Proibições e Princípios da Contabilidade
Proibições e Princípios da Contabilidade
SUMÁRIO
Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Regimes contábeis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Princípios contábeis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
INTRODUÇÃO
O nosso material está dividido em dez capítulos. Primeiramente vamos estudar o estágio atual
da contabilidade pública brasileira. Em seguida, veremos o conceito, os objetivos e os usuários
da contabilidade pública. Apresentaremos as características qualitativas da informação contábil,
o conceito da entidade que reporta a informação, os regimes e os princípios contábeis. A seguir
entraremos na parte mais técnica, explorando os procedimentos contábeis orçamentários e os
patrimoniais, o plano de contas aplicado ao setor público e, por fim, as demonstrações contábeis.
Figura 1 – Contabilidade.
A ciência contábil de forma geral vem, há alguns anos, passando por um processo de reestruturação
com vistas a uma convergência das normas contábeis a um padrão internacional. No Brasil esse
processo iniciou-se pela contabilidade societária (área privada) com a atualização da Lei n.º 6.404/76
(Lei das Sociedades Anônimas), pelas Leis n.º 11.638/2007 e 11.941/2009. Destaca-se, ainda, que
atualmente tal convergência se encontra em um nível avançado de implantação.
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Ainda em 2008, por meio da edição de Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor
Público pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), NBC. T 16.1 a 16.11 (inspiradas nas IPSAS),
assim como pela edição em 2009, por parte da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), do Manual de
Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP), iniciou-se de fato o processo de convergência
no setor público.
Essa mudança aproximou o setor público dos padrões contábeis da contabilidade societária,
transferindo o foco da informação contábil do orçamento para o patrimônio público, o que de certa
forma foi um choque, pois o padrão até então vigente era oriundo da Lei n.º 4320, de 1964. Dessa
forma, a contabilidade pública transfigurou-se de uma ciência destinada tão somente ao controle
do orçamento para uma “contabilidade patrimonial” com foco no provimento de informações úteis
e tempestivas aos gestores para efetiva tomada de decisão.
Além disso, ressalta-se que o MCASP prevê o Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP),
que é um plano de contas único para toda a federação, ou seja, União, estados, Distrito Federal e
municípios devem utilizar o mesmo plano de contas.
Em 2016, o processo de convergência passou para uma nova etapa, uma vez que foi editada pelo
CFC a Estrutura Conceitual da Contabilidade Aplicada ao Setor Público, norma de fato convergida aos
padrões internacionais, uma vez que as normas anteriores eram apenas inspiradas nas IPSAS. Essa
norma é importante; por ser a “mãe” das demais, ela que dá o norte dos procedimentos contábeis
que devem ser adotados na área pública. Ela tem um peso grande, pois definiu a sociedade como
usuária principal da informação contábil, além de revogar as normas anteriores publicadas em 2008
(NBC T 16.1 a 1.5) e a resolução nº 750/1993, que previa os princípios de contabilidade.
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ACONTECEU
Para entender mais sobre a Estrutura Conceitual você pode assistir à apresentação do coordenador-
geral de Normas Aplicadas à Federação, da Secretaria do Tesouro Nacional e membro do Grupo
Assessor de Normas do Setor Público do CFC, Leonardo Nascimento, realizada na ESAF no dia
28/09/2016.
Link: [Link]
Obs.: A palestra começa aos [Link] do vídeo, e tem duração de cerca de 40 minutos.
Nessa etapa do processo de convergência, o CFC publicou, ainda em 2016, mais cinco normas
convergidas, para efeito a partir de 2017, as quais tratavam de receitas de transações com e sem
contraprestação; provisões, passivos e ativos contingentes; estoques; e concessões de serviços
públicos, na ótica do concedente. Em 2017 foram publicadas mais algumas normas, e chegaremos
ao fim dessa etapa em 2022, quando se totalizará 32 normas convergidas.
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Da mesma forma, o MCASP (STN, 2016, p. 24) também traz sua abrangência:
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O quadro a seguir resume o alcance da contabilidade pública. Cabe destacar que empresas
públicas e sociedades de economia mista só estão abrangidas quando integram o orçamento fiscal
e da seguridade social, ou seja, quando são dependentes.
CURIOSIDADE
Embora a Estrutura Conceitual seja a norma mãe, quando houver conflito com outra NBC TSP
prevalecem as disposições específicas vigentes nesta última em relação às constantes na primeira.
Além disso, o MCASP está no topo da hierarquia das normas aplicadas a contabilidade pública, ou
seja, primeiro busca-se a orientação no Manual; se o conflito não for atendido vai-se para as Normas
Específicas e, por fim, para a Estrutura Conceitual.
A seguir veremos o conceito da contabilidade pública, seus objetivos e quem são os usuários
da informação contábil.
Conceito
A contabilidade pública é uma contabilidade diferente da do setor privado? É a mesma coisa?
Sempre que se começa a estudar este conteúdo surgem essas dúvidas, e podemos dizer que
ela já foi totalmente diferente da contabilidade do setor privado. Antes do início do processo de
convergência destacado no tópico inicial do nosso estudo, o foco e um dos objetos da contabilidade
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pública era o orçamento, o que a tornava bem distinta da contabilidade societária. Com a convergência,
a contabilidade pública se aproximou da contabilidade do setor privado, e o que as diferencia são
apenas as especificidades, tanto que passou a ser denominada de contabilidade aplicada ao setor
público. É simplesmente mais um ramo da contabilidade, e não mais uma “coisa” totalmente diferente.
Por sua vez, Piscitelli e Timbó (2014, p. 7) definem que a contabilidade pública
Kohama (2006, p. 25) ainda acrescenta que “é o ramo da contabilidade que estuda, orienta,
controla e demonstra a organização e execução da fazenda pública; o patrimônio público e suas
variações”.
Objetivos
A NBC TSP Estrutura Conceitual, item 2.1, destaca que “os objetivos da elaboração e divulgação
da informação contábil estão relacionados ao fornecimento de informações sobre a entidade do
setor público que são úteis aos usuários” dos Demonstrativos Contábeis, que a Estrutura Conceitual
chama de Relatórios Contábeis de Propósito Geral das Entidades do Setor Público (RCPGs), visando
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Cabe destacar que a informação contábil não deve ser um fim em si mesma. O propósito é
prover os usuários de informações que possam ser utilizadas no processo decisório. Portanto, os
objetivos de se elaborar e divulgar a informação contábil devem ser balizados pelos usuários dos
demonstrativos contábeis, de forma a atender suas necessidades.
Os usuários primários são aqueles que não detêm a prerrogativa de exigir que as informações
dos demonstrativos contábeis atendam às suas necessidades específicas. Esses usuários utilizam
as informações dos RCPGs para verificar a utilização dos recursos públicos, para tomar decisões
e com vistas à responsabilização (accountability).
Dessa maneira, os usuários primários da informação contábil são os usuários dos serviços e
seus representantes, e os provedores de recursos e seus representantes. Os usuários de serviços
públicos são aqueles que não necessariamente contribuem com recursos financeiros, mas fazem
uso do serviço público; por outro lado, os provedores necessariamente contribuem financeiramente
de alguma forma com o poder público.
Já o outro grupo, o de usuários com propósitos distintos, são aqueles que fazem uso da
informação com o objetivo de atender suas necessidades específicas.
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A Estrutura Conceitual (CFC, 2016, p. 13) apresenta, em seu item 2.11, a necessidade de informação
dos usuários dos serviços e dos provedores de recursos:
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ii. os recursos físicos e outros disponíveis atualmente para dar suporte à prestação
de serviços no futuro (a sua capacidade operacional); e
“As características qualitativas da informação incluída nos RCPGs são atributos que tornam
a informação útil para os usuários e dão suporte ao cumprimento dos objetivos da informação
contábil” (CFC, 2016, p. 17). O objetivo da elaboração e da divulgação da informação contábil,
importante lembrar, é dar suporte à prestação de contas e à accountability, além de subsidiar a
tomada de decisão.
Nos tópicos a seguir vamos detalhar cada uma das características qualitativas.
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Relevância
A informação é tida como relevante quando é capaz de impactar no processo de tomada de
decisão do usuário da informação contábil. Significa dizer que exerce influência suficiente a ponto
de fazer cumprir com seus objetivos. Nesse contexto, a NBC TSP Estrutura Conceitual acrescenta
que “as informações financeiras e não financeiras são capazes de exercer essa influência quando
têm valor confirmatório, preditivo ou ambos” (CFC, 2016, p. 18, grifo nosso). A informação pode ser
relevante, ainda que algum usuário opte por não considerá-la ou já tiver conhecimento dela.
