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Experimento Sobre Radiação Do Corpo Negro - Lab Moderna 2025

O experimento investiga a radiação de corpo negro e a Lei de Stefan-Boltzmann, analisando como a potência irradiada varia com a temperatura e a distância da fonte. Utilizando um cubo de Leslie e um sensor de radiação, os alunos realizam medições para entender a emissividade de diferentes superfícies e a relação entre radiância e temperatura. Os resultados confirmam a relação linear entre a radiância e a temperatura elevada à quarta potência, conforme previsto pela Lei de Stefan-Boltzmann.
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Experimento Sobre Radiação Do Corpo Negro - Lab Moderna 2025

O experimento investiga a radiação de corpo negro e a Lei de Stefan-Boltzmann, analisando como a potência irradiada varia com a temperatura e a distância da fonte. Utilizando um cubo de Leslie e um sensor de radiação, os alunos realizam medições para entender a emissividade de diferentes superfícies e a relação entre radiância e temperatura. Os resultados confirmam a relação linear entre a radiância e a temperatura elevada à quarta potência, conforme previsto pela Lei de Stefan-Boltzmann.
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Laboratório de Física Moderna

Experimento 1
Radiação do corpo negro/ Lei de Stefan - Boltzmann

Drieli Carolina Custódio ​ 191024491


Julia dos Santos Cabral​ ​ 221025219
Gabriel Kauffmann Ruiz de Lima ​ 201023687

Bauru, 2025
Sumário

1. Introdução.............................................................................................................................3

2. Objetivos............................................................................................................................... 4

3. Materiais e Métodos............................................................................................................ 4

3.1. Materiais............................................................................................................................ 4

3.2. Procedimento Experimental.............................................................................................4

3.2.1. Parte 1: Lei de Stefan - Boltzmann (Altas temperaturas).......................................... 4

3.2.2. Parte 2: Variação da potência irradiada com a distância da fonte............................5

3.2.3. Parte 3: Emissividade de uma superfície..................................................................... 6

4. Resultados e Discussões....................................................................................................... 7

4.1. Parte 1: Lei de Stefan - Boltzmann (Altas temperaturas)............................................. 7

4.2. Parte 2: Variação da potência irradiada com a distância da fonte............................. 11

4.3. Parte 3: Emissividade de uma superfície...................................................................... 13

5. Conclusão............................................................................................................................ 15

6. Referências.......................................................................................................................... 16

2
1.​ Introdução
A radiação de corpo negro é um conceito fundamental na física que descreve a
emissão de radiação eletromagnética por um corpo idealizado em equilíbrio térmico. Um
corpo negro é definido como um objeto que absorve completamente toda a radiação
eletromagnética incidente, independentemente do comprimento de onda, e, em resposta,
emite radiação térmica de acordo com sua temperatura. Esse fenômeno foi inicialmente
estudado no final do século XIX, quando cientistas buscavam compreender a distribuição
espectral da radiação emitida por objetos aquecidos,como metais incandescentes e estrelas.
A radiação de corpo negro é caracterizada por uma curva de distribuição espectral que
depende da temperatura do corpo. No entanto, no final do século XIX, os modelos clássicos
da física, baseados na teoria eletromagnética de Maxwell e na termodinâmica, falharam em
explicar completamente o comportamento observado da radiação de corpo negro,
especialmente na região do ultravioleta. Essa falha ficou conhecida como a "catástrofe do
ultravioleta", pois os modelos clássicos previam que a intensidade da radiação aumentaria
indefinidamente com a frequência, o que contradizia os resultados experimentais.
A compreensão da radiação de corpo negro foi crucial para o desenvolvimento da
mecânica quântica, especialmente com o trabalho de Max Planck em 1900, que propôs a
quantização da energia como uma solução para a "catástrofe do ultravioleta". A equação de
Planck, derivada a partir de sua hipótese quântica, descreve a distribuição espectral da
radiação emitida por um corpo negro e serviu como ponto de partida para a teoria quântica
moderna.
A Lei de Stefan-Boltzmann, formulada por Josef Stefan e Ludwig Boltzmann,
estabelece que a potência total irradiada por um corpo negro é proporcional à quarta potência
4
da sua temperatura absoluta (𝑅 = σ 𝑇 ), onde σ é a constante de Stefan-Boltzmann (
−8 4
5, 67×10 𝑊/𝑚²𝐾 ). Essa lei é essencial para entender fenômenos como a radiação de
estrelas, o resfriamento de objetos aquecidos e a transferência de calor por radiação.
Neste experimento, investigamos a aplicabilidade da Lei de Stefan-Boltzmann em
situações práticas, utilizando uma lâmpada como fonte de radiação térmica e um sensor de
radiação para medir a potência irradiada. Além disso, estudamos a variação da potência
irradiada com a distância da fonte e a emissividade de diferentes superfícies utilizando o cubo
de Leslie, um dispositivo que possui quatro faces com diferentes propriedades de emissão
(preta, branca, fosca e espelhada).

