Erosão do Senso Crítico na Era Digital
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Erosão do Senso Crítico na Era Digital
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DEPARTAMENTO PEDAGÓGICO
RESUMO
INTRODUÇÃO
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mesmas. Nesse cenário, torna-se cada vez mais desafiador encontrar momentos de reflexão
e autenticidade em meio à superficialidade que permeia a vida cotidiana.
Muitos fatores contribuem para essa realidade, alguns dos quais são ocasionados de
maneira direta ou indireta. Entre eles, destacam-se as redes sociais, os vídeos curtos que
operam como verdadeiros ladrões de atenção e tempo, conteúdos superficiais no YouTube e
uma infinidade de outros elementos que levam o indivíduo a vivenciar um incessante ciclo
de dopamina barata. Esse estado resulta em uma espécie de apatia e conformismo, como se
a pessoa estivesse se tornando cada vez mais dócil e submissa, perdendo gradualmente seu
senso crítico e se tornando obsoleta diante dos avanços tecnológicos.
Essa realidade está se consolidando com vigor nos dias atuais ,no entanto, é um
fenômeno que começou a se desenhar antes do presente e que vem se intensificando ao
longo do tempo. Refiro-me ao advento da Terceira Revolução Industrial, um marco
histórico que transformou profundamente as estruturas sociais, econômicas e tecnológicas
da sociedade contemporânea. Esse processo não apenas introduziu inovações tecnológicas,
como computadores e a internet, mas também alterou de maneira significativa as
dinâmicas de trabalho e comunicação. A crescente digitalização e a automação de tarefas
têm gerado uma nova era de interações humanas, onde o acesso à informação é
instantâneo, mas paradoxalmente, pode levar a uma desconexão emocional e a um
empobrecimento das relações interpessoais. Assim, é essencial refletir sobre as
implicações dessa revolução em nossas vidas cotidianas e buscar um equilíbrio que
favoreça tanto o progresso tecnológico quanto o desenvolvimento humano integral. Com
o advento da Era Digital veio a Globalização , que segundo (Giddens,1990) : ‘A
globalização é a intensificação das relações sociais que ligam locais distantes de tal forma
que eventos ocorridos em um lugar são moldados por acontecimentos que ocorrem em
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outro.’ Essa citação capta bem a essência da globalização, enfatizando como as
interconexões entre diferentes partes do mundo impactam nossas vidas de maneira direta e
indireta. Podemos considerar e estabelecer uma relação entre os pensamentos do sociólogo
Anthony Giddens e os de Gilles Deleuze, um filósofo francês que se destacou por sua
abordagem inovadora e não ortodoxa da filosofia. Em sua obra 'Conversações com
Deleuze', ele menciona um conceito denominado 'Sociedades de Controle’. Ele afirma que:
As minorias e as maiorias não se distinguem pelo número. Uma minoria pode ser mais
numerosa que uma maioria. O que define a maioria é um modelo ao qual é preciso estar conforme
por exemplo, o europeu médio adulto macho habitante das cidades... Ao passo que uma minoria não
tem modelo, é um devir, um processo. Pode-se dizer que a maioria não é ninguém. Todo mundo, sob
um ou outro aspecto, está tomado por um devir minoritário que o arrastaria por caminhos
desconhecidos caso consentisse em segui-lo. Quando uma minoria cria para si modelos, é porque
quer tornar-se majoritária, e sem dúvida isso é inevitável para sua sobrevivência ou salvação (por
exemplo, ter um Estado, ser reconhecido, impor seus direitos).” Gilles
Deleuze:Conversações,2008,p.214
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Em seu livro sobre Foucault e também na entrevista televisiva ao Institut National de
l'Audio visuel (I.N.A.), você propõe aprofundar o estudo de três práticas do poder: o Soberano, o
Disciplinar, e sobretudo o de Controle sobre a "comunicação", que hoje está em vias de tornar-se
hegemónico. Por um lado, este último cenário remete à mais alta perfeição da dominação, que toca
tanto a fala como a imaginação, mas por outro lado, nunca tanto quanto hoje todos os homens, todas as
minorias, todas as singularidades foram potencialmente capazes de retomar a palavra, e, com ela, um
Os meios de comunicação são um dos fatores primordiais para que o sujeito comum
seja tomado pelos desejos da sociedade de controle. Como já citado antes ,eles querem
enfraquecer o nosso pensamento e por meio da comunicação que hoje em dia o que mais a
representa são as redes sociais isso si torna mais que viável e já é de certa forma realidade ,
eles fazem isso com louvor ,pois ‘matam três coelhos em uma cajadada só’ e
eles são: Erosão do pensamento, capitalização do nosso tempo “livre” e o ato da fala
com a ideia do “conceito padronizado”/massa alienada. Rosangela Schoenardie
enfatiza:‘somos todos marionetes, a diferença é que alguns enxergam suas cordas.’
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GLOBALIZAÇÃO
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2.DESENVOLVIMENTO
As origens da era digital se dão por volta do século XX sendo marcada por
pequenos e grandes avanços na tecnologia de computação e comunicação .
A evolução da internet foi por volta dos anos (1960-1962) com o projeto de
pesquisa dos EUA Arpanet criada pela darpa que possibilitou a evolução da rede de
comunicação militar e acadêmica para a internet comercial na década de 90 fazendo com
que fosse público o acesso em geral assim como os emails e os weblogguers já em 97 veio
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o surgimento do six degrees que se encaixaria bem as redes sociais de hoje em dia que
falou por que veio cedo de mais .Agora como foi o impacto da internet ? O impacto da
internet foi um marco crucial na era digital, por exemplo ela proporciona o acesso infinito
de informações como por exemplo Google .
O Google é uma plataforma que foi criada em 1997 por Sargey Brin e Larry page
desde sua criação o munda das pesquisas teve um grande avanço nessa plataforma é
possível encontrar datas e acontecimentos históricos endereços notícias em tempo real
assim como sites de pesquisa e artigos e livros virtuais a sua primeira versão era chamada
de backrub e tinha uma página chamada page rank esse sistema tinha a capacidade de ter a
relevância em encontrar web sites o nome Google veio a surgir depois de muito tempo o
nome Google que vemos hoje em dia só foi criado em 97 e foi usado como uma
ferramenta de capital para os estados unidos já em 99 a plataforma tentou ser vendida
pelos alunos mas eles não esperavam que aquela plataforma ia crescer tanto no seu
primeiro investimento ele recebeu 100 mil dólares da empresa Sun microsystem e teve
seus primeiros testes em gmail em 2004 já em 2005 o Google compra a Android por 50
milhões de dólares em 2017 o Google lança a plataforma chamada Google drive e em
2018 ele completa 20 anos do seu lançamento desde sua criação essa plataforma tem uma
distribuição de informações muito grande fazendo com que as pessoas dessa geração
fiquem mais informadas gerando assim seres de mais informações e senso crítico sendo
assim uma evolução mais evoluída e mais informada mas isso ainda não chegou ao fim
pois o Google ainda quer crescer mais e aumentar a evolução tecnologica do mundo
De acordo com meus estudos cheguei a conclusão uniforme que a era digital na
sociedade proporcionou mudanças profundas afetando os aspectos da vida cotidiana
principalmente com a criação de redes sociais como Instagram e Facebook dois aplicativos
de rede sociais que possibilitam o entretenimento e a troca de mensagens no cotidiano com
o avanço da tecnologia podemos perceber que os seres ou indivíduos que nascem nessa
geração tecnologica já nascem com uma capacidade maior para pensar pois desde que
nascem já são rodeados por informações ou plataformas que divulgam essas informações
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essas pessoas ou indivíduos conseguem formular muito bem suas respostas ou falas e
também tendo um senso crítico muito maior do que os outros e uma capacidade de
conversa inacreditável apenas pesquisando em sites ou redes de internet e também outra
coisas que ajuda muito na m formulação de pensamento desses indivíduos na sociedade é
o acúmulo de informações em um único lugar por exemplo uma pessoa que lê muito essa
pessoa já vai ter uma facilidade e uma capacidade imensa de representar ou falar algo sem
ter a menor vergonha já pessoas que lêem pouco sentem uma certa dificuldade naquilo .