Cabe destacar que a informação tem valor confirmatório quando tem a possibilidade de confirmar
expectativas, por exemplo, a expectativa de aumento na capacidade produtiva oriunda da aquisição
de um equipamento novo. Por sua vez, a informação tem valor preditivo quando pode predizer
(prever) eventos ou resultados futuros, ou seja, refere-se às alocações futuras de recursos.
Figura 2 – Relevância.
Representação fidedigna
Outra característica qualitativa da informação contábil é a representação fidedigna, a qual é
“alcançada quando a representação do fenômeno é completa, neutra e livre de erro material” (STN,
2016, p. 26). Podemos destacar a primazia da essência sobre a forma, uma vez que a essência da
transação deverá ser representada pela contabilidade, independente da sua forma jurídica.
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Apresenta os requisitos da característica qualitativa da representação fidedigna. Fonte: elaborado pelo autor.
Compreensibilidade
Na sequência temos a compreensibilidade, a qual reflete a qualidade e a clareza da informação.
Significa dizer que o usuário consegue compreender o que é apresentado.
Tempestividade
“Tempestividade significa ter informação disponível para os usuários antes que ela perca a
sua capacidade de ser útil para fins de prestação de contas e responsabilização (accountability) e
tomada de decisão” (CFC, 2016, p. 20).
Comparabilidade
Outra característica qualitativa da informação contábil é a comparabilidade. A informação é
dita comparável quando “possibilita aos usuários identificar semelhanças e diferenças entre dois
conjuntos de fenômenos” (STN, 2016, p. 26, grifo nosso). Além disso, a NBC TSP Estrutura Conceitual
deixar bem claro que comparabilidade não se confunde com consistência e uniformidade, e não
deve ser analisada individualmente e sim para dois ou mais itens de informação.
Verificabilidade
Por fim, temos a última característica qualitativa da informação contábil, a verificabilidade, que
é “a qualidade da informação que ajuda a assegurar aos usuários que a informação contida nas
demonstrações contábeis representa fielmente os fenômenos econômicos ou de outra natureza
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que se propõe a representar” (CFC, 2016, p. 26). A verificabilidade se refere também à hipótese de
observadores distintos, independentes entre si, chegarem a um consenso geral quanto à informação
apresentada.
Materialidade
Observem que há uma similaridade de conceitos entre materialidade e relevância, uma vez
que ambos se relacionam com a influência que a informações exerce sobre o usuário. Contudo, a
definição de informação material é enfática no aspecto da omissão ou distorção da informação.
Custo-benefício
A última restrição é o equilíbrio entre as características qualitativas, uma vez que elas são
integradas entre si, ou seja, funcionam em conjunto para produção da informação útil. O MCASP (STN,
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2016, p. 27) exemplifica que “nem a descrição que represente fielmente um fenômeno irrelevante,
nem a descrição que represente de modo não fidedigno um fenômeno relevante resultam em
informação útil”. Ainda acrescenta que, para ser relevante, a informação precisa ser tempestiva e
compreensível.
A NBC TSP Estrutura Conceitual (CFC, 2016, p. 24) faz a seguinte observação:
Então, para fecharmos este tópico, apresento a figura a seguir, que resume os assuntos estudados:
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Esse conceito também abrange o conjunto de duas ou mais entidades que apresentem as
demonstrações como se fossem uma só entidade. A norma referencia essa nova entidade como
grupo de entidades que reportam a informação contábil (CFC, 2016).
A NBC TSP Estrutura Conceitual (CFC, 2016, p. 24) ressalta duas características-chave das
entidades que reportam a informação contábil:
É uma entidade que capta recursos dos cidadãos ou em nome destes e/ou utiliza
recursos para realizar atividades em benefício desses cidadãos; e
REGIMES CONTÁBEIS
Esse tópico tem o objetivo de tratar de um assunto base para o que veremos mais à frente:
os regimes aplicáveis à ciência contábil. A literatura contábil nos apresenta dois regimes de
reconhecimento da informação, o regime de competência e o regime de caixa.
Por sua vez, o regime de caixa considera o fluxo de recebimentos e pagamentos, ou seja, quando
há afetação do caixa.
Exemplos:
a) Imagine a assinatura anual de uma revista que custa $ 150,00, em que a quantia será paga
ao editorial em 3 vezes sem juros de $ 50,00. Para o regime de caixa deve-se considerar
o valor pago de $ 50,00 todo mês como a despesa incorrida. Por outro lado, ao se utilizar
o regime de competência, a despesa seria de $ 12,50 ($ 150,00/12) referente a cada mês
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em que a assinatura da revista foi realizada, sem levar em consideração a forma como o
pagamento foi efetivado.
b) Pressuponha a venda de uma bicicleta para pagamento em 90 dias. Quando se utiliza
o regime de caixa a receita só será considerada ganha quando do efetivo recebimento;
significa dizer que a receita só será reconhecida em 90 dias, quando o pagamento for
realizado. Por sua vez, no regime de competência, a receita seria reconhecida no momento
da venda do bem, independente do instante do pagamento.
Nesse contexto, cabe destacar que o regime de competência é o aceito pela ciência contábil e
previsto na NBC TSP Estrutura Conceitual do Setor Público.
Dessa maneira, a lei é bem específica ao determinar que a contabilidade deve evidenciar os fatos
ligados à execução financeira e patrimonial, ou seja, o resultado patrimonial deve ser apurado e
isso é feito por meio das contas de receitas e despesas, e não só isso, mas também a composição
patrimonial deve ser evidenciada. Os artigos 100 e 104 da lei supracitada acrescentam:
[...]
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oportunidade. Por outro lado, sob o enfoque orçamentário, o reconhecimento se dá conforme preceitua
o art. 35 da Lei nº 4.320/64, ou seja, as receitas devem ser reconhecidas no momento da arrecadação
e as despesas no momento do empenho. Como se verá mais à frente em nosso estudo, o PCASP
permite a contabilização desses dois enfoques de maneira independente.
Apresenta os regimes de contabilização pelo enfoque patrimonial e pelo orçamentário. Fonte: elaborado pelo autor.
PRINCÍPIOS CONTÁBEIS
Outro ponto a se destacar antes de aprofundarmos o nosso estudo são os princípios contábeis.
Como já mencionado, a NBC TSP Estrutura Conceitual revogou a Resolução CFC nº 750/1993, a
qual tratava dos princípios de contabilidade, quais sejam: entidade, continuidade, oportunidade,
registro pelo valor original, competência e prudência.
Quando da publicação da EC, muitas pessoas estranharam que uma norma do setor público
revogasse uma resolução tão importante, que atendia toda a contabilidade (inclusive a área privada).
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Na verdade, a resolução já deveria ter sido revogada em 2011, quando foi editada a NBC TG
Estrutura Conceitual (também conhecida como CPC 00), ou seja, a Estrutura Conceitual da área
privada; contudo, a resolução dos princípios não foi revogada, pois naquele momento ela era o
que dava base conceitual para a contabilidade pública. Portanto, com a edição de uma Estrutura
Conceitual para o setor público, não se fez mais necessário uma resolução tratando de princípios.
O CFC, por meio do artigo de Girotto (2016), apresentou uma série de opiniões de acadêmicos e
técnicos da área sobre a revogação da resolução dos princípios. A seguir reproduzimos algumas;
no geral, todos entenderam como acertada a decisão pela revogação.
A revogação da Resolução nº 750/1993 me deixou muito satisfeito, porque não é bom para a
contabilidade a existência de duas Estruturas Conceituais para as mesmas entidades, ainda mais
aprovadas pelo mesmo órgão. Acabou agora o meu desconforto. Desconforto que seria muito maior
existindo duas Estruturas Conceituais para entidades comerciais e outra para entidades públicas.
Assim, acho que, com essa revogação, o CFC está agindo em prol da unificação de entendimentos,
da Contabilidade, da nossa classe e, inclusive, em prol da simplificação perante nossos usuários.
Só tenho a parabenizar o Conselho Federal.
Ernani Ott, professor da Unisinos e diretor presidente da Associação Nacional de Programas de Pós-
Graduação em Ciências Contábeis (Anpcont).
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Assim, como ente instituído para velar pelo regramento contabilístico aplicado no Brasil, o CFC age
com prudência e acerto, eliminando a possibilidade de conflito normativo, ao revogar a Resolução nº
750/1993, considerando a inserção do Brasil no padrão internacional.
