0% acharam este documento útil (0 voto)
95 visualizações11 páginas

Paz e Reconciliação em Moçambique

O documento discute a paz e a reconciliação nacional em Moçambique, destacando a importância de acordos de paz, como o assinado em 2019, para restaurar a confiança e a cooperação entre as partes em conflito. A pesquisa enfatiza a necessidade de instituições inclusivas e justas para garantir a estabilidade pós-eleitoral, além de abordar a cultura de paz e a resolução pacífica de conflitos. A reconciliação é apresentada como fundamental para a construção de relações pacíficas e duradouras no país.

Enviado por

dagloriadina0
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
95 visualizações11 páginas

Paz e Reconciliação em Moçambique

O documento discute a paz e a reconciliação nacional em Moçambique, destacando a importância de acordos de paz, como o assinado em 2019, para restaurar a confiança e a cooperação entre as partes em conflito. A pesquisa enfatiza a necessidade de instituições inclusivas e justas para garantir a estabilidade pós-eleitoral, além de abordar a cultura de paz e a resolução pacífica de conflitos. A reconciliação é apresentada como fundamental para a construção de relações pacíficas e duradouras no país.

Enviado por

dagloriadina0
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional

a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique

Domingos Joaquim Vasco. 1

RESUMO: A paz refere-se a cessação de conflitos, porém a parte mais vistosa que é a guerra.
A reconciliação tem a ver com a restauração das relações a um nível em que se tornem
novamente possíveis a cooperação e a confiança. O acordo 4 de Outubro de 1992 aprovação
deste instrumento, associado à Constituição da República de 1990, seguiram, em Moçambique.
Com a resolução de conflitos na forma de um continuum. Entretanto, estão a arbitragem, a
mediação, a negociação, o intercâmbio e a adaptação mútua. O Acordo de Cessação das
Hostilidades, assinado a 5 de Setembro de 2014 pelo então Presidente Armando Guebuza e
Dhlakama, que fez cessar temporariamente a violência armada que tinha ressurgido em 2012,
permitindo a realização das eleições gerais de Outubro de 2014. A reconciliação a restaurou as
relações a um nível em que se tornem novamente possíveis a cooperação e a confiança.
PALAVRAS-CHAVES: Paz, Reconciliação Nacional em Moçambique, soluções e papel da
Sociedade Civil Manutenção da Paz.

Introdução
As eleições em Moçambique são seguidas por um conjunto de eventos que criam um
prolongado período de instabilidade e tensão político-militar, alguns mais intensos que os
outros, resultante da não-aceitação dos resultados eleitorais pelos partidos políticos da oposição
. Este cenário traz a necessidade de repensar instituições mais inclusivas, justas e capazes de
assegurar uma estabilidade pós-eleitoral.
A 6 de Agosto de 2019, Ossufo Momade, líder da Resistência Nacional Moçambicana
(Renamo), então recém-eleito, e Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique (2015-presente) e
presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), assinaram o Acordo de Paz e
Reconciliação de Maputo. Este acordo, o terceiro de uma série de acordos de paz desde o

1
Livre-docente de História e Geografia na Secundaria João Somane Machado e pesquisador no Centro
de Preservação e Divulgação de História, Tete-Moçambique. Endereço: domingosvasco1@[Link]

Vasco, D.J.; Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique. Revista
Portuguesa de Gestão Contemporânea, V.3, Nº2, p.31-42, Ago./Dez. 2022. Artigo recebido em 02/10/2021. Última
versão recebida em 10/11/2021. Aprovado em 15/12/2021.
Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

Acordo Geral de Paz (AGP) assinado em Roma em 1992, centra-se em três objectivos
fundamentais: Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR). Juntamente com a
descentralização do poder político, questão anteriormente incluída na reforma constitucional
parcial de Abril de 2018, negociada entre Nyusi e o falecido presidente da Renamo, Afonso
Dhlakama, estas questões controversas ocuparam um lugar central durante o ressurgimento do
conflito armado no País, em 2012, e nas negociações de paz que se lhe seguiram.
A pesquisa é de carácter documental, portanto, através da qual fez-se a consulta de
(Dissertações, Teses e Livros), me auxiliado com a técnica de observação discutiu-se as
abordagens de diferentes autores para a efectivação deste artigo. portanto, neste artigo o autor
trás consigo texto original referente a sua construção de pensamento da Paz e Reconciliação em
Moçambique.

