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Definição e História da Epidemiologia

A epidemiologia estuda o processo saúde-doença em coletividades, analisando a distribuição e fatores determinantes das enfermidades, e propõe medidas de prevenção e controle. Historicamente, a compreensão da doença evoluiu de explicações sobrenaturais para abordagens baseadas em dados e evidências, como demonstrado por John Snow e Louis Pasteur. Conceitos como epidemia, endemia, incidência e prevalência são fundamentais para entender a dinâmica das doenças e suas implicações na saúde pública.

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Definição e História da Epidemiologia

A epidemiologia estuda o processo saúde-doença em coletividades, analisando a distribuição e fatores determinantes das enfermidades, e propõe medidas de prevenção e controle. Historicamente, a compreensão da doença evoluiu de explicações sobrenaturais para abordagens baseadas em dados e evidências, como demonstrado por John Snow e Louis Pasteur. Conceitos como epidemia, endemia, incidência e prevalência são fundamentais para entender a dinâmica das doenças e suas implicações na saúde pública.

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3º período (PMSUS III) – 2024.1

Referências: Disparadores do Ulife

I. DEFINIÇÃO DE EPIDEMIOLOGIA
Epidemiologia pode ser definida como a ciência que estuda o processo saúde-
doença em coletividades humanas, analisando a distribuição e os fatores
determinantes das enfermidades, danos à saúde e eventos associados à saúde
coletiva, propondo medidas específicas de prevenção, controle ou erradicação de
doenças e fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento,
administração e avaliação das ações de saúde. De forma simplificada, significa o
estudo sobre a população, que, direcionado para o campo de saúde, pode ser
compreendido como o estudo sobre o que afeta a população.
Congrega três áreas de conhecimento: Estatística, Ciências RELEMBRE AQUI: Dado x Indicador x Informação
Biológicas e Ciências Sociais.
Dado: número bruto. Representação de fatos na sua forma
A epidemiologia entende que os eventos relacionados a saúde não se primária (exemplo: idade, peso e tamanho de um paciente),
distribuem ao acaso entre as pessoas, sendo tal distribuição Indicador: Dado calculado com denominador que vai gerar uma
influenciada pelos aspectos biológicos dos indivíduos, pelos informação.
Informação: Interpretação do dado. é o resultado da combinação
aspectos socioculturais e econômicos de sua comunidade e pelos de vários dados que são trabalhados, organizados e
aspectos ambientais do seu entorno, fazendo com que o processo interpretados, agregando valor adicional para os fatos primários
saúde-doença se manifeste de forma diferenciada entre as (exemplo: o cálculo do Índice de Massa Corporal a partir de dados
sobre peso e altura – gerando uma medida capaz de classificar a
populações. condição física do indivíduo).
DSS- Determinantes sociais e saúde.

II. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA EPIDEMIOLOGIA


A) DA ANTIGUIDADE ATÉ O SÉCULO XIX
No começo, acreditava-se que doença estava associada à falta de religião.
HIPÓCRATES: ao analisar o processo de adoecimento com base no pensamento racional, Miasmas: emanação de odores
afastou-se das teorias sobrenaturais vigentes na época e a elas se contrapôs, fétidos proveniente de matéria
introduzindo o conceito de doença como produto das relações complexas entre o orgânica de animais ou vegetais
em decomposição.
indivíduo e o ambiente que o cerca, o que se aproxima muito do modelo ecológico da
produção de doenças, vigente até os dias atuais. Ex.: hanseníase, pragas...
TEORIA MIASMÁTICA OU TEORIA DOS MIASMAS: substituiu a teoria de Hipócrates e perdurou até meados do século
XIX. Tal teoria explicava a má qualidade do ar como causa das doenças, espalhando contaminantes. Ar como causador de
doenças, espalhando contaminantes.

B) DO SÉCULO XIX AOS DIAS ATUAIS


Segunda metade do século XIX (médico e sanitarista britânico John Snow sobre a epidemia de cólera em Londres):
Realizou o mapeamento dos casos, óbitos, do comportamento da população (consumo de água) e dos aspectos ambientais
da localidade em estudo, e, assim, conseguiu incriminar o consumo de água contaminada como responsável pela
ocorrência da doença. Snow (Pai da Epidemiologia em virtude desse feito) conseguiu determinar a fonte de infecção de
uma doença, mesmo sem conhecer seu agente etiológico. Ao final, relatou que as feições clínicas da doença revelavam que
“o veneno da cólera entra no canal alimentar pela boca, e esse veneno seria um ser vivo, específico, oriundo das excreções
de um paciente com cólera. [...] Assinalou, afinal, que o esgotamento insuficiente permitia que os perigosos refugos dos
pacientes com cólera se infiltrassem no solo e poluíssem poços”.
Século XIX (Louis Pasteur “Pai da Bacteriologia”): introduziu as bases biológicas para o estudo das doenças infecciosas,
determinando o agente etiológico das doenças e possibilitando o estabelecimento futuro de medidas de prevenção e
tratamento.

