As cidades medievais
As cidades medievais tiveram um crescimento bastante desordenado e sem nenhuma
infra-estrutura. As ruas eram estreitas e sinuosas, não havia sistema de esgoto, as edificações
eram quase todas de madeira. Em face a essas condições, as epidemias e os incêndios eram
frequentes e chegavam a devastar cidades inteiras.
Em termos populacionais, as cidades eram constituídas, fundamentalmente, por
elementos dedicados ao comércio e ao artesanato, sendo que, via de regra, eles se diferenciavam
em dois grupos: o dos comerciantes e Artesões que se dedicavam à produção para o mercado
externo e o dos que se dedicavam à produção para o consumo local. O primeiro desses grupos
tendia a ser mais forte e rico, embora menos numeroso; tendia, também, a controlar política e
administrativamente a cidade.
De um modo geral, eles eram chamados de Burgueses, sendo que os primeiros deram
origem à "grande burguesia" e os demais, à “pequena burguesia”. Eram frequentes os choques
entre os dois grupos acerca do controle da cidade.
Secundariamente, viviam nas cidades elementos do Clero e da Nobreza, especialmente
da pequena nobreza. Só em algumas regiões da Itália, da França meridional e da Espanha era
comum os membros da alta nobreza viverem no perímetro urbano.
Praticamente todas as cidades medievais, em suas origens, estavam agregadas a algum
feudo e, portanto, na dependência de um Senhor Feudal que exercia sobre ela o mesmo tipo de
dominação feudal que realizava na zona rural. O fato de terem de pagar tributos aos Senhores
Feudais constituía-se em elemento nocivo ao desenvolvimento das cidades; por isso, os seus
habitantes tenderam a se organizar com vistas à emancipação da cidade.
Indubitavelmente, as cidades medievais apresentam uma extraordinária variedade. Cada
uma delas possui a sua fisionomia e o seu carácter típico. Portanto, o comércio e a indústria
fizeram delas o que elas foram.
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A vida urbana
A vida urbana não se desenvolveu de início, excepto num número demasiado restrito de
localidades pertencentes à Itália do Norte, assim como os Países Baixos e as regiões vizinhas.
O Renascimento Comercial e Cultural
No período que se configura como a transição do Feudalismo para o Capitalismo, as
artes, o pensamento e o conhecimento científico passaram por um processo de muitas mudanças,
que foi denominado Renascimento Cultural. O termo Renascimento deve ser entendido como a
retomada (renascer) do estudo de textos da cultura clássica greco-latina.
O Renascimento representou a redescoberta do conhecimento e do estudo fora do âmbito
daquelas matérias permitidas pela Igreja. A aproximação do Renascimento com a burguesia foi
claramente percebida no interior das grandes cidades comerciais italianas do período. Génova,
Veneza, Milão, Florença e Roma eram grandes centros de comércio onde a intensa circulação
de riquezas e ideias promoveram a ascensão de uma notória classe artística italiana.
As grandes rotas comerciais da Europa século XVI-XVII