Inventário é um procedimento Judicial ou Extrajudicial promovido pelo interessado
com a finalidade de transferir o saldo patrimonial positivo (se houver) do falecido (de
cujus) para os herdeiros e/ou beneficiários sobreviventes.
Ele pode ser negativo (se os débitos superarem do patrimônio) ou positivo (se o
patrimônio superar as eventuais dívidas). Não se “herda” dívidas deixadas pelo ente
falecido, já que os bens efetivamente transferidos são aqueles restantes após estas
serem quitadas. Dessa forma, se as dívidas superarem o patrimônio, nada será
transferido aos herdeiros e/ou beneficiários e o restante do débito “morre” com o
espólio, sem atingir os bens dos herdeiros.
Os herdeiros ou beneficiários somente poderão ser responsabilizados por uma
dívida do espólio caso deixem de informar sua existência no inventário. Nesse
cenário, um credor poderia responsabilizar os herdeiros até o limite da herança
recebida.
COMO FAZER O INVENTÁRIO
A) VIA EXTRAJUDICIAL
Foi viabilizada com o advento da Lei 11.441/2007. Até então, a única forma de se
fazer o inventário era pela via Judicial, utilizando-se da estrutura morosa e
burocrática do poder Judiciário. E, justamente por este motivo (estar desatrelado da
burocracia Judicial), é que o inventário Extrajudicial representa um enorme avanço
em termos de celeridade, podendo ser concluído em pouco mais de 30 (trinta) dias,
caso não haja nenhuma especificidade.
Na tramitação extrajudicial, é obrigatória a contratação de um advogado, o qual
redigirá os termos de uma minuta da escritura Pública de inventário, seguindo a lei
do cenário sucessório do espólio. São retiradas algumas certidões obrigatórias,
recolhido o imposto de transmissão (ITD, que no Estado do RJ tem alíquota
progressiva de 4% a 8% do valor de avaliação do bem) e, por fim, agendada a data
para lavratura da escritura Pública junto a um cartório de Ofício de Notas.
A norma em questão exige o preenchimento de alguns requisitos para
prosseguimento na via extrajudicial:
• Não pode haver herdeiros ou beneficiários incapazes (menores de idade ou
interditados);
• Deve haver consenso entre todos os herdeiros/beneficiários;
• Não pode haver testamento (se houver, será necessária a interposição prévia
de uma Ação Judicial de abertura e cumprimento, com pedido de autorização
para tramitação na via extrajudicial).
Resumindo, esta via (extrajudicial) tem como grande vantagem a celeridade de
finalização. Por outro lado, exigirá que a família e/ou interessados disponham em
um espaço de tempo curto os recursos financeiros necessários (imposto,
emolumentos com escritura Pública e honorários advocatícios).
B) VIA JUDICIAL
É a via tradicional, que utiliza da estrutura do poder Judiciário para todo o seu
processamento. Atualmente, fica reservada aos cenários em que não há o
preenchimento dos requisitos legais para a via extrajudicial e/ou quando a família e
os interessados precisam fazer uso de parte dos recursos do inventariado (falecido),
para custear as despesas da sucessão. Um exemplo recorrente é quando se torna
necessário solicitar o levantamento de recursos bancários do inventariado para
quitação do imposto de transmissão ou mesmo uma autorização de venda de um
imóvel.
Tem, por essas razões, uma tramitação muito mais complexa e prolongada, que
dependerá essencialmente do contexto fático e jurídico da sucessão. Desacordos
entre os familiares e/ou beneficiários, por exemplo, podem estender por muitos
anos um processo. E, mesmo havendo um alinhamento de todos quanto ao plano
de partilha, será processado por muitos meses (às vezes anos) até tudo estar com
concluído.
PRAZO PARA INICIAR INVENTÁRIO
A lei, no caso, o Código de Processo Civil (art. 611), determina que o inventário precisa
ser instaurado no prazo de 2 (dois) meses do óbito do falecido.
Mas o que acontece se esse prazo for perdido? Não poderei mais fazê-lo?
A lei, embora estipule prazo para dar entrada no inventário, não regula as
penalidades para quem o descumprir. Cada Estado tem sua regulamentação a
respeito, mas sempre com foco no imposto de transmissão, cujo credor é o ente
Estadual. No RJ, por exemplo, é fixada multa sobre o imposto a ser pago, além de
juros moratórios, ônus que pode ter grande relevância financeira, dependendo do
tamanho do patrimônio e do tempo de atraso.
DESPESAS DO INVENTÁRIO
IMPOSTO DE TRANSMISSÃO (tanto no Judicial, como no Extrajudicial): Alíquota
progressiva de 4% a 8% de cada bem a ser incluído.
CUSTAS JUDICIAIS (apenas na via Judicial): É calculada de acordo com cada
inventário, em razão do patrimônio. Há possibilidade de gratuidade e/ou de
recolhimento ao final. Cada Estado tem a sua própria forma de cálculo.
EMOLUMENTOS DA ESCRITURA PÚBLICA (apenas na via Extrajudicial): Varia
progressivamente com o tamanho do patrimônio.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS: Cada escritório ou advogado pode adotar seus
próprios critérios de fixação. Geralmente dependerá da complexidade e vulto do
inventário, podendo sua estrutura variar entre um misto de honorários iniciais +
percentual sobre o monte ou somente um apenas percentual sobre o monte, ao
final.
Avenida Franklin Roosevelt, 39 - Grupo 1.012/1.013/1.014
- Centro - Rio de Janeiro - RJ - CEP: 20021-120
Tel: (21) 3553-2057 - Tel: (21) 3527-0827 - Fax: (21) 3553-2057
E-Mail:
[email protected]