A adoção das IFRS pressupõe igualmente a observância da estrutura conceitual aprovada pelo Iasb,
visto que é a base utilizada pelo Board para desenvolver as normas internacionais, bem como para
analisar questões relativas à aplicação consistente dessas normas. Adicionalmente, a estrutura
conceitual do Iasb auxilia as entidades a avaliar alternativas e desenvolver políticas contábeis,
com base em princípios que promovam a representação fidedigna dos eventos econômicos nas
situações em que nenhuma IFRS específica se aplique a determinada transação ou, ainda, quando
a norma existente permite a definição de política contábil, mediante a inclusão de opções para
o reconhecimento de tais eventos. Finalmente, além do Iasb e das entidades responsáveis pela
elaboração e divulgação de relatórios financeiros, a estrutura conceitual facilita a compreensão e a
interpretação das IFRS pelos usuários.
Cabe destacar que os princípios não foram extintos, apenas se buscou uma unicidade conceitual.
Além disso, alguns ainda continuaram expressos no texto da Estrutura Conceitual, como é o caso
do princípio da continuidade e o da competência.
Princípios orçamentários
Como bem diz o MCASP (STN, 2016, p. 33),
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SAIBA MAIS
Caso você não tenha domínio do processo orçamentário, sugiro assistir os vídeos elaborados pelo
Senado Federal que explicam didaticamente todo o processo. A coletânea se chama “Orçamento
Fácil” e está disponível no link a seguir:
<[Link]
Receitas orçamentárias
O MCASP (STN, 2016, p. 34) informa que “o orçamento é um importante instrumento de planejamento
de qualquer entidade, seja pública ou privada, e representa o fluxo previsto de ingressos (receitas)
e de aplicações de recursos (despesas) em determinado exercício”.
A receita orçamentária está detalhada no art. 3º, em conjunto com o art. 57, além do art. 35 da
Lei nº 4.320/1964:
Art. 57. Ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 3º desta lei serão
classificadas como receita orçamentária, sob as rubricas próprias, todas as receitas
arrecadadas, inclusive as provenientes de operações de crédito, ainda que não
previstas no Orçamento.
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Para uma adequada prestação de serviços à sociedade, o Estado necessita arrecadar dinheiro
para que tenha condições de cumprir com seus objetivos. Desse mote, surge a receita pública, que
nada mais é do que os ingressos de valores nos cofres públicos.
De maneira geral, como disposto no MCASP (STN, 2016, p. 35) “os ingressos de recursos
financeiros nos cofres do Estado denominam-se receitas públicas”. Nesse sentido, quando representar
disponibilidade de recurso financeiro para o Estado, ou seja, se é um recurso que o estado pode
gastar, deve-se reconhecer como receita orçamentária. Por outro lado, quando forem apenas
entradas de ordem compensatória (por exemplo, caução), o reconhecimento deve se dar como
ingressos extraorçamentários.
Quadro 5 – Ingressos de recursos financeiros nos cofres públicos (receitas públicas em sentido amplo).
a) Receita orçamentária efetiva: aquela em que o ingresso de recursos não foi precedido
de registro de reconhecimento do direito e não constituem obrigações correspondentes,
ou seja, há um fato modificativo, esse ingresso impactará positivamente a situação
patrimonial líquida da entidade.
b) Receita orçamentária não efetiva: aquela em que o ingresso de recursos foi precedido
de registro do reconhecimento do direito ou constituem obrigações correspondentes,
como é o caso das operações de crédito. Significa dizer que neste caso ocorre um fato
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Esse tipo de receita ocorre quando o Estado “dá origem” a uma receita, como quando aluga,
por exemplo, uma propriedade em troca de um valor.
Já a receita derivada é aquela que “deriva” do poder coercitivo do Estado. Sob fundamento
legal, o estado impõe ao particular sua vontade e aufere rendas que são advindas de sua soberania,
afirmando sua superioridade em relação ao particular. Exemplo é a imposição ao contribuinte de
pagar os tributos.
Nesse contexto, a receita primária (ou não financeira) é composta por ingressos que não possuem
como origem eventos que irão gerar encargos financeiros. Portanto, engloba as receitas correntes
e de capital, menos as receitas financeiras.
Por sua vez, as receitas financeiras são oriundas de transações no mercado financeiro, por
exemplo, operações de crédito e aplicações financeiras. São valores que criam para o Estado uma
obrigação futura de desembolso, ou extinguem um direito de recebimento futuro.
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A codificação para o governo federal é definida por meio de portaria da Secretaria de Orçamento
Federal (SOF). Já para os demais entes (estados, DF e municípios) a definição se dá por Portaria
Interministerial (SOF e STN).
Portanto, cabe destacar que a classificação da receita por natureza é obrigatória para todos
os entes da federação, além de representar o menor nível de detalhamento das informações
orçamentárias sobre as receitas públicas.
Essa classificação passou por uma alteração recentemente e já foi aplicada para o governo
federal na lei orçamentária de 2016; para os demais entes, a implantação se dará no orçamento de
2018. Por conseguinte, a proposta orçamentária que é trabalhada em 2017 já leva em conta essa
nova codificação. Em razão disso, vamos detalhar apenas a codificação nova, a qual foi estabelecida
pela Portaria STN/SOF nº 05, de 25 de agosto de 2015.
C O E DDDD T
O MCASP (STN, 2016, p.37) apresenta como exemplo “quando [...] o imposto de renda pessoa
física é recolhido dos trabalhadores, aloca-se a receita pública correspondente na natureza de
receita código ‘[Link].01.1.1’”. Veja no quadro a seguir a classificação:
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E Espécie 1 Impostos
T Tipo 1 Principal
A classificação por categoria econômica foi construída com base em critérios econômicos. A
categoria nos diz se o Estado possui recursos para prestar os serviços (saúde, educação, segurança
etc.) à população, ou, ainda, se possui recursos para financiar despesas que contribuem para a
produção do país, investimentos, ou para mero custeio das atividades estatais.
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As receitas correntes, geralmente, não financiam bens de capital e são consideradas receitas
efetivas, pois são arrecadadas pelo Estado e aumentam suas disponibilidades de caixa, aumentando
também o patrimônio líquido.
Por sua vez, as receitas de capital, via de regra, financiam bens de capital, mas são ingressos
que não afetam o patrimônio líquido (receitas não efetivas), embora represente aumento nas
disponibilidades do ente.
Destaca-se, ainda, que existem as operações intraorçamentárias, que são aquelas realizadas
dentro (intra) do orçamento, ou seja, entre os órgãos e entidades que integram o orçamento fiscal e da
seguridade social. Por exemplo, quando o Ministério da Educação contrata a Imprensa Nacional para
fazer uma publicação, essa é uma operação intraorçamentária. Essas operações “não representam
novas entradas de recursos nos cofres públicos do ente, mas apenas movimentação de receitas
entre seus órgãos” (STN, 2016, p. 38).
Dessa maneira, o quadro a seguir apresenta a codificação da receita por categoria econômica.
A Lei nº 4.320/1964 prevê os seguintes códigos de origem para as receitas correntes e de capital:
Origem da receita
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6 Receita de serviços
7 Transferências correntes
Por fim, temos o último dígito, relativo ao tipo, que tem o objetivo de retratar o tipo de arrecadação
a que aquela natureza se refere. Temos os seguintes tipos, conforme prevê o MCASP (STN, 2016,
p. 40):
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Espécie
Origem
Tipo
1 Receita principal
As etapas (ou estágios) da receita seguem a cronologia dos fenômenos econômicos, tendo
em vista o modelo de orçamento existente no país, sendo que podemos dividir pela etapa do
planejamento e pela da execução. A figura a seguir resume essas etapas.
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Apresenta as etapas da receita orçamentária, passando pelo planejamento até a execução. Fonte: SOF (2017, p. 26).
Atenção!
Nem todas as etapas ocorrem para todos os tipos de receitas orçamentárias. Pode ocorrer
arrecadação de receitas não previstas e também das que não foram lançadas, como é o caso de uma
doação em espécie recebida pelos entes públicos.
Previsão
A previsão da receita é a etapa do planejamento, ou seja, “efetuar a previsão implica planejar e
estimar a arrecadação das receitas que constará na proposta orçamentária. Isso deverá ser realizado
em conformidade com as normas técnicas e legais correlatas” (SOF, 2017, p. 27). Nesse contexto,
segue o artigo 12 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF):
Lançamento
A Lei nº 4.320/1964, em seu artigo 53, define que “o lançamento da receita é ato da repartição
competente, que verifica a procedência do crédito fiscal e a pessoa que lhe é devedora e inscreve
o débito desta”.
