Definição e História da Epidemiologia
Definição e História da Epidemiologia
I. DEFINIÇÃO DE EPIDEMIOLOGIA
Epidemiologia pode ser definida como a ciência que estuda o processo saúde-
doença em coletividades humanas, analisando a distribuição e os fatores
determinantes das enfermidades, danos à saúde e eventos associados à saúde
coletiva, propondo medidas específicas de prevenção, controle ou erradicação de
doenças e fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento,
administração e avaliação das ações de saúde. De forma simplificada, significa o
estudo sobre a população, que, direcionado para o campo de saúde, pode ser
compreendido como o estudo sobre o que afeta a população.
Congrega três áreas de conhecimento: Estatística, Ciências RELEMBRE AQUI: Dado x Indicador x Informação
Biológicas e Ciências Sociais.
Dado: número bruto. Representação de fatos na sua forma
A epidemiologia entende que os eventos relacionados a saúde não se primária (exemplo: idade, peso e tamanho de um paciente),
distribuem ao acaso entre as pessoas, sendo tal distribuição Indicador: Dado calculado com denominador que vai gerar uma
influenciada pelos aspectos biológicos dos indivíduos, pelos informação.
Informação: Interpretação do dado. é o resultado da combinação
aspectos socioculturais e econômicos de sua comunidade e pelos de vários dados que são trabalhados, organizados e
aspectos ambientais do seu entorno, fazendo com que o processo interpretados, agregando valor adicional para os fatos primários
saúde-doença se manifeste de forma diferenciada entre as (exemplo: o cálculo do Índice de Massa Corporal a partir de dados
sobre peso e altura – gerando uma medida capaz de classificar a
populações. condição física do indivíduo).
DSS- Determinantes sociais e saúde.
Resumo elaborado por Ana Luiza Kuster, Cecília Cordeiro, Letícia Franco, Letícia Thaty e Luma Magno – Medicina UnP 2023.1 – Turma 30D
2
medida estática de casos existentes em uma população, pode ser pontual como o 1° dia do ano e de período (durante 1
ano). Utilizada no planejamento de ações e saúde, previsões de saúde, diagnósticos e terapêuticas, mais adequada para
doenças crônicas ou de longa duração. Calcula-se casos novos e existentes.
AUMENTO DA PREVALÊNCIA: maior incidência da doença; melhor tratamento, prolongada a sobrevida do paciente, mas não
o levando à cura; a imigração de indivíduos doentes ou a emigração de indivíduos sadios.
DIMINUIÇÃO DA PREVALÊNCIA: menor incidência da doença; cura por tratamento (principalmente nas doenças infecciosas);
óbitos; a imigração de indivíduos sadios ou a emigração de indivíduos doentes.
é uma medida da gravidade da doença. Expressa o poder que uma doença ou agravo à saúde tem de provocar a morte
nas pessoas acometidas. É calculada dividindo-se o número de óbitos por determinada doença pelo número de casos da
mesma doença. Algumas doenças apresentam letalidade nula, como, por exemplo, escabiose; enquanto para outras, a
letalidade é igual ou próxima de 100%, como a raiva humana.
LETALIDADE
𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑑𝑜𝑒𝑛ç𝑎
𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑠𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑑𝑜𝑒𝑛ç𝑎
A medida de mortalidade é utilizada como indicador de saúde. Isso pode ser explicado pelas facilidades operacionais, pois
a morte é definitiva, ao contrário da doença, e cada óbito tem que ser registrado.
Taxa de mortalidade geral: refere-se a toda população, e não ao total de óbitos.
MORTALIDADE 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑒𝑚 𝑢𝑚 𝑑𝑒𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜
GERAL 𝑥 1000
𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙, 𝑛𝑎 𝑚𝑒𝑡𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜
OBS.: na equação, utiliza-se a metade da população com o intuito de diminuir o desvio padrão, pois a população muda muito
em um período.
