Universidade Eduardo Mondlane
Análise Matemática-I
FENG e FÍSICA
A. Matusse • 24-28 de Março 2025
1. Sucessão. Limite de sucessão
Neste aula, apresentamos uma classe especial de funções cujo domínio é o conjunto dos números
naturais. Introduzimos também a noção de limite de sucessão e algumas propriedades fundamentais
de limite de sucessão.
Definição 1: (Sucessão).
Uma sucessão de números reais é uma função cujo domínio é N.
Visto que cada número inteiro positivo 1, 2, 3, · · · , corresponde um número real definido an , então
os números
a1 , a2 , a3 , · · · an , · · ·
formam uma sucessão e denotamos esta sucessão por {an } ou {an }n≥0 .
1
Exemplo 1. {n} , {(−1)n } e denotam sucessões α, β e γ definidas por
n
αn = {n}
βn = {(−1) n
}
1
γn =
n
Os cinco primeiros termos de αn , βn e γn , são respectivamente
1, 2, 3, 4, 5, · · ·
−1, 1, −1, 1, −1, · · ·
1 1 1 1
1, , , , , · · ·
2 3 4 5
Exemplo 2. Ache o n-ésimo termo da sucessão
1, 3, 6, 10, 15, 21, · · ·
Resolução. Vemos que
(1 − 1) · 1
a1 = 1+0 = 1+
2
(2 − 1) · 2
a2 = 2+1 = 2+
2
(3 − 1) · 3
a3 = 3+3 = 3+
2
(4 − 1) · 4
a4 = 4+6 = 4+
2
(5 − 1) · 5
a5 = 5 + 10 = 5+
2
.. .. ..
. . .
(n − 1) · n
an = ··· = n+ .
2
1
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Deste modo, os primeiros n termos obtemos
(n − 1) · n
n+ .
2
n(n + 1)
Logo, escrevemos .
2 n≥1
As sucessões podem ser definidas recursivamente onde cada termo é definido em termos de um
ou mais termos anteriores.
Exemplo 3. Consideremos a sucessão {an }n≥1 dada por
a =1
1
a2 =1 .
an+1 =Sn + Sn−1
Encontre a7 .
Resolução. Temos, por definição
a1 = 1
a2 = 1
a3 = a2 + a1 = 1+1 = 2
a4 = a3 + a2 = 2+1 = 3
a5 = a4 + a3 = 3+2 = 5
a6 = a5 + a4 = 5+3 = 8
a6 = a6 + a5 = 8+5 = 13
Esta sucessão é conhecida como sucessão de Fibonacci, onde cada termo subsequente é a
soma dos dois termos anteriores.
Uma forma conveniente de representação de sucessão é através da identificação de pontos na
recta. Das sucessões definidas no Exemplo 1, temos que para αn = n, a representação na recta fica
0 a1 a1 a3 a4
A sucessão βn = (−1)n , representa-se do seguinte modo
· · · = β5 = β3 = β1 0 β2 = β4 = β6 = · · ·
1
e a sucessão γn = , representa-se do seguinte modo,
n
0γ6γ5 γ4 γ3 γ2 γ1
Esta forma de representar sucessões, mostra para onde a sucessão vai. A sucessão {αn } “sai para
o infinito,” a sucessão {βn } “pula para frente e para trás” entre −1 e 1 e a sucessão γ “converge para”
zero
2
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A frase “converge para ...” é o conceito fundamental associado a sucessões.
Definição 2: (Limite de sucessão).
Uma sucessão {an } converge para l, (simbolicamente lı́m an = l) se para qualquer ϵ > 0, existe
n→∞
um número natural N tal que, para todos números naturais n,
se n > N, então |an − l| < ϵ
Ilustramos geometricamente a definição 2 do seguinte modo
l − ϵ aN +2 l aN +1 aN l + ϵ a3 a2 a1
Alternativamente, dizemos que a sucessão {an } aproxima-se de l ou tem limite l. Uma
sucessão {an } diz-se convergente se esta converge para l, para algum número l, e dizemos
que diverge se esta não converge. Simbolicamente, a Definição 2 escreve-se
lı́m an = l ⇔ ∀ϵ > 0, ∃N > 0|n > N ⇒ |an − l| < ϵ.
n→∞
Exemplo 4. Utilizando a definição de limite, mostre que
n
lı́m = 1,
n→∞ n+1
e encontre N se ϵ = 0,1; 0,01 e 0,001.