Nesse contexto, o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro
de 1966) define lançamento como
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Cabe destacar, conforme os artigos 142 a 150 do CTN, que a etapa do lançamento se refere
à constituição de crédito tributário, logo, deve ser aplicada a impostos, taxas e contribuições de
melhoria. Não há lançamento, por exemplo, em uma receita oriunda de uma doação.
Arrecadação
“Corresponde à entrega dos recursos devidos ao Tesouro Nacional pelos contribuintes ou
devedores, por meio dos agentes arrecadadores ou instituições financeiras autorizadas pelo ente”
(SOF, 2017, p. 28).
Recolhimento
O recolhimento é a última etapa da receita e, como o próprio nome já diz, consiste em recolher
os valores arrecadados aos cofres do Tesouro Nacional, ou seja, a Conta Única, em obediência ao
princípio da unidade de tesouraria previsto no artigo 56 da Lei nº 4.320/1964: “O recolhimento de
todas as receitas far-se-á em estrita observância ao princípio de unidade de tesouraria, vedada
qualquer fragmentação para criação de caixas especiais”.
Despesas orçamentárias
O MCASP (STN, 2016, p. 69) define que “a despesa orçamentária pública é o conjunto de
dispêndios realizados pelos entes públicos para o funcionamento e manutenção dos serviços
públicos prestados à sociedade”.
Por outro lado, temos o dispêndio extraorçamentário que, como o próprio nome induz, são
aqueles que não estão previstos no orçamento, “compreendendo determinadas saídas de numerários
decorrentes de depósitos, pagamentos de restos a pagar, resgate de operações de crédito por
antecipação de receita e recursos transitórios” (STN, 2016, p. 69).
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Classificações da despesa
Assim como para a receita, podemos atribuir diversas classificações para a despesa orçamentária,
as quais veremos a seguir.
Por sua vez, despesa orçamentária não efetiva é “aquela que, em geral, o comprometimento
do orçamento (empenho) constitui o reconhecimento de um bem, um direito ou uma obrigação
correspondente” (STN, 2016, p. 69). Logo, a despesa não efetiva é aquela que, no momento da sua
realização, não reduz o patrimônio líquido da entidade, constituindo um fato contábil permutativo.
Exemplo: a aquisição de um imóvel.
As despesas primárias são aquelas que possuem caráter não financeiro, composta por
desembolsos que o Estado realiza para desenvolver políticas públicas. Gastos com custeio, pessoal
e encargos sociais são exemplos típicos de despesas primárias.
Já as despesas financeiras, como o próprio nome já diz, possuem caráter financeiro e não
compõem o cálculo do resultado primário. Por exemplo, temos os desembolsos com juros e
amortização da dívida.
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Classificação institucional
A classificação institucional contempla de que forma os créditos orçamentários são alocados
na organização; portanto, tem o objetivo de demonstrar que efetuou a despesa. Nesse contexto,
divide-se em órgão orçamentário e unidade orçamentária.
A classificação institucional tem um código composto por cinco dígitos, sendo os dois primeiros
referentes ao órgão orçamentário e os três últimos à UO.
Classificação funcional
A classificação funcional mostra em que áreas da ação governamental a despesa será realizada.
Essa classificação se divide em funções e subfunções, sendo que cada ação orçamentária identificará
a função e a subfunção a que se vinculam. A Portaria nº 42/1999, do então Ministério do Orçamento
e Gestão, instituiu a classificação funcional e estabelece classificações mínimas para ambas as
esferas de governo (União, estados, Distrito Federal e municípios).
A função pode ser traduzida como o maior nível de agregação das diversas áreas de atuação
do setor público. Normalmente tem relacionamento com a atividade fim do órgão, como saúde,
educação ou defesa.
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Segundo a Portaria MOG nº 42/1999, todos os entes devem ter seus trabalhos organizados por
programas e ações, contudo, têm a autonomia para detalhar os seus próprios programas e ações.
operações das quais resultam produtos (bens ou serviços), que contribuem para
atender ao objetivo de um programa. Incluem-se também no conceito de ação as
transferências obrigatórias ou voluntárias a outros entes da Federação e a pessoas
físicas e jurídicas, na forma de subsídios, subvenções, auxílios, contribuições e
financiamentos, dentre outros.
As ações, conforme suas características, podem ser classificadas como atividades, projetos
ou operações especiais. O quadro a seguir resume essa classificação.
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A Lei nº 4.320/1964, em seus artigos 12 e 13, versa sobre a classificação da despesa orçamentária
por categoria econômica e por elementos.
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1. Categoria econômica
3 – Despesas correntes
“Classificam-se nessa categoria todas as despesas que não contribuem, diretamente, para a
formação ou aquisição de um bem de capital” (STN, 2016, p. 74).
4 – Despesas de capital
“Classificam-se nessa categoria aquelas despesas que contribuem, diretamente, para a formação
ou aquisição de um bem de capital” (STN, 2016, p. 74).
3. Modalidade de aplicação
A modalidade de aplicação informa de que maneira os recursos são aplicados, ou seja, se são
utilizados de forma direta por órgão ou entidades na mesma esfera de governo ou por outro ente da
Federação, ou ainda por meio de transferência para instituições públicas ou privadas. “A modalidade
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tem por finalidade identificar os objetos de gasto, tais como vencimentos e vantagens
fixas, juros, diárias, material de consumo, serviços de terceiros prestados sob qualquer
forma, subvenções sociais, obras e instalações, equipamentos e material permanente,
auxílios, amortização e outros que a administração pública utiliza para a consecução
de seus fins.
Assim como a receita possui etapas a serem cumpridas até o efetivo recolhimento aos cofres
públicos, a despesa também tem uma série de etapas até a saída de numerário dos cofres públicos.
A fixação diz respeito às despesas inseridas na lei orçamentária anual, ou seja, é o quanto o
legislativo fixou de despesa (limite de gastos) para um exercício. Cabe lembrar que as despesas
fixadas devem ser iguais às receitas previstas (princípio do equilíbrio).
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A etapa da execução inicia pelo empenho, que, de acordo com o art. 58 da Lei nº 4.320/1964, é o
“ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente
ou não de implemento de condição”. Significa dizer que o empenho é uma separação de parte do
orçamento para ser utilizada com uma determinada finalidade.
consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e
documentos comprobatórios do respectivo crédito” e tem por objetivo apurar:
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II – a nota de empenho;
Contudo, o PCASP (que será visto em detalhes mais à frente) incluiu a fase da execução da
despesa “em liquidação”, que busca o registro contábil no patrimônio de acordo com a ocorrência do
fato gerador, não do empenho. Essa regra possibilita a separação entre os empenhos não liquidados
que possuem fato gerador dos que não possuem, evitando assim a dupla contagem para fins de
apuração do passivo financeiro.
Por fim, o último estágio da execução da despesa é o pagamento, que consiste na entrega de
numerário ao credor por meio de cheque nominativo, ordens de pagamentos ou crédito em conta,
e só pode ser efetuado após a regular liquidação da despesa.
Apresenta as etapas da despesa pública, passando pelo planejamento até a execução. Fonte: elaborado pelo autor.
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Restos a pagar
Os restos a pagar equivalem às obrigações da entidade que, por algum motivo, passaram pela
etapa do empenho, mas não foram pagos até o final do exercício financeiro, ou seja, “restou” a pagar,
pois a administração pública reservou dotação orçamentária e firmou compromisso financeiro com
o fornecedor por meio do empenho, mas não realizou o pagamento.
Os restos a pagar se dividem em processados e não processados, sendo que estes se referem
a despesas empenhadas que não foram pagas e nem liquidadas, já aqueles se referem a despesas
empenhadas que não foram pagas, mas já foram liquidadas.
O MCASP (STN, 2016, p. 123) destaca que a inscrição de restos a pagar deve “observar as
disponibilidades financeiras e condições da legislação pertinente, de modo a prevenir riscos e
corrigir desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, conforme estabelecido na LRF”.
A seguir, reproduzimos o artigo 42 da referida lei.
Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, nos últimos dois
quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser
cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício
seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito.
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Suprimento de fundos
Suprimento de fundos nada mais é que um adiantamento de “dinheiro” ao agente público, com
intuito de realizar despesas que, pela situação de necessidade da administração pública e pelas
características inerentes do gasto, não transitam pelas etapas normais da despesa.
