Manual VID-R - 091720 - 040622
Manual VID-R - 091720 - 040622
MANUAL DE VIGILÂNCIA
EPIDEMIOLÓGICA
INTEGRADA DE DOENÇAS E
RESPOSTA
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
MINISTÉRIO DA SAÚDE
DIRECÇÃO NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA
DEPARTAMENTO DE HIGIENE E EPIDEMIOLOGIA
SECÇÃO DE EPIDEMIOLOGIA
MANUAL DE
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
INTEGRADA DE DOENÇAS E
RESPOSTA
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
FICHA TÉCNICA
Secção de Epidemiologia
Departamento de Higiene e Epidemiologia
Direcção Nacional de Saúde Pública
Ministério da Saúde, Luanda – ANGOLA
C.P. 1201 ou 1975, Luanda.
E-mail: cpdednsp@[Link]
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Este Manual foi elaborado com base no guião genérico “Orientações Técnicas para a
Estratégia de Vigilância Integrada de Doenças e Resposta (VID-R) na Região Africana” OMS,
Outubro de 2010. Contribuiram para o efeito as instituições abaixo mencionadas as quais o
Ministério da Saúde agradeceo empenho e dedicação.
Coordenação Geral
Dr.ª Adelaide de Carvalho Directora Nacional de Saúde Pública
Equipa Técnica
[Link]ébio Manuel Secção de Epidemiologia,/CPDE, DNSP
Dr. Marques José Gomes Instituto Nacional de Luta contra o SIDA, INLS
Dr. Nilton Saraiva Programa Nacional de Controlo da Malária, DNSP
Dr. João Francisco Lucas Inspecção Geral de Saúde, IGS
Dr.ª Regina Muquila António Direcção Provincial de Saúde de Luanda, DPSL
Dr.ª Luísa Lances Cotilla Secção de Epidemiologia,/CPDE, DNSP
Dr.ª Sandra Neto de Miranda Clínica da Girassol
Dr. Rolando Romero Villar Instituto Nacional de Saúde Pública, INSP
Dra Ana Paula Silva Barbeiro Direcção Provincial de Saúde de Luanda, DPSL
Dra Alda Morais Pedro Secção Imunização, DNSP
Dr. Miguel Gaspar Direcção dos Serviços de Saúde das [Link],
DSS/FAA
Dr. Munzala Mundele Ngola Oficial de Prevenção e Controlo de Doenças – OMS
Angola
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Para obtenção de consenso, contribuiram para este manual técnicos de vários Ministérios
abaixo mencionados:
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Siglas
AFRO Escritório Regional da OMS para a África
CPDE Centro de Processamento de Dados Epidemiológicos
AIDI Assistência Integrada das Doenças de Infância
DNSP Direcção Nacional de Saúde Pública
DHE Departamento de Higiene e Epidemiologia
CDC Centro de Prevenção e Controlo de Doenças de Atlanta
TL Taxa de letalidade
DNT Doenças Não Transmissíveis
DSS Síndrome de Choque do Dengue
EMGS Equipa Municicipal de Gestão Sanitária
EMRR Equipa Municipal de Resposta Rápida
EAAV Efeitos Adversos Após a Vacinação
EPI Equipamento de Protecção Individual
AREP Alerta e Resposta às Epidemias e Pandemias
ERR Equipa de Resposta Rápida
FHCC Febre hemorrágica do Congo-Crimeia
FHD Febre hemorrágica do Dengue
FHE Febre hemorrágica do Ébola
FHV Febre Hemorrágica Viral
FL Filaríase Linfática
FNO Febre do Nilo Ocidental
FRV Febre do Vale do Rift
HA Hipertensão arterial
Hib Haemophilus influenzae tipo b
VID-R Vigilância Integrada de Doenças e Resposta
EVID-R Estratégia de Vigilância Integrada de Doenças e Resposta
DTG Doenças do Tipo Gripal
PCI Prevenção e Controlo das Infecções
IRA Infecção Respiratória Aguda
IRAG Infecção Respiratória Aguda Grave
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Siglas
ITS Infecções Transmitidas Sexualmente
MII Mosquiteiros Impregnados com Insecticida
BPN Baixo Peso à Nascença
Nm Neisseria meningitidis
OMS Organização Mundial da Saúde
PAV Programa Alargado de Vacinação
PB Perímetro Braquial
PFA Paralisia Flácida Aguda
ESPAI Emergências de Saúde Pública de Âmbito internacional
CGMSP Comissões de Gestão das Emergências de Saúde Pública
VPH Vírus da Paragripe Humana
PdE Ponto de Entrada
RSI Regulamento Sanitário Internacional (2005)
SARS Síndrome Respiratório Agudo Grave
SIGS Sistema de Informação para a Gestão Sanitária
TB Tuberculose
TB-MR Tuberculose Multirresistente aos Medicamentos
TB-UR Tuberculose Ultrarresistente aos Medicamentos
TNN Tétano Neonatal
UB Úlcera de Buruli
USAID Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional
VHA Vírus da Hepatite A
VHB Vírus da Hepatite B
VHC Vírus da Hepatite C
VHD Vírus da Hepatite D
VHE Vírus da Hepatite E
VHS Vírus da Herpes simplex
VIH/SIDA Vírus da Imunodeficiência Humana /Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
VIH/ SIDA
SSM Sistema de Saúde a nível do Município
MINSA Ministério da Saúde
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Índice
INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 1
O CONTEXTO DO PAIS. ....................................................................................................................... 1
O QUE É VIGILÂNCIA?........................................................................................................................ 2
O QUE É A ESTRATEGIA DE VIGILÂNCIA INTEGRADA E RESPOSTA? ................................................................ 2
O QUE ACONTECE NUM SISTEMA INTEGRADO? ........................................................................................ 3
DESAFIOS DA VIGILÂNCIA INTEGRADA DE DOENÇAS E RESPOSTA. ................................................................. 4
ESTRUTURA DO SISTEMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA INTEGRADA.......................................................... 5
UMA ESPECIAL ATENÇÃO DEVE SER DADA AO NÍVEL MUNICIPAL PARA: .......................................................... 6
VID-R E RSI (2005). ........................................................................................................................ 7
FUNÇÕES DA VIGILÂNCIA INTEGRADA DE DOENÇAS E RESPOSTA. ................................................................. 8
FLUXO DE INFORMAÇÃO NUM SISTEMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA INTEGRADA.................................... 14
QUAIS SÃO AS DOENÇAS PRIORITÁRIAS PARA A VID-R? ........................................................................... 16
ANEXOS À INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 18
SECÇÃO 1: IDENTIFICAÇÃO DE CASOS.................................................................................................. 29
1.1 IDENTIFICAR CASOS DE DOENÇAS E EVENTOS PRIORITÁRIOS SOB VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA..................... 30
1.2 FONTES DE INFORMAÇÃO DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E DEFINIÇÕES DE REFERÊNCIA PARA A NOTIFICAÇÃO
E ALERTA....................................................................................................................................... 31
1.3 ACTUALIZAR OS PROCEDIMENTOS DE VIGILÂNCIA E RESPOSTA NO MUNICÍPIO.......................................... 33
1.4 USAR AS REDES E PROCEDIMENTOS DE LABORATÓRIO PARA MELHORAR A CAPACIDADE DE VIGILÂNCIA E
RESPOSTA, INCLUINDO A CAPACIDADE DE CONFIRMAR A SUSPEITA DE SURTOS. ...................................... 35
ANEXOS À SECÇÃO 1 ....................................................................................................................... 38
SECÇÃO 2 NOTIFICAÇÃO DE EVENTOS E DOENÇAS PRIORITÁRIAS. ............................................................ 55
2.0 NOTIFICAR DOENÇAS E EVENTOS PRIORITÁRIOS. ............................................................................... 56
2.1 ESTRUTURA, FLUXOGRAMA E PERIODICIDADE DA NOTIFICAÇÃO DOS EVENTOS E DOENÇAS PRIORITÁRIAS. ..... 57
2.2 REGISTO DA INFORMAÇÃO NOS LIVROS DE CONSULTA E/OU FICHAS DE INTERNAMENTO DOS DOENTES. ........ 62
2.3 NOTIFICAR AO NÍVEL SEGUINTE OS DADOS BASEADOS EM CASOS. ......................................................... 63
2.4 NOTIFICAR DADOS RESUMIDOS PARA AS DOENÇAS E EVENTOS PRIORITÁRIOS........................................... 65
2.5 NOTIFICAÇÃO ZERO (NOTIFICAÇÃO NEGATIVA), QUANDO NÃO EXISTE NENHUM CASO DE DOENÇA DE
NOTIFICAÇÃO IMEDIATA ............................................................................................................ 66
2.6 NOTIFICAR DADOS RESUMIDOS DE ROTINA SOBRE OUTRAS DOENÇAS DE IMPORTÂNCIA PARA A SAÚDE
PÚBLICA….............................................................................................................................. 67
2.7 MELHORAR AS PRÁTICAS DE NOTIFICAÇÃO DE ROTINA........................................................................ 69
2.8 USO DE LISTAS E DE NOTIFICAÇÕES SUMÁRIAS DURANTE AS EPIDEMIAS .................................................. 71
ANEXOS A SECÇÃO 2 ....................................................................................................................... 72
SECÇÃO 3 ANÁLISE DOS DADOS ........................................................................................................ 92
3.1 ANALISAR OS DADOS .................................................................................................................. 93
3.2 RECEBER DADOS DAS UNIDADES SANITÁRIAS.................................................................................... 94
3.3 INTRODUZIR E LIMPAR OS DADOS .................................................................................................. 95
3.4 ANALISAR OS DADOS EM FUNÇÃO DO TEMPO................................................................................... 97
3.5 ANALISAR OS DADOS EM FUNÇÃO DO LOCAL .................................................................................. 101
3.6 ANALISAR OS DADOS POR PESSOA ............................................................................................... 103
3.7 CONCLUSÕES TIRADAS DA ANÁLISE .............................................................................................. 109
3.8 RESUMO E UTILIZAÇÃO DOS RESULTADOS DA ANÁLISE ...................................................................... 113
ANEXOS À SECÇÃO 3 ..................................................................................................................... 115
SECÇÃO 4 INVESTIGAÇÃO DE SURTOS SUSPEITOS E DE OUTROS EVENTOS DE SAÚDE PÚBLICA ...................... 124
4.0 INVESTIGAR SURTOS SUSPEITOS E OUTROS EVENTOS DE SAÚDE PÚBLICA............................................... 125
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Introdução
O presente manual é uma revisão do manual de vigilância epidemiológica de doenças e
respostas de 2005, elaborado apos avaliação do sistema de vigilância epidemiológica em
2003, tendo em conta o guião genérico da OMS da região Africana sobre a vigilância e
resposta integradas, publicado em Outubro de 2010. O documento fornece um conjunto de
normas e padrões para implementação da Vigilância Integrada das Doenças, seus
objectivos, assim como o modo de implementar o Regulamento Sanitário Internacional,
através da VIDR-R. Em seguida, é fornecida uma explicação sobre o modo como as funções
da vigilância são descritas neste manual e também a maneira como os municípios e outros
níveis do sistema de saúde incluindo os parceiros as podem utilizar, para reforçar a
vigilância e a resposta. Finalmente, os interessados serão informados acerca das doenças
prioritárias para o País e as recomendadas para a vigilância sanitária internacional.
O contexto do Pais.
A implementação do presente manual toma em consideração os seguintes aspectos:
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
O que é Vigilância?
A vigilância é a actual recolha sistemática de dados de saúde, sua análise e interpretação.
Ela inclui a divulgação oportuna dos dados obtidos, junto de quem deles precisa para actuar.
A vigilância é ainda essencial para o planeamento, implementação e avaliação das práticas
de saúde pública.
São usados vários tipos de vigilância nos programas nacionais. A escolha do método
depende da finalidade da acção de vigilância. Geralmente, o tipo de método de vigilância
descreve:
A VID-R promove o uso racional dos recursos, pela integração e harmonização das
actividades comuns de vigilância. As actividades de vigilância das diferentes doenças
envolvem funções semelhantes (detecção, notificação, análise e interpretação,
retroinformação e acção) e usam frequentemente as mesmas estruturas, processos e
pessoal. Para além disso, a VID-R tem em consideração a perspectiva Um Só Mundo-Uma Só
Saúde, que é uma estratégia que aborda os eventos na intersecção da saúde humana com a
dos animais domésticos, vida selvagem e ecossistemas. Por exemplo, 75% das recentes
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
doenças emergentes e reemergentes que afectam a saúde humana são de origem animal
(VIH/SIDA e gripe aviária, por exemplo).
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Na verdade ele é o primeiro nível do sistema de saúde, com pessoal que se dedica a todas as
vertentes da saúde pública. Estas vertentes são:
a) Monitorização e responder a todas as eventos da área de saúde na
comunidade,
b) Mobilização da acção comunitária,
c) Promoção da ajuda nacional,
d) Acesso a recursos, municipais e /ou provinciais de forma a proteger a saúde
a nível do município.
e) No nosso País o sistema de vigilância epidemiológica está constituído pelos
seguintes níveis e estruturas:
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Níveis Descrição
Local O nível comunitário representado pelos serviços básicos ao
nível da aldeia e bairros nomeadamente as parteiras
tradicionais capacitadas, líderes comunitários, professores,
agentes comunitários de saúde, mobilizadores sociais ou
prestadores de cuidados de nível semelhante.
