Ligações Rebitadas
As ligações rebitadas são ligações em que se utilizam peças adicionais designadas “rebites”. O rebite tem
uma haste que se introduz em furos executados nas peças. Posteriormente, deforma-se plasticamente a
extremidade saliente da haste para constituir a ligação.
As ligações rebitadas fazem parte das ligações fixas (não desmontáveis), apesar de ser possível destruir
os rebites para separar as peças. O processo de fixação do rebite nas peças, com formação da segunda
cabeça, chama-se “rebitagem” ou “cravação”.
Geralmente, a cravação do rebite começa com a abertura de furos coincidentes nas peças a unir. Por
estes furos faz-se passar a haste do rebite e golpeia-se a extremidade da haste do rebite de forma que
esta se deforme e comprima fortemente as peças a unir.
A cravação do rebites pode ser feita a quente ou a frio. Quando os rebites são feitos de aço, com diâmetro
até 10...12mm ou quando os rebites são feitos de cobre, latão ou ligas leves, a rebitagem pode ser feita a
frio. Os rebites de aço de maiores diâmetros são aquecidos até ao rubro claro.
A rebitagem pode ser manual (com martelo), fig.1 ou mecanizada, fig.2. Quando se rebita usando uma
máquina a qualidade da rebitagem melhora e o processo é mais económico e mais rápido. Porém, é
preciso usar um sujeitador.
Fig. 1 – Rebitagem manual
1 – cabeça rebitada ou golpeada, 2 – haste, 3 – cabeça original ou de assentamento
4 – assento (suporte, maçacoto)
Fig. 2– Rebitagem à máquina
1 – haste, 2 – cabeça golpeada (de travamento), 3 – cabeça original (de assentamento)
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Quando a rebitagem é feita a quente, a união das peças fortalece devido à contracção térmica do rebite
durante o arrefecimento, podendo atingir-se o limite de tensão do material em alguns pontos do rebite.
Vantagens e Desvantagens
Apesar de serem relativamente pouco utilizados por causa do desenvolvimento de outras técnicas de
junção de peças, as ligações rebitadas têm alguns méritos que convém analisar.
As vantagens mais notórias das ligações rebitadas são:
a) Bom comportamento na presença de cargas pulsantes acentuadas, melhor que as ligações
soldadas.
b) Execução geralmente simples e pouco dispendiosa.
c) Possibilidades de utilização para unir peças de materiais distintos, difíceis de soldar e para
materiais que não toleram o calor da soldadura.
d) Controle de qualidade simples (o som resultante do percussão).
e) Possibilidade de desfazer a ligação em caso de necessidade, cortando as cabeças dos rebites
(tornando a ligação “desmontável”).
f) A destruição de um rebite não se propaga aos restantes rebites da ligação.
Dentre as desvantagens contam-se:
a) Relativamente grande gasto de metal e de mão-de-obra para operações complementares (furar,
marcar, mandrilar os furos).
b) Um maior gasto de metal, em comparação com as ligações soldadas: 3,5... 4% da massa de
construção atribui-se aos rebites, ao posso que nas ligações soldadas só é 1... 1,5%.
c) Redução da resistência do material (debilitação) por causa dos furos: 13... 42%, o que é maior que
nas ligações soldadas: 10... 40%
d) Menor produtividade que a soldadura.
Classificação
• As ligações por rebites podem ser classificadas em dois/três grandes grupos:
• Ligações resistentes
• Ligações estanques (herméticas)
• Ligações resistentes- estanques
As ligações estanques devem garantir a hermeticidade e são tipicamente usadas em reservatórios de
baixa pressão.
As ligações resistentes devem suportar cargas de trabalho significativas (conjuntos de máquinas, pontes,
estruturas metálicas de construções, etc.).
Há ligações que devem ser simultaneamente herméticas e resistentes: são as ligações resistentes-
estanques (caldeiras, colectores de gás, tanques de pressão, etc.)
