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Manual VID-R - 091720 - 040622

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MINISTÉRIO DA SAÚDE

DIRECÇÃO NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA


DEPARTAMENTO DE HIGIENE E EPIDEMIOLOGIA
SECÇÃO DE EPIDEMIOLOGIA

MANUAL DE VIGILÂNCIA
EPIDEMIOLÓGICA
INTEGRADA DE DOENÇAS E
RESPOSTA
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

MINISTÉRIO DA SAÚDE
DIRECÇÃO NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA
DEPARTAMENTO DE HIGIENE E EPIDEMIOLOGIA
SECÇÃO DE EPIDEMIOLOGIA

MANUAL DE
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
INTEGRADA DE DOENÇAS E
RESPOSTA

i
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

FICHA TÉCNICA

TITULO: MANUAL DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA INTEGRADA DE DOENÇAS E RESPOSTA.

A participação de todas as instituições do Sistema Nacional de Saúde é fundamental no


sentido de proporcionarem contribuições para a melhoria deste Manual. Estes contributos
serão sempre bem vindos para as revisões futuras e deverão ser encaminhados à:

Secção de Epidemiologia
Departamento de Higiene e Epidemiologia
Direcção Nacional de Saúde Pública
Ministério da Saúde, Luanda – ANGOLA
C.P. 1201 ou 1975, Luanda.
E-mail: cpdednsp@[Link]

Apoio: Organização Mundial da Saúde

ii
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Este Manual foi elaborado com base no guião genérico “Orientações Técnicas para a
Estratégia de Vigilância Integrada de Doenças e Resposta (VID-R) na Região Africana” OMS,
Outubro de 2010. Contribuiram para o efeito as instituições abaixo mencionadas as quais o
Ministério da Saúde agradeceo empenho e dedicação.

Equipa Responsável pela Revisão e Adaptação do Guião Genérico de Vigilância


Integrada de Doenças e Respostas da OMS-AFRO

Coordenação Geral
Dr.ª Adelaide de Carvalho Directora Nacional de Saúde Pública

Coordenação Técnica Departamento de Higiene e Epidemiologia, Direcção de Saúde


Dr.ª Fátima Valente Pública , DNSP

Equipa Técnica
[Link]ébio Manuel Secção de Epidemiologia,/CPDE, DNSP
Dr. Marques José Gomes Instituto Nacional de Luta contra o SIDA, INLS
Dr. Nilton Saraiva Programa Nacional de Controlo da Malária, DNSP
Dr. João Francisco Lucas Inspecção Geral de Saúde, IGS
Dr.ª Regina Muquila António Direcção Provincial de Saúde de Luanda, DPSL
Dr.ª Luísa Lances Cotilla Secção de Epidemiologia,/CPDE, DNSP
Dr.ª Sandra Neto de Miranda Clínica da Girassol
Dr. Rolando Romero Villar Instituto Nacional de Saúde Pública, INSP
Dra Ana Paula Silva Barbeiro Direcção Provincial de Saúde de Luanda, DPSL
Dra Alda Morais Pedro Secção Imunização, DNSP
Dr. Miguel Gaspar Direcção dos Serviços de Saúde das [Link],
DSS/FAA
Dr. Munzala Mundele Ngola Oficial de Prevenção e Controlo de Doenças – OMS
Angola

Equipa de Apoio Técnico-Administrativo

Sr. Yuri Agostinho Centro de Processamento de Dados Epidemiológicos, DNSP


Sr. Hamilton Muenda Centro de Processamento de Dados Epidemiológicos, DNSP
[Link] Chinguelessi Centro de Processamento de Dados Epidemiológicos, DNSP
Maria Cecília Centro de Processamento de Dados Epidemiológicos, DNSP
Teresa Ximene Centro de Processamento de Dados Epidemiológicos, DNSP
Isabel Tussamba Centro de Processamento de Dados Epidemiológicos, DNSP

iii
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Para obtenção de consenso, contribuiram para este manual técnicos de vários Ministérios
abaixo mencionados:

Isilda Neves Departamento de Saúde Pública/DPSL


Balbina Félix Escola Nacional de Saúde Pública
Eduarda Rosa Sabino Direcção Provincial de Saúde-Luanda
Maria Lúcia Furtado Instituto Nacional de Luta Contra a Sida
Albertina Miguel da Silva Direcção Nacional de Saúde Pública
Eleutério Hivilikueno Direcção Provincial de Saúde do Cunene
Tânia Adão INADEC- Ministério do Comércio
Deodeth Machado Centro Nacional de Sangue
Nzovo Mbiavanga Direcção Provincial de Saúde-Luanda
Fonseca dos Santos Direcção Provincial de Saúde-Luanda
Carlos de Sousa Alberto Direcção Provincial de Saúde-Uige
José Jeremias Direcção Provincial de Saúde-Bengo
José Lucas Calengulula Direcção Provincial de Saúde-Lunda Sul
Joaquim João M. Diniz Ministerio da Agricultura
Fernando Cassanga Direcção Provincial de Saúde- Kuando Kubango
Carolina da Conceição Inspecção Geral da Saude
Cristina da Cunha Inspecção Geral da Saude
Maria Lussinga Direcção Provincial de Saúde- Kwanza Sul
Georgina Figueiredo Direcção Provincial de Saúde- Huambo
Isabel Vunda Centro Nacional de Oncologia
Isabel Margareth Direcção Nacional de Medicamentos e
Equipamentos
Teresa Augusto Francisco Direcção Provincial de Saúde-Luanda
Francisca de A. Magalhães Direcção Provincial de Saúde-Malanje
Linda Alfredo Direcção Nacional Policia Economica
Ana Carolina Lopez Direcção Nacional de Saude Publica
Victoria Cambuando Direcção Provincial de Saúde-Luanda
Claudia Sicato Curso FELTP
Maria Jóse Soares Curso FELTP
Joana da Gloria Silva Direcção Provincial de Saúde-Luanda
Adriano Pacheco Massele Direcção dos Serviços de Saude do Maior Geral
das FAA
Joaquim Avelino Artur Ministerio da Saude
Francisco Gonçalves Ministerio do Interior
Ana Paula Barbeiro Direcção Provincial de Saúde-Luanda
Elsa Palma Mendes Direcção Provincial de Saúde-Luanda
Alzira Pinto Direcção Provincial de Saúde-Luanda
Regina António Direcção Provincial de Saúde-Luanda
João Kiala Direcção Provincial de Saúde-Huíla
Rosa Moreira CDC/AFENET
Abreu Pecamena Tondesso Maternidade Lucrecia Paim
Jandira Vissolela Instituto Nacional de Luta Contra o Sida
Pedro Junior Vicente Ministerio dos Transportes
Alice Miete Sicato Direcção Nacional de Saude Publica

iv
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Osvaldo Cesar Van Dunen Ministerio das Finanças


Josefina Fernandes Ministerio do Interior
Dizono Zediwa Centro Nacional de Oncologia
Manuel Duarte Varela Direcção Provincial de Saúde- Kwanza Norte
Dias dos Santos Direcção Nacional de Saude Publica
Bruce Felipe Ministerio dos Transportes
Maria Fernandes Carlos Instituto Nacional de Luta Contra o Sida
António Unza Ministerio da Agricultura
Aleixo Panzo Macaia Curso FELTP
Franco Mujinda Direcção Provincial de Saúde- Namibe

v
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Siglas
AFRO Escritório Regional da OMS para a África
CPDE Centro de Processamento de Dados Epidemiológicos
AIDI Assistência Integrada das Doenças de Infância
DNSP Direcção Nacional de Saúde Pública
DHE Departamento de Higiene e Epidemiologia
CDC Centro de Prevenção e Controlo de Doenças de Atlanta
TL Taxa de letalidade
DNT Doenças Não Transmissíveis
DSS Síndrome de Choque do Dengue
EMGS Equipa Municicipal de Gestão Sanitária
EMRR Equipa Municipal de Resposta Rápida
EAAV Efeitos Adversos Após a Vacinação
EPI Equipamento de Protecção Individual
AREP Alerta e Resposta às Epidemias e Pandemias
ERR Equipa de Resposta Rápida
FHCC Febre hemorrágica do Congo-Crimeia
FHD Febre hemorrágica do Dengue
FHE Febre hemorrágica do Ébola
FHV Febre Hemorrágica Viral
FL Filaríase Linfática
FNO Febre do Nilo Ocidental
FRV Febre do Vale do Rift
HA Hipertensão arterial
Hib Haemophilus influenzae tipo b
VID-R Vigilância Integrada de Doenças e Resposta
EVID-R Estratégia de Vigilância Integrada de Doenças e Resposta
DTG Doenças do Tipo Gripal
PCI Prevenção e Controlo das Infecções
IRA Infecção Respiratória Aguda
IRAG Infecção Respiratória Aguda Grave

vi
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Siglas
ITS Infecções Transmitidas Sexualmente
MII Mosquiteiros Impregnados com Insecticida
BPN Baixo Peso à Nascença
Nm Neisseria meningitidis
OMS Organização Mundial da Saúde
PAV Programa Alargado de Vacinação
PB Perímetro Braquial
PFA Paralisia Flácida Aguda
ESPAI Emergências de Saúde Pública de Âmbito internacional
CGMSP Comissões de Gestão das Emergências de Saúde Pública
VPH Vírus da Paragripe Humana
PdE Ponto de Entrada
RSI Regulamento Sanitário Internacional (2005)
SARS Síndrome Respiratório Agudo Grave
SIGS Sistema de Informação para a Gestão Sanitária
TB Tuberculose
TB-MR Tuberculose Multirresistente aos Medicamentos
TB-UR Tuberculose Ultrarresistente aos Medicamentos
TNN Tétano Neonatal
UB Úlcera de Buruli
USAID Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional
VHA Vírus da Hepatite A
VHB Vírus da Hepatite B
VHC Vírus da Hepatite C
VHD Vírus da Hepatite D
VHE Vírus da Hepatite E
VHS Vírus da Herpes simplex
VIH/SIDA Vírus da Imunodeficiência Humana /Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
VIH/ SIDA
SSM Sistema de Saúde a nível do Município
MINSA Ministério da Saúde

vii
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

DNM Direcção Nacional de Medicamentos


DNRH Direcção Nacional de Recursos Humanos
DNSP Direcção Nacional de Saúde Pública
DSS/FAA Direcção dos Serviços de Saúde das Forças Armadas Angolanas

viii
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Índice

INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 1
O CONTEXTO DO PAIS. ....................................................................................................................... 1
O QUE É VIGILÂNCIA?........................................................................................................................ 2
O QUE É A ESTRATEGIA DE VIGILÂNCIA INTEGRADA E RESPOSTA? ................................................................ 2
O QUE ACONTECE NUM SISTEMA INTEGRADO? ........................................................................................ 3
DESAFIOS DA VIGILÂNCIA INTEGRADA DE DOENÇAS E RESPOSTA. ................................................................. 4
ESTRUTURA DO SISTEMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA INTEGRADA.......................................................... 5
UMA ESPECIAL ATENÇÃO DEVE SER DADA AO NÍVEL MUNICIPAL PARA: .......................................................... 6
VID-R E RSI (2005). ........................................................................................................................ 7
FUNÇÕES DA VIGILÂNCIA INTEGRADA DE DOENÇAS E RESPOSTA. ................................................................. 8
FLUXO DE INFORMAÇÃO NUM SISTEMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA INTEGRADA.................................... 14
QUAIS SÃO AS DOENÇAS PRIORITÁRIAS PARA A VID-R? ........................................................................... 16
ANEXOS À INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 18
SECÇÃO 1: IDENTIFICAÇÃO DE CASOS.................................................................................................. 29
1.1 IDENTIFICAR CASOS DE DOENÇAS E EVENTOS PRIORITÁRIOS SOB VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA..................... 30
1.2 FONTES DE INFORMAÇÃO DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E DEFINIÇÕES DE REFERÊNCIA PARA A NOTIFICAÇÃO
E ALERTA....................................................................................................................................... 31
1.3 ACTUALIZAR OS PROCEDIMENTOS DE VIGILÂNCIA E RESPOSTA NO MUNICÍPIO.......................................... 33
1.4 USAR AS REDES E PROCEDIMENTOS DE LABORATÓRIO PARA MELHORAR A CAPACIDADE DE VIGILÂNCIA E
RESPOSTA, INCLUINDO A CAPACIDADE DE CONFIRMAR A SUSPEITA DE SURTOS. ...................................... 35
ANEXOS À SECÇÃO 1 ....................................................................................................................... 38
SECÇÃO 2 NOTIFICAÇÃO DE EVENTOS E DOENÇAS PRIORITÁRIAS. ............................................................ 55
2.0 NOTIFICAR DOENÇAS E EVENTOS PRIORITÁRIOS. ............................................................................... 56
2.1 ESTRUTURA, FLUXOGRAMA E PERIODICIDADE DA NOTIFICAÇÃO DOS EVENTOS E DOENÇAS PRIORITÁRIAS. ..... 57
2.2 REGISTO DA INFORMAÇÃO NOS LIVROS DE CONSULTA E/OU FICHAS DE INTERNAMENTO DOS DOENTES. ........ 62
2.3 NOTIFICAR AO NÍVEL SEGUINTE OS DADOS BASEADOS EM CASOS. ......................................................... 63
2.4 NOTIFICAR DADOS RESUMIDOS PARA AS DOENÇAS E EVENTOS PRIORITÁRIOS........................................... 65
2.5 NOTIFICAÇÃO ZERO (NOTIFICAÇÃO NEGATIVA), QUANDO NÃO EXISTE NENHUM CASO DE DOENÇA DE
NOTIFICAÇÃO IMEDIATA ............................................................................................................ 66
2.6 NOTIFICAR DADOS RESUMIDOS DE ROTINA SOBRE OUTRAS DOENÇAS DE IMPORTÂNCIA PARA A SAÚDE
PÚBLICA….............................................................................................................................. 67
2.7 MELHORAR AS PRÁTICAS DE NOTIFICAÇÃO DE ROTINA........................................................................ 69
2.8 USO DE LISTAS E DE NOTIFICAÇÕES SUMÁRIAS DURANTE AS EPIDEMIAS .................................................. 71
ANEXOS A SECÇÃO 2 ....................................................................................................................... 72
SECÇÃO 3 ANÁLISE DOS DADOS ........................................................................................................ 92
3.1 ANALISAR OS DADOS .................................................................................................................. 93
3.2 RECEBER DADOS DAS UNIDADES SANITÁRIAS.................................................................................... 94
3.3 INTRODUZIR E LIMPAR OS DADOS .................................................................................................. 95
3.4 ANALISAR OS DADOS EM FUNÇÃO DO TEMPO................................................................................... 97
3.5 ANALISAR OS DADOS EM FUNÇÃO DO LOCAL .................................................................................. 101
3.6 ANALISAR OS DADOS POR PESSOA ............................................................................................... 103
3.7 CONCLUSÕES TIRADAS DA ANÁLISE .............................................................................................. 109
3.8 RESUMO E UTILIZAÇÃO DOS RESULTADOS DA ANÁLISE ...................................................................... 113
ANEXOS À SECÇÃO 3 ..................................................................................................................... 115
SECÇÃO 4 INVESTIGAÇÃO DE SURTOS SUSPEITOS E DE OUTROS EVENTOS DE SAÚDE PÚBLICA ...................... 124
4.0 INVESTIGAR SURTOS SUSPEITOS E OUTROS EVENTOS DE SAÚDE PÚBLICA............................................... 125

ix
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

4.1 DECIDIR INVESTIGAR UMA EPIDEMIA NOTIFICADA ........................................................................... 125


4.2 REGISTAR SURTOS, EVENTOS E RUMORES NOTIFICADOS.................................................................... 127
4.3 VERIFICAR A INFORMAÇÃO NOTIFICADA........................................................................................ 127
4.4 PREPARAR A REALIZAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO .................................................................................. 128
4.5 CONFIRMAR A OCORRÊNCIA DO SURTO......................................................................................... 131
4.6 REGISTAR INFORMAÇÕES SOBRE OS NOVOS CASOS .......................................................................... 134
4.7 ANALISAR OS DADOS SOBRE UM SURTO EPIDÉMICO......................................................................... 135
4.8 INTERPRETAR OS RESULTADOS DA ANÁLISE .................................................................................... 138
ANEXOS À SECÇÃO 4...................................................................................................................... 141
SECÇÃO 5 PREPARAR A RESPOSTA AOS SURTOS E OUTROS EVENTOS DE SAÚDE PÚBLICA ............................. 172
5.0 PREPARAR A RESPOSTA AOS SURTOS E A OUTROS EVENTOS DE SAÚDE PÚBLICA .................................... 173
5.1 CRIAR UMA COMISSÃO MUNICIPAL DE GESTÃO DAS EMERGÊNCIAS DE SAÚDE PÚBLICA ....................... 173
5.2 CRIAR UMA EQUIPA MUNICIPAL DE RESPOSTA RÁPIDA ÀS EMERGÊNCIAS ........................................... 177
5.3 CRIAR UM PLANO DE PREPARAÇÃO E RESPOSTA ÀS EPIDEMIAS ......................................................... 178
5.4 PREPARAR UM STOCKDE CONTINGÊNCIA DE MEDICAMENTOS, VACINAS, REAGENTES E MATERIAL............. 179
5.5 MAPEAMENTO DOS RISCOS EM CASO DE SURTOS E OUTROS EVENTOS DE SAÚDE PÚBLICA....................... 180
ANEXOS À SECÇÃO 5 ..................................................................................................................... 181
SECÇÃO 6 RESPOSTA AOS SURTOS EPIDÉMICOS E A OUTROS EVENTOS DE SAÚDE PÚBLICA ......................... 185
6.1 RESPONDER AOS SURTOS EPIDÉMICOS E A OUTROS EVENTOS DE SAÚDE PÚBLICA ....... 186_Toc345678016
6.2 REUNIÕES PERIÓDICAS COM A COMISSÃO DE GESTÃO DAS EMERGÊNCIAS DE SAÚDE PÚBLICA ................ 188
6.3 SELECCIONAR O TIPO DE RESPOSTA A UM SURTO EPIDÉMICO OU EVENTO DE SAÚDE PÚBLICA .................. 188
6.4 PLANIFICAR ACTIVIDADES DE RESPOSTA AOS SURTOS EPIDÉMICOS..................................................... 189
6.5 IMPLEMENTAR ACTIVIDADES DE RESPOSTA .................................................................................. 190
6.6 REFORÇAR O MANUSEAMENTO CORRECTO E SEGUIMENTO DOS CASOS.............................................. 191
6.7 ACTUALIZAR OS CONHECIMENTOS DO TÉCNICO DE SAÚDE ............................................................... 191
6.8 REALIZAR CAMPANHA DE VACINAÇÃO DE EMERGÊNCIA (VACINAÇÃO DE BLOQUEIO) ............................. 192
6.9 REFORÇAR A VIGILÂNCIA DURANTE AS ACTIVIDADES DE RESPOSTA AO SURTO EPIDÉMICO ....................... 192
6.10 INFORMAR E EDUCAR A COMUNIDADE ........................................................................................ 193
6.11 MELHORAR O ACESSO À ÁGUA POTÁVEL ..................................................................................... 195
6.12 MELHORAR O SANEAMENTO BÁSICO ......................................................................................... 196
6.13 MELHORAR AS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO DE ALIMENTOS ............................................................ 196
6.14 REDUZIR A EXPOSIÇÃO A PERIGOS AMBIENTAIS OU INFECCIOSOS ...................................................... 197
6.15 REDUZIR AS DOENÇAS TRANSMITIDAS POR VECTORES.................................................................... 197
6.16 GARANTIR A LOGÍSTICA E MATERIAIS APROPRIADOS E ADEQUADOS ................................................... 198
6.17 ELABORAR O RELATÓRIO FINAL SOBRE UM SURTO EPIDÉMICO .......................................................... 199
6.18 DOCUMENTAR A RESPOSTA...................................................................................................... 200
ANEXOS À SECÇÃO 6 ..................................................................................................................... 201
SECÇÃO 7 COMUNICAÇÃO.............................................................................................................. 226
7.1 ELABORAR UM RELATÓRIO SOBRE A RESPOSTA A UM SURTO EPIDÉMICO OU EVENTO............................... 227
7.2 INFORMAR OS INTERESSADOS E A POPULAÇÃO ............................................................................... 227
ANEXOS À SECÇÃO 7 ..................................................................................................................... 231
SECÇÃO 8 MONITORIZAR, AVALIAR E MELHORAR A VIGILÂNCIA E A RESPOSTA .......................................... 236
8.0 MONITORIZAR, AVALIAR E MELHORAR A VIGILÂNCIA E A RESPOSTA ..................................................... 237
8.1 DEFINIR AS METAS E INDICADORES .............................................................................................. 237
8.2 AVALIAR O DESEMPENHO DO SISTEMA DE VIGILÂNCIA E RESPOSTA...................................................... 241
8.3 MONITORIZAR A QUALIDADE DAS ACTIVIDADES DE VIGILÂNCIA A NÍVEL MUNICIPAL. ............................... 242
8.4 SUPERVISIONAR AS ACTIVIDADES DE VIGILÂNCIA E RESPOSTA............................................................. 245
ANEXOS À SECÇÃO 8...................................................................................................................... 252
SESSÃO 9 ORIENTAÇÕES-SÍNTESE PARA DOENÇAS E EVENTOS PRIORITÁRIOS .......................................... 278
9.1 SÍNDROME DE FEBRE HEMORRÁGICA VIRAL (FHV).......................................................................... 279
9.2 HEPATITE VIRAL AGUDA ............................................................................................................ 282

x
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

9.3 EFEITOS ADVERSOS APÓS A VACINAÇÃO (EAAV) ............................................................................ 286


9.4 ANTRAZ (HUMANO)................................................................................................................. 287
9.5 BURULI (DOENÇA DA MYCOBACTERIUM ULCERANS)........................................................................ 292
9.6 CHIKUNGUNYA ....................................................................................................................... 295
9.7 CÓLERA................................................................................................................................. 299
9.8 FEBRE DO DENGUE .................................................................................................................. 303
9.9 DIABETES .............................................................................................................................. 307
9.10 DIARREIA COM SANGUE .......................................................................................................... 310
9.11 DOENÇA DIARREICA AGUDA (DDA) DIARREIA COM DESIDRATAÇÃO EM CRIANÇAS MENORES DE 5 ANOS .. 313
9.12 DRACUNCULOSE.................................................................................................................... 315
9.13 FEBRES HEMORRÁGICAS VIRAIS DE ÉBOLA OU MARBURG............................................................... 317
9.14 DOENÇAS DE TRANSMISSÃO ALIMENTAR ..................................................................................... 320
9.15 GRIPE HUMANA CAUSADA POR UM NOVO SUBTIPO....................................................................... 322
9.16 HIPERTENSÃO ...................................................................................................................... 327
9.17 DOENÇA DO TIPO GRIPAL (DTG) .............................................................................................. 329
9.18 TRAUMATISMOS (TRAUMATISMO POR ACIDENTES RODOVIÁRIOS) .................................................... 332
9.19 FEBRES HEMORRÁGICAS DE LASSA E CONGO-CRIMEIA ................................................................... 334
9.20 LEPRA ................................................................................................................................ 338
9.21 FILARÍASE LINFÁTICA ............................................................................................................. 341
9.22 MALÁRIA............................................................................................................................. 345
9.23 MALNUTRIÇÃO ..................................................................................................................... 349
9.24 MORTES MATERNAS .............................................................................................................. 351
9.25 SARAMPO............................................................................................................................ 353
9.26 MENINGITE MENINGOCÓCICA.................................................................................................. 356
9.27 EPILEPSIA ................................................................................................. 360_Toc345678101
9.28 TÉTANO NEONATAL................................................................................................................ 362
9.29 NOVOS CASOS DE SIDA .......................................................................................................... 364
9.30 NOMA ............................................................................................................................... 368
9.31 ONCOCERCOSE ..................................................................................................................... 370
9.32 PESTE ................................................................................................................................ 372
9.33 VARÍOLA ............................................................................................................................. 375
9.34 TRACOMA............................................................................................................................ 379
9.35 TRIPANOSSOMÍASE ................................................................................................................ 381
9.36 TUBERCULOSE ...................................................................................................................... 384
9.37 FEBRE TIFÓIDE ...................................................................................................................... 387
9.38 FEBRE DO NILO OCIDENTAL ..................................................................................................... 390
9.39 FEBRE AMARELA.................................................................................................................... 394
9.40 PARALISIA FLÁCIDA AGUDA (POLIOMIELITE)................................................................................. 397
9.41 RAIVA ................................................................................................................................. 400
9.42 FEBRE DO VALE DO RIFT (FVR) ................................................................................................ 404
9.43 INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS AGUDAS GRAVES (IRAG).................................................................... 408
9.44 SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE (SARS)........................................................................ 410
9.45 PNEUMONIA GRAVE EM CRIANÇAS MENORES DE 5 ANO ................................................................. 415
9.46 INFECÇÕES TRANSMITIDAS SEXUALMENTE .................................................................................. 417

xi
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

xii
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Introdução
O presente manual é uma revisão do manual de vigilância epidemiológica de doenças e
respostas de 2005, elaborado apos avaliação do sistema de vigilância epidemiológica em
2003, tendo em conta o guião genérico da OMS da região Africana sobre a vigilância e
resposta integradas, publicado em Outubro de 2010. O documento fornece um conjunto de
normas e padrões para implementação da Vigilância Integrada das Doenças, seus
objectivos, assim como o modo de implementar o Regulamento Sanitário Internacional,
através da VIDR-R. Em seguida, é fornecida uma explicação sobre o modo como as funções
da vigilância são descritas neste manual e também a maneira como os municípios e outros
níveis do sistema de saúde incluindo os parceiros as podem utilizar, para reforçar a
vigilância e a resposta. Finalmente, os interessados serão informados acerca das doenças
prioritárias para o País e as recomendadas para a vigilância sanitária internacional.

O contexto do Pais.
A implementação do presente manual toma em consideração os seguintes aspectos:

· A organização política-administrativa do país, nos termos da Constituição e da lei 1.


· O processo de descentralização em curso com vista a conferir maior capacidade de
intervenção aos órgãos locais do Estado e a disponibilização dos serviços o mais
perto possível da população.
· Perdas devidas ao elevado fardo das doenças transmissíveis e não transmissíveis,
mortes prematuras e evitáveis, sobretudo materna e infantil, agravada pela
desestruturação de que foi vítima ao longo do conflito que o País viveu.
· As cinco prioridades principais da saúde definida no programa do Governo Angola
2025(Redução da mortalidade materna infantil, controlo de doenças transmissíveis e
não transmissíveis, adequação dos recursos humanos e tecnologias de saúde,
asseguramento de um financiamento sustentável, gestão eficiente dos recursos do
sistema de saúde).
· O sistema de informação sanitária (SIS)
· Tecnologias de comunicação que permitem a recolha e o devido tratamento e
utilização da informação sanitária, constituindo a base da rede provincial e nacional
da informação em saúde.
· Todos os profissionais do sistema de Saúde devem ser capacitados.
· Revitalização do Sistema Nacional de Saúde a Nível Municipal

1 Ponto 3 do artigo 5º da Constituição da República de Angola, Luanda 2010

1
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

O que é Vigilância?
A vigilância é a actual recolha sistemática de dados de saúde, sua análise e interpretação.
Ela inclui a divulgação oportuna dos dados obtidos, junto de quem deles precisa para actuar.
A vigilância é ainda essencial para o planeamento, implementação e avaliação das práticas
de saúde pública.

São usados vários tipos de vigilância nos programas nacionais. A escolha do método
depende da finalidade da acção de vigilância. Geralmente, o tipo de método de vigilância
descreve:

· um local-alvo para a vigilância (como a vigilância baseada numa unidade de saúde ou


na comunidade).
· uma unidade de saúde designada ou representativa ou um posto de notificação para
o alerta precoce de eventos epidémicas ou pandémicas (vigilância-sentinela).
· a vigilância efectuada nos laboratórios para detectar eventoseventos ou tendências
não necessariamente evidentes em outros locais.
· a vigilância de doenças específicas, envolvendo actividades orientadas para
determinados dados de saúde relativos a doenças específicas.

Independentemente do tipo de vigilância, o importante é que os dados de saúde sejam


usados para acções de saúde pública.

O que é a Estrategia de Vigilância Integrada e Resposta?


Os programas de controlo e prevenção das doenças foram bem sucedidos, sempre que os
recursos eram dedicados à detecção de doenças-alvo, à obtenção de confirmação
laboratorial das doenças e ao uso de limiares para iniciar as acções a nível municipal. Do
mesmo modo, o Escritório Regional para a África (AFRO), da Organização Mundial da Saúde
(OMS), propôs uma abordagem integrada da Vigilância e Resposta às Doenças (VID-R), para
melhorar a vigilância e a resposta da saúde pública na Região Africana, ligando os níveis
comunitário, de unidades sanitarias, níveis municipal e nacional.

A VID-R promove o uso racional dos recursos, pela integração e harmonização das
actividades comuns de vigilância. As actividades de vigilância das diferentes doenças
envolvem funções semelhantes (detecção, notificação, análise e interpretação,
retroinformação e acção) e usam frequentemente as mesmas estruturas, processos e
pessoal. Para além disso, a VID-R tem em consideração a perspectiva Um Só Mundo-Uma Só
Saúde, que é uma estratégia que aborda os eventos na intersecção da saúde humana com a
dos animais domésticos, vida selvagem e ecossistemas. Por exemplo, 75% das recentes

2
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

doenças emergentes e reemergentes que afectam a saúde humana são de origem animal
(VIH/SIDA e gripe aviária, por exemplo).

Um Só Mundo-Uma Só Saúde é uma abordagem interdisciplinar, holística e integrada aos


problemas de saúde. As doenças e outras ameaças resultantes das alterações climáticas,
segurança alimentar e perigos químicos constituem um complexo conjunto de eventos
problemáticos que envolvem a saúde humana, animal e ambiental. A estratégia Um Só
Mundo-Uma Só Saúde promove a integração e a coordenação, dentro e através dos vários
sectores, para a vigilância das doenças, investigação dos surtos e actividades de resposta
empreendidas por profissionais de vários campos como por exemplo a existência das
Comissões Interministeriais para o Controlo da Raíva, da Cólera e da Gripe.

O que acontece num sistema integrado?


· Todas as actividades de vigilância se encontram coordenadas e harmonizadas. Em
vez de se usarem os escassos recursos existentes para manter actividades verticais
separadas, os recursos são combinados para recolher a informação a partir de um só
ponto focal, em cada nível.
· Várias actividades são combinadas numa só actividade integrada e aproveitam as
semelhantes funções de vigilância, competências, recursos e populações visadas. Por
exemplo, as actividades de vigilância da paralisia flácida aguda (PFA) integram,
muitas vezes, a vigilância do tétano neonatal, sarampo e outras doenças ou eventos
eventos invulgares. Assim, os profissionais de saúde que fazem visitas de rotina às
unidades de saúde, para supervisionar os casos de PFA, analisam também os registos
do Município e da unidade de saúde, para recolher informação acerca de outras
doenças prioritárias na área.
· O nível municipal é o centro para a integração das funções de vigilância. Isso
acontece porque o Município é o primeiro nível do sistema de saúde com pessoal
dedicado a todos os aspectos de saúde pública, tais como a monitorização dos
eventos de saúde na comunidade, mobilização da acção comunitária, promoção do
apoio e acesso aos recursos do nivel central e províncial e acesso aos recursos
regionais e províncial .
· Os pontos focais da vigilância a todos os níveis, municipal, províncial e nacional,
colaboram com as comissões de resposta às epidemias em cada nível, para
planearem acções relevantes de resposta da saúde pública e procurarem
activamente oportunidades de combinar recursos.
· A tónica é colocada na criação de um sistema global de vigilância da saúde pública,
com capacidade suficiente para detectar, confirmar e dar resposta às ameaças das
doenças transmissíveis e não transmissíveis.

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Integração: refere-se à harmonização de diferentes métodos, software, formulários para


recolha de dados e Definição padronizada de caso, de modo a evitar uma informação
inconsistente e a maximizar os esforços entre todos os programas de prevenção e controlo
das doenças e as partes interessadas. Sempre que possível, os países usam um formulário
comum de notificação, um sistema único de entrada de dados para várias doenças e canais
de comunicação comuns. A formação e a supervisão são integradas, usa-se uma ficha de
retroinformação comum e partilham-se outros recursos, nomeadamente computadores e
veículos. A VID-R envolve a coordenação, quase a tempo inteiro, das actividades de
vigilância e de acção conjunta (planeamento, implementação, monitorização e avaliação).

Coordenação: refere-se ao trabalhar ou actuar eficazmente em conjunto, para o uso


racional e eficiente dos recursos disponíveis mas limitados. A coordenação envolve a troca
de informação, o planeamento conjunto, a monitorização e a avaliação com o Sistema de
Informação Sanitária (SIS) e outros programas de prevenção e controlo de doenças, de
forma a fornecer dados e informação rigorosa, consistente e relevante, aos decisores
políticos e aos interessados, a todos os níveis incluindo o nível internacional . Para facilitar a
coordenação e a colaboração, deve ser constituída uma unidade/mecanismo de
coordenadora nacional, provincial e municipal, multisectorial e multidisciplinar. Exemplo:
Reuniões de Harmonização de Dados.

A finalidade de VID-R é de fornecer informações sobre o perfil epidemiológico para a


tomada de decisões na prevenção e controlo da ocorrência de doenças ou eventos ligados à
saúde, para: .

· Integrar e coordenar os diversos subsistemas de vigilância para a utilização racional


e eficaz dos recursos
· Melhorar a colheita, o fluxo de informação, a base de dados, a analise, a
interpretaçao e a disseminação das informações para detectar, investigar e
responder às epidemias e outras ameaças de saúde pública
· Reforçar a capacidade e o envolvimento dos laboratorios na confirmação de agentes
patogénicos e monitorização da sensibilidade aos medicamentos
· Facilitar a implementação do RSI em Angola

Desafios da vigilância integrada de doenças e Resposta.


· Envolver todos os técnicos de saúde e reforçar as suas capacidades em vigilância
epidemiológica.
· Integrar os múltiplos subsistemas de vigilância, de modo a que os instrumentos e os
recursos – humanos, materiais e financeiros – possam ser usados com maior
eficiência e eficácia.

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

· Promover a utilização da informação na tomada de decisões no exercício da gestão


sanitária.
· Aperfeiçoar o fluxo informativo sobre vigilância entre os diferentes níveis do sistema
de saúde.
· Reforçar o envolvimento dos laboratórios no sistema de vigilância epidemiológica
integrada.
· Promover a participação comunitária na detecção precoce e resposta aos problemas
de saúde pública.

Estrutura do sistema de vigilância epidemiológica integrada.


Num sistema integrado o nível municipal é o palco principal para a integração das funções
da vigilância epidemiológica.

Na verdade ele é o primeiro nível do sistema de saúde, com pessoal que se dedica a todas as
vertentes da saúde pública. Estas vertentes são:
a) Monitorização e responder a todas as eventos da área de saúde na
comunidade,
b) Mobilização da acção comunitária,
c) Promoção da ajuda nacional,
d) Acesso a recursos, municipais e /ou provinciais de forma a proteger a saúde
a nível do município.
e) No nosso País o sistema de vigilância epidemiológica está constituído pelos
seguintes níveis e estruturas:

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Níveis Descrição
Local O nível comunitário representado pelos serviços básicos ao
nível da aldeia e bairros nomeadamente as parteiras
tradicionais capacitadas, líderes comunitários, professores,
agentes comunitários de saúde, mobilizadores sociais ou
prestadores de cuidados de nível semelhante.
Unidades sanitárias – Embora esteja previsto ao nível local
unidades sanitárias de diferentes tipos, como por exemplo
Posto de Saúde de tipo I (5.000 hab.), Posto de Saúde de tipo
II ( 20.000 hab.), Centros de Saúde para no máximo 75.000
hab. para efeitos de vigilância epidemiológica devemos
considerar neste grupo todas as unidades sanitárias sem
serviços de internamento.

Municipal O nível municipal ou área de saúde é definido em termos


geográficos, demográficos e de acessibilidade pela Direcção
Provincial de Saúde.
É representado pelo Centro de Saúde /Hospital de referência
que tem a responsabilidade de direcção da área de saúde,
formação e supervisão.
Consolida a informação do nível local e municipal, – que inclui
outros Centros de Saúde da área sanitária com ambulatório e
internamento, organiza, coordena a resposta sanitária para a
prevenção dos problemas de saúde e controlo de surtos e
informa o nível provincial.

Provincial Consolida a informação proveniente das suas áreas sanitárias


(Repartições municipais de saúde) e dos hospitais gerais
(hospitais provinciais). Supervisa e informa o nível municipal
na prevenção e controlo das doenças e resposta aos
problemas de saúde.

Central Coordena o Sistema de Vigilância Epidemiológica Integrada,


consolida e analisa a informação proveniente das províncias,
dos Institutos Nacionais/ Hospitais Nacionais,
estabelecimentos e serviços especiais, divulga e retroinforma
para o nível provincial e programas de saúde pública.
É o nível onde se definem as políticas, normaliza os
procedimentos e se atribuem os recursos. Está em alerta aos
problemas sanitários na região e no mundo fornecendo
informações e orientações aos níveis inferiores.

Uma especial atenção deve ser dada ao nível municipal


para:
Melhorar a capacidade dos municípios para detectar e responder às condições e doenças
que provocam elevadas taxas de mortalidade, doença e incapacidades na sua área de acção

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

através do reforço das capacidades e dos recursos solucionando a questão da melhoria da


saúde e do bem estar das comunidades.

VID-R e RSI (2005).


A finalidade do Regulamento Sanitário Internacional (RSI) é evitar, proteger, controlar e dar
uma resposta de saúde pública à propagação internacional das doenças, de uma forma que
seja relevante e restringida aos riscos de saúde pública e possa evitar uma interferência
desnecessária com as transacções e o comércio internacionais. O âmbito do RSI tem vindo a
alargar-se, desde a cólera, peste e febre-amarela, até todas as emergências de saúde
pública de âmbito internacional. Estas incluem as que são provocadas por doenças
infecciosas, agentes químicos, material radioactivo e alimentos contaminados. Dado que o
objectivo da VID-R é reforçar o sistema nacional para a vigilância das doenças, em particular
a nível de município e tem por finalidade garantir o fornecimento e o uso sistemático e
oportuno da informação para a tomada de decisões no âmbito da saúde pública. Para a
implementação do RSI,a VID-R proporciona:

Uma infra-estrutura e recursos para a vigilância, investigação, confirmação, notificação e


resposta

· Recursos humanos com experiência


· Um processo de implementação definido (sensibilização, avaliação, plano de acção,
implementação, monitorização e avaliação)
· Orientações genéricas para a, elaboração do plano de acção, orientações técnicas,
material de formação, instrumentos e procedimentos operacionais padrão que
integram componentes do RSI.

Assim, a VID-R é um sistema com capacidade para garantir informação fidedigna ao nível
central, de modo a cumprir os requisitos do RSI. O RSI oferece a oportunidade de responder
à ameaça para a segurança e comércio internacional de saúde pública, causada pela
emergência e reemergência de certas doenças infecciosas, incluindo emergências de saúde
pública de âmbito internacional (ESPAI). Este Regulamento constitui também uma
excelente oportunidade para reforçar os sistemas de vigilância e de resposta, actuando
como uma poderosa força motriz para a implementação da VID-R. É importante referir que
os Estados-Membros da Região Africana recomendaram que o RSI (2005) fosse
implementado no contexto da VID-R. O RSI é um instrumento legal e vinculativo, que apela
ao reforço da capacidade nacional de vigilância e controlo, incluindo locais como pontos de
entrada (i.e., portos, aeroportos e fronteiras terrestres), à prevenção, alerta e resposta às
emergências internacionais de saúde pública, às parcerias mundiais e à colaboração
internacional e sublinha os direitos, obrigações, procedimentos e monitorização dos
progressos.

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

O RSI tem implicações práticas para a VID-R. No RSI (2005), todas as condições e eventos de
saúde pública de âmbito internacional (ESPAI) deverão ser detectadas, avaliadas e
respondidas em tempo oportuno, usando uma resposta adaptada, em vez de medidas pré-
estabelecidas. O RSI (2005) inclui o controlo de fronteiras (portos, pontos de entrada das
fronteiras terrestres) e a contenção, na origem, das eventos de saúde pública. Dado o papel
importante que desempenha na detecção precoce e verificação de emergências suspeitas
de saúde pública,a vigilância baseada em eventos faz agora parte integrante da VID-R e do
RSI e a utilização do Instrumento de decisão do anexo 2 do RSI é obrigatória.

Eventos a seguinte caixa inclui um resumo das eventos de notificação obrigatória exigida
pelo RSI:

São estas as três principais categorias de eventos que exigem notificação, nos termos do RSI:

· Há quatro condições de saúde pública que devem ser notificadas imediatamente à OMS: varíola,
poliomielite devida ao poliovírus selvagem, gripe humana causada por um novo subtipo do vírus influenza e
SARS (consultar o próximo parágrafo e algoritmo no Anexo da Secção 2). Esta notificação será efectuada do
nível municipal para o provincial e deste para o central. A notificação à OMS deverá ser efectuada pelo
Ponto Focal Nacional do RSI..
· Outras doenças e eventos podem requerer notificação, se forem consideradas potenciais eventos de saúde
pública de l âmbito internacional. Esta avaliação será realizada, normalmente ao nível do município ou
superior, usando o Instrumento de decisão do anexo 2, As doenças que recaem nesta categoria por força do
RSI são: cólera, peste, febre-amarela, febre hemorrágica viral (FHV) e outras doenças de especial
preocupação nacional ou regional, como a febre do dengue.
· Qualquer evento de potencial preocupação para a saúde pública internacional, incluindo as de origem e
causa desconhecida, deve ser avaliado usando o Instrumento de decisão do anexo 2”. Esses eventos não são
tratadas especificamente nestas orientações técnicas, pelo que mais informações podem ser obtidas na
literatura sobre controlo do meio ambiente.

Funções da vigilância integrada de Doenças e Resposta.


Todos os níveis do sistema de saúde devem estar envolvidos nas actividades de vigilância,
para detectar e dar resposta aos eventos e doenças prioritárias.

As actividades de vigilância epidemiológica integrada consistem em:

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

1) Identificação de casos e eventos: usando definições padronizadas de caso,


identificando eventos e doenças prioritárias.

2) Notificação: de casos suspeitos, condições ou eventos ao nível seguinte. Se


se tratar de uma doença de potencial epidémico, uma emergência de saúde
pública de potencial âmbito internacional (ESPAI) ou de uma doença visada
para eliminação ou erradicação, responder imediatamente, investigando o
caso ou ocorrência e apresentar um relatório detalhado. Para eventos a
serem notificadas nos termos do RSI, usar o instrumento de decisão (Anexo 2
do RSI), para identificar qualquer potencial ESPAI.

3) Análise e interpretação dos dados: compilar os dados, analisar as


tendências, comparar a informação com os períodos anteriores e divulgar os
resultados.

4) Investigação e confirmação de casos suspeitos, surtos e eventos: actuar no


sentido de garantir a confirmação dos casos suspeitos, surtos e eventos,
incluindo a confirmação laboratorial. Recolher evidências acerca das
eventuais causas do surto ou evento e usá-las para seleccionar estratégias
adequadas de prevenção e controlo.

5) Preparação: Preparar com antecedência iniciativas para enfrentar os surtos


ou eventos de saúde pública, para que as equipas possam responder
rapidamente e para que haja disponibilidade de materiais e equipamentos
essenciais para uma acção imediata.

6) Resposta: Coordenar e mobilizar recursos e pessoal, para implementar uma


resposta adequada e em tempo oportuno ao problema de saúde pública ou
ao surto epidémico identificado.

7) Retroinformação: Motivar/Encorajar a cooperação, comunicando com os


níveis, que forneceram os dados e notificaram surtos, casos e eventos,
acerca dos resultados da investigação e do êxito dos esforços de resposta.

Avaliação e melhoria do sistema: avaliar a eficiência do sistema de vigilância


epidemiológica, em termos de qualidade da informação, limiares de alerta, grau de
preparação, tempo de resposta, tratamento de casos e desempenho global. Actuar no
sentido de corrigir os problemas e obter [Link] nível do sistema de saúde tem um
papel a desempenhar na vigilância. Os níveis definem-se do seguinte modo

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Comunidade: Representada pelos serviços básicos a nível de aldeia, como parteiras


formadas, agentes comunitários de saúde líderes de aldeia (sobas, religiosos e outros),
professores, veterinários, farmacêuticos e terapêutas tradicionais.

Unidade sanitária: Para fins de vigilância, são definidas como “unidade sanitária” todas as
instituições (públicas, privadas, ONG) com serviços de ambulatório e/ou de internamento de
doentes.

Município: O nível municipal ou área de saúde é representado pela Repartição Municipal de


Saúde que integra os Postos e Centros de Saúde /Hospitais Municipais e tem a
responsabilidade de direcção da área de saúde, formação e supervisão.

Província: A unidade administrativa é representada pela Direcção Provincial de Saúde, que


integra toda a rede sanitária municipal, Hospitais Gerais/Provinciais e Clínicas Privadas e
tem a responsabilidade da coordenação das actividades da saúde da província

Nível central: é representada pela Direcção Nacional de Saúde Pública que é o nível onde se
decidem as políticas, elaboram-se as normas e orientações. Relativamente à vigilância, este
nível, coordena as actividades de vigilância do País e notifica à OMS eventos de preocupação
para a saúde pública, usando os instrumentos de decisão do RSI.
Num sistema integrado, devem existir os serviços básicos de laboratório em cada um dos
níveis acima descritos.

A tabela seguinte descreve as funções de vigilância por níveis:


FUNÇÕES E ACTIVIDADES PRINCIPAIS DE VIGILÂNCIA INTEGRADA DE DOENÇAS E RESPOSTA POR NÍVEIS
DO SISTEMA DE SAÚDE DETECTAR E DAR RESPOSTA ÀS DOENÇAS PRIORITÁRIAS

1.0 Identificar 2.0 Notificar 3.0 Analisar e interpretar


· Usar definições simples de caso para
identificar / detectar · Notificar em tempo oportuno os eventos à · Envolver os líderes locais na observação e interpretação dos
Comunidade unidade de saúde padrões e tendências da doença na comunidade

· Recolher dados de vigilância de · Assegurar-se da existência dos instrumentos · Preparar e actualizar periodicamente os gráficos, tabelas e
rotina das unidades notificadoras, em de notificação mapas, para descrever a data, a pessoa e o local das condições
tempo oportuno e doenças notificadas
· Comunicar a repartição municipal da saúde a · Identificar e notificar de imediato qualquer condição ou doença
· Assegurar a existência de definição informação obtida nos serviços de que:
de caso nas unidades notificadoras ambulatório, internamento e junto de fontes - ultrapasse um limiar de acção
comunitárias - ocorra em locais anteriormente isentos
· Analisar os registos sobre surtos - ocorra mais frequentemente em grupos
suspeitos · Comunicar os resultados laboratoriais, populacionais anteriormente isentos
incluído os da vigilância sentinela (por - apresente tendências ou padrões
Unidade de · Recolher e enviar as amostras exemplo, clínica de ITS, serviços de SMI e invulgares
saúde clínicas para avaliação laboratorial bancos de sangue) a repartição municipal da
saúde · Interpretar resultados. Debater uma eventual acção de saúde
pública com a equipa distrital

· Observar alterações nas tendências durante a análise de rotina


dos resultados de laboratório

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

· Recolher dados de vigilância de rotina


dos municípios e de outras unidades · Assegurar-se da existência dos · Definir denominadores e conseguir dados que assegurem
notificadoras, em tempo oportuno instrumentos, meios e procedimentos de denominadores rigorosos
comunicação para notificação, nas · Compilar os dados a partir dos relatórios das unidades de
· Assegurar a existência de definição unidades de saúde e outras unidades saúde
de caso em todos municipios e nas notificadoras · Analisar os dados baseados em casos, por pessoa, local e
outras unidades notificadoras data
· Certificar-se de que o pessoal da unidade · Calcular taxas e limiares
· Analisar os registos sobre surtos de saúde sabe quando e como notificar · Comparar os dados actuais com períodos anteriores
suspeitos condições e doenças prioritárias · Preparar e actualizar periodicamente os gráficos, tabelas e
mapas, para descrever a data, a pessoa e o local das
· Recolher, analisar ou enviar as · Notificar rapidamente as doenças de condições e doenças notificadas
amostras clínicas para diagnostico notificação imediata à Direcção Provincial · Tirar conclusões sobre tendências, limiares e resultados de
laboratorial de Saúde análises
Nível · Descrever factores de risco para as condições ou doenças
· Notificar em tempo oportuno as doenças prioritárias
Municipal prioritárias de notificação obrigatória à
Direcção Provincial de Saúde

· Comunicar os resultados laboratoriais,


incluído os da vigilância sentinela (por
exemplo, clínica de ITS, serviços de SMI e
bancos de sangue) à Direcção Provincial
de Saúde

· Comunicar os resultados da avaliação


periódica dos factores de risco para as
doenças prioritárias à Direcção Províncial
de Saúde

· Assegurar-se da existência dos


· Elaborar e assegurar que as políticas, instrumentos, meios e procedimentos de
as normas, directivas e instrumentos comunicação para notificação, nas
de detecção sejam disseminadas a repartições municipais de saúde e outras
todos níveis unidades notificadoras

· Realizar inquéritos especiais para · Apoiar as visitas de supervisão formativa


recolher informação sobre os casos, das repartições municipais para certificar-
surtos ou eventos invulgares se de que o pessoal da unidade de saúde
notificados sabe quando e como notificar condições e
doenças prioritárias
· Estabelecer políticas e procedimentos
para estabelecimento da rede · Notificar rapidamente as doenças de
nacional de laboratórios notificação imediata à Direcção Nacional
de Saúde Pública
Nível · Utilizar a rede nacional e internacional
Provincial de laboratório para confirmação de · Notificar em tempo oportuno as doenças
casos prioritárias de notificação obrigatória à
Direcção Nacional de Saúde Pública

· Comunicar os resultados laboratoriais,


incluído os da vigilância sentinela (por
exemplo, clínica de ITS, serviços de SMI e
bancos de sangue) à Direcção Nacional
de Saúde Pública

· Comunicar os resultados da avaliação


periódica dos factores de risco para as
doenças prioritárias à Direcção Nacional
de Saúde Pública

· Elaborar e assegurar que as políticas, · Definir políticas, instrumentos meios de · Definir políticas e procedimentos para analisar e interpretar
as normas, directivas e instrumentos comunicação e procedimentos para os dados
de detecção sejam disseminadas a notificar condições e doenças prioritárias a · Compilar os dados a partir dos relatórios de distrito
todos níveis todos os níveis · Garantir que cada nível utilize denominadores adequados
para análise
· Realizar inquéritos especiais para · Incluir todos os laboratórios (publico e · Interpretar as tendências numa perspectiva nacional
recolher informação sobre os casos, privados) na rede de notificação · Adaptar ou definir limiares de acção
surtos ou eventos invulgares · Disponibilizar recursos de formação na área da análise e
notificados · Dar apoio às actividades de notificação em interpretação dos dados
todo o sistema · Analisar dados por data, pessoa e local
Nível central · Estabelecer políticas e procedimentos
· Utilizar o instrumento de decisão do anexo
· Analisar os mapas e estratificar por distritos ou outros
para estabelecimento da rede factores
nacional de laboratórios 2 do RSI para a notificação de potenciais · Tirar conclusões com base nos resultados da análise
ESPAI · Fornecer relatórios e partilhar a informação com as
· Utilizar a rede nacional e internacional autoridades nacionais e a OMS
de laboratório para confirmação de · Comunicar a OMS todos os ESPAI · Definir as capacidades de análise na área da saúde pública,
casos adequadas a cada nível de pessoal dentro do sistema

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

4.0 Investigar 5.0 Responder 6.0 Fornecer feedback 7.0 Avaliar e


Nota: estes passos pressupõem uma capacidade
laboratorial apropriada
melhorar o
sistema
· Apoiar as actividades de investigação de casos, tais · Ajudar as autoridades sanitárias a · Informar os membros da comunidade · Verificar se as acções de
como a informação à comunidade sobre os seleccionar as actividades de sobre os casos notificados e as saúde pública se realizaram
problemas, resultados dos casos, colheita de resposta actividades de prevenção de acordo com os planos
amostras e outras actividades · Participar nas actividades de resposta · Avaliar a resposta das
· Mobilizar os recursos comunitários comunidades às acções de
apropriados para as actividades de saúde pública
resposta
· Educar a comunidade para a saúde
· Participar na investigação sobre os surtos · Tratar os casos e os contactos de · Informar os membros da comunidade · Monitorizar a pontualidade
notificados acordo com as orientações para a sobre os resultados dos casos e a integralidade da
· Recolher, embalar, acondicionar e transportar gestão-padrão dos casos notificados e das actividades de comunicação ao distrito da
amostras para análise laboratorial · Usar medidas apropriadas para prevenção informação de rotina e
· Usar os resultados da investigação e laboratoriais controlo das infecções baseada em casos
para confirmar o surto · Executar, com o nível distrital, as · Avaliar a detecção de rotina
· Tratar e registar os resultados laboratoriais actividades de resposta na área da e a notificação de
· Facultar os resultados ao pessoal clínico e aos saúde pública condições e doenças
doentes · Mobilizar a participação comunitária prioritárias
nas actividades de resposta · Avaliar a preparação e a
· Lutar pela concessão de recursos pontualidade das
actividades de resposta
· Avaliar a adequação da
gestão dos casos
· Tomar medidas para
melhorar as práticas de
notificcação
· Tomar medidas para
melhorar a preparação para
uma resposta rápida às
epidemias
· Manter o contacto com as
comunidades para garantir
a continuidade das
actividades de preparação e
prevenção
· Monitorizar o intervalo
entre a recepção das
amostras e o envio dos
resultados
· Monitorizar a qualidade dos
resultados laboratoriais
· Preparar e conduzir a investigação sobre os casos · Seleccionar e implementar uma · Alertar as zonas e os distritos · Monitorizar e avaliar as
ou surtos notificados resposta apropriada no domínio da vizinhos para os surtos metas e os indicadores
· Ajudar a unidade de saúde a recolher, embalar, saúde pública (por exemplo, conforme · Dar informação periódica e regular às destinados à medição da
acondicionar e transportar com segurança as a doença, planear o reforço da gestão unidades de saúde acerca das qualidade do sistema de
amostras laboratoriais para análises de confirmação dos casos, a realização de actividades actividades de luta e prevenção de vigilância
· Receber e interpretar os resultados laboratoriais de vacinação ou a melhoria das rotina · Monitorizar e avaliar a
· Decidir se o surto notificado é confirmado actividades de luta) pontualidade e a
· Comunicar a confirmação do surto ao nível seguinte · Reunir a comissão de resposta às integralidade da notificação
· Distribuir kits de recolha de amostras para epidemias e planear a resposta das unidades de saúde do
actividades especiais de vigilância · Fornecer formação para as distrito
actividades de emergência · Monitorizar e avaliar a
· Planear, com antecedência, as pontualidade da resposta
actividades de informação e educação às epidemias
das comunidades · Monitorizar as actividades
· Alertar as zonas e os distritos de prevenção de rotina e
vizinhos para a confirmação de um modificá-las, se necessário
surto.

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

· Alertar o laboratório e apoiar as suas actividades de · Definir políticas e procedimentos para · Informar todos os níveis acerca das · Criar e divulgar políticas e
confirmação: material, meios de transporte, logística, dar resposta aos casos e surtos de actividades de resposta procedimentos para a
transporte de amostras condições e doenças prioritárias · Dar informação periódica e regular monitorização das
· Apoiar as actividades para a investigação dos surtos · Apoiar as actividades de resposta e aos distritos acerca das actividades actividades de vigilância e
notificados: material, logística, equipamento e preparação para as epidemias de luta e prevenção de rotina de resposta aos surtos
verbas · Notificar e divulgar os resultados da · Criar e distribuir regularmente um · Criar políticas e práticas
· Se necessário, colaborar com as autoridades resposta às epidemias, através de boletim regional sobre epidemiologia para a supervisão das
internacionais durante as investigações boletins, meios de comunicação e saúde pública actividades de vigilância e
· Notificar as redes regionais e internacionais sobre a social, comunicados de imprensa e de resposta aos surtos
confirmação do surto reuniões de informação · Avaliar as actividades de
· Processar as amostras da investigação e enviar detecção e notificação e
prontamente os resultados a cada nível aperfeiçoá-las, quando
· Se necessário, pedir amostras adicionais necessário:
· Participar na equipa de resposta às epidemias
- Monitorizar e avaliar as
metas e os
Indicadores destinados
à medição da qualidade
do sistema de vigilância

qualidade do
sistema de vigilância

- Monitorizar e avaliar a
pontualidade e a
integralidade da
notificação dos níveis
intermédios
- Monitorizar e avaliar a
pontualidade do apoio
nacional na resposta às
epidemias
- Monitorizar e avaliar a
pontualidade e a
eficácia das actividades
de resposta às
epidemias a nível de
distrito

· Monitorizar as actividades de
prevenção de rotina e
modificá-las, conforme
necessário
Monitorizar a garantia de
qualidade dos laboratórios dos
níveis mais baixos
· Comunicar as recomendações para a investigação · Apoiar as actividades de resposta · Prestar informação para a · Usar os relatórios dos
dos casos e confirmação laboratorial (peritos técnicos, orientações) colaboração com os níveis nacionais países para medir os seus
· Mobilizar recursos para melhorar as capacidades e · Notificar e informar as autoridades e regional sistemas e advogar
as competências dos laboratórios internacionais sobre a resposta à · Informar os países sobre os melhorias
· Mobilizar recursos para a investigação e epidemia problemas que podem atravessar
confirmação, conforme necessário, com base nas · Calcular os indicadores de resposta e fronteiras ou ter impacto a nível
necessidades e pedidos a nível nacional comunicar a situação ao nível regional
· Fornecer formação e equipamento de laboratório seguinte · Comunicar os resultados das análises
· Criar orientações para a preparação e as · Auxiliar o nível nacional na resposta em boletins regionais e internacionais
investigações sobre os surtos às epidemias e no desenvolvimento sobre as tendências e os padrões das
· Participar nas investigações, se necessário de acções de saúde pública doenças
· Criar e distribuir um boletim regional
sobre epidemiologia e saúde pública

Para o bom funcionamento do sistema de vigilância epidemiológica integrada, devem existir


serviços laboratoriais em todos os níveis, orientados por um sistema nacional e regional de
garantia de qualidade, e ligados aos laboratórios de referência em casos de doenças
específicas.

Alem disso outras estruturas deverão estar integradas aos diferentes níveis:

• Serviços de veterinária do Ministério da Agricultura

• Administrações municipais e comunais

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

• Faculdades de Medicina

• Escolas de Saúde – Institutos Médios de Saúde e Institutos Superiores de


Ciências de Saúde

• Instituições privadas

Fluxo de informação num sistema de Vigilância


Epidemiológica Integrada.
Um doente apresenta-se numa consulta médica. Os seus dados pessoais são registados num
livro. Esse livro é actualizado diariamente, de forma a obter informação, tanto sobre o
doente internado como sobre os doentes em regime ambulatório. No mínimo, são
recolhidos os seguintes dados: O nome do doente, a data do início da doença, a data da
apresentação nos serviços de saúde, a data de alta (só para internados), aldeia (localidade),
idade, sexo, diagnóstico, tratamento e evolução do doente (só para internados). Se o clínico
suspeitar do evento ou doença visada para eliminação ou erradicação ou se a doença for de
elevado potencial epidémico, o caso será imediatamente notificado ao técnico responsável
pela vigilância na unidade de saúde e a nível municipal. Esse serviço deverá notificar ao nível
seguinte e preparar-se para responder ao surto suspeito e/ou evento. Simultaneamente, a
equipa municipal de saúde tomará a iniciativa de investigar e confirmar o surto. Os
resultados da investigação serão usados para planificar e implementar uma acção de
resposta com os serviços de saúde implicados.

Semanalmente, mensalmente, trimestralmente ou anualmente, a unidade de saúde faz a


síntese do numero de casos e de óbitos para cada evento e/ou doença sob Vigilância
Integrada de Doença e Resposta –VID-R notificada, apresentando os totais ao nível
municipal.

A unidade sanitária procede a análise dos dados, estabelece as tendências dos eventos ou
doenças prioritárias , e verifica, se os limiares de alerta foram ultrapassados,para alerta.
Em caso de suspeita de surto epidémico a confirmação laboratorial é fundamental. Colhidas
as amostras para o laboratório, deverão ser registados os seguintes dados: identificação do
doente, data da recolha da amostra, tipo de amostra, data de envio para o laboratório,
condições da amostra no momento da recepção no laboratório (boas ou mas) e resultados
do exame. Ao nível municipal, os dados são compilados semanal e mensalmente para cada
um dos eventos ou doenças de Vigilância Integrada. O município deverá preparar
informações sobre datas, locais e características dos doentes nomeadamente idade e sexo,

14
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

quer para doentes ambulatórios quer para internados. Estes resultados serão enviados para
o nível provincial e deste para o central. A equipa municipal usa os dados em primeira
instância para elaborar o gráfico de tendências das doenças e as curvas epidémicas para as
doenças sob vigilância.

Para alem disso, o município mantém um registo actualizado de surtos suspeitos,


notificados pelas unidades sanitárias. Este registo deve documentar a natureza do surto, o
número de casos suspeítos , as datas das investigações e as acções empreendidas pelo
município. Inclui também todos os resultados das investigações realizadas pelo nível
municipal, provincial ou nacional. O técnico responsável pela vigilância no município fornece
dados e informação sobre doenças específicas ao chefe da repartição municipal. O chefe da
repartição municipal fornece dados e informação ao chefe do Departamento Provincial de
Saúde Pública e este por sua vez, a Direcção Nacional de Saúde Pública. A Direcção Nacional
de Saúde Pública fornece informação a Direcção do Ministério de Saúde através do
Gabinete de Estudo, Projetos e Estatísticas que gere o Sistema de Informação Sanitária no
país.
FLUXO DE INFORMAÇÃO SANITÁRIA EM ANGOLA

A quem servem estas orientações?

15
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

A informação e as recomendações deste manual destinam-se a ser usadas por:


· Técnicos de vigilância epidemiológica
· Pontos focais nacionais do RSI
· Autoridades de saúde nos Pontos de Entrada (PoE)
· Gestores hospitalares, clínicos e funcionários dos programas de controlo e prevenção
de doenças
· Veterinários e Técnicos de saúde ambiental
· Equipas municipais de saúde
· Técnicos de enfermagem
· Gestores das unidades sanitárias
· Docentes de medicina e de enfermagem
· Funcionários de comunicação
· Funcionários de logística
· Técnicos de laboratório
· Líderes comunitários
· Outros peritos de saúde pública
· Outros parceiros de saúde, incluindo ONG.

Quais são as doenças prioritárias para a VID-R?

O Escritório Regional da OMS para a África sugere as seguintes doenças transmissíveis e não
transmissíveis, bem como condições ou eventos, como prioridades para a vigilância
integrada das doenças na Região Africana,por serem:
· Doenças internacionalmente exigidas pelo RSI (por exemplo, varíola, poliomielite de
tipo poliovírus selvagem, gripe humana causada por um novo subtipo (SARS);
· Doenças de elevado potencial epidémico que causam profundo impacto na saúde
pública, devido à sua capacidade de rápida disseminação internacional (por exemplo,
cólera, peste, febre-amarela, febre hemorrágica viral);
· Principais causas de morbilidade e mortalidade na Região Africana (por exemplo,
malária, pneumonia, doenças diarreicas, tuberculose, VIH/SIDA, mortalidade
materna e traumatismos);

16
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

· Doenças não transmissíveis prioritárias na Região (hipertensão arterial, diabetes


mellitus, saúde mental e malnutrição);
· Doenças que constituem problemas para a saúde pública (por exemplo, oncocercose
e tripanossomíase) e para as quais existem intervenções eficazes de prevenção e
controlo;Doenças visadas para prevenção e controlo, erradicação ou eliminação,
através de programas de intervenção apoiados pela OMS, como, por exemplo, o
Programa Alargado de Vacinação (PAV) e a estratégia de Atenção Integrada às
Doenças da Infância (AIDI).

A lista das doenças prioritárias pode variar de país para país, em função da situação
epidemiológica local, das necessidades e do sistema de saúde. Os países são encorajados a
manter a lista tão curta quanto possível, a fim de assegurar a disponibilidade de recursos
adequados, para levar a cabo a resposta e garantir que o sistema será capaz de gerir a lista.
O quadro 1, que se segue, apresenta a lista prioritária de doenças e condições abrangidas
pelo RSI seleccionadas para a República de Angola e que consta no REGULAMENTO
SANITARIO NACIONAL:

Quadro 1: Doenças, Eventos Prioritários para Estratégia


Integrada de Vigilância e Resposta às Doenças
Doenças
Doenças visadas Outras doenças, ou
Potenciamente
para erradicação eventos de importância
Epidémicas
ou eliminação para a saúde pública
Febre hemorrágica Viral
* Lepra Hepatite viral aguda
Cólera Filaríase linfática Efeitos adversos após a
Sarampo Tétano neonatal vacinação (EAAV)
Meningite meningocócica Oncocercose Diabetes mellitus
Febre-amarela Poliomielite1 Diarreia com desidratação em
menores de 5 anos
*Ébola, Marburgo, Vale 1Doenças Diarreia com sangue
do Rift, Lassa, Congo- especificadas pelo VIH/SIDA (novos casos)
Crimeia, Febre do Nilo RSI (2005) para Hipertensão Arterial
Ocidental notificação imediata Traumatismos por
Traumatismo por acidentes
rodoviários
Malária
IRAG
Febre tifóide
Malnutrição em menores de 5
anos
Mortes maternas
Raiva
Pneumonia grave em

17
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

menores de 5 anos
ITS
Tripanossomíase
Tuberculose
Schistossomiase

Doenças ou eventos de caracter internacional


Gripe humana devida a um novo subtipo1
SARS1
Varíola1
Peste
Qualquer ocorrência de saúde pública de caracter
internacional ou nacional (infecciosa, zoonótica, de
origem alimentar, química, radionuclear ou devida a
causas desconhecidas).

1 Doenças especificadas pelo RSI (2005) para notificação imediata

Anexos à Introdução

ANEXO A Instrumento para fazer a avaliação da vigilância e resposta a nível


municipal.

ANEXO B Potenciais eventos de saúde pública de âmbito internacional que


exigem notificação à OMS, nos termos do Regulamento Sanitário
Internacional (2005).

ANEXO C Capacidades essenciais e necessárias de vigilância e resposta,


conforme descritas no RSI (2005).

É importante garantir uma notificação de dados de vigilância fidedignos através do sistema,


para que os gestores dos programas, os responsáveis da vigilância e outros profissionais de
saúde possam usar a informação para:
· Identificar os problemas e planificar respostas adequadas

· Tomar medidas em tempo útil

· Monitorizar as tendências das doenças na área.

18
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Doenças Sob Vigilância Epidemiológica.


A Direcção Nacional de Saúde Pública, através do Departamento de Higiene e
Epidemiologia, realizou de 9 a 13 de Abril de 2012 um encontro onde foi definida a lista
prioritária de doenças para Angola que inclui 29 doenças e eventos prioritários de saúde
para a vigilância integrada considerando os critérios:
· da morbilidade e mortalidade (incidência, prevalência e letalidade)

· da transcendência

· da existência de conhecimentos técnico - científicos eficazes no controlo


das doenças e a possibilidade da sua operacionalização no terreno,

· dos recursos humanos e materiais disponíveis no país,

· dos grupos de população expostos a maior risco de adoecer nos quais se


pode concentrar medidas de controlo.

A política nacional determina que os dados dos municípios e unidades sanitárias


devem ser notificados de imediato, semanalmente e mensalmente.

Estas orientações recomendam dois tipos de notificação:

· Notificação imediata: num caso individual de uma doença


potencialmente epidêmica, um surto epidémico ou eventos de
preocupação para a saúde pública. Também se devem comunicar
informações baseadas em casos, quando se trata de doenças visadas
para erradicação, ou ainda quando ultrapassa o limiar da acção.

· Nota: Algumas doenças potencialmente epidémicas têm requisitos


específicos para notificação. Por exemplo: Os casos e os óbitos por
meningites meningococcica devem ser notificados de imediato e
semanalmente.

· Notificação de rotina: Registar sistematicamente o número total de


casos e óbitos ocorridos em determinado período (por exemplo, por
semana e por mês). Esses totais são analisados e os resultados serão
usados para avaliar os progressos a caminho das metas de redução da
doença, para medir o impacto das actividades de prevenção da doença e
para identificar surtos ou problemas ocultos, de modo a que seja
possível tomar medidas rapidamente.

A notificação das doenças deve ser feita nas seguintes condições:

19
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

· Quando houver SUSPEITA CLÍNICA ou,

· Quando houver confirmação clínica e/ou laboratorial.

ANEXO A: Preparar a realização da vigilância e resposta a nível municipal.


A maioria dos países usa um instrumento para avaliar os seus sistemas nacionais de
vigilância e de preparação e resposta às epidemias, bem como para identificar as
necessidades. A avaliação fornece resultados que podem ser usados para resolver
problemas com os recursos, a qualidade e oportunidade dos dados da vigilância e o modo
como a informação é usada. O plano estratégico nacional poderá também ser usado como
referência, enquanto se prepara um plano de acção específico do município.

Anualmente os municípios devem realizar uma auto-avaliação da situação das actividades


de vigilância e resposta no seu seio e actualizar o perfil do município, usando a lista de
verificação que se segue abaixo após adaptação ao contexto local:

Identificação de casos e eventos prioritários:

1. Determinar a existência e o conhecimento das definições de caso padronizadas, para


notificação de doenças e eventos prioritários suspeitos, incluindo eventos de
preocupação para a saúde pública.

2. Definir as fontes de informação sobre eventos de saúde no município, incluindo os


pontos de contacto da comunidade com os serviços de saúde. Por exemplo, registar
as seguintes fontes numa lista dos postos de notificação do município:
a. Unidades sanitárias
b. Pontos de Entrada
c. Agentes comunitários de saúde
d. Parteiras tradicionais
e. Terapeútas tradicionais
f. Líderes das comunidades rurais que têm conhecimento de eventos na
g. comunidade (por exemplo, os mais velhos da aldeia, o curandeiro, o
professor, os líderes de comunidades religiosas, etc.)
h. Profissionais de saúde
i. Sector privado
j. Protecção Civil, como bombeiros, socorristas ou agentes da polícia
k. Serviços veterinários
l. Laboratórios industriais, segurança alimentar e de saúde ambiental

20
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

m. Meios de comunicação social, websites e aplicações de pesquisa de notícias


sobre saúde
n. Outros,

3. Identificar os pontos focais de vigilância para cada fonte de informação. Identificar e


especificar as oportunidades para envolvimento das comunidades na vigilância de
eventos de saúde.

Notificação

4. Especificar doenças, condições e eventos prioritários para vigilância no município e


as orientadas pelo nível central. Elaborar uma lista:
a. das doenças com potencial epidémico
b. das doenças visadas para erradicação e eliminação
c. de outras doenças de importância para a saúde pública, incluindo as doenças
não transmissíveis.
d. de eventos prioritários de saúde pública

5. Para cada condição, doença ou evento prioritário analisar os dados mínimos que as
unidades sanitárias e outras fontes deverão notificar. Referir quando esses eventos
deverão ser notificados, a quem e como. Referir a informação que deverá ser
notificada, a partir de fontes como doentes internados e doentes ambulatórios. Por
exemplo, um requisito mínimo deveria ser notificado para todos os casos e óbitos
por doenças e condições seleccionadas:
a. Referir as doenças ou condições que exigem notificação imediata e
comunicar a lista às unidades sanitárias do município.
b. Definir os meios de notificação dos dados ao município (por telefone, por
escrito, presença). Se a notificação for electrónica, certificar-se de que todos
os serviços têm acesso à computadores e a modems.
c. Definir com que periodicidade deverão ser notificados os dados exigidos.

6. Definir os instrumentos de gestão dos dados disponíveis no município e o modo de


os usar num sistema integrado:
a. Fichas de notificação da vigilância baseada em casos e óbitos
b. Fichas de notificação da vigilância baseada em amostras de laboratório
c. Lista linear de casos para os surtos
d. Quadro resumo
i. Fichas de notificação semanal
ii. Fichas de notificação mensal

21
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

iii. Gráficos de análise dos dados.


iv. Mapas de análise dos dados.

7. Actualizar periodicamente a disponibilidade dos materiais relevantes em cada local


de notificação, para levar a cabo a vigilância. (Nota: Se um local de notificação tiver
capacidade de notificação electrónica, terá de haver um formato electrónico
compatível com os métodos usados aos níveis municipal, provincial e nacional. Caso
não haja disponibilidade de notificação electrónica, deverá assegurar-se de que os
pontos focais que tratam os dados possuem um número suficiente de formulários de
recolha de dados, papel, lápis de cor, papel milimétrico e livros de registo).

Análise dos dados


8. Definir os requisitos de tratamento dos dados para cada nível de notificação. Por
exemplo, elaborar e divulgar os procedimentos, incluindo os prazos, de modo a que
os nível de notificação saibam qual o período de tempo que deverão notificar ([Link].,
mês).
a. Inventariar, compilar e registar os totais
b. Verificar a qualidade dos dados e eventualmente limpá-los
c. Analisar os dados: efectuar resumos semanais; mensais; trimestrais;
semestrais; anuais em quadros, gráficos ou mapas
d. Fornecer algumas interpretações ao nível superior
e. Enviar os dados ao nível superior (SMS, e-mail, fax/formulários baseados em
casos ou lista linear)
f. Registar em ficheiros e fazer cópias de protecção dos dados
g. Fornecer retro informação à comunidade e a todos os nível de Notificação
relevantes.

9. Decidir se as actuais fichas respeitam as prioridades da estratégia de Vigilancia


Integrada de Doenças e Resposta. Por exemplo, os actuais formulários fornecem a
informação necessária para detectar problemas e definir uma resposta às
prioridades da Vigilância Integrada das Doenças?

10. Recolher e apresentar dados relevantes acerca do município que possam ser usados
na advocacia de recursos adicionais, para melhorar as actividades de vigilância e
resposta. (Exemplo: Os agentes de saúde são capazes de documentar um aumento
de casos de malária; eles sabem que existe uma resposta eficaz, através de
mosquiteiros tratados com insecticida. O funcionário de vigilância do município usou
os dados para mostrar a redução esperada de casos de malária, desde que parte dos

22
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

custos dos mosquiteiros de cama para a comunidade sejam suportados pelo


comércio local).

Investigação e confirmação de casos suspeitos, surtos ou eventos prioritários:

11. Descrever a rede de laboratórios de referência, para confirmação de doenças e


eventos prioritários no município. Por exemplo, elaborar uma lista com os seguintes
itens:
a. Serviços municipais públicos, privados ou ONG, com serviços laboratoriais
fiáveis, para confirmação de doenças prioritárias.
b. Actividades de vigilância municipal de prevenção, controlo ou outras
especiais, com acesso a laboratórios (por exemplo, qualquer posto de
vigilância-sentinela de VIH no município).

Preparação e resposta a surtos e outras eventos de saúde pública.

12. Actualizar as políticas da equipa municipal de resposta rápida às epidemias, para que
a avaliação da preparação seja um ponto de rotina na agenda da equipa. Especificar
e divulgar o calendário:
a. Da reunião para a avaliação de rotina da preparação para a resposta e debate
dos actuais problemas ou actividades
b. Das reuniões de resposta aos surtos.

13. Para cada doença, condição ou evento prioritário seleccionado, referir a actividade
disponível de resposta da saúde pública.
14. Para cada doença ou condição a que o município possa responder, especificar a
meta, o limiar de alerta ou os resultados da análise que poderão desencadear uma
acção.

Comunicação e Retro Informação.

15. Definir métodos para informar e apoiar o pessoal de saúde na implementação da


vigilância integrada das doenças. Por exemplo:
a. Fazer uma lista das actuais oportunidades para formar pessoal de saúde em
vigilância, resposta ou tratamento de dados no município.
b. Coordenar as oportunidades de formação entre os programas das doenças
que possam beneficiar da sobreposição de competências entre programas,

23
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

como a supervisão, redacção de relatórios, orçamentação, análise dos dados


e utilização destes para estabelecer prioridades.
c. Definir as necessidades de formação para cada categoria de pessoal de
saúde, formação inicial em competências de vigilância e resposta ou cursos
de reciclagem sobre o modo de integrar as actividades de vigilância.

16. Descrever de que forma se processa a comunicação acerca da vigilância e resposta


entre o município e os pontos focais de vigilância. Incluir métodos como reuniões
semanais, boletins informativos, chamadas telefónicas ou outros. Actualizar
periodicamente a descrição.

17. Analisar e actualizar os procedimentos e métodos de retro informação entre o


município, as unidades de saúde e as comunidades, assim como entre o município e
os níveis superiores. Especificar os métodos de retro informação e actualizá-los, se
necessário:
a. Os boletins que resumem os dados notificados pelas unidades sanitárias ao
município
b. As reuniões periódicas para discutir problemas de saúde pública e actividades
recentes
c. As visitas de supervisão.

18. Descrever os canais de comunicação entre a comunidade e as unidades sanitárias


com a comissão de gestão das epidemias, que possam ser activadas durante um
surto ou para actividades de rotina.

Avaliação e melhoria do sistema de vigilância.


19. Decidir se deverão ser avaliados indicadores adicionais , planificar o modo de
monitorizar e avaliar a pontualidade e a integralidade da notificação.

20. Indicar três ou mais objectivos que deverão ser atingidos para melhorar a vigilância
no município ao longo do ano seguinte.
21. Este instrumento poderá ajudar a definir onde é que os municípios poderão
identificar actividades para melhorar o seu desempenho e as suas capacidades de
vigilância e resposta às doenças.

24
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

ANEXO B: Potenciais eventos de saúde pública de âmbito internacional


que exigem notificação à OMS, nos termos do Regulamento Sanitário
Internacional (2005).

1. Eventos zoonóticos.
A emergência, ou reemergência de zoonoses e seu efeito potencialmente desastroso
sobre a saúde humana, transformou as zoonoses num problema prioritário para os
serviços de veterinária.
2. Eventos de segurança alimentar.
As doenças diarreicas de origem hídrica ou alimentar são causas importantíssimas de
doença e de morte nos países menos desenvolvidos, matando anualmente cerca de 1,8
milhões de pessoas, a maior parte das quais são crianças. A identificação da fonte de um
surto e a sua contenção são cruciais para o RSI.

3. Eventos de origem química.


A detecção e o controlo de eventos químicas, tóxicas e ambientalmente induzidas são
primordiais para a implementação do RSI.

4. Eventos de origem radiológica e nuclear .


As emergências radionucleares em instalações nucleares podem ser causadas por
derrames acidentais ou resultantes de um acto deliberado. Podem ainda ser detectadas
como resultado de exames clínicos, quando os doentes com queimaduras por radiação
são internados numa unidade de saúde, antes de se confirmar a fonte de exposição.

25
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

ANEXO C: Capacidades essenciais necessárias para a vigilância e


resposta, conforme descritas no RSI.

Segundo o RSI, os Estados-Membros deverão usar as estruturas e os recursos


nacionais existentes para cumprir os seus requisitos em capacidades essenciais.
Estes requisitos incluem a capacidade de efectuar actividades de vigilância,
detecção, notificação, verificação, resposta e comunicação. Espera-se que cada
Estado- Membro avalie as capacidades que as estruturas e recursos nacionais
existentes têm para cumprir os requisitos mínimos. Com base nos resultados dessa
avaliação, cada Estado-Membro deverá elaborar e implementar um plano de acção
que assegure que essas capacidades essenciais estão presentes e operacionais em
todo o país.
.

O RSI reconhece os seguintes três níveis do sistema de cuidados de saúde.

· Nível local e comunitário de resposta de saúde pública


· Níveis intermédios de resposta de saúde pública
· Nível central

Resposta de saúde pública a nível local e comunitário.

Para a resposta de saúde pública ao nível comunitário, as capacidades são:

Detectar eventos que envolvam doenças ou mortes acima dos níveis esperados para
determinado período e local, em todas as zonas do país
Notificar imediatamente toda a informação essencial disponível para o nível
adequado de resposta e ao pessoal de saúde mais indicado.

Para efeitos destas orientações, a informação essencial inclui:

· Descrição clínica
· Resultados laboratoriais
· Fontes e tipo de risco
· Número de casos e de óbitos
· Condições que influenciam a propagação das doenças e medidas sanitárias
aplicadas.

a) Implementar de imediato medidas preliminares de controlo.

26
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Resposta de saúde pública de nível intermédio.

Os requisitos em capacidades essenciais ao nível intermédio (Comunal, Municipal e


provincial) são os seguintes:

a) confirmar o estado dos eventos notificados e apoiar ou implementar medidas


adicionais de controlo e;
b) avaliar imediatamente os eventos notificados e se for considerado urgente,
notificar toda a informação essencial ao nível central. Para fins deste Anexo, os
critérios para eventos urgentes incluem o grave impacto sobre a saúde pública
e/ou a natureza invulgar ou inesperada com elevado potencial de propagação.

NíveL Central
Avaliação e notificação

A resposta ao nível central consiste em duas funções:avaliação e notificação:

a) Avaliação de todos os relatos de eventos urgentes no prazo de 48 horas; e


b) Notificação imediata à OMS, através do Ponto Focal Nacional do RSI, sempre
que a avaliação indicar que a ocorrência é notificável, nos termos do parágrafo
1 do Artigo 6º do RSI e do instrumento de decisão para a avaliação e notificação
de eventos que possam constituir um ESPAI no Anexo 2 do RSI e se necessário,
informar a OMS, nos termos do Artigo 7º e parágrafo 2 do Artigo 9º deste
Regulamento.

Ao nível central, a resposta de saúde pública exige capacidades para:

a) determinar rapidamente as medidas de controlo necessárias para evitar a


propagação nacional e internacional;
b) fornecer apoio através de pessoal especializado, análises laboratoriais de
amostras (internamente ou através dos centos de colaboração) e apoio
logístico (e.g. equipamento, material e transportes);
c) fornecer assistência no local, se necessário, para complementar as
investigações locais;
d) fornecer uma ligação directa operacional com funcionários superiores de saúde
e outros, para aprovar rapidamente e implementar medidas de contenção e de
controlo;
e) fornecer uma ligação directa com outros ministérios governamentais
relevantes;

27
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

f) fornecer ligações, através dos mais eficientes meios de comunicação


disponíveis, com hospitais, clínicas, aeroportos, portos, fronteiras terrestres,
laboratórios e outras áreas operacionais importantes para a difusão da
informação e das recomendações recebidas da OMS, referentes a eventos no
País e nos territórios de outros Estados-Membros;
g) criar, executar e manter um plano nacional de resposta às emergências de
saúde pública, incluindo a criação de equipas multidisciplinares/multisectoriais,
para responder a eventos que possam constituir emergências de saúde pública
de âmbito internacional e executar as acções acima referidas num prazo de 24
horas.

Durante várias consultas a nível mundial, as capacidades essenciais foram resumidas


em oito componentes: legislação, política, coordenação, vigilância, preparação,
resposta, comunicação dos riscos, laboratórios, e recursos humanos. Estes oito
componentes têm todas a mesma importância para a VID-R.

28
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Secção 1:
Identificação de casos.

Esta secção explica:


· Identificar casos de doenças e eventos prioritários sob vigilância
epidemiológica.

· Usar definição padronizada de caso para notificar suspeitas de doenças e


condições prioritárias, incluindo eventos preocupantes para a saúde
pública.

· Fontes de dados de importância epidemiológica.

· Actualizar os procedimentos de vigilância e resposta no município.

· Actualizar a descrição e a listagem das áreas de captação, incluindo a


distribuição de formulários de recolha, instrumentos e orientações para
notificação.

· Usar as redes e procedimentos de laboratório para melhorar a capacidade


de vigilância e resposta, incluindo a capacidade de confirmar a suspeita de
surtos.

29
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

1.1 Identificar casos de doenças e eventos


prioritários sob vigilância epidemiológica.
O pessoal de saúde executa actividades de vigilância a todos os níveis do sistema de
saúde, de modo a poder detectar problemas de saúde pública de preocupação para
a sua comunidade.

As prioridades da vigilância devem ser:


· Doenças transmissíveis e não transmissíveis.
· Condições ou eventos que incluam prioridades nacionais ou locais, como
surtos epidémicos , mortalidade materna ou eventos associados à saúde
pública.

Funções essenciais de um sistema de vigilância de saúde pública:

· Manter-se vigilante na sua capacidade de detectar ameaças conhecidas ou


desconhecidas para a saúde pública.
· Utilizar definições de caso padronizadas .
· Usar os canais formais de notificação.
· Incluir eventos ou perigos não especificamente incluídos no sistema formal
de notificação. Pode tratar-se de eventos, como grupos de padrões de
doenças ou rumores de mortes inexplicáveis.

Usar definições padronizadas de caso.

Uma definição padronizada de caso é um conjunto de critérios acordados que são


usados para decidir se uma pessoa tem determinada doença ou condição. A
definição especifica os critérios clínicos e as limitações de tempo, local e pessoa.

Vantagens do uso das definições padronizadas de caso:

· Garante que cada caso seja diagnosticado do mesmo modo,


independentemente do local ou do momento em que ocorreu ou de quem
o identificou.
· Permite a comparação do número de casos de doenças ou eventos que
ocorreram em determinado momento ou local com o número de casos que
ocorrem em outro momento ou local.

30
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

· Permite que o sistema de vigilância de saúde pública consiga detectar


doenças ou eventos prioritários e usar limiares ou sinais para agir na área
da saúde pública.
· É importante para a implementação do Regulamento Sanitário
Internacional (2005). Mesmo a nível do município, o pessoal de saúde
deverá ter conhecimento das definições de caso de doenças ou eventos que
podem afectar não só a comunidade local, mas que podem também ser
potencialmente disseminadas para além das fronteiras geográficas.

1.2 Fontes de Informação da Vigilância


Epidemiológica e definições de referência para a
notificação e alerta.
Há três tipos de situações de importância para a Vigilância Epidemiológica das quais
o SNVE procura ter dados:
· A detecção de um caso suspeito de uma das doenças priorizadas na Lista
Nacional de Doenças sob Vigilância Epidemiológica pelo Sistema Nacional
de Saúde;
· Existência de um surto epidémico ou aumento anormal do número de casos
esperados de uma doença endémica;
· Ocorrência de um evento pouco habitual que ameaça a saúde da população
local.
· Em qualquer das situações anteriores, o Sistema de Saúde pode ser
alertado a partir de diferentes Fontes de Informação:
A Nivel Local:

· Consulta diária nas unidades de saúde: Quando uma pessoa adoece e


procura tratamento numa unidade sanitária. Se os sinais e sintomas do
doente correspondem com os das doenças de notificação obrigatória, o
profissional de saúde deve notificar o caso ao chefe do serviço e/ou ao
responsável da vigilância epidemiológica.
· Membros da comunidade: Quando os Sobas, os agentes comunitários, os
terapeútas tradicionais ou outro vizinho informado, tomam conhecimento
da existência de uma pessoa com sinais e sintomas de um caso suspeito de
uma doença de notificação obrigatória, nesta situação eles devem notificar
o caso ao pessoal de saúde da unidade sanitária mais próxima. O pessoal
contactado transmite a informação ao responsável da vigilância
epidemiológica.

31
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

· Organizações ou instituições locais: Quando uma ocorrência invulgar


(exemplo: um número crescente de falta de alunos numa escola devido a
sintomas semelhantes ou um aumento nas vendas de determinado
medicamento numa farmácia) é comunicada ou comentada por membros
daquelas organizações ou instituições ao pessoal de saúde.

A Nível Municipal e ou Provincial:

· Busca activa e pesquisas: Quando o pessoal de saúde do nível municipal ou


Provincial faz visitas ao terreno com o propósito de rever os registos de
atendimento das unidades sanitárias e entrevistar o pessoal (busca activa
de casos nas unidades sanitárias) ou visitas a comunidade a procura de
casos suspeitos (busca activa na comunidade).
· Meios de comunicação: Quando a unidade administrativa toma
conhecimento sobre eventos ou alarmes divulgados através das médias
(noticias transmitidas pela televisão, rádio ou jornais).
· Análise da informação: semanal ou mensal enviada pelas unidades
sanitárias.
· Comunicações das autoridades: As autoridades municipais e ou provinciais
comunicam ou alertam as autoridades de saúde sobre a ocorrência de
casos ou outros eventos pouco habituais.