Unidades sanitárias – Embora esteja previsto ao nível local
unidades sanitárias de diferentes tipos, como por exemplo
Posto de Saúde de tipo I (5.000 hab.), Posto de Saúde de tipo
II ( 20.000 hab.), Centros de Saúde para no máximo 75.000
hab. para efeitos de vigilância epidemiológica devemos
considerar neste grupo todas as unidades sanitárias sem
serviços de internamento.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Assim, a VID-R é um sistema com capacidade para garantir informação fidedigna ao nível
central, de modo a cumprir os requisitos do RSI. O RSI oferece a oportunidade de responder
à ameaça para a segurança e comércio internacional de saúde pública, causada pela
emergência e reemergência de certas doenças infecciosas, incluindo emergências de saúde
pública de âmbito internacional (ESPAI). Este Regulamento constitui também uma
excelente oportunidade para reforçar os sistemas de vigilância e de resposta, actuando
como uma poderosa força motriz para a implementação da VID-R. É importante referir que
os Estados-Membros da Região Africana recomendaram que o RSI (2005) fosse
implementado no contexto da VID-R. O RSI é um instrumento legal e vinculativo, que apela
ao reforço da capacidade nacional de vigilância e controlo, incluindo locais como pontos de
entrada (i.e., portos, aeroportos e fronteiras terrestres), à prevenção, alerta e resposta às
emergências internacionais de saúde pública, às parcerias mundiais e à colaboração
internacional e sublinha os direitos, obrigações, procedimentos e monitorização dos
progressos.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
O RSI tem implicações práticas para a VID-R. No RSI (2005), todas as condições e eventos de
saúde pública de âmbito internacional (ESPAI) deverão ser detectadas, avaliadas e
respondidas em tempo oportuno, usando uma resposta adaptada, em vez de medidas pré-
estabelecidas. O RSI (2005) inclui o controlo de fronteiras (portos, pontos de entrada das
fronteiras terrestres) e a contenção, na origem, das eventos de saúde pública. Dado o papel
importante que desempenha na detecção precoce e verificação de emergências suspeitas
de saúde pública,a vigilância baseada em eventos faz agora parte integrante da VID-R e do
RSI e a utilização do Instrumento de decisão do anexo 2 do RSI é obrigatória.
Eventos a seguinte caixa inclui um resumo das eventos de notificação obrigatória exigida
pelo RSI:
São estas as três principais categorias de eventos que exigem notificação, nos termos do RSI:
· Há quatro condições de saúde pública que devem ser notificadas imediatamente à OMS: varíola,
poliomielite devida ao poliovírus selvagem, gripe humana causada por um novo subtipo do vírus influenza e
SARS (consultar o próximo parágrafo e algoritmo no Anexo da Secção 2). Esta notificação será efectuada do
nível municipal para o provincial e deste para o central. A notificação à OMS deverá ser efectuada pelo
Ponto Focal Nacional do RSI..
· Outras doenças e eventos podem requerer notificação, se forem consideradas potenciais eventos de saúde
pública de l âmbito internacional. Esta avaliação será realizada, normalmente ao nível do município ou
superior, usando o Instrumento de decisão do anexo 2, As doenças que recaem nesta categoria por força do
RSI são: cólera, peste, febre-amarela, febre hemorrágica viral (FHV) e outras doenças de especial
preocupação nacional ou regional, como a febre do dengue.
· Qualquer evento de potencial preocupação para a saúde pública internacional, incluindo as de origem e
causa desconhecida, deve ser avaliado usando o Instrumento de decisão do anexo 2”. Esses eventos não são
tratadas especificamente nestas orientações técnicas, pelo que mais informações podem ser obtidas na
literatura sobre controlo do meio ambiente.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Unidade sanitária: Para fins de vigilância, são definidas como “unidade sanitária” todas as
instituições (públicas, privadas, ONG) com serviços de ambulatório e/ou de internamento de
doentes.
Nível central: é representada pela Direcção Nacional de Saúde Pública que é o nível onde se
decidem as políticas, elaboram-se as normas e orientações. Relativamente à vigilância, este
nível, coordena as actividades de vigilância do País e notifica à OMS eventos de preocupação
para a saúde pública, usando os instrumentos de decisão do RSI.
Num sistema integrado, devem existir os serviços básicos de laboratório em cada um dos
níveis acima descritos.
· Recolher dados de vigilância de · Assegurar-se da existência dos instrumentos · Preparar e actualizar periodicamente os gráficos, tabelas e
rotina das unidades notificadoras, em de notificação mapas, para descrever a data, a pessoa e o local das condições
tempo oportuno e doenças notificadas
· Comunicar a repartição municipal da saúde a · Identificar e notificar de imediato qualquer condição ou doença
· Assegurar a existência de definição informação obtida nos serviços de que:
de caso nas unidades notificadoras ambulatório, internamento e junto de fontes - ultrapasse um limiar de acção
comunitárias - ocorra em locais anteriormente isentos
· Analisar os registos sobre surtos - ocorra mais frequentemente em grupos
suspeitos · Comunicar os resultados laboratoriais, populacionais anteriormente isentos
incluído os da vigilância sentinela (por - apresente tendências ou padrões
Unidade de · Recolher e enviar as amostras exemplo, clínica de ITS, serviços de SMI e invulgares
saúde clínicas para avaliação laboratorial bancos de sangue) a repartição municipal da
saúde · Interpretar resultados. Debater uma eventual acção de saúde
pública com a equipa distrital
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
· Elaborar e assegurar que as políticas, · Definir políticas, instrumentos meios de · Definir políticas e procedimentos para analisar e interpretar
as normas, directivas e instrumentos comunicação e procedimentos para os dados
de detecção sejam disseminadas a notificar condições e doenças prioritárias a · Compilar os dados a partir dos relatórios de distrito
todos níveis todos os níveis · Garantir que cada nível utilize denominadores adequados
para análise
· Realizar inquéritos especiais para · Incluir todos os laboratórios (publico e · Interpretar as tendências numa perspectiva nacional
recolher informação sobre os casos, privados) na rede de notificação · Adaptar ou definir limiares de acção
surtos ou eventos invulgares · Disponibilizar recursos de formação na área da análise e
notificados · Dar apoio às actividades de notificação em interpretação dos dados
todo o sistema · Analisar dados por data, pessoa e local
Nível central · Estabelecer políticas e procedimentos
· Utilizar o instrumento de decisão do anexo
· Analisar os mapas e estratificar por distritos ou outros
para estabelecimento da rede factores
nacional de laboratórios 2 do RSI para a notificação de potenciais · Tirar conclusões com base nos resultados da análise
ESPAI · Fornecer relatórios e partilhar a informação com as
· Utilizar a rede nacional e internacional autoridades nacionais e a OMS
de laboratório para confirmação de · Comunicar a OMS todos os ESPAI · Definir as capacidades de análise na área da saúde pública,
casos adequadas a cada nível de pessoal dentro do sistema
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
· Alertar o laboratório e apoiar as suas actividades de · Definir políticas e procedimentos para · Informar todos os níveis acerca das · Criar e divulgar políticas e
confirmação: material, meios de transporte, logística, dar resposta aos casos e surtos de actividades de resposta procedimentos para a
transporte de amostras condições e doenças prioritárias · Dar informação periódica e regular monitorização das
· Apoiar as actividades para a investigação dos surtos · Apoiar as actividades de resposta e aos distritos acerca das actividades actividades de vigilância e
notificados: material, logística, equipamento e preparação para as epidemias de luta e prevenção de rotina de resposta aos surtos
verbas · Notificar e divulgar os resultados da · Criar e distribuir regularmente um · Criar políticas e práticas
· Se necessário, colaborar com as autoridades resposta às epidemias, através de boletim regional sobre epidemiologia para a supervisão das
internacionais durante as investigações boletins, meios de comunicação e saúde pública actividades de vigilância e
· Notificar as redes regionais e internacionais sobre a social, comunicados de imprensa e de resposta aos surtos
confirmação do surto reuniões de informação · Avaliar as actividades de
· Processar as amostras da investigação e enviar detecção e notificação e
prontamente os resultados a cada nível aperfeiçoá-las, quando
· Se necessário, pedir amostras adicionais necessário:
· Participar na equipa de resposta às epidemias
- Monitorizar e avaliar as
metas e os
Indicadores destinados
à medição da qualidade
do sistema de vigilância
qualidade do
sistema de vigilância
- Monitorizar e avaliar a
pontualidade e a
integralidade da
notificação dos níveis
intermédios
- Monitorizar e avaliar a
pontualidade do apoio
nacional na resposta às
epidemias
- Monitorizar e avaliar a
pontualidade e a
eficácia das actividades
de resposta às
epidemias a nível de
distrito
· Monitorizar as actividades de
prevenção de rotina e
modificá-las, conforme
necessário
Monitorizar a garantia de
qualidade dos laboratórios dos
níveis mais baixos
· Comunicar as recomendações para a investigação · Apoiar as actividades de resposta · Prestar informação para a · Usar os relatórios dos
dos casos e confirmação laboratorial (peritos técnicos, orientações) colaboração com os níveis nacionais países para medir os seus
· Mobilizar recursos para melhorar as capacidades e · Notificar e informar as autoridades e regional sistemas e advogar
as competências dos laboratórios internacionais sobre a resposta à · Informar os países sobre os melhorias
· Mobilizar recursos para a investigação e epidemia problemas que podem atravessar
confirmação, conforme necessário, com base nas · Calcular os indicadores de resposta e fronteiras ou ter impacto a nível
necessidades e pedidos a nível nacional comunicar a situação ao nível regional
· Fornecer formação e equipamento de laboratório seguinte · Comunicar os resultados das análises
· Criar orientações para a preparação e as · Auxiliar o nível nacional na resposta em boletins regionais e internacionais
investigações sobre os surtos às epidemias e no desenvolvimento sobre as tendências e os padrões das
· Participar nas investigações, se necessário de acções de saúde pública doenças
· Criar e distribuir um boletim regional
sobre epidemiologia e saúde pública
Alem disso outras estruturas deverão estar integradas aos diferentes níveis:
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
• Faculdades de Medicina
• Instituições privadas
A unidade sanitária procede a análise dos dados, estabelece as tendências dos eventos ou
doenças prioritárias , e verifica, se os limiares de alerta foram ultrapassados,para alerta.
Em caso de suspeita de surto epidémico a confirmação laboratorial é fundamental. Colhidas
as amostras para o laboratório, deverão ser registados os seguintes dados: identificação do
doente, data da recolha da amostra, tipo de amostra, data de envio para o laboratório,
condições da amostra no momento da recepção no laboratório (boas ou mas) e resultados
do exame. Ao nível municipal, os dados são compilados semanal e mensalmente para cada
um dos eventos ou doenças de Vigilância Integrada. O município deverá preparar
informações sobre datas, locais e características dos doentes nomeadamente idade e sexo,
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
quer para doentes ambulatórios quer para internados. Estes resultados serão enviados para
o nível provincial e deste para o central. A equipa municipal usa os dados em primeira
instância para elaborar o gráfico de tendências das doenças e as curvas epidémicas para as
doenças sob vigilância.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
O Escritório Regional da OMS para a África sugere as seguintes doenças transmissíveis e não
transmissíveis, bem como condições ou eventos, como prioridades para a vigilância
integrada das doenças na Região Africana,por serem:
· Doenças internacionalmente exigidas pelo RSI (por exemplo, varíola, poliomielite de
tipo poliovírus selvagem, gripe humana causada por um novo subtipo (SARS);
· Doenças de elevado potencial epidémico que causam profundo impacto na saúde
pública, devido à sua capacidade de rápida disseminação internacional (por exemplo,
cólera, peste, febre-amarela, febre hemorrágica viral);
· Principais causas de morbilidade e mortalidade na Região Africana (por exemplo,
malária, pneumonia, doenças diarreicas, tuberculose, VIH/SIDA, mortalidade
materna e traumatismos);
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
A lista das doenças prioritárias pode variar de país para país, em função da situação
epidemiológica local, das necessidades e do sistema de saúde. Os países são encorajados a
manter a lista tão curta quanto possível, a fim de assegurar a disponibilidade de recursos
adequados, para levar a cabo a resposta e garantir que o sistema será capaz de gerir a lista.
O quadro 1, que se segue, apresenta a lista prioritária de doenças e condições abrangidas
pelo RSI seleccionadas para a República de Angola e que consta no REGULAMENTO
SANITARIO NACIONAL:
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
menores de 5 anos
ITS
Tripanossomíase
Tuberculose
Schistossomiase
Anexos à Introdução
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
· da transcendência
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Notificação
5. Para cada condição, doença ou evento prioritário analisar os dados mínimos que as
unidades sanitárias e outras fontes deverão notificar. Referir quando esses eventos
deverão ser notificados, a quem e como. Referir a informação que deverá ser
notificada, a partir de fontes como doentes internados e doentes ambulatórios. Por
exemplo, um requisito mínimo deveria ser notificado para todos os casos e óbitos
por doenças e condições seleccionadas:
a. Referir as doenças ou condições que exigem notificação imediata e
comunicar a lista às unidades sanitárias do município.
b. Definir os meios de notificação dos dados ao município (por telefone, por
escrito, presença). Se a notificação for electrónica, certificar-se de que todos
os serviços têm acesso à computadores e a modems.
c. Definir com que periodicidade deverão ser notificados os dados exigidos.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
10. Recolher e apresentar dados relevantes acerca do município que possam ser usados
na advocacia de recursos adicionais, para melhorar as actividades de vigilância e
resposta. (Exemplo: Os agentes de saúde são capazes de documentar um aumento
de casos de malária; eles sabem que existe uma resposta eficaz, através de
mosquiteiros tratados com insecticida. O funcionário de vigilância do município usou
os dados para mostrar a redução esperada de casos de malária, desde que parte dos
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
12. Actualizar as políticas da equipa municipal de resposta rápida às epidemias, para que
a avaliação da preparação seja um ponto de rotina na agenda da equipa. Especificar
e divulgar o calendário:
a. Da reunião para a avaliação de rotina da preparação para a resposta e debate
dos actuais problemas ou actividades
b. Das reuniões de resposta aos surtos.
