HISTÓRIA DOS MESTRES
Mestra Joana Pé de Chita!
Era Juremeira famosa veio a pé peregrinando
do Para para Alhandra! Alguns juremeiros
antigos dizem que Maria Dagmar seria a
mestra que Joana trabalhava! Tem varias
pessoa na região que foi consagrado para os
seus mestre por ela em vida.
Mestra Joana Pé de Chita era defensora dos
Juremeiros que era perseguidos pela policia.
Com grande influência com os nativos
“índios” que em sua lutas sempre era seus
aliados.
Senhora de Força, rezadeira e parteira muito
procurada nas terras do nordeste mais por
ser tão conhecida por seus trabalhos
espirituais também era muito procurada para
Tirar a vida de alguns desafetos de quem a
procurava, Catimbozeira fina, sempre cultuou
a Jurema sagrada em vida, por seus trabalhos
de feitiçaria como eram chamados passou a
ser muito perseguida também
Não parava quieta em um local, cidade ou
região estava sempre em movimento e em
cada cidade que passava assumia uma graça
diferente algumas mais conhecidas são (
Joana Pé de Chita e Joana Malhada. Isso tudo
para não ser pega pela policia da época pois
caia sobre ela diversas acusações como,
bruxa, feiticeira etc. Não a relatos concretos
de onde ela se Passou de FATO... mais o que
se sabe é que ate hoje é amada por todos os
Juremeiros e ama todos eles quando baixa
em um terreiro não da ponto sem nó, seu
recado é Prego batido e Ponta Virada ! Salve
Dona Joana Pé de Chita, Salve a Mestra
catimbozeira.
MULHER FORTE E FORMOSA; FEITICEIRA
AFAMADA... SÃO VÁRIAS AS FAÇANHAS DA
MESTRA JOANA PÉ DE CHITA... SUAS FULGAS
PARA NÃO SER PEGA PELA POLÍCIA SÃO
ESPETACULARES... SEU LEGADO PARA OS
JUREMEIROS E SUA ATUAÇÃO NAS MESAS E
RITUAIS DE JUREMA SÓ MOSTRAM O PODER
E O AMOR QUE ESTA ENTIDADE TEM PELOS
JUREMEIROS ABENÇOANDO-OS ATÉ HOJE.
"Quem é aquela moça bonita
que veio la do Juremá
Ela vem cortando os maleficios
de quem não soube mandar
EU dei um nó na sua saia
eu dei um nó na sua vida
ô Dagmá tu és minha amiga
que veio lá do Juremá..."
"Barrunfa, barrunfa eu vou barrunfar
E a cachaça está no copo
e a macumba eu vou virar
quem não souber do seu nome
quando quiser lhe chamar
Chame Joana Pé de Chita
ou Maria Dagmá...
Barrunfa, barrunfa eu já barrunfei
e a cachaça está na mata
e a macumba eu já virei
quem não souber do seu nome
quando quiser lhe chamar
chame Joana Pé de Chita
ou Maria Dagmá...
Ela é Joana Pé de Chita
ela é Maria Dagmá
Ô chama seus 'caboco'
e dá-lhes surra de matar
A fumaça que ela passa
ninguém sabe passar
e catimbó que Joana faz
ninguém sabe desmanchar
Semeou sua cabaça
e plantou sete sementes
Chegou Joana Pé de Chita
pra curar puta doente..."
"Que linda cidade que é Santa Rita
Que linda cidade que é Santa Rita
Berço de nossa Mestra Joana Pé de Chita.
Na Jurema Sagrada, ela foi coroada
Na Jurema Sagrada, ela foi coroada
e nessa cidade tornou-se encantada
e nessa cidade tornou-se encantada."
Jurema, minha Jurema sagrada
Lá na Jurema, Mestra Joana é afamada
São sete cidades, tanta coisa prá se ver
Chegou Joana Pé de Chita
Eu só trabalho prá vencer.
Arranca Toco
Caboclo, Mestre e um Guardião de um Portal
da Jurema Sagrada
Serra do Araripe
Caboclo Arranca Toco, Caboclo Bravo, mais
dois encantados que é uma ciência da
Jurema!
Os Irmãos são inseparáveis sendo que
Arranca Toco e Caboclo Bravo foi mais
catequizado.
Caboclo Arranca Toco é uma entidade
chamada de Triodo que responde: como
caboclo, como mestre e como Guardião é um
Bruxo também e ou um mestre esquerdeiro.
NA SERRA DO ARARIPE, EXISTE TRÊS
CABOCLO ENCANTADOS DE VALOR, UM SE
CHAMA ARRANCA TOCO OUTRO CABOCLO
VELHO E OUTRO CABOCLO MALVADO.
Serra do Araripe, palco de Grandes Lutas,
uma marca vergonhosa de massacre de um
povo pacato que foi obrigado a brigar para
defender os seus direitos, e muitos mortos
injustamente.
Na Serra do Araripe temos vários
caboclos,(índios) Cabocó (mestiços), que ate
hoje vem na Jurema Sagrada, para ajudar as
pessoas, mesmo tendo o sentimento que o
seu povo foi eximidos perdendo os costumes
e hábitos natural, obrigado a ceder ao que
desejar o homem Branco para sobreviver.
Os Jesuítas fazia a sua própria leis chegaram
no Brasil em 1549 e expulso em 1759.
Há Caboclos que são Triodos, que vem como
Caboclo, Mestre, e Mestre Guardião. Que
manifesta como 3 formas no catimbo. Mas
tudo tem os seus Horários.
As primeiras horas do dia que se inicia as 4
horas da Manha até as 9 horas são os
caboclos que encantados que quase não
passa a terra, das 4 horas da manha até ao
12 horas (meio dia) os caboclo em maneira
Geral.
Os Mestres são do Meio Dia até as 21 horas e
tem os Guardiões dos Portais que responde
conforme os ciclos das horas. Porem há
guardiões que após as 21 horas ate as 3
horas são Mestres Esquerdeiro e ou Bruxos.
Das 3 horas da manha as 4 horas da manha e
a hora morta, ou seja e a troca do ciclos,
onde ate as cachoeiras, as matas tudo faz o
silencio profundo.
Os antigos fala que e o horário que a
natureza dorme que renova as energias.
São Caboclos (índios)
Mestres Caboclos que são catequizados
passou a trabalhar e conviver fora da aldeia,
fazendo trabalhos dos homens Branco.
Guardião e o Mesmo que Mestre
Esquerdeiro:
São Mestres que conheceu a lei do homem
branco que fez guerra e matou não por sua
causa indígena mais sim pela determinação
dos colonizadores. era índios feiticeiros. ao
passar para a Jurema guarda uns dos os
portais de encantamento.
Alguns dos Encantados da Serra do Araripe.
O Crato, é uma cidade pacata situada na
região do Cariri, mais precisamente ao Sul do
Ceará, ao sopé da Serra do Araripe.
Berço da tribo Cariri, índios que habitaram a
localidade durante muito tempo.
A região era uma aldeia habitada pelos índios
Cariris, um povo pacato, característica que os
batizou com esse nome porque no falar de
Porto Seguro, Kiriri significa: Calado,
tristonho, sincero. Irineu Pinheiro em sua
obra O Cariri diz que a palavra Cariri é
oriunda de CAA (Mato) e IRA (Mel), ou CAI
(Queimado), IRA (Mel) ou RIRÊ (Depois que).
A tribo subdividia-se em grupos de diversas
denominações, de acordo com os dialetos
falados: Quixeréus, curianêses, Calabaças,
Cariús, Tremembés, Pacajus, Icós, Cariris,
Carirés, Jucás, Jenipapos, Jandaias, Sucurus,
Garanhuns, Chocos, Fulniês, Acenas e
Romaria. Qualquer índio da região era
conhecido como Cariús, por ser a maior tribo
existente na época.
Os índios Cariris eram originários da Ásia e
chegaram ao novo mundo pelos rios
Amazonas e Tocantins. Dois tipos étnicos
chegaram à América no período neolítico: os
Sudésticos e os Brasilídios, a procura de um
lugar que lhes dessem melhores condições
de vida.