MORTALIDADE
PROPORCIONAL A análise da Taxa de Mortalidade Proporcional por Idade ou Faixa Etária pode trazer informações importantes sobre o grau de
POR FAIXA desenvolvimento de diferentes populações
ETÁRIA
Avalia as condições de vida de uma população, a qualidade dos serviços de saúde e o nível de desenvolvimento de uma
população. O risco de morte no primeiro ano de vida decresce ao longo do tempo.
Adoecimento. Medida de frequência das doenças relacionada à incidência e prevalência. Tem a ver com “ter a doença”.
MORBIDADE
OBS: Comorbidade é ter mais de uma doença.
AGRAVOS E
EVENTOS Agravos (circunstâncias. Ex.: picada de animal peçonhento, violência doméstica, mordida de cachorro) e doenças.
ASSOCIADOS À Eventos associados à saúde coletiva: fatores desencadeantes. Ex.: desastres naturais
SAÚDE
COLETIVA
A incidência é bastante utilizada em investigações etiológicas para elucidar relações de causa e efeito, avaliar o impacto de uma política, ação
ou serviço de saúde, além de estudos de prognóstico.
Já a prevalência pode ser utilizada para o planejamento de ações e serviços de saúde, previsão de recursos humanos, diagnósticos e
terapêuticos. Ressalta-se que a prevalência é uma medida mais adequada para doenças crônicas ou de longa duração.
PERÍODO PRÉ-PATOGÊNICO
Configura-se pela interação dos seguintes fatores:
PRÓPRIOS DO SUSCEPTÍVEL (fatores
SOCIAIS AMBIENTAIS
do próprio indivíduo)
Biológicos (por ex. Comorbidades, sexo,
Fatores econômicos Vetores
idade etc)
Políticos Poluentes Genéticos
Culturais Estrutura sanitária Imunológicos
Psicossociais (por ex. Saúde mental, está
Ocupação desordenada de ambientes naturais (clima,
no social porque tem relação com as
geografia, hidrografia, desastres naturais etc.)
interações)
Portanto, os ESTÍMULOS SOBRE O SUSCEPTÍVEL têm essa característica multifatorial, que, a depender de sua
vulnerabilidade, irá desencadear ou não a doença. Note que a configuração do risco ao longo do tempo não é linear, portanto,
um mesmo indivíduo ou uma mesma população pode responder de forma diferente aos agentes agressores ao longo do
tempo.
Resumo elaborado por Ana Luiza Kuster, Cecília Cordeiro, Letícia Franco, Letícia Thaty e Luma Magno – Medicina UnP 2023.1 – Turma 30D
4
V. ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS
ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS
Limita-se a descrever a ocorrência de uma doença em uma população. Frequentemente, o primeiro passo de
uma investigação epidemiológica é a simples descrição do estado de saúde de uma comunidade a partir de
dados rotineiramente coletados (dados secundários) ou coletados diretamente através de questionários
Estudos específicos (dados primários).
descritivos
Os estudos puramente descritivos não tentam analisar possíveis associações entre exposições e efeito.
Usualmente, são baseados em estatísticas de mortalidade e podem analisar a ocorrência de óbitos de acordo
com a idade, sexo ou grupo étnico durante um período específico ou em vários países.
Estudos Aborda, com mais profundidade, as relações entre o estado de saúde e as outras variáveis. Os estudos
analíticos epidemiológicos são, na sua quase totalidade, analíticos.
Os estudos ecológicos (ou de correlação) são úteis para gerar hipóteses. Em um estudo ecológico, as unidades
de análise são grupos de pessoas ao invés de indivíduos.
Os estudos ecológicos também podem ser feitos comparando-se populações em diferentes lugares ao mesmo
tempo ou, em uma série temporal, comparando-se a mesma população em diferentes momentos. Os estudos
de série temporal podem reduzir o efeito de confusão causado pelo nível socioeconômico, que é um potencial
problema nos
estudos ecológicos. Se o período de tempo em um estudo de série temporal for muito curto, como em um estudo
Ecológico / de série temporal diária, o fator confusão é praticamente zero, com os participantes do estudo servindo como
Correlação seus próprios controles.
