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Atividade 2

O documento apresenta uma série de questões sobre interpretação de textos literários e análise crítica de obras, abordando temas como a insatisfação da lesma em 'Sonho de lesma', o uso de oxímoros em Fernando Pessoa, e a relação entre memes e educação. Além disso, discute a importância do acesso a bens culturais e a construção de conhecimento através do hipertexto. As questões também exploram a influência da linguagem e da comunicação na sociedade contemporânea.

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Atividade 2

O documento apresenta uma série de questões sobre interpretação de textos literários e análise crítica de obras, abordando temas como a insatisfação da lesma em 'Sonho de lesma', o uso de oxímoros em Fernando Pessoa, e a relação entre memes e educação. Além disso, discute a importância do acesso a bens culturais e a construção de conhecimento através do hipertexto. As questões também exploram a influência da linguagem e da comunicação na sociedade contemporânea.

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Atividade 2 -

Figuras, Interpretação e obras literarias.

Questão 1

Ela nasceu lesma, vivia no meio das lesmas, mas não estava satisfeita com sua
condição. Não passamos de criaturas desprezadas, queixava-se. Só somos
conhecidas por nossa lentidão. O rastro que deixaremos na História será tãodesprezível quanto a
gosma que marca nossa passagem pelos pavimentos.
A esta frustração correspondia um sonho: a lesma queria ser como aquele
parente distante, o escargoft . O simples nome já a deixava fascinada: um termo
francês, elegante, sofisticado, um termo que as pessoas pronunciavam com
respeito e até com admiração. Mas, lembravam as outras lesmas, os escargots
são comidos, enquanto nós pelo menos temos chance de sobreviver. Este
argumento não convencia a insatisfeita lesma, ao contrário: preferiria
exatamente terminar sua vida desta maneira, numa mesa de toalha
adamascada, entre talheres de prata e cálices de cristal. Assim como o mar é o
único túmulo digno de um almirante batavo, respondia, a travessa de porcelana
é a única lápide digna dos meus sonhos.

SCLIAR, M. Sonho de lesma. In: ABREU, C. F. et al. A prosa do mundo. São Paulo: Global, 2009.

Incorporando o devaneio da personagem, o narrador compõe uma alegoria que


representa o anseio de

a) rejeitar metas de superação de desafios.


b) restaurar o estado de felicidade pregressa.
c) materializar expectativas de natureza utópica.
d) rivalizar com indivíduos de condição privilegiada.
e) valorizar as experiências hedonistas do presente.

Questão 2

Sonetilho do falso
Fernando Pessoa
Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.
[5] Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
Nem Fausto nem Mefisto,
[10] à deusa que se ri
deste nosso oaristo*,
eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.
Carlos Drummond de Andrade. Claro Enigma.
UlissesO mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.

Fernando Pessoa. Mensagem.


*conversa íntima entre casais

O oxímoro é uma “figura em que se combinam palavras de sentido oposto que


parecem excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão”
No poema “Sonetilho do falso Fernando Pessoa”, o emprego
dessa figura de linguagem ocorre em:

a) “Onde morri, existo” (L. 2).


b) “E das peles que visto / muitas há que não vi” (L. 3-4).
c) “Desisto / de tudo quanto é misto / e que odiei ou senti” (L. 6-8).
d) “à deusa que se ri / deste nosso oaristo” (L. 10-11).
e) “mas não sou eu, nem isto” (L. 14).
Questão 3

Questão 4

Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por


alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse
tudo, inclinou-se e beijou-a na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à
porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o
epílogo de um livro adúltero [...].
Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver, mas
então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam
conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de amor calado, e
irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa
explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.

ASSIS, M. A causa secreta. Disponível em: [Link]. Acesso em: 9 out. 2015.

