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Ética na Docência: Princípios e Práticas

O trabalho reflete sobre a conduta ética dos docentes e sua importância na formação de valores éticos dos cidadãos. Utilizando o pensamento de Paulo Freire, discute a relação entre ética e educação, enfatizando a necessidade de uma formação ética para educadores que promova a cidadania. O estudo busca contribuir para uma compreensão mais profunda da ética na prática docente e seu impacto no ambiente escolar.

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Eliude Rubem
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Ética na Docência: Princípios e Práticas

O trabalho reflete sobre a conduta ética dos docentes e sua importância na formação de valores éticos dos cidadãos. Utilizando o pensamento de Paulo Freire, discute a relação entre ética e educação, enfatizando a necessidade de uma formação ética para educadores que promova a cidadania. O estudo busca contribuir para uma compreensão mais profunda da ética na prática docente e seu impacto no ambiente escolar.

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A CONDUTA ÉTICA DOS DOCENTES NO ESPAÇO ESCOLAR

Ana Cláudia de Faria Lima1


Olímpia Vaz dos Santos Silva2

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo refletir sobre o conjunto de princípios do agir
ético dos profissionais docente. Tem em vista responder à seguinte questão problema:
De que forma a Educação/Escola contribui na formação de valores éticos do (a)
cidadão (ã)?. Utilizando do pensamento pedagógico de Paulo Freire e outros autores
para conceitos de ética e educação, abordando o pensamento e a prática do agir ético
entre os educadores. O exercício da docência, implica fundamentalmente nas
relações no interior da sala de aula, quanto aos conteúdos, os métodos e as técnicas
de ensino, o processo de avaliação, os objetivos e as finalidades do ensino, a relação
entre o professor e o aluno, a relação entre professor / professor, a construção social
e a profissionalização do docente.

Palavras-chave: Ética; Educação; Ética Profissional

ABSTRACT

The present work aims to reflect on the lack of knowledge of the set of principles of
ethical behavior of teaching professionals. It aims to answer the following problem
question: How does Education/School contribute to the formation of ethical values of
the citizen (ã)?. Using the pedagogical thought of Paulo Freire and other authors for
concepts of ethics and education, approaching the thought and practice of ethical
action among educators. The exercise of teaching fundamentally implies the
relationships within the classroom, regarding the contents, methods and teaching
techniques, the evaluation process, the objectives and purposes of teaching, the
relationship between the teacher and the student, the relationship between professor
/ professor, the social construction and professionalization of the professor.
Keywords: Ethic; Education; Professional ethics

1. INTRODUÇÃO

O presente artigo aborda sobre a conduta ética do docente na construção de sua


identidade profissional e a contribuição para a construção de um agir ético no mundo

1 Graduanda do Curso de Licenciatura em Pedagogia do Instituto Federal Goiano – Campus Iporá –


[Link]@[Link].
2 Pedagoga, Pós-Graduada em Metodologia da Educação Superior e Administração Escolar.

Professora da Educação Básica da Rede Estadual de Goiás. E-mail: olimpiavaz2021@[Link].