Localização geografia de Moçambique


Muchangos, (1999), Moçambique fica situado no sudeste de África estando limitado a
leste pelo Oceano Índico, e fazendo fronteira a norte com a Tanzânia, a noroeste com o Malawi
e Zâmbia, a oeste com o Zimbabwe, África do Sul e Swazilândia, e a sul com a África do Sul.
O país está dividido em 11 Províncias: ao Norte, Niassa, Cabo Delgado e Nampula, ao Centro,
Zambézia, Tete, Manica e Sofala, ao Sul, Inhambane, Gaza, Maputo e Maputo Cidade.

Contextualização
O golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 em Portugal criou condições para a
instauração de um processo de transição de poder envolvendo Portugal e suas colónias,
traduzindo-se na independência de Moçambique em 1975. No entanto, a Frente de Libertação
de Moçambique (Frelimo) se auto-intitulou como o único aparelho com legitimidade para
controlar a máquina administrativa do Estado.
A Frelimo inicia um projecto de governação assente num sistema monopartidárista, que
preconizava, dentre vários aspectos a proibição da formação de novos partidos políticos,
proibição de greves e a restrição da actividade religiosa. Este projecto alienou diversos
segmentos da população, alguns dos quais serviram de base de apoio ao emergente movimento
armado – a Resistência Nacional de Moçambique (Renamo).
Muito cedo o país mergulhou numa guerra civil cujo término data de 1992, com a
assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP) como resultado de um processo de negociação
mediado pela Igreja Católica.

RPGC, Portugal-PT, V.3, Nº2, p. 31-42, Ago./Dez.2022 [Link] Página 32


Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

O AGP teve a força de uma lei e previa um projecto político de construção da paz, reconciliação
e democratização através de eleições multipartidárias, descentralização e Estado de direito.

Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional


O acordo 4 de Outubro de 1992 aprovação deste instrumento, associado à Constituição
da República de 1990, seguiram, em Moçambique, seis processos eleitorais multipartidários
em (1994, 1999, 2004, 2009, 2014 e 2019) todos ganhos por candidatos do partido Frelimo.
O que caracteriza todos esses processos eleitorais é a rejeição dos resultados por parte dos
partidos da oposição, gerando uma onda de conflitos pós-eleitorais, uns mais intensos em
relação aos outros.

A Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique


A palavra paz e reconciliação, como é do domínio, estas palavras apresentam variedades
de definições e interpretações, sendo que, para este caso, dá-se o jus as apresentações abaixo:
Paz é o quadro em que o conflito se manifesta de uma forma não violenta e criativa.
Johan apud Vasco, (2022, p. 5), é evidente que nem sempre que se emprega o termo paz refere-
se a cessação de conflitos, porém a parte mais vistosa que é a guerra. Quando há limitações de
liberdades fundamentais e graves violações dos direitos humanos não estamos em condições de
falarmos de uma paz efectiva.
Existe paz quando as comunidades, os políticos e todos actores sociais podem interagir
sem violência, gerir os seus conflitos de uma forma positiva, respeitando as ideias dos outros,
suas crenças e para o caso de Moçambique respeitando também as suas origens éticas e
regionais.
Para que uma paz activa se torne realidade é necessário lutar pelo reconhecimento
integral dos direitos de todos e, sobretudo das mulheres, que é a classe que mas sofre nos
conflitos, pela participação equitativa e paritária nos processos de construção de paz, pela
erradicação da pobreza, da violência e da exclusão, pela promoção da solidariedade, pela
existência de um sistema de justiça independente, e por uma educação para a paz.
Cultura de paz tendo em conta “a ruptura da ideologia conservadora” bem como a
“transformação do sistema internacional” que conduzem a paz a “uma categoria moral e cultural
condicionada pelo comportamento humano vivemos num tempo de incerteza dos caminhos da
história estamos aptos a reinventar a política como a arte do impossível”.

