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Introdução 11

A automedicação no Brasil é uma prática cultural com raízes na colonização, responsável por cerca de 20 mil mortes anuais e amplamente adotada pela população, especialmente mulheres jovens e com alta escolaridade. A facilidade de acesso a medicamentos e a falta de orientação médica contribuem para o uso inadequado, resultando em riscos à saúde, como reações adversas e dependência. O papel do farmacêutico é crucial na promoção do uso racional de medicamentos e na conscientização sobre os perigos da automedicação.

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Introdução 11

A automedicação no Brasil é uma prática cultural com raízes na colonização, responsável por cerca de 20 mil mortes anuais e amplamente adotada pela população, especialmente mulheres jovens e com alta escolaridade. A facilidade de acesso a medicamentos e a falta de orientação médica contribuem para o uso inadequado, resultando em riscos à saúde, como reações adversas e dependência. O papel do farmacêutico é crucial na promoção do uso racional de medicamentos e na conscientização sobre os perigos da automedicação.

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INTRODUÇÃO

A automedicação no Brasil teve origem no período colonial, em plena


colonização portuguesa. Na época, a saúde ficava nas mãos dos boticários,
que prescreviam receitas sem embasamento científico para a população
(Nunes GM., 2015). Dois séculos depois, muitos brasileiros se dirigem
diretamente às farmácias para solucionar problemas de saúde, como dores de
cabeça e crises de hipertensão arterial. Porém, longe de ser apenas uma
prática cultural, a automedicação é responsável pela morte de 20 mil pessoas
por ano no país, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias
Farmacêuticas (Abifarma). (CORREIO BRAZILIENSE, 2010) No contexto do
sistema brasileiro de saúde, onde as demandas por atenção à saúde não são
plenamente atendidas, as farmácias comunitárias que constituem
estabelecimentos privados de comercialização de medicamentos, ocupam
lugar privilegiado como estabelecimento de saúde mais acessível à população
e representa um importante local de busca para atendimento primário a saúde
(OMS, 1998). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 1998), a
automedicação é a seleção ou o uso de medicamentos (incluindo chás e
produtos tradicionais) por pessoas para tratarem doenças autodiagnosticadas
ou sintomas sem prescrição ou supervisão de um médico ou dentista. No
entanto, desde que ocorra de forma racional, sob a orientação farmacêutica,
poderá trazer benefícios tanto para a saúde dos seus usuários, quanto de
maneira econômica para o Sistema de Saúde (WHO, 2000). A automedicação
é um fenômeno bastante discutido na cultura médicofarmacêutico e não é
restrita apenas ao Brasil, mas mundial, gerando assim uma preocupação
global, pois afeta um número grande de países (MALIK et al, 2020; QUISPE-
CÃNARI et al, 2021). Sendo assim, entende-se que a automedicação é a
prática das pessoas tratarem os seus próprios males, suas próprias doenças,
ou seja, usarem medicamentos por conta própria. Uma pesquisa da
Datafolha®, realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), mostrou que
a automedicação é realizada por 77% dos brasileiros. Quase metade dessa
população se automedica pelo menos uma vez ao mês e 25% o fazem todo dia
ou pelo menos uma vez na semana (CFF, 2020).
De acordo com a Revista de Associação Médica Brasileira (RABM ,2001), em
alguns países, com sistema de saúde pouco estruturado, a ida à farmácia
representa a primeira opção procurada para resolver um problema de saúde, e
a maior parte dos medicamentos consumidos pela população é vendida sem
receita médica. Contudo, mesmo na maioria dos países industrializados, vários
medicamentos de uso mais simples e comuns, estão disponíveis em farmácias,
drogarias ou supermercados, e podem ser obtidos sem necessidade de receita
médica (analgésicos e antitérmicos). No Brasil, tem-se o hábito de não
somente de se automedicar, como também indicar medicamentos para
parentes, amigos e familiares. O Brasil é um dos principais consumidores
mundiais de medicamentos (SANTOS et al, 2012). A automedicação é um
problema multicausal, estimulada pela facilidade de adquirir medicamentos,
propagandas de marketing que impulsionam as pessoas a comprarem
medicamentos sem necessidade, por indicações de amigos e familiares, pelo
fácil acesso através de compras na internet, porém, essa prática traz
consequências desagradáveis, causadas pelo uso irregular de medicamentos
(DHAMER et al., 2012). A dificuldade e o custo de se conseguir uma opinião
médica, a limitação do poder prescritivo, restrito a poucos profissionais de
saúde, o desespero e a angústia desencadeados por sintomas ou pela
possibilidade de se adquirir uma doença, informações sobre medicamentos
obtidos na internet ou em outros meios de comunicação, a falta de
regulamentação e fiscalização daqueles que vendem e a falta de programas
educativos sobre os efeitos muitas vezes irreparáveis da automedicação, são
alguns dos motivos que levam as pessoas a utilizarem medicamento mais
próximo ( RAMB, 2001). É comum que uma pessoa faça uso de medicamentos
que estejam em sua residência, mas que havia sido prescrito para outros
membros da sua família, ocasionando terapêuticas inadequadas (Teles Filho;
Almeida; Pinheiro; 2013).