globalizado, no qual exige do professor o abandono de conceitos que já são
ultrapassados para os dias atuais.
A relação entre a ética e a educação é fundamental no desenvolvimento
educacional, refletindo de forma direta na formação integral do aluno. A ética é
indispensável na vida profissional docente e visando esta importância, este artigo tem
como objetivo investigar sobre a necessidade da formação ética do educador,
explanar de forma abrangente os conceitos da ética e da educação para entender sua
relação e olhar e a partir desse entendimento, aplicar na prática de situações do
cotidiano promovendo plenamente a cidadania.
A formação ética tem uma grande e determinante influência na vida pessoal de
todos os segmentos da escola, tanto no pedagógico, administrativo, quanto no
funcional e alunos da escola. Portanto é necessária uma formação que encoraje o
professor a desenvolver sua criticidade e que reflita sobre suas ações, adotando os
princípios do respeito, da justiça, da solidariedade, e da empatia para com o outro.
O interesse pelo tema A CONDUTA ÉTICA DOS DOCENTES NO ESPAÇO
ESCOLAR baseia-se na necessidade de realizar um estudo mais aprofundado sobre
essa questão, sobretudo neste momento tão complexo de aulas remotas, inversão de
valores e uma crise no cenário educacional, valores humanos e morais. Não se trata
de um tema novo, mas baseado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e
teóricos como Paulo Freire, que o tema teve um enfoque apresentando uma nova
modelagem para a sala de aula, valorizando o aluno, suas capacidades intelectuais,
sua realidade, suas concepções prévias, atendendo as exigências do novo cenário
sócio educacional transformando o aprendizado em algo significativo.
Ressaltar sobre a importância de uma atuação docente com ética, neste trabalho,
tem como objetivo, demonstrar a necessidade de realizar uma prática pedagógica
embasada em princípios éticos, pois ele pode mudar seu ambiente, através de suas
reações, ante as manifestações no meio em que se encontra. É indiscutível a
importância de introduzir os temas relacionados à ética como parte dos conteúdos
educativos, para que professores e alunos possam transformar suas condutas,
através de uma educação que se preocupa consensualmente com a cidadania.
Justificando a escolha do tema, esta se deu devido toda problemática que a
educação vivencia atualmente, tornando-se necessário considerar a ética como uma
das questões imprescindíveis para o processo educacional. É de grande relevância
exercer a ética e a cidadania na escola, desse modo, os educadores desempenhem
papeis fundamentais com responsabilidade e compromisso, permitindo assim um
melhor relacionamento com os alunos, famílias e profissionais da educação.
Diante do exposto, uma questão nos leva à reflexão e serve de ponto de partida
para a realização deste trabalho: De que forma a Educação/Escola contribui na
formação de valores éticos do (a) cidadão (ã)?
O estudo é relevante posto que se demanda um comportamento ético dos
profissionais docentes, dado que o correto comportamento ético, além de outros
fatores é influenciado pelo ensino da ética profissional voltado para a profissão
docente durante a formação de nível superior enquanto discentes.
Sendo assim, este trabalho busca contribuir com um maior entendimento sobre a
conduta ética do profissional docente, e como o agir ético pode contribuir para uma
atuação profissional mais transparente.
O trabalho está estruturado em quatro seções. Após a presente introdução,
encontra-se a fundamentação teórica, onde são abordados os tópicos: o conceito de
ética, mais especificamente uma ética que reconheça a condição do ser humano e
sua complexidade. Em seguida foi pesquisado um conceito de ética profissional e as
virtudes necessárias para o exercício de uma profissão com ética. Baseando em obras
como a Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire que leva à uma reflexão sobre a
ética do comportamento do professor, dentre outros autores e realizando uma
interpretação com o objetivo, não de resolver todas a questão formulada no início,
mas de estabelecer um padrão de comportamento e de reflexões que indiquem uma
conduta ética, e a partir desse entendimento, aplicar na prática de situações do
cotidiano promovendo plenamente a cidadania. Já a terceira seção trata da
metodologia utilizada para o desenvolvimento do estudo, sendo seguida pela última
seção que apresenta as conclusões do estudo.
2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 ÉTICA
A ética tornou-se um tema de grande relevância, mesmo nos momentos em
que aparece somente em discursos vazios eticamente. No entanto para desenvolver
uma pesquisa sobre a conduta ética profissional do docente, primeiro é necessário
uma definição sobre o que se entende por ética.
A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos
homens em sociedade. Ou seja, é ciência de uma forma
específica de comportamento humano. A nossa definição
sublinha, em primeiro lugar, o caráter científico desta disciplina;
isto é, corresponde à necessidade de uma abordagem científica
dos problemas morais. De acordo com esta abordagem, a ética
se ocupa de um objeto próprio: o setor da realidade humana que
chamamos moral, constituído – como já dissemos – por um tipo
peculiar de fatos ou atos humanos. Como ciência, a ética parte
de certos tipos de fatos, visando descobrir-lhes os princípios
gerais. Neste sentido, embora parta de dados empíricos, isto é,
da existência de um comportamento moral efetivo, não pode
permanecer no nível de uma simples descrição ou registro dos
mesmos, mas os transcende com seus conceitos, hipóteses e
teorias. Enquanto conhecimento científico, a ética deve aspirar
à racionalidade e objetividade mais completas e, ao mesmo
tempo, deve proporcionar conhecimentos sistemáticos,
metódicos e, no limite do possível, comprováveis. (VAZQUEZ,
2003, p. 23)

Partindo desta definição percebe-se que a ética não é a própria moral, mas a
moral é o objeto de estudo da ética em caráter científico. Desta forma, a ética trata de
uma questão propriamente humana, sobre os comportamentos e princípios de vida.
Vázquez (2003), afirma que a solução de problemas com ética, não significa
que é uma regra para todo comportamento humano, pois a solução de cada situação
é individual, mas esta pode determinar regras sobre como refletir sobre um
determinado comportamento, generalizando, e elaborando princípios para que o
indivíduo possa realizar sua conduta dentro de padrões de ética.
A relação entre ética e moral, pode ser compreendida no quadro abaixo:
MORAL ÉTICA
1- Pensada no particular. 1- Pensada no universal.
2- Praticada no universal 2- Praticada no particular.
3- Normas ou regras de comportamentos 3- Não pode ser reduzida a um conjunto de
adquiridos por hábitos . normas e prescrições.
4- Objeto da reflexão Ética. 4- Explicita a essência e a origem da moral.
5- Não tem caráter científico. Algumas vezes é 5- Visualiza as condições objetivas e subjetivas
incompatível com a ciência. dos atos morais.
6- Depende de cada sociedade ou grupo. Está em 6- Determina a natureza e a função dos juízos
constante transformação. morais: princípios gerais.
7- Ação prática, comportamento humano. 7- Reflexão, pensamentos, teoria. Precede a
ação.
Fonte: Alcântara (2016), adaptado do texto de Sanchez Vázquez (2002).
Assim sendo, em cada campo do comportamento humano devem ser
analisados os problemas morais enfrentados, refletir cuidadosamente sobre eles,
fazer juízo de valor, encontrar soluções, e reflexões do significado de ética,
possibilitando ao indivíduo ter a consciência de ser humano, de estar reunido com
outros relacionado à mesma espécie, e reconhecer a complexidade e a condição do
ser humano.
No espaço escolar, os problemas acontecem constantemente na relação
professor/aluno, bem como na relação professor/instituição de ensino. Como solução
para cada caso, deve-se atentar a compreensão da condição de ser humano dos
envolvidos e aos princípios de comportamento para se determinar uma conduta ética
na resolução de tais conflitos.
Após a investigação sobre a definição de ética, a pesquisa passa para analisar
a definição de ética profissional como âmbito geral, e depois a indagação da ética
profissional na profissão de docente, com suas características específicas.

