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Noções Básicas de Direito Fiscal

O Direito Fiscal é um ramo do direito que regula os impostos e as relações jurídicas decorrentes da sua percepção, abrangendo normas de soberania fiscal, obrigações fiscais, sanções e processos fiscais. Ele se relaciona intimamente com o Direito Financeiro e o Direito Tributário, visando a satisfação das necessidades coletivas e a promoção da justiça social. A evolução do Direito Fiscal é marcada por diferentes períodos históricos, refletindo mudanças nas necessidades públicas e na estrutura da sociedade.
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Noções Básicas de Direito Fiscal

O Direito Fiscal é um ramo do direito que regula os impostos e as relações jurídicas decorrentes da sua percepção, abrangendo normas de soberania fiscal, obrigações fiscais, sanções e processos fiscais. Ele se relaciona intimamente com o Direito Financeiro e o Direito Tributário, visando a satisfação das necessidades coletivas e a promoção da justiça social. A evolução do Direito Fiscal é marcada por diferentes períodos históricos, refletindo mudanças nas necessidades públicas e na estrutura da sociedade.
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INSTITUTO SUPERIOR DE CONTABILDADE E AUDITORIA DE MOÇAMBIQUE

Disciplina: Direito Fiscal Curso. Contabilidade e Auditoria

UNIDADE 2 - Noções Básicas de Direito Fiscal – EM COMPILAÇAO

2.1 Delimitação do Objecto e âmbito do Direito Fiscal e seu enquadramento;


Objecto. Objecto do Direito fiscal
O Direito Fiscal é, assim, o ramo do direito que disciplina os impostos;
tendo por objecto as Normas que regulam o “nascimento, o desenvolvimento e a extinção das relações
jurídicas suscitadas pela percepção do imposto.” Resulta desta delimitação noção que DF não se limita
somente a disciplina da obrigação fiscal, ou seja a relação que se estabelece entre o credor e devedor do
imposto.
De acordo com Manuel Perreia1 O DF é, assim, o ramo do direito que disciplina os impostos, tendo por
objecto as normas que regulam o “nascimento, o desenvolvimento e a extinção das relações jurídicas
sucitadas pela percepção do imposto”

Âmbito
Noção e âmbito do Direito Fiscal:
Âmbito do Direito fiscal (FISCALIDADE 126)

_ Assim, o Direito Fiscal abrange uma grande multiplicidade de Normas Jurídicas, a saber:
a) Normas de soberania fiscal, que ao regularem os princípios fundamentais do Sistema Fiscal, incluindo a
formulação da Lei Fiscal, fazem apelo ao Direito Constitucional, formando o que se costuma designar por
Direito Constitucional Fiscal;

b) Normas relativas ao nascimento, desenvolvimento e extinção da obrigação fiscal,


quer as que se referem à incidência do imposto quer as que têm um carácter procedimental, ao
disciplinarem o lançamento, a liquidação e a cobrança do imposto, incluindo igualmente normas
atinentes à fiscalização dos obrigados fiscais e normas relativas às garantias administrativas dos
contribuintes;

c) Normas relativas a obrigações acessórias impostas ao contribuinte ou a terceiros, designadamente de


natureza declarativa ou contabilística, destinadas a possibilitar ou a controlar a percepção dos impostos;
1
PEREIRA, Manuel H. Freitas, FISCALIDADE 2ª Ediçao pag 126

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Mandlate, Valor Fragoso Página 1


d) Normas de sanção fiscal, que estabelecem as sanções, quer de natureza penal quer de natureza contra-
ordenacional, a aplicar a quem infringe os comandos jurídico-fiscais e regulam o respectivo processo;

e) Normas relativas ao processo fiscal,que estabelecem as garantias contenciosas dos contribuintes


(processo deimpugnação judicial) e regulam a cobrança coerciva dos impostos

2.1.1 Direito financeiro e receitas do estado;

 Conjunto de normas e princípios do Direito.