Embora fáceis de realizar, os estudos ecológicos são frequentemente difíceis de interpretar, uma vez que
raramente é possível encontrar explicações para os resultados obtidos. Em geral, os estudos ecológicos
baseiam-se em dados coletados com outros propósitos (dados de rotina ou secundários); assim, dados de
diferentes exposições e de fatores socioeconômicos podem não estar disponíveis.
OBS.: FALÁCIA ECOLÓGICA ou viés- ocorre quando são tiradas conclusões impróprias com base em estudos
ecológicos. O viés ocorre porque a associação observada entre as variáveis no nível de grupo não representa,
necessariamente, a associação existente no nível individual.
ESTUDOS Medem a prevalência da doença e, por essa razão, são frequentemente chamados de estudos de prevalência.
OBSERVACIONAIS Em um estudo transversal, as medidas de exposição e efeito (doença) são realizadas ao mesmo tempo. Por
esse motivo,
não é fácil avaliar as associações encontradas nesses estudos. A questão-chave nesse tipo de delineamento é
(permitem que a Transversal / saber se a exposição precede ou é consequência do efeito. Se os dados coletados representam a exposição
natureza determine Seccionais / antes da ocorrência de qualquer efeito, a análise pode ser feita de modo semelhante à utilizada nos estudos de
o seu curso: o de Prevalência coorte.
investigador mede,
mas não intervém) Os estudos transversais são relativamente baratos, fáceis de conduzir e úteis na investigação das exposições
que são características individuais fixas tais como grupo étnico e grupo sanguíneo. Na investigação de surtos
epidêmicos, a realização de um estudo transversal medindo diversas exposições é, em geral, o primeiro passo
para a determinação da sua causa.
Estudos de casos e controles constituem uma
forma relativamente simples de investigar a
causa das doenças, particularmente doenças
raras. Esse tipo de estudo inclui pessoas com
a doença (ou outra variável de desfecho) e
um grupo controle (grupo de comparação
ou referência) composto de pessoas não
afetadas pela doença ou variável de
desfecho.
A ocorrência de uma possível causa é
Casos e comparada entre casos e controles. Os
controles / investigadores coletam dados sobre a
Caso- ocorrência da doença em um determinado momento no tempo e sobre a ocorrência de exposições em algum
referência momento no passado.
Os estudos de casos e controles são, portanto, longitudinais, diferentes dos estudos transversais. Os estudos
de casos e controles também são chamados de retrospectivos, uma vez que o investigador busca, no
passado, uma determinada causa (exposição) para a doença ocorrida.
OBSERVAÇÃO EM RELAÇÃO AO FATOR TEMPO: um estudo de casos e controles pode ser tanto
retrospectivo, quando os dados fazem referência ao passado, quanto prospectivo, quando os dados são
continuamente coletados no decorrer do tempo.
Um estudo de casos e controles tem início com a seleção de casos, que deveriam representar todos os casos
de uma determinada população. Os casos são selecionados com base na doença, mas não na exposição. Os
controles são pessoas sem a doença. Os controles deveriam representar pessoas que seriam incluídas no
estudo como casos, se tivessem desenvolvido a doença.
Resumo elaborado por Ana Luiza Kuster, Cecília Cordeiro, Letícia Franco, Letícia Thaty e Luma Magno – Medicina UnP 2023.1 – Turma 30D
5
Resumo elaborado por Ana Luiza Kuster, Cecília Cordeiro, Letícia Franco, Letícia Thaty e Luma Magno – Medicina UnP 2023.1 – Turma 30D
6
Sistema de Informação: conjunto de elementos relacionados à coleta, ao armazenamento, à organização e ao processamento de dados, que
tem por objetivo gerar informações representativas sobre uma realidade, com vistas ao planejamento, organização, operacionalização e avaliação
dos serviços de saúde, bem como para a investigação e o planejamento com o intuito de controlar doenças.