O aproveitamento de cada fonte de informação por parte do Sistema de Vigilância


Epidemiológica dependerá da utilização adequada de um conjunto de instrumentos de
referência apresentadas no quadro seguinte:

32
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Fontes de Informação Epidemiológica e Instrumentos de notificação.

Fonte de Informação Elementos Envolvidos Instrumento de Referência

Consulta diária nas unidades de · Profissionais de Saúde: Clínicos Definições padronizadas de caso
saúde e enfermeiros suspeito para profissionais de
saúde
Comunidade · Autoridades locais: Regedores, Definições de caso suspeito para
Sobas, seculos comunidade
· Terapeutas tradicionais,
parteiras e outros promotores
de saúde
· Qualquer membro da
comunidade
· Pontos de Entrada
Busca activa nas unidades · Supervisor provincial e Lista de doenças prioritárias e
sanitárias municipal de vigilância definições de caso suspeito
epidemiológica
Busca activa na Comunidade · Supervisor provincial e municipal Definições de caso suspeito para
de vigilância epidemiológica a comunidade e lista de doenças
prioritárias
Análise da Informação · Supervisor provincial e municipal Limiares epidémicos para as
Epidemiológica de vigilância epidemiológica doenças sob vigilância
epidemiológica (normas ou
critérios de alerta)
Meios de Comunicação · Jornalistas, activistas Informação das autoridades de
saúde e ou da comunidade
(entrevistas)
Instituições e Organizações Locais · Membros Definição de caso para a
comunidade

1.3 Actualizar os procedimentos de vigilância e


resposta no município.
· Anualmente os profissionais de saúde do nível central ou provincial deverão
avaliar o desempenho do sistema de vigilância e resposta.
· Usar os resultados disponíveis para melhorar as actividades de vigilância e
resposta a nível local.
· Usar os resultados para ajustar os planos em conformidade, de modo a
responder às questões que se seguem na lista de prioridades.

1.3.1 Actualizar a descrição das áreas de saúde.

· Actualizar, pelo menos uma vez por ano, a informação acerca da área de
saúde e incluir os resultados da avaliação dos riscos.

33
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

O mapeamento dos riscos é um instrumento para identificar e apresentar os riscos


específicos para a saúde e o bem-estar da comunidade.

· Fazer o mapeamento dos riscos permite:


o Definir as acções de prevenção.
o Empreender acções para a redução desses riscos e evitar as doenças e
as mortes.

· Exemplos de potenciais riscos:


o Fontes de água contaminada.
o Falta de transportes de urgência para serviços de referência destinados
a mulheres em trabalho de parto.
o Falta de precauções de segurança em locais de trabalho.
o Outros (áreas minadas, etc.)

1.3.2. Para a descrição da área de saúde, certificar-se de que


possui a seguinte informação actualizada:

· Tamanho da população-alvo no município, como as crianças menores de 5


anos, crianças em idade escolar, mulheres em idade fértil, todas as crianças
e adultos, pessoas que vivem em campos de refugiados, pessoas
internamente deslocadas, jovens fora da escola e outros.
· Principais actividades de saúde pública na área, incluindo actividades de
vacinação de organizações públicas, privadas e não-governamentais (ONG),
projectos de água potável, clínicas de planeamento familiar, centros de
nutrição para crianças subnutridas, informação referente a factores de risco
das doenças transmissíveis e não transmissíveis .
· Criar um fórum regular com os interessados na saúde do município, para
debater actividades de vigilância e resposta relacionadas com eventos
prioritários de saúde dentro da comunidade. Isto poderá ser levado a cabo
através de reuniões mensais ou trimestrais. Aproveitar a oportunidade para
dar retroinformação sobre os dados de vigilância notificados pelas
instituições locais.

1.3.3 Actualizar a lista das unidades de notificação do município.

· Identificar todas as unidades de saúde.


· Pontos de Entrada (PoE).
· Outros locais do município que devem notificar os dados de vigilância ou
eventos ao nível municipal.
· Promover relações entre os postos privados e de ONG no município e
envolvê-los em actividades de vigilância.

34
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

· Registare actualizar, se necessário a localização das unidades de saúde e


dos Pontos de Entrada (PoE), bem como os nomes dos responsáveis pelas
actividades de vigilância. (Ver Anexo 1C)

1.3.4 Distribuir formulários de recolha de dados actualizados,


instrumentos de notificação e orientações técnicas.

· Ao actualizar a descrição das áreas de saúde, deve-se verificar se as


unidades de notificação têm formulários em número suficiente ou outra
forma de notificação dos dados da vigilância ao município (como rádios de
comunicação, telemóveis ou ligações por internet, fax, etc.)
· Incluir as actualizações dos formulários e procedimentos para notificação,
investigação e resposta a eventos de saúde pública em reuniões trimestrais
de município com as unidades de saúde e outros postos de notificação.

1.3.5 Distribuir às comunidades as definições simplificadas de


casos.
· A comunidade deverá ser sensibilizada para participar nos planos de
melhoria dos procedimentos de vigilância e resposta no município. Se as
comunidades não souberem notificar as autoridades sanitárias quando
ocorrerem doenças prioritárias ou qualquer evento invulgar na esfera da
saúde, os casos suspeitos não aparecerão nas unidades sanitárias, nem
serão notificados.
· Os agentes comunitários de saúde, os terapeútas tradicionais, as parteiras
e os líderes comunitários devem saber como reconhecer e notificar
doenças prioritárias às unidades sanitárias . Devem também encaminhar
as pessoas com condição ou doença suspeita para serem tratadas na
unidade sanitária. As comunidades devem ser informadas sobre doenças
prioritárias através de cartazes, boletins informativos e anúncios, durante
as reuniões com as comunidades
1.4 Usar as redes e procedimentos de laboratório para melhorar a
capacidade de vigilância e resposta, incluindo a capacidade de confirmar a
suspeita de surtos.

É essencial a confirmação laboratorial do diagnóstico das doenças, condições e


eventos sob vigilância, para se conseguir:

· Diagnosticar com rigor a doença num determinado paciente.

· Verificar a causa (ou etiologia) de uma suspeita de surto.

35
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

As amostras de laboratório deverão chegar em bom estado, de modo que o seu


processamento forneça resultados fiáveis.

As amostras deverão ser colhidas, armazenadas e manuseadas de acordo com


as especificações das doenças.

Dever-se-á reduzir ao mínimo o prazo entre a colheita da amostra e o


processamento em laboratório.

Dever-se-á garantir as normas de biossegurança na recolha, manuseamento,


conservação e transporte das amostras.

É importante que se conheça a todos os níveis o seguinte:

· Teste de diagnóstico para confirmar uma doença ou evento


· Colheita da amostra
· Quando colher a amostra
· Como preparar, armazenar e transportar a amostra
· Quando esperar os resultados
· Fontes adicionais de informação.

Devem ser implementadas medidas de saúde pública antes mesmo da confirmação


laboratorial ter sido recebida.

1.4.1 Designar os laboratórios a incluir na rede.

· É fundamental a nível de unidade sanitária do município e da província, a


segurança da colheita, manuseamento, transporte e processamento das
amostras.
· O ponto focal da vigilância e/ou do laboratório local deve criar ou reforçar a
comunicação de rotina com laboratórios de referência que recebem
amostras da unidade de saúde ou município.
· A finalidade deste contacto de rotina é reforçar os procedimentos entre as
unidades sanitárias do município que irão enviar as amostras e o
laboratório que as irá receber.
· É preciso garantir que os procedimentos de colheita e transporte de amostras,
a confirmação de uma doença ou evento e a notificação dos resultados
sejam claros e possam ser realizados com fiabilidade. (Ver Anexo 1D)
· O nível central deve ainda apoiar os laboratórios, para aceder aos materiais
necessários para colher, manusear, armazenar e expedir amostras com
segurança, através da rede.

36
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

1.4.2 Identificar os laboratórios da rede.

O ponto focal de vigilância a cada nível do sistema de saúde deverá manter uma lista
actualizada dos laboratórios que tenham capacidade para efectuar os testes
laboratoriais necessários. (Ver Anexo 1E)

1.4.3 Informar os laboratórios sobre os procedimentos para


confirmação de doenças e eventos prioritários.

Depois de ser identificado o ponto focal de um laboratório municipal, o mesmo deve


certificar-se de que os procedimentos de confirmação laboratorial estabelecidos a
nível central sejam conhecidos e cumpridos no município:

Assegurar-se de que a colheita da amostra e materiais de transporte estão


previamente preparados (disponíveis e fiáveis), a nível de laboratório municipal. Os
testes rápidos de diagnóstico laboratorial ou os testes serológicos para a detecção de
doenças prioritárias e de riscos (por exemplo, químicos) deverão estar disponíveis para
serem usados oportunamente.

Apoiar a unidade de saúde na colheita correcta da amostra para confirmar o caso


suspeito.

Colaborar com o laboratório, se necessário, na identificação da amostra correcta a


colher, bem como de eventuais preocupações ou procedimentos.

Colher e embalar a amostra com segurança ou ajudar a unidade de saúde a colhê-la.

Garantir o transporte seguro e fiável da amostra, desde a unidade de saúde até ao


laboratório designado.

Receber os resultados do laboratório e notificá-los de imediato à unidade de saúde e


ao nível central. Enviar ainda os resultados ao médico para que ele possa dispensar os
devidos cuidados ao doente.

Actuar em conformidade com a unidade de saúde, com base no relatório laboratorial.

1.4.4 Implementar um controlo de qualidade nos laboratórios.

Colaborar com as autoridades provinciais e/ou nacionais para implementar


actividades que garantam resultados de qualidade, por parte dos laboratórios, na área
de saúde. O controlo de qualidade dos laboratórios e a garantia de qualidade são
importantes para gerar confiança nos resultados obtidos.

37
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Anexos à Secção 1

· ANEXO 1A Definições padronizadas de caso suspeito para os profissionais


de saúde
· ANEXO 1B Definições de caso suspeito para a Comunidade
· ANEXO 1C Lista das unidades de notificação do município.
· ANEXO 1D Funções dos laboratórios por níveis do sistema de saúde
· ANEXO 1E Lista de laboratórios Nacionais para confirmação de eventos ou
doenças prioritárias.
· ANEXO 1F Testes laboratoriais recomendados para confirmar eventos ou
doenças prioritárias
· ANEXO 1 G Lista de laboratórios para confirmação de eventos ou doenças
prioritárias
· ANEXO 1 H Lista das unidades sanitárias no município

38
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

ANEXO 1A. Definições de caso padronizadas para a notificação de


casos suspeitos para os profissionais de saúde (Unidade sanitária).

N° Doença/Estado Definição de Caso Suspeito

1 Cólera Caso suspeito: um doente com 5 anos de idade ou mais, com


desidratação grave ou morte por diarreia aquosa aguda.
· Se houver epidemia de cólera, um caso suspeito é uma pessoa
com 5 anos ou mais, com diarreia aquosa aguda, com ou sem
vómitos.

2 Diarreia com sangue Caso suspeito: uma pessoa com diarreia com sangue visível nas fezes.

4 Caso suspeito: manifestação aguda de febre com menos de 3


semanas de duração, em pessoa gravemente doente e quaisquer dois
Síndrome de febre dos seguintes sintomas: erupção hemorrágica ou purpúrica; epistaxis
hemorrágica aguda (hemorragia nasal); hematemese (vómito com sangue); hemoptise
(sangue na expectoração); sangue nas fezes; outros sintomas
hemorrágicos e nenhum factor conhecido de predisposição para
manifestações hemorrágicas.
Nota: Durante um surto, as definições de caso podem ser alteradas
para corresponde à ocorrência local.
5 Febre Amarela Caso suspeito :
Uma pessoa com manifestação aguda de febre, com o aparecimento
de icterícia até 14 dias após a manifestação dos primeiros sintomas.
Caso provável:
um caso suspeito e um dos seguintes sintomas:
Ligação epidemiológica a um caso confirmado ou surto
Histopatologia post-mortem positiva do fígado

6 Febre Tifóide Caso suspeito: uma pessoa com manifestação de febre gradualmente
aumentada e depois persistentemente elevada, arrepios, mal-estar,
dor de cabeça frequente, garganta inflamada, tosse e, por vezes,
dores abdominais e obstipação ou diarreia.

N° Doença/Estado Definição de Caso Suspeito

7 Lepra Caso suspeito: uma pessoa que mostre um de três sinais principais de
lepra: lesão cutânea de baixa pigmentação ou avermelhada, perda ou
decréscimo de sensibilidade, lesões dérmicas, dilatação dos nervos
periféricos.

8 Malária Malária simples: qualquer pessoa com febre ou história de febre no


espaço de 24 horas, sem sinais de doença grave (disfunção de um
órgão vital) é diagnosticada clinicamente como tendo a malária.

Malária grave não confirmada: um doente hospitalizado com doença


febril grave, acompanhada de disfunção de pelo menos um órgão
vital clinicamente diagnosticado.
.
9 Malnutrição Aguda Insuficiência ponderal à nascença: um recém-nascido com peso à
nascença inferior a 2 500 gramas.

39
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Malnutrição em crianças:
- Crianças menores de 5 anos com insuficiência ponderal
(indicador: peso para a idade, valor Z
<-2)
- Crianças de 6 a 59 meses com indicadores do PB <11,5 cm
(alto risco de mortalidade)
- Edema bilateral
Malnutrição nas mulheres grávidas: As mulheres grávidas que têm
bebés com baixo peso à nascença (peso à nascença < 2,5 Kg) (o fraco
estado nutricional e de saúde das mulheres pode indicar que grupos
da população podem beneficiar de melhores cuidados prénatais para
as mulheres e cuidados neonatais para os bebés).
10 Meningite Caso suspeito: qualquer pessoa com manifestação súbita de febre
Meningocócica (rectal >38,5ºC ou axilar 38,0ºC) e um dos seguintes sinais: rigidez do
pescoço, alteração da consciência ou outros sinais de meningite.

N° Doença/Estado Definição de Caso Suspeito

11 Oncocercose Caso suspeito: numa zona endémica, uma pessoa com nódulos
fibrosos em tecidos subcutâneos.

12 Caso suspeito: uma criança menor de 15 anos com paralisia flácida


Poliomielite (Paralisia aguda ou pessoa de qualquer idade com paralisia e cujo médico
flácida aguda) suspeite ter poliomielite.

13 Caso suspeito: uma pessoa com manifestação súbita de febre,


Peste
arrepios, dor de cabeça, profundo mal-estar, prostração e inchaço
muito doloroso dos nódulos linfáticos, ou tosse com expectoração
com sangue, dores no peito e dificuldade em respirar.

14 Raiva Caso suspeito: uma pessoa com um ou mais dos seguintes sintomas:
dor de cabeça, dor de pescoço, náusea, febre, engasgou ou deglutir
(hidrofobia), ansiedade, agitação, sensações anormais de formigueiro
ou dores no ponto da mordedura, quando se suspeita de contacto
com um animal atacado de raiva.

15 Sarampo Caso suspeito: uma pessoa com febre e erupção maculopapular (não
vesicular) generalizada e tosse, coriza ou conjuntivite (olhos
inflamados) ou uma pessoa cujo médico suspeite que tem sarampo.

16 VIH/SIDA Qualquer criança menor de 13 anos de idade que apresenta dois


dos sinais MAIOR e dois sinais MENORES;
Qualquer adulto que apresente 2 sinais Major e a 1 Minor ou
meningite ou meningite criptocóccica e/ ou sarcoma de Kaposi
disseminado nos dois casos:

40
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

N° Doença/Estado Definição de Caso Suspeito


17 Síndrome Agudo Caso suspeito de SARS: uma pessoa com:
1. História de febre, ou febre documentada ≥ 38 °C e
Respiratório Severo 2. Um ou mais sintomas de doença do tracto respiratório
(SARS) inferior (tosse, respiração difícil e falta de fôlego) e
3. Evidência radiográfica de infiltrados pulmonares consistentes
com pneumonia ou SARS, ou resultados da autópsia
consistentes com a patologia de pneumonia ou SARS, sem
causa identificável e
4. Sem diagnóstico alternativo que explique cabalmente a
doença.

18 Tétano Neonatal Caso suspeito: um recém-nascido com capacidade normal para


mamar e chorar durante os primeiros dois dias de vida e que, entre o
3º e o 28º dia de idade, não é capaz de mamar normalmente, e se
torna rígido e/ou tem convulsões.

19 Caso suspeito:
Tripanossomiase
Estádio precoce: uma chaga indolor originalmente como uma pápula
Humana Africana evoluindo depois para um nódulo no primeiro ponto da picada da
(doença do sono) mosca. Pode surgir febre, intensa dor de cabeça, insónia,
linfadenopatia indolor, anemia, edema local e prurido.
Estádio tardio: caquexia, sonolência e sinais do sistema nervoso
central.
.
20 Caso suspeito: uma pessoa com tosse há 3 semanas ou mais.
Tuberculose

ANEXO 1B. Principais sinais e sintomas das definições de caso a usar


ao nível comunitário.

Informar os líderes comunitários, os agentes comunitários de saúde, curandeiros


tradicionais, parteiras e profissionais de saúde que executam actividades de
proximidade em zonas remotas na área de doenças e condições prioritárias sob
vigilância na sua área. Usar os principais sinais e sintomas das definição de caso, como
os que se seguem, para ajudar as comunidades a reconhecer quando deverão ou não
transferir um doente com esses sinais para tratamento e notificar a unidade de saúde.

N° Doença/Estado Definição de Caso Suspeito

1 Cólera Qualquer pessoa com 5 ou mais anos de idade com


diarreia aguada frequente
2 Disenteria (Diarreia Qualquer pessoa com diarreia com sangue visível nas
com sangue) fezes

4 Doença Respiratória Qualquer pessoa com corpo quente ou não, que


Aguda Grave apresente tosse ou constipação (nariz entupido e ranho),
dor de ouvido ou dor de garganta, ou dificuldade ao
respirar com menos de 7 dias de duração.

41
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

5 Febre Hemorrágica Qualquer caso ou óbito em pessoa com febre alta,


Viral hemorragia no nariz e na boca, muita diarreia com
sangue, urina com sangue ou manchas de sangue na pele
6 Febre Amarela Qualquer pessoa com febre e olhos amarelados ou pele
amarelada
7 Febre Tifóide Qualquer pessoa com febre elevada há 3 semanas ou
mais

8 Infecções de Qualquer homem com ferida no pénis, escroto ou


Transmissão Sexual corrimento claro ou branco ou qualquer mulher com
ferida na vagina e corrimento com ou sem dor ao urinar
9 Lepra Qualquer pessoa que apresenta três dos seguintes sinais:
· Mancha descolorida ou avermelhada da pele,
· Perda ou diminuição das sensações nesta parte
da pele (falta de sensibilidade).

10 Malária Qualquer caso de febre alta, dor no corpo, dor de cabeça


e sezão de frio

11 Malnutrição Aguda Qualquer pessoa com perda muito grande peso e/ou
apresente aumento de volume dos 2 membros inferiores
(pernas e pés).
12 Meningite Qualquer pessoa com febre e rigidez da nuca
Meningococcica (pescoço)

N° Doença/Estado Definição de Caso Suspeito

13 Oncocercose Qualquer pessoa que viva numa zona da doença e que


apresente nódulos fibrosos (caroço) na pele.
14 Poliomielite (PFA) Qualquer pessoa que nasceu bem e já sentava ou andava e
que de repente ficou com os braços ou as pernas moles tipo
banana madura.
15 Peste Qualquer pessoa que apresente gânglios inflamados (inguas)
e dolorosos debaixo dos braços ou na região inguinal, tosse
com dor no peito e febre
16 Raiva Qualquer pessoa que após mordedura de animais apresenta-
se muito agitado - fúria raivosa - ou paralisia e perde a
consciência e morre com falta de ar 7 a 10 dias depois do 1º
sintoma.
17 Sarampo Qualquer pessoa que apresente: Febre, borbulhas no corpo
e olhos vermelhos (conjuntivite).
18 VIH/SIDA Qualquer pessoa que tenha perdido peso, apresente atraso
no crescimento, febre e diarreia há mais de 1 mês, feridas na
boca e infecções na pele
19 Síndroma Ictérico Qualquer pessoa que apresente febre, olhos amarelos e
urina carregada
20 Síndrome Agudo Nas zonas endémicas qualquer pessoa que apresenta febre e
Respiratório Severo um ou mais dos seguintes sintomas: tosse, catarro,
(SARS) dificuldade respiratória

42
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

21 Tétano Neonatal Bebé que nasceu bem, chorava e mamava bem e apartir
do terceiro dia deixou de mamar, chorar, não abre a boca
e o corpo fica rijo .

22 Tripanossomiase Qualquer pessoa de uma zona endémica ou que viveu nos


Humana Africana últimos anos nessas zonas, que inicialmente pode
apresentar ou não um pequeno inchaço doloroso, no sítio
(doença do sono) da picada da mosca tsé-tsé, febre, dor de cabeça intensa,
um ou vários inchaços não dolorosos no pescoço,
comichão, emagrecimento, dorme muito durante o dia
mesmo contra a sua vontade, falta de sono à noite,
movimentos da marcha alterados ou alterações mentais
de vários tipos.
23 Tuberculose Qualquer pessoa que tenha tosse há 3 ou mais semanas

ANEXO 1C. Lista das unidades de notificação do município.

Registar a informação, para contactar os profissionais de saúde que fornecem a


informação ao município relativa à vigilância e detecção de surtos e eventos. Incluem,
por exemplo, postos, centros, hospitais, unidades privadas, os agentes comunitários de
saúde, parteiras com formação, líderes comunitários, os agentes de segurança
públicae terapeútas tradicionais Esta lista deverá ser actualizada regularmente, para se
acrescentar as novas unidades e eliminar as que desapareceram ou que não
participaram.

EXEMPLO:

Nome da unidade de Endereço ou Ponto focal designado Número de telefone ou


saúde ou ponto de localização do serviço para a vigilância e a de fax (ou outra
contacto do doente ou ponto de contacto resposta informação de
com o serviço de saúde contacto, como e-mail)
Tel: 912192345 ou enviar
Centro de Saúde da Caala Caixa Postal 123 Dr. Moyo mensagem por correio
Bairro... electrónico diariamente

43
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

ANEXO 1D. Funções dos laboratórios por níveis do sistema de saúde.

Nível 1.0 Colheita 2.0 Confirmação 3.0 Notificação


-Usar definições padronizadas de Usar as definições Registar as amostras colhidas
caso para determinar o início do padronizadas de caso para
processo de colheita. iniciar o processo de
-Ajudar o Laboratório na colheita confirmação como parte da
de amostras segundo as investigação de surtos
Comunidade ou orientações aprovadas Manusear as amostras
Serviços de -Documentar amostras com a segundo as orientações
história clínica e descrição
Saúde completa dos doentes
-Transportar amostras para o
Laboratório e Laboratório de
Referência segundo as
orientações aprovadas
Comunicar aos prestadores Realizar estudos de - Registar os resultados de
normas e procedimentos de laboratoriais para o laboratório
colheita diagnóstico Armazenar - Fornecer os resultados ao
Armazenar amostras nas amostras representativas do pessoal clínico e aos doentes
condições aprovadas enquanto surto - Notificar os resultados aos
esperam transporte ou estudos Observar as alterações nas serviços epidemiológicos locais
adicionais tendências durante a análise - Notificar as alterações
de rotina dos resultados de observadas nas tendências
Município, laboratório durante a análise de rotina dos
Província resultados laboratoriais
- Usar informação resumida na
resposta aos surtos

Laboratório § Realizar estudos Notificar resultados e resumo


laboratoriais dos dados aos serviços
Nacional de adicionais epidemiológicos nacionais
Referência - Definir normas, políticas e Notificar resultados de
procedimentos de colheita com o laboratório de rastreio nos sitios
laboratório nacional de sentinela
(alguns referência
laboratórios - Distribuir kits de colheita de
podem amostras para actividades
especiais de vigilância
funcionar como - Armazenar as amostras em
Primeiro condições adequadasenquanto
Contacto e esperam transporte ou estudos
adicionais
como
Laboratórios de
Referência)
Laboratórios Se necessário, pedir ao Notificar resultados de
laboratório colherem mais laboratório aos serviços
Mundiais de amostras epidemiológicos Usar
Referência informação resumida na
resposta aos surtos

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

ANEXO 1E. Lista dos laboratórios nacionais para confirmação de


doenças ou eventos prioritários.

Actualizar periodicamente a lista dos laboratórios no município ou os especificados


pelo nível central para confirmação de doenças e eventos prioritários. Incluir na lista a
pessoa a contactar para assistência. Segue-se uma lista modelo:

MODELO:

Ponto Focal, nome do laboratório, endereço e nº de


Doenças e eventos prioritários telefone
Exemplo: João Zimy Cafumba; Laboratório Nacional de Saúde
Polio Pública, 145 Rua Kwame N´Kruma, Luanda, Kilamba-Kiaxi,
telefone; 0244-923- 701342
Cólera
VIH/SIDA
Tuberculose
Sarampo
Peste
Gripe humana causada por um novo
subtipo
Febre do Vale do Rift
Febre do Dengue
Eventos de saúde pública de
preocupação nacional ou internacional
Antraz
Chikungunya
Febre tifóide
Parte II. Esta secção deverá ser preenchida pelo laboratório e o formulário devolvido ao município e ao médico
Variáveis Respostas
1 Nome e localização do Laboratório
Data em que o laboratório recebeu a amostra
2 \___\___\___\
(dia/mês/ano)
3 Estado da amostra: (adequado/não adequado)
4 Tipo de teste realizado
5 Resultados finais do laboratório
Data (dia/mês/ano) em que o laboratório enviou os
6 \___\___\___\
resultados ao município
Data em que os resultados foram enviados ao médico
7 \___\___\___\
(dia/mês/ano)
Data em que o município recebeu os resultados
8 \___\___\___\
laboratoriais (dia/mês/ano)
* Sangue, Plasma, Soro, Aspirado, LCR, Pus, Saliva, Biópsia, Fezes, Corrimento Uretral/Vaginal, Urina, expectoração,
amostras de alimento/água
** O mesmo que o identificador do doente no formulário da IDSR de notificação imediata baseada em casos

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

ANEXO 1F. Testes laboratoriais recomendados para confirmar


eventos ou doenças prioritárias.

É essencial confirmar o diagnóstico das doenças infecciosas. Os resultados


laboratoriais são usados para:
· diagnosticar com rigor uma doença, e
· verificar a causa (ou etiologia) de um surto suspeito.
As amostras laboratoriais têm que chegar ao laboratório em boas condições, para
permitir que o processo forneça um resultado fiável. As amostras deverão ser colhidas
em segurança, armazenadas em locais adequados e mantidas dentro de certos limites
de temperatura. Deverão evitar-se as demoras entre a colheita da amostra e o seu
processamento laboratorial.
Muitos factores podem afectar a veracidade da interpretação de um relatório de
análise laboratorial. Por exemplo, os resultados são difíceis de interpretar, se:
· uma amostra de soro for incorrectamente colhida e se tornar hemolítica.
· houver atrasos no transporte ou na refrigeração, provocando uma proliferação
de bactérias na amostra colhida.
· o meio de armazenagem não for adequado, pondo em risco a vitalidade do
organismo ou anticorpo suspeito.
· as amostras não forem colocadas em meio apropriado ou se os reagentes
estiverem fora do prazo.
Por exemplo: Um resultado positivo para soro IgM ou isolamento de um vírus tirado de
qualquer ponto (sangue, soro, urina, líquido cefalorraquidiano (LCR) ou tecido)
normalmente confirma a doença suspeita. Nos casos em que os testes de soro IgM ou
isolamento de um vírus dão um resultado negativo, pode ser necessário repetira
análise laboratorial. Deve-seimplementar medidas de saúde pública, mesmo antes da
confirmação laboratorial.
O quadro de referência das páginas seguintes apresenta a relação dos testes de
laboratório recomendados para confirmar condições e doenças prioritárias. O quadro
dá informações sobre:
· o teste de diagnóstico para confirmar a situação ou a doença
· a amostra a colher
· o momento em se deve colher a amostra
como preparar, acondicionar,embalar e enviar a amostra quando se saberão os
resultados mais fontes de informação.

Este quadro destina-se a ser usado como uma rápida referência. A informação deve ser
utilizada quando os eventos ou doenças prioritárias suspeitas forem notificadas a
partir da unidade sanitária, ou sempre que houver alguma notificação de suspeita de
surto. Para mais informações sobre confirmação de surtos de eventos ou doenças
prioritárias, dever-se-ão consultar as orientações específicas para as doenças, na
Secção 8.

46
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Amostras para confirmação laboratorial de doenças prioritárias a nível municipal


Condição ou doença Como preparar, embalar e
Teste de diagnóstico Amostra Quando fazer a colheita Resultados
suspeita enviar a amostra
Paralisia flácida aguda Colher uma amostra de cada um Colocar as fezes num recipiente limpo, Os resultados dos testes preliminares estão
Isolamento do poliovírus nas fezes Fezes
Nota: Se não for dos casos de PFA bem tapado e rotulado. normalmente disponíveis 14 a 28 dias após
(Suspeita de polio) recepção da amostra pelo laboratório.
colhida nenhuma
Colher a primeira amostra após a Colocar imediatamente num frigorífico
amostra, reexaminar o
investigação do caso ou caixa térmica que não esteja a ser Se for detectado poliovírus selvagem, o
doente após 60 dias,
usado para guardar vacinas ou outros programa nacional planificará as acções
para confirmar o Colher a segunda amostra no medicamentos. apropriadas.
diagnóstico clínico da mesmo doente, 24 a 48 horas
polio (PFA). depois Enviar as amostras de modo a
chegarem ao laboratório seleccionado,
no espaço de 72 horas após a colheita
Se houver atrasos e a amostra não for
enviada dentro das 72 horas, congelar a
amostra a -20°C ou menos. Enviar a
amostra congelada com gelo seco ou
em embalagens congeladas a 20°C ou
menos.

Cólera
Isolar o V. cholerae da cultura de Fezes líquidas ou Colher a amostra de fezes do · Colocar a amostra (fezes ou Os testes da cólera podem não se efectuar
primeiro caso suspeito de cólera. cotonete rectal) num recipiente sistematicamente em todos os laboratórios.
fezes e determinar o serotipo O1, cotonete rectal limpo e bem vedado e enviá-lo para
usando anti-soro polivalente para o Se houver mais de um caso o laboratório no espaço de 2 horas.
suspeito, colher amostras de 5 a Os resultados da cultura demoram normalmente
V. cholerae El Tor O1. · Se se previr um atraso superior a 2
10 casos. Colher fezes dos 2 a 4 dias, após a chegada da amostra ao
horas, colocar as fezes/ cotonete laboratório.
Se for desejável, confirmar a doentes que se ajustem à rectal numa base de transporte
identificação com os anti-soros Inaba definição de caso e: Cary-Blair. A base de transporte Cary-Blair é estável e
e Ogawa. - início nos últimos 5 dias, e normalmente eficaz durante, no mínimo, um
Se não houver base de transporte e a ano após a preparação, não exigindo
- antes do início do amostra não chegar ao laboratório no
tratamento com refrigeração, se for mantida estéril e em
prazo de 2 horas:
antibióticos recipiente convenientemente selado. Se a base
- armazenar entre 4C e 8C
Não atrasar o tratamento de mudar de cor (para amarela) ou se retrair
- não deixar secar a amostra. Se (superfície côncava), não voltar a usar.
doentes desidratados. As necessário, adicionar uma
amostras podem ser colhidas pequena quantidade de NaCl a O serotipo O139 nunca foi notificado em África,
após o início da reidratação (SRO 0,85%
apenas em certas zonas do sudoeste asiático.
ou terapia IV). - para enviar, transportar num
recipiente bem vedado e A determinação serológica de Ogawa ou Inaba
etiquetado não é clinicamente necessária. Também não se
- transportar o recipiente numa exige saber se os resultados dos anti-soros
caixa frigorífica entre 4°C e 8°C polivalentes são claramente positivos.

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Condição ou doença Como preparar, embalar e


Teste diagnóstico Amostra Quando fazer a colheita Resultados
suspeita enviar a amostra
Diarreia com sangue Isolar a Shigella dysenteriae tipo 1 Fezes ou cotonete Colher a amostra quando se · Colocar o cotonete com fezes na Os resultados das culturas só estão normalmente
suspeitar de um surto. Colher base de transporte Cary-Blair. prontos 2 a 4 dias após a recepção pelo
(SD1) em cultura para confirmar o rectal Enviar a amostra refrigerada para
(Shigella dysenteriae
surto de shigella fezes de 5-10 doentes com o laboratório. laboratório.
Tipo 1 e outras shigellae)
diarreia com sanguee:
· Se não houver Cary-Blair, enviar a Os isolados SD1 deverão caracterizar-se pela sua
Se a SD1 se confirmar, efectuar amostra no espaço de 2 horas
Nota: As infecções SD1 são - início nos últimos 4 dias e sensibilidade aos antibióticos.
testes de sensibilidade aos para o laboratório, num recipiente
potencilamente - antes de iniciar o seco, perfeitamente rolhado. As
antibióticos com medicamentos tratamento com Após a confirmação de 5-10 casos iniciais num
epidémicas e associadas a amostras não conservadas em
apropriados. antibióticos Cary-Blair ficarão muito reduzidas surto, fazer a amostragem em apenas um
um alto grau de resistência
aos antibióticos. A SD1 é a Preferencialmente, colher a de shigellae após as 24 horas. reduzido número de casos até ao final da
mais significativa das amostra num recipiente limpo e · Se for exigido o armazenamento epidemia.
shigellae, devido à alta seco. Não contaminar com urina. manter as amostras entre 4ºC a
8ºC, sem congelar. Para mais informações, consultar as orientações
taxa de mortalidade entre Retirar a amostra de fezes com específicas da doença na Secção 8, sobre o
os jovens e os idosos, pela um cotonete, escolhendo potencial epidémico da Shigella dysenteriae
sua associação à porções com sangue ou muco.
insuficiência renal aguda
(HUS). Se não for possível colher fezes,
obter uma amostra rectal com
um cotonete limpo.

HIV ELISA para o VIH Obter amostras de acordo com a Usar precauções universais para Os testes do HIV são estritamente
Soro
estratégia do Programa Nacional minimizar a exposição a objectos regulamentados com um controlo rigoroso das
ou de Luta contra a SIDA para cortantes e a fluídos corporais. informações.
amostras clínicas ou
Consultar as orientações do epidemiológica Para ELISA: Normalmente, os resultados estão prontos no
programa nacional HIV/SIDA para o · Colher 10 ml de sangue venoso prazo de uma semana, a partir da chegada ao
teste diagnóstico aconselhado nessa · Deixar o coágulo retrair-se laboratório.
área durante 30 a 60 minutos, à
temperatura ambiente ou
centrifugar para separar o soro
dos glóbulos vermelhos
· Deixar escorrer o soro
assepticamente para um tubo
estéril com tampa de rosca
· Guardar o soro a 4ºC
· Enviar as amostras de soro numa
embalagem adequada para evitar
quebras ou derrame
Infecções sexualmente
transmissíveis (ISTI) Não é exigida confirmação laboratorial de rotina para vigilância.

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Condição ou doença Como preparar, embalar e enviar a


Teste diagnóstico Amostra Quando fazer a colheita Resultados
suspeita amostra
Lepra A confirmação de rotina para a vigilância não é exigida.

Malaria · Presença de parasitas da malaria Sangue Para esfregaço de sangue: Para esfregaço do sangue: Os resultados do esfregaço espesso ou
nas amostras de sangue, em preparar a amostra de fino podem estar disponíveis no próprio
casos suspeitos admitidos para · Colher directamente o sangue para as
Normalmente, sangue em todos os casos lamelas do microscópio bem limpas e dia da preparação.
internamento nos serviços
amostra colhida num suspeitos etiquetadas e preparar esfregaços
espessos e finos O exame microscópico das lamelas da
dedo
· Hemoglobina ou hematócrito · Deixar secar bem os esfregaços malaria pode também revelar a presença
para casos suspeito de malaria, de outros parasitas no sangue.
em crianças de 2 meses a 5 anos. Método da colheita · Colorir com o corante e a técnica
num dedo, ou outro apropriados
qualquer aceite para · Guardar as lamelas coradas e bem secas à
colher sangue de uma temperatura ambiente, longe da exposição
à luz solar.
criança

Sarampo Presença no soro de anticorpos Soro Amostras de sangue colhidas · Em crianças, colher 1 a 5 ml de sangue A amostra deverá chegar ao laboratório
IgM para o vírus do sarampo em 5 casos suspeitos de venoso, conforme o tamanho da criança, no prazo de 3 dias após a colheita.
para um tubo de ensaio, tubo capilar ou
sarampo, se o número de micro-recipiente
casos exceder o limiar da Os resultados saem normalmente 7 dias
· Separar os glóbulos do soro: depois.
epidemia de sarampo
(normalmente mais de 5 - Deixar o coágulo secar de 30 a 60
minutos à temperatura ambiente. O surto só é confirmado, se forem
casos por município e por
Centrifugar a 2000 rpm durante 10-20 confirmados pelo laboratório de 2 a 5
mês). minutos e deitar o soro num tubo de casos suspeitos de sarampo.
vidro limpo.
- Colher amostras de - Se não houver centrifugadora, pôr a Evitar agitar a amostra antes da
todos os casos amostra no frigorífico durante a noite (4 retracção do soro.
suspeitos de sarampo a 6 horas) até o coágulo se retrair.
- Colher soro para o Despejar o soro na manhã seguinte. Para evitar a proliferação de bactérias
teste dos anticorpos na - Se não houver centrifugadora nem garantir que o soro é deitado num tubo
primeira oportunidade frigorífico, deixar o sangue repousar em de ensaio de vidro, bem limpo. O tubo de
ou na primeira visita ao ângulo, pelo menos 60 minutos (não ensaio não precisa de ser esterilizado,
serviço de saúde. agitar nem transportar num veículo).
Despejar o soro num tubo limpo. basta que esteja limpo.
· Armazenar o soro a 4°C. Transportar o soro num recipiente para
· Enviar as amostras de soro numa vacinas do PAV, de 4C a 8C, para evitar
embalagem apropriada para evitar quebras a proliferação de batérias (até 7 dias).
ou fugas durante o transporte.
Sem frigorífico, o soro armazenado num
tubo limpo pode manter-se pelo menos 3
dias.

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Condição ou Como preparar, embalar e


Teste diagnóstico Amostra Quando fazer a colheita Resultados
doença suspeita enviar a amostra
Meningite Exame microscópico do líquido Líquido cefalor- Colher amostras de 5 a 10 casos, · Preparar o doente e colher LCR Isolar o Neisseria meningitidis é
cefalorraquidiano para diplococos gram- raquidiano (LCR) assim que for atingido o limiar de assepticamente para um tubo de dispendioso e difícil. Este processo exige
ensaio esterilizado com rolha
negativos alerta ou de acção (ver “Meningite” técnicas muito boas para colheita e
na Secção 8). · Colocar imediatamente 1 ml de manipulação de amostras, bem como bases
LCR num frasco pré-aquecido de
Cultura e isolamento do N. meningitidis base trans-isolada e anti-soros caros.
no LCR Nota: LCR é a amostra · Incubar à temperatura do corpo As primeiras amostras durante um surto
de eleição para cultura (36ºC a 37ºC)
ou em casos isolados de N. meningitidis
e exame microscópico. · Nunca arrefecer as amostras deverão ser serotipadas e realizar um
Se não houver LCR, destinadas a cultura
antibiograma para garantir um tratamento
colher sangue para · Manter o LCR na seringa original adequado.
cultura (10 ml adultos; para exame microscópico e
1-5 ml crianças) químico (substituir a tampa). O meio trans-isolado (TI) é estável. Se for
Arrefecer a seringa rolhada e
enviá-la para o laboratório o mais correctamente armazenado à temperatura
rapidamente possível. do frigorífico (4ºC),ele pode ser guardado
até 2 anos após a preparação. No
frigorífico, a fase líquida torna-se
gelatinosa, mas liquefaz-se à temperatura
ambiente. Os frascos de TI ainda não
usados devem ser guardados devidamente
rolhados. Se houver alteração de cor (base
líquida amarelada ou turva) ou evidente
secagem ou redução do agar inclinado, a
base não deverá ser usada.

Tétano neonatal Não é exigida confirmação laboratorial.

Oncocercose Não é exigida confirmação laboratorial de rotina para vigilância.

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Condição ou Como preparar, embalar e


Teste diagnóstico Amostra Quando fazer a colheita Resultados
doença suspeita enviar a amostra
Peste Isolamento da Yersinia pestis do Aspirado de Colher amostras do primeiro caso · As amostras têm que ser colhidas com As culturas só devem ser enviadas para
suspeito de peste. Se houver mais técnicas assépticas. Os materiais para laboratórios que tenham pessoal capaz
aspirado bubónico, da cultura de bubões, sangue, cultura devem ser enviados ao
sangue, LCR ou expectoração. LCR, expectoração, do que um, colher amostras de 5 a laboratório em base de transporte Cary de lidar com o diagnóstico da peste ou
lavagem traqueal 10 casos suspeitos, antes da Blair ou congelados (de preferência para um Centro de Colaboração da OMS
ou materiais de administração de antibióticos. com gelo seco (CO2 gelado). As para Peste.
amostras não conservadas devem
autópsia para chegar ao laboratório no mesmo dia.
No caso dos bubões, pode injectar- Os resultados da cultura da peste
cultura
se no bubão uma pequena · As amostras líquidas (aspiradas) devem levarão no mínimo 3 a 5 dias de
quantidade de solução salina estéril ser absorvidas através de um cotonete trabalho a partir da chegada ao
(1-2 ml), para obter uma amostra estéril e colocadas em base de laboratório.
transporte Cary-Blair. Depois, pôr no
adequada frigorífico.
Sangue para testes O tratamento antibiótico deverá ser
de soro Se já tiverem sido dados · Se o transporte exigir 24 horas ou mais iniciado antes de se saberem os
e não houver base Cary Blair, refrigerar
antibióticos, a peste pode ser a amostra e enviá-la com acumuladores resultados da cultura.
Identificação de anticorpos para o confirmada pela conversão do soro de gelo.
antigénio F1 da Y. pestis a partir do soro. (aumento em 4 vezes ou mais do O soro dos doentes de peste é
título) ao antigene F1, por hemo- convertível ao antigénio F1 da [Link],
aglutinação passiva com soros 7-10 dias após o início.
pares. O soro deve ser retirado nos
primeiros 5 dias e depois, após 2-3
semanas.

Tripanossomíase Não é exigida confirmação laboratorial de rotina para vigilância.

Presença de bacilo ácido-resistente Secreções Aspirar secreções (não saliva) para · O esfregaço deverá ser analisado na A microscopia da TB faz-se diariamente.
Tuberculose unidade sanitária onde a amostra foi
(AFB) em esfregaços corados Ziehl pulmonares microscopia directa de esfregaço e A contagem das micobatérias
colhida.
Neelsen (ZN) analisar, no mínimo, 2 amostras observadas é registada através de vários
(Esfregaço positivo de coradas tiradas em dias diferentes. métodos de notificação. Consultar os
tuberculose pulmonar) critérios usados pelo laboratório que fez
a análise.

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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta

Condição ou Como preparar, embalar e enviar


Teste diagnóstico Amostra Quando fazer a colheita Resultados
doença suspeita a amostra
Febres hemorrágicas Presença de anticorpos IgM contra a Para ELISA: Colher amostrar do primeiro MANUSEAR E TRANSPORTAR COM EXTREMA Os serviços de diagnóstico para as FHV
virais (FHV) febre de Ébola, Marburg, CCHF, Lassa ou Sangue total, soro caso suspeito. SEGURANÇA AS AMOSTRAS DE DOENTES não estão sempre disponíveis
Dengue ou plasma SUSPEITOS DE FHV. USAR VESTUÁRIO DE
Se houver mais do que um, É necessário fazer preparativos prévios
PROTECÇÃO E PRECAUÇÕES DE BARREIRA
colher amostras de 5 a 10 casos para o diagnóstico das FHV. Contactar
Para PCR:
suspeitos. as respectivas autoridades nacionais ou
ou Sangue total ou Para ELISA ou PCR:
a OMS.
coágulo, soro, · Refrigerar o soro ou o coágulo
plasma ou tecido · Congelar (-20ºC ou menos) as amostras de
tecido para isolar o vírus
Presença do vírus da Ébola em necroses Para imuno- Para imuno-histoquímico:
da pele post-mortem histoquímico: · Fixar amostra de pele em formol. A
Amostras de pele amostra pode ser guardada até 6 semanas.
ou tecido dos A amostra não é infecciosa, visto que está
mortos em formol.
· Armazenar à temperatura ambiente
· As amostras em formol podem ser
transportadas à temperatura ambiente.

Febre amarela ELISA para a presença de anticorpos IgM Soro Colher amostras do primeiro · Colher 10 ml de sangue venoso em A amostra deverá chegar ao laboratório
caso suspeito de febre amarela. adultos, 1-5 ml em crianças, para um tubo no prazo de 3 dias após a colheita.
da febre amarela de ensaio de vidro, tubo capilar ou micro-
Se houver mais do que um, recipiente. Evitar agitar a amostra antes da colheita
colher amostras de 5 a 10 casos · Separar os glóbulos do soro: do soro.
suspeitos. - Deixar o coágulo retrair-se 30 a 60
minutos à temperatura ambiente. Para evitar a proliferação de bactérias,
Centrifugar a 2000 rpm por 10-20 assegurar-se de que o soro foi colocado
minutos e pôr o soro num tubo de vidro num tubo de ensaio de vidro bem
limpo.
limpo. O tubo de ensaio não precisa de
- Se não houver centrifugadora, pôr a ser esterilizado, basta estar limpo.
amostra no frigorífico durante a noite
(4 a 6 horas) até o coágulo se retrair. Transportar o soro numa caixa manual
Retirar o soro na manhã seguinte.
de vacinas do PAV, de 4ºC-8ºC, para
- Se não houver centrifugadora nem evitar a proliferação de bactérias (até 7
frigorífico, deixar o sangue repousar em
ângulo, no mínimo 60 minutos (sem dias). Se não for arrefecido, o soro
agitar ou transportar em veículos). armazenado num tubo limpo manter-
Colocar o soro num tubo limpo. se-á no mínimo 3 dias.
· Armazenar o soro a 4°C.
· Enviar as amostras de soro numa
embalagem apropriada, para evitar
quebras ou fugas durante o transporte.

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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 1 G. Lista de laboratórios para confirmação de eventos ou


doenças prioritárias.
A lista de todos os laboratórios, ou daqueles que foram especificados pelo nível central,
para confirmação de doenças prioritárias no município, deverá ser actualizada
periodicamente. Deve também anotar-se qual a entidade a contactar para solicitar
assistência.

Testes laboratoriais Nome, endereço e telefone


Nome da doença disponíveis do laboratório

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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 1. H Lista das unidades sanitárias no município.


Registar os contactos do pessoal de saúde que presta informações ao município e que está
envolvido na vigilância e detecção de epidemias. Por exemplo, incluir agentes de saúde
comunitária, parteiras formadas, chefes de aldeia e oficiais da segurança pública.
Nome da unidade Endereço ou Técnico de Vigilância Número do telefone
sanitária ou ponto de localização da designado para a ou fax (ou outro tipo
contacto do doente unidade sanitária ou vigilância e resposta de contacto, como
com o serviço de ponto de contacto por exemplo: o e-
saúde mail)

54
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Secção 2: Notificação de Eventos e Doenças


Prioritárias.

Esta secção descreve o modo de:

· Notificar doenças ou eventos de notificação imediata


· Definir o fluxograma e periodicidade dos prazos de notificação.
· Notificar informação resumida para doenças de potencial epidémico e
pandémico
· Notificar informação resumida de rotina para outras doenças de importância
para a saúde pública
· Anotar a informação em registos clínicos ou livros de registo dos doentes
· Usar métodos padronizados de notificação das doenças
· Melhorar as práticas de notificação de rotina

55
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

2.0 Notificar doenças e eventos prioritários.


É importante garantir uma notificação fidedigna dos dados da vigilância a todo o sistema. A
notificação fidedigna fornece informação aos gestores dos programas, aos técnicos de
vigilância, ao ponto focal nacional do RSI, ao ponto de contacto da OMS, às autoridades
competentes no Ponto de Entrada (PoE) e outros profissionais de saúde para:

· Identificarem problemas emergentes e planearem uma resposta adequada.

· Executarem acções no momento oportuno

· Monitorizar as tendências das doenças na zona

· Avaliar a eficácia da resposta

Os eventos e doenças segundo a sua importância devem ser notificados imediatamente,


semanalmente e mensalmente. Uma vez que as doenças visadas pela VID-R são prioridades
de saúde pública que requerem uma acção atempada, estas orientações descrevem a
notificação imediata, com dados baseados em casos e notificação regular de dados
resumidos.

Os municípios deverão também estar alertas e notificar eventuais eventos invulgares que
possam afectar a saúde das pessoas.

§ 2.1.1 Doenças e eventos de notificação imediata.

A notificação imediata permite uma tomada de acção oportuna para evitar a reemergência
ou a rápida propagação de doenças ou eventos de potencial epidémico, especialmente
doenças causadas por agentes infecciosos, químicos ou radionucleares, altamente
patogénicos e letais. A notificação imediata é indicada sempre que exista suspeita de
doença com potencial epidémico ou de qualquer outro Evento de Saúde Pública de Ambito
Internacional (ESPAI) ou então quando tal é exigido pelo Regulamento Sanitário
Internacional. As doenças e/ou eventos que requerem notificação imediata ao nível
seguinte encontram-se na lista do quadro 2.

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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Quadro 2.

Doenças e eventos que exigem notificação imediata


Poliomielite Sarampo
Febre Hemorrágica aguda (Ébola, Meningite meningocócica
Marburgo, Lassa, FVR, Congo-Crimeia) Tétano neonatal
Efeitos Adversos Após Vacinação (EAAV) Peste
Antraz Raiva SARS
Cólera Varíola
IRA Graves Febre amarela
Gripe causada por um novo subtipo
Um Evento de saúde pública de âmbito
internacional (infecciosa, zoonótica, de
origem alimentar, química, radionuclear
ou devida a condição desconhecida)

2.1 Estrutura, Fluxograma e Periodicidade da Notificação


dos eventos e doenças prioritárias.

A Notificação Epidemiológica consiste numa comunicação oficial da ocorrência de


determinada doença ou eventos feita às autoridades sanitárias por profissionais de saúde
ou qualquer cidadão para fins de adopção de medidas de intervenção pertinentes.
A política nacional determina que os dados dos municípios e unidades sanitárias devem ser
notificados de imediato, semanal ou mensalmente.

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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Elementos da Notificação Epidemiológica,

„ Estrutura Notificada
(Repartição municipal de
Saúde; Direcção Provincial
de Saúde)

ƒ Procedimentos da notificação
epidemiológica (tipo de
notiificação, instrumentos, fluxograma,
prazos)
• Dados a serem
transmitidos
(Casos suspeitos, surtos ou
eventos relevantes)

‚ Estrutura Notificadora
(Unidade sanitária,
comunidade, ONGs)

Há dois tipos de notificação:

· Notificação imediata: É a comunicação ao nivel superior de qualquer


evento ou doença potencialmente epidémica realizada por qualquer
unidade notificadora com o objectivo de obter uma RESPOSTA RÁPIDA E
IMEDIATA.
Devido ao seu carácter de URGENCIA, a notificação imediata realiza-se
assim que se tenha conhecimiento da situação e dentro de 48 horas
através do canal mais rápido disponível a nivel local. Deve-se tambem
preencher completa e correctamente a respectiva ficha individual para
ser enviada ao Nivel Superior.

· Notificação de Rotina:

· Notificação semanal: É a comunicação regular ao nível


superior do total de casos e óbitos das doenças
potencialmente epidémicas, feita semanalmente.
· Notificação mensal: É a comunicação regular ao nivel superior
do total de casos e óbitos das 29 doenças prioritárias sob
notificação mensal.

O fluxo e os prazos da Notificação Semanal estão determinados para que no início


de cada semana a Direcção Provincial de Saúde esteja em condições de informar

58
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

sobre a ocorrência ou ausência de eventos epidemiológicos nos seus municípios


durante a semana anterior e para que o Nivel Central esteja em condições de
confirmar a ocorrência dos mesmos. Para atingir esse propósito, para cada nível do
Sistema de Saúde, foram estabelecidos prazos de notificação para os eventos
ocorridos na semana anterior:

· As unidades sanitárias (públicas e privadas) e outras unidades


notificadoras, devem notificar todas as sextas-feiras à sua Repartição
municipal de Saúde.

· As repartições municipais de saúde e Hospitais Gerais devem notificar


todas as segundas-feiras à sua Direcção Provincial de Saúde.

· As Direcções Provinciais de Saúde, Institutos e Hospitais Nacionais e


Clínicas privadas de referência, devem notificar à Direcção Nacional de
Saúde Pública (específicamente ao Centro Nacional de Processamento de
Dados Epidemiologicos) todas as terças-feiras.

· A Direcção Nacional de Saúde Pública deve informar ao Ministério da


Saúde e parceiros.

· A retroinformação deve ser feita em cascata às unidades notificadoras a


todos os níveis.

59
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

60
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

A seguinte lista recomenda em que altura se deve comunicar um surto suspeito e


fazer a notificação sumária mensal:

Doença Periodicidade de Notificação


Imediata Semanal Mensal
Paralisia flácida aguda (PFA) X X X
Sarampo X X X
Tétano Neonatal X X X
Meningite Meningococcica X X X
Febre Amarela X X X
Cólera X X X
Antraz X X X
IRA Graves X X X
SARS X X X

Gripe causada por um novo X X X

subtipo
ESPAI X X X
Efeitos Adversos Após X X X

Vacinação (EAAV)
Varíola X X X

Peste X X X

Malária X X
Difteria X

Diarreia com sangue X X X

Febre Hemorrágica Viral X X X

Doença Respiratoria Aguda X

Febre Tifóide X

Infecções de Transmissão X
Sexual
Lepra X

Malnutrição Aguda X

Oncocercose X

Peste X X X

Raiva X X X

61
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Schistossomiase X

SIDA (Sindroma de X
Imunodeficiencia Adquirida)
Hepatitis virais X

Tuberculose X

Tosse Convulsa (coqueluche) X

Tripanossomiase Humana X
Africana
Mortes maternas X

Acidentes rodoviarios X

Hipertensão Arterial X

Diabetes Mellitus X

2.2 Registo da informação nos livros de consulta e/ou fichas


de internamento dos doentes.
Todas as unidades sanitárias devem ter um Livro de Registo padronizado para
registar as informações da consulta diária, internamento e bancos de urgências.
Este registo é muito importante porque permite o preenchimento dos instrumentos
de notificação imediata, semanal e mensal.

Os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e outros), devem preencher


correcta e completamente os livros de registo.

Para garantir que os eventos e as doenças prioritárias sejam devidamente registados


é necessário:

· assegurar que todo o pessoal de saúde conheça as definições de caso


padronizadas e sejam capazes de aplica-las para proceder à detecção de
casos e/ ou epidemias;

· divulgar aos profissionais de saúde as definições de caso padronizadas e


limiar de alerta. Por exemplo, todo o pessoal de saúde deve estar alerta
para as doenças com potencial epidémico, para as quais um só caso
representa um surto epidemico suspeito e requer acção imediata;

· perguntar ao doente a existência de outros casos semelhantes na sua


casa, no seu local de trabalho ou na comunidade;

62
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· indicar o responsável pela recolha, compilação, preenchimento, e envio


das fichas de notificação;

· identificar as fontes na comunidade que poderão comunicar casos


suspeitos de doenças prioritárias à unidade sanitária. Exemplos de fontes
comunitárias incluem:

- Livros de registo de óbitos na comunidade


- Farmacêuticos
- Professores
- Médicos privados
- Líderes comunitários
- Terapeutas tradicionais
- Parteiras tradicionais e outros agentes comunitários de saúde;

· fornecer às fontes comunitárias, informação suficientes sobre as doenças


ou eventos prioritários, para que possam enviar os casos à unidade
sanitária.

2.3 Notificar ao nível seguinte os dados baseados em casos.


Se houver suspeita de doença, ou evento prioritário de saúde pública de notificação
imediata:

· Fazer o relatório inicial (verbal) pelo meio mais rápido possível (telefone,
mensagem de texto, fax, e-mail, radiotelefone). A unidade notificadora deverá
contactar a autoridade municipal de saúde imediatamente e fornecer as
informações sobre o doente.

· Na sequência do relatório verbal inicial, redigir um relatório por escrito a partir


do formulário de notificação baseada em casos. (Ver Anexo 2A), para registar a
informação baseada em casos. Se houver um computador ou outro aparelho
electrónico para a vigilância ou a gestão de casos, completar e enviar o
formulário electronicamente ao nível seguinte.

· Se nesse momento for pedida uma amostra de laboratório, certificar-se de que


os dados de identificação do doente coincidem com a informação contida no
formulário de notificação baseada em casos.(Ver Anexo 2B).

· Os formulários de notificação baseada em casos para certas doenças específicas


constam do anexo desta secção. Estes formulários deverão ser usados para
começar a recolha de informação inicial de investigação dos casos.

· Se houver suspeita de um potencial Evento de Saúde Pública de Âmbito


Internacional (ESPAI) (conforme está definido no Anexo 2 das orientações do RSI

63
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

2005), dever-se-á notificar ao Ponto Focal Nacional do RSI, através do canal de


comunicação mais rápido. (Ver Anexo 2C).

· No caso de eventos e doenças de potencial epidémico detectado em Pontos de


Entrada, notificar imediatamente o nível superior seguinte. Fornecer uma cópia
da notificação ao Ponto Focal Nacional do RSI, para o nível central, para que
aquele possa avaliar usando o algoritmo de decisão.

A ficha de investigação contem os seguintes dados:


§ Nome do doente. (Por exemplo: se se tratar de um caso de notificação de
tétano neonatal, registar também o nome da mãe)
§ Data de nascimento, se possível, ou idade do doente
§ Dados sobre o domicílio do doente (endereço, aldeia, bairro)
§ Forma de contactar o doente ou os seus pais Sexo do doente
§ Data da primeira consulta na unidade sanitária e data da notificação do caso
ao município
§ Data do início da doença (consultar a definição de caso da doença, sobre
sinais e sintomas que caracterizam o seu início)
§ Estado vacinal do doente (e também da mãe, se se tratar de suspeita de
tétano neonatal)
§ Estado clínico do doente no momento da notificação (se se tratar de um
doente internado, deverá comunicar-se o resultado final, isto é, se houve
cura ou óbito)
§ Data de preenchimento e envio.
§ Nome do funcionario que a preencheu

Esta ficha deve ser preenchida em duas vias. Enviar o original para o município. Uma das
cópias deverá ficar na unidade sanitária. A segunda via será usada para o envio da amostra
para o laboratório.

64
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

2.4 Notificar dados resumidos para as doenças e eventos


prioritários.
Todas as semanas e todos os meses a unidade sanitária deve calcular o número total de
casos e óbitos, registar na ficha própría e enviar ao nivel municipal. O município deve
compilar os totais de todas as unidades sanitárias que notificaram, preencher a ficha própria
e enviar a ficha ao nível provincial e deste para o nível central.
Após a notificação ao nível seguinte das doenças e eventos de notificação imediata,
semanalmente deve recolher e notificar o resumo dos dados constantes nalista do quadro
1.

A notificação semanal fornece dados para monitorizar as tendências das doenças ou


condições para detecção de epidemias.

Os dados para o preenchimento das fichas de notificação epidemiológica são


obtidos através dos registos das unidades sanitárias, nomeadamente:

· Livros das salas de internamentos

· Livros dos bancos de urgências

· Livro de consultas externas

· Livro de consultas de crianças

· Livro de registos de óbitos

· Livro de registo de laboratório

2.3.1 Registo da Informação na Unidade sanitária

Certificar-se que:

· o pessoal clínico regista as informações na ficha clínica, usando


a Definição padronizada de caso, de forma a que o responsável
pela vigilância que conta os casos no final da semana possa,
com segurança, anotar os diagnósticos necessários na ficha;
· os clínicos, enfermeiros ou outro pessoal responsável
preenchem a ficha de notificação caso a caso na presença do
doente;
· os técnicos de vigilância ou de estatística, fazem o compilado
dos dados semanais e mensais e preenchem a ficha de
notificação correspondente.

65
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

2.5 Notificação zero (notificação negativa), quando não


existe nenhum caso de doença de notificação imediata

Se durante a semana ou mês, não houver nenhum caso diagnosticado de doença de


notificação imediata, anotar um zero (0) na ficha de notificação. Não deixar nenhum espaço
em branco.

Registar zero (“0”) para cada uma das doenças de notificação imediata, mesmo não
havendo casos detectados ao longo dessa semana ou mês. Assim, o pessoal do nível
seguinte saberá que a notificação apresentada pela unidade sanitária ou pelo município está
completa.

(a) Notificar dados resumidos para as doenças, ou eventos prioritários

Após a notificação do nível seguinte acerca das doenças, ou eventos imediatamente


notificáveis, recolher e notificar semanalmente dados resumidos sobre as doenças, ou
eventos prioritários constantes da lista do quadro 2.

A notificação semanal fornece dados para monitorizar as tendências das doenças ou


condições para detecção de epidemias.

Se não houver casos de doenças imediatamente notificáveis que tenham sido


diagnosticadas durante a semana, registar um zero (0) no formulário de notificação dessa
doença. Se esse espaço for deixado em branco, o pessoal que recebe a notificação não terá
possibilidade de processar os dados a partir dum espaço em branco.

Registar o (0) zero para cada uma das doenças imediatamente notificáveis quando não
forem detectados casos durante a semana, indica ao pessoal do nível seguinte que o
formulário está completamente preenchido.

O resumo dos dados é importante para a análise após a detecção de um caso inicial,
suspeito ou confirmação de um surto. Por exemplo, na unidade de saúde ou no município,
o ponto focal de vigilância pode traçar uma curva epidémica para verificar se os limiares
epidémicos de determinadas doenças foram ultrapassados. Além disso, esse dado pode ser
usado para verificar se a taxa de letalidade está abaixo ou acima dessa meta.

66
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

A análise semanal dos dados deverá ainda apontar eventuais grupos de alto risco
relacionados com a localização ou residência do doente, grupo etário, sexo e exposição
durante eventos sociais (por exemplo, um funeral), riscos ocupacionais (por exemplo, cortar
carne), consumo de carne de caça, ou exposição a alimentos ou bebidas contaminados.

Ao nível municipal, a análise semanal dos dados inclui:


· A verificação da qualidade dos dados oriundos das unidades notificadoras.
· O grau de cumprimento, pontualidade e integralidade desses relatórios.
· As taxas de incidência e de letalidade serão avaliadas em comparação com os
limiares estabelecidos.
· As curvas epidémicas serão actualizadas e efectuar-se-á uma análise exaustiva do
conjunto de dados baseados em casos, recebidos das unidades notificadoras.
· Os dados de base laboratorial serão analisados do mesmo modo que os dados
baseados em casos:
1. Para uma análise orientada para a acção.
2. Dar relevância às tendências que descrevem a qualidade das amostras,
3. Os agentes patogénicos detectados por local e pessoa,
4. Grupos etários de alto risco
5. Resistência dos agentes patogénicos aos medicamentos recomendados.

· Os municípios devem armazenar a informação electronicamente e enviar os


conjuntos de dados da vigilância, nesse formato, para o nível superior mais próximo.

2.6 Notificar dados resumidos de rotina sobre outras


doenças de importância para a saúde pública.

Notificar mensalmente ao nível seguinte os dados resumidos sobre outras doenças


endémicas. Trata-se de informação valiosa, que os programas específicos das doenças
podem usar, quando procederem à monitorização dos progressos das actividades de
prevenção e controlo, assim como para a detecção de eventos emergentes, não explicados,
invulgares ou padrão de doenças.

· Fazer a notificação de rotina do número total de casos e óbitos registados num


determinado período de tempo
· As unidades de saúde devem notificar ao município os totais resumidos.
· Os municípios devem agregar os relatórios de todas as unidades notificadoras e
fornecer os totais ao nível provincial .
· As províncias devem agregar todos os relatórios dos municípios e fornecer os totais
de casos e óbitos ao nível central
· Cada nível deverá registar quaisquer aumentos ou eventos invulgares observados
durante a análise dos relatórios-síntese mensais.
· Os resultados devem ser analisados e usados para monitorizar os progressos
alcançados para que se atinjam as metas de controlo das doenças; avaliar as

67
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

actividades de controlo e prevenção das doenças no município e identificar surtos ou


problemas de saúde, para que se possa decidir sobre as acções e resposta.

Quadro 3
Doenças que requerem relatórios-síntese mensais
Hepatite Viral Aguda Malária
VIH/SIDA (Novos Casos) Malnutrição
Diabetes mellitus Oncocercose
Diarreia em menores de 5 anos Pneumonia grave
Hipertensão Arterial Infecções Transmissíveis Sexualmente (ITS)
Tripanossomíase
Traumatismo por acidentes Tuberculose
rodoviáriosLepra Mortes maternas
Diarreia com sangue
Febre tifoide
Schistosomiase
Tosse convulsa

· Incluir no quadro 2 todas as outras doenças de notificação imediata constantes do


quadro 1
· Todos os meses, cada unidade de saúde deve calcular o número total de casos e de
óbitos devidos a doenças e eventos prioritários observados na sua unidade.

· Os totais deverão ser calculados para casos de doentes ambulatóriais e internados.

· O resumo dos totais deve ser registado num formulário (ver Anexo 2D) e enviado
para o nível municipal.

· O município deve agregar os totais de todas as unidades de saúde que notificaram e


enviar o resumo dos totais para o nível provincial e o provincial para o central.

· Deverão ser desenvolvidos esforços especiais para se obter junto das unidades
sanitárias o número total de doentes ambulatóriais e internados observados devido
a uma condição de saúde (incluindo os que não constam da lista da VID-R) durante o
período referido.

· Os registos dos doentes devem ser analisados para gerar os relatórios semanais,
mensais ou trimestrais. Esta informação é importante para a elaboração do perfil
epidemiológico do país.

· Todos os dados deverão ser partilhados com as autoridades de saúde, com uma
cópia para o Departamento de Prevenção e Controlo de Doenças: isto é importante
para a coordenação a nível central e para a criação ou reforço do sistema nacional de
base de dados da VID-R.

68
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

2.7 Melhorar as práticas de notificação de rotina

Em algumas unidades de saúde, pode haver mais do que um responsável pelo registo da
informação sobre os doentes observados no serviço.
Por exemplo:
· Os médicos registam o nome do doente e o diagnóstico numa ficha clínica

· Uma enfermeira conta o número de casos e óbitos observados no serviço de


ambulatório.

· A enfermeira de serviço conta o número de casos hospitalizados.

· Todas as semanas, meses, ou trimestres, os técnicos de estatística e os responsaveis


pela vigilância da unidade sanitária, fazem o compilado dos dados semanais e
mensais e preenchem a ficha de notificação correspondente.

No caso da unidade de saúde estar equipada com computadores, os registos individuais dos
doentes deverão ser introduzidos, dos quais será extraída a informação da vigilância para
ser compilada e analisada.

§ 2.7.1 Analisar o fluxo da informação nas unidades de notificação


Durante as visitas de supervisão as unidades de notificação, devem-se assegurar de que:

· Os clínicos registam as informações dos doentes, usando as definições de caso


recomendadas, de modo a que o pessoal de saúde que faz a contagem dos casos
no final do dia possa registar com rigor os diagnósticos correctos.

· Os médicos, enfermeiros ou outro pessoal responsável deverão completar o


formulário de notificação baseada em casos.

· Os técnicos de estatística e os responsaveis pela vigilância da unidade sanitária,


compilam os dados semanais e mensais e preenchem a ficha de notificação
correspondente.

· O pessoal de saúde analisa semanal, mensal ou trimestralmente os totais


resumidos e elabora as suas observações nos formulários acerca dos resultados
observados durante a análise dos dados. (Ver Secção 3).

· O pessoal de saúde regista os totais resumidos, semanal, mensal ou


trimestralmente, num formulário de notificação recomendado.

69
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ 2.7.2 Monitorizar o acesso a formulários e procedimentos


Dever-se-á guardar um registo dos formulários e relatórios de VID-R recebidos a cada nível.
Esse registo constituirá uma fonte de dados essencial para calcular indicadores para o
relatório do RSI do país e para a monitorização do desempenho dos indicadores de VID-R.
(Ver Anexo 2E).

Verificar periodicamente os registos junto dos locais de notificação supervisionados


(comunidade, unidade de saúde e município) para garantir a correcção dos formulários e
dos procedimentos de modo a que o pessoal possa registar e notificar os casos de doenças e
eventos prioritários.
Tomar medidas para garantir que todos os profissionais de saúde conhecem as definições
de caso padronizadas recomendadas. Elaborar ou alterar os procedimentos existentes, para
que todos os profissionais de saúde sejam capazes de aplicar definições de caso
padronizadas na detecção e notificação de casos, surtos ou eventos prioritários.

Verificar as doenças ou eventos que exigem notificação imediata para a vigilância baseada
em casos, incluindo ESPAI e outras doenças prioritárias ou eventos de preocupação
nacional. Por exemplo, todos os profissionais de saúde deverão estar alertados para as
doenças de potencial epidémico, para as quais um simples caso constitui um surto suspeito
que exige uma acção imediata, assim como para qualquer ocorrência invulgar ou
inexplicável, passível de afectar a saúde das pessoas.

Analisar com o pessoal de saúde o papel da vigilância baseada em casos na determinação


dos factores de risco e dos meios de propagação ou de exposição às doenças num evento de
saúde pública. Certificar-se de que o pessoal dispõe de um formulário recomendado para
notificar os dados baseados em casos.

Garantir que a unidade de vigilância tenha acesso a meios de comunicação rápidos (fax,
telefone, mensagem de texto, correio electrónico, telegramas, mensagens pessoais ou
quaisquer outros meios de comunicação rápida). Para o município, especificar como deverá
ser feita a notificação ao nível provincial ou nacional e quem deverá ser contactado nesses
níveis.

2.7.3 Promover relações que reforcem a vigilância de base comunitária

Um sistema de vigilância de base comunitária assenta na capacidade dos membros da


comunidade para identificarem problemas de saúde pública e para os notificarem à unidade
de saúde mais próxima ou ao chefe de repartição municipal de saúde. Neste sistema,
existem pontos focais formados em vigilância que identificam e notificam eventos dentro da
comunidade com significância para a saúde pública. Os pontos focais da comunidade
notificam à unidade de saúde ou, tratando-se de um evento sério, directamente às
autoridades do município.

O pessoal do município poderá identificar fontes na comunidade capazes de conhecerem o


estado de saúde da comunidade. Os exemplos de fontes comunitárias incluem:

70
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Farmacêuticos
· Professores
· Médicos privados
· Pessoal das clínicas privadas
· Líderes comunitários
· Líderes religiosos
· Terapeutas tradicionais
· Outros

O município deve formar e organizar pontos focais de vigilância comunitária:

· Trabalhando com os líderes da comunidade para identificar os membros da


comunidade que deverão receber uma formação adequada.

· Prestando informação às fontes da comunidade acerca das doenças prioritárias e


eventos de saúde pública ou perigos que se queiram monitorizar através da
vigilância.

· Dando informação suficiente acerca das doenças, para que a fonte da comunidade
possa encaminhar os casos para a unidade de saúde ou notificar quando ocorrerem
na comunidade eventos de saúde invulgares ou inexplicáveis.

· Envolvendo os informadores da vigilância comunitária no mapeamento dos riscos,


em exercícios de simulação de emergências e de comunicação dos riscos durante os
surtos.

· Divulgando os limiares de alerta e de epidemia.

2.8 Uso de listas e de notificações sumárias durante as


epidemias
· Quando, durante um certo período de tempo, ocorre um número limitado de casos
de uma doença, notificar a informação através da ficha de notificação caso a caso.

· Se ocorrerem mais de 10 casos num determinado período, usar uma listagem em vez
da ficha de notificação de caso a caso para notificar semanalmente os casos.

71
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexos a Secção 2

· Anexo 2 A Formulário da VID-R para notificação imediata baseada em casos

· Anexo 2B Formulário de VID-R para notificação laboratorial baseada em caso

· Anexo 2C Instrumento de Decisão do RSI (2005)

· Anexo 2D Formulário da VID-R para notificação semanal/ mensal resumida

· Anexo 2E Instruções para o Preenchimento do Livro de Registo de Doentes

· Anexo 2F Ficha de Notificação Obrigatória Semanal para a Unidade Sanitária

· Anexo 2G Ficha de Notificação Obrigatória Semanal para o Município

· Anexo 2H Ficha de Notificação Obrigatória Semanal para a Província

· Anexo 2I Ficha de Notificação Obrigatória Mensal para a Unidade Sanitária

· Anexo 2J Ficha de Notificação Obrigatória Mensal para o Município

· Anexo 2K Ficha de Notificação Obrigatória Mensal para a Província

· Anexo 2L Gestão dos Dados da Vigilância da Saúde Pública

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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ ANEXO 2 A. Formulário da VID-R para notificação imediata baseada em


casos

Formulário de VID-R para notificação imediata baseada em casos


Variáveis / Questões Respostas - Caso nº
1. Província notificadora
2. Município notificador
3. Unidade notificadora (Unidade de saúde, acampamento, Aldeia, etc)
4. Doenças /eventos (diagnóstico): *
5. Doente internado ou ambulatório?
6. Data de observação na unidade de saúde (dia/mês/ano) \___\___\___\
7. Nome do Doente
8. Data de Nascimento (dia/mês/ano) \___\___\___\
9. Idade (….. Anos/……Meses/……Dias).
10. Sexo: M=Masculino F=Feminino
11. Residência do doente: Cidade/Vila /Aldeia
12. Bairro
13. Ponto de referéncia
14. Município da Residência
15. Urbana/Rural? (U=Urbana R=Rural)
Endereço, telemóvel. Se for caso disso, nome da mãe e do pai da criança ou do
16.
recém-nascido
17. Data da manifestação (dia/mês/ano) dos primeiros sintomas \___\___\___\
Número de doses de vacinas anteriormente recebidas contra a doença agora
18.
notificada
19. Data da última vacinação \___\___\___\
20. Resultados laboratoriais
21. Situação: (Vivo, Morto, Transferido, Perdido de seguimento, desconhecido)
22. Classificação Final: Confirmado, Provável, Compatível, Descartado
23. Data em que a unidade de saúde notificou o município (dia/mês/ano) \___\___\___\
24. Data do formulário enviado ao município (dia/mês/ano) \___\___\___\
25. Identificador único de registo
26. Pessoa que preencheu o formulário: nome, função, assinatura
27. Contacto da pessoa que preencheu o formulario

* Doenças /eventos (Diagnóstico):


PFA, Antraz, Cólera, Diarreia com sangue , Tétano Neonatal, Sarampo, Meningite, Febre-Amarela, , Febre Hemorrágica Viral, Peste,
Raiva, Varíola, SARS, IRA, Gripe devida a novos subtipos, Efeitos Adversos Após a Vacinação (EAAV), Quaisquer outros eventos ou
doenças de importância para a saúde pública (Especificar)

73
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ ANEXO 2B. Formulário de VID-R para notificação laboratorial baseada


em casos

Formulário de VID-R para notificação laboratorial baseada em casos


Parte I. Este formulário deverá ser preenchido pelo profissional de saúde, sendo uma cópia enviada ao laboratório junto
com a amostra
Variáveis Respostas
1 Data da colheita da amostra (dia/mês/ano)
2 Suspeita de Doença ou evento
3 Tipo de amostra *
4 Identificador único da amostra **
5 Nome do Doente
6 Sexo (M= Masculino F= Feminino)
7 Idade (….Anos/….Meses/….Dias).
8 Data do envio da amostra para o lab (dia/mês/ano) \___\___\___\

Parte II. Esta secção deverá ser preenchida pelo laboratório e o formulário devolvido ao Município e ao médico
Variáveis Respostas
1 Nome e localização do Laboratório
Data em que o laboratório recebeu a amostra
2 \___\___\___\
(dia/mês/ano)
3 Estado da amostra: (adequado/não adequado)
4 Tipo de teste realizado
5 Resultados finais do laboratório
Data (dia/mês/ano) em que o laboratório enviou os
6 \___\___\___\
resultados ao município
Data em que os resultados foram enviados ao médico
7 \___\___\___\
(dia/mês/ano)
Data em que o município recebeu os resultados
8 \___\___\___\
laboratoriais (dia/mês/ano)
* Sangue, Plasma, Soro, Aspirado, LCR, Pus, Saliva, Biópsia, Fezes, Corrimento Uretral/Vaginal, Urina, expectoração,
amostras de alimento/água
** O mesmo que o identificador do doente no formulário de VID-R de notificação imediata baseada em casos

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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ ANEXO 2C Instrumento de decisão do RSI (2005)

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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ ANEXO 2D Formulário da VID-R para notificação semanal / mensal


resumida

Formulário da VID-R para notificação semanal/mensal resumida


Ano: Semana: Mês:
País: Província: Município: População:
ISO Código do Município: Nome do posto de Identificador Único de Notificação:
notificação:
Notificações oficialmente Previstas: Número de notificações recebidas: Notificações recebidas dentro do
prazo:
Casos
laboratorialmente
Doenças e eventos notificáveis Casos Óbitos confirmados Observações
1 Poliomielite
2 Febre Hemorrágica Viral
3 Hepatite Viral Aguda
Efeitos Adversos Após a
4
Vacinação (EAAV)
5 HIV/SIDA- casos novos
6 Antraz
7 Cólera
8 Diabetes mellitus
9 Diarreia com sangue
Diarreia com desidratação
10
grave <5
11 Doença de tipo Gripal
12 Lepra
13 Malária
14 Malnutrição < 5 anos
15 Mortalidade materna
16 Sarampo
17 Meningite Meningocócica
18 Tétano Neonatal
19 Peste
20 Febre-Amarela
21 Febre Tifóide
Traumatismo por acidentes
22
rodoviários
23 Raiva
24 SARS
Infecção Respiratória Aguda
25
Grave (IRAG)
26 Pneumonia Grave <5
Infecções Transmissíveis
27
Sexualmente
28 tuberculose
29 Tripanossomíase

76
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Formulário da VID-R para notificação semanal/mensal resumida

Análise, Interpretação, Decisão, Acção e Recomendações


Observações
epidemiológicas
Decisões e Acções
tomadas
Recomendações
Data da Notificação :
\___\___\___\
(dia/mês/ano) Funcionário Responsável:

77
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 2 E. Instruções para o Preenchimento do Livro de Registo de


Doentes.

INTRODUÇÃO: O Livro de Registo de Doentes deve ser utilizado por todas as unidades
sanitárias onde se fazem consultas externas ou de banco de urgência, independentemente
da categoria do técnico que as realiza.
Este registo deverá ser utilizado para todas as consultas, com excepção as de puericultura e
de seguimento à grávida, que têm modelos próprios para o efeito. Porém, se nessas
consultas (de puericultura e de seguimento à grávida) houver doenças, essas deverão ser
inscritas no livro de registo de doentes.
A informação contida neste livro servirá para:

· Elaborar o boletím de resumo mensal da consulta externa e do banco de urgências

· Registar a informação indispensável sobre os doentes que ocorrem às consultas.

· Fornecer dados para o sistema de informação sanitária.

· Supervisionar, acompanhar e avaliara qualidade de serviços prestados pelos técnicos


de saúde.

· Apoiar as actividades de superação técnica, permitindo identificar as fraquezas


funcionais.

· Promover o uso racional dos medicamentos.


INSTRUÇÕES

· N° de Ordem: Indicar o número de ordem do doente. Quando se inicia o primeiro


livro, começa-se com o registo do primeiro doente com o número 1., e
sucessivamente virão os números por ordem crescente. No fim do ano encerra-se a
contagem e recomeça-se no ano seguinte do mesmo modo.

· Data/dia: Anotar o dia, o mês e o ano da consulta Nome/Bairro: O nome do


doente deve ser escrito na primeira e segunda linha. A terceira destina-se ao bairro
em que mora.

· Idade/sexo: A idade escreve-se na coluna M se o doente fôr do sexo masculino e na


coluna F se fôr do sexo femenino.

· Peso: O peso do doente é expresso em kg.

· Sinais/Sintomas: Descreve-se de forma resumida as queixas principais e os dados


do exame objectivo do doente que fundamentam o diagnóstico em causa.

78
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Diagnóstico: O diagnóstico próvavel deve ser tão preciso quanto possível.


Diagnósticos tais como D.D.A ou D.R.A, não devem figurar porque designam um
leque de doenças mas não são específicos.
Conduta:

· Indicações: Nem sempre se justifica o recurso aos fármacos para o doente. Podem
dar-se informações ou conselhos ao doente. Deve-sereferir nesta coluna.

· Dosagem Quando se prescrevem medicamentos, a dose diária deve ser mencionada


aqui.

· Nº de dias: Mencionar o tempo de duração do tratamento.

· Quantidade: A quantidade total de medicamento prescrita deve ser registada. Nas


formas líquidas menciona-se o número de embalagens (frascos): se forem
comprimidos, cápsulas, supositórios ou ampolas, o respectivo número deve ser
referido.

· Observações: Esta coluna destina-se a observações pertinentes, tais como: “voltar à


consulta de controlo ao 3ºdia”, ou “encaminhado ao hospital provincial”.

79
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexo 2 F. Ficha de Notificação Obrigatória Semanal para a Unidade


Sanitária

Visto do Chefe da Unidade


Sanitária ou Chefe de Serviço REPÚBLICA DE ANGOLA
_________________________ MINISTÉRIO SA SAÚDE
DIRECÇÃO NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA

FICHA DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA SEMANAL DO SISTEMA NACIONAL DE VIGILÁNCIA EPIDEMIOLÓGICA

NOME DA UNIDADE SANITÁRIA _______________________________

PROVÍNCIA:____________________ MUNICIPIO: ___________________ DATA DE ENVIO: _____________

SEMANA EPIDEMIOLÓGICA Nº______ DE: _____________________ A ______________________________

A. NOTIFICAÇÃO DE DOENÇAS POTENCIALMENTE EPIDÉMICAS


DOENÇAS DE DEFINIÇÃO DE CASO CASOS ÓBITOS
NOTIFICAÇÃO
Paralisia Flácida Aguda Caso suspeito: uma criança menor de 15 anos com paralisia flácida
aguda ou pessoa de qualquer idade com paralisia e cujo médico
suspeite ter poliomielite.
Caso confirmado: um caso suspeito com isolamento do vírus nas
fezes.
Sarampo Caso suspeito: uma pessoa com febre e erupção maculopapular (não
vesicular) generalizada e tosse, coriza ou conjuntivite (olhos
inflamados) ou uma pessoa cujo médico suspeite que tem sarampo.
Caso confirmado: um caso suspeito com confirmação laboratorial
(anticorpos IgM positivos) ou ligação epidemiológica a um caso
confirmado durante um surto.
Tétano Neonatal Caso suspeito: um recém-nascido com capacidade normal para
mamar e chorar durante os primeiros dois dias de vida e que, entre o
3º e o 28º dia de idade, não é capaz de mamar normalmente, e se
torna rígido ou tem convulsões ou ambas as coisas.
Caso confirmado: Não é recomendada confirmação laboratorial.
Meningite Caso suspeito: qualquer pessoa com manifestação súbita de febre
Meningocócica (rectal >38,5ºC ou axilar 38,0ºC) e um dos seguintes sinais: rigidez do
pescoço, alteração da consciência ou outros sinais de meningite.
Caso confirmado: um caso suspeito confirmado por isolamento do N.
meningitidis no líquido cefalorraquidiano (LCR) ou no sangue.
Cólera Caso suspeito: um doente com 5 anos de idade ou mais, com
desidratação grave ou morte por diarreia aquosa aguda.
· Se houver epidemia de cólera, um caso suspeito é uma pessoa
com 5 anos ou mais, com diarreia aquosa aguda, com ou sem
vómitos.
Caso confirmado: um caso suspeito em que o Vibrio cholerae O1 ou
O139 foi isolado nas fezes.

80
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Febre-Amarela Caso suspeito:


Uma pessoa com manifestação aguda de febre, com o aparecimento
de icterícia até 14 dias após a manifestação dos primeiros sintomas.
Caso provável:
Um caso suspeito e um dos seguintes sintomas:
· Ligação epidemiológica a um caso confirmado ou surto
· Histopatologia post-mortem positiva do fígado
Caso confirmado:
Um caso provável e um dos seguintes sintomas:
· Detecção de IgM específica* da FA, detecção de um aumento
quádruplo de IgM da FA e/ou títulos de anticorpos de IgG entre
amostras do soro de doentes agudos e convalescentes
· Detecção de anticorpos neutralizantes específicos* do vírus FA
*específicos de FA significa que os testes de anticorpos (como a IgM
ou anticorpos neutralizantes) para outros flavivírus prevalentes são
negativos. Estes testes deverão incluir pelos menos IgM para o Dengue
e FNO e podem incluir outros flavivírus, conforme a epidemiologia
local.
Ou um dos seguintes sintomas:
· Detecção do genoma do vírus da FA no sangue ou outros
órgãos, por PCR
· Detecção do antigénio da febre amarela no sangue, fígado
ou outros órgãos, por imunoensaio.
Isolamento do vírus da febre amarela.