2.2 ÉTICA PROFISSIONAL


Lisboa et al (1997) define o objeto da Ética como o estudo do comportamento
humano e o seu objetivo é estabelecer níveis de convivência aceitáveis entre os
indivíduos de uma sociedade. Assim sendo, agir eticamente é saber conviver em
sociedade, e isso não significa perda de valores individuais, mas a permissão do
crescimento coletivo.
Trata-se do crescimento obtido pela ação ética consciente, o que torna um
diferencial não só na atuação das pessoas, mas de empresas e profissionais. Com o
mercado cada vez mais competitivo, a atitude dos profissionais em relação às
questões éticas pode ser a diferença entre o seu sucesso e o seu fracasso. Qualquer
ação que não seja pautada nos princípios éticos, a imagem do será marcada pela
mancha da desconfiança.
Sá (2001), faz a seguinte afirmação, “como profissional, o indivíduo atua dentro
de um sistema e é necessário que ele respeite a ordem deste sistema, para que possa,
com ética, ter sucesso como indivíduo”. O profissional dever seguir a ordem do
sistema no qual está inserido, para que o trabalho de todos aconteça de maneira
harmônica, facilitando o trabalho em equipe e o alcance dos objetivos da organização.
Agir profissionalmente, com ética, significa dar a importância necessária ao
exercício da profissão, mas tal consciência tem sido difícil, ainda mais em um mundo
competitivo, imediatista com uma cultura individualista e consumista, o que faz que os
conceitos sociais das profissões fiquem em segundo plano.
O profissional que trabalha somente pelo salário não tem a consciência do
quanto a sua atuação contribui para o social e a construção do bem comum.
Como o número dos que trabalham, todavia, visando
primordialmente ao rendimento, é grande, as classes procuram
defender-se contra a dilapidação de seus conceitos, tutelando o
trabalho e zelando para que uma luta encarniçada não ocorra na
disputa dos serviços. Isto porque ficam vulneráveis ao
individualismo. A profissão, como a prática habitual de um
trabalho, oferece uma relação entre necessidade e utilidade, no
âmbito humano, que exige uma conduta específica para o
sucesso de todas as partes envolvidas – quer sejam os
indivíduos diretamente ligados ao trabalho, quer sejam os
grupos, maiores ou menores, onde tal relação se insere. (SÁ,
2001, pag. 111 e 137).

Assim como em todas as profissões, o comportamento do professor em sala


de aula também dever ser pensado, pois existe a necessidade de atender regras de
comportamento em relação aos alunos, à Instituição em que trabalha, bem como aos
colegas de classe. Uma conduta antiética atinge não só o equilíbrio de uma sala de
aula, mas de todo o sistema de educação.
Acerca deste posicionamento, fica claro a importância da ética nas profissões,
segundo Lisboa (1997, pag.25):
Não há sociedade que progrida com firmeza por muito tempo,
que se mantenha politicamente consistente, que ofereça bem
estar social a seus membros, nem profissão que se imponha
pelo produto de seu trabalho que se faça reconhecer por seus
próprios méritos, sem que esteja a Ética a servir de cimento a
fortalecer sua estrutura, de amarras a suportar as tempestades,
de alicerce a suportar o crescimento e de raízes e seiva para
garantir a sobrevivência dessa sociedade ou dessa profissão.
Sem Ética, a sociedade não se estrutura de forma permanente;
e uma profissão também não.
Em seus estudos Sá (2001), destaca algumas virtudes exercidas pelo
profissional ético, no desempenho da sua profissão, sendo elas imprescindíveis em
todas as profissões:
Exercício do Zelo – o zelo representa a responsabilidade do
profissional com o objeto do trabalho. Mais ainda, é uma questão
da própria imagem do profissional, pois demonstra a qualidade
de seu serviço. O zelo requer que, mesmo em situações
extremas, em que aparentemente a solução é muito difícil, o
profissional tem que primar pelo empenho e a responsabilidade
profissional.
Honestidade – o profissional recebe a confiança daquele que
utiliza seus serviços, por isso ser honesto significa ter
responsabilidade perante o bem e a felicidade de terceiros.
Virtude do sigilo – quando o profissional tem conhecimento de
um fato, por meio de suas atividades, ele tem o dever de manter
o sigilo. Isso determina um comportamento moral sobre fatos de
terceiros.
Virtude da Competência – ter competência significa estar
habilitado para a prática de uma determinada profissão, ou seja,
conhecer as técnicas do exercício da profissão, bem como toda
a parte científica sobre o tipo de profissão que exerce. A
competência é importante para a credibilidade do profissional e,
por consequência, evita o cometimento de erros que possam
causar danos aos envolvidos na atividade profissional a
desempenhada pela profissional que foi confiado. (SÀ, 2001,
pág. 194)