Resolução. Fixemos ϵ > 0 e avaliemos a diferença |an − 1| simplificando:
n 1 1
|an − 1| = −1 = − = .
n+1 n+1 n+1
Pretendemos mostrar que esta diferença é pequena se n é suficientemente grande,i.e., temos que
achar um número natural N tal que para todo n > N temos que
1
< ϵ.
n+1
Das leis de desigualdades
1 1 1
< ϵ se n + 1 > , i.e., n > − 1.
n+1 ϵ ϵ
1 1
Na qualidade de N, podemos tomar a parte inteira de − 1, i.e., N = − . Isto prova que:
ϵ ϵ
n 1 1
dado ϵ > 0, −1 = < ϵ se N = −1 .
n+1 n+1 ϵ
Temos
1
N (0,1) = −1 = 9
0,1
1
N (0,01) = −1 = 99
0,01
1
N (0,001) = −1 = 999
0,001
3
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Duas noções que damos especial atenção, nesta aula, são infinitésimos e infinitamente grande
que definimos a seguir.
Definição 3: (Infinitésimo e infinitamente grande).
Uma sucessão {an } é um infinitésimo se lı́m an = 0. Diremos que a sucessão {an } é infinita-
n→∞
mente grande se, para qualquer M > 0, existe N tal que para todo n > N implica |an | > M.
Usamos a notação lı́m an = ∞, se todos termos são positivos e lı́m an = −∞, se todos termos
n→∞ n→∞
são negativos.
Uma sucessão infinitmente grande não é convergente e a escrita
lı́m = ∞ (lı́m an = −∞)
an
significa apenas que {an } é infinitamente grande.
√ √
Exemplo 5. Utilizando a definição de limite, mostre que lı́m ( n + 1 − n) = 0
n→∞
√ √
Resolução. Fixemos ϵ > 0 e avaliemos | n + 1 − n|, usando a identidade
A2 − B 2
A−B =
A + B.
Temos √ √ 1 1
| n + 1 − n| = √ √ < √ .
n+1+ n 2 n
Pretendemos mostrar que esta diferença é pequena se n é suficientemente grande, i.e., temos que
1
achar um número natural N tal que para todo n > N, √ < ϵ. Das leis de desigualdades, temos
2 n
1 1 1
√ < ϵ se < ϵ2 , i.e., se n > 2 .
2 n 4n 4ϵ
√ √
1 1 1
Logo, dado ϵ > 0, | n + 1 + n − 0| = √ √ < √ < ϵ, se n > N = .
n+1+ n 2 n 4ϵ2
Temos a seguinte propriedade sobre unicidade de limite de sucessão numérica.
Teorema 1: (Unicidade de limite).
A sucessão {an } tem no máximo um limite: se lı́m an = l e lı́m an = l′ , então l = l′ .
n→∞ n→∞
A seguir, apresentamos algumas propriedades de limites que facilitam o cálculo de limites de su-
cessões simples. Para a prova da quarta propriedade, necessitamos do conceito de sucessões limitadas
que apresentamos a seguir.
Definição 4: (Sucessão limitada).
O número M chama-se limite inferior da sucessão {an } se para qualquer n natural, an > M.
Diz-se que Ē é limite superior se para qualquer n natural, an < M. Se M é limite inferior de
{an } e M ≤ E para todo limite inferior E, então M chama-se ínfimo de {an }. Se M̄ é limite
superior de {an } e M̄ ≤ Ē para todo limite superior Ē, então M̄ chama-se supremo de {an }.
Diremos que a sucessão {an } é limitada se e só se tem limite superior e limite inferior, i.e.,
4
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existe M > 0, tal que |an | < M, para todo n natural.
Teorema 2.