RPGC, Portugal-PT, V.3, Nº2, p. 31-42, Ago./Dez.2022 [Link] Página 33


Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

Cultura de paz não significa uma cultura na qual não existem conflitos, mas sim que estes são
resolvidos de forma pacífica e justa.
Boulding (1998) apud, Vasco, (2022), sugere que pensemos a resolução de conflitos na
forma de um continuum. Entretanto, estão a arbitragem, a mediação, a negociação, o
intercâmbio e a adaptação mútua.
Organização das Nações Unidas (ONU, 2001 e 2010), a cultura de paz se concretiza
através de valores, atitudes, formas de comportamento e estilos de vida que conduzem à
promoção da paz entre indivíduos, grupos e nações.
Revisitamos, o caso de Moçambique e examinamos o desenvolvimento da reconciliação, dando
maior prioridade ao acordo de paz assinado em Agosto de 2019. Defendemos que, por muito
que estes acordos de paz se inscrevam em contextos mais amplos de conjunturas críticas para a
construção da paz, democratização e descentralização, as leis de amnistia a eles ligados podem
inscrever-se numa lógica de dependência da trajectória.

A importância da reconciliação para a paz em Moçambique


A reconciliação é importante em situações de forte interdependência, quando não é
possível manter uma barreira física ou emocional total entre as partes em conflito. Portanto, a
reconciliação tem a ver com a restauração das relações a um nível em que se tornem novamente
possíveis a cooperação e a confiança.
Lederach (1995) apud, Vasco, (2022), afirma que, a reconciliação envolve três
paradoxos específicos:
• A reconciliação promove um encontro entre a expressão franca do passado doloroso e
a procura de articulação com um futuro interdependente e duradouro;
• A reconciliação propicia um espaço onde a verdade e o perdão se encontram, a
preocupação de revelar o que aconteceu e deixá-lo para trás é validada e assumida em
benefício de uma relação renovada;
• A reconciliação reconhece a necessidade de dar tempo e lugar à justiça e à paz, de modo
que a reparação dos erros seja associada à visão de um futuro comum e interligado.

Segundo Villa-Vicencio, (2004, p. 6), reconciliação pode significar um acordo para


fazer cessar as mortes entre as partes. a reconciliação como o lugar onde se encontram a
Verdade e a Compaixão, a Justiça e a Paz.
Bar-Tal & Bennink, (2004, p. 15), afirmam que; a reconciliação, como resultado,
consiste no reconhecimento e na aceitação mútuos, investimento de interesses e objectivos no
RPGC, Portugal-PT, V.3, Nº2, p. 31-42, Ago./Dez.2022 [Link] Página 34
Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

desenvolvimento de relações pacíficas, confiança mútua, atitudes positivas, além de


sensibilidade e consideração pelas necessidades e interesses da outra parte.
Mantendo o enfoque no desenvolvimento da reconciliação associada à amnistia,
sugerimos uma abordagem simples, mas inovadora, a que chamamos abordagem contabilística.
O Acordo de Paz e Reconciliação de Maputo (doravante Acordo de Maputo) foi
assinado a 6 de Agosto de 2019 pelo Presidente de Moçambique e presidente da Frelimo, Filipe
Nyusi, e pelo líder da Renamo, Ossufo Momade. Duas semanas depois, a 21 de Agosto de 2019,
o acordo foi transformado em lei pela Assembleia da República, com 236 votos a favor e 14
abstenções do menor partido de oposição, o MDM (Movimento Democrático de Moçambique).
Vide a imagem a baixo, referente a acordo de paz e reconciliação nacional:

Fonte: [Link]
reconcilia%C3%A7%C3%A3o-nacional-sem-dinheiro/a-56598857.