O agir eticamente dentro do ambiente de trabalho, determina que o profissional


sempre deve estar atento em relação às técnicas e práticas da profissão que exerce.
“O conhecimento é algo que se deve exercer com imenso amor e abrangência. Um
bom profissional precisa dominar a história de seu ramo, a doutrina científica, a
filosofia e toda a tecnologia pertinente às tarefas que executa, atualizando se sempre
em todos os aspectos”. (SÁ, 2001, p. 195)
Assim, evidenciada a relevância da ética no contexto profissional, se faz
importante que os profissionais entendam ao papel da ética, posto que o agir
eticamente correto, tem por finalidade influenciar diretamente no
desenvolvimento da organização.

2.3 ÉTICA E EDUCAÇÃO


Muitas profissões têm sua regulamentação, e os seus profissionais lutam
estabelecendo diretrizes ético-profissionais que se constituem, muitas vezes, a nível
à serem perseguidos, tendo em vista a valorização social do profissional. Assim, é
possível também investigar a respeito da imagem do profissional da Educação e a
respeito da regulamentação da profissão docente, deixando claro a importância do
código de ética docente.
A relação entre ensino e aprendizagem não é apenas de conhecimento do
professor que ensina para o aluno que aprende, mas sim, uma relação que tem que
haver reciprocidade. Mendes (2000), afirma que é preciso inverter a posição até então
considerada tradicional, aquela em que o aluno fica numa situação passiva e o
professor na ativa. Neste sentido, o aluno é que deve ser agente ativo do processo e
o professor, antes apenas um agente de mudança, deve ser o facilitador do processo
de ensino e aprendizagem.
Refletir sobre a dimensão ética como objetivo do trabalho docente implica olhar
para o próprio exercício da sua profissão. Neste necessariamente evidenciam
comportamentos que interessam aos alunos, aos pais, aos seus pares, à instituição
escolar em que o professor exerce a sua profissão e à própria sociedade na qual ele
está inserido.
Os PCNs apontam que apesar da preocupação com a educação em valores no
Brasil ser muito mais antiga, tomou o corpo de lei apenas com a LDB de 1961,
desdobrando-se na implementação da antiga disciplina de Educação Moral e Cívica a
partir de 1971. O documento reconhece as iniciativas negativas da assunção da
educação moral por uma única disciplina e explicita que ela esteve marcada pelo
moralismo. Desse modo, o “convívio dentro da escola deve ser organizado de maneira
que os conceitos de justiça, respeito e solidariedade sejam vivificados e
compreendidos pelos alunos como aliados à perspectiva de uma vida boa”
(BRASIL,1997, p.91).
De acordo com Tardif (2001), a ética enquanto manifestação cultural é um
estruturante essencial ao processo de trabalho. Ou seja, a ética está implicada
inerentemente nas relações sociais expressadas no processo de trabalho,
particularmente na tarefa docente.
Por outro lado, a dimensão ética da profissão docente tem-se revelado um
campo fértil à investigação sobre a formação de professores. Aliás, a dimensão ética
é sustentável como um de seus eixos, desde que pautada por um conjunto de
princípios e normas voltados a orientar o exercício profissional docente. (CUNHA,
1996; ALTAREJOS et al.,1998).
As palavras de Paulo Freire (1996) incitam a difícil compreensão da educação
enquanto profissão do humano:
“(…) Gostaria, por outro lado, de sublinhar a nós mesmos,
professores e professoras, a nossa responsabilidade ética no
exercício de nossa tarefa docente.
(…) Não é possível pensar os seres humanos longe, sequer, da
ética, quanto mais fora dela. Estar longe ou pior, fora da ética,
entre nós, mulheres e homens, é uma transgressão. É por isso
que transformar a experiência educativa em puro treinamento
técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano
no exercício educativo: o seu carácter formador. Se se respeita
a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode
dar-se alheio à formação moral do educando. Educar é
substantivamente formar.” (PAULO FREIRE, 1996, PAG. 18)