[(Propriedades aritméticas)] Se lı́m an e lı́m an existem, então
n→∞ n→∞
1. lı́m(an + bn ) = lı́m an + lı́m bn ;
n∞ n→∞ n→∞
2. lı́m can = c lı́m an e lı́m (c + an ) = c + lı́m an ;
n→∞ n→∞ n→∞ n→∞
3. lı́m (an · bn ) = lı́m an · lı́m bn ;
n→∞ n→∞ n→∞
an lı́m an
4. Se lı́m an = l ̸= 0 então bn ̸= 0 para n suficientemente grande e lı́m = n→∞
n→∞ n→∞ bn lı́m an
n→∞
Do Teorema 2, é possível provar o seguinte teorema que relaciona um infinitésimo e infinitamente
grande
Corolário 3. Se {an }, com an ̸= 0 é infinitamente grande, então a partir de um certo número
1
n está definida a sucessão , que é um infinitésimo.
an
3n3 + 7n2 + 1
Exemplo 6. Calcule o limite lı́m .
n→∞ 4n3 − 8n + 63
Resolução. Observemos que
1 7 1
3n3 + 7n2 + 1
3n3 + 7n2 + 1 3
3+ + 3
= n = n n
4n3 − 8n + 63 1 8 63
(4n3 − 8n + 63) 4− 2 + 3
n3 n n
Então, do Teorema 2 e Corolário 3, temos
7 1 7 1
3+ + 3 lı́m 3 + + 3
3n3 + 7n2 + 1 n n n→∞ n n
lı́m = lı́m =
n→∞ 4n3 − 8n + 63 8 63
n→∞ 8 63
4− 2 + 3 lı́m 4 − 3 + 3
n n n→∞ n n
7 1
lı́m 3 + lı́m + lı́m 3 3
n→∞ n→∞ n n→∞ n
= = .
8 63 4
lı́m 4 − 2 + lı́m 3
n→∞ n n→∞ n
Teorema 4: (Média aritmética).
Consideremos a sucessão {an } convergente. Se lı́m an = l, então
n→∞
a1 + a2 + · · · + an
lı́m = l.
n→∞ n
r r r !
1 3 4 n+2
Exemplo 7. Calcule o limite lı́m √ + + ··· +
n→∞ 16n2 + 3 4 5 n+3
5
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Resolução. Observemos que
r r r ! r r r !
1 3 4 n+2 n 1 3 4 n+2
lı́m √ + + ··· + = lı́m √ · + + ··· + .
n→∞ 16n2 + 3 4 5 n+3 n→∞ 2
16n + 3 n 4 5 n+3
r
n 1 n+2
Temos que lı́m √ = e lı́m = 1. Então, do Teorema 4, temos
n→∞ 2
16n + 3 4 n+3
r r r !
n 1 3 4 n+2 1 1
lı́m √ · + + ··· + = · (1) = .
n→∞ 16n + 3 n
2 4 5 n+3 4 4
Logo, r r !
r
1 3 4 n+2 1
lı́m √ + + ··· + = .
n→∞ 16n2 + 3 4 5 n+3 4
Teorema 5: (Média geométrica).
Consideremos a sucessão {an } convergente. Se lı́m an = l, então
n→∞
√
lı́m n
a1 · a2 · · · · · an = l.
n→∞
r
n 3 5 7 2n + 1
Exemplo 8. Calcule o limite lı́m · · ··· .
n→∞ 5 8 11 3n + 2
Resolução. Vejamos que
3 5 7 2n + 1
a1 = , a2 = , a3 = , · · · , an =
5 8 11 3n + 2
2n + 1 2
e lı́m an = lı́m = . Logo, do Teorema 5 de média geométrica, temos
n→∞ n→∞ 3n + 2 3
r
3 5 7 2n + 1 2
lı́m n · · ··· = .
n→∞ 5 8 11 3n + 2 3
A observação que se segue é frequentemente aplicada na resolução de alguns limites de sucessões.
Teorema 6. (
0 , 0<r<1
lı́m rn =
n→∞ +∞ , r >1
Teorema 7: (Sucessões enquadradas).