CONCLUSÃO
A automedicação ainda está bastante presente na população adulta brasileira
quanto mundial, caracterizando-se assim como um problema de saúde pública.
O fácil acesso da população da população aos medicamentos é o que ocasiona
altos níveis de prevalência da automedicação na sociedade brasileira. O perfil
da população que se automedicam no Brasil não é tão diferente do resto do
mundo. Houve uma maior prevalência na população do gênero feminino com
idade até 40 anos e de alta escolaridade. Diversos estudos comprovam que a
população brasileira está mais propensa a dores e doenças crônicas, o que
leva a consumirem os medicamentos sem a orientação prévia de um
profissional de saúde, muitos dos medicamentos utilizados são os chamados
MIP’s. Conseguinte, os analgésicos/antitérmicos são os medicamentos mais
utilizados pelo fato de serem considerados de fácil acesso. Os AINE’s são
umas das classes de medicamentos que mais são usadas e por consequência
são causadores de hepatotoxicidade e doenças gastrointestinais, como as
ulceras gástricas. Os principais fatores para tal prática é o fato de já possuírem
experiência com o medicamento, falta de tempo para ir a uma consulta e
familiares ou amigos que já tomou o medicamento e indicou. O uso de
medicamentos sem prescrições e sem orientação de um profissional de saúde
capacitado, causa uma série de riscos para a saúde independentemente da
idade de quem está fazendo uso, os principais são: mascaramento de doenças,
reações adversas, interações medicamentosas, reações de hipersensibilidade,
intoxicações, dependência e até a morte.
O farmacêutico, nesse contexto, passa a ter um papel decisivo na educação do
paciente no que diz respeito ao uso racional de medicamentos. Essa espécie
de “conscientização” que o farmacêutico deve impor aos pacientes deve ser
ainda mais clara no que concerne à utilização de medicamentos de venda livre;
já que há uma tendência de se imaginar esses medicamentos como inócuos e
isentos de efeitos indesejáveis. Portanto, a população precisa entender que o
uso de medicamentos é algo diferente do uso de qualquer outro bem. Deve ser
usado adequadamente, da maneira mais segura e mais racional possível, é
preciso antes de mais nada que se parta de um diagnóstico. Mediante o
exposto, à atuação do farmacêutico precisa ser mais ativa, promovendo o bem-
estar e saúde para a população, alertando sobre a automedicação, orientando
quanto a utilização racional dos medicamentos, incentivando a busca por ajuda
médica ou o profissional farmacêutico. Visto que o farmacêutico obtém o
conhecimento necessário da farmacocinética, farmacodinâmica, farmacologia e
posologia de várias classes farmacológicas, para que possa orientar os
indivíduos que utiliza da prática da automedicação.

REFERÊNCIAS

NUNES, GRASIELLA MOURA. A automedicação e o papel do farmacêutico:


uma revisão integrada. 2015. 1 CD-ROM Monografia (Bacharelado em
Farmácia) - Departamento de Farmácia, Centro de Ciências Biológicas e da
Saúde, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, 2014.

AQUINO, DS. De, BARROS, JAC. De, & SILVA, MDP. da (2010). A
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QUISPE-CAÑARI, JF., FIDEL-ROSALES, E., MANRIQUE, D., Mascaró-Zan, J.


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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos


Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos
Estratégicos. Formulário terapêutico nacional 2010: Rename 2010, 2.
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em estudantes de ensino superior: impacto na resistência bacteriana. Revista
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CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA – RJ. Automedicação no Brasil:


prática já
chega a 76,4% da população. 2014.

CORREIO BRAZILIENSE. Automedicação é responsável pela morte de 20 mil


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