RELEMBRE: dados e informação não se confundem! O sistema de informação apresenta o dado bruto, não expressa a informação, pois não tem a
análise dos dados. Quem é responsável por gerar uma informação são as pessoas (tem um raciocínio). No sistema de informação, apenas está o
dado.
SIGLA O QUE SABER?
Em 1975 foi criado o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), considerado o primeiro SIS do Brasil.
Nesta mesma época, foi instituído o instrumento de coleta de dados sobre mortalidade, a Declaração de Óbito (DO), produto
da unificação de mais de quarenta modelos de instrumentos de certificação de óbitos existentes no país.
A declaração de óbito é um instrumento de coleta de dados emitido pelo Ministério da Saúde e distribuído para os estados e
municípios, em séries pré-numeradas, que fica sob a tutela dos profissionais médicos, dos serviços de saúde, dos serviços de
verificação de óbito e institutos de medicina legal e dos cartórios. O seu preenchimento é de responsabilidade exclusiva do
médico, podendo em caráter excepcional (quando não existe médico no local) ser preenchida por um oficial de Cartório de
Registro Civil.
SIM (Sistema de Embora a notificação dos óbitos seja obrigatória, em algumas localidades, há cemitérios clandestinos, e muitas pessoas são
Informação enterradas sem a necessidade de preenchimento da DO. Além disso, ainda ocorrem erros de preenchimento, e muitas
Sobre declarações encontram-se incompletas em vários campos.
Mortalidade)
IMPORTANTE- A declaração de óbito é um documento de três vias:
1ª via: Deve ser encaminhada para a secretaria de saúde para alimentar o SIM. 2ª via: Deve ser encaminhada para o
cartório para emissão do atestado de óbito. 3ª via: Deve ser arquivada no Serviço de saúde que notificar o óbito.
Todas as informações existentes na DO são digitadas no SIM, portanto quanto melhor preenchido for este instrumento,
melhores serão as possibilidades de análise dos dados, o que resulta na geração de informações de saúde de qualidade. É
com os dados do SIM que é possível construir todos os indicadores de mortalidade, tais como: taxa de mortalidade geral,
mortalidade proporcional por causa e faixa etária, taxa/coeficiente de mortalidade infantil e materna, etc.
Trata-se do segundo mais importante SIS do Brasil, tendo em vista que o conhecimento sobre o número de nascidos vivos
constitui uma relevante informação no campo da saúde pública, pois permite construir indicadores voltados para avaliação de
risco à saúde do segmento materno-infantil. Exemplo: coeficiente de mortalidade infantil e materna.
O instrumento de coleta de dados para alimentar esse SIS é a Declaração de Nascido Vivo (DNV), e assim como a DO, ela
é emitida e distribuída pelo Ministério da Saúde para as secretarias estaduais e municipais de saúde. Diferentemente da DO,
a DNV pode ser preenchida por qualquer profissional de saúde ou da área administrativa que tenha sido previamente treinado.
É um documento de três vias:
1ª via: Deve ser encaminhada para a secretaria de saúde para alimentar o SINASC.
2ª via: Fica com os pais para registro do nascimento no cartório, certidão de nascimento. Esta via fica arquivada no cartório.
SINASC (Sistema 3ª via: Deve ser arquivada no serviço de saúde, prontuário da gestante ou do recém-nascido.
de Informação de
Na DNV são coletadas as seguintes informações: local de nascimento; dados da mãe (nome, data do nascimento, história
Nascidos Vivos)
reprodutiva etc.); da gestação e parto (pré-natal, tipo de parto, etc.); do recém-nascido (peso, tamanho, Apgar); dados de
identificação (digital da mão e impressão plantar no recém-nascido), entre outras.
Com os dados do SINASC, é possível calcular os seguintes indicadores: taxa bruta de natalidade; taxa bruta de fecundidade;
taxa/coeficiente de mortalidade infantil e materna; proporção de partos cesáreos; etc.
Assim como o SIM, apresenta abrangência nacional, obrigatoriedade, registro civil gratuito/sub-registro e ocorre erro no
preenchimento.