No fragmento, o narrador adota um ponto de vista que acompanha a


perspectiva de Fortunato.
O que singulariza esse procedimento narrativo é o registro do(a)

a) indignação face à suspeita do adultério da esposa.


b) tristeza compartilhada pela perda da mulher amada.
c) espanto diante da demonstração de afeto de Garcia.
d) prazer da personagem em relação ao sofrimento alheio.

Questão 5

Memes e fake news: o impacto na educação das crianças

Há quem diga que o Brasil nunca mais foi o mesmo depois dos memes. Na
economia da velocidade, alguns apostam no humor, outros no engajamento
político, e tem gente investindo alto na mentira também. Diante desse cenário,
uma pergunta se torna essencial: será que todo mundo está conseguindo
traduzir as mensagens postadas, curtidas e compartilhadas?
Essa dúvida incentivou uma professora de língua portuguesa a desenvolver
uma proposta de leitura e análise crítica de memes com estudantes do ensino
fundamental, na rede pública do Distrito Federal, na cidade de Samambaia.
“Percebi que muitos alunos e pais estavam divulgando conteúdos sem saber o
que havia por trás das palavras”, relata a professora.
“O que antes era engraçado para os alunos passou a ser visto com outros
olhos”, afirma a professora. Para ela, que utilizou a representação da criação de
memes de WhatsApp como material gerador das discussões em sala de aula,
aguçar o olhar sobre essas mensagens impacta diretamente a atitude de postar,
curtir e compartilhar conteúdos ao estimular o uso consciente da informação
que circula nas plataformas de mídia social.
Letramento político e midiático é um desafio intergeracional. Em tempos de
notícias falsas, de imagens manipuladas e de memes sendo usados como triunfo
e verdade de cada um, checagem de informação e interpretação de texto
acabam se tornando moedas valiosas.

Disponível em: [Link] Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).

Ao abordar a relação dos memes com a educação, a reportagem sustenta uma


crítica a

a) falta de fiscalização no uso de aplicativos de mensagens por crianças.


b) divulgação de informação manipulada em postagens virtuais.
c) utilização de ferramentas digitais no trabalho educacional.
d) exploração de conteúdos humorísticos nas mídias sociais.
d) exploração de conteúdos humorísticos nas mídias sociais.
e) propagação de mensagens com objetivos políticos.

Questão 6

“Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e


ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar
batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me
interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem
aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se
clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou
ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é
meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que,
como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.”

Clarice Lispector. “Insônia infeliz e feliz”. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco,
1999.

Considerando as características do trecho apresentado, pode-se afirmar que ele


pertence a uma crônica, pois

a) representa uma história paralela ligada a uma história principal.


b) há apenas um conflito que se resolve em pouco tempo.
c) possui estrutura simples e apresenta um cunho pedagógico.
d) é uma narrativa breve que comenta um evento do cotidiano
e) compõe uma crítica indireta a alguém ou a algum fato.

Questão 7
Esse cartaz, parte de uma campanha publicitária, tem como propósito:

a) propagar a atuação de entidades de proteção a crianças.


b) divulgar políticas de combate a crimes de violência.
c) incentivar denúncias de violência contra crianças.
d) estimular a criação de canais de denúncias.
e) assegurar o anonimato dos denunciantes

Questão 8

“Por quê? Porque pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer


que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável
para o próximo. (...).
Nesse ponto as pessoas são frequentemente vítimas de uma curiosa
obnubilação. Elas afirmam que o próximo tem direito, sem dúvida, a certos bens
fundamentais, como casa, comida, instrução, saúde, coisas que ninguém bem
formado admite hoje em dia que sejam privilégio de minorias, como são no
Brasil. Mas será que pensam que seu semelhante pobre teria direito a ler
Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven? (...). Ora, o esforço para incluir
o semelhante no mesmo elenco de bens que reivindicamos está na base da
reflexão sobre os direitos humanos.”

CANDIDO, Antonio. Vários escritos. 3ª ed. revista e ampliada. São Paulo: Duas Cidades, 1995.