O suprimento de fundos deve ser utilizado, segundo o MCASP (STN, 2016, p. 134), nos seguintes
casos:
a) Para atender a despesas eventuais, inclusive em viagem e com serviços especiais, que
exijam pronto pagamento;
b) Quando a despesa deva ser feita em caráter sigiloso, conforme se classificar em
regulamento; e
c) Para atender a despesas de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujo valor, em cada
caso, não ultrapassar limite estabelecido em ato normativo próprio.
Além disso, também destaca que não deve se conceder suprimento de fundos:
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a) Ativo;
b) Passivo;
c) Receita (o MCASP denomina de variação patrimonial aumentativa – VPA);
d) Despesa (o MCASP denomina de variação patrimonial diminutiva – VPD);
e) Contribuição dos proprietários;
f) Distribuição aos proprietários.
Ativo
A NBC TSP Estrutura Conceitual (CFC, 2016, p. 27) define ativo como “um recurso controlado no
presente pela entidade como resultado de evento passado”. Significa dizer que o ativo é composto
pelos bens e direitos do ente, que resultaram de eventos passados, dos quais ela detém o controle.
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Cabe destacar que o fato de não possuir direitos de propriedade não quer dizer que a entidade
não registre o ativo em sua contabilidade; um exemplo disso são os arrendamentos mercantis
financeiros (leasing financeiros).
Conforme a NBC TSP Estrutura Conceitual (CFC, 2016, p. 27), “Recurso é um item com potencial
de serviços ou com capacidade de gerar benefícios econômicos”. Nesse contexto a forma física
(tangibilidade) não é condição necessária para se definir um item como recurso; exemplo disso são
os ativos intangíveis, como é o caso dos softwares.
Por outro lado, benefícios econômicos consistem em efetivas entradas de caixa ou reduções
de saídas, derivadas da utilização de ativos na produção ou na venda de serviços, ou mesmo da
troca do ativo por caixa ou outros recursos.
Passivo
A NBC TSP Estrutura Conceitual (CFC, 2016, p. 29) define passivo como “uma obrigação presente,
derivada de evento passado, cuja extinção deva resultar na saída de recursos da entidade”.
A obrigação deve ser presente, de forma que a entidade não possa evitar, sendo que a obrigação
pode tanto decorrer por força de lei (obrigação legal ou legalmente vinculada) ou não (obrigação
não legalmente vinculada).
Portanto, as dívidas futuras, que porventura venham a ser contraídas, ou as passadas, que já
foram pagas, não se enquadram na definição de passivo.
Por fim, o patrimônio líquido (PL), ou situação patrimonial líquida, nada mais é do que “a diferença
entre os ativos e os passivos após a inclusão de outros recursos e a dedução de outras obrigações,
reconhecida na demonstração que evidencia a situação patrimonial como patrimônio líquido” (CFC,
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2016, p. 31). O patrimônio líquido pode apresentar um valor positivo ou negativo (também conhecido
como passivo a descoberto).
Ativo = Passivo + PL
Neste tópico vamos detalhar receita e despesa, as quais o MCASP define respectivamente
como variação patrimonial aumentativa (VPA) e variação patrimonial diminutiva (VPD). A previsão
é que, na próxima edição do MCASP, os termos fiquem iguais ao da NBC TSP Estrutura Conceitual,
no caso receita e despesa.
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Segundo a NBC TSP Estrutura Conceitual (CFC, 2016, p. 32), a contribuição dos proprietários
“corresponde a entrada de recursos para a entidade a título de contribuição de partes externas,
que estabelece ou aumenta a participação delas no patrimônio líquido da entidade”. Exemplos: o
aporte inicial de recursos na criação da entidade ou o aporte de recursos subsequente, inclusive
quanto da reestruturação, advindos do Estado.
Por sua vez, a distribuição aos proprietários conforme a NBC TSP Estrutura Conceitual (CFC,
2016, p. 32) “corresponde a saída de recursos da entidade a título de distribuição a partes externas,
que representa retorno sobre a participação ou a redução dessa participação no patrimônio líquido
da entidade”. Exemplos: o retorno sobre investimento ou, no caso da extinção ou reestruturação da
entidade, o retorno de qualquer recurso residual.
O reconhecimento nada mais é do que fazer que um item conste em um demonstrativo. A NBC
TSP Estrutura Conceitual (CFC, 2016, p. 33) define como:
Nesse sentido, segundo a NBC TSP – Estrutura Conceitual o item deve ser reconhecido quando:
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Cabe destacar que há a possibilidade de alguma norma específica (NBC TSPs) que determine
o reconhecimento de recurso ou obrigação, que não satisfaça a definição de elemento patrimonial,
nas demonstrações contábeis. Nesses casos, tais elementos devem ser reconhecidos como outros
recursos ou outras obrigações, conforme o item 5.27 da NBC TSP Estrutura Conceitual.
Contudo, esses itens excetuados por alguma NBC TSP devem ser mensurados de maneira que
atendam às características qualitativas e às restrições sobre a informação.
A incerteza quanto à existência deve ser analisada ao se verificar a evidência disponível para
emitir julgamento neutro se o item satisfaz todas as características essenciais da definição de
elemento. Por exemplo: para ser enquadrado como passivo, um elemento deve atender sua própria
definição (obrigação presente, derivada de evento passado, cuja extinção deva resultar na saída de
recursos da entidade).
Evidenciação e reconhecimento
A NBC TSP Estrutura Conceitual (CFC, 2016, p. 34) explica que esse tipo de falha não pode ser
convalidada com a mera evidenciação das políticas contábeis, ou mesmo em nota explicativa.
Contudo, é possível que a evidenciação venha fornecer informação sobre itens que satisfazem
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muitas das características que definem o elemento, mas nem todas; ou, ainda, que venha fornecer
informação sobre itens que satisfazem a definição do elemento, mas que não podem ser mensurados
de maneira que satisfaça as características qualitativas.
Nessas situações, a evidenciação pode ser considerada na hipótese de o item em questão ser
relevante, a ponto de justificá-la.
Desreconhecimento
Por fim, a NBC TSP Estrutura Conceitual destaca que “ao se avaliar a incerteza sobre a existência
do elemento, os mesmos critérios devem ser utilizados para o desreconhecimento, tais como aqueles
utilizados no reconhecimento inicial”.
Para o ativo temos as seguintes bases de mensuração: custo histórico; valor de mercado; custo
de reposição ou substituição; preço líquido de venda; e valor em uso. O quadro a seguir resume
cada uma dessas bases.
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Já para o passivo temos as seguintes bases de mensuração: custo histórico; custo de cumprimento
da obrigação;valor de mercado; custo de liberação; e preço presumido. O quadro a seguir resume
cada uma dessas bases.
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Termo utilizado no
contexto dos passivos
para se referir ao mesmo
conceito de preço líquido
de venda utilizado no
contexto dos ativos.
Termo utilizado no
contexto dos passivos
para se referir ao mesmo
conceito do custo de
reposição para os ativos.
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Avaliação e mensuração
A avaliação e a mensuração dos elementos patrimoniais nas entidades do setor público obedecem
aos critérios resumidos no quadro a seguir.
Além disso, a LRF, artigos 50 e 51, exige a consolidação nacional das contas públicas, competência
essa exercida pela STN (vide art. 7 do Decreto nº 6.976/2009), materializada por meio da publicação
do Balanço do setor público nacional (BSPN).
Nesse contexto, a STN editou o PCASP, que se trata de um plano de contas único que deve ser
utilizado por todos os entes da federação (União, estados, Distrito Federal e municípios) e que está
alinhado aos padrões internacionais de contabilidade pública.
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Aspectos gerais
Objetivos
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Os entes tiveram até o término do exercício de 2014 para alterar seus planos de contas. Em
razão disso, desde 2015 a consolidação nacional das contas públicas (BSPN) passou a ser realizada
segundo o modelo do PCASP.
SAIBA MAIS
Você pode explorar o PCASP no site da Secretaria do Tesouro Nacional. No link abaixo também está
disponível o PCASP Estendido, que é de adoção facultativa, mas serve de base para os entes que
necessitem de instruções para o desenvolvimento de rotinas e sistemas.
[Link]
Estrutura do PCASP
O MCASP (STN, 2016, p. 342) informa que o PCASP foi estruturado por meio da divisão do
plano em “grandes grupos com base nas características dos atos e fatos nelas registrados. Essa
estrutura possibilita a escrituração de forma organizada e a análise das informações de acordo
com sua natureza”.
