Integrais Impróprias
Renata Mascari
UTFPR
6 de março de 2024
Renata Mascari (UTFPR) Integrais Impróprias 6 de março de 2024 1/1
Z b
Na integral definida f (x) dx consideramos uma função f
a
definida em um intervalo limitado [a, b] e supomos que f não tem
uma descontinuidade infinita.
Agora, estenderemos esta definição para os seguintes casos;
(i) f é definida em um intervalo infinito, ou seja, seu domı́nio é do
tipo [a, +∞), (−∞, b] ou (−∞, +∞);
(ii) f tem uma descontinuidade infinita em um ponto c tal que
c ∈ [a, b].
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As integrais destas funções são chamadas integrais impróprias e a
fim de resolvê-las um dos extremos será considerado como variável.
As integrais impróprias são de grande utilidade em diversos ramos
da Matemática como por exemplo, na solução de equações
diferenciais ordinárias via transformadas de Laplace e no estudo
de probabilidade, em Estatı́stica.
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Definição 1 (Integral Imprópria do Tipo 1)
Z t
(i) Se f (x) dx existe para cada número t ≥ a então
a
Z ∞ Z t
f (x) dx = lim f (x) dx
a t→∞ a
desde que o limite exista.
Z b
(ii) Se f (x) dx existe para cada número t ≤ b então
t
Z b Z b
f (x) dx = lim f (x) dx
−∞ t→−∞ t
desde que o limite exista.
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Definição 1 (Integral Imprópria do Tipo 1)
Z t
(i) Se f (x) dx existe para cada número t ≥ a então
a
Z ∞ Z t
f (x) dx = lim f (x) dx
a t→∞ a
desde que o limite exista.
Z b
(ii) Se f (x) dx existe para cada número t ≤ b então
t
Z b Z b
f (x) dx = lim f (x) dx
−∞ t→−∞ t
desde que o limite exista.
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Observação 1
Z ∞ Z b
As integrais impróprias f (x) dx e f (x) dx são chamadas
a −∞
convergentes se os limites correspondentes existem e divergentes se
os limites não existem.
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Observação 2
Z ∞ Z a
Se ambas f (x) dx e f (x) dx são convergentes, então
a −∞
definimos
Z ∞ Z a Z ∞
f (x) dx = f (x)dx + f (x) dx
−∞ −∞ a
para qualquer número real a.
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Exemplo 1
Z ∞
1
Determine se a integral dx é convergente ou divergente.
1 x
Solução:
De acordo com a parte (i) da Definição 1, temos:
Z ∞ Z t t
1 1
dx = lim dx = lim ln |x|
1 x t→∞ 1 x t→∞
1
= lim (ln t − ln 1) = lim ln t = ∞
t→∞ t→∞
O limite não existe como um número finito e, assim, a integral
imprópria é divergente.
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Exemplo 1
Z ∞
1
Determine se a integral dx é convergente ou divergente.
1 x
Solução:
De acordo com a parte (i) da Definição 1, temos:
Z ∞ Z t t
1 1
dx = lim dx = lim ln |x|
1 x t→∞ 1 x t→∞
1
= lim (ln t − ln 1) = lim ln t = ∞
t→∞ t→∞
O limite não existe como um número finito e, assim, a integral
imprópria é divergente.
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Exemplo 2
Z 0
Determine se a integral xex dx é convergente ou divergente.
−∞
Solução:
De acordo com a parte (i) da Definição 1, temos:
Z 0 Z 0
x
xe dx = lim xex dx = (∗)
−∞ t→−∞ t
(*) Usando integração por partes:
u=x dv = ex dx
du = dx v = ex
Z Z
xex dx = xex − ex dx = xex − ex
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Exemplo 2
Z 0
Determine se a integral xex dx é convergente ou divergente.
−∞
Solução:
De acordo com a parte (i) da Definição 1, temos:
Z 0 Z 0
x
xe dx = lim xex dx = (∗)
−∞ t→−∞ t
(*) Usando integração por partes:
u=x dv = ex dx
du = dx v = ex
Z Z
xex dx = xex − ex dx = xex − ex
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0
x x
lim (xe − e ) = lim [−1 − tet + et ] = −1
t→−∞ t→−∞
t
Uma vez que o limite é finito, concluı́mos que a integral imprópria
é convergente.
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Exemplo 3
Z ∞
1
Para quais valores de p a integral dx é convergente?