 Pag 8 Vasco Guimarães Pag 13 e 14 Assis Tavares
 Pag 9 ss Teodoro Wate

[Link] Conceitos
Direito Financeiro – É composto por um conjunto de normas que regulamentam as receitas e as
despesas públicas, e a sua elaboração que se denomina Orçamento do Estado.
Tipos de Receitas Públicas:
• Os Impostos
• As Receitas Patrimoniais – Advém da venda do património do Estado
• Os Empréstimos Públicos – Títulos de Tesouro
Direito Tributário – É composto por um conjunto de normas que regulamentam ou disciplinam os
tributos.
Tipos de Tributos:
• Impostos
• Taxas
• Contribuições Especiais
Direito Fiscal – É o ramo do direito que disciplina a receita pública, denominada impostos.

Fins da tributação – satisfação das necessidades colectivas e promoção da justiça social.


A tributação visa a satisfação das necessidades financeiras do estado e de outras entidades públicas
e promove a justiça social, a igualdade de oportunidades e a necessária redistribuição da riqueza e
do rendimento; em estrita observância dos princípios da generalidade, da igualdade, da legalidade,
da não retroactividade, da justiça material e da eficácia e simplicidade do sistema tributário.
Decorrência do artigo 2 da LBST

[Link] Distinção direito fiscal e direito tribuário


O Direito Fiscal está contido no Direito Tributário, que por sua vez está contido no
Direito Financeiro.
O Direito Financeiro contém o Direito Tributário, que por sua vez contém o Direito
Fiscal.
2.1.2 Objecto do Direito Fiscal

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Mandlate, Valor Fragoso Página 2


Ver 2.1
2.1.3 Âmbito do Direito fiscal
Ver 2.1

Natureza e Características do Direito Fiscal (Waty 26; FISCALIDADE 127)

2.1.4 Natureza e Características do Direito Fiscal.


Enquadramento do Direito Fiscal
Direito Público e Direito Privado

Constitucional
Administrativo
Público Financeiro
Penal
Direito Processual

Civil
Privado
Comercial

2.1.5 Natureza do Direito Fiscal:


Ramo de Direito Público – entre o contribuinte e o Estado não existe uma relação de igualdade. O
Estado tem um poder de soberania sobre o contribuinte.
Na verdade o DF tutela essencialmente interesses públicos, disciplinando as relações cujo objecto é
a satisfação das necessidades colectivas da comunidade em que o Estado exerce o seu ius imperii2
Características do DF
Nas normas de DF obviamente, identificam-se as características gerais de normas jurídicas,
nomeadamente, a generalidade, a abstracção, hipotecidade, heteronomia e imperatividade. No
campo teleológico apresenta-se como se furtando dos outros ramos de direito. É um ramo que
pouco se contenta com conceitos já construídos no direito comum, acabando por esmaga-los.
Na verdade o seu suporte para tal deriva dos superiores interesses tutelados, que para serem
alcançados alguns conceitos do saber jurídico devam ser afastados.

Definição
Complexo de normas jurídicas públicas que tem principal e exclusivamente por objecto regular as
relações jurídico fiscais. Relações jurídicas do imposto. Trataremos desta matéria no capítulon6,
contudo importa uma iniciação sobre este conceito considerando a sua presença permanente
quase em todas abordagens.
2
Waty. A Teodoro pag 26

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Mandlate, Valor Fragoso Página 3


Afinal o que é imposto.
É uma prestação pecuniária unilateral, definitiva e coactiva, fixada por lei exigida às pessoas com
capacidade contributiva, a favor de entidades que desenvolvem ou exercem funções públicas. Com
vista à satisfação de necessidades colectivas sem carácter de sanção.
Nos termos do artigo 4 LBST o imposto é um pagamento para o OE, com natureza unilateral e
obrigatória, incluindo encargos legais e juros previstos em normas tributária, sendo calculados sob
forma monetária e pagos em metical.
Este conceito e reafirmado na LGT nº 2 do artigo 3 que fixa; Os Impostos são as prestações
obrigatórias, avaliáveis em dinheiro, exigidas por uma entidade pública, para a prossecução de fins
públicos, sem contraprestação individualizada, e cujo facto tributário assenta em manifestações de
capacidade contributiva, devendo estar previstos na lei.
Resultando dai que o imposto tem como objectivo, a realização de funções públicas de carácter
colectivo (exemplo: educação, saúde, segurança, etc.) e não tem carácter sancionatório de
qualquer ilicitude.