De acordo com Vázquez (1988), a palavra ética se origina diretamente do latim


ethica, e, indiretamente, do grego ηθική, que apresentam vários significados como:
costume ou hábito; morada, estância, residência, o abrigo permanente, casa; caráter,
índole natural, temperamento, conjunto de disposições físicas e psíquicas de uma
pessoa, referindo-se à conduta humana positiva ou negativa.
Sendo a ética determinante no comportamento e atitudes do sujeito, a
educação atual tem como objetivo a comunicação, por meio de estratégias
integradoras, mobilizar individual e coletivamente, identificando limites e
possibilidades, através das ações dos docentes para atuar frente às novas mudanças.
É importante ressaltar que existe uma confusão entre as palavras Ética e moral.
Esta confusão pode ser resolvida com os conceitos dos dois temas, sendo que moral
é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e
estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. Durkheim
(2008) “afirma que a moral é sempre uma construção social, de modo que não seja
eterna, nem absoluta e inscrita em qualquer forma superior de razão, e cuja origem é
a sociedade”. Já a palavra Ética, é definida como um conjunto de valores que orientam
o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que
vive, garantindo, outrossim, o bem-estar social, ou seja, Ética é a forma que o homem
deve se comportar no seu meio social. (MOTA 1984).
Durkheim (2008, pag. 28) explica, a educação moral no contexto de uma escola
pública
Decidimos dar às nossas crianças, em nossas escolas, uma
educação que fosse puramente laica: com isso, se deve
entender uma educação que abdica de qualquer referência aos
princípios sobre os quais repousam as religiões reveladas, que
se apoia exclusivamente sobre ideias, sentimentos e práticas
que se justificam unicamente pela razão, em uma palavra, uma
educação puramente racionalista.

A Moral sempre existiu, pois, todo ser humano possui a consciência Moral que
o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando
o homem passou a fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades
primitivas, nas primeiras tribos. A Ética teria surgido com Sócrates, quando o filósofo
investiga e explica as normas morais que o leva a agir não só por tradição, educação
ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. DURKHEIM (2008).
Dessa forma, a ética é essencial em todos os aspectos da vida, seja profissional
ou social, no tempo presente e no futuro, visando tanto a realização individual quanto
as convivências sociais.
O dia a dia dos profissionais de educação é, então, feito de problemáticas, de
dilemas que originam tensões, situações de incerteza e conflito de alternativas que
muitas vezes não se harmonizam e que envolvem forças que se opõem, Fernandes
(2000).
Sendo assim, é necessário, que o professor invista em sua formação para que
ele possa aprimorar e reconstruir seus saberes, muitas vezes vindos de uma
educação tradicional, o que deixa de demonstrar seus valores sociais, éticos, culturais
e epistemológicos impedindo uma visão sistêmica do meio em que está inserido.
A ética, na escola, não poderia ser ensinada por meio de lições de moral. Deve-
se ensinar com base na consciência de que o humano é, ao mesmo tempo, indivíduo,
parte da sociedade, todo desenvolvimento verdadeiramente humano deve
compreender o desenvolvimento individual, comunitário e da consciência de pertencer
à espécie humana. Partindo disso, é importante estabelecer uma relação de controle
mútuo entre a sociedade e os indivíduos. A educação deve contribuir não somente
para a tomada de consciência de nossa “Terra-Pátria”, mas também permitir que esta
consciência se traduza em vontade de realizar a cidadania terrena (MORIN, 2005).
Para Morin (2005), há sete saberes fundamentais que a educação do futuro
deveria tratar em toda sociedade e em toda cultura:
Fonte: Google Imagens.
As considerações de Morin (2005), apresenta reflexões a todos os educadores
interessados em estudar e repensar os objetivos das instituições de ensino de todos
os níveis e modalidades de educação, contrapondo aos que defendem que o ensino
se destina exclusivamente à formação de pessoal para o mercado de trabalho e se
esquecem que influi expressivamente na vida dos indivíduos e nos destinos da
sociedade.
Com base nisso, não podemos nos esquecer que estamos vivendo um
momento oportuno para a reflexão e a ação em prol da formação ética. Para
evidenciar as múltiplas dimensões que a tarefa docente impõe, Freire afirma ser
inerente ao papel do educador “não apenas ensinar os conteúdos, mas também
ensinar a pensar certo”. Esse pensar certo, por sua vez remete a uma busca de leitura
da realidade que deve permanecer vinculada à pureza, “à rigorosidade ética e deve
ser também geradora de boniteza, logo tem uma dimensão estética e criadora”
(FREIRE, 1996, p. 30).
Para Freire, ensinar a ética é poder perceber as virtudes que são exigidas ao
ato de ensinar e aprender, que não são poucas. E como ele mesmo propõe, “deve-se
lutar por uma ética inseparável da prática educativa” e, esta luta se manifestará na
prática diária; para tanto é necessário “testemunhá-la, vivaz, aos educandos em
nossas relações com eles” (FREIRE, 1996, p. 17)
Em suma, não basta conhecer o conceito de Ética, é preciso, acreditar e viver
eticamente, preocupando-se com a formação de cidadãos conscientes, capazes de
poder transformar o mundo, colocando-se a serviço da formação integral do
educando, pois não há verdadeiro progresso, se não houver progresso moral. O
profissional docente deve defender abertamente os princípios e os valores éticos
aplicáveis a sua profissão, de tal modo a causar uma imagem construtiva e que no
desenvolver de suas atividades profissionais, possa ser visto como exemplo para uma
nova geração de profissionais.