O Instagram fundado pelo americano Kevin systrom e pelo brasileiro paulista Mike
Krieger os dois tiveram uma ideia da criação de uma rede de compartilhamento de fotos
porem com sua ideia de ter a geo localização, a possibilidade de realização do check in e
também com os planos de seus usuários criar planos para o final de semana um aplicativo
até então considerado bastante complexo porém os primeiros usuário daquela plataforma
acabaram tendo um comportamento bem específico por que eles estavam compartilhando
fotos que eles tiravam com seus próprios celulares foi então que daí Kevin teve a grande
ideia de mudar a plataforma abandonando suas primeiras personalidade e tiveram um
grande foco apenas no compartilhamento de fotos e foi em outubro de 2010 se tornou o
Instagram e em apenas tres meses a plataforma conseguiu obter um milhão de downloads
então foi nesse momento que um novo mercado começou a surgir e as pessoas começaram
a usar de maneira inacreditável aquele aplicativo um aplicativo disponível apenas para
iPhone em abriu de 2002 ele passou a ser distribuído na plataforma Android meses depois
ele começou a ser distribuído na windows .
Fundado por Mark Zuckerberg o nome do serviço decorre o nome coloquial para
o livro dado aos alunos no início do ano letivo por algumas administrações universitárias
nos Estados Unidos para ajudar os alunos a uns aos outros .
O Facebook permite que qualquer usuário que declare ter pelo menos 13 anos
possa se tornar um usuário registrado do site em 04 de outubro de 2012 o Facebook
atingiu a marca de um bilhão de usuários ativos sendo por isso a maior rede social em todo
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mundo em média de 316.455 pessoas se cadastram por dia desde sua criação em 4 de
fevereiro de 2004. Em 2010 Forbes foi classificado como o mais jovem bilionário do
mundo com base em sua participação de 7,6% no Facebook,que vai se tornar líquido após
antecipar a empresa IPO.
Os usuários devem se registrar antes de utilizar o site , após isso podem criar um
perfil pessoal adicionar outros usuários como amigos trocar mensagem incluindo
notificações automáticas quando atualizarem seus perfis além disso tudo as pessoas podem
fazer partes de grupos de seus interesses e caracterizar seus amigos em listas de trabalho
ou amigos íntimos .
FATOR BIOLÓGICO
Em seu livro The Distracted Mind, Adam Gazzaley e Larry D. Rosen investigam
como as constantes interrupções causadas por notificações fragmentam a capacidade de
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foco, reduzindo a eficiência no desempenho de atividades cotidianas. Cada notificação que
surge em um dispositivo digital aciona uma série de respostas cognitivas que fragmentam o
pensamento linear e reduzem a capacidade de manter a atenção em uma única tarefa por
longos períodos. Esse fenômeno tem implicações diretas para a produtividade, já que o
multitasking – ou a alternância constante entre tarefas – pode parecer eficiente à primeira
vista, mas tende a sobrecarregar o cérebro, diminuindo a qualidade do trabalho realizado.
Estudos revelam que esse cenário afeta de maneira especial os jovens, que têm se mostrado
cada vez mais dependentes de interações digitais, a ponto de manifestarem problemas de
saúde mental, como ansiedade, distúrbios de sono e depressão. Segundo Moraes (2020), a
exposição prolongada a telas está diretamente ligada ao declínio da saúde mental,
manifestando-se em sintomas como isolamento social, estresse e fadiga mental.
O vício em redes sociais tem sido comparado, em diversos estudos, aos vícios em
substâncias químicas. A dependência psicológica das plataformas digitais segue um padrão
similar ao observado em vícios como o álcool e as drogas, com sintomas como a compulsão
por verificar notificações, a ansiedade gerada pela ausência de acesso às redes e a
deterioração do desempenho em outras áreas da vida. Em Irresistible, Adam Alter explica
que os designers de redes sociais utilizam intencionalmente técnicas psicológicas para
maximizar o tempo que os usuários passam nas plataformas, criando ciclos de dependência
a partir de mecanismos como curtidas, seguidores e notificações. Essas técnicas se baseiam
em princípios psicológicos que exploram a necessidade humana de aprovação e validação
social. Os sinais de dependência incluem o uso excessivo das redes em detrimento de outras
atividades importantes, como o trabalho, o estudo ou a interação social presencial. Catherine
Price, em How to Break Up with Your Phone, argumenta que o primeiro passo para
combater essa dependência é reconhecer os comportamentos problemáticos e adotar
estratégias de uso mais consciente das tecnologias. "A compreensão do vício é fundamental
para combatê-lo" (Alter, 2017). A pesquisa de Oliveira (2021) reforça a necessidade de
campanhas educativas voltadas para a conscientização sobre os danos da dependência
digital, especialmente entre adolescentes, que são particularmente vulneráveis aos efeitos
das redes sociais.
Esse ciclo viciante é amplificado pela distração constante que as redes sociais
impõem. Adam Gazzaley e Larry Rosen, em *The Distracted Mind* (2016), explicam como
a tecnologia moderna sobrecarrega nossa atenção, fragmentando nosso foco e diminuindo
nossa capacidade de realizar tarefas cognitivas complexas. A atenção dividida entre
múltiplas plataformas não apenas afeta a produtividade, mas também prejudica a saúde
mental, exacerbando sentimentos de ansiedade e estresse.
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A dependência digital não afeta apenas a saúde mental, mas também tem
implicações físicas. O sedentarismo exacerbado pelo uso excessivo das redes sociais é um
dos fatores destacados por Almeida e Souza (2022) em *Sedentarismo e o impacto do uso
de redes sociais*. Eles mostram que a inatividade física causada pelo tempo prolongado em
frente às telas pode levar a uma série de problemas de saúde, incluindo obesidade e doenças
cardíacas.
O vício em redes sociais, como descrito por Adam Alter em *Irresistible* (2017), se
tornou uma verdadeira epidemia silenciosa. Alter argumenta que, à medida que passamos
mais tempo imersos em nossos dispositivos, nos tornamos menos capazes de resistir aos
apelos incessantes das notificações e do conteúdo atraente. Essa incapacidade de
desconectar, como também detalhado por Catherine Price em *How to Break Up with Your
Phone* (2018), leva a uma perda de controle sobre o tempo e as prioridades, impactando a
saúde mental e o bem-estar.
