INCONTINÊNCIA
URINÁRIA
BRENDA MIRANDA
14/04/2025
INTRODUÇÃO
- Perda involuntária de urina que gera problema higiênico ou social.
- É um quadro frequentemente encontrado nos consultórios e
ambulatórios de ginecologia.
- A prevalência de incontinência urinária (IU) varia de acordo com a
população e faixa etária estudada, pois ela aumenta com o
envelhecimento.
- Alguns estudos mostram que a prevalência, nas mulheres jovens, varia de
12 a 42%.
- Em mulheres na pós menopausa, a variação é de 17 a 55%.
FISIOLOGIA DA MICÇÃO
- A micção é definida como o
fenômeno da eliminição da urina
estocada na bexiga através da
uretra.
- Controlada pelas divisões
simpática e parassimpática do
sistema nervoso autônomo e os
neurônios do sistema nervoso
somático.
- O enchimento vesical é
controlado pelo Sistema Nervoso
Simpático (SNS), enquanto o
Sistema Nervoso Parassimpático
(SNP) controla o esvaziamento.
FISIOLOGIA DA MICÇÃO
Fase de armazenamento (enchimento)
- Relaxamento do músculo detrusor: inibição do parassimpático
- Contração esfincteriana tônica: ativação do simpático
Noradrenalina, atua
sobre os receptores
FISIOLOGIA DA MICÇÃO
Fase de esvaziamento (micção)
- Relaxamento dos esfíncteres uretrais: inibição do simpático
- Contração do músculo detrusor: ativação do parassimpático
para ter a continencia
urinária, a pressão da
minha uretra deve ser
maior que a pressão da
minha bexiga.
MECANISMOS DA CONTINÊNCIA
URINÁRIA
- Um controle adequado dos mecanismos de continência exige função
normal do sistema nervoso central, do músculo detrusor e função e
anatomia normal da uretra.
- O pré-requisito básico para a continência urinária é a existência de uma
pressão uretral maior que a pressão intravesical (dentro da bexiga), tanto
em repouso, quanto ao esforço.
- As paredes vesicais são compostas pelo músculo detrusor da bexiga,
responsável pelo relaxamento e contração do órgão.
- Em linhas gerais, a continência urinária é mantida pelo funcionamento
adequado e coordenado do músculo detrusor e da estrutura uretral.
FATORES DE RISCO
• Multiparidade
• Via de parto: comparado com a cesariana, o parto vaginal tem mais
associação com IUE.
• Deficiência estrogênica
• Traumatismos pélvicos
• Cirurgias em torno do colo vesical
• Cirurgias pélvicas radicais
• Constipação intestinal
• Obesidade
CLASSIFICAÇÃO
Incontinência Urinária de Esforço (IUE)
Incontinência Urinária de Urgência
= Bexiga Hiperativa
Incontinência Urinária Mista
INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO
- Perda involuntária de urina observada após esforço (exercício físico,
espirro, tosse, riso).
FISIOPATOLOGIA
Hipermobilidade uretral
- O enfraquecimento do suporte uretral pode resultar numa menor
transmissão da pressão intra-abdominal à uretra nos momentos de
esforço.
- Saída de pouca quantidade de urina
- Pressão vesical de perda > 90 cmH20
FISIOPATOLOGIA
Deficiência esfincteriana intrínseca
- Perda de tônus muscular e submucoso intrínseco da uretra, que
normalmente a mantém fechada.
- Incontinência aos pequenos esforços
- Saída de grande quantidade de urina
- Pressão vesical de perda < 60 cmH20
DIAGNÓSTICO
- Queixa de perda urinária aos esforços
- Avaliar sintomas sistêmicos
• Anamnese - Consumo de álcool e cafeína: podem exacerbar os
sintomas devido aos efeitos estimulantes e
diuréticos
- Impacto na qualidade de vida da paciente
- Exame ginecológico
• Exame físico - Teste do esforço: com tosse e/ou manobra de
Valsalva (deve ser realizado preferencialmente
com a bexiga confortavelmente cheia)
DIAGNÓSTICO
- Urinálise (EAS ou Urina tipo 1) e urinocultura:
afastar infecção
Exames
•
laboratoriais - Glicemia de jejum: afastar diabetes
não-diagnosticado
• Teste clínico - Estudo urodinâmico
ESTUDO URODINÂMICO
- Estudo do armazenamento e esvaziamento vesical.
Dividido em três etapas:
Urofluxometria Cistometria
Estudo miccional
ESTUDO URODINÂMICO
Urofluxometria
Representação gráfica da medida de fluxo e volume urinários.
Valores de referência:
-> Fluxo máximo de urina: 15 ml/s – 40 ml/s
-> Volume urinado: 150 ml – 500 ml
ESTUDO URODINÂMICO
Cistometria
- Registro da relação pressão/volume, com o objetivo de avaliar a
atividade do detrusor, além da capacidade e complacência vesicais.
ESTUDO URODINÂMICO
Cistometria
ESTUDO URODINÂMICO
Cistometria
Pressão vesical / Pressão abdominal
Pressão detrussora = Pressão vesical – Pressão abdominal
ESTUDO URODINÂMICO
Cistometria
ESTUDO URODINÂMICO
Cistometria
Incontinência Urinária de Esforço
ESTUDO URODINÂMICO
Cistometria
ESTUDO URODINÂMICO
Estudo miccional
- Inicia-se com o posicionamento da paciente em posição habitual de
micção; em seguida retira-se a sonda de infusão e solicita-se a paciente
que urine da forma como faria na própria casa.
- Obtidos valores de pressão antes, durante e após a micção.
- Na prática clínica, avalia se há obstrução infravesical ou
hipocontratilidade detrusora.
