RELATÓRIO - AULA DE FISIOLOGIA GASTRINTESTINAL
2023
Principais abordagens da aula
Durante a aula foi abordada aspectos gerais da Fisiologia Gastrintestinal, destacando: a
descrição anatômica e funcionalidade do trato gastrintestinal, descrição do processo de
salivação, deglutição, digestão, bem como as principais enzimas, funções, regulação, controle
neural e fisiopatologia de cada órgão envolvido no sistema gastrintestinal.
O sistema gastrointestinal é composto pela boca, faringe, esôfago, estômago, intestino
delgado, intestino grosso, reto e ânus, e todos esses órgãos estão relacionados a glândulas e
outros órgãos acessórios, como glândulas salivares, pâncreas, fígado e vesícula biliar
(conforme a Figura 1). Essas estruturas desempenham um papel crucial na criação das
condições necessárias para os processos digestivos ocorrerem.
Figura 1. Representação dos órgãos do sistema digestório e suas funções.
Em linhas gerais, as funções do sistema gastrointestinal (GI) englobam a aquisição de
nutrientes e sua subsequente transformação em uma forma que o corpo possa utilizar, além da
eliminação dos subprodutos resultantes desse processo. O trato gastrointestinal está envolvido
em diversos processos fisiológicos, dos quais se destacam a digestão, a secreção, a
movimentação dos alimentos, a absorção, a defesa contra patógenos, a regulação do equilíbrio
de líquidos e a excreção.
Durante a fase oral, a boca realiza a liberação da secreção salivar, a qual desempenha
várias funções, como auxiliar na deglutição, facilitar a gustação, umedecer a mucosa e os
alimentos, regulação da temperatura dos alimentos, proporcionar proteção devido à presença
de IgA e manter a higiene bucal. Além disso, a saliva contém enzimas, como a ptialina
(também conhecida como α-1,4-amilase), que desempenha um papel crucial na quebra do
amido.
Existem três variedades de glândulas salivares que se distinguem pela natureza da sua
secreção: a glândula parótida, que produz uma secreção predominantemente serosa; a
glândula submandibular, que tem uma secreção mista, com predominância de componentes
serosos; e a glândula sublingual, cuja secreção também é mista, mas com predominância de
componentes mucosos. Essas glândulas têm ductos que se abrem na cavidade oral.
A xerostomia é uma condição de “boca seca” que pode ser causada pelo uso de
medicamentos anticolinérgicos porque inibem a ação do sistema parassimpático, inibindo
assim a liberação de saliva. Isso pode ocorrer com intoxicação exógena com
antiespasmódicos, antipsicóticos, antidepressivos tricíclicos e medicamentos
antiparkinsonianos, bem como com midríase e taquicardia.
Em seguida, a mobilidade esofágica desempenha um papel crucial no processo de
deglutição. Nesse processo, a comida que entra no esôfago dá início a movimentos
peristálticos primários, que impulsionam o alimento desde sua origem no esôfago, passando
pelos músculos estriados e se propagando pelo músculo liso. Além disso, o peristaltismo
desencadeia o relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI), permitindo a passagem do
alimento para o estômago. Dessa forma, o esôfago desempenha um papel fundamental no
transporte de alimentos da boca para o estômago, enquanto os esfíncteres protegem as vias
aéreas durante a deglutição e o esôfago contra a ação de secreções gástricas.
Acalasia é uma condição de natureza congênita que afeta o funcionamento do esôfago,
manifestando-se através de um peristaltismo esofágico ineficiente durante a deglutição e a
incapacidade de relaxamento do esfíncter esofágico inferior. Os sintomas típicos incluem
dificuldade progressiva ao engolir, tanto alimentos sólidos como líquidos, bem como a
regurgitação de alimentos não digeridos.
A fase gástrica tem início após a passagem do alimento em direção ao estômago, um
órgão responsável por diversas funções, como armazenamento, secreção do fator intrínseco
para absorção da vitamina B12, digestão química e mecânica, mistura dos alimentos, entre
outras. Essa fase é regulada por um reflexo longo antecipatório que desencadeia a liberação de
secreções, além de reflexos curtos que permitem a distensão da parede estomacal e a produção
de substâncias. O enchimento do estômago é possibilitado por um reflexo vasovagal, no qual
a vagotomia bloqueia esse mecanismo.