2. 4 A ética e a identidade do professor


No decorrer dos anos o conceito de identidade está se tornando algo dinâmico.
Lago (1996), define identidade como “um ser que, no convívio com outros sujeitos,
constrói a consciência da realidade física e social como também a consciência de si
como sujeito, individualizando-se na medida em que se diferencia dos outros sujeitos”.
Cada ser humano tem uma forma de pensar e agir e de ser, isso vai se construindo
ao longo de sua vivencia no meio ao qual ele está inserido.
Maheirie (2002) afirma que:
A constituição da identidade tem a marca da ambiguidade, da
síntese inacabada de contrários, daquilo que é individual e
coletivo, daquilo que é próprio e alheio, daquilo que é igual e
diferente, sendo semelhante a uma linha que aponta ora para
um polo, ora para outro. A utilização do conceito de identidade
nos permite desvelar os indivíduos, grupos ou coletividades,
localizá-los no tempo e no espaço, “identificando-os” como estes
e não outros, mesmo em metamorfose. (MAHEIRIE, 2002,
pág. 15)

Rios (2010), traz uma reflexão sobre a ética na construção da identidade, no


cotidiano do profissional docente e a necessidade da criação de um código de ética
para o docente. A autora ainda trata da diferença dos conceitos de ética e moral, onde
descreve a moral como o conjunto de valores, regras e normas, já a ética uma reflexão
sobre a moral.
O professor do século XXI, não é mais um transmissor de conhecimento
acadêmico, este tem outras funções como: “motivação, luta contra a exclusão social,
participação, animação de grupo, relações com estruturas sociais, com a
comunidade”. Diante disso, entende-se que o professor precisa de uma formação que
o torne reflexivo e participativo, servindo como referência na formação do profissional.
Porém, o autor relata que existe professores que continuam com práticas antigas,
enraizadas no tradicionalismo tornando quase um ciclo ilícito na profissão, impedindo
a inovação e criatividade na prática docente (IMBERNÓN, 2006, pag. 20).
2.5 A ética e o trabalho docente
O trabalho, como ação concreta, é o componente que desenvolve a produção
do ser social como ser histórico capaz de ser consciente livre, base de sua capacidade
de instituir-se como sujeito ético. A ética deve estar presente no dia a dia em situações
e relações pessoais, em todos os locais da sociedade. Simões (2005), considera a
ética como sendo uma resposta do grupo profissional, moral profissional e moral do
trabalho.
É comum no dia a dia escolar, relatos de certos problemas que podem
comprometer a eficiência e eficácia do processo ensino aprendizagem. Dentre eles
casos de desrespeito, de falta de limites, de assédio têm sido comuns, tais fatos nos
impõe o desafio de reinserir temas éticos morais da formação humana nos processos
educacionais em todas as suas dimensões (CAPORALI, 1997). Andrade(2002)
acrescenta que:
A escola é uma atividade social onde ações morais são
realizadas e discutidas diariamente diante de cada nova
situação. Os professores se deparam com situações
controversas e suas ações diante delas são formas de moral.
Tais ações necessitam de uma discussão mais profunda e
refletida. Esse é o papel da ética docente. Uma reflexão sobre a
ação docente de cada dia que em seu conjunto reflete uma
prática moral. E essa pratica carece de definição, reflexão e de
sistematização. Pois somente a partir de uma discussão
aprofundada e refletida sobre nas nossas ações seremos
capazes de emitir juízo ético (e não apenas morais) sobre a ação
docente e, consequentemente, sobre os valores da educação.
Isso permite a visualização de uma ética docente baseada em
princípios comuns nas exigências e demandas sociais e nos
meios adequados para alcança-los. (ANDRADE, 2006, p.52).