Resumo elaborado por Ana Luiza Kuster, Cecília Cordeiro, Letícia Franco, Letícia Thaty e Luma Magno – Medicina UnP 2023.1 – Turma 30D
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3º período (PMSUS III) – 2024.1

III. ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES


Epidemia de grandes proporções, atingindo grande número de pessoas em uma vasta área geográfica (um ou mais
PANDEMIA
continentes). A pandemia mais recente é a de COVID-19,
Elevação brusca, temporária e significativa da incidência de uma doença em uma comunidade humana, causada pela
alteração de um ou mais fatores da estrutura epidemiológica dessa mesma comunidade. Há um elevado número de casos
EPIDEMIA
novos em várias regiões; é algo inesperado e abrupto; aumenta a incidência. A primeira epidemia que atingiu o Brasil foi
a de febre amarela, com um grande surto no Rio de Janeiro em 1850
Ocorre quando a doença é recorrente na região, mas não há um aumento significativo nos números de casos e a população
ENDEMIA convive com ela. Exemplo: febre amarela e malária. É constante e esperada. Aumento de número de casos em determinado
local, está relacionada a características do local.
Um surto ocorre quando há aumento localizado do número de casos de uma doença. “É possível ocorrer um surto de uma
SURTO doença até dentro de um hospital, causado, por exemplo, por uma infecção hospitalar". Ex: Creche suspende atividades após
surto de dengue entre professores e alunos
A incidência refere-se à velocidade com que novos eventos ocorrem em uma determinada população. A incidência leva
em conta o período de tempo em que os indivíduos estão livres da doença, ou seja, em risco de desenvolvê-la.
INCIDÊNCIA 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑠𝑜𝑠 𝑛𝑜𝑣𝑜𝑠 𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜
𝑥 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑑𝑒 𝑏𝑎𝑠𝑒 10
𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠 𝑒𝑥𝑝𝑜𝑠𝑡𝑎𝑠 𝑎𝑜 𝑟𝑖𝑠𝑐𝑜 𝑛𝑜 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜

medida estática de casos existentes em uma população, pode ser pontual como o 1° dia do ano e de período (durante 1
ano). Utilizada no planejamento de ações e saúde, previsões de saúde, diagnósticos e terapêuticas, mais adequada para
doenças crônicas ou de longa duração. Calcula-se casos novos e existentes.

𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑠𝑜𝑠 𝑒𝑥𝑖𝑠𝑡𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜


𝑥 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒
PREVALÊNCIA 𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑎 𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑛𝑜 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜

AUMENTO DA PREVALÊNCIA: maior incidência da doença; melhor tratamento, prolongada a sobrevida do paciente, mas não
o levando à cura; a imigração de indivíduos doentes ou a emigração de indivíduos sadios.
DIMINUIÇÃO DA PREVALÊNCIA: menor incidência da doença; cura por tratamento (principalmente nas doenças infecciosas);
óbitos; a imigração de indivíduos sadios ou a emigração de indivíduos doentes.
é uma medida da gravidade da doença. Expressa o poder que uma doença ou agravo à saúde tem de provocar a morte
nas pessoas acometidas. É calculada dividindo-se o número de óbitos por determinada doença pelo número de casos da
mesma doença. Algumas doenças apresentam letalidade nula, como, por exemplo, escabiose; enquanto para outras, a
letalidade é igual ou próxima de 100%, como a raiva humana.
LETALIDADE
𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑑𝑜𝑒𝑛ç𝑎
𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑠𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑑𝑜𝑒𝑛ç𝑎

A medida de mortalidade é utilizada como indicador de saúde. Isso pode ser explicado pelas facilidades operacionais, pois
a morte é definitiva, ao contrário da doença, e cada óbito tem que ser registrado.
Taxa de mortalidade geral: refere-se a toda população, e não ao total de óbitos.
MORTALIDADE 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑒𝑚 𝑢𝑚 𝑑𝑒𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜
GERAL 𝑥 1000
𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙, 𝑛𝑎 𝑚𝑒𝑡𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜

OBS.: na equação, utiliza-se a metade da população com o intuito de diminuir o desvio padrão, pois a população muda muito
em um período.
MORTALIDADE
PROPORCIONAL A análise da Taxa de Mortalidade Proporcional por Idade ou Faixa Etária pode trazer informações importantes sobre o grau de
POR FAIXA desenvolvimento de diferentes populações
ETÁRIA
Avalia as condições de vida de uma população, a qualidade dos serviços de saúde e o nível de desenvolvimento de uma
população. O risco de morte no primeiro ano de vida decresce ao longo do tempo.

𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑒𝑚 𝑚𝑒𝑛𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 1 𝑎𝑛𝑜 𝑛𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜


𝑥 1000
MORTALIDADE 𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑛𝑎𝑠𝑐𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑣𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜
INFANTIL Lembre-se:
Período neonatal: 0 a 27 dias de vida. As mortes neonatais estão mais relacionadas a agressões intrauterinas, condições
de parto e da assistência do parto.
Período pós-neonatal: 28 dias a 1 ano. As mortes pós-neonatais estão relacionadas aos determinantes socioeconômicos,
ao ambiente, à nutrição e aos agentes infecciosos.
MORTALIDADE Morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, devido a qualquer causa relacionada ou
MATERNA agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela. Não inclui as mortes de causas acidentais ou incidentais.
SAZONAL Relacionado ao período
SISTEMA DE Local que informa, armazena e organiza os dados. No entanto, não tem a informação dos dados (LEMBRAR DO CONCEITO
INFORMAÇÃO DE INFORMAÇÃO), os dados colocados estão brutos.
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Adoecimento. Medida de frequência das doenças relacionada à incidência e prevalência. Tem a ver com “ter a doença”.
MORBIDADE
OBS: Comorbidade é ter mais de uma doença.
AGRAVOS E
EVENTOS Agravos (circunstâncias. Ex.: picada de animal peçonhento, violência doméstica, mordida de cachorro) e doenças.
ASSOCIADOS À Eventos associados à saúde coletiva: fatores desencadeantes. Ex.: desastres naturais
SAÚDE
COLETIVA

A incidência é bastante utilizada em investigações etiológicas para elucidar relações de causa e efeito, avaliar o impacto de uma política, ação
ou serviço de saúde, além de estudos de prognóstico.

Já a prevalência pode ser utilizada para o planejamento de ações e serviços de saúde, previsão de recursos humanos, diagnósticos e
terapêuticos. Ressalta-se que a prevalência é uma medida mais adequada para doenças crônicas ou de longa duração.

IV. PROCESSO SAÚDE-DOENÇA


Constitui-se das etapas pelas quais passa o indivíduo, ou a população, durante o processo de adoecimento, levando-
se em consideração todas as variáveis que influenciam a saúde e as doenças, bem como seus desfechos, a cura ou a morte.
Um dos conceitos clássicos deste processo foi dado por Leavell e Clack (1976), que definem HISTÓRIA NATURAL DA
DOENÇA como um conjunto de processos interativos que compreendem as interrelações do agente etiológico, do
susceptível e do meio ambiente, passando desde as variações ambientais/biológicas, que criam o estímulo patógeno, até
a resposta do susceptível a este agente, e que pode levar o indivíduo à doença, à invalidez, à recuperação ou à morte.
Segundo Rouquayrol, Goldnaum e Santana (2013), a história natural da doença se desenvolve em dois períodos
sequenciais: Período Epidemiológico (ocorre a relação susceptível/ambiente) e Período Patológico (ocorrem as
alterações que se passam no organismo vivo/susceptível).

Vertente Epidemiológica- 1° aumenta a força do estímulo


patológico. Quanto mais tempo está exposto ao vetor mais
risco a pessoa tem.
Vertente Patológica- Por mais que a pessoa não tenha os
sinais e sintomas ela ainda entra no período patogênico;
Horizonte Clínico (começa a manifestar sinais e sintomas);
Interação estímulo-suscetível (inicia o período. Patógeno com
o indivíduo.)
Sinais: aferido / Sintomas: o que o paciente relata (subjetivo).
Patogênese começa com a interação estímulo-suscetível:
relação do patógeno com o indivíduo mesmo sem sinais e
sintomas, está dentro desse período: como a COVID
alterações bioquímicas, fisiológicas e histológicas: da dengue,
por exemplo, desidratação, produção de IgG (resposta
imunológica), queda de plaquetas, produção alta de hemácias,
extravasamento de líquidos…
Desenlace ou Desfecho- Invalidez (paciente com sequela
permanente e perda de função); Período de cura (é
descendente; diminuição do estímulo patológico).