Para combater esses efeitos, Cal Newport, em *Digital Minimalism* (2019), sugere
uma abordagem minimalista, na qual as pessoas intencionalmente reduzem o uso de redes
sociais, concentrando-se em atividades que trazem valor e propósito. Newport acredita que,
ao adotar uma postura mais consciente e deliberada em relação à tecnologia, podemos
recuperar nossa atenção e nos reconectar com o mundo real, promovendo um bem-estar
mais duradouro.
Por fim, a manipulação dos dados pessoais, como exposto por Shoshana Zuboff em
*The Age of Surveillance Capitalism* (2018), representa um aspecto sombrio das redes
sociais. As plataformas coletam e analisam enormes quantidades de informações dos
usuários, moldando seus comportamentos e preferências de maneiras muitas vezes
invisíveis. Essa vigilância constante, conforme argumentado por José Van Dijck em *The
Culture of Connectivity* (2013), transforma a experiência digital em uma mercadoria, onde
o usuário, sem perceber, se torna o produto.
Portanto, os impactos das redes sociais são profundos e abrangentes, afetando tanto a
saúde mental quanto a privacidade e o comportamento social. Diante disso, é essencial
promover um uso mais consciente e crítico dessas plataformas, a fim de minimizar seus
efeitos prejudiciais e promover uma vida digital mais equilibrada.
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DILEMA DAS REDES SOCIAIS
Pontos positivos
Uma das principais ferramentas, ou melhor, a ferramenta central por trás do sucesso
dessas indústrias digitais é o algoritmo, que pode ser comparado ao cérebro da máquina,
sendo o responsável por grande parte das estratégias que capturam nossa atenção e mantêm
nosso foco. O termo "algoritmo" tem origem no nome do matemático persa Mohammed Ibn
Musa Al-Khwarizmi, que foi fundamental para a introdução dos números arábicos no
Ocidente.
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Naquela época, o termo "algoritimi" era utilizado para designar um conjunto de
regras ou etapas sistemáticas para solucionar problemas, especialmente na matemática. Ao
longo dos séculos, sua definição evoluiu, e, no século XIX, passou a referir-se a uma
sequência lógica de ações necessárias para resolver problemas de diferentes naturezas. Hoje,
o algoritmo transcende o campo da matemática e se tornou o coração pulsante das redes
sociais e de outras tecnologias, operando como uma poderosa ferramenta que molda a
maneira como consumimos informação e interagimos no mundo digital. É importante
entendermos que dentro do contexto do meio digital existem diversos tipos de algoritmos ,
alguns exemplos são: Algoritmo de Criptografia, Algoritmo de Compressão de Dados,
Algoritmo de Busca e Ordenação, mas o algoritmo que queremos priorizar o estudo é o
‘Machine Learning’ e estes sendo os mais complexos já que aprendem com os dados, tomar
decisões e fazer previsões, também é conhecido como o aprendizado de máquinas e ele é
utilizado no contexto das redes sociais da seguinte forma , cada vez que interagimos com
determinado vídeo positivamente ela tenta molda nosso feed com mais conteúdos desse tipo
, tentando prever o próximo vídeo que gostaríamos de assistir , uma vez feito isso , ela
precisa da nossa interação para saber se acertou ou errou , quanto mais dados ela recebe ,
mais ela evolui para deter nossa atenção, ficando assim cada vez mias sofisticada por conta
própria e tem mais precisão em sua recomendações, isso acontece não só nos feeds ou redes
sociais , mas também no nosso sistema de streaming, no serviço de compras pela internet,
anúncios publicitários e muito mais. Algumas de suas outras estratégias são:
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Considerando as pautas discutidas anteriormente neste artigo científico, podemos
compreender que as práticas adotadas pelas empresas proprietárias das redes sociais são
impulsionadas por questões capitalistas, com o foco central no lucro. Contudo, é
fundamental questionar quais são, de fato, os produtos oferecidos. Como já abordado na
teoria de Manuel Castells sobre o capitalismo informacional, Eric Schmidt (2010) observa
que: "Se você não está pagando pelo produto, você é o produto." Essa afirmação revela a
essência do modelo de negócios das redes sociais, onde os usuários se tornam ativos
valiosos cujos dados e comportamentos são coletados e monetizados, enfatizando a
intersecção entre lucro e privacidade na era digital. Alguns exemplos são:
-Atenção como Produto: No modelo de negócios das redes sociais, os usuários não
são os clientes, mas sim o produto. O tempo de atenção dos usuários é o recurso vendido às
empresas que querem influenciar comportamentos, sejam comerciais ou até políticos;
Segundo (Jaron Lanier,2020): É a mudança gradual, leve e imperceptível em seu próprio
comportamento e percepção que é o produto.
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-Escala de Impacto: As redes sociais atingem bilhões de pessoas de maneira
simultânea e com grande interatividade, o que amplifica o potencial de manipulação em
massa, seja para fins comerciais, políticos ou sociais;
FALSA LIBERDADE
Essa transformação, embora silenciosa, parece trazer o mundo ao nosso alcance por meio dos
recursos tecnológicos, enquanto, paradoxalmente, nossa capacidade de interrogar e desafiar
esse mesmo mundo se encontra enfraquecida. A rapidez na disseminação da informação e a
facilidade de acesso aparentam conferir empoderamento, mas não fomentam,
necessariamente, o desenvolvimento de uma reflexão crítica aprofundada. Tal fenômeno
coloca em evidência um desafio crucial para o tempo presente: como preservar a capacidade
de reflexão crítica em meio à sobrecarga de estímulos e à crescente aceitação passiva que o
progresso tecnológico pode suscitar?
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A resposta a essa questão pode residir na redescoberta de uma consciência histórica, capaz de
analisar criticamente as condições sociais e políticas contemporâneas. Este resgate seria
fundamental para evitar que o pensamento crítico seja totalmente subordinado à lógica da
produtividade e da eficácia técnica. Como afirmam Giddens e Duneier (2015), a consciência
histórica nos ajuda a compreender que "a história não é apenas um relato do passado, mas
uma construção que influencia nosso presente e molda nosso futuro" (Giddens & Duneier,
2015, p. 28).
Vivemos em uma era tecnológica em que a busca por prazeres rápidos é amplamente
incentivada. A sociedade moderna parece incentivar a procura por formas de escapar da
realidade, na tentativa de amenizar a angústia de viver em coletividade. Contudo, questiona-
se o custo dessa busca por alívio. Será que evitar as dores da existência nos aproxima da
verdadeira liberdade? Como observado por Paulo Coelho, "a liberdade não é a ausência de
compromissos, mas a capacidade de escolher — e me comprometer — com o que é melhor
para mim" (Coelho, 1997, p. 134). Tal reflexão sugere que as escolhas conscientes e críticas
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são essenciais para a verdadeira liberdade, em contraste com a gratificação imediata que a
sociedade frequentemente promove.