Os profissionais docentes precisam exercer suas atividades de forma ética


onde a virtude está nos princípios que defendem, dando exemplos morais a serem
seguidos pelos educandos que estão sob seus cuidados. O professor, precisa
trabalhar para que a escola seja um ambiente de formação intelectual e social, para
que os indivíduos possam construir o autodesenvolvimento.
Conforme afirma Foucault (1997):
O docente tem que cuidar de sua própria conduta, vigiar seus
pensamentos, zelar pela relação entre o que é dito e o que é
feito, é compromisso sem rivalidades de educadores e
intelectuais educacionais críticos. Os educadores críticos têm
que promover a arte da autorreflexão e da autodeterminação em
si próprios para que possam ensinar seus estudantes. Como
Sócrates já dizia, ao ensinar os cidadãos a ocuparem-se de si
mesmos se lhes ensina também a ocuparem-se da própria
cidade.

Paulo Freire (2006) recomenda uma prática educativa que pense sobre o
comprometimento e atribuições do educador, em relação à sala de aula, os limites da
ética, do que é “ser ético”. Feire almeja que o professor como educador, antes de
tentar construir valores éticos no ambiente de trabalho, consiga praticá-los em sua
vida.
Na obra Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire (2006), o autor chama
atenção sobre o comportamento ético do professor.
Gostaria, por outro lado, de sublinhar a nós mesmos,
professores e professoras, a nossa responsabilidade ética no
exercício de nossa tarefa docente. Sublinhar esta
responsabilidade igualmente àquelas e àqueles que se acham
em formação para exercê-la. Educadores e educandos não
podemos, na verdade, escapar à rigorosidade ética. Mas, é
preciso deixar claro que a ética de que falo não é a ética menor,
restrita, do mercado, que se curva obediente aos interesses do
lucro.... Falo, pelo contrário, da ética universal do ser humano.
Da ética que condena o cinismo do discurso citado acima, que
condena a exploração da força de trabalho do ser humano, que
condena acusar por ouvir dizer, afirmar que alguém falou. A ética
de que falo é a que se sabe traída e negada nos
comportamentos grosseiramente imorais como na perversão
hipócrita da pureza em puritanismo. A ética de que falo é a que
se sabe afrontada na manifestação discriminatória de raça, de
gênero, de classe. (FREIRE, 2006, P. 15).

O professor ao exercer seu trabalho, deve-se respeitar a realidade, identidade


e individualidade dos alunos e colegas de trabalho. Cada indivíduo tem uma história
de vida diferente, diversas culturas, regras e realidade na sociedade, é importante que
o professor sempre avalie suas atitudes, buscando constantemente mostrar uma
melhor maneira de conviver em um maior grupo na sociedade.
Em síntese, diante do cenário de mudanças de ensino e de aprendizagem dos
saberes culturais, entender criticamente a importância de sua profissão e a dimensão
ética do seu fazer, é um papel essencial na atividade docente. Ser um profissional
competente, nessas circunstâncias, não resulta apenas em dominar o conteúdo, o
conhecimento teórico, mas o entendimento e a resolução das situações problema do
dia-a-dia.
3. METODOLOGIA DA PESQUISA