PERÍODO PRÉ-PATOGÊNICO
Configura-se pela interação dos seguintes fatores:
PRÓPRIOS DO SUSCEPTÍVEL (fatores
SOCIAIS AMBIENTAIS
do próprio indivíduo)
Biológicos (por ex. Comorbidades, sexo,
Fatores econômicos Vetores
idade etc)
Políticos Poluentes Genéticos
Culturais Estrutura sanitária Imunológicos
Psicossociais (por ex. Saúde mental, está
Ocupação desordenada de ambientes naturais (clima,
no social porque tem relação com as
geografia, hidrografia, desastres naturais etc.)
interações)

Portanto, os ESTÍMULOS SOBRE O SUSCEPTÍVEL têm essa característica multifatorial, que, a depender de sua
vulnerabilidade, irá desencadear ou não a doença. Note que a configuração do risco ao longo do tempo não é linear, portanto,
um mesmo indivíduo ou uma mesma população pode responder de forma diferente aos agentes agressores ao longo do
tempo.
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V. ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS

ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS
Limita-se a descrever a ocorrência de uma doença em uma população. Frequentemente, o primeiro passo de
uma investigação epidemiológica é a simples descrição do estado de saúde de uma comunidade a partir de
dados rotineiramente coletados (dados secundários) ou coletados diretamente através de questionários
Estudos específicos (dados primários).
descritivos
Os estudos puramente descritivos não tentam analisar possíveis associações entre exposições e efeito.
Usualmente, são baseados em estatísticas de mortalidade e podem analisar a ocorrência de óbitos de acordo
com a idade, sexo ou grupo étnico durante um período específico ou em vários países.
Estudos Aborda, com mais profundidade, as relações entre o estado de saúde e as outras variáveis. Os estudos
analíticos epidemiológicos são, na sua quase totalidade, analíticos.
Os estudos ecológicos (ou de correlação) são úteis para gerar hipóteses. Em um estudo ecológico, as unidades
de análise são grupos de pessoas ao invés de indivíduos.
Os estudos ecológicos também podem ser feitos comparando-se populações em diferentes lugares ao mesmo
tempo ou, em uma série temporal, comparando-se a mesma população em diferentes momentos. Os estudos
de série temporal podem reduzir o efeito de confusão causado pelo nível socioeconômico, que é um potencial
problema nos
estudos ecológicos. Se o período de tempo em um estudo de série temporal for muito curto, como em um estudo
Ecológico / de série temporal diária, o fator confusão é praticamente zero, com os participantes do estudo servindo como
Correlação seus próprios controles.
Embora fáceis de realizar, os estudos ecológicos são frequentemente difíceis de interpretar, uma vez que
raramente é possível encontrar explicações para os resultados obtidos. Em geral, os estudos ecológicos
baseiam-se em dados coletados com outros propósitos (dados de rotina ou secundários); assim, dados de
diferentes exposições e de fatores socioeconômicos podem não estar disponíveis.
OBS.: FALÁCIA ECOLÓGICA ou viés- ocorre quando são tiradas conclusões impróprias com base em estudos
ecológicos. O viés ocorre porque a associação observada entre as variáveis no nível de grupo não representa,
necessariamente, a associação existente no nível individual.
ESTUDOS Medem a prevalência da doença e, por essa razão, são frequentemente chamados de estudos de prevalência.
OBSERVACIONAIS Em um estudo transversal, as medidas de exposição e efeito (doença) são realizadas ao mesmo tempo. Por
esse motivo,
não é fácil avaliar as associações encontradas nesses estudos. A questão-chave nesse tipo de delineamento é
(permitem que a Transversal / saber se a exposição precede ou é consequência do efeito. Se os dados coletados representam a exposição
natureza determine Seccionais / antes da ocorrência de qualquer efeito, a análise pode ser feita de modo semelhante à utilizada nos estudos de
o seu curso: o de Prevalência coorte.
investigador mede,
mas não intervém) Os estudos transversais são relativamente baratos, fáceis de conduzir e úteis na investigação das exposições
que são características individuais fixas tais como grupo étnico e grupo sanguíneo. Na investigação de surtos
epidêmicos, a realização de um estudo transversal medindo diversas exposições é, em geral, o primeiro passo
para a determinação da sua causa.
Estudos de casos e controles constituem uma
forma relativamente simples de investigar a
causa das doenças, particularmente doenças
raras. Esse tipo de estudo inclui pessoas com
a doença (ou outra variável de desfecho) e
um grupo controle (grupo de comparação
ou referência) composto de pessoas não
afetadas pela doença ou variável de
desfecho.
A ocorrência de uma possível causa é
Casos e comparada entre casos e controles. Os
controles / investigadores coletam dados sobre a
Caso- ocorrência da doença em um determinado momento no tempo e sobre a ocorrência de exposições em algum
referência momento no passado.
Os estudos de casos e controles são, portanto, longitudinais, diferentes dos estudos transversais. Os estudos
de casos e controles também são chamados de retrospectivos, uma vez que o investigador busca, no
passado, uma determinada causa (exposição) para a doença ocorrida.
OBSERVAÇÃO EM RELAÇÃO AO FATOR TEMPO: um estudo de casos e controles pode ser tanto
retrospectivo, quando os dados fazem referência ao passado, quanto prospectivo, quando os dados são
continuamente coletados no decorrer do tempo.
Um estudo de casos e controles tem início com a seleção de casos, que deveriam representar todos os casos
de uma determinada população. Os casos são selecionados com base na doença, mas não na exposição. Os
controles são pessoas sem a doença. Os controles deveriam representar pessoas que seriam incluídas no
estudo como casos, se tivessem desenvolvido a doença.