Malaria (em 5 Malária simples: qualquer pessoa com febre ou história de febre no espaço
provincias:Cunene, de 24 horas, sem sinais de doença grave (disfunção de um órgão vital) é
Namibe, [Link], Huila diagnosticada clinicamente como tend a malária.
e Luanda) Malária simples confirmada: qualquer pessoa com febre ou história de febre
no espaço de 24 horas; e com confirmação laboratorial de diagnóstico de
malária por esfregaço sanguíneo ou outro teste diagnóstico para parasitas d a
malária.
Malaria grave não confirmada: um doente hospitalizado com doença febril
grave, acompanhada de disfunção de um órgão vital clinicamente
diagnosticado.
Malaria grave confirmada: um doente hospitalizado com parasitemia
assexual por P. falciparum, como confirmado por testes laboratoriais,
acompanhado de sintomas e sinais de doença grave (disfunção de um órgão
vital) laboratorialmente diagnosticada.
Outra doença, evento ou Detalhar informação
surto ocorrido
_______________
B. NOTIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO DE MEDICAMENTOS, MATERIAIS CRÍTICOS E EQUIPAMENTOS

Durante a presente semana epidemiológica informa-se que a Unidade Sanitária apresentou:

Rotura de stock de O qué esta esgotado ou avariado: (Indicar vacina,


Avaria dos aparelhos
material, medicamentos, formulário ou aparelho
vacinas ou material de de cadeia de frio
vacinação. avariado)
Rotura de stock de Falta de combustível para
medicamentos essenciais a cadeia de frio ou meio
ou reargentes para
____________________________________________
Rotura de stock de fichas Avaria dos meios
ou formulários de registo rolantes: Bicicleta,

Nome do técnico: __________________________________ Categoria: _____________________________

81
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexo 2 G. Ficha de Notificação obrigatória Semanal para o


Município

Para uso do Programa Provincial de Vigilância


Visto do Chefe da Secção Municipal
ou do Coordenador Municipal de Epidemiológica
Programas de Saúde REPÚBLICA DE ANGOLA
______________________________
Data de Recepção: ______________________
MINISTERIO DE SAÚDE
DIRECÇÃO NACIONAL DE SAÚDE PUBLICA Revisado e Processado
_______________________________
Com observações (ao reverso)
BOLETIM DE NOTIFICAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA SEMANAL
MUNICÍPIO: _______________________

DATA: ______________________ SEMANA Nº: ___________________ DE: _______________ À: __________________

N. Unid. Sanitarias Existentes: N. Unid. Que Notificaram a tempo: N. Unid. Que não Notificaram:

COMUNAS ou COMUNAS Nº DE UNIDADES QUE PARALISIA SARAMPO TETANO MENINGITE MALARIA Cólera OUTRO:

ZONAS SILENCIOSAS NOTIFICARAM FLACIDA AGUDA NEONATAL


(Marcar com "X" para Febre Amarela
as que não HOSPITAIS OUTRAS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS
informaram)

TOTAL

NOTA: Sim não existe informaçao de uma localidade, se escreve "S/ I" (Sem Informação)
ANALISE, INTERPRETAÇÃO E ACÇOES TOMADAS: (Outra doenca ou evento
Durante a presente semana epidemiológica informa-se que o Nivel Municípal apresentou: anormal não esclarecido ou não conhecido:
O qué esta esgotado ou avariado: (Indicar qual é
Rotura de stock de Avaria dos aparelhos de cadeia de frio
a vacina, material, medicamentos, formulário ou
vacinas ou material de ________________________________________________________________
aparelho avariado)
vacinação.
Rotura de stock de Falta de combustível para cadeia de frio ou meio de transporte _____
medicamentos
essenciais ou ____________________________________________
reargentes de __
Rotura de stock de Avaria dos meios rolantes: bicicleta ou motorizada ou carro __________________________________________________________Nome
fichas ou formulários de do tecnico_____________________________________________
registo

82
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexo 2 H. Ficha de Notificação obrigatória Semanal para a Província

Visto do Chefe da Secção Municipal Para uso do Programa Provincial de Vigilância


ou do Coordenador Municipal de Epidemiológica
Programas de Saúde REPÚBLICA DE ANGOLA
______________________________
Data de Recepção: ______________________
MINISTERIO DE SAÚDE
DIRECÇÃO NACIONAL DE SAÚDE PUBLICA Revisado e Processado
_______________________________
Com observações (ao reverso)
BOLETIM DE NOTIFICAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA SEMANAL
PROVÍNCIA: _______________________

DATA: ______________________ SEMANA Nº: ___________________ DE: _______________ À: __________________

N. Unid. Sanitarias Existentes: N. Unid. Que Notificaram a tempo: N. Unid. Que não Notificaram:

COMUNAS ou COMUNAS Nº DE UNIDADES QUE PARALISIA SARAMPO TETANO MENINGITE MALARIA Cólera OUTRO:
ZONAS SILENCIOSAS NOTIFICARAM FLACIDA AGUDA NEONATAL
(Marcar com "X" para Febre Amarela
as que não HOSPITAIS OUTRAS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS
informaram)

TOTAL

NOTA: Sim não existe informaçao de uma localidade, se escreve "S/ I" (Sem Informação)
ANALISE, INTERPRETAÇÃO E ACÇOES TOMADAS: (Outra doenca ou evento
Durante a presente semana epidemiológica informa-se que o Nivel Municípal apresentou: anormal não esclarecido ou não conhecido:
O qué esta esgotado ou avariado: (Indicar qual é
Rotura de stock de Avaria dos aparelhos de cadeia de frio a vacina, material, medicamentos, formulário ou
vacinas ou material de ________________________________________________________________
aparelho avariado)
vacinação.
Rotura de stock de Falta de combustível para cadeia de frio ou meio de transporte _____
medicamentos
essenciais ou ____________________________________________
reargentes de __
Rotura de stock de Avaria dos meios rolantes: bicicleta ou motorizada ou carro __________________________________________________________Nome
fichas ou formulários de do tecnico_____________________________________________
registo

83
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexo 2 I. Ficha de Notificação obrigatória Mensal para a unidade sanitária ...Frente

84
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

...Verso

85
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexo 2 J. Ficha de Notificação obrigatória Mensal para a o município ...Frente

86
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

...Verso

87
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexo 2 K. Ficha de Notificação obrigatória Mensal para a província ...Frente

88
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

...Verso

89
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 2 L. Gestão dos dados da vigilância da saúde pública


As actividades eficazes de saúde pública, incluindo a vigilância epidemiológica, dependem
da relação de confiança entre o pessoal de saúde pública e as pessoas que eles procuram
ajudar.
Seguem-se algumas das obrigações do pessoal de saúde pública, incluindo epidemiologistas:

· Proteger a confidencialidade e a privacidade das pessoas


Privacidade: é o direito que os doentes têm de escolher que informações querem ou não
fornecer de si próprio e a quem.
Confidencialidade: é a obrigação que o pessoal de saúde pública tem de guardar as
informações acerca dos indivíduos, que se destinam estritamente às entidades que a elas
devem ter acesso por força da saúde da comunidade. Os doentes têm o direito de saber por
que razão os seus dados são necessários, têm o direito de se recusarem a prestar
informações e de esperar que as informações prestadas sejam tratadas confidencialmente.
A informação, mesmo não incluindo nomes, pode ser usada para identificar indivíduos e dar
lugar a discriminações ou outras consequências contra as pessoas e por essa razão, essa
informação deve ser protegida. Até certos pormenores de informação podem parecer
insignificantes, mas podem ser usados, mesmo sem intenção, para identificar o doente. Um
bom sistema de informação terá de saber criteriosamente que tipo de informação é
essencial para as acções de saúde pública.

· Consentimento informado
O pessoal de saúde deverá assegurar-se de que a informação é apenas usada para as
finalidades previstas. A comunidade espera que essa informação seja usada só para fins de
investigação. Poderá haver uma legislação nacional ou institucional que especifique quais os
usos permitidos e quando será necessário pedir o consentimento prévio do doente. O
pessoal de saúde pública deve respeitar essas leis.

· Profissionalismo e confiança do público


Para se desempenharem funções de saúde pública, incluindo a vigilância, é essencial que
haja apoio do público. A confiança é um termo que expressa o que as pessoas esperam do
pessoal de saúde pública: justiça, lealdade, princípios éticos e competência.

90
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

91
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Secção 3:
Análise dos Dados

Esta secção explica como:


§ receber, tratar e guardar os dados notificados pelas unidades de
notificação
§ analisar os dados em função do tempo, local e pessoa
§ comparar os resultados das análises com os limiares para a
acção na saúde pública.
§ tirar conclusões baseadas nos resultados da análise
§ resumir e usar a informação para melhorar as acções de saúde
pública

92
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

3.1 Analisar os dados


A análise de casos e óbitos ao longo do tempo, dá-nos a informação necessária para
a tomada de decisões, implementar acções e medidas de saúde pública. Essa análise
fornece-nos informações-chave para:

· Observar as tendências ao longo do tempo e alertar o pessoal de saúde para as


eventos emergentes ou padrões invulgares
· Agrupar as eventos por áreas geográficas e identificar as de maior risco
· Caracterizar as variáveis individuais como a idade, o sexo ou a profissão, que
podem colocar a pessoa em maior risco de doenças ou eventos.
· Monitorizar e avaliar a qualidade dos programas de saúde pública nos diferentes
níveis de gestão do sistema de saúde.

Os dados devem ser analisados nos diferentes niveis em que são recolhidos (local,
municipal, provincial, central) para que os produtores dos mesmos sejam
igualmente utilizadores no quadro do aperfeiçoamento das actividades de saúde
pública de acordo com o nível de responsabilidade.

De uma forma geral, a análise dos dados de vigilância de rotina deverá responder as
seguintes questões:

· Foram detectadas algumas doenças prioritárias ou outros eventos de


preocupação para a saúde pública durante o período da notificação (por exemplo
esta semana,)? Há suspeitas de epidemias ou eventos de saúde pública invulgar?
· Quantos casos, óbitos ou eventos detectados foram confirmados?
· Onde é que eles ocorreram?
· De que modo se pode comparar a situação observada com anteriores períodos
de observação ao longo deste ano? Por exemplo, em comparação com o início do
período de notificação, o problema está aumentar?
· As tendências são estáveis ou estão a descer ou a subir?
· Os dados de vigilância notificados serão suficientemente representativos da área
de abrangência da unidade de notificação? De todas as unidades que deveriam
fazer a notificação, qual e a percentagem que fizeram de facto?
· Qual o grau de prontidao dos dados recebidos das unidades de notificação?

Ao longo desta secção, os aspectos acima relatados serão desenvolvidos com


mais detalhes de acordo com as variáveis a ter em conta na caracterização
epidemiológica das doenças e eventos de saúde publica.

93
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

3.2 Receber dados das unidades sanitárias


Com base na Lei Nº 17/10 de 29 de Julho, sobre a Organizacao e Funcionamento dos Orgaos
de Adminitracao Local do Estado, o fluxo de rotina dos dados da vigilância segue,
normalmente, das unidades de notificação para cada um dos níveis seguintes, até ao nível
central. A nível da unidade de saúde, tanto a área de urgência, internamento, consulta
externa e laboratório, são unidades de vigilância. A informação recolhida nestas unidades é
registada em fomulários-modelo, analisada e depois enviada à equipa municipal de gestão
sanitária.
Existem 3 tipos de notificação:

· Baseada em cada caso suspeito de doença potencialmente epidémica


(notificação imediata).

· Dados de notificação semanal

· Dados de notificação mensal.

A equipa municipal de saúde ao receber os dados de vigilância, deve proceder a um registo


cuidadoso dos mesmos e deve:
· Acusar a recepção da notificação.
· Registar num livro apropriado todos os dados ou relatórios de vigilância recebidos
de qualquer unidade de notificação (Consultar o Anexo 2E, Secção 2).
· Analisar a qualidade dos dados.
· Verificar se o formulário (cópia em papel ou ficheiro electrónico) está totalmente
preenchido.
· Certificar-se de que não existem discrepâncias no formulário.
· Registar no livro a data de recepção dos dados, o assunto e quem os enviou.
· Verificar se os dados foram enviados a tempo ou com atraso.
· Juntar os dados e armazená-los numa base de dados.
Em caso de ausência ou atraso de notificação, dever-se-á contactar ou visitar a unidade
sanitária para se identificar a causa do problema.
Certifique-se que o pessoal de saúde regista, notifica, processa, analisa, divulga e
arquiva os dados.
Para situações especiais de emergência (como eventos preocupantes de saúde pública) é
definido um sistema urgente de fluxo de informação, em harmonia com o Regulamento
Sanitário Internacional (2005).
Quando forem detectadas doenças da categoria 1 (doenças internacionalmente exigidas
pelo RSI) e categoria 2 (doenças de elevado potencial epidémico) a Repartição municipal de
saúde deve notificar e enviar o relatório da situação, aos níveis imediatamente superiores.

94
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Quando houver uma emergencia de saude publica, os dados referentes aos casos e os
óbitos deverão ser notificados e compilados diaria e semanalmente.

3.3 Introduzir e limpar os dados


Em cada um dos níveis que recebem dados (unidade de saúde, município, província ou
central), a equipa de vigilância deverá tomar medidas para introduzir correctamente os
dados em formulários de notificação apropriados, fazendo a listagem dos dados
provenientes de todos as unidades de notificação.
Uma prática importante de tratamento de dados é a sua reparação e a limpeza, antes da
sua análise. As tendências e os mapas das doenças não serão validados, se faltar
informação acerca do número de casos, data da manifestação ou sua localização
geográfica.
Durante as visitas de supervisão, usar as oportunidades, para sensibilizar os médicos
sobre a importância de registar correctamente os dados dos doentes nos livros de
registo ou nos formulários de notificação. Deverá salientar-se que os livros de registo dos
doentes são fontes de dados para notificar informações de saúde pública e podem
desempenhar um papel na detecção de uma ocorrência invulgar ou qualquer problema
de saúde pública não detectado.
Os dados podem ser registados e compilados, quer manual quer electronicamente, se
houver um computador disponível. Independentemente do método, utilizar as seguintes
práticas:

· Actualizar os totais compilados para cada semana ou mês em que se receberam


dados.
· Registar um zero quando não foram notificados quaisquer casos. Se se deixar em
branco qualquer espaço a preencher, o nível seguinte pode ter uma ideia
incorrecta da situação. Desse modo, não se poderá saber se faltam dados ou se
não houve notificação de casos. Registar o zero permite que o nível seguinte
saiba que a vigilância não detectou nenhum caso de doença ou condição, em
particular.
· Garantir que os totais semanais incluam os casos ou óbitos realmente notificados
para essa semana. As notificações atrasadas, das semanas anteriores, deverão ser
introduzidas na respectiva semana e actualizar os totais.
· Evitar a duplicação de entradas, utilizando o relatório ou o identificador único de
registo de [Link] frequentes contactos com as unidades de
notificação, de modo a esclarecer as questões, adicionar a informação em falta e
corrigir as inconsistências detectadas na notificação.

Proceder a uma cuidadosa revisão para se assegurar que não houve erros durante a
introdução. Visto que os dados da vigilância servem de base às decisões sobre acções de

95
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

prevenção e controlo das doenças, haverá importantes consequências éticas, sociais e


económicas, se os dados não forem introduzidos e tratados correcta e oportunamente.
Preparar e analisar os dados em função do tempo, local e da pessoa

Na análise dos dados, o técnico de vigilância deve ter em conta:

· Qual a população mais afectada (faixa etária, sexo, etc.)

· Quantos casos e óbitos ocorrem

· Onde ocorrem

· Quando ocorrem

· Que factores de risco favorecem a proliferação da doença (Ex: estado


vacinal)

Esta informação consta nos livros de registo e fichas do doente. É importante apresentar
estes dados em tabela, gráfico ou mapa. Quando os dados são apresentados deste modo,
podem ser mais facilmente interpretados, permitindo observar os seus padrões e
tendências. Os consolidados semanais e mensais dos dados de rotina das doenças
prioritárias devem ser analisados mensalmente em todos níveis (unidade sanitária,
municipal, provincial e central), divulgados (afixados na parede, apresentados em reuniões
locais, etc.) e mantidos numa pasta de arquivo.

A pasta de arquivo da análise pode ser facilmente consultada durante uma visita de
supervisão. Verificar como criar e manter um arquivo de análise no Anexo 16.

O quadro seguinte apresenta uma lista dos métodos e instrumentos para analisar os dados
de vigilância, de forma a que o técnico de saúde tenha a informação necessária para iniciar
acções de resposta.

96
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Quadro 4 Objectivos, instrumentos e métodos de análise descritiva para as


doenças transmissíveis

Tipo de análise Objectivo Instrumentos Método


Pessoa Identificar as causas Registar os dados Dependendo da doença,
Para as doenças das alterações na específicos sobre a caracterizar os casos
de notificação ocorrência da doença: população afectada segundo:
imediata e outro como ocorre, quem numa tabela - idade, sexo,
evento pouco corre maior risco de - local de trabalho,
comum contrair a doença e
potenciais factores de - estado vacinal,
risco - nível de escolaridade
- outros factores de
risco.

Tempo Detectar alterações Registar os totais numa Comparar o número de


Para as doenças bruscas ou a longo tabela, num gráfico de casos notificados no
de notificação prazo da doença ou linhas ou num actual período com o
imediata evento. Número de histograma número de casos
Para os dados de casos e o período notificados em períodos
notificação desde a exposição até anteriores (meses, épocas
semanal e mensal ao início dos sintomas ou anos)

Local Determinar onde Assinalar os casos num Assinalar num mapa as


Preferencialmente estão a ocorrer os mapa de localização do relações entre a
para doenças de casos (p. ex., para município ou zona localização dos casos e
notificação identificar zonas de afectada durante um eventual ocorrência de
imediata alto risco ou a surto epidémico novos casos a serem
localização de pessoas investigados
em risco de contrair a
doença)

3.4 Analisar os dados em função do tempo


O objectivo de analisar os dados em função do tempo é de detectar mudanças no
comportamento das doenças. Observar a tendência das doenças ajuda a perceber
essas mudanças tornando-as previsíveis.

A observação das alterações das tendências e taxas de uma doença, alerta-nos para
a identificação das ocorrências em causa e permite propor acções adequadas para
controlar ou evitar um novo recrudescimento da doença ou evento.

Os dados sobre o tempo são normalmente apresentados num gráfico. Os gráficos


podem revelar quantos casos e óbitos ocorreram num certo período de tempo. É
mais fácil perceber as alterações no número de casos e óbitos através de um gráfico,
especialmente para um grande número de casos ao longo de um dado período de
tempo.

97
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Por exemplo, o gráfico pode indicar a data em que foram efectuados cursos de
actualização para o pessoal de saúde, em gestão dos casos de Assistência Integrada
as Doenças da Infância (AIDI).

Os gráficos podem ser feitos com barras (gráfico de barras) ou com linhas (gráfico de
linhas), para medir o número de casos ao longo do tempo. O número de casos e/ou
óbitos da doença ou evento é colocado na vertical ou no eixo Y. O período de tempo
a avaliar coloca-se na horizontal ou eixo X.

Exemplos de gráficos de linhas e de barras:

Número de casos por dia desde início dos sintomas


Eixo Y
18
Eixo X
16
14
12
nº de casos

10
8
6
4
2
0
16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
16 de Julho - 11 de Agosto

Número de casos de diarreia hemorrágica por mês

30

25

20
Casos
frequência

15 Óbitos

10

0
1 3 5 7 9 11 1 3 5 7 9 11
meses

98
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Exemplo de um gráfico de linhas:

Um histograma é como um gráfico de linhas, excepto no uso de barras para


representar os casos, em vez de linhas que ligam os pontos marcados. Os
histogramas devem usar-se para analisar os dados de um surto epidémico e para
mostrar a curva epidémica (curva “Epi”). Para as doenças potencialmente
epidémicas, o tempo pode ser observado com intervalos de 1 dia, 2 dias, 3 dias, de 1
semana ou ainda mais longos. Num histograma, os casos são agrupados no gráfico
em colunas adjacentes, de forma a que o número de casos e óbitos possam ser
observados durante o período em causa.

M e______
R ep orted ______ a s le s ___ C ases and Dea th s by M onth,
______2 00_______
0 -2 0 0 2 __
Y e a rs
In -P a tie n ts
25

20 Cases Death s
15 C as es w i th la b
c o n f ir m a t io n

10

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

D e a t hs 0 0 3 2 3 2 2 0 0 0 0 0 1 1 1 0 0
C a s es 4 0 14 9 13 1 5 12 3 2 0 0 1 3 7 4 0 2
C as e F ata lity R at io 0 0 21 22 23 13 16 0 0 0 0 0 33 14 25 0 0

50 O u t- P a t ien t s
Cases Deaths
40 C as es w it h la b
c o n f ir m a t io n
30

20

10

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

D ea th s 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0
Ca s e s 14 0 29 3 5 5 3 5 4 37 28 10 5 4 1 21 11 9 3 4
C as e Fa tali ty R ati o 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 9 0 0 0
2 0 00 Mo nth 2 0 01 20 02

Exemplo de histograma mostrando casos de cólera detectados por semana


epidemiológica 1 a 31

99
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Elaborar um Grafico:

1. Decidir que informação se pretende mostrar no gráfico;

2. Escrever um título que sintetize o conteúdo do gráfico (por exemplo: Total de


casos e óbitos por malária por mês. Luanda. 2010);

3. Decidir a escala que deverá aparecer no eixo vertical (Y);

- Começar no 0 como número mais baixo


- Escrever os números por ordem ascendente, até atingir o
algarismo superior ao número de casos
- Manter um intervalo adequado se os números no eixo vertical
forem grandes.

4. Indicar no eixo vertical o que os números representam;

5. Indicar no eixo horizontal e marcar nele as unidades de tempo. O eixo


horizontal está dividido em unidades de tempo iguais. Normalmente, começar-
se-á com o início de um surto epidémico, ou de uma determinada data, como
um mês ou um ano;

6. Desenhar cada barra do gráfico com a mesma largura;

7. Marcar o número de casos no gráfico ou histograma.

Para cada unidade de tempo do eixo horizontal, marcar o número de casos no eixo

100
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

vertical. Preencher um quadradinho para cada caso, ou para certo número de casos,
na coluna do dia em que o doente foi observado.

Os óbitos serão marcados com um padrão diferente de linhas, ou com cores


diferentes. Quando se constrói um gráfico de linhas, em vez de se fazerem barras ou
quadrados, desenha-se uma cruz ou um ponto no local em que as linhas horizontais
e verticais se cruzam.

Ligar os pontos no gráfico para mostrar a tendência a subir ou a descer, ao longo do


tempo.

3.5 Analisar os dados em função do local


Analisar os dados de acordo com o local fornece informação sobre o local onde a
doença ou evento está a ocorrer. Criar e actualizar regularmente um mapa de
localização dos casos de doenças seleccionadas pode ajudar a esclarecer sobre onde
a doença se está a disseminar.

Essa análise do local pode fornecer informações úteis para:

· Conglomerados de casos que ocorrem numa determinada zona

· Padrões de transporte relacionados com o método de transmissão


dessas doenças

· Fontes de infecção destes casos

· Identificar as características físicas da região

· Conhecer a distribuição e densidade populacional da região

· Descrever a população dessa região (zona agrícola, zona urbana de alta


densidade, campo de refugiados, entre outros)

· Descrever os factores ambientais (principais fontes de água das


comunidades, como rios, lagos, bombas hidráulicas, ou outros.)

· Identificar clínicas, locais de encontro, escolas, edifícios comunitários e


abrigos suficientemente grandes para poderem ser usados em situações
de emergência

· Identificar a distância entre as unidades sanitárias e as aldeias (por


tempo de deslocação ou por distância em quilómetros)

101
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Elaborar mapas de estradas para actividades de supervisão ou de


investigação de casos

· Assinalar a localização de casos de doença e identificar as populações de


maior risco de contágio.

Como criar um mapa ou cartograma para utilizar na vigilância epidemiológica:

· Obter um mapa do local na administração municipal ou provincial.


Assinalar as principais características necessárias para as actividades
sanitárias para o papel transparente (ver a lista anterior) e depois
passar para uma cartolina grande que possa ser afixada numa parede
para facilitar a sua consulta. Se não houver mapa do local, desenhar a
área total do município.

· Criar uma legenda para usar no mapa, com as seguientes características:

- Localização das unidades sanitárias do município e áreas que


cada uma serve.
- Localização das habitações dos doentes ou das características
geográficas mais relevantes para a doença ou evento (por
exemplo, por aldeia, bairro, campo de trabalho ou
acampamento de refugiados. Outro exemplo é, ao fazer o

mapeamento dos jovens doentes durante um surto de


meningite, lembrar-se de assinalar a escola que os doentes
frequentam).
- Acidentes geográficos, como florestas, savanas, montanhas,
aldeias, estradas, cidades e fontes de água
- Áreas sócio-económicas de relevância para as doenças ou
eventos prioritários
- Locais de trabalho de risco, nomeadamente minas ou estaleiros
de construção
- Localização de casos suspeitos e confirmados de doenças
prioritárias
- Localização de surtos epidémicos anteriores confirmadas

102
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Exemplo da analise em função do local

Provincia da Lunda Norte;


Rectangulo- Hosp Municipal
Circulo- posto, azul-PFA, Vermelho-Sarampo, castanho-Malaria, amarelo- Tetano
neonatal, cor de rosa- Menegite

3.6 Analisar os dados por pessoa


A análise de dados por pessoa descreve a população com a doença específica, assim como
as pessoas em risco de contraírem essa condição ou de serem expostas a factores a ela
associados.
Fazer a distribuição dos casos, por cada uma das variáveis relativas à pessoa, no formulário
de notificação. Por exemplo, comparar o número total e a percentagem de casos suspeitos e
confirmados, por:

· Grupo etário
· Sexo
· Profissão
· Habitação urbana ou rural
· Situação vacinal
· Factores de risco

103
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Resultados
· Classificação final

Usar a informação específica das doenças para decidir quais as variáveis a comparar. Por
exemplo, se tiver sido recolhida informação sobre um surto de malária, especificar os níveis
etários visados pelo Programa Nacional de Luta contra a malária. Comparar os níveis etários
dos casos detectados nas crianças pequenas (entre 2 e 59 meses de idade), com os casos de
crianças mais velhas (entre 5 e 14 anos de idade) e os casos em adultos (15 anos ou mais).

Tratando-se de doenças que são notificadas pela vigilância baseada em casos, é provável
que haja dados disponíveis sobre as características pessoais. A análise por pessoa não é
recomendada como tarefa de rotina para resumo de dados.
Identificar numeradores e denominadores

Uma simples contagem dos casos não fornece toda a informação necessária para
compreender o impacto da doença sobre a comunidade, unidade de saúde ou município. As
percentagens e taxas são úteis para comparar a informação notificada ao município.

O primeiro passo para analisar os dados referentes a uma pessoa é identificar o numerador
e o denominador, para calcular, percentagem e taxas:

· O numerador é o número de ocorrências específicas a medir (como o


número real de casos ou óbitos de uma terminada doença, por exemplo:
número de casos de sarampo registados durante o ano em crianças
menores de 5 anos.)

· O denominador é o número de todas as ocorrências a medir (total da


população em risco ou exposta ao risco ou número total de casos
registados neste mesmo período de tempo).

Usar percentagens simples:

A percentagem simples pode ser calculada para comparar as informações relativas a


populações de diferentes dimensões. Por exemplo:

104
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Unidade sanitária Número de casos de sarampo no presente ano em


crianças com menos de 5 anos

A 42

B 30

Olhando apenas para o número de casos notificados, parece que a maior incidência
de casos de sarampo ocorreu na unidade sanitária A.

Porém, quando se compara o número de casos notificados em cada unidade


sanitária com o número total de crianças em idade escolar que vivem em cada área
delimitada, então a situação torna-se mais clara.

Número de crianças em idade escolar que vivem na


Unidade sanitária
área delimitada
A 1 150
B 600

Ao calcular a percentagem do número de casos de sarampo durante os últimos 12


meses nas crianças em idade escolar, o técnico municipal de vigilância pode
comparar o impacto da doença em cada estabelecimento. O numerador é o número
de casos ocorridos ao longo de um ano. O denominador é o número de crianças em
idade escolar em risco, em cada área delimitada. Neste exemplo, a percentagem é
mais elevada na unidade sanitária B em relação à unidade sanitária A.

Unidade sanitária Taxa de incidência de casos de sarampo em crianças


em idade escolar durante um ano

A 3.65%

B 5.0%

3.6.1 Elaborar tabelas para análise em função da pessoa

Para cada evento ou doença prioritária sob vigilância, usar uma tabela
para analisar as características das pessoas que estão a adoecer. Uma

105
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

tabela é um conjunto de dados dispostos em colunas e em linhas. A


finalidade da tabela é apresentar os dados de forma simples.

Para efeitos de vigilância e de monitorização, deve usar-se uma tabela que


mostre o número de casos e de óbitos devidos a uma doença que ocorreu
num dado período de tempo.

Para elaborar uma tabela:

1. Decidir que informação se deseja mostrar na tabela. Por


exemplo, considerar a análise dos casos e óbitos por sarampo
e por grupo etário.

2. Decidir quantas colunas e linhas vão ser precisas. Acrescentar


uma linha extra no fundo e uma coluna extra à direita, para
apresentar os totais. Neste exemplo, será necessário uma
linha para cada grupo etário e uma coluna para cada variável,
como grupo etário ou casos e óbitos.

3. Assinalar as variavéis nas linhas e colunas da tabela, incluindo


as medições do tempo. No exemplo abaixo, a análise foi feita
anualmente. A análise da pessoa é também recomendada para
se poder analisar os dados do surto epidémico.

4. Registar o número total de casos e óbitos como se indica em


cada linha. Verificar se os números correctos estão na linha ou
coluna certa.

Grupo etário Número de Número de Total


casos notificados óbitos

0 - 4 anos 40 4 44

5-14 anos 9 1 10

15 anos ou mais 1 0 1

Idade desconhecida 28 0 28

Total 78 5 83

106
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

3.6.2 Calcular a percentagem de casos ocorridos em determinado


grupo etário

Uma das análises a fazer é calcular a percentagem de casos que ocorreram


nos diferentes grupos etários. Usar a informação da tabela anterior para:

1. Identificar, a partir dos dados resumidos, o número total de


casos notificados dentro de cada grupo etário, dos quais se
conhecem as características relativas à pessoa (Por exemplo,
existem 40 casos em crianças entre os 0 e os 4 anos de idade).

2. Dividir o número total de casos em cada grupo etário, pelo


número total de casos com a caracteristica a ser medida (Por
exemplo, para crianças entre os 0 até aos 4 anos, dividir 40 por
78. A resposta é 0,51.)

3. Multiplicar o resultado por 100 para calcular a percentagem


(Multiplicar 0,51 x 100: a resposta é 51%).

Grupo etário Número de casos % de casos notificados


notificados em cada grupo etário
0-4 anos 40 51%

5-14 anos 9 12%

15 anos ou mais 1 1%

Idade desconhecida 28 36%

Total 78 100%

3.6.3 Calcular a taxa de letalidade

A taxa de letalidade pode:


§ Indicar se o caso foi identificado atempadamente.
§ Indicar quaisquer problemas com o tratamento de casos, tendo a doença sido
já diagnosticada.
§ Sugerir a ocorrência de um agente patogénico novo, mais virulento ou
resistente aos medicamentos.
§ Indicar a fraca qualidade - ou a inexistência - de cuidados médicos

107
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ Comparar a qualidade do tratamento dos casos entre diferentes áreas


delimitadas, cidades e municípios.
§ Identificar as condições subjacentes a doenças graves, por exemplo, a
imunodeficiência.

As intervenções dos programas de saúde pública podem influenciar a taxa de letalidade, ao


garantirem que os casos sejam rapidamente detectados e adequadamente tratados. A taxa
de letalidade pode funcionar como indicador de qualidade dos cuidados prestados durante
um surto epidémico.

Como calcular a taxa de letalidade:

Número total de óbitos notificados durante o


Taxa de periodo de tempo
= x 100
Letalidade Número total de casos notificiados no
mesmo periodo de tempo

Neste exemplo:

1. Calcular o número total de óbitos. (No exemplo dos dados do


sarampo, ocorreram 5 óbitos.)

2. Dividir o número total de mortes pelo número total de casos


notificados. (Por exemplo, o número total de casos notificados
é 78. O número de mortes é 5. Portanto, basta dividir 5 por 78:
5 ÷ 78 é 0,06.)

3. Multiplicar o resultado por 100: 0,06 x 100 é igual a 6%.

108
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Grupo etário Número de Número de Taxa de


casos óbitos letalidade
notificados

0-4 anos 40 4 10%

5-14 anos 9 1 11%

15 anos ou mais 1 0 0

Idade desconhecida 28 0 0%

Total 78 5 6%

3.7 Conclusões tiradas da análise


Conforme a frequência com que os dados são notificados ao nível seguinte (por
exemplo, mensalmente):

3.7.1 Revisar as fichas, tabelas, gráficos e mapas actualizados

Rever os instrumentos de análise para garantir que:


§ O número total de casos e de óbitos sob vigilância se encontra
actualizado.
§ As taxas de letalidade são calculadas e actualizadas.
§ A distribuição geográfica dos casos e dos óbitos é
convenientemente descrita e incluída nas taxas de letalidade.

3.7.2 Comparar a situação actual com o mesmo período dos anos


anteriores
1. Observar as tendências nos gráficos de linhas e verificar se o
número de casos e de óbitos para essa doença é estacionária, se
está a diminuir ou a aumentar.

2. Se as taxas de letalidade tiverem sido calculadas para cada ano, a


taxa mantém-se, aumentou ou diminuiu ?

109
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

3.7.3 Determinar se os limiares de acção foram alcançados

Os limiares de acção (limiares epidémico) são marcadores que indicam


quando há, ou se espera que haja, uma alteração da situação habitual .
Eles ajudam os gestores dos programas e da vigilância a responderem à
questão: “Quando se começa a actuar e como será essa acção?”

Os limiares baseiam-se na informação de duas fontes distintas:


§ A análise da situação, que descreve quem está em risco de
adoecer, quais são esses riscos, quando actuar para evitar a
proliferação da epidemia e onde ocorrem habitualmente essas
doenças.
§ As recomendações internacionais, dos peritos técnicos e dos
programas de combate às doenças.

Os municipios devem respeitar os limiares para as doenças mais


importantes na sua área. As Direcções Provinciais de Saúde com apoio
técnico do nivel central poderão estabelecer os limiares de acção para as
doenças mais importantes da sua área.

Estas orientações recomendam dois tipos de limiar: um limiar de alerta e


outro de acção.

Embora nem todas as doenças tenhamos dois tipos de limiar, todas as


doenças chegam a um ponto em que é preciso notificar um problema e
tomar algumas medidas.

Os limiares descritos nestas orientações representam a continuidade das


práticas recomendadas e são usados para definir onde são necessárias as
acções.

Na Secção 9 deste manual, encontram-se limiares detalhados para


doenças específicas e apresentam-se igualmente as definições desses
limiares.

Um limiar de alerta sugere ao técnicos de saúde a necessidade de fazer


mais investigação. Conforme a doença, um limiar de alerta é atingido
quando há um caso suspeito (tanto para uma doença potencialmente
epidémica, como para uma doença visada para eliminação ou

110
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

erradicação), ou quando se observa um aumento inexplicável de casos


num curto espaço de tempo. O técnico de saúde responderá a um limiar
de alerta:
§ comunicando o problema suspeito ao nível seguinte
§ analisando os dados anteriores
§ solicitando uma confirmação laboratorial, para ver se o
problema se enquadra numa definição de caso
§ ficando mais alerta para novos dados e tendências resultantes
dessa condição ou doença
§ investigando o caso ou o evento
§ alertando o responsável do programa e a equipa municipal de
resposta às epidemias para o eventual problema.

Um limiar de acção desencadeia uma resposta definitiva. Ele marca o


resultado específico dos dados ou da investigação que assinala uma acção,
para além de confirmar ou esclarecer o problema.

As acções possíveis incluem:


§ comunicar a confirmação laboratorial às unidades sanitárias
em causa,
§ implementar uma resposta de emergência, tal como uma
actividade de vacinação ou uma campanha de sensibilização,
ou melhores práticas de combate às infecções, no âmbito dos
cuidados de saúde.

Os limiares sugeridos que alertam o técnico de saúde para uma possível


epidemia encontram-se no Anexo da secção 4. Consultar também as
orientações específicas das doenças, na secção 9.

3.7.4 Resumo dos resultados da análise

Considerar os resultados da análise, tendo em conta os seguintes factores:


§ As tendências relativas aos casos de doentes internados revelam oaumento
ou redução dos casos mais graves. É muito mais provável que as mortes
sejam detectadas entre os casos hospitalizados. A notificação destes casos

111
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

de acordo com o diagnóstico clínico e laboratorial é mais fidedigna do que as


notificações referentes a doentes em ambulatório.
§ A variação na notificação de casos e óbitos pode ser devido a outros factores
diferentes do verdadeiro aumento ou redução no número de casos e óbitos
que se verificam (por exemplo, melhoria na qualidade dos serviços prestados,
movimento migratorio da população) .
§ Se esta redução não se verificar e o número de casos se mantiver estável ou
aumentar, verificar se a notificação não estará a ser afectada por algum dos
seguintes factores:
Mudanças no número de unidades sanitárias que notificam os
dados
Alterações na definição de caso que está a ser usada para
notificar um evento ou doença
§ Variação sasonal da doençaAlterações nos programas de rastreio ou de
tratamento e nas actividades de educação das comunidades para a saúde que
tenham levado mais pessoas a procurar tratamento.
§ Recente imigração ou emigração para a área, ou aumento da população de
refugiados
§ Alterações na qualidade dos serviços prestados na unidade sanitária? Por
exemplo, tempo de espera mais curto, técnicos de saúde mais prestavéis,
maior disponibilidade de medicamentos.

3.7.5 Análise dos resultados do corrente mês em função das metas de


redução da doença

Muitos programas de saúde pública estabeleceram metas para a redução


das doenças. Pode haver metas para cada unidade sanitária, município,
provincia e país. É aconselhável a colaboração com os responsáveis dos
programas de saúde pública, para debater os progressos feitos para atingir
estas metas, com base nos resultados da análise.

Se os resultados da análise indicarem que não há melhoria, então terão


que se discutir formas de intervenção para controlar a situação.

Por exemplo, qualquer aumento ou falta de redução do número de casos


deverá suscitar a realização de mais inquéritos e acções para melhorar a
qualidade do serviço. Essas melhorias deverão incluir:

112
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ Maior disponibilidade de medicamentos para tratamento dos doentes


§ Maior disponibilidade de medicamentos para tratamento de malária pelo
menos para as mulheres grávidas e crianças menores de 5 anos.
§ Melhor colaboração entre os técnicos de saúde e a comunidade, a fim de
motivar as pessoas para levarem os seus filhos às unidades sanitárias em caso
de doença.
§ Educação preventiva para as ITS/ VIH /SIDA aos jovens na comunidade.
§ Melhor cobertura vacinal em áreas de alto risco para determinadas doenças
evitáveis pela vacinação (sarampo, tétano, febre amarela, etc.).

3.8 Resumo e utilização dos resultados da análise


Devem ser elaborados relatórios com as conclusões e recomendações a partir da
análise dos resultados.

Estas poderão ser usadas para:

· Conduzir uma investigação para detectar a origem do aumento de casos.

· Colaborar com os diferentes programas, a fim de intensificar a vigilância,


no caso de se ter ultrapassado um limiar de alerta.

· Sensibilizar as autoridades sanitárias e comunidade, para a mobilização


de recursos se a sua falta for identificada como causa do aumento de
casos.

Como investigar problemas de saúde pública é um assunto tratado na Secção 4.0

Tirar conclusões dos resultados

Dever-se-á recolher ou apresentar os gráficos, mapas e quadros de forma


sistemática e reunir com a equipa municipal de saúde (ou equivalente), para
rever o resultado das análises e debater as conclusões. Analisar
sistematicamente os resultados, de acordo com o plano municipal de análise,
se houver . No mínimo, analisar os resultados para:

· Avaliar se a situação está ou não a melhorar, e


· Descobrir a razão da situação observada.

113
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Resumir e usar a análise para melhorar as acções de saúde pública

Preparar e partilhar, com todas as partes interessadas nesta informação, um


resumo conciso e orientado para a acção dos resultados da vigilância. Usar
tabelas simples, gráficos e mapas, com uma clara e breve descrição,
interpretação, comentários e recomendações.

A partilha da informação é uma importante função da vigilância e um


poderoso mecanismo de coordenação. Ela motiva o pessoal que envia os
relatórios e forma parcerias, através da transparência proporcionada pela
partilha da informação. Assim, torna-se importante partilhar os resultados da
análise e fornecer uma rápida retroinformação (feedback).

114
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexos à Secção 3

· ANEXO 14 A Como elaborar um plano para a análise de rotina dos dados da


vigilância
· ANEXO14 B Como elaborar manualmente um gráfico linear

· ANEXO 14 C Modelo para análise de dados em função do tempo

· ANEXO 14 D Modelo para análise de dados por pessoa

115
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 14 A. Como elaborar um plano para a análise de rotina dos dados


da vigilância

Um plano simples para a análise de rotina dos dados da vigilância deverá incluir tabelas,
gráficos e mapas.

1. Avaliar o grau de cumprimento e de pontualidade da notificação

A monitorização da pontualidade dos relatórios da vigilância e do cumprimento do


seu envio, por parte de todas as unidades de notificação, é um primeiro passo
essencial na análise de rotina do sistema de vigilância. Isto ajuda a equipa de
vigilância do município (ou de outro nível) a identificar as áreas silenciosas (áreas em
que os eventos de saúde podem estar a acontecer, mas que não estão a ser
notificados) ou as unidades de notificação que precisam de ajuda na transmissão dos
seus relatórios.

2. Calcular os totais municipais (ou de outro nível) por semana ou mês. Actualizar o
número total de casos e óbitos notificados durante o ano inteiro. Esta informação
resumida ajuda a descrever o que aconteceu num determinado período de
notificação.

3. Preparar os totais cumulativos de casos, óbitos e taxas de letalidade, desde o início


do período de notificação.

4. Usar variáveis geográficas (como hospitais, habitações, unidades de notificação,


bairros, aldeias, etc.), para analisar a distribuição de casos por localização geográfica.
Esta informação irá ajudar a identificar zonas de alto risco.

5. Analisar as tendências das doenças, pelo menos as de mais alta prioridade no


município. Monitorizar as tendências dos casos, óbitos e taxas de letalidade, para
identificar quaisquer eventuais aumentos inesperados ou padrões de doenças.

117
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Exemplo de um plano de análise para a cólera no país A, 2010


Distribuição por Tempo
Resultado
Semana da manifestação Total Taxa de letalidade
Casos óbitos
26 16 7 23 30
27 92 5 97 5
28 87 1 88 1
29 19 2 21 10
32 11 0 11 0
33 9 2 11 18
Total 234 17 251 7

Distribuição por Local


Resultado
Município Total Taxa de Letalidade
Casos Óbitos
Município 1 1 0 1 0
Município 2 86 6 92 7
Município 3 147 11 158 7
Total 234 17 251 7

Município População Casos Taxa de ataque por 100 habitantes


Município 1 179888 92 51
Município 2 78524 158 201

Distribuição por Pessoa


Resultado
Grupo etário Total Taxa de Letalidade
Casos Óbitos
00-4 anos 35 2 37 5
05-9 anos 50 5 55 9
10-14 anos 28 2 30 7
15-19 anos 23 0 23 0
20-24 anos 27 1 28 4
25-29 anos 24 2 26 8
30-34 anos 11 1 12 8
35-39 anos 6 2 8 25
40 + anos 30 2 32 6
Total 234 17 251 7

Resultado
Sexo Total Taxa de Letalidade
Casos Óbitos
F 114 84 122 7
M 120 9 129 7
Total 234 17 251 7

118
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 14 B. Como elaborar manualmente um gráfico linear


Como elaborar um gráfico linear

1. Definir que informação se pretende mostrar no gráfico

Escolher um título que descreva o conteúdo do gráfico (por exemplo, Totais mensais para
2.
casos e óbitos de doentes internados devido a malária com anemia grave).

Definir que limites dos números mostrar no eixo vertical.

· Começar com 0 como número mais baixo


3.
· Escrever os números de modo crescente até atingir um número maior do que o
número de casos

· Escolher um intervalo, se os números do eixo vertical forem grandes.

4. Legendar o eixo vertical, explicando o que os números representam

Legendar o eixo horizontal e marcar nele as unidades de tempo. O eixo horizontal está
5. dividido em unidades de tempo iguais. Normalmente, começar-se-á com o início de um surto,
ou o início de um período de tempo, como uma semana, mês ou ano.

6. Todas as barras do gráfico deverão ter a mesma largura.

Marcar o número de casos no gráfico ou histograma. Para cada unidade de tempo no eixo
horizontal, procurar o número de casos no eixo vertical. Preencher um quadrado para cada
caso, ou para um certo número de casos, na coluna do dia em que o doente foi visto. Mostrar
7. os óbitos, usando um padrão diferente de linhas ou uma cor diferente. Tratando-se de um
gráfico linear, em vez de desenhar uma barra ou preencher quadrados, desenhar uma cruz ou
assinalar o ponto em que as linhas horizontais e verticais se cruzam. Ligar esses pontos no
gráfico, para mostrar a tendência de aumento ou de diminuição ao longo do tempo.

119
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 14 C. Modelo para análise de dados em função do tempo

120
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 14 D. Modelo para análise de dados por pessoa


Trata-se de exemplos de análises por pessoa que podem ser efectuadas para dados sobre
epidemias ou, no final do ano, para analisar resumos de dados, destinados a relatórios de
vigilância caso a caso.

A) Distribuição por idade

Grupo etário Número de casos % de casos


notificados notificados
0 até aos 4 anos

5 até aos 14 anos

15 anos ou mais

Sub-total

Idade desconhecida

Total

B) Localização: urbana - rural

Localização Nº de casos notificados % de casos


que vivem na área notificados
Urbana

Rural

Sub-total

Localização
desconhecida
Total

121
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

C) Distribuição por sexo

Sexo Número de casos % de casos


notificados notificados
Feminino

Masculino

Sub-total

Desconhecido

Total

D) Comparação da situação de doentes internados e ambulatórios

Fonte do relatório Número de casos % de casos


notificados notificados
Doente internado

Doente ambulatório

Sub-total

Desconhecido

Total

E) Comparação do estado vacinal

Número de doses Número de Casos Número de óbitos

Zero doses

1 dose

2+ doses

Subtotal

Desconhecido

Total

122
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

123
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Secção.4 Investigação de surtos suspeitos


e de outros Eventos
de saúde pública

Esta secção descreve a forma de:

· Investigar uma epidemia notificada ou outra


ocorrência de saúde pública
· Registar surtos, eventos de saúde pública e rumores
· Verificar a informação notificada
· Preparar a realização de uma investigação
· Confirmar o surto ou ocorrência
· Proceder a uma resposta imediata
· Analisar os resultados da investigação para
determinar as causas da ocorrência ou risco de saúde
pública

124
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

4.0 Investigar surtos suspeitos e outros eventos de saúde


pública
A investigação é um método de identificar e examinar pessoas que estiveram expostas a
uma doença infecciosa ou que foram afectadas por um evento invulgar. A investigação
fornece informação relevante para a tomada de medidas imediatas e para a melhoria das
actividades de prevenção das doenças a longo prazo. Os passos para efectuar a investigação
de um surto suspeito devido a uma doença infecciosa podem também ser usados para
investigar outros problemas de saúde pública no município.

A finalidade de uma investigação é:

· confirmar uma epidemia ou evento de saúde pública

· identificar e tratar outros casos que não foram notificados ou


reconhecidos

· recolher informação e colher amostras de laboratório para confirmação


do diagnóstico

· identificar a fonte da infecção ou a causa do surto

· descrever o modo de transmissão da doença e as populações em risco

· seleccionar actividades de resposta apropriadas para controlar o surto


ou a ocorrência de saúde pública.

· reforçar as actividades de prevenção para evitar o ressurgimento do


surto epidémico.

4.1 Decidir investigar uma epidemia notificada


A responsabilidade da investigação de surtos depende da política nacional e dos recursos
locais. Os municípios são responsáveis pela investigação dos surtos e outros eventos de
saúde pública . Estas orientações presumem que o nível do município tem a
responsabilidade da liderança da investigação e estas orientações também se aplicam às
unidades de saúde e às províncias.

Para algumas doenças transmissíveis, um simples caso suspeito é suficiente para


desencadear a acção, notificando o caso ao nível superior e iniciando uma investigação, ou

125
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

quando se tratar de doenças com um elevado potencial epidémico ou com altas taxas de
letalidade, (por exemplo, sarampo, meningite meningococcica, febre amarela))

Para outras doenças, só se actua quando é atingido um certo limiar epidémico. O


técnico de saúde deverá iniciar rapidamente a investigação do problema e dar uma
resposta imediata a esses casos. Deverão ser preparadas iniciativas de saúde pública
para uma resposta mais ampla. Os limiares de alerta e de acção são descritos na
Secção 3.7.3.

NOTA: Determinadas doenças ou eventos exigem uma investigação que deve ser
iniciada com a maior brevidade possível. Os municípios devem ter como meta a
investigação de surtos epidémicos e ou eventos no prazo de 48 horas após
notificação.

Dever-se-á conduzir uma investigação quando:

· o município receber uma notificação de suspeita de um surto de uma


doença de notificação imediata.

· se observar um invulgar aumento no número de casos ou de óbitos


durante a análise de rotina dos dados

· se atingirem limiares de alerta ou de acção para doenças prioritárias


específicas

· as comunidades comunicarem rumores de mortes ou de um grande


número de casos que não comparecem na unidade sanitária

· ocorrem doenças ou mortes, sem causa conhecida (por exemplo, um


adulto morre devido a diarreia com sangue).

NOTA: Os limiares que são estabelecidos pela política nacional para certas doenças
não sofrem alterações entre os municipios ou unidades de saúde, visto que se
tratam de limiares para desencadearem a notificação imediata.

Para estabelecer os limiares da unidade sanitária na notificação ao município devem


promover-se reuniões com a equipa da unidade sanitária para debater os seguintes
passos:

1. Se houver dados de anos anteriores, analisar as tendências dos casos e


dos óbitos por estas doenças nos últimos 5 anos. Determinar um limiar

126
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

(número de casos esperados) para descrever a actual amplitude da


doença na área delimitada.

2. Se necessário, ter em atenção certos factores para doenças como a


malária ou a cólera, com aumentos sazonais.

3. Definir claramente o limiar, como um número de casos por mês ou


semana, para que o técnico de saúde responsável pela actividade de
vigilância possa detectar rapidamente quando o limiar for alcançado.

4. Rever periodicamente o limiar epidémico e ajustá-lo conforme as


tendências passadas e actuais da doença. Se o peso do fardo da doença
estiver a mudar ([Link], casos a aumentar), deve ajustar-se o limiar.

Na Secção 9 destas orientações, encontram-se exemplos de limiares ou obstáculos para


desencadear acções e implementar intervenções ou investigações sobre um caso ou
epidemia.

4.2 Registar surtos, eventos e rumores notificados


No Anexo 18 desta secção, encontra-se um instrumento para registar a notificação de
surtos, eventos e ou rumores verificados no município

A finalidade deste instrumento é garantir que a notificação de cada surto suspeito, evento
ou rumor possa suscitar uma tomada de acção e de decisão. Manter este registo ajudará a
recolher informação para avaliar a pontualidade e a integridade do processo de
investigação do surto e de resposta.

4.3 Verificar a informação notificada


A investigação de surtos exige recursos humanos, logísticos e financeiros. Sempre que é
notificada uma suspeita de surto ou evento, verificar de imediato se a informação é rigorosa
e se reflecte condições que sugerem um verdadeiro surto ou evento. Isso ajudará a garantir
que os recursos sejam eficazmente usados.

Para verificar a informação, dever-se-á considerar os seguintes factores:

· Fonte de informação (por exemplo, se a fonte do rumor é digna de


confiança, se a notificação provém de uma unidade sanitária )

127
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Gravidade da doença notificada e o uso de definições de caso-


padronizada na notificação
· Número de casos e de óbitos notificados

· Número de casos e óbitos notificados por idade e sexo

· Modo e maior risco de transmissão do agente

· Aspectos políticos, geográficos e sócio-demográficos

· Importância de manter boas relações com os parceiros e as comunidades


· Disponibilidade de recursos

Após ter em conta os factores acima descritos, a situação pode exigir uma resposta mais
urgente do que a habitual. Por exemplo, as notificações de casos suspeitos de uma febre
hemorrágica viral são tratadas com maior urgência do que as notificações de doenças
menos virulentas, dado o seu potencial epidêmico com elevadas taxas de mortalidade e de
rápida transmissão.
Independentemente dos factores, todos os surtos suspeitos, eventos e rumores (incluindo
os casos de notificação imediata) das unidades de saúde têm de ser notificados no prazo de
48 horas.

4.4 Preparar a realização da investigação


Mobilizar a equipa municipal de resposta às epidemias e preparar a investigação. e Integrar
na equipa de investigação os técnicos de programas de prevenção e controlo de doenças do
município e outro pessoal relevante já identificado e formado para fazer parte da equipa de
resposta rápida, no planeamento da investigação.

Nota: rever e actualizar periodicamente o estado vacinal do pessoal que integra as


actividades de investigação e resposta a surtos de doenças infecciosas.

Os objectivos da investigação devem ser coordenados com o responsável municipal de


saúde do município. É preciso ter a certeza de que os objectivos da investigação fornecerão
a informação essencial para implementar a resposta mais apropriada e relevante.

Deve planificar-se o uso de métodos apropriados, que sejam relevantes para a condição ou
doença a ser investigada. Se as actividades de preparação e resposta às epidemias se
realizaram no município ou unidade sanitária, o técnico com capacidade para participar na
investigação já deve estar identificado e devidamente formado.

128
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

4.4.1 Especificar as tarefas do técnico de saúde

O técnico de saúde deve ser informado sobre as tarefas a realizar e as suas funções de apoio
e ser motivado positivamente para a investigação. Convém, pois, verificar se a equipa de
investigação compreende o elo que existe entre a investigação e a escolha das actividades
de resposta para prevenir novos casos e salvar vidas. Assegurar-se de que o técnico de
saúde tem acesso e sabe usar o equipamento de protecção individual necessário e as
relevantes precauções universais contra a eventual causa do surto ou eventos.

[Link] os canais de supervisão e de comunicação

Elaborar um plano para a comunicação. Preparar um diagrama que mostre quem deve
notificar e a quem e como a informação é transmitida no seio da equipa de investigação e
entre o município e outros níveis, incluindo o nível local. Por exemplo, definir quem
comunicará com o Ministério da Saúde, a imprensa e a comunidade. Estabelecer os
métodos de comunicação e a frequência com que ela deve ser feita durante um surto, para
manter as autoridades informadas. Esses métodos podem incluir actualizações diárias por
radio, telefone, fax, correio electrónico ou teleconferência.

Mostrar no diagrama as competências relativas à autoridade e às funções de cada membro


da equipa. Definir as funções do técnico que não pertence à area da saúde e o modo como
deve ser supervisionado. É essencial possuir um canal de comunicação para estabelecer
ligação com a comunidade e os principais parceiros. Isto é importante para assegurar a
partilha de informação crucial acerca da identificação e da resposta aos riscos associados
com os surtos ou eventos.

[Link] sobre o local da investigação


1. Analisar a informação já conhecida sobre a doença suspeita,
incluindo o seu método de transmissão e factores de risco. Usar
essa informação para definir os limites geográficos e a população-
alvo para a realização da investigação. Começar a investigação no
local mais afectado.

2. Contactar as unidades de saúde mais próximas para saber se


tiveram casos semelhantes ou um aumento de casos com o mesmo
diagnóstico.

3. Envolver a comunidade e o técnico da unidade sanitária local na


planificação e implementação da investigação. A informação sobre

129
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

os costumes locais, a cultura e as rotinas podem ajudar no êxito da


investigação sobre o surto.

[Link] autorizações necessárias


Obter e respeitar as autorizações, certificados, normas éticas e licenças que
sejam adequadas e necessárias para a investigação. Além das autorizações
oficiais, garantir a inclusão de acordos de autoridades locais com influência
dentro da comunidade.

[Link] formulários e métodos para recolha de informação e


colheita de amostras

Analisar com a equipa de investigação a melhor forma de recolha e registo


da informação necessária . Por exemplo, no mínimo, o técnico deverá saber
como recolher e registar a informação numa listagem.

Seleccionar as variáveis a identificar, registar e analisar relativamente à


doença a ser investigada. De acordo com as responsabilidades do técnico,
estudar o modo de identificar e registar a informação para preparar o
seguinte:
§ Listagem para uma análise resumida em função do tempo,
local e pessoa
§ Curva epidémica
§ Mapa de localização de casos e óbitos
§ Quadros de análise dos factores de risco, grupo etário, sexo,
situação vacinal, etc.

Consultar os passos que constam da Secção 3.0.

[Link] transportes

Fazer os preparativos necessários para assegurar o transporte de ida e


volta ao local da investigação e para viajar durante a investigação.
Certificar-se de que está assegurado o transporte das amostras para os
laboratórios apropriados.

130
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

[Link] material para a colheita de amostras laboratoriais


Em todos os municípios, deve existir um kit de resposta rápida, que contém
material e equipamento para efectuar a investigação (incluindo material de
laboratório).

Se não houver um kit desses no município, ler as orientações específicas sobre


a doença e falar com os técnicos de laboratório, para saber que material de
laboratório é necessário para uma colheita, acondicionamento e transporte
adequados das amostras para os laboratórios.

Recomenda-se obrigatoriamente o uso de equipamento de protecção


individual (EPI) e de produtos de desinfecção.

Consultar a carta laboratorial na secção 1.0 e as orientações específicas das


doenças na secção 8.

4.5 Confirmar a ocorrência do surto

4.5.1. Estudo da história clínica e epidemiológica

Examinar o doente ou doentes para confirmar se os seus sinais e/ou


sintomas correspondem à definição do caso. Perguntar ao doente ou a um
membro da sua família que possa falar por ele:
§ Onde mora?
§ Quando começaram os sintomas?
§ Há mais alguém doente em sua casa (ou local de trabalho,
aldeia, bairro)?
§ Fez alguma viagem recentemente?
§ Onde vivia nas duas semanas anteriores ao aparecimento dos
sintomas (residência na altura da infecção)?
§ Recebeu alguma visita nas 2 últimas semanas?
§ Esteve recentemente em contacto com aves ou outros
animais doentes ou mortos (para as zoonoses)?
§ Que vacinas recebeu recentemente (para EAAV)

131
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

4.5.4 Recolher amostras e obter resultados laboratoriais para


confirmar o diagnóstico.

Se a doença puder ser confirmada por análise laboratorial, consultar o


protocolo laboratorial da secção 1.0 para determinar qual o teste de
diagnóstico e a amostra que são necessários. O protocolo também
descreve como colher, acondicionar e enviar a amostra e quantas
amostras devem ser colhidas para confirmar um surto de uma
determinada doença.

Analisar os resultados laboratoriais com a equipa de investigação, os


clínicos e os técnicos de laboratório da unidade sanitária. Os resultados
laboratoriais condizem com os resultados clínicos? Quando houver dúvidas
sobre os resultados laboratoriais, pedir ajuda aos gestores de programas
de nível central ou aos especialistas técnicos.
(b) Implementar uma resposta imediata

4.5.3 Isolamento e tratamento de casos, de acordo com as


necessidades

Reforçar a gestão dos casos na unidade sanitária (ou onde os doentes estiverem a
ser examinados). Fornecer aconselhamento, apoio e material à unidade sanitária,
em conformidade com as orientações para gestão de casos. Por exemplo:

· Monitorizar os sinais e sintomas do doente

· Tratar o doente com os medicamentos e esquemas terapêuticos


recomendados

· Ajudar a unidade sanitária a reforçar o combate à doença, de acordo


com as necessidades, conforme a doença específica. Usar as precauções
normais com todos os doentes da unidade sanitária, especialmente
durante um surto de uma doença transmitida por contacto com
materiais ou fluidos corporais contaminados.
Usar precauções padrão com todos os doentes da unidade de saúde,
especialmente durante um surto de uma doença transmitida pelo contacto
com produtos contaminados e fluidos corporais

132
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

5.5.4 Busca activa de outros casos

Depois de confirmados e iniciado o tratamento dos primeiros casos proceder a uma


busca activa de outros casos.

4.5.5 Pesquisa de casos e óbitos nos livros de registo dos serviços


de urgências e consultas externas das unidades sanitárias

Nas unidades sanitárias que notificaram casos, procurar outros casos nos
respectivos arquivos. Procurar outros doentes que possam ter
apresentado sinais e sintomas iguais ou semelhantes aos do evento ou
doença que está a ser investigada. Pedir ao técnico de saúde e ao técnico
do hospital que procurem casos semelhantes nos arquivos das unidades de
saúde mais próximas.

Verificação dos óbitos nas unidades sanitárias

Ver no Anexo 18, no final desta secção, as instruções para fazer o estudo
dos registos. Garantir o acompanhamento dos casos que tenham recebido
alta da unidade sanitária .

4.5.6 Busca activa de casos e óbitos na comunidade

Identificar as áreas prováveis de risco em que os doentes tenham vivido,


trabalhado ou viajado, tais como jardim zoológico, quinta de criação de
galináceos, laboratório ou terrenos de caça.

Contactar também outras fontes de informação da comunidade, tais como


farmacêuticos, professores, veterinários (para saber da situação da saúde
animal), agricultores ou líderes comunitários.

Verificação de óbitos na comunidade ( cemitérios, conservatórias) As áreas


para essa procura podem ser influenciadas pela doença, modo de
transmissão e os factores de risco relacionados com a análise de tempo,
local e pessoa. Visitar esses locais e falar com as pessoas que tiveram ou
possam ter tido contacto com o doente. Perguntar se eles próprios ou
alguém que conheçam tiveram alguma condição ou doença como aquela
que está a ser investigada. Saber se alguém nas zonas vizinhas teve sinais
ou sintomas que correspondam à definição do caso. Recolher informação

133
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

que ajude a descrever a magnitude e a extensão geográfica do surto.


Enviar os novos casos identificados à unidade sanitária para tratamento.

4.6 Registar informações sobre os novos casos


Para cada novo caso encontrado nos registos da unidade sanitária ou nas
investigações efectuadas na comunidade que corresponda à definição de caso da
vigilância á condição ou doença em causa, registar a informação recolhida num
formulário de notificação de casos, numa listagem ou noutro formulário
recomendado.

4.7.1. Registar informação num formulário de notificação de casos

Registar a informação numa ficha de notificação de casos para, pelo


menos, os primeiros cinco doentes. Registar também a informação num
formulário de casos para todos os doentes de quem se recolhe amostras
para a análise laboratorial. Para cada caso, registar, pelo menos:
§ O nome, a morada, a aldeia ou o bairro do doente, bem como
informação sobre a sua localização ou algum ponto de
referência. Se não houver uma morada certa, registar a
informação que possa ser usada para contactar o doente, caso
sejam necessárias mais informações ou para comunicar ao
doente os resultados laboratoriais ou da investigação.
§ A idade e o sexo do doente. Esta informação é usada para
descrever as caracerísticas da população afectada pela doença.
§ A data de início dos sintomas e a data em que o doente foi
observado pela primeira vez na unidade sanitária.
§ A informação relevante sobre os factores de risco, tal como a
situação vacinal, se a doença a ser investigada for evitável por
vacinação.
§ O nome e a identificação da pessoa que comunica a
informação

Algumas doenças têm o seu próprio formulário de investigação para casos


mais pormenorizados. Uma cópia dos formulários mais pormenorizados
para o tétano neonatal e os formulários para investigação de casos de PFA,
encontram-se nos Anexos 20 e 21 desta secção. De acordo com as

134
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

orientações nacionais, os formulários mais pormenorizados para casos de


tétano neonatal e de PFA devem ser preenchidos pela unidade sanitária ou
por um membro da equipa municipal, quando o município for notificado
sobre o caso.

4.7.2. Registar a informação sobre novos casos numa listagem

Depois de se terem notificado mais de cinco a dez casos e de se ter colhido


o número necessário de amostras laboratoriais, registar todos os novos
casos numa listagem. Usar essa listagem como ficha de informação ao
laboratório, se for preciso colher, no mesmo dia, amostras laboratoriais
para 10 ou mais casos e se as amostras forem enviadas para o laboratório
num lote.

4.7. Analisar os dados sobre um surto epidémico


Os métodos para a análise dos dados sobre o surto epidémico são semelhantes aos
descritos na secção 3 para a análise dos dados. Os dados sobre o surto epidémico
são analisados e reanalisados várias vezes no decurso do surto epidémico.

Durante a fase inicial do surto epidémico procurar dados sobre o local onde o surto
está a ocorrer, para onde se desloca, a sua origem (de uma fonte comum, por
exemplo, um poço ou um funeral) e as pessoas em risco de contraírem a doença
(por exemplo, crianças, refugiadas, pessoas que vivem em áreas rurais, etc).

Apresentar os dados do seguinte modo:

· Desenhar um histograma que represente a evolução da doença (uma


curva epidémica).
· Assinalar os casos num mapa de localização.

· Fazer quadros com as características mais relevantes dos casos (por


exemplo, comparando o grupo etário com o estado vacinal, rácio por
sexo).

· Calcular as taxas de letalidade.

· Calcular as taxas de ataque.

Durante um surto epidémico, os dados deverão ser actualizados e analizados


diariamente.

135
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

4.7.1. Análisar os dados em função do tempo

Elaborar um grafico usando os dados das fichas de notificação dos casos.

À medida que o surto evolui, vai apresentando uma curva epidémica.

Os resultados da análise por tempo permitirão que os responsaveis dos


programas e os técnicos de vigilância estudem o surto e encontrem
respostas para questões como a de saber quando é que os doentes
estiveram expostos à doença e a duração do período de incubação.

Assinalar com setas os eventos significativos no gráfico. Por exemplo, rever


o registo dos surtos e rumores notificados para assinalar as datas em que:
§ o primeiro caso (ou o caso índice) teve início
§ a unidade sanitária notificou ao município
§ o primeiro caso foi observado na unidade sanitária
§ o município iniciou a investigação do caso
§ se deu início a uma resposta concreta
§ o município notificou ao nível provincial

NOTA: O interesse em assinalar estes eventos com setas é para avaliar se a detecção, a
investigação e a resposta ao surto foram feitas em tempo oportuno. Por exemplo,
monitorizar o intervalo entre o aparecimento do primeiro caso na comunidade e a
altura em que o primeiro caso foi observado na unidade sanitária é um indicador do
conhecimento que a comunidade tem sobre os sinais e sintomas da doença e a
necessidade de transferir os casos para uma unidade sanitária.

Estes intervalos voltarão a ser discutidos na secção 8.0 Avaliação e


Melhoria do Sistema. Tambem se descreve o modo de usar a informação
no gráfico, para monitorizar e avaliar a rapidez da detecção dos casos e as
acções de investigação e de resposta.

4.7.2. Análisar os dados em função do local

Assinalar o local de residência nas fichas de investigação de casos para


conhecer:

136
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ o total de casos que ocorre numa determinada área


§ a movimentação da população (viagens, transporte, etc) que
possa estar relacionados com o modo de transmissão da
doença
§ as fontes comuns de infecção.
§ Num mapa da área onde ocorreram os casos suspeitos ou
confirmados assinalar o seguinte:
i. Estradas, fontes de água, localização de comunidades
específicas e outros factores relacionados com o risco
de transmissão da doença que está a ser investigada.
Por exemplo, um mapa para o tétano neonatal inclui
locais onde existem parteiras tradicionais e unidades
sanitárias a que as mães recorrem para os partos.
ii. Localização da residência dos doentes ou as
características geográficas mais relevantes para este
evento ou doença, por exemplo, por aldeia, bairro,
campo de trabalho ou acampamento de refugiados.
Outro exemplo é localizar a escola que os doentes
frequentam, quando se procede à sua localização
durante um surto de meningite.
iii. Outros locais que sejam apropriados para a doença que
está a ser investigada. Para recomendações específicas
destinadas à análise dos dados por local, consultar as
orientações específicas da doença.

4.7.3. Analisar os dados por pessoa

Analisar as fichas de investigação de casos e óbitos e comparar as variáveis


para cada caso suspeito ou confirmado. Por exemplo, em função dos
factores a ter em conta na planificação de uma determinada resposta,
comparar o total e a percentagem de casos suspeitos e confirmados, de
acordo com:
§ Idade
§ Sexo
§ Local de Residência (urbana ou rural)
§ Estado vacinal

137
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ Doente internado ou ambulatório


§ Factores de risco
§ Evolução dos casos (alta, óbito, abandono ou fuga)
§ Resultados laboratoriais
§ Classificação final do caso
§ Outras variáveis relevantes para a doença

Usar a informação específica sobre a doença para decidir que variáveis


devem ser compararadas. Por exemplo, se for recolhida informação sobre
um surto de malária, especificar os grupos etários que são alvo do
Programa Nacional de Controlo de Malária. Comparar os grupos etários
dos casos detectados nas crianças pequenas (menores de 5 anos), dos
casos observados em crianças mais velhas (entre 5 e 15 anos) e dos casos
ocorridos em adultos (com mais de 15 anos). Para recomendações sobre
as principais variáveis que devem ser compararadas para cada doença,
consultar as orientações específicas da doença (Seccção 9).

4.8. Interpretar os resultados da análise


Interpretar os resultados da análise e retirar conclusões sobre o surto. Por exemplo:

· Qual foi o agente causal do surto?

· Qual foi a fonte da infecção?

· Qual foi o modo de transmissão?

· Que medidas de controlo foram tomadas?

4.8.1. Interpretar os resultados da análise em função do tempo

Observar a curva epidémica. Retirar conclusões sobre o momento em que


ocorreu a exposição ao agente que causou a doença, a fonte de infecção e
o período de incubação.

Por exemplo:
§ Se a curva assumir subitamente uma forma ascendente acentuada, para
depois voltar a descer com a mesma rapidez, a exposição ao agente causal

138
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

verificou-se, provavelmente, durante um período de tempo relativamente


curto. Pode, assim, existir uma fonte comum de infecção.
§ Se a curva assumir uma forma de um planalto, é mais provável que a
exposição a essa fonte comum ocorreu durante um período de tempo
prolongado.
§ Se a curva apresentar com uma série de picos cada vez mais elevados é mais
provável que a doença resultou da transmissão pessoa a pessoa, com
periodos de incubação correspondentes aos intervalos entre os picos.

4.8.2. Interpretar os resultados da análise em função do local

Deve-se usar o mapa para:


§ Descrever a extensão geográfica do problema.
§ Identificar e descrever grupos ou modo de transmissão e de exposição.
Dependendo do agente causal responsável pelo surto, especificar a
proximidade dos casos à fonte provavel de infecção.

4.8.3. Interpretar os resultados da análise por pessoa

A informação obtida da análise por pessoa é essencial para planificar a


resposta ao surto epidémico, porque descreve com maior precisão a
população em maior risco.

Por exemplo, se houver casos de febre amarela em doentes menores de


15 anos de idade, a resposta, concretizada através de acções de vacinação,
deverá ter como alvo as crianças menores de 15 anos de idade.

4.8.4. Conclusões e recomendações da investigação

Após o estudo e resultados da análise, formular conclusões e


recomendações acerca do surto:

· confirmado ou outro evento de saúde pública


· População afectada e em risco
· Possíveis causas do surto/problema de saúde pública, resultados de
laboratório, fonte de infecção, modo de transmissão, taxa de ataque, taxa
de letalidade e eventuais factores de risco

139
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Medidas já iniciadas para conter o surto


· Recomendações:
o Para controlar a situação
o Outras investigações/estudos.

Redigir um relatório sobre a investigação de surtos

A equipa municipal de investigação rápida deverá preparar de imediato um


relatório sobre a investigação do surto. Este relatório detalhado da
investigação do surto deverá ser preparado e divulgado imediatamente junto
de todos os interessados, incluindo a unidade de saúde onde ocorreu o surto.

Conduzir uma avaliação dos riscos e identificar os determinantes para


explicar a ocorrência do surto ou evento

A avaliação dos riscos pela equipa de investigação designada, deverá iniciar,


logo que possível para dar resposta às seguintes questões:

· Impacto sobre a saúde pública?


· Condição /evento invulgar ou inesperado?
· Existe um risco significativo de propagação além fronteiras?
· Existe um risco significativo de restrições ao transporte e comércio
internacionais?

O nível central pode ser solicitado a participar na avaliação dos riscos, no


fim da qual se decidirá se o evento é um potencial ESPAI, devendo assim
garantir-se a sua notificação.

140
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexos à secção 4

· Anexo 4 A Ficha de Investigação para casos de PFA


· Anexo 4 B Ficha de Investigação para casos de sarampo
· Anexo 4 C Ficha de Investigação para casos de tétano neonatal
· Anexo 4 D Ficha de Investigação para casos de Diarreia com Desidratação
Severa ou Diarreia com Sangue
· Anexo 4 E Ficha de Investigação para casos de meningite
· Anexo 4 F Fichas de Investigação para casos de Febre Amarela
· Anexo 4G Ficha genérica para investigação de outros eventos
· Anexo 4H Lista para a notificação de casos durante os surtos epidémicos
· Anexo 4 I Modelo de Registo de surtos epidêmicos e rumores
· Anexo 4 J Como analisar o registo de surtos epidêmicos e rumores
· Anexo 4 K Lista de verificação do material de laboratório a usar numa
· investigação sobre epidemias.
· Anexo 4 L Lista recomendada de equipamento de protecção individual
· Anexo 4 M Ficha de registo de contactos
· Anexo 4 N Ficha de detecção e seguimento dos contactos
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexo 4-A. Ficha de Investigação de caso de PFA

FORMULÁRIO DE INVESTIGAÇÃO DA PARALISIA FLÁCIDA E AGUDA, MINSA – PAV - ANGOLA

Preenchimento pelo Nível Central :


Epid Number: ______-______-______-______-______ Data de recepção no PAV:_____/____/____
País Província Município Ano N.º de caso

IDENTIFICAÇÃO
Província____________________ Município___________________ Comuna/ Bairro____________

Nome do paciente:__________________________________ Nome dos Pais ou responsável:_________________________________

Data do nascimento ____/____/______ ( 99 = data ignorada) Idade : _______ anos _______ meses

Sexo : M = Masculino F = Feminino

Nome da estrutura sanitária ____________________________________________ Comuna/Bairro_____________________________


Endereço do paciente:____________________________________________________________
Procedência:____________________________________________________________________

NOTIFICAÇÃO / INVESTIGAÇÃO
Técnico Notificador:_____________________________ Data de notificação:___/___/___ Data de Investigação ___/___/____

HOSPITALIZAÇÃO : Hospitalização : Data do atendimento:___/___/___


1=Sim, 2=Não

Nº processo hospitalar :__________________ Nome do Hospital :____________________________________________

HISTÓRIA CLINICA : Data do início da paralisia :___/___/___ Febre ao início da paralisia 1= Sim
2 = Não
1= Sim
Progressão máxima da paralisia em 0–3 dias: 1= Sim Paralisia Flácida: 2 = Não Paralisia Assimétrica: 1= Sim
2 = Não 9 = Ignorado 2 = Não

BE BD BE = Braço Esquerdo
Localização da paralisia BD = Braço Direito
PE = Perna Esquerda
PE PD PD = Perna Direita

DEPOIS DA INVESTIGAÇÃO: É CASO VERDADEIRO DE PFA? 1= Sim


2 = Não
Se Não , não preenche a parte seguinte do formulário

ESTADO VACINAL: OPV dose: Nascimento :__/__/__ 1ª dose :__/__/___ 2ª dose: __/ __/___
Numero total doses (sem dose de nascimento) 3ª dose ___/___/___ N.º doses de campanha Data da última dose
___/___/___
99 = ignorado

COLHEITA DAS AMOSTRAS FECAIS : Data 1ª colheita ___/___/___ Data 2ª Colheita ___/___/____
Data de envio ao nível central ___/___/____ Data de recepção ao nível central___/___/___
Data de remessa para o laboratório Inter-País ___/___/___

RESULTADOS DAS ANÁLISES DAS AMOSTRAS FECAIS Resultados do isolamento de poliovirus:


___/___/___ ___/___/____ P1 P2 P3 Ent- NP
Data de recepção da amostra pelo Estado das amostras ao chegar Data de envio dos resultados ao
Laboratório inter-pais PAV Nacional
1 = Adequada 2= Inadequadas
___/___/___ ___/___/___ ___/___/___ W1 W2 W3 V1 V2 V3 Ent-NP
Data de envio do isolado ao Lab. Data da remessa dos resultados Data de recepção dos resultados
Regional da diferenciação IT ao PAV de diferenciação IT ao PAV
1 = Sim 2 = Não

DATA DO EXAME DE SEGUIMENTO ___/___/___ BE BD Observações 1 = Paralisia residual

residual ao 60º dia 2 = Sem paralisia


PE PD 3= Perdido ao seguimento
4=Óbito antes do seguimento

CLASSIFICAÇÃO FINAL DO CASO 1 = Pólio confirmado 2 = Compatível 3 = Descartado 6 = Não é PFA


RESPONSÁVEL PELO EXAME DE SEGUIMENTO:________ __________________TÍTULO__________DATA____/_____/_____

O INVESTIGADOR : Nome :______________________________ Título .______________________ Data._______________

142
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 4-B. Ficha de Investigação de Caso de Sarampo

FORMULÁRIO DE INVESTIGAÇÃO DE CASOS SUSPEITOS DE SARAMPO, MINSA – PAV - ANGOLA

Preenchimento pelo DEFINIÇÃO DE CASO: FEBRE + ERUPÇÃO + UM OU MAIS DAS SEGUINTES SINAIS: § TOSSE
§ CORIZA
Nivel Central: § CONJUNTIVITE

Epid Number: ______-______-______-______-______ Data de recepção no PAV: ____ / ____ / _____


País Província Município Ano N.º de caso

1. IDENTIFICAÇÃO Província: __________________________ Município: ____________________________

Comuna/ Bairro
de Residencia: __________________________ Pontos de referência da área_____________________________________________

Nome do paciente:__________________________________ Nome dos Pais ou responsável:_________________________________

Data de nascimento _____/_____/_______ Idade : _______ anos _______ meses Idade Ignorada
Sexo : M = Masculino Nome da Unidade Notificadora : ________________________________________
F = Feminino

[Link]ÇÃO / INVESTIGAÇÃO / ATENDIMENTO

Data da Notificação:___/___/___ Data de Investigação ___/___/____

[Link]ÓRIA VACINAL E CLÍNICA: Vacinado: Sim (Documentado só com cartáo)


Não
Data do inicio do exantema ___/___/____
febre: sim não coriza: sim não conjuntivite: sim não tosse: sim não

Hospitalização Sim / Se sim assinalar a causa: Otite Pneumonia/Broncopneumonia Outras


( especificar )
não Diarreia/gastroenterite Meningoencefalite ----------------------------------------------------------
_

[Link] DE INFECÇÃO:
O paciente viajou nas últimas 3 semanas ? sim não
Se sim especifique onde: País______ Província:__________________________ Município:_____________________________
O Paciente teve contacto com outro caso de Sarampo ? sim não Se sim especifique quando: __ / ___ / _____
Onde?: Domicílio Vizinhança Escola Igreja outro local_________________

[Link]ÇÃO DE SURTOS / EPIDEMIAS:


Em caso de resultado laboratorial positivo (IgM), foi realizada a Investigação (Busca Activa) de outros Casos Suspeitos de Sarampo.
sim não
Se sim especifique onde: Domicílio Vizinhança Escola Igreja outro local_______________________
e o número de casos encontrados:_____________________________________

[Link] DE AMOSTRAS E RESULTADOS LABORATORIAIS


Data da colheita ____/___/_____ Data de envio da amostra ao INSP ____/___/____
Data de recepção dos resultados no PAV Nacional ___/___/____
Resultados: IgM Sarampo: Positivo Negativo Indeterminado sorologia não realizada

IgM Rubeola: Positivo Negativo Indeterminado sorologia não realizada

[Link]ÇÃO FINAL
Confirmado sarampo por laboratório Confirmado Epidemiologicamente
Confirmado rubéola por laboratório Compativel (Confirmado)
Descartado
Outras causas
[Link]ÇÃO DO CASO DEPOIS DA HOSPITALIZAÇÃO
ÓBITO ALTA

Nome do técnico de vigilância __________________________________ data:__/___/____

143
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 4-C. Ficha de Investigação de Caso de Tétano Neonatal

Frente…

144
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Verso…

145
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 4-D. Ficha de Investigação de Casos de Diarreia com Desidratação


Severa ou Diarreia com Sangue

Frente…

Verso
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 4-E. Ficha de Investigação de Casos de Meningite


Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 4F. Ficha de investigação de casos de febre amarela ou Febre


Hemorrágica (Frente)…
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

(Verso)…

152
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 4G. Ficha Genérica de Investigação de Outros Eventos


A OMS/AFRO recomenda um formulário genérico para notificação baseada em casos, que
possa vir a ser usado para registar dados escritos sobre casos individuais de doenças
prioritárias recomendadas para vigilância baseada em casos, o qual deverá incluir:
· Doenças potencialmente epidémicas (cólera, diarreia hemorrágica*, sarampo,
meningite, peste, febres hemorrágicas virais e febre amarela)

Nem todos os casos de diarreia hemorrágica são notificáveis. Só haverá notificação imediata se houver um surto
suspeito, ou porque morreu um adulto doente com diarreia hemorrágica, ou ainda porque se atingiu o limiar.
Para se saber quando notificar um surto suspeito de Shigella, deverão consultar-se as orientações específicas da
doença na Secção 9.

· Doenças visadas para erradicação ou eliminação (polio / PFA), dracunculose e tétano


neonatal). A lepra é notificada trimestralmente.
· Outras doenças recomendadas pela legislação nacional para vigilância baseada em
casos.

Se a unidade sanitária suspeitar de uma condição ou doença de uma das categorias acima
indicadas, o pessoal da unidade sanitária deverá contactar o município imediatamente por
telefone, fax, e-mail ou outro meio de comunicação rápido. Enviar o formulário como
seguimento ao relatório oral.
O formulário-modelo da página seguinte tem duas secções: na metade superior, deverá ser
registada a informação sobre cada caso individual; essa parte fornece informações que
podem ser usadas na planificação de uma investigação mais detalhada sobre o caso; a
metade inferior do formulário é um destacável a preencher pelo laboratório. Inclui espaços
para se inscreverem os resultados laboratoriais e os dados acerca da pontualidade dos
ensaios clínicos. Após o preenchimento da parte superior do formulário por parte do
pessoal da unidade sanitária ou do município, poderá fazer-se uma cópia para acompanhar
uma eventual amostra que, depois de colhida, deverá seguir para o laboratório, se for esse o
caso.

153
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

República de Angola
Ministério da saúde
Direcção Nacional de Saúde Pública
Ficha Genérica de Investigação de casos

154
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

_________________________ _________________________
Notificação da unidade sanitária Município

Ficha de Notificação para as Doenças de Notificação Imediata

£ £ £ £ £ £ £ £ £ £
PFA Cólera Disenteria Tétano Sarampo Meningite Febre Febre Raiva ____________
(*) (*) neonatal hemorrágica amarela (*) Outra
viral (*)

_____/______/______
Data de Recepção s Nível Municipal

Nome(s) do Data de Idade: ______ ______ _____


doente: _____________________ nascimento: ____/____/____ (Se a data anos meses dias
for desconhecida) (Se <12 meses) (Só recém-nascidos)

Nome do Pai ou Mãe: __________________________________________________________________

Endereço do doente:

Aldeia/bairro __________________________ Sexo: M=Masculino F=Feminino

Comuna : ___________________________________ U=Urbano R=Rural


Urbano/Rural
Ponto de Referencia:____________________________________________________________

Data do início dos sintomas: ______/_______/______

Data da consulta na unidade sanitária: ______/_____/______ Número de doses de vacina recebidas 9=desconhecido

Data de Notificação: ______/_______/______ Para Sarampo, TT e FA- documentadas por cartão. Para a Meningite, por historial.

Data da última vacinação: ______/_______/______


(Só para Sarampo, Tétano Neon. (TT na mãe), Febre Amarela e Meningite)

Doente Intern./Ambul.: 1=Doente internado Evolução: 1=Alta


2=Doente ambulatório 2=Obito
9=desconhecido
Classificação final: 1=Confirmado
2=Provável/Compatiível
3=Dispensado
4=Suspeito

Nome do Notificador: __________________________________ Data de envio da ficha para o município:_____/______/____

(*) Nestos casos a informação deverá tambem ser encaminhada ao Nivel Provincial

155
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Se houver colheita de amostra para o laboratório

Para a unidade sanitária: Se se colher uma amostrad laboratorial, completar com os dados seguintes. Enviar uma
cópia deste formulário ao laboratório juntamente com a amostra.

Data da colheita da amostra: ______/_______/______ Origem da amostra: Fezes Sangue LCR


___________
Data de envio da amostra para o lab: ______/_______/______ Outra

Para o laoratório: preencher esta secção e devolver o formulário à equipa e ao clínico do município

Data da amostra laoratorial: ______/_______/______ Estado da amostra: Adequado Não adequado

Doença _____________________Situação______Tipo de teste_____________________________

Resultados ( +, -, P=pendente: )______________________

Cólera Cultura (+, -, Pendente)________ Febre amarela IgM (+ - P) Exame directo (+ - P)____________________

Sarampo IgM (+ - P)__________________Meningite Método usado para exame directo___________________________

Rubéola IgM (+ - P)___________Detecção de vírus____________N. meningitidis Cultura(+ - P)____________________

RVF IgM (+ - P)______________S. pneumonia Cultura (+ - P)___________Latex (+ - P)______________

Ébola IgM (+ - P)________________ [Link] Igm (+ - p)_______

H. influenza Cultura (+ - P)_______ Latex (+ - P)____CCHF IgM (+ - P)__________ [Link] IgM (+ - P) ____________

Shigella Dysenteriae Cultura_______SD tipo 1__________Outra shig_________ Sem shig_______________

Peste Cultura (+ - P)__________________

Outros resultados laboratoriais: ____________

______________________
Data do envio dos resultados do laboratório para o município: ______/_______/______
_____________________
Nome do laboratório que envia os resultados: ______________________________ Outros testes pendetes:
__________________

Data do envio dos resultados lab. pelo


Data da recepção dos resultados no município: ______/_____/_____ município ao clínico:
______/_______/______
NOTA: o município é responsável por garantir a chegada dos resultados laboratoriais aos clínicos. Se isso não for feito, fica comprometida para o
futuro a colaboração com os clínicos na notificação de casos.

156
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Instruções para o preenchimento da Ficha de Notificação das Doenças de Notificação


Imediata: (para rever em função da ficha)

1. Preencher o nome da unidade sanitária, utilizando o formulário para notificação


baseada em casos.
2. Registar o nome do município que irá receber a notificação.
3. Inscrever uma cruz no quadrado que se encontra no canto superior do formulário,
para indicar qual a doença que está a ser notificada. Se a condição ou doença não for
declarada, ou se a sua causa for desconhecida, escrever o nome da condição ou
doença (ou “desconhecida”) no espaço que indica “Outras”.

Para o município:

4. Se forem usados números próprios de identificação para registar os casos notificados


ao município, registar o número de identificação (NI) no espaço respectivo.
5. Quando o relatório é recebido no município, anotar a data em que foi recebido. Caso
tenha havido notificação oral, registar a data dessa notificação.

Para a unidade sanitária:

6. Registar o nome do doente. Para os casos de tétano neonatal, anotar o nome da


mãe.
7. Anotar a idade do doente, se possível, ou a sua data de nascimento.
8. Registar as informações referentes ao endereço do doente. Incluir o nome da aldeia
ou bairro onde o doente habita. Incluir ainda o nome do município em que o doente
vive.
9. Registar as informações acerca do modo de contactar o doente ou os seus pais, para
uso posterior, se vierem a ser necessários mais dados sobre a enfermidade do
doente.
10. Anotar “M” para Sexo Masculino, e “F” para Sexo Feminino.
11. Registar a data em que o doente foi observado na unidade sanitária e a data em que
a unidade sanitária notificou a condição ou doença ao município. (O formulário
poderá servir de seguimento à notificação oral imediata.)
12. Se for conhecida, registar a data do início da doença.
13. No caso das doenças evitáveis pela vacinação, como a PFA, o tétano neonatal, o
sarampo, a meningite e a febre amarela, pedir o historial da vacinação do doente.
Registar a data da última dose da vacina contra a doença notificada. Verificar se a
dose foi administrada há mais de 15 dias. Se a vacina foi feita nos últimos 15 dias,
pode ainda não ter havido uma resposta imunitária. Não se devem contar as doses
administradas nos últimos 15 dias.

157
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Para a meningite, verificar se houve alguma vacinação durante uma


campanha em massa.
· Para o tétano neonatal, registar o número de doses de tétano toxóide,
dentro da validade, recebidas pela mãe até 15 dias antes do parto.

14. Indicar se o doente era ambulatório ou internado no momento da notificação do


caso.
15. Registar se o doente estava vivo ou se já tinha morrido no momento em que a
notificação foi feita. Se a doença foi notificada, mas o doente morreu a seguir, o
município deve ser informado da situação. O município pode mudar a informação
registada no formulário.
16. Quando a investigação dos casos estiver completa, registar “confirmada” ou “não
confirmada” no ponto “Classificação Final”. Quando, inicialmente, se tratar de um
caso suspeito, registar “suspeito” como Classificação Final.
17. O membro do pessoal da unidade sanitária que preenche o formulário deverá
assinar o seu nome, bem como a data em que o formulário foi enviado ao município.

No caso de não haver amostra colhida para análise laboratorial, o formulário está completo.
No caso de se ter colhido uma amostra para análise laboratorial, enviar uma cópia do formulário ao
laboratório, com cada uma das amostras.

18. Registar a data em que a amostra foi colhida na caixa rotulada “Com amostra para
análise”. Assinalar também a data em que a amostra foi enviada ao laboratório.
19. Assinalar com um círculo o tipo de amostra colhida (sangue, LCR, fezes, etc.).

Quando a amostra chegar ao laboratório:


20. Registar a data em que o laboratório recebeu a amostra. Anotar também o estado
em que se encontra a amostra. Ver no Anexo 3, Secção 1, a informação acerca da
garantia de qualidade das amostras. Se a amostra chegar em más condições,
informar a unidade sanitária imediatamente, de modo a permitir-lhes tomar
conhecimento de que não irá ser possível obter um resultado laboratorial fiável. A
unidade sanitária poderá então decidir enviar uma nova amostra. Dar indicações
para que a amostra chegue em boas condições.
21. Registra os resultados dos testes clínicos, de acordo com as perguntas na prte
inferior do formulário.
22. Anotar a data em que os resultados foram divulgados (oralmente ou por escrito) à
unidade sanitária e/ou ao município. Se, de acordo com a política nacional, couber ao
município receber os resultados, este deverá então informar a unidade sanitária

158
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

No município:
23. Enviar um formulário completo de notificação de casos ao nível central, para registo
dos dados e respectiva análise. Enviar também os resultados laboratoriais.