A Ilusão do Empoderamento
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essa percepção pode ser enganosa, uma vez que a manipulação elitista se disfarça sob a
aparência de autonomia. Embora a ideia de empoderamento sugira liberdade de escolha,
muitos indivíduos acabam conformando-se a um sistema que os controla, acreditando estar
tomando decisões autênticas. Como afirma Zygmunt Bauman, "as formas contemporâneas de
controle social são disfarçadas de liberdade pessoal, na medida em que os indivíduos
acreditam estar exercendo sua autonomia, enquanto, na realidade, estão cumprindo os papéis
que o sistema lhes atribui" (Bauman, 2000, p. 129).
Vivemos em uma era marcada por uma ilusória sensação de estarmos no topo, percebendo-
nos como seres poderosos e empoderados. No entanto, essa autopercepção não passa de uma
construção superficial, criada em torno de nosso ser. Inseridos em uma sociedade que nos
induz a acreditar em nossa própria força, acabamos por esquecer o valor do senso crítico.
Essa desconexão nos torna vulneráveis a narrativas que distorcem a realidade e obscurecem
nossa capacidade de avaliação e reflexão. Paulo Freire observa que "o empoderamento sem
reflexão crítica é apenas uma forma de manter o status quo, oferecendo a sensação de poder,
mas sem desmantelar as estruturas opressoras" (Freire, 1970, p. 67).
Essa situação nos demonstra que, à medida que nos deixamos levar por essa sensação de
liberdade, corremos o risco de nos perder em uma busca vazia por felicidade. A vida, tal como
a conhecemos, torna-se um espaço onde nossa dignidade como seres humanos é
constantemente colocada em risco em nome do bem-estar de uma pequena parcela da
sociedade. Herbert Marcuse adverte que "a alienação surge quando os indivíduos veem o
mundo através de uma ótica distorcida, onde acreditam estar livres, mas, na verdade, estão
alienados de sua própria capacidade crítica e criativa" (Marcuse, 1964, p. 53). Essa
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configuração não é apenas uma armadilha; é uma grande ilusão na qual o próprio gado se vê
como o fazendeiro, incapaz de perceber sua verdadeira posição na hierarquia social.
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controle, levando os indivíduos a se conformarem com um sistema que, embora ofereça a
aparência de autonomia, na verdade os submete a uma nova forma de servidão.
É imperativo, portanto, que desenvolvamos uma consciência crítica que nos permita
desmantelar essas ilusões e reconhecer as forças que operam para restringir nossa verdadeira
liberdade. Somente assim seremos capazes de nos libertar das correntes invisíveis que nos
prendem e de criar um espaço onde a autonomia genuína, a reflexão crítica e a verdadeira
conexão humana possam florescer. A busca por um mundo onde a liberdade não seja uma
mera ilusão requer um compromisso coletivo em desafiar as estruturas de poder que
perpetuam a desigualdade e a alienação, buscando formas mais autênticas de viver e se
relacionar com os outros e com o mundo ao nosso redor.
CONSCIENCIA HISTORIA
SENSO CRÍTICO
O advento da era digital trouxe consigo uma mudança significativa na maneira como as
pessoas acessam, se juntam e consomem informações, o que impacta diretamente o senso
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crítico. A democratização da internet facilitou o acesso ao conhecimento, mas também gerou
novos desafios para aqueles que buscam informações confiáveis e aprofundadas. Como
Bauman aponta, “a era digital transformou o modo como compreendemos a verdade, muitas
vezes confundindo informação com conhecimento” (Bauman, 2013). Isso indica que, embora
o conteúdo esteja disponível em abundância, a capacidade de interpretá-lo criticamente é o
que determina a qualidade do aprendizado.
A velocidade com que a informação circula na era digital favorece o consumo rápido e pouco
reflexivo de conteúdos, o que compromete a formação de um senso crítico sólido. Segundo
Byung-Chul Han, “vivemos em uma sociedade de transparência, onde a informação é
abundante, mas o pensamento crítico, escasso” (Han, 2017). A superficialidade na
interpretação de dados e o imediatismo digital levam à perda de profundidade, fazendo com
que as análises sejam significativas por respostas rápidas e sem reflexão.
Outro aspecto importante na era digital é a influência dos algoritmos, que personalizam o
conteúdo com base nas visualizações dos usuários e criam bolhas informacionais. Essas
bolhas restringem o acesso a informações diversas, limitando a exposição do usuário a
diferentes pontos de vista e reforçando suas próprias opiniões. Eli Pariser afirma que “a
personalização pode limitar nossa visão de mundo, isolando-nos em um universo próprio”
(Pariser, 2011). Assim, o senso crítico é prejudicado pela falta de acesso a visões alternativas,
o que dificulta o desenvolvimento de uma análise imparcial e equilibrada.
Além disso, uma abundância de informações instantâneas nas redes sociais leva muitos
usuários a se tornarem consumidores passivos, incapazes de questionar ou investigar a origem
e a veracidade das informações que recebem. Como argumenta Alessandro Baricco, “as redes
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sociais não foram projetadas para o debate crítico, mas para o engajamento superficial”
(Baricco, 2018). Este cenário compromete o desenvolvimento do senso crítico ao estimular
um comportamento de consumo automático e descomprometido.
A criação de uma cultura de “curtidas” e aprovações nas redes sociais também gera uma
pressão social para a conformidade de pensamento, desencorajando o questionamento e a
diversidade de opiniões. Essa pressão faz com que muitos usuários evitem expor opiniões
divergentes, contribuindo para uma homogeneização do discurso digital. Sherry Turkle aponta
que “a tecnologia nos empurra para uma zona de conforto onde evitamos o confronto com
ideias diferentes” (Turkle, 2011). Isso afeta a capacidade de desenvolvimento de um
pensamento crítico independente e corajoso, que é fundamental para a autonomia intelectual.
Outro efeito da era digital sobre o senso crítico é a transmissão acelerada de desinformação e
notícias falsas, que exclui uma postura ainda mais vigilante por parte dos consumidores de
conteúdo. Segundo Tom Nichols, “o excesso de informação disponível torna o discernimento
uma tarefa árdua, exigindo uma análise crítica constante” (Nichols, 2017). A facilidade com
que conteúdos falsos se propagam nas redes torna essencial a habilidade de verificar fontes e
analisar a revisão das informações, aspectos centrais para o fortalecimento do senso crítico.
A cultura do “fast content”, caracterizada por conteúdos curtos e superficiais, como vídeos de
poucos segundos e manchetes sensacionalistas, estimula a leitura crítica e a pesquisa
aprofundada. Conforme explica Pierre Lévy, “a digitalização promove uma economia de
atenção onde o valor está na quantidade de visualizações, não na profundidade da análise”
(Lévy, 2015). Esse modelo de consumo favorece uma compreensão superficial e imediatista
dos fatos, comprometendo o desenvolvimento de análises aprofundadas e críticas.
A falta de um senso crítico robusto também pode levar os usuários a interpretar erroneamente
informações científicas e a aderir a teorias conspiratórias, muitas vezes amplificadas nas redes
sociais. Steven Novella destaca que “a internet se tornou um terreno fértil para
pseudociências e teorias da conspiração, exigindo um ceticismo renovador dos usuários”
(Novella, 2019). A ausência de ceticismo e a análise crítica levam muitos indivíduos a tomar
decisões com base em informações infundadas, o que pode ter consequências prejudiciais em
contextos sociais e pessoais.