Após seis tentativas de negociação falhadas, ambas as partes descreveram este acordo –
o terceiro de uma série de acordos – como sendo o acordo final. O primeiro acordo foi o Acordo
Geral de Paz (AGP), assinado em Roma a 4 de Outubro de 1992 pelo Presidente Joaquim
Chissano e o falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que pôs termo a 16 longos anos de
guerra civil entre a Frelimo e a Renamo.
O segundo foi o Acordo de Cessação das Hostilidades, assinado a 5 de Setembro de
2014 pelo então Presidente Armando Guebuza e Dhlakama, que fez cessar temporariamente a
violência armada que tinha ressurgido em 2012, permitindo a realização das eleições gerais de
Outubro de 2014.

RPGC, Portugal-PT, V.3, Nº2, p. 31-42, Ago./Dez.2022 [Link] Página 35


Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

Em Moçambique como em outros países Africanos em que a experiência mostra que as


eleições têm sido em si motivos geradores de Guerra ou conflitos negativos, pode-se apontar as
seguintes causas que levam a crises pós eleitorais:
• Questão ligada ao registo eleitoral pelo facto de este processo ter vicissitudes
administrativas que deixam muitos potenciais eleitorais sem se registar e a falta de
transparência e independência dos órgãos de supervisão que, por vezes, aparecem casos
de cadernos duplicados;
• Facto de haver oportunidades desiguais dos partidos políticos no processo da campanha
eleitoral havendo sinais de uso indevido de património público;
• Questão de haver comissões eleitorais muito politizadas e isso propicia falta de
independência e imparcialidade destes órgãos;
• O papel das Forças de segurança e o seu profissionalismo durante o processo de votação,
contagem;
• Membros de Partidos violentos, que não depositam nenhuma confiança as instituições
criadas para gestão dos processos eleitorais.

As eleições gerais previstas para 2014 tiveram lugar ainda que num contexto de
preocupações de segurança, negociações e tensões políticas decorrente da assinatura do Acordo
de Cessação das Hostilidades Militares entre o Governo e a Renamo, representados por
Armando Guebuza e Afonso Dhlakama, respectivamente, a 25 de Julho de 2014.
Inconformado com a situação, Dhlakama voltou às matas de Gorongosa e as suas tropas
retomaram ao lançamento de ofensivas militares que só cessaram com a assinatura do Acordo
de Paz Definitiva e Reconciliação Nacional, a 6 de Agosto de 2019, pelo Presidente da
República, Filipe Nyusi e o líder da Renamo, Ossufo Momade . Foi neste cenário que tiveram
lugar as sextas eleições gerais, em Outubro de 2019, com a novidade de que os governadores
provinciais passariam a ser eleitos directamente pelos eleitores.
Não obstante os resultados das eleições consagrarem a vitória a Filipe Nyusi e ao seu
partido Frelimo, a Renamo manteve seu compromisso de manter e promover a paz e a tensão
pós-eleitoral que vinha caracterizando as eleições em Moçambique não ganhou espaço, com
excepção dos ataques perpetrados pela Junta Militar, liderada por Mariano Nhongo –
movimento de membros dissidentes da Renamo.
Para Vasco, (2022), diz que; a cada conflito que eclodisse, ligado aos pleitos eleitorais,
numerosas personalidades locais e internacionais, bem como organizações da sociedade civil
faziam vários apelos à paz e ao diálogo e a Igreja Católica, de modo particular, mostrou-se
RPGC, Portugal-PT, V.3, Nº2, p. 31-42, Ago./Dez.2022 [Link] Página 36
Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