Os Brasilídios geraram 12 tribos que se
espalharam e povoaram quase que
completamente o continente sul americano.
Expulsos pelos Tupiniquins e Tupinambás
abrigaram-se à sombra das matas da
Borborema, dos Cariris velhos e novos,
fixaram-se no leito de alguns rios como:
Jaguaribe, Acaraú, Assú e Apodi, etc.
Alguns prosseguiram a sua migração que só
foram detidos pelas águas caudais do Rio São
Francisco, difícil de serem transpostas e
então assenhoraram-se da vasta região que
compreende este rio.
Uma dessas tribos foi a nação Cariri que
chegou ao sul do Ceará nos séculos IX e X da
era Cristã em busca de terras férteis, úmidas,
quentes e de fácil plantio, de onde pudesse
retirar o sustento da família e
consequentemente melhor a qualidade de
vida. Encontraram no Cariri, mais
precisamente no Crato, o ambiente propício
às suas aspirações; com suas fontes e
riquezas naturais a região propiciou-lhes uma
vida fácil e primitiva, retirando da natureza,
em abundância, uma diversidade de
alimentos como macaúba, babaçu, piqui e
araçá, dentre outros.
Dedicaram-se ainda ao plantio da mandioca,
do milho e do algodão. A caça e a pesca farta
nas matas e rios fazia do ambiente um
verdadeiro paraíso tropical onde suas
famílias puderam viver em paz durante muito
tempo.
A vida na tribo era tranquila. Suas residências
eram construídas com a palha da palmeira.
Usavam utensílios feitos de forma artesanal
como cabaças, cuias e coites. Fabricavam
seus utensílios domésticos.
Dentre eles destacamos o pilão de socar, a
arupemba, o abano, esteiras de palha de
palmeira e artigos feitos em cerâmica como
vasos, pratos e panelas onde podiam fazer
seus cozidos provenientes da farinha de
mandioca, (produzida em estilo rudimentar,
em casas de farinhas primitivas). e do milho.
O bejú, a tapioca, a puba, a canjica, o cuscuz
e muitas outras receitas nutritivas vieram dos
nossos antepassados indígenas.
A maioria destes costumes, comidas e
ambientes foram e são utilizados pelas
comunidades, até mesmo nos nossos dias.
Nos séculos XVII e XVIII, na Serra do Araripe,
os índios cariris foram descobertos pelos
povoadores do ´Ciclo do Couro` de Sergipe,
Pernambuco e possivelmente da Torre da
Bahia. Missões Indígenas espalhados pelos
Sertões Pernambucanos catequizaram e
civilizarão a tribo Cariri. Documentos antigos
relatam a presença dos missionários na
região à partir de 1730. È aí que se inicia a
história do Crato.
Domingos Jorge Velho – Bandeirante
Responsável por Vários Massacre
Fonte de Origem: Fernando Rebouças
Bandeirante Brasileiro, Domingos Jorge Velho
nasceu em Parnaíba, Capitania de São Paulo,
em 1641; faleceu em Piancó, capitania da
Paraíba, em 1705. Trabalhou como Mestre de
Campo no Governo de Estevão Parente.
Era filho de Francisco Jorge Velho. Começou a
perseguir índios no nordeste brasileiro na
segunda metade do século XVII. Foi
proprietário de fazenda no interior do atual
estado de Pernambuco, às margens do rio
São Francisco.
Desbravou as serras de Dois Irmãos Paulistas,
Rio Canindé (região do estado do Piauí),
Chapada do Araripe, rios Salgado (atual
estado do Ceará), entre outras regiões nos
anos de 1671 a 1674.
No Ceará, seguiu sozinho para lutar contra os
índios cariris, antes já havia acompanhado o
Domingos Afonso Sertão e expedição ao
Piauí. Foi fundador do arraial do Piancó em
1676.
Logo depois, Piancó foi destruído pelos
cariris, se vingou destruindo a tribo .
Em 1680, fixou-se na região do rio Piranhas,
onde formou um fazenda no rio Piancó.
Assinou as condições do plano de atacar o
Quilombo dos Palmares com o governador
João Cunha Souto Maior, em 3 de março de
1687.
As condições foram confirmadas em 1691,
pelo governador de Pernambuco, Marquês
de Montebelo, sendo o contrato ratificado
pela Carta Régia de 7 de abril de 1693. (leia
mais sobre a Guerra dos Palmares).
Dois anos depois, com a ajuda de Bernardo
Vieira de Melo, destruiu o quilombo, fato que
marcou a morte de Zumbi.
Em 1699, chefiou expedição para combater a
Confederação dos Cariris, acompanhado de
missionários e tenentes. Domingos Jorge
Velho recebeu patente de mestre de campo.
Mestra esquerdeira Maria Doida
Devassa, Perdida e Bandida, era com uma
bela gargalhada escrachada que a famosa
Maria respondia a todos supostos “elogios”
da clientela!
Mulher muito guerreira e honesta se
orgulhava de a chamarem de rapariga e de
quenga, pois nunca negou a sua fama, e era
assim que as prostitutas de Pernambuco e
Paraíba eram chamadas naquela época!
Sua fama se fez por gostar de dançar
completamente nua e mesmo sem ser tão
bonita quanto às outras sempre arrastava a
maior clientela da noite!
Mestra Celina
É uma grande mestra consagrada a uma
princesa cabocla dentro das matas!
Celina grande rezadeira e catimbozeiro
deixou seu nome marcado em um tambor
com suas fumaças ervas e feitiços!
Nega brava afoita e alvoroçada que não
levava desaforo de ninguém!
Sempre muito requisitada tanto por seus
feitiços como em seu ofício!
Ajudou muitas putas dentro da zona na
época, batendo seus catimbós para todos os
fins!
José Pretinho
Grande mestre de Catimbó!
Dizem que foi um grande amigo de José
Pelintra nas andanças de Pernambuco, alguns
afirmam ter sido retirante do grupo de
Lampião!
Saravá seu José Pretinho!
🎶Mestre Zé Pretinho
Seu Zé Pretinho ele é Pequenininho
É da Jurema e ninguém lhe vê
Anda nas ruas as emboladas só da pernada
pra ver doer (2x)
Ele armou a sua rede foi no tronco da Jurema
Ele armou a sua rede no tronco do Juremá!🎶
🎶Não há demanda que possa lhe derrubar...
Ele é cabeça feita, tem um nome a zelar...
Seu nome é José Pretinho da jurema, está
pronto pra trabalhar!!!🎶
Zé Pretinho meu neguinho tira o chapéu da
cabeça...
História da mestra Luzitania
🎶Passado alguns anos após a passagem de
mestra Ritinha pela rua Guia em Recife -
PE!🎶
Surge uma nova moça! Que passa a ganhar
muita fama, se torna extremamente
requisitada e muito amada! A morena de
jeitos Sisudo passa a enfeitar a corte de
meretrizes do Recife antigo!
Parte do texto retirado de postagem de
Juremeiro Paulo de Alcântara
🎶Oi me disseram que Luzitania não
prestava!🎶
🎶E que com ela não se resolvia nada!🎶
Mas venha ver como é que é!
Deus lhe deu merecimento!
Deus lhe deu conhecimento!
Hoje ela tudo vem resolver!
Luzitania chegou!!! E a jurema clareou!
Mas olha que beleza!
Olha que beleza!
Luzitania na Jurema!
É obra da natureza!🎶🎶
🎶Luzitania onde é que tu estás! (2x)
Que eu procuro e não te vejo!
Estou aqui escutando o seu chamado!
Respondendo seu chamado na força do
Juremá
Só não me vê quem não quer
O Luzitania por favor não vá agora
Por favor não vá embora
Antes de me saravá
Leva contigo amarrado no teu lenço
Tudo que for embaraço
Tudo que for sofrimento
E joga no alto mar
Para nunca mais voltar
Rita Ribonesa
A Cigana de etnia Calon {Calon (ou Kalon,
Calom, Calé): São ciganos ibéricos,
conhecidos como gitanos em Portugal e na
Espanha. Chegaram ao Brasil a partir do séc.