159
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 4H. Lista para a Notificação de Casos durante os surtos epidémicos


Unidade sanitária: _____________________________________ Data da recepção no município: ___________________

Município: ____________________________________________ Doença/evento: ______________________________


No. Doente Nome Aldeia ou Localidade e Sexo Idade ** Data da Data do início Evolução
ambulatório (A) / Bairro observação na da doença
Internado (I) unidade sanitária
(1)

(2)

(3)

(4)

(5)

(6)

(7)

NOTA: - Esta ficha deve ser usada após o registo dos 10 primeiros casos.
- Se ocorrerem mais de 100 casos numa semana (para sarampo, cólera, etc.) na unidade sanitária, não será preciso a listagem dos casos, anotar só o nº. total de
casos
- Se os casos anteriormente notificados tiverem resultado em óbitos, actualizar a situação na columna “Evolução”
Observações.
**Idade em anos, para mais de 12 meses, caso contrário, escrever a idade em meses ([Link]., 9m)

161
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexo 9 (Continuação)
Sintomas Apresentados (marcar com Análises laboratoriais
Número doses de “X” Amostra colhida Resultados Evolução Observações
vacina (excluir Sintoma A Sintoma B (Sim/Não). Se sim, Laboratoriais (A) – Alta
doses dadas nos data da colheita (O) – Obito
14 dias antes do (D) -
início dos Desconhecid
sintomas) o
(1)

(2)

(3)

(4)

(5)

(6)

(7)

Observações: Os dois sintomas mais frequentes tendo em conta a definição padronizada de caso (exemplo, para sarampo....).

162
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 4 [Link] de Registo de surtos epidémicos e rumores


Registar a informação verbal ou escrita das unidade sanitárias ou das comunidades sobre surtos e rumores suspeitos ou relatos de eventos sem explicação.
Registar as medidas tomadas e as actividades de resposta realizadas.

Evento ou doença Primeiros casos Local Data em que o Data em que o Resultado da investigação feita pelo
notificados (Unidade Sanitária, município foi surto suspeito município
aldeia, etc.) notificado foi investigado (Confirmado /Excluido / Desconhecido)
pelo município
(2) (6)
(1) (3) (4) (5)

163
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Modelo de Registo de surtos epidémicos e rumores (continuação)


Data de início do surto Data de Data de início de Tipo de intervenção Data em que o Data em que o Observações
(*) observação do intervenções município município recebeu
primeiro caso notificou ao nível a resposta do nivel
(7) numa unidade central central
sanitária (9) (10)
(8) (11) (13)
(12)

(*) A data de Inicio do Surto pode corresponder a: Data de passagem do limiar (data em que se notificou casos acima do limiar de acção) , Data de início do caso índice (o primeiro
caso detectado) , ou data de detecção do primeiro agrupamento de casos

164
Secção 4 Investigação de surtos suspeitos e outros problemas

ANEXO 4 [Link] analisar o registo de surtos epidémicos e rumores


A finalidade da análise do registo de surtos epidémicos e rumores é recolher informação
sobre os casos registados na unidade sanitária durante um determinado período. Explicar
que essa informação será usada para determinar as causas do surto ou o aumento do
número de casos.

1. Escolher a unidade sanitária .

De acordo com as condições locais e o evento ou doença prioritária a ser investigada,


seleccionar:

· Uma unidade de internamento que tenha mais de10 camas. Dar prioridade às
unidades sanitárias públicas .

· Hospitais de referência ou universitários, com enfermarias pediátricas, para


receberem transferências de outras unidade sanitárias .

· Unidades sanitárias que sirvam áreas remotas e populações de alto risco. Por
exemplo, grupos nómadas, refugiados ou zonas sem serviços de saúde
regulares.
2. Reunir com o pessoal da unidade de saúde e explicar a finalidade da análise

Explicar aos técnicos da unidade de saúde a finalidade da análise. A informação


ajudará o município e a unidade sanitária a determinar a acção mais apropriada para
circunscrever o surto e evitar a ocorrência de futuros casos. Sublinhar que esta
actividade é um exercício de recolha de informação e não uma avaliação do
desempenho do tecnico de saúde.

3. Combinar a data da análise.

Para analizar o registo, combinar com o tecnico uma data em que ele esteja
disponível para colaborar e responder às perguntas.

4. Identificar outras fontes de informação.

Durante a visita, consultar os registos dos internamentos nas enfermarias pediátrica


ou de doenças infecciosas. O registo dos internamentos na enfermaria pediátrica
constiui uma boa fonte de informação porque contém uma listagem de todas as
crianças internadas.

Analizar também o sistema e os procedimentos usados para anotar a informação nos


registos de diagnósticos. Certificar-se que a informação necessária para investigar
um caso suspeito está disponível.

No mínimo, o registo de doentes dessa unidade sanitária deve incluir:


· nome do doente, idade e o local de residencia
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· sinais e sintomas
· diagnóstico
· data de início dos sintomas
· evoluçao da doença (por exemplo, data da morte, se for relevante)
· estado vacinal

Se a unidade sanitária não dispõe de informação mínima, falar com o responsável


sobre como melhorar os registos para que esta possa fornecer a informação
necessária.

5. Realizar a análise dos registos na data e horário marcados

Ir para a unidade de saúde escolhida no dia e na hora marcada. Durante a visita,


verificar no livro o registo de casos e óbitos, que possam constituir casos suspeitos
de doenças prioritárias. Os casos e óbitos suspeitos, deverão corresponder as
definições de caso padronizadasdefinições de caso padronizada. Verificar se os
casos e óbitos suspeitos foram investigados e notificados de acordo com as
orientações nacionais.

6. Fazer uma listagem dos casos suspeitos encontrados.

Registar a informação obtida sobre os casos suspeitos. Essa informação será usada
durante as actividades de investigação de casos.

7. Fornecer retroinformação aos técnicos da unidade sanitária .

Reunir com o responsável da unidade sanitária e discutir os resultados da análise.


Usar essa oportunidade para melhorar o registo e o atendimento dos doentes nessa
unidade sanitária. Reforçar a importância da notificação atempada, registo correcto
dos casos e da sua investigação.

8. Notificar todos os casos suspeitos ao nível superior .

Notificar os casos suspeitos, de acordo com os procedimentos já definidos. Continuar


a investigar o caso para determinar os factores de risco do evento ou doença.
Conceber uma resposta apropriada para o caso.

166
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 4 K. Lista de verificação do material de laboratório a usar na investigação de um surto epidémico.


Para que se possam usar as normais, precauções de segurança na colheita e manuseamento de amostras, são necessários:

_____ Barras de sabão e lixívia para lavar as mãos


_____ luvas
_____ caixas herméticas para recolher e acondicionar o material e o equipamento contaminado

Para a colheita de amostras laboratoriais:

Sangue Líquido cefalo raquidiano (LCR)


_____ agulhas esterilizadas de diversos tamanhos _____ anestésico local
_____ seringas esterilizadas _____ agulha e seringa para anestesia
_____ recipientes de vácuo _____ desinfectante dérmico antisséptico
_____ tubo de ensaio para o soro _____ tubos de rosca e suporte para tubos
_____ desinfectante dérmico antisséptico _____ caixa de lamelas para microscópio
_____ garrote _____ meios com isolamento térmico
_____ tubos de transporte com rosca
-____suportes para tubos
_____algodão
_____adesivo
_____ meios de transporte - Cary-Blair, com isolamento térmico

Amostras de sangue (malária) Fezes


_____ lancetas descartáveis _____ cotonetes rectais
_____ lamelas(lâminas) de vidro com tampa _____ meios de transporte Cary-Blair
_____ caixa para lamelas (lâminas)
_____corantes (Giemsa)
_____desinfectante dérmico
_____algodão

______________________________________________________________________________
Material necessário para a colheita de urina:
____tubo
____frasco de recolha e saco colector
____lamelas (lâminas)
Se a unidade sanitária tiver centrifugadora:

_____ Pipeta esterilizada e lâmpada


167
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

_____ Copo esterilizado, tubo de plástico ou


frasco com rosca

Para acondicionar e enviar amostras:

_____ Caixa frigorífica com acumuladores de gelo ou recipiente de vácuo


_____ Algodão hidrófilo para acondicionar as amostras e evitar que se partam
_____ Rótulos para escrever o endereço do laboratório
_____ Rótulos para escrever “guardar no frigorífico” no exterior da caixa transportadora
_____ Formulários de casos ou listagens que sirvam como formulário para envio das amostras
_____ Marcador para escrever nos tubos o nome do doente e o seu número de identificação

ANEXO 4 L. Lista recomendada de equipamento de protecção Individual (EPI)


Deverá ser disponibilizado o seguinte equipamento de protecção individual para todos os profissionais que investigam um caso suspeito de
qualquer febre hemorrágica viral ou gripe aviária. O equipamento deverá estar disponível no nível municipal, provincial. Ver Anexo 28 Secção
5. Outros stocks necessários para responder a um surto suspeito.

Composição do equipamento Kits de distribuição da OMS


1 bata cirúrgica 100 batas cirúrgicas
1 capa 100 capas

1 touca de protecção 100 toucas de protecção

2 pares de óculos de protecção 50 pares de óculos de protecção

1 par de luvas de borracha 100 pares de luvas de borracha

1 máscara N95 200 peças

1 cobertura de calçado* 0

1 caixa de 50 pares de luvas de exame 800 pares de luvas de exame

1 avental plástico reutilizável 20 peças

168
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

1 par de botas de borracha 20 botas de borracha

1 pulverizador manual 2 pulverizadores de 1,5 litros cada

1 pulverizador corporal 1 pulverizador corporal de 10-12 litros

Recipientes para amostras


Fita-cola 3 rolos
Anti-embaciadores para óculos 3 frascos

Cloro
N.B: O cloro e as botas de borracha podem ser comprados localmente
* Não essencial

ANEXO 4 M. Ficha de registo dos contactos2


1
Ficha de Registo de Contactos preenchida por ………………………………………………….
Nome do doente …………..………………………….. Número do doente (se atribuído) ……………………………….….
Endereço do doente ………………………………………………….. Chefe ou líder comunitário…. ………………….….
Município/ Cidade …………………………… .….. Província/Região ………………………………….…………………
Ponto de referência…………………………………..Telefone……………………………….
Hospitalizado ……. / Encontrado na comunidade …. Se hospitalizado, Hospital ………………. Data do Internamento:………… …………..
ª
Apelido Nome Relação com Idade Sexo Chefe de Aldeia/ Chefe ou Município/ Tipo de Contacto Data do Última data de 1 Resultado
o caso (anos) (M/F) Família Bairro líder Cidade (1, 2,3,4, listar último seguimento Visita
comunitário todos) contacto

169
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

1
Contactos são definidos como pessoas que: 1 –dormiram na mesma casa com um caso ou um caso suspeito no espaço de 3 semanas
2 – tiveram contacto físico directo com o caso (morto ou vivo)
3 - tiveram contacto físico com a roupa ou fluidos corporais do doente
4 – tenham comido ou tocado num animal doente ou morto.

170
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 4 N. Formulário de detecção e seguimento de contactos (follow-up)


Formulário de seguimento de contactos por Bairro/Aldeia. Equipa Nº.………. Nome do
Voluntário.…………

Bairro/Aldeia ……………………………..… Chefe ou líder comunitário ….……………………….….

i. Comuna………………. Município/Cidade …………….….. Província …………

Apelido Primeiro Telefone Data Dias do segumento (Follow-up)


N.º Nome Idade Sex último 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21
o contacto

Registar “O” se o contacto não teve febre nem hemorragia


Registar “X” se o contacto faleceu ou teve febre e/ou hemorragia (completar o Formulário de
Investigação de Caso e se estiver vivo, transferir para o hospital).

171
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Secção 5 Preparar a resposta aos surtos e outros eventos de Saúde Pública

Esta secção descreve como:

· Criar uma Comissão de Gestão das emergências de Saúde Pública


· Criar uma Equipa Muncipal de resposta rápida às Emergências
· Elaborar um plano de preparação e resposta às epidemias
· Preparar uma reserva de contingência de medicamentos, vacinas,
reagentes e material
· Elaborar mapeamentos de riscos, em caso de surtos e/ou eventos
de saúde pública

172
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

5.0 Preparar a resposta aos surtos e a outros eventos de


saúde pública
Uma emergência de saúde pública, como um surto ou evento, exige uma resposta
imediata. Estar preparado para detectar e responder a uma ocorrência dessas é um dos
principais papéis do município.

Exemplos de preparação antecipada incluem:

· identificar membros-chave da Comissão de Gestão das emergências de Saúde


Pública
· identificar os recursos disponíveis
· calcular e adquirir o material necessário.

Se estes passos forem cumpridos antes de um evento acontecer, o sistema de saúde terá
condições para funcionar rapidamente, de forma eficaz e eficiente para prevenir mortes ou
incapacidades desnecessárias devidas à emergência.

Esta secção descreve os passos para organizar actividades de preparação no município.

Essas actividades devem ser realizadas através do sistema de saúde e podem ser
guiadas por um plano de preparação nacional (Plano de contingência).

O plano deve conter os papéis e responsabilidades da Comissão de Gestão das


Emergências de Saúde Pública e Equipas de Resposta Rápida ás Emergência, a nível
central, provincial e municipal.

As orientações de preparação nacional são implementadas ao nível provincial, de modo


a desenvolver planos de contingência e outras actividades de preparação.

5.1 Criar uma Comissão Municipal de Gestão das


Emergências de Saúde Pública

As Comissões de Gestão das Emergências de Saúde Pública a nível municipal, trabalham em


conjunto com os seus equivalentes a nível provincial e nacional, de modo a planificar e

173
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

monitorizar a implementação de planos de emergência para a saúde pública. Estas comissões


são compostas por membros técnicos e não técnicos da saúde e outros sectores.

O papel da Comissão é desenvolver e supervisionar a implementação dos planos de acção e dos


procedimentos de emergência.

5.1.1 Definir as funções da Comissão de Gestão das emergências de


Saúde Pública.
A Comissão Municipal de Gestão das emergências de Saúde Pública deve reunir-se para
elaborar o plano de preparação e resposta às emergências do município. Assim que o plano
esteja preparado, a comissão deve revê-lo e actualizá-lo periodicamente, como resposta a
qualquer alteração epidemiológica, técnica ou administrativa do município.

As principais funções da Comissão Municipal de Gestão das emergências de


Saúde Pública são:

· Elaborar um plano municipal de preparação e resposta às emergências que


tenha em conta todas as possíveis situações de emergência, incluindo
surtos e detecção de outros eventos de saúde pública.

· Criar um plano de comunicação a comunidade, para partilhar informações


com as comunidades; antes, durante e depois de qualquer emergência. O
plano deverá incluir a disseminação da informação para o público e
comunicação social, incluindo actividades de coordenação com parceiros.

· Mobilizar recursos para a prevenção e controlo de emergências, incluindo a


aquisição de material de resposta e de comunicação. Planificar a
monitorização do uso de recursos, antes, durante e após ocorrência das
emergências.

· Apoiar a compra do stockde contigência para o município.

· Melhorar a ligação com pontos focais de vigilância da comunidade, de modo


a assegurar o fluxo de dados na detecção precoce de eventos de saúde
pública.

174
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Coordenar actividades de mapeamento de riscos da comunidade dentro do


município e assegurar que todas as unidades de notificação estejam cientes
do uso de limiares, para notificar surtos ou eventos de saúde pública.

· Coordenar a formação dos agentes comunitários e dos profissionais de


saúde das unidades sanitárias do município, no domínio da preparação e
resposta às emergências.

· Planificar periodicamente a execução de actividades de simulação de


resposta às emergências, ao nível do município e da comunidade.

· Coordenar a avaliação da pós-emergência e planificar a divulgação dos


resultados pelas comunidades afectadas.

5.1.2 Identificar membros para a Comissão Municipal de Gestão


das Emergências de Saúde Pública

As comissões devem ser organizadas de modo que sejam multidisciplinar e


multisectoriais.

No sector público deve incluir:

· Administrador Municipal
· Comandante Municipal da polícia
· Representante da DSS/FAA
· Representantes da comunidade (líderes comunitários, igrejas, terapeútas
tradicionais) do município
· Chefe de Repartição de Saúde
· Médico Clínico
· Técnico de Vigilância Epidemiológica
· Técnico de Laboratório
· Técnico de Saúde Ambiental
· Veterinário

Das organizações não-governamentais com prestações de cuidados de saúde no


local, devem incluir representantes de:

175
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Programas de saúde comunitários e hospitais das missões.


· Cruz Vermelha e outras ONG locais.

Do sector privado, é necessário envolver a participação de:

· Clínicos ou de enfermeiros de hospitais, clínicas ou laboratórios


privados
· Farmacêuticos ou químicos.

5.1.3 Reunir regularmente, antes,e durante e depois de um evento


de saúde pública

Quando não existir uma epidemia, a comissão deve:

· Reunir-se para rever as tendências das doenças do município, bem como


as actualizações do processo de preparação adoptado pelo município
· Rever o nível de preparação no início de cada estação de epidemias (por
exemplo, antes do período em que os casos de gripe começam a
aumentar)
· Partilhar as conclusões e recomendações destas reuniões com as
autoridades, a nível provincial e nacional.
· Organizar exercícios/treinos de simulação para testar os planos da
operação.

Durante a resposta a surtos epidémicos ou emergências, a comissão deve:

· Reunir-se assim que a epidemia ou evento forem reconhecidos


· Verificar a necessidade e solicitar apoio da comissão provincial ou nacional
ou das Equipas de Resposta Rápida.
· Reunir-se diariamente no início de um surto ou epidemia e semanalmente,
enquanto a resposta à epidemia está a decorrer.
· Rever regularmente a resposta à epidemia e tomar a iniciativa, de modo a
melhorar as acções de controlo da epidemia.
· Elaborar relatorios e comunicar as acções de resposta à epidemia ao nível
superior.

Depois da resposta a surtos epidémicos ou emergências, a comissão deve:

176
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Reunir-se assim que a epidemia ou evento for controlado


· Verificar a necessidade da reposição do stock de contigência
· Avaliar as actividades de resposta á emergência e divulgar os resultados as
comunidades afectadas
· Tirar lições aprendidas e elaborar relatorios para comunicar os resultados
da avaliação da resposta

5.2 Criar uma Equipa Municipal de resposta rápida às


Emergências

Uma Equipa de resposta rápida é uma equipa técnica, multidisciplinar,


prontamente disponível para uma rápida mobilização e deslocação em caso de
emergência.

5.2.1 Identificar membros da Equipa Municipal de Resposta Rápida


às Emergências
A Equipa Municipal de Resposta Rápida às Emergências deve incluir os seguintes
membros:

· Um epidemiologista ou técnico de saúde pública (por exemplo o técnico de


controlo das doenças.)
· Técnico de laboratório
· Médico clínico
· Técnico de saúde ambiental
· Técnico veterinário
· Outros, com base na disponibilidade do pessoal técnico e de acordo com a
especificidade do surto (por exemplo, peritos em envenenamento
industrial ou eventos químicos).

5.2.2 Definir papéis e responsabilidades da Equipa Municipal de


Resposta Rápida

· Investigar rumores, surtos notificados e outras emergências de saúde


pública

177
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Propor estratégias apropriadas e medidas de controlo, incluindo


actividades de comunicação dos riscos.
· Coordenar acções de resposta rápida com parceiros e outras agências.
· Iniciar a implementação das medidas de controlo propostas, incluindo a
formação de capacidades
· Preparar relatórios de investigação detalhados
· Contribuir para a avaliação final da resposta ao surto.

5.3 Criar um plano de preparação e resposta às


epidemias
O objectivo do plano é fortalecer a capacidade de resposta rápida do município
caso seja detectado um surto ou evento de saúde pública.
Este plano deve:

· Ser baseado nas avaliações de risco do município e deve especificar os


recursos disponíveis para a preparação e resposta a uma epidemia.
· Ter em consideração as doenças de potencial epidémico do município e
outros municípios vizinhos.
· Fornecer estimativas sobre a população em risco de contrair doenças de
potencial epidémico e outros eventos de saúde pública.
· Indicar em cada surto suspeito, o laboratório de referência usado para a
confirmação do diagnóstico.
· Fornecer estimativas sobre as quantidades de medicamentos, vacinas e
material necessário para cada doença de potencial epidémico que possa
ocorrer no município.
· Ser testado antes da sua implementação.
· Incluir os Procedimentos Operacionais Padrão (POP) no plano de treino.
Principais secções do plano de preparação e resposta às epidemias:
1. Comissões de coordenação designadas
2. Vigilância epidemiologia, incluindo gestão de dados
3. Passos para executar uma estratégia de comunicação de riscos incluindo mobilização social
4. Acções operacionais de acordo com as fases previstas da epidemia
5. Laboratório: colheita, tratamento, transporte e processamento de amostras
6. Gestão dos casos, tratamentos (antiviral, antimicrobiano, descontaminação, desinfecção ou outros como indicado) e
controlo das infecções
7. Tratamento profiláctico pré e pós exposição
8. Estratégias de vacinação
9. Actividades de contenção rápida e métodos adicionais se a contenção rápida falhar.
10. Capacitação de todo pessoal envolvido incluindo reuniões de sensibilização e simulações
11. Logística, incluindo as listas de material
12. Ambiente, água e saneamento
13. Monitorização do surto ou evento.

178
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

5.4 Preparar um stockde contingência de


medicamentos, vacinas, reagentes e material.

Os surtos e outras emergências de saúde pública necessitam de uma rápida mobilização de


recursos como vacinas, medicamentos e material de laboratório. É prudente estabelecer e
preparar o armazenamento de materiais antes que aconteça uma emergência.

Os municípios devem possuir um stock de contingência de medicamentos, vacinas, reagentes e


material na sequência da actividade de avaliação de riscos para a saúde pública, de modo a
permitir a gestão rápida e sem demora dos primeiros casos, antes que chegue o apoio dos
níveis superiores.

É necessário monitorizar regularmente e de forma cuidadosa esse stock de contingência, de


modo a evitar escassez ou expiração dos prazos de validade de medicamentos, vacinas,
reagentes e material. Exemplos de instrumentos de gestão de stock estão incluídos nos anexos
no final desta secção.

O conteúdo do stock reserva de contingência varia consoante a natureza das doenças de


potencial epidémico e o risco de surtos no município. As actividades de avaliação de riscos
ajudam a desenvolver uma lista de materiais que devem ser armazenados a nível do município
e da comunidade. Uma lista dos medicamentos e material de contingência sugeridos está
disponível no Anexo 5A, no final desta secção.

5.4.1 Fazer a gestão do stock para resposta aos surtos

Manter um stock seguro de material e equipamento, para responder a um surto


ou um evento de saúde pública.

Utilizar uma lista de verificação do inventário, como a apresentada no Anexo 5B,


para averiguar qual o material já disponível, durante uma actividade de resposta.
Se o material estiver disponível, determinar se pode ser usado durante uma
resposta. Se não estiver disponível, determinar se pode ser comprado ou
requisitado pelo municipio, pela provincia e pelo sistema nacional de compras.

Por exemplo: Periodicamente, de 4 em 4 meses, confirmar se o material está


seco, limpo e pronto a ser utilizado.

179
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

No mínimo, executar as seguintes tarefas (relevantes para cada nível),


para estimar o material necessário, inventariar o que estiver disponível e
planificar a compra de artigos essenciais a usar numa resposta.

1. Fazer uma lista de todo o material necessário para levar a cabo a


vigilância, nomeadamente produtos de laboratório e equipamento de
resposta, que permitam detectar e responder às doenças ou eventos de
Saúde Pública. Ter em consideração:
a. Formulários
b. Reagentes e material de laboratório
c. Material para a gestão dos casos e intervenção no terreno.
2. Fazer um inventário e anotar a quantidade de cada artigo disponível.
3. Completar e actualizar de forma regular a folha de balanço de cada artigo.
4. Observar os prazos de validade e executar as melhores práticas logísticas
para embalar, enviar, armazenar e descartar materiais e equipamentos.
5. Estabelecer uma quantidade necessária ou mínima para cada artigo, que
seria e disponível, de modo a cumprir uma actividade de investigação ou
resposta. Ter em consideração factores logísticos, epidemiológicos e
laboratoriais ao estabelecer as quantidades mínimas.
6. Monitorizar a quantidade de stock, em relação à quantidade necessária
estabelecida.
7. Notificar, de forma regular, a situação do stock de VID-R. Ver o Anexo 5C,
para observar um exemplo de uma transacção de um artigo de stock e de
uma folha de balanço.

5.5 Mapeamento dos riscos em caso de surtos e outros


eventos de saúde pública.

As actividades de preparação devem ser contínuas e actualizadas periodicamente. Isto inclui a


avaliação dos riscos, com potencial para afectar a saúde da comunidade.

Estas actividades de avaliação de riscos podem incluir a avaliação das fontes de água potável ou
métodos de armazenamento de alimentos. Regularmente, uma vez por ano, por exemplo,
avaliar esses riscos e registar essa informação num mapa.
O mapeamento de riscos deve ser alargado a todos os riscos de saúde pública especificados no
RSI (2005), incluindo químicos, zoonóticos, radiológicos e nucleares.

180
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexos à Secção 5

· ANEXO 5ª Componentes essenciais dos stocks para responder aos surtos

· ANEXO 5B Relatório da situação dos stocks

· ANEXO 5C Ficha de transação e de balanço de componentes de um stock da


VID-R

181
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 5 A. Componentes essenciais dos stocks para responder aos surtos


Componentes essenciais de stocks para responder aos surtos
Medicamentos Desinfectantes, Material Vacinas Equipamento
Insecticidas e
Raticidas
Seringas auto- Vacinas da Sacos para
Benzilpenicilina Desinfectantes
destrutíveis meningite A e C cadáveres
Seringas auto- Vacinas da
Ciprofloxacina Cloro a 2% Baldes
destrutíveis meningite ACW135
Mosquiteiros de Vacinas conjugadas
Diazepam Lixívia Kits de campismo
cama da meningite
Hipocloreto de Equipamento de
Doxiciclina Velas
Cálcio protecção pessoal
Medicamentos para Material de
Cresol Sarampo Computador
cuidados de apoio laboratório
Hipocloreto de
Eritromicina Redes mosquiteiras Febre Amarela Recipientes
sódio
Tubos nasogástricos Equipamento de
Ácido nalidíxico Pesticidas Outras vacinas
2.7 mm OD, 38 cm cozinha
Cloranfenicol Tubos nasogástricos
Cipermetrina Combustível
oleoso 5.3 mm OD, 50 cm
Sais de Reidratação
Malation Agulhas Lanternas
Oral
Kits de aplicação
GPS, recargas
intravenosa
Paracetamol Permetrina telefónicas, correio
(tamanhos
electrónico
diferentes)
Candeeiro de
Penicilina G Raticidas Colheres de chá
querosene
Soro de Pulverizadores
Brodifacoum Lab: ver anexo 5A
reidratação: (bomba e difusor)
Ribavirina Bromadione Candeeiros
Lactato de Ringer Mapas
Estreptomicina Parafina
Tetraciclina Telefones
Trimetroprim
Folhas de plástico
/sulfametoxazole
Gerador
Rádio
Pulverizadores

182
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 5B. Relatório de situação dos stocks

Vigilância, Preparação e Resposta às Epidemias: Relatório da Situação de Stocks

Ano:
Relatório diário (dia/mês/ano):
Período de notificação:
Nome das unidades de notificação:
Município:
Província:
País:
Stock Quantidade Stock Quantidade Balanço Observações, decisões e
Descrição dos itens
inicial recebida total saída do stock recomendações

Nome, Título e Função do Responsável:

183
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 5C. Ficha de transação e de balanço dos componentes de um stock da VID-R


Ficha de transação e de balanço dos componentes de um stock da VID-R
Descrição do Doador ou Destino ou Observações/

Assinatura (Nome
Prazo de validade

Quantidade saída

Balanço do Stock
Componentee Fornecedor Beneficiário Comentários

Número do lote
Laboratório ou

Localização no

(Dia/Mês/Ano)
Carta de porte

das operações
Apresentação
(Nome)

Quantidade
(unidade de

Número de
Fabricante

transacção
atribuição
Armazém

armazém

e função)
recebida
compra)

(US$)
0 Inventário

Usar uma ficha por cada componente do stock e actualizá-la sempre que houver uma transacção

184
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Secção 6 Resposta aos Surtos Epidémicos e a Outros Eventos de


Saúde Pública

Esta secção explica como:

· Convocar a Comissão de Gestão das emergências de Saúde Pública para


melhorar a resposta aos surtos epidêmicos e outros eventos de saúde
pública.

· Mobilizar a Equipa Municipal de Resposta Rápida às Emergências para uma


acção imediata.

· Seleccionar as actividades de resposta apropriadas para os problemas


de saúde pública com base na investigação epidemiológica, resultados
laboratoriais, bem como nas recomendações específicas para as
doenças.

· Apresentar regularmente relatórios de situação sobre os surtos e


eventos.

· Documentar a resposta.

185
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

6.1 Responder aos surtos epidémicos e a outros eventos


de saúde pública
A finalidade da Estratégia de Vigilância Integrada das Doenças e Resposta, é usar os dados
para as acções de saúde pública.

Esta secção descreve os passos necessários para dar resposta a:

· um surto confirmado de uma doença prioritária (por exemplo, um


surto confirmado de cólera), ou evento de saúde pública,

· tendências detectadas na análise de rotina que indiquem que não


houve alteração do número de casos ou óbitos apesar das
intervenções do programa de saúde.

Quando se detecta um surto de uma doença prioritária ou evento de saúde pública, a


resposta deve ser imediata. Deve se investigar, para determinar a causa do problema. Os
resultados da investigação devem ser usados para seleccionar a resposta a dar.
As respostas bem sucedidas são levadas a cabo com a participação das comunidades,
incluindo uma componente de educação da população para a mudança de
comportamentos. Independentemente da resposta específica recomendada, o papel do
município na selecção e implementação de uma resposta é essencial, para salvaguardar a
saúde e o bem-estar das comunidades.

Quando se identifica um problema através da análise da informação de rotina, é preciso


seleccionar uma resposta apropriada e agir. Em ambos os casos a informação e a
planificação das actividades de resposta devem ser coordenadas com os técnicos do nível
municipal indicados para tal. Para dar resposta às doenças potencialmente epidémicas, as
respectivas actividades serão planificadas pela Comissão de Gestão das Emergências de
Saúde Pública.

Para as situações em que as metas de redução das doenças não estão a ser atingidas
conforme se esperava, o técnico de vigilância municipal trabalhará com o responsável
pela prevenção e controlo da doença específica, a fim de tomarem as medidas
necessárias.

Tendo em conta a orientação do Regulamento Sanitário Internacional, os municípios


devem estar envolvidos na resposta a outras infecções zoonóticas, eventos químicos,
radionucleares e outros eventos desconhecidos, se forem detectados.

186
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Quando há confirmação de um surto ou evento de saúde pública, a Comissão de Gestão


das Emergências de Saúde Pública é convocada para avaliar e implementar a resposta.

A Comissão de Gestão das Emergências de Saúde Pública deverá:


1. Determinar com base nos dados da vigilância, as tendências
que possam constituir uma preocupação para a saúde pública.
2. Comunicar o surto ou evento ao nível seguinte.
3. Solicitar a libertação dos fundos de resposta aos surtos ou
evento.
4. Alertar os municípios vizinhos para o surto. Se esses estiverem
a ser afectados por um surto semelhante, coordenar os
esforços de resposta.
5. Atribuir responsabilidades claras aos indivíduos ou equipas,
para a implementação de actividades específicas de resposta.
6. Orientar ou capacitar e disponibilizar material relevante, à
equipa municipal de resposta e ao pessoal da unidade sanitária.
7. Certificar-se de que os técnicos das unidades sanitárias do
município conhecem e usam as definições de casos e os
protocolos estabelecidos para o tratamento dos casos e
doenças prioritárias.
8. Rever, controlar e actualizar os recursos (humanos, materiais, e
financeiros) destinados à resposta aos surtos epidémicos:
- pessoal treinado
- equipamento, material e medicamentos para tratamento
- recursos para transporte e comunicações
- material para colher e enviar amostras para confirmação
laboratorial
- material para vacinação
- procedimentos para adquirir stocks de vacinas e material
gastável numa situação de emergência e proceder uma
vacinação de bloqueio.
9. Verificar periodicamente o stock de material de emergência
(por exemplo: de 4 em 4 meses), para garantir que esteja em
condições para uso imediato.
10. Se não houver material disponível localmente:

· Contactar o nível provincial ou central, para fornecimento.


· Solicitar a outras instituições ou organizações não
governamentais que existam na área
· Identificar outros meios ou substitutos não dispendiosos.

187
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

11. Certificar se os técnicos da unidade sanitária e do laboratório


conhecem e aplicam as normas para confirmação laboratorial.
12. O nível central, em colaboração com o município e a provincia,
avaliará se o evento é um potencial ESPAI, usando o
instrumento de decisão nº2.

6.2 Reuniões periódicas com a Comissão de Gestão das


Emergências de Saúde Pública
A Comissão Municipal de Gestão das Emergências de Saúde Pública deve reunir-se
periodicamente, quer exista ou não um surto epidémico, ou evento de saúde pública.
Logo que se identifique um surto epidêmico, a comissão deve ser convocada, manter
reuniões periódicas para planificar, implementar, monitorizar e elaborar relatórios sobre
a resposta face ao surto epidêmico.

A comissão provincial terá uma estrutura similar a da comissão municipal.


Mobilizar a Equipa Municipal de Resposta Rápida às Emergências

v A equipa de resposta rápida deve ser identificada durante as


actividades de preparação.

v A equipa técnica deve estar disponível para uma rápida mobilização


e deslocação em caso de emergência.

6.3 Seleccionar o tipo de resposta a um surto epidémico


ou evento de saúde pública
Após a confirmação é preciso identificar as actividades de resposta. Deve-se
consultar as orientações específicas para a doença ou evento que envolvam:

· medidas para reduzir a morbilidade, mortalidade e a incapacidade


devidas à causa específica da doença ou do evento.

· uma combinação de actividades para controlo imediato da doença ou


do evento a curto prazo e para redução do risco da actual transmissão
a longo prazo, através de actividades de prevenção.

· participação das comunidades, unidades sanitárias e pessoal técnico


do município.

188
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Consultar na Secção 9 as actividades de resposta as epidemias específicas de


determinadas doenças.

6.4 Planificar actividades de resposta aos surtos


epidémicos
Na planificação das actividades devem ser considerados os seguintes factores:

1. se houver necessidade de fundos adicionais para fazer face a


uma situação de emergência, deve-se determinar os
procedimentos para os obter. Por exemplo, perguntar ao nível
provincial ou central qual o mecanismo necessário para obtê-
los.

2. se for preciso colher amostras laboratoriais num local distante,


deve-se determinar o procedimento para o transporte das
amostras. Certificar-se que o procedimento de transporte
permita que as amostras:

- sejam mantidas à temperatura recomendada


- cheguem ao laboratório o mais rápido possível.

3. Identificar as áreas ou populações de alto risco relativamente a


doença ou evento . A análise dos dados deve permitir
caracterizar o surto epidémico.

13. Deve-se analisar :

- a taxa de incidência
- a taxa de letalidade
- a taxa de ataque
- a extensão dos factores de risco
- a taxa de cobertura vacinal, etc.

4. Os municípios vizinhos ou as áreas delimitadas deverão ser


alertados sobre a ocorrência do surto epidêmico devendo
coordenar esforços para a resposta. Por exemplo:

- obter material e recursos


- definir mensagens e elaborar material para a educação
sanitária
- realizar actividades de vacinação de bloqueio enviar
amostras para confirmação laboratorial.

189
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

5. Actualizar a lista de material e recursos necessários. Obter o


material de emergência e armazená-lo, ao nível municipal e
provincial.

6. Atribuir tarefas e responsabilidades pelas actividades de


resposta específica às unidades sanitárias e aos diferentes
intervenientes.

7. Formar e fornecer material, para que o técnico de saúde seja


capaz de:

- manter registos pormenorizados sobre as actividades de


resposta. Por exemplo, manter uma ficha de registo das
pessoas que foram vacinadas; uma lista das mensagens
didácticas direccionadas para o nível comunitário, dos
canais de comunicação e do cronograma de actividades de
educação das comunidades; uma lista das pessoas que
receberam mosquiteiros tratados com insecticida .
- durante toda a actividade de resposta, analizar a
informação sobre os casos, a confirmação laboratorial e o
tratamento.
- identificar os problemas na implementação das actividades
e se necessário, modificá-las.

6.5 Implementar actividades de resposta


As actividades de resposta incluem:

· reforçar o manuseamento correcto e seguimento dos casos

· actualizar os conhecimentos dos técnicos de saúde

· realizar uma campanha de vacinação de emergência (vacinação de


bloqueio)

· reforçar a vigilância durante as actividades de resposta ao surto


epidêmico

· informar e educar a comunidade

· melhorar o acesso à água potável

· melhorar o saneamento básico (remoção dos dejectos e do lixo)

· melhorar as práticas de manipulação de alimentos

190
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· reduzir a exposição aos insectos (mosquitos)

· controlar os vectores animais

Consultar as orientações específicas para cada doença na Secção 9.

6.6 Reforçar o manuseamento correcto e seguimento


dos casos

Tomar medidas para melhorar a prática clínica. Estudar as recomendações do


Anexo 22 sobre o tratamento e seguimento dos casos durante um surto epidémico. Por
exemplo:
§ Verificar se em cada unidade sanitária, o técnico conhece a
definição de caso e usa os protocolos recomendados.
§ Certificar se a doença pode ser confirmada
laboratorialmente e se os técnicos solicitam e recebem a
confirmação laboratorial.
§ No caso de uma epidemia, identificar um local que possa
albergar um grande número de doentes.
§ Implementar medidas de controlo das infecções e mitigação
dos riscos, por exemplo:
Ø Criar uma enfermaria de isolamento para as doenças
altamente contagiosas (FHV, Cólera, SARS, etc.)
Ø Certificar-se de que o pessoal de saúde têm e
utilizam material de protecção pessoal para todas as
doenças infecciosas (especialmente FHV e a SARS)
§ Disponibilizar medicamentos e o material de tratamento
necessário.

6.7 Actualizar os conhecimentos do técnico de saúde


1. Dar instruções claras e concisas aos técnicos de saúde que
participam nas actividades de resposta.

2. Seleccionar os temas para a formação: destacar o tratamento e


seguimento de casos, relativamente à doença específica, de acordo
com as recomendações. Seleccionar outros temas para a formação
tendo em conta o risco de transmissão da doença, por exemplo:

191
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

intensificação das medidas de prevenção (uso de água potável,


lavagem das mãos e eliminação de material contaminado)
uso de material de protecção (batas, luvas, máscaras, botas, etc.)
desinfecção de superfícies, vestuário e equipamentos
isolamento dos doentes
protocolos de tratamento, tais como a administração de sais de
reidratação oral (SRO) e o uso de soluções endovenosas
manipulação segura dos cadáveres.

3. Implementar a formação: em situações de emergências, muitas


vezes não há tempo para uma formação completa. Realizar a
formação em serviço ou pessoa a pessoa. Por exemplo, pedir a
um clínico habilitado que faça demonstrações prácticas nas
enfermarias. Criar oportunidades para que os formadores
(médicos e enfermeiros) possam supervisionar os formandos.

6.8 Realizar campanha de vacinação de emergência


(vacinação de bloqueio)
1. Colaborar com o chefe de repartição municipal ou
responsável da imunização (PAV) para a realização de uma
campanha de vacinação de emergência. Planificar a
campanha de vacinação o mais rápido possível, porque é
preciso tempo para obter e distribuir as vacinas.

2. Determinar a população alvo.

3. Consultar as orientações da Secção de Imunização (PAV)


sobre a administração da vacina indicada.

Nos Anexos 24 e 25, encontram-se orientações sobre a organização de uma campanha de


vacinação.

6.9 Reforçar a vigilância durante as actividades de


resposta ao surto epidémico
Durante a resposta a um surto epidémico, o pessoal das unidades sanitárias deve estar
em constante alerta. Certificar-se de que:

192
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ Fazem a busca activa de casos na comunidade - procuram


outras pessoas que tenham a doença em causa e as
encaminham para tratamento nas unidades sanitárias ou
centros de tratamento (por exemplo, no caso da cólera).
§ Aplicam as medidas de prevenção recomendadas (por
exemplo no caso da peste, aplicar a quarentena as casas
afectadas).
§ Actualizam os registos e acompanham a eficácia das
actividades de resposta à epidemia.

· Asseguram ao pessoal envolvido os resultados laboratoriais


em tempo oportuno
· Actualizam análise mínima dos dados por tempo (epi-curva),
pessoa (idade e sexo) e lugar (mapeamento dos casos).
· Fazem relatórios diários, no início da epidemia. Quando a
epidemia estiver instalada, a comissão pode decidir elaborar
os relatórios com uma frequência diferente.
· Localizam e seguem activamente os contactos.

6.10 Informar e educar a comunidade


A comunidade deve ser imediata e continuamente informada, para evitar o pánico e
encorajar a sua colaboração nas actividades de resposta à epidemia. Elaborar e divulgar
mensagens para a informação e educação da comunidade, para que sejam capazes de:
§ evitar o contagio
§ reconhecer os sinais e sintomas da doença
§ recorrer a unidade sanitária mais próxima

1. Decidir o que comunicar, (consultar as recomendações


específicas na Secção 9). Incluir:
§ sinais e sintomas da doença
§ como tratar a doença em casa, se for recomendado o
tratamento em casa
§ medidas de prevenção que sejam viáveis e que ajudem a
impedir a transmissão da doença
§ quando recorrer à unidade sanitárina
2. Recomendações sobre a vacinação, se necessário

193
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

3. Decidir como redigir a mensagem. Certificar que a mensagem:

§ usa terminologia local


§ é clara e concisa
§ respeita a tradição e os hábitos culturais locais.

No Anexo 27 há alguns exemplos de mensagens para a


educação das comunidades.

4. Seleccionar os métodos de comunicação apropriados que


existem no município. Por exemplo:
§ rádio
§ televisão
§ jornais
§ encontros com pessoal de saúde, comunidade e líderes
comunitários
§ cartazes
§ desdobráveis
§ palestras em mercados, unidades sanitárias, escolas,
igrejas, grupos comunitários de mulheres e outros, etc.

5. Divulgar mensagens de educação sanitária para as comunidades


através dos grupos comunitários e organizações de serviços.

6. Divulgar mensagens de educação sanitária para as comunidades


através dos seus líderes comunitários

7. Indicar um membro da Comissão de Gestão das Emergências de


Saúde Pública que sirva de porta-voz perante os meios de
comunicação social.

Após a declaração do surto epidémico:


§ fornecer aos meios de comunicação social o nome do porta-
voz.
§ fornecer de forma regular informação aos órgãos de
comunicação social.

194
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

8. Com carácter regular, reunir com os agentes comunitários para


fornecer:
§ informação regular e actualizada sobre a epidemia e as
actividades de resposta
§ mensagens de saúde claras e simples

6.11 Melhorar o acesso à água potável


É preciso garantir que a comunidade disponha de abastecimento adequado de água
potável para beber e para uso doméstico. Apresenta-se a seguir o consumo diário de água
por pessoa durante situações não epidêmicas e durante situações epidêmicas. O
consumo de água é muito superior durante situações epidêmicas especialmente nos
surtos de doenças diarréicas.

Consumo diário de água por pessoa


Situação não epidêmica Durante epidemia de
doença diarréica
Uso doméstico 20 litros por dia 50 litros
Unidade Sanitária 50 litros nas enfermarias
40 a 60 litros por dia
100 litros na cirurgia
10 litros na cozinha
FONTE: Saúde dos Refugiados: uma Abordagem às Situações de Emergência, Médicos sem
Fronteiras, 1997 MacMillan

As fontes seguras de água potável são:


§ água canalizada clorada
§ fontes de água expostas (rios, lagos ou poços abertos),
quando protegidos da contaminação por pessoas ou
animais. Por exemplo, é preciso ter a certeza de que a fonte
de água está, pelo menos, 30 metros acima dos locais onde
as pessoas ou animais defecam
§ fontes de água protegidas (por exemplo, poços cobertos ou
com tampa)
§ Água tratada com cloro no domicilio
§ Água fervida de qualquer fonte.

Durante uma epidemia, se não existirem fontes de água locais, o abastecimento de água
terá de ser feito por camiões cisterna.

195
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Para ter a certeza de que as famílias dispõem de água potável em casa, é necessário
fornecer:
§ educação às comunidades, como conservar água potável em
casa:
- limpeza periódica dos reservatórios de água
- regras de manuseamento do reservatório de água

§ recipientes que impeçam a contaminação da água. Por


exemplo, fornecer recipientes de boca estreita, para que as
pessoas não possam contaminar a água introduzindo as
mãos no recipiente.
§ locais para a deposição do lixo, incluindo fezes, devem
estar a pelo menos 30 metros de distância das fontes de
água.
§ ferver a água para consumo ou desinfectar com lixívia

6.12 Melhorar o saneamento básico


Para ter a certeza de que os dejectos e lixos são correctamente tratados deve-se:
§ inspeccionar as áreas e locais em que são depositados. As
práticas seguras consistem em depositar os dejectos em latrinas
ou enterrá-los, afastados mais de 10 metros de uma fonte de
água
§ informar a comunidade se forem detectadas práticas
incorrectas,
§ construir latrinas adequadas às condições locais, em
cooperação com a comunidade
§ educar a comunidade sobre práticas sanitárias correctas.

6.13 Melhorar as práticas de manipulação de alimentos


É preciso ter a certeza de que as pessoas manipulam os alimentos com segurança, quer
seja em casa, nos restaurantes, em locais de venda de alimentos ou nas fábricas.

Para garantir a higiene alimentar é necessário:


§ educar a comunidade

196
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ inspeccionar estabelecimentos de producção, confecção e


venda de alimentos (fábricas de embalagem de alimentos,
restaurantes, vendedores de alimentos, etc.), verificando as
práticas seguras de manuseamento dos alimentos tais como
a lavagem adequada das mãos e limpeza.
§ propôr o encerramento dos estabelecimentos se os
resultados da inspecção revelarem práticas não seguras de
manipulação de alimentos.
§ assegurar que os alimentos não sejam vendidos em
condições não higiênicas

6.14 Reduzir a exposição a perigos ambientais ou


infecciosos

Conforme o surto ou evento, tomar as medidas necessárias para reduzir a exposição aos
perigos ou factores que contribuíram para esse surto ou evento. Estes podem ser:
o agentes químicos,
o físicos
o biológicos.

Os requisitos técnicos para reduzir a exposição serão determinados de acordo com a


política nacional e através da colaboração com aqueles que têm experiência nessa área.
Por exemplo, a exposição ocupacional ou industrial aos metais pesados (como o chumbo)
requer a coordenação com múltiplos ministérios e parceiros.

As intervenções para a educação das comunidades e mudança de comportamentos


podem ajudar a comunidade a efectuar mudanças que limitem a exposição a níveis
perigosos de substâncias químicas e outros perigos.

6.15 Reduzir as Doenças transmitidas por Vectores


a) Reduzir a exposição aos insectos (mosquitos)

Promover a prevenção das doenças transmitidas por insectos, ajudando as pessoas a


reduzir a sua exposição aos mosquitos durante o dia e a noite. Trabalhar com o
responsável da luta contra a malária para:

197
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ implementar um programa de mosquiteiros impregnados


com insecticida e uso de repelentes
§ educar a comunidade para o uso correcto de mosquiteiros
e para o modo de evitar as picadas dos mosquitos ao
amanhecer e ao anoitecer.
§ educar a comunidade para a eliminação das águas
estagnadas e lixos

b)Controlo dos vectores animais

Promover a prevenção das doenças transmitidas por roedores,


ajudando as pessoas, nos municípios, a reduzir o seu contacto com esses
animais. Por exemplo, os roedores podem ser portadores da Febre de
Lassa e podem estar infestados de pulgas portadoras de peste.
Trabalhar com os técnicos de entomologia locais ou centrais do
programa de combate integrado aos vectores do município para
encorajar a comunidade a:
§ evitar o contacto com o sangue, urina, dejectos, a saliva dos
roedores mortos
§ cobrir os alimentos e a água em casa para evitar que os
roedores tenham acesso aos alimentos
§ manter a casa e a cozinha limpas e desimpedidas, para
evitar que os roedores façam ninhos em casa.
Usar produtos químicos (insecticidas, raticidas, larvicidas, etc.) e ratoeiras,
conforme necessário, com base numa avaliação ambiental e entomológica.

6.16 Garantir a logística e materiais apropriados e


adequados
· Durante todo o surto ou evento, monitorizar a eficácia do sistema de logística e
fornecimento de produtos e materiais essenciais.

· Elaborar um plano logístico, para ter a certeza de que os transportes serão usados
de modo mais eficaz.

198
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Monitorizar a fiabilidade da comunicação entre as equipas durante o surto ou


evento e se for necessário, mais equipamento (por exemplo, recargas para os
telemóveis), tomando medidas para fornecer às equipas aquilo de que elas
precisam para levarem a cabo as acções de resposta.

· Monitorizar a implementação do surto ou evento é fundamental para o controlo


dos surtos.

É importante incluir os resultados da monitorização no relatório da resposta para os


níveis de supervisão e aos líderes comunitários e para futura advocacia.

Por exemplo, certificar-se de que existe uma monitorização contínua de:

· Tendências das doenças, para avaliar a eficácia das medidas


de resposta, a extensão da epidemia e os factores de risco

· Eficácia da resposta: taxa de ataque e de letalidade


· Implementação da resposta: cobertura do programa,
reuniões da Comissão Municipal de Gestão das Emergências
de Saúde Pública, etc.
· Disponibilidade e uso dos recursos, material e equipamento
adequados

6.17 Elaborar o relatório final sobre um surto epidémico


Um relatório pormenorizado sobre um surto epidémco pode ser útil para a preparação do
surto seguinte. Logo que o surto epidémico tiver sido controlado, escrever um relatório
que inclua:

· informação epidemiológica: a curva epidemiológica, mapa de


localização, quadro da análise por pessoa e a relação dos casos

· informação sobre as actividades de resposta, incluindo datas, locais e


indivíduos envolvidos em cada actividade

· alterações feitas às actividades de resposta iniciais

· conclusões e recomendações para melhorar a resposta às epidemias


no futuro. Por exemplo, poderão recomendar-se alterações na
estratégia e no programa de vacinação, para tornar mais eficaz a
actividade de vacinação. Poderão recomendar-se alterações ao
procedimento de transporte das amostras laboratoriais, para que

199
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

estas cheguem em boas condições ou mais rapidamente ao


laboratório de referência

Publicar e divulgar o relatório sobre o surto epidêmico.

6.18 Documentar a resposta


No final das actividades de resposta, a equipa municipal de gestão sanitária
deverá:
· Reunir todos os documentos, incluindo as actas das reuniões, as
actividades, o relatório da epidemia, o relatório da avaliação e outros
documentos relevantes, como por exemplos os processos, etc.
· Preparar capas para todos os documentos acima mencionados. Isso,
constituirá uma importante fonte de dados, para avaliar a resposta. Na
Secção 8, descreve-se a forma de monitorizar e avaliar as actividades da
VID-R.

200
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexos à Secção 6
ANEXO 6 A Tratamento dos doentes durante um surto epidémico

ANEXO 6 B Preparação de soluções desinfectantes com produtos à base de cloro

ANEXO 6 C Planificação de uma campanha de vacinação de emergência

ANEXO 6 D Estimativa do material necessário para as actividades de vacinação

ANEXO 6 E Práticas de vacinação recomendadas

ANEXO 6 F Mensagens-tipo para a educação das comunidades

· Lavagem de mãos

· Manipulação segura dos alimentos

· Remoção segura dos dejectos orgânicos e lixos

· Água potável e armazenamento

· Enterro seguro dos cadáveres

· Redução da exposição aos mosquitos

201
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 6 A. Tratamento dos doentes durante um surto epidémico


Para tratar os casos ocorridos durante um surto epidémico devem usar-se os fármacos e
os tratamentos adequados. Seguem-se recomendações para tratamento durante surtos
de cólera, disenteria, sarampo e meningite bacteriana.

A) Tratamento da cólera durante um surto epidémico


1. Determinar o grau de desidratação do doente. Ver abaixo o quadro para essa
avaliação.
2. Administrar líquidos, de acordo com o plano de tratamento. (ver páginas
seguintes)
3. Colher uma amostra de fezes dos 5 primeiros doentes com suspeita de cólera
que forem observados na unidade sanitária.
4. Administrar um antibiótico oral aos doentes com desidratação grave.

Determinar sinais de desidratação no doente


· Examinar o estado geral do doente:
O doente está: letárgico ou inconsciente?
agitado ou irritado?
· Verificar se o doente tem olhos encovados.
· Dar líquidos ao doente. O doente: não consegue beber ou bebe mal?
bebe ávidamente, com sede
· Sinal da prega: A pele volta: muito lentamente (mais de 2 seg) ao
estado anterior
ou lentamente?
Decidir se o doente apresenta sinais graves, alguns ou nenhuns sinais de desidratação e dar-lhe mais
líquidos, de acordo com o plano de tratamento
Se estiverem presentes dois dos seguintes sinais: DESIDRATAÇÃO GRAVE*
· letárgico ou inconsciente
· olhos encovados Administrar líquidos para desidratação
· incapaz de beber ou bebe muito mal grave
· sinal da prega: a pele volta muito lentamente ao (Plano C)
estado anterior

*Nos adultos e nas crianças com mais de 5 anos, outros sinais de desidratação grave são “ausência de pulso radial” e
“baixa tensão arterial”.
Se estiverem presentes dois dos seguintes sinais: COM SINAIS DE DESIDRATAÇÃO
· agitado, irritado
· olhos encovados administrar líquidos
· bebe ávidamente, com sede (Plano B)
· sinal da prega: a pele volta lentamente ao estado
anterior
Se não houver sinais suficientes que permitam concluir SEM DESIDRATAÇÃO
classificação de “com sinais de desidratação” e
“desidratação grave” Administrar líquidos e alimentos para
tratamento da diarreia em casa.
(Plano A)

203
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Administrar os antibióticos recomendados para o tratamento de doentes com cólera


gravemente desidratados
Antibiótico Crianças Adultos
Doxiciclina (comprimidos de 100 mgr) 1
300 mg

(3 comprimidos )
uma dose única
12.5 mg por kg 500 mg
Tetraciclina

4 vezes por dia durante 3 dias

Trimetoprim-sulfametoxazol TMP 5 mg por kg TMP 160 mg


(TMP-SMX) e e
SMX 25 mg por kg2 SMX 800 mg
2 vezes ao dia durante 3 dias
1.25 mg por kg 100 mg3
Furazolidona
4 vezes por dia durante 3 dias
10 mg por kg 250 mg
Eritromicina4

adultos: 4 vezes por dia durante 3 dias

crianças: 3 vezes por dia durante 3 dias

· Se o doente vomitar enquanto ingere líquidos, esperar 10 minutos.


Em seguida, pedir ao doente que volte a beber mais lentamente.
· Continuar a acompanhar o doente, substituindo o líquido até que a
diarreia pare.
· Quando o doente estiver pronto para ter alta, aconselhá-lo sobre o
modo de tratar a diarreia em casa.
· Consultar as orientações do AIDI sobre o tratamento das crianças
com menos de 5 anos de idade.

Plano A: Tratamento da diarreia sem desidratação no domicílio


Se os doentes não apresentaram sinais de desidratação quando foram vistos pela
primeira vez, poderão ser tratados em casa. Entregar-lhes uma dose para dois dias
de sais de reidratação oral (SRO) e explicar-lhes como tomar a solução de SRO, de
acordo com o esquema:

1
Doxiciclina é o antibiótico recomendado pela OMS para os adultos (excepto grávidas), porque só é necessária uma
dose.
2
TMP-SMX é o antibiótico recomendado pela OMS para as crianças.
3
Furazolidona é o antibiótico recomendado pela OMS para as mulheres grávidas.
4
Eritromicina ou cloranfenicol podem ser usados quando não existem os outros antibióticos recomendados ou quando
o V. cholerae é resistente.

204
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Quantidade de solução depois de Fornecer pacotes de SRO


IDADE cada evacuação líquida suficientes para preparar:
Até 2 anos 50 a 100 ml após cada evacuação 500 ml por dia
líquida
(1 pacote)

2 a 10 anos 100 a 200 ml após cada evacuação 1000 ml por dia


líquida
(2 pacotes)

10 anos ou mais Tanto quanto o doente quiser 2000 ml por dia


(4 pacotes)

Plano B: Tratamento da diarreia com sinais de desidratação com SRO


Na unidade sanitária, administrar a quantidade recomendada de SRO durante um período
de 4 horas. Determinar a quantidade em função do peso do doente. A idade do doente
apenas deve servir de referência quando se desconhece o seu peso

Determinar a quantidade de SRO a administrar durante as primeiras 4 horas

IDADE
ou 4 meses até 12 meses até 2 anos até 5 5 anos até 14 15 anos ou
PESO Até 4 meses 12 meses 2 anos anos anos mais
PESO em kg < 6 kg 6 - < 10 kg 10 - < 12 kg 12 - < 19 kg 19 - 30 kg 30 kg ou mais

Quantidade de
SRO a 200 - 400 ml 400 - 700 ml 700- 900 ml 900 -1400 ml 1400-2200 ml 2200-4000 ml
administrar

· Se o doente quiser mais SRO do que a quantidade apresentada, pode dar-lhe.


· Para os bébés com menos de 6 meses que não sejam amamentados ao peito,
administrar também 100-200 ml de água potável durante este período.
· Dar-lhe pequenos e frequentes goles por uma chávena.
· Se o doente vomitar, esperar 10 minutos. Depois, continuar a dar-lhe líquidos, mas
mais lentamente.
· Para os bébés que são amamentados ao peito, continuar a amamentação sempre que
o bébé quiser.
· Avaliar os doentes cada hora ou cada duas em duas horas para verificar se estão a
tomar os SRO correctamente e para monitorizar a perda de líquidos. Fazer uma
reavaliação completa do estado de desidratação do doente ao fim de 4 horas e seguir
o plano de tratamento adequado para a desidratação do doente.

Plano C: Tratamento rápido da desidratação grave


1.0 Iniciar imediatamente a administração intravenosa de líquidos. Se o
doente for uma criança e conseguir beber, administrar SRO por via oral,

205
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

através de conta-gotas. Administrar 100 ml por kg de solução de lactacto


de Ringer, distribuídos como se segue:

Para a administração de líquidos por via intravenosa (IV):


Para adultos (e doentes com 1 ano Primeiro, dar 30 ml/kg tão Depois, dar 70 ml por kg durante
de idade ou mais), dar 100 ml por kg
depressa quanto possível num as 2 ½ horas seguintes
IV no período de 3 horas, como se
período de 30 minutos
segue:

Para os doentes com menos de 1 Primeiro, dar 30 ml por kg Depois, dar 70 ml por kg
ano, dar 100 ml por kg IV num na primeira hora* Nas 5 horas seguintes
período de 6 horas como se segue:

2.0 *Repetir se o pulso radial ainda estiver muito fraco ou não for detectado
após os primeiros 30 ml/kg.
3.0 Reexaminar o doente após os primeiros 30 ml por kg e seguidamente, de
uma em uma ou de duas em duas horas. Se o estado de hidratação não
tiver melhorado, aumentar a velocidade do gotejamento EV.
4.0 Administrar também SRO (cerca de 5 ml por kg por hora), logo que o
doente consiga beber. Isso acontece normalmente ao cabo de 3 a 4 horas
com os bébés e ao fim de 1 a 2 horas com os doentes de idade superior a
um ano.
5.0 Reexaminar o doente ao fim de 6 horas (para os bébés) ou 3 horas (para os
doentes com 1 ano ou mais). Reclassificar a desidratação. Escolher depois
o plano apropriado (Plano A, Plano B, Plano C) para continuar o
tratamento.
6.0 Administrar os antibióticos recomendados para o tratamento dos doentes
com cólera de desidratação grave. Ver o esquema na página seguinte.
7.0 Antes de os doentes receberem alta da unidade sanitária, dar-lhes
instruções sobre o modo de se tratarem em casa.
-- Se o doente vomitar enquanto toma SRO, esperar 10
minutos e depois continuar a dar-lhe líquidos mais
lentamente.
-- Continuar a amamentação dos bébés e crianças pequenas.
-- Re-internar o doente para tratamento, se apresentar
qualquer das seguintes reacções:
§ quantidade cada vez maior de fezes líquidas
§ comer e beber mal
§ muita sede
§ vómitos repetidos
§ febre
§ sangue nas fezes

206
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

B) Administrar um antibiótico oral apropriado para surtos de diarreia com


sangue, provocada por Shigella dysentariae
ACIDO CIPROFLOXACINA COTRIMOXAZOLE AMOXICILINA
NALIDIXICO  Administrar (trimetoprim + sulfametoxazol) Administrar 3
 duas vezes por dia Duas vezes por dia durante 5 dias vezes por dia
Administrar durante 5 dias durante 5 dias
4 vezes por
dia durante
5 dias
PESO COMPRIMID COMPRIMIDO ADULTOS COMPR. XAROPE COMPRIMIDOS
250 mg 250 mg COMPR. PEDIÁTRI- 40 mg 250 mg
80 mg COS trimetopri
trimetopri 20 mg m + 200
m trimetopri mg
+ 400 mg m + 100 sulfameto
sulfametox mg xa-zol por
azol sulfameto- 5 ml
xazol
Dose para
crianças

3 - 5 kg --- ¼ ¼ --- 5,0 ml ½

6 - 9 kg ½ ½ ½ ¾

10 – 14 kg 1 1 1 3 7,5 1

15 – 19 kg 1 1 1 3 7,5 ml 1½

20-29 kg 2 2 1 6 15 ml

Dose para COMPRIMID COMPRIMIDO COMPRIMID COMPRIMIDOS


adultos O 250 mg 160 mg TMP 500 mg
250 mg +
800 mg SMX

4 4 comprimidos 2 1 comprimido
comprimidos comprimidos

C) Administrar vitamina A às crianças com sarampo


· Administrar a primeira dose na unidade sanitária ou na clínica.
· Entregar à mãe uma dose para que a administre no dia seguinte.

IDADE Vitamina A cápsulas


200 000 IU 100 000 IU 50 000 IU

Até 6 meses ½ cápsula 1 cápsula

6 a 12 meses ½ cápsula 1 cápsula 2 cápsulas

207
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

12 meses a 5 anos 1 cápsula 2 cápsulas 4 cápsulas

D) Administrar um antibiótico apropriado para casos de meningite


bacteriana durante um surto epidémico
1. Internar o doente numa unidade sanitária para diagnóstico e tratamento.
2. Iniciar imediatamente a administração de um antibiótico. Durante uma
epidemia, é preferível administrar cloranfenicol oleosa por injecção
intramuscular. É muito eficaz e normalmente, uma única dose resulta. Se
não for possível o tratamento por injecção, administrar amoxicilina ou
cotrimoxazole por via oral ou tratar com um antimicrobiano recomendado
pelas orientações nacionais para o tratamento da meningite.
3. Não é necessário isolar o doente. Prestar bons cuidados de apoio e
simplificar o tratamento do caso.

Administrar uma dose única de cloranfenicol oleosa


3) CLORANFENICOL OLEOSA INTRAMUSCULAR
 100 mg por kg em dose única.
Se o doente não melhorar, administrar
uma segunda dose 24 a 48 h mais tarde.
2) IDADE
4) Dose em gramas 5) Dose em mililitros
Adulto: 3,0 g 12 ml
Idade 15 anos ou mais

Criança: 2,5 g 10 ml
10 a 14 anos

6 a 9 anos 2,0 g 8 ml

3 a 5 anos 1,5 g 6 ml

1 a 2 anos 1,0 g 4 ml

2 a 11 meses 0,5 g 2 ml

1 a 8 semanas 0,25 g 1 ml

208
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Ver o quadro seguinte para outros antibióticos recomendados.


Outros antibióticos recomendados para o tratamento da meningite

Agente Via Dose para adultos Dose para crianças Duração do


tratamento
Penicilina G IV 3-4 Milhões por dia, cada 4-6 400 000 unidades por 8-10 dias
horas kg

Ampicilina ou IV 2-3 g por dia, de 6 em 6 horas 250 mg por kg 10 dias


Amoxicilina

Amoxicilina Oral 2-3 g de 6 em 6 horas 250 mg por kg 10 dias

Cloranfenicol IV 2 a 6 g por dia de 6 en 6 horas 100 mg por kg 10 dias


aquoso

Cloranfenicol IM Dose única de 3 g dose única - 1-2 dias


(oleosa) 100 mg por kg

Via
Agente Dose para adultos Dose para crianças Duração do
tratamento

Cefotaxima IV 2 g de 6 em 6 horas 250 mg por kg 4 dias

Ceftriaxona IV 1-2 g em 12-24 horas 50-80 mg por kg 4 dias

Ceftriaxona IM 1-2 g dose única 50-80 mg por kg 1-2 dias

Aconselha-se pelo menos 5 dias de tratamento endovenoso, antes de se mudar para a via
oral ou IM para todos os casos.

209
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 6 B. Preparação de soluções desinfectantes com produtos à


base de cloro

Durante uma actividade de resposta a um surto epidémico de qualquer doença


transmitida através de contacto directo com fluidos corporais infecciosos (por exemplo,
sangue, urina, fezes, sémen e expectoração), pode usar-se um sistema não dispendioso
de prevenção, usando lixívia doméstica.

O quadro que se segue descreve o modo de fazer soluções de cloro a 1:10 e 1:100 com
lixívia doméstica e outros produtos à base de cloro.

Usar este produto de cloro Para fazer uma solução a 1:10 Para fazer uma solução a
para desinfectar: 1:100 para desinfectar:
§ Excrementos § Mãos com luvas
§ Cadáveres § Mãos e pele nuas
§ Derrame de fluidos § Chão
corporais infecciosos § Vestuário
§ Equipamento
§ Camas
Lixívia doméstica 1 litro de lixívia para 10 litros de 100 ml para 10 litros de água,
5% de cloro activo água ou
1 litro de solução de lixívia a
1:10 para 9 litros de água
Pó ou grânulos de 7 gramas ou ½ colher de sopa 7 gramas ou ½ colher de sopa
hipoclorito de cálcio 70% para l litro de água para 10 litros de água
(HTH)
Lixívia doméstica 16 gramas ou 1 colher de sopa 16 gramas ou 1 collher de sopa
30% de cloro activo para l litro de água para 10 litros de água

Para desinfectar o vestuário:


· Desinfectar rapidamente e em profundidade os artigos pessoais do doente e a
área circundante, usando um dos seguintes desinfectantes:
- Cal clorada
- Solução de cloro a 1%
- Solução de fenol a 1% ou 2%
· Desinfectar rapidamente e em profundidade o vestuário do doente:
- Lavar a roupa com água e sabão
- Fervê-la ou ensopá-la numa solução desinfectante
- Secar ao sol
- Lavar os utensílios com água fervida ou com uma solução desinfectante
· Não lavar os artigos contaminados em rios ou lagos que possam constituir fontes
de água potável, nem perto de poços.

211
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 6 C. Planificação de uma actividade de vacinação de bloqueio

8. Especificar a população-alvo para a actividade de vacinação.

9. Calcular as quantidades necessárias de vacinas, diluentes e material de vacinação,


como seringas autobloqueantes, caixas isotérmicas e caixas seguras para eliminação
de seringas (ver ficha ANEXO 3.)

10. Escolher os postos de vacinação e informar a comunidade:

· Coordenar com o responsável da imunização do município, para identificar


locais onde possa decorrer a actividade de vacinação
· Identificar as unidades sanitárias que podem participar na actividade. Definir
os postos de vacinação.
· Identificar uma equipa móvel ou avançada de vacinação, se necessário
· Verificar se existem zonas de difícil acesso. Identificar uma equipa de
vacinação móvel que possa chegar a essas zonas
· Contactar as unidades sanitárias e definir os postos de vacinação
· Contactar o PAV local para obter as vacinas. Caso não existir stock local, o
Responsável do Programa Alargado de Vacinação (PAV) solicitará um
fornecimento de emergência à nível central .
· Certificar-se de que há capacidade suficiente para armazenar quantidades
extra de vacinas durante o acondicionamento e transporte para o posto de
vacinação.

11. Seleccionar equipas de vacinação. Segundo o tipo de vacina são necessários os


seguintes elementos para vacinar de 100 a 150 pessoas:

· Para vacinas injectaveis:


· 2 preparadores de vacina 2 vacinadores
· 2 registadores / vitaminadores
· Para vacina oral:
· 1 vacinador
· 1 registador

12. Trabalhar com o responsável de imunização para realizar acções de capacitação ou


formação para vacinadores sobre as práticas de vacinação recomendadas. Sobre estas
ver o Anexo 6 E.

13. Mobilizar a comunidade. Informar o público acerca da campanha de vacinação de


bloqueio.

213
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

14. Garantir transporte para o posto de vacinação.

· Planificar o transporte de ida e volta das equipas para o posto fixo


· Estabelecer o horário dos transportes e planificar os custos com o combustível
e outros
· Calcular os custos da campanha (lanches, viatura para a deslocação das
equipas móveis e avançadas, combustível para a cadeia de frio, etc.)

15. Controlar o número de vacinas administradas por faixa etária

214
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 6 D. Estimativa do material necessário para as actividades de


vacinação

Surto: _____________________ Data da confirmação: ______________

População Total: ___________

1. Calcular a dimensão da população-alvo. Se a actividade apenas visar uma parte


da população total, calcular a dimensão da população-alvo. Multiplicar o total da
população pela percentagem de crianças ou adultos da população-alvo. Se não se
conhecer a distribuição da população por idades da área em causa, usar as
estimativas recomendadas, nomeadamente:

· crianças menores de 1 ano 4,3%


· crianças menores de 5 anos 20,0%
· crianças dos 9 meses aos 14 anos 45,0%
· crianças menores de 15 anos 47,0%
· crianças e adultos de 1 a 30 anos 70,0%
· mulheres em idade fértil, 15-45 anos 21,0%

2. População-alvo: _______ crianças entre 0 a 5 anos


_______ crianças entre 9 meses e 14 anos
_______ crianças e adultos dos 0 aos 30 anos
_______ mulheres em idade fértil – dos 15 aos 45 anos
_______ todos os adultos e crianças da população em geral

3. Procurar saber quantas doses cada pessoa deve receber. Registar o número
abaixo como “número de doses recomendadas”.

4. Calcular as perdas. Usar um factor de perda de 30%. Multiplicar a dimensão da


população-alvo (ver passo 1) pelo número de doses vezes 1,30.

x x 1,3
Dimensão da Número de doses perda = Número de doses a
população-alvo recomendadas encomendar, incluindo perdas

5. Fazer um stock de contigência. Usar um factor de reserva de 25%. Multiplicar o


número estimado de doses, incluindo os desperdícios, por 1,25 para obter o
número total estimado de doses.

215
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

x 1,25
Número de doses factor de reserva = Número total estimado de doses
incluindo perdas

6. Para obter o número total de frascos de vacina a encomendar, dividir o número


total estimado de doses pelo número de doses que se encontram no frasco. (Este
número está, normalmente, impresso no rótulo.)

÷ =
Número total estimado de Doses por frasco Número total de frascos necessários
doses

7. Se a vacina exigir um diluente, multiplicar o número de mililitros de diluente por


frasco, pelo número total de frascos necessários.

÷ =
Diluente necessário por Número total de Total de diluente a encomendar
frasco frascos

8. Para obter o número total de agulhas e seringas auto bloqueantes necessárias


para realizar a actividade, multiplicar a quantidade de doses de vacina estimada
no ponto 4 por 1,1.

9. Para obter o número total de seringas de diluição necessárias para preparar


vacina, dividir o número total estimado de doses de vacina incluindo perdas
(ponto 4) pelo número total de doses que se encontram no frasco.

÷ =
Número total estimado de Doses por frasco Número total de seringas de dilução
doses

216
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 6 E. Práticas de vacinação recomendadas


É importante trabalhar com o responsável de Imunização (PAV) a fim de organizar
sessões de capacitação e formação, reciclagem para as equipas de vacinadores. No
mínimo, é preciso certificar-se de que as equipas de vacinadores sabem:
1. Preparar correctamente a vacina:
· Determinar a quantidade certa de diluente para preparar a vacina
· Usar seringas e agulhas descartáveis ou seringas autobloqueantes
· Puxar e expelir o diluente várias vezes no frasco que contém a
vacina.

2. Embrulhar o frasco em folha de alumínio ou cobri-lo com um pano escuro,


para proteger o frasco da luz solar.

3. Numa situação de campo, proteger a vacina e o diluente contra qualquer


contaminação.

4. Cobrir a abertura do frasco para protecção contra o pó e as moscas.

5. Colocar a vacina em caixas isotermicas com acumuladores

6. No final do dia não deitar fora a vacina preparada. Seguir a política


nacional para reutilização de frascos abertos.

7. Registar as doses usadas para cada pessoa vacinada numa ficha de registo
de vacinação.

8. Consolidar os resultados da campanha efectuada num relatório e calcular a


cobertura da campanha.

9. Lembrar aos profissionais de saúde que existe o risco de contrairem


doenças transmissíveis pelo sangue, devido a uma picada acidental de uma
agulha. Rever as práticas seguras de destruição do material de vacinação.

10. No final da actividade, garantir a destruição segura do material de injecção


utilizado (que pode ser queimado ou enterrado).

11. Dar instruções para utilização das técnicas de injecção. Estudar com o
pessoal de saúde a necessidade de campanhas de vacinação.

217
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 6 [Link] para educação da comunidade

Lavagem correcta das mãos


Lavar as mãos com agua e sabão pode ser o modo mais eficaz de impedir a transmissão
de alguns organismos que causam doenças infecciosas. Por essa razão, deve-se promover
a lavagem das mãos em todas as famílias. Lavar as mãos é particularmente importante:

· depois de defecar

· depois de limpar uma criança que tenha defecado

· depois de deitar fora as fezes de uma criança

· antes de preparar ou mexer em alimentos e

· antes de comer.

Durante um surto epidémico deve-se lavar as mãos com mais frequência. A água de lavar
deve ser guardada separadamente da água de beber.

Durante um surto epidémico:

· deve-se fornecer sabão àqueles que o não têm. Se não houver sabão, pode-se
usar cinza para esfregar as mãos.

· não limpar as mãos com panos sujos depois de lavadas. Secar as mãos ao ar livre.

Mensagem:

ESTÁ PROTEGIDO CONTRA A DISENTERIA (diarreia com


sangue)?
Lavar as mãos protege-o a si e aos outros contra as doenças

Lave sempre as mãos:

· depois de defecar

· depois de limpar uma criança que tenha defecado

· depois de deitar fora as fezes de uma criança

· antes e depois de comer

219
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Mensagem:

ESTÁ PREPARADO PARA LAVAR AS MÃOS?

Tem:

· Água potável?

· Sabão (ou, não tendo sabão, esfrega as mãos com cinza)?

· Panos limpos para secar as mãos?

Manipulação segura dos alimentos


Encorajar as seguintes práticas alimentares seguras:

· Lavar bem as mãos com água e sabão, antes de preparar os alimentos

· Não comer alimentos crus, excepto fruta e vegetais que possam ser descascados e
consumidos imediatamente

· Cozinhar devidamente os alimentos

· Comer os alimentos enquanto estão quentes ou aquecê-los bem antes de os


comer

· Lavar, secar e proteger bem todos os talheres depois de usados

· Lavar bem as mãos com agua e sabão antes de preparar os alimentos

· Manter os alimentos cozidos separados dos alimentos crus

· Proteger os alimentos contra as moscas por meio de redes mosquiteiras nas


portas e janelas e tendo os alimentos sempre tapados.

Mensagem:

220
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

PREPARA OS ALIMENTOS COM SEGURANÇA?

Cozinhar bem mata os micróbios

· Cozinhe bem a carne, o peixe e os vegetais

· Os alimentos devem ser consumidos quentes.


Lavar protege contra as doenças

· Lave as mãos antes de preparar ou servir os alimentos

· Lave os pratos e talheres com água e sabão

· Lave bem com água e sabão a tábua utilizada para cortar a carne e o
peixe.
Descascar as frutas e os legumes protege contra as doenças

· Coma apenas fruta ou legumes que tenha sido acabada de descascar (p.
ex., bananas e laranjas)

MANTENHA A LIMPEZA: LAVE, COZINHE, DESCASQUE OU DEITE FORA.

221
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Remoção segura dos dejectos orgânicos

A remoção segura dos dejectos orgânicos deve ser sempre considerada uma prioridade,
muito especialmente durante um surto epidémico de diarreia. Com a colaboração da
comunidade, devem construir-se sistemas sanitários adequados às condições locais.

As mensagens comunitárias devem realçar que:

· toda a gente, incluindo as crianças, devem usar as latrinas ou casas de banho

· as fezes das crianças devem ser deitadas nas latrinas ou enterradas.

· Deve-se evitar defecar e urinar ao ar livre

· Deve-se evitar defecar, urinar e lavar-se dentro ou próximo de uma fonte de


abastecimento de água (rio, lago, poço, chafariz, fontenário) a uma distância não
inferior a 30 metros

· Colocar a latrina a um nível mais baixo do que a fonte de abastecimento de agua .

Quando há grandes agrupamentos de pessoas, como acontece nas feiras, funerais ou


festas religiosas, é preciso garantir a remoção segura dos dejectos orgânicos. Se não
houver latrinas, designar zonas para defecar e fornecer uma enxada para enterrar as
fezes.

Mensagem:

ESTÁ PROTEGIDO CONTRA A DISENTERIA (diarreia com sangue)?


USA UM QUARTO DE BANHO OU LATRINA?

Os micróbios que provocam a disenteria vivem nas fezes. Mesmo uma


pessoa saudável pode ser portadora dos micróbios da disenteria.

· Use sempre um quarto de banho ou uma latrina. Se não os tiver,


construa-os!

· Mantenha sempre limpos o quarto de banho ou a latrina

· Lave as mãos com sabão (ou cinza) e água limpa, depois de usar o quarto
de banho ou a latrina.

MANTENHA A LIMPEZA: USE SEMPRE UM QUARTO DE BANHO OU UMA


LATRINA

222
Secção 4 Investigação de surtos suspeitos e outros problemas

Água potável e armazenamento

Abastecimento de água potável às comunidades e respectivo


armazenamento
· Água canalizada. Para manter a segurança, clorar devidamente a água
canalizada. Para impedir a entrada da água subterrânea contaminada nos
canos, reparar as juntas que tenham fugas e manter uma pressão constante no
sistema.

· Fonte de água superficial (rio, lago ou poço aberto). Se estas fontes forem
usadas para água de beber, construir uma vedação para protegê-las da
contaminação pelas pessoas ou animais. Fazer valas de drenagem para
impedir que a água da chuva ou outra água de superfície escorra para o interior
da fonte de água (rio, lago, poço, chafariz, fontanário). Não permitir que se
defeque a menos de 15 metros da fonte de água e nunca acima dessa fonte.

· Poços fechados. Cobrir a entrada com uma tampa de drenagem e equipá-los


com uma corda, roldana, guincho, um balde suspenso ou bomba.

· Água transportada. Se houver suspeita de que a água local esteja


contaminada, a água para beber deve ser fornecida por camiões-cisterna ou
transportada em tambores, devidamente clorada e ser garantido um
abastecimento regular. O transporte de água, porém, é caro e difícil de manter;
normalmente, é considerado uma medida de curto prazo, até se conseguir o
abastecimento local.

Armazenamento e tratamento de água de beber em casa


Quando não houver a certeza de que a água usada para beber é potável, esta deve
ser desinfectada com lixívia ou fervida em casa. No entanto para as crianças com
menos de um ano a água deve ser fervida durante 5 minutos após a ebulição
(fazendo grandes bolhas).

Para impedir a contaminação da água de beber, as famílias devem armazenar essa


água, usando um dos seguintes tipos de recipientes:

1. Recipientes com tampa, que sejam limpos todos os dias e


estejam fora do alcance das crianças e animais. A água
deve ser retirada dos recipientes usando uma concha
especialmente destinada a esse fim.
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

2. Recipientes de bocal estreito, com abertura demasiado


pequena para impedir a entrada de uma mão. Para tirar
água, esta deve ser despejada pela abertura ou aspirada
por um tubo.

A água usada para banhos, lavagem e outros fins que não sejam para beber deve ser
armazenada separadamente da água de beber.

Remoção segura dos cadáveres


Os líquidos corporais das pessoas que morrem de diarreia (cólera) ou de febre hemorrágica
viral continuam a ser altamente infecciosos. Usar todas as precauções quando se preparam
os cadáveres dessas doenças.

· Respeitar os preceitos de identificação dos corpos

· Destruir as roupas e lençois utilizadas pelo doente antes de morrer (queimar).

· Desinfectar o cadáver, os utensílios e móveis que estiveram em contacto com o


doente.

· Realizar rapidamente o funeral dessas pessoas no cemitério mais próximo do local


onde faleceram . Enterrar os cadáveres com maior brevidade possível

· Convencer a comunidade para evitar os rituais prolongados

· Evitar a lavagem dos cadáveres

· Evitar servir comida durante os funerais.

· Espalhar cal ou lixívia sobre os cadáveres para evitar epidemias.

Redução da exposição aos mosquitos

A luta contra os mosquitos é a principal intervenção para reduzir a transmissão da malária.


Ela pode reduzir a transmissão da malária de níveis muito elevados até praticamente nível
zero. Nas zonas de elevada transmissão, a luta contra os mosquitos pode reduzir
significativamente os óbitos maternos e infantis. A proteção pessoal contra as picadas dos
mosquitos, constitui a primeira linha de defesa para a prevenção da malária.

224
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ESTÁ PROTEGIDO CONTRA A PICADA DOS MOSQUITOS?

Sempre que possivel,

· Evitar sair entre o anoitecer e a madrugada, alturas em que os


mosquitos normalmente picam

· Usar vestuário de manga comprida e calçcas compridas, quando sair


a noite e evitar cores escuras que atraiem os mosquitos

· Aplicar um repelente de insectos na pele exposta

· Usar uma rede mosquiteira nas portas e janelas

· Usar mosquiteiros de cama, impregnados com insecticidaPrender a


extremidade inferior do mosquiteiro por baixo da cama

· Usar um pulverizador anti-mosquito ou um distribuidor de insecticida


(se disponível)

A transmissão da malária pode ser rapidamente reduzida, através da


pulverização intra-domiciliar com insecticidas

225
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Secção 7 Comunicação

Esta secção explica como:

· elaborar um relatório da resposta a um surto ou evento


· Informar os interessados e a população
o Elaborar folhetos informativos
o Comunicar com os líderes e as partes
interessadas das comunidades
o Elaborar e distribuir boletins de saúde pública
· Fornecer retroinformação ao pessoal de saúde
o Elaborar fichas-síntese de informação
o Elaborar boletins municipais

226
Comunicação
Uma comunicação eficaz é uma função essencial da vigilância. Durante um surto ou
evento de saúde pública também revela transparência na gestão da ocorrência.

Garantir uma boa participação da população na resposta a uma doença ou outro


evento de saúde pública depende da prestação de informação e da atenção às
preocupações da comunidade. Por exemplo, fornecer aos decisores informação
sumária sobre a resposta a um surto, permite-lhes verificar como os recursos foram
aplicados para conter a ocorrência.

A retroinformação consiste em comunicar com o pessoal de saúde, a partir de outros


níveis, sobre os dados, resultados da sua análise e as medidas tomadas para
responder ao potencial evento de saúde pública notificado.

A retroinformação visa reforçar os esforços dos profissionais de saúde para


participarem no sistema de vigilância.

7.1 Elaborar um relatório sobre a resposta a um surto


epidémico ou evento
Depois de se ter concretizado uma resposta a um surto epidémico ou evento, a comissão
municipal que conduziu a investigação deve preparar um relatório. A finalidade deste
relatório é documentar como o problema foi identificado, investigado, respondido, qual foi
o resultado, a decisão tomada e as recomendações feitas . Enviar uma cópia do relatório
como retroinformação, em primeiro lugar, para a unidade sanitária que notificou os
primeiros casos. No Anexo a esta secção encontra-se o modelo do relatório.

7.2 Informar os interessados e a população


1. Elaborar e distribuir folhetos informativos

Os folhetos informativos são breves resumos de 1 a 2 páginas. São preparados pelos


técnicos de saúde e destinados ao público em geral. Normalmente, tratam de um único
tema ou mensagem. Por exemplo, um folheto informativo sobre um surto de disenteria
num determinado município, pode conter a seguinte informação para a comunidade: causa
da disenteria, como se transmite, passos para a prevenção e número actualizado de casos e
óbitos. Trata-se de folhetos que podem ser afixados ou distribuídos à grupos da comunidade
que estejam a planificar campanhas de educação sanitária.
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

2. Comunicar com os líderes e as partes interessadas das


comunidades

A coordenação entre os parceiros é essencial, durante a resposta a um surto ou evento. A


criação de estruturas e processos de comunicação de rotina, entre os parceiros da saúde e
da comunidade, ajuda a assegurar que esse laço vital esteja disponível e funcional durante
uma emergência.

As opções de comunicação entre os vários parceiros vão desde o SMS, telefone, fax,
actualizações por correio electrónico e troca de material de comunicação até às comissões
mais formais de decisão. Independentemente do mecanismo, deve garantir-se que a
atenção será focada numa comunicação transparente e fidedigna, que tome em
consideração as experiências da comunidade.

3. Elaborar e distribuir Boletins de saúde pública

A finalidade de um boletim de saúde pública é fornecer factos e actualizações num formato


e num período de tempo limitado em relação as apresentadas numa retroinformação mais
pormenorizado.

Os boletins são, normalmente, curtos (2 a 10 páginas) e são lidos pelos decisores políticos,
legisladores e outros decisores. Os boletins são instrumentos valiosos para para chegar aos
parceiros técnicos e doadores.

Os boletins contêm, pelo menos:

· Um quadro-síntese mostrando o número de casos e óbitos notificados,


até ao momento, para cada doença prioritária

· Um comentário ou mensagem sobre uma determinada doença ou tópico

Se um boletim epidemiológico de saúde pública for enviado ao nível municipal, deve


ser distribuido em todas as unidades de saúde, autoridades administrativas e a
população em geral. Fazer cópias e colocar em locais públicos onde toda a gente o
possa ler.

Na visita de supervisão, deve-se levar para mostrar aos agentes locais de saúde, em
como os dados que eles enviaram contribuiram para melhorar a saúde pública.

228
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

No Anexo 7B, apresenta-se um modelo para preparar um boletim.

7.3 Fornecer retroinformação ao pessoal de saúde


Muitas vezes, as unidades sanitárias ou os municípios fornecem ao nível seguinte
dados fidedignos sobre a vigilância. Quando os chefes das secções municipais ou os
directores provinciais recebem informação, devem responder às unidades sanitárias
que a enviaram.

Se a unidade sanitária não receber informação de retorno (ou retroinformação)


sobre o modo como esses dados foram usados ou qual o seu significado, os técnicos
de saúde poderão pensar que os dados que forneceram não eram importantes.
Consequentemente, os dados a seguir poderão não ser completos ou tão fidedignos,
porque os técnicos de saúde nunca saberão se a informação que enviaram aos níveis
superiores foi útil ou necessária.

A finalidade da retroinformação é incentivar as pessoas a participarem nas


actividades de vigilância. Uma outra finalidade é reforçar os conhecimentos acerca
de certas doenças e das realizações dos projectos locais de prevenção e controlo das
doenças.

A retroinformação pode ser feita sob a forma de um boletim informativo semanal ou


mensal, ou pode ser verbal, por exemplo, por telefone, SMS,fornecido durante uma
supervisão ou uma reunião com o pessoal ou por internet (e-mail, chat).

Esta secção explica como é feita a retroinformação para unidade sanitária, para os
níveis municipal, provincial e central.