Sejam {an }, {bn } e {cn } sucessões dadas. Se existe N natural tal que para qualquer n > N
an ≤ cn ≤ bn ,
e se lı́m an = lı́m bn = l.
n→∞ n→∞
Então, lı́m an = l.
n→∞
6
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Exemplo 9. Avalie o seguinte limite
1 2 n
lı́m + + ··· + 2 .
n→∞ n2 + 1 n2 + 2 n +n
Resolução. Observemos que
1 + 2 + ··· + n 1 2 n 1 + 2 + ··· + n
≤ 2 + + ··· + 2 ≤ .
n2 + n n + 1 n2 + 2 n +n n2 + 1
Avaliando o limite das sucessões nas extremidades, temos
n(n+1)
n2 + n n2
1 + 2 + ··· + n 2 1
lı́m = lı́m = lı́m = lı́m =
n→∞ n2 + n n→∞ n2 + n n→∞ 2n2 + 2 n→∞ 2n2 2
e
n(n+1)
n2 + n n2
1 + 2 + ··· + n 2 1
lı́m = lı́m = lı́m = lı́m = .
n→∞ n2 + 1 n→∞ n2 + 1 n→∞ 2n2 + 2 n→∞ 2n2 2
Visto que
1 + 2 + ··· + n 1 1 + 2 + ··· + n
lı́m n = = lı́m n ,
n→∞ n3 + n 2 n→∞ n3 + 1
então do teorema de sucessões enquadradas deduzimos que
n 2n nn 1
lı́m 3
+ 3 + ··· + 3 = .
n→∞ n + 1 n +2 n +n 2
Teorema 8: (Critério da razão para convergência de sucessões).
an+1
Seja {an } uma sucessão de números reais. Se lı́m < 1, então lı́m an = 0.
n→∞ an n→∞
n
Exemplo 10. Prove que lı́m = 0.
n→∞ 3n
n n+1
Resolução. Sejam an = n
e an+1 = n+1 . Então,
3 3
an+1 (n + 1)3n n+1 1
lı́m = lı́m n+1
= lı́m = < 1.
n→∞ an n→∞ n3 n→∞ 3n 3
n
Então, pelo Teorema 8 de razão lı́m n = 0.
n→∞ 3
É importante termos critérios que garantam a convergência de sucessões não tão óbvias como
vimos até aqui. O critério que apresentamos a seguir, é a base para todos outros resultados e é
formulado através de conceito de sucessões estritamente crescentes, crescentes, estritamente
decrescentes e decrescentes.
Definição 5: (Sucessões monótonas).
Uma sucessão {an } é estritamente crescente se an+1 > an , para todo n natural ; é
crescente se an+1 ≥ an , para todo n natural ; é estritamente decrescente se an+1 <
an , para todo n natural e é decrescente se an+1 ≤ an , para todo n natural . Uma sucessão
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{an } é monótona se ela é sempre crescente ou decrescente.
Teorema 9.
Seja {an } uma sucessão.
1. Se {an } é crescente e limitada superiormente, então {an } converge;
2. Se {an } é decrescente e limitada inferiormente, então {an } converge.
Exemplo 11. Prove que a sucessão
1 1 1
an = + + ··· +
n+1 n+2 2n
é convergente.
Resolução. Primeiro, vamos mostrar que {an } é monótona crescente. Observemos que
1 1 1 1
an+1 = + + ··· + +
n+1+1 n+1+2 n+1+n n+1+n+1
1 1 1 1
= + + ··· + + .
n+2 n+3 2n + 1 2n + 2
Então,
1 1 1 1 1 1 1
an+1 − an = + + ··· + + − + + ··· +
n+2 n+3 2n + 1 2n + 2 n+1 n+2 2n
1 1 1
= + −
2n + 1 2n + 2 n + 1
1 1
= −
2n + 1 2n + 1
1
= > 0.
(2n + 1)(2n + 2)
Logo, {an } é monótona crescente. Mais aínda,
1 1 1
an = + + ··· +
n+1 n+2 2n
1 1 1
≤ + + ··· +
n+1 n+1 n+1
1
= n· < 1.
n+1
Deste modo, {an } é limitada. Pelo Teorema 9, an converge.
Teorema 10: ( Critério de Stolz-Cesaro).