XVI deportados de Portugal e falam a língua
Shib Kalé ou Caló, que é uma mistura de
Romanês, Português e Espanhol. São devotos
de Nossa Senhora Aparecida. “O Calon,
oriundo de Portugal, que fala o dialeto caló, é
tradicionalmente nômade, ligado ao
comércio de cavalos, carros, correntes e
artefatos imitando ouro. As mulheres
praticam a quiromancia em praças públicas,
exibem dentes de ouro e pintas (sinais) no
rosto.” } Ela desembarcou com o seu povo no
porto de Recife! Foi em busca de trabalho e
andou pelos sertões de Pernambuco e
Paraíba! Liderou um grupo de ciganas,
viajando cidade em cidade, tocando e
cantando! Pioneira na mistura do culto
cigano aos cultos nordestinos!
🎶 UMA CIGANA LEU A MINHA MÃO , E EU
FIQUEI NAQUELA INCERTEZA, EU PERGUNTEI
COMO É O NOME DELA, E ELA ME
RESPONDEU, SOU RITA RIBONESA.... ELA É
RITA RIBONE
Mestre Pau Pereira
Antônio Pereira
🎶🎶🎶Um grande mestre da Jurema Sagrada
Mestre esquerdeiro que encontrou sua
remissão de seus atos do passado no Seio do
Juremá!
Essa é a prova viva de que a Jurema resgata e
recupera almas errantes ao contrário do que
muitos pensam que mestres e mestras foram
bonzinhos e Santos curandeiros rezadeiros
em vida! Não foram só isso não! Tiveram
suas vidas errantes uns mais outros menos! A
Jurema é instrumento divino de paz e de
perdão! 🎶🎶🎶
Um Homem!
Um passado!
Um tirano!
Loucura!
Morte!
Dor!
Suicidio!
Ahhhhh mas o arrependimento é a chave
para um resgate! O perdão! No trabalho
árduo da caridade e na força encantada de
Um Pau Pereira!
Saravá o mestre
Preta velha Mandinga
Vovó Benedita batizada no Codó do
Maranhão veio da tribo mandinga que ficava
perto da República do Congo, já era princesa
e chegou ao Brasil junto c seus pais como
escrava!
Seus pais faleceram! E como vingança
mordeu a orelha de um Marinheiro! Chegou
ao Brasil amordaçado e acorrentada! Sua
primeira passagem foi em Salvador Bahia na
venda de escravos, mas ninguém a comprou!
Então ela voltou ao navio! E chegou em
Maranhão foi vendida p um sr de engenho
Portugues! Trabalhou na lavoura, no corte de
Cana, fazendo Cachaça , melado rapadura
café e a noite era recolhida para as senzalas e
também servia como mulher aos srs de
engenho, seu primeiro filho nasceu negro
com os olhos azuis que foi deportado p Costa
Rica, o segundo filho foi de um Holandês q
esse foi criado na fazenda se tornou um
grande vaqueiro aprendeu c a mãe as magias
africanas e tb adentrou ao culto da Jurema!
Relato da própria entidade acostada em
Juremeiro Antony de Oxossi um grande
Juremeiro respeitado no Brasil! 🎶🎶
🎶A vovó Benedita ela veio trabalhar
É a preta mandinga ela é pau pra virar
Giras Cangiras do lado de lá
É a preta mandinga ela é pau pra virar🎶
🎶Abriu-se as portas do seu Maranhão
É a preta mandinga chegou no salão ela bebe
ela fuma ela toma torrada
Leva os contrário é na sua fumaça
Quebra quebra Guabiraba no romper do
Madrugada
🎶Gira de noite confirma de dia é a preta
mandinga na alta magia🎶
Recebeu esse nome de preta Mandinga por
ser muito feiticeira mexia com ervas com
panelas curandeira fazia trabalhos
🎶Pisa maneiro pisa maneiro pisa maneiro
que a vovó tá no terreiro
Pisa maneiro que a vovó tá no terreiro saravá
preta mandinga levanta pai (filho/mãe) de
terreiro🎶
É uma preta velha de muita força e de muita
ciência!
Adentra o reinado da Jurema através do
Reino Orubá
Lembrando que o culto dos pretos velhos é
primordial da Umbanda!
MESTRA ANINHA DO ANGELÓ
MESTRA CONSIDERADA BRUXA DA JUREMA.
CONHECEDORA DA MAGIA AFRICANA
ESSA MESTRA QUANDO ERA VIVA,
TRABALHAVA MUITO COM A FORÇA E A
MAGIA DE EGUNS, QUASE TODOS OS SEUS
TRABALHOS ERAM FEITO ATRAVÉS DA FORÇA
DESSAS ENTIDADES, HERANÇA QUE ELA JÁ
TRAZIA DE SEU CULTO ANCESTRAL...
Aninha não teve ligação com o Brasil logo de
imediato Aninha foi africana nascida na
África e levada a Portugal como escrava! E
depois foi trazida para o Brasil tanto ela
quanto Nega Luanda! Aninha em Portugal
teve acesso a magia Negra! Vieram p dentro
da Jurema e são chamadas de Bruxas por
isso! Adentrou a Jurema pela parte da
mistura do Catolicismo com a magia
europeia! Lembrando a nível de
esclarecimento que esse eh o conceito do
motivo pelo qual ela é chamada d Bruxa!
Quando Aninha e Luanda vieram p o Brasil
Aninha foi levada à Maceió, na fuga dela
correu para o Quilombo! Ela faz parte de
alguns espíritos específico de Jurema pois
veio de uma cultura Europeia apesar de ser
africana!
Fonte: Odeolooja Caçador grande Juremeiro
de ciência! Sua bença sempre meu irmão!
🎶🎶
Texto redigido e editado por Juremeira
Janaina De Malunguinho🎶🎶
ANINHA DO ANGELÒ
🎶"Aninha deu um nó
ninguem soube desatar
Aninha está na gira
na gira pra girar""🎶
🎶Aninha deu um nó
ninguem sabe o q ela fez
amarrou sete homens todos sete de uma
vez""🎶
🎶Aninha deu um nó
ninguem sabe onde foi
foram quatro na sua saiae três no rabo do
boi""🎶
🎶Aninha, Aninha,Aninha do Ajiló
Seu lençol tem quatro pontas
cada ponta tem um nó
o nó que Aninha dá Até o diabo tem dó
é um bruxo e uma bruxas sete sapos "cururu"
amarrados e costurados e a macumba vai pra
tu!
vai pra tu, vai pra tu, vai pra tu
amarrado e costurado com a pena de
urubu!"🎶
🎶"Aninha do muganguê
do muganguê Aninha é...🎶
🎶Aninha é feiticeira
debaixo de uma Coité"
MESTRE MANOEL QUEBRA PEDRA…
Na serra Borborema fica no estado da
“Paraíba” “PB” origem de grandes mestres
que fizeram parte da história do culto da
Jurema sagrada….
Manoel Quebra pedra nasceu na serra da
Borborema em (1845) a sua mãe se chamava
Maria porcina da Silva, seu pai se chamava
Antônio Manoel da Silva….
Manoel Quebra pedra era um grande
trabalhador, gostava sempre de ter o seu
próprio tustão no bolso, seu Manoel Quebra
pedra trabalhava como talhador de pedra,
passava o dia todo quebrando talhando
pedras………
Ele também teve uma passagem em Recife
do Pina a Boa Viagem , existe até uma
cantiga que se relata sobre essa passagem.
Seu Manoel também trabalhou muito tempo
como capataz e tangedor de gado, fazia seu
trabalho como ninguém era muito respeitado
por seus patrões, sempre entregava o serviço
pronto e do que era mandado fazer…….
Manoel Quebra pedra foi um grande homem
honesto porém muito rígido e valente, as
pessoas em sua época o respeitavam e
admiravam o jeito que ele era, um homem
fechado de poucas palavras mais tinha um
coração enorme …..
Algumas pessoas citam que ele teria casado
com uma bela mulher e até dizem que ele
teve alguns filhos as quais ainda não se sabe
sobre essa existência, mais o importante é
sabermos o tamanho do nome que essa
belíssima entidade tive quando vivia nesse
mundo carnal físico…..