interessada em mediar essa situação, quando foi solicitada a constituir o grupo de mediadores,
previamente seleccionados pelas partes em conflito.
Era necessário se repensar um novo acordo de paz que fosse definitivo; era necessário
reinventar soluções, talvez de maior alcance que o AGP.
Portanto, foi baseando-se na ocorrência desses fenómenos de tensão político-militar que
caracterizam as eleições em Moçambique e considerando a atenção dada à necessidade de se
instaurar um processo de resolução do conflito pelas diversas organizações da sociedade civil,
incluindo as confissões religiosas, que surge esta pesquisa.
O problema levantado nesta pesquisa situa-se na análise das relações entre o Estado e a
religião, cuja preocupação central consiste em analisar a participação da Igreja Católica no
processo de resolução de conflitos políticos-eleitorais em Moçambique no período de 1994 a
2019.
As relações entre a Igreja Católica e o Estado Moçambicano são remotas, e a presença
desta confissão religiosa mostrou-se relevante ao longo da história da construção do Estado
moçambicano, sobretudo quando esta é solicitada a intervir nos assuntos políticos com vista a
estabelecer um ambiente de estabilidade entre os diversos actores políticos, principalmente no
período pós-eleitoral. Entretanto, não basta a simples vontade de querer participar no processo
de resolução desses conflitos. É fundamental perceber as condições sobre as quais a Igreja
Católica e suas lideranças são convidadas a participar dos processos de resolução desses
conflitos.
A participação contínua da religião na vida política dos Estados manifesta-se em muitos
países que passaram por confrontos militares e que alcançaram acordo de paz através da
intervenção de organizações religiosas e suas lideranças. Muito mais que criar condições para
o diálogo, as organizações religiosas ao redor do mundo, de modo particular em Quénia,
Moçambique, Angola e Nigéria desempenham um papel construtivo de apoio ao processo de
democratização como um actor da sociedade civil.
Em contextos democráticos, os grupos religiosos são vistos como fonte vital para a
promoção da paz e da participação política dos cidadãos. A religião desempenha um papel
importante na manutenção da democracia por meio da difusão de uma mensagem de paz e
incentiva seus crentes, os cidadãos, a envolver-se na promoção da estabilidade política no país.
O significado da paz e reconciliação em Moçambique
Vasco, (2022), diz que; os acordos de paz são estabelecidos em Moçambique para pôr
fim aos conflitos, olhando concretamente a trajectória dos conflitos, as partes envolvidas nos

RPGC, Portugal-PT, V.3, Nº2, p. 31-42, Ago./Dez.2022 [Link] Página 37


Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

conflitos e as respectivas agendas de negociação ou reivindicações. Ou seja, sob esta


perspectiva, poderemos perceber elementos de continuidade e/ou ruptura entre os acordos de
paz assinados ao longo da história de Moçambique independente.
Acordo Geral de Paz e a falta de reconciliação nacional, aliados ao facto de as eleições
serem seguidas por períodos mais ou menos longos de tensão político-militar faz com que a
participação das confissões religiosas, de modo particular a Igreja Católica, seja de extrema
importância, sobretudo para reaproximar as partes em conflito a um diálogo.
O Acordo de Paz e Reconciliação de Maputo, assinado a 6 de Agosto de 2019, pelo
recém-eleito líder da Renamo Ossufo Momade, e o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, e
transformado em lei pela Assembleia da República a 21 de Agosto de 2019. Este acordo, tido
pelos seus signatários como o acordo final, também foi assinado com o propósito de dar fim a
violência armada e dar segmento efectivo ao processo de DDR, aliás, essa é a essência deste
acordo.
Interesses divergentes com foco nas eleições
Coelho apud, Pereira (1994, p. 50), afirmam que; a insatisfação da ala militar agora
associada à contestação dos resultados eleitorais induz a direcção política da Renamo a
encontrar soluções consistentes com a dimensão dos problemas em carteira.
Por tanto, consciente da sua incapacidade de encontrar uma solução interna, a oposição vê-se
na contingência de se reaproximar do Governo para partilhar o mal e aliviar a pressão militar
canalizada pelos seus órgãos políticos, socorrendo-se do argumento de violação dos princípios
do AGP.
No entanto, havia urgência de um encontro ao nível mais alto para desanuviar a tensão
e acelerar a implementação de possíveis decisões que seriam tomadas no decurso do encontro.
As forças políticas globais específicas actuantes no conflito entre o partido no poder-oposição
tornaram-no particularmente brutal e destrutivo. Um dos motivos: este último conflito não uniu
os moçambicanos contra um agressor comum estrangeiro, como havia ocorrido nas guerras
coloniais.