Com base na leitura do texto, pode-se afirmar que Antonio Candido defende que
o acesso a bens como a literatura e a música

a) é privilégio de minorias, pois são bens que exigem reflexão.


b) deve ser reivindicado como um direito, e não como um privilégio.
c) vitimiza as pessoas que não têm acesso a bens fundamentais para viver
humaniza as minorias privilegiadas, incentivando-as a compartilhar seu
conhecimento.
d) é indispensável para quem luta pelos direitos humanos.

Questão 9

Texto 1

Texto 2

Cracolândia vive 30 anos de eterno retornoRepressão à droga não faz mais do que dispersar
usuários; especialistas cobram
articulação de políticas
Ela surgiu na Santa Efigênia, nos cruzamentos da rua dos Gusmões com as
pequenas ruas dos Protestantes e do Triunfo, logo atrás da Estação Ferroviária
da Luz, no centro de São Paulo. E há quase 30 anos, migra de um quarteirão
para outro, em modo constante, se esparramando pelos bairros vizinhos.
A itinerância da maior cena aberta de uso de crack e outras drogas do país,
batizada de cracolândia nos anos 1990, é fruto ora de um jogo de esconde-
esconde, a partir do mando do crime organizado, ora do empurra-empurra das
operações policiais que incidem sobre ela, onde quer que esteja.

(Adaptado de MENA, Fernanda, Cracolândia vive 30 anos de eterno retorno. Folha de São Paulo,
4
jun. 2022, p. B4.)

Indique a alternativa que apresenta palavras ou termos do Texto 2 diretamente


relacionados a elementos representados na charge (Texto 1).

a) “articulação de políticas” e “esconde-esconde”


b) “empurra-empurra” e “eterno retorno”
c) “itinerância” e “crime organizado”
d) “repressão à droga” e “bairros vizinhos”

Questão 10

Receitas de vida por um mundo mais doce


Ingredientes
2 filhos que não param quietos
3 sobrinhos da mesma espécie
1 cachorro que adora uma farra
1 fim de semana ao ar livre
Preparo
Junte tudo com os ingredientes do Açúcar Naturale, mexa bem e deixe
descansar. Não as crianças, que não vai adiantar. Sirva imediatamente, porque
pé de moleque não para. Quer essa e outras receitas completas?
Entre no site [Link].
Onde tem doce, tem Naturale.

Revista Saúde, n. 351, jun. 2012 (adaptado).

O texto é resultante do hibridismo de dois gêneros textuais. A respeito desse


hibridismo, observa-se que a

a) receita mistura-se ao gênero propaganda com a finalidade de instruir o


leitor.
b) receita é utilizada no gênero propaganda a fim de divulgar exemplos de
vida.
c) propaganda assume a forma do gênero receita para divulgar um
produto alimentício.
d) propaganda perde poder de persuasão ao assumir a forma do gênero
receita.
e) receita está a serviço do gênero propaganda ao solicitar que o leitor
faça o doce.
Questão 11

HIPERTEXTUALIDADE

O papel do hipertexto é exatamente o de reunir, não apenas os textos, mas


também as redes de associações, anotações e comentários às quais eles são
vinculados pelas pessoas. Ao mesmo tempo, a construção do senso comum
encontra-se exposta e como que materializada: a elaboração coletiva de um
hipertexto.
Trabalhar, viver, conversar fraternalmente com outros seres, cruzar um pouco
por sua história, isto significa, entre outras coisas, construir uma bagagem de
referências e associações comuns, uma rede hipertextual unificada, um texto
compartilhado, capaz de diminuir os riscos de incompreensão.

LEVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo:


Editora 34, 1992 (adaptado).

O texto evidencia uma relação entre o hipertexto e a sociedade em que essa


tecnologia se insere. Constata-se que, nessa relação, há uma

a) estratégia para manutenção do senso comum.


b) prioridade em sanar a incompreensão.
c) necessidade de publicidade das informações.
d) forma de construção colaborativa de conhecimento.
e) urgência em se estabelecer o diálogo entre pessoas.