Texto pertencente e Fonte Juremeiro Canindé
Natal RN (parabéns pelo excelente estudo e
explanação de nossa linda tradição que é a
Jurema Sagrada)
Manoel Quebra Pedra
Cantado e reverenciado nas giras e mesas de
Jurema popularmente conhecido como
“Quebra Pedra”
O destemido senhor que tem forte ligação
com o Catimbó, desmancha trabalhos, dando
sempre a proteção aos seus discípulos.
Em uma de suas façanhas que se passou em
regiões litorâneas especificamente entre o
Pina e Boa Viagem bairros famosos do Recife!
Hoje conta sua história em cantigas!
🎶 Do Pina a Boa Viagem o guarda quase lhe
pega! Foi uma fumaça ao contrário mandada
por Quebra Pedra! 🎶
🎶É ele! É ele! Manoel Quebra Pedra é ele!🎶
🎶Ele anda no mundo, ninguém não lhe pega!
Cada fumaça é um tombo uma Queda!
Mestre José Galo Preto
Mestre esquerdeiro
🎶🎶EU JÁ SALVEI SETE CIDADE
JA SALVE SETE CIDADE
SALVEI SETE MORADOR
MEU GALO PRETO E ROMANISCO
GALO PRETO E *ROMANISCO
E TEM O PÉ AMARELO
CISCA CISCA MEU GALO
VAI FAZER O QUE EU QUERO🎶🎶
*uns dizem Ramo Arisco outros dizem
homem arisco eu aprendi ROMANISCO que
significa: Diz-se do galo que tem a crista
muito grossa e bifurcada.
🎶🎶fumaça vem
fumaça vai
vai fumaça pra onde eu manda
eu mandei ver
mandei busca
vai fumaça pra onde eu manda🎶🎶
🎶🎶🎶salve os encantados e sua ciência
sarava senhor galo preto mestre bom de
ciência🎶🎶🎶
SARAVA SEU GALO PRETO
SALVE SUA FORÇA ................. TRIUNFA
MESTRE
Caboclo Rompe Mato
No final do século XVIII já entrando no século
XIX, se criou uma lenda na região Norte do
Brasil, na qual se acreditava entre os homens
brancos que iniciavam o devastamento da
floresta fechada, para cultivar grandes roças
e também extrair das seringueiras o látex
para a fabricação da borracha. Essa lenda se
destinava a acreditar que espíritos da floresta
levavam as crianças brancas adoentadas para
o interior das matas, para que essas crianças
tivessem a cura, caso isso acontecesse eram
devolvidas aos pais, caso não, eram
sacrificadas.
Contudo essa lenda não era bem assim,
existia sim um teor de verdade nessa
história, porém não havia nenhum sacrifício
em nome de algo ou alguém da floresta.
Tudo começou quando um pequeno índio
bastante curioso começou a rondar as terras
onde os brancos fixaram moradia para
introduzir as grandes roças nas margens da
floresta.
Com a chegada desses homens brancos,
também chegaram as doenças, que logo se
espalharam por entre os índios, dentre eles o
pequeno índio curioso.
Seu corpo febril, sua pele ressecada, seus
olhos inertes fizeram com que seu pai, o
Cacique da tribo, ficasse em desespero, pois
não entendia bem os fatos dos
acontecimentos de seu pequeno filho.
Rapidamente o cacique levou o garoto a
oca do poderoso Pajé, com esperanças de
salvar a vida de seu menino.
Chegando nas mãos do Pajé, e ao observar
os males passados pelo menino, o Pajé
demonstrou uma grande preocupação,
acreditando ser a moléstia um castigo dos
deuses da floresta ao pequeno índio, por ele
ter tido contato com homens brancos.
O Pajé pega o menino aos braços, e parte
para o interior mais sombrio da floresta,
onde poucas pessoas conheciam. Chegando
lá, juntamente com o cacique, ele, o Pajé, se
põe a fazer sua dança invocando as forças
espirituais da floresta, para que assim tenha
uma resposta sobre aqueles males, que na
sua visão eram feitiçarias.
O cacique, bravo guerreiro, dominador dos
perigos da floresta, grande e respeitado por
todos os índios de sua tribo, não podendo
fazer nada com sua força, no momento se
sentia fraco, sua alma estava triste em ver
seu menino ali, inerte. E em um ato de
humildade, o cacique se pôs de joelhos, de
braços abertos, olhar perdido, em busca de
uma resposta dos céu.
Sua face, antes de um poderoso guerreiro,
se transformava em um rosto abatido,
entristecido. E de seus olhos brotaram
lágrimas, lágrimas teimosas que sem pedir
permissão rolavam em sua face, rolavam de
acordo com a dor que o poderoso cacique
tinha na alma e no coração.
Clamou desesperadamente aos deuses da
floresta, clamou sem receio, sem orgulho,
apenas demonstrando o desespero de um
pai desconsolado, de um simples homem
que sabia que estaria perdendo seu maior
bem. Seu
filho.
O Pajé se entranhou por entre as árvores,
em mata fechada, em busca de ervas, raízes,
folhas, para tentar reverter a condição do
indiozinho.
E nesse instante o cacique apanha o filho
no colo, afaga sua cabeça, chora
copiosamente, lamenta a sua dor.
E nessa hora de grande desespero, o
guerreiro cacique sente um leve toque em
seu ombro. Acreditando ser o Pajé, olha para
cima rapidamente, se surpreendendo com a
visão.
De baixo para cima, o cacique contempla a
imagem de um índio desconhecido. De olhos
grandes e serenos, sua face jovial, seu
sorriso amigo, trouxe uma certa sensação de
paz ao cacique.
Sua voz era forte, porém mansa, que num
tom de sabedoria disse a nosso pai
desesperado:
"Filho, seu desespero, sua fé e seu amor
paternal me trouxeram até aqui. Suas
lágrimas verdadeiras me mostraram quanto
amas seu filho, e esse grandioso amor não
ficará sem uma resposta do céu.
Poderei lhe ajudar, poderei mostrar como
curar seu curumim, porém você deverá
mostrar a ele o bem, ensinar-lhe a fazer o
bem, sem escolher a quem fazer.
Se ensinar-lhe de forma correta, esse
menino será a luz da floresta escura, se não o
ensinar de maneira correta, ele se perderá na
escuridão e nos braços da morte eterna."
Dizendo isso, a imagem estende a mão ao
cacique, que deixa o corpo do menino sobre
as folhagens estendidas ao chão. Se levanta,
e segue o Pai das Matas para o interior da
mata. Lá o
poderoso médico das florestas mostra
algumas ervas e raízes que deverão ser
levadas para fazer a maceração, e assim
fazerem o remédio para a cura, não só do
pequeno Curumim, mas de todos que
passavam pelo mesmo mal.
O cacique fez tudo que fora ensinado e
após fazer as compressas, chás, e banhos, o
menino reage, seu estado febril não mais
existe, seus olhos voltam a brilhar, sua vida
de criança nasce novamente.
Com isso, quando menos se esperava o
cacique se encontra só novamente, o Pai das
Matas se foi, deixando apenas a sensação de
paz em toda a floresta.
O Pajé retorna, se surpreende ao ver o
curumim brincando pelas árvores
gigantescas, e logo o cacique lhe conta o
acontecido.
Os três retornam para a aldeia, com uma
grande quantidade das ervas, raízes e tudo
mais indicado pelo senhor da floresta, fazem
todo o trabalho aprendido, e todos que
estavam com os males dos brancos se
recuperam.
O cacique faz o prometido, ensina cada
passo da cura a seu filho, que presta atenção
a cada detalhe, aprendendo todos os passos,
e já fazendo todo o tratamento sozinho.
Os anos se passam, o curumim agora já é
um belo e grande índio guerreiro. Ele que
tem a responsabilidade de ir em buscas das
ervas e raízes, a cada necessidade. Como
todas essas
ervas ficavam no interior extremamente
fechado das florestas e matas, o índio passou
a ser conhecido como Rompe Mato, e assim
se manteve em busca de cura, não só para
aquela moléstia principal, mas para todas as
moléstias que por ventura aparecessem.