3
O cubo de Leslie permite analisar como diferentes materiais e tratamentos de
superfície influenciam a emissão de radiação térmica, ilustrando de forma prática os
princípios de emissão e absorção de radiação. Esses experimentos proporcionam uma
compreensão mais profunda da radiação térmica e suas aplicações em áreas como engenharia
térmica, astrofísica e tecnologia de sensores.
2.​ Objetivos
Este relatório tem como objetivo analisar a Lei de Stefan-Boltzmann e sua aplicação
na determinação da temperatura e luminosidade dos corpos. Além disso, explorar como a
potência da radiação emitida por um corpo negro varia com a distância da fonte, conforme a
lei do inverso do quadrado. Também será realizado um estudo qualitativo sobre a
emissividade dos corpos, examinando sua relação com a capacidade de absorção e emissão de
radiação em comparação com outros materiais.

3.​ Materiais e Métodos


3.1.​ Materiais
-​ Cubo de Leslie TD-8554a;
-​ Lâmpada;
-​ Sensor de radiação (radiômetro) Pasco TD-8553;
-​ Anteparo com isolante térmico e haste;
-​ Ohmímetro;
-​ Amperímetro;
-​ Voltímetro;.
-​ Fonte de Energia;
-​ Régua;
-​ Cabos Banana-banana.

3.2.​ Procedimento Experimental


O experimento foi dividido em três partes principais, cada uma com procedimentos
específicos para investigar a Lei de Stefan-Boltzmann, a variação da potência irradiada com a
distância e a emissividade de diferentes superfícies. A seguir, descrevemos detalhadamente os
procedimentos realizados em cada uma das etapas.

4
3.2.1.​ Parte 1: Lei de Stefan - Boltzmann (Altas temperaturas)
A montagem da primeira parte do experimento consistiu em um circuito elétrico com
uma lâmpada de filamento de tungstenio, alimentada por uma fonte de tensão variável .Um
voltímetro e um amperímetro foram inseridos no circuito para medir a tensão e a corrente,
respectivamente. Foi utilizado um sensor de radiação (termopilha) localizado a uma distância
de 5 cm, para medir a potência irradiada pela lâmpada, e um anteparo com isolante térmico
foi utilizado para evitar o aquecimento excessivo do sensor durante as medições. A
temperatura do filamento foi determinada a partir da resistência da lâmpada, medida através
de um voltímetro e um amperímetro.
Inicialmente, ajustou-se a fonte de tensão para 0,2 V e mediu-se a tensão e a corrente
na lâmpada para calcular a resistência do filamento à temperatura ambiente usando a Lei de
Ohm (𝑅 = 𝑉/𝐼). Em seguida, a tensão da fonte foi aumentada em incrementos de 1 V, de 1 V
até 11 V, e para cada valor de tensão, mediu-se a corrente na lâmpada e a radiância no sensor
de radiação. Após cada medição, o anteparo foi reposicionado para evitar o aquecimento
excessivo do sensor.
A resistência do filamento foi calculada para cada valor de tensão e corrente, e a
temperatura do filamento foi determinada utilizando uma tabela de conversão (ou polinômio)
fornecida pelo professor. Com os dados coletados, construiu-se um gráfico de radiância (mW)
versus temperatura elevada à quarta potência (K⁴) para verificar a relação (R∝T⁴).