13. Para cada doença, condição ou evento prioritário seleccionado, referir a actividade
disponível de resposta da saúde pública.
14. Para cada doença ou condição a que o município possa responder, especificar a
meta, o limiar de alerta ou os resultados da análise que poderão desencadear uma
acção.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
20. Indicar três ou mais objectivos que deverão ser atingidos para melhorar a vigilância
no município ao longo do ano seguinte.
21. Este instrumento poderá ajudar a definir onde é que os municípios poderão
identificar actividades para melhorar o seu desempenho e as suas capacidades de
vigilância e resposta às doenças.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
1. Eventos zoonóticos.
A emergência, ou reemergência de zoonoses e seu efeito potencialmente desastroso
sobre a saúde humana, transformou as zoonoses num problema prioritário para os
serviços de veterinária.
2. Eventos de segurança alimentar.
As doenças diarreicas de origem hídrica ou alimentar são causas importantíssimas de
doença e de morte nos países menos desenvolvidos, matando anualmente cerca de 1,8
milhões de pessoas, a maior parte das quais são crianças. A identificação da fonte de um
surto e a sua contenção são cruciais para o RSI.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Detectar eventos que envolvam doenças ou mortes acima dos níveis esperados para
determinado período e local, em todas as zonas do país
Notificar imediatamente toda a informação essencial disponível para o nível
adequado de resposta e ao pessoal de saúde mais indicado.
· Descrição clínica
· Resultados laboratoriais
· Fontes e tipo de risco
· Número de casos e de óbitos
· Condições que influenciam a propagação das doenças e medidas sanitárias
aplicadas.
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NíveL Central
Avaliação e notificação
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Secção 1:
Identificação de casos.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Consulta diária nas unidades de · Profissionais de Saúde: Clínicos Definições padronizadas de caso
saúde e enfermeiros suspeito para profissionais de
saúde
Comunidade · Autoridades locais: Regedores, Definições de caso suspeito para
Sobas, seculos comunidade
· Terapeutas tradicionais,
parteiras e outros promotores
de saúde
· Qualquer membro da
comunidade
· Pontos de Entrada
Busca activa nas unidades · Supervisor provincial e Lista de doenças prioritárias e
sanitárias municipal de vigilância definições de caso suspeito
epidemiológica
Busca activa na Comunidade · Supervisor provincial e municipal Definições de caso suspeito para
de vigilância epidemiológica a comunidade e lista de doenças
prioritárias
Análise da Informação · Supervisor provincial e municipal Limiares epidémicos para as
Epidemiológica de vigilância epidemiológica doenças sob vigilância
epidemiológica (normas ou
critérios de alerta)
Meios de Comunicação · Jornalistas, activistas Informação das autoridades de
saúde e ou da comunidade
(entrevistas)
Instituições e Organizações Locais · Membros Definição de caso para a
comunidade
· Actualizar, pelo menos uma vez por ano, a informação acerca da área de
saúde e incluir os resultados da avaliação dos riscos.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
O ponto focal de vigilância a cada nível do sistema de saúde deverá manter uma lista
actualizada dos laboratórios que tenham capacidade para efectuar os testes
laboratoriais necessários. (Ver Anexo 1E)
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Anexos à Secção 1
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
2 Diarreia com sangue Caso suspeito: uma pessoa com diarreia com sangue visível nas fezes.
6 Febre Tifóide Caso suspeito: uma pessoa com manifestação de febre gradualmente
aumentada e depois persistentemente elevada, arrepios, mal-estar,
dor de cabeça frequente, garganta inflamada, tosse e, por vezes,
dores abdominais e obstipação ou diarreia.
7 Lepra Caso suspeito: uma pessoa que mostre um de três sinais principais de
lepra: lesão cutânea de baixa pigmentação ou avermelhada, perda ou
decréscimo de sensibilidade, lesões dérmicas, dilatação dos nervos
periféricos.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Malnutrição em crianças:
- Crianças menores de 5 anos com insuficiência ponderal
(indicador: peso para a idade, valor Z
<-2)
- Crianças de 6 a 59 meses com indicadores do PB <11,5 cm
(alto risco de mortalidade)
- Edema bilateral
Malnutrição nas mulheres grávidas: As mulheres grávidas que têm
bebés com baixo peso à nascença (peso à nascença < 2,5 Kg) (o fraco
estado nutricional e de saúde das mulheres pode indicar que grupos
da população podem beneficiar de melhores cuidados prénatais para
as mulheres e cuidados neonatais para os bebés).
10 Meningite Caso suspeito: qualquer pessoa com manifestação súbita de febre
Meningocócica (rectal >38,5ºC ou axilar 38,0ºC) e um dos seguintes sinais: rigidez do
pescoço, alteração da consciência ou outros sinais de meningite.
11 Oncocercose Caso suspeito: numa zona endémica, uma pessoa com nódulos
fibrosos em tecidos subcutâneos.
14 Raiva Caso suspeito: uma pessoa com um ou mais dos seguintes sintomas:
dor de cabeça, dor de pescoço, náusea, febre, engasgou ou deglutir
(hidrofobia), ansiedade, agitação, sensações anormais de formigueiro
ou dores no ponto da mordedura, quando se suspeita de contacto
com um animal atacado de raiva.
15 Sarampo Caso suspeito: uma pessoa com febre e erupção maculopapular (não
vesicular) generalizada e tosse, coriza ou conjuntivite (olhos
inflamados) ou uma pessoa cujo médico suspeite que tem sarampo.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
19 Caso suspeito:
Tripanossomiase
Estádio precoce: uma chaga indolor originalmente como uma pápula
Humana Africana evoluindo depois para um nódulo no primeiro ponto da picada da
(doença do sono) mosca. Pode surgir febre, intensa dor de cabeça, insónia,
linfadenopatia indolor, anemia, edema local e prurido.
Estádio tardio: caquexia, sonolência e sinais do sistema nervoso
central.
.
20 Caso suspeito: uma pessoa com tosse há 3 semanas ou mais.
Tuberculose
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
11 Malnutrição Aguda Qualquer pessoa com perda muito grande peso e/ou
apresente aumento de volume dos 2 membros inferiores
(pernas e pés).
12 Meningite Qualquer pessoa com febre e rigidez da nuca
Meningococcica (pescoço)
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
21 Tétano Neonatal Bebé que nasceu bem, chorava e mamava bem e apartir
do terceiro dia deixou de mamar, chorar, não abre a boca
e o corpo fica rijo .
EXEMPLO:
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
MODELO:
45
Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Este quadro destina-se a ser usado como uma rápida referência. A informação deve ser
utilizada quando os eventos ou doenças prioritárias suspeitas forem notificadas a
partir da unidade sanitária, ou sempre que houver alguma notificação de suspeita de
surto. Para mais informações sobre confirmação de surtos de eventos ou doenças
prioritárias, dever-se-ão consultar as orientações específicas para as doenças, na
Secção 8.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Cólera
Isolar o V. cholerae da cultura de Fezes líquidas ou Colher a amostra de fezes do · Colocar a amostra (fezes ou Os testes da cólera podem não se efectuar
primeiro caso suspeito de cólera. cotonete rectal) num recipiente sistematicamente em todos os laboratórios.
fezes e determinar o serotipo O1, cotonete rectal limpo e bem vedado e enviá-lo para
usando anti-soro polivalente para o Se houver mais de um caso o laboratório no espaço de 2 horas.
suspeito, colher amostras de 5 a Os resultados da cultura demoram normalmente
V. cholerae El Tor O1. · Se se previr um atraso superior a 2
10 casos. Colher fezes dos 2 a 4 dias, após a chegada da amostra ao
horas, colocar as fezes/ cotonete laboratório.
Se for desejável, confirmar a doentes que se ajustem à rectal numa base de transporte
identificação com os anti-soros Inaba definição de caso e: Cary-Blair. A base de transporte Cary-Blair é estável e
e Ogawa. - início nos últimos 5 dias, e normalmente eficaz durante, no mínimo, um
Se não houver base de transporte e a ano após a preparação, não exigindo
- antes do início do amostra não chegar ao laboratório no
tratamento com refrigeração, se for mantida estéril e em
prazo de 2 horas:
antibióticos recipiente convenientemente selado. Se a base
- armazenar entre 4C e 8C
Não atrasar o tratamento de mudar de cor (para amarela) ou se retrair
- não deixar secar a amostra. Se (superfície côncava), não voltar a usar.
doentes desidratados. As necessário, adicionar uma
amostras podem ser colhidas pequena quantidade de NaCl a O serotipo O139 nunca foi notificado em África,
após o início da reidratação (SRO 0,85%
apenas em certas zonas do sudoeste asiático.
ou terapia IV). - para enviar, transportar num
recipiente bem vedado e A determinação serológica de Ogawa ou Inaba
etiquetado não é clinicamente necessária. Também não se
- transportar o recipiente numa exige saber se os resultados dos anti-soros
caixa frigorífica entre 4°C e 8°C polivalentes são claramente positivos.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
HIV ELISA para o VIH Obter amostras de acordo com a Usar precauções universais para Os testes do HIV são estritamente
Soro
estratégia do Programa Nacional minimizar a exposição a objectos regulamentados com um controlo rigoroso das
ou de Luta contra a SIDA para cortantes e a fluídos corporais. informações.
amostras clínicas ou
Consultar as orientações do epidemiológica Para ELISA: Normalmente, os resultados estão prontos no
programa nacional HIV/SIDA para o · Colher 10 ml de sangue venoso prazo de uma semana, a partir da chegada ao
teste diagnóstico aconselhado nessa · Deixar o coágulo retrair-se laboratório.
área durante 30 a 60 minutos, à
temperatura ambiente ou
centrifugar para separar o soro
dos glóbulos vermelhos
· Deixar escorrer o soro
assepticamente para um tubo
estéril com tampa de rosca
· Guardar o soro a 4ºC
· Enviar as amostras de soro numa
embalagem adequada para evitar
quebras ou derrame
Infecções sexualmente
transmissíveis (ISTI) Não é exigida confirmação laboratorial de rotina para vigilância.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Malaria · Presença de parasitas da malaria Sangue Para esfregaço de sangue: Para esfregaço do sangue: Os resultados do esfregaço espesso ou
nas amostras de sangue, em preparar a amostra de fino podem estar disponíveis no próprio
casos suspeitos admitidos para · Colher directamente o sangue para as
Normalmente, sangue em todos os casos lamelas do microscópio bem limpas e dia da preparação.
internamento nos serviços
amostra colhida num suspeitos etiquetadas e preparar esfregaços
espessos e finos O exame microscópico das lamelas da
dedo
· Hemoglobina ou hematócrito · Deixar secar bem os esfregaços malaria pode também revelar a presença
para casos suspeito de malaria, de outros parasitas no sangue.
em crianças de 2 meses a 5 anos. Método da colheita · Colorir com o corante e a técnica
num dedo, ou outro apropriados
qualquer aceite para · Guardar as lamelas coradas e bem secas à
colher sangue de uma temperatura ambiente, longe da exposição
à luz solar.
criança
Sarampo Presença no soro de anticorpos Soro Amostras de sangue colhidas · Em crianças, colher 1 a 5 ml de sangue A amostra deverá chegar ao laboratório
IgM para o vírus do sarampo em 5 casos suspeitos de venoso, conforme o tamanho da criança, no prazo de 3 dias após a colheita.
para um tubo de ensaio, tubo capilar ou
sarampo, se o número de micro-recipiente
casos exceder o limiar da Os resultados saem normalmente 7 dias
· Separar os glóbulos do soro: depois.
epidemia de sarampo
(normalmente mais de 5 - Deixar o coágulo secar de 30 a 60
minutos à temperatura ambiente. O surto só é confirmado, se forem
casos por município e por
Centrifugar a 2000 rpm durante 10-20 confirmados pelo laboratório de 2 a 5
mês). minutos e deitar o soro num tubo de casos suspeitos de sarampo.
vidro limpo.
- Colher amostras de - Se não houver centrifugadora, pôr a Evitar agitar a amostra antes da
todos os casos amostra no frigorífico durante a noite (4 retracção do soro.
suspeitos de sarampo a 6 horas) até o coágulo se retrair.
- Colher soro para o Despejar o soro na manhã seguinte. Para evitar a proliferação de bactérias
teste dos anticorpos na - Se não houver centrifugadora nem garantir que o soro é deitado num tubo
primeira oportunidade frigorífico, deixar o sangue repousar em de ensaio de vidro, bem limpo. O tubo de
ou na primeira visita ao ângulo, pelo menos 60 minutos (não ensaio não precisa de ser esterilizado,
serviço de saúde. agitar nem transportar num veículo).
Despejar o soro num tubo limpo. basta que esteja limpo.
· Armazenar o soro a 4°C. Transportar o soro num recipiente para
· Enviar as amostras de soro numa vacinas do PAV, de 4C a 8C, para evitar
embalagem apropriada para evitar quebras a proliferação de batérias (até 7 dias).
ou fugas durante o transporte.