Em um certo período, já na época do
grande estouro do ciclo da borracha, uma
grande quantidade de pessoas vinham da
região Nordeste do Brasil para a região Norte
em busca das seringueiras e do látex. Com
isso a disseminação de doenças se
expandiram extremamente, não só
entre os índios, mas também entre os
brancos, principalmente nas
crianças.
Com a guerra da ganância dos
seringueiros, os índios foram afastados,
sendo expulsos, e obrigados a viverem no
fundo da floresta, locais de matas muito
fechadas, onde os seringueiros não se
arriscavam em entrar.
As doenças continuavam a matar as
crianças, filhos de seringueiros. Sem piedade,
dezenas delas eram tomadas pelos braços
malignos da morte, sem que ninguém
pudesse fazer nada.
Certa noite, longe da aldeia, bem próximo
da região tomada pelos homens brancos, o
índio Rompe Mato observa uma mulher, com
uma criança no colo. Essa mulher chorava
desesperadamente, pois sua filha estava a
beira da morte. Uma menina de uns 3 a 4
anos, inerte, febril, sem chances de vencer a
guerra contra a moléstia, se encontrava
envolvida em um pano branco,
demonstrando que já a preparavam para seu
sepultamento, logo após o desencarne.
A mulher chorava, solitária, frágil,
desolada. Cansada de tanto sofrimento, a
mulher adormece, sem notar que estava
sendo observada pelo índio Rompe Mato.
Esse foi até ela, com seus passos leves, sua
agilidade e sua vontade de poder curar
aquela criança, e numa ação rápida pegou a
menina e a levou para o interior mais
inacessível da mata. E lá com a ajuda das
ervas e raízes curou a
menina de sua moléstia.
Ao acordar e não ver a menina, a mulher
que antes desesperada,
fica enlouquecida, sai gritando em busca de
ajuda, para que trouxessem a sua filha de
volta.
Alguns seringueiros, armados com seus
facões, saíram em busca da menina, porém
sem o menor resultado positivo. Ao
retornarem as suas choupanas, a conversa
virou apenas um só tema: "Espíritos da
floresta levaram a menina".
Enquanto seringueiros debatiam o fato, o
índio Rompe Mato, aproveitando a
oportunidade, leva a menina curada de volta,
deixando-a muito próxima da choupana de
sua mãe, que logo encontra a criança.
Ao indagar a pequena sobre o que tinha
acontecido, todos os moradores da aldeia
dos seringueiros, ficaram perplexos com os
relatos da menina, dizendo ela que ela só
lembrava de um lugar lindo, de um anjo
vestido de índio, que voava pelas árvores,
que deu a ela um remédio um pouquinho
amargo, mas que ela se sentia bem em
tomar. E o remédio fez com que ela ficasse
forte, e então o anjo trouxe ela de
volta pra casa.
A partir dali todos acreditaram que o anjo
era um espírito da floresta, que com sua
bondade curava as crianças, e mandava o chá
sagrado aos adultos.
Muitas mães deixavam seus filhos sobre a
mesma pedra na qual Rompe Mato pegou a
menina, para que assim ele levasse outras
crianças também, e as curassem. E assim ele
fazia. constantemente.
O tempo passou, Senhor Rompe Mato
continuava com sua missão de cura, crianças,
adultos, homens e mulheres da aldeia dos
seringueiros eram curados pelas mãos e a fé
do índio. Que mesmo vendo seu povo ser
expulso das terras que nascera, ele não se
deixava enfurecer, não deixava o ódio tomar
conta de sua alma, e peregrinava, dia e noite
na busca das ervas e raízes para salvar todo
aquele povo dos males.
Porém certa noite quando o índio ia para a
aldeia em busca de auxiliar mais um grupo
de adoentados, fora capturado pelo chefe
dos seringueiros e seu bando, sendo
colocado amarrado, e em uma intensa
tortura física e moral. Sem saberem que era
ele o autor das curas feitas, nas caladas
noites sombrias, a intensidade do açoite se
estendeu por dias, e a pretensão dos
seringueiros era saber sobre outras riquezas
daquela região, além do látex.
E assim se passaram dias e dias de intensa
covardia sobre o nosso amado Rompe Mato,
até que aconteceu o inesperado, a filha do
chefe dos seringueiros contraiu a moléstia
devastadora.
Ele, o chefe dos seringueiros, acreditando
que a cura viria do espírito das matas, levou a
menina ao local onde o índio Rompe Mato
sempre buscava as crianças para tratamento.
Porém por estar ele, o índio, preso nas garras
perversas dos gananciosos seringueiros, não
tinha como levar a cura a pequena menina
adoentada.
Se passaram duas noites e era visível a
piora da menina, e visível também era o
desespero de sua mãe, que clamava ao
marido que buscasse orientação com o índio
que se encontrava preso pelos seringueiros,
pois sendo ele da região, talvez soubesse
algo sobre o "espírito das matas" que curava
tantas pessoas.
O chefe dos seringueiros, não tendo mais
esperanças, e nem mais o que fazer foi até o
índio torturado, e num gesto de prepotência
e ódio, ordenou a ele que dissesse tudo que
sabia sobre o tal curador das matas. Rompe
Mato sem entender muito bem o que era
falado, clamou ao chefe dos seringueiros que
ele o explicasse melhor sobre que
espírito das matas ele se referia, sem saber
que ele próprio era visto assim por aquele
povo.
Ao ser explicado melhor sobre os fatos
acontecidos, Rompe Mato
entende que era sobre as curas feitas por ele
que era falado, e em sua inocência e
cultivador da caridade, ele se expressa
dizendo que era ele próprio que levava as
crianças até certo ponto da floresta e as
curava com ervas e raízes que colhia após
serem abençoadas pelo Pai das Matas.
O seringueiro chefe fica irradiando ódio
pelos olhos com a
resposta, pois acreditava que o índio estava
mentindo, e estaria
usando do fato da doença de sua filha para
sair da situação que se
encontrava.
No instante seguinte,sem refletir sobre a
situação, o chefe crava
um punhal de aço no peito do índio, que cai
inerte nos braços da mãe terra.
Os olhos do índio se cerraram, sua
respiração se finda, seu
coração, que já não batia mais dentro do
peito, despejava lágrimas de sangue. Ele
estava desencarnado.
Do alto de uma imensa árvore sai a
imagem do pai das matas, que plaina junto
ao corpo inerte de Rompe Mato, diante dos
olhos de todos.
E dessa imagem sai uma voz forte, porém
serena, dizendo aos
seringueiros que aquele índio era o caminho
para a cura de todos que ali se encontravam,
porém a ganância, a prepotência, a falta de
humildade e o ódio, dissiparam todas as
esperanças que poderiam ter naquela região.
Dizendo isso estende a mão, e em sua
direção o espírito do
índio se apresenta, não mais com os sinais de
tortura que havia
passado, mas como um poderoso guerreiro
das matas, que além de ser abençoado pela
proteção do pai das matas, tinha a grandiosa
proteção do senhor das guerras. E essa
proteção ia ser usada para retirar das matas
todo aquele ódio deixado pelos seringueiros
gananciosos.
Nesse instante apareceu do lado do pai das
matas e de Rompe Mato a imagem
onipotente de um grande Guerreiro ,
demonstrando toda a força contida naqueles
seres para lutarem contra o mal.
Os três partiram para o interior
inexplorável da mãe floresta, e
lá entregaram o índio Rompe Matos aos
cuidados da
sagrada e bela Cabocla Jurema, que
encaminharia o índio as terras do Juremá,
para que assim esse pudesse ser coroado
mais um rei das matas e poder trabalhar em
prol da caridade na linha espiritual.
A partir desse acontecimento muitas
crianças daquela região
tiveram a moléstia, e para desespero de
todos os pais a cura não mais acontecia.
Várias delas desencarnaram, inclusive a filha
do seringueiro chefe, que passou a ser
odiado por todos seus seguidores, pois
entenderam que ele fora o culpado do
desencarne do índio Rompe Mato, sendo
assim não havendo esperanças de cura para
ninguém daquela
região, principalmente as crianças.