7.3.1 Elaborar fichas-síntese de informação

Uma ficha-síntese de informação é um relatório que apresenta dados e sua


interpretação, num quadro ou noutro formato gráfico. Por exemplo:

· Numa reunião de pessoal, ou durante uma visita de supervisão, apresentar um


relatório verbal ou um comentário sobre os dados que foram enviados pela
unidade de saúde, durante um certo período de tempo. Exibir os dados num
quadro simples. Sentar-se com o pessoal de saúde e mostrar-lhes os dados.
Discutir as conclusões prováveis a que se pode chegar. Considerar as

229
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

conclusões, não apenas para a unidade de saúde, mas também para todo o
município, no seu conjunto.

· Preparar uma ficha única, com um quadro simples, que mostre como os dados
enviados durante esse período são diferentes dos enviados nos periodos de
tempo similares dos anos anteriores ou população-alvo. Por exemplo,
apresentar o número de casos de diarreia com desidratação em crianças
menores de 5 anos, em relação ao mesmo período do ano anterior. Compará-
los com um período correspondente do ano presente, após a implementação
de um projecto de água segura numa área de alto risco.

· Usar as fichas síntese para justificar os pedidos de fundos, materiais e recursos


adicionais feitos aos níveis superiores

7.3.2 Elaborar Boletins Epidemiológicos


O boletim é útil para informar e motivar o pessoal de saúde a todos os níveis.
O público-alvo de um boletim epidemiológico pode ser o pessoal de saúde do
município ou da região. O boletim pode ter 2 a 8 páginas e ser produzido
unicamente com um texto dactilografado ou processado por computador.

Exemplos de artigos-síntese que podem aparecer num boletim epidemiológico são:

· Resumo de dados nacionais ou municipais para uma determinada


doença prioritária.

· Relatório dos progressos feitos rumo a uma meta específica de saúde


pública.

· Relatório sobre uma determinada realização no domínio da saúde


pública, conseguida por um técnico de saúde isolado ou por um grupo de
técnicos de saúde.
· Descrição de acontecimentos ou actividades especiais (por exemplo,
alteração do dia de mercado).
Em Angola, desde 1999 o níivel central elabora e divulga a todos os níveis boletins
informativos de retroinformação:
· O boletim semanal monitoriza o comportamento das 7 doenças
potencialmente epidémicas e analiza as tendências.

· O boletim trimestral e anual apresenta o perfil epidemiológico de todas


as doenças prioritárias.

230
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Os dados dos boletins devem ser transmitidos às unidades sanitárias fazendo


comentários verbais durante uma reunião com os técnicos ou durante a visita de
um supervisor.

Anexos à Secção 7
· ANEXO 7 A Modelo de relatório municipal sobre surtos epidêmicos
· ANEXO 7 B Exemplo de um boletim epidemiológico semanal

231
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 7 A. Modelo de Relatório municipal sobre surtos epidémicos

Título/Descrição (incluir doença/evento investigado)

_________________________ ___________________________________________________________
Período Local (aldeia, bairro, município, província)

Resumo: ____________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
Introdução:
Antecedentes
Justificação da investigação
(significado para a saúde pública,
limiar atingido, etc.)

Investigação e
preparação para o surto epidémico:

Métodos:
Datas da investigação
Locais da investigação
(unidade sanitária, aldeia, outro):

Detecção de casos (indicar o que foi feito em relação a detecção de casos, [Link]., análise de
registos, investigação dos contactos, alerta às outras unidades de saúde, etc).

Colheita de amostras de laboratório


Descrever a resposta e a intervenção (incluir datas):
Tratamento dos dados( indicar como foram tratados e à que níveis foram enviados, por exemplo,
para as unidades sanitárias, município, província e parceiros)

Resultados:
Data e local do primeiro caso conhecido (índice)
Data e unidade sanitária do primeiro caso observado
Resultados da detecção adicional de casos

Análises e resultados laboratoriais


Em texto, descrever as principais características
dos resultados da análise por tempo, local e pessoa.

Resultados pormenorizados sobre tempo (curva epi),


local (mapa), características da pessoa
(quadro) e listagens, ver anexo.

Resultados da resposta e evidências do impacto.

232
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Autoavaliação da rapidez, pontualidade e qualidade da detecção, investigação e resposta à um surto


epidémico

Preparação para o surto epidémico


Indicador Sim Não
Havia medicamentos e material médico disponíveis no início
do surto?
Os protocolos de tratamento foram disponibilizados aos
agentes de saúde?
A comissão municipal de gestão das epidemias reúne-se
regularmente como parte da preparação para as epidemias?

Detecção do surto
Indicador Data 1 Data 2 Intervalo
- Intervalo entre o primeiro caso de epidemia registado
na unidade sanitária(ou data em que o limiar da epidemia
foi ultrapassado na unidade sanitária[Data 1] e a chegada
do primeiro caso do surto epidémico na unidade sanitária
[Data 2] (Meta:<3 dias)
Intervalo entre o primeiro caso de epidemia registado na
unidade sanitária(ou data em que o limiar da epidemia foi
ultrapassado na unidade sanitária) [Data 1] e a notificação
à equipa municipal de saúde [Data 2] (Meta: < a 48 horas)
Intervalo cumulativo entre o início do caso índice( ou
ocorrência de um nímero invulgar de casos na comunidade
ou na unidade sanitária) [Data 1] para notificação à equipa
municipal de saúde [Data 2] (Meta: < 48 horas)

Investigação sobre o surto

Indicador Sim Não


Os formulários e as fichas de notificação dos casos foram preenchidos?
Foram colhidas amostras laboratoriais (se necessário)?

Indicador Data 1 Data 2 Intervalo


Intervalo entre a notificação ao Município [Data 1] e a
investigação feita no terreno, a nível municipal/distrito
[Data 2]
(Meta: dentro de 48 horas)
Intervalo entre o envio de amostras para o laboratório
[Data 1] e a recepção dos resultados pelo
Município/Distrito [Data 2]
(Meta: 3-7 dias, dependendo do tipo de teste)

Resposta ao surto:

233
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador Data 1 Data 2 Intervalo


Intervalo entre a notificação do surto ao Município/Distrito [Data 1] e
resposta concreta do Município/Distrito [Data 2]
(Meta: dentro de 48 horas a partir da notificação)

Avaliação e retroinformação :
Indicador Data 1 Data 2 Intervalo
Intervalo entre o fim do surto epidémico [Data 1] e a finalização/envio do
relatório aos níveis provincial e central [Data 2]
(Meta: 2 semanas)
Indicador Sim Não
A comissão de gestão dos surtos reuniu-se para analisar os resultados da
investigação?
Foi dada a retroinformação às unidades de saúde e a comunidade?

Avaliação de outros aspectos da resposta:

Interpretações, discussão e conclusões:

Acções de saúde pública recomendadas:


Comentar sobre os seguintes níveis: comunidade, unidade sanitária, município, parceiros, provincial e nacional

Coordenador da Comissão Municipal de Luta contra as Epidemias: ___________________________ _______________________


Nome Assinatura
Integrantes da Comissão:

Chefe da Repartição municipal de Saúde: _________________________________ ______________________________


Nome Assinatura
Data da conclusão do relatório: _________________________________________

234
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 7 B. Exemplo de um boletim epidemiológico semanal

MINISTÉRIO DA SAÚDE
BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO SEMANAL
___________________________________________________________________________

Município__________________ Semana epidemiológica _____ Semana que termina em


(data)_______
___________________________________________________________________________

I. Situação epidemiológica: Semana (inserir aqui o número da semana e a data)

Quadro 1: Situação epidemiológica: Semana____


Doença Casos Óbitos Taxa de Municípios Municípios Semana Pontualidade Cumprimento
Letalidade em alerta com notificada (%) (%)
(%) epidemia
D1
D2
Dn…
Total

Comentários:

Contactar-nos:

II. Síntese da situação epidemiológica (inserir aqui as semanas notificadas)

Quadro 2: Situação epidemiológica: Semanas____


Municípios Casos Óbitos Taxa de Municípios Municípios Semana Pontualidade Cumprimento
Letalidade em alerta com notificada (%) (%)
(%) epidemia
D1
D2
Dn
Total

Comentários:

III. Gráficos (Esta secção apresenta uma representação gráfica dos dados)
IV. Tendências da epidemia

235
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Secção 8 Monitorizar, avaliar e melhorar a vigilância e a


resposta

Esta secção explica como:

· Identificar metas e indicadores.


· Monitorizar a qualidade das actividades de
vigilância a nível municipal.
· Supervisionar as actividades de vigilância e
resposta.
· Avaliar o sistema de vigilância e resposta
· Tomar medidas para melhorar o sistema de
vigilância
· Identificar problemas e medidas a tomar
· Actualizar os planos para melhorar a vigilância
e a resposta

236
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

8.0 Monitorizar, avaliar e melhorar a vigilância e a


resposta

A monitorização dos sistemas de vigilância e resposta refere-se ao acompanhamento


de rotina e contínuo das actividades de vigilância planeadas (por exemplo, os
relatórios são recebidos em devido tempo). A avaliação verifica periodicamente (por
exemplo, anualmente) se os objectivos da vigilância e resposta foram atingidos.
Tanto a monitorização como a avaliação são usadas para melhorar a vigilância e a
resposta.

A secção 3 destas orientações descreve como o pessoal de saúde, responsável pela


vigilância na unidade sanitária, do nível municípal e provincial revê, analisa os dados
recebidos ao longo do mês e tira conclusões sobre:

· o cumprimento e a pontualidadeno envio dos relatórios de notificação.

· a execução das actividades de rotina de prevenção e de controlo, para


que, quando os problemas são detectados, os municípios possam
responder com acções apropriadas.

A mesma informação pode ainda ser usada para monitorizar e avaliar a qualidade
da:

· notificação imediata.

· notificação mensal e semanal.

Durante a avaliação, deve-se ter em conta se:

· os objectivos da vigilância estão a ser atingidos

· a informação sobre a vigilância é usada para a acção

· a melhoria da vigilância teve algum impacto sobre as eventos sanitários


no município.

8.1 Definir as metas e indicadores


Os indicadores servem para medir o grau de cumprimento e a extensão das
realizações de um determinado programa ou actividade de saúde. Permitem
também medir os progressos alcançados na sua implementação.
Por exemplo, um município pode ter como meta, atingir 100% de cumprimento da
notificação durante um determinado período. O indicador atingido para este período
deve ser comparado com a meta pretendida.

237
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Pode desenvolver-se um indicador, para medir a proporção ou percentagem dos


serviços que fazem a notificação. Essa proporção é depois comparada com o
objectivo ou meta pretendida e pode ser usada para avaliar os progressos e
portanto, a qualidade do serviço ou actividade.

Os indicadores seleccionados poderão ser os seguintes:

· Indicadores para medir a qualidade da vigilância em geral. Por exemplo,


para avaliar o grau de cumprimento e de pontualidade da notificação,
seleccionar como indicador a percentagem de unidades de saúde que
enviaram informação de rotina em tempo oportuno.

· Indicadores para medir a qualidade da vigilância de doenças ou eventos


específicos de saúde pública (por exemplo, para monitorizar a resposta
aos dados da vigilância sobre meningite, seleccionar como indicador a
percentagem de unidades de saúde em que foram detectados surtos de
meningite – isto é, se a taxa de incidência foi superior a 15 casos
suspeitos por 100 000 habitantes – e que foram confirmados
laboratorialmente)

· Identificar outros indicadores para medir o impacto das intervenções de


saúde pública

238
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicadores para monitorizar o desempenho das funções essenciais da


Estratégia Integrada de Vigilância e Resposta às Doenças (VID-R)

1. Proporção das unidades de saúde que apresentam semanalmente (ou mensalmente)


relatórios de vigilância ao município, em devido tempo

Proporção de municípios que apresentam semanalmente (ou mensalmente) relatórios de


2.
vigilância ao nível mais elevado em devido tempo

Proporção de casos de doenças que são alvo de eliminação, erradicação e quaisquer


3. outras doenças prioritárias para a vigilância baseada em casos, que foram notificadas ao
município, usando formulários baseados em casos ou listas lineares

Proporção de surtos suspeitos de doenças de potencial epidémico, notificados ao nível


4.
mais seguinte, no prazo de 2 dias (48 horas), a partir da passagem do limiar de epidemia

Proporção de municípios em que existe actualmente uma análise das tendências (gráfico
5.
de linhas ou histograma) para doenças prioritárias seleccionadas

Proporção de relatórios sobre surtos investigados, que incluem os dados baseados em


6.
casos que foram analisados

7. Proporção de surtos investigados, com resultados laboratoriais

Proporção de surtos confirmados, com uma resposta de saúde pública nacionalmente


8.
recomendada

9. Taxa de letalidade para cada doença de potencial epidémico que foi notificada

10. Taxa de ataque para cada surto de uma doença prioritária

Número de epidemias detectadas a nível central, que passaram despercebidas ao nível


11.
municipal durante o último ano

Proporção de municípios que comunicaram dados laboratoriais relativos a doenças sob


12.
vigilância

Proporção de laboratórios municipais que receberam, pelo menos, uma visita de


13. supervisão, com retroinformação escrita do nível provincial ou nacional, durante o último
ano
Proporção de províncias que notificam mensalmente dados laboratoriais analisados ao
14.
laboratório nacional de referência

239
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicadores para a monitorização do desempenho das funções essenciais à


implementação do RSI (2005)

Proporção de hospitais com requisitos estabelecidos para a prevenção e controlo das


1.
infecções (PCI)

2. Proporção de municípios com riscos de saúde pública e recursos mapeados

Proporção de municípios que notificam informação, usando a vigilância baseada em


3.
eventos

Proporção de municípios aos quais as autoridades nacionais forneceram leis ou


4.
instrumentos suficientes para a implementação de obrigações, nos termos do RSI

Proporção de municípios com um mecanismo criado para a coordenação dos sectores


5. relevantes na implementação do RSI

8.1.1 Seleccionar dados para medição dos indicadores

Depois de seleccionar os indicadores relevantes, é preciso especificar o


numerador e o denominador.

Por exemplo, um município tem como objectivo que todas as unidades


sanitárias mantenham um registo das linhas de tendência apresentadas
sob forma de gráficos para as doenças prioritárias seleccionadas. Os
respectivos registos serão inspeccionados durante as visitas de
supervisão.
Indicador: a percentagem de unidades sanitárias do
município que mantêm registos das linhas de
tendência para doenças prioritárias.

Numerador: o número de unidades sanitárias que mantêm


linhas de tendência para doenças prioritárias.

Denominador: o número de unidades sanitárias do município.

240
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

8.1.2 Garantir a disponibilidade de fontes de dados

Cada nível deve certificar-se de que o nível que supervisiona tem as seguintes fontes
de dados disponíveis.

Unidade
Formulário de Município Província Nacional
saúde
Quadro de monitorização para observar os
indicadores X X X X

Registo de doentes em ambulatório X


Registo de doentes internados X
Formulários de notificação da unidade de
X
saúde
Formulários de notificação baseada em casos
X X X X
e/ou listagem de casos
Relatório de investigação sobre o surto X X X X
Registo diário de suspeitas ou rumores sobre
X X X X
surtos
Relatórios de supervisão do município e/ou
X X X X
província
Relatórios laboratoriais recebidos X X X X

8.3.1 Monitorizar a detecção de doenças ou eventos de notificação imediata

8.2 Avaliar o desempenho do sistema de vigilância e


resposta

A finalidade da avaliação é determinar a eficácia do sistema de vigilância e resposta,


em termos de oportunidade, qualidade dos dados, preparação, gestão dos casos,
desempenho global e uso dos indicadores, para identificar lacunas ou áreas que
possam ser reforçadas.

Dependendo do estado de desenvolvimento da vigilância num município, seleccionar


indicadores para a avaliação que forneçam informação relacionada com as
prioridades e objectivos do município para o ano visado.

241
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

8.2.1 Compilar e organizar os resultados da monitorização e


outros resultados
O nível municipal de saúde deve resumir os dados da vigilância, recebidos de todas
as unidades notificadoras e enviar o relatório compilado ao nível provincial. O envio
do relatório não deve ser condicionado pela recepção dos relatórios de todas as
unidades notificadoras. Todos os relatórios recebidos devem ser apresentados em
tempo oportuno. Os relatórios atrasados devem ser enviados quando chegarem.
Fazer o seguimento as unidades de saúde que não enviaram os relatórios ou os que
apresentam sistematicamente com atraso.

Ajudar a unidade de saúde a resolver quaisquer problemas que as impeçam de


apresentar os seus relatórios-síntese em devido tempo. Fornecer, regularmente,
retroinformação às unidades de saúde acerca dos resultados dos indicadores, pois é
um instrumento positivo para motivar o pessoal de saúde a fornecer pontualmente a
informação e dar o seu contributo para o sistema nacional.

8.3 Monitorizar a qualidade das actividades de


vigilância a nível municipal.
Um indicador importante de um sistema de notificação de qualidade é a
pontualidade e o cumprimento no envio dos relatórios.

Quando os relatórios são enviados e recebidos a tempo, é maior a possibilidade de


se detectar um problema e dar uma resposta rápida e eficaz. O cumprimento da
notificação significa que todas as unidades sanitárias notificaram conforme previsto.
Se existir atraso ou falta de envio dos relatórios, a informação do município ou da
província é incompleta.

Os surtos epidémicos ou eventos prioritários podem não ser detectados, passar


despercebidos e perder-se-ão oportunidades de dar resposta aos problemas
identificados.
Monitorização é um processo que indica até que ponto o sistema é capaz de
detectar imediatamente as doenças ou eventos notificáveis. Monitorizar o intervalo
entre a manifestação do primeiro caso conhecido e a data em que o primeiro caso
foi observado na unidade de saúde. Se esse intervalo for demasiado longo, afectará
gravemente os efeitos em cada doente e alterará a propagação do surto.

Devem ser monitorizados os intervalos que decorrem:

242
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ entre a notificação da comunidade à unidade sanitária (prazo


nas 48 h)
§ a deteção na unidade sanitária e a notificação ao município e
deste à provincia e ao Nivel Central (24 h)
§ o momento em que o limiar é ultrapassado até ao início de
uma resposta concreta (48h).

Os atrasos verificados podem influenciar a evolução da doença e, portanto, do seu


prognóstico.

8.3.1 Monitorização da pontualidade e do grau de integridade da notificação


mensal.

Monitorizar, como rotina, a recepção dos relatórios, para avaliar a pontualidade da


notificação e o grau de integridade da informação. Usar um instrumento de notificação,
como, por exemplo, um registo dos relatórios recebidos, para monitorizar a pontualidade e
o grau de integridade da notificação no seu município. Um exemplo de formulário para
registar a pontualidade da notificação encontra-se no Anexo 8G, no final desta secção.

Se as datas em que os relatórios foram recebidos forem rotineiramente registadas e


examinadas, a eficácia do sistema pode ser facilmente avaliada todos os meses, durante a
análise dos dados de rotina e baseados em casos. Por exemplo, usar o registo dos relatórios
recebidos para:

· Verificar quantas unidades notificadoras apresentaram os relatórios de


um determinado mês
· Identificar as unidades notificadoras que enviaram relatórios
· Ver quantos relatórios chegaram a tempo, i.e., foram apresentados antes
do último dia do mês seguinte (por exemplo, os dados relativos a Março
recebidos pelo nível seguinte até 30 de Abril).

8.3.2 Identificar problemas e medidas a tomar

Se a informação resultante da monitorização revelar que uma unidade sanitária ou


outra unidade de notificação não apresentou um relatório, ou se o relatório não
chegou a tempo, contactar o responsável pela vigilância na unidade sanitária.

243
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Trabalhar com o técnico designado para identificar a causa do problema e encontrar


soluções.

Por exemplo:
§ saber se o técnico de saúde recebe regularmente as fichas de
notificação.
§ saber se um técnico recentemente enquadrado na unidade
sanitária conhece os procedimentos de notificação.
§ ou então, o técnico de saúde não está motivado para enviar os
relatórios, porque não considera isso importante.
§ Verificar se o pessoal de saúde recebe retroinformação acerca
dos relatórios que fizeram e têm os recursos para tomar
medidas com base na informação.
Procurar com a unidade notificadora, as soluções para melhorar a situação.
Explicar que, quando a informação é completa, o município pode ajudar o
pessoal de saúde mais eficientemente na planificação das respostas e na sua
execução. Por exemplo, se o problema for a falta de material, o município
pode usar a informação dos relatórios para advogar junto dos níveis
superiores do sistema.

8.3.3 Pontualidade e grau de integridade dos relatórios enviados a


outros níveis

Quando se enviarem relatórios de rotina sobre o número de casos para os níveis municipal,
provincial, ou central, deve-se enviar igualmente os dados sobre a pontualidade e o grau de
integridade. Isso ajudará os níveis superiores a compreenderem a situação mais claramente
e a avaliar a qualidade dos dados que estão a ser enviados.

Por exemplo, se o relatório para o nível central informar que se detectaram dois casos de
sarampo durante o mês, também deverá incluir informação sobre o número de unidades
sanitárias que fizeram a notificação. Para os níveis que recebem, faz diferença saber,
quando avaliarem a informação, se os dois casos ocorreram com notificações de apenas
20% em vez de 100% das unidades notificadoras.

244
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

8.4 Supervisionar as actividades de vigilância e


resposta.

A supervisão é o processo de ajudar a melhorar o desempenho no trabalho. A supervisão


não é uma inspecção. Pelo contrário, uma boa supervisão pretende manter a boa qualidade
dos serviços e não descobrir aquilo que está mal.

Num bom sistema, os supervisores e os profissionais de saúde trabalham em conjunto para


analisar os progressos, identificar os problemas, descobrir o que causou o problema e
encontrar soluções viáveis.

8.4.1 Preparar a descrição de funções para o pessoal da vigilância

A descrição de funções constitui a base para a realização da supervisão e da avaliação do


desempenho. O supervisor deve rever a descrição de funções dos técnicos com
responsabilidade no sistema de vigilância e resposta

Essa descrição deve incluir:


· Tarefas de vigilância a desempenharr
A quem o técnico de saúde deve informar

8.4.2 Preparar o plano de supervisão

Deve-se incluir metas de vigilância e resposta ao plano global de


supervisão do município.

Por exemplo:
§ Decidir a frequência da supervisão. Por exemplo, um
município pode decidir efectuar uma visita de supervisão, pelo
menos, 2 vezes por ano a cada unidade sanitária.
§ No início de cada ano os técnicos responsáveis pela supervisão
ao nível municipal devem elaborar calendário de visitas de
supervisão tanto as unidades sanitárias públicas e privadas,
bem como postos da comunidade que reporta a unidade
sanitária

245
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ Garantir e coordenar com outros sectores a disponiblidade de


transportes para a realização da supervisão integrada.
§ Identificar e obter recursos necessários para a supervisão
integrada.

8.4.3 Usar um Guião de supervisão


Cada unidade de saúde tem os seus próprios problemas e prioridades, que
exigem uma solução e correcções específicas. Para manter uma motivação
positiva do pessoal da unidade de saúde, a fim de se efectuarem os
melhoramentos, considerar a elaboração de uma lista de verificação
graduada, para orientar a visita de supervisão.
Os itens incluídos numa lista de verificação graduada (como a que figura no
Anexo 8H) são seleccionados com base naquilo que foi realizado na unidade
de saúde, até à data da supervisão. Por exemplo, quando o serviço atingiu
um objectivo (por exemplo, usando as definições de casos padrão de forma
consistente), trabalhar com o pessoal da unidade de saúde, para incluir o
indicador ou o item seguinte para a monitorização do desempenho (por
exemplo, usando limiares para a acção). Rever a lista de verificação da
supervisão em conformidade. Usá-la durante as futuras visitas, para ajudar o
pessoal de saúde a monitorizar as suas actividades e os progressos
efectuados no sentido de um melhor sistema.

Durante a visita, usar uma lista de verificação, para monitorizar até que
ponto o pessoal de saúde executa correctamente as funções de vigilância
recomendadas. Por exemplo, um funcionário de vigilância municipal que
visite uma unidade de saúde, em funções de supervisão, deve verificar o
seguinte:

Identificar e Verificar no registo clínico se os diagnósticos


registar os casos correspondem à definição de caso recomendada.

Verificar se todas as colunas do registo estão


correctamente preenchidas.

Confirmar os casos Comparar o número de casos dos registos laboratoriais


relativos às doenças prioritárias com o número de
casos observados na clínica, para o mesmo período de
tempo. Por exemplo, comparar o número de casos
positivos de malária, com o número de casos
notificados.

246
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Elaborar relatórios Pedir cópias das últimas notificações para o período


mais recente. Comparar o número de casos de doenças
prioritárias que foram notificadas com o número que
consta do registo.

Comparar a data em que o relatório dos casos foi


enviado com a data recomendada para o envio do
mesmo.

Verificar se os relatórios estão completos e integros.

Rever e analisar
os dados Verificar se as linhas de tendências para as doenças
prioritárias estão elaboradas e actualizadas. Pedir para
ver o “Livro de Análise da Unidade de Saúde”, se este
for usado no seu município.

Preparação Verificar se existe um abastecimento adequado de


stocks de medicamentos de emergência, material e
vestuário de protecção.

Nota: No final desta secção, encontrará um exemplo de uma lista de


verificação para a supervisão. As perguntas a fazer durante a visita de
supervisão podem ser adaptadas ou modificadas, para corresponderem às
preocupações específicas e à dimensão dos progressos feitos para instalar
um sistema de vigilância integrado no seio da unidade de saúde.

8.4.4 Efectuar visitas de supervisão

A visita de supervisão programada permite verificar se:


§ Se existe material apropriado (por exemplo: formulários,
consumíveis e as definições de caso padronizadas.
§ Os técnicos de saúde conhecem e usam a definição
padronizada de caso.
§ As doenças prioritárias são registadas no livro de registo.

247
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ Os dados são analisados na unidade sanitária para identificar


limiares de acção, tanto para as doenças prioritá[Link] casos
notificados de doenças para as quais um caso único constitua
suspeita de epidemia são imediatamente investigados.
§ Há resposta quando um surto epidémico é confirmado
§ As acções de resposta são monitorizadas pela unidade
sanitária e são tomadas medidas para melhorar as acções de
vigilância

Durante a visita:

1. Fornecer retroinformação aos técnicos de saúde e informá-lo sobre


o que está a funcionar bem. Informar também como é que os
dados anteriormente enviados por ele serviram para detectar
surtos e tomar medidas para reduzir a morbilidade, mortalidade e
as incapacidades no município.

2. Se for necessário introduzir melhorias, discutir as soluções possíveis


com o pessoal.

3. Proporcionar formação em serviço caso se identifique um


problema. Por exemplo, se durante uma revisão da análise dos
dados o técnico responsável pela supervisão, verificar que as taxas
de letalidade não estão correctamente calculadas, deve reunir o
pessoal técnico e relembrar-lhes como se calcula a taxa.

4. Verificar a existência do stock de medicamentos, equipamentos e


outro para responder a um surto epidémico

5. Se, numa visita anterior, tiver sido identificada a solução para um


problema pré-existente, verificar se essa solução foi bem aplicada.
Caso persista o problema dar novas orientações.

6. Fazer o acompanhamento dos pedidos de ajuda, tais como pedido


de equipamentos e material para resposta de emergência.
8.4.5 Elaborar o relatório de uma visita de supervisão

Indicar no relatório, os problemas detectados durante a visita. Indicar


igualmente as acções que foram preparadas com o pessoal de saúde e os

248
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

pedidos de recursos ou fundos adicionais, bem como outros problemas


específicos que possam existir.

8.4.6 Usar as visitas de supervisão para melhorar as actividades de


vigilância no município.

As visitas de supervisão das actividades de vigilância constituem


oportunidades para discutir e melhorar a luta contra as doenças a todos os
níveis do sistema de saúde. Por exemplo, se um técncio do programa
nacional de combate a malária efectuar uma visita ao nível provincial e
municipal, poderá discutir com os técnicos por que razão a mortalidade
em doentes internados com malária não diminuiu. Os técnicos desses
níveis poderão perguntar que recursos adicionais o nível central poderá
fornecer-lhes para melhor o seu desempenho.

O nível provincial deve compilar os dados da vigilância recebidos de todos


os municípios da província e apresentar o relatório ao nível central. A
apresentação do relatório compilado, não deve esperar até se obter o
último relatório. A província deve compilar e apresentar os relatórios
disponíveis em devido tempo. Os relatórios atrasados podem ser enviados
separadamente, quando forem recebidos.

O nível central deve compilar e analisar os dados da vigilância recebidos de


todas as províncias, para identificar os surtos epidémicos dos municípios.
Fazer o seguimento das áreas em que a notificação continua a ser irregular
ou não acontece de forma regular. Ajudar as províncias a darem
assistência aos municípios, quando avaliarem as actividades de vigilância e
a tomarem medidas para melhorar a situação. Enviar a retroinformação
aos níveis provincial, municipal e da unidade sanitária.

Recolher dados de várias fontes, por exemplo:


§ Rever os objectivos, que constam do plano anual do município para
melhorar a vigilância e a resposta.
§ Recolher os relatórios mensais dos casos e óbitos notificados ao
município, os mapas de localização e outros resultados da análise
realizada pelo município.
§ Recolher resultados de inquéritos ou estudos especiais que tenham
sido feitos no município durante o último ano.

249
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ Incluir as fichas e relatórios da investigação de casos sobre as


actividades de resposta às epidemias que tenham sido realizadas no
município.
§ Acrescentar à informação dos técnicos de saúde a informação
fornecida pela comunidade
§ Recolher informação sumária da comunidade e também do pessoal de
saúde.

8.4.7 Analisar os resultados

Durante a avaliação da informação referente ao ano, decidir o seguinte:


§ Os relatórios estão completos e foram apresentados a tempo?
§ Que alterações significativas se observaram nas tendências das
doenças durante o ano?
§ Se existir um aumento do número de casos, o problema foi
identificado atempadamente?
§ Se ocorreram outros casos, investigou-se o porquê dessa
ocorrência? O local ? População mais afectada?
§ Foram tomadas medidas apropriadas e oportunas como
resposta aos dados da vigilância epidemiológica?
§ As visitas de supervisão e as tarefas de acompanhamento
efectuaram-se como previsto no plano?
§ A comunidade sentiu que as actividades de resposta tiveram
resultados positivos?
§ Foram tomadas medidas para dar resposta aos pedidos ou
sugestões dos técnicos de saúde sobre a melhoria da vigilância
na sua unidade sanitária?

8.4.8 Identificar os problemas e suas causas

Se houve problemas e o município não alcançou uma meta prevista ou não atingiu o nível
de desempenho pretendido procurar saber o que causou a diferença entre o que estava
planeado e o que realmente aconteceu. Nesse caso, falar com a equipa do município e o
técnico da unidade sanitária, para descobrir as possíveis causas do problema.

250
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

8.4.9 Actualizar os planos para melhorar a vigilância e a resposta

O município deve incluir as actividades bem sucedidas que deverão ter continuidade, bem
como as soluções viáveis escolhidas em função da análise da avaliação do ano anterior,
durante a elaboração do seu plano de acção anual

Por exemplo:

1. Indicar novas actividades e os seus objectivos

2. Definir os técnicos responsáveis por essas actividades

3. Estimar os custos destas actividades

4. Elaborar um cronograma para a sua implementação. Definir a


sequência das actividades de forma lógica

5. Estabelecer os requisitos logísticos para a sua implementação


(equipamento, pessoal, transportes, atribuição de recursos).

8.4.10 Retroinformar às unidades sanitárias sobre a avaliação

Apresentar um relatório e fazer a retroinformação às unidades sanitárias e


outros no município sobre os resultados da avaliação. No relatório de
retroinformação deve-se referir:
§ quais foram os objectivos e as metas previstas
§ quais foram, efectivamente, os objectivos e metas alcançados
§ quais as razões prováveis das diferenças verificadas entre o
que estava planeado e o que se conseguiu fazer
§ as recomendações e as actividades definidas como prioritárias
para melhorar a vigilância e a resposta no município

251
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Anexos à secção 8
· ANEXO 8A Indicadores essenciais de VID-R para o nível de unidade de saúde

· ANEXO 8B Quadro para monitorizar o desempenho dos indicadores de VID-R a


nível de unidade de saúde

· ANEXO 8C Indicadores essenciais de VID-R para o nível municipal

· ANEXO 8D Indicadores essenciais do RSI para monitorizar a implementação a nível


municipal

· ANEXO 8E Indicadores essenciais de VID-R para o nível provincial

· ANEXO 8F Indicadores essenciais de VID-R para o nível central

· ANEXO 8G Modelo de grelha para registar a pontualidade e o cumprimento da


notificação semanal da unidade sanitária para o município

· ANEXO 8H Modelo de grelha para registar a pontualidade e o cumprimento da


notificação mensal da unidade sanitária para o município

· ANEXO 8I Indicadores para a monitorização da qualidade das actividades de


vigilância a nível do município

· ANEXO 8J Lista de verificação das actividades de vigilância e resposta durante uma


supervisão efectuada à unidade sanitária

· ANEXO 8K Quadro de monitorização do uso dos indicadores a nível municipal ou


provincial

252
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 8A. Indicadores essenciais de VID-R para o nível de unidade de


saúde

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

1 Proporção de Medir a prática das Número de Número de Mapa de monitorização 80%

relatórios de vigilância unidades de saúde relatórios de relatórios de da apresentação do

completos3 na apresentação vigilância vigilância relatório4 em devido

apresentados a tempo pontual dos completos esperados da tempo

ao Município relatórios da apresentados ao unidade de saúde

vigilância ao nível Município em

seguinte devido tempo

2 Proporção de doenças Medir a prática e a Número de Número de Lista de verificação da 80%

prioritárias para as quais capacidade de doenças doenças prioritárias actividade do

existe um gráfico linear5 analisar os dados prioritárias para as para as quais deve “responsável” da

actualizado6 da vigilância quais existe um existir um gráfico unidade de saúde e

gráfico linear linear formulários dos

actualizado. relatórios-síntese da

VID-R oriundos da

unidade de saúde

3 Proporção de casos de Medir a notificação Número de Número total de Relatórios-síntese de 80%

doenças visadas para dos dados da doenças doenças rotina e relatórios

eliminação ou vigilância, com a especificas seleccionadas para baseados em casos ou

erradicação e de informação seleccionadas vigilância baseada listas lineares

qualquer outra doença detalhada a usar para relatórios de em casos, que

seleccionada para a para outras vigilância baseada ocorreram na

3
“Completo” neste indicador significa que todas as células dos formulários de notificação estão preenchidas.
4
Na página seguinte, está um quadro para monitorizar o desempenho da unidade de saúde.
5
A equipa central da VID-R define a lista das doenças, para as quais deve existir um gráfico linear a nível da unidade de saúde. 1) casos e
óbitos mensais por malária em doentes internados menores de 5 anos de idade e 2) tendências da malária em crianças menores de 5 anos, 3)
análise semanal das tendências de sarampo 4) análise mensal das IRAG
6
“Actualizado” neste indicador significa que o gráfico linear deve reflectir os dados obtidos nos últimos três meses, a partir da data da
avaliação.

253
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

vigilância baseada em análises em casos, com os unidade de saúde

casos, notificada através respectivos

dos respectivos formulários ou

formulários ou listas listas lineares

lineares.

4 Proporção de surtos Medir a detecção Número de surtos Número total de Registo diário da 80%

suspeitos de doenças de precoce e a suspeitos de surtos suspeitos de unidade de saúde

potencial epidémico pontualidade da doenças de doenças de sobre a suspeita de

notificados ao nível notificação dos potencial potencial surtos e rumores

municipal 2 dias depois surtos epidémico epidémico na

de ser ultrapassado o notificados, ao unidade de saúde

limiar de alerta nível municipal, 2

dias depois de ser

ultrapassado o

limiar de alerta

5 Taxa de letalidade Medir a qualidade Número de óbitos Número de casos Relatórios de rotina e Depende

para cada doença de de gestão dos por cada uma das da mesma doença relatórios da da

potencial epidémico casos doenças de de potencial investigação sobre doença

notificada potencial epidémico surtos

epidémico

254
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 8B. Quadro para monitorizar o desempenho dos indicadores da


VID-R a nível de unidade de saúde

Instruções:

Usar este quadro para acompanhar o desempenho da unidade de saúde com os indicadores

relevantes para esse desempenho, em relação à VID-R.

Todos os meses, resumir e compilar os dados resumidos da unidade de saúde em relação às

doenças prioritárias.

Enviar, em devido tempo, ao nível municipal, um relatório dos dados resumidos. Registar

neste quadro os resultados do indicador. Mostrar este quadro ao supervisor municipal,

durante a sua visita à unidade de saúde ou levá-lo à reunião trimestral do município.

Indicador Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Proporção de relatórios da

vigilância completos e

apresentados a tempo ao

município

Proporção de doenças

prioritárias para as quais

existe actualmente um gráfico

linear

Proporção de casos de

doenças seleccionadas para

a vigilância baseada em

casos, que foram notificados

ao município, usando os

respectivos formulários ou

listas lineares

Proporção de surtos

suspeitos de doenças de

255
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

potencial epidémico

notificados ao nível municipal

2 dias após ultrapassado o

limiar epidémico

Taxa de letalidade e de

ataque para cada doença de

potencial epidémico

notificada

Responder SIM ou NÃO aos seguintes itens da lista de verificação

Os relatórios da vigilância

foram apresentados com

pontualidade?

Os gráficos das tendências

estão actualizados?

Em caso afirmativo,

observaram-se mudanças

nas tendências?

Em caso afirmativo, o limiar

foi ultrapassado?

Em caso afirmativo, foram

tomadas medidas para alertar

o município?

256
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 8C. Indicadores essenciais de VID-R para o nível municipal


Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

1 Medir a Número de unidades Número de Quadro de monitorização 80%

Proporção de pontualidade de saúde que unidades de da apresentação

unidades de saúde da enviaram saúde no atempada dos relatórios7

que enviaram apresentação atempadamente ao município

atempadamente ao dos relatórios município relatórios

município relatórios da vigilância da vigilância

da vigilância

2 Medir a Número de doenças Número total de Relatórios-síntese de 80%

Proporção de casos notificação dos especificas visadas doenças rotina e relatórios

de doenças visadas dados da para eliminação ou seleccionadas baseados em casos ou

para eliminação ou vigilância, com erradicação e outras para a vigilância listas lineares para as

erradicação e outras informação doenças baseada em doenças visadas para

doenças detalhada a seleccionadas para casos, que eliminação e erradicação

seleccionadas para usar para vigilância baseada ocorreram no e para quaisquer

vigilância baseada outras análises em casos, que foram município doenças seleccionadas

em casos, que foram notificadas através para vigilância baseada

notificadas através dos respectivos em casos

dos respectivos formulários ou listas

formulários ou listas lineares

lineares

Proporção de surtos Medir o uso de Número de surtos Número de Registo diário de surtos e

suspeitos de doenças dados e os suspeitos de doenças surtos suspeitos rumores suspeitos no

de potencial limiares para a de potencial de doenças de Livro municipal de análise 80%

7
No Anexo 8K, encontra-se um quadro para monitorizar o desempenho do indicador municipal.

257
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

epidémico notificadas detecção epidémico notificadas potencial ou outro instrumento de

ao nível provincial, 2 precoce dos ao nível provincial, 2 epidémico no análise de rotina

dias depois de ser surtos e dias depois de ser município

ultrapassado o limiar notificação ultrapassado o limiar

epidémico atempada a epidémico

nível local

4 Medir a prática Número de doenças Número total de Mapa de monitorização 80%

Proporção de e a capacidade seleccionadas (pelo doenças do indicador

doenças prioritárias da equipa menos, malária, seleccionadas, Livro municipal de análise

para as quais existe municipal de sarampo e IRAG) com um gráfico

um gráfico linear8 gestão para as quais existe linear

actualizado9. sanitária, para um gráfico linear (pelo menos,

analisar os actualizado malária,

dados da sarampo e

vigilância IRAG) para as

quais existe um

gráfico linear

actualizado

5 Medir a prática Número de unidades Número total de Relatório da supervisão 80%

Proporção de e a capacidade de saúde que têm unidades de Instrumentos de análise

unidades de saúde da equipa da análises actualizadas saúde no de dados da unidade de

que têm uma análise unidade de das tendências para município saúde

das tendências saúde para doenças prioritárias

actualizadas (gráficos analisar os seleccionadas

8
A equipa central de VID-R define a lista das doenças, para as quais deve existir um gráfico linear, a nível do
municipio. 1) casos e óbitos mensais por malária de crianças internadas menores de 5 anos de idade e2)
tendências da malária em crianças menores de 5 anos 3) análise semanal da tendência do sarampo 4) análise
mensal das IRAG .
9
“Actualizado” neste indicador significa que o gráfico linear deve reflectir os dados obtidos nos últimos três
meses, a partir da data da avaliação.

258
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

lineares) para dados de

doenças prioritárias vigilância

seleccionadas

6 Medir a Número de relatórios Número total de Relatório da investigação 80%

Proporção de existência de de investigação relatórios de Epi-curva

relatórios sobre variáveis sobre os surtos que investigação Mapa

surtos investigados, adicionais para incluem dados sobre os surtos


Quadro de análise por
que incluem dados outras análises baseados em casos conduzida no
pessoas
baseados em casos município
Listas lineares ou
analisados
formulários de notificação

baseada em casos

7 Medir a Número de surtos Número total de Registo diário de surtos e 80%

Proporção de surtos capacidade do investigados, com surtos rumores suspeitos

investigados, com laboratório para resultados investigados Relatórios laboratoriais

resultados confirmar o laboratoriais, num que ocorreram Relatórios sobre a

laboratoriais diagnóstico e a determinado período num investigação de surtos


sua de tempo determinado

participação período de

nas actividades tempo

de vigilância

8 Medir a Número de surtos Número de Registo diário de surtos e 80%

Proporção de surtos capacidade do confirmados com surtos rumores suspeitos

confirmados com uma município para uma resposta confirmados no Relatórios sobre a

resposta de saúde dar resposta recomendada pelo município investigação de surtos

pública recomendada aos surtos nível provincial Relatórios da supervisão

pelo nível priovincial

259
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

9 Medir a Número de óbitos por Número de Relatório-síntese de Pode

Taxas de letalidade qualidade de cada surto de casos do rotina variar;

para surtos de gestão dos doenças mesmo surto Relatórios sobre a depende

doenças prioritárias casos devidos a essa investigação de surtos da

doença doença

10 Ajudar a Número de novos Número de Dados demográficos Pode

Taxa de ataque para identificar a casos de uma pessoas sobre o município variar;

cada surto de doença população de doença de potencial expostas ao Relatórios sobre a depende

prioritária risco e a epidémico que risco durante o investigação de surtos, da

eficácia da tenham ocorrido surto com listas lineares ou doença

intervenção durante um surto formulários baseados em

resultados

ANEXO 8D. Indicadores essenciais do RSI para monitorizar


aimplementação a nível municipal

Indicador RSI Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

Medir a prática e Número de Número total de Relatórios-síntese de 80%


[Link]ção de capacidade do hospitais que hospitais no rotina e relatórios de
hospitais com hospital para notificaram ter município supervisão
requisitos criados para aplicar os criado
a Prevenção e requisitos para o requisitos de
Controlo das controlo das Prevenção e
Infecções (PCI) infecções Controlo das
Infecções
(IPC)
Medir a prática e Número de Número total de Relatórios de avaliação 80%
2. Proporção de capacidade do municípios que municípios e mapeamento dos
municípios com riscos município para notificaram ter visados para riscos e relatórios de
e recursos de saúde efectuar o efectuado o mapeamento supervisão
pública mapeados mapeamento dos mapeamento dos riscos e
recursos dos riscos e recursos para a
disponíveis e dos recursos para saúde pública
riscos sanitários a saúde
pública

260
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador RSI Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

3. Proporção de Medir a prática e Número de Número total de Relatórios-síntese de 80%


municípios que capacidade do municípios que municípios rotina e relatórios de
comunicam a município que comunicaram supervisão
informação usando a apresenta a informação
vigilância baseada em relatórios da usando
eventos vigilância, usando métodos de
métodos de vigilância
vigilância baseada baseada em
em eventos eventos
Medir o uso das Número de Número total de Relatórios-síntese de 80%
4. Proporção de leis ou municípios que municípios rotina e relatórios de
municípios aos quais instrumentos para comunicaram supervisão
as autoridades facilitar a ter recebido
nacionais forneceram implementação leis ou
leis ou instrumentos das obrigações do instrumentos
legais suficientes para RSI legais
a implementação das
obrigações nos termos
do RSI
Medir a prática e Número de Número total de Relatórios de reuniões 80%
5. Proporção de capacidade do municípios que municípios e relatórios de
municípios com um município para criaram um supervisão
mecanismo criado coordenar a mecanismo
para a coordenação implementação do para a
dos sectores RSI coordenação
relevantes na dos sectores
implementação do RSI relevantes na
implementação
do RSI

261
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 8E. Indicadores essenciais de VID-R para o nível provincial

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

1 Medir a prática Número de Número total de Quadro da 80%

Proporção de da apresentação municípios que municípios que monitorização

relatórios mensais da atempada dos apresentaram enviam relatórios Relatórios-síntese de

vigilância dados da atempadamente à à província rotina

apresentados vigilância província

atempadamente pelo relatórios de VID-

município à província R

nos últimos 3 meses

2 Medir a Número de casos Número total de Relatórios-síntese de 80%

Proporção de casos de notificação dos de doenças casos de rotina e relatórios

doenças visadas para dados da especificas doenças baseados em casos ou

eliminação ou vigilância, com visadas para especificas listas lineares

erradicação e outras informação eliminação ou visadas para

doenças detalhada a usar erradicação e eliminação ou

seleccionadas para para outras outras doenças erradicação e

vigilância baseada em análises seleccionadas outras doenças

casos, notificados com para vigilância seleccionadas

os respectivos baseada em para vigilância

formulários ou listas casos, notificadas baseada em

lineares. com os casos por

respectivos município.

formulários ou

listas lineares por

municipio.

3 Medir a Número de surtos Número total de Registo diário de surtos 80%

detecção suspeitos de surtos suspeitos

262
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

Proporção de surtos precoce e a doenças de de doenças de e rumores suspeitos

suspeitos de doenças notificação potencial potencial Relatórios-síntese de

de potencial epidémico atempada dos epidémico epidémico na rotina

notificados ao nível surtos notificados à província

provincial 2 dias província, 2 dias

depois de depois de

ultrapassado o limiar ultrapassado o

de alerta limiar de alerta

4 Medir a prática e Número de Número total de Relatórios da supervisão 80%

Proporção de capacidade para municípios para municípios Livro municipal de

municípios que têm analisar os os quais existe um análise

um gráfico linear10 dados da gráfico linear

actualizado11 para as vigilância actualizado

doenças prioritárias.

5 Medir a Número de Número de Relatórios da 80%

Proporção de disponibilidade relatórios relatórios investigação

relatórios analisados de outras municipais sobre muinicipais sobre Relatórios-síntese de

sobre surtos variáveis para investigação dos investigação dos rotina

investigados que novas análises, surtos que surtos

incluem dados incluindo os incluem epi-curva,

baseados em casos possíveis mapeamento,

factores de risco quadros pessoais

envolvidos e formulários

baseados em

casos ou listas

10
A equipa central de VID-R define a lista das doenças, para as quais deve existir um gráfico linear a nível da
provincia. 1) casos e óbitos mensais por malária em doentes internados menores de 5 anos de idade e 2)
tendências da malária em crianças menores de 5 anos, 3) análise semanal da tendência por sarampo 4) análise
mensal das IRAG
11
“Actualizado” neste indicador significa que o gráfico linear deve reflectir os dados obtidos nos últimos três
meses, a partir da data da avaliação.

263
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

lineares

6 Medir a Número de surtos Número de surtos Relatórios sobre a

Proporção de surtos capacidade dos investigados com investigados na investigação dos surtos 80%

investigados com laboratórios resultados província Relatórios laboratoriais

resultados para laboratoriais Relatórios-síntese de

laboratoriais confirmarem o rotina


diagnóstico e a
Registo diário dos surtos
participação dos
e rumores
laboratórios nas

actividades de

vigilância

7 Medir a Número de surtos Número de surtos Registo diário dos surtos 80%

Proporção de surtos capacidade da confirmados com confirmados e rumores

confirmados com uma província para uma resposta de Relatórios sobre a

resposta de saúde responder aos saúde pública investigação dos surtos

pública recomendada surtos recomendada pelo Relatórios da visita de

pelo nível central nível central supervisão

8 Medir a Número de óbitos Número de casos Relatórios de rotina e Depende

Taxa de letalidade qualidade da para cada doença da mesma relatórios sobre a da

notificada para cada gestão dos de potencial doença de investigação dos surtos doença

doença de potencial casos epidémico potencial

epidémico epidémico

9 Ajudar a Número de novos Número de Dados demográficos Pode

Taxa de ataque para identificar a casos de uma pessoas sobre a província variar;

cada surto de uma população em doença de expostas ao risco Relatórios sobre a depende

doença prioritária risco e a eficácia potencial durante o surto investigação dos surtos, da

264
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

da intervenção epidémico que com listas lineares ou doença

tenham ocorrido formulários baseados

durante um surto em casos

ANEXO 8F. Indicadores essenciais de VID-R para o nível central

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

1 Medir a prática Número de Número total de Quadro de 80%

Proporção de relatórios de apresentação províncias que províncias que monitorização

mensais de VID-R atempada dos enviaram enviam relatórios Relatórios-síntese de

enviados dados da atempadamente ao nível central rotina

atempadamente pela vigilância relatórios de VID-

província ao nível R ao nível central

central, nos últimos 3

meses

2 Medir a prática Número de Número total de Formulários de 80%

Proporção de unidades de apresentação unidades de municípios relatórios-síntese

de saúde que enviaram atempada dos saúde que

atempadamente ao dados da enviaram

município os relatórios vigilância, pelas atempadamente

da vigilância unidades de relatórios aos

saúde ao municípios

município

3 Medir a Número de Número de Relatórios-síntese de 80%

Proporção de casos de notificação dos doenças visadas doenças visadas rotina

doenças, visadas para dados da para eliminação para eliminação e relatórios baseados

eliminação ou vigilância, com ou erradicação, e ou erradicação e em casos ou listas

265
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

erradicação e outras informação outras doenças outras doenças lineares

doenças seleccionadas detalhada a usar seleccionadas seleccionadas

para vigilância baseada para novas para vigilância para vigilância

em casos, que foram análises baseada em baseada em

notificadas com os casos, que foram casos

respectivos formulários notificadas com

ou listas lineares. os respectivos

formulários ou

listas lineares.

4 Medir a Número de Número total de Registo diário de surtos 80%

Proporção de surtos detecção surtos suspeitos surtos suspeitos e rumores suspeitos

suspeitos de doenças precoce e a de doenças de de doenças de Relatórios-síntese de

de potencial epidémico notificação potencial potencial rotina

notificadas ao nível atempada dos epidémico epidémico

central, 2 dias depois surtos notificadas ao

de ultrapassado o limiar nível central, 2

de alerta dias depois de

ultrapassado o

limiar de alerta

5 Medir a prática e Número de Número total de Relatórios da supervisão 80%

Proporção de capacidade para doenças municípios Livro de registo

municípios em que analisar os prioritárias para municipal de análise

existe um gráfico dados da as quais existe

linear12 actualizado13 vigilância um gráfico linear

12
A equipa central de VID-R define a lista das doenças, para as quais deve existir um gráfico linear a todos os
níveis . A AFRO recomenda que, no mínimo, as unidades de saúde tenham gráficos lineares actualizados para 1)
análise semanal das tendências da meningite cerebro-espinal, particularmente nos países da cintura da
meningite, 2) casos s e óbitos mensais por malária em doentes internados menores de 5 anos de idade e 3)
tendências da malária em crianças menores de 5 anos
.
13
“Actualizado” neste indicador significa que o gráfico linear deve reflectir os dados obtidos nos últimos três
meses, a partir da data da avaliação.

266
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

para doenças actualizado nos

prioritárias municípios.

seleccionadas

6 Medir a Número de Número de Relatórios da 80%

Proporção de relatórios disponibilidade relatórios de relatórios de investigação

de surtos investigados de outras investigação investigação Relatórios-síntese de

que incluem dados variáveis para sobre surtos que sobre surtos rotina

baseados em casos novas análises, incluem epicurva,

analisados incluindo os mapeamento,

possíveis quadros pessoais

factores de risco e formulários

envolvidos baseados em

casos ou listas

lineares

7 Medir a Número de Número de Relatórios sobre 80%

Proporção de surtos capacidade dos surtos surtos investigação dos surtos

investigados com laboratórios investigados com investigados Relatórios do laboratório

resultados laboratoriais para resultados Relatórios-síntese de


confirmarem o laboratoriais rotina
diagnóstico e o
Registo diário dos surtos
envolvimento
e rumores
dos laboratórios

nas actividades

de vigilância

8 Medir a Número de Número de Registo diário dos surtos 80%

Proporção de surtos capacidade da surtos surtos e rumores suspeitos

confirmados com uma província para confirmados com confirmados Relatórios sobre

267
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

resposta de saúde responder aos uma resposta de investigação dos surtos

pública recomendada surtos saúde pública Relatórios das visitas de

pelo nível central recomendada supervisão

pelo nível

9 Medir a Número de óbitos Número de casos Relatórios de rotina e Depende

Taxa de letalidade para qualidade da por cada doença da mesma relatórios sobre da

cada doença de gestão dos de potencial doença de investigação dos surtos doença

potencial epidémico casos epidémico potencial

notificada epidémico

10 Ajudar a Número de novos Número de Dados demográficos do Pode

Taxa de ataque para Identificar a casos de uma pessoas município variar;

cada surto de doença população em doença de expostas ao risco Relatórios de depende

prioritária risco e a eficácia potencial durante o surto investigação sobre os da

da intervenção epidémico que surtos, com listas doença

ocorreram lineares ou formulários

durante um surto baseados em casos

11 Verificar a Número de Número total de Formulários municipais Zero

Número de epidemias capacidade de epidemias epidemias de relatórios-síntese

detectadas a nível todo o sistema detectadas pelo notificadas pelos Livro de registo

central e não de saúde para nível provincial municípios municipal de análise

detectadas pelo nível detectar ou central, Relatórios da supervisão

municipal epidemias e através da


Relatórios-padrão da
mostrar que o análise dos
vigilância
nível central dados

está a verificar específicos do

se os municípios município

estão a observar

as tendências

268
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Indicador Finalidade Numerador Denominador Fonte de informação Meta

12 Medir se os Número de Número total de Livro nacional de registo

Proporção de municípios laboratórios laboratórios diário dos relatórios


municípios que
estão a recolher municipais que municipais recebidos
notificam os dados
laboratoriais para as e a notificar os apresentaram
doenças em vigilância
dados mensalmente

laboratoriais ao dados ao nível

nível superior superior

13 Medir o apoio Número de Número total de Relatórios do Ponto

Proporção de que os laboratórios laboratórios Focal do Laboratório

laboratórios municipais laboratórios municipais que municipais municipal – estes podem

que receberam, pelo municipais receberam, pelo exigir visitas no terreno

menos, uma visita de recebem para menos, uma

supervisão com ajudar a resolver actividade de

retroinformação escrito os problemas, supervisão

pelo nível provincial/ através de

nacional visitas de

supervisão

14 Medir até que Número de Número total de NPHL

Proporção de ponto os níveis laboratórios laboratórios

laboratórios provinciais provinciais provinciais que provinciais

que notificam dados analisam analisam e

laboratoriais analisados devidamente os notificam

ao laboratório nacional dados dos mensalmente ao

laboratórios nível central

municipais

269
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 8G. Modelo de Grelha para registar a pontualidade cumprimento


da notificação semanal da unidade sanitária para o
município
Note bem: legenda
T = chegou dentro do prazo
A = chegou atrasado
N = relatório não recebido

Unidade Sanitária_________________ Município _______________Ano ________


Nome da unidade SEM SEM SEM SEM SEM SEM SEM SEM SEM SEM SEM SEM
sanitária 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Número total de
relatórios esperados
(E)
Total de relatórios
enviados no prazo (T)
Total de relatórios
enviados com atraso
(A)
Número total de
relatórios não
recebidos (N)
Pontualidade dos
relatórios =
100 * T / E
Cumprimento da
notificação =
100 * (E-N) / E

270
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 8H. Modelo de grelha para registar a pontualidade e o


cumprimento da notificação mensal da unidade sanitária
ao município
Note bem: legenda
T = chegou dentro do prazo
A = chegou atrasado
N = relatório não recebido
Unidade sanitária ___________________ Município _________________ Ano ________
Nome da unidade Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ag Set Out Nov Dez
sanitária

Número total de
relatórios esperados
(E)
Total de relatórios
enviados no prazo (T)
Total de relatórios
enviados com atraso
(A)
Número total de
relatórios não
recebidos (N)
Pontualidade dos
relatórios =
100 * T / E
Cumprimento da
notificação =
100 * (E-N) / E

Notar que as taxas de pontualidade e de cumprimento da notificação são expressas em percentagem (%).
Quando o sistema de vigilância é bom, as taxas de pontualidade e de cumprimento devem aproximar-se
dos 100%. Este quadro permite a monitorização dos progressos destes dois indicadores no munípio , para
que se possa tomar medidas para melhorar as taxas em cada unidade sanitária.

271
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 8I. Indicadores para monitorizar a qualidade das actividades de


vigilância a nível do município

Para avaliar a qualidade das componentes de vigilância apresentadas na coluna 1 abaixo,


monitorizar e observar regularmente os progressos relativos aos seguintes indicadores
apresentados na coluna 2. Ao comparar várias unidades sanitárias do mesmo nível do
sistema de saúde, deve-se utilizar proporções ou taxas.
Para esta função de
Monitorizar regularmente o número de municípios que:
vigilância:
Manter a Ø Dispõem de um plano para dar resposta às epidemias
preparação para a
resposta às Ø Não registaram rotura de stock de medicamentos e material de urgência
epidemias durante os últimos 12 meses
Ø Têm acesso a fundos para resposta às epidemias
Ø Têm uma equipa com formação para efectuar uma investigação sobre
epidemias
Identificar casos Ø Têm um técnico responsável pela vigilância epidemiológica
suspeitos
Ø Analisam as fichas e os registos dos casos

Investigar e Ø Investigaram, pelo menos, uma epidemia notificada durante os últimos 12


confirmar meses
epidemias Ø Dispõem de capacidade laboratorial para confirmar casos suspeitos de
notificadas
doenças prioritárias
Ø Confirmam as doenças potencialmente epidémicas com a devida rapidez
Ø São capazes de ter segurança no manuseamento, embalagem,
acondicionamento e transporte de amostras para os laboratórios de nível
superior
Notificar os dados Ø Tiveram sempre uma reserva suficiente de fichas recomendadas durante os
últimos 6 meses
Ø Enviaram todos os relatórios pedidos, em devido tempo, ao nível superior
seguinte, durante os últimos 6 meses

Analisar os dados Ø Descrevem os dados relativos ao surto epidémico em função do tempo, local e
pessoa
Ø Fazem a análise das tendências por unidade sanitária
Ø Têm um limiar de acção para as doenças potencialemnte epidémicas, bem
como uma acção de resposta definida
Ø Comparam os dados com os registados no mesmo periodo do ano anterior
Resposta Ø Responderam num prazo de 48 horas depois de atingirem o limiar de acção.
Ø Reúnem-se com a comunidade para discutir um problema de saúde, pelo
menos, uma vez em cada 6 meses
Ø Obtiveram taxas de letalidade aceitáveis durante a epidemia mais recente (por
exemplo, não mais de 10% para a meningite, não mais de 1% para a cólera)
Ø Dispõem de comissões de luta contra epidemias e que avaliaram as suas
actividades de preparação e resposta durante os últimos 12 meses

272
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Fornecer Ø Prepararam e divulgaram um relatório escrito de informação sobre a


retroinformação vigilância, pelo menos, trimestralmente, durante o último ano
Ø Receberam, de um nível superior, durante o último ano, um relatório escrito
ou um boletim com a informação fornecida
Ø Fornecem retroinformação à comunidade

Supervisão Ø Número de unidades sanitárias supervisionadas

Formação Ø Número de técnicos que, nos últimos 12 meses, receberam formação sobre
vigilância.
Recursos e pessoal
Número de municípios com:
Ø Transportes ou apoio logístico (veículos com combustível, motociclos)
Ø Equipamento para realizar a análise dos dados (computadores, programas de
estatística)
Ø Meios de comunicação (telefone, fax, correio electrónico)
Ø Material de informação e educação (vídeo e monitor, gerador portátil, écran,
projector (de diapositivos ou filmes)
Ø Recursos humanos (epidemiologista com formação, técnicos de laboratório,
gestores de dados)

273
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 8J. Lista de verificação das actividades de vigilância e resposta


durante uma supervisão efectuada à unidade sanitária

Unidade sanitária:______________________________________ Data da visita de


supervisão:________________________________

ACTIVIDADE PERGUNTA DO TÉCNICO SUPERVISOR • RESPOSTA OBSERVAÇÕES


(qual a causa do problema?)

Identificar casos 1. Quantas vezes recolhe informação da comunidade __________


suspeitos sobre os relatórios de óbitos ou casos suspeitos
associados a um evento ou doença prioritária?

Registar casos 1. Os diagnósticos dos casos de doenças prioritárias Sim Não


são registados no ficheiro clínico de acordo com a
definição padronizada de caso?

Notificar 1. O pessoal de saúde usa as definições padronizadas de Sim Não


caso para notificar os casos e epidemias suspeitas? Sim Não
2. Regista informação sobre as doenças potencialmente
epidémicas na ficha de notificação imediata?

Analisar e interpretar 1. Regista em gráfico o número de casos e óbitos para • Sim Não
cada doença prioritária? (Pedir para ver o livro de • Sim Não
análise da estrutura de saúde. Verificar se as linhas
de tendência estão actualizadas)
• 2. Regista num mapa a distribuição dos casos?

• Investigar e • 1. Quando há suspeita de uma doença de • Sim Não


confirmar a potencial epidémico, é imediatamente comunicada à • Número de
notificação de delegacia de saúde? resultados
casos e • 2. Para os casos de doenças prioritárias que obtidos:____
epidemias requerem análises laboratoriais e foram vistos desde ______
a última visita de supervisão, quantos obtiveram • Número de
resultados laboratoriais?
resultados
• 3. Dispõem de material apropriado e
esperados:_
suficiente para recolher amostras laboratoriais
durante uma situação de urgência e é possível ver _________
esse material? • Sim Não

274
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ACTIVIDADE PERGUNTA DO SUPERVISOR RESPOSTA OBSERVAÇÕES


(qual a causa do
problema?)

• Dar resposta [Link] material apropriado disponível para dar resposta a um caso ou • Sim Não
epidemia confirmada (por exemplo, vacinas e material de • Sim Não
vacinação, SRO, antibióticos, etc.)?
• Nome:___________
2. Pode mostrar o material disponível para levar a cabo
• Designação:__________
uma actividade de resposta recomendada.
• A formação é feita ____________
[Link] é o coordenador das epidemias neste estabelecimento?
[Link] que frequência presta informação e formação sobre resposta às
epidemias ao pessoal desta estrutura?

• Fornecer [Link] que frequência fornece informação à comunidade? • Indicar __________


retroinformação [Link] o último boletim do nível da delegacia da saúde? • Sim Não

• Avaliar e 1. Os últimos 3 relatórios mensais de rotina foram enviados à delegacia de • Sim Não
aperfeiçoar o saúde? • Sim Não
sistema
[Link] últimos 3 relatórios mensais de rotina foram enviados dentro do
prazo?

• Preparação para [Link] precauções é que o pessoal de saúde (incluindo o pessoal de Nível mínimo de precauções
as epidemias laboratório) toma normalmente com todos os doentes, padrão: ___________
independentemente do tipo de infecção?
[Link] calcula as quantidades de material de reserva para uso durante Como é calculada a quantidade do
uma situação de urgência? material:___________________

275
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

ANEXO 8K. Quadro de monitorização para uso dos indicadores a nível


municipal ou provincial

Município: __________________ Província: ___________________ Ano :__________________


Nota: Preencher cada célula com as percentagens reais
Indicador Resultados dos indicadores em percentagem
Jan. Fev. Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total
Proporção de unidades de saúde que apresentam
atempadamente relatórios da vigilância ao
município
Proporção de surtos suspeitos de doenças de
potencial epidémico notificados ao nível superior
seguinte, 2 dias depois de ultrapassado o limiar
de alerta
Proporção de casos de doenças visadas para
eliminação ou erradicação e outras doenças
seleccionadas para vigilância baseada em casos
que foram notificadas ao município, usando os
respectivos formulários ou listas lineares
Proporção de relatórios de surtos investigados
que incluíram dados baseados em casos
analisados.
Proporção de municípios que têm análises de
tendências actualizadas (gráficos lineares), para
doenças prioritárias seleccionadas.
Proporção de unidades de saúde que têm
análises de tendências actualizadas (gráficos
lineares), para doenças prioritárias seleccionadas
Proporção de surtos com resultados laboratoriais
Proporção de surtos confirmados com resposta
recomendada
Taxa de letalidade para cada doença de potencial
epidémico (doença prioritária) notificada
Taxa de ataque para cada doença de potencial
epidémico notificada
(para o nível central)
Número de epidemias detectadas a nível central e
que não foram detectadas pelo nível municipal
Calculou os indicadores este mês?
Em caso afirmativo, usou os resultados para
tomar medidas destinadas a corrigir os
problemas?

276
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Indicadores para monitorizar a qualidade da vigilância e da resposta na unidade


sanitária

Função da vigilância Indicador: monitorizar regularmente o número de unidades


sanitárias que:
Identificar e registar os Dispõem de um registo clínico
casos suspeitos Registam correctamente a informação nos livros
Confirmar os casos Têm acesso a um laboratório funcional que possa analisar amostras com segurança
suspeitos (por exemplo: expectoração, fezes, sangue, soro, líquido cefalorraquidiano) para
confirmação das doenças prioritárias.
Recolhem amostras com segurança e as acondicionam devidamente para serem
transportadas para laboratórios de nível superior.
Enviam, em devido tempo, amostras de doenças prioritárias para confirmação.
Rever e analisar dados Mantêm actualizadas as tendências de cada doença prioritária seleccionada.
Detectaram uma nova epidemia.
Têm um limiar de acção para cada doença prioritária.
Comunicar dados Comunicam a informação baseada em casos de doenças imediatamente notificáveis
Têm um fornecimento suficiente de impressos de notificação
Registam com rigor a informação sobre o registo de casos em fichas-síntese para
notificação
Apresentaram, em devido tempo, os relatórios ao município durante os últimos 3
meses

Dar resposta aos limiares Usaram a informação local para realizar uma actividade de prevenção e controlo das
das epidemias e aos doenças durante os últimos 12 meses
resultados da análise Implementaram medidas de prevenção e controlo baseadas em informação local
para, pelo menos, uma doença potencialmente epidémica
Fornecer retroinformação Receberam um boletim ou um relatório do município ou de outro nível, acerca dos
dados que a unidade sanitária comunicou a outros níveis durante o ano
Reuniram com os membros da comunidade para discutir os resultados da
investigação durante os últimos 6 meses
Manter a preparação para a Usam protocolos normalizados para a gestão de casos de doenças prioritárias
resposta às epidemias Usam um nível mínimo de precauções-padrão com todos os doentes febris,
independentemente do estado da infecção
Mantêm uma reserva de emergência de medicamentos e material de tratamento, de
modo a poderem dar resposta a doenças de potencial epidémico anteriormente
detectadas na área

Supervisão Usaram uma lista de verificação para a vigilância durante uma visita de supervisão,
pelo menos, uma vez nos últimos 6 meses
Formação Deram formação ao pessoal de saúde sobre os seguintes temas nos últimos 12
meses: usar definição de caso, manipular as amostras com segurança, recolher e
comunicar dados, analisar e interpretar tendências, usar os limiares de acção ou
competências de supervisão
Recursos Dispõem de métodos de transporte seguros, com abastecimento de combustível, se
necessário (bicicletas, motociclos, veículos, combustível)
Têm acesso a métodos de comunicação fiáveis (telefone, fax, radiotelefone, correio
electrónico, outros)
Dispõem de material para realizar investigação sobre as epidemias
Dispõem de fundos para implementar actividades de resposta

277
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Sessão 9 Orientações-Síntese para Doenças e Eventos Prioritários

Esta secção explica como:


· Tomar medidas para dar resposta aos
limiares de alerta e de acção para doenças
específicas
· Identificar as finalidades e os objectivos da
vigilância para cada doença prioritária
· Identificar os dados a analisar e interpretar
para cada doença prioritária
· Estar preparado para usar o livro de análise
municipal.

278
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.1 Síndrome de febre hemorrágica Viral (FHV)


Introdução
As síndromes de febre hemorrágica aguda podem ser atribuídas às doenças virais de: Ébola e Marburgo (filoviridae); febre de Lassa
(arenaviridae), febre do vale do Rift (RVF) e febre hemorrágica do Congo-Crimeia (FHCC) (bunyaviridae); dengue (febre hemorrágica do
dengue (DHF)) e febre amarela (flaviviridae); e outras doenças virais, bacterianas ou rickettsianas com potencial para produzir epidemias.
Todos os casos de síndrome de febre hemorrágica viral aguda, quer sejam únicos ou em grupo, devem ser imediatamente notificados, sem
se esperar pela identificação do agente causal.

Objectivos da vigilância
Detecção precoce dos casos e surtos de síndrome de febre hemorrágica viral aguda, investigação rápida e verificação laboratorial imediata
da etiologia de todos os casos suspeitos.
Investigação de todos os casos suspeitos, com procura dos contactos.
Durante as epidemias, a maioria dos doentes infectados não revela sintomas hemorrágicos, devendo usar-se uma definição de casos
específica, conforme a doença suspeita ou confirmada (e.g., definições de caso para Ébola-Marburgo, CCHF, RVF, Lassa, DHF e febre
amarela).

Definição padronizada de caso


Caso suspeito: manifestação aguda de febre, com uma duração inferior a 3 semanas, numa pessoa
gravemente doente e 2 dos seguintes sintomas: exantema hemorrágico ou purpúrico; epistaxe (hemorragia
nasal); hematemese (sangue no vómito); hemoptise (expectoração sanguínea); sangue nas fezes; outros
sintomas hemorrágicos e nenhuns factores conhecidos de predisposição para manifestações hemorrágicas.

Caso confirmado: um caso suspeito com confirmação laboratorial ou ligação epidemiológica a um caso ou
surto confirmado.

Nota: Durante um surto, as definição de caso podem ser alteradas, para corresponderem ao evento local.
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de um único caso:
§ Comunicar imediatamente aos níveis apropriados a informação baseada em casos.
§ Os casos suspeitos devem ser isolados dos outros doentes e devem implementar-se medidas rigorosas de
Biosegurança. As precauções normais devem ser reforçadas em toda a unidade de saúde.
§ Tratar e cuidar do doente, com apoio clínico.
§ Colher a amostra com segurança, para confirmar o caso.
§ Fazer o seguimento dos contactos do caso e a procura de casos activos, para encontrar novos casos.

Resposta ao limiar de acção

279
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.1 Síndrome de febre hemorrágica Viral (FHV)


Se for confirmado um único caso:
§ Manter práticas rigorosas de controlo da infecção FHV * durante todo o surto.
§ Mobilizar a comunidade para a detecção precoce e os cuidados a administrar e ensinar-lhe o modo como a
doença é transmitida e como implementar o controlo da infecção em casa e durante os funerais.
§ Fazer o seguimento dos contactos dos casos e a procura activa de outros casos que possam não recorrer aos
serviços de saúde.
§ Pedir auxílio suplementar a outros níveis, se necessário.
§ Reservar uma enfermaria para isolamento de outros casos que possam recorrer ao centro de saúde.

Análise e interpretação dos dados


Pessoa: Implementar imediatamente a notificação dos casos e dos óbitos. Analisar a distribuição por sexo e
idade. Avaliar os factores de risco e planear, em conformidade, as intervenções de controlo da doença.
Tempo: Fazer um gráfico dos casos e óbitos por dia/semana. Traçar uma curva epidémica durante o surto.
Local: Assinalar num mapa a localização das habitações e locais de trabalho onde ocorrem os casos.

Confirmação laboratorial
Teste de Presença de anticorpos IgM contra o Ébola, Marburgo, CCHF, Lassa ou Febre do Nilo
diagnóstico Ocidental

ou

Presença de Ébola na necrópsia post-mortem da pele ou secreção-oronasofaríngea

Amostra Para ELISA:


Sangue total, soro ou plasma

Para PCR:
Sangue total ou coágulo sanguíneo, soro/plasma ou tecido

Para imunohistoquímica: amostras de pele ou tecido dos mortos.

Colheita Colher a amostra no primeiro caso suspeito.


Se houver mais de um caso suspeito, colher amostras de 5 a10 casos suspeitos.

280
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.1 Síndrome de febre hemorrágica Viral (FHV)


Preparação, MANIPULAR E TRANSPORTAR COM EXTREMO CUIDADO AS AMOSTRAS DE
armazenamento e DOENTES. USAR VESTUÁRIO DE PROTECÇÃO E USAR PRECAUÇÕES DE
BIOSEGURANÇA.
transporte das
amostras Para ELISA ou PCR:
§ Refrigerar o soro ou coágulo
§ Congelar (-20C ou mais frio) as amostras de tecido para isolamento do vírus

Para imunohistoquímica:
§ Fixar a amostra de pele em formalina. A amostra pode ser guardada até 6
semanas. A amostra deixa de ser infecciosa depois de mergulhada em formalina.
§ Armazenar à temperatura ambiente. As amostras fixadas em formalina podem ser
transportadas à temperatura ambiente.

Resultados Os serviços de diagnóstico para a FHV não estão rotineiramente disponíveis.


Geralmente, é necessário requisitá-los com antecedência. Contactar a autoridade
nacional competente ou a OMS.

Referências
§ Interim Infection Control Recommendations for Care of Patients with Suspected or Confirmed Filovírus
(Ebola, Marburg) Hemorrhagic Fever. BDP/EPR/WHO, Geneva March 2008.

§ Infection Control for VHF in the African health care setting, WHO, 1998. WHO/EMC

§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

§ WHO recommended Guidelines for Epidemic Preparedness and Response: Ebola Haemorrhagic Fever
(EHF). WO/EMC/DIS/97.7.

§ Infection Control for Viral Hemorrhagic Fevers in the African Health Care Setting WHO/EMC/ESR/98.2

§ Viral Infections of Humans; Epidemiology and Control. 1989. Evans, A.S. (ed). Plenum Medical Book
Company, New York

281
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.2 Hepatite viral aguda


Introdução
Hepatite viral A e hepatite viral E
§ As HVA e HVE entericamente transmitidas constituem um problema a nível mundial.
§ Normalmente, as fontes de epidemias estão relacionadas com água contaminada e com a
contaminação através de manipuladores de alimentos infectados.
§ Em geral, tanto a HVA como a HVE são infecções virais auto-limitadas; a taxa de letalidade é,
normalmente, baixa (0,1 – 0,3%). As mulheres no terceiro trimestre de gravidez são especialmente
susceptíveis a HVE fulminante.
§ Tanto a HVA como a HVE são transmitidas por via fecal-oral.
§ As medidas de prevenção e controlo para a hepatite A e hepatite E incluem o abastecimento adequado
deágua potável e o melhoramento das práticas sanitárias e higiénicas, para eliminar a contaminação
fecal dos alimentos e da água.
Hepatite viral B e hepatite viral C:
§ As estimativas indicam que, em todo o mundo, há 350 milhões de portadores do vírus da hepatite B e
170 milhões de portadores do vírus da hepatite C.
§ As epidemias de hepatite B e C não são muito comuns.
§ Com a hepatite B ocorrem infecções crónicas e sequelas graves – cerca de 15a 25% das pessoas
cronicamente infectadas morrem prematuramente de cirrose ou carcinoma hepatocelular. As infecções
crónicas são comuns na hepatite C e 5 a 20% das pessoas infectadas com HVC podem desenvolver
cirrose. Parece haver uma relação entre a infecção por HVC e o carcinoma hepatocelular.
§ A hepatite B é transmitida por exposição percutânea ou permucosa ao sangue ou outros fluidos
corporais infectados. Os principais modos de transmissão incluem o contacto sexual com uma pessoa
infectada, a transmissão perinatal de mãe para filho, a partilha de seringas e agulhas para injecção de
drogas, os contactos em casa (e.g., lâminas de barbear e escovas de dentes partilhadas) e exposição
nosocomial (transfusões, práticas não seguras de injecção). Na maioria dos países, onde a HVB é
altamente endémica, a maioria das infecções ocorrem durante a infância.
§ A hepatite C é transmitida por exposição parenteral ao sangue e derivados do plasma e encontra-se
em concentrações mais elevadas no sangue. As principais causas da infecção por HVC, em todo o
mundo, são as transfusões de sangue não rastreado e a reutilização de agulhas e seringas que não
foram devidamente esterilizadas.
§ As medidas de prevenção e controlo para as hepatites B e C incluem a segurança das transfusões e o
uso seguro e apropriado das injecções e vacinas (hepatite B).
§ Não existe tratamento específico para as hepatites viraisl A, B, C e D.

Objectivos da vigilância

282
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.2 Hepatite viral aguda


§ Detectar os surtos de hepatite.
§ Identificar as áreas/populações de alto risco, para usar as medidas de prevenção e controlo.
§ Estimar o peso da doença.
§ Se não for possível a vigilância em todo o país, a vigilância em áreas ou hospitais sentinela pode
fornecer informação útil sobre as potenciais fontes de infecção.

Definição padronizada de caso


Caso suspeito: uma pessoa com doença aguda que inclua tipicamente icterícia aguda, urina escura,
anorexia, mal-estar, fadiga extrema e quadrante superior direito macio e doloroso. (Nota: as crianças
infectadas são muitas vezes assintomáticas)

Caso confirmado: um caso suspeito que foi laboratorialmente confirmado

Resposta ao limiar de alerta


Se houver suspeita de casos de hepatite:
§ Comunicar a informação baseada em casos aos níveis apropriados.
§ Se necessário, tratar e cuidar dos doentes, com apoio clínico.
§ Colher amostras e enviá-las para o laboratório, para identificar a etiologia da doença

Resposta ao limiar de acção


Se os casos de hepatite forem confirmados
§ Determinar o modo de transmissão
§ Identificar a população exposta ao risco de infecção
§ Eliminar as fontes de infecção
§ Implementar as intervenções apropriadas de prevenção e controlo

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Análise dos casos suspeitos e confirmados por semana. Desenhar semanalmente um gráfico dos
casos e óbitos. Traçar uma curva epidémica durante os surtos.
Local: Indicar num mapa a localização das casas (habitações).
Pessoa: Analisar por idade e sexo. Avaliar os factores de risco para planear e monitorizar as medidas de
prevenção e controlo.

283
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.2 Hepatite viral aguda


Confirmação laboratorial
Hepatite A: Anti-HVA IgM positivo
Teste de diagnóstico
Hepatite B: positivo para o antigénio de superfície da Hepatite B (HBsAg)
ou anti-HBc IgM positivo

Hepatite C: Anti-HVC positivo

Hepatite D: HBsAg positivo ou anti-HBc IgM positivo mais anti-HVD


positivo (apenas como co-infecção ou super-infecção com
hepatite B)

Hepatite E: Anti-HVE IgM positivo e/ou anti-HVE IgG positivo

Amostra Soro

Colheita
As amostras devem ser colhidas em doentes suspeitos.
O anti-HVA IgM fica detectável 5-10 dias após a exposição.
O HBsAg pode ser detectado no soro desde várias semanas antes da
manifestação dos sintomas até dias, semanas ou meses após a
manifestação; persiste nas infecções crónicas. O anti-HBc IgM positivo
normalmente desaparece ao fim de 6 meses.

284
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.2 Hepatite viral aguda


Preparação, Usar as precauções universais, para minimizar a exposição a objectos
armazenamento e cortantes e a fluidos corporais.
transporte das amostras
Colher 5-10 ml de sangue venoso.
§ Deixar o coágulo diminuir durante 30 a 60 minutos à temperatura
ambiente ou centrifugar, para separar o soro dos glóbulos vermelhos.
§ Deitar o soro assepticamente em tubos esterilizados e fechados com
uma tampa de rosca.
§ Guardar o soro a 4°C.
§ Para armazenamento >5 dias, manter as amostras a -20°C
Transportar as amostras de soro, usando embalagens apropriadas, de
modo a evitar que se partam ou permitam fugas.

Resultados Normalmente, os resultados devem estar disponíveis dentro de um a 3


dias, depois da chegada ao laboratório.

Referências
§ WHO Recommended Strategies for Prevention and Control of Communicable Diseases;
WHO/CDS/CPE/SMT/2001.13
§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2
§ WHO Fact Sheet No 328, Hepatitis A, revised May 2008.
§ WHO Fact Sheet No 204, Hepatitis B, revised August 2008
§ WHO Fact Sheet No 164, Hepatitis C.
§ WHO Fact Sheet No 280, Hepatitis E, revised January 2005.
§ World Health Organization
[Link]
§ United States, Centers for Disease Control and Prevention
[Link]
th
§ Control of Communicable Diseases Manual, 18 Edition

285
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.3 Efeitos adversos após a vacinação (EAAV)


Introdução
Os relatórios dos EAAV têm tido efeitos negativos nos programas nacionais de vacinação. A maior parte dos
relatórios revelam eventos “coincidentes”, não relacionados com as vacinas. É importante identificar eventos
reais e determinar a sua causa.

Objectivos da vigilância
Determinar a causa de um EAAV ou conjunto de EAAV e corrigi-la.
Definição padronizada de caso
Um incidente médico que ocorre após a vacinação, causa preocupação e pensa-se que foi causado pela
vacinação

Resposta ao limiar de alerta


Se houver um único caso suspeito:
§ Tratar o doente
§ Comunicar com os pais e a comunidade
§ Responder aos rumores ou dúvidas da população
§ Preencher o formulário de investigação do caso
Responder ao limiar de epidemia
Se houver um único caso confirmado:
§ Procurar outros casos possíveis
§ Enviar imediatamente um relatório para se dar início à investigação da causa
§ Tomar medidas de prevenção, para evitar que ocorra outro EAAV devido à mesma causa
Análise e interpretação dos dados
Determinar a causa do evento:está relacionada com o programa, é induzida pela vacina, é coincidência ou é
desconhecida? Atenção a uma doença psicológica em massa, se estiver envolvido, ao mesmo tempo, um
grande número de pessoas em idade escolar ou mais velhas.
Referências

1. Surveillance of adverse events following immunization. Field guide for managers of immunization
programmes. WHO/EPI/93.02 Rev 1. [Link]
2. Kharabsheh S. Mass psychogenic illness following Td vaccine in Jordan. Bulletin of the WHO 2001. 79 (8);
764-770. [Link]

286
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.4 Antraz (humano)


Introdução
§ O antraz é uma doença zoonótica muito generalizada, causada pela bactéria Bacillus anthracis, que forma
esporos e é uma bactéria Gram positiva em forma de bastonete. É transmitida às pessoas por gado
doméstico infectado (vacas, carneiros, cabras, búfalos, porcos e outros) ou por animais selvagens, através
do contacto directo ou indirecto com os animais ou os seus produtos.
§ O período de incubação é, normalmente, de 1 a 7 dias, podendo ser mais longo (até duas ou três semanas
para o antraz cutâneo e até 42 dias para o antraz por inalação). As pessoas expostas a riscos profissionais
incluem aquelas que manipulam carcaças infectadas e as que trabalham no processamento de ossos,
peles, lã e outros produtos animais. As pessoas podem também ficar infectadas pela manipulação ou
consumo de carne de animais que estejam doentes ou tenham morrido da doença. Há relatos de que a
picada das moscas transmite a doença de animais infectados para as pessoas; no entanto, não se sabe
com que rapidez ou frequência isto ocorre.
§ O antraz humano é um problema grave em vários países e tem potencial para surtos explosivos
(especialmente, a forma gastrointestinal, que é contraída quando se come carne infectada); embora o
antraz pulmonar (inalação) seja, sobretudo, ocupacional, não se pode esquecer a possibilidade de ameaça
de ataques biológicos. O antraz exerce um sério impacto sobre o comércio dos produtos animais.
§ O controlo do antraz baseia-se na sua prevenção a nível do gado. Os programas que se baseiam apenas
na prevenção nos seres humanos são dispendiosos e provavelmente ineficazes, excepto para quem está
industrialmente exposto.
§ Existe uma vacina eficaz para as pessoas consideradas em risco de exposição ocupacional e há vacinas
para os animais eparticularmente paraos rebanhos que estão expostos a solos ou vegetação contaminada.
§ Na maioria dos países, o antraz é uma doença notificável.

Objectivos da vigilância
§ Detectar surtos.
§ Monitorizar os programas de controlo e prevenção

Definição padronizada de caso


Caso suspeito
Uma pessoa com manifestação aguda, caracterizada por várias formas clínicas, que são as seguintes:

(a) Forma cutânea: uma pessoa com lesão da pele evoluindo, durante 1 a 6 dias, de um estádio papular
para um estádio vesicular e, em seguida, para uma escara de pressão escura, invariavelmente
acompanhada por edema, que pode ser suave a extenso
(b) Gastrointestinal: uma pessoa com distúrbios abdominais, caracterizados por náuseas, vómitos e
anorexia, seguidos de febre
(c) Pulmonar (inalação): uma pessoa com pródromo breve, semelhante a doença respiratória viral aguda,
seguida de início rápido de hipoxia, dispneia e elevada temperatura, com prova radiológica de
alargamento do mediastino
(d) Meníngea: uma pessoa com manifestação aguda de febre alta, com ou sem convulsões, perda de

287
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.4 Antraz (humano)


consciência, sinais meníngeos; vulgarmente notada em todas as infecções sistémicas, mas que pode
apresentar-se sem quaisquer outros sintomas clínicos de antraz;

e tem ligação epidemiológica a casos confirmados ou suspeitos em animais ou produtos animais


contaminados

Caso confirmado
Um caso confirmado de antraz num ser humano pode definir-se como um caso clinicamente compatível de
doença cutânea, pulmonar ou gastrointestinal que foi laboratorialmente confirmado por:

(a) isolamento de B. anthracis, a partir de um tecido ou ponto afectado;


ou
(b) Outra prova laboratorial de infecção por B. anthracis, baseada em, pelo menos em dois testes
laboratoriais positivos.

Nota: poderá não ser possível demonstrar B. anthracis em amostras clínicas, se o doente tiver sido tratado com
agentes antimicrobianos.

