramenta para alcançar resultados, seja este curativo, preventivo ou paliativo 29. O
profissional farmacêutico desempenha seu papel diante a sociedade, tendo
responsabilidade pelo bem-estar e selando qualidade de vida, trabalhando para que
não ocorram problema decorrente ao tratamento farmacológico29.
A promoção da saúde é um processo de preparação da comunidade para
atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, com uma maior participação
nesse processo. “Entendia como mudanças de comportamento organizacional,
suficientes para beneficiar e abranger a saúde de camadas mais amplas da
população”. Desta forma na nova contextualização da prática farmacêutica, no qual
o cuidado com o bem-estar do paciente passa ser o alvo de suas ações, o
farmacêutico assume um papel essencial, somando seus conhecimentos aos de
outros profissionais com o objetivo final a promoção da saúde29.
Assistência farmacêutica
A assistência farmacêutica (AF) tem como objetivo ações voltadas à proteção,
promoção, recuperação da saúde, tanto de forma individual como coletiva,
colocando o medicamento como insumo essencial, tendo em vista o seu acesso e o
uso racional26. O medicamento é um insumo essencial para a promoção e
recuperação da saúde, e essa assistência permite uma aproximação maior do
farmacêutico com o paciente, para uma adesão concreta do tratamento
farmacológico e também para alcançar resultados que promovam uma melhor
qualidade de vida ao paciente. Para que isso ocorra é necessário conscientizar o
paciente da importância de respeitar a posologia30.
Com a aprovação da PNAF em 2004 que estabeleceu a presença do
farmacêutico no Sistema Único de saúde (SUS), amadureceu a política de saúde e
viabilizou a AF como um processo fundamental do cuidado em saúde. Colaborando
para que haja envolvimento do profissional farmacêutico, na equipe de saúde e
atenção ao usuário26.
O planejamento da AF é um processo onde o farmacêutico necessita prestar
apoio técnico que o permita planejar e padronizar a escolha de medicamentos
essenciais. Esse método de planejamento deve ser formado de maneira integrada e
participativa com todas as áreas relacionadas com a assistência30.
Para estabelecer as funções da AF e a sua inclusão na atenção à saúde, os
farmacêuticos necessitam estar dispostos e preparados para suprir as carências do
sistema de saúde com competências e experiências que viabilizem a implementação
da prática de AF como uma política de saúde 31. Essa assistência não está limitada
somente a produção e distribuição de medicamentos, mas compreende um conjunto
de procedimentos que alcançam a promoção, prevenção e recuperação da saúde,
tanto individual quanto coletiva, centrado no medicamento31.
Nesta concepção a assistência farmacêutica exibe um ciclo definido como
Ciclo da Assistência Farmacêutica (CAF), como exibe a Figura abaixo, que abrange
seis atividades: seleção do medicamento, programação, aquisição, armazenamento,
distribuição, e a dispensação dos mesmos26.
Figura 1: Ciclo da Assistência Farmacêutica
Fonte: BRASIL, 2009.
A seleção é a atividade onde o profissional farmacêutico realiza uma seleção
racional dos medicamentos, de maneira que possa oferecer um acesso padronizado
e eficaz, colaborando assim para promoção e racionalidade da prescrição e
dispensação dos fármacos. Os objetivos apresentados na seleção se baseiam em
inserir políticas de utilização de medicamentos, e promover a atualização de maneira
a reduzir custo, além de padronizar os medicamentos de acordo com a demanda e
perfil epidemiológico26.
No CAF, a Programação representa uma atividade importante, que tem por
finalidade que o serviço ou sistema disponha de medicamentos apropriados e
previamente selecionados, nas quantidades necessárias, em tempo oportuno e
cuidando para que se contribua à promoção do uso racional de medicamentos. A
responsabilidade da programação deve ser compartilhada pelo serviço de farmácia e
a administração ou setor responsável pela aquisição32.
A Aquisição de medicamentos é a terceira atividade desse ciclo, constituindo-se
em um conjunto de ações articuladas que tem como objetivos o abastecimento dos
medicamentos em quantidade adequada e com qualidade assegurada, ao menor
custo possível. (MARIN, 2002). No setor público aquisição é uma das etapas que
coopera para a credibilidade e o sucesso dos serviços farmacêuticos. (ARAÚJO;
JUNGES, 2015).
O Armazenamento é a etapa do CAF, responsável por assegurar a qualidade dos
medicamentos através de condições adequadas de armazenamento e de um
controle de estoque eficaz. O armazenamento constitui-se como um conjunto de
procedimentos técnicos e administrativos que envolve diversas atividades:
recebimento de medicamentos; estocagem ou guarda; segurança de manter o
material sob cuidados contra danos físicos e roubos; conservação e controle de
estoque. (NOVAES et al., 2009).
A Distribuição é a atividade do CAF onde o farmacêutico irá organizar os
medicamentos e produtos de saúde, com o objetivo que as unidades requisitantes
ou centros de distribuição recebam os medicamentos em condições de segurança e
quantidade necessária. É primordial documentar toda essa movimentação afim de
rastrear e identificar possíveis erros de extravio26.
A Dispensação é a sexta atividade do CAF, e para a realização desta atividade o
farmacêutico deve garantir que os medicamentos sejam dispensados nas doses
prescritas, na quantidade adequada, passando informações suficientes para o uso
correto e racional visando a recuperação do estado de saúde do paciente26.
De acordo com a Resolução nº 20, de 5 de maio de 2011, dispensação é
entendida como:
[...] ato do profissional farmacêutico de proporcionar um ou
mais medicamentos a um paciente, geralmente, como resposta
à apresentação de uma receita elaborada por um profissional
autorizado. Neste ato, o farmacêutico informa e orienta ao
paciente sobre o uso adequado desse medicamento. São
elementos importantes desta orientação, entre outros, a ênfase
no cumprimento do regime posológico, a influência dos
alimentos, a interação com outros medicamentos, o
reconhecimento de reações adversas potenciais e as
condições de conservação do produto33.
Na dispensação para que o usuário se adere ao tratamento
farmacoterapeutico e necessário que o farmacêutico saiba se comunicar com o
paciente, ouvindo-o e sendo prestativo para que possa desenvolver técnicas de
abordagem onde o paciente sinta-se confortável em receber informações
importantes sobre seu tratamento, ou seja humanizar o atendimento33.
Com base no Ciclo de assistência farmacêutica a inserção do profissional
farmacêutico passa a ser uma necessidade e o seu papel como profissional é de
extrema importância, responsável pelo URM, assume caráter fundamental para a
atenção à saúde, entendida em toda a extensão do princípio da integralidade das
ações de saúde34.
CONCLUSÃO
É essencial a elaboração de estratégias pelos profissionais da Saúde Pública
para a promoção do Uso Racional de Medicamentos, através da apresentação de
práticas educativas e de assistência profissional, a fim de que se possam
desenvolver processos de cuidado mais eficazes. Dessa maneira, o farmacêutico
inserido dentro da equipe multiprofissional assume um compromisso intransferível e
indelegável, além de ser de extrema importância quanto aos medicamentos. Suas
atividades colaboram para que os medicamentos não sejam usados em substituição
ao enfrentamento dos determinantes sociais e ambientais das doenças, de forma a
contribuir para a prevenção de doenças, para a orientação quanto à adesão
terapêutica no uso dos medicamentos.
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