OBS.: Segundo a OMS, “nascido vivo” corresponde a “todo produto da concepção que, independentemente do tempo de
gestação ou peso ao nascer, depois de expulso ou extraído do corpo da mãe, respire ou apresente outro sinal de vida tal
como batimento cardíaco, pulsação do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária,
estando ou não desprendida a placenta”.
O SINAN possui um banco de dados epidemiológicos que fornece informações sobre a incidência, prevalência e letalidade de
um conjunto de doenças e agravos que constam na Lista de Notificação Compulsória.
O instrumento para a coleta de dados do SINAN é a Ficha Individual de Notificação (FIN), que deve ser preenchida por
qualquer profissional de saúde treinado e encaminhada para a unidade de vigilância epidemiológica dos Municípios, Estados
SINAN (Sistema e/ou Ministério da Saúde.
de Informação de Nessa ficha, são coletadas as seguintes variáveis: dados gerais (número da notificação, semana epidemiológica); identificação
Agravos de do paciente (nome, gênero, idade, endereço); caracterização do agravo (nome e código do agravo, data dos primeiros sintomas)
Notificação) etc.
Para alguns agravos, é necessário realizar a Notificação Negativa, que é a notificação da não ocorrência de determinadas
doenças de notificação compulsória na área de abrangência da Unidade de Saúde. Indica que os profissionais e o sistema de
vigilância da área estão alertas para a ocorrência de tais agravos.
Resumo elaborado por Ana Luiza Kuster, Cecília Cordeiro, Letícia Franco, Letícia Thaty e Luma Magno – Medicina UnP 2023.1 – Turma 30D
7
OBS.: Além da FIN existe a Ficha Individual de Investigação (FII), que tem por objetivo coletar dados específicos a cada
agravo, que, de uma maneira geral, correspondem a dados complementares dos casos, como formas de transmissão,
manifestações clínicas, métodos de confirmação diagnóstica e evolução do caso.
O SIH foi implantado em 1984, com o nome de Sistema de Assistência Médico-Hospitalar da Previdência Social (SAMPHS),
com o objetivo de operar o sistema de pagamento de internação dos hospitais contratados pelo Ministério da Previdência.
A característica básica deste SIS é o pagamento prospectivo das internações hospitalares, ou seja, o reembolso é realizado
pelo mecanismo de pagamento fixo por procedimento realizado.
Seu instrumento de coleta de dados é a Autorização de Internação Hospitalar (AIH), que é emitida pelos estados a partir de
uma série numérica única definida anualmente em portaria ministerial. Este formulário contém as seguintes variáveis que irão
alimentar o SIH: dados de atendimento (diagnósticos de internamento e alta-codificados de
SIH (Sistema de Acordo com a CID); informações relativas às características de pessoa (idade e gênero); tempo e lugar (procedência do
Informação paciente) das internações; procedimentos realizados; valores pagos; dados cadastrais das unidades de saúde que permitem
Hospitalar) sua utilização para fins epidemiológicos.
Além de indicadores financeiros e administrativos relacionados ao custo de Saúde, também possibilita avaliar o desempenho
da Unidade de Saúde (tempo médio de permanência geral ou por uma causa específica); e gera indicadores de saúde de base
epidemiológica, tais como: proporção de internação por causa ou procedimento específico, mortalidade hospitalar geral e
específica etc.
Vantagem: elevada abrangência por estar relacionada a instituições de saúde pertencentes ou credenciadas ao SUS.
Limitação: mau preenchimento de algumas fichas e ao fato de mudanças na forma de pagamento e financiamento do SUS
poderem alterar a quantidade e a qualidade das AIHs preenchidas.
O SAI foi criado em 1991 e implantando em todo território nacional com o mesmo propósito do SIH, o pagamento de serviços
SAI (Sistema de prestados por Unidades de Saúde, só que a nível ambulatorial. Para esse SIS, não existe um instrumento
Informação
Ambulatorial) padronizado para a coleta de dados, e o pagamento por serviço prestado é feito a partir do código do procedimento, e não do
número de registro no CID. Esse SIS não pode ser utilizado para a obtenção de informações epidemiológicas.