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Os estudos de coorte, também


chamados longitudinais ou de
incidência, iniciam com um grupo de
pessoas livres da doença, que são
classificados em subgrupos, de acordo
com a exposição a uma causa potencial
da doença ou desfecho sob
investigação.
As variáveis de interesse são
especificadas e medidas e a coorte
Coorte / inteira acompanhada com o objetivo
Longitudinal de ver o surgimento de novos casos de doença (ou outro desfecho) difere entre os grupos, conforme a
presença ou não de exposição. Em virtude de os dados coletados fazerem referência a diferentes pontos no
tempo, os estudos de coorte são longitudinais, fato que os torna semelhantes aos de casos e controles.
OBS: Os estudos de coorte são chamados de estudos prospectivos, mas essa terminologia é confusa e, por
isso, deve ser evitada. Como mencionado previamente, o termo “prospectivo” refere-se ao momento da coleta
dos dados e não a relação entre exposição e efeito (doença). Assim, os estudos de coorte podem ser tanto
prospectivos quanto retrospectivos.
Os estudos de coorte fornecem a melhor informação sobre a etiologia das doenças e a medida mais direta
do risco de desenvolvê-la. Embora conceitualmente simples, os estudos de coorte são bastante caros porque
podem requerer longos períodos de acompanhamento, visto que a doença pode ocorrer após uma exposição
prolongada.

ESTUDOS O ensaio clínico randomizado é um


EXPERIMENTAIS experimento epidemiológico que tem
(ou de intervenção: Ensaio clínico por objetivo estudar os efeitos de
envolvem a randomizado uma intervenção em particular. Os
tentativa de mudar controlado E indivíduos selecionados são
os determinantes de Ensaio clínico aleatoriamente alocados para os
uma doença ou randomizado grupos intervenção e controle, e os
cessar o progresso controlado resultados são avaliados
de uma doença com grupos comparando-se os desfechos entre
através de (clusters) esses grupos. A aleatoriedade evita
tratamento. possíveis viés como o viés do
Os efeitos de uma investigador.
intervenção são
medidos através da
comparação do Ensaios de campo, em contraste com os ensaios clínicos, envolvem pessoas que estão livres de doença, mas
desfecho nos Ensaios de sob risco de desenvolvê-la. Os dados são coletados “no campo”, usualmente entre pessoas da população geral
grupos campo não institucionalizadas. Os ensaios de campo podem ser utilizados para avaliar intervenções que objetivam
experimental e reduzir a exposição sem necessariamente medir a ocorrência dos efeitos sobre a saúde.
controle. Estão
sujeitos a uma série
de restrições uma Nesse tipo de experimento, os grupos de tratamento são comunidades ao invés de indivíduos. Esse
vez que envolvem delineamento é particularmente apropriado para doenças que tenham suas origens nas condições sociais e que
intervenções à Ensaios
possam ser facilmente influenciadas por intervenções dirigidas ao comportamento do grupo ou do indivíduo. Uma
saúde das comunitários
limitação desse tipo de delineamento é que somente um pequeno número de comunidades pode ser incluído e
pessoas). a alocação aleatória das comunidades não é muito prática.

VI. SISTEMAS DE INFORMAÇÕES


SIM- Preenchimento da Declaração de Óbito exclusivo do médico e precisa ser específico. São feitas 3 vias dessa declaração: 1) Vai para o sistema; 2)
Entrega para a família, a qual precisa levar para o cartório; 3) Fica no serviço de saúde. OBS.: se o bebê nasceu, viveu 2 minutos e morreu, vão ser feitas
as duas declarações.
SINASC- Usa a Declaração de Nascido Vivo como instrumento de coleta e não é necessário o médico assinar. 3 vias também: 1) SINASC; 2) Pais (cartório);
3) Hospital/Maternidade.
Esse sistema possui as mesmas vantagens e limitações do SIM (abrangência nacional, obrigatoriedade, registro civil gratuito, sub-registro, erro no
preenchimento etc.).
SINAN: Finalidade de Vigilância Epidemiológica de determinados agravos. FIN e FII.
SIH: Sistema Hospitalar. Objetivo de operar o sistema de pagamento de internação dos hospitais contratados pelo Ministério da Previdência. Utiliza
Autorização de Internação Hospitalar (AIH). Gera indicadores de saúde de base epidemiológica: proporção de internação por causa ou procedimento
específico, mortalidade hospitalar geral e específica.
SAI- Facilitar o controle de atendimento ambulatorial. Não pode ser utilizado para a obtenção de informações epidemiológicas. (É mais para entender
o seguimento do paciente).
e-SUS- Conecta outros sistemas. PEC é o principal. Pode ser visto no Saúde Digital.
SIAB- Antes era o arquivo (prontuários físicos), porém ocorreu muitas perdas. Criou-se o SIAB, era um trabalho para 1 pessoa que tirava 1 dia na semana
para colocar os dados.