Resposta ao limiar de alerta


Se houver um único caso suspeito:
§ Comunicar imediatamente aos níveis apropriados a informação baseada em casos (sector da saúde pública
e sector da saúde animal)
§ Usar as precauções de biosegurança para todas as formas. Usar equipamento e vestuário de protecção
(luvas, batas, viseiras) e protecção respiratória, se houver risco de aerossóis; desinfectar e proteger
possíveis cortes ou escoriações, antes de colocar o vestuário de protecção.
§ Proceder a uma limpeza do ambiente (desinfecção) com hipocloreto.
§ Tratar e cuidar do doente e usar antibióticos como a Penicilina V, penicilina procaína (casos não
complicados) ou penicilina G (casos graves)
§ Colher uma amostra com segurança, para confirmar o caso.
§ Conduzir investigação conjunta (sectores da saúde pública e saúde animal) dos casos/óbitos
§ Para os animais exportados ou importados, é exigida a vacinação
§ Nos seres humanos, é conveniente a vacinação preventiva selectiva, em caso de exposição ocupacional

Resposta ao limiar de acção

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Gráficos do número de casos suspeitos / prováveis / confirmados por dia.
Local: Mapa de casos humanos e animais suspeitos e confirmados por área geográfica

Pessoa: Quadro mostrando o número de casos suspeitos / prováveis / confirmados por data, idade e sexo

Confirmação laboratorial
Teste de Isolamento do Bacillus anthracis, a partir de uma amostra clínica (e.g., sangue, lesões,
diagnóstico corrimentos)

288
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.4 Antraz (humano)


Demonstração do [Link] numa amostra clínica, por exame microscópico de
esfregaços corados (fluido vesicular, sangue, líquido cefalorraquidiano, fluido pleural,
fezes)
Serologia positiva (ELISA, borrão ocidental, detecção de toxinas, ensaio cromatográfico,
teste de anticorpos fluorescentes)
Amostra
Cutânea
1. Para lesões vesiculares, duas colheitas de fluido vesicular de uma vesícula fechada
2. Para escaras, levantar a extremidade e colher duas amostras da parte de baixo
3. Para úlceras, retirar amostras da base da lesão com dois cotonetes humedecidos em
soro fisiológico
4. Culturas de sangue obtidas antes da terapêutica antimicrobiana, se o doente mostrar
indícios de sintomas sistémicos.
5. Fazer uma punção-biópsia de espessura total de uma pápula ou vesícula, incluindo a
pele adjacente, em todos os doentes com uma lesão que esteja a ser avaliada por
antraz cutâneo e apresentá-la para histopatologia em formalina a 10%.
6. Nos doentes que não estejam em tratamento com antibióticos ou em tratamento
inferior a 24 horas, fazer uma segunda biópsia
7. Amostras de soro em doentes agudos ou convalescentes para teste serológico.
Gastrointestinal
1. Culturas de sangue obtidas antes do tratamento antimicrobiano.
2. Fluido de ascite para cultura e PCR.
3. Amostra fecal ou rectal para cultura e PCR.
4. Lesão orofaríngea, se presente, para cultura e PCR.
5. Amostras de soro em doentes agudos ou convalescentes para teste
serológico.
6. Tecidos da autópsia dos mortos para histopatologia.
Inalação
1. Culturas de sangue obtidas antes do tratamento antimicrobiano.
2. Fluido pleural, se presente, para cultura e PCR.
3. LCR, em doentes com sinais meníngeos, para cultura e PCR.
4. Biópsias pleurais e/ou brônquicas para IHQ(Histopatoquímica).
5. Amostras de soro de doentes agudos e convalescentes para serologia
6. Tecidos da autópsia dos mortos para histopatologia
Colheita As amostras devem ser colhidas em qualquer doente, em que esteja a ser avaliada a
infecção cutânea por Bacillus anthracis.
Poderá não ser possível demonstrar o [Link] em amostras clínicas, se o doente
tiver sido tratado com agentes antimicrobianos.
Uma amostra colhida no estádio vesicular é a que permite demonstrar melhor a
presença do micro organismo..

289
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.4 Antraz (humano)


As amostras para cultura devem ser colhidas, antes do início da terapêutica
antimicrobiana.
Se disponíveis nos laboratórios de referência, as amostras podem ser submetidas a
PCR.

Atenção: O [Link] é altamente contagioso

Preparação,
armazenamento e Estádio vesicular: colher fluido em vesículas intactas, com cotonetes estéris.
transporte das Estádio das escaras: sem remover a escara, introduzir o cotonete por baixo da
amostras extremidade da escara, rodar e colher o material da lesão. Guardar a amostra durante
≤24 h e transportá-la durante ≤2h à temperatura ambiente.

Fezes: colher 5-10 g num recipiente limpo, esterilizado e tapado. Armazenar durante
≤24 h a 4°C. Transportar durante ≤1h à temperatura ambiente.

Sangue: colher de acordo com o procedimento da instituição para uma cultura de


sangue de rotina. Colher 10 ml de sangue em EDTA para PCR. Transportar durante ≤2h
à temperatura ambiente.

Expectoração: colher uma amostra de expectoração e colocá-la num recipiente


esterilizado e tapado. Armazenar durante ≤24 h a 4°C. Transportar durante ≤2 hà
temperatura ambiente.

Resultados
Não existem serviços de diagnóstico de rotina para o antraz. Normalmente, é preciso
requisitá-los com antecedência. Contactar a autoridade nacional competente ou a OMS.
Referências
§ WHO. Anthrax in humans and animals. World Health Organization, Geneva. (2008) (disponível em
[Link] AnthraxGuidelines2008/en/[Link]
§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2
§ WHO Recommended Strategies for the Communicable Diseases Prevention and Control,
WHO/CDS/CPE/SMT/2001.13
§ 2003 WHO Manual for Laboratory Diagnostic of Anthrax ([Link]
Section 58/ Section [Link])
§ "CDC: Anthrax Information for Health Care Providers" ([Link]
[Link])
§ "CDC: Recommended Specimens for Microbiology and Pathology for Diagnostic: Inhalation, Cutaneous, and
Gastrintestinal Anthrax" ([Link]

290
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

291
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.5 Buruli (Doença da Mycobacterium ulcerans)


Introdução
§ Infecção da pele causada por Mycobacterium ulcerans (um BAAR- Bactéria Ácido Álcool Resistente)
§ Ocorre, principalmente, como lesões da pele (nódulos, crostas e úlceras), que podem ser complicadas pelo
envolvimento dos ossos e articulações. O envolvimento de outros órgãos, como os olhos, é muito raro
§ Propaga-se nas áreas intertropicais, em solos pantanosos ou nas imediações de corpos de água, florestas
ou zonas mineiras de superfície
§ Os doentes são classificados em três categorias:
o Categoria I: doente com uma lesão única, cujo tamanho é inferior a 5 cm de diâmetro (lesão
precoce)
o Categoria II: doente com uma lesão única, cujo tamanho é entre 5 e 15 cm de diâmetro
o Categoria III: doente com uma lesão única, cujo tamanho é superior a 15 cm de diâmetro ou com
lesões múltiplas ou lesão localizada em pontos críticos (face, cabeça e pescoço, peito, períneo,
órgãos genitais, lesão que se espalha sobre as articulações)
§ O tratamento dos casos de úlcera de Buruli (UB) tem melhorado muito com o uso dos antibióticos
recomendados pela OMS (rifampicina e estreptomicina) em 2004. A cirurgia ainda é necessária para os
casos tardios (categoria III). O número cumulativo de casos era superior a 60 000, em 2009.
§ O modo de transmissão ainda é desconhecido. A M ulcerans pode penetrar na pele, através da picada de
insectos (aquáticos); micro traumas ou pequenas feridas
§ A confirmação do diagnóstico é feita por PCR, pesquisa de BAAR com coloração Ziehl-Neelsen (ZN), cultura
ou histologia. As amostras de lesões são colhidas por esfregaço da úlcera, aspiração por agulha fina (AAF)
ou biópsia, em caso de cirurgia.

Objectivos da vigilância
§ Distribuição geográfica da doença para localizar as áreas e os Municípios endémicos e visa a detecção
precoce de casos e seu tratamento correcto com os antibióticos recomendados pela OMS, assim como a
prevenção das incapacidades

Definição padronizada de caso


Caso suspeito: uma pessoa que apresente um nódulo cutâneo indolor, crosta e úlcera, e viva ou tenha visitado
uma área endémica de UB

Caso confirmado: um caso suspeito confirmado por, pelo menos, um teste laboratorial (ZN para BAAR, PCR,
cultura ou histologia)

Resposta ao limiar de alerta

292
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.5 Buruli (Doença da Mycobacterium ulcerans)


Se houver um único caso suspeito:
§ Notificar o caso suspeito ao nível apropriado do sistema de saúde

A nível da unidade de saúde:


§ Colher uma amostra para confirmação laboratorial (cotonete ou AAF)
§ Começar o curativo e o tratamento antibiótico combinado com:
-- Rifampicina: 10 mg/kg por dia e por via oral durante 8 semanas (56 dias).
-- Estreptomicina: 15 mg/kg injecção diária durante 8 semanas (56 dias)
§ Transferir os doentes da categoria III para o hospital/centro de referência
§ Preencher o formulário da notificação de casos (UB 01 ou UB 02), com as coordenadas GPS da aldeia de
origem, e notificar os níveis de saúde municipal, provincial e nacional
§ Procurar outros casos na aldeia de origem do caso confirmado de UB

Resposta ao limiar de acção


Se um caso suspeito for confirmado (não aplicável à UB)

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Gráfico de casos por ano de diagnóstico e gráfico do número cumulativo de casos.

Local: Assinalar os casos por localização das habitações e colorir os municípios endémicos.

Pessoa: Contar, mensalmente, os novos casos detectados por categoria dos doentes (Cat I, II ou III). Analisar a
distribuição por idade e incapacidade, assim como os resultados do tratamento (casos curados, curados
sem limitação dos movimentos ou amputação, recidiva após o tratamento com o antibiótico
recomendado).

Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Mycobacterium ulcerans: Os esfregaços e as amostras da biópsia podem ser enviados
ao laboratório para confirmação por:
§ Coloração de Ziehl-Neelsen para bacilos álcool-ácido-resistentes
§ Cultura
§ PCR
§ Histopatologia

Amostra
Esfregaços
Amostras da biópsia

293
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.5 Buruli (Doença da Mycobacterium ulcerans)


Colheita
As amostras devem ser colhidas no doente suspeito com sintomas clínicos (nódulos,
crostas, úlceras, osteomielite …)

A amostra deve ser colhida, antes de se administrar qualquer antibiótico. Deve colher-se
outra amostra no final do tratamento (se o tratamento não for eficaz ou se for indicada
cirurgia)

Preparação,
armazenamento e Colheita da amostra: é importante evitar a contaminação cruzada entre a colheita de
amostras
transporte das
amostras Materiais: cotonetes secos e recipientes.

Tipos de amostras: formas não ulcerativas, formas ulcerativas, osso

Armazenar a 4°C

Resultados
A úlcera de Buruli é, normalmente, diagnosticada clinicamente e encontrando bacilos
álcocol-ácido-resistentes (BAAR) em esfregaços de úlceras infectadas e biópsias de
tecidos. Pode também ser identificada, usando a PCR.

A M ulcerans pode ser cultivada num laboratório de referência, usando os mesmos


meios de cultura usados para criar a [Link].
O organismo cresce muito lentamente, requerendo, normalmente, várias semanas para
apresentar colónias visíveis.

Os serviços de diagnóstico não estão disponíveis como rotina. Contactar a autoridade


nacional competente ou a OMS.

Referências
§ Resolution WHA 57.1 on surveillance and control of Mycobacterium ulcerans disease (Buruli ulcer). In: 57th
World Health Assembly, Geneva, 17-22 May 2004; Resolutions and decisions, Annexes. Geneva, WHO;
2004 (WHA57/2004/REC/1: 1-2)
§ Provisional guidance on the role of specific antibiotics in the management of Mycobacterium ulcerans disease
(Buruli ulcer) WHO/CDS/CPE/GBUI/2004.10
§ Buruli ulcer: First programme review meeting for West Africa – Summary report. WHO, WER, 6; 2009 : 43-48
§ Control of Communicable Diseases Manual, 18th Edition
§ District Laboratory Practice in Tropical Countries, Cambridge
§ Ulcere de Buruli , prise en charge de l’infection a Mycobacterium ulcerans

294
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.6 Chikungunya
Introdução
§ A febre de chikungunya é uma doença viral que se propaga pela picada de mosquitos infectados. A doença é
semelhante à febre do dengue e caracteriza-se por dores articulares (artralgias) graves e, por vezes,
persistentes, assim como febre e erupção cutânea. Raramente é fatal. No entanto, a ocorrência generalizada
da doença causa considerável morbilidade e perdas económicas.

§ O termo "chikungunya" é maconde e significa "aquilo que se dobra", em referência à postura arqueada dos
doentes afectados pelas intensas dores articulares associadas com a doença. Epidemias de febre, erupção
cutânea e artrite, semelhantes à febre de Chikungunya, foram registadas já em 1779. Contudo, o vírus foi
isolado, pela primeira vez, entre 1952 e 1953, no homem e em mosquitos, durante uma epidemia na
Tanzânia.

§ A febre de chikungunya, historicamente, manifestava-se com perfis epidemiológicos interessantes, em que:


as grandes epidemias apareciam e desapareciam ciclicamente, geralmente com um período inter-epidemia
de 7-8 anos e, por vezes, mesmo de 20 anos. Após um longo período de ausência, surgiram surtos na
Indonésia, em 1999, que têm estado virtualmente presentes desde 2004.

Objectivos da vigilância
§ Detectar rapidamente casos e surtos esporádicos de chikungunya e procurar a verificação laboratorial

§ Identificar as áreas de alto risco, para melhorar a prevenção dos surtos, tomando medidas para evitar as
picadas de mosquitos e eliminar os seus locais de reprodução.

Definição padronizada de caso


Caso suspeito:
Uma pessoa com manifestação aguda de febre >38,5°C e artralgia/artrite grave não explicada por outras
condições médicas.

Caso confirmado:
Um caso suspeito, com confirmação laboratorial.

Resposta ao limiar de alerta


Se houver suspeita de casos de chikungunya:

§ Comunicar imediatamente ao nível seguinte a informação relativa aos casos.


§ Colher amostras, para confirmar os casos
§ Efectuar uma investigação, para determinar os factores de risco de transmissão
§ Cuidar e tratar dos casos, usando agentes anti-inflamatória

295
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.6 Chikungunya
Resposta ao limiar de acção
Se os casos de chikungunya forem confirmados
§ Normalmente, é suficiente o descanso e o tratamento dos sintomas, para atenuar a dor e a febre,
usando fármacos anti-inflamatórios. A dor articular persistente pode exigir uma terapêutica a longo
prazo com analgésicos e anti-inflamatórios.
§ A prevenção depende inteiramente das medidas que se tomam para evitar as picadas dos mosquitos e
eliminar os seus locais de reprodução.

Para evitar as picadas dos mosquitos:


§ Usar vestuário de manga comprida e vestidos compridos para proteger os membros.
§ Usar espirais e repelentes de mosquitos.
§ Usar redes mosquiteiras – para proteger os bebés, os idosos e outros, que possam estar a descansar
durante o dia. A eficácia dessas redes pode ser melhorada, se forem impregnadas com permetrina
(insecticida piretróide). As cortinas (de tecido ou bambu) podem também ser impregnadas com
insecticida e penduradas nas janelas ou na soleira das portas, para repelir ou matar os mosquitos.
§ Os mosquitos ficam infectados, quando picam as pessoas que estão doentes com chikungunya. As
redes mosquiteiras e as espirais contra mosquitos ajudam a impedir que eles piquem os doentes.

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Fazer, semanalmente, um gráfico dos casos e óbitos. Traçar uma curva epidémica durante os surtos.
Local: Assinalar a localização das habitações com casos, através de um mapeamento preciso.
Pessoa: Comunicar, imediatamente, a informação relativa aos casos e óbitos. Notificar, mensalmente, o
sumário dos totais. Durante um surto, contar os casos e óbitos semanalmente. Analisar por idade.
Avaliar os factores de risco, para melhorar a prevenção dos surtos.
Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Os testes serológicos revelam um aumento da titulação de anticorpos contra o vírus da
chikungunya; o vírus pode ser isolado no sangue de doentes, em ratinhos recém-
nascidos, mosquitos ou cultura de células ou detectado usando IFA ou a reacção em
cadeia da polimerase com transcrição reversa (RT-PCR)
Amostra Soro (sangue)

296
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.6 Chikungunya
Colheita Colher a amostra no primeiro caso suspeito. Os casos suspeitos de CHIK ocorrem em
grupos.
Colher amostras representativas nos casos suspeitos. Se um surto for confirmado,
colher mais amostras dos casos e também de mosquitos das casas afectadas.
Tipo de amostra
§ Sangue da fase aguda (0-10 dias após início)
§ Sangue da fase de convalescença (7 - 21 dias após início)

Momento da colheita:
Quando o doente se apresentar; colher segunda amostra durante a convalescença.
Entre 7 e 21 dias após início.

O transporte de amostras deve seguir as orientações da OMS para o transporte seguro


Preparação, de substâncias infecciosas e amostras para diagnóstico (OMS, 1997).
armazenamento e
transporte das Para ELISA:
amostras § Refrigerar o soro ou coágulo entre 2º a 8º C, para os testar dentro de 24 horas. Se
for necessário guardar durante mais tempo, armazenar a -80º.

Para isolamento e RT-PCR


§ Armazenar a -80º ou transportar a seco em “dry shipper” totalmente carregado.

Os mosquitos para os testes devem ser transportados a seco em “dry shipper”


totalmente carregado. Preferencialmente, espécies Aedes.
Resultados Os serviços de diagnóstico para a chikungunya não estão rotineiramente disponíveis.
Contactar a autoridade nacional competente ou a OMS.

§ A Unidade de Gestão dos Surtos de Doenças, do Ministério da Saúde, deve enviar


amostras para os laboratórios de referência da OMS, por exemplo o KEMRI

§ Os resultados preliminares estão prontos 24 horas depois de as amostras chegarem


ao laboratório. Os resultados da confirmação estão prontos uma semana depois da
recepção das amostras.

Referências
§ Weekly Epidemiological Record N° 1, 2005, 80, 1-8; http//[Link]/wer
§ World Health Organization [Link]

§ United States, Centers for Disease Control [Link]

§ Sergon et al Seroprevalence of Chikungunya Vírus (CHIKV) Infection on Lamu Island, Kenya, October
2004. Am J Trop Med Hyg. 2008 Feb;78(2):333-337
§ Powers et al. Evolutionary relationships and systematics of the alphavíruses. J Virol. 2001
Nov;75(21):10118-31

297
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

298
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.7 Cólera
Introdução
§ Doença aguda, com diarreia aquosa abundante, causada por Vibrio cholerae, serogrupos O1 ou O139. A
doença é transmitida, sobretudo, pela via fecal – oral, isto é, quando se come ou bebe alimentos ou água
contaminados.

§ A cólera causa mais de 100 000 mortes por ano. Pode produzir epidemias rapidamente progressivas ou
pandemias mundiais. Nas áreas endémicas, podem ocorrer casos esporádicos (menos de 5% de todos os
casos de diarreia não relacionados com o surto) e pequenos surtos.

§ O período de incubação vai de algumas horas a 5 dias, mas, normalmente, dentro dos limites de 2 a 3 dias.

§ Houve um ressurgimento da cólera em África desde meados dos anos 1980, tendo mais de 80% dos casos,
em todo o mundo, ocorrido em 1999. A maioria dos casos ocorreu entre Janeiro e Abril.

§ A cólera pode causar desidratação grave em apenas algumas horas. Nos doentes não tratados, com
desidratação grave, a taxa de letalidade pode exceder 50%. Se os doentes recorrerem à unidade de saúde e
receberem o tratamento correcto, a CFR (Case Fatality Rate) é, normalmente, inferior a 1%. Pelo menos,
90% dos casos são ligeiros e permanecem sem diagnóstico.

§ Factores de risco: comer ou beber alimentos contaminados, tais como peixe não cozinhado ou marisco dos
estuários, não ter acesso contínuo a água potável e alimentos seguros, participar em grandes aglomerados
de pessoas, incluindo cerimónias, como casamentos ou funerais, e contactar com casos fatais de cólera.

§ Outras doenças diarreicas entéricas podem causar diarreia aquosa, especialmente nas crianças menores de
5 anos. Consultar as orientações sumárias sobre diarreia com desidratação.
Objectivos da vigilância
§ Detectar e responder rápidamente e apropriadamente aos casos e surtos de diarreia aquosa. Para confirmar
um surto, colher e transportar amostras de fezes no meio de Cary-Blair.
§ Fazer a notificação imediata dos respectivos casos e óbitos, quando há suspeita de um surto.

Definição padronizada de caso


Caso suspeito:
§ Um doente com 5 anos ou mais, com desidratação grave ou morte por diarreia aquosa aguda.
§ Se houver uma epidemia de cólera, um caso suspeito é uma pessoa com 5 anos ou mais, com diarreia
aquosa aguda, com ou sem vómitos.
Caso confirmado:
§ Um caso suspeito, em que o Vibrio cholerae O1 ou O139 foi isolado nas fezes.
Resposta ao limiar de alerta

299
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.7 Cólera
Se houver suspeita de um único caso:
§ Comunicar imediatamente a informação baseada em casos.
§ Gerir e tratar o caso de acordo com as orientações nacionais.
§ Realçar a importância da lavagem das mãos e dos procedimentos de isolamento.
§ Realizar investigação baseada em casos, para identificar casos semelhantes não notificados anteriormente.
§ Obter amostras de fezes de 5 doentes nos 5 dias seguintes à manifestação de diarreia aquosa aguda e
antes de iniciar o tratamento com antibióticos. Ver as orientações laboratoriais para obter informação sobre
o modo de preparar, armazenar e transportar a amostras.
Resposta ao limiar de acção
Se um caso suspeito for confirmado:
§ Instalar um centro de tratamento na localidade em que os casos ocorram. Tratar os casos no local, em vez
de pedir aos doentes que se desloquem aos centros de tratamento permanentes noutro local.
§ Reforçar a gestão dos casos, incluindo o tratamento.
§ Mobilizar imediatamente a comunidade, para permitir a rápida detecção e tratamento dos casos. Investigar a
disponibilidade de água potável.
§ Trabalhar com os líderes comunitários, para limitar o número de funerais ou outros grandes aglomerados,
para cerimónias ou outras razões, especialmente durante uma epidemia.
§ Abastecer a população em risco com água potável. Promover a preparação segura dos alimentos
(especialmente pescado, fruta e vegetais). Promover a remoção segura dos resíduos humanos.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico semanal dos casos e óbitos e traçar uma curva epidémica durante os surtos.
Comunicar imediatamente a informação baseada em casos e mensalmente, a informação resumida
para a vigilância de rotina.
Local: Assinalar a localização das habitações com casos.
Pessoa: Contar, semanalmente, o número total de casose óbitos Analisar a distribuição dos casos por idade e
sexo. . Avaliar os factores de risco, para melhor controlar os casos .
Confirmação laboratorial
Isolar o V. cholerae da cultura de fezes e determinar o serótipo O1, usando antigénios
Teste de polivalentes para o V. cholerae O1.
diagnóstico
Se desejar, confirmar a identificação com antigénio Inaba e Ogawa.
Se a amostra não for serotipável, considerar o V. cholerae O139 (ver nota na coluna
dos Resultados).

Amostra Fezes líquidas ou amostra rectal

300
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.7 Cólera
Para cada nova zona afectada pelo surto, deve fazer-se a confirmação laboratorial.
Colheita
Colher uma amostra de fezes do primeiro caso suspeito de cólera. Se houver mais de
um caso suspeito, colher amostras de 5 a 10 casos. Colher as fezes de doentes que
correspondam à definição de caso e que:

§ Tenham tido manifestações nos últimos 5 dias e


§ Que não tenham iniciadoo tratamento com antibióticos

Não atrasar o tratamento de doentes desidratados. As amostras podem ser colhidas


após o início da reidratação (SRO ou terapia IV).

Se possível, as amostras podem ser colhidas em 5 – 10 casos suspeitos, em cada uma


ou duas semanas, para monitorizar a evolução do surto, alterações nos serótipos e os
padrões de sensibilidade aos antibióticos do [Link].
Preparação,
armazenamento e
transporte das § Colocar a amostra (fezes ou esfregaço rectal) num recipiente limpo e tapadoe
transportá-la para o laboratório nas 2 horas seguintes.
amostras § Se estiver prevista uma demora superior a 2 horas, colocar o esfregaço rectal no
meio de transporte Cary-Blair.

Se não estiver disponível o meio de transporte Cary-Blair e a amostra não chegar ao


laboratório nas 2 horas seguintes:

§ Armazenar entre 4°C a 8°C


§ Não deixar a amostra secar. Se necessário, adicionar uma pequena quantidade de
NaCl a 0,85%
§ O transporte deve ser feito em recipiente bem identificado e tapado
§ Transportar o recipiente em caixa exotérmica entre 4ºC a 8ºC
Resultados
§ Os testes da cólera podem não ser rotineiramente realizados em todos os
laboratórios.
§ Os resultados da cultura, normalmente, demoram 2 a 4 dias, depois da amostra
chegar ao laboratório.
§ O meio de transporte Cary-Blair é estável e normalmente, mantém-se em boas
condições pelo menos um ano após a preparação. Não exige refrigeração, se for
mantido estéril e em recipiente devidamente selado. Se a cor mudar (passar a
amarelo) ou encolher (menisco côncavo), não usar o meio.
§ O serótipo O139 nunca foi notificado em África, apenas em alguns locais no
Sudoeste Asiático.
A determinação serológica de Ogawa ou Inaba não é necessária para o esquema
terapeútica . Também não é necessária, se os resultados dos antigénios polivalentes
forem claramente positivos.
Referências

301
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.7 Cólera
§ Management of the patient with cholera, World Health Organization, 1992. WHO/CDD/SER/91.15 Rev1
(1992)

§ Epidemic diarreial disease preparedness and response--Training and practice. Facilitator and participant
manuals. World Health Organization, 1997. WHO/EMC/DIS/97.3 and WHO/EMC/DIS/97.4

§ “Laboratory Methods for the Diagnostic of Epidemic Dysentery and Cholera.” CDC/WHO, 1999 CDC,
Atlanta, GA, USA

302
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.8 Febre do Dengue


Introdução
§ A febre do dengue é um arbovírus transmitido por mosquitos aedes (tanto Aedes. aegypti como Aedes.
albopiticus). O dengue é causado por quatro vírus serologicamente distintos, mas intimamente relacionados:
os vírus do dengue (DENV) 1, 2, 3 e 4, pertencem a família Flaviviridae.

§ A febre do dengue é uma pandemia emergente que se propagou em todo o mundo, durante os últimos 30
anos, como consequência das alterações verificadas na ecologia humana. O dengue encontra-se nas regiões
tropicais e subtropicais de todo o mundo, predominantemente nas zonas urbanas e semi-urbanas. Durante as
epidemias de dengue, as taxas de infecção entre as pessoas que não estiveram anteriormente expostas ao
vírus situam-se, normalmente entre 40 a 50%, mas podem atingir 80 a 90%.

§ A febre do dengue é uma doença grave, de tipo gripal, que afecta bebés, crianças pequenas e adultos, mas
raramente é mortal. A febre hemorrágica do dengue (FHD) é uma complicação potencialmente mortal, que se
tornou na primeira causa de hospitalização e morte entre as crianças asiáticas. Existem provas seguras de
que a infecção sequencial, com diferentes serótipos do vírus do dengue, aumenta o risco de doença mais
grave, que pode resultar em síndrome de choque (SCD) e em morte.

§ A actividade do dengue epidémico em África tem consistido, maioritariamente, na febre do dengue clássica,
causada pelo DENV-1 e DENV-2, sem mortalidade associada. O primeiro grande surto de DENV-3 em África
foi documentado em Moçambique, em 1984-1985. Durante esse surto, a maioria dos doentes apresentaram
infecções secundárias e registaram-se 2 mortes atribuíveis à FHD e à síndrome de choque. Em 2008, em
Abidjan – Côte d´Ivoire, verificou-se que a febre amarela e o DENV-3 circulavam em simultâneo, sem
contudo se identificarem casos graves de dengue, nem mortes a ele atribuíveis.

§ Não existe um tratamento específico para o dengue, mas os cuidados médicos apropriados salvam,
frequentemente as vidas dos doentes com febre hemorrágica do dengue.

§ As pessoas infectadas são os principais portadores e multiplicadores do vírus, servindo como fonte do vírus
para os mosquitos Aedes aegypti não infectados, que mantêm o ciclo da transmissão urbana do dengue. O
vírus circula no sangue das pessoas infectadas durante 2-7 dias, os quais apresentam febre ao mesmo
tempo. Um ciclo de transmissão selvática foi documentado na África Ocidental, onde o DENV-2 foi
encontrado em macacos. Não existem provas da transmissão pessoa a pessoa.

§ Presentemente, o único método de controlar ou evitar a transmissão do vírus do dengue é combater os


mosquitos vectores, usando a gestão do ambiente e métodos químicos.

Objectivos da vigilância

§ Vigilância e investigação de casos suspeitos, em zonas com mosquitos Aedes aegypti e


Aedes Albopiticus

Definição padronizada de caso

303
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.8 Febre do Dengue

Caso suspeito de febre do dengue: uma pessoa com doença febril aguda, com a duração de 2-7 dias e dois
ou mais dos seguintes sintomas: dores de cabeça, dor retro-orbital, mialgia, artralgia, exantema, manifestações
hemorrágicas ou leucopenia.
Caso confirmado de febre do dengue: um caso suspeito com confirmação laboratorial (anticorpo IgM positivo,
aumento dos títulos de anticorpos IgG, PCR positivo ou isolamento viral).
Febre hemorrágica do dengue: um caso provável ou confirmado de dengue, com tendências hemorrágicas,
como comprovado por um ou mais dos seguintes testes: teste do torniquete positivo; petéquias, equimoses ou
púrpura; sangramento: mucosa, tracto gastrointestinal, pontos de injecção ou outros; hematemese ou melena; e
trombocitopenia (100 000 células ou menos por mm3) e evidência de perda de plasma devido ao aumento da
permeabilidade vascular, manifestada por um ou mais do seguinte: 20% de aumento no hematócrito médio,
para a idade e sexo, 20% de quebra no hematócrito, na sequência da terapia de substituição de volume, em
relação ao valor inicial, sinais de perda de plasma (efusão pleural, ascites, hipoproteinemia).
Síndrome de choque do dengue: todos os critérios acima mencionados, mais evidência de falha circulatória,
manifestada por um pulso rápido e fraco e pressão arterial baixa(≤ 20 mm Hg) ou hipotensão, frio, pele viscosa
e estado mental alterado.
Resposta ao limiar de alerta

Se houver um único caso suspeito:

§ Comunicar, imediatamente, ao nível seguinte a informação baseada em casos.


§ Efectuar uma busca activa de outros casos
§ Colher amostras para confirmar os casos

Resposta ao limiar de acção

Se houver um único caso confirmado:

§ Comunicar, imediatamente, ao nível seguinte a informação baseada em casos.


§ Efectuar uma busca activa de outros casos
§ Colher amostras para confirmar os casos
§ Inquirir a comunidade, para determinar a abundância de mosquitos vectores, identificar os habitats larvares
mais produtivos, promover e implementar planos para a sua eliminação, gestão ou tratamento, com larvicidas
apropriadas.
§ Educar o público e promover comportamentos para remover, destruir ou gerir os habitats larvares dos
mosquitos vectores.
§ Gerir e prestar tratamento clínico aos casos de febre do dengue. Implementar as medidas padrão de controlo
da infecção. Evitar o acesso dos mosquitos aos doentes, usando mosquiteiros de cama.
§ Transferir os casos suspeitos de FHD/SCD para serviços mais diferenciados.

Análise e interpretação dos dados

304
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.8 Febre do Dengue

Tempo: Fazer, semanal/mensalmente, um gráfico dos casos e óbitos. Traçar uma curva epidémica durante o
surto.

Local: Assinalar a localização das habitações e locais de trabalho com casos, usando mapas precisos.

Pessoa: Taxa de letalidade. Analisar a distribuição por idade e sexo. Percentagem de casos de FHD/SCD e de
hospitalizações.

Confirmação laboratorial
Teste de Demonstração de IgM e IgG por ensaios de anticorpos.
diagnóstico Detecção de sequências genómicas virais por PCR.
Isolamento do vírus do dengue, usando cultura de células.
Ensaios de detecção de antigénios para amostras de fase aguda, quando o PCR ou o
isolamento são negativos.

Demonstração do antigénio do vírus do dengue em tecido de autópsia, por


imunohistoquímica ou imunofluorescência ou em amostras de soro por EIA.

Nota: existem várias técnicas de diagnóstico para documentar uma infecção pelo vírus
do dengue. O teste ELISA de captura de IgM é o teste básico para o diagnóstico
serológico.

Amostra ELISA: sangue total, soro ou plasma de casos agudos (0-5 dias) e convalescentes (6 ou
mais dias), dependendo de cada caso.

PCR: sangue total ou coágulo de sangue, soro/plasma ou tecido, de preferência de


amostras de casos agudos (0-5 dias)

As amostras devem ser colhidas para diagnosticar uma morte suspeita por dengue:
Uma amostra de sangue, para tentar a PCR, o isolamento viral e a serologia. Para fazer
uma autópsia, deve colher-se sangue do coração.

305
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.8 Febre do Dengue

Colheita
Colher uma amostra do primeiro caso suspeito.
Se houver mais do que um caso suspeito, colher amostras de 5 a10 casos suspeitos.
Tipo de amostra
§ Sangue na fase aguda (0-5 dias após início dos sintomas)
§ Sangue na fase de convalescença (≥ 6 dias após início)

Momento da colheita
§ Colher segunda amostra durante a convalescença. Entre os dias 6 e 21 após o
início dos sintomas.

O diagnóstico laboratorial dos casos fatais é indispensável para compreender os


factores de risco dos casos graves.

Preparação,
O transporte das amostras deve obedecer às orientações da OMS para o transporte
armazenamento seguro de substâncias infecciosas e amostras para diagnóstico.
e transporte das
amostras Para ELISA ou PCR:
§ Refrigerar o soro ou o coágulo. Para armazenagem a longo prazo, congelar a -20º C
§ Congelar (a -20C ou mais) as amostras de tecido para o isolamento do vírus

Se tiver sido feita uma autópsia e não houver tecidos frescos, deve-se colher para os
estudos imunohistoquímicos, tecidos fixados em formalina.

Resultados Os serviços de diagnóstico para a febre do dengue e a febre hemorrágica do


dengue não estão rotineiramente disponíveis. Normalmente, é necessário requisitá-
los com antecedência. Contactar as autoridades locais competentes ou a OMS.
Referências

§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

Dengue: clinical and Public Health Aspects/CDC

306
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.9 Diabetes
Introdução
§ A diabetes mellitus (DM) é uma doença crónica generalizada, que ocorre quando o pâncreas não
produz insulina suficiente ou quando o corpo não consegue usar eficazmente a insulina que produz. A
diabetes pode provocar graves complicações de saúde, incluindo doença cardíaca, cegueira,
insuficiência renal e amputações dos membros inferiores.

§ A forma mais comum é a diabetes do tipo 2, que representa mais de 85% dos casos. Outras formas são
menos comuns, como o tipo 1 (10% dos casos), a diabetes específica e a diabetes gestacional (5% dos
casos).

§ Os factores de risco que propiciam o início das diabetes são bem conhecidos e incluem factores não
modificáveis, como a idade (acima dos 45 anos de idade), história familiar e causas da diabetes na
gravidez. Os factores de risco de diabetes modificáveis são a obesidade, a inactividade física e o
consumo excessivo de álcool.

§ A prevalência mundial em 2000 estava estimada em 2,8%, com projecções de 4,8% até 2030. O
número total de pessoas afectadas subirá de 171 milhões, em 2000, para 366 milhões, em 2030, se não
forem tomadas medidas. A mortalidade anual mundial relacionada com a diabetes está estimada em
mais de um milhão.

§ A diabetes deixou de ser considerada uma doença rara em África. As estimativas mais recentes,
baseadas na abordagem STEP-wise da OMS para a monitorização dos factores de risco das doenças
não transmissíveis, indicam uma prevalência entre 1% e 20%. Em alguns países, como as Ilhas
Maurícias, atinge os 20%.

§ A taxa de amputação de membros associada à diabetes varia entre 1,4% e 6,7% dos casos de pé
diabético. Em alguns países africanos, a taxa de mortalidade é superior a 40 por 10 000 habitantes.

§ Na Região Africana, os esforços no sentido de criar um ambiente que reforce a luta contra a diabetes
incluem a adopção de resoluções sobre doenças não transmissíveis, em 2000, a estratégia para as
doenças cardiovasculares, em 2005, e a estratégia para a diabetes mellitus, em 2007. A Organização
Mundial da Saúde e a Federação Internacional da Diabetes (FID) também realizaram acções conjuntas que
contribuíram para a promoção dos conhecimentos sobre a diabetes em África.

Objectivos da vigilância
§ Estimar a magnitude da doença
§ Monitorizar as tendências e os factores de risco
§ Identificar as populações de maior risco (e.g., grupos etários, urbanas vs. rurais)
§ Monitorizar as actividades dos programas de prevenção e controlo

Definição padronizada de caso


Novo caso suspeito:
Uma pessoa que apresente os seguintes sintomas:
§ Mais sede

307
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.9 Diabetes
§ Mais fome
§ Urinar frequentemente

Novo caso confirmado:


Uma pessoa com medição da glicose do plasma venoso em jejum ≥ 7 mmol/L (126 mg/dl) ou glicose capilar ≥
6.1 mmol/L (110 mg/dl)
ou
Uma pessoa com medição da glicose do plasma venoso sem jejum ≥ 11.1mmol/L (200 mg/dl) ou glicose capilar
≥ 11,1 mmol/L (200 mg/dl)

*Notificar apenas o primeiro diagnóstico do doente confirmado laboratorialmente

Acções de saúde pública recomendadas


Para as pessoas com diabetes:
§ Tratar os casos confirmados, de acordo com as orientações padrão para a gestão dos casos (WHOPEN).

Prevenção a nível de Município:


§ Implementar um programa integrado de prevenção e controlo das doenças não transmissíveis, que se
concentre na diabetes, através da sensibilização das comunidades e das actividades de educação,
conduzidas de acordo com os programas nacionais de prevenção e controlo das doenças não
transmissíveis. Estas actividades incluem estratégias multisectoriais e planos de acção sobre dietas,
redução de peso e actividade física.
§ Implementar medidas de prevenção, controlo e intervenções clínicas para o tratamento, usando
orientações baseadas em evidências (por exemplo, o rastreio de doentes de alto risco).

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Fazer, trimestralmente, um gráfico dos casos, para analisar as tendências.

Local: Comparar as tendências Municipais com as tendências nacionais e regionais.

Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por idade e outros factores demográficos.

*Os dados sobre as doenças não transmissíveis são analisados para as tendências a longo prazo

Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Medir a glicose no sangue capilar, usando um teste de tira reagente e um medidor de
referências
Medir a glicose no plasma, usando um método de teste colorimétrico para a glicose
oxidase
Definição de caso laboratorial (ver secção 8.0)
Amostra
Plasma
Sangue capilar

308
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.9 Diabetes
Colheita
As medições da glicose do sangue devem ser realizadas no dia e na hora solicitada.

Amostra em jejum: para o adulto, o tempo de jejum é, normalmente, de 10 a 16 horas.


Para as crianças, é de 6 horas.

Amostra pós-prandial: amostra pós-prandial de 2h.

Preparação,
armazenamento e A amostra deve ser analisada tão depressa quanto possível (antes de 2 horas), na
transporte das unidade de saúde em que foi colhida.
amostras
Resultados
Os resultados ficam prontos em poucas horas.

Referências

§ Non communicable diseases: A strategy for the African Region, AFR/RC50/10

§ Cardiovascular Diseases in the African Region: Current situation and perspectives, AFR/RC55/12

§ Diabetes prevention and control: a strategy for the African Region, AFR/RC57/7

§ Steps manual: [Link]

§ Gojka R et al, Global prevalence of diabetes, Diabetes care 27(5): 1047–1053, 2004.

§ IDF, Diabetes Atlas, 2nd Edition, Brussels, International Diabetes Federation, 2003.

§ WHO, Preventing chronic diseases: A vital investment, Geneva, World Health Organization, 2005.

§ WHO, The burden of mortality attributable to diabetes, Geneva, World Health Organization, 2004.

§ WHO-PEN: Protocols for health promotion, prevention and management of NCDs at primary care level
[Link]

§ District Laboratory Practice in Tropical countries, Cambridge

309
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.10 Diarreia com sangue


Introdução
§ A Shigella dysenteriae do tipo 1 (SD1) é a causa mais comum de infecções entéricas e é transmitida de
pessoa a pessoa, através da propagação fecal-oral.

§ Os surtos de grande escala podem ser causados por Shigella dysenteriae tipo 1 (SD1), infectando até
30% das populações. A taxa de letalidade pode aproximar-se dos 20% entre as crianças pequenas e
pessoas idosas com desidratação grave.

§ O período de incubação é de 1 a 4 dias.

§ A doença caracteriza-se por febre aguda e diarreia com sangue, podendo igualmente apresentar-se
com sintomas e sinais sistémicos, com desidratação, especialmente nas crianças pequenas.

§ Factor de risco: zonas superpovoadas, com água não potável e mau saneamento (por exemplo,
populações refugiadas com falta de alimentos.

§ A SD1 é, frequentemente, resistente a antibióticos múltiplos, incluindo trimetoprim-sulfametoxazole.

§ A E. coli enterohemorrágica e enteroinvasiva assim como outras bactérias ou parasitas, como a


Entamoeba histolytica podem também provocar a diarreia com sangue.

Objectivos da vigilância
§ Detectar e responder prontamente aos surtos de disenteria.
§ Melhorar a percentagem de casos laboratorialmente confirmados e avaliar a proporção verificada como
tipo 1 (SD1).
§ Determinar o padrão de sensibilidade aos antibióticos dos agentes isolados (especialmente SD1), tanto
para a vigilância de rotina como durante os surtos.

Definição padronizada de caso


Caso suspeito:
Uma pessoa com diarreia e sangue visível nas fezes.

Caso confirmado:
Caso suspeito com cultura de fezes positiva para Shigella dysenteriae tipo1.

Resposta ao limiar de alerta


Se observar que o número de casos ou óbitos aumenta durante um período de tempo:
§ Notificar esse aumento ao nível seguinte do sistema de saúde.
§ Tratar os casos suspeitos com reidratação oral e antibióticos, com base nos últimos resultados
disponíveis sobre susceptibilidade.
§ Obter uma amostra da matéria fecal ou esfregaço rectal, para confirmar o surto de SD1.
§ Investigar o caso, para determinar os factores de risco que contribuíram para a transmissão.

310
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.10 Diarreia com sangue


Resposta ao limiar de acção
Se uma suspeita de surto for confirmada:
§ Procurar outros casos na localidade onde ocorreram os casos confirmados.
§ Reforçar a gestão e o tratamento dos casos.
§ Mobilizar a comunidade para possibilitar a rápida detecção e tratamento dos casos.
§ Identificar as populações de alto risco, usando os dados sobre as pessoas, local e tempo.
§ Reduzir os casos esporádicos e relacionados com o surto, promovendo a lavagem das mãos com
sabão ou cinzas e água, depois de defecar e antes de manusear os alimentos. Reforçar o acesso ao
abastecimento e armazenamento de água potável e o uso de latrinas e a remoção segura dos resíduos
humanos.

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Fazer mensalmente um gráfico das tendências dos casos e óbitos. Traçar uma curva epidémica
para os casos durante o surto.

Local: Assinalar a localização das habitações com casos.

Pessoa: Contar os casos e os óbitos todos os meses. Durante um surto, contar todas as semanas os
casos. Analisar rotineiramente a distribuição por idade. Avaliar os factores de risco, para melhorar o controlo e a
prevenção das doenças esporádicas e dos surtos.

Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Isolar a Shigella dysenteriae tipo 1 (SD1) em cultura, para confirmar o surto de shigella.
Se SD1 for confirmada, realizar testes de sensibilidade aos antibióticos, com
medicamentos apropriados.

Amostra
Fezes ou esfregaço rectal.

Colheita Para cada nova zona afectada pelo surto, deve fazer-se a confirmação laboratorial.

Colher a amostra quando há suspeita de um surto. Colher as fezes de 5-10 doentes que
tenham diarreia com sangue:

·Início nos últimos 4 dias e


·Antes do início do tratamento com antibióticos.

De preferência, guardar as fezes num recipiente limpo e seco. Não contaminar com urina.
Colher uma amostra das fezes, seleccionando as partes da amostra com sangue ou
muco.
Se não for possível colher fezes, obter uma amostra rectal com uma mecha de algodão
limpa.

311
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.10 Diarreia com sangue


Preparação,
armazenamento Colocar a amostra de fezes ou o esfregaço rectal em meio de transporte Cary-Blair.
Transportar refrigerada para o laboratório.
e transporte das
amostras Se o meio Cary-Blair não estiver disponível, enviar a amostra para o laboratório nas 2
horas seguintes, num recipiente limpo e seco, com uma tampa bem apertada. As
amostras não conservadas no meio Cary-Blair sofrerão uma redução significativa da
shigellae após 24 horas.
Se for necessário o armazenamento, manter as amostras entre 4 e 8°C, mas não as
congelar.
Resultados
Os resultados da cultura estão normalmente, disponíveis entre 2 a 4 dias, após a
recepção no laboratório.

Os isolados de SD1 devem caracterizar-se por susceptibilidade aos antibióticos.

Após confirmação dos primeiros 5-10 casos , fazer a amostragem de apenas um


pequeno número de casos, até que o surto termine, para monitorizar a evolução do surto
e os padrões de sensibilidade aos antibióticos, que orientarão o tratamento definitivo.

Consultar as orientações específicas para a doença na Secção 8.0, para mais informação
sobre o potencial epidémico da Shigella dysenteriae 1
Referências
§ Guidelines for the control of epidemics due to Shigella dysenteriae type 1. WHO/CDR/95.4

§ Safe Water Systems for the Developing World: A Handbook for Implementing Household-based Water
Treatment and Safe Storage Projects. Department of Health & Human Services. Centers for Disease Control
and Prevention. Atlanta. 2000

§ “Laboratory Methods for the Diagnostic of Epidemic Dysentery and Cholera”. CDC/WHO, 1999 CDC,
Atlanta, GA, USA

312
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.11 Doença Diarreica Aguda (DDA) Diarreia com desidratação em


crianças menores de 5 anos
Introdução
§ A diarreia com desidratação em crianças menores de 5 anos deve-se a infecções do tracto gastrointestinal
causadas por vírus (especialmente o rotavírus), bactérias (E. Coli, Salmonellae, shigellae,
Campylobacter, Yersinia e outras) e parasitas (Giardia, Entamoeba, cryptosporidia e cyclospora). Estas
doenças são transmitidas através do consumo de alimentos ou água contaminada ou através da
propagação fecal-oral.
§ As doenças diarreicas representam a segunda maior causa de morte entre os menores de 5 anos, em muitos
países africanos, com mais de 3 milhões de mortes por ano.
§ Para agentes patogénicos diferentes, observam-se diferentes padrões epidemiológicos (por exemplo, a
sazonalidade).
§ A OMS e a UNICEF advogam que cada equipa municipal deve usar a estratégia da Atenção Integrada às
Doenças da Infância (AIDI), para reduzir a morbilidade e a mortalidade por diarreias na infância.
Objectivos da vigilância
§ Detectar prontamente os surtos de diarreia com desidratação. A confirmação laboratorial pode certificar os
surtos de agentes patogénicos específicos, mas a confirmação laboratorial não é necessária para a
vigilância de rotina da diarreia com desidratação.
§ Monitorizar a resistência antimicrobiana durante os surtos de origem bacteriana.
Definição padronizada de caso
Caso suspeito:
Passagem de 3 ou mais fezes soltas ou aquosas nas últimas 24 horas, com ou sem desidratação e:

Alguma desidratação -- dois ou mais dos seguintes sinais: agitação, irritabilidade; olhos encovados; sede; perda
de elasticidade da pele, ou

Desidratação grave -- dois ou mais dos seguintes sinais: letargia ou perda de consciência; olhos encovados;
incapacidade de beber ou beber pouco; grande perda de elasticidade da pele.

Caso confirmado:
Caso suspeito confirmado com cultura de fezes, para um agente patogénico entérico conhecido.
Nota: a confirmação laboratorial de um agente específico causador do surto não é recomendada como rotina,
para fins de vigilância.

Resposta ao limiar de alerta


Se observar que o número de casos ou mortes aumenta durante um período de tempo:
§ Comunicar o problema ao nível seguinte.
§ Investigar a causa do aumento do número de casos ou mortes e identificar o problema.
§ Certificar-se de que os casos são tratados de acordo com as orientações da AIDI.
§ Encorajar a terapia doméstica com a reidratação oral.

Resposta ao limiar de acção


Se o número de casos ou mortes aumentar para duas vezes o número normalmente observado num
período semelhante do passado:

313
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.11 Doença Diarreica Aguda (DDA) Diarreia com desidratação em


crianças menores de 5 anos
§ Verificar se o profissional de saúde põe em prática as orientações do AIDI, para tratar os casos e melhorar
o desempenho na classificação da diarreia com desidratação em crianças menores de 5 anos.
§ Ensinar as mães a fazerem o tratamento com reidratação oral em casa.
§ Ensinar a comunidade a ferver e a tratar a água com cloro, assim como a armazenar a água potável e a
preparar os alimentos.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico dos casos e óbitos, para comparar com o mesmo período de tempo dos anos
anteriores. Preparar gráficos sobre a diarreia em doentes externos com alguma desidratação e a diarreia com
desidratação grave. Traçar uma curva epidémica, quando os surtos são detectados.
Local: Assinalar a localização das habitações com casos.
Pessoa: Notificar, mensalmente, os totais devidos à diarreia com alguma desidratação e também à
diarreia com desidratação grave nos serviços de ambulatório. Notificar, também mensalmente, o total de casos e
óbitos de doentes internados por diarreia com desidratação grave.

Confirmação laboratorial
A cultura laboratorial de fezes pode ser usada para confirmar possíveis surtos de agentes específicos, mas não
é necessária para a definição do caso.

Referências
§ Management of childhood illness: Clinical skills training course for first level health facilities. World Health
Organization. WHO/CDR/95.14
§ Integrated Management of Childhood Illness: A WHO/UNICEF Initiative Bulletin of the World Health Organization. Vol. 75,
1997, Supplement 1, 1997. ISBN 92 4 068750 5

314
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.12 Dracunculose
Introdução
§ A dracunculose é comumente conhecida como doença do verme da Guiné. É provocada por um grande
nemátodo, um parasita incapacitante que emerge através da pele da pessoa infectada.

§ Trata-se de uma doença antiga, conhecida desde tempos remotos, que tem, para muitos doentes,
consequências socioeconómicas graves. É transmitida pela ingestão de água contendo um crustáceo
(cíclope) que é infestado por uma forma imatura (larvar) do nemátodo. O cíclope encontra-se na superfície
em fontes de água estagnada (lagoas, poços tradicionais pouco fundos), nas zonas rurais. O nemátodo
fêmea sai da pele do hospedeiro, quando há contacto com a água. O período de incubação é entre 9 a 12
meses e não há tratamento nem vacina contra a doença.

§ O êxito das estratégias de luta contra a doença, aplicadas pelos países endémicos e uma coligação
internacional de parceiros, tem facilitado a irradicação da dracunculose. Em Dezembro de 2008, foram
notificados à OMS 4.619 casos do verme da Guiné, em todo o mundo, em comparação com 892 000 casos
notificados em 1989, o que revela uma redução de 99,47%.

§ Em 1989, a doença era endémica em 20 países, em todo o mundo: Benim, Burkina Faso, Camarões,
República Centro-Africana, Côte d’Ivoire, Chade, Gana, Etiópia, Índia, Paquistão, Quénia, Mali, Mauritânia,
Níger, Nigéria, Sudão, Senegal, Togo, Uganda e Yémen

§ Actualmente, só o Continente Africano continua a ser afectado, com 6 países ainda endémicos, em 2009:
Sudão, Gana, Mali, Etiópia, Nigéria e Níger.
Objectivos da vigilância
§ Conduzir a detecção activa e investigação de todos os casos a nível comunitário. Notificar, mensalmente,
os casos ao nível seguinte.
§ Nas zonas em que a transmissão local da doença do verme da Guiné foi interrompida, manter uma busca
activa de outros casos ou rumores de casos.
§ Notificar todos os casos importados aos países ou áreas de origem.
§ Integrar na vigilância para confirmar a ausência da transmissão.
Definição padronizada de caso
Caso suspeito:
§ Uma pessoa que apresente uma lesão cutânea, com prurido ou bolha e que viva numa área endémica do
verme da Guiné.

§ Caso confirmado: na última fase do programa, é necessária a confirmação dos últimos casos por pessoal
de saúde formado. Seguir as orientações nacionais para a definição de caso confirmado.
Resposta ao limiar de alerta

315
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.12 Dracunculose
Se houver apenas um caso suspeito:
§ Notificar o caso, de acordo com as orientações do programa nacional de erradicação da dracunculose.
§ Tratar a ferida (se houver), para reduzir a incapacidade associada às lesões dolorosas da perna.
§ Fazer a investigação do caso, para confirmar os factores de risco.
§ Melhorar o acesso à água potável, de acordo com as orientações nacionais.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico mensal dos casos.

Local: Assinalar a distribuição das habitações e locais de trabalho, onde se registaram casos notificados.

Pessoa: Contar os casos todos os meses e analisar a distribuição por idade. Enviar relatórios mensais aos
níveis seguintes.
Confirmação laboratorial
Não é necessária a confirmação laboratorial de rotina para a vigilância. O diagnóstico é feito por reconhecimento
visual do verme adulto que sobressai numa lesão cutânea (ver secção 8.0) ou por identificação microscópica das
larvas. Os testes laboratoriais para investigar a dracunculose são limitados, porque as larvas de D. medinensis
são, normalmente, arrastadas pela água. O diagnóstico faz-se, normalmente, quando a bolha rompe e se vê a
extremidade anterior do verme fêmea. Se necessário, a confirmação laboratorial do diagnóstico pode ser feita do
seguinte modo: colocar algumas gotas de água na ferida, recolher e transferir a água para uma lâmina e
examinar as larvas móveis ao microscópio.

Referências
§ Dracunculiasis or guinea-worm, Geneva, World Health Organization, WHO/CDS/CEE/DRA/99.2, 1999 and
WHO/WER N°37 September 2003
§ Control of Communicable Diseases Manual, 18th Edition
§ District Laboratory Practice in Tropical countries, Cambridge

316
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.13 Febres Hemorrágicas Virais de Ébola ou Marburg


Introdução
§ Os vírus Ébola e Marburgo são ambos filovírus.
§ Quase 3 000 casos de Ébola, com mais de 1 900 mortes, foram documentados desde
que o vírus Ébola foi descoberto em 1976. No Sudão, República Democrática do Congo
(RDC) , Costa do Marfim, Gabão, Uganda e Congo ocorreram grandes surtos de Ébola.
§ Mais de 500 casos de Marburgo, com mais de 400 mortes, foram notificados durante as
epidemias do vírus de Ebola que ocorreram na RDC (1998-2000) e de Marburg em
Angola (2004-2005- com 252 casos e 227 óbitos ) e Uganda (3 casos em 2007).

§ Estes dois vírus são transmitidos por contacto directo com o sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos
corporais de pessoas infectadas. A transmissão da infecção do vírus Ébola de chimpanzés, gorilas e
antílopes de floresta infectados (vivos e mortos) para os humanos tem sido documentada.

§ Estão em curso estudos ecológicos para identificar os reservatórios naturais dos dois vírus. Existem
evidências do envolvimento de morcegos.

§ As epidemias podem ser dramaticamente propagadas nas unidades de saúde por procedimentos
inadequados das precauções de biossegurança no controlo da infecção.

§ O período de incubação dos vírus Ébola e Marburgo é de 2 a 21 dias.

§ Entre 20e 80% dos doentes têm manifestações hemorrágicas, dependendo da estirpe dos vírus Ébola ou
Marburgo. Os doentes tornam-se cada vez mais infecciosos, à medida que a doença avança.

§ Têm sido notificadas elevadas taxas de letalidade durante as epidemias de Ébola (25 a 90%) e de
Marburg (25 a 80%)

§ Não existe tratamento específico para nenhuma das duas doenças. Os casos graves exigem cuidados
intensivos de suporte vital, visto que os doentes ficam frequentemente desidratados e necessitam de
fluidos intravenosos ou de reidratação oral com soluções que contenham electrólitos.

§ As vias mais comuns de infecção são o contacto próximo com pessoas gravemente doentes, durante os
cuidados em casa ou no hospital, assim como certas práticas funerárias. A transmissão por via de
equipamento, injecção contaminada ou ferimentos causados pela introdução de agulhas, torna a doença
mais grave. A infecção pode igualmente propagar-se através do contacto com vestuário ou roupa de
cama pertencentes a um doente infectado.
Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce de casos, investigação rápida e confirmação laboratorial imediata da etiologia de todos os
casos suspeitos.
§ Investigação de todos os casos suspeitos, com localização dos contactos.
§ Durante as epidemias, para os doentes que não apresentam sintomas de hemorragia, deve-se usar uma
definição de caso específica..

317
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.13 Febres Hemorrágicas Virais de Ébola ou Marburg


Definição padronizada de caso
Caso suspeito: doença com manifestação de febre e sem resposta ao tratamento das causas habituais de febre
na zona e pelo menos, um dos seguintes sinais: diarreia com sangue, sangramento das gengivas, hemorragia de
pele (púrpura), hemorragia ocular e sangue na urina (hematúria).

Caso confirmado: um caso suspeito com confirmação laboratorial (anticorpo IgM positivo, PCR positivo ou
isolamento viral) ou ligação epidemiológica aos casos ou surtos confirmados.

Nota: Durante um surto, estas definição de caso podem ser alteradas, para corresponderem à ocorrência local.

Resposta ao limiar de alerta


Se houver suspeita de um único caso:
§ Notificar imediatamente aos níveis apropriados a informação baseada no caso.
§ Os casos suspeitos devem ser isolados dos outros doentes, devendo aplicar-se técnicas rigorosas de
biossegurança.
§ As precauções normais devem ser reforçadas em todas as unidades de saúde.
§ Tratar e cuidar do doente com cuidados de suporte vital.
§ Colher uma amostra para confirmar o caso.
§ Proceder ao seguimento dos contactos do caso e a uma busca activa de outros casos.
Resposta ao limiar de acção
Se um caso único for confirmado:
§ Usar práticas rigorosas de controlo da infecção por FHV* durante o surto.
§ Mobilizar a comunidade para a detecção precoce e cuidados a dispensar aos casos e educar a comunidade
sobre o modo de transmissão da doença e o modo de implementar o controlo da infecção em casa e
durante os funerais.
§ Proceder ao seguimento dos contactos do caso e a uma busca activa de outros casos que possam não se ter
apresentado nas unidades de saúde.
§ Pedir ajuda adicional aos outros níveis, se necessário.
Criar uma enfermaria de isolamento, para tratar de outros casos que possam recorrer ao centro de saúde.

Análise e interpretação dos dados


Pessoa: Proceder à notificação imediata dos casos e óbitos. Analisar a distribuição por sexo e idade.
Avaliar os factores de risco e planear as intervenções de controlo da doença.

Tempo: Fazer um gráfico dos casos e óbitos por dia/semana. Traçar uma curva epidémica durante o
surto.

Local: Assinalar num mapa a localização dos casos.


Confirmação laboratorial
Teste de Presença de anticorpos IgM contra a Ébola, Marburg, CCHF, Lassa ou Febre do Nilo
diagnóstico Ocidental

ou

Presença da Ébola na necrópsia da pele post-mortem

318
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.13 Febres Hemorrágicas Virais de Ébola ou Marburg


Amostra Para ELISA:
Sangue total, soro ou plasma

Para PCR:
Sangue total ou coágulo de sangue, soro/plasma ou tecido

Para imunohistoquímica: amostras de pele ou tecido de casos fatais.


Colheita Colher uma amostra do primeiro caso suspeito.
Se houver mais do que um caso suspeito, colher amostras de 5 a 10 casos suspeitos.
Preparação, Manipular e transportar as amostras de doentes suspeitos de FHV com extrema cautela.
armazenamento e usar vestuário de protecção e usar medidas de biosegurança.
transporte das
amostras Para ELISA ou PCR:
§ Refrigerar o soro ou o coágulo
§ Congelar (-20C ou mais) as amostras de tecido para isolamento do vírus

Para imunohistoquímica:
§ Fixar uma amostra de pele em formalina. A amostra pode ser armazenada até 6
semanas. A amostra deixa de ser infecciosa depois de fixada em formalina.
§ Armazenar à temperatura ambiente. As amostras fixadas em formalina podem ser
transportadas à temperatura ambiente.
Resultados Os serviços de diagnóstico das FHV não estão rotineiramente disponíveis. Normalmente,
é necessário requisitá-los antecipadamente. Contactar a autoridade nacional competente
ou a OMS.
Referências
§ Interim Infection Control Recommendations for Care of Patients with Suspected or Confirmed Filovírus
(Ebola, Marburg) Hemorrhagic Fever. BDP/EPR/WHO, Geneva March 2008.

§ Infection Control for VHF in the African health care setting, WHO, 1998. WHO/EMC

§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

§ WHO Fact Sheet No 103, Ebola haemorrhagic fever, revised December 2008

§ WHO Fact Sheet, Marburg haemorrhagic fever, revised July 2008

§ Interim Infection Control Recommendations for Care of Patients with Suspected or Confirmed Filovírus
(Ebola, Marburg) Hemorrhagic Fever. BDP/EPR/WHO, Geneva March 2008.

§ WHO recommended Guidelines for Epidemic Preparedness and Response: Ebola Haemorrhagic Fever
(EHF). WO/EMC/DIS/97.7.

§ Dengue haemorrhagic fever: diagnostic, treatment, prevention and control. 2nd edition. Geneva: World Health
Organization. 1997.

319
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.14 Doenças de transmissão alimentar


Introdução
§ As doenças de transmissão alimentar são causadas por vários agentes patogénicos bacterianos, virais,
parasíticos ou fúngicos, ou suas toxinas, que entram no organismo através do consumo de alimentos ou
água. Além das doenças listadas noutra parte deste guia, tais como a cólera e a shigelose, a vigilância das
doenças de transmissão alimentar pode envolver outras causas, como a salmonelose, a hepatite A ou a
contaminação química.

§ Uma doença de transmissão alimentar ocorre quando duas ou mais pessoas partilharam a mesma comida
ou bebida e passado pouco tempo, começaram a ter sintomas.

§ A maioria das pessoas com uma doença de transmissão alimentar não procura cuidados médicos; por isso,
os casos e surtos de doenças de transmissão alimentar não são, normalmente, reconhecidos nem
notificados.

§ Os primeiros sintomas surgem, muitas vezes, no tracto gastrointestinal. Náuseas, vómitos, cólicas
abdominais e diarreia são sintomas frequentes de doenças transmitidas pelos alimentos.

§ Os surtos podem ser localizados, afectando apenas, por exemplo, 2 indivíduos que comeram a mesma
refeição ou produto, mas podem também ocorrer surtos mais vastos e geograficamente disseminados. Os
grandes surtos ocorrem quando os alimentos são contaminados antes da sua distribuição e consumidos por
muitas pessoas, em várias zonas.

§ É necessário proceder à vigilância das doenças de transmissão alimentar, para monitorizar a segurança dos
alimentos e desenvolver acções de promoção da saúde, destinadas aos comerciantes de alimentos, para
que estes apliquem práticas mais seguras de manuseamento dos alimentos e melhorem a sua higiene
pessoal.
Objectivos da vigilância
§ Identificar prontamente qualquer grupo invulgar de doenças potencialmente transmitidas por alimentos, que
possa exigir uma investigação ou resposta da saúde pública.
§ Monitorizar a magnitude das doenças de transmissão alimentar.
§ Identificar alimentos ou práticas alimentares de alto risco.
§ Monitorizar os factores de risco, para as intervenções de saúde pública e de promoção da saúde, em relação
a determinados alimentos e práticas alimentares.
Definição padronizada de caso
Há suspeita de doença de transmissão alimentar quando duas ou mais pessoas se apresentam com sintomas
semelhantes e consumiram os mesmos alimentos ou bebida.
Uma doença de transmissão alimentar define-se de acordo com o agente específico que causou a doença (por
exemplo, cólera, hepatite A, salmonelose ou shigelose).
Uma doença de transmissão alimentar confirmada é um caso laboratorial confirmado de um agente específico,
com uma ligação a uma fonte de alimentos ou bebidas comuns.
Resposta ao limiar de alerta

320
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.14 Doenças de transmissão alimentar


Se ≥2 pessoas estiverem doentes e tiverem comido os mesmos alimentos:
§ Notificar imediatamente a doença ao nível seguinte do sistema de saúde
§ Colher amostras dos doentes e dos alimentos e bebidas suspeitos, para confirmação laboratorial
§ Tratar os casos suspeitos
Resposta ao limiar de acção
Se um surto de uma doença de transmissão alimentar for confirmado:

§ Procurar outros casos na localidade dos casos confirmados


§ Reforçar a gestão e o tratamento dos casos
§ Mobilizar a comunidade para uma rápida detecção e tratamento dos casos
§ Identificar grupos de alto risco
§ Retirar do menu do restaurante, ou das prateleiras dos supermercados, os produtos alimentares sobre os
quais se possam obter provas de alimentos não seguros.
§ Eventualmente, pedir uma investigação aprofundada das cadeias alimentares que possam estar associadas
ao surto
§ Reduzir os casos esporádicos e relacionados com o surto, promovendo a lavagem das mãos com água e
sabão, após a defecação/urina e antes de manusear os alimentos/refeições; reforçar o acesso ao
fornecimento e armazenamento de água potável, ao uso de latrinas e a remoção segura dos resíduos
humanos
§ Reforçar as actividades sobre segurança alimentar para promoção da saúde, usando as Cinco Chaves da
OMS para uma Alimentação Mais Segura (ver Referências em baixo) e o sistema de Análise de Perigos e
Pontos Críticos de Controlo (APPCC)
§ Aumentar as actividades de inspecção alimentar
Análise e interpretação dos dados
§ Tempo: Fazer um gráfico mensal das tendências dos casos e óbitos; traçar uma curva epidémica para os
casos de surtos.

§ Local: Assinalar a localização dos casos e óbitoss

§ Pessoa: Contar os casos e óbitos todos os meses. Durante um surto, contar os casos relacionados com o
surto, por semana.

§ Rever rotineiramente os dados clínicos e os resultados laboratoriais das análises aos alimentos e às
pessoas, para identificar os grupos de casos, por tempo, local ou pessoa. Investigar os surtos suspeitos de
doença alimentar detectados atraves deos dados.

§ Investigar todos os surtos suspeitos de doenças alimentares.


Referências
§ Guidelines for Strengthening Foodborne Disease Surveillance in the WHO African Region
§ WHO Five Keys to Safer Food at [Link]/fsf/Documents/[Link]
§ WHO Foodborne disease outbreaks: Guidelines for investigation and control
[Link]

321
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.15 Gripe Humana causada por um novo subtipo


Introdução
§ Uma pandemia de gripe ocorre, quando surge um novo vírus de gripe A, com transmissão eficaz e
sustentada entre humanos, nas populações com imunidade limitada. Ocorreram pandemias de gripe em
1918, 1957 e 1968. A pandemia de 1918 matou cerca de 40–50 milhões de pessoas. Há previsões de que
uma pandemia de magnitude equivalente possa matar 62 milhões de pessoas, das quais 96% nos países
em desenvolvimento.

§ O êxito da contenção ou controlo da gripe pandémica depende do reconhecimento rápido da transmissão


sustentada entre seres humanos. Os países têm sido encorajados, como parte do planeamento da
preparação contra a pandemia, a reforçarem a vigilância para (i) detectarem a emergência da nova doença;
(ii) caracterizarem a doença (epidemiologia, manifestações clínicas, gravidade); e (iii) monitorizarem a sua
evolução.

§ Gripe A (H1N1) de 2009: Em 11 de Junho de 2009, a OMS declarou uma pandemia mundial devida ao vírus
da gripe A (H1N1) e em 8 de Outubro de 2009, 195 países, territórios e áreas tinham notificado casos e/ou
surtos do vírus pandémico (H1N1). O especto da doença varia desde doença não febril e ligeira do tracto
respiratório superior até pneumonia grave ou fatal.

§ Gripe A (H5N1): um outro subtipo de gripe, H5N1, circula entre as aves há mais de 10 anos. Em 2003,
foram identificadas infecções em pessoas expostas a aves doentes. Desde 2003, o H5N1 está confirmado
em aves de capoeira e/ou aves selvagens em 62 países e 15 países notificaram 442 casos humanos
confirmados de H5N1, com 262 óbitos. A Nigéria notificou, em Janeiro de 2007, um óbito confirmado de
infecção humana pelo vírus da gripe A (H5N1). A maioria dos doentes com H5N1 apresentam sintomas de
febre, tosse e falta de fôlego e pneumonia radiologicamente comprovada. A grande maioria dos casos, para
os quais se dispõe de dados sobre os factores de risco, indicam que o contacto directo com aves de
capoeira vivas ou recentemente mortas é o principal factor de risco para a infecção humana por H5N1. No
entanto, a propagação geográfica continuada deste vírus da gripe aviária altamente patogénico entre as
aves da Ásia, Europa, Médio Oriente e África tem reforçado as preocupações sobre a possibilidade de uma
pandemia de gripe humana H5N1 à escala mundial.

§ Nos termos do RSI (2005), um Estado-Membro terá de notificar à OMS a primeira ocorrência de gripe
humana causada por um novo subtipo, incluindo o vírus da pandemia (H1N1) de 2009.

Objectivos da vigilância
§ Detectar e investigar a primeira prova da transmissão sustentada entre humanos de um vírus da gripe com
potencial pandémico.
§ Avaliar os primeiros casos de gripe pandémica que ocorram num país, para caracterizar a nova doença,
incluindo as suas características clínicas, informação sobre os factores de risco e características
epidemiológicas e virológicas.
§ Monitorizar a evolução da pandemia no país, a nível regional e mundial.

322
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.15 Gripe Humana causada por um novo subtipo


Definição padronizada de caso
Caso suspeito de H5N1:
Uma pessoa que se apresente com uma doença aguda inexplicada das vias aéreas inferiores e com febre (>38
ºC) e tosse, falta de fôlego ou dificuldade em respirar e
uma ou mais das seguintes exposições, nos 7 dias anteriores ao início dos sintomas:
a) Contacto próximo (até 1 metro) com uma pessoa (e.g., que se trata, com quem se fala ou que se toca)
que seja um caso suspeito, provável ou confirmado de H5N1;
b) Exposição (e.g., manuseando, matando, depenando, talhando ou preparando para consumo) a aves de
capoeira ou selvagens, ou seus restos, ou a ambientes contaminados pelas suas fezes, numa zona em
que, no último mês, tenha havido suspeita ou confirmação de infecções por H5N1 em animais ou
humanos;
c) Consumo de produtos de aves, crus ou mal cozinhados, numa zona em que, no último mês, tenha
havido suspeita ou confirmação de infecções por H5N1 em animais ou humanos;
d) Contacto próximo com um qualquer animal confirmadamente infectado por H5N1, além das aves de
capoeira ou selvagens;
e) Manipulação de amostras (animais ou humanas) suspeitas de conter o vírus H5N1, num laboratório ou
noutro local.

Caso confirmado de H5N1: uma pessoa que corresponda aos critérios de caso suspeito e tenha resultados
laboratoriais positivos e obtidos num laboratório cujos resultados dos testes para o H5N1 sejam aceites pela
OMS como confirmatórios.

Suspeita de infecção pelo vírus pandémico (H1N1) de 2009: uma pessoa que apresente uma doença de tipo
gripal (manifestação súbita de febre > 38 °C e tosse ou garganta inflamada, na ausência de outro diagnóstico),
com história de exposição ao vírus pandémico (H1N1) de 2009.

Infecção confirmada pelo vírus pandémico (H1N1) de 2009: uma pessoa com infecção pelo vírus pandémico
(H1N1) de 2009, confirmada laboratorialmente por um ou mais dos seguintes testes: PCR; cultura de vírus;
aumento quádruplo dos anticorpos neutralizadores específicos do vírus pandémico (H1N1) de 2009.

323
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.15 Gripe Humana causada por um novo subtipo


Resposta a um caso suspeito de gripe humana causada por um novo subtipo ou a uma ocorrência
normal de infecção respiratória aguda grave:
§ Notificar, imediatamente, aos níveis apropriados, a informação baseada em casos.
§ Implementar, imediatamente, as precauções de controlo da infecção por doença respiratória aguda e
reforçar as medidas de precaução padrão, em toda a unidade de saúde.
§ Gerir e tratar o doente de acordo com as orientações nacionais.
§ Colher amostras laboratoriais do doente e de contactos sintomáticos e preparar os testes laboratoriais***.
§ Rever a história clínica e a exposição durante 7 dias, antes da manifestação da doença.
§ Identificar e acompanhar os contactos próximos do doente.
§ Procurar outros casos.
§ Fazer uma investigação epidemiológica, para identificar factores de risco da infecção e populações em risco
de doença grave.
§ Planear e implementar medidas de prevenção e controlo.

Resposta ao limiar de acção


Se um caso único de gripe humana causado por um novo subtipo for confirmado ou se outra doença
respiratória aguda de potencial epidémico ou pandémico for confirmada:
§ Manter precauções rigorosas de controlo da infecção da doença respiratória aguda e criar uma enfermaria
de isolamento, para tratar outros casos que possam surgir.
§ Gerir e tratar o doente, de acordo com as orientações nacionais.
§ Implementar a vigilância activa dos contactos do doente.
§ Realizar uma pesquisa activa de outros casos.
§ Distribuir kits de colheita de amostras laboratoriais às unidades de saúde.
§ Identificar as populações de alto risco.
§ Mobilizar a comunidade, para permitir a detecção e tratamento rápido dos casos.
§ Educar a comunidade sobre o modo como a gripe se transmite e sobre a forma de implementar as medidas
de controlo da infecção em casa e na comunidade.

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Fazer um gráfico semanal dos casos e óbitos e traçar uma curva epidémica

Local: Assinalar a localização das habitações e locais de trabalho com casos, usando um mapeamento preciso.

Pessoa: Contar, semanalmente, o total de casos e óbitos, relativamente a casos esporádicos e durante os
surtos. Analisar a distribuição por idade e sexo. Caracterizar a doença, em termos de apresentação clínica,
especto da doença, proporção de casos que exigem hospitalização, resultados clínicos,taxa de letalidade, taxa
de ataque por idade/ocupação/consanguinidade.

Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Identificação das infecções pelo vírus da gripe humana por:

324
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.15 Gripe Humana causada por um novo subtipo


1) Detecção de RNA específico da gripe, por reacção em cadeia da polimerase via
transcriptase inversa
2) Isolamento em cultura de células (necessários laboratórios BSL3 para um novo
subtipo suspeito)
3) Detecção directa de antigénios (baixa sensibilidade)

Amostra
Para o diagnóstico podem usar-se vários tipos de amostras:
§ Esfregaço da garganta
§ Esfregaço nasofaríngeo
§ Esfregaço nasal.
§ Aspirado nasofaríngeo
§ Doentes entubados: esfregaço traqueal ou fluido de lavagem brônquica
§ Sangue

As amostras devem ser colhidas pela seguinte ordem de prioridade:


§ Esfregaço da garganta/ Aspirado nasofaríngeo
§ Soro agudo
§ Soro convalescente

Colheita de
amostras Obter a amostra 3 dias depois do início dos sintomas,
As amostras iniciais (respiratórias ou sangue) devem ser preferencialmente colhidas em
doentes suspeitos, antes de se iniciar a terapêutica antiviral, mas o tratamento não deve
ser retardado por motivo de colheita de amostras.

Em termos óptimos, os soros emparelhados (3-5 ml de sangue total), colhidos primeiro


durante a fase aguda da doença e depois 14 dias ou mais após o início da doença,
deverão ser testados simultaneamente.

As amostras devem ser colhidas em mortos, logo que possível a seguir à morte

Preparação,
armazenamento e As amostras respiratórias devem ser transportadas em meios de transporte de vírus.
Estão disponíveis comercialmente meios que podem ser usados para vários vírus.
transporte das
amostras As amostras enviadas num meio de transporte de vírus, para isolamento viral, devem
ser armazenadas a 4°C e transportadas prontamente para o laboratório. Se a amostra
for transportada nos 2 dias seguintes, pode ser conservada a 4°C; caso contrário, deve
ser congelada a -70 °C ou menos, até ser transportada para o laboratório. O
congelamento e descongelamento repetido devem ser evitados, para prevenir a perda
de qualidade.

Os soros podem ser armazenados a 4°C, durante, aproximadamente uma semana, mas
depois devem ser congelados a -20°C.
O transporte das amostras deve obedecer às orientações da OMS para o transporte
seguro de substâncias infecciosas e amostras para diagnóstico

325
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.15 Gripe Humana causada por um novo subtipo


Resultados
§ Os resultados laboratoriais devem ser confirmados por um laboratório aprovado.

§ Qualquer amostra com resultado positivo para o vírus da gripe A e suspeita de


infecção por gripe das aves/novo subtipo deve ser novamente testada e verificada
por um CC da OMS designado ou laboratório de referência H5 da OMS. Os
laboratórios que não tenham as capacidades necessárias para aplicar os
procedimentos específicos para a identificação do subtipo da gripe A devem:

§ Enviar as amostras ou isolados do vírus para um Centro Nacional de Gripe ou para


um CC da OMS / laboratório de referência H5 da OMS, para melhor identificação ou
caracterização.

§ Informar a Representação da OMS no país de que as amostras ou isolados de vírus


irão ser enviadas para outros laboratórios, para melhor identificação ou
caracterização.

Referências
§ WHO guidelines for global surveillance during an influenza pandemic, April 2009.

§ WHO updated interim guidance on global surveillance of human infection with pandemic (H1N1) 2009 virus, July 2009.

§ WHO guidelines for investigation of human cases of avian influenza A(H5N1), 2007

§ WHO interim guidelines on infection prevention and control of epidemic- and pandemic-prone acute respiratory diseases
in health care, June 2007.

§ Collecting, preserving and shipping samples for the diagnostic of avian influenza A (H5N1) virus infection. Guide for field
operations, October 2006

§ WHO Rapid Advice Guidelines on pharmacological management of humans infected with avian influenza A (H5N1) virus,
May 2006.

§ WHO interim guidelines on clinical management of humans infected by influenza A(H5N1), August 2007.

§ WHO guidelines for clinical management of human infection with new influenza A (H1N1) virus: Initial Guidance, May
2009.

§ WHO guidelines for pharmacological management of pandemic (H1N1) 2009 influenza and other influenza viruses, 20
August 2009.

§ Recommended laboratory tests to identify avian influenza virus A in samples from humans, WHO, revised August 2007.

§ Collecting, preserving and shipping samples for the diagnostic of avian influenza A (H5N1) virus infection. Guide for field
operations, October 2006 WHO/CDS/EPR/ARO/2006.1

326
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.16 Hipertensão
Introdução
§ Hipertensão ou tensão arterial alta (TAA) é uma condição crónica, em que a pressão do sangue nas
artérias é elevada. É classificada como primária (essencial) ou secundária. A hipertensão “primária” é a
tensão arterial alta, para a qual não se encontra causa. A hipertensão “secundária” é causada por
condições que afectam as artérias, coração, sistema endócrino ou rins.

§ A hipertensão é um importante factor de risco de doenças cardiovasculares, como os ataques cardíacos


ou os AVC. De acordo com o Relatório da Saúde no Mundo de 2001, as mortes relacionadas com as
doenças cardiovasculares estão a aumentar na Região Africana e, em 2000, foram responsáveis por
9,2% do número total de óbitos na Região. A prevalência varia de 25% para 35% nos adultos com 25 a
64 anos de idade.

§ A hipertensão afecta, aproximadamente, 1 milhar de pessoas em todo o mundo, estimando-se que, na


Região Africana, mais de 20 milhões de pessoas sejam afectadas.

§ Os principais factores de risco de hipertensão são o envelhecimento, a falta de actividade física, a


obesidade e uma dieta rica em sal e gordura. Outros factores de risco incluem o uso do tabaco e do
álcool.

§ As alterações do estilo de vida que, comprovadamente, baixam a TA incluem: redução do peso nos
indivíduos com excesso de peso ou obesos, redução da quantidade de gordura e sal na dieta e comer
mais frutos e vegetais frescos, aumentar a actividade física e reduzir o consumo de álcool e tabaco.

Objectivos da vigilância
§ Prevenir a hipertensão por detecção precoce e tratamento estandardizado
§ Estimar o fardo da doença e reduzir os factores de risco identificados
§ Monitorizar as actividades de controlo e prevenção

Definição padronizada de caso


Suspeita de novo caso na primeira visita:
Um indivíduo que se apresente com uma medição da tensão arterial em repouso (baseada na média de 3
leituras) de 140 mm Hg ou mais para a pressão sistólica ou igual ou superior a 90 mm Hg para a pressão
diastólica.

Caso confirmado:
Um indivíduo que se apresente, em, pelo menos, duas ocasiões, com uma medição da tensão arterial em
repouso (baseada na média de 3 leituras) de 140 mm Hg ou mais para a pressão sistólica ou igual ou superior a
90 mm Hg para a pressão diastólica.

* Notificar apenas o primeiro diagnóstico do caso no centro de saúde

327
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.16 Hipertensão

Acções de saúde pública recomendadas


§ Promoção da saúde para as doenças não transmissíveis focando a TAA, incluindo a educação, com base
nas comunidades, sobre alterações do comportamento e adopção de estilos de vida saudáveis
§ Promover intervenções secundárias de prevenção e tratamento nas unidades de saúde, de acordo com as
orientações nacionais.

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Fazer um gráfico trimestral dos casos, para analisar as tendências.

Local: Comparar as tendências municipais com as tendências nacionais.

Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por idade e outros factores demográficos.

*Os dados relativos às doenças não transmissíveis são, frequentemente, analisados para tendências a
longo prazo

Confirmação laboratorial
O diagnóstico é clínico.

Referências
§ WHO, Atlas of heart disease and stroke, Geneva, World Health Organization, 2004.

§ Non communicable diseases: A stategy for the African Region, AFR/RC50/10

§ Cardiovascular Diseases in the African Region: Current situation and perspectives, AFR/RC55/12
§ [Link]

§ [Link]

§ WHO CVD-risk management package for low-and medium resource settings.

§ “The Seventh Report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation, and Treatament
of High Blood Pressure” U.S. Department of health and Human Services, National Institutes of Health,
National Heart, Lung, and Blood Institute, NIH Publication No. 03-5233, December 2003

§ Handbook of Hypertension, Vol 20. Editor; C.J. Bulpitt, 2000

§ [Link]

328
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.17 Doença do Tipo Gripal (DTG)


Introdução
§ As infecções respiratórias são uma causa significativa de morbilidade e mortalidade por doenças infecciosas
em todo o mundo. As taxas de mortalidade são elevadas entre os recém nascidos, crianças e idosos. No
entanto, o peso da doença não está bem caracterizado em África.

§ Os agentes patogénicos mais comuns que causam infecções respiratórias são: Streptococcus pneumoniae,
Haemophilus influenzae tipo b (Hib), Staphylococcus aureus e outras espécies bacterianas, o vírus sincicial
respiratório (RSV), vírus do sarampo, vírus da paragripe humana dos tipos 1, 2 e 3 (PIV-1, PIV-2 e PIV-3),
vírus da gripe e vírus da varicela.

§ Um melhor entendimento da epidemiologia e sazonalidade das infecções respiratórias em África é essencial


para optimizar as estratégias de saúde pública para a sua prevenção e controlo (e.g., vacinas e antivirais
para profilaxia e tratamento e controlo da infecção).

§ A ameaça das infecções respiratórias, devidas a novos organismos com potencial epidémico ou pandémico,
exige precauções especiais e preparação. Os eventos de doenças respiratórias que podem constituir uma
emergência de saúde pública de âmbito internacional incluem: Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS);
gripe humana causada por um novo subtipo, incluindo episódios humanos de gripe das aves; peste
pneumónica; e novos agentes que podem causar surtos de SARI em larga escala, com elevada morbilidade
e mortalidade.

§ A vigilância das infecções respiratórias baseia-se na definição de caso da Doença de Tipo Gripal (DTG). A
vigilância baseada em laboratório, ou as investigações usando a definição de caso de DTG, é usada para
identificar o agente patogénico causador da doença.

Objectivos da vigilância
§ Detectar rapidamente eventos invulgares que possam indicar uma mudança na gravidade ou padrão da
doença associada à gripe ou a emergência de uma nova estirpe de gripe
§ Estabelecer e monitorizar casos iniciais de doença respiratória grave, incluindo monitorização da gravidade e
impacto da gripe
§ Descrever e monitorizar os grupos vulneráveis em maior risco de doença grave
§ Detectar alterações antigénicas ou genéticas nos vírus circulantes ou o aparecimento de resistência antiviral.

Definição padronizada de caso

329
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.17 Doença do Tipo Gripal (DTG)


Doença do tipo gripal

Uma pessoa, criança ou adulto, com:


§ Manifestação súbita de febre > 38 ºC e
§ Tosse ou garganta inflamada, na ausência de outros diagnósticos

Um caso confirmado de gripe é um caso que corresponda à definição clínica de caso e seja confirmado
laboratorialmente (os resultados laboratoriais devem ser positivos para o vírus da gripe).

Resposta ao limiar de alerta


Se houver uma ocorrência invulgar (por exemplo, um conjunto de mortes) de infecção respiratória ou se
houver suspeita de um único caso de doença respiratória aguda de potencial pandémico:

§ Casos invulgares de doença de tipo gripal;


§ Os profissionais de saúde apenas com riscos da exposição ocupacional desenvolvem DTG após prestarem
cuidados aos doentes com DTG;
§ Duas ou mais crianças e/ou adultos apresentam-se com uma infecção respiratória ou morreram de uma
infecção respiratória, com início da doença num período de duas semanas e na mesma área geográfica,
e/ou epidemiologicamente ligados;
§ Pessoas que têm contacto com aves/animais apresentam-se com DTG;
§ Rumores de conjuntos de infecções respiratórias agudas ou de infecções respiratórias atípicas.

Resposta a um caso suspeito de uma doença respiratória aguda de potencial epidémico ou pandémico
ou a uma ocorrência invulgar de infecção respiratória aguda grave:

§ Notificar imediatamente, aos níveis apropriados, a informação baseada em casos.


§ Pôr imediatamente em prática as precauções de controlo da infecção para uma doença respiratória aguda
de potencial epidémico/pandémico (e.g., Precauções Padrão, Contactos, Gotículas) e reforçar as
precauções padrão em todas as unidades de saúde.
§ Gerir e tratar o doente, de acordo com as orientações nacionais.
§ Colher e transportar as amostras laboratoriais dos doentes e de contactos sintomáticos e preparar os testes
laboratoriais
§ Rever a história clínica e a história de exposição durante 7 dias, antes da manifestação da doença.
§ Identificar e acompanhar os contactos próximos do doente.
§ Fazer uma pesquisa activa de novos casos.
§ Efectuar uma avaliação dos riscos, para orientar a tomada de decisão
§ Medidas de saúde pública relacionadas com as fronteiras internacionais e com as viagens devem ser
implementadas no quadro do Regulamento Sanitário Internacional (2005)

Análise e interpretação dos dados

330
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.17 Doença do Tipo Gripal (DTG)


Tempo: Fazer um gráfico semanal dos casos e óbitos. Descrever alterações no nível da actividade respiratória,
comparando com a semana anterior. Traçar uma curva epidémica, durante o ano, e descrever os
padrões de transmissão.

Pessoa: Caracterizar a doença em termos de apresentação clínica, especto, incluindo a sua gravidade, contar e
notificar os casos e óbitos, a proporção de casos que exigem hospitalização, resultados clínicos,taxa de
letalidade, taxas de ataque por idade/ocupação/consanguinidade e casos laboratoriais confirmados.
Descrever o nível global de actividade da doença respiratória. Notificação imediata de casos e óbitos.
Durante o surto, analisar a distribuição por idade e sexo. Avaliar imediatamente os factores de risco.

Local: Descrever o grau de perturbação nas escolas, infra-estruturas de saúde, locais de trabalho e pontos de
entrada (PoE). Determinar se existe alguma prova de que o vírus tenha aumentado a sua capacidade
de causar doença humana ou a sua transmissibilidade. Usar igualmente as tendências das vendas de
remédios para a gripe e analgésicos.
Confirmação laboratorial
Mais informações técnicas sobre o papel dos laboratórios podem ser encontradas no Guia da OMS sobre
vigilância sentinela dos vírus da gripe.

Referências
§ World Health Organization – Acute Respiratory Infections
[Link]

§ World Health Organization – Influenza resources


[Link]

§ World Health Organization – Influenza Fact Sheet [Link]

§ World Health Organization - Interim guidelines on infection prevention and control of epidemics- and
pandemic-prone acute respiratory diseases in health care, June 2007
[Link]

§ World Health Organization - Guidelines for investigation of human cases of avian influenza A (H5N1),
January 2007.
[Link]

§ World Health Organization - Collecting, preserving and shipping specimens for the diagnostic of avian
influenza A (H5N1) virus infection. Guide for field operations, October 2006.
[Link]
§ World Health Organization - Guidelines for the collection of human specimens for laboratory diagnostic of
avian influenza infection, 12 January 2005.
[Link]

331
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.18 Traumatismos (Traumatismo por acidentes rodoviários)


Introdução
§ Um traumatismo é um dano físico, que ocorre quando um corpo humano é breve ou subitamente sujeito
a níveis de energia que excedem a sua tolerância fisiológica, ou uma deficiência de funcionamento que
resulta da falta de um ou mais elementos vitais (água, ar, calor). A energia que causa o traumatismo
pode ser mecânica, eléctrica, térmica, radiante ou química. O traumatismo é classificado como
intencional e não intencional.