Sem frigorífico, o soro armazenado num
tubo limpo pode manter-se pelo menos 3
dias.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Presença de bacilo ácido-resistente Secreções Aspirar secreções (não saliva) para · O esfregaço deverá ser analisado na A microscopia da TB faz-se diariamente.
Tuberculose unidade sanitária onde a amostra foi
(AFB) em esfregaços corados Ziehl pulmonares microscopia directa de esfregaço e A contagem das micobatérias
colhida.
Neelsen (ZN) analisar, no mínimo, 2 amostras observadas é registada através de vários
(Esfregaço positivo de coradas tiradas em dias diferentes. métodos de notificação. Consultar os
tuberculose pulmonar) critérios usados pelo laboratório que fez
a análise.
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Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta
Febre amarela ELISA para a presença de anticorpos IgM Soro Colher amostras do primeiro · Colher 10 ml de sangue venoso em A amostra deverá chegar ao laboratório
caso suspeito de febre amarela. adultos, 1-5 ml em crianças, para um tubo no prazo de 3 dias após a colheita.
da febre amarela de ensaio de vidro, tubo capilar ou micro-
Se houver mais do que um, recipiente. Evitar agitar a amostra antes da colheita
colher amostras de 5 a 10 casos · Separar os glóbulos do soro: do soro.
suspeitos. - Deixar o coágulo retrair-se 30 a 60
minutos à temperatura ambiente. Para evitar a proliferação de bactérias,
Centrifugar a 2000 rpm por 10-20 assegurar-se de que o soro foi colocado
minutos e pôr o soro num tubo de vidro num tubo de ensaio de vidro bem
limpo.
limpo. O tubo de ensaio não precisa de
- Se não houver centrifugadora, pôr a ser esterilizado, basta estar limpo.
amostra no frigorífico durante a noite
(4 a 6 horas) até o coágulo se retrair. Transportar o soro numa caixa manual
Retirar o soro na manhã seguinte.
de vacinas do PAV, de 4ºC-8ºC, para
- Se não houver centrifugadora nem evitar a proliferação de bactérias (até 7
frigorífico, deixar o sangue repousar em
ângulo, no mínimo 60 minutos (sem dias). Se não for arrefecido, o soro
agitar ou transportar em veículos). armazenado num tubo limpo manter-
Colocar o soro num tubo limpo. se-á no mínimo 3 dias.
· Armazenar o soro a 4°C.
· Enviar as amostras de soro numa
embalagem apropriada, para evitar
quebras ou fugas durante o transporte.
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Os municípios deverão também estar alertas e notificar eventuais eventos invulgares que
possam afectar a saúde das pessoas.
A notificação imediata permite uma tomada de acção oportuna para evitar a reemergência
ou a rápida propagação de doenças ou eventos de potencial epidémico, especialmente
doenças causadas por agentes infecciosos, químicos ou radionucleares, altamente
patogénicos e letais. A notificação imediata é indicada sempre que exista suspeita de
doença com potencial epidémico ou de qualquer outro Evento de Saúde Pública de Ambito
Internacional (ESPAI) ou então quando tal é exigido pelo Regulamento Sanitário
Internacional. As doenças e/ou eventos que requerem notificação imediata ao nível
seguinte encontram-se na lista do quadro 2.
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Quadro 2.
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„ Estrutura Notificada
(Repartição municipal de
Saúde; Direcção Provincial
de Saúde)
ƒ Procedimentos da notificação
epidemiológica (tipo de
notiificação, instrumentos, fluxograma,
prazos)
• Dados a serem
transmitidos
(Casos suspeitos, surtos ou
eventos relevantes)
‚ Estrutura Notificadora
(Unidade sanitária,
comunidade, ONGs)
· Notificação de Rotina:
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
subtipo
ESPAI X X X
Efeitos Adversos Após X X X
Vacinação (EAAV)
Varíola X X X
Peste X X X
Malária X X
Difteria X
Febre Tifóide X
Infecções de Transmissão X
Sexual
Lepra X
Malnutrição Aguda X
Oncocercose X
Peste X X X
Raiva X X X
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Schistossomiase X
SIDA (Sindroma de X
Imunodeficiencia Adquirida)
Hepatitis virais X
Tuberculose X
Tripanossomiase Humana X
Africana
Mortes maternas X
Acidentes rodoviarios X
Hipertensão Arterial X
Diabetes Mellitus X
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
· Fazer o relatório inicial (verbal) pelo meio mais rápido possível (telefone,
mensagem de texto, fax, e-mail, radiotelefone). A unidade notificadora deverá
contactar a autoridade municipal de saúde imediatamente e fornecer as
informações sobre o doente.
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Esta ficha deve ser preenchida em duas vias. Enviar o original para o município. Uma das
cópias deverá ficar na unidade sanitária. A segunda via será usada para o envio da amostra
para o laboratório.
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Certificar-se que:
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Registar zero (“0”) para cada uma das doenças de notificação imediata, mesmo não
havendo casos detectados ao longo dessa semana ou mês. Assim, o pessoal do nível
seguinte saberá que a notificação apresentada pela unidade sanitária ou pelo município está
completa.
Registar o (0) zero para cada uma das doenças imediatamente notificáveis quando não
forem detectados casos durante a semana, indica ao pessoal do nível seguinte que o
formulário está completamente preenchido.
O resumo dos dados é importante para a análise após a detecção de um caso inicial,
suspeito ou confirmação de um surto. Por exemplo, na unidade de saúde ou no município,
o ponto focal de vigilância pode traçar uma curva epidémica para verificar se os limiares
epidémicos de determinadas doenças foram ultrapassados. Além disso, esse dado pode ser
usado para verificar se a taxa de letalidade está abaixo ou acima dessa meta.
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
A análise semanal dos dados deverá ainda apontar eventuais grupos de alto risco
relacionados com a localização ou residência do doente, grupo etário, sexo e exposição
durante eventos sociais (por exemplo, um funeral), riscos ocupacionais (por exemplo, cortar
carne), consumo de carne de caça, ou exposição a alimentos ou bebidas contaminados.
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Quadro 3
Doenças que requerem relatórios-síntese mensais
Hepatite Viral Aguda Malária
VIH/SIDA (Novos Casos) Malnutrição
Diabetes mellitus Oncocercose
Diarreia em menores de 5 anos Pneumonia grave
Hipertensão Arterial Infecções Transmissíveis Sexualmente (ITS)
Tripanossomíase
Traumatismo por acidentes Tuberculose
rodoviáriosLepra Mortes maternas
Diarreia com sangue
Febre tifoide
Schistosomiase
Tosse convulsa
· O resumo dos totais deve ser registado num formulário (ver Anexo 2D) e enviado
para o nível municipal.
· Deverão ser desenvolvidos esforços especiais para se obter junto das unidades
sanitárias o número total de doentes ambulatóriais e internados observados devido
a uma condição de saúde (incluindo os que não constam da lista da VID-R) durante o
período referido.
· Os registos dos doentes devem ser analisados para gerar os relatórios semanais,
mensais ou trimestrais. Esta informação é importante para a elaboração do perfil
epidemiológico do país.
· Todos os dados deverão ser partilhados com as autoridades de saúde, com uma
cópia para o Departamento de Prevenção e Controlo de Doenças: isto é importante
para a coordenação a nível central e para a criação ou reforço do sistema nacional de
base de dados da VID-R.
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Em algumas unidades de saúde, pode haver mais do que um responsável pelo registo da
informação sobre os doentes observados no serviço.
Por exemplo:
· Os médicos registam o nome do doente e o diagnóstico numa ficha clínica
No caso da unidade de saúde estar equipada com computadores, os registos individuais dos
doentes deverão ser introduzidos, dos quais será extraída a informação da vigilância para
ser compilada e analisada.
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Verificar as doenças ou eventos que exigem notificação imediata para a vigilância baseada
em casos, incluindo ESPAI e outras doenças prioritárias ou eventos de preocupação
nacional. Por exemplo, todos os profissionais de saúde deverão estar alertados para as
doenças de potencial epidémico, para as quais um simples caso constitui um surto suspeito
que exige uma acção imediata, assim como para qualquer ocorrência invulgar ou
inexplicável, passível de afectar a saúde das pessoas.
Garantir que a unidade de vigilância tenha acesso a meios de comunicação rápidos (fax,
telefone, mensagem de texto, correio electrónico, telegramas, mensagens pessoais ou
quaisquer outros meios de comunicação rápida). Para o município, especificar como deverá
ser feita a notificação ao nível provincial ou nacional e quem deverá ser contactado nesses
níveis.
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
· Farmacêuticos
· Professores
· Médicos privados
· Pessoal das clínicas privadas
· Líderes comunitários
· Líderes religiosos
· Terapeutas tradicionais
· Outros
· Dando informação suficiente acerca das doenças, para que a fonte da comunidade
possa encaminhar os casos para a unidade de saúde ou notificar quando ocorrerem
na comunidade eventos de saúde invulgares ou inexplicáveis.
· Se ocorrerem mais de 10 casos num determinado período, usar uma listagem em vez
da ficha de notificação de caso a caso para notificar semanalmente os casos.
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Anexos a Secção 2
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Parte II. Esta secção deverá ser preenchida pelo laboratório e o formulário devolvido ao Município e ao médico
Variáveis Respostas
1 Nome e localização do Laboratório
Data em que o laboratório recebeu a amostra
2 \___\___\___\
(dia/mês/ano)
3 Estado da amostra: (adequado/não adequado)
4 Tipo de teste realizado
5 Resultados finais do laboratório
Data (dia/mês/ano) em que o laboratório enviou os
6 \___\___\___\
resultados ao município
Data em que os resultados foram enviados ao médico
7 \___\___\___\
(dia/mês/ano)
Data em que o município recebeu os resultados
8 \___\___\___\
laboratoriais (dia/mês/ano)
* Sangue, Plasma, Soro, Aspirado, LCR, Pus, Saliva, Biópsia, Fezes, Corrimento Uretral/Vaginal, Urina, expectoração,
amostras de alimento/água
** O mesmo que o identificador do doente no formulário de VID-R de notificação imediata baseada em casos
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
INTRODUÇÃO: O Livro de Registo de Doentes deve ser utilizado por todas as unidades
sanitárias onde se fazem consultas externas ou de banco de urgência, independentemente
da categoria do técnico que as realiza.
Este registo deverá ser utilizado para todas as consultas, com excepção as de puericultura e
de seguimento à grávida, que têm modelos próprios para o efeito. Porém, se nessas
consultas (de puericultura e de seguimento à grávida) houver doenças, essas deverão ser
inscritas no livro de registo de doentes.
A informação contida neste livro servirá para:
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
· Indicações: Nem sempre se justifica o recurso aos fármacos para o doente. Podem
dar-se informações ou conselhos ao doente. Deve-sereferir nesta coluna.
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Malaria (em 5 Malária simples: qualquer pessoa com febre ou história de febre no espaço
provincias:Cunene, de 24 horas, sem sinais de doença grave (disfunção de um órgão vital) é
Namibe, [Link], Huila diagnosticada clinicamente como tend a malária.
e Luanda) Malária simples confirmada: qualquer pessoa com febre ou história de febre
no espaço de 24 horas; e com confirmação laboratorial de diagnóstico de
malária por esfregaço sanguíneo ou outro teste diagnóstico para parasitas d a
malária.
Malaria grave não confirmada: um doente hospitalizado com doença febril
grave, acompanhada de disfunção de um órgão vital clinicamente
diagnosticado.
Malaria grave confirmada: um doente hospitalizado com parasitemia
assexual por P. falciparum, como confirmado por testes laboratoriais,
acompanhado de sintomas e sinais de doença grave (disfunção de um órgão
vital) laboratorialmente diagnosticada.
Outra doença, evento ou Detalhar informação
surto ocorrido
_______________
B. NOTIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO DE MEDICAMENTOS, MATERIAIS CRÍTICOS E EQUIPAMENTOS
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
N. Unid. Sanitarias Existentes: N. Unid. Que Notificaram a tempo: N. Unid. Que não Notificaram:
COMUNAS ou COMUNAS Nº DE UNIDADES QUE PARALISIA SARAMPO TETANO MENINGITE MALARIA Cólera OUTRO:
TOTAL
NOTA: Sim não existe informaçao de uma localidade, se escreve "S/ I" (Sem Informação)
ANALISE, INTERPRETAÇÃO E ACÇOES TOMADAS: (Outra doenca ou evento
Durante a presente semana epidemiológica informa-se que o Nivel Municípal apresentou: anormal não esclarecido ou não conhecido:
O qué esta esgotado ou avariado: (Indicar qual é
Rotura de stock de Avaria dos aparelhos de cadeia de frio
a vacina, material, medicamentos, formulário ou
vacinas ou material de ________________________________________________________________
aparelho avariado)
vacinação.
Rotura de stock de Falta de combustível para cadeia de frio ou meio de transporte _____
medicamentos
essenciais ou ____________________________________________
reargentes de __
Rotura de stock de Avaria dos meios rolantes: bicicleta ou motorizada ou carro __________________________________________________________Nome
fichas ou formulários de do tecnico_____________________________________________
registo
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N. Unid. Sanitarias Existentes: N. Unid. Que Notificaram a tempo: N. Unid. Que não Notificaram:
COMUNAS ou COMUNAS Nº DE UNIDADES QUE PARALISIA SARAMPO TETANO MENINGITE MALARIA Cólera OUTRO:
ZONAS SILENCIOSAS NOTIFICARAM FLACIDA AGUDA NEONATAL
(Marcar com "X" para Febre Amarela
as que não HOSPITAIS OUTRAS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS ÓBITOS CASOS
informaram)
TOTAL
NOTA: Sim não existe informaçao de uma localidade, se escreve "S/ I" (Sem Informação)
ANALISE, INTERPRETAÇÃO E ACÇOES TOMADAS: (Outra doenca ou evento
Durante a presente semana epidemiológica informa-se que o Nivel Municípal apresentou: anormal não esclarecido ou não conhecido:
O qué esta esgotado ou avariado: (Indicar qual é
Rotura de stock de Avaria dos aparelhos de cadeia de frio a vacina, material, medicamentos, formulário ou
vacinas ou material de ________________________________________________________________
aparelho avariado)
vacinação.