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PRINCIPAIS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE

Sistema de Informação: conjunto de elementos relacionados à coleta, ao armazenamento, à organização e ao processamento de dados, que
tem por objetivo gerar informações representativas sobre uma realidade, com vistas ao planejamento, organização, operacionalização e avaliação
dos serviços de saúde, bem como para a investigação e o planejamento com o intuito de controlar doenças.

RELEMBRE: dados e informação não se confundem! O sistema de informação apresenta o dado bruto, não expressa a informação, pois não tem a
análise dos dados. Quem é responsável por gerar uma informação são as pessoas (tem um raciocínio). No sistema de informação, apenas está o
dado.
SIGLA O QUE SABER?
Em 1975 foi criado o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), considerado o primeiro SIS do Brasil.
Nesta mesma época, foi instituído o instrumento de coleta de dados sobre mortalidade, a Declaração de Óbito (DO), produto
da unificação de mais de quarenta modelos de instrumentos de certificação de óbitos existentes no país.
A declaração de óbito é um instrumento de coleta de dados emitido pelo Ministério da Saúde e distribuído para os estados e
municípios, em séries pré-numeradas, que fica sob a tutela dos profissionais médicos, dos serviços de saúde, dos serviços de
verificação de óbito e institutos de medicina legal e dos cartórios. O seu preenchimento é de responsabilidade exclusiva do
médico, podendo em caráter excepcional (quando não existe médico no local) ser preenchida por um oficial de Cartório de
Registro Civil.
SIM (Sistema de Embora a notificação dos óbitos seja obrigatória, em algumas localidades, há cemitérios clandestinos, e muitas pessoas são
Informação enterradas sem a necessidade de preenchimento da DO. Além disso, ainda ocorrem erros de preenchimento, e muitas
Sobre declarações encontram-se incompletas em vários campos.
Mortalidade)
IMPORTANTE- A declaração de óbito é um documento de três vias:
1ª via: Deve ser encaminhada para a secretaria de saúde para alimentar o SIM. 2ª via: Deve ser encaminhada para o
cartório para emissão do atestado de óbito. 3ª via: Deve ser arquivada no Serviço de saúde que notificar o óbito.

Todas as informações existentes na DO são digitadas no SIM, portanto quanto melhor preenchido for este instrumento,
melhores serão as possibilidades de análise dos dados, o que resulta na geração de informações de saúde de qualidade. É
com os dados do SIM que é possível construir todos os indicadores de mortalidade, tais como: taxa de mortalidade geral,
mortalidade proporcional por causa e faixa etária, taxa/coeficiente de mortalidade infantil e materna, etc.
Trata-se do segundo mais importante SIS do Brasil, tendo em vista que o conhecimento sobre o número de nascidos vivos
constitui uma relevante informação no campo da saúde pública, pois permite construir indicadores voltados para avaliação de
risco à saúde do segmento materno-infantil. Exemplo: coeficiente de mortalidade infantil e materna.
O instrumento de coleta de dados para alimentar esse SIS é a Declaração de Nascido Vivo (DNV), e assim como a DO, ela
é emitida e distribuída pelo Ministério da Saúde para as secretarias estaduais e municipais de saúde. Diferentemente da DO,
a DNV pode ser preenchida por qualquer profissional de saúde ou da área administrativa que tenha sido previamente treinado.
É um documento de três vias:
1ª via: Deve ser encaminhada para a secretaria de saúde para alimentar o SINASC.
2ª via: Fica com os pais para registro do nascimento no cartório, certidão de nascimento. Esta via fica arquivada no cartório.
SINASC (Sistema 3ª via: Deve ser arquivada no serviço de saúde, prontuário da gestante ou do recém-nascido.
de Informação de
Na DNV são coletadas as seguintes informações: local de nascimento; dados da mãe (nome, data do nascimento, história
Nascidos Vivos)
reprodutiva etc.); da gestação e parto (pré-natal, tipo de parto, etc.); do recém-nascido (peso, tamanho, Apgar); dados de
identificação (digital da mão e impressão plantar no recém-nascido), entre outras.
Com os dados do SINASC, é possível calcular os seguintes indicadores: taxa bruta de natalidade; taxa bruta de fecundidade;
taxa/coeficiente de mortalidade infantil e materna; proporção de partos cesáreos; etc.
Assim como o SIM, apresenta abrangência nacional, obrigatoriedade, registro civil gratuito/sub-registro e ocorre erro no
preenchimento.
OBS.: Segundo a OMS, “nascido vivo” corresponde a “todo produto da concepção que, independentemente do tempo de
gestação ou peso ao nascer, depois de expulso ou extraído do corpo da mãe, respire ou apresente outro sinal de vida tal
como batimento cardíaco, pulsação do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária,
estando ou não desprendida a placenta”.
O SINAN possui um banco de dados epidemiológicos que fornece informações sobre a incidência, prevalência e letalidade de
um conjunto de doenças e agravos que constam na Lista de Notificação Compulsória.
O instrumento para a coleta de dados do SINAN é a Ficha Individual de Notificação (FIN), que deve ser preenchida por
qualquer profissional de saúde treinado e encaminhada para a unidade de vigilância epidemiológica dos Municípios, Estados
SINAN (Sistema e/ou Ministério da Saúde.
de Informação de Nessa ficha, são coletadas as seguintes variáveis: dados gerais (número da notificação, semana epidemiológica); identificação
Agravos de do paciente (nome, gênero, idade, endereço); caracterização do agravo (nome e código do agravo, data dos primeiros sintomas)
Notificação) etc.
Para alguns agravos, é necessário realizar a Notificação Negativa, que é a notificação da não ocorrência de determinadas
doenças de notificação compulsória na área de abrangência da Unidade de Saúde. Indica que os profissionais e o sistema de
vigilância da área estão alertas para a ocorrência de tais agravos.