1 xp
Solução:
De acordo com a parte (ii) da Definição 1, temos:
Z ∞ Z t t
1 1 x−p+1
dx = lim dx = lim ( )
1 xp t→∞ 1 xp t→∞ −p + 1
1
t
x−p+1 t1−p − 1
lim = lim
t→∞ −p + 1 1
t→∞ 1 − p
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Exemplo 3
Z ∞
1
Para quais valores de p a integral dx é convergente?
1 xp
Solução:
De acordo com a parte (ii) da Definição 1, temos:
Z ∞ Z t t
1 1 x−p+1
dx = lim dx = lim ( )
1 xp t→∞ 1 xp t→∞ −p + 1
1
t
x−p+1 t1−p − 1
lim = lim
t→∞ −p + 1 1
t→∞ 1 − p
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(i) Se 1 − p < 0, ou seja, p > 1, então,
Z ∞
1 t1−p − 1 −1
p
dx = lim = < ∞ é convergente.
1 x t→∞ 1 − p 1−p
(ii) Se 1 − p > 0, ou seja, p < 1, então,
Z ∞
1 t1−p − 1
dx = lim = ∞ é divergente.
1 xp t→∞ 1 − p
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(i) Se 1 − p < 0, ou seja, p > 1, então,
Z ∞
1 t1−p − 1 −1
p
dx = lim = < ∞ é convergente.
1 x t→∞ 1 − p 1−p
(ii) Se 1 − p > 0, ou seja, p < 1, então,
Z ∞
1 t1−p − 1
dx = lim = ∞ é divergente.
1 xp t→∞ 1 − p
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Integrais de funções descontı́nuas
Definição 2 (Integral Imprópria do Tipo 2)
(i) Se f é contı́nua em [a, b) e descontı́nua em b, então
Z b Z t
f (x) dx = lim− f (x) dx
a t→b a
se esse limite existir (como um número finito).
(ii) Se f é contı́nua em (a, b] e descontı́nua em a, então
Z b Z b
f (x) dx = lim+ f (x) dx
a t→a t
se esse limite existir (como um número finito).
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Integrais de funções descontı́nuas
Definição 2 (Integral Imprópria do Tipo 2)
(i) Se f é contı́nua em [a, b) e descontı́nua em b, então
Z b Z t
f (x) dx = lim− f (x) dx
a t→b a
se esse limite existir (como um número finito).
(ii) Se f é contı́nua em (a, b] e descontı́nua em a, então
Z b Z b
f (x) dx = lim+ f (x) dx
a t→a t
se esse limite existir (como um número finito).
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Observação 3
Z b
A integral imprópria f (x) dx é chamada convergente se o
a
limite correspondente existir e divergente se o limite não existir.
(iii) Se f tiver uma descontinuidade em c, onde a < c < b, e ambos
Z c Z b
f (x) dx e f (x) dx forem convergentes, então definimos
a c
Z b Z c Z b
f (x) dx = f (x) dx + f (x) dx
a a c
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Observação 3
Z b
A integral imprópria f (x) dx é chamada convergente se o
a
limite correspondente existir e divergente se o limite não existir.
(iii) Se f tiver uma descontinuidade em c, onde a < c < b, e ambos
Z c Z b
f (x) dx e f (x) dx forem convergentes, então definimos
a c
Z b Z c Z b
f (x) dx = f (x) dx + f (x) dx
a a c
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Exemplo 4
Z 5
dx
Calcule √ .
2 x−2
Solução:
Observamos primeiro que essa integral é imprópria, porque
1
f (x) = √ tem uma descontinuidade em x = 2 (assı́ntota
x−2
vertical x = 2).
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Exemplo 4
Z 5
dx
Calcule √ .
2 x−2
Solução:
Observamos primeiro que essa integral é imprópria, porque
1
f (x) = √ tem uma descontinuidade em x = 2 (assı́ntota
x−2
vertical x = 2).
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Como a descontinuidade infinita ocorre no extremo esquerdo de
[2, 5], usamos a parte (ii) da Definição 2:
5
5 5 √
Z Z
dx dx
√ = lim √ = lim+ (2 x − 2)
2 x − 2 t→2+ t x − 2 t→2 t
√ √ √
= lim+ 2( 3 − t − 2) = 2 3
t→2
Portanto, a integral imprópria dada é convergente.
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