O índio passou a ser conhecido como
Caboclo Rompe Mato, e era ele que protegia
o espírito de cada criança que desencarnava
com a
moléstia pecaminosa, e assim se cria a lenda
de que o Caboclo Rompe Mato é o cuidador
e protetor de todas as crianças. E dizem que
a cada manifestação desse Caboclo nos
Terreiros ele vem em companhia de várias
crianças desencarnadas, que mesmo sem se
manifestarem em
incorporação, estão dentro do Terreiro para a
proteção de todos.
Que o Caboclo Rompe Mato nos proteja,
proteja nossa família e
nossas crianças.
É um caboclo chefe de legião, muito cultuado
também no catimbó, ele traz o poder da
Justiça, o poder de vencer as demandas
provenientes dos atuantes tem o dom da
cura e capacidade de aconselha. Algumas
vezes pede charuto em sua passagem na
Terra! É um guerreiro que atua na paz,
Rompe-Matos nunca se apresentarão como
caciques, pois todos são áusteros e
destemidos guerreiros, isso é uma regra. É
um caboclo que também trabalha na linha da
esquerda efetuando limpeza e equilibrando
as energias. Usa o nome simbólico de
Caboclo Rompe Mato da Jurema. Costuma
apresentar-se austero e rigoroso, porém
muito amoroso e aconselhador
Ter este Caboclo como entidade, é uma
grande honra a qualquer médium, lembre-se
de seus princíos e conselhos, tenha sempre o
senso de justiça acima de tudo.
Na Sua Aldeia Ele É Caboclo
Seu Rompe Mato, Seu Arranca Toco!
Na Sua Aldeia, Na Terra Da Jurema
Não Se Faz Nada Sem Ordem Suprema!
Senhor Rompe Mato, Senhor Quebra Galho!
O Senhor Que Lhe Chama É Jesus No
Calvário!
Na Sua Aldeia Ele É Caboclo
Seu Rompe Mato, Seu Arranca Toco
Malunguinho foi o mais famoso líder do
Quilombo do Catucá, foco de resistência
situado nas proximidades de Recife entre
1814-1835. A fama do quilombola acabou
indo além de sua habilidade de líder ou de
guerreiro, pois transcendeu para o nível
religioso. Malunguinho passou a ser
reverenciado como uma entidade espiritual,
guia e protetor das comunidades afro-
indígenas. Enquanto taxado como bandido
perigoso pelo centro do poder político e por
proprietários, comandando o Catucá, João
Batista, o Malunguinho, já era reconhecido
pelos seus porque a ele eram atribuídos
poderes curativos e saberes místicos,
atributos adquiridos em sua permanência
entre indígenas depois de escapar de um
ataque no qual foi gravemente ferido.
Durante esta experiência entre os índios foi
revelado que ele teria sido designado pela
Jurema para ser portador da “chave mágica”,
por meio da qual guardaria os caminhos para
libertar e desbravar, acessando os mundos
dos vivos e dos ancestrais.
A morte de Malunguinho em 1835 em
decorrência da melhor organização
governamental para conter o Catucá resultou
no esfacelamento do quilombo, mas não
apagou o quilombola da vida da população
que passou a reverenciá-lo no antigo culto
juremeiro, também conhecido como
Catimbó. Malunguinho figura como uma
importante e consagrada entidade espiritual
afro-indígena nos terreiros.
VERDADEIRA HISTÓRIA DE ZÉ PELINTRA
A história de seu Zé começa dentro da
tradição da Jurema Sagrada, iniciada há
muitos séculos pelos nativos do continente
americano. A Jurema se torna um legado dos
afro-ameríndios muito tempo depois,
quando os portugueses começaram a trazer
para cá africanos escravizados. Antes de
falarmos do Mestre Zé Pelintra e das
maneiras de cultuá-lo, acreditamos ser
necessário dar um embasamento histórico
para entendermos essa entidade que, afinal
de contas, foi um dia um homem que nasceu
e caminhou por onde hoje é Pernambuco.
A FORMAÇÃO DA JUREMA
Para entender a tradição à que seu Zé foi
consagrado, temos que retornar à pré-
história, quando o homem descobre a
utilização do fogo e passa viver em
comunidades próximas a cavernas. É nesse
momento que surge o Politeísmo, o culto a
diversas divindades. Esses povos tinham
sacerdotes que ficaram conhecidos para nós
como Xamãs ou Pajés, e eram eles os
responsáveis por cultuar as Divindades da
Natureza e os Ancestrais, pedindo caça farta
e curas em nome de seus povos aos deuses
da água, dos ventos, dos raios, tempestades,
do Mar, etc.
Na África, por exemplo, os yorubás
chamavam essas divindades de Orixás. As
sessões de Pajelança, com seus benzimentos
e garrafadas de remédios, eram, na
realidade, sessões espiritistas. Na maioria das
tradições xamânicas nativas, quando um
xamã morre ele “se encanta”, se torna uma
entidade ativa no mundo dos Encantados e
dos Deuses, de onde segue atuando pelo seu
povo.
Um Encantado pode ser invocado ou
contatado através de cerimônias, quando
retorna ao mundo dos mortais para conceder
curas e conselhos. Na América do Sul, muitos
desses povos viviam próximos aos grandes
rios e no litoral, se isolando nos montes e
matas em povoados que chegavam por vezes
a ter milhares de pessoas. O primeiro contato
que esses nativos tiveram com a civilização
branca foi em 1498, sob a forma de uma
frota de 08 navios comandados pelo
português Duarte Pacheco Pereira, que
atingiu o litoral brasileiro e chegou a explorá-
lo onde hoje são os Estados do Pará e
Maranhão.
Alguns europeus ficaram morando no novo
mundo em pequenos assentamentos
portuários a serviço da coroa portuguesa,
chamados de feitorias, onde trocavam
objetos pelo Pau Brasil que seria levado para
a metrópole.
Os contatos nem sempre eram pacíficos, e
por isso os povoados portugueses que foram
construídos durante a pré-colonização no
Norte e Nordeste do Brasil eram fechados
com paliçadas de madeira para evitar
ataques. O isolamento desses colonos, no
entanto, que chegavam a esperar meses até
que os navios voltassem da Europa com
provisões, os forçou a buscar parceria com os
índios para terem produtos alimentícios e
tratarem suas doenças nas sessões de
Fumaçadas com os Pajés.
Entre 1498 a 1532 os laços de confiabilidade
e integração cultural entre nativos e
portugueses haviam se estreitado, chegando
mesmo a surgir Europeus que davam
manifestações mediúnicas (“baixavam”)
índios ou Encantados. Com o crescimento da
população portuguesa pela colonização,
aumentou também o número de iniciados
brancos e mestiços na Pajelança – muitos
deles passando a viver dentro das
comunidades de colonos.
Foi da agregação e do sincretismo entre o
Catolicismo português, a Bruxaria Europeia e
Pajelança que surgiu a Jurema Sagrada de
Tupã ou Jurema Sagrada de Caboclo, cujas
primeiras manifestações se deram entre
1532 e 1536. Tupã, segundo a lenda, era o
nome de um índio irmão do cacique dos
Tupinambás, nome que recebeu como
homenagem ao grande Rei Tupã, Deus
Supremo. O primeiro Reinado da Jurema
Sagrada – local de habitação dos Encantados
desta tradição no plano astral – também é
denominado como Reino de Tupã ou Jurema
de Caboclo.
A chegada dos Jesuítas, em março de 1549,
muda a dinâmica desse sincretismo.
Enfatizando a devoção a Jesus Cristo e a
catequização dos nativos, os Jesuítas
afirmaram que os rituais de Pajelança eram
na verdade sessões demoníacas. Foi, então,
imposto que todas as pessoas que
estivessem praticando a Pajelança ou
fazendo Catimbó seriam assassinadas no
local.
Além disso, era proibido enterrar seus corpos
em cemitérios públicos, considerados
campos santos que permitiriam o descanso
das almas. A lápide desses perseguidos
acabou sendo a principal árvore do culto, a
Jurema Preta (mimosa hostilizes), que daí
ganhou também o nome de Jurema Sagrada.