Rotura de stock de Falta de combustível para cadeia de frio ou meio de transporte _____
medicamentos
essenciais ou ____________________________________________
reargentes de __
Rotura de stock de Avaria dos meios rolantes: bicicleta ou motorizada ou carro __________________________________________________________Nome
fichas ou formulários de do tecnico_____________________________________________
registo
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...Verso
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...Verso
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...Verso
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
· Consentimento informado
O pessoal de saúde deverá assegurar-se de que a informação é apenas usada para as
finalidades previstas. A comunidade espera que essa informação seja usada só para fins de
investigação. Poderá haver uma legislação nacional ou institucional que especifique quais os
usos permitidos e quando será necessário pedir o consentimento prévio do doente. O
pessoal de saúde pública deve respeitar essas leis.
90
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
91
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Secção 3:
Análise dos Dados
92
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Os dados devem ser analisados nos diferentes niveis em que são recolhidos (local,
municipal, provincial, central) para que os produtores dos mesmos sejam
igualmente utilizadores no quadro do aperfeiçoamento das actividades de saúde
pública de acordo com o nível de responsabilidade.
De uma forma geral, a análise dos dados de vigilância de rotina deverá responder as
seguintes questões:
93
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94
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Quando houver uma emergencia de saude publica, os dados referentes aos casos e os
óbitos deverão ser notificados e compilados diaria e semanalmente.
Proceder a uma cuidadosa revisão para se assegurar que não houve erros durante a
introdução. Visto que os dados da vigilância servem de base às decisões sobre acções de
95
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
· Onde ocorrem
· Quando ocorrem
Esta informação consta nos livros de registo e fichas do doente. É importante apresentar
estes dados em tabela, gráfico ou mapa. Quando os dados são apresentados deste modo,
podem ser mais facilmente interpretados, permitindo observar os seus padrões e
tendências. Os consolidados semanais e mensais dos dados de rotina das doenças
prioritárias devem ser analisados mensalmente em todos níveis (unidade sanitária,
municipal, provincial e central), divulgados (afixados na parede, apresentados em reuniões
locais, etc.) e mantidos numa pasta de arquivo.
A pasta de arquivo da análise pode ser facilmente consultada durante uma visita de
supervisão. Verificar como criar e manter um arquivo de análise no Anexo 16.
O quadro seguinte apresenta uma lista dos métodos e instrumentos para analisar os dados
de vigilância, de forma a que o técnico de saúde tenha a informação necessária para iniciar
acções de resposta.
96
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
A observação das alterações das tendências e taxas de uma doença, alerta-nos para
a identificação das ocorrências em causa e permite propor acções adequadas para
controlar ou evitar um novo recrudescimento da doença ou evento.
97
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Por exemplo, o gráfico pode indicar a data em que foram efectuados cursos de
actualização para o pessoal de saúde, em gestão dos casos de Assistência Integrada
as Doenças da Infância (AIDI).
Os gráficos podem ser feitos com barras (gráfico de barras) ou com linhas (gráfico de
linhas), para medir o número de casos ao longo do tempo. O número de casos e/ou
óbitos da doença ou evento é colocado na vertical ou no eixo Y. O período de tempo
a avaliar coloca-se na horizontal ou eixo X.
10
8
6
4
2
0
16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
16 de Julho - 11 de Agosto
30
25
20
Casos
frequência
15 Óbitos
10
0
1 3 5 7 9 11 1 3 5 7 9 11
meses
98
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
M e______
R ep orted ______ a s le s ___ C ases and Dea th s by M onth,
______2 00_______
0 -2 0 0 2 __
Y e a rs
In -P a tie n ts
25
20 Cases Death s
15 C as es w i th la b
c o n f ir m a t io n
10
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
D e a t hs 0 0 3 2 3 2 2 0 0 0 0 0 1 1 1 0 0
C a s es 4 0 14 9 13 1 5 12 3 2 0 0 1 3 7 4 0 2
C as e F ata lity R at io 0 0 21 22 23 13 16 0 0 0 0 0 33 14 25 0 0
50 O u t- P a t ien t s
Cases Deaths
40 C as es w it h la b
c o n f ir m a t io n
30
20
10
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
D ea th s 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0
Ca s e s 14 0 29 3 5 5 3 5 4 37 28 10 5 4 1 21 11 9 3 4
C as e Fa tali ty R ati o 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 9 0 0 0
2 0 00 Mo nth 2 0 01 20 02
99
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Elaborar um Grafico:
Para cada unidade de tempo do eixo horizontal, marcar o número de casos no eixo
100
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
vertical. Preencher um quadradinho para cada caso, ou para certo número de casos,
na coluna do dia em que o doente foi observado.
101
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102
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· Grupo etário
· Sexo
· Profissão
· Habitação urbana ou rural
· Situação vacinal
· Factores de risco
103
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
· Resultados
· Classificação final
Usar a informação específica das doenças para decidir quais as variáveis a comparar. Por
exemplo, se tiver sido recolhida informação sobre um surto de malária, especificar os níveis
etários visados pelo Programa Nacional de Luta contra a malária. Comparar os níveis etários
dos casos detectados nas crianças pequenas (entre 2 e 59 meses de idade), com os casos de
crianças mais velhas (entre 5 e 14 anos de idade) e os casos em adultos (15 anos ou mais).
Tratando-se de doenças que são notificadas pela vigilância baseada em casos, é provável
que haja dados disponíveis sobre as características pessoais. A análise por pessoa não é
recomendada como tarefa de rotina para resumo de dados.
Identificar numeradores e denominadores
Uma simples contagem dos casos não fornece toda a informação necessária para
compreender o impacto da doença sobre a comunidade, unidade de saúde ou município. As
percentagens e taxas são úteis para comparar a informação notificada ao município.
O primeiro passo para analisar os dados referentes a uma pessoa é identificar o numerador
e o denominador, para calcular, percentagem e taxas:
104
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
A 42
B 30
Olhando apenas para o número de casos notificados, parece que a maior incidência
de casos de sarampo ocorreu na unidade sanitária A.
A 3.65%
B 5.0%
Para cada evento ou doença prioritária sob vigilância, usar uma tabela
para analisar as características das pessoas que estão a adoecer. Uma
105
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
0 - 4 anos 40 4 44
5-14 anos 9 1 10
15 anos ou mais 1 0 1
Idade desconhecida 28 0 28
Total 78 5 83
106
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15 anos ou mais 1 1%
Total 78 100%
107
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Neste exemplo:
108
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
15 anos ou mais 1 0 0
Idade desconhecida 28 0 0%
Total 78 5 6%
109
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110
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111
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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113
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114
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Anexos à Secção 3
115
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Um plano simples para a análise de rotina dos dados da vigilância deverá incluir tabelas,
gráficos e mapas.
2. Calcular os totais municipais (ou de outro nível) por semana ou mês. Actualizar o
número total de casos e óbitos notificados durante o ano inteiro. Esta informação
resumida ajuda a descrever o que aconteceu num determinado período de
notificação.
117
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Resultado
Sexo Total Taxa de Letalidade
Casos Óbitos
F 114 84 122 7
M 120 9 129 7
Total 234 17 251 7
118
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Escolher um título que descreva o conteúdo do gráfico (por exemplo, Totais mensais para
2.
casos e óbitos de doentes internados devido a malária com anemia grave).
Legendar o eixo horizontal e marcar nele as unidades de tempo. O eixo horizontal está
5. dividido em unidades de tempo iguais. Normalmente, começar-se-á com o início de um surto,
ou o início de um período de tempo, como uma semana, mês ou ano.
Marcar o número de casos no gráfico ou histograma. Para cada unidade de tempo no eixo
horizontal, procurar o número de casos no eixo vertical. Preencher um quadrado para cada
caso, ou para um certo número de casos, na coluna do dia em que o doente foi visto. Mostrar
7. os óbitos, usando um padrão diferente de linhas ou uma cor diferente. Tratando-se de um
gráfico linear, em vez de desenhar uma barra ou preencher quadrados, desenhar uma cruz ou
assinalar o ponto em que as linhas horizontais e verticais se cruzam. Ligar esses pontos no
gráfico, para mostrar a tendência de aumento ou de diminuição ao longo do tempo.
119
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120
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15 anos ou mais
Sub-total
Idade desconhecida
Total
Rural
Sub-total
Localização
desconhecida
Total
121
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Masculino
Sub-total
Desconhecido
Total
Doente ambulatório
Sub-total
Desconhecido
Total
Zero doses
1 dose
2+ doses
Subtotal
Desconhecido
Total
122
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123
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124
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125
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quando se tratar de doenças com um elevado potencial epidémico ou com altas taxas de
letalidade, (por exemplo, sarampo, meningite meningococcica, febre amarela))
NOTA: Determinadas doenças ou eventos exigem uma investigação que deve ser
iniciada com a maior brevidade possível. Os municípios devem ter como meta a
investigação de surtos epidémicos e ou eventos no prazo de 48 horas após
notificação.
NOTA: Os limiares que são estabelecidos pela política nacional para certas doenças
não sofrem alterações entre os municipios ou unidades de saúde, visto que se
tratam de limiares para desencadearem a notificação imediata.
126
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
A finalidade deste instrumento é garantir que a notificação de cada surto suspeito, evento
ou rumor possa suscitar uma tomada de acção e de decisão. Manter este registo ajudará a
recolher informação para avaliar a pontualidade e a integridade do processo de
investigação do surto e de resposta.
127
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Após ter em conta os factores acima descritos, a situação pode exigir uma resposta mais
urgente do que a habitual. Por exemplo, as notificações de casos suspeitos de uma febre
hemorrágica viral são tratadas com maior urgência do que as notificações de doenças
menos virulentas, dado o seu potencial epidêmico com elevadas taxas de mortalidade e de
rápida transmissão.
Independentemente dos factores, todos os surtos suspeitos, eventos e rumores (incluindo
os casos de notificação imediata) das unidades de saúde têm de ser notificados no prazo de
48 horas.
Deve planificar-se o uso de métodos apropriados, que sejam relevantes para a condição ou
doença a ser investigada. Se as actividades de preparação e resposta às epidemias se
realizaram no município ou unidade sanitária, o técnico com capacidade para participar na
investigação já deve estar identificado e devidamente formado.
128
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
O técnico de saúde deve ser informado sobre as tarefas a realizar e as suas funções de apoio
e ser motivado positivamente para a investigação. Convém, pois, verificar se a equipa de
investigação compreende o elo que existe entre a investigação e a escolha das actividades
de resposta para prevenir novos casos e salvar vidas. Assegurar-se de que o técnico de
saúde tem acesso e sabe usar o equipamento de protecção individual necessário e as
relevantes precauções universais contra a eventual causa do surto ou eventos.
Elaborar um plano para a comunicação. Preparar um diagrama que mostre quem deve
notificar e a quem e como a informação é transmitida no seio da equipa de investigação e
entre o município e outros níveis, incluindo o nível local. Por exemplo, definir quem
comunicará com o Ministério da Saúde, a imprensa e a comunidade. Estabelecer os
métodos de comunicação e a frequência com que ela deve ser feita durante um surto, para
manter as autoridades informadas. Esses métodos podem incluir actualizações diárias por
radio, telefone, fax, correio electrónico ou teleconferência.
129
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
[Link] transportes
130
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131
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Reforçar a gestão dos casos na unidade sanitária (ou onde os doentes estiverem a
ser examinados). Fornecer aconselhamento, apoio e material à unidade sanitária,
em conformidade com as orientações para gestão de casos. Por exemplo:
132
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Nas unidades sanitárias que notificaram casos, procurar outros casos nos
respectivos arquivos. Procurar outros doentes que possam ter
apresentado sinais e sintomas iguais ou semelhantes aos do evento ou
doença que está a ser investigada. Pedir ao técnico de saúde e ao técnico
do hospital que procurem casos semelhantes nos arquivos das unidades de
saúde mais próximas.
Ver no Anexo 18, no final desta secção, as instruções para fazer o estudo
dos registos. Garantir o acompanhamento dos casos que tenham recebido
alta da unidade sanitária .
133
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
134
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Durante a fase inicial do surto epidémico procurar dados sobre o local onde o surto
está a ocorrer, para onde se desloca, a sua origem (de uma fonte comum, por
exemplo, um poço ou um funeral) e as pessoas em risco de contraírem a doença
(por exemplo, crianças, refugiadas, pessoas que vivem em áreas rurais, etc).
135
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
NOTA: O interesse em assinalar estes eventos com setas é para avaliar se a detecção, a
investigação e a resposta ao surto foram feitas em tempo oportuno. Por exemplo,
monitorizar o intervalo entre o aparecimento do primeiro caso na comunidade e a
altura em que o primeiro caso foi observado na unidade sanitária é um indicador do
conhecimento que a comunidade tem sobre os sinais e sintomas da doença e a
necessidade de transferir os casos para uma unidade sanitária.