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Definição e Importância do Senso Crítico
O senso crítico é uma habilidade cognitiva que permite aos indivíduos analisar, avaliar
e interpretar informações de maneira objetiva, com o objetivo de tomar decisões informadas e
coerentes. De acordo com Paulo Freire, “ensinar não transferir é conhecimento, mas criar as
possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” (Freire, 1996). Esse conceito
enfatiza a importância de um aprendizado ativo, no qual o indivíduo se torna responsável por
questionar e entender a realidade ao seu redor, desenvolvendo sua autonomia de pensamento.
No contexto educacional, o senso crítico deve ser estimulado para formar cidadãos
preparados para lidar com os desafios contemporâneos. Segundo Piaget, “o objetivo principal
da educação é criar indivíduos capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que
as gerações anteriores fizeram” (Piaget, 1973). Dessa forma, o senso crítico funciona como
uma ferramenta de transformação e inovação, promovendo a adaptação e a reinvenção das
gerações diante de novas realidades.
Além disso, o senso crítico é uma competência importante para evitar o pensamento
dogmático e preconceituoso, que é alimentado pela falta de questionamento. Segundo o
filósofo Michel Foucault, “o que caracterizar o pensamento crítico é uma recusa de aceitar
como verdade exigida qualquer afirmação que não passe pelo crivo da dúvida” (Foucault,
1978). Essa habilidade permite que um indivíduo confronte crenças pré-estabelecidas,
promovendo uma abertura para novos conhecimentos e uma possibilidade de acessibilidade
passiva de informações infundadas.
O desenvolvimento do senso crítico não ocorre de forma espontânea; ele demanda práticas
educativas intencionais e uma cultura de questionamento que valorize a busca pelo
conhecimento. Como comenta Edgar Morin, “é preciso ensinar a capacidade de conectar
saberes para que o indivíduo possa compreender a complexidade do mundo” (Morin, 2000).
Essa educação crítica contribui para que o indivíduo seja capaz de correlacionar hábitos,
identificando padrões e compreendendo as relações entre diferentes contextos e temas.
A atenção limitada causada pelo uso frequente das redes sociais influencia também nossa
memória e, consequentemente, nossa consciência histórica. A psicóloga Maryanne Wolf
explica que “a leitura superficial online afeta nossa capacidade de compreender e registrar
informações em profundidade” (Wolf, 2018). Essa leitura fragmentada, alimentada pelo
consumo rápido de notícias e postagens curtas, torna mais difícil a formação de uma visão
crítica e abrangente do passado, essencial para que possamos entender o presente e planejar o
futuro.
Os algoritmos das redes sociais são desenhados para manter o usuário constantemente
engajado, e isso reforça o ciclo de distração e superficialidade. O sociólogo Zygmunt Bauman
afirmou que “as redes sociais oferecem um substituto para a interação real, mas criam uma
versão empobrecida da realidade” (Bauman, 2016). A superficialidade das interações digitais
limita a formação de uma compreensão histórica mais profunda, pois o engajamento contínuo
com conteúdos breves e desconexos impede uma análise crítica e contextualizada dos
acontecimentos.
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A sobrecarga de informações diárias, muitas vezes irrelevantes ou sem profundidade, cria
uma espécie de anestesia cognitiva, na qual o indivíduo se torna menos sensível e atento aos
contextos históricos e sociais. Como observa o filósofo Byung-Chul Han, “na sociedade do
cansaço, a sobrecarga de informação nos torna incapacitantes de reflexões” (Han, 2015). Essa
incapacidade de reflexão leva a uma visão distorcida do presente, uma vez que o passado e o
contexto histórico são esquecidos ou negligenciados.
A superficialidade com que os eventos históricos são consumidos nas redes sociais limitam o
desenvolvimento de uma consciência histórica. George Orwell alertava que “quem controla o
passado controla o futuro” (Orwell, 1949), diminui a importância do entendimento do
passado para questionar o presente e imaginar o futuro. Em um ambiente de distração, é fácil
aceitar narrativas simplistas e manipuladoras, pois o contexto histórico se perde em meio à
velocidade de consumo de informações.
A distração digital também contribui para uma visão fragmentada e emocional dos eventos
históricos e sociais. Como afirma o sociólogo Neil Postman, “vivemos em uma cultura de
entretenimento onde as informações são transmitidas para nos entreter, não para nos fazer
pensar” (Postman, 1985). A predominância de conteúdos de entretenimento dificulta a
formação de uma visão crítica e histórica, pois o foco se desloca da análise racional para uma
resposta emocional e imediata aos eventos.
O acesso constante a informações efêmeras, como as tendências nas redes sociais, pode dar
uma sensação falsa de conhecimento histórico, sem que haja um entendimento genuíno. De
acordo com o historiador Eric Hobsbawm, “a história é o que dá sentido à nossa vida, e sem
ela somos folhas ao vento” (Hobsbawm, 1994). A falta de uma compreensão histórica nos
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torna mais suscetíveis a aceitar informações fora de contexto, fragilizando nosso senso crítico
e limitando nossa capacidade de interpretar a realidade.
A era digital promove um estilo de vida pautado pela busca de recompensas rápidas, que
condicionam o cérebro a preferências a interações instantâneas e de curto prazo. Conforme
explica o psicólogo Adam Alter, “as notificações e recompensas das redes sociais funcionam
como estímulos condicionantes, criando um ciclo viciante” (Alter, 2017). Esse ciclo diminui o
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tempo e o interesse por atividades reflexivas e críticas, já que o prazer imediatamente se torna
uma prioridade em detrimento da análise e da reflexão aprofundada.
Além disso, o uso contínuo das redes sociais encoraja a busca pela validação externa, o que
limita a capacidade de desenvolver um pensamento crítico inovador. O psicólogo Jean
Twenge argumenta que “a cultura das redes sociais fomenta a comparação constante, criando
uma necessidade de aprovação que interfere na autonomia do pensamento” (Twenge, 2017). A
busca pela acessibilidade e aprovação nas redes sociais pode dificultar a adoção de uma
postura crítica, pois a opinião pública digital tende a homogeneizar as perspectivas, limitando
a expressão de pensamentos divergentes.
A exposição constante a estímulos visuais e auditivos nos dispositivos digitais também afeta o
desenvolvimento do pensamento reflexivo. Segundo Nicholas Carr, “a internet promove um
modo de pensar que privilegia a eficiência e a rapidez sobre a profundidade e a originalidade”
(Carr, 2010). Ao focar na rapidez e na eficácia, a cultura digital limita a capacidade de análise
e interpretação, aspectos essenciais para a construção de um senso crítico sólido e bem
fundamentado.
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O ambiente digital encorajou a fragmentação da atenção, melhorando o tempo dedicado à
introspecção e à autorreflexão. Segundo o filósofo Marshall McLuhan, “o meio é a
mensagem,” traz que as características dos meios digitais moldam a forma como pensamos e
processamos informações (McLuhan, 1964). A superficialidade do ambiente digital influencia
diretamente a formação de pensamentos reflexivos, pois a ausência de pausas e de momentos
de silêncio dificulta a internalização e a análise das informações de maneira crítica e
independente.