Conforme estabelecido no MCASP (STN, 2016, p. 342), o PCASP está estruturado conforme as
seguintes naturezas das informações contábeis:
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Nesse contexto, o plano divide-se em oito classes, sendo as contas contábeis classificadas
segundo a natureza das informações que evidenciam:
Natureza da Classes
informação
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X Classe (1 dígito)
X Grupo (1 dígito)
X Subgrupo (1 dígito)
X Título (1 dígito)
X Subtítulo (1 dígito)
XX Item (2 dígitos)
XX Subitem (2 dígitos)
O PCASP possui a seguinte estrutura básica, detalhando-se o nível da classe e o nível do grupo,
1º e 2º respectivamente:
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A exceção refere-se à abertura do 5º nível (subtítulo) das contas de natureza patrimonial que
indicam o nível de consolidação dessa conta. Essa informação será mais bem detalhada no próximo
subtópico.
O MCASP (STN, 2016, p. 344) alerta que “os planos de contas dos entes da Federação deverão
ter pelo menos 7 níveis. Eventuais níveis não detalhados deverão ser codificados com o dígito ‘0’
(zero)”. Isso significa que, se houver necessidade, o ente tem a discricionariedade de desdobrar as
contas contábeis além do 7º nível (subitem). Exemplo disso são as naturezas de receita e despesa
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orçamentária que não tem relação com as contas de receita (VPA) e despesa (VPD) e nem com
as de controle orçamentário (classes 5 e 6), mas podem ser controladas no nível posterior ao 7º,
também comumente chamados de “conta corrente”.
Importante!
5º nível – Consolidação
Um dos objetivos da implantação do PCASP é se tratar de um plano de contas único, de forma
a facilitar a consolidação das contas públicas nacionais e atender o disposto na LRF.
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Quando a transação envolver uma empresa privada, ou seja, não pertencente ao OFSS, deve-
se utilizar o “1” no 5º nível. Já se a operação for entre unidades do mesmo ente, por exemplo, uma
transação entre o Ministério da Educação e a Imprensa Nacional no âmbito da União, deve-se utilizar
o 5º nível “2”, e essa conta será excluída no momento da consolidação das contas da União. O
mesmo raciocínio se aplica nas transações que envolvem União, estados e municípios, e utilizam-
se os dígitos “3”, “4” ou “5”.
Os atributos da conta contábil são particularidades próprias que as distinguem de outras contas
do plano de contas. Os atributos podem ser oriundos de lei, conceitos teóricos ou, ainda, do sistema
computacional utilizado para operacionalizar o plano de contas.
Atributos conceituais
O MCASP (STN, 2016, p. 371) prevê os seguintes atributos conceituais da conta contábil:
a) Código: estrutura numérica que identifica cada uma das contas que compõem o plano de
contas.
b) Título / Nome: designação que identifica o objeto de uma conta.
c) Função: descrição da natureza dos atos e fatos registráveis na conta.
d) Natureza do Saldo: identifica se a conta tem saldo devedor, credor ou ambos.
i. Conta Devedora: possui saldo predominantemente devedor.
ii. Conta Credora: possui saldo predominantemente credor.
iii. Conta Mista / Híbrida: possui saldo devedor ou credor.
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Atributos legais
A seguir serão apresentados dois atributos legais das contas contábeis, o que indica o superávit
financeiro e o da dívida consolidada líquida; contudo, os entes podem criar outros, conforme suas
necessidades, para atender a legislação em vigor.
Com o objetivo de apurar o superávit financeiro no balanço patrimonial, o ativo e o passivo são
classificados em financeiro (F) ou permanente (P), conforme prevê os artigos 43 e 105 da Lei nº
4.320/1964:
Art. 43 [...]
O MCASP (STN, 2016) sugere que se controle a alternância do atributo permanente (P) para o
atributo financeiro (F) por meio da conta corrente da conta contábil ou, ainda, utilizando contas
que diferenciem essa informação. A título de exemplo, a União utiliza a informação complementar
por meio de conta corrente da conta contábil.
O PCASP utiliza as letras (F) ou (P) para indicar se são contas de ativo ou passivo
financeiro ou permanente, respectivamente. Quando a conta puder conter saldos
com atributo (F) e (P), constará na descrição da conta do PCASP a letra (X) (STN,
2016, p. 350).
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Os passivos considerados no cálculo da dívida consolidada líquida (DCL) e que não tenham
execução orçamentária associada serão controlados por esse indicador desde o momento do registro
da obrigação. As obrigações consideradas na DCL serão controladas pelo atributo com valor zero
(0) e as excluídas do cálculo serão controladas pelo atributo com valor um (1) (STN, 2016, p. 350).
Introdução à DCASP
As demonstrações contábeis aplicadas ao setor público (DCASP) representam as saídas das
informações geradas pela contabilidade pública. Por meio desses demonstrativos, conforme o
MCASP (STN, 2016, p. 363), objetiva-se
As DCASP previstas no MCASP e que serão detalhadas neste capítulo são compostas pelos
demonstrativos previstos na Lei nº 4.320/1964, pelas demonstrações exigidas pela NBC T 16.6 –
Demonstrações Contábeis, além das demonstrações exigidas pela LRF, a saber:
a) balanço orçamentário;
b) balanço financeiro;
c) balanço patrimonial;
d) demonstração das variações patrimoniais;
e) demonstração dos fluxos de caixa (DFC); e
f) demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL).
Cabe destacar que as estruturas das DCASP contidas nos anexos da Lei nº 4.320/1964 foram
atualizadas pela Portaria STN nº 438/2012, em conformidade com os novos padrões de contabilidade
pública, e serão detalhadas nos tópicos a seguir.
Pág. 62 de 105
Importante!
Verifique no ANEXO 2 um glossário extraído da NBC T 16.6 – CFC (2012, p. 26-27) sobre os
termos que serão utilizados no estudo das DCASP.
O BO é constituído por:
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a) Quadro principal;
b) Quadro da execução dos restos a pagar não processados; e
c) Quadro da execução dos restos a pagar processados.
Importante!
O Balanço Orçamentário integra o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), vide o art.
52 da LC 101/200 (LRF).
Portanto, no início da execução do orçamento, via de regra, temos um equilíbrio entre a despesa
fixada e a receita prevista. Contudo, a partir do momento em que se inicia a execução orçamentária,
desde que tenha havido superávit financeiro de exercícios anteriores, há margem para que sejam
abertos créditos com o objetivo de atender despesas não fixadas na lei orçamentária ou, ainda,
aquelas que, embora fixadas, não foram suficientemente orçadas.
Pág. 64 de 105
o equilíbrio entre receita prevista e despesa fixada no Balanço Orçamentário pode ser
verificado (sem influenciar o seu resultado) somando-se os valores da linha Total e
da linha Saldos de Exercícios anteriores, constantes da coluna Previsão Atualizada,
e confrontando-se esse montante com o total da coluna Dotação Atualizada.
Estrutura
Elaboração
O BO será elaborado com as seguintes classes e grupos do PCASP, conforme dispõe o MCASP
(STN, 2016, p.375):
Cabe destacar, como já visto, que o quadro principal demonstrará primeiro as receitas e depois
as despesas, confrontando o que foi previsto com o que de fato foi realizado. A apresentação tanto
das receitas quanto das despesas será pela natureza. Além disso, a informação da despesa também
será complementada pela classificação funcional.
O BF é composto por um único quadro que evidencia a movimentação financeira das entidades
do setor público, e conforme o MCASP (STN, 2016, p. 376) demonstra,
Pág. 65 de 105
MODO 1
MODO 2
Receitas orçamentárias
Importante!
O resultado financeiro do exercício não deve ser confundido com o superávit ou déficit financeiro do
exercício apurado no balanço patrimonial.
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um desempenho satisfatório. Da mesma forma, um resultado financeiro negativo também não quer
dizer que a gestão financeira da entidade foi insatisfatória. A regra é que o resultado financeiro
indique equilíbrio ou desequilíbrio financeiro, a depender se ele for superavitário ou deficitário. Porém,
nem sempre isso vai acontecer, pois devemos considerar outros aspectos, como os patrimoniais
e os orçamentários.
Estrutura
Figura 9 – Balanço financeiro.
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
BALANÇO FINANCEIRO
EXERCÍCIO: 20XX
INGRESSOS
Ordinária
Vinculada
(…)
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Figura 10 – Dispêndios.
EXERCÍCIO: 20XX
DISPÊNDIOS
Ordinária
Vinculada
(…)
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Elaboração
Segundo o MCASP (STN, 2016, p. 381), o BF será elaborado utilizando-se as seguintes classes
do PCASP:
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O MCASP (STN, 2016, p. 381) traz de que forma as informações no BF devem ser segregadas:
Ademais, deve-se tomar o cuidado de não incluir na linha de “outras destinações” um montante
que seja superior a 10% do total da receita ou da despesa orçamentária.