As ligações rebitadas também podem ser classificadas de acordo com a disposição mútua das peças
ligadas:
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- Juntas de topo (com cobre-junta)
- Juntas sobreposta
As ligações rebitadas podem ser monofilares ou multifilares Também se pode classificar segundo a
disposição das filas de rebites:
- Disposição em filas
- Disposição alternada
Tipos de rebites.
Os tipos de rebites podem ser distinguidos utilizando diferentes critérios. Em função da secção transversal
da haste podem ser diferenciadas em maciços (inteiriços), ocos e semi-ocos. Há muitos tipos de cabeças
de rebites.
Quando não é possível formar a segunda cabeça segundo os procedimentos normais, podem ser usados
os rebites semi-ocos (explosivos) fi3.3 a). A cravação destes rebites é feita colocando uma peça de
encosto quente na cabeça do rebite, de forma que esse é aquecido depois de introduzido no orifício. O
calor da peça de encosto acaba por detonar a mistura explosiva na extremidade oposta da haste,
expandindo-a e cravando o rebite no lugar.
Tal como para os rebites explosivos, os rebites com vareta interior, fig.3 b), também se usam quando não
há acesso do outro lado, para formar a segunda cabeça. Estes rebites são ocos e têm no seu interior uma
vareta com uma extremidade avolumada e uma haste com ou sem concentrador de tensões, na forma de
uma ranhura. Durante a cravação, a vareta é puxada para o exterior, expandindo as paredes internas do
rebite e formando, deste modo, a segunda cabeça.
fig. 3 - Tipos de rebites
Estrutura das Uniões e Carga
É comum projectar-se a união sabendo-se qual é o número de rebites mas também se pode calcular o
número de rebites necessários. A disposição dos rebites tem implicações na distribuição das cargas entre
os mesmos
a) Quando os rebites estão dispostos numa fila, perpendicular à linha de acção das forças,
consegue-se uma boa distribuição de carga entre os rebites mas é preciso ter uma grande largura
das peças ligadas.
b) Quando os rebites se dispõem numa fila paralela à linha de acção das forças, a largura necessária
das peças é pequena mas a distribuição da carga é irregular.
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c) A disposição em linhas e colunas é um caso intermédio tanto em termos de tensões como em
termos de dimensões.
Sempre que possível, deve-se reduzir o efeito negativo da redução da secção de trabalho das peças por
causa dos furos. Um dos meios de conseguir isto é a alternação das posições dos rebites em filas
consecutivas.
Tipos de Destruição e Cálculo das Ligações Rebitadas
A haste do rebite pode ser destruido por cargas estáticas que provocam cisalhamento.
Independentemente do tipo de ligação (com ou sem folga) o cisalhamento pode provocar a rotura da hasta
e da ligação
O cálculo das ligações rebitadas é feito com base em recomendações, nas quais se escolhem os passos
dos rebites (t), os diâmetros (d), as espessuras das cobrejuntas ( δ1) e as bainhas (e)
As vibrações podem causar a rotura de rebites cravados a quente, por acção conjunta de esforços de
tracção e flexão. Quando a bainha da ligação (distância até ao rebordo, "e") é pequena, as peças
podem romper-se por insuficiência na resistência ao cisalhamento.
Se a distância entre os rebites for pequena, a secção remanescente das peças pode romper por
insuficiência na resistência à tracção. Quando as peças têm uma pequena espessura pode ocorrer o
esmagamento dos rebites ou das peças, por excesso de compressão.
Supondo que para um conjunto de rebites numa ligação de pecas, há uma carga Ft que age sobre o
conjunto, cada rebite está sujeito a uma carga Fi determinada pela seguinte expressão:
Onde: z - é o número de rebites que repartem a força Ft, na ligação.
Para a resistência ao corte dos rebites:
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Para a resistência ao esmagamento dos rebites/peças:
Para a resistência das peças ao corte:
Para a resistência das peças à tracção:
onde:
z - é o número de rebites que repartem a força
i - é o número de planos cisalhantes.
δmin - é a espessura da peça mais fina na ligação
b - é a largura das peças unidas
t – é o passo entre os rebites
Ft – é a força total sobre a ligação
Fi – é a força por cada rebite da ligação