A fragmentação da realidade também conduz a uma perda da percepção pública, onde cada
grupo se concentra em narrativas que confirmam suas próprias opiniões, ignorando
informações que podem contradizê-las. Segundo o psicólogo social Jonathan Haidt, “as redes
sociais têm a capacidade de dividir e radicalizar a sociedade ao destacar e fortalecer posições
extremas” (Haidt, 2018). Essa polarização torna o diálogo crítico mais difícil, já que os
indivíduos se tornam menos abertos a questionar suas próprias visões e a compreender os
outros.
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O efeito de polarização das bolhas de informação se intensifica pela criação de grupos de
apoio a determinados determinados, isolando ainda mais os indivíduos de opiniões
divergentes. O sociólogo Manuel Castells observa que “a tecnologia digital permite a
formação de comunidades ideológicas fechadas, o que limita o contato com informações
contraditórias” (Castells, 2010). A falta de contato com ideias opostas impede que os usuários
desenvolvam a habilidade de refletir criticamente, pois o questionamento contínuo é
substituído pela reafirmação constante de convicção.
A construção dessas bolhas de informação ocorre muitas vezes sem que o usuário perceba,
tornando-se uma barreira invisível que condiciona a percepção da realidade. Shoshana
Zuboff, autora de “The Age of Surveillance Capitalism”, comenta que “os algoritmos moldam
as percepções dos indivíduos de forma silenciosa, guiando-os por caminhos predeterminados”
(Zuboff, 2019). Essa invisibilidade do processo algorítmico compromete a autonomia do
pensamento crítico, pois limita a capacidade de discernir o que é verdadeiro e o que é
manipulado digitalmente.
O conceito de “efeito de câmara de eco” aprofunda ainda mais o isolamento das ideias,
intensificando a geração de conteúdos dentro das bolhas de informação. De acordo com o
teórico de comunicação Marshall McLuhan, “o ambiente digital cria câmaras de eco, onde
ouvimos apenas o eco de nossas próprias opiniões” (McLuhan, 1964). Esse efeito gera um
ciclo vicioso de autovalidação que restringe o desenvolvimento do senso crítico, pois o
indivíduo deixa de questionar sua própria personalidade ao ser constantemente reafirmado em
seu círculo social digital.
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jornalista Walter Lippmann, “cada pessoa cria suas próprias pseudo-realidades a partir das
informações que consome” (Lippmann, 1922). A multiplicidade de realidades distorcidas
impede uma análise equilibrada dos fatos, prejudicando o senso crítico, pois o indivíduo passa
a basear suas opiniões em visões limitadas e artificiais.
A incapacidade de sair da própria bolha de informação afeta não apenas a visão individual,
mas também a sociedade como um todo, dividindo as pessoas em grupos de pensamento cada
vez mais extremos. Como comenta o professor de direito Lawrence Lessig, “a arquitetura da
internet encoraja divisões e compartimentalizações que fragmentam a opinião pública”
(Lessig, 2006). A divisão social gerou bolhas de informação prejudiciais ao debate
democrático e à construção de um senso crítico coletivo, pois cada grupo enxerga o mundo de
maneira isolada.
Notícias falsas exploram o aspecto emocional dos usuários, capturando sua atenção de
maneira imediata e impulsiva, sem exigir reflexão profunda. Como observa o professor de
comunicação Robert Shiller, “a desinformação emocionalmente planejada é projetada para
atrair cliques e compartilhamentos, desviando o foco da análise racional” (Shiller, 2020). A
dependência das plataformas digitais em maximizar o envolvimento dos usuários agrava esse
problema, pois o conteúdo enganoso frequentemente obtém maior visibilidade das
informações baseadas em fatos.
As notícias falsas são frequentemente criadas para explorar divisões sociais e promover
preconceitos, promovendo uma visão limitada e invejada dos acontecimentos. De acordo com
o pesquisador Yochai Benkler, “as fake news exploram narrativas polarizadoras, buscando
intensificar divisões já existentes na sociedade” (Benkler, 2018). A estrutura polarizadora
dessas notícias impede o desenvolvimento do senso crítico ao estimular posições rápidas e de
fortalecimento de posições extremadas, eliminando a possibilidade de análise imparcial e
equilibrada.
As fake news impactam a habilidade de discernir entre fontes confiáveis e não confiáveis, um
componente essencial do senso crítico. Segundo o jornalista David Souter, “a perda da
confiança nas fontes oficiais de informação deixa um vácuo, onde informações duvidosas
prosperam” (Souter, 2019). Esse cenário cria um ambiente onde o conhecimento e a opinião
se misturam, enfraquecendo a habilidade das pessoas de distinguir dados objetivos de
opiniões subjetivas, dificultando uma análise crítica e responsável dos eventos.
Outro fator que contribui para a disseminação de notícias falsas é o excesso de informação
disponível, que reduz a capacidade de concentração e análise crítica. O sociólogo Herbert
Simon sugere que “uma abundância de informação leva a uma escassez de atenção” (Simon,
1971). Esse excesso faz com que as pessoas muitas vezes aceitem informações sem a devida
verificação, enfraquecendo a capacidade crítica para distinguir entre conteúdos verídicos e
enganosos.
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O consumo passivo de informações enganosas sem a prática de verificação e análise crítica
cria um ciclo de desinformação onde a verdade se torna irrelevante. Como aponta o jornalista
Walter Lippmann, “quando a verdade é sistematicamente obtida pela opinião, o senso crítico
é corroído” (Lippmann, 1922). A destruição da importância da verdade e da objetividade é
uma consequência direta da presença constante de notícias falsas, prejudicando o papel do
indivíduo enquanto agente crítico na sociedade.
A estrutura algorítmica das redes sociais tende a favorecer conteúdos que geram emoções,
como raiva ou medo, em detrimento de informações equilibradas e fundamentadas. De acordo
com o estudo de Klaus Gräser e Dariusz Szostek, “os algoritmos priorizam o engajamento em
detrimento da veracidade, criando um ambiente onde a desinformação prospera” (Gräser &
Szostek, 2021). Isso limita a exposição dos usuários a perspectivas diversas e estimula um
consumo de informações que não requer análise crítica.
As bolhas de filtro, criadas pelos algoritmos das redes sociais, sugeridas para a fragmentação
do conhecimento e da realidade. Eli Pariser descreveu essas características como “uma
situação em que os indivíduos são expostos apenas a informações que reforçam suas crenças
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preexistentes” (Pariser, 2011). Essa realidade prejudica a formação de um senso crítico
robusto, pois as pessoas têm dificuldade em confrontar ideias opostas e avaliar informações
de maneira imparcial.
Além disso, as redes sociais podem criar um ambiente de conformidade social, onde a pressão
para se alinhar às opiniões predominantes pode inibir o pensamento crítico. Segundo o
psicólogo Solomon Asch, “o desejo de se conformar a um grupo pode levar os indivíduos a
ignorar suas próprias percepções e confiança” (Asch, 1956). Essa dinâmica pode resultar em
um comportamento de gestão, onde a análise crítica é abandonada em favor da acessível da
maioria.
A desinformação, alimentada por interações nas redes sociais, pode levar a um efeito em que
as opiniões infundadas se espalham rapidamente entre os usuários. Como alertam os
pesquisadores David Lazer et al., “as dinâmicas de interação nas redes sociais podem criar
ciclos de desinformação que perpetuam e amplificam falsidades” (Lazer et al., 2018). Esse
ciclo prejudica o senso crítico, uma vez que informações imprecisas podem ser vistas como
legítimas.