136
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
137
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Por exemplo:
§ Se a curva assumir subitamente uma forma ascendente acentuada, para
depois voltar a descer com a mesma rapidez, a exposição ao agente causal
138
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
139
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
140
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Anexos à secção 4
IDENTIFICAÇÃO
Província____________________ Município___________________ Comuna/ Bairro____________
Data do nascimento ____/____/______ ( 99 = data ignorada) Idade : _______ anos _______ meses
NOTIFICAÇÃO / INVESTIGAÇÃO
Técnico Notificador:_____________________________ Data de notificação:___/___/___ Data de Investigação ___/___/____
HISTÓRIA CLINICA : Data do início da paralisia :___/___/___ Febre ao início da paralisia 1= Sim
2 = Não
1= Sim
Progressão máxima da paralisia em 0–3 dias: 1= Sim Paralisia Flácida: 2 = Não Paralisia Assimétrica: 1= Sim
2 = Não 9 = Ignorado 2 = Não
BE BD BE = Braço Esquerdo
Localização da paralisia BD = Braço Direito
PE = Perna Esquerda
PE PD PD = Perna Direita
ESTADO VACINAL: OPV dose: Nascimento :__/__/__ 1ª dose :__/__/___ 2ª dose: __/ __/___
Numero total doses (sem dose de nascimento) 3ª dose ___/___/___ N.º doses de campanha Data da última dose
___/___/___
99 = ignorado
COLHEITA DAS AMOSTRAS FECAIS : Data 1ª colheita ___/___/___ Data 2ª Colheita ___/___/____
Data de envio ao nível central ___/___/____ Data de recepção ao nível central___/___/___
Data de remessa para o laboratório Inter-País ___/___/___
142
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Preenchimento pelo DEFINIÇÃO DE CASO: FEBRE + ERUPÇÃO + UM OU MAIS DAS SEGUINTES SINAIS: § TOSSE
§ CORIZA
Nivel Central: § CONJUNTIVITE
Comuna/ Bairro
de Residencia: __________________________ Pontos de referência da área_____________________________________________
Data de nascimento _____/_____/_______ Idade : _______ anos _______ meses Idade Ignorada
Sexo : M = Masculino Nome da Unidade Notificadora : ________________________________________
F = Feminino
[Link] DE INFECÇÃO:
O paciente viajou nas últimas 3 semanas ? sim não
Se sim especifique onde: País______ Província:__________________________ Município:_____________________________
O Paciente teve contacto com outro caso de Sarampo ? sim não Se sim especifique quando: __ / ___ / _____
Onde?: Domicílio Vizinhança Escola Igreja outro local_________________
[Link]ÇÃO FINAL
Confirmado sarampo por laboratório Confirmado Epidemiologicamente
Confirmado rubéola por laboratório Compativel (Confirmado)
Descartado
Outras causas
[Link]ÇÃO DO CASO DEPOIS DA HOSPITALIZAÇÃO
ÓBITO ALTA
143
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Frente…
144
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Verso…
145
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Frente…
Verso
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
(Verso)…
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Nem todos os casos de diarreia hemorrágica são notificáveis. Só haverá notificação imediata se houver um surto
suspeito, ou porque morreu um adulto doente com diarreia hemorrágica, ou ainda porque se atingiu o limiar.
Para se saber quando notificar um surto suspeito de Shigella, deverão consultar-se as orientações específicas da
doença na Secção 9.
Se a unidade sanitária suspeitar de uma condição ou doença de uma das categorias acima
indicadas, o pessoal da unidade sanitária deverá contactar o município imediatamente por
telefone, fax, e-mail ou outro meio de comunicação rápido. Enviar o formulário como
seguimento ao relatório oral.
O formulário-modelo da página seguinte tem duas secções: na metade superior, deverá ser
registada a informação sobre cada caso individual; essa parte fornece informações que
podem ser usadas na planificação de uma investigação mais detalhada sobre o caso; a
metade inferior do formulário é um destacável a preencher pelo laboratório. Inclui espaços
para se inscreverem os resultados laboratoriais e os dados acerca da pontualidade dos
ensaios clínicos. Após o preenchimento da parte superior do formulário por parte do
pessoal da unidade sanitária ou do município, poderá fazer-se uma cópia para acompanhar
uma eventual amostra que, depois de colhida, deverá seguir para o laboratório, se for esse o
caso.
153
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
República de Angola
Ministério da saúde
Direcção Nacional de Saúde Pública
Ficha Genérica de Investigação de casos
154
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
_________________________ _________________________
Notificação da unidade sanitária Município
£ £ £ £ £ £ £ £ £ £
PFA Cólera Disenteria Tétano Sarampo Meningite Febre Febre Raiva ____________
(*) (*) neonatal hemorrágica amarela (*) Outra
viral (*)
_____/______/______
Data de Recepção s Nível Municipal
Endereço do doente:
Data da consulta na unidade sanitária: ______/_____/______ Número de doses de vacina recebidas 9=desconhecido
Data de Notificação: ______/_______/______ Para Sarampo, TT e FA- documentadas por cartão. Para a Meningite, por historial.
(*) Nestos casos a informação deverá tambem ser encaminhada ao Nivel Provincial
155
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Para a unidade sanitária: Se se colher uma amostrad laboratorial, completar com os dados seguintes. Enviar uma
cópia deste formulário ao laboratório juntamente com a amostra.
Para o laoratório: preencher esta secção e devolver o formulário à equipa e ao clínico do município
Cólera Cultura (+, -, Pendente)________ Febre amarela IgM (+ - P) Exame directo (+ - P)____________________
H. influenza Cultura (+ - P)_______ Latex (+ - P)____CCHF IgM (+ - P)__________ [Link] IgM (+ - P) ____________
______________________
Data do envio dos resultados do laboratório para o município: ______/_______/______
_____________________
Nome do laboratório que envia os resultados: ______________________________ Outros testes pendetes:
__________________
156
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Para o município:
157
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
No caso de não haver amostra colhida para análise laboratorial, o formulário está completo.
No caso de se ter colhido uma amostra para análise laboratorial, enviar uma cópia do formulário ao
laboratório, com cada uma das amostras.
18. Registar a data em que a amostra foi colhida na caixa rotulada “Com amostra para
análise”. Assinalar também a data em que a amostra foi enviada ao laboratório.
19. Assinalar com um círculo o tipo de amostra colhida (sangue, LCR, fezes, etc.).
158
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
No município:
23. Enviar um formulário completo de notificação de casos ao nível central, para registo
dos dados e respectiva análise. Enviar também os resultados laboratoriais.
159
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
(2)
(3)
(4)
(5)
(6)
(7)
NOTA: - Esta ficha deve ser usada após o registo dos 10 primeiros casos.
- Se ocorrerem mais de 100 casos numa semana (para sarampo, cólera, etc.) na unidade sanitária, não será preciso a listagem dos casos, anotar só o nº. total de
casos
- Se os casos anteriormente notificados tiverem resultado em óbitos, actualizar a situação na columna “Evolução”
Observações.
**Idade em anos, para mais de 12 meses, caso contrário, escrever a idade em meses ([Link]., 9m)
161
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Anexo 9 (Continuação)
Sintomas Apresentados (marcar com Análises laboratoriais
Número doses de “X” Amostra colhida Resultados Evolução Observações
vacina (excluir Sintoma A Sintoma B (Sim/Não). Se sim, Laboratoriais (A) – Alta
doses dadas nos data da colheita (O) – Obito
14 dias antes do (D) -
início dos Desconhecid
sintomas) o
(1)
(2)
(3)
(4)
(5)
(6)
(7)
Observações: Os dois sintomas mais frequentes tendo em conta a definição padronizada de caso (exemplo, para sarampo....).
162
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Evento ou doença Primeiros casos Local Data em que o Data em que o Resultado da investigação feita pelo
notificados (Unidade Sanitária, município foi surto suspeito município
aldeia, etc.) notificado foi investigado (Confirmado /Excluido / Desconhecido)
pelo município
(2) (6)
(1) (3) (4) (5)
163
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
(*) A data de Inicio do Surto pode corresponder a: Data de passagem do limiar (data em que se notificou casos acima do limiar de acção) , Data de início do caso índice (o primeiro
caso detectado) , ou data de detecção do primeiro agrupamento de casos
164
Secção 4 Investigação de surtos suspeitos e outros problemas
· Uma unidade de internamento que tenha mais de10 camas. Dar prioridade às
unidades sanitárias públicas .
· Unidades sanitárias que sirvam áreas remotas e populações de alto risco. Por
exemplo, grupos nómadas, refugiados ou zonas sem serviços de saúde
regulares.
2. Reunir com o pessoal da unidade de saúde e explicar a finalidade da análise
Para analizar o registo, combinar com o tecnico uma data em que ele esteja
disponível para colaborar e responder às perguntas.
· sinais e sintomas
· diagnóstico
· data de início dos sintomas
· evoluçao da doença (por exemplo, data da morte, se for relevante)
· estado vacinal
Registar a informação obtida sobre os casos suspeitos. Essa informação será usada
durante as actividades de investigação de casos.
166
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
______________________________________________________________________________
Material necessário para a colheita de urina:
____tubo
____frasco de recolha e saco colector
____lamelas (lâminas)
Se a unidade sanitária tiver centrifugadora:
1 cobertura de calçado* 0
168
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Cloro
N.B: O cloro e as botas de borracha podem ser comprados localmente
* Não essencial
169
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1
Contactos são definidos como pessoas que: 1 –dormiram na mesma casa com um caso ou um caso suspeito no espaço de 3 semanas
2 – tiveram contacto físico directo com o caso (morto ou vivo)
3 - tiveram contacto físico com a roupa ou fluidos corporais do doente
4 – tenham comido ou tocado num animal doente ou morto.
170
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
171
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
172
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Se estes passos forem cumpridos antes de um evento acontecer, o sistema de saúde terá
condições para funcionar rapidamente, de forma eficaz e eficiente para prevenir mortes ou
incapacidades desnecessárias devidas à emergência.
Essas actividades devem ser realizadas através do sistema de saúde e podem ser
guiadas por um plano de preparação nacional (Plano de contingência).
173
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
174
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
· Administrador Municipal
· Comandante Municipal da polícia
· Representante da DSS/FAA
· Representantes da comunidade (líderes comunitários, igrejas, terapeútas
tradicionais) do município
· Chefe de Repartição de Saúde
· Médico Clínico
· Técnico de Vigilância Epidemiológica
· Técnico de Laboratório
· Técnico de Saúde Ambiental
· Veterinário
175
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
176
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
178
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
179
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Estas actividades de avaliação de riscos podem incluir a avaliação das fontes de água potável ou
métodos de armazenamento de alimentos. Regularmente, uma vez por ano, por exemplo,
avaliar esses riscos e registar essa informação num mapa.
O mapeamento de riscos deve ser alargado a todos os riscos de saúde pública especificados no
RSI (2005), incluindo químicos, zoonóticos, radiológicos e nucleares.
180
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Anexos à Secção 5
181
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
182
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Ano:
Relatório diário (dia/mês/ano):
Período de notificação:
Nome das unidades de notificação:
Município:
Província:
País:
Stock Quantidade Stock Quantidade Balanço Observações, decisões e
Descrição dos itens
inicial recebida total saída do stock recomendações
183
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Assinatura (Nome
Prazo de validade
Quantidade saída
Balanço do Stock
Componentee Fornecedor Beneficiário Comentários
Número do lote
Laboratório ou
Localização no
(Dia/Mês/Ano)
Carta de porte
das operações
Apresentação
(Nome)
Quantidade
(unidade de
Número de
Fabricante
transacção
atribuição
Armazém
armazém
e função)
recebida
compra)
(US$)
0 Inventário
Usar uma ficha por cada componente do stock e actualizá-la sempre que houver uma transacção
184
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· Documentar a resposta.
185
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Para as situações em que as metas de redução das doenças não estão a ser atingidas
conforme se esperava, o técnico de vigilância municipal trabalhará com o responsável
pela prevenção e controlo da doença específica, a fim de tomarem as medidas
necessárias.
186
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187
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188
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- a taxa de incidência
- a taxa de letalidade
- a taxa de ataque
- a extensão dos factores de risco
- a taxa de cobertura vacinal, etc.
189
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190
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191
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192
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193
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194
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Durante uma epidemia, se não existirem fontes de água locais, o abastecimento de água
terá de ser feito por camiões cisterna.
195
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Para ter a certeza de que as famílias dispõem de água potável em casa, é necessário
fornecer:
§ educação às comunidades, como conservar água potável em
casa:
- limpeza periódica dos reservatórios de água
- regras de manuseamento do reservatório de água
196
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Conforme o surto ou evento, tomar as medidas necessárias para reduzir a exposição aos
perigos ou factores que contribuíram para esse surto ou evento. Estes podem ser:
o agentes químicos,
o físicos
o biológicos.
197
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· Elaborar um plano logístico, para ter a certeza de que os transportes serão usados
de modo mais eficaz.
198
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199
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200
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Anexos à Secção 6
ANEXO 6 A Tratamento dos doentes durante um surto epidémico
· Lavagem de mãos
201
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*Nos adultos e nas crianças com mais de 5 anos, outros sinais de desidratação grave são “ausência de pulso radial” e
“baixa tensão arterial”.
Se estiverem presentes dois dos seguintes sinais: COM SINAIS DE DESIDRATAÇÃO
· agitado, irritado
· olhos encovados administrar líquidos
· bebe ávidamente, com sede (Plano B)
· sinal da prega: a pele volta lentamente ao estado
anterior
Se não houver sinais suficientes que permitam concluir SEM DESIDRATAÇÃO
classificação de “com sinais de desidratação” e
“desidratação grave” Administrar líquidos e alimentos para
tratamento da diarreia em casa.