Deste conceito resulta fundamentalmente os chamados elementos de imposto; a


saber: vide artigo 127 LBST

Elementos do imposto:
Elemento objectivo: é uma prestação. Pecuniária (entrega de dinheiro);
Esta prestação tem Unilateral (sem contraprestação
Determinadas características imediata e individualizada);
nomeadamente: Definitiva (não dá direito a reembolso);
Coactiva (imposta por lei).

Elemento Subjectivo: exigido a detentores de capacidade contributiva (sujeito


passivo – quem paga o imposto), a favor de entidades que
exercem funções públicas (sujeito activo – a favor de quem)
exemplo: Estado ou empresas privadas com funções públicas

Elemento Teleológico: destina-se à realização de finalidades públicas.


Se é imposto; é porque obrigatoriamente terá de ser aplicado
na melhoria dos serviços públicos

2.1.6 Evolução do Direito fiscal: Waty 29 ss

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Mandlate, Valor Fragoso Página 4


A evolução do direito fiscal pode ser estudado compreendendo quatro
fases/períodos. Período anterior ao renascimento, Período clássico, período da
revolução Industrial e Período contemporâneo.

Período anterior ao renascimento


Os súbditos sujeitavam –se a vontade do soberano, no tocante a quanto, como e
quando, pois o objectivo eram necessidades daquele.
Renascimento foi um movimento cultural, económico e político que surgiu na Itália
do século XIV, se consolidou no século XV e se estendeu até o século XVII por toda
Europa.
Inspirado nos valores da antiguidade clássica e fruto das modificações estruturais da
sociedade, resultou na reformulação total da vida medieval dando início á idade
media

Período clássico
Sendo que nesta época o objectivo era satisfação das necessidades públicas, o
imposto assentava em regras previamente definidas e estruturadas.

Período da Revolução Industrial


Alicerçado no princípio de satisfação das necessidades colectivas manifestava-se
como instrumento de redistribuição da riqueza e de garantia da justiça social.

Período contemporâneo.
Importante instrumento com objectivos financeiros políticos, económicos e sociais,
funcionando como motor para acelerar/desaceleração do desenvolvimento.
Especificamente no contexto moçambicano podemos falar de Período anterior a
colonização, Colonial e Pós Independência.

2.1.7 Autonomia do Direito Fiscal


A discussão na doutrina relaciona-se com sua natureza ou seja autonomia
substancial, no quadro da classificação dos ramos de direito, pois doutrinas há que
defendem é um sub ramos do Direito Administrativo. 73ss Nabais

Autonomia cientifica ou didáctica.

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Mandlate, Valor Fragoso Página 5


Já era espectável grande debate sobre esta matéria se atentarmos a natureza do Df na
abordagem anterior. É quationada a sua autonomia científica.
O direito Fiscal é autónomo. Tem leis próprias, tem um conjunto de diplomas que lhe
conferem autonomia.
Nota:
Não quer isto dizer, que não vá aos outros direitos buscar as suas normas para exercer com
plenitude as suas funções.

2.1.8 Relação do Direito Fiscal com outros ramos de Direito


Relações do Direito Fiscal com os outros Direitos
Relação entre Direito Fiscal e o Direito Constitucional
O Direito Fiscal deve obediência ao Direito Constitucional.
O legislador quando cria uma lei tem de conhecer bem as leis constitucionais.
Capítulo IV da CRM
Relação entre Direito Fiscal e o Direito Administrativo
Direito Administrativo – Regula toda a actividade pública do Estado.
As acções dos agentes da administração fiscal são regulamentadas em função do
Direito Administrativo. Boa parte dos institutos de direito fiscal, quer na
organização administrativa fiscal, quer na actividade administrativa fiscal incluindo
a própria organização judiciária administrativa provem do DA. Ademais a
administração fiscal constitui a parcela da administração financeira do estado3.
É obvio que a actividade da administração fiscal se rege por normas que, em
termos substanciais, são normas de Direito administrativo, pelo que o Direito Fiscal
estabelece com Direito administrativo íntimas conexões em tudo que o que se
relaciona com a organização dos serviços tributários e a actuação dos órgãos e
agentes que lançam, liquidam e cobram os impostos. Alias não é despropositada a
consideração da legislação administrativa substantiva e adjectiva como
complementar de como decorre do artigo 2, nº 3 da LGT

Relação entre Direito Fiscal e o Direito Civil


A relação jurídica tributária tem estrutura de uma obrigação, pois por um lado
existe um sujeito na posição de exigir cumprimento credor, (sujeito activo) e
doutro um sujeito na situação de obrigado tribuário, (sujeito passivo) que deve
cumprir. Com diferença de que o credor está na posição de superioridade. A
construção do Direito Fiscal carece das normas do Direito Civil.