Figura 1 - Montagem experimental (parte um).

5
3.2.2.​ Parte 2: Variação da potência irradiada com a distância
da fonte
Na segunda parte do experimento, o objetivo foi estudar como a potência irradiada
varia com a distância entre a fonte de radiação (lâmpada) e o sensor, verificando a lei do
inverso do quadrado da distância (P∝1/d²). Para isso, a tensão da fonte foi fixada em 11 V
para manter a potência da lâmpada constante, e o sensor de radiação foi posicionado
inicialmente a 80 cm da lâmpada.
A potência irradiada pelo sensor foi medida a diferentes distâncias, variando de 80 cm
até 10 cm, em intervalos de 10 cm. Para distâncias menores que 40 cm, o intervalo foi
reduzido para 5 cm. Após cada medição, o anteparo foi reposicionado para evitar o
aquecimento do sensor. Com os dados coletados, construimos um gráfico de potência (mW)
1
versus distância (cm) e outro de potência versus 𝑑²
.

Figura 2 - Montagem experimental (parte dois).

3.2.3.​ Parte 3: Emissividade de uma superfície.


Na terceira parte do experimento, o objetivo foi medir a potência irradiada por
diferentes superfícies (preta, branca, fosca e espelhada) utilizando o cubo de Leslie e calcular
a emissividade relativa de cada superfície. O cubo de Leslie foi aquecido internamente por
uma lâmpada de 100 W, e a temperatura do cubo foi monitorada utilizando um termistor
conectado a um ohmímetro.O cubo foi aquecido até atingir uma temperatura de 40°C acima

6
da temperatura ambiente, e o sensor de radiação foi posicionado próximo a cada face do cubo
(preta, branca, fosca e espelhada) para medir a potência irradiada. O processo foi repetido
para temperaturas de 60°C e 80°C acima da temperatura ambiente. A emissividade relativa de
cada superfície foi calculada dividindo a potência irradiada pela face em questão pela
potência irradiada pela face preta (considerada como referência).
Com os dados coletados, pudemos analisar como a cor e a textura das superfícies
influenciam diretamente na emissão da radiação térmica, comparando a emissividade relativa
das quatro diferentes superfícies.

Figura 3 - Montagem experimental (parte três).

4.​ Resultados e Discussões


4.1.​ Parte 1: Lei de Stefan - Boltzmann (Altas temperaturas)
Os dados da tabela 1 e 2 foram coletados através da parte um do experimento (figura
1), ou seja, estão presentes nesta tabela, os valores da tensão da fonte, corrente da lâmpada e
radiância da lâmpada. Há também a conversão da radiância da lâmpada de mV para mW, a
qual foi realizada utilizando os próprios dados fornecidos pelo sensor de termopilha, em que
1 mW equivale a 22 mV. A resistência da lâmpada foi calculada utilizando a Lei de Ohm
(equação 1) e a temperatura do filamento foi determinada utilizando o Polinômio de
Pawlowski, fornecido no roteiro para o experimento, que relaciona a resistência do filamento
de tungstênio com a temperatura.
𝑉
𝑅= 𝐼
​ ​ ​ ​ ​ [1]

7
Tabela 1 - Dados da primeira etapa experimental de tensão da fonte (V), corrente da lâmpada (A), radiância da
lâmpada em (mV) e (mW) e resistência da lâmpada (Ω).