Cabe destacar que a estrutura não é diferente da prevista na legislação societária. O BP está
estruturado em ativo, passivo e patrimônio líquido (PL), o que muda são as formas de agrupar os
elementos patrimoniais.
Ativo: é um recurso controlado no presente pela entidade como resultado de evento passado.
Passivo: é uma obrigação presente, derivada de evento passado, cuja extinção deva resultar na saída
de recursos da entidade.
Situação patrimonial líquida (patrimônio líquido ou PL): é a diferença entre os ativos e os passivos
após a inclusão de outros recursos e a dedução de outras obrigações, reconhecida na demonstração
que evidencia a situação patrimonial como patrimônio líquido. A situação patrimonial líquida pode ser
um montante residual positivo ou negativo.
Segundo o MCASP (STN, 2016) o balanço patrimonial é composto pelo quadro principal e por
mais três quadros auxiliares, que visam atender exigências da Lei nº 4.320/1964. São eles:
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Estrutura
Figura 11 – Quadro principal.
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
BALANÇO PATRIMONIAL
Exercício: 20XX
Ativo Circulante
Investimentos e aplicações
Temporárias a curto prazo
Estoques
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Investimentos temporários a
longo prazo
Estoques
Investimentos
Imobilizado
Intangível
________________ ________________
TOTAL DO ATIVO
PASSIVO E PATRIMÔNIO
LÍQUIDO
Passivo Circulante
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Empréstimos e
financiamentos a curto prazo
Fornecedores e contas a
pagar a curto prazo
Obrigações de repartições a
outros entes
Empréstimos e
financiamentos a longo prazo
Fornecedores e contas a
pagar a longo prazo
Resultado diferido
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Patrimônio Líquido
Reservas de capital
Ajustes de avaliação
patrimonial
Reservas de lucros
Demais reservas
Resultados acumulados
________________ ________________
TOTAL DO PASSIVO E DO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
(Lei nº 4.320/1964)
Exercício: 20XX
Ativo (I)
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Ativo permanente
Total do ativo
Passivo (II)
Passivo financeiro
Total do passivo
________________ ________________
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
(Lei nº 4.320/1964)
Exercício: 20XX
Direitos contratuais
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Obrigações contratuais
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
(Lei nº 4.320/1964)
Exercício: 20XX
FONTES DE RECURSOS
(...) (...)
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________________ ________________
Definições
Elaboração
O quadro principal do BP será construído com os saldos das contas contábeis de classe “1”
(ativo) e “2” (passivo e patrimônio líquido) do PCASP.
Cabe destacar que o resultado patrimonial do exercício apurado na DVP é transferido para
resultados acumulados no patrimônio líquido. Além disso, tanto os ativos quanto os passivos
(abrangendo também o PL) serão demonstrados sinteticamente com os 3º e 4º níveis do PCASP.
O MCASP (STN, 2016, p.391) alerta que “os saldos das contas dos ativos e passivos são
apresentados no quadro principal por seus valores líquidos das respectivas deduções, como, por
exemplo, as contas de ativo imobilizado líquidas das depreciações”.
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A DVP será construída com os saldos das contas contábeis de classe “3” (despesa ou VPD) e “4”
(receita ou VPA) do PCASP. Para fins de consolidação da demonstração, as contas intraorçamentárias
devem ser excluídas; porém, para as demonstrações de apenas uma unidade ou órgão, não há
necessidade da exclusão.
O MCASP (STN, 2016, p. 393) destaca que a DVP poderá ser elaborada de acordo com um dos
dois modelos a seguir:
a) Modelo Sintético: este modelo facilita a visualização dos grandes grupos de variações
patrimoniais que compõem o resultado patrimonial. Esse modelo especifica apenas
os grupos (2º nível de detalhamento do PCASP), acompanhado de quadros anexos que
detalham sua composição.
b) Modelo Analítico: este modelo detalha os subgrupos (3º nível de detalhamento do PCASP)
das variações patrimoniais em um único quadro.
A DVP tem função semelhante à demonstração do resultado do exercício (DRE) do setor privado.
No entanto, a DRE apura o resultado em termos de lucro ou prejuízo como uma das principais medidas
de desempenho da entidade. Por sua vez, o resultado patrimonial apurado no setor público não
figura como uma medida de desempenho, mas como um indicador de quanto do serviço público
ofertado à população alterou quantitativamente os elementos patrimoniais. “A DVP permite a análise
de como as políticas adotadas provocaram alterações no patrimônio público, considerando-se a
finalidade de atender às demandas da sociedade” (STN, 2016, p. 393).
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Estrutura
Figura 15 – Modelo sintético.
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
Exercício: 20XX
Variações patrimoniais
aumentativas
Contribuições
Variações patrimoniais
aumentativas financeiras
Transferências e delegações
recebidas
Variações patrimoniais
diminutivas
Pessoal e encargos
Benefícios previdenciários e
assistenciais
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Variações patrimoniais
diminutivas financeiras
Transferências e delegações
concedidas
Desvalorização e perdas
de ativos e incorporação de
passivos
Tributárias
________________ ________________
RESULTADO PATRIMONIAL DO
PERÍODO (III) = (I – II)
Pág. 81 de 105
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
Exercício: 20XX
VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
AUMENTATIVAS
Impostos
Taxas
Contribuições de melhoria
Contribuições
Contribuições sociais
Contribuições de intervenção no
domínio econômico
Contribuição de iluminação
pública
Vendas de mercadorias
Vendas de produtos
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Variações patrimoniais
aumentativas financeiras
Juros e encargos de
empréstimos e financiamentos
concedidos
Variações monetárias e
cambiais
Remuneração de depósitos
bancários e aplicações
financeiras
Transferências e delegações
recebidas
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Transferências
intragovernamentais
Transferências
intergovernamentais
Transferências de consórcios
públicos
Transferências do exterior
Execução orçamentária
delegada de entes
Transferências de pessoas
físicas
Outras transferências e
delegações recebidas
Reavaliação de ativos
Desincorporação de passivos
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VPA a classificar
Resultado positivo de
participações
________________ ________________
VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
DIMINUTIVAS
Pessoal e encargos
Remuneração a pessoal
Encargos patronais
Benefícios a pessoal
Benefícios previdenciários e
assistenciais
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Aposentadorias e reformas
Pensões
Benefícios de prestação
continuada
Benefícios eventuais
Políticas públicas de
transferência de renda
Outros benefícios
previdenciários e assistenciais
Serviços
Depreciação, amortização e
exaustão
Variações patrimoniais
diminutivas financeiras
Juros e encargos de
empréstimos e financiamentos
obtidos
Variações monetárias e
cambiais
Descontos financeiros
concedidos
Transferências e delegações
concedidas
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Transferências
intragovernamentais
Transferências
intergovernamentais
Transferências a instituições
privadas
Transferências a instituições
multigovernamentais
Transferências a consórcios
públicos
Transferências ao exterior
Execução orçamentária
delegada de entes
Outras transferências e
delegações concedidas
Desvalorização e perdas de
ativos e incorporação de
passivos
Perdas involuntárias
Incorporação de passivos
Desincorporação de ativos
Tributárias
Contribuições
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Premiações
Resultado negativo de
participações
Incentivos
Subvenções econômicas
Participações e contribuições
constituição de provisões
________________ ________________
________________ ________________
RESULTADO PATRIMONIAL DO
PERÍODO (III) = (I – II)
Pág. 88 de 105
Cabe destacar que, embora este demonstrativo não esteja no rol dos previstos na lei nº 4.320/1964,
ele é de caráter obrigatório, uma vez que está previsto na NBC T 16.6 e no MCASP.
As informações geradas pela DFC proporcionam dados que permitem a avaliação da capacidade
que a entidade tem de gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como a necessidade de liquidez.
Conceitos importantes!
Caixa é o próprio recurso financeiro à disposição da entidade, é o item com maior liquidez
(conversibilidade em moeda). Compreende, portanto, o numerário em espécie e depósitos bancários
disponíveis.
Equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo, com alta liquidez, que são facilmente
conversíveis em moeda e que estão sujeitas a insignificante risco de mudança de valor.
A DFC no modelo constituído para o setor público será construída com os saldos das contas
contábeis de classe “6” (controles da execução do planejamento e orçamento) do PCASP, selecionadas
pelas naturezas de receita e despesa, além de filtradas por funções e subfunções. Caso haja
necessidade podem ser utilizados outros filtros para rastrear a movimentação extraorçamentária
(exemplo do depósito em caução) que porventura possa ter transitado pelo caixa.