Se {an } e {bn } são duas sucessões tais que:
1. lı́m an = lı́m an = 0 e a sucessão {an } é monótona ou
n→∞ n→∞
2. lı́m an = +∞ e a sucessão {bn } é monótona,
n→∞
então an an+1 − an
lı́m = lı́m =λ
n→∞ bn n→∞ bn+1 − bn
8
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12 + 32 + 52 + · · · + (2n − 1)2
Exemplo 12. Calcule lı́m .
n→ 12 + 22 + 33 + · · · + n2
Resolução. Para calcular este limite, aplicamos o critériode Stolz. Vemos que
an =12 + 32 + 52 + · · · + (2n − 1)2 an−1 =12 + 32 + 52 + · · · + (2n − 3)2
( (
⇒
bn =12 + 22 + 32 + · · · + n2 bn−1 =12 + 22 + 32 + · · · + (n − 1)2
e an − an−1 = (2n − 1)2 e bn − bn−1 = n2 . Logo
12 + 32 + 52 + · · · + (2n − 1)2 (2n − 1)2
lı́m = lı́m = lı́m = 4.
n→∞ n→ 12 + 22 + 33 + · · · + n2 n→∞ n2
Embora o Teorema 9 trata uma classe especial de sucessões, ela é muito mais útil do que
aparenta pois, é sempre possível extrair, de uma sucessão arbitrária {an }, uma outra sucessão
que é ou não crescente ou não-decrescente.
Definição 6: (Subsucessão).
Uma subsucessão de uma sucessão é uma sucessão da forma
an1 , an2 , an3 , · · ·
, onde ni são números naturais com
an1 < an2 < an3 · · ·
Lema 11. Qualquer sucessão {an } contém uma subsucessão que é ou não-crescente ou não-
decrescente.
Suponhamos que {ank } é uma subsucessão de uma sucessão {an } e lı́m ank = α. Então, o
k→∞
valor α chamamos de limite parcial da sucessão an . Ao maior dos limites parciais chamamos
limite superior de {an } (denotamos limn→∞ an ) e ao menor dos limites chamamos limite inferior
(denotamos limn→∞ an ). Em particular, se an é convergente, então lim an = lim an .
n→∞ n→∞
3
Exemplo 13. Dada a sucessão an = (−1)n−1 2+ , calcule lim an e lim an .
n n→∞ n→∞
Resolução. Todos termos desta sucessão encontram-se em duas subsucessões: Uma com índice par
e outra com índice impar
3
a2k = − 2+ , lim a2k = −2
2k n→∞
3
a2k+1 = 2+ , lim a2k+1 = 2.
n n→∞
Então, lim an = −2 e lim an = 2.
n→∞ n→∞
Se assumirmos que a sucessão original {an }é limitada, então podemos provar o seguinte resultado.
9
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Corolário 12: (Teorema Bolzano-Weierstrass). Qualquer sucessão limitada, tem uma
subsucessão convergente.
Para garantirmos a convergência de sucessões, introduzimos a condição de Cauchy que é também
a condição suficiente de convergencia.
Definição 7: (Condição de Cauchy).
Uma sucessão {an } é sucessão de Cauchy se para qualquer ϵ > 0, existe um número natural
N tal que para todos m e n
se m, n > N, então |an − am | < ϵ.
(Esta condição geralmente escreve-se lı́m |an − am | = 0.)
n→∞
Teorema 13.
Uma sucessão {an } é convergente se e somente se esta é uma sucessão de Cauchy
Exemplo 14. Mostre que a sucessão
cos 1 cos 2 cos 3 cos n
an = + 2 + 3 + ··· + n .
3 3 3 3
Resolução. Seja m > n. Avaliemos o módulo da diferença |am − an |.
cos 1 cos 2 cos 3 cos m cos 1 cos 2 cos 3 cos n
|am − an | = + 2 + 3 + ··· + m − + 2 + 3 + ··· + n
3 3 3 3 3 3 3 3
cos(n + 1) cos(n + 2) cos(n + 3) cos m
= + + + ··· + m
3n+1 3n+2 3n+3 3
1 1 1 1
≤ n+1
+ n+2 + n+3 + · · · + m
3 3 3 3
1 1 1 1 1
= + + + · · · + m−n
3n 3 32 33 3
1
< < ϵ.
3n
para m > n e n > − logϵ3 . Exploramos o facto que
1 1 1 1
+ 2 + 3 + · · · + m−n
3 3 3 3
é a soma de m − n termos de uma progressão geométrica.
Para mais detalhes sobre este tema, consulte as referências [1], [2], [3].
Referencias
1 ALVES, M. J. Elementos de análise matemática: Parte i. DMI, Maputo, 2001.
2 SPIVAK, M. Calculus. [S.l.]: Cambridge University Press, 2006.
3 RAMOS, E. E. Sucesiones y series infinitas. [S.l.: s.n.], 1928.
10