3
Nabais, DIREITO FISCAL, 4 ediçao pag 84

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Mandlate, Valor Fragoso Página 6


Ademais autonomia da vontade peculiar nas obrigações civis ou privada não existe
na obrigação fiscal pois na relação tributária só o facto tributário determinado por
le é relevante. Vide artigo 2 LGT
Pressupostos para preencher a qualificação de sujeito passivo (SP) do imposto são
originários do Direito Civil, razão pela qual o DF recorre aos conceitos tais como
transmissão, compra e venda, doação, propriedade, prédio, pessoa colectiva,
sociedade civil, domicilio de entre outros.

Relação entre Direito Fiscal e o Direito Comercial


O Direito Comercial é imprescindível para o Direito Fiscal.
O Direito Fiscal usa vários conceitos do Direito Comercial para a sua aplicação do
direito.
Tipicamente vários conceitos do DF, tem sua génese no Direito Comercial,
conservando o significado original, embora nalgumas situações o DF movido por
certas questões muito particulares se afaste do significado original e pela
respectiva lei cria o entendimento específico.
Exemplo de alguns institutos do DC transmissão, compra e venda, doação, locação
de imóveis, comércio, pessoa colectiva, estabelecimento comercial, etc.. (NABAIS
88)
Relação entre Direito Fiscal e o Direito Penal
A existência do direito fiscal penal constitui o maior elemento de ligação entre estes
dois ramos.
DFP configura sector de normas sancionatórias do DF, fixando sanções para infracções
decorrentes de incumprimento de obrigações tributárias.
Regime Geral das Infracções Tributárias (RGIT)
Certa doutrina considera estes dois ramos como gémeos pelo paralelismo que
caracterizou a sua constituição e desenvolvimento. Enquanto o direito penal de
constituiu e desenvolveu em torno do valor da liberdade o DF era em torno do
valor da propriedade.
Uma outra relação entre estes dois ramos de direito reside no facto de no direito
fiscal também haver normas cuja função é a de qualificar certos comportamentos,
traduzidos em acções ou omissões dos contribuintes ou de terceiros (face a relação
jurídico fiscal) com infracções, estabelecendo as correspondentes sanções4.
Sobre infracção tributária vide artigo 41 da LBST e 193 da LGT
Concretamente, o DF prevê um conjunto de normas sancionatórias cuja previsão é
a violação de normas de conduta fiscal e a estatuição de sanções para o
prevaricadores tais como, juros, coimas, multas ou até, prisão.
4
NABAIS, DIREITO FISCAL, 4ª EDIÇAO, pag 98

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Mandlate, Valor Fragoso Página 7


Relação entre Direito Fiscal e o Direito Processual
Direito Processual – Direito que trata da regulamentação de como vamos até
tribunal.
Conjunto de normas que regulamentam os nossos direitos em sede de tribunal.
Trata-se do processo tributário, em que se destaca o processo de impugnação
judicial, do processo de execução fiscal entre outros.
Exemplo: como devemos reclamar, onde devemos reclamar, a quem devemos
efectuar a reclamação, o que devemos entregar, etc. vide artigo 2 LGT

Relação entre Direito Fiscal e o Direito Internacional


O Direito Internacional é composto por Acordos, Tratados, Convenções, celebradas
entre dois Estados. Temos que conhecer estes regulamentos para aplicar
convenientemente a lei Fiscal. Estamos em presença do conjunto de normas
jurídicas fiscais que tem por objecto a regulamentação de vida que por qualquer
dos seus elementos, com mais do que uma ordem jurídica fiscal dotada do poder
de tributar.

Relação entre Direito Fiscal e os Outros Ramos Especiais


Direitos Especiais:
Direito do Ambiente
Direito Transporte
Em Suma:
O Direito Fiscal é um Direito autónomo, mas por si só não funciona, precisa de absorver a
informação dos outros direitos para exercer convenientemente as suas normas.

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Mandlate, Valor Fragoso Página 8

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