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3º período (PMSUS III) – 2024.1

OBS.: Além da FIN existe a Ficha Individual de Investigação (FII), que tem por objetivo coletar dados específicos a cada
agravo, que, de uma maneira geral, correspondem a dados complementares dos casos, como formas de transmissão,
manifestações clínicas, métodos de confirmação diagnóstica e evolução do caso.
O SIH foi implantado em 1984, com o nome de Sistema de Assistência Médico-Hospitalar da Previdência Social (SAMPHS),
com o objetivo de operar o sistema de pagamento de internação dos hospitais contratados pelo Ministério da Previdência.
A característica básica deste SIS é o pagamento prospectivo das internações hospitalares, ou seja, o reembolso é realizado
pelo mecanismo de pagamento fixo por procedimento realizado.
Seu instrumento de coleta de dados é a Autorização de Internação Hospitalar (AIH), que é emitida pelos estados a partir de
uma série numérica única definida anualmente em portaria ministerial. Este formulário contém as seguintes variáveis que irão
alimentar o SIH: dados de atendimento (diagnósticos de internamento e alta-codificados de
SIH (Sistema de Acordo com a CID); informações relativas às características de pessoa (idade e gênero); tempo e lugar (procedência do
Informação paciente) das internações; procedimentos realizados; valores pagos; dados cadastrais das unidades de saúde que permitem
Hospitalar) sua utilização para fins epidemiológicos.
Além de indicadores financeiros e administrativos relacionados ao custo de Saúde, também possibilita avaliar o desempenho
da Unidade de Saúde (tempo médio de permanência geral ou por uma causa específica); e gera indicadores de saúde de base
epidemiológica, tais como: proporção de internação por causa ou procedimento específico, mortalidade hospitalar geral e
específica etc.
Vantagem: elevada abrangência por estar relacionada a instituições de saúde pertencentes ou credenciadas ao SUS.
Limitação: mau preenchimento de algumas fichas e ao fato de mudanças na forma de pagamento e financiamento do SUS
poderem alterar a quantidade e a qualidade das AIHs preenchidas.
O SAI foi criado em 1991 e implantando em todo território nacional com o mesmo propósito do SIH, o pagamento de serviços
SAI (Sistema de prestados por Unidades de Saúde, só que a nível ambulatorial. Para esse SIS, não existe um instrumento
Informação
Ambulatorial) padronizado para a coleta de dados, e o pagamento por serviço prestado é feito a partir do código do procedimento, e não do
número de registro no CID. Esse SIS não pode ser utilizado para a obtenção de informações epidemiológicas.
O SIAB foi criado com o objetivo de coletar informações sobre a saúde da população assistida pelo Programa de Agentes
Comunitários de Saúde (PACS) e pelo Programa Saúde da Família (PSF). Além disso, serve como mecanismo de controle
para o monitoramento dos serviços de saúde prestados à população, através do preenchimento de vários instrumentos de
coleta de dados, os quais estavam relacionados ao repasse de verba.
A base de dados do SIAB possui três blocos que permitem obter informações epidemiológicas: o cadastramento familiar, o
acompanhamento de grupos de risco e o registro de atividades, procedimentos e notificações.
SIAB (Sistema de O SIAB tem como unidade territorial mínima para a congregação de dados a microárea (área coberta por um Agente
Informação da Comunitário de Saúde – ACS), que pode se expandir para área coberta por uma Unidade de Saúde (equipe de saúde),
Atenção Básica)
segmentos, zona rural e urbana, município, estado, região e país. Assim, esse SIS possibilita a microlocalização de problemas
de saúde.
Sua operacionalização vem acumulando problemas ao longo dos anos, o que gerou a demanda para a criação de um SIS
menos burocrático, rápido e que possibilite a inserção de informações individualizadas. Desse modo, o Ministério da Saúde
realizou a substituição do SIAB pelo e-SUS/SISAB.