Para a realização desde projeto foram utilizados procedimentos acadêmicos


que constituem a investigação científica: da escolha do assunto ao enunciado do tema
e do problema da investigação, com base na revisão teórica, no levantamento
documental.
Quanto à metodologia utilizada, este trabalho foi desenvolvido de forma teórica,
baseado no procedimento de cunho teórico-filosófico de revisão bibliográfica realizada
por meio de livros, artigos científicos e sites. Segundo Marconi e Lakatos (2010), a
pesquisa bibliográfica é o levantamento de toda a bibliografia já publicada, em forma
de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita.
Tendo um enfoque qualitativo, que estuda aspectos subjetivos de fenômenos
sociais e do comportamento humano. A abordagem qualitativa exige um estudo amplo
do objeto de pesquisa, considerando o contexto em que ele está inserido e as
características da sociedade a que pertence.
Dessa forma, Marconi e Lakatos (2010) explicam que a abordagem qualitativa
se trata de uma pesquisa que tem como premissa, analisar e interpretar aspectos mais
profundos, descrevendo a complexidade do comportamento humano e ainda
fornecendo análises mais detalhadas sobre as investigações, atitudes e tendências
de comportamento. Assim, o que percebemos é que a ênfase da pesquisa qualitativa
é nos processos e nos significados.
De acordo com Gil (2010), a pesquisa científica básica deve ser motivada pela
curiosidade e suas descobertas devem ser divulgadas para toda a comunidade,
possibilitando assim a transmissão e debate do conhecimento.
A pesquisa de natureza exploratória, a qual segundo Gil (2002), procura
explorar um problema, de modo a fornecer informações para uma investigação mais
precisa. Elas visam uma maior proximidade com o tema, que pode ser construído com
base em hipóteses ou intuições.
Assim, baseados em autores como Morin (2005); Freire (1996); Chauí (1988) e
outros, este trabalho se conclui pelas fundamentações, compreendendo que a
formação docente com compromisso ético parece atender grande parte das questões
que, são imprescindíveis à melhor compreensão das mudanças na educação.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Posto isto, pode-se perceber que o comprometimento ético dos docentes, o
compromisso e a responsabilidade profissional vai além da ciência, estes envolvem
dimensões sociais e política, onde a prática pedagógica precisa mostrar resultados na
formação do cidadão.
Compreende-se aqui a necessidade de que os educadores não devem se
preocupar apenas com o trabalho, pois o trabalho por si só já é extraordinário, estes
também devem se preocupar com a profissão docente e toda a classe educadora,
mostrar que a ética profissional, vai além de um discurso moralizador e idealista, e
torná-la, mais prática e real.
Percebe-se que a relação entre a ética e a educação, necessita de muitas
reflexões para que seja compreendido, que os processos educacionais e o ambiente
escolar se tornam mais saudáveis quando os profissionais têm atitudes éticas. Além
disso, as relações entre o educando, a família e a instituição de ensino serão mais
eficazes.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A ética é uma dimensão que faz parte de nosso dia-a-dia desde que nascemos.
Inclusive e comumente escutamos o jargão “educação vem do berço”, relacionando
essa mesma educação a um conjunto de virtudes.
Já a ética profissional pode ser compreendida como o campo da formação que
se constrói no processo evolutivo da consciência ética no mundo do trabalho. Não
envolve somente a figura do profissional, mas todas as partes da organização.
Assumir a ética profissional como forma de estar na profissão significa ter
compreendido da função social do trabalho, independente do campo em que o
profissional estiver atuando. Não obstante, ao se tratar do profissional docente, esta
precisa estar ainda mais em evidencia, pois, além de todos os atributos da profissão,
o docente é responsável pelo: sucesso escolar do educando/a, com vistas a que o
trabalho educacional contribua para a formação de um cidadão ético quer fará parte
de uma sociedade de distintos comportamentos.
Subsequente ao apresentado, percebe-se que não existem modelos de
comportamentos éticos para cada tipo de problema que possa ocorrer nas relações
da docência, no geral espera-se que o docente esteja preparado para o enfrentamento
dos dilemas no relacionamento com os alunos, com colegas de profissão e com as
instituições. A forma de enfrentamento e a resolução dos dilemas existentes na escola
pode resultar em decisões mais justas que considerem, além das perspectivas
acadêmicas e institucionais, também os aspectos humanos.
Neste sentido, o docente não pode exercer sua profissão com arrogância ou
diminuindo a capacidade de seu aluno, de colegas de trabalho, a ponto de reduzi-lo
como ser humano. O docente deve respeitar com humildade e inteligência, o aluno
que possui uma história de vida, que tenha formação cultural diferente proporcionando
reflexões sobre o agir corretamente possibilitando assim as transformações o
indivíduo.
A percepção da necessidade do respeito na relação docente-discente,
conforme Paulo Freire, se dá ao fato de que “ensinar exige consciência do
inacabamento”. Não somos detentores do conhecimento, não estamos prontos como
pessoas, pelo contrário, estamos em processo de construção, temos apenas um
conhecimento possível, e o outro indivíduo com quem convivemos tem um outro
conhecimento possível de experiências pela qual ainda não passamos.
Pensar que o ser humano é um ser acabado é estar fechado para a dinâmica
da vida, o que pode resultar em um ser hostil e com falta de solidariedade. Desta
forma, o espaço físico que se denomina como sala de aula é um ambiente constituído
pelas diversidades, e por isso deve ser um espaço aberto, onde o respeito, a
afetividade, e a busca por soluções de conflitos possa ser exercida e forma coerente
com a realidade de todos os seres envolvidos.
A essência da ética está em reconhecer que todo ser humano é constituído de
saberes, costumes e culturas diferentes, o que nos faz concluir que temos que
aprender a escutar os outros. O docente deve ter um agir construtivo, em que a teoria
e a prática sejam uma via de mão dupla, em que o processo de aprendizagem deixa
de ser apenas a transmissão de conteúdo e passa a ser uma troca de conhecimentos.
Paulo Freire valoriza a autonomia do discente como ser humano, definindo que
o espaço educacional não é um espaço de repetições ou de comodismo, mas é um
espaço dinâmico em que o diálogo deve acontecer com respeito e ética, porém para
que isso aconteça é essencial o papel do docente.
Diante da pesquisa realizada, foi possível compreender que os modelos de
formação devem ser transformados, o processo de ensino, precisa ser um meio
facilitador que contribui de forma enriquecedora para a formação crítica do discente,
devendo ser alvo de constantes renovações, pois este sofre a influência tanto dos
docentes quanto dos discentes, sendo, portanto, um processo que traz aos discentes
uma reflexão crítica sobre a ética quando desempenharem o exercício prático da
profissão docente.
Como sugestão para pesquisas futuras, sugere-se desenvolver este estudo em
instituições de ensino para uma análise da percepção dos docentes acerca da
aplicação de conceitos éticos na profissão e, sobre o processo de ensino da ética na
docência.

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