(Plano A)
203
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1
Doxiciclina é o antibiótico recomendado pela OMS para os adultos (excepto grávidas), porque só é necessária uma
dose.
2
TMP-SMX é o antibiótico recomendado pela OMS para as crianças.
3
Furazolidona é o antibiótico recomendado pela OMS para as mulheres grávidas.
4
Eritromicina ou cloranfenicol podem ser usados quando não existem os outros antibióticos recomendados ou quando
o V. cholerae é resistente.
204
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IDADE
ou 4 meses até 12 meses até 2 anos até 5 5 anos até 14 15 anos ou
PESO Até 4 meses 12 meses 2 anos anos anos mais
PESO em kg < 6 kg 6 - < 10 kg 10 - < 12 kg 12 - < 19 kg 19 - 30 kg 30 kg ou mais
Quantidade de
SRO a 200 - 400 ml 400 - 700 ml 700- 900 ml 900 -1400 ml 1400-2200 ml 2200-4000 ml
administrar
205
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Para os doentes com menos de 1 Primeiro, dar 30 ml por kg Depois, dar 70 ml por kg
ano, dar 100 ml por kg IV num na primeira hora* Nas 5 horas seguintes
período de 6 horas como se segue:
2.0 *Repetir se o pulso radial ainda estiver muito fraco ou não for detectado
após os primeiros 30 ml/kg.
3.0 Reexaminar o doente após os primeiros 30 ml por kg e seguidamente, de
uma em uma ou de duas em duas horas. Se o estado de hidratação não
tiver melhorado, aumentar a velocidade do gotejamento EV.
4.0 Administrar também SRO (cerca de 5 ml por kg por hora), logo que o
doente consiga beber. Isso acontece normalmente ao cabo de 3 a 4 horas
com os bébés e ao fim de 1 a 2 horas com os doentes de idade superior a
um ano.
5.0 Reexaminar o doente ao fim de 6 horas (para os bébés) ou 3 horas (para os
doentes com 1 ano ou mais). Reclassificar a desidratação. Escolher depois
o plano apropriado (Plano A, Plano B, Plano C) para continuar o
tratamento.
6.0 Administrar os antibióticos recomendados para o tratamento dos doentes
com cólera de desidratação grave. Ver o esquema na página seguinte.
7.0 Antes de os doentes receberem alta da unidade sanitária, dar-lhes
instruções sobre o modo de se tratarem em casa.
-- Se o doente vomitar enquanto toma SRO, esperar 10
minutos e depois continuar a dar-lhe líquidos mais
lentamente.
-- Continuar a amamentação dos bébés e crianças pequenas.
-- Re-internar o doente para tratamento, se apresentar
qualquer das seguintes reacções:
§ quantidade cada vez maior de fezes líquidas
§ comer e beber mal
§ muita sede
§ vómitos repetidos
§ febre
§ sangue nas fezes
206
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6 - 9 kg ½ ½ ½ ¾
10 – 14 kg 1 1 1 3 7,5 1
15 – 19 kg 1 1 1 3 7,5 ml 1½
20-29 kg 2 2 1 6 15 ml
4 4 comprimidos 2 1 comprimido
comprimidos comprimidos
207
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Criança: 2,5 g 10 ml
10 a 14 anos
6 a 9 anos 2,0 g 8 ml
3 a 5 anos 1,5 g 6 ml
1 a 2 anos 1,0 g 4 ml
2 a 11 meses 0,5 g 2 ml
1 a 8 semanas 0,25 g 1 ml
208
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Via
Agente Dose para adultos Dose para crianças Duração do
tratamento
Aconselha-se pelo menos 5 dias de tratamento endovenoso, antes de se mudar para a via
oral ou IM para todos os casos.
209
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
O quadro que se segue descreve o modo de fazer soluções de cloro a 1:10 e 1:100 com
lixívia doméstica e outros produtos à base de cloro.
Usar este produto de cloro Para fazer uma solução a 1:10 Para fazer uma solução a
para desinfectar: 1:100 para desinfectar:
§ Excrementos § Mãos com luvas
§ Cadáveres § Mãos e pele nuas
§ Derrame de fluidos § Chão
corporais infecciosos § Vestuário
§ Equipamento
§ Camas
Lixívia doméstica 1 litro de lixívia para 10 litros de 100 ml para 10 litros de água,
5% de cloro activo água ou
1 litro de solução de lixívia a
1:10 para 9 litros de água
Pó ou grânulos de 7 gramas ou ½ colher de sopa 7 gramas ou ½ colher de sopa
hipoclorito de cálcio 70% para l litro de água para 10 litros de água
(HTH)
Lixívia doméstica 16 gramas ou 1 colher de sopa 16 gramas ou 1 collher de sopa
30% de cloro activo para l litro de água para 10 litros de água
211
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
213
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
214
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3. Procurar saber quantas doses cada pessoa deve receber. Registar o número
abaixo como “número de doses recomendadas”.
x x 1,3
Dimensão da Número de doses perda = Número de doses a
população-alvo recomendadas encomendar, incluindo perdas
215
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
x 1,25
Número de doses factor de reserva = Número total estimado de doses
incluindo perdas
÷ =
Número total estimado de Doses por frasco Número total de frascos necessários
doses
÷ =
Diluente necessário por Número total de Total de diluente a encomendar
frasco frascos
÷ =
Número total estimado de Doses por frasco Número total de seringas de dilução
doses
216
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
7. Registar as doses usadas para cada pessoa vacinada numa ficha de registo
de vacinação.
11. Dar instruções para utilização das técnicas de injecção. Estudar com o
pessoal de saúde a necessidade de campanhas de vacinação.
217
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
· depois de defecar
· antes de comer.
Durante um surto epidémico deve-se lavar as mãos com mais frequência. A água de lavar
deve ser guardada separadamente da água de beber.
· deve-se fornecer sabão àqueles que o não têm. Se não houver sabão, pode-se
usar cinza para esfregar as mãos.
· não limpar as mãos com panos sujos depois de lavadas. Secar as mãos ao ar livre.
Mensagem:
· depois de defecar
219
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Mensagem:
Tem:
· Água potável?
· Não comer alimentos crus, excepto fruta e vegetais que possam ser descascados e
consumidos imediatamente
Mensagem:
220
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
· Lave bem com água e sabão a tábua utilizada para cortar a carne e o
peixe.
Descascar as frutas e os legumes protege contra as doenças
· Coma apenas fruta ou legumes que tenha sido acabada de descascar (p.
ex., bananas e laranjas)
221
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
A remoção segura dos dejectos orgânicos deve ser sempre considerada uma prioridade,
muito especialmente durante um surto epidémico de diarreia. Com a colaboração da
comunidade, devem construir-se sistemas sanitários adequados às condições locais.
Mensagem:
· Lave as mãos com sabão (ou cinza) e água limpa, depois de usar o quarto
de banho ou a latrina.
222
Secção 4 Investigação de surtos suspeitos e outros problemas
· Fonte de água superficial (rio, lago ou poço aberto). Se estas fontes forem
usadas para água de beber, construir uma vedação para protegê-las da
contaminação pelas pessoas ou animais. Fazer valas de drenagem para
impedir que a água da chuva ou outra água de superfície escorra para o interior
da fonte de água (rio, lago, poço, chafariz, fontanário). Não permitir que se
defeque a menos de 15 metros da fonte de água e nunca acima dessa fonte.
A água usada para banhos, lavagem e outros fins que não sejam para beber deve ser
armazenada separadamente da água de beber.
224
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
225
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Secção 7 Comunicação
226
Comunicação
Uma comunicação eficaz é uma função essencial da vigilância. Durante um surto ou
evento de saúde pública também revela transparência na gestão da ocorrência.
As opções de comunicação entre os vários parceiros vão desde o SMS, telefone, fax,
actualizações por correio electrónico e troca de material de comunicação até às comissões
mais formais de decisão. Independentemente do mecanismo, deve garantir-se que a
atenção será focada numa comunicação transparente e fidedigna, que tome em
consideração as experiências da comunidade.
Os boletins são, normalmente, curtos (2 a 10 páginas) e são lidos pelos decisores políticos,
legisladores e outros decisores. Os boletins são instrumentos valiosos para para chegar aos
parceiros técnicos e doadores.
Na visita de supervisão, deve-se levar para mostrar aos agentes locais de saúde, em
como os dados que eles enviaram contribuiram para melhorar a saúde pública.
228
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Esta secção explica como é feita a retroinformação para unidade sanitária, para os
níveis municipal, provincial e central.
229
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
conclusões, não apenas para a unidade de saúde, mas também para todo o
município, no seu conjunto.
· Preparar uma ficha única, com um quadro simples, que mostre como os dados
enviados durante esse período são diferentes dos enviados nos periodos de
tempo similares dos anos anteriores ou população-alvo. Por exemplo,
apresentar o número de casos de diarreia com desidratação em crianças
menores de 5 anos, em relação ao mesmo período do ano anterior. Compará-
los com um período correspondente do ano presente, após a implementação
de um projecto de água segura numa área de alto risco.
230
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Anexos à Secção 7
· ANEXO 7 A Modelo de relatório municipal sobre surtos epidêmicos
· ANEXO 7 B Exemplo de um boletim epidemiológico semanal
231
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
_________________________ ___________________________________________________________
Período Local (aldeia, bairro, município, província)
Resumo: ____________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
Introdução:
Antecedentes
Justificação da investigação
(significado para a saúde pública,
limiar atingido, etc.)
Investigação e
preparação para o surto epidémico:
Métodos:
Datas da investigação
Locais da investigação
(unidade sanitária, aldeia, outro):
Detecção de casos (indicar o que foi feito em relação a detecção de casos, [Link]., análise de
registos, investigação dos contactos, alerta às outras unidades de saúde, etc).
Resultados:
Data e local do primeiro caso conhecido (índice)
Data e unidade sanitária do primeiro caso observado
Resultados da detecção adicional de casos
232
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Detecção do surto
Indicador Data 1 Data 2 Intervalo
- Intervalo entre o primeiro caso de epidemia registado
na unidade sanitária(ou data em que o limiar da epidemia
foi ultrapassado na unidade sanitária[Data 1] e a chegada
do primeiro caso do surto epidémico na unidade sanitária
[Data 2] (Meta:<3 dias)
Intervalo entre o primeiro caso de epidemia registado na
unidade sanitária(ou data em que o limiar da epidemia foi
ultrapassado na unidade sanitária) [Data 1] e a notificação
à equipa municipal de saúde [Data 2] (Meta: < a 48 horas)
Intervalo cumulativo entre o início do caso índice( ou
ocorrência de um nímero invulgar de casos na comunidade
ou na unidade sanitária) [Data 1] para notificação à equipa
municipal de saúde [Data 2] (Meta: < 48 horas)
Resposta ao surto:
233
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Avaliação e retroinformação :
Indicador Data 1 Data 2 Intervalo
Intervalo entre o fim do surto epidémico [Data 1] e a finalização/envio do
relatório aos níveis provincial e central [Data 2]
(Meta: 2 semanas)
Indicador Sim Não
A comissão de gestão dos surtos reuniu-se para analisar os resultados da
investigação?
Foi dada a retroinformação às unidades de saúde e a comunidade?
234
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
MINISTÉRIO DA SAÚDE
BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO SEMANAL
___________________________________________________________________________
Comentários:
Contactar-nos:
Comentários:
III. Gráficos (Esta secção apresenta uma representação gráfica dos dados)
IV. Tendências da epidemia
235
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
236
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
A mesma informação pode ainda ser usada para monitorizar e avaliar a qualidade
da:
· notificação imediata.
237
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
238
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Proporção de municípios em que existe actualmente uma análise das tendências (gráfico
5.
de linhas ou histograma) para doenças prioritárias seleccionadas
9. Taxa de letalidade para cada doença de potencial epidémico que foi notificada
239
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
240
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Cada nível deve certificar-se de que o nível que supervisiona tem as seguintes fontes
de dados disponíveis.
Unidade
Formulário de Município Província Nacional
saúde
Quadro de monitorização para observar os
indicadores X X X X
241
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
242
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
243
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Por exemplo:
§ saber se o técnico de saúde recebe regularmente as fichas de
notificação.
§ saber se um técnico recentemente enquadrado na unidade
sanitária conhece os procedimentos de notificação.
§ ou então, o técnico de saúde não está motivado para enviar os
relatórios, porque não considera isso importante.
§ Verificar se o pessoal de saúde recebe retroinformação acerca
dos relatórios que fizeram e têm os recursos para tomar
medidas com base na informação.
Procurar com a unidade notificadora, as soluções para melhorar a situação.
Explicar que, quando a informação é completa, o município pode ajudar o
pessoal de saúde mais eficientemente na planificação das respostas e na sua
execução. Por exemplo, se o problema for a falta de material, o município
pode usar a informação dos relatórios para advogar junto dos níveis
superiores do sistema.
Quando se enviarem relatórios de rotina sobre o número de casos para os níveis municipal,
provincial, ou central, deve-se enviar igualmente os dados sobre a pontualidade e o grau de
integridade. Isso ajudará os níveis superiores a compreenderem a situação mais claramente
e a avaliar a qualidade dos dados que estão a ser enviados.
Por exemplo, se o relatório para o nível central informar que se detectaram dois casos de
sarampo durante o mês, também deverá incluir informação sobre o número de unidades
sanitárias que fizeram a notificação. Para os níveis que recebem, faz diferença saber,
quando avaliarem a informação, se os dois casos ocorreram com notificações de apenas
20% em vez de 100% das unidades notificadoras.