Questão 12

Interfaces

Um dos mais importantes componentes do hipertexto é a sua interface. As


interfaces permitem a visualização do conteúdo, determinam o tipo de interação
que se estabelece entre as pessoas e a informação, direcionando sua escolha e o
acesso ao conteúdo.
O hipertexto retoma e transforma antigas interfaces da escrita (a noção de
interface não dever ser limitada às técnicas de comunicação contemporânea).
Constitui-se, na verdade, em uma poderosa rede de interfaces que se conectam
a partir de príncipios básicos e que permitem um "interação amigável".
As particularidades do hipertexto virtual, como sua dinamicidade e seus
aspectos multimidiátricos, devem-se ao seu suporte ótico, magnético, digital e à
sua interface amigável. A influência do hipertexto é tanta que as representações
de tipo cartográfico ganham cada vez mais importância nas tecnologias
intelectuais de suporte informá[Link] influência também é devida ao fato de a memória
humana, segundo
estudos da psicologia cognitiva, compreender e reter melhor as informações
organizadas, especialmente em diagramas e em mapas conceituais
manipuláveis. Por isso, imagina-se que o hipertexto deva favorecer o domínio
mais rápido e fácil das informações em contrapondo a um audiovisual
tradicional, por exemplo.

Disponível em: [Link]. Acesso em: 1 ago 2012.

O texto informa como as interfaces são reaproveitadas pelo hipertexto virtual,


influenciado as tecnologias de informação e comunicação. De acordo com o
texto, qual é a finalidade do uso do hipertexto quanto à absorção e manipulação
das informações?

a) Mesclar antigas interfaces com mecanismos virtuais.


b) Auxiliar os estudos de psicologia cognitiva com base nos hipertextos.
c) Amparar a pesquisa de mapas e diagramas relacinados à cartografia.
d) Salientar a importância das tecnologias de informação e comunicação.
e) Ajudar na apreensão das informações de modo mais eficaz e facilitado.

Questão 13

Construindo uma irmandade da língua

A ideia de que a língua portuguesa é pertença de todos os seus falantes é hoje


quase pacífica. Só meia dúzia de ultranacionalistas portugueses insiste ainda no
disparate de se julgar proprietário exclusivo do idioma. Aliás, ao contrário da
Commonwealth e da francofonia, a irmandade da língua portuguesa não tem
um único centro ou voz dominante, e essa é precisamente uma das suas
maiores virtudes.

AGUALUSA, J. E. O Globo, 8 maio 2021 (adaptado)

Nesse texto, o termo “Aliás” articula dois enunciados envolvidos numa mesma
relação argumentativa, construindo, para o segundo, uma ideia de

a) questionamento da origem da língua portuguesa.


b) semelhança de condições sociais dos falantes do português.
c) acréscimo de fato comprobatório sobre a língua portuguesa.
d) comparação entre o português brasileiro e o europeu.
e) relevância do português sobre o inglês e o francês.

Questão 14

A neozelandesa Laurel Hubbard fez história nos Jogos Olímpicos. Apesar de ter
ficado de fora da disputa por medalhas, a levantadora de peso deixou sua marca
na edição de Tóquio por ser a primeira mulher abertamente transgênero a
participar de uma competição olímpica. No início da carreira, na década de 1990,
a neozelandesa participava de disputas na categoria masculina. Em 2001, aos 23
anos, ela se afastou da atividade. “A pressão de tentar me encaixar em um
mundo que talvez não tenha sido feito para pessoas como eu se tornou um
fardo muito grande para suportar” Em 2012, Laurel começou sua transição de
gênero por meio de terapias hormonais e, em 2013, declarou abertamente ser
uma mulher trans. Para o Comitê Olímpico Internacional, a participação de
mulheres trans nos Jogos é permitida caso o nível de testosterona, hormônio
que aumenta a massa muscular, esteja abaixo de 10 nanomols por litro por pelo
menos 12 meses.