O SIAB foi criado com o objetivo de coletar informações sobre a saúde da população assistida pelo Programa de Agentes
Comunitários de Saúde (PACS) e pelo Programa Saúde da Família (PSF). Além disso, serve como mecanismo de controle
para o monitoramento dos serviços de saúde prestados à população, através do preenchimento de vários instrumentos de
coleta de dados, os quais estavam relacionados ao repasse de verba.
A base de dados do SIAB possui três blocos que permitem obter informações epidemiológicas: o cadastramento familiar, o
acompanhamento de grupos de risco e o registro de atividades, procedimentos e notificações.
SIAB (Sistema de O SIAB tem como unidade territorial mínima para a congregação de dados a microárea (área coberta por um Agente
Informação da Comunitário de Saúde – ACS), que pode se expandir para área coberta por uma Unidade de Saúde (equipe de saúde),
Atenção Básica)
segmentos, zona rural e urbana, município, estado, região e país. Assim, esse SIS possibilita a microlocalização de problemas
de saúde.
Sua operacionalização vem acumulando problemas ao longo dos anos, o que gerou a demanda para a criação de um SIS
menos burocrático, rápido e que possibilite a inserção de informações individualizadas. Desse modo, o Ministério da Saúde
realizou a substituição do SIAB pelo e-SUS/SISAB.
O e-SUS Atenção Básica (e-SUS-AB), também denominado Sistema de Informação da Atenção Básica, só que representado
pela sigla SISAB, é uma estratégia do Departamento de Atenção Básica para reestruturar as informações da Atenção Básica
em nível nacional.
Segundo o Brasil (2013e), tais formatos de implementação podem ser caracterizados da seguinte forma:
e-SUS AB CDS – software para Coleta de Dados Simplificada: permitiria o registro integrado e simplificado através de fichas
de cadastro do domicílio e dos usuários, de atendimento individual, de atendimento odontológico, de atividades coletivas, de
SISAB procedimentos e de visita domiciliar, informações estas que vão compor o SISAB.
e-SUS AB PEC – Software com Prontuário Eletrônico do Cidadão: permitiria a gestão do cadastro dos indivíduos no território,
e-SUS AB organizar a agenda dos profissionais da AB, realizar acolhimento à demanda espontânea, fazer atendimento individual e
(Sistema de registro de atividades coletivas.
Informação em
Saúde da
Atenção Básica A estratégia e-SUS faz referência ao processo de informatização qualificada do SUS em busca de um SUS eletrônico.
(SISAB) /e-SUS As principais premissas do e-SUS-AB são: reduzir o retrabalho de coleta dados; individualização do registro; produção de
Atenção Básica) informação integrada; cuidado centrado no indivíduo, na família e na comunidade e no território; desenvolvimento orientado
pelas demandas do usuário da saúde.
O e-SUS-AB já se encontra em pleno processo de implementação no Brasil e, de acordo com a Portaria GM/MS nº 1.412 de
10 de julho de 2013, torna-se obrigatório o envio de informações para a base de dados do SISAB a partir da competência de
junho de 2015, cujo prazo limite para envio à base federal SISAB é 20/07/2015. Portanto, o SIAB passa a estar extinto a partir
desta data.
Resumo elaborado por Ana Luiza Kuster, Cecília Cordeiro, Letícia Franco, Letícia Thaty e Luma Magno – Medicina UnP 2023.1 – Turma 30D
8
OBS.: O Ministério da Saúde está introduzindo uma nova tendência no que diz respeito aos SISs, na tentativa de torná-los
mais informatizados e integrados a outras plataformas tecnológicas, o que possibilitará, no futuro, o cruzamento de dados do
SISAB com outros SISs.
Resumo elaborado por Ana Luiza Kuster, Cecília Cordeiro, Letícia Franco, Letícia Thaty e Luma Magno – Medicina UnP 2023.1 – Turma 30D