É preciso lembrar que o Brasil foi colonizado
em pleno período da Inquisição Portuguesa,
cuja influência direta foi sentida em nosso
país por mais de três séculos. A atuação da
Santa Inquisição amordaçou vários aspectos
da nossa cultura, e temos múltiplos exemplos
de “caça à literatura sediciosa” e de
assassinatos daqueles considerados bruxos.
A Pajelança e principalmente o Catimbó eram
palavras proibidas de aparecer em livros, e
quem as falava devia fazê-lo escondido.
Podemos considerar Portugal um pioneiro na
censura literária em nome da defesa da fé e
dos bons costumes. Devemos considerar,
também, que antes mesmo da instituição da
Inquisição em Portugal, em 1536, o Estado
português já demonstrava preocupação em
cercear ideias consideradas como perigosas
ao regime ou desafiadoras à cultura de
exploração que se queria implantar nas
terras da Colônia. Catimbó ou Caatimbó é o
nome dado à fumaça que sai do cachimbo do
pajé, ou às sessões de fumaçada e
benzimento.
A FORMAÇÃO DE PERNAMBUCO
A colonização de Pernambuco, terra onde Zé
Pelintra nasceu, teve início em 1501 quando
a expedição do navegador Gaspar de Lemos
fundou feitorias no litoral. Foi entre 1534 e
1536, que Dom João III, então rei de
Portugal, instalou o sistema de Capitanias
Hereditárias no Brasil, doando 14 lotes de
terra para Donatários que deveriam explorar
e colonizar as terras, fundar povoados,
arrecadar impostos e estabelecer as regras
do local.
Assim, a capitania de Pernambuco - ou
Capitania de Nova Lusitânia, como era
chamada – foi parar nas mãos de Duarte
Coelho, que em 1535 se estabeleceu no local
e fundou a vila de Olinda, levando para lá os
primeiros engenhos de açúcar da colônia. A
região se tornou uma potência mundial na
exportação de açúcar, sendo responsável
durante anos por mais da metade das
exportações brasileiras. A prosperidade dos
engenhos chamou a atenção dos holandeses,
que, entre 1630 e 1654, ocuparam toda a
região sob o comando da Companhia das
Índias Ocidentais, tendo como representante
o Conde Mauricio de Nassau.
Olinda foi incendiada nos ataques navais, e
assim Recife se tornou a capital do Brasil
holandês. Nassau leva para Pernambuco uma
forma de administrar inovadora, realiza
inúmeras obras de urbanização, amplia a
lavoura da cana e assegura a liberdade de
culto - é nesse período que foi fundada, no
Recife, a primeira sinagoga das Américas. A
administração holandesa acaba por trazer
um fluxo diversificado de europeus para o
nordeste brasileiro. Amante das artes,
Nassau tem na sua equipe inúmeros artistas,
como Frans Post e Albert Eckhrout, pioneiros
na documentação visual da paisagem
brasileira e do cotidiano dos seus habitantes.
Podemos mesmo dizer que muitos dos
Mestres estrangeiros na linha da Jurema
vieram para cá em vida depois da invasão de
Pernambuco pelos Holandeses. A Jurema
Sagrada tem Encantados filhos de italianos,
holandeses, turcos, franceses, espanhóis e
portugueses, como Dom Sebastião, O Rei da
Turquia pai de Mariana, uma cabocla mestra
do Amazonas e Mestre João Português.
A coroa portuguesa continuou lutando conta
a ocupação de Nassau, e, em 1645, teve
início a Insurreição Pernambucana. Os
holandeses se rendem em janeiro de 1654,
mas sua administração já havia deixado
marcas profundas em Recife, que se tornou
uma próspera cidade comercial cheia de
comerciantes e mascates. Isso acabou por
ocasionar uma outra guerra contra Olinda,
reduto dos senhores de engenho. Devido a
divergências quanto à demarcação de novas
vilas, em 1710, os moradores de Olinda
invadem o Recife, dando início a chamada
Guerra dos Mascates.
O conflito só terminou com a chegada, em
1711, do novo governador da região. Foi
nesse cenário que José Pelintra nasceu coisa
de 60 anos depois, na Vila do Cabo de São
Agostinho - cerca de 42 quilômetros ao sul de
Recife, no litoral. O local, que ainda era
habitado pelos índios Caeté, começou como
um Engenho chamado Madre de Deus,
posteriormente conhecido como Engenho
Velho, fundado por volta de 1560.
O sucesso da plantação de cana fez com que
mais sesmarias foram distribuídas na região,
que foi elevada a paróquia em 1812 e chegou
a cidade em julho de 1877. No século XVI,
antes de se tornar paróquia, mas já um
centro de poder crescente e importante na
região, o Engenho Madre de Deus mandou
erigir a igreja de São Antônio, santo que seria
a grande devoção da vida do então menino
José de Aguiar. Era bastante comum que os
senhores de engenho mandassem fazer
locais de culto com o dinheiro do açúcar.
A região do Engenho Velho teve ainda, por
exemplo, a Igreja de Santo Amaro, onde
muitos anos depois de Seu Zé surgiu uma
Mestra chamada Amara José, descendentes
dos índios Caeté, e a Capela do Rosário dos
Pretos, onde hoje é a Praça Theó Silva.
Atualmente, o município é reconhecido pelo
Patrimônio Histórico Nacional como o mais
antigo centro açucareiro da região,
guardando um grande acervo histórico,
cultural, religioso e arquitetônico. Além da
importância histórica, o Cabo de Santo
Agostinho é considerado o maior núcleo
industrial de Pernambuco e um dos
complexos industriais e portuários mais
importantes do Brasil graças ao Porto de
Suape. Boêmio da Madrugada
A VIDA MUNDANA DE ZÉ PELINTRA
José de Aguiar Santana, nome de batismo
daquele que viria a ser conhecido como Zé
Pelintra, nasceu por volta de 1771, filho do
português José de Aguiar Phelintra e de
Maria de Santana, mestiça entre negros e
europeus da Bulgária. Ele era o quarto filho
do casal, e tinha por irmãos mais velhos
Maria de Aguiar Santana (Maria Pelintra),
Francisco de Aguiar Santana (Chico Pelintra)
e Antônio de Aguiar Santana (Antônio
Pelintra ou Caboclo Guapindaia no Tambor
de Mina).
Pouco tempo depois do nascimento do
caçula, José de Aguiar Phelintra abandonou a
mulher e os filhos e voltou para Portugal.
Maria de Santana, pobre e sozinha com
quatro crianças não teve alternativa:
Espalhou os seus filhos no mundo e foi morar
no Cabaré da cidade.
O menino José Aguiar cresceu se metendo
em confusões, bebendo e causando brigas
por onde passava. Tanto o jovem Zé aprontou
que seu nome ficou inexoravelmente ligado à
malandragem e à boemia. Pelintra,
corruptela do sobrenome Phelintra, acabou
se tornando um nome pejorativo na região,
significando um pobre que tentava se passar
por rico ou um negro que, na época, “andava
vestido como branco”.
Na época, isso significava vestir um Terno
Branco, chamado de Terno de Lírios, que era
uma roupa que apenas os nobres e os ricos
usavam. Na adolescência, José saiu do
Engenho Velho e foi morar na vila de
Afogados da Ingazeira. Adulto, rumou para a
Zona Boêmia de Recife, onde foi morar na
Rua da Amargura. Passeou no cais do Porto
de Santa Rita, nas Ruas do Beco da Malícia,
no Bairro da Encruzilhada, no Bairro da Casa
Amarela. Mas foi na Rua da Guia onde
conheceu aquela que seria o grande amor da
sua vida: Maria Luziara.
MARIA LUZIARA, O GRANDE AMOR DE SEU
ZÉ
“Na rua da amargura, onde seu Zé Pelintra
morava, ele chorava por uma mulher,
chorava por uma mulher, chorava por uma
mulher que não lhe amava”. Essa mulher se
chamava Maria da Conceição de Alcatra, e
era filha de um nobre português chamado
João de Alcatra, posteriormente conhecido
Mestre João Grande. Ela foi apelidada de
Maria Luziara em referência às Altas Torres
de sua terra natal, em Lusitânia, Portugal. Na
época, essas três torres eram as mais altas da
Europa, com 240 degraus e 76 metros de
altura, e serviam de farol para as grandes
embarcações que entravam e saíam do país.