Corrente Radiancia da Conversão da medida da Resistência da lâmpada


Fonte (V) lâmpada (A) lâmpada (mV) radiância para (mW) ((Ω))

0,2 0,482 0,2 0,009 0,415

1,0 0,933 0,5 0,023 1,072

2,0 1,210 2,3 0,105 1,653

3,0 1,450 5,6 0,255 2,069

4,0 1,671 9,8 0,445 2,394

5,0 1,869 14,6 0,664 2,675

6,0 2,054 20,2 0,918 2,921

7,0 2,227 26,5 1,205 3,143

8,0 2,385 33,3 1,514 3,354

9,0 2,530 40,2 1,827 3,557

10,0 2,678 47,4 2,155 3,734

11,0 2,816 54,9 2,495 3,906

Tabela 2 - Dados da primeira etapa experimental da radiância da lâmpada (mW) e da temperatura (K).

Radiância (mW) Temperatura (K)

0,009 300

0,023 633

0,105 906

0,255 1101

0,445 1254

0,664 1386

0,918 1501

1,205 1605

8
1,514 1704

1,827 1799

2,155 1882

2,495 1963

Figura 4 - Radiância (mW) x Temperatura^4 (K).

No gráfico presente na figura 4, plotamos a radiância (em mW) em função da


temperatura elevada à quarta potência (K⁴). Observamos que a radiância aumenta com a
temperatura, seguindo uma relação linear.
Essa relação é consistente com a Lei de Stefan-Boltzmann, que estabelece que:

4
𝑅 =σ 𝑇

Onde:
R é a radiância (em W/m²).
−8 4
σ é a constante de Stefan-Boltzmann (5, 67×10 𝑊/𝑚²𝐾 ).
T é a temperatura absoluta (em K).

9
A equação da reta obtida atraves do grafico da figura 4 foi:

−13
𝑦 = 1, 71× 10 * 𝑥 + 0, 0209

Onde:

y é a radiância (em mW),


4
x é 𝑇 (em K⁴).

Atraves desta equação podemos verificar que o coeficiente angular da reta representa a
constante de Stefan-Boltzmann (σ) multiplicada pela área de emissão do filamento (A).
Portanto, podemos escrever:

𝑚= σ *𝐴
Assim, podemos afirmar que a inclinação da reta (m) é proporcional a σ * 𝐴, o que confirma
4
a relação linear entre a radiância e 𝑇 , conforme previsto pela Lei de Stefan-Boltzmann.
O coeficiente linear (b=0,0209) representa o intercepto da reta, ou seja, o valor de radiância
4
quando 𝑇 =0
Teoricamente, espera-se que o intercepto seja próximo de zero, pois a radiância deve ser zero
quando a temperatura é zero. O valor obtido experimentalmente foi (b=0,0209mW)
4
confirmando a relação de proporcionalidade entre a radiância e 𝑇 , conforme previsto pela
Lei de Stefan-Boltzmann ,essa desvio indica a presença de pequenas interferências ou erros
sistemáticos no experimento podendo ser atribuído a ruídos no sensor ou a uma pequena
corrente de fundo no sistema de medição

4.2.​ Parte 2: Variação da potência irradiada com a distância da


fonte ​
Na segunda parte do experimento, a potência irradiada foi medida em função da
distância entre a lâmpada e o sensor. A tensão da fonte foi fixada em 11 V, e a distância foi
variada de 80 cm até 10 cm, com intervalos de 10 cm (e 5 cm para distâncias menores que 40
cm).

Tabela 4: Distância, Radiância da Lâmpada (mV) e 1/D² (cm).