As contradições na abordagem a solução política


Coelho & Vines (1996, p.59), afirmam que; ‟o processo de implementação do Acordo
de Cessação das Hostilidades Militares ficou beliscado pela interpretação política que as partes
faziam ao conteúdo do Memorando de Entendimento, mormente à sua alínea h), cujas
discussões se resumiam na dicotomia integração versus enquadramento”. Convém recordar o
conteúdo da referida alínea h):
RPGC, Portugal-PT, V.3, Nº2, p. 31-42, Ago./Dez.2022 [Link] Página 38
Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

Decreto da Constituição da República (Lei 29/2014, de 9 de Setembro), salientava que; as equipas de


peritos militares de ambas partes deverão apresentar um documento ao plenário que contenha também as
questões relativas à integração das forças residuais da Renamo nas Forças Armadas de Defesa de
Moçambique e da Polícia da República de Moçambique e consequente enquadramento da segurança da
Renamo.
A interpretação política feita pela oposição sempre extravasou, no espírito e na letra, o conteúdo
desta alínea, ao condicionar qualquer acção à elaboração de um documento que espelhasse as
Vacaturas existentes nas Forças de Defesa e Segurança, em geral, e nas FADM, em particular,
param posterior preenchimento ao seu critério, obedecendo ao princípio de paridade.

Soluções para uma paz definitiva em Moçambique


Tendo em conta os acordos recentes de 2014 até nos dias de hoje são realizados de uma
forma obscura, onde ninguém sabe o que se debateu e o que se acordou, entre o Presidente da
República e a oposição. No entanto, isso cria um desconforto por parte da população
Moçambicana e aos demais órgão.
Portanto, para haver uma paz definitiva em Moçambique, os acordos de paz e
reconciliação devem ser feito de uma forma aberta verso transparência, visto que os mesmo
acordo são benéficos para a população. importa referir que quando não há transparência sempre
haverá problemas, porque logo que entrar novo presidente poderá não respeitar esses acordos
porque não sabe os pontos acordados. Poderá não respeitar, o que volta a criar uma contestação
por parte da oposição em Moçambique.

Papel da Sociedade Civil na Reconciliação Nacional e manutenção da Paz


Para Mazula, (1995) o papel das organizações da sociedade civil para processo de
reconciliação nacional:
• As organizações da Sociedade Civil devem entender que os partidos políticos não
devem ser o único meio de participação dos cidadãos no processo de governação e elas
são interlocutoras deste grupo social que não se revê a nenhum partido político;
• Elas podem, tanto, consolidar a paz e representar uma oportunidade de promover a
democracia como podem constituir um momento e um pré-texto para reacender ou criar
novos conflitos;
• Devem lidar de forma igual com todos os partidos políticos, estarem sempre ao interesse
do cidadão para fazer advocacia sem que isto se transfigure em estar contra as iniciativas
governamentais ou estar contra tudo que é promovido pelo partido no poder;

RPGC, Portugal-PT, V.3, Nº2, p. 31-42, Ago./Dez.2022 [Link] Página 39


Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

• A sociedade cível deve-se tornar protagonista na educação cívica do cidadão para saber
valorizar o seu voto e saber que, é através do mesmo que pode resolver os seus
problemas sem submeter-se a chantagens ou populismo político.