Cantam um de seus Linhos:
“Meu Deus, valei-me nesta agonia, Valei-me
nesta aflição, Sou a Mestra Maria Luziara,
Princesa do Mestre João”.
“Que campos tão verdes, meu gado todo
espalhado, eu venho de Altas Torres, venho
juntando o meu gado”.
Diz a história que ela chegou no Brasil junto
da Família Real Portuguesa, que veio para cá
em 1808 fugindo dos avanços de Napoleão
pela Europa. Desembarcou em Salvador, na
Bahia depois seguindo para a Cidade do Rio
de Janeiro, no Estado da Guanabara.
Segundo os antigos juremeiros, ela vem
como amante do Rei Dom João VI, mas cai
em desgraça quando o Rei volta para
Portugal, em 1821, e é obrigada a ir para um
prostíbulo. Educada, nobre e muito bonita,
Luziara é mandada para o prostíbulo mais
famoso da Colônia, em Recife. No caminho,
ela perde as últimas joias que tinha guardado
da época em que era cortesã: num golpe de
má sorte, elas caem no fundo do rio São
Francisco.
“Ganhei um colar de ouro foi um casado
quem me deu, (...)”
“… na passagem do riacho Luziara perdeu.
Perdeu, perdeu a sorte que o que o macho
lhe deu …”
Foi no bordel da Rua da Guia, em Recife, que
Luziara, ainda uma moça de 20 e poucos
anos, conheceu Zé Pelintra, que devia contar
então com quase 50 anos de idade. Foi amor
à primeira vista por parte de Seu Zé. Luziara,
tinha, no entanto, muitos outros
pretendentes, alguns deles Mestres da
Jurema Sagrada. Supõe-se inclusive que foi
por intermédio de um de seus amantes que
ela mesma acabou sendo iniciada e se
tornando Mestra nessa tradição, embora não
tenhamos um relato histórico de quando isso
aconteceu e nem quem foi seu iniciador.
O fato é que os pretendentes da bela
portuguesa da Rua da Guia frequentemente
brigavam entre si. Em uma dessas brigas,
todos acabaram sendo levados para a prisão
– inclusive Luziara. Zé Pelintra ficou sabendo
e vestiu a sua melhor roupa, foi até a
delegacia e se apresentou como advogado.
Com a sua lábia passou o delegado para trás,
liberando a amada. Ela fugiu e ganhou terras
na Serra da Borborema, onde foi viver de
criação de gado. Dizem que quem as
comprou foi Manoel Quebra Pedra, amigo de
Zé Pelintra.
”aqui sou eu, aqui sou eu, aqui sou eu
Manoel pedra.
(Bis).
“Eu comprei paguei,
Tive pena, na saída da fazenda,
Quando o garrote voou.
Se a vida é um suplício, Eu não tenho nada
com isso.
E feliz de quem Deus marcou.
Aqui sou eu, aqui sou eu, aqui sou eu Manoel
Quebra
Pedra. (Bis).
Sou eu, sou eu, Manoel quebra pedra. (Bis)
……”
“Oh, Luziara mas que loucura! Deixaste o seu
homem
lá na rua da amargura? Na Amargura eu não
deixei o
meu Homem, deixei os falsos amigos que
falavam de
meu nome ...”
Em vida - e depois como Encantada - Mestra
Maria Luziara entrou para a Jurema Sagrada
como uma entidade que só faz o bem. Ela é
especialista em fazer trabalhos de casamento
e harmonização de casais. Alegre, elegante e
gentil, essa entidade às vezes conta de seu
passado com Seu Zé na velha Recife quando
é recebida nas sessões de Jurema.
A INICIAÇÃO NA JUREMA SAGRADA
Se as relações do Preto Zé Pelintra com a
polícia já não eram boas, pioraram muito
quando descobriram que ele havia se fingido
de advogado para enganar o delegado. Seu
Zé foi obrigado a fugir, sertão adentro, com
uma ordem de prisão na sua cola. Acabou se
escondendo dentro de uma aldeia de índios
Arataguis, hoje localizado no Acais (Paraíba),
local que, na época, já era habitado por
padres Franciscanos que cuidavam de reunir
aldeias, dar terrenos e catequizar os nativos.
Lá, ele encontrou o apoio e a amizade do
cacique, batizado Inácio Gonçalves de Barros
e posteriormente conhecido como Mestre
Inácio. A família de Mestre Inácio tinha uma
grande tradição na Jurema.
Sua irmã, Maria Gonçalves de Barros,
conhecida por Maria Índia, era a dona das
terras do Acais, as quais ganhou de Dom
Pedro II. Foi ela quem deu início ao culto da
Jurema no local, onde acabou acolhendo
inúmeras aldeias indígenas vindas do interior
da Paraíba. O filho de Mestre Inácio, Carlos,
também era um Mestre da Jurema, assim
como e sua sobrinha, Maria Eugenia
Guimarães, que ficaria conhecida como
Maria do Acais II, após herdar as terras de
sua tia. Nenhum dos Juremeiros locais
aceitava aquele senhor beberrão e
arruaceiro, amigo do jogo, da farra, da
música e dos festejos populares. Mestre
Inácio, tranquilo e firme na sua grande
sabedoria de juremeiro velho, viu em José
Aguiar algo que os outros Mestre locais não
viam, e o iniciou na Jurema Sagrada.
Zé Pelintra foi consagrado ao espírito de um
Caboclo, que passou então a incorporar para
fazer curas. Por esse motivo, originalmente, o
chapéu de seu Zé traz uma pena como
homenagem ao Caboclo que foi seu Guia,
como canta o Lírio:
“Eu trago a Pena do Meu Caboclo no meu
Chapéu de
Couro,
O Nego Zé Pelintra vai dominar seu coração.
O meu Mestre me diga um segredo seu?
Porque lá na Jurema quem duvidou
morreu…”
É aí, também, que José de Aguiar começa a
ser conhecido como Preto Zé Pelintra ou
Mestre do Chapéu de Couro, marca dos
sertanejos boiadeiros que passou a usar
depois de suas andanças pelo interior da
Paraíba. O grande ato de consagração à
Jurema era realizado escondido dentro das
matas, junto das árvores encantadas que na
tradição eram chamadas de cidades de
encante. Tudo era feito com muito segredo e
no maior silêncio possível, usando apenas o
som baixo de maracás - afinal, se a polícia
descobrisse todos poderiam ser mortos no
ato. Amante de festas e de tambores, Zé
Pelintra depois de iniciado teimou em levar o
tambor para a Jurema, e é por isso que
algumas linhas da tradição usam esse
instrumento africano hoje em dia.
Zé Pelintra começou sua vida na Jurema
como um Mestre que fazia o bem e o mal, e
seguiu fazendo curas e demandas até por
volta de 1885, quando, aos 114, muda de
casa uma última vez, indo descansar no
extinto cemitério dos Afogados da Ingazeira.
Mas Seu Zé não sossegou nem no Além-
Túmulo. Segundo os Mestres que vieram
depois dele, o Preto Zé, depois de passar
certo tempo no limbo, recebeu permissão de
voltar como Encantado para resgatar o mal
que fez na terra, prestando a caridade
enquanto espírito. Baixou a primeira vez em
um médium chamado José Gomes da Silva,
que atuava na Jurema Sagrada de Caboclo,
entre 1926 e 1937. A Juremeira Maria do
Acais II reconheceu que Seu Zé foi o primeiro
Mestre Preto a ser consagrado dentro da
Jurema de Caboclo, dando origem à Jurema
de Maestria.
“E Preto José Pelintra,
nego do fel derramado.
Na direita ele e maneiro.
Na Esquerda ele é pesado.
Quem mexer com que é dele,
ou está doido ou está danado.
Ah, seu dotou, seu dotou,
Bravo senhor,
Zé Pelintra chegou.
Bravo Senhor. (Bis).