O e-SUS Atenção Básica (e-SUS-AB), também denominado Sistema de Informação da Atenção Básica, só que representado
pela sigla SISAB, é uma estratégia do Departamento de Atenção Básica para reestruturar as informações da Atenção Básica
em nível nacional.
Segundo o Brasil (2013e), tais formatos de implementação podem ser caracterizados da seguinte forma:
e-SUS AB CDS – software para Coleta de Dados Simplificada: permitiria o registro integrado e simplificado através de fichas
de cadastro do domicílio e dos usuários, de atendimento individual, de atendimento odontológico, de atividades coletivas, de
SISAB procedimentos e de visita domiciliar, informações estas que vão compor o SISAB.
e-SUS AB PEC – Software com Prontuário Eletrônico do Cidadão: permitiria a gestão do cadastro dos indivíduos no território,
e-SUS AB organizar a agenda dos profissionais da AB, realizar acolhimento à demanda espontânea, fazer atendimento individual e
(Sistema de registro de atividades coletivas.
Informação em
Saúde da
Atenção Básica A estratégia e-SUS faz referência ao processo de informatização qualificada do SUS em busca de um SUS eletrônico.
(SISAB) /e-SUS As principais premissas do e-SUS-AB são: reduzir o retrabalho de coleta dados; individualização do registro; produção de
Atenção Básica) informação integrada; cuidado centrado no indivíduo, na família e na comunidade e no território; desenvolvimento orientado
pelas demandas do usuário da saúde.
O e-SUS-AB já se encontra em pleno processo de implementação no Brasil e, de acordo com a Portaria GM/MS nº 1.412 de
10 de julho de 2013, torna-se obrigatório o envio de informações para a base de dados do SISAB a partir da competência de
junho de 2015, cujo prazo limite para envio à base federal SISAB é 20/07/2015. Portanto, o SIAB passa a estar extinto a partir
desta data.

Resumo elaborado por Ana Luiza Kuster, Cecília Cordeiro, Letícia Franco, Letícia Thaty e Luma Magno – Medicina UnP 2023.1 – Turma 30D
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3º período (PMSUS III) – 2024.1

COMPARAÇÃO ENTRE O SIAB E O SISAB


Características SIAB SISAB
Tipo de registro Consolidados. Individualizados.
Tipo de relatórios Agregados e consolidados Agregados por indivíduo, equipe, regiões de saúde, município, estado e
por equipe. nacional.
Alimentação dos Profissionais da Estratégia de Saúde da Profissionais da ESF, EAB, Consultório na Rua, Atenção Domiciliar, NASF e
dados Família (ESF) e Equipes de Atenção Academia da Saúde.
Básica (participantes do PMAQ).
Acompanhamento no Por famílias Por domicílio, núcleos familiares e indivíduos
território
Indicadores Fornecidos com base na situação de Fornecidos a partir da situação de saúde do território, atendimentos e
saúde do território. acompanhamento dos indivíduos do território.
SIAB e-SUS
Tecnologia da Não permite a comunicação com Permite a interoperabilidade com
informação outros sistemas. outros sistemas de saúde em uso
no município.
Sistema de coleta Por meio de fichas consolidadas. Por meio de fichas com registro individualizado ou com
prontuário eletrônico.

OBS.: O Ministério da Saúde está introduzindo uma nova tendência no que diz respeito aos SISs, na tentativa de torná-los
mais informatizados e integrados a outras plataformas tecnológicas, o que possibilitará, no futuro, o cruzamento de dados do
SISAB com outros SISs.

Resumo elaborado por Ana Luiza Kuster, Cecília Cordeiro, Letícia Franco, Letícia Thaty e Luma Magno – Medicina UnP 2023.1 – Turma 30D

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