A exposição constante a informações polarizadas e polêmicas nas redes sociais pode levar a
uma dessensibilização em relação a temas importantes. Segundo o filósofo e sociólogo
Zygmunt Bauman, “a fluidez das interações digitais resulta em um desespero emocional que
pode comprometer a empatia e a análise crítica” (Bauman, 2000). Essa dessensibilização pode
dificultar a capacidade de avaliar questões sociais e políticas de maneira informada e crítica.
Outro desafio importante é a manipulação das informações, que é facilitada pela natureza
viral das redes sociais. O especialista em comunicação Marshall McLuhan afirma que “o
meio é a mensagem”, enfatizando que a forma como as informações são demonstrações
podem influenciar sua interpretação e impacto (McLuhan, 1964). Essa manipulação torna
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difícil discernir entre informações objetivas e narrativas distorcidas, prejudicando a formação
de um senso crítico.
As redes sociais, por fim, promovem um consumo de informações que é, muitas vezes,
passivo e fragmentado. O educador e pesquisador David Buckingham aponta que “a
capacidade de filtrar e avaliar informações é uma habilidade que deve ser ensinada, não
apenas esperada” (Buckingham, 2003). Portanto, a falta de uma educação adequada sobre a
análise crítica das informações disponíveis nas redes sociais resulta em um público vulnerável
a manipulações e desinformações.
Para que os educadores sejam eficazes na promoção do senso crítico, é fundamental que
integrem práticas de alfabetização midiática em suas aulas. De acordo com a UNESCO, “a
alfabetização midiática permite que os alunos analisem e avaliem criticamente a mídia,
capacitando-os a serem cidadãos informados e participativos” (UNESCO, 2013). Isso inclui
ensinar aos alunos a identificação de fontes confiáveis e o questionamento da veracidade das
informações que consomem.
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Os educadores também devem cultivar a discussão aberta e o debate em sala de aula, criando
um ambiente seguro para que os alunos expressem suas opiniões e questionem ideias. Como
afirma o filósofo e educador Richard Paul, “o pensamento crítico é um modo de raciocínio
sobre qualquer assunto, conteúdo ou problema” (Paul, 1993). Isso significa que promover o
diálogo e a troca de ideias é essencial para a formação de um senso crítico.
Além disso, a formação continuada dos educadores é vital para que eles possam se adaptar às
mudanças rápidas no cenário digital. Segundo o especialista em educação digital, George
Siemens, “a aprendizagem é um processo que se adapta e evolui com o ambiente em que
ocorre” (Siemens, 2005). Portanto, os educadores precisam estar atualizados sobre as novas
tecnologias e as implicações que estes têm sobre a aprendizagem e o pensamento crítico.
Uma outra estratégia importante é a promoção da reflexão crítica sobre as próprias práticas
educativas. O educador Donald Schön destaca que “a reflexão é uma habilidade essencial
para o desenvolvimento profissional” (Schön, 1983). Ao refletir sobre suas abordagens e
métodos, os educadores podem ajustar suas práticas para melhor atender às necessidades de
seus alunos e promover um pensamento crítico mais eficaz.
Além disso, é essencial que os educadores incluídos discutam sobre ética e responsabilidade
no uso das tecnologias digitais em suas aulas. A pesquisadora danah boyd afirma que “os
jovens precisam entender as implicações sociais e éticas de suas interações digitais” (boyd,
2014). Isso ajuda os alunos a se tornarem mais conscientes das consequências de suas ações e
a desenvolverem uma postura crítica em relação às informações que consomem e união.
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préestabelecidas. Esse ciclo de retroalimentação alienante fragiliza o senso crítico, levando
à conformidade passiva.
O estudo irá detalhar como o uso contínuo das tecnologias digitais, especialmente
das redes sociais, impacta não só o comportamento, mas também as funções cognitivas e a
saúde mental. Gilles Deleuze discute como o controle pode ser exercido sobre o corpo e a
mente de formas cada vez mais sofisticadas, utilizando-se de novas tecnologias que
capturam a atenção e a energia das pessoas: “O homem não é mais confinado em
instituições, mas é modulado de forma contínua e interminável... numa espécie de imensa
modulação” (Conversações, 2008, p. 219). Essa modulação ocorre diretamente através dos
dispositivos digitais, que operam como ferramentas de controle do tempo e da mente,
afetando o corpo biológico e psicológico. Essa “modulação” tecnológica, somada ao estado
contínuo de distração em que os indivíduos se encontram, interfere nas habilidades de
atenção profunda e na capacidade de criar conexões mais complexas entre as informações.
Ao viverem um ciclo vicioso de busca por dopamina imediata — proporcionada por
estímulos constantes como vídeos curtos, notificações e atualizações em redes como
Instagram, TikTok e YouTube , os indivíduos perdem a habilidade de desacelerar e refletir.
Estão, como Deleuze sugere, presos a uma “máquina” que condiciona suas reações e
pensamentos, transformando o usuário em um ser dócil, altamente manipulável. O conceito
de “servidão maquínica” discutido por Deleuze se torna evidente aqui, quando percebemos
o quanto as tecnologias digitais e as redes sociais moldam o comportamento humano,
influenciando suas interações, percepções e, consequentemente, sua autonomia crítica. A
“servidão maquínica” de Deleuze, associada ao conceito de controle contínuo, envolve não
apenas uma subordinação física, mas uma submissão mental aos dispositivos tecnológicos.
Essas máquinas não são mais apenas ferramentas externas; elas se fundem ao sujeito,
agindo sobre seus desejos e seus pensamentos de maneira quase imperceptível. O ser
humano se transforma em um “nó” dentro de uma rede de controle difusa e pervasiva, onde
o comportamento é moldado por estímulos constantes e personalizados.
A pesquisa, portanto, buscará não apenas descrever o problema, mas também propor
soluções práticas e teóricas que possam ser utilizadas para criar uma sociedade mais
consciente e crítica, capaz de resistir às pressões alienantes impostas pelas tecnologias
digitais.
METODOLOGIA
O referencial teórico robusto é crucial para a análise dos dados coletados, conforme
Prodanov e Freitas (2013), que afirmam que “um referencial teórico robusto sustenta a
análise dos dados coletados”. Minayo (2001) acrescenta que “o referencial teórico deve ser
diversificado”, abrangendo diferentes perspectivas e teorias que possibilitem uma
compreensão abrangente do fenômeno estudado. Serão utilizados autores clássicos da teoria
crítica e da sociologia da comunicação, que abordam as implicações sociais e culturais da
era digital sobre a formação do senso crítico.
Para Prodanov e Freitas (2013), a definição dos métodos de coleta de dados deve
ser adequada aos objetivos da pesquisa, garantindo a obtenção de informações relevantes e
precisas. Eles afirmam que “a definição dos métodos de coleta de dados deve ser adequada
aos objetivos da pesquisa”. Minayo (2001) complementa que “a triangulação de métodos
enriquece a pesquisa”, permitindo uma análise mais completa e detalhada. Serão utilizadas
técnicas de entrevistas semiestruturadas e questionários estruturados para a coleta de dados
primários, além da análise de conteúdo das principais plataformas digitais utilizadas pelos
jovens.