A DFC é composta pelo quadro principal e por mais quatro quadros auxiliares, a saber:
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Estrutura
Figura 17 – Quadro principal.
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
Exercício: 20XX
Ingressos
Receitas derivadas e
originárias
Transferências correntes
recebidas
Desembolsos
Transferências concedidas
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FLUXOS DE CAIXA
DAS ATIVIDADES DE
INVESTIMENTO
Ingressos
Alienação de bens
Amortização de empréstimos
e financiamentos concedidos
Desembolsos
Concessão de empréstimos e
financiamentos
Outros desembolsos de
investimentos
FLUXOS DE CAIXA
DAS ATIVIDADES DE
FINANCIAMENTO
Ingressos
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Operações de crédito
Integralização do capital
social de empresas
dependentes
Transferências de capital
recebidas
Outros ingressos de
financiamento
Desembolsos
Amortização /
Refinanciamento da dívida
Outros desembolsos de
financiamentos
________________ ________________
________________ ________________
Pág. 92 de 105
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
Exercício: 20XX
Receita tributária
Receita de contribuições
Receita patrimonial
Receita agropecuária
Receita industrial
Receita de serviços
________________ ________________
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<ENTE DA FEDERAÇÃO>
Exercício: 20XX
TRANSFERÊNCIAS CORRENTES
RECEBIDAS
Intergovernamentais
da União
de municípios
Intragovernamentais
________________ ________________
TRANSFERÊNCIAS CONCEDIDAS
Intergovernamentais
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a União
a municípios
Intragovernamentais
________________ ________________
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
Exercício: 20XX
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Legislativa
Judiciária
Essencial à justiça
Administração
Defesa nacional
Segurança pública
Relações exteriores
Assistência social
Previdência social
Saúde
Trabalho
Educação
Cultura
Direitos da cidadania
Urbanismo
Habitação
Saneamento
Gestão ambiental
Ciência e tecnologia
Agricultura
Organização agrária
Indústria
Comércio e serviços
Comunicações
Energia
Transporte
Desporto e lazer
Encargos especiais
________________ ________________
Pág. 96 de 105
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
Exercício: 20XX
________________ ________________
Elaboração
A ciência contábil prevê a elaboração da DFC pelos métodos direto e indireto. Contudo, no setor
público a elaboração deve ser pelo direto, com a finalidade de demonstrar as alterações no caixa
(engloba equivalentes de caixa) ocorridas no período. Para tal, as movimentações no caixa podem
ser separadas nos seguintes fluxos, de acordo com as atividades da entidade:
a) operacionais;
b) de investimento; e
c) financiamento.
O MCASP (STN, 2016, p. 405) informa que “a soma dos três fluxos deverá corresponder à diferença
entre os saldos iniciais e finais de Caixa e Equivalentes de Caixa do exercício de referência”.
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Além disso, a DMPL permite cumprir as exigências da LRF (art. 4º), uma vez que complementa
o anexo de metas fiscais (AMF), integrante do projeto de lei de diretrizes orçamentárias (LDO).
“A DMPL é obrigatória para as empresas estatais dependentes, desde que constituídas sob
a forma de sociedades anônimas, e facultativa para os demais órgãos e entidades dos entes da
Federação” (STN, 2016, p.406).
Estrutura
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Figura 22 – Estrutura.
<ENTE DA FEDERAÇÃO>
Exercício: 20XX
ESPECIFICAÇÃO Pat. Adiantamento para Reserva Ajustes de Reservas Demais Resultados Ações / Cotas TOTAL
social / futuro aumento de de capital avaliação de lucros reservas acumulados em tesouraria
Capital capital (AFAC) patrimonial
social
Saldos iniciais
Ajustes de exercícios
anteriores
Aumento de capital
Resgate / Reemissão de
ações e cotas
Resultado do exercício
Ajustes de avaliação
patrimonial
Constituição / Reversão de
reservas
Saldos finais
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Elaboração
A DMPL será construída com os saldos das contas contábeis de classe “2” e grupo “3” do PCASP,
ou seja, as contas iniciadas em ‘23’.
O MCASP (STN, 2016, p. 409) destaca alguns detalhes sobre a apresentação da DMPL:
Nas colunas, são apresentadas as contas contábeis das quais os dados devem ser
extraídos, enquanto as linhas delimitam o par de lançamentos de tais contas. Por
exemplo, supondo um aumento de capital em dinheiro, o preenchimento da coluna
“Patrimônio Social / Capital Social” e da linha “Aumento de Capital” deverá extrair
os dados do respectivo par de lançamentos com as contas “[Link].0.00.00 – Caixa
e Equivalentes de Caixa” e “[Link].0.00.00 – Patrimônio Social e Capital Social”.
Notas Explicativas
As notas explicativas (NE) nada mais são do que informações adicionais às apresentadas pelas
demonstrações contábeis, ou seja, elas explicam as informações contidas nos demonstrativos,
facilitam a sua compreensão. Em razão disso, tanto o MCASP quanto a NBC T 16.6 enfatizam que
as NE são parte integrante das demonstrações contábeis.
Segundo a NBC T 16.6 (CFC, 2012, p. 30), “as informações contidas nas notas explicativas devem
ser relevantes, complementares ou suplementares àquelas não suficientemente evidenciadas ou
não constantes nas demonstrações contábeis”.
As NE “englobam informações de qualquer natureza exigidas pela lei, pelas normas contábeis
e outras informações relevantes não suficientemente evidenciadas ou que não constam nas
demonstrações” (STN, 2016, p. 409).
Estrutura
Por sua vez, o MCASP (STN, 2016, p. 409) sugere que as notas explicativas sejam apresentadas
na seguinte ordem:
a) Informações gerais:
i. Natureza jurídica da entidade.
ii. Domicílio da entidade.
iii. Natureza das operações e principais atividades da entidade.
iv. Declaração de conformidade com a legislação e com as normas de contabilidade aplicáveis.
b) Resumo das políticas contábeis significativas, por exemplo:
i. Bases de mensuração utilizadas, por exemplo: custo histórico, valor realizável líquido, valor
justo ou valor recuperável.
ii. Novas normas e políticas contábeis alteradas.
iii. Julgamentos pela aplicação das políticas contábeis.
c) Informações de suporte e detalhamento de itens apresentados nas demonstrações
contábeis pela ordem em que cada demonstração e cada rubrica sejam apresentadas.
d) Outras informações relevantes, por exemplo:
i. Passivos contingentes e compromissos contratuais não reconhecidos;
ii. Divulgações não financeiras, tais como: os objetivos e políticas de gestão do risco financeiro
da entidade; pressupostos das estimativas;
iii. Reconhecimento de inconformidades que podem afetar a compreensão do usuário sobre
o desempenho e o direcionamento das operações da entidade no futuro;
iv. Ajustes decorrentes de omissões e erros de registro.
ATIVIDADE REFLEXIVA
Sugiro que acessem os demonstrativos contábeis divulgados pela União, pois é possível visualizar
como os demonstrativos são publicados na prática e como devem ser estruturadas as notas
explicativas.
Link: [Link]
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Queridos alunos, chegamos ao fim de nossa aula! Trabalhamos os principais tópicos de
Contabilidade Pública, tendo como base teórica o MCASP e a NBC TSP Estrutura Conceitual.
Por fim, espera-se que vocês tenham noções suficientes para ter contato com a área contábil
no setor público, seja do ponto de vista profissional, seja do acadêmico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Decreto nº 6.976, de 7 de outubro de 2009. Dispõe sobre o Sistema de Contabilidade Federal
e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 8 out. 2009.
_______. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas
voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 5 mai. 2000.
_______. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de
15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de
grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Diário
Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 28 dez. 2007.
_______. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para
elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do
Distrito Federal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 mar. 1964.
_______. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Diário
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CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. NBC TSP Estrutura Conceitual. Brasília: CFC, 2016.
Disponível em: <[Link] Acesso em: 21 mar. 2017
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FEIJÓ, Paulo Henrique; RIBEIRO, Carlos Eduardo. Entendendo o Plano de Contas Aplicado ao Setor
Público (PCASP). Brasília: Gestão Pública, 2015.
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MF. MINISTÉRIO DA FAZENDA. Portaria nº 184, de 25 de agosto de 2008. Dispõe sobre as diretrizes
a serem observadas no setor público (pelos entes públicos) quanto aos procedimentos, práticas,
elaboração e divulgação das demonstrações contábeis, de forma a torná-los convergentes com as
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da administração financeira pública. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
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