D (cm) Radiancia da lâmpada (mW) 1/D² (cm)

10
Figura 5- Radiância da lâmpada (mW) x 1/D² (cm).
Os resultados obtidos no experimento estão de acordo com a previsão teórica baseada
na lei do inverso do quadrado da distância. Possíveis desvios podem ser atribuídos à absorção
parcial do meio, imprecisões nas medições ou à não idealidade da fonte. No entanto, a forte
correlação entre os dados experimentais e o modelo matemático confirma a validade da
relação proposta, demonstrando que a potência irradiada obedece à lei do inverso do
quadrado da distância.

11
Com base nos princípios físicos da radiação, espera-se que a potência medida pelo
sensor seja inversamente proporcional ao quadrado da distância entre o sensor e a fonte. Isso
ocorre porque a energia irradiada pela fonte se distribui sobre uma superfície esférica (de raio
d), fazendo com que a densidade de potência em um ponto dessa superfície seja dada por:
𝑃₀
𝐼(𝑑) = 4Π𝑑²
​​ ​ ​ ​ [2]

Onde P₀ é a potência total emitida pela fonte. Como o sensor mede a potência
incidente por unidade de área, a potência medida pode ser expressa como:
𝑃₀𝐴𝑠
𝑃= 4Π𝑑²
​ ​ ​ ​ ​ [3]

Indicando que a potência decresce com o inverso do quadrado da distância.


A justificativa física dessa proporcionalidade decorre do fato de que a energia
irradiada se propaga uniformemente em todas as direções, resultando em uma distribuição
esferoidal da radiação. Como a superfície dessa esfera cresce com o quadrado da distância, a
densidade de potência diminui na mesma proporção. Esse resultado pode ser derivado
formalmente ao considerar a equação da continuidade para a energia radiante. Se assumirmos
que a potência total é conservada e distribuída uniformemente por uma superfície esférica de
raio , então a intensidade é dada por:
𝑑𝑃 𝑃₀
𝐼(𝑑) = 𝑑𝐴
= 4Π𝑑²
​ ​ ​ ​ ​ [4]

Onde 𝑑𝐴 = 4π𝑑² representa a área da superfície esférica. O sensor captura uma


fração dessa potência, cuja relação é expressa por:
𝑃₀𝐴𝑠
𝑃 = 𝐼(𝑑). 𝐴𝑠 = 4Π𝑑²
​ ​ ​ ​ [4]

A comprovação experimental se manifesta na linearidade do gráfico. A inclinação da


reta nesse gráfico permite estimar a potência total emitida pela fonte, pois podemos
reescrever a equação como:
1 𝑃₀𝐴𝑠
𝑃=𝑘 4Π𝑑²
​ onde​ 𝑘 = 4Π

Em que se ajustar uma reta ao conjunto de dados e determinarmos o coeficiente


angular (k), é possível também obter uma estimativa de (P₀).

12
4.3.​ Parte 3: Emissividade de uma superfície.
Na terceira e ultima parte do experimento, a potência irradiada por diferentes
superfícies do cubo de Leslie (preta, branca, fosca e espelhada) foi medida a diferentes
temperaturas; de 40°C, 60°C e 80°C acima da temperatura ambiente, para verificar a
coerência dos resultados. Além disso, foi calculada uma média após a realização de uma
triplicata de cada medida feita, como pode ser observado nas tabelas 5, 6 e 7, a seguir.
Tabela 5- 40°C acima da temperatura ambiente.

T1= 40ºC

SUPERFÍCIES (1) P (mV) (2) P (mV) (3) P (mV) MÉDIA (mV)

1 = PRETA 7,0 6,9 6,8 6,9

2 = BRANCA 6,7 6,8 6,7 6,7

3 = ESPELHADA 1,1 1,3 1,1 1,2

4 = FOSCA 2,2 2,2 2,1 2,2

Tabela 6- 60°C acima da temperatura ambiente.

T2=60ºC

SUPERFÍCIES (1) P mV (2) P mV (3) P mV MÉDIA (mV)

1 = PRETA 11,5 11,3 11,3 11,4

2 = BRANCA 11,4 11,2 11,2 11,3

3 = ESPELHADA 2 1,8 1,6 1,8

4 = FOSCA 3,7 3,6 3,7 3,7

Tabela 7- 80°C acima da temperatura ambiente.