O sistema gástrico compreende várias regiões distintas, tais como EEI, cárdia, fundo,
corpo, antro e piloro, cada uma com funções específicas. Dentro destas áreas, encontramos
diversas células especializadas, como as oxínticas, as principais, as mucosas do colo, as G, as
D, as parietais e aquelas semelhantes às enterocromafins, cada uma responsável por secreções
distintas.
De forma geral, a fase gástrica está sujeita à regulação da liberação de ácido clorídrico
(HCl) pela célula parietal, que desempenha um papel fundamental na digestão de proteínas.
Essa regulação é influenciada por diversos mecanismos. Após o estômago ser distendido pelo
alimento, a gastrina estimula a secreção ácida, seja agindo diretamente nas células parietais ou
de maneira indireta por meio da histamina. Além disso, a acetilcolina atua como um
estimulante, agindo tanto diretamente como por vias indiretas, ativando a produção de
histamina e gastrina. Os produtos resultantes da digestão de proteínas também podem exercer
influência direta na produção de gastrina e, consequentemente, na secreção de HCl. Por outro
lado, a somatostatina, estimulada pelo aumento da acidez (H+), desempenha um papel de
retroalimentação negativa que controla a liberação de HCl e pepsina, ajudando a manter o
equilíbrio ácido no estômago.
O sistema gástrico também executa processos de fragmentação mecânica por meio de
ações de propulsão, mistura e retropropulsão. O antro é a área responsável pela descarga dos
conteúdos gástricos em direção ao duodeno. Esse processo é o resultado de mudanças, como o
aumento da força no antro, a abertura do piloro e o início das contrações nos segmentos
duodenais. No estômago, apenas uma quantidade limitada de nutrientes é absorvida, uma vez
que as células epiteliais são impermeáveis a esses materiais. O principal local de absorção
ocorre no intestino delgado devido à presença de microvilosidades.
A fase intestinal tem início quando o quimo sai do estômago, formando um bolo
alimentar mais fragmentado e líquido. A presença de acidez, gordura, aminoácidos e
enterogastronas no duodeno indica ao estômago que deve diminuir a velocidade de
esvaziamento, o que permite que o quimo permaneça no duodeno por um tempo e receba as
secreções intestinais e hepatopancreáticas.
A motilina desempenha um papel na regulação neural da motilidade intestinal através
do sistema parassimpático. Durante o processo de peristalse, um neurônio sensorial detecta a
presença do quimo e ativa uma via excitatória para estimular a porção anterior a ele, enquanto
simultaneamente ativa uma via inibitória para relaxar o segmento onde ocorreu a detecção.
Além disso, as contrações segmentares contribuem para a mistura do quimo com as secreções
digestivas. A serotonina é um regulador crucial da peristalse no intestino delgado, atuando por
meio de mecanismos neurais não autonômicos. Como resultado, pacientes que utilizam
medicamentos que afetam os níveis de serotonina podem experimentar efeitos colaterais no
sistema gastrointestinal.
O cólon, parte do intestino grosso, desempenha um papel crucial na regulação do
equilíbrio hídrico e na formação do bolo fecal, com uma capacidade limitada de absorção de
nutrientes. Sua anatomia compreende o ceco, o cólon ascendente, o cólon transverso, o cólon
descendente, o sigmoide e o reto.
A motilidade no intestino grosso é coordenada por vários mecanismos, incluindo
haustrações (contrações saculares), movimentos antiperistálticos (movimentos contrários ao
peristaltismo), peristalse (contrações ondulantes) e movimentos de massa. Estes últimos,
ocorrendo de uma a três vezes por dia, deslocam o conteúdo do cólon em uma direção
unidirecional, facilitando a eliminação das fezes. A regulação da motilidade no intestino
grosso é influenciada por três reflexos importantes: reflexo colonocólico, reflexo gastrocólico
e reflexo de defecação.
De forma geral, a aula foi interessante para conseguirmos entender a anatomia e
fisiologia dos principais órgãos do sistema gastrintestinal. Foram apresentados conceitos
básicos e importantes para relembrar como acontece todo o funcionamento, as principais
enzimas e fisiopatologia. Além disso, o professor trouxe a atualização sobre o assunto, com
uma linguagem clara, contribuindo com o aprendizado.
REFERÊNCIAS
AIRES, Margarida de Mello. Fisiologia. Ed. Guanabara Koogan. 4ª edição, Rio de Janeiro,
2017.
GUYTON, Arthur Clifton; HALL, John E. Tratado de Fisiologia Médica. Editora Elsevier.
13ª ed., 2017.
Imagem: descrição anatômica do trato gastrointestinal - Bing images