Disponível em: [Link] Acesso em: 18 nov. 2021 (adaptado).

No texto, os limites do potencial inclusivo do esporte são dados pela

a) dificuldade de conseguir bons resultados esportivos.


b) dependência de características biológicas padronizadas.
c) inexistência de uma categoria para pessoas transgênero.
d) necessidade de afastamento temporário das competições.
e) impossibilidade de uso controlado de substâncias exógenas.

Questão 15

Chega um momento em que a tensão eu/mundo se exprime mediante uma


perspectiva crítica, imanente à escrita, o que torna o romance não mais uma
variante literária da rotina social, mas o seu avesso; logo, o oposto do discurso
ideológico do homem médio. O romancista “imitaria” a vida, sim, mas qual vida?
Aquela cujo sentido dramático escapa a homens e mulheres entorpecidos ou
automatizados por seus hábitos cotidianos. A vida como objeto de busca e
construção, e não a vida como encadeamento de tempos vazios e inertes. Caso
essa pobre vidamorte deva ser tematizada, ela aparecerá como tal, degradada,
sem a aura positiva com que as palavras “realismo” e “realidade” são usadas nos
discursos que fazem a apologia conformista da “vida como ela é”... A escrita da
resistência, a narrativa atravessada pela tensão crítica, mostra, sem retórica nem
alarde ideológico, que essa “vida como ela é” é, quase sempre, o ramerrão de
um mecanismo alienante, precisamente o contrário da vida plena e digna de ser
vivida.
É nesse sentido que se pode dizer que a narrativa descobre a vida verdadeira,
e que esta abraça e transcende a vida real. A literatura, com ser ficção, resiste à
mentira. É nesse horizonte que o espaço da literatura, considerado em geral
como lugar da fantasia, pode ser o lugar da verdade mais exigente.

Alfredo Bosi. “Narrativa e resistência”. Adaptado.

O conceito de resistência, expresso pela tensão do indivíduo perante o mundo,


adquire perspectiva crítica na escrita do romance quando o autora

a) rompe a superfície enganosa da realidade.


b) forja um realismo rente à vida mesquinha.
c) é neutro ao figurar a vacuidade do presente.
d) conserva o discurso positivo da ordem.
e) consegue sobrepor a fantasia à verdade.

Questão 16

Por volta do ano de 700 a.C., ocorreu um importante invento na Grécia: o


alfabeto. Com isso, tornou–se possível o preenchimento da lacuna entre o
discurso oral e o escrito. Esse momento histórico foi preparado ao longo de
aproximadamente três mil anos de evolução e da comunicação não alfabética
até a sociedade grega alcançar o que Havelock chama de um novo estado de
espírito, "o espírito alfabético", que originou uma transformação qualitativa da
comunicação humana. As tecnologias da informação com base na eletrônica
(inclusive a imprensa eletrônica) apresentam uma capacidade de
armazenamento. Hoje, os textos eletrônicos permitem flexibilidade e feedback,
interação e reconfiguração de texto muito maiores e, dessa forma, também
alteram o próprio processo de comunicação.

CASTELLS, M. A. Era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz e Terra,
1999
(adaptado).

Com o advento do alfabeto, ocorreram, ao longo da história, várias implicações


socioculturais. Com a Internet, as transformações na comunicação humana
resultam
a) da descoberta da mídia impressa, por meio da produção de livros,
revistas, jornais.
b) do esvaziamento da cultura alfabetizada, que, na era da informação,
está centrada no mundo dos sons e das imagens.
c) da quebra das fronteiras do tempo e do espaço na integração das
modalidades escrita, oral e audiovisual.
d) da audiência da informação difundida por meio da TV e do rádio, cuja
dinâmica favorece o crescimento da eletrônica.
e) da penetrabilidade da informação visual, predominante na mídia
impressa, meio de comunicação de massa.

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