T3=80ºC

SUPERFÍCIES (1) P (mV) (2) P (mV) (3) P (mV) MÉDIA (mV)

1 = PRETA 17 17 16,9 17,0

2 = BRANCA 16,7 16,6 16,7 16,7

3 = ESPELHADA 2,9 2,8 2,6 2,8

4 = FOSCA 5,5 5,3 5,4 5,4

13
Com a medição da potência irradiada por cada face do cubo, os valores encontrados
foram divididos pelo maior valor obtido no experimento, sendo esse o da face preta. Assim,
como apresentado na tabela 8, foi possível estimar a emissividade relativa das diferentes
superfícies.

Tabela 8 : Cálculo da emissividade relativa.

40°C 60°C 80°C

PRETA 1,00 1,00 1,00

BRANCA 0,97 0,99 0,98

ESPELHADA 0,17 0,16 0,17

FOSCO 0,32 0,33 0,32

Como pôde ser analisado, a face preta (Figura 6) apresentou a maior emissividade
relativa. A cor preta tende a ser um excelente absorvedor e, consequentemente, um excelente
emissor de radiação térmica. Segundo a Lei de Kirchhoff, um material que absorve bem
também emite bem. Como a emissividade do preto fosco é próxima de 1, essa face irradia a
maior quantidade de energia na região do infravermelho, justificando o maior valor medido
pelo sensor.

Figura 6- Face preta (cubo de Leslie).


A segunda maior emissividade obtida foi a da face branca (figura 7). Em
comprimentos de onda visíveis, superfícies brancas refletem a maioria da radiação incidente,
assim, não sendo um bom emissor. No entanto, na região do infravermelho, a emissividade de
uma superfície branca pode ser relativamente alta, dependendo da sua composição. Se a
tintura branca contiver materiais com alta emissividade no infravermelho, ela pode emitir

14
mais do que uma superfície fosca comum. Explicando o porque a emissividade da face
branca foi maior que a da face fosca.


Figura 7- Face branca (cubo de Leslie).
A face fosca (Figura 8) teve o terceiro maior valor dada a sua rugosidade. Superfícies
mais rugosas possuem microcavidades e irregularidades que promovem múltiplas reflexões
internas quando a radiação incide sobre elas. Isso significa que um fóton que atinge uma
superfície rugosa tem maior probabilidade de ser absorvido do que um fóton que incide sobre
uma superfície lisa, pois cada reflexão aumenta a chance de absorção. Esse comportamento
pode ser explicado pelo Modelo de Cavidade Negra, onde superfícies com maior rugosidade
agem como "armadilhas" de radiação. Quando a luz entra em uma microcavidade, a
geometria da superfície impede que a radiação seja refletida diretamente para fora,
aumentando a absorção e, por consequência, a emissividade efetiva.


Figura 8- Face fosca (cubo de Leslie).

15
Contudo, apesar de a rugosidade aumentar a absorção, a emissividade absoluta da face
fosca pode ser inferior à da face branca caso o material subjacente tenha propriedades ópticas
diferentes no infravermelho. A emissividade não depende apenas da textura da superfície,
mas também da composição do material e de sua resposta espectral à radiação térmica.
Materiais que possuem ligações moleculares que interagem fortemente com a
radiação infravermelha tendem a ter alta emissividade, independentemente da rugosidade. Por
exemplo, muitas tintas brancas, que contêm dióxido de titânio, podem ter uma emissividade
significativamente alta na faixa do infravermelho térmico, explicando o fato de a face branca
ter apresentado um valor maior do que a fosca. Agora, como no caso desse experimento, se a
superfície fosca for composta de um material metálico ou parcialmente metálico, sua
emissividade no infravermelho pode ser menor, mesmo que sua rugosidade melhore a
absorção. Isso ocorre porque metais possuem elétrons livres que refletem intensamente a
radiação, reduzindo sua capacidade de emissão.
Por fim, o menor valor de emissividade foi da face espelhada (Figura 9), que, ao
contrário da superfície rugosa, reflete quase toda a radiação incidente de forma especular, ou
seja, mantendo o ângulo de incidência igual ao ângulo de reflexão. Como resultado, o sensor
detecta uma potência muito menor vinda dessa face.