§ No seu conjunto, os traumatismos são responsáveis por 10% das mortes em todo o mundo. Todos os
anos, morrem 5,8 milhões de pessoas como consequência de diferentes tipos de traumatismos. De
todos os sistemas com que as pessoas têm de lidar diariamente, o transporte rodoviário é o mais
complexo e o mais perigoso.

§ Os Traumatismo por acidentes rodoviários resultam em traumatismos não intencionais.

§ Uma colisão de trânsito (colisão de veículo motorizado, acidente de veículo motorizado, acidente de
automóvel ou colisão de automóvel) ocorre quando um veículo colide com outro veículo, peão, animal,
destroços na estrada ou outro obstáculo geográfico ou arquitectural. As colisões de trânsito podem
resultar em traumatismos, danos materiais e morte.

§ A nível mundial, o número de pessoas que morrem todos os anos em Traumatismo por acidentes
rodoviários está estimado em 1,2 milhões, podendo o número de feridos elevar-se a 50 milhões.

§ Os traumatismos provocados por acidentes rodoviários constituem um importante mas negligenciado


problema mundial de saúde pública, exigindo esforços concertados para uma prevenção eficaz e
sustentável.

§ Os traumatismos provocados por acidentes rodoviários continuam a figurar entre as principais causas de
morte e incapacidade entre os jovens com 5 a 44 anos, estando a principal causa de morte na categoria
das pessoas entre os 15 e os 29 anos. A maioria dessas mortes ocorre actualmente entre os “utentes
vulneráveis das estradas” (peões, ciclistas e motociclistas).

§ Sem um aumento dos esforços e sem novas iniciativas, prevê-se que o número total de mortes e
traumatismos por acidentes rodoviários em todo o mundo aumente cerca de 67% até 2020, prevendo-se
que, nos países de baixos e médios rendimentos, as mortes aumentem em 83%.

§ A Região Africana tem a taxa mais elevada de casos fatais de Traumatismo por acidentes rodoviários,
que se situa em 32/100 000 habitantes

§ Os traumatismos por acidentes rodoviários são evitáveis. Podem–se reduzir substancialmente desses
traumatismos, implementando medidas que visem evitar os factores de risco (velocidade excessiva e
inapropriada, condução sob o efeito do álcool, não uso de cintos de segurança e de cadeiras para
crianças e não uso de capacetes pelos ciclistas)

Objectivos da vigilância
§ Estimar e monitorizar a incidência de traumatismos por acidentes rodoviários e suas consequências
§ Identificar os factores de risco e as zonas de alto risco, para informar implementar a política e os
programas de prevenção

332
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ Avaliar os programas destinados a prevenir os traumatismos por acidentes rodoviários


§ Estabelecer limiares de alerta para os casos fatais, de modo a permitir que o pessoal das unidades de
saúde reveja os cuidados e os serviços prestados aos feridos
§ Estabelecer a incidência dos limiares de alerta e monitorizar as tendências, para permitir que os técnicos
municipais de saúde informem.
Definição padronizada de caso
Traumatismo por acidente rodoviário: uma pessoa que tenha sofrido um traumatismo como consequência
de um acidente rodoviário e se apresente pela primeira vez.

Morte por acidente rodoviário: uma pessoa que tenha morrido imediatamente ou no período de 30 dias
como consequência de traumatismo provocado por acidente.

Resposta ao limiar de alerta


§ Promover a prevenção primária, apoiando as intervenções destinadas a abordar os factores de risco
§ Rever e monitorizar os cuidados e serviços prestados aos feridos
§ Rever as disposições para a gestão das situações com elevado número de sinistrados

Resposta ao limiar de acção


§ Melhorar a aplicação das medidas destinadas a abordar os factores de risco
§ Activar o sistema de gestão das situações com elevado número de sinistrados
Análise e interpretação dos dados
Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por sexo, idade e outros factores demográficos

Tempo: Fazer gráficos mensais que mostrem os números relativos a casos e óbitos e traçar curvas anuais
que revelem as tendências

Local: Assinalar a localização dos casos e identificar as zonas de alto risco

Confirmação laboratorial
Imagiologia dos feridos - quando necessário
Referências
§ WHO-2004, World Health report

§ WHO- 2010 Status report on Road Safety in Africa

§ WHO, 2004-Peden,M.; et al (eds) World report on Road Traffic Injury prevention

§ WHO,2001- Holder Y., Peden M., Krug E. et al(eds) Injury Surveillance Guidelines, Geneva

§ Harvey A,(Ed).Data systems, Geneva, World Health Organisation,2010

333
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.19 Febres hemorrágicas de Lassa e Congo-Crimeia


Introdução
§ A febre hemorrágica do Congo-Crimeia (FHCC) pertence à família dos vírus Bunyaviridae e a febre de Lassa
pertence à família dos vírus Arenaviridae.

§ A FHCC é endémica em África, tendo sido notificados surtos no Uganda, Mauritânia e África do Sul. A
Mauritânia notifica todos os anos alguns casos e a África do Sul notificou 165 casos laboratorialmente
confirmados, entre 1981 e Março de 2006.

§ Sabe-se que a febre de Lassa é endémica na Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa, mas provavelmente existe
também em outros países da África Ocidental. Alguns estudos indicam que 300 000 a 500 000 casos de
febre de Lassa, com 5 000 mortes, ocorrem todos os anos na África Ocidental.

§ A FHCC propaga-se aos humanos, quer por picadas de carraças, quer através de contacto com tecido animal
virémico, imediatamente após a matança.

§ O reservatório animal do vírus de Lassa é um roedor do género Mastomys. Os Mastomys infectados com o vírus
de Lassa não adoecem, mas expulsam o vírus nos excrementos (urina e fezes) e os humanos, normalmente, são
infectados através do ar ou contacto directo com os excrementos dos roedores infectados. A febre de Lassa pode,
igualmente, propagar-se entre os humanos, através do contacto directo com o sangue, secreções faríngeas,
urina, fezes ou outras secreções corporais de uma pessoa infectada.

§ A transmissão entre pessoas, tanto da FHCC como da Febre de Lassa, tem ocorrido em unidades de saúde, após
exposição ao sangue e secreções de doentes infectados.

§ O período de incubação da FHCC, após a picada de uma carraça, é, geralmente, de 1 a 3 dias (máx. 9 dias) e
após contacto com sangue ou tecidos normalmente é de, e 5 a 6 dias (máx. 13 dias). O período de incubação da
Febre de Lassa varia entre 6 e 21 dias.

§ O início dos sintomas entre os doentes da FHCC é súbito, com febre, mialgia e outros sinais e sintomas. A taxa
de letalidade notificada para a FHCC situa-se entre 3% e 30%.

§ Aproximadamente 80% das infecções humanas pela febre de Lassa são ligeiras ou assintomáticas; os restantes
casos têm doença multissistémica grave. A manifestação da doença em doentes sintomáticos é, normalmente
gradual, começando com febre, fraqueza geral e mal-estar. A febre de Lassa é difícil de distinguir de muitas
outras doenças que causam febre, incluind a malária, shigelose, febre tifóide, febre amarela e outras FHV. A taxa
de letalidade entre os doentes internados é de 1-15%.

§ A terapêutica de apoio geral constitui a base do tratamento do doente com FHCC. É necessária uma
monitorização intensiva, para orientar a substituição do volume e componentes sanguíneos. O medicamento
antiviral, ribavirina, tem sido usado no tratamento da infecção estabelecida da FHCC. Tanto a formulação oral
como a intravenosa parecem ser eficazes. A ribavirina é o tratamento eficaz para a febre de Lassa, quando
administrada logo no início da doença clínica.
Objectivos da vigilância

334
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.19 Febres hemorrágicas de Lassa e Congo-Crimeia


§ Detectar precocemente os casos, investigar rapidamente e confirmar imediatamente a etiologia de todos os casos
suspeitos.
§ Investigar todos os casos suspeitos, com detecção dos contactos.
§ Avaliar e monitorizar a propagação e evolução das epidemias, assim como a eficácia das medidas de controlo.
Definição padronizada de caso
Caso suspeito de FHCC: doença com manifestação súbita de febre, mal-estar, fraqueza, irritabilidade, dores de
cabeça, dor forte nos membros e costas e anorexia acentuada. Desenvolvimento inicial de rubor na face e no peito
e conjuntivite, exantema hemorrágico do palato mole, úvula e faringe e frequentemente, erupção petequial fina que
se espalha do peito e abdómen para o resto do corpo, por vezes com grandes áreas purpúricas.

Caso confirmado de FHCC: um caso suspeito com confirmação laboratorial (anticorpo IgM positivo, PCR,
isolamento viral ou seroconversão de IgG por ELISA ou IFA) ou ligação epidemiológica a casos ou surtos
confirmados.

Caso suspeito de febre de Lassa: doença com início gradual e um ou mais dos seguintes sintomas: mal-estar,
febre, dores de cabeça, inflamação da garganta, tosse, náuseas, vómitos, diarreia, mialgia, dores no peito, perda
de audição e história de contacto com excrementos de roedores ou com um caso de febre de Lassa

Caso confirmado de febre de Lassa: um caso suspeito que seja laboratorialmente confirmado (anticorpo IgM
positivo, PCR ou isolamento do vírus) ou epidemiologicamente ligado a um caso laboratorialmente confirmado.
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de um único caso:
§ Notificar, imediatamente, aos níveis apropriados, a informação baseada no caso.
§ Os casos suspeitos devem ser isolados de outros doentes, devendo também aplicar-se técnicas rigorosas de
biossegurança.
§ As precauções universais de controlo da infecção devem ser reforçadas em todas as unidades de saúde.
§ Gerir e tratar o doente, com cuidados de apoio clínico.
§ Colher uma amostra para confirmar o caso.
§ Acompanhamento dos contactos do caso e pesquisa activa de outros casos.
Resposta ao limiar de acção
Se um único caso for confirmado:
§ Manter práticas rigorosas de controlo da infecção por FHV * durante o surto.
§ Mobilizar a comunidade para a detecção, cuidados precoces e educar a comunidade sobre o modo como a
doença- se transmite e a forma de proceder ao controlo da infecção em casa. Para a FHCC, educar as
populações sobre o modo de transmissão pela carraça e intensificar as actividades de controlo dos roedores
para a febre de Lassa.
§ Conduzir pesquisa activa de outros casos.
§ Solicitar ajuda adicional aos outros níveis, se necessário.
§ Criar uma enfermaria de isolamento, para tratar outros casos que possam surgir no centro de saúde.
Análise e interpretação dos dados

335
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.19 Febres hemorrágicas de Lassa e Congo-Crimeia


Pessoa: Implementar a notificação imediata de casos e ó[Link] a distribuição por
idade e sexo. Avaliar os factores de risco e planear as intervenções de controlo da
doença.

Tempo: Fazer um gráfico dos casos e óbitos por dia/semana. Traçar uma curva epidémica durante o surto.

Local: Assinalar a localização dos casos.


Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico Presença de anticorpos IgM contra a FHCC ou febre de Lassa
Para ELISA:
Amostra Sangue total, soro ou plasma

Para PCR:
Sangue total ou coágulo de sangue, soro/plasma ou tecido

Para imunohistoquímica: Amostras de pele ou tecidos de casos fatais.


Colheita Colher amostra do primeiro caso suspeito.
Se houver mais do que um caso suspeito, colher amostras de 5 a10 casos suspeitos.
MANUSEAR E TRANSPORTAR COM MUITO CUIDADO AS AMOSTRAS DE
Preparação, DOENTES SUSPEITOS DE FHV. USAR EQUPAMENTO DE PROTECÇÃO E
armazenamento e PRECAUÇÕES DE BIOSSEGURANÇA.
transporte das
amostras Para ELISA ou PCR:
§ Refrigerar o soro ou o coágulo
§ Congelar (-20C ou mais) as amostras de tecido para isolamento do vírus

Para imunohistoquímica:
§ Fixar uma pequena amostra da pele em formalina. A amostra pode ser armazenada
até 6 semanas. A amostra deixa de ser infecciosa depois de fixada em formalina.
§ Armazenar à temperatura ambiente. As amostras fixadas em formalina podem ser
transportadas à temperatura ambiente.
Resultados Os serviços de diagnóstico da FHV não estão rotineiramente disponíveis. Normalmente,
é necessário requisitá-los com antecedência. Contactar a autoridade nacional
competente ou a OMS.
Referências

336
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.19 Febres hemorrágicas de Lassa e Congo-Crimeia


§ Interim Infection Control Recommendations for Care of Patients with Suspected or Confirmed Filovírus (Ebola,
Marburg) Hemorrhagic Fever. BDP/EPR/WHO, 2008.

§ Infection Control for VHF in the African health care setting, WHO, 1998. WHO/EMC

§ Ergonul O. Crimean-Congo haemorrhagic fever. Lancet Infect Dis 2006;6:203-14.

§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

§ WHO Fact Sheet No 208, Crimean-Congo Haemorrhagic Fever, revised November 2001

§ WHO Fact Sheet No 179, Lassa Fever, revised April 2005

337
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.20 Lepra
Introdução
§ A lepra é uma doença crónica causada por micobactérias, que afectam a pele, os nervos e as mucosas das vias
aéreas superiores. A doença é transmitida, principalmente, através do ar, a partir de secreções nasais de doentes
infectados com o bacilo de Hansen e também através de inoculação em feridas. A lepra é endémica em várias
áreas tropicais do mundo, incluindo a África.

§ Os doentes são divididos em dois grupos, dependendo da presença de sinais na pele ou nos nervos:
o Doentes multibacilares (MB) com mais de 5 pensos dérmicos e vários nervos dilatados.
o Doentes paucibacilares (PB), que possuem entre um e cinco pensos dérmicos e apenas um nervo
dilatado.

§ O controlo da lepra melhorou bastante com o uso da terapêutica multimedicamentosa (TMM) recomendada
pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A terapêutica multimedicamentosa, que junta dois ou três
medicamentos (rifampicina, clofazimina e dapsona), é muito eficaz na cura da lepra. No final de 1999, a
prevalência da lepra em países africanos era de 1,6 casos por cada 10 000 habitantes, com cerca de 70 000
casos registados.

§ O período de incubação é de 6 meses a 20 anos ou até mais. A infecção é frequente, mas a doença clínica é rara,
mesmo entre as pessoas que têm contacto pessoal com os doentes. Os doentes multibacilares são os mais
contagiantes, mas o perigo de infecção é reduzido, logo que se inicie a terapêutica multimedicamentosa. A lepra
pode tornar-se mais complicada, se houver nevrite ou reacções leprosas, o que resulta em incapacidade e
invalidez das mãos, pés e olhos.

§ A lepra tem sido historicamente associada ao isolamento social e às suas consequências psicológicas. Este
estigma social ainda persiste em alguns países africanos.

§ Algumas doenças dermatológicas, como a pitiríase versicolor, micose, vitiligo, esclerodermia, psoríase, lúpus
eritematoso sistémico e doença de von Recklinghausen, podem ser confundidas com a lepra.

Objectivos da vigilância
§ Observar as tendências nacionais, no que toca à meta de eliminação da lepra, que é definida como a redução na
prevalência de casos para menos de 1 por cada 10 000 habitantes.
§ Monitorizar regularmente a resistência do bacilo de Hansen aos medicamentos utilizados na terapêutica
multimedicamentosa (TMM).
§ Quando a lepra estiver prestes a ser eliminada, complementar a vigilância de rotina com a vigilância baseada na
comunidade.
Definição padronizada de caso
Caso suspeito:
Uma pessoa que apresente um dos três sinais principais da lepra: lesão hipopigmentada ou avermelhada na pele,
perda ou decréscimo de sensibilidade nos pensos dérmicos, dilatação dos nervos periféricos.

Caso confirmado: Uma pessoa que apresente, pelo menos, dois dos principais sinais da lepra e que ainda não tenha
concluído um tratamento completo da terapêutica multimedicamentosa (TMM).

338
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.20 Lepra
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de um único caso:
§ Comunicar o caso suspeito ao nível apropriado do sistema de saúde.
§ Investigar o caso para procurar os possíveis factores de risco.
§ Iniciar o tratamento adequado do caso:
- Os doentes MB devem ser tratados durante 12 meses com um regime de três medicamentos (12 embalagens
blister de comprimidos MB a tomar num período de 18 meses).
- Os doentes PB devem ser tratados durante 6 meses com um regime de TMM de dois medicamentos (6
embalagens blister de comprimidos PB a tomar num período de 9 meses)

Resposta ao limiar de acção


Se um caso suspeito for confirmado:
§ Examinar os sinais na pele e nos nervos em todos os contactos, para diagnosticar e tratar as reacções e
incapacidades derivadas da lepra.
§ Examinar os factores de risco de uma possível interrupção do tratamento (por exemplo, abastecimento
insuficiente para a TMM no centro de saúde, acesso inadequado às aldeias dos doentes, etc.). Fornecer
embalagens blister suficientes para um tratamento completo dos doentes que não conseguem deslocar-se
para o centro de saúde, todos os meses.
§ Identificar eventuais aumentos ou reduções rápidas de novos casos, durante um certo período de tempo.
Avaliar a qualidade da vigilância em áreas onde existe a suspeita de sub- ou sobre-notificação. Monitorizar a
distribuição de medicamentos para a TMM.

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Fazer um gráfico dos casos, por ordem da data do diagnóstico e início do tratamento.
Local: Assinalar os casos por localização das habitações e classificação da doença (MB ou PB)
Pessoa: Contar, mensalmente, os novos casos detectados, de acordo com o tipo de lepra (MB ou PB). Analisar a
distribuição por idade e incapacidade, assim como os resultados dos tratamentos (casos curados, falhados ou
reincidências).

Confirmação laboratorial
Para a vigilância, não são necessárias confirmações laboratoriais de rotina.

Referências

§ Enhanced global Strategy for Further Reducing the Disease Burden due to Leprosy (SEA-GLP-2009.3)
§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

339
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

340
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.21 Filaríase Linfática


Introdução
§ A filaríase linfática é a segunda maior causa de invalidez permanente e a longo prazo, a nível mundial. Afecta mais
de 120 milhões de pessoas, em 80 países, e mais de 40 milhões dessas pessoas estão seriamente incapacitadas
pela doença; 20% da população mundial está em risco de ser infectada. Das pessoas infectadas, cerca de 1/3
encontram-se na Índia e naÁfrica e o resto está dividido pelas Américas, Ásia e Pacífico. Em 1997, a resolução
WHA50.29 apelava à eliminação da filaríase linfática como problema de saúde pública mundial. A estratégia
adoptada baseia-se em:
o Redução da transmissão até que não haja r uma nova infecção
o Tratamento dos problemas associados ao controlo e prevenção das incapacidades.

§ Agentes causais: em África são apenas as filárias Wuchereria bancrofti, Brugia malayi, e Brugia timori

§ Modo de transmissão:são transmitidos por várias espécies de mosquitos. Os vermes filarianos parasitas alojam-se
no sistema linfático humano, produzindo milhões de microfilárias imaturas, que circulam no sangue. As microfilárias
aparecem no sangue periférico 3 a 6 meses depois, se for o verme Brugia malayi, 6 a 12 meses depois, se for o
Wuchereria bancrofti, muitas vezes com periodicidade nocturna. Depois disso, quando o mosquito picar a pessoa
infectada, ele se infecta e pode transmitir a infecção a outras pessoas através da picada, depois de duas
semanas.

§ Descrição clínica:
o A infecção por filária pode ser clinicamente assintomática (mesmo que haja provas laboratoriais de danos
linfáticos e hepáticos); a doença também se pode apresentar com uma ou mais manifestações agudas
(febre, inchaço localizado, síndrome de eosinofilia pulmonar tropical, linfangite).

§ As complicações crónicas incluem:


o Linfedema ou elefantíase dos membros
o Danos nos órgãos genitais (incluíndo hidrocele nos homens)
o Danos nos rins (incluindo quilúria) e no sistema linfático.

Objectivos da vigilância
Neste momento, existem três opções e a escolha irá depender da situação local:
1. Notificação mensal de rotina dos dados sobre casos suspeitos e confirmados
2. Inquéritos sentinela às populações (estandardizados e periódicos).
3. Busca activa de casos, através de inquéritos a grupos seleccionados ou através de inquéritos em massa.
Anualmente Notificar a OMS

Definição padronizada de caso

341
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.21 Filaríase Linfática


Caso suspeito:
Residente de uma área endémica com sinais clínicos de hidrocele ou linfedema, para os quais foram excluídas outras
causas.

Caso confirmado:
Uma pessoa com um diagnóstico laboratorial positivo de microfilarémia num esfregaço sanguíneo, antigenemia filarial
ou ecografia com resultado positivo.

Resposta ao limiar de alerta


§ Confirmar a prevalência da infecção na comunidade, através de inquéritos.
Resposta ao limiar de acção
Gestão do caso

As medidas de higiene para as partes do corpo afectadas (e quando necessário, antibióticos e antifúngicos) podem
reduzir o risco de adenolinfangite:
§ Lavar as partes afectadas com sabão e água duas vezes por dia
§ Levantar o membro afectado durante a noite
§ Fazer exercício, de modo a promover o fluxo linfático
§ Manter as unhas curtas e limpas
§ Calçar sapatos confortáveis
§ Utilizar cremes anti-sépticos ou antibióticos, para tratar pequenas feridas ou escoriações ou antibióticos
sistémicos para casos mais graves.

Para o tratamento do portador de filárias, o regime recomendado pelo país deve ser seguido:
§ Em áreas onde não existem, nem oncocercose nem loíase: dar DEC 6 mg/kg dose única.
§ Em áreas onde a oncocercose foi excluída, mas não a loíase: tomar decisões clínicas individualizadas.

A presente estratégia para o controlo da filaríase está, essencialmente, dependente de medidas anti-parasitárias. Para
interromper a transmissão, toda a população em risco, anualmente deve ser administrado uma dose do seguinte:

342
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.21 Filaríase Linfática


Áreas com oncocercose presente:
§ 400 mg de albendazol + ivermectina, 150 microgramas por kg de peso corporal, uma vez por ano durante 4-6
anos

Áreas sem oncocercose presente:


§ Dietilcarbamazina, 6 miligramas por kg de peso corporal + albendazol 400 mg anuais ou
§ Dietilcarbamazina com sal fortificado a usar diariamente, pelo menos, durante 6-12 meses.

NOTA: Em áreas com loíase presente (florestas tropicais da África Subsariana), as intervenções em massa não podem
ser sistematicamente consideradas (a não ser que a oncocercose seja um problema de saúde muito grave), devido ao
risco de reacções adversas graves em doentes com infecções da filária Loa Loa de alta densidade (cerca de 1 em cada
10 000 tratamentos).

É importante informar a população sobre a importância do cumprimento dos tratamentos, quando se faz quimioterapia
em massa.
Esforços adicionais para controlar os vectores não são necessários, no que toca à filaríase linfática. Devem ser
efectuados ao abrigo de outros programas de controlo já existentes, como as intervenções anti-palúdicas.

Análise e interpretação dos dados


§ Mapear a distribuição da filaríase linfática e identificar as unidades de implementação que irão necessitar de uma
administração de medicamentos em massa

§ Analisar a cobertura dos medicamentos nas unidades de implementação

§ Avaliar o declínio dos índices parasitológicos de microfilarémia, antes de se iniciar MDA e após, pelo menos, quatro
doses de MDA, até que seja atingido o critério de menos de 1% de microfilarémia na população e menos de 0,1% de
antigenemia nas crianças em idade escolar.

Confirmação laboratorial
Teste de · Esfregaço sanguíneo nocturno
diagnóstico
· Teste de antigénios da filária
Esfregaço sanguíneo
Amostras
Sangue
Á noite, entre as 22h e as 2 da manhã
Colheita de A qualquer hora do dia
amostras
Colocar três gotas de sangue numa lâmina de vidro e espalhá-las ao longo da lâmina para
Peparação, fazer três linhas. Depois de aquecer a amostra, colocar a coloração de Giemsa e examiná-la ao
armazenamento e microscópio.
transporte Ou através de um teste rápido de ICT ou com um teste ELISA feito num laboratório.

343
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.21 Filaríase Linfática


Resultados

Um teste é positivo quando se observam ao microscópio microfilárias Wuchereria bancrofti.


É considerado positivo quando o antigénio da filária é detectado.

Referências

§ [Link] and epidemiological assessment of the programme to eliminate lymphatic filariasis at


implementation unit level WHO/CDS/CPE/CEE/2005.50

§ WHO. Lymphatic filariasis. WHO/CDS/CPE/SMT/2001.7

§ WHO. Training module on lymphatic filariasis for drug distributors (in countries where onchoerciasis is not co-
endemic). WHO/CDS/CPE/CEE/2000.10 (Parts 1 &2)

§ WHO. Training module on lymphatic filariasis for drug distributors (in countries where onchoerciasis is co-endemic).
WHO/CDS/CPE/CEE/2000.11 (Parts 1 & 2)

§ WHO. The programme to eliminate lymphatic filariasis – essential elements for medical personnel (in countries
where onchoerciasis is not co-endemic). WHO/CDS/CPE/CEE/2000.12

§ WHO. The programme to eliminate lymphatic filariasis – essential elements for medical personnel (in countries
where onchoerciasis is co-endemic). WHO/CDS/CPE/CEE/2000.13

§ WHO. Preparing and implementing a national plan to eliminate filariasis (in countries where onchoerciasis is not co-
endemic). WHO/CDS/CPE/CEE/2000.15

§ WHO. The programme to eliminate lymphatic filariasis (in onchoerciasis co-endemic countries).
WHO//CDS/CPE/CEE/2000.16 Webpage: [Link]/lymphatic_filariasis

344
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.22 Malária
Introdução

§ A malária é uma doença tropical altamente prevalecente, caracterizada por febre após a picada do mosquito
Anopheles fêmea infectado, o qual transmite uma parasita ( Plasmodium falciparum, P. ovale, P. vivax ou P.
malariae). As infecções palúdicas graves são geralmente causadas pelo P. falciparum, as quais podem
resultar em anemia grave e atingir órgãos vitais.

§ A malária é uma das principais causas de doença e morte em muitos países africanos. Registam-se 900 000
mortes por ano em África, sobretudo em crianças menores de 5 anos e grávidas.

§ O período de incubação, desde a picada até os primeiros sintomas, é de 7 a 30 dias, podendo ser mais
longo, sobretudo com as espécies não P. falciparum.

A transmissão d a malária é sazonal, em algumas zonas de países africanos


Objectivos da vigilância

§ Detectar rapidamente as epidemias de malária, sobretudo em zonas de baixa transmissão ou/e de risco
epidémico sazonal ou com uma vasta população de risco.

§ Monitorar a tendencia da morbi-mortalidade da doença no país

Definição padronizada de caso


Malária simples
É clinicamente diagnosticada a malária a qualquer pessoa que viva em zonas de risco da doença, com febre ou
história de febre num período de 24 horas, sem sintomas de doença grave (disfunção de órgãos vitais).

Malária simples confirmada


Uma pessoa com febre ou história de febre num período de 24 horas e com confirmação laboratorial do
diagnóstico, através de um teste biológico (pesquisa de plasmódio e ou teste rápido).
Malária grave não confirmada
Um doente, em zona de risco de malária, hospitalizado com doença febril aguda, acompanhada de disfunção de
órgão vital diagnosticada clinicamente.
Malária grave confirmada
Um doente hospitalizado, com parasitemia assexuada pelo P. falciparum e confirmada por testes laboratoriais,
acompanhada de sintomas e manifestações de doença grave (disfunção de órgãos vitais), diagnosticada por
laboratório.
Resposta ao limiar de alerta

345
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.22 Malária
Se ocorrer um acréscimo invulgar de novos casos ou mortes por malária relativamente ao mesmo
período dos anos anteriores não epidémicos:
§ Comunicar a suspeita de epidemia ao nível superior
§ Tratar com os anti-palúdicos adequados, de acordo com as recomendações do programa nacional
§ Investigar a causa para o aumento de novos casos
§ Assegurar que os novos casos em crianças de 2 meses a 5 anos sejam tratados de acordo com as
orientações da AIDI
§ Orientar a educação da comunidade no sentido da detecção rápida de casos e do acesso às unidades de
saúde.
Resposta ao limiar de acção
Se o número de novos casos exceder o limite superior de casos registados num período não epidémico
em anos anteriores:
Avaliar e melhorar, consoante as necessidades, as estratégias de prevenção, tais como mosquiteiros
tratados com insecticida de longa duração (MTILD) e pulverização intradomiciliar (PID), para todos
agregados nas áreas de risco de malária.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico do número de casos por mês/semana. Traçar uma curva epidémica durante as
epidemias.

Local: Assinalar a localização dos novos casos e óbitos.

Pessoa: Contar, mensalmente, o número de novos casos e óbitos por malária e analisar os grupos etários
e o momento do início da doença.

Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico § Microscopia: presença de parasitas da malária em esfregaços sanguíneos dos
casos suspeitos
§ Teste de diagnóstico rápido da malária: positivo ou negativo
Sangue
Amostra Geralmente amostra, por punção do dedo, para todas as idades ou outro método
reconhecido para colheita de sangue em crianças muito pequenas
Para o esfregaço de sangue: preparar um esfregaço de sangue para todos os casos
Colheita suspeitos que deram entrada na unidade de internamento ou de acordo com as
orientações nacionais para o tratamento dos casos de malária.

346
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.22 Malária
Esfregaço de sangue:
Preparação, · Colher o sangue directamente para lâminas de microscópio devidamente limpas,
armazenamento e rotuladas e preparar esfregaços espessos e finos.
transporte · Deixar secar completamente os esfregaços
· Colorir usando o corante e a técnica adequada
· Conservar as lâminas coloridas e completamente secas à temperatura ambiente e
fora do alcance da luz solar directa.

Para o teste de diagnóstico rápido:


· Colher a amostra e realizar o teste de acordo com as instruções do fabricante.
Os resultados dos esfregaços espessos e finos podem ficar disponíveis no dia da
Resultados preparação.

O exame microscópico de lâminas de malária pode também revelar a presença de


outros parasitas existentes no sangue.
O resultado do RDT é obtido de imediato.
Nota:
Realizar um teste laboratorial de estimativa da hemoglobina na unidade de
internamento, para confirmar anemia grave em crianças dos 2 meses aos cinco anos
de idade.

347
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.22 Malária
Nota: Estabelecer um limiar de epidemia :

O Programa Nacional de Luta Contra a malária pode auxiliar os municípios e centros de saúde a determinar os
limiares adequados na detecção de eventuais epidemias. Na ausência de um limiar estabelecido pelo programa
nacional, o método que se segue pode ser utilizado para determinar o nível de limiar para uma epidemia de
malária. O limiar é determinado usando a mediana e o 3º quartil de um período de tempo (por exemplo, dados
mensais/semanais de cinco anos de uma unidade de saúde ou Município):
1. Observar o número de casos mensais/semanais de malária, numa determinada unidade de saúde ou
município, ao longo dos últimos 5 anos.
2. Determinar a mediana para cada mês/semana (por exemplo, todos os meses de Janeiro dos últimos 5
anos). Ordenar os dados mensais/semanais de cada mês/semana desses cinco anos, por ordem
ascendente. Identificar o número no meio de cada série de meses/semanas para esses cinco anos. Está
encontrada a mediana. Repetir este processo para cada mês/semana desses cinco anos.
3. Determinar o 3º quartil para a série mensal/semanal, identificando o 4º número mais elevado, a partir da
base, em cada série de dados (uma vez que os dados estão ordenados por ordem ascendente). Esse é o
3º quartil, representando o limite superior do número normal previsível de casos de malária.
4. Marcar o 3º quartil para cada série de dados por mês/semana do período de cinco anos e unir os pontos
com uma linha. Esta linha representa o limite superior do número previsível de casos.
5. Marcar a mediana para cada série de dados por mês/semana do período de cinco anos e unir os pontos
com uma linha. Esta linha representa o limite mais baixo do número previsível de casos.
6. A zona entre as duas linhas (a mediana e o 3º quartil) representa o “canal normal”. Se o número de
casos de malária observados à data se situar entre as duas linhas, o número de novos casos para esse
mês/semana é considerado “normal”. Se o número se encontrar acima do 3º quartil (limite superior),
trata-se de um indício de uma possível epidemia de malária.
É de notar que, para assegurar a detecção precoce e o controlo de epidemias da malária, é recomendável utilizar
dados de vigilância semanal, em zonas mais propensas às epidemias de malária.

Fonte: Programa Regional da malária da OMS/AFRO

Referências
§ Malaria epidemics: Detection and control, forecasting and prevention. Geneva. World Health Organization.
WHO/MAL/98.1084

§ “Basic Laboratory Methods in Medical Parasitology” WHO, Geneva, 1991

348
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.23 Malnutrição
Introdução
§ A nível mundial, a subnutrição materna e infantil é a causa subjacente a 3,5 milhões de óbitos, englobando
35% do fardo da doença em crianças menores de 5 anos. Dos 40 países com prevalência de raquitismo
infantil igual ou superior a 40%, 23 situam-se em África.

§ A malnutrição grave pode agir como causa directa de morte ou como causa indirecta, aumentando
drasticamente o número de mortes em crianças com doenças infantis comuns, como a diarreia ou a
pneumonia.
§ Apesar disso, o fardo da mortalidade infantil devida à malnutrição grave continua, em grande medida,
ausente da agenda internacional da saúde e poucos países, mesmo em zonas de alta prevalência, possuem
políticas nacionais específicas que visem abordá-la de forma abrangente.

§ As crianças menores de cinco anos, as mulheres grávidas e lactantes são as mais vulneráveis. A condição e
ingestão nutricional deficitária das grávidas podem contribuir para recém-nascidos com baixo peso a
nascença (pesados imediatamente após o parto). Um recém-nascido que pese menos de 2500 gramas (2,5
kg) é considerado com baixo peso a nascença (BPN).O BPN é uma das principais determinantes de morte,
doença e incapacidade na primeira infância e infância, repercutindo-se também em consequências para a
saúde na vida adulta.

§ As condições socioeconómicas, a fraca qualidade da água e do saneamento, a educação das mães


relativamente à alimentação dos bebés e crianças pequenas e as infecções repetidas são as principais
causas de malnutrição.

§ Os programas elaborados para erradicar a malnutrição centram-se na segurança alimentar, qualidade da


água e saneamento, na promoção de práticas de alimentação de bebés e crianças pequenas, em programas
de suplementação com micronutrientes, na gestão de casos graves de malnutrição nas comunidades e nas
unidades de saúde e no tratamento de infecções, sobretudo as doenças diarreicas.

§ Estão a ser organizados muitos inquéritos esporádicos, mas a vigilância da nutrição encontra-se
actualmente pouco desenvolvida e não possibilita intervenções ligadas à prevenção e tratamento da
malnutrição.

Objectivos da vigilância
§ Alerta precoce e identificação de problemas.
§ Definição de políticas e planeamento.
§ Gestão de programas e avaliação.
§ Avaliação da eficácia da resposta da saúde pública que aborda as causas do baixo peso a nascença,
malnutrição em crianças e malnutrição em mulheres grávidas.

Definição padronizada de caso

349
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.23 Malnutrição
Recém-nascidos com baixo peso a nascença:
Um recém-nascido com peso à nascença inferior a 2500 gramas

Malnutrição em crianças:
Crianças menores de cinco anos com baixo peso a nascença (indicador: peso para idade <-2 Valor Z)
Crianças dos 6 aos 59 meses com PB <11, 5 cm (risco elevado de mortalidade)
Edema bilateral

Malnutrição em mulheres grávidas:


Mulheres grávidas que deram à luz bebés com baixo peso a nascença (peso à nascença <2,5 kg) (as condições
nutricionais e sanitárias deficitárias das mulheres permitem prever que grupos populacionais podem beneficiar
de cuidados melhorados, pré-natais para as mulheres e neonatais para os bebés).

Resposta ao limiar de alerta


Se mais de 20% de crianças tiverem insuficiência ponderal,
o programa deverá incidir sobre:
Apoio à amamentação
Educação para a nutrição
Suplementação alimentar da criança e da mãe
Prevenção e tratamento da diarreia
Prevenção e tratamento da malnutrição grave
Apoio socioeconómico.

Assim que for detectado um caso com PB inferior a 11,5 cm ou for identificada a presença de edema
bilateral,
deve proceder-se a uma investigação atenta e mais aprofundada. A criança deve ainda ser referenciada para um
programa de terapêutica alimentar.

Se o número de casos de insuficiência ponderal inferior a 2,5 kg for igual ou superior a 15%:
Orientar as intervenções no sentido da melhoria dos cuidados pré-natais para as mulheres e neonatais para os
bebés, incluindo cuidados nutricionais (campanhas antitabágicas e contra o alcoolismo, cuidados nutricionais
para as mulheres antes e durante o período pré-natal e durante o período de lactação, profilaxia da malária,
serviços de cuidados aos recém-nascidos, etc.) para os casos de risco de gravidez complicada e tratar os
recém-nascidos, para prevenir a morbilidade e a morte.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico mensal dos casos, para analisar as tendências, e semanal para as situações de
emergência

Local: Assinalar a localização dos casos

Pessoa: Contar os casos por mês/semana e analisar a distribuição por idade e sexo

Confirmação laboratorial

350
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.23 Malnutrição
A vigilância não carece de confirmação laboratorial de rotina.
Referências
§ Maternal and child undernutrition: global and regional exposures and health consequences: Black R.E. et al:
The Lancet, Volume 371, Issue 9608, Pages 243 – 260.

§ Gross R, Webb P, Wasting time for wasted children: severe child undernutrition must be resolved in non-
emergency settings. Lancet 2006; 367: 1209-1211.

§ Physical status: the use and interpretation of anthropometry. Report of a WHO Expert Committee. WHO
Technical Report Series, 1995, No 854: 81, 128-130, 198-208.

§ WHO child growth standards and the identification of severe acute malnutrition in infants and children. A Joint
Statement by the World Health Organization and the United Nations Children's Fund

9.24 Mortes Maternas


Introdução
§ As mortes ocorridas durante a gravidez, parto ou interrupção voluntária da gravidez e mortes ocorridas até
seis semanas (42 dias) após o parto ou interrupção voluntária da gravidez e que estejam relacionadas com a
gravidez, são consideradas óbitos maternos.

§ A nível mundial, cerca de 80% dos óbitos maternos devem-se a: hemorragias graves (maioritariamente
hemorragias pós-parto), infecções (depois do parto), disfunções ligadas à hipertensão na gravidez
(eclâmpsia) e partos obstruídos. As complicações após um aborto não seguro, são responsáveis por 13%
dos óbitos maternos.

§ Em todos os países em desenvolvimento, a mortalidade materna continua a ser demasiada elevada, com
mais de 500 000 mulheres a morrerem todos os anos, devido a complicações durante a gravidez e parto.
Cerca de metade destas mortes acontecem na África Subsariana, onde o risco de morte materna é de 1 em
22 casos, comparado com 1 em 8000 casos nos países industrializados.

§ A principal causa de morte materna na África Subsariana é a hemorragia, e os partos não assistidos são
arriscados, principalmente em áreas rurais onde os transportes para unidades de saúde constituem um
problema.

Objectivos da vigilância
§ Fazer uma estimativa e monitorizar as taxas de mortalidade materna.
§ Identificar os factores de risco e zonas de risco elevado para a mortalidade materna.
§ Avaliar os programas cujo objectivo é reduzir a mortalidade materna.

351
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.24 Mortes Maternas


Definição padronizada de caso
Morte de uma mulher durante a gravidez ou 42 dias após o parto ou interrupção voluntária da gravidez,
independentemente da duração e local da gravidez, por qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez
ou pela sua gestão, mas não devido a causas acidentais ou casuais.

Acções de saúde pública recomendadas


§ Estabelecer limiares de alerta, de modo a permitir que o pessoal da unidade de saúde ou do município possa
determinar se é necessária uma intervenção com intervenções específicas.
§ Monitorizar as tendências e responder aos limiares de alerta.
§ Aumentar a disponibilidade e utilização de cuidados pré-natais.
§ Fornecer formação especializada a parteiras tradicionais e profissionais de saúde.
§ Melhorar o reconhecimento e a resposta a gravidezes de alto risco, ao nível da comunidade.

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Fazer um gráfico dos casos, de modo a traçar uma curva epidémica ao longo do ano, para identificar as
tendências.

Lugar: Assinalar a localização e analisar a distribuição.

Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por idade e outros factores demográficos.

Confirmação laboratorial

Para a vigilância, não são necessárias confirmações laboratoriais de rotina.

Referências
§ [Link]
§ [Link]

352
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.25 Sarampo
Introdução
§ O sarampo é uma doença febril exantemática causada por um paramixovirus (Morbillivirus), e transmitida
através da propagação de gotículas por via aérea. É a quarta causa de morte nas crianças menores de 5
anos em muitos países africanos.

§ O período de incubação é de 7 a 18 dias, desde a exposição até ao início da febre.

§ Entre as crianças malnutridas e com deficiência de vitamina A, o sarampo pode causar uma doença grave,
devido ao próprio vírus e às infecções bacterianas que lhe estão associadas, especialmente a pneumonia;
são poucos os casos que chegam a ser graves em crianças vacinadas

§ O sarampo é das infecções humanas mais transmissíveis que existe. Todos os anos acontecem grandes
surtos em zonas que têm acesso a poucas vacinas e onde existe uma acumulação de pessoas que nunca
foram infectadas ou vacinadas. A verdadeira incidência do sarampo é muito superior aos casos que são
notificados.

§ Os factores de risco incluem uma baixa cobertura vacinal (<85 a 90%), o que permite a acumulação de
pessoas muito susceptíveis de apanhar sarampo. Os surtos podem ser explosivos em zonas de grande
densidade populacional.

§ Outras doenças virais, como a rubéola, podem causar ou contribuir para surtos semelhantes.

Objectivos da vigilância
§ Detectar rapidamente casos de febre com doença exantemática:

Em países com o objectivo de eliminar e/ ou controlar sarampo: notificações imediatas dos casos suspeitos e
mortes de pessoas com febre e doença exantemática; confirmar todos os casos suspeitos de sarampo com um
teste de laboratório (geralmente com soro IgM).

Em países com programas avançados de controlo de sarampo: relatórios-síntese sobre os casos e óbitos, para
vigilância de rotina e surtos; confirmar os primeiros cinco casos suspeitos de sarampo, numa unidade de saúde,
por semana, com um teste de laboratório (geralmente com soro IgM).

Definição padronizada de caso


Caso suspeito:
Uma pessoa com febre e exantema generalizado maculopapular (não vesicular) e/ou um dos seguintes sintomas:
tosse, coriza ou conjuntivite (olhos vermelhos) ou uma pessoa cujo médico suspeite que tenha sarampo.

Caso confirmado:
Um caso suspeito que tenha confirmação laboratorial (com anticorpo IgM positivo) ou um vinculo epidemiológico
a casos confirmados durante um surto.

353
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.25 Sarampo
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de um surto:
§ Notificar o caso suspeito ao nível superior.
§ Colher amostras de sangue para confirmar o surto.
§ Tratar os casos com reidratação oral, vitamina A e antibióticos, para prevenir uma super-infecção bacteriana.
Utilizar precauções de isolamento aéreo se for possível.
§ Investigar o caso ou surto, de modo a identificar as causas do surto.
Resposta ao limiar de acção
Se um surto for confirmado:
§ Melhorar a cobertura vacinal de rotina através do PAV e conduzir actividades suplementares de vacinação
em zonas de baixa cobertura vacinal.
§ Mobilizar antecipadamente a comunidade, de modo a permitir a rápida detecção e um rápido tratamento dos
casos.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico semanal dos casos e óbitos. Traçar uma curva epidémica dos casos de surtos.

Local: Assinalar a localização dos casos.

Pessoa: Contar o número total de casos e analisá-los por grupo etário e situação vacinal.
Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Presença de anticorpos IgM do vírus do sarampo no soro.

Amostras
Soro
Sangue total
Colheita das
amostras Colher as amostras entre o 3º dia do exantema e o 28º dia após o início do exantema.

Colher amostras sanguíneas de 5 casos suspeitos de sarampo, quando o número de


casos exceder o limiar do surto de sarampo (geralmente mais de 5 casos no município
durante um mês).

Em países com o objectivo de eliminação/controlo:


§ Colher amostras de todos os casos suspeitos de sarampo

§ Colher soro para testar anticorpos, assim que for possível, ou na primeira visita à
unidade de saúde.

354
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.25 Sarampo
Preparação,
armazenamento e § Para crianças, colher entre 1 a 5 ml de sangue venoso, dependendo do tamanho da
criança. Colher num tubo de ensaio, tubo capilar ou tubos microtainer.
transporte das § Separar as células sanguíneas do soro. Deixar o coágulo retrair durante 30 a 60
amostras minutos à temperatura ambiente. Centrifugar a 2000 rpm, durante 10-20 minutos, e
escoar o soro para um tubo de vidro limpo.
§ Se não houver centrifugadora, colocar a amostra no frigorífico durante a noite (4 a 6
horas), até que o coágulo retraia. Escoar o soro na manhã seguinte.
§ Se não houver centrifugadora nem frigorífico, deixar o sangue inclinado durante, pelo
menos, 60 minutos (sem agitar nem transportar num veículo). Escoar o soro para um
tubo limpo.
§ Armazenar o soro a 4°C.
§ Transportar as amostras do soro utilizando embalagens apropriadas, para evitar que
estas se partam ou que haja derrames durante o transporte.
Resultados
As amostras devem chegar ao laboratório até 3 dias após serem colhidas.

Os resultados são geralmente conhecidos após 7 dias.

Se, pelo menos, 2 dos primeiros 5 casos suspeitos de sarampo forem confirmados no
laboratório, o surto de sarampo é confirmado.

Evitar agitar as amostras, antes de o soro ser colhido.

Para prevenir o crescimento excessivo de bactérias, assegurar que o soro está a ser
escoado num tubo de ensaio limpo. O tubo de ensaio não tem de estar asséptico,
apenas limpo.

Transportar o soro numa transportadora manual de vacinas PAV entre 4º C e 8º C, de


modo a prevenir o crescimento excessivo de bactérias (até 7 dias). Se não estiver
refrigerado, o soro armazenado num tubo de ensaio limpo estará em condições durante,
pelo menos, 3 dias.
Referências
§ Using surveillance data and outbreak investigations to strengthen measles immunization programs, Geneva,
World Health Organization. WHO/EPI/GEN/96.02

§ WHO Guidelines for Epidemic Preparedness and Response to Measles Outbreaks WHO/CDS/CSR/ISR/99.1

355
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.26 Meningite Meningocócica


Introdução
§ Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae tipo b (Hib), e Streptococcus pneumoniae constituem a
maioria de todos os casos de meningite bacteriana e 90% dos casos de meningite bacteriana nas crianças.

§ A meningite meningocócica é a principal forma de meningite a causar epidemias e continua a ser um enorme
desafio de saúde pública na cintura da meningite africana, uma área que se estende do Senegal até à
Etiópia. Nestes países, grandes surtos podem ocorrer durante a época seca (por exemplo, de Novembro até
Maio). Fora da cintura da meningite, pequenos surtos podem ocorrer ao longo do ano.

§ As epidemias na cintura da meningite estão tradicionalmente associadas à Neisseria meningitides serogrupo


A, embora em 2002 tenha ocorrido uma epidemia em Burkina Faso devido à Neisseria meningitides
serogrupo W135 e, em 2006, o serogrupo X da Neisseria meningitides foi isolado no Níger.

§ A transmissão da doença entre humanos faz-se através de grandes gotículas respiratórias vindas do nariz e
garganta das pessoas infectadas.

§ O período de incubação é de 2 a 10 dias.

§ A taxa de ataque é maior entre as crianças menores de 15 anos. As taxas de letalidade estão, , entre os 8-
15%, no caso de pacientes tratados e >70% entre os casos não tratados. Muitos dos sobreviventes sofrem
sequelas a longo prazo, incluindo atraso mental, perda de audição e perda do uso dos membros.

§ O cloranfenicol oleoso é o medicamento de eleição durante as epidemias, pois uma única dose desta
formulação de acção prolongada já provou ser eficaz. A resistência antimicrobiana ao cloranfenicol ainda não
foi detectada em África, mas a resistência às sulfonamidas é comum.

§ A presente resposta à epidemia da meningite consiste em campanhas reactivas de vacinação em massa,


com vacinas bivalentes (A e C) e/ou vacinas polissacarídeas trivalentes (A, C e W135), o mais rapidamente
possível, após a epidemia ter sido declarada. As vacinas polissacarídeas não protegem crianças muito novas
e apenas fornecem protecção até três anos, o que resulta em surtos de meningite recorrentes.

§ Uma vacina conjugada para a meningite meningocócica A foi desenvolvida, é imunogénica tanto em crianças
como em adultos, e espera-se que ofereça uma protecção a longo prazo. Ao introduzir esta vacina
conjugada nos países da cintura da meningite, espera-se que a circulação da Nm A seja dramaticamente
reduzida e que as epidemias de Nm A desapareçam por completo.

Objectivos da vigilância
§ Detectar rapidamente surtos de meningite e confirmar a etiologia desses surtos.
§ Utilizar os dados para planear a quantidade de material de tratamento, vacinação e outras medidas de
prevenção e controlo.
§ Avaliar e monitorizar a propagação, evolução da epidemia e a eficácia das medidas de controlo.
§ Monitorizar a situação, incluindo mudanças nos serogrupos ao longo do ano.
§ Executar testes periódicos de susceptibilidade à penicilina e cloranfenicol.

356
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.26 Meningite Meningocócica


Definição padronizada de caso
Caso suspeito: Uma pessoa com manifestação súbita de febre (> 38.5º C no recto ou 38.0º C nas axilas) e que
tenha um dos seguintes sinais: pescoço rígido, consciência alterada ou quaisquer outros sinais meníngeos.

Caso confirmado: Um caso suspeito que é confirmado através do isolamento de N. meningitidis do LCR ou do
sangue.
Resposta ao limiar de alerta
Limiar de alerta:
§ Para populações entre os 30 000 e os 100 000 habitantes, uma taxa de ataque de 5 casos por 100 habitantes
por semana.
§ Para populações com menos de 30 000 habitantes, 2 casos numa semana ou um aumento no número de casos,
em comparação com o mesmo período de tempo em anos anteriores, em que não houve epidemias.

Resposta ao limiar de alerta:


§ Informar ao nível seguinte do sistema de saúde
§ Registar os casos num formulário de listagem linear
§ Investigar e confirmar os casos no laboratório
§ Tratar todos os casos suspeitos com os antibióticos apropriados, tal como recomendado pelo protocolo nacional
§ Intensificar a vigilância de outros casos na área
§ Preparar a execução de uma campanha de vacinação em massa

Resposta ao limiar de acção


Limiar de epidemia:
§ Para populações entre os 30 000 e os 100 000 habitantes: uma taxa de ataque de 15 casos por cada 100
habitantes por semana. Quando o risco de uma epidemia é elevado (não ter havido epidemias nos últimos 3
anos, limiar de alerta atingido na estação seca), o limiar de epidemia é de 10 casos por cada 100 habitantes por
semana.
§ Para populações com menos de 30 000 habitantes: 5 casos numa semana ou duplicação do número de casos
durante um período de três semanas.
Resposta ao limiar de epidemia:
§ Vacinar imediatamente o município afectado pela epidemia, assim como outras localidades ou municípios que
estejam em fase de alerta.
§ Mobilizar a comunidade, de modo a permitir a detecção e tratamento precoce dos casos e permitir uma melhor
cobertura das vacinas, durante as campanhas de vacinação em massa, para controlar os surtos.
§ Continuar a recolher, processar, notificar e analisar os dados.
§ Manter a recolha regular de 5-10 amostras de LCR por semana, ao longo do periodo das epidemias, em todos
os municípios afectados, de modo a detectar quaisquer mudanças nos serogrupos.
§ Tratar todos os casos com os antibióticos apropriados, tal como recomendado pelo protocolo nacional.
§ Definir o grupo etário de maior risco (normalmente pessoas de 1 a 30 anos de idade) e implementar uma
campanha de vacinação em massa nos 10 dias seguintes a detecção do surto.

357
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Nos países da cintura da meningite, durante o periodo das epidemias, fazer um gráfico semanal dos casos
e óbitos. Caso contrário, fazer um gráfico mensal das tendências dos casos e óbitos. Traçar uma curva epidémica
de casos durante o surtos.

Local: Em epidemias (e não em situações endémicas), assinalar a localização das famílias com casos e fazer
uma estimativa da distância até à instituição de saúde mais próxima.

Pessoa: Contar todos os casos esporádicos e casos durante um surto. Analisar a distribuição por idade.

Taxa de letalidade: <10%


Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico Exame microscópico do LCR, para detectar diplococos Gram negativos
Cultura e isolamento de N. meningitidis do
Amostra Líquido cefalorraquidiano (LCR)

Nota: LCR é a amostra preferida para a cultura e exame microscópico. Se o LCR não
estiver disponível, deve-se colher sangue (10 ml em adultos, 1-5 ml em crianças) para a
cultura.
Colheita das Colher amostras de 5 a 10 casos, assim que o limiar de alerta ou de epidemia tenha sido
amostras alcançado
Preparação,
armazenamento e § Preparar o doente e colher de forma asséptica o LCR, colocando-o num tubo de
ensaio esterilizado com tampa.
transporte das § Colocar imediatamente 1 ml de LCR numa garrafa pré-aquecida de um meio de
amostras transporte de culturas.
§ Incubar à temperatura corporal (36º C a 37º C).
§ Nunca refrigerar as amostras que irão ser alvo de culturas.

Manter o LCR, para o exame microscópico e análise química, na seringa original


(substituir a tampa). Refrigerar a seringa tapada e enviá-la para o laboratório o mais cedo
possível.
Resultados O isolamento da Neiseria meningitidis, um organismo, é caro e difícil. Requer uma excelente
técnica de recolha e manipulação das amostras, assim como meios e anti-soros dispendiosos.
Nas amostras iniciais de um surto ou de casos isolados de N. meningitis devem ser detectados os
serótipos e deve fazer-se um antibiograma para assegurar o tratamento apropriado.
O meio de transporte de culturas trans-isolate (TI) é estável. Se estiver adequadamente armazenado
em temperaturas à volta dos 4º C, pode ser guardado até dois anos após a sua preparação. No
frigorífico, a fase líquida torna-se gelatinosa, mas volta a tornar-se líquida à temperatura ambiente.
Os frascos de TI não utilizados devem estar bem selados, quando forem guardados. Se houver
qualquer mudança de cor (o meio liquido ficar amarelado ou turvo) ou se a gelose inclinada secar
ou encolher, o meio não deverá ser utilizado.
Referências

358
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

§ Weekly Epidemiological Record N 38, September 2000 ([Link]

§ WHO Regional Office for Africa Standard Operating Procedures for Enhanced Meningitis Surveillance in Africa,
August 2009

§ Control of epidemic meningococcal disease. WHO Practical Guidelines, 2nd Edition. WHO/EMC/BAC/98.3.

§ “Laboratory Methods for the Diagnosis of Meningitis Caused by Neisseria meningitidis, Streptococcus
pneumoniae and Haemophilus influenzae.” WHO document WHO/CDS/EDC/99.7 WHO, Geneva

359
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.27 Epilepsia
Introduçã
§ A epilepsia é definida como a recorrência de pelo menos, duas crises epilépticas, com a ocorrência súbita de
sinais anormais que podem ser: motores, tónicos, sensíveis, sensoriais, neurovegetativos ou psico-
comportamentais. Estes sintomas podem ou não estar associados a uma perda de consciência. Podem
aparecer a pessoas de qualquer idade.

§ A epilepsia é o resultado mais comum de distúrbios nas células cerebrais, que leva a descargas excessivas dos
neurónios. Dependendo do distúrbio de alguns ou de muitos grupos de células, as crises podem ser parciais ou
generalizadas.

§ As crises com movimentos musculares tónico-clónicos são chamadas de convulsões, espasmos ou ataques. As
convulsões podem aparecer em qualquer idade; nem todas as convulsões significam epilepsia.

§ A epilepsia é frequente na Região e a sua taxa de prevalência vai dos 2,2 a 58 por cada 1000 pessoas. Estudos
de cinco países da África Subsariana mostram uma incidência que vai dos 64 aos 156 por cada 100 000
pessoas/ano.

§ Esta maior incidência pode ser uma consequência de muitos factores de risco, que estão relacionados com
factores de predisposição, como maus cuidados perinatais, traumatismo craniano, consanguinidade.

§ Muitos factores etiológicos estão relacionados com doenças transmissíveis (malária, tuberculose, meningite,
neurocisticercose e o VIH), doenças não transmissíveis (tensão arterial elevada, diabetes, alcoolismo e uso de
drogas ilegais), instalações médicas de fraca qualidade, saúde geral de pouca qualidade e um nível de vida
inferior. Mal-entendidos relacionados com crenças culturais, estigmas e exclusão não facilitam cuidados
apropriados.

§ A epilepsia aumenta de forma substancial o risco de mortalidade, especialmente em condições de detecção


tardia, devido à falta de pessoal médico bem treinado, para diagnosticar e cuidar de doenças neurológicas.

§ As mortes e ferimentos acontecem, geralmente devido ao estado de mal epiléptico (especialmente no caso de
um afastamento súbito da medicação), queimaduras e afogamentos.

§ Foi estimado que nos países em desenvolvimento, até 80% das pessoas com epilepsia não recebem
tratamento, ou muitas vezes nem são identificadas. Embora o diagnóstico etiológico da epilepsia possa ser mais
difícil nos países em desenvolvimento, devido às limitações dos recursos de investigação, muitos podem ser
diagnosticados com base num conhecimento clínico e epidemiológico simples.
Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce e intervenção imediata, de modo a prevenir as taxas de morbilidade e mortalidade associadas
à epilepsia.
§ Registar e monitorizar os casos de epilepsia.

360
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.27 Epilepsia
Definição padronizada de caso
Caso suspeito: Uma pessoa com uma crise epiléptica
Suspeita de novo caso: Notificar apenas o primeiro diagnóstico do caso no centro de saúde
Caso confirmado:
Uma pessoa com recorrência de pelo menos, duas crises epilépticas. Uma resposta positiva a tratamento com
quaisquer antiepilépticos reforça a hipótese de um caso confirmado. As crises epilépticas podem durar entre 30
segundos a 3 minutos. Quando são seguidas, sem haver uma pausa, podem levar ao estado de mal epiléptico.
Resposta ao limiar de alerta
Caso suspeito
§ Todo o pessoal de saúde deve procurar sinais precoces de epilepsia. O diagnóstico deve incluir
entrevistas bem estruturadas (descrevendo o tipo de crise da forma mais rigorosa possível) e exame
clínico.
§ Uma vez diagnosticada, procurar as causas subjacentes e associadas. Procurar um aumento anormal do
número de casos e recomendar medidas ambientais apropriadas, caso seja necessário.
Caso confirmado:
§ O tratamento imediato deve ser assegurado, começando com pequenas doses de um medicamento
antiepiléptico e depois aumentando de forma progressiva até que seja atingido um estado regular efectivo.
Em caso de controlo insuficiente das crises, as estratégias de gestão devem ser: aumentar a dose ou tentar
um medicamento alternativo e transferir para um nível superior da estrutura de saúde.
§ A transferência para um nível superior da estrutura de saúde deve ser feita, se as crises persistirem,
independentemente do tratamento farmacológico ou se a primeira crise acontecer num adulto com 30 ou
mais anos.
Resposta ao limiar de acção
Todos os casos: Medidas de informação e educação sobre a epilepsia e factores de risco ao nível da
comunidade.
Análise e interpretação dos dados
Pessoa: Analisar a distribuição por sexo e idade (por grupo etário a partir dos 6 anos)

Tempo: Fazer um gráfico trimestral dos casos

Local: Assinalar a distribuição por áreas de residência ( mapeamento)


Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico § Glicemia (sangue aleatório dos vasos capilares e glicemia do sangue venoso),
electrólito para excluir outras doenças, como diabetes e patologias hepáticas.
§ Excluir outras doenças como a malária cerebral, meningite, toxoplasmose;
calcificações cerebrais que ocorrem após a tuberculose (tuberculoma), doenças
parasitárias e outras, através de investigação médica apropriada.
Amostras Sangue e liquido cefaloraquidiano

361
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.27 Epilepsia
Colheita de Glicose – Durante a hospitalização de emergência do paciente (glicemia aleatória)
amostras
Posteriormente confirmada (glicemia em jejum)
Preparação, Utilizar precauções universais, para minimizar a exposição a instrumentos e a quaisquer
armazenamento e fluidos corporais.
transporte das
amostras
Os resultados estarão sempre disponíveis 1 a 3 horas após a chegada ao laboratório
Resultados
Referências:
§ WHO, Epilepsy in the WHO African Region: Bridging the Gap, WHO Regional Office for Africa, Congo, 2004.

§ WHO, Epilepsy: a manual for medical and clinical officers in Africa, World health, Geneva 2002

9.28 Tétano neonatal


Introdução
§ Uma doença introduzida por uma toxina neuromuscular, causada pela bactéria do solo anaeróbica formadora
de esporos, a Clostridium tetani. A doença é transmitida quando os esporos entram em feridas abertas
(injecções, corte do cordão umbilical) ou rupturas na pele.
§ Embora o tétano possa aparecer nos adultos, a infecção afecta, principalmente, os recém-nascidos. O tétano
neonatal diminuiu drásticamente nos países com taxas elevadas de vacinação do tétano materno. Como
consequência, muitos países africanos têm como objectivo eliminar o tétano.
§ O período de incubação é de 3 a 21 dias, com uma média de aproximadamente 6 dias.
§ Factores de risco:
a) práticas pouco higiénicas nos cuidados do cordão umbilical dos recém-nascidos, durante o parto.
b) Falta da protecção dos anticorpos em mães que não foram totalmente vacinadas.

Objectivos da vigilância
§ Detectar rapidamente os casos de tétano neonatal e investiga-los para confirmar e prevenir outros casos
através de vacinaçãode mulheres grávidas nas áreas adjacentes ao caso confirmado.
§ Identificar as áreas de alto risco e orientar as campanhas de vacinação antitetânica para as mulheres em
idade reprodutiva.
§ Detectar os casos de tétano acidental e investiga-los

Definição padronizada de caso

362
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.28 Tétano neonatal


Caso suspeito:
Um recém-nascido com capacidade normal de mamar e chorar durante os primeiros dois dias de vida e que,
entre o 3º e o 28º dia de vida, não consegue mamar normalmente e fica rígido ou tem convulsões, ou com ambos
sintomas.

Caso confirmado:
Não é recomendada qualquer confirmação laboratorial.
A confirmação do diagnóstico é clínico.

Resposta ao limiar de alerta


Se houver suspeita de um único caso:
§ Notificar imediatamente a informação sobre o caso ao nível seguinte.
§ Investigar para determinar o risco de transmissão.
§ Gerir e tratar o caso de acordo com as recomendações nacionais, geralmente com cuidados de apoio e se
possível, nos cuidados intensivos. Não são necessárias precauções de isolamento.
Resposta ao limiar de acção
Se um caso for confirmado através de uma investigação:
§ Vacinar a mãe e outras mulheres grávidas da mesma localidade , pelo menos, com 2 doses de vacina
antitetânica.
§ Conduzir uma actividade suplementar de vacinação para as mulheres em idade reprodutiva da localidade.
§ Melhorar a cobertura vacinal de rotina através do PAV e das actividades do programa de saúde materna.
§ Educar as parteiras e as mulheres em idade fértil sobre a necessidade de cortar e cuidar do cordão
umbilical de forma limpa. Aumentar o número de parteiras formadas.

Análise e interpretação dos dados

Tempo: Fazer um gráfico mensal dos casos e óbitos. O alvo deverá ser a eliminação em todos os municípios.

Local: Assinalar geograficamente a localização dos casos e a localização das parteiras.

Pessoa: Contar o número de casos e óbitos mensais. Analisar a distribuição por idade, sexo, data de início da
doença e estado vacinal. Analisar cada caso de tétano neonatal por práticas de cuidados do cordão
umbilical.

Confirmação laboratorial
Não é necessária confirmação laboratorial.

Referências
§ Field manual for neonatal tetanus elimination. Geneva, World Health Organization. WHO/V&B/99.14

363
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.29 Novos casos de SIDA


Introdução
§ A SIDA é provocada por retrovírus, vírus da imunodeficiência humana (VIH). É uma infecção dos linfócitos
humanos (tipos de glóbulos brancos) e outros órgãos.É transmitido de pessoa a pessoa através das relações
sexuais, injecções, transfusões, vias transplacentárias ou transvaginais, leite materno, ou qualquer outro
contacto directo com fluidos humanos infectados.

§ A síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) tem como resultado o estágio final da infecção pelo VIH e a
imunossupressão, com números e funções reduzidos de linfócitos T. O envolvimento de órgãos primários
relacionado com o VIH e uma variedade de infecções oportunistas resultam em morte a não ser que se pare
o crescimento do vírus com medicamentos que o consigam destruir (terapêutica anti-retroviral). Quando a
infecção pelo VIH evolui para doença, os sintomas devem-seà incapacidade do sistema imunitário de resistir
a outras doenças infecciosas, chamadas de infecções oportunistas (IO). Entre elas estão a tuberculose,
pneumonia bacteriana, ou sépsis, candidíase orofaríngea, diarreia crónica, infecção crónica da pele, herpes
zóster recorrente e outras.

§ O período de incubação é de aproximadamente, 1 a 3 meses, a partir do momento da infecção até à altura


em que os anticorpos podem ser detectados num processo laboratorial. Da infecção até ao aparecimento da
SIDA passam, geralmente 7 a 9 anos.

§ Factores de risco: populações com risco elevado de adquirir o VIH são trabalhadores do sexo, homens e
mulheres com múltiplos parceiros com ou sem outras Infecções transmitidas sexualmente (ITS). Algumas
ITS podem aumentar a transmissão do VIH. Outras pessoas em risco incluem utilizadores de drogas
intravenosas (UDI), receptores de produtos sanguíneos que não foram analisados e recém-nascidos cuja
mãe está infectada com o VIH.

§ A Tuberculose, leishmaniose visceral, tripanossomíase e outras infecções bacterianas, parasitárias e virais


subagudas ou crónicas podem causar síndromes semelhantes.

Objectivos da vigilância
§ Monitorizar o impacto das intervenções do VIH/SIDA nas tendências de incidência e prevalência das
infecções por VIH, SIDA e ITS, através de postos-sentinela, inquéritos e estudos especiais (de acordo com
as normas para a vigilância de segunda geração do VIH/SIDA).
§ Estimar o fardo do VIH/SIDA no município, utilizando a informação disponível das populações sentinela que
têm o VIH, para que todos os novos casos de SIDA sejam contados.
§ Monitorizar a epidemiologia local de ITS, como um possível co-factor da transmissão do VIH.
§ Monitorizar a epidemiologia local das infecções oportunistas, incluindo a tuberculose.
§ Melhorar a percentagem de casos suspeitos de VIH/SIDA que são confirmados através da serologia.
§ Melhorar o rastreio do VIH/SIDA.

364
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.29 Novos casos de SIDA


Definição padronizada de caso
. Um teste DETERMINE rápido, positivo para confirmar a presença do VIH e um teste de UNIGOLD, para
confirmar os resultados positivos, são suficientes para uma definição de caso epidemiológico de infecção por
VIH.

· Considera-se que um (a) adulto ou adolescente de mais de 12 anos tem SIDA, quando na presença de
um teste de pesquisa de anticorpos, anti-VIH positivo, apresenta pelo menos uma a duas afecções ou
manisfestações seguintes:
· Perda de peso ( igual ou superior a 10 %) ou caquexia, acompanhado de diarreia e / ou febre,
intermitente, durante um mês, que não podem ser atribuídos a uma outra causa sem relação com a
infecção;
· Miningite cryptocócica;
· Tuberculose pulmonar ou extra pulmonar;
· Sarcoma de Kaposi;
· Perturbações neurológicas suficientes que retiram a autonomia ao paciente nas suas actividades
quotidianas que não podem ser atribuídas a outras causas sem relação com a infecção VIH;
· Cândidiase orofarígea;
· Episódios clínicos de pneumonia recorrente que põem a vida em perigo com ou sem confirmação
etiológica;
· Cancro invasivo do colo do útero

Acções de saúde pública


§ Monitorizar as ITS e infecções oportunistas locais, incluindo a tuberculose, como possível co-factor do VIH.
§ Melhorar a percentagem de casos suspeitos de VIH/SIDA que são confirmados através da serologia.
§ Monitorizar o uso de preservativos por trabalhadores do comércio do sexo.
§ Fornecer aconselhamento e serviços de testagem voluntário ao nível do município.
§ O tratamento de casos individuais com terapêutica antirretroviral ainda não está completamente acessível
em muitos dos países africanos. O diagnóstico rápido e o tratamento de infecções oportunistas (IO)
relacionadas com a SIDA podem aumentar a esperança de vida, embora isto ainda não tenha sido
totalmente avaliado nos países em desenvolvimento.
§ Promover o uso de preservativos, especialmente entre indivíduos de alto risco.
§ Tratar as ITS, especialmente a sífilis, o cancro mole e outros processos ulcerativos.
§ Mobilizar os dadores de sangue voluntários e promover o uso apropriado do sangue.
§ Promover práticas de bom controlo de infecções, dentro das instituições de saúde do município.
§ Educar os pacientes e os seus parceiros sexuais para deixarem de doar sangue, tecidos, sémen ou leite
materno.

Análise e interpretação dos dados

365
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.29 Novos casos de SIDA


Tempo: Contar o número dos novos casos de SIDA e fazer um relatório mensal. Analisaro número de casos
confirmados através da serologia.
Pessoa: No final do ano, calcular o número total de casos e incluir as tendências para a serovigilância do VIH,
vigilância das ITS e resultados de quaisquer estudos especiais (estudos sócio-comportamentais,
sensibilidade dos medicamentos aos agentes antimicrobianos, etc).

Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Adultos e crianças a partir dos 18 meses:
A infecção pelo VIH é diagnosticada com base em:
- Teste positivo do anticorpo VIH (análise imunológica de enzimas rápida ou feita em
laboratório). Este teste é confirmado através de outro teste de anticorpos (análise
imunológica de enzimas rápida ou feita em laboratório), utilizando antigénios diferentes
ou com características operacionais diferentes. e/ou
- Análise virológica positiva do VIH ou dos seus componentes (VIH-ARN ou VIH-ADN ou
o antigénio VIH p24 ultra sensível), confirmada por uma segunda análise virológica
obtida por uma determinação diferente.
Crianças com menos de 18 meses:
A infecção pelo VIH é diagnosticada com base numa análise virológica positiva do VIH
ou dos seus componentes (VIH-ARN ou VIH-ADN ou o antigénio VIH p24 ultra sensível),
confirmada por uma segunda análise virológica, obtida por uma determinação separada,
feita mais de quatro semanas após o nascimento.
O teste positivo de anticorpos do VIH não é recomendado para um diagnóstico definitivo
ou confirmatório do VIH em crianças com menos de 18 meses.

Amostras Soro
Colheita de Obter as amostras de acordo com as estratégias do programa nacional de VIH/SIDA, em
amostras relação à colheita de amostras clínicas ou epidemiológicas.

Preparação, Utilizar precauções universais, para minimizar a exposição a instrumentos infectados e a


armazenamento e quaisquer fluidos corporais.
ELISA: colher 10 ml de sangue venoso.
transporte das § Deixar o coágulo retrair durante 30 a 60 minutos à temperatura ambiente ou
amostras centrifugar, para separar o soro dos glóbulos vermelhos.
§ Escoar o soro para tubos assépticos com tampa de rosca.
§ Guardar o soro a 4°C.
Transportar as amostras do soro, usando embalagens apropriadas para prevenir que
estas se partam ou que haja derrames durante o transporte.
Resultados As análises do VIH são exaustivamente regulamentadas, com controlos rigorosos
relativamente à divulgação de informações. Os resultados estão disponíveis durante uma
semana após a chegada das amostras ao laboratório.
Referências

366
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.29 Novos casos de SIDA


§ Guidelines for Sexually Transmitted Infections Surveillance. Geneva. UNAIDS and World Health Organization.
WHO/CDS/CSR/EDC/99.3. UNAIDS/99.33E

§ WHO Case definitions of HIV for surveillance and revised clinical staging and immunological classification of
HIV-Related disease in adults and children.

§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

§ Guidelines for Second Generation HIV Surveillance, WHO and UNAIDS, 2000 WHO/CDC/CSR/EDC/2000.5

§ Consultation on technical and operational recommendations for clinical laboratory testing harmonization and
standardization, Jan 2008, WHO, CDC

367
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.30 Noma
Introdução

§ O Noma (cancrum oris, stomatitis gangrenosa) é uma infecção bacteriana oportunista, que afecta crianças
entre 1 e 4 anos de idade, caracterizada por gangrena orofacial, que se espalha rapidamente e que evolui de
uma inflamação das gengivas.
§ O Noma é o resultado de interacções complexas entre factores de risco, como falta de higiene, malnutrição,
doenças recorrentes e imunidade comprometida. Doenças que normalmente antecedem o noma incluem o
sarampo, malária, diarreia grave e gengivite ulcerativa necrosante.
§ O noma existe em todo o mundo, mas é mais comum na África Subsariana. Em 1998, a OMS estimou que
140 000 crianças de todo o mundo contraem noma todos os anos e 79% delas morrem devido à doença e
suas complicações.
§ Em África, o noma tem uma maior presença nos países que fazem fronteira com o deserto do Sara, onde
segundo um relatório recente, é estimada uma incidência de 25 000 casos. No entanto, o noma pode
aparecer onde quer que exista pobreza extrema.
§ A detecção precoce e o tratamento com antibióticos são fundamentais, para prevenir deformações graves ou
a morte. Na fase aguda, a morte pode ser prevenida com doses elevadas de penicilina; no entanto, as
deformações só podem ser tratadas com operações dispendiosas.
§ A prevenção deve-se concentrar na educação e conhecimento da doença, melhoramento da nutrição e
higiene familiar, promoção da amamentação exclusiva nos primeiros 3 a 6 meses de vida, acesso a cuidados
pré-natais e vacinação contra as doenças comuns da infância.
§ As características clínicas incluem dores na boca, halitose evidente (mau hálito), sabor fétido, lábio ou
bochecha sensível, linfadenopatia cervical, uma descarga oral purulenta de mau cheiro e uma descoloração
azul-negra da pele e inchaço da área afectada.
§ Os trabalhadores do sistema de saúde devem reconhecer os factores de risco para o noma:
§ Crescimento quase inexistente da criança nos primeiros 6 meses de vida
§ Provas de malnutrição e hábitos dietéticos fracos;
§ Diarreia persistente
§ Úlceras orais em crianças de zonas de risco elevado
§ Mau hálito evidente
Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce e tratamento dos casos
§ Identificação de comunidades e famílias de alto risco
§ Estimativa da incidência da doença e identificação dos factores de risco

368
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Definição padronizada de caso


Suspeita de novo caso:
Uma criança com uma úlcera na boca e outros sinais de aviso, tais como malnutrição, fraca higiene, vítima
recente de doenças como o sarampo, diarreia persistente ou malária, deve ser considerada como um
provável novo caso de noma.
Confirmação de novo caso:
Uma pessoa com uma doença gangrenosa que começa como ulceração gengival e que se espalha
rapidamente através dos tecidos da boca e da face, destruindo os tecidos moles e duros.

Acções de saúde pública recomendadas


Quando um caso suspeito é detectado:
§ Tratar o caso com os antibióticos recomendados a nível central
§ Conduzir actividades de promoção da saúde na comunidade para:
o Conhecimento do noma na comunidade e nas famílias
o Melhoramento do saneamento ambiental e higiene pessoal
o Separação do gado de zonas onde vivem pessoas
o Alimentação exclusiva por leite materno durante os primeiros 6 meses de vida
o Melhoramento da nutrição e das técnicas de preparação dos alimentos
§ Aumentar a cobertura vacinal no município
§ Melhorar as fontes de água potável nas comunidades em risco
§ Treinar o pessoal das unidades de saúde pública em reconhecimento precoce das lesões orais que podem
levar ao aparecimento do noma.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Monitorizar o número de casos detectados a tempo afim de receberem tratamento. Monitorizar os casos
ao longo do tempo, de modo a estimar o fardo da doença e identificar as tendências.

Local: Assinalar a localização dos casos e analisar a distribuição.

Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por idade, sexo e outros factores demográficos,.
Confirmação laboratorial
Para a vigilância, não são necessárias confirmações laboratoriais de rotina.

369
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Referências

§ Enwonwu, C. (2006). "Noma--the ulcer of extreme poverty." New England Journal of Medicine, The 354(3): 221-
224

§ Enwonwu, C., W. Falkler, et al. (2006). "Noma (cancrum oris)." The Lancet 368(9530): 147-156.

§ Fieger, A., K. Marck, et al. (2003). "An estimation of the incidence of noma in north-west Nigeria." Tropical
medicine & international health 8(5): 402-407.

§ Enwonwu, C. O. (1995). "Noma: a neglected scourge of children in sub-Saharan Africa." Bulletin of the World
Health Organization 73(4): 541-545.

§ Enwonwu, C. O., W. A. Falkler, et al. (1999). "Pathogenesis of cancrum oris (noma): confounding interactions of
malnutrition with infection." The American journal of tropical medicine and hygiene 60(2): 223-232.

9.31 Oncocercose
Introdução
§ Infecção filarial cutânea e ocular causada pelo Onchocerca volvulus, transmitido através da picada da fêmea da
mosca preta Simulium.

§ Estão estimadas cerca de de 18 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo, dos quais 250 000 são
cegas e vive em 26 países africanos. A oncocercose é a segunda maior causa de cegueira infecciosa a nível
mundial. Provoca problemas cutâneos debilitantes que conduzem a um decréscimo da produtividade nas
regiões endémicas. Aldeias inteiras abandonaram as margens férteis de rios, locais em que a mosca preta se
reproduz.

§ O período de incubação vai de anos a décadas, visto serem necessárias infecções repetidas para que a doença
se manifeste. A clínica da doença não é comum em crianças, mesmo nas regiões endémicas.

§ Outras filárias (por exemplo, Loa loa e Mansonella) e outras doenças cutâneas e oculares crónicas podem
conduzir a conclusões clínicas semelhantes.

Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce com o objectivo de reduzir a recorrência da transmissão do parasita nas zonas em que
foi erradicado (zonas abrangidas pelo Programa de Luta contra a Oncocercose).
§ Implementação de vigilância periódica em aldeias-sentinela: proceder o exame médico, usando
dietilcarbamazina (DEC); em caso de reacção positiva ao DEC, confirmar através de exame microscópico
de uma biópsia da pele de cada caso suspeito.
Definição padronizada de caso

370
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.31 Oncocercose
Caso suspeito: Numa zona endémica, uma pessoa com nódulos fibrosos em tecidos subcutâneos.

Caso confirmado: Caso suspeito confirmado laboratorialmente através da presença de um ou mais dos seguintes
sinais: microfilária em amostras de pele, vermes adultos em nódulos ou manifestações oculares típicas (tais como
observação biomicroscópica de microfilária na córnea, câmara anterior ou humor vítreo).
Resposta ao limiar de alerta
Se for detectado um caso suspeito:
§ Notificar o caso de acordo com as orientações nacionais
§ Colher amostra para confirmação do caso
§ Investigar o caso a fim de determinar a sua causa
§ Tratar o caso de acordo com as orientações nacionais.
Resposta ao limiar de acção
Se um caso for confirmado:
§ Conduzir investigação sobre migração para identificar as origens da infecção e iniciar actividades de controlo.
§ Realizar actividades de controlo dos vectores, de acordo com as orientações do programa da Oncocercose
§ Periodicamente efectuar tratamento em massa com ivermectina, em zonas com oncocercose endémica nos
últimos 10 anos.
§ Proceder à busca activa de casos, através de inquéritos à população e amostras de pele (biopsia).
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico trimestral dos casos

Local: Assinalar a localização e locais de trabalho dos doentes

Pessoas: Contar os casos trimestralmente e analisar a distribuição por idades.


Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico
Microscopia.

Critérios laboratoriais para confirmação: um ou mais dos seguintes:


- Presença de microlifárias em amostras de pele colhidas da crista ilíaca
- Presença de vermes adultos em nódulos
Presença de manifestações oculares típicas, tais como observação biomicroscópica de
microfilária na córnea, câmara anterior ou humor vítreo.

Amostra
Amostras de pele:
- Fluido de nódulos
- Crista ilíaca
- Cintura escapular

371
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.31 Oncocercose
Colheita
Colher amostra de pele e fluido de nódulos dos casos suspeitos, 1 hora após a
administração de dietilcarbamazina.

Preparação,
Colocar a amostra num recipiente comum. Juntar algumas gotas de soro fisiológico.
armazenamento e Fechar muito bem antes do transporte para o laboratório. Transportar à temperatura
transporte das ambiente.
amostras
Resultados
O resultado deve estar disponível no prazo de 1 dia.

Referências
§ WHO Recommended Surveillance Standards. Second edition. WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

9.32 Peste
Introdução
§ Infecção bacteriana zoonótica sistémica causada por Yersinia pestis (bacilo da peste), geralmente
transmitido ao homem por roedores e respectivas pulgas.

§ Principais formas da doença: bubónica, pneumónica e septicémica; as epidemias em grande escala


podem ocorrer em áreas urbanas ou rurais.

§ O período de incubação é de 1 a 7 dias.

§ Na ausência do tratamento dos casos, a taxa de letalidade pode exceder os 50-60%, no caso da peste
bubónica e ronda os 100% no caso das pestes pneumónica e septicémica. Com o tratamento adequado, a
taxa de letalidade é geralmente <1%.

§ Factor de risco: residência em área rural. Exposição a populações de roedores selvagens ou domésticos
infectados e respectivas pulgas.

Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce de casos e surtos de peste. Verificar a etiologia de todos os casos suspeitos não
associados ao surto e os primeiros 5 a 10 casos a ele associados.

Definição padronizada de caso

372
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.32 Peste
Caso suspeito:
Uma pessoa com início súbito de febre, arrepios, dor de cabeça, indisposição acentuada, prostração e inchaço
muito doloroso dos gânglios linfáticos e/ou nas virilhas ou tosse com sangue na expectoração, dor torácica e
dificuldade em respirar.

Caso confirmado:
Caso suspeito confirmado através do isolamento da Yersinia pestis no sangue ou aspirado de bubões, ou ligação
epidemiológica a casos confirmados ou ao surto.

Resposta ao limiar de alerta


Se houver um único caso suspeito:
§ Notificar imediatamente a informação relativa ao caso ao nível superior.
§ Colher amostras para confirmação do caso.
§ investigar o caso.
§ Tratar o doente com estreptomicina, gentamicina ou cloramfenicol e administrar quimioprofilaxia aos
contactos próximos com tetraciclina, durante 7 dias após a última exposição.

Resposta ao limiar de acção


Se o caso suspeito for confirmado:
§ Isolar os doentes com peste pneumónica e contactos, tomando precauções contra a transmissão por via
aérea (por exemplo usar máscara), até perfazer, pelo menos, 48 horas de terapêutica antibiótica adequada.
§ Mobilizar a comunidade no sentido de permitir a detecção rápida de casos e seu tratamento e reconhecer a
extinção em massa de roedores como alerta de uma eventual epidemia iminente.
§ Identificar grupos populacionais de alto risco, através da análise de dados por pessoa, local e tempo.
§ Reduzir os casos esporádicos e os relacionados com o surto, através de um melhor controlo das populações
de roedores (eliminar lixos, fontes de alimento e ninhos de ratos) e proteger-se contra as pulgas com
repelente de insectos na pele e roupas e controlo ambiental das pulgas (sobretudo nas habitações, portos e
aeroportos).

Análise e interpretação dos dados


Tempo: Semanalmente registar num gráfico as tendências de casos e óbitos.
Traçar uma curva epidémica dos casos durante o surto.

Local: Registar geograficamente os casos e óbitos ( mapeamento)

Pessoa: Elaborar de imediato, relatório detalhado dos casos e óbitos para a vigilância de rotina. Durante o
surto, contar semanalmente os casos e óbitos. Analisar a distribuição por idades , sexo, início e
avaliar os factores de risco, de forma a melhorar o controlo da doença.

Confirmação laboratorial

373
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.32 Peste
Teste de Isolar a Yersinia pestis no aspirado do bubão ou na cultura de sangue, LCR (líquido
diagnóstico cefalorraquidiano) ou expectoração.
Identificar anticorpos contra o antigénio F1 da Y. pestis no soro.

Amostra Aspirado de bubões, sangue, LCR, expectoração, lavagem traqueal ou material de


autópsia para cultura.
Sangue para testes serológicos.

Colheita Colher amostra do primeiro caso suspeito de peste. Se houver mais do que um caso
suspeito, colher até obter amostras de 5 a 10 casos suspeitos, antes da administração
de antibióticos. Para os bubões, pode injectar-se uma pequena quantidade de soro
fisiológico (1-2 ml) no bubão, para obter uma amostra adequada.

Se já foram administrados antibióticos,, a peste pode ser confirmada por seroconversão


(aumento quádruplo ou superior dos títulos) para o antigénio F1, através de
hemaglutinação passiva, usando soros emparelhados. O soro deve ser extraído nos 5
dias após o início da doença e novamente passadas 2-3 semanas.

Preparação, § As amostras devem ser colhidas utilizando técnicas assépticas. Os materiais para
armazenamento e cultura devem ser enviados ao laboratório em meio de transporte Cary Blair ou
transporte das congeladas (de preferência com gelo seco (CO2 sólido). As amostras não
amostras conservadas devem chegar ao laboratório no próprio dia.
§ As amostras líquidas (aspiradas) devem ser absorvidas com cotonete estéril e
colocadas em meio de transporte Cary Blair e refrigerar.
§ Se o transporte exigir 24 horas ou mais e não existir meio Cary Blair, congelar a
amostra e transportá-la congelada com acumuladores de frio.

As culturas só devem ser enviadas para um laboratório com capacidade para o


Resultados diagnóstico da peste ou para um Centro de Colaboração da OMS para a peste.

Os resultados das culturas da peste levarão no mínimo de 3 a 5 dias úteis, após


recepção pelo laboratório.

O tratamento com antibióticos deve ser iniciado logo, antes de se receberem os


resultados da cultura.
O tempo de seroconversão dos doentes com peste para o antigénio F1 da Y. pestis é de
7-10 dias, após o início da doença.
Referências
§ Plague Manual: Epidemiology, Distribution, Surveillance and Control/ Manuel de la Peste: Epidémiologie,
Répartition, Surveillance et Lutte. WHO/CDS/CSR/EDC/99.2

“Laboratory Manual of Plague Diagnostic tests.” CDC/WHO publication, 2000, Atlanta, GA.

374
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.33 Varíola
Introdução
§ A varíola é uma doença contagiosa aguda causada pelo vírus varíola, da família do ortopoxvírus. Outros
membros deste género incluem a varíola bovina, a varíola dos camelos e a varíola dos macacos. O vírus
da varíola dos macacos tem causado, recentemente, as mais graves infecções em humanos pelo poxvírus.

§ A varíola matou 30% dos infectados. Em 1967, quando a OMS lançou um plano intensificado para erradicar a
varíola, a doença ameaçou 60% da população mundial e matou um em cada quatro doentes.

§ A erradicação mundial da varíola foi certificada por uma comissão de eminentes cientistas, em Dezembro de
1979, sendo posteriormente aprovada pela Assembleia Mundial da Saúde em 1980.

§ A varíola apresentou duas formas principais: a varíola maior e a varíola menor. A doença seguiu uma
variante mais ligeira na varíola menor, que tinha uma taxa de letalidade de menos de 1%. A taxa de
letalidade da varíola maior era de cerca de 30%. Há duas formas raras de varíola: a hemorrágica e a
maligna. A primeira era invariavelmente fatal, a erupção era acompanhada de hemorragia das membranas
mucosas e da pele. A varíola maligna era caracterizada por lesões que não evoluíam para a fase pustular,
mas que se mantinham moles e lisas. Era quase sempre fatal.

§ O período de incubação da varíola é de 12–14 dias (limites de 7–17), durante os quais não existem
evidências de expulsão do vírus. Durante este período, a pessoa parece saudável e não pode contagiar os
outros.