TRATAMENTO
CLÍNICO - CONSERVADOR
- PRIMEIRA LINHA DE TRATAMENTO
Redução de peso Redução de ingesta hídrica
duas horas antes de dormir
Redução do uso de Suspensão de tabagismo
cafeína
Fisioterapia pélvica
TRATAMENTO
CLÍNICO - CONSERVADOR
- PESSÁRIOS VAGINAIS: são dispositivos inseridos na vagina para prover
suporte estrutural ao defeito do assoalho pélvico, reduzir o deslocamento
inferior ou afunilamento da junção ureterovesical.
- Utilizados em pacientes que não desejam cirurgia e/ou apresentam risco
cirúrgico elevado.
TRATAMENTO
CLÍNICO - CONSERVADOR
- CONES VAGINAIS: conjunto de dispositivos em formato de cone,
numerados de 5 a 9, de mesmo tamanho e pesos diferentes, ligados a
um fio de remoção.
- A paciente deve manter o cone na vagina por 15 minutos 2x/dia,
aumentando o peso dos mesmos, de forma progressiva.
TRATAMENTO
MEDICAMENTOSO
- OXALATO DE DULOXETINA: Inibidor da Recaptação de Serotonina e
Norepinefrina (IRSN). No Brasil, utilizada apenas para o tratamento de
depressão.
- REPOSIÇÃO ESTROGÊNICA: aumenta fluxo uretral e a sensibilidade dos
receptores alfa-adrenérgicos, aumentando a pressão de fechamento da
uretra.
- Utilizado para mulheres incontinentes com sinal de atrofia genital.
- Estrogênio tópico diariamente por duas semanas, seguida de 2 aplicações
por semana.
TRATAMENTO
CIRÚRGICO
- COLPOSSUSPENSÃO RETROPÚBICA DE BURCH OU CIRURGIA DE BURCH
- COLPOSSUSPENSÃO RETROPÚBICA DE MARSHALL-MARCHETTI-KRANTZ
(MMK)
- Cirurgias que visam reposicionar o colo vesical em sua topografia
retropúbica.
- SLINGS DE URETRA MÉDIA
TRATAMENTO
Colpossuspensão Retropúbica de Burch
- Fixação da fáscia paravaginal
anterior ao ligamento iliopectíneo
(de Cooper).
Colpossuspensão Retropúbica
Marshall-Marchetti-Krantz (MMK)
- Fixação da fáscia uretrovesical ao periósteo da face posterior da sínfise
púbica.
TRATAMENTO
Slings de Uretra Média
- O controle do fechamento da uretra envolve a interação de três
estruturas:
Ligamentos pubouretrais Rede vaginal suburetral
Músculo pubococcígeo
- Existem variações deses procedimentos, mas todas envolvem a instalação
mediolateral de uma faixa sintética (polipropileno).
- Os procedimentos são classificados de acordo com a via usada para
instalação da faixa sintética:
• Alça livre de tensão, que é um método retropúbico;
• Alça transobturatória.
TRATAMENTO
Slings de Uretra Média
TRATAMENTO
Slings de Uretra Média
TRATAMENTO
Slings de Uretra Média
casos mais
graves, pctes
com
incontinencia
aos minimos
esforços.
INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE URGÊNCIA
= BEXIGA HIPERATIVA
- Urgência miccional, polaciúria, nocturia e incontinência de urgência.
- Contrações involuntárias do detrusor durante a fase de enchimento
vesical.
- Prevalência: 16% das mulheres.
DIAGNÓSTICO
- Os sintomas urgência, urgincontinência,
polaciúria, noctúria, estão
frequentemente associados.
• Anamnese
- Os sintomas também podem estar
relacionados à incontinência urinária
mista ou ITU.
• Urina tipo 1 (EAS) ou Urocultura
• Estudo urodinâmico
ESTUDO URODINÂMICO
Cistometria
TRATAMENTO
CLÍNICO - CONSERVADOR
Redução de ingesta hídrica
Redução de peso duas horas antes de dormir
Redução do uso de Suspensão de tabagismo
cafeína
Fisioterapia pélvica
TRATAMENTO
MEDICAMENTOSO
aqui já entro
- ANTICOLINÉRGICOS: Primeira linha com tto
obrigatório
- Mecanismo de ação: relaxamento vesical
- Efeitos colaterais: boca seca, cefaleia, tontura, turvação visual,
taquicardia, alteração cognitiva, constipação intestinal
- Contra indicação: Glaucoma de ângulo fechado, arritmia cardíaca
- Opções: Oxibutinina, Tolterodina, Solifecacina, Darifenacina
TRATAMENTO
MEDICAMENTOSO
- BETA ADRENÉRGICOS:
- Mecanismo de ação: relaxamento vesical
- Contra indicação: Hipertensão arterial de difícil controle
- Opção: Mirabegron 50mg/dia
TRATAMENTO
MEDICAMENTOSO
- TOXINA BOTULÍNICA:
Ultima escolha, em caso de
- Melhora da qualidade de vida nada resolver.
- Redução da urgência miccional
- Redução da incontinência de urgência
- Duração 6-9 meses
- Efeitos colaterais: dor, infecção urinária, retenção urinária
INCONTINÊNCIA URINÁRIA MISTA
- Associação da incontinência urinária aos esforços com hiperatividade do
detrusor.
- O diagnóstico será confirmado pela demonstração urodinâmica de perda
sincrônica aos esforços e da presença de contrações não inibidas do
detrusor.
- Deve ser tratado primeiramente o componente da hiperatividade.
- Em casos de persistência da perda aos esforços, apesar da melhora do
fator hiperatividade, será indicado o tratamento cirúrgico.
- Podem também ser empregados a eletroestimulação e reeducação
perineal.
TOXINA BOTULÍNICA
INTRAVESICAL