Figura 9- Face espelhada (cubo de Leslie).

5.​ Conclusão
​ No decorrer da realização deste experimento e confecção deste relatório, tivemos o
contato com um experimento dividido em três etapas que nos forneceram percepções
importantes com relação aos aspectos da física moderna.

16
​ Na primeira etapa do experimento tinha como foco principal a lei de
Stefan-Boltzmann, que, com a análise gráfica da potência medida no sensor em função da
temperatura revelou um comportamento próximo ao previsto pela lei, que estabelece que a
potência irradiada é proporcional à quarta potência da temperatura absoluta. Embora tenha
sido observada uma tendência geral compatível com a teoria, pequenas discrepâncias podem
ter surgido devido a fatores como emissividade do filamento, perdas térmicas para o ambiente
e possíveis imprecisões experimentais nos sensores e instrumentos de medição. Além disso, o
experimento permitiu a observação da variação da resistência do filamento com a
temperatura, evidenciando a natureza não ôhmica do tungstênio, cujo aumento de resistência
com a elevação da temperatura foi consistente com as expectativas teóricas.
​ A partir da análise realizada na parte 2 do experimento, foi possível verificar a relação
de proporcionalidade inversa ao quadrado entre a potência irradiada e a distância da fonte
luminosa, confirmando a validade do modelo para a propagação da radiação eletromagnética
em meios homogêneos e sem interferências significativas. Matematicamente, a relação foi
justificada a partir da conservação do fluxo de energia e da expansão esférica da radiação, o
que implica que a densidade de potência diminui conforme a superfície da frente de onda se
expande. Os desvios experimentais em relação à curva teórica podem ser atribuídos a fatores
como reflexões parciais no ambiente, pequenas variações na resposta do sensor e possíveis
absorções não consideradas no modelo idealizado.
​ Na terceira etapa do experimento, as previsões teóricas sobre emissividade foram
confirmadas. A face preta apresentou a maior emissividade, seguida pela branca, fosca e, por
último, a espelhada. A alta emissividade da face preta deve-se à sua capacidade de absorver e
emitir radiação de forma eficiente. A face branca, apesar de refletir luz visível, mostrou alta
emissividade no infravermelho, compatível com materiais dielétricos nessa faixa de
comprimento de onda. A face fosca, por sua rugosidade, absorveu mais radiação do que a
espelhada, mas teve menor emissividade que a branca, devido às propriedades do material. A
face espelhada, como esperado, apresentou a menor emissividade, refletindo grande parte da
radiação térmica. A repetição das medições em diferentes temperaturas mostrou coerência
nos valores obtidos, reforçando a confiabilidade dos resultados. O experimento destacou a
influência da composição e textura da superfície na emissão de radiação térmica e a
importância da análise espectral na determinação da emissividade.

17
6.​ Referências

1 - EISBERG, R., RESNICK, R. Física Quântica. Átomos, Moléculas, Sólidos, Núcleos e


Partículas. Rio de Janeiro: Campus Ltda, 1979.

2- HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de Física. 10. ed. Rio de
Janeiro: LTC, 2016. v. 2.

3- RORIZ, Victor Figueiredo. Efeitos de ondulação e rugosidade de superfícies sobre suas


absortâncias e emitâncias: modelo teórico e experimental. 2011. Tese (Doutorado em
Engenharia Civil) – Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Universidade
Estadual de Campinas, Campinas, SP, 2011.

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