§ O período de incubação é seguido de manifestação súbita de sintomas de tipo gripal. Dois a três dias depois,
a temperatura desce e o doente sente-se melhor; depois é que aparece a erupção na cara, como primeira
característica, mãos e antebraços, progredindo, alguns dias depois, para o tronco. As lesões também surgem
nas membranas mucosas do nariz e boca, e transformam-se rapidamente em úlceras após a sua formação,
libertando grandes quantidades de vírus na boca e na garganta. A distribuição centrífuga das lesões, mais
proeminentes nas faces e extremidades do que no tronco, é uma característica que distingue o diagnóstico
da varíola e que permite que qualquer profissional experiente suspeite desta doença. As lesões progridem de
manchas para pápulas e depois para vesículas e para pústulas. Todas as lesões numa dada área, progridem
conjuntamente através destas fases. De 8 a 14 dias após o início dos sintomas, as pústulas formam crostas,
que deixam cicatrizes despigmentadas visíveis após sararem.

§ A varicela (varíola das aves) pode distinguir-se da varíola pelas suas lesões muito mais superficiais, mais
presentes no tronco do que na cara e nas extremidades e pelo desenvolvimento de sucessivas crostas das
lesões na mesma área.

375
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.33 Varíola
§ A varíola é transmitida por via aérea de pessoa para pessoa, pela propagação de gotículas infectadas, por
contágio directo de uma pessoa infectada após o início da febre, especialmente se os sintomas incluírem
tosse. A doença pode ainda ser transmitida por vestuário e roupa de cama contaminados, embora o risco de
infecção por esta via seja muito inferior.

§ A frequência da infecção é mais alta através do contacto directo com um doente, após o início da febre e
durante a primeira semana da erupção, quando o vírus se liberta através do tracto respiratório.

§ Na ausência de imunidade induzida pela vacinação, os seres humanos parecem ser universalmente
susceptíveis à infecção pelo vírus da varíola.

§ A vacina administrada até 4 dias após a exposição ao vírus e antes do aparecimento da erupção, confere
imunidade protectora e pode evitar a infecção ou diminuir a gravidade da doença.

§ A notificação imediata à OMS é formalmente exigida pelo RSI (2005).

Objectivos da vigilância
§ Detectar e responder de imediato a qualquer caso suspeito de varíola.

Definição padronizada de caso

Caso suspeito: uma doença com manifestação aguda de febre >38,3º C (101º F), seguida de erupção
caracterizada por vesículas ou pústulas firmes, no mesmo estágio de desenvolvimento, sem outra causa
aparente.

Caso provável: um caso que cumpra a definição clínica de caso, sem confirmação laboratorial, mas com uma
relação epidemiológica com um caso confirmado ou provável.

Caso confirmado: um caso clinicamente compatível, que seja confirmado laboratorialmente.

Resposta ao limiar de alerta

Se houver suspeita de um único caso:


§ Notificar de imediato a informação baseada em casos aos outros níveis.
§ Implementar precauções para controlo de infecções transmitidas por via aérea.
§ Cuidar e tratar o doente .
§ Colher a amostra com segurança para confirmar o caso.
§ Implementar a busca activa dos contactos e respectivo tratamento.
§ Conduzir uma vigilância activa para identificar outros casos.
§ Notificar a OMS.

376
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.33 Varíola
Resposta ao limiar de acção
Se for confirmado um único caso:
§ Manter práticas rigorosas de medidas de controlo da infecção, durante o surto.
§ Mobilizar a comunidade para a detecção precoce e os cuidados que deverão manter.
§ Realizar actividades de educação comunitária sobre o caso confirmado, a via de transmissão da doença e o
modo de implementar o controlo da infecção, no cenário dos cuidados domiciliários e durante o funeral.
§ Procurar activamente outros casos eventuais.
§ Solicitar ajuda adicional aos níveis nacional e internacional.
§ Criar enfermarias de isolamento, para gerir casos adicionais que possam ser admitidos na unidade de
saúde.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico dos casos e dos óbitos diariamente/semanalmente/mensalmente. Traçar uma curva
epidémica.

Local: Assinalar a localização dos doentes.

Pessoa: Notificar imediatamente os casos e os óbitos. Durante o surto, contar e notificar os casos e os óbitos.
Analisar a distribuição por idade e sexo. Avaliar imediatamente os factores de risco
Confirmação laboratorial
Isolamento do vírus da varíola de uma amostra clínica
Teste de ou
diagnóstico Teste da reacção em cadeia da polimerase (PCR), para identificação do DNA da Variola
numa amostra clínica

Nota: apenas laboratórios de Nível C ou D.


Amostra
Amostras* para biópsia

Coágulo*

Fluído vesicular*

Pele lesionada (roof)*

Material da pústula*

Amostras de sangue

Nota: as amostras de sangue das pessoas em que a erupção é grave e densa podem ser
difíceis de colher, devido à descamação da pele. Pode ser necessária uma linha central
para acesso, nos casos em que é difícil retirar o sangue periférico. Amostras preferidas
para diagnóstico de doença aguda durante a fase de erupção.

377
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.33 Varíola
Um caso suspeito de varíola é uma emergência médica e de saúde pública. Colher
Colheita de amostras de todos os casos suspeitos, sempre que houver disponibilidade, para conseguir
amostras amostras dos tipos recomendados.
Preparação, As práticas próprias associadas à colheita de amostras nos doentes são também
armazenamento adequadas à colheita das lesões pelo ortopoxvírus. Estas incluem o uso de equipamento
e transporte de protecção individual, incluindo luvas e desinfecção do local antes da colheita. Se se
usar álcool para preparar a lesão a ser colhida, é importante deixar a lesão secar antes de
a colher.

Amostras para biópsia:


Colocar assepticamente duas a quatro porções de tecido num recipiente estéril, estanque
e congelável. Armazenamento -20ºC a – 70ºC. Transporte ~ 6h a 4ºC.
Nota: embalar a biópsia da lesão não em formalina para transportar em gelo seco, deixar a
biópsia fixada em formalina à temperatura ambiente. Não congelar a amostra da biópsia
fixada em formalina.

Coágulos:
Colocar assepticamente as crostas/material num recipiente estéril, estanque e congelável.
Armazenamento -20ºC a – 70ºC. Transporte ~6h a 4ºC.

Fluído vesicular:
Colher o fluído de lesões separadas com zaragatoas estéreis separadas. Assegurar-se da
inclusão de material celular da base de cada uma das respectivas vesículas.
Armazenamento -20ºC a - 70 °C. Transporte ~6h a 4ºC.
Colocar 10 cc de sangue num tubo de ensaio em plástico com tampa de mármore, ou num
tubo separador de soro com tampa amarela.

Nota: a aprovação deverá ser obtida antes do envio para um laboratório de referência das
amostras clínicas de um potencial doente de varíola.
Não há serviços de diagnósticos de rotina para a varíola. Normalmente, é necessário
Resultados requisitá-los com antecedência. Contactar as autoridades nacionais responsáveis ou a
OMS.
Referências

§ WHO Fact Sheet, smallpox. [Link]

378
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.34 Tracoma
Introdução
§ O Tracoma é a causa principal da cegueira e é uma infecção causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e não tem só
tratamento como também se pode evitar.

§ As infecções começam muitas vezes na primeira ou na segunda infância e podem tornar-se crónicas. Se não
forem tratadas. A a infecção pode provocar a retracção da pálpebra que, por sua vez, faz com que as pestanas
rocem no globo ocular, o que resulta numa intensa dor e no ferimento da frente do olho. Em última análise, isso
leva a cegueira irreversível, tipicamente entre os 30 e os 40 anos de idade.

§ O tracoma propaga-se facilmente através do contacto directo, da partilha de toalhas e roupas e ainda através
de moscas que tenham estado em contacto com os olhos ou nariz de uma pessoa infectada.

§ A OMS estima que ocorrem cerca de 6 milhões de casos de cegueira devida ao tracoma e 11 milhões de casos
de triquíase, todos os anos a nível mundial. A prevalência da doença activa nas crianças varia entre 10-40%, em
alguns países africanos.

§ A infecção afecta, em primeiro lugar, as crianças pequenas, ocorrendo a cegueira numa idade posterior. As
meninas estão três vezes mais sujeitas do que os rapazes a sofrer de triquíase. A retracção das pestanas que
pode conduzir à cegueira. As pessoas correm mais riscos de contrair o tracoma em áreas de mau saneamento
básico, falta de latrinas, escassas fontes de água potável e locais onde proliferem as moscas.

§ As principais intervenções recomendadas para prevenir a infecção pelo tracoma incluem: melhor saneamento,
redução dos locais de proliferação de moscas e sensibilização para uma limpeza facial mais cuidada (com água
potável) entre as crianças em risco de contrair a doença. A mudança do aspecto visual assustador causado pelo
tracoma pode ser resolvido com um simples procedimento cirúrgico efectuado a nível local, o qual pode reverter
as pestanas reviradas.

Objectivos da vigilância

§ Prevenção da cegueira por detecção precoce


§ Identificação de áreas de alto risco e tendências epidemiológicas
§ Estimativa do fardo da doença
§ Monitorização dos programas de controlo.

Definição padronizada de caso


Caso suspeito:
Um doente com olhos vermelhos e pegajosos e queixas de dores e comichão nos olhos.

Caso confirmado:
Um doente com olhos vermelhos e pegajosos e queixas de dores e comichão nos olhos e cujo exame ocular
confirme uma das fases de infecção por Tracoma, em conformidade com o Sistema Simplificado de Classificação do
Tracoma da OMS. (Ver referências abaixo).

379
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.34 Tracoma
Acções de saúde pública recomendadas

A Organização Mundial da Saúde desenvolveu uma série de intervenções para controlar o tracoma, conhecidas pela
sigla SAFE: Surgery, Antibiotics, Facial cleanliness, and Environmental improvement (cirurgia, antibióticos, limpeza
facial e melhor ambiente).

O controlo eficaz do Tracoma tem quatro componentes principais:

§ Cirurgia da pálpebra para os que correm risco imediato de cegueira


§ Antibióticos, para tratar os casos individualmente e para reduzir a infecção na comunidade
§ Promoção da limpeza facial e da higiene, para reduzir a transmissão
§ Melhoria do meio-ambiente, como o abastecimento de água e o saneamento básico nas habitações.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Monitorizar as tendências epidemiológicas ao longo do tempo.

Local: Assinalar a localização das habitações dos doentes e analisar a sua distribuição.

Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por idade e outros factores demográficos.
Confirmação laboratorial
Não é exigida confirmação laboratorial de rotina para a vigilância.

Teste de Detecção do antigéno específico. Testes do ácido nucleico e técnicas de cultura de tecidos.
Ocasionalmente, em células epiteliais em esfregaços corados com Giemsa ou iodo por
diagnóstico microscopia directa.
Amostra
Colheita de raspados da conjuntiva
Colheita de
amostras
Preparação, Após anestesiar a conjuntiva com gotas oculares anestésicas, retirar o corrimento e com uma
armazenamento e espátula de extremidade fina e arredondada, raspar o orifício da conjuntiva. Espalhar a
transporte das amostra uniformemente numa lâmina. Assim que a preparação secar ao ar, se for corada
com Giemsa, fixá-la com metanol durante 2-3 minuto.
amostras

Resultados Fora dos laboratórios especializados, a maioria das infecções oculares são diagnosticadas
clinicamente (ver Anexo 8 sobre definição recomendada de casos para um caso confirmado)
ou imunologicamente.

Referências

380
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.34 Tracoma
§ WHO Trachoma Page [Link]

§ World Health Organization. Trachoma control: A guide for program managers.


Geneva: World Health Organization, 2006.

§ World Health Organization. Achieving Community Support for Trachoma Control.


Geneva: World Health Organization, 1993.

§ World Health Organization. Primary Health Care Level Management of trachoma.


Geneva: World Health Organization, 1993.

§ World Health Organization. Trachoma epidemiologic survey protocol.


Geneva: World Health Organization, 1993.

§ CDC Trachoma
[Link]

§ The Carter Center


[Link]

9.35 Tripanossomíase
Introdução
§ A tripanossomíase é uma infecção sanguínea, linfática e do sistema nervoso central. Em África, ela é causada
pelos protozoários Trypanosoma burcei rhodesiense e T. b. gambiense, que são transmitidos pela picada da
mosca Glossina infectada (Tsé-tsé).

§ A tripanossomíase é endémica em mais de 30 países africanos da África Ocidental, Central e Oriental. É


altamente epidémica na República Democrática do Congo, em Angola e em outras zonas de conflitos civis, onde
podem ser infectadas 80% de algumas populações rurais. O gado bovino é o principal reservatório de
Trypanosoma brucei rhodesiense, e os seres humanos são o principal reservatório de T. b. gambiense.

§ O período de incubação é normalmente, de alguns dias a semanas para as infecções pelo T. b. rhodesiense, e de
meses a anos para as infecções pelo T. b. gambiense. Sem tratamento, ambas as formas são fatais.

§ As estratégias de controlo da tripanossomíase incluem estudos sobre populações humanas e animais, para tratar
das pessoas infectadas, reduzir os reservatórios de gado e controlar o habitat da mosca tsé-tsé (por exemplo,
remoção de arbustos e ervas altas à volta das aldeias e uso de insecticidas residuais).

§ A tuberculose,a malária, a meningite bacteriana, o VIH/SIDA e outras infecções sistémicas ou do sistema nervoso
central podem produzir resultados clínicos semelhantes.

381
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.35 Tripanossomíase
Objectivos da vigilância

§ Aumentar a percentagem de casos confirmados por métodos de laboratório.


§ Usar inquéritos baseados nas populações e o rastreio serológico para uma pesquisa activa de casos nas áreas
endémicas.
§ Realizar o rastreio humano e do gado em zonas livres de tripanossomíase.
Definição padronizada de caso

Caso suspeito:
Fase precoce: uma úlcera dolorosa, originalmente uma pápula, que evolui para um nódulo no local primário da
picada. Pode ocorrer febre, intensas dores de cabeça, insónia, linfadenopatia indolor, anemia, edema local e
erupção.
Fase tardia: caquexia, sonolência e sinais do sistema nervoso central.
Caso confirmado:
Um caso suspeito confirmado pelo teste de aglutinação em cartão (CATT) ou por isolamento dos
tripanossomas no sangue, nódulos linfáticos ou líquido cefalorraquidiano.
Resposta ao limiar de alerta
Se se observar o aumento do número de casos ou de óbitos num certo período de tempo:
§ Notificar o problema de acordo com as orientações nacionais.
§ Tratar qualquer caso individual suspeito e os casos confirmados com a terapêutica adequada, em ambiente
rigorosamente monitorizado.
§ Colher amostras para confirmação laboratorial.
§ Investigar a causa do aumento do número de casos, para identificar problemas com as actividades de
prevenção.
Resposta ao limiar de acção
Se o número de casos ou de óbitos aumentar para o dobro do número normalmente observado num mesmo
período de tempo dos anos anteriores:
§ Avaliar as actividades de prevenção nas zonas vizinhas dos casos e tomar iniciativas para as melhorar.
§ Efectuar actividades de pesquisa activa de casos, caso se trate de uma área endémica.
§ Efectuar actividades de controlo de vectores especificadas pelas orientações nacionais.
Análise e interpretação dos dados

382
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.35 Tripanossomíase
Tempo: Fazer um gráfico trimestral dos casos.

Local: Assinalar a localização das habitações dos doentes.

Pessoa: Contar os casos mensalmente e analisar a distribuição por idade.

Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico Presumido:
Serológico: teste da tripanossomíase por aglutinação em cartão (CATT)

Confirmado:
Parasitológico: detecção (microscopia) dos tripanossomas no sangue, aspirados dos
nódulos linfáticos ou LCR
Amostra Sangue total
Aspirados dos nódulos linfáticos
Líquido cefalorraquidiano
Colheita de amostras Caso suspeito de áreas endémicas com febre
Um doente com febre que pode ter estado em contacto com a mosca tsé-tsé.

Preparação, Para lâminas:


Colocar as lâminas numa caixa própria e fechar correctamente. Armazenar à temperatura
armazenamento e ambiente, num local livre de pó. Se não houver caixa para lâminas, estas podem ser
transporte das embrulhadas em papel macio (filtros de papel, guardanapos de papel, papel higiénico, etc.).
amostras Para sangue em frascos anticoagulantes, enviar para o laboratório de referência.
Resultados Os resultados deverão estar prontos no mesmo dia.

Referências
§ Control and Surveillance of African Trypanosomiasis. Report of a WHO Expert Committee, Geneva, World Health
Organization, 1998 (WHO Technical Report Series, No. 881).

§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

383
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.36 Tuberculose
Introdução
§ Infecção dos pulmões e de outros órgãos, vulgarmente causada pela Mycobacterium tuberculosis, que se transmite
por contacto directo, através de gotículas infectadas da tosse, espirros ou expectoração. Clinicamente a forma
pulmonar da doença é mais comum do que a forma extra-pulmonar. Os principais sintomas da TB pulmonar são
crónicos: tosse, perda de peso, febre, perda de apetite e suores nocturnos.

§ A tuberculose (TB) é uma importante causa de doença infecciosa e de morte em todo o mundo, com mais de 8
milhões de novos casos e 3 milhões de óbitos por ano. Nos países africanos, anualmente ocorrem cerca de
600.000 novos casos, dentre 1,6 milhões registados em todo o mundo. Estima-se ainda que entre 30 a 50% do
total de novos casos de TB detectados estejam associados com VIH e que 40% de todos os óbitos por SIDA sejam
devidos à TB. Entre os que estão em alto risco de morrer por TB incluem-se pessoas com VIH /SIDA, com
malnutrição e outras condições de imunidade comprometida: crianças menores de cinco anos e bebés.

§ A pandemia mundial do VIH foi a maior causa do aumento de casos de TB, especialmente nos países africanos.

§ O período de incubação é de aproximadamente 1 a 3 meses.

§ A OMS recomenda a estratégia DOTS, Terapêutica Directamente Observada de Curta Duração, para maximizar o
cumprimento e a eficácia do tratamento e para reduzir o desenvolvimento de estirpes resistentes aos
medicamentos. A estratégia DOTS foi implementada em pelo menos, 40 dos 46 Estados-Membros da Região
Africana. Atingiram-se variados graus de sucesso no controlo da TB, sempre que os recursos e a motivação para o
diagnóstico, tratamento e seguimento dos doentes foram os adequados.

§ Clinicamente, a pneumonia bacteriana,a malária, a tripanossomíase, o VIH /SIDA e uma variedade de outras
infecções bacterianas, parasitárias e virais podem causar síndromes semelhantes de febre, tosse, fadiga e perda
de peso ou podem, por si só, precipitar a actividade da TB numa pessoa já infectada. Podem ocorrer outros pontos
de infecção extra-pulmonares, nomeadamente abdominais, após a ingestão de leite de vaca não pasteurizado (M.
bovis).
Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce de pessoas com doença infecciosa dos pulmões, para aumentar as hipóteses de melhorar os
resultados clínicos e de reduzir a transmissão da TB.

§ Melhorar a percentagem de casos de TB confirmados por microscopia.

Definição padronizada de caso

384
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.36 Tuberculose
Caso suspeito: uma pessoa com tosse durante 3 semanas ou mais.
Caso confirmado:
Caso de TB pulmonar positivo:

a) um doente suspeito com, pelo menos 2 amostras de expectoração positivas para bactérias ácido-álcool
resistentes (BAAR), ou uma amostra de expectoração positiva para BAAR por microscopia e anomalias radiológicas
segundo decisão do médico clínico, ou um esfregaço de expectoração positivo por microscopia e uma cultura
positiva para BAAR.

Caso de TB pulmonar nagativo: um doente que cumpre os seguintes critérios:


a) Dois conjuntos de amostras de espectoração negativas para BAAR por microscopia num espaço de
duas semanas e anomalias radiológicas consistentes com TB pulmonar e ausência de uma resposta clínica,
apesar de uma semana de antibiótico de largo especto, deve haver uma decisão do médico de administrar
uma terapêutica completa por quimioterapia anti-TB, ou

b) um doente que cumpre todos os critérios seguintes: gravemente doente, com pelo menos duas amostras
de expectoração negativas para BAAR por microscopia, anomalias radiológicas consistentes compátivel
com TB pulmonar extensa (intersticial e miliar), deve haver uma decisão do médico de administrar uma
terapêutica completa por quimioterapia anti-TB, ou

c) um doente cujo esfregaço inicial de expectoração é negativo para BAAR por microscopia e uma amostra
de expectoração positiva por cultura.
Resposta ao limiar de alerta
Se se observar o aumento do número de casos ou de óbitos ao longo de um período de tempo:
§ Notificar o problema ao nível seguinte ou de acordo com as orientações nacionais.
§ Tratar individualmente os casos com observação directa (DOTS), incluindo um apoiante do tratamento.
§ Se for viável, isolar as pessoas, usando práticas de controlo da infecção respiratória, especialmente se houver
suspeita de TB multi-resistente aos medicamentos.
§ Investigar a causa do aumento, incluindo o desempenho do programa DOTS na área em questão.
Resposta ao limiar de acção
Se o número de casos ou de óbitos aumentar para o dobro do número normalmente observado durante o
mesmo período de tempo dos anos anteriores:
§ Avaliar o desempenho do pessoal de saúde com a detecção e tratamento do esfregaço positivo de TB pulmonar e
se necessário, melhorar as práticas.
§ Avaliar o programa DOTS e actuar no sentido de melhorias identificáveis.
§ Realizar testes de sensibilidade aos medicamentos para estabelecer padrões de resistência.
Análise e interpretação dos dados

385
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.36 Tuberculose
Tempo: Fazer gráficos mensais dos casos e dos óbitos.

Local: Assinalar a localização das habitações e dos locais de trabalho dos doentes.

Pessoa: Contar mensalmente, os casos e os óbitos. Analisar trimestralmente a distribuição por idade e sexo.

Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico
Microscopia: Presença do bacilo ácido-álcool resistente (BAAR) em esfregaços corados por
Ziehl Neelsen (ZN)

Cultura e identificação

Teste de sensibilidade aos medicamentos: A tuberculose resistente aos medicamentos


ocorre quando uma estirpe do isolado do Mycobacterium tuberculosis é resistente a um ou
mais agentes antimicrobianos, conforme comprovam os métodos internacionalmente
recomendados para testes de sensibilidade.

TB-MR =Resistência à Isoniazida e Rifampicina;

TB-UR= Resistência à Isoniazida e Rifampicina (MR); mais resistência adicional à


fluoroquinolona e a um agente injectável de segunda linha.
Amostra
Expectoração profunda

Aspirados

Colheita de amostras Colher expectoração (não a saliva) para microscopia de esfregaço directo e examinar, pelo
menos, duas amostras coradas, colhidas em dias diferentes.
Preparação, O esfregaço deverá ser examinado na unidade de saúde em que a amostra foi colhida.
armazenamento e As culturas de TB deverão ser embaladas em recipientes estanques, embrulhados em tecido
transporte das de lã e algodão. Transportar, num recipiente à prova de água, para um laboratório de
referência.
amostras
Resultados A microscopia da TB é feita diariamente. A quantidade de micobactérias observadas é
notificada através de vários métodos de notificação. Consultar os critérios usados pelo
laboratório dos exames.

Cultura: após 6-8 semanas

Resistência da tuberculose aos medicamentos: O laboratório nacional de referência deverá


estar ligado a um laboratório supranacional de referência, através de um intercâmbio de
estirpes, para garantir o controlo da qualidade.
Referências

386
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.36 Tuberculose
§ Treatment of Tuberculosis: Guidelines for National Programs. WHO/TB/97.230
§ Policy Statement of Prevention Therapy Against TB in People Living with HIV, WHO/TB/98.255
§
§ Laboratory Services in Tuberculosis Control, Parts I, II and III. WHO publications WHO/TB/98.258
th
§ Guidelines to surveillance of drug resistance in tuberculosis 4 ed. WHO/HTM/TB/2009.422

9.37 Febre Tifóide


Introdução

§ A febre tifóide é uma doença bacteriana, causada pela Salmonella typhi. Os sintomas surgem, normalmente, após
1–3 semanas, depois da exposição e podem ser ligeiros ou graves. Incluem febres altas, mal-estar, dores de
cabeça, obstipação ou diarreia, manchas rosadas no peito e aumento do baço e do fígado. O estado saudável do
portador pode seguir-se a uma doença aguda.

§ A febre tifóide continua a constituir um grave problema de saúde pública em todo o mundo, com uma estimativa de
16 a 33 milhões de casos e 500 000 a 600 000 óbitos anuais. No último surto na República Democrática do Congo,
entre 27 de Setembro de 2004 e princípios de Janeiro de 2005, foram notificados cerca de 42. 564 casos de febre
tifóide, incluindo 214 óbitos e 696 casos de peritonite e de perfurações intestinais.

§ Em quase todas as zonas endémicas, a incidência da febre tifóide é mais elevada nas crianças dos 5–19 anos de
idade. A doença é exclusivamente, transmitida por alimentos e água contaminados pelas fezes e a urina de
doentes e portadores da doença.

§ A água poluída é a fonte mais comum de transmissão da febre tifóide. Além disso, os mariscos retirados de águas
contaminadas por esgotos, os vegetais fertilizados com o estrume das fossas e comidos crus, o leite contaminado
e os lacticínios têm revelado ser uma fonte de infecção.

§ A febre tifóide tem sido virtualmente eliminada na maioria das regiões dos países industrializados, com o advento
de instalações sanitárias adequadas. A maioria dos casos nos países desenvolvidos são importados de países
endémicos.

§ As pessoas podem transmitir a doença enquanto a bactéria permanecer no seu corpo; a maior parte das pessoas
são focos contagiosos antes e durante a primeira semana de convalescença, mas cerca de 10% dos doentes não
tratados libertarão bactérias até 3 meses depois.

§ A febre tifóide pode ser tratada com antibióticos. No entanto, a resistência aos antimicrobianos mais comuns está
muito disseminada. Os portadores saudáveis não deverão manusear alimentos.
Objectivos da vigilância

387
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.37 Febre Tifóide


§ Detectar, prontamente, casos esporádicos e surtos de febre tifóide e sua confirmação laboratorial.
§ Identificar áreas/populações de alto risco, para melhorar a prevenção da doença, através de medidas higiénicas.
Definição padronizada de caso
Caso suspeito: uma pessoa com início gradual de febre alta, aumentando continuamente e depois persistentemente,
arrepios, mal-estar, dores de cabeça, garganta inflamada, tosse e por vezes, dores abdominais e obstipação ou
diarreia.

Caso confirmado: Caso suspeito confirmado por isolamento da Salmonella typhi no sangue, medula, fluido intestinal
ou fezes.
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de casos de febre tifóide:
§ Preparar as amostras de fezes ou zaragatoas rectais dos casos suspeitos,para os testes de
laboratóriais,especialmente em situações em que haja suspeita de transmissão alimentar ou hídrica.
§ Notificar e investigar todos os surtos suspeitos de tifo. Pesquisar casos/portadores que são a fonte da infecção e
os veículos (água e alimentos), através dos quais a infecção está a ser transmitida.
§ Tratar os doentes de febre tifóide com antibióticos. Os casos graves deverão receber medidas de apoio clínico,
como a hidratação, tanto oral como intravenosa, o uso de antipiréticos e uma alimentação adequada.
Resposta ao limiar de acção

Se forem confirmados os casos de febre tifóide:


§ Identificar áreas/populações de alto risco, para determinar as fontes e o modo de transmissão, de maneira a evitar
e controlar a doença.
§ Implementar programas de educação para a saúde sobre higiene, com mensagens simples sobre a água potável,
as práticas seguras de manipulação dos alimentos, normas de higiene e lavagem das mãos.
§ Apoiar o abastecimento de água potável e saneamento adequado às populações afectadas. Tratar com cloro os
depósitos de água suspeita. Toda a água de beber deverá ser tratada com cloro e/ou fervida antes de ser usada.
§ Mais de 90% dos doentes podem ser tratados em casa com antibióticos orais, cuidados seguros e um frequente
acompanhamento médico das complicações ou falhas de resposta à terapêutica. Os doentes que continuarem a
vomitar, com diarreia grave e distensão abdominal, podem necessitar de hospitalização e de uma terapêutica
parenteral com antibióticos.
Análise e interpretação dos dados

Tempo: Fazer um gráfico semanal dos casos e dos óbitos. Traçar uma curva epidémica durante os surtos.

Local: Assinalar a localização dos doentes através de um mapeamento rigoroso.

Pessoa: Notificar imediatamente a informação sobre os casos e os óbitos. Notificar, mensalmente, o resumo dos
totais. Durante o surto, contar semanalmente os casos e os óbitos. ´

Analisar por idade. Avaliar os factores de risco para melhorar a prevenção de surtos.
Confirmação laboratorial

388
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.37 Febre Tifóide


Teste de diagnóstico Cultura:
Isolamento da salmonella spp. das fezes ou sangue de um doente
O teste WIDAL não deverá ser usado para fins de diagnóstico.
Amostra Sangue

Fezes
Colheita de amostras Colher amostras, de preferência, antes da administração dos antibióticos.
Preparação, armazenamento 5-10 ml de sangue distribuído por um frasco de cultura de sangue.
Fezes em recipiente próprio.
e transporte
Armazenar as amostras 4-8º C ou à temperatura ambiente, longe do calor e da
luz directa do sol.
Resultados Cultura de sangue de 4 dias a 2 semanas.

Fezes 3-4 dias.


Referências
§ The diagnosis, Treatment and Prevention of Typhoid Fever; WHO/V&B/03.07

§ Weekly Epidemiological Record; N° 1, 2005, 80, 1-8; http//[Link]/wer

§ WHO Recommended Surveillace Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

389
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.38 Febre do Nilo Ocidental


Introdução
§ A febre do Nilo Ocidental é uma doença febril transmitida pelo arbovírus originário de um mosquito da família
Flavivirudae. Trata-se de uma zoonose transmitida aos humanos por aves e outros animais. As evidências
serológicas sugerem que a infecção existe em praticamente todo o continente africano. A febre do Nilo Ocidental
surgiu, muito provavelmente, em África e está hoje disseminada por todo o mundo. Os surtos ocorrem em seres
humanos, aves e cavalos.

§ A maioria dos casos são ligeiros e podem não atrair a atenção do sistema de saúde. Os doentes que procuram
cuidados de saúde apresentam, normalmente, sintomas de gripe, como febre, dores de cabeça e dores no corpo.
Ocasionalmente, os doentes podem apresentar uma erupção cutânea no pescoço, tronco, braços e pernas.

§ Podem ser afectadas pessoas de todas as idades e condições. No entanto, quem tem mais de 50 anos de idade
ou sofreu o transplante de um órgão corre um risco maior de doença grave.

§ Os casos muito graves incluem sinais de encefalite, meningo-encefalite ou meningite. Os sintomas incluem febre
alta, dores de cabeça, rigidez do pescoço, apatia, tremores, convulsões, paralisia flácida e coma.

§ A taxa de letalidade, nos doentes com complicações neurológicas, atinge limites de 4% a 14% e mesmo de 29%,
nos doentes mais idosos.

§ A febre do Nilo Ocidental pode ser prevenida, se se evitarem as picadas de mosquito, especialmente ao
entardecer, quando os mosquitos são mais activos. A exposição aos mosquitos pode ser reduzida, através do uso
de repelentes de insectos, de roupa com mangas e calças compridas, permanência no interior das casas e
drenagem das zonas húmidas de proliferação, como as águas residuais.

§ A confirmação da febre do Nilo Ocidental em doentes com sintomas clínicos exige confirmação laboratorial de
anticorpos IgM específicos no líquido cefalorraquidiano e nas amostras de soro.

§ Dada a não existência de um tratamento específico para a febre do Nilo Ocidental, os doentes com doença grave
são vulgarmente hospitalizados para tratamentos de apoio clínico e cuidados de enfermagem.

Objectivos da vigilância

§ Identificar os factores de risco de infecção e determinar as populações de alto risco a serem visadas pelas
actividades de prevenção
§ Identificar zonas geográficas visadas pelas actividades de prevenção e de controlo.
§ Identificar os casos mais graves, para serem transferidos para cuidados hospitalares.

Definição padronizada de caso

390
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.38 Febre do Nilo Ocidental


Caso suspeito:
Um caso hospitalizado de encefalite por causa desconhecida

Caso confirmado:
Confirmação da febre do Nilo Ocidental, através de diagnóstico de laboratório, para identificar IgM específico para esta
febre.
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de um único caso:
§ Notificar de imediato a informação baseada em casos aos níveis adequados.
§ Cuidar e tratar o doente.
§ Colher com segurança a amostra para confirmar o caso.
Resposta ao limiar de acção
Se for confirmado um único caso:
§ Cuidar e tratar o doente.
§ Mobilizar a comunidade através de educação, de forma a promover a adopção de comportamentos que reduzam
o risco de doença, como a protecção contra as picadas de mosquito e a redução dos focos de proliferação dos
mosquitos.
Promover a educação comunitária sobre a forma de transmissão desta febre e o modo de evitar a infecção.

Análise e interpretação dos dados

Tempo: Traçar uma curva epidémica durante os surtos.

Local: Assinalar a localização dos doentes.

Pessoa: Notificação imediata dos casos e dos óbitos. Durante um surto, fazer a contagem e a notificação dos
casos e dos óbitos. Analisar a distribuição por idade e sexo. Avaliar, imediatamente, os factores de
risco e considerar um pedido de ajuda para melhorar o controlo do surto.
Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico
Presença de anticorpos IgM contra a febre do Nilo Ocidental

Amostra
Para ELISA:
Sangue total, soro ou plasma

Para PCR:
Sangue total ou coágulo sanguíneo, soro/plasma ou tecido

Para imunohistoquímica: Amostras de pele ou tecido dos casos fatais.

391
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.38 Febre do Nilo Ocidental


Colheita de amostras
Colher amostra do primeiro caso suspeito.

Se houver mais de um caso suspeito, colher amostras de 5 a 10 casos suspeitos.

Preparação,
Manusear e transportar as amostras de doentes suspeitos de FHV com extremo cuidado.
armazenamento e Usar vestuário de protecção individual e de biossegurança.
transporte das
amostras Para ELISA ou PCR:
§ Refrigerar o soro ou o coágulo
§ Congelar (-20ºC ou menos) as amostras de tecido para isolamento do vírus.

Para imunohistoquímica:
§ Fixar a amostra de pele em formalina. A amostra pode ser armazenada até 6 semanas.
A amostra não é infecciosa, uma vez em formalina.
Armazenar à temperatura ambiente. As amostras fixadas em formalina podem ser
transportadas à temperatura ambiente.

Resultados Não há serviços de diagnóstico de rotina para as FHV. Normalmente, é necessário


requisitá-los com antecedência. Contactar a autoridade nacional competente ou a OMS.
Referências

§ Global Alert and Response; West Nile Fever epidemic updates


[Link]

§ Pedro N. A and Boris Szyfres. Zoonotic and Comunicable Diseases Common to Man and Animals. Third edition,
Volume II. Chlamydioses, Rickettsioses and Viroses, Part II: Viroses Pages 372-376. Pan American Health
Organization, WHO

§ Epidemic/Epizootic West Nile Vírus in the United States: Orientations for Surveillance, Prevention and Control.
[Link]

§ Infecctions Control for Viral Hemorrhagic Fevers in the African Health Care Setting WHO/EMC/ESR/98.2

§ Viral Infections of Humans; Epidemiology and Control. 1989. Evans, A.S. (ed). Plenum Medical Book Company,
New York

392
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

393
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.39 Febre amarela


Caso suspeito: uma pessoa com manifestação de febre aguda e icterícia nos 14 dias posteriores ao início dos primeiros
sintomas.
Introdução
Caso provável: um caso suspeito
§ Doença hemorrágica viral aguda, causada por um flavivírus transmitido entre humanos, através da espécie doméstica
e
de mosquitos Aedes (epidemias urbanas) ou a humanos a partir do reservatório de primatas, através de uma espécie
umade
das seguintes
mosquito daevidências:
floresta (ciclo selvático).
§ Ligação epidemiológica a um caso confirmado ou um surto
§ Histopatologia hepática
Surtos de grande post-mortem
escala ocorrem em positiva
cada 3 a 10 anos em aldeias ou cidades, na ausência de campanhas de
vacinação em larga escala. Casos esporádicos podem ocorrer regularmente em zonas endémicas. Houve um
Caso confirmado: da doença em África, desde meados dos anos 1980. A verdadeira incidência excede de longe, os
ressurgimento
um caso
casosprovável
notificados.

§ O período
e de incubação é de 3 a 6 dias, após a picada de um mosquito infectado. Cerca de 15% das infecções
umaevoluem
das seguintes evidências:
para febre e icterícia.
§ Detecção de IgM específicos* de febre amarela
§ Detecção de umuma
Embora apenas aumento
minoriaquádruplo nos
de casos IgM
seja da FA
grave, e/ou de
a taxa títulos de anticorpos
letalidade IgG, entre
pode situar-se amostras
entre os 25% de soro
e os agudo
50%, entree
convalescente
os doentes com síndrome de hemorragia, icterícia e doença renal.
§ Detecção de anticorpos neutralizadores específicos do vírus da FA *
§ Factores de risco: casos esporádicos, muitas vezes ligados à ocupação ou localização da aldeia perto de bosques ou
*emEspecíficos da os
locais onde FAmacacos
significa são
que numerosos
os testes dee anticorpos
pessoas não(taisvacinadas.
como, IgM ou anticorpo neutralizador) para outros flavivírus
prevalecentes são negativos. Esses testes devem incluir, pelo menos, IgM para o dengue e febre do Nilo Ocidental, podendo
§ incluir outros internacional
Notificação flavivírus, dependendo
à OMS édafeita
epidemiologia
no prazo local.
de 24 horas.

§ Febres ou hemorrágicas virais (FHV) e outras doenças parasíticas, virais ou bacterianas, tais como a malária, dengue,
umachikungunya,
das seguintesleptospirose,
evidências: hepatite A-E, vírus de Epstein-Barr, febre do Nilo Ocidental, febre Q, antraz, doenças
§ Detecção do genoma
rickettsianas, do vírus tóxica
etc. e exposição da FA podem
no sangue ou outros
simular órgãos,
a febre por PCR
amarela.
§ Detecção do antigénio da febre amarela no sangue, fígado ou outros órgãos, por imunoensaios
§ Isolamento do vírus da febre amarela
§ A infecção e a doença podem ser evitadas por vacinação, com uma eficácia da vacina > 95% e duração da
Resposta
imunizaçãoao de
limiar de alerta
pelo menos 10 anos.

Objectivos
Se um único caso da vigilância
ou grupo for suspeito ou provável:
§ Preencher o formulário de notificação, incluindo a informação clínica, os formulários baseados em casos e verificar a
§ Procurar
situação daconfirmação
vacinaçãoda febre amarela
e história e excluir outras possíveis etiologias de febre com icterícia
de viagens
§§ Fornecer
Colher amostra de sangue, para confirmaçãode
informação, para adoptar medidas controlo apropriadas
laboratorial. Pode colher-se uma amostra convalescente nos doentes-
§§ Identificar as populações em
Diagnosticar e tratar os doentesrisco de febre amarela
§§ Monitorizar a epidemiologia
Notificar imediatamente da doença
ao nível e o Existindo
seguinte. impacto dasum medidas de controlo
caso provável, informar as unidades de saúde próximas
§§ Apoiar a investigação operacional e a inovação
Reforçar a vigilância (aplicar a definição de caso da comunidade, isto é, febre e icterícia)
§Definição
Iniciar umapadronizada de casono terreno, se houver um grupo de casos com febre e icterícia. Obter informação,
investigação preliminar
para determinar o local provável da infecção. Determinar a cobertura da vacinação na comunidade e iniciar o
planeamento da vacinação (no caso de um grupo)
§ Reforçar a vacinação de rotina contra a febre amarela.

Resposta ao limiar de acção

394
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Preparação,
Além da resposta ao limiar de§ alerta,Colher
se for
10 confirmado
ml de sangue umvenoso
único caso:
de adultos, 1-5 ml de crianças, num tubo capilar,
§armazenamento e
Continuar/completar microtainer
a investigação ou, se necessário,
epidemiológica, incluindo onum tubo da
rastreio de situação
ensaio normal de vidro.
de vacinação
§transporte § Separar as células
Iniciar a investigação entomológica, se for indicado sanguíneas do soro:
o Deixar o coágulo retrair durante 30 a 60 minutos à temperatura ambiente.
§ Determinar a cobertura vacinal na zona afectada (PAV de rotina, respostas recentes a um surto ou campanhas de
Centrifugar a 2000 rpm, durante 10-20 minutos e verter o soro para um
prevenção) tubo de ensaio limpo.
§ Iniciar a mobilização social, para as intervenções
o Se não seleccionadas
houver centrifugadora, colocar a amostra no frigorífico durante a
§ Continuar a comunicação dos riscos e as acçõesnoite para
(4 a os reduzir, até
6 horas), incluindo o controlo
o coágulo dos vectores,
encolher. Retirar osesoro
for indicado
na manhã
§ Iniciar a vacinação nas aldeias, -municípiosseguinte.
ou cidades afectadas, com base nos achados epidemiológicos
§ Notificar a OMS, através das autoridades o centrais,
Se nãousando
houver ocentrifugadora,
instrumento denem frigorífico,
decisão do RSI deixar o sangue assentar
§ em ângulo
Continuar a reforçar a vacinação de rotina contra durante,
a febre amarela,pelo menos, 60 minutos,
especialmente nas zonas sem agitar nem transportar
remotas
num veículo. Verter o soro para um tubo limpo.
· Armazenar o soro a 4°C.
Análise e interpretação dos dados
Transportar as amostras de soro, usando embalagens apropriadas, para evitar quebras ou
derrames durante o transporte. Se possível, evitar os tubos de vidro para expedição e
Tempo: Fazer gráficos semanais
[Link] casos e óbitos.
Durante os surtos, traçar curvas
A amostra epidémicas
deve chegar (para monitorizar
ao laboratório asposteriores
nos 3 dias tendênciasàdiárias e, depois, semanais).
colheita.
Evitar agitar a amostra, antes do soro ser colhido.
Local: Assinalar a localização - doso casos,
Para evitar atravésexcessivo
crescimento de um mapeamento rigoroso.
de bactérias, certificar-se de que o soro é vertido
para um tubo de ensaio de vidro que esteja limpo. O tubo de ensaio não precisa de ser
Pessoa: esterilizado, basta
Comunicar- imediatamente, que esteja
a informação limpo.
relativa aos casos e óbitos. Notificar semanalmente os
totais sumários. Transportar o soro, num transportador manual de vacinas do PAV, a 4°C-8°C, para evitar
o crescimento excessivo de bactérias (até 7 dias). Se não for refrigerado, o soro
Durante o surto,armazenado
contar os casos
numetubo
os óbitos
limpo diariamente, à medida
estará em boas que ocorrem,
condições, pelo menos,e depois
durante 3 dias.
semanalmente, quando a epidemia amadurecer ou terminar. Analisar as variáveis por pessoa
(idade, sexo, profissão…). Avaliar os factores de risco, para melhorar a prevenção dos surtos
esporádicos.
Resultados
Os resultados laboratoriais devem ser recebidos nos 7 dias subsequentes à recepção da
amostra no laboratório.
Confirmação laboratorial
Referências
Teste de diagnóstico 1. ELISA para a presença de anticorpos IgG e IgM específicos da febre amarela
§ District guidelines for yellow fever
2. surveillance.
A exclusão WHO 1998 WHO/GPVI/EPI/98.09
do dengue, vírus do Nilo Ocidental e outros flavivírus localmente
prevalecentes será necessária para a confirmação de febre amarela.
§ Yellow fever. 1998. WHO/EPI/Gen/98.11
3. PCR, seroneutralização específica da FA, isolamento do vírus ou histopatologia
§ Recommendation of Expert Meeting on Yellow Fever Surveillance and Response in Africa. Brazzaville, Congo, from
13 to 15 October 2010
Amostras Soro, nas fases aguda e convalescente da doença;
Em caso de morte, amostra do fígado post-mortem.

Colheita das amostras Nos 14 dias subsequentes à manifestação dos primeiros sintomas.
Colher amostras, pelo menos, do primeiro ao décimo caso suspeito de febre amarela.
Colher amostras dos últimos casos (com base nas curvas epidémicas), para decidir sobre
o fim da epidemia.

395
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

396
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.40 Paralisia flácida aguda (Poliomielite)


Introdução · Os serótipos 1, 2, e 3 do poliovírus (género enterovírus) são transmitidos
de pessoa a pessoa, por via fecal-oral.

· O período de incubação é de 7 a 14 dias, para os casos de paralisia, e os


limites variam entre 3 a 35 dias. O vírus pode estar escondido durante
vários anos em pessoas imunocomprometidas.

· Normalmente, a infecção é assintomática, mas pode causar um síndrome


febril com ou sem meningite. Em menos de 5% dos casos, as infecções
resultam em paralisia de uma só perna.

· A infecção da poliomielite afecta, quase exclusivamente, as crianças,


podendo ocorrer com qualquer um dos 3 serótipos de poliovírus. A
imunidade do serótipo é específica e dura toda a vida.

· A poliomielite paralítica, embora não seja fatal, tem consequências


sociais e económicas devastadoras nos indivíduos afectados.

· O Programa de Erradicação da Poliomielite quase conseguiu conter a


actual transmissão do poliovírus selvagem em todo o mundo, através do
uso da vacina oral do poliovírus (VOP). O poliovírus tipo 2 parece ter
sido eliminado em todo o mundo. Os serótipos dos poliovírus 1 e 3
continuam a circular em vários países africanos e a vigilância não é ainda
adequada para garantir a erradicação em muitos países.

· As zonas com fraca cobertura vacinal podem permitir a transmissão


contínua do tipo selvagem.
· Há outras doenças neurológicas que podem causar a PFA, por exemplo, a
síndrome de Guillain-Barré e a Mielite transversa.

Objectivos da · Notificação imediata, com base nos casos, de todos os tipos de


vigilância poliomielite. Notificação semanal resumida para os casos de vigilância de
rotina e surtos.
· Detectar casos de paralisia flácida aguda (PFA) e obter confirmação
laboratorial da etiologia de todos os casos suspeitos de PFA. Obter duas
ou mais amostras de fezes, no período de 14 dias desde o início da
paralisia, para isolamento do vírus.

397
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· A vigilância da PFA é usada para capturar todos os casos verdadeiros de


poliomielite paralítica. A meta para que o desempenho da vigilância
garanta a certificação da erradicação da polio é de 1 caso de PFA por
ano, por 100.000 habitantes, em crianças com menos de 15 anos de idade.
Definição Caso suspeito:
padronizada de Uma criança menor de 15 anos com paralisia flacida de aparecimento
subito, de instalação rapida que afecta um ou mais membros ou qualquer
caso
pessoa de qualquer idade com doença paralítica, que o médico suspeite
tratar-se de poliomielite.
Caso confirmado:
Um caso suspeito com isolamento do vírus nas fezes.
Resposta ao Se houver suspeita de um único caso:
limiar de alerta · Notificar, imediatamente, o caso suspeito de acordo com as
orientações do programa nacional de erradicação da polio.
· Efectuar uma investigação baseada em casos. Incluindo a situação
vacinal do doente.
· Colher duas amostras de fezes. Colher a primeira quando o caso está
a ser investigado. Colher a segunda do mesmo doente, 24 a 48 horas
mais tarde. Consultar as orientações laboratoriais para informação
sobre o modo de preparar, armazenar e transportar a amostra.
· Dados virológicos do laboratório de referência, para confirmar
poliomielite de tipo selvagem ou poliomielite paralítica associada à
vacina (PPAV).
Resposta ao Se o caso for confirmado:
limiar de acção · Se o poliovírus selvagem for isolado da amostra de fezes, consultar as
orientações do programa nacional de erradicação da polio para as acções
de resposta recomendadas. O nível central decidirá que acções a tomar.
Estas poderão incluir:
· Especificar as razões da falta de vacinação de cada caso não vacinado e
corrigir as deficiências identificadas.
· Efectuar de imediato uma campanha de vacinação de “limpeza” na área
circundante da localização do caso.
· Realizar inquéritos, para identificar áreas de baixa cobertura da VOP,
durante as actividades de rotina do PAV e melhorar a cobertura vacinal
de rotina da VOP e de outros antigénios do PAV.
· Conduzir campanhas suplementares de vacinação durante as Jornadas
Nacionais de Vacinação (JNV ou as Jornadas Sub-Nacionais de
Vacinação (JSNV). Centralisar as actividades suplementares de
vacinação em áreas de fraca cobertura vacinal, durante as campanhas do
PAV. Nas áreas seleccionadas, considerar a hipótese de usar equipas de
vacinação porta-a-porta.
Análise e Tempo: Fazer um gráfico mensal dos casos ou de casos semanais, durante um

398
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

interpretação surto. Avaliar a percentagem de casos suspeitos notificados no espaço de 48


dos dados horas e a percentagem com avaliação laboratorial adequada.
Local: Assinalar a localização dos doentes. Investigar exaustivamente as
circunstâncias de transmissão do poliovírus em cada um dos casos. Examinar a
possibilidade de outras potenciais áreas de transmissão.

Pessoa: Contar, mensalmente, os casos de rotina e os casos relacionados com


surtos. Analisar a distribuição por idade. Avaliar os factores de risco da fraca
cobertura vacinal.
Teste de Isolamento do poliovírus das fezes
diagnóstico
Amostra Fezes
Nota: Se não se colheu nenhuma amostra, reavaliar o doente após 60 dias, para
confirmar o diagnóstico clínico de poliomielite (PFA).
Colheita de · Colher uma amostra de cada um dos casos suspeitos de PFA.
amostras · Colher a primeira amostra quando o caso estiver sob investigação.
· Colher a segunda amostra do mesmo doente, 24 a 48 horas mais tarde.
Preparação, · Colocar as fezes num recipiente limpo e rotular com clareza.
armazenamento
e transporte das · Colocar imediatamente no frigorífico ou numa caixa térmica não usada
para guardar vacinas ou outros medicamentos.
amostras
· Transportar as amostras de modo a que elas cheguem ao laboratório da
poliomielite designado no prazo de 72 horas após a colheita.

· Se houver algum atraso e a amostra não puder ser transportada no prazo


de 72 horas, congelar a amostra a -20ºC ou menos.

· Transportar então a amostra congelada com gelo seco ou com


acumuladores de gelo congelados a -20ºC ou mais frio.
Resultados · Os resultados confirmados estão, normalmente disponíveis 21 horas após
a recepção da amostra pelo laboratório.
· Se for detectado poliovírus selvagem ou derivado da vacina, o programa
nacional planeará as acções de resposta adequadas.

399
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Referências
Field Guide for Supplementary Activities Aimed at Achieving Polio Eradication. World Health Organization.

WHO global action plan for laboratory containment of wild polio víruses. WHO/V&B/99.32, Geneva, 1999

Manual for the virological investigation of polio, WHO/ EPI/GEN/97.01, Geneva, 2004

Supplement to the Manual for the virological investigation of Polio- WHO/EPI 2007

9.41 Raiva

Introdução · A raiva é uma doença zoonótica (transmitida pelos animais aos seres
humanos) causada por um vírus. A raiva infecta animais domésticos e
selvagens e propaga-se às pessoas através de um contacto próximo
com saliva infectada (através de mordeduras ou de arranhões).
· O vírus da raiva infecta o sistema nervoso central, provocando a
doença no cérebro e eventualmente a morte. Os primeiros sintomas
nas pessoas incluem: febre, dor de cabeça e fraqueza ou mal-estar
geral. À medida que a doença progride, os sintomas incluem; insónia,
ansiedade, confusão, paralisia leve ou parcial, excitação, alucinações,
salivação, dificuldade de engolir e hidrofobia.
· Em pessoas não vacinadas, a raiva é quase sempre fatal, se a
profilaxia pós-exposição não for administrada antes do início dos
sintomas mais graves. A morte ocorre, habitualmente, alguns dias
depois do início dos sintomas neurológicos.
· Os cães são os principais portadores da raiva em África e são
responsáveis pela maioria (aproximadamente 97%) das mortes
humanas por esta doença, em todo o mundo.
· A OMS estima que ocorrem, anualmente, cerca de 55.000 óbitos
humanos em todo o mundo devido à raiva; em África, o número anual
de casos fatais eleva-se a 24.000.
· As pessoas que maior risco correm de contrair a raiva são as que
vivem nas zonas rurais, sendo as crianças as que correm o maior risco
de raiva canina. Cerca de 30 a 60% das vítimas de mordeduras de cães
(o principal modo de transmissão do vírus) são crianças com menos de

400
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

15 anos de idade. As crianças brincam, frequentemente, com animais


e raramente se queixam de mordeduras ou de arranhões.
· O controlo da raiva nas populações de cães e o acesso à profilaxia
pós-exposição da raiva humana podem reduzir substancialmente o
fardo da raiva nas populações humanas.
· É essencial o diagnóstico laboratorial rápido e rigoroso da raiva, nas
pessoas e em outros animais, para uma administração atempada da
profilaxia pós-exposição. No espaço de poucas horas, um diagnóstico
laboratorial pode determinar se um animal tem ou não a doença e
informar o pessoal médico responsável.
Objectivos da · Detectar e responder pronta e adequadamente aos casos e surtos de
vigilância raiva
· Identificar as zonas de alto risco
· Fazer a estimativa do fardo da doença
· Notificar de imediato os casos e fazer mensalmente relatórios
resumidos de rotina
Definição Suspeito
padronizada de Uma pessoa com um ou mais dos seguintes sintomas: dores de cabeça, dores
no pescoço, náuseas, febre, hidrofobia, ansiedade, agitação, sensações
caso
anormais de formigueiro ou dor no local da mordedura, quando há suspeita de
contacto com um animal infectado.

Confirmado
Um caso suspeito laboratorialmente confirmado.
Acções de Para um único caso:
Saúde Pública · Profilaxia pós-exposição, para prevenir a raiva.
Recomendadas · Se a doença evoluir, isolar o doente, para evitar a contaminação de
outras pessoas.
· Vacinar os contactos, se o doente desenvolver a doença.
· Vacinar os cães, gatos e macacos locais, para evitar surtos.

Medidas gerais de prevenção:

· Promover a sensibilização pública para a raiva


· Realizar campanhas de vacinação dirigidas aos animais domésticos ou
selvagens, em zonas de alto risco.
· Manter uma vigilância activa da raiva nos animais.

401
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Análise e Tempo: Assinalar mensalmente os casos.


interpretação Local: Assinalar a localização dos doentes e da exposição aos animais.
dos dados
Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por idade do animal a que se esteve
exposto e circunstâncias da infecção. Avaliar os factores de risco, para
melhorar o controlo dos casos.

Teste de · Detecção do antigénio viral da raiva por teste do anticorpo


fluorescente directo (DFA) em amostras clínicas, de preferência tecido
diagnóstico cerebral (colhido post-mortem).
· Detecção por DFA na pele ou esfregaço da córnea (colhido ante-
mortem).
· DFA positivo, após inoculação de tecido cerebral, saliva ou líquido
cefalorraquidiano (LCR) em cultura de células, em ratos ou ratinhos.
· Título do anticorpo detectável neutralizador da raiva, no LCR de uma
pessoa não vacinada.
· Identificação de antigénios virais por PCR, em tecido fixado, colhido
post-mortem ou em amostra clínica (tecido cerebral, pele, córnea ou
saliva).
· Isolamento do vírus da raiva em amostras clínicas e confirmação dos
antigénios virais da raiva, por teste do anticorpo fluorescente directo
(DFA).
Amostra · Tecido cerebral (colhido post-mortem)
· Biopsia da pele (normalmente do pescoço)
· Tecido da córnea
· Saliva
· LCR
· Cabeça de animal suspeito de raiva (cães)
Colheita de · Quando uma pessoa é mordida por um animal de estimação, que
aparenta estar doente, ou por um animal selvagem, a grande
amostras preocupação é a raiva. Nenhum teste pode determinar se o vírus da
raiva foi transmitido à pessoa imediatamente após a mordedura.
· Assim, o animal terá de ser avaliado para determinar se a pessoa
carece ou não de tratamento. Um animal selvagem que tiver mordido
uma pessoa deverá ser abatido, se possível, de modo a que o seu
cérebro possa ser examinado.
· Se a pessoa mordida por um animal se tornar cada vez mais confusa e
agitada ou paralisada, o diagnóstico é provavelmente de raiva. Neste
caso, os testes podem detectar o vírus da raiva.
· Post-mortem: período de 4 a 6 horas após a morte do doente, assim

402
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

que o animal suspeito morre ou é abatido.

Preparação, · Para evitar a infecção, deverão ser tomadas precauções de segurança


armazenamento e durante a manipulação do vírus da raiva.
transporte · Remover a cabeça do animal suspeito e embrulhá-la totalmente, para
não derramar nenhum sangue. Se possível, pedir a ajuda de um
veterinário, para colher e conservar a amostra.
· A amostra deverá ser enviada para um laboratório de referência do
vírus da raiva.
Resultados · O tratamento não poderá nunca esperar pelos resultados do
diagnóstico laboratorial. Um diagnóstico laboratorial pode ser
retardado por várias razões. Os resultados podem ser obtidos através
de um laboratório de referência no prazo de 1 – 2 dias.
Referências
WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

Laboratory techniques in rabies, Fourth Edition, WHO, edited by F.-X. Meslin and all

World Health Organization, Rabies Fact Sheet [Link]

Council of State and Territorial Epidemiologists (CSTE). National Surveillance for Human Rabies. CSTE position
statement 09-ID-70. Atlanta: CSTE; June 2009. Available from: [Link]

Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Human Rabies Prevention — United States, 2008: Recomendations of
the Advisory Committee on Immunization Practices. MMWR 2008; 57(RR03):1–26, 28. Available from:
[Link]

Bleck TP, Rupprecht CE. Chapter 160 – Rhabdovíruses. In: Mandell GL, Bennett JE, Dolin R, editors. Principles and
Practice of Infectious Diseases, 6th edition. Philadelphia: Churchill Livingstone; 2005.

403
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.42 Febre do Vale do Rift (FVR)

Introdução · A Febre do Vale do Rift (FVR) é uma doença viral que afecta,
principalmente, animais e ocasionalmente, os seres humanos. O vírus
pertence ao género Phlebovírus, um dos cinco géneros da família
Bunyaviridae. A doença é frequentemente notificada a seguir de uma
época de fortes chuvas e cheias. O vírus foi isolado pela primeira vez no
Vale do Rift em 1930, numa das províncias do Quénia. Em 1997/98
após cheias do El Niño, a doença foi notificada no Quénia e mais tarde
em 2006 e 2007. Em 2007 e em 2010, a Tanzânia e a África do Sul
foram também afectadas. Houve anteriormente notificação de outros
surtos na Somália, Egipto, Arábia Saudita e Yemén.
· A FVR é sobretudo, transmitida pelos animais (gado bovino, carneiros,
cabras e camelos) aos seres humanos, através de um contacto próximo
com animais infectados (nomeadamente pelo manuseamento da carne
ou dos fluidos corporais e pelo consumo de leite crú). Durante os surtos
registados de FVR em animais, os humanos podem também ser
infectados pela picada de mosquitos infectados ou de outros insectos
que mordem.
· O período de incubação da FVR varia entre 2 a 6 dias. Os sintomas
clínicos incluem uma doença de tipo gripal, com febre súbita, dor de
cabeça, mialgia e dores nas costas. Estes sintomas duram normalmente
4 a 7 dias. As pessoas infectadas recuperam, na sua maioria, por si
próprias. No entanto, uma pequena percentagem (cerca de 1%)
apresentam complicações, como sangue nos vómitos,(Hemoptise)
hemorragia nasal e sangue nas fezes. Outras formas graves da doença
são as infecções dos olhos e a meningo-encefalite.
· O tratamento da FVR nos humanos é sobretudo sintomático, pois não
há tratamento específico para a FVR. São importantes a detecção e o
tratamento precoces da doença. O controlo da FVR nas pessoas, faz-se
através do controlo da doença nos animais, por meio de um programa
sustentado de vacinação e pela limitação do contacto entre os seres
humanos e os animais. O uso de mosquiteiros tratados com insecticida e
os repelentes de insectos podem também reduzir a infecção nas pessoas.
Para além do sofrimento humano e da morte, a FVR tem profundas
implicações económicas na indústria agropecuária. Em cenários de
surtos, as manifestações da doença incluem síndromes febris não
hemorrágicas e dever-se-á considerar a realização de testes de
laboratório nas pessoas com sintomas mais leves que sugiram doença
viral.

404
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Objectivos da · Detectar, confirmar a etiologia e responder prontamente a surtos em


todos os casos suspeitos de FVR.
vigilância

Definição padronizada de caso


Caso suspeito:
· Doença febril aguda (temperatura axilar >37,5º C ou temperatura oral de
>38,0º C), com mais de 48 horas de duração, cuja a terapêutica não
responde com antipalúdicos ou antibióticos e/ou está associada a:
· Contacto directo com animais doentes ou mortos ou seus derivados e/ou:
· Pessoas que tenham viajado recentemente (na semana anterior) ou que
vivam numa zona onde, após chuvas torrenciais, o gado morre ou aborta
e em que a actividade do vírus da FVR é suspeita ou confirmada e/ou:
· Manifestação brusca de um ou mais dos seguintes sinais: exaustão, dores
nas costas, dores musculares, dores de cabeça (por vezes muito fortes),
mal-estar geral em caso de exposição à luz e náuseas/vómitos e/ou:
· Náuseas/vómitos, diarreia ou dores abdominais com 1 ou mais dos
seguintes sinais:
- Forte palidez (ou Hb < 8 gm/dL)
- diminuição de plaquetas (trombocitopenia), como evidência de presença de
pequenas hemorragias cutâneas (petéquias) e das membranas mucosas (ou
contagem de plaquetas < 100x109 / dl)

- Evidências de disfunção renal (edema, expulsão reduzida de urina) (ou


creatinina > 150 mol/L) e/ou:
- Evidências de hemorragias cutâneas, sangramento de feridas e das membranas
mucosas ou nasais, do tracto gastrointestinal e hemorragia invulgar da vagina
e/ou:
- Icterícia clínica (transaminases 3 vezes acima dos valores normais)
· Estádios (fases) da doença ou das complicações (2-3 semanas após o
início)
· Doentes que sofreram, no mês anterior, uma doença de tipo gripe, com
critérios clínicos, que desenvolveram também os seguintes sinais:
· Manifestações do SNC (sistema nervoso central) semelhantes a
meningo-encefalite e/ou:
· Perda de visão inexplicada ou:
· Morte inexplicada na sequência de uma brusca manifestação de doença
de tipo gripe aguda, com hemorragia, meningo-encefalite, ou perda de
visão durante o mês anterior.
Caso confirmado: Um caso suspeito laboratorialmente confirmado.

405
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Resposta ao Se houver suspeita de um único caso:


limiar de · Notificar, de imediato, a informação baseada em casos ao nível superior.
· Promover as precauções-padrão habituais em todas as unidades
alerta sanitárias.
· Cuidar e tratar do doenteColher amostras com segurança para confirmar
o caso

Resposta ao Se for confirmado um único caso:


limiar de · Mobilizar a comunidade para detecção e cuidados precoces.
acção · Educar a comunidade para o caso confirmado, o modo de transmissão da
doença, a forma de evitar o contacto com tecidos de animais infectados
e prevenir a picada do mosquito.
· Prestar informação sobre prevenção em casa e procura de cuidados
médicos.
· Prestar tratamento de apoio a todos os casos identificados.
· Solicitar ajuda adicional ao nível central, se necessário.
· Colaborar com os especialistas em saúde animal para pesquisar e
documentar igualmente casos nos animais.
Análise e · Tempo: Fazer mensalmente um gráfico dos casos e óbitos. Traçar uma
interpretação curva epidémica durante o surto.
dos dados · Local: Assinalar a localização das habitações e dos locais de trabalho
dos doentes, usando um mapeamento rigoroso.
· Pessoa: Proceder à notificação imediata, com base em casos, do número
de doentes e de óbitos. Durante o surto, fazer a contagem e notificar os
casos e os óbitos. Analisar a distribuição por idade e sexo. Avaliar
imediatamente os factores de risco e considerar um pedido de ajuda,
para melhorar o controlo do surto.

Teste de · A FVR aguda pode ser diagnosticada por diferentes métodos. Testes
serológicos como a ELISA podem confirmar a presença de anticorpos
diagnóstico
IgM específicos do vírus. O próprio vírus pode ser detectado no sangue,
durante a fase precoce da doença ou em tecidos post-mortem, usando
várias técnicas, incluindo testes de detecção do antigénio, como a
ELISA, a RT-PCR, a propagação do vírus (em culturas de células) e a

406
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

imunohistoquímica em tecidos fixados em formalina.


· A ELISA IgG pode ser usada como diagnóstico retrospectivo.
· Pode usar-se o mesmo teste para o diagnóstico animal.
Amostras · ELISA (serologia)
· Sangue total
· Soro ou plasma
· Sangue total ou coágulo
· Tecidos (frescos, congelados)
· RT-PCR – Isolamento do vírus
· Sangue
· Biopsia do fígado de casos fatais
· Biopsia dos tecidos dos casos fatais
· Uma amostra idêntica pode ser colhida no animal
Colheita de · Colher uma amostra do primeiro caso suspeito.
amostras · Se houver mais que um caso suspeito, colher amostras de 5 a 10 caso
suspeitos.
Preparação, · Os técnicos de laboratório correm riscos. As amostras tiradas de casos
humanos suspeitos de FVR, para diagnóstico, deverão ser manipuladas
armazename por pessoal formado e processadas em laboratórios adequadamente
nto e equipados.
transporte ELISA/PCR/ISOLAMENTO
· Preparação e armazenamento (congelar ou refrigerar /o mais frio
possível)
· Transporte: congelado em gelo seco, acumuladores de gelo ou ambos
Nota: se não houver gelo seco nem acumuladores de gelo, a amostra pode
ser transportada à temperatura ambiente e na maioria dos casos, dará
ainda resultados válidos.
Imunohistoquímica:
· Preparação e armazenamento: Fixar em formalina (pode ser armazenada
até 6 semanas)
· Transporte: À temperatura ambiente (não congelar).
As mesmas condições de transporte para amostras animais.
Resultados · Não existem serviços de diagnóstico de rotina para a FVR.
Normalmente, é preciso requisitá-los com antecedência. Contactar a
autoridade nacional competente ou a OMS.
· Contactar os serviços nacionais de veterinária para diagnóstico animal.

407
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Referências
WHO/EMC Infection control for VHF in the African health care setting, WHO, 1998.

WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2

Fact sheet Nº207 Revised September 2007.

Infection Control for VHF in the African Health Care Setting /CDC (Annexes 11-12)

9.43 Infecções Respiratórias Agudas Graves (IRAG)


Introdução · As infecções respiratórias agudas graves (IRAG) constituem uma
significativa causa de morbilidade e mortalidade por doenças
infecciosas em África. As taxas de mortalidade são particularmente
elevadas nos bebés, crianças e nos idosos.

· É essencial uma melhor compreensão da epidemiologia e da


sazonalidade das IRAG em África, para optimizar as estratégias de
saúde pública para a prevenção e controlo (nomeadamente, vacinas e
antivirais para profilaxia, tratamento e controlo da infecção).

· A ameaça das IRA, devida a novos organismos com potencial


epidémico ou pandémico, exige preparação e precauções especiais.
Os eventos de doenças respiratórias que podem constituir uma
emergência de saúde pública de âmbito internacional incluem: a
síndrome respiratória aguda grave (SARS); a gripe humana causada
por um novo subtipo, incluindo episódios humanos de gripe aviária;
a peste pneumónica; e os novos agentes causadores de surtos em
larga escala de IRAG, com elevada morbilidade e mortalidade.

Objectivos da · Detectar em tempo devido a morbilidade e a mortalidade


invulgarmente graves, causadas pelos dois agentes patogénicos
vigilância respiratórios, tanto conhecidos como desconhecidos, que possuem
potencial epidémico ou pandémico em larga escala.
· Caracterizar e monitorizar as tendências da doença e as mortes
atribuíveis às IRAG.
Definição Infecção Respiratória Aguda Grave (pessoas ≥ 5 anos de idade)
Qualquer pessoa gravemente doente que apresente manifestações de
padronizada de infecção aguda das vias aéreas inferiores com:
• Manifestação súbita de febre (>38ºC) e
caso • Tosse ou garganta inflamada e
• Falta de fôlego ou dificuldade em respirar

408
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

• Com ou sem achados clínicos ou radiológicos de pneumonia


ou Qualquer pessoa que tenha morrido de uma doença respiratória
inexplicada.
Resposta ao · Se houver suspeita de um único caso de uma doença respiratória
aguda de potencial epidémico ou pandémico ou se houver uma
limiar de alerta ocorrência invulgar (mortes, surto) de infecção respiratória aguda
grave:
· Casos atípicos de doença de tipo gripal (DTG) ou de infecção
respiratória aguda grave (IRAG).
· Detecção de duas ou mais pessoas com uma IRAG ou que morreram
de uma IRAG, com manifestação da doença no espaço de duas
semanas e na mesma área geográfica e /ou com relação
epidemiológica.
· Profissional de saúde que apenas tenha tido risco de exposição no
trabalho e que contraia IRAG, após ter prestado cuidados a doentes.
· Pessoas que estiveram em contacto com aves /animais com IRAG;
· Qualquer rumor sobre grupos de infecções respiratórias agudas
grave ou de infecções respiratórias atípicas.
· Responder a um caso suspeito de doença respiratória aguda de
potencial epidémico ou pandémico ou a uma ocorrência invulgar de
infecção respiratória aguda grave:
· Notificar de imediato, a informação baseada em caso aos níveis
adequados.
· Por imediatamente em prática as precauções de controlo das
infecções no caso de doenças respiratórias agudas de potencial
epidémico ou pandémico4 ([Link]., Precauções Padrão, Contactos,
Gotículas) e reforçar as medidas de biossegurança em todas as
unidades de saúde.
· Tratar e cuidar do doente de acordo com as orientações nacionais.
· Colher e transportar amostras laboratoriais dos doentes e de
contactos sintomáticos e prepará-las para testes de laboratório.
· Analisar a história clínica e de exposição durante os 7 dias que
precederam a manifestação da doença.
· Identificar e acompanhar os contactos próximos do doente.
· Conduzir uma pesquisa activa de outros casos.

· Tempo: Fazer a estimativa do período de incubação; descrever os


padrões de transmissão.
· Pessoa: Caracterizar a doença em termos de apresentação clínica,
especto da doença, percentagem de casos que requerem

409
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Análise e hospitalização, resultados clínicos, taxa de letalidade, taxas de


ataque por idade/ profissão/consanguinidade, etc.
interpretação · Local: Descrever os factores de risco e eventuais exposições.
dos dados Descobrir se há evidências de que o vírus possa ter aumentado a sua
capacidade de causar uma doença humana ou possa ter melhorado a
sua transmissibilidade.
Confirmação · Não é exigida confirmação laboratorial de rotina para a vigilância.

laboratorial
Referências
International Health Regulations, IHR (2005)

AFRO – Technical Guidelines for Integrated Disease Surveillance in the African Region, May 2002

WHO guidelines for investigation of human cases of avian influenza A(H5N1), January 2007.

WHO interim guidelines on infection prevention and control of epidemic- and pandemic-prone acute respiratory disease
in health care, June 2007

WHO guidelines for the collection of human specimens for laboratory diagnosis of avian influenza infection, 12 January
2005

Collecting, preserving and shipping samples for the diagnosis of avian influenza A(H5N1) virus infection. Guide for field
operations, October 2006.

9.44 Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS)


Introdução · A síndrome respiratória aguda grave (SARS) foi considerada, pela
primeira vez, como uma ameaça mundial em 2003, quando a
propagação internacional provocou 8.098 casos em 26 países, com
774 óbitos.

· A transmissão nosocomial da SARS-CoV é uma característica


evidente do surto da SARS.

· Na sua maioria, os doentes eram adultos. Estima-se que o rácio da


taxa de letalidade por SARS tenha oscilado entre 0% e mais de 50%,
conforme o grupo etário afectado e notificação. A taxa bruta de
mortalidade mundial foi de aproximadamente, 9,6%.

· O período médio de incubação é de 5 dias, com uma amplitude de 2 a


10 dias. Os doentes desenvolvem, inicialmente, sintomas pródromos
de doença do tipo gripe, incluindo febre, mal-estar, mialgia, dores de

410
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

cabeça e calafrios. Na primeira semana, podem também ocorrer tosse


(inicialmente seca), dispneia e diarreia, mas estas são mais
vulgarmente notificadas na segunda semana da doença. Os casos
graves evoluem rapidamente para dificuldades respiratórias. Até 70%
dos doentes apresentam diarreia.

· A transmissão da doença ocorre, sobretudo, durante a segunda semana


da doença.

· Julga-se que o coronavírus da SARS (SARS-CoV), que provoca a


doença, seja um vírus animal que tenha cruzado recentemente a
barreira da espécie para os humanos.

· No período inter - epidémico, todos os países devem manter vigilantes


relativamente ao ressurgimento da SARS e conservar a sua
capacidade de detectar e responder a uma eventual reemergência da
doença.

· A notificação imediata da doença à OMS é formalmente exigida pelo


RSI (Anexo 2, RSI).

Objectivos da · Detecção precoce e a investigação de pessoas suspeitas com SARS-


CoV.
vigilância
Definição · Caso suspeito de SARS: é uma pessoa com:
· 1. História de febre ou febre documentada ≥ 38°C e
padronizada de
· 2. Um ou mais sintomas de doença das vias aéreas inferiores (tosse,
caso dificuldade respiratória, falta de fôlego) e
· 3. Evidências radiográficas de infiltrados nos pulmões, compatíveis
com pneumonia ou SARS: ou achados da autópsia compatíveis com a
patologia de pneumonia ou SARS sem nenhuma causa identificável e
· 4. Nenhum diagnóstico alternativo que possa explicar cabalmente a
doença.

· Caso confirmado de SARS: uma pessoa com testes positivos de


infecção por SARS-CoV, segundo os procedimentos recomendados
pela OMS para os testes.
Resposta a · Notificar de imediato a informação baseada em casos aos níveis
adequados.
casos suspeitos · Por imediatamente em prática precauções de controlo das infecção por
doenças respiratórias agudas de potencial epidémico ou pandémico e
promover as medidas de prevenção em toda a unidade de saúde.

411
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Tratar e cuidar do doente de acordo com as orientações nacionais.


· Colher e transportar as amostras laboratoriais dos doentes e dos
contactos sintomáticos e prepará-las para testes de laboratório.
· Analisar a história clínica e de exposição durante os 2-10 dias que
precederam a manifestação da doença.
· Identificar e acompanhar os contactos próximos do doente.
· Conduzir uma busca activa de outros casos.
· Apressar o diagnóstico. (A OMS ajudará na investigação de alertas da
SARS, se for caso disso, inclusive facilitando o acesso a serviços de
laboratório)
Resposta ao A resposta a alerta da SARS é a mesma que a resposta a um caso suspeito
(ver acima).
limiar de alerta ALERTA DA SARS:
1) Uma pessoa com evidências clínicas de SARS e com um factor de
risco epidemiológico de infecção pelo SARS-CoV nos 10 dias que
precedem a manifestação dos sintomas ou
2) Dois ou mais profissionais de saúde com evidências clínicas de SARS
na mesma unidade de saúde e com manifestação da doença no mesmo
período de 10 dias ou
3) Três ou mais pessoas (profissionais de saúde e/ou doentes e/ou visitas)
com evidências clínicas de SARS e com manifestação da doença no
mesmo período de 10 dias e epidemiologicamente relacionadas com
um serviço de saúde.
Análise e · Tempo: Fazer um gráfico dos casos e dos óbitos
diariamente/semanalmente/mensalmente. Traçar uma curva epidémica
interpretação durante o surto.
dos dados
· Local: Assinalar a localização dos doentes, usando um mapeamento
rigoroso .

· Pessoa: Notificar de imediato os casos e óbitos. Durante o surto,


contar e notificar os casos e os óbitos. Analisar a distribuição por
idade e sexo. Avaliar imediatamente os factores de risco.

Teste de · PCR confirmado positivo para o vírus da SARS:


· Pelo menos 2 amostras clínicas diferentes ([Link]., nasofaríngea e fezes)
diagnóstico ou
· A mesma amostra clínica colhida em 2 ou mais dias no decurso da
doença ([Link]., 2 ou mais aspirados nasofaríngeos) ou
· 2 ensaios diferentes ou repetição do PCR, usando a amostra clínica
original em cada um dos testes.

412
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Seronconversão por ELISA ou IFA:


· Teste negativo dos anticorpos em soro na fase agudo, seguido de um
teste positivo dos anticorpos em soro do convalescente ou
· Aumento quádruplo ou maior dos títulos dos anticorpos, entre os
soros das fases aguda e convalescente, testados em paralelo.
· Isolamento do vírus:
· Isolamento em cultura de células de SARS-Cov de qualquer amostra;
e ainda confirmação por PCR, usando um método validado.
Amostra · Amostra de eleição de lavagem/aspirado nasofaríngeo para vírus
respiratórios.
· Amostras nasofaríngeas ou orofaríngeas
· Fezes
· Soro
Colheita de · A amostra do tracto respiratório pode ser colhida em qualquer
momento, mas é preferível colhê-la durante a fase aguda da doença.
amostras · O momento da colheita de amostras sanguíneas emparelhadas é muito
importante:
· Colher uma amostra da fase aguda no primeiro contacto com o doente
aos dias 7, 14, 28 e 90 após a manifestação, sempre que for possível.
· Colher o sangue quando o doente receber alta, se for pouco provável a
colheita de uma amostra na fase convalescente.
Preparação, · As amostras da SARS deverão ser manuseadas de acordo com as
práticas apropriadas de biossegurança, de modo a evitar as infecções
armazenamento de origem laboratorial e a transmissão da doença aos contactos
e transporte próximos.
· As amostras clínicas dos doentes deverão ser colhidas por pessoal
formado.
· Lavagem/aspirado nasofaríngeo: colocar o doente sentado com a
cabeça ligeiramente inclinada para trás. Aplicar 1,5 ml de solução
salina estéril não bacteriostática (Ph 7,0) numa das narinas. Introduzir
um cateter ou tubo de plástico ([Link]., tubo para colheita de muco) com
2-3 ml de solução salina. Inserir o tubo na narina paralelamente ao
palato. Aspirar as secreções nasofaríngeas. Repetir com a outra narina.
Colher os aspirados num frasco estéril ou num tubo para muco.
Retirar os tubos e descartá-los num saco de plástico.

· Amostras nasofaríngeas ou orofaríngeas: usar apenas uma zaragatoa


esterilizada de Dacron ou de fibra de celulose com haste de plástico.

· Guardar imediatamente cada uma das zaragatoas num tubo contendo


um meio de transporte de vírus (VTM).

413
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

· Colheita de soro: Colher 5-10 ml de sangue total num tubo separador


de soro. Deixar o sangue coagular.

· Amostras respiratórias / fezes /sangue/soro: Refrigerar imediatamente


(4°C). Se se tratar de um transporte/expedição internacional ou que
ocorra > 5 dias após a colheita da última amostra, congelar as
amostras a – 20°C (soro), -20/-70 °C (amostras respiratórias) para
serem transportadas, se possível, com gelo seco.

· Tecidos fixados em formalina de todos os principais órgãos.


Armazenar e transportar o tecido fixado à temperatura ambiente.
Resultados · Não existem serviços de diagnóstico de rotina para a SARS.
Normalmente, é necessário requisitá-los com antecedência. Contactar
a autoridade nacional competente ou a OMS. Se houver uma suspeita
de alto grau, a OMS ajudará os países a contactarem um laboratório
de referência, se necessário.
Referências
WHO Guidelines for the Global Surveillance of SARS, Updated Recomendations, October 2004

WHO Interim Guidelines, Infection Prevention and Control of Epidemic- and Pandemic-Prone Acute
Respiratory Diseases in Health Care, June 2007. WHO/CDS/EPR/2007.6.

Use of laboratory methods for SARS diagnostic, WHO

WHO Biosafety guidelines for handling of SARS specimens

A practical Guide for SARS laboratories: from samples collection to shipment. WHO, 29 Dec 2003.

414
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.45 Pneumonia grave em crianças menores de 5 anos


Introdução · Infecção das vias aéreas inferiores causada por bactérias ou vírus,
transmitidos pessoa a pessoa, por disseminação das gotículas
nebulizadas da respiração. As principais causas bacterianas da
pneumonia nas crianças são o Streptococcus pneumoniae (pneumococo)
e a Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
· As infecções respiratórias agudas (IRA) e a pneumonia representam a
causa número um de mortalidade nas crianças menores de 5 anos.
· O período de incubação é geralmente, menos de 7 dias, conforme a
etiologia.
· A OMS e a UNICEF recomendam o uso da estratégia Atenção
Integrada às Doenças da Infância (AIDI), para reduzir a morbilidade e
mortalidade atribuíveis à pneumonia infantil. A terapêutica
antimicrobiana precoce tem mostrado reduzir a mortalidade.
· Está a aumentar a resistência do pneumococo e Hib aos betalactâmicos
(por exemplo, a ampicilina), sulfonamidas (por exemplo, trimetoprim-
sulfametoxazol) e outros antimicrobianos.
· Os vírus, como o vírus sincicial respiratório (VSR), também podem
causar IRA e pneumonia.
Objectivos da · Identificar precocemente casos de pneumonia e de epidemias, usando
definições clínicas.
vigilância · Monitorizar a resistência antimicrobiana de rotina e durante os surtos.
· Reduzir a percentagem de casos de pneumonia grave, em comparação
com os casos não graves, para monitorizar a qualidade das intervenções
Definição
· Definição clínica (AIDI) de caso padrão de pneumonia:
padronizada · Uma criança que apresente tosse ou dificuldade em respirar e:
de caso · 50 ou mais respirações por minuto para bebés entre 2 meses de idade até
1 ano
· 40 ou mais respirações por minuto para crianças pequenas de 1 a 5 anos
de idade.
· (Nota: Um recém-nascido até aos 2 meses com tosse e respiração
ofegante é classificado pela AIDI como tendo uma “infecção bacteriana
grave” e é internado para posterior avaliação)
· Definição clínica de caso (AIDI) para pneumonia grave:
· Uma criança que apresente tosse ou dificuldade em respirar e qualquer
sinal geral de perigo, ou retracção intercostal ou estridor numa criança

415
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

calma. São sinais gerais de perigo para crianças entre 2 meses e 5 anos
de idade: incapacidade de beber ou de mamar, vomitar tudo o que
ingere, convulsões, letargia ou inconsciência.

· Caso confirmado:
· A confirmação radiográfica ou laboratorial de pneumonia não será
viável na maioria dos municípios.

· Resposta ao limiar de alerta

· Se se observar o aumento do número de casos ou de óbitos ao longo de


um período de tempo:
· Notificar o problema ao nível seguinte.
· Investigar a causa do aumento e identificar o problema.
· Certificar-se de que os casos são tratados de acordo com as orientações
da AIDI.
· Tratar adequadamente os casos, com medicamentos antimicrobianos
recomendados.
Resposta ao · Se o número de casos ou de óbitos aumentar para o dobro do número
normalmente observado durante um período de tempo semelhante aos
limiar de anos anteriores:
acção · Apreciar o modo como o pessoal de saúde implementa as orientações
da AIDI para avaliar, classificar e tratar crianças com pneumonia e
pneumonia grave.
· Identificar as populações de alto risco, para fazer a análise em função da
pessoa, local e tempo.
· Promover a educação da comunidade
Análise e · Tempo: Efectuar análises mensais dos aumentos invulgares ou
inesperados dos casos. Fazer um gráfico mensal dos casos e dos óbitos.
interpretação Traçar uma curva epidémica para os casos do surto. Assinalar os dados
dos dados mensais e compará-los com períodos anteriores.
· Local: Assinalar a localização dos doentes.
· Pessoa: Contar mensalmente os casos de pneumonia e pneumonia
grave. Contar os óbitos por pneumonia. Analisar a distribuição por
idade.
Confirmação · Não se exige confirmação laboratorial de rotina para a vigilância.
laboratorial
Referências
Integrated Management of Childhood Illnesses. World Health Organization. WHO/CDR/95.14.1

416
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

9.46 Infecções Transmitidas Sexualmente


Introdução · As infecções dos sistemas génito-urinário e reprodutivo são
transmitidas por contacto sexual (doenças Transmitidas sexualmente
(ITS). As causas mais comuns do corrimento uretral masculino são:
· a) o gonococo Neisseria gonorrhoea
· b) a Chlamydia trachomatis.
· As causas mais comuns da úlcera genital masculina e feminina são:
· c) a sífilis (Treponema pallidum),
· d) o vírus Herpes simplex (HSV1 ou 2)
· e) cancróide (Haemophilus ducreyi).
· As ITS são endémicas na maioria dos países do mundo, incluindo os
países africanos. São comuns as múltiplas ITS simultâneas (por
exemplo, gonorreia e Chlamydia). As ITS podem ser bastante mais
prevalecentes em zonas onde ocorre o VIH e podem facilitar a sua
transmissão. As ITS podem ser primárias ou por ataques repetidos de
corrimento uretral.
· As ITS são a principal causa de aborto e de nados-mortos, de
prematuridade e de infecções congénitas. Podem conduzir a doença
inflamatória pélvica (DIP), uma importante causa de redução da
fertilidade.
· Os períodos de incubação da gonorreia são de 2 a 7 dias; Chlamydia
7 a 14 dias (ou mais); sífilis, 10 dias a 12 semanas (normalmente
cerca de 3 semanas); e cancróide, 3 a 14 dias.
· As ITS são mais vulgarmente diagnosticadas nos homens, em quem
as evidências clínicas da infecção podem aparecer mais rapidamente.
Objectivos da · A detecção precoce e o tratamento das ITS reduzem as taxas de
transmissão. O desenvolvimento de esforços activos para
vigilância diagnosticar a sífilis latente pode evitar incapacidades significativas.
· Melhorar o tratamento precoce e eficaz das ITS, usando algoritmos
simples baseados num diagnóstico sindrómico, para o doente índice e
parceiros.
· Efectuar uma monitorização da sensibilidade anti-microbiana de base
laboratorial e alterar, em conformidade, as orientações do tratamento,
a nível central.
· Comparar dados de vigilância, tanto para as ITS como para o VIH
/SIDA, uma vez que as ITS podem reflectir a co-presença de VIH.

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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas

Definição · Síndrome de úlcera genital (não vesicular):


· Caso suspeito: uma pessoa do sexo masculino com uma úlcera no
padronizada pénis, escroto ou recto, com ou sem adenopatia inguinal, ou uma
de caso pessoa do sexo feminino com uma úlcera nos lábios, vagina ou recto,
com ou sem adenopatia inguinal.
· Caso confirmado: um caso suspeito, confirmado por método
laboratorial.
· Síndrome de corrimento uretral:
· Caso suspeito: uma pessoa do sexo masculino com corrimento
uretral, com ou sem disúria.
· Caso confirmado: Síndrome de corrimento uretral: um caso suspeito
confirmado por um método laboratorial (por exemplo, coloração de
Gram com diplococos intracelulares Gram negativos).
Acções de · Conduzir uma busca activa de casos para grupos-alvo específicos.
· Efectuar actividades de prevenção primária, como a promoção de
Saúde Pública comportamentos sexuais mais seguros e a disponibilização de
preservativos.
· Avaliar o uso de algoritmos para detecção e tratamento de ITS.
Melhorar a prática com algoritmos do pessoal de saúde.
· Incluir os serviços de prevenção e cuidados das ITS nos serviços de
saúde materno-infantil e de planeamento familiar.
· Orientar serviços de prevenção e cuidados das ITS, aceitáveis e
eficazes, para as populações identificadas como vulneráveis à
transmissão das ITS.
· Promover desde cedo comportamentos sexuais saudáveis.
Análise e · Tempo:Fazer trimestralmente, um gráfico dos casos.
interpretação · Local: Sem recomendações para análise do local.
dos dados
· Pessoa: Fazer trimestralmente, a contagem dos casos e analisar a
distribuição por idade.
Confirmação Não se exige confirmação laboratorial de rotina para a vigilância.
laboratorial
Referências
Guidelines for Sexually Transmitted Infections Surveillance. Geneva. UNAIDS and World Health
Organization. WHO/CDS/CSR/EDC/99.3. UNAIDS/99.33E

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