244
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Por exemplo:
§ Decidir a frequência da supervisão. Por exemplo, um
município pode decidir efectuar uma visita de supervisão, pelo
menos, 2 vezes por ano a cada unidade sanitária.
§ No início de cada ano os técnicos responsáveis pela supervisão
ao nível municipal devem elaborar calendário de visitas de
supervisão tanto as unidades sanitárias públicas e privadas,
bem como postos da comunidade que reporta a unidade
sanitária
245
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Durante a visita, usar uma lista de verificação, para monitorizar até que
ponto o pessoal de saúde executa correctamente as funções de vigilância
recomendadas. Por exemplo, um funcionário de vigilância municipal que
visite uma unidade de saúde, em funções de supervisão, deve verificar o
seguinte:
246
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Rever e analisar
os dados Verificar se as linhas de tendências para as doenças
prioritárias estão elaboradas e actualizadas. Pedir para
ver o “Livro de Análise da Unidade de Saúde”, se este
for usado no seu município.
247
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Durante a visita:
248
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
249
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Se houve problemas e o município não alcançou uma meta prevista ou não atingiu o nível
de desempenho pretendido procurar saber o que causou a diferença entre o que estava
planeado e o que realmente aconteceu. Nesse caso, falar com a equipa do município e o
técnico da unidade sanitária, para descobrir as possíveis causas do problema.
250
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
O município deve incluir as actividades bem sucedidas que deverão ter continuidade, bem
como as soluções viáveis escolhidas em função da análise da avaliação do ano anterior,
durante a elaboração do seu plano de acção anual
Por exemplo:
251
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Anexos à secção 8
· ANEXO 8A Indicadores essenciais de VID-R para o nível de unidade de saúde
252
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
existe um gráfico linear5 analisar os dados prioritárias para as para as quais deve “responsável” da
actualizado. relatórios-síntese da
VID-R oriundos da
unidade de saúde
3
“Completo” neste indicador significa que todas as células dos formulários de notificação estão preenchidas.
4
Na página seguinte, está um quadro para monitorizar o desempenho da unidade de saúde.
5
A equipa central da VID-R define a lista das doenças, para as quais deve existir um gráfico linear a nível da unidade de saúde. 1) casos e
óbitos mensais por malária em doentes internados menores de 5 anos de idade e 2) tendências da malária em crianças menores de 5 anos, 3)
análise semanal das tendências de sarampo 4) análise mensal das IRAG
6
“Actualizado” neste indicador significa que o gráfico linear deve reflectir os dados obtidos nos últimos três meses, a partir da data da
avaliação.
253
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
lineares.
4 Proporção de surtos Medir a detecção Número de surtos Número total de Registo diário da 80%
ultrapassado o
limiar de alerta
5 Taxa de letalidade Medir a qualidade Número de óbitos Número de casos Relatórios de rotina e Depende
para cada doença de de gestão dos por cada uma das da mesma doença relatórios da da
epidémico
254
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Instruções:
Usar este quadro para acompanhar o desempenho da unidade de saúde com os indicadores
doenças prioritárias.
Enviar, em devido tempo, ao nível municipal, um relatório dos dados resumidos. Registar
Indicador Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Proporção de relatórios da
vigilância completos e
apresentados a tempo ao
município
Proporção de doenças
linear
Proporção de casos de
a vigilância baseada em
ao município, usando os
respectivos formulários ou
listas lineares
Proporção de surtos
suspeitos de doenças de
255
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
potencial epidémico
limiar epidémico
Taxa de letalidade e de
potencial epidémico
notificada
Os relatórios da vigilância
pontualidade?
estão actualizados?
Em caso afirmativo,
observaram-se mudanças
nas tendências?
foi ultrapassado?
o município?
256
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
da vigilância
para eliminação ou vigilância, com erradicação e outras para a vigilância listas lineares para as
vigilância baseada outras análises em casos, que foram município doenças seleccionadas
lineares
Proporção de surtos Medir o uso de Número de surtos Número de Registo diário de surtos e
7
No Anexo 8K, encontra-se um quadro para monitorizar o desempenho do indicador municipal.
257
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
nível local
dados da sarampo e
quais existe um
gráfico linear
actualizado
que têm uma análise unidade de das tendências para município saúde
8
A equipa central de VID-R define a lista das doenças, para as quais deve existir um gráfico linear, a nível do
municipio. 1) casos e óbitos mensais por malária de crianças internadas menores de 5 anos de idade e2)
tendências da malária em crianças menores de 5 anos 3) análise semanal da tendência do sarampo 4) análise
mensal das IRAG .
9
“Actualizado” neste indicador significa que o gráfico linear deve reflectir os dados obtidos nos últimos três
meses, a partir da data da avaliação.
258
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
seleccionadas
baseada em casos
participação período de
de vigilância
confirmados com uma município para uma resposta confirmados no Relatórios sobre a
259
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
para surtos de gestão dos doenças mesmo surto Relatórios sobre a depende
doença doença
Taxa de ataque para identificar a casos de uma pessoas sobre o município variar;
cada surto de doença população de doença de potencial expostas ao Relatórios sobre a depende
resultados
260
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
261
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
município à província R
respectivos município.
formulários ou
municipio.
262
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
depois de depois de
doenças prioritárias.
envolvidos e formulários
baseados em
casos ou listas
10
A equipa central de VID-R define a lista das doenças, para as quais deve existir um gráfico linear a nível da
provincia. 1) casos e óbitos mensais por malária em doentes internados menores de 5 anos de idade e 2)
tendências da malária em crianças menores de 5 anos, 3) análise semanal da tendência por sarampo 4) análise
mensal das IRAG
11
“Actualizado” neste indicador significa que o gráfico linear deve reflectir os dados obtidos nos últimos três
meses, a partir da data da avaliação.
263
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
lineares
Proporção de surtos capacidade dos investigados com investigados na investigação dos surtos 80%
actividades de
vigilância
7 Medir a Número de surtos Número de surtos Registo diário dos surtos 80%
notificada para cada gestão dos de potencial doença de investigação dos surtos doença
epidémico epidémico
Taxa de ataque para identificar a casos de uma pessoas sobre a província variar;
cada surto de uma população em doença de expostas ao risco Relatórios sobre a depende
doença prioritária risco e a eficácia potencial durante o surto investigação dos surtos, da
264
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
meses
saúde ao municípios
município
doenças, visadas para dados da para eliminação para eliminação e relatórios baseados
265
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
formulários ou
listas lineares.
ultrapassado o
limiar de alerta
12
A equipa central de VID-R define a lista das doenças, para as quais deve existir um gráfico linear a todos os
níveis . A AFRO recomenda que, no mínimo, as unidades de saúde tenham gráficos lineares actualizados para 1)
análise semanal das tendências da meningite cerebro-espinal, particularmente nos países da cintura da
meningite, 2) casos s e óbitos mensais por malária em doentes internados menores de 5 anos de idade e 3)
tendências da malária em crianças menores de 5 anos
.
13
“Actualizado” neste indicador significa que o gráfico linear deve reflectir os dados obtidos nos últimos três
meses, a partir da data da avaliação.
266
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
prioritárias municípios.
seleccionadas
que incluem dados variáveis para sobre surtos que sobre surtos rotina
envolvidos baseados em
casos ou listas
lineares
nas actividades
de vigilância
confirmados com uma província para confirmados com confirmados Relatórios sobre
267
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
pelo nível
Taxa de letalidade para qualidade da por cada doença da mesma relatórios sobre da
cada doença de gestão dos de potencial doença de investigação dos surtos doença
notificada epidémico
detectadas a nível todo o sistema detectadas pelo notificadas pelos Livro de registo
se os municípios município
estão a observar
as tendências
268
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
nacional visitas de
supervisão
municipais
269
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Número total de
relatórios esperados
(E)
Total de relatórios
enviados no prazo (T)
Total de relatórios
enviados com atraso
(A)
Número total de
relatórios não
recebidos (N)
Pontualidade dos
relatórios =
100 * T / E
Cumprimento da
notificação =
100 * (E-N) / E
270
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Número total de
relatórios esperados
(E)
Total de relatórios
enviados no prazo (T)
Total de relatórios
enviados com atraso
(A)
Número total de
relatórios não
recebidos (N)
Pontualidade dos
relatórios =
100 * T / E
Cumprimento da
notificação =
100 * (E-N) / E
Notar que as taxas de pontualidade e de cumprimento da notificação são expressas em percentagem (%).
Quando o sistema de vigilância é bom, as taxas de pontualidade e de cumprimento devem aproximar-se
dos 100%. Este quadro permite a monitorização dos progressos destes dois indicadores no munípio , para
que se possa tomar medidas para melhorar as taxas em cada unidade sanitária.
271
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Analisar os dados Ø Descrevem os dados relativos ao surto epidémico em função do tempo, local e
pessoa
Ø Fazem a análise das tendências por unidade sanitária
Ø Têm um limiar de acção para as doenças potencialemnte epidémicas, bem
como uma acção de resposta definida
Ø Comparam os dados com os registados no mesmo periodo do ano anterior
Resposta Ø Responderam num prazo de 48 horas depois de atingirem o limiar de acção.
Ø Reúnem-se com a comunidade para discutir um problema de saúde, pelo
menos, uma vez em cada 6 meses
Ø Obtiveram taxas de letalidade aceitáveis durante a epidemia mais recente (por
exemplo, não mais de 10% para a meningite, não mais de 1% para a cólera)
Ø Dispõem de comissões de luta contra epidemias e que avaliaram as suas
actividades de preparação e resposta durante os últimos 12 meses
272
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Formação Ø Número de técnicos que, nos últimos 12 meses, receberam formação sobre
vigilância.
Recursos e pessoal
Número de municípios com:
Ø Transportes ou apoio logístico (veículos com combustível, motociclos)
Ø Equipamento para realizar a análise dos dados (computadores, programas de
estatística)
Ø Meios de comunicação (telefone, fax, correio electrónico)
Ø Material de informação e educação (vídeo e monitor, gerador portátil, écran,
projector (de diapositivos ou filmes)
Ø Recursos humanos (epidemiologista com formação, técnicos de laboratório,
gestores de dados)
273
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Analisar e interpretar 1. Regista em gráfico o número de casos e óbitos para • Sim Não
cada doença prioritária? (Pedir para ver o livro de • Sim Não
análise da estrutura de saúde. Verificar se as linhas
de tendência estão actualizadas)
• 2. Regista num mapa a distribuição dos casos?
274
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
• Dar resposta [Link] material apropriado disponível para dar resposta a um caso ou • Sim Não
epidemia confirmada (por exemplo, vacinas e material de • Sim Não
vacinação, SRO, antibióticos, etc.)?
• Nome:___________
2. Pode mostrar o material disponível para levar a cabo
• Designação:__________
uma actividade de resposta recomendada.
• A formação é feita ____________
[Link] é o coordenador das epidemias neste estabelecimento?
[Link] que frequência presta informação e formação sobre resposta às
epidemias ao pessoal desta estrutura?
• Avaliar e 1. Os últimos 3 relatórios mensais de rotina foram enviados à delegacia de • Sim Não
aperfeiçoar o saúde? • Sim Não
sistema
[Link] últimos 3 relatórios mensais de rotina foram enviados dentro do
prazo?
• Preparação para [Link] precauções é que o pessoal de saúde (incluindo o pessoal de Nível mínimo de precauções
as epidemias laboratório) toma normalmente com todos os doentes, padrão: ___________
independentemente do tipo de infecção?
[Link] calcula as quantidades de material de reserva para uso durante Como é calculada a quantidade do
uma situação de urgência? material:___________________
275
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
276
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Dar resposta aos limiares Usaram a informação local para realizar uma actividade de prevenção e controlo das
das epidemias e aos doenças durante os últimos 12 meses
resultados da análise Implementaram medidas de prevenção e controlo baseadas em informação local
para, pelo menos, uma doença potencialmente epidémica
Fornecer retroinformação Receberam um boletim ou um relatório do município ou de outro nível, acerca dos
dados que a unidade sanitária comunicou a outros níveis durante o ano
Reuniram com os membros da comunidade para discutir os resultados da
investigação durante os últimos 6 meses
Manter a preparação para a Usam protocolos normalizados para a gestão de casos de doenças prioritárias
resposta às epidemias Usam um nível mínimo de precauções-padrão com todos os doentes febris,
independentemente do estado da infecção
Mantêm uma reserva de emergência de medicamentos e material de tratamento, de
modo a poderem dar resposta a doenças de potencial epidémico anteriormente
detectadas na área
Supervisão Usaram uma lista de verificação para a vigilância durante uma visita de supervisão,
pelo menos, uma vez nos últimos 6 meses
Formação Deram formação ao pessoal de saúde sobre os seguintes temas nos últimos 12
meses: usar definição de caso, manipular as amostras com segurança, recolher e
comunicar dados, analisar e interpretar tendências, usar os limiares de acção ou
competências de supervisão
Recursos Dispõem de métodos de transporte seguros, com abastecimento de combustível, se
necessário (bicicletas, motociclos, veículos, combustível)
Têm acesso a métodos de comunicação fiáveis (telefone, fax, radiotelefone, correio
electrónico, outros)
Dispõem de material para realizar investigação sobre as epidemias
Dispõem de fundos para implementar actividades de resposta
277
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
278
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Objectivos da vigilância
Detecção precoce dos casos e surtos de síndrome de febre hemorrágica viral aguda, investigação rápida e verificação laboratorial imediata
da etiologia de todos os