A Sociedade Civil, deve desempenhar o papel de mediador dos conflitos com vista a alcançar
a paz em Moçambique, sendo elas órgão independentes.
Considerações finais
Feito o cruzamento de ideais, referente ao artigo percebe-se que; o termo paz refere-se
a cessação de conflitos. Porém quando, há limitações de liberdades fundamentais e graves
violações dos direitos humanos não estamos em condições de falarmos de uma paz efectiva.
portanto, o Acordo de Cessação das Hostilidades, assinado a 5 de Setembro de 2014 pelo então
Presidente Armando Guebuza e Dhlakama, que fez cessar temporariamente a violência armada
que tinha ressurgido em 2012, permitindo a realização das eleições gerais de Outubro de 2014.
Entretanto, A reconciliação é importante em situações de forte interdependência, quando não é
possível manter uma barreira física ou emocional total entre as partes em conflito.
Portanto, a reconciliação tem a ver com a restauração das relações a um nível em que se
tornem novamente possíveis a cooperação e a confiança. Todavia, para que uma paz activa se
torne realidade é necessário lutar pelo reconhecimento integral dos direitos de todos e,
sobretudo das mulheres, que é a classe que mas sofre nos conflitos, pela participação equitativa
e paritária nos processos de construção de paz, pela erradicação da pobreza, da violência e da
exclusão, pela promoção da solidariedade, pela existência de um sistema de justiça
independente, e por uma educação para a paz. Finalmente, para haja uma paz definitiva em
Moçambique, os acordos de paz e reconciliação devem ser feito de uma forma aberta verso
transparência, visto que os mesmo acordo são benéficos para a população. importa referir que
quando não há transparência sempre haverá problemas, porque logo que entrar novo presidente
poderá não respeitar esses acordos porque não sabe os pontos acordados.
As organizações da Sociedade Civil devem entender que os partidos políticos não
devem ser o único meio de participação dos cidadãos no processo de governação e elas são
interlocutoras deste grupo social que não se revê a nenhum partido político; elas podem,
consolidar a paz e representar uma oportunidade de promover a democracia como podem
constituir um momento e um pré-texto para reacender ou criar novos conflitos; devem lidar de
forma igual com todos os partidos políticos, estarem sempre ao interesse do cidadão para fazer
advocacia sem que isto se transfigure em estar contra as iniciativas governamentais ou estar
contra tudo que é promovido pelo partido no poder; a sociedade cível deve-se tornar
RPGC, Portugal-PT, V.3, Nº2, p. 31-42, Ago./Dez.2022 [Link] Página 40
Reinventar a Paz e Reconciliação Nacional a Paz e Reconciliação Nacional em Moçambique.

protagonista na educação cívica do cidadão para saber valorizar o seu voto e saber que, é através
do mesmo que pode resolver os seus problemas sem submeter-se a chantagens ou populismo
político.
Referências
BAR-TAL, D. & BENNINK, G. [Link] nature of reconciliation as an outcome and a
process. In: Y. Bar-Siman-Tov (ed.). From Conflict Resolution to Reconciliation. Nova Iorque:
Oxford University Press, 2004.
COELHO, J. Borges & VINES, Alex. Desmobilização e Reintegração de Ex Combatentes
em Moçambique. ed. In Arquivo 19, 1996.
MUCHANGOS, A. D. Moçambique, Paisagens e Regiões Naturais. Edição: do Autor, 1999.
PEREIRA, J. et al. Estudo Piloto sobre Desmobilização e Reintegração de Ex-Combatentes
em Moçambique. ed. Universidade de Oxford, 1994.
VILLA-VICENCIO, C. (2004). Reconciliation. Cidade do Cabo: Institute for Justice and
Reconciliation.
MAZULA, Brazão. Eleições, Democracia e Desenvolvimento. ed. Maputo, 1995.

Reinventing National Peace And Reconciliation


National Peace And Reconciliation In Mozambique

ABSTRACT: Peace refers to the cessation of conflicts, but the most showy part is war.
Reconciliation is about restoring relationships to a level where cooperation and trust become
possible again. The agreement 4 October 1992 approval of this instrument, associated with the
Constitution of the Republic of 1990, followed in Mozambique. With conflict resolution in the
form of a continuum. However, there are arbitration, mediation, negotiation, exchange and
mutual adaptation. The Cessation of Hostilities Agreement, signed on 5 September 2014 by the
then President Armando Guebuza and Dhlakama, which temporarily put an end to the armed
violence that had resurfaced in 2012, allowing the holding of the October 2014 general
elections. Reconciliation restored it relationships to a level where cooperation and trust
become possible again.
KEYWORDS: Peace, National Reconciliation in Mozambique, solutions and role of Civil
Society Peacekeeping.

RPGC, Portugal-PT, V.3, Nº2, p. 31-42, Ago./Dez.2022 [Link] Página 41

Você também pode gostar