A análise dos dados coletados deve ser minuciosa, segundo Prodanov e Freitas
(2013), que afirmam que “a análise dos dados coletados deve ser minuciosa”. Minayo
(2001) destaca que “a interpretação dos dados deve ser crítica”, considerando as influências
contextuais e históricas sobre os resultados encontrados. A análise dos dados neste projeto
será feita por meio de software de análise qualitativa, que auxiliará na organização e
interpretação das informações obtidas, permitindo a identificação de padrões e tendências
relevantes.
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projeto serão validados por meio de comparações com estudos anteriores e consultas a
especialistas na área de educação e comunicação digital.
A redação do relatório final deve ser clara e objetiva, segundo Prodanov e Freitas
(2013), apresentando de forma ordenada os resultados e conclusões do estudo. Eles
afirmam que “a redação do relatório final deve ser clara e objetiva”. Minayo (2001)
acrescenta que “a redação deve seguir normas acadêmicas rigorosas”, garantindo a
qualidade e a credibilidade do trabalho científico. O relatório final deste projeto será
redigido de acordo com as normas da ABNT, contemplando introdução, revisão de
literatura, metodologia, resultados, discussão e conclusão.
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Prodanov e Freitas (2013) apontam que a reflexão sobre as limitações da pesquisa é
fundamental para a credibilidade do estudo, permitindo uma análise crítica das dificuldades
e desafios enfrentados. Eles afirmam que “a reflexão sobre as limitações da pesquisa é
fundamental para a credibilidade do estudo”. Minayo (2001) acrescenta que “as limitações
devem ser explicitadas”, indicando possíveis vieses e restrições do estudo. As limitações
deste projeto serão discutidas na seção final do relatório, considerando as dificuldades na
coleta e análise dos dados, bem como as limitações teóricas e metodológicas.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
3.RIFKIN, Jeremy. A Terceira Revolução Industrial. 1ª ed. São Paulo: M.Books, 2000
49
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Brasileira de Psicologia, 34(2), 15-27.
22. MARTINS, G. S. (2021). Redes sociais e saúde mental: Uma análise entre
jovens brasileiros. Estudos em Psicologia, 45(1), 53-67.
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25. BAUMAN, Zygmunt. Liquid Modernity. Polity Press, 2013.
27. PARISER, Eli. The Filter Bubble: What the Internet Is Hiding from You. Penguin
Press, 2011.
28. CARR, Nicholas. The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains. W. W.
Norton & Company, 2010.
30. TURKLE, Sherry. Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less
from Each Other. Basic Books, 2011.
31. NICHOLS, Tom. The Death of Expertise: The Campaign Against Established
Knowledge and Why it Matters. Oxford University Press, 2017.
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Really Real in a World Increasingly Full of Fake. Grand Central Publishing, 2019.
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47. MARCUSE, Herbert. History and Class Consciousness. 1⁰ ed. MIT Press. 1923.
49. FOUCAULT, Michel. Discipline and Punish: The Birth of the Prison. Vintage Books.
1975.
50. VARGAS, Getúlio - "Só o povo organizado salvará o povo do Brasil." (Vargas, 1951,
citado por Parzianello, 2019).
51. HOLLOWAY, David - "O populismo é uma resposta às demandas não atendidas de
setores da população, e tanto Vargas quanto Bolsonaro souberam captar a insatisfação
popular, apresentando-se como salvadores em momentos de crise." (Holloway, 2019).
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A disseminação de notícias falsas afeta o senso crítico ao criar um ambiente onde desinformação se propaga rapidamente, superando a capacidade de verificação de fatos. Isso impede uma análise profunda e cuidadosa, prejudicando a percepção da verdade e a objetividade. A desinformação planejada emocionalmente atrai cliques e compartilhamentos, desviando o foco da análise racional e crítica .
As redes sociais afetam a atenção e o foco cognitivo ao sobrecarregar os usuários com estímulos constantes e fragmentar a atenção, diminuindo a capacidade de realizar tarefas complexas. Este ambiente de distração constante impede a concentração prolongada e a execução de atividades que requerem raciocínio aprofundado, exacerbando sentimentos de ansiedade e estresse .
As redes sociais afetam a saúde mental ao criar ciclos viciantes no cérebro dos usuários, ativando mecanismos de recompensa que levam à dependência. A contínua exposição a estímulos rápidos provoca comportamentos compulsivos, ansiedade e estresse, além de afetar a interação social emocionalmente. Em termos de privacidade, as plataformas coletam e analisam dados dos usuários muitas vezes sem consentimento, levantando questões éticas sobre a manipulação dos dados para fins comerciais .
A personalização e filtragem de conteúdo nas redes sociais limitam a exposição a diferentes pontos de vista, isolando os usuários em bolhas de informação e reforçando suas próprias opiniões. Isso prejudica o desenvolvimento do senso crítico, pois limita a reflexão e a análise imparcial, além de dividir as pessoas em grupos extremos de pensamento, afetando negativamente a sociedade como um todo .
As redes sociais moldam comportamentos e preferências dos usuários por meio da coleta e análise de dados pessoais, muitas vezes sem consentimento total. Os algoritmos sofisticados utilizados influenciam as interações sociais e pensamentos, transformando a experiência digital em uma mercadoria em que o usuário se torna um produto inconsciente deste sistema. Essa vigilância constante e manipulação de dados impacta significativamente o comportamento do usuário .
Para combater a dependência de redes sociais, estratégias como práticas de mindfulness, adoção de hábitos digitais mais saudáveis e a promoção de um uso mais consciente e equilibrado através de políticas públicas e iniciativas educativas têm sido propostas. Além disso, a implementação de um estilo de vida digital minimalista pode ajudar na recuperação do foco e atenção .
As principais características da globalização, segundo Anthony Giddens, incluem a interconexão global, a densificação das relações sociais, a compressão do tempo e espaço, a globalização cultural com mudanças na identidade e na política, os riscos e incertezas globais, a governança e economia global .
A tecnologia contemporânea ameaça a liberdade individual através de grandes concentrações humanas e normas de regulação que resultam em uma crescente dependência das pessoas em relação a grandes organizações. Isso inclui o uso de propaganda e técnicas psicológicas, engenharia genética e a invasão da privacidade por meio de dispositivos de vigilância e computadores. Enfrentar essas ameaças individualmente é visto como ineficaz, portanto, Kaczynski sugere que é necessário combater o sistema tecnológico como um todo, em uma abordagem revolucionária e não reformista .
As redes sociais impactam a divisão social e a fragmentação de opinião ao criar bolhas de informação que reforçam crenças preexistentes, isolando indivíduos em grupos que compartilham a mesma visão de mundo. Esta estrutura encoraja divisões e compartimentalizações, prejudicando o debate democrático e o desenvolvimento de um senso crítico coletivo, agravando as divisões sociais .
Os desafios éticos associados à manipulação de dados nas redes sociais incluem a coleta de dados pessoais sem consentimento adequado, o uso de informações para fins comerciais, e a exploração das interações dos usuários pelas plataformas. Isso leva a preocupações com a privacidade, vigilância e o impacto na autonomia dos usuários, levantando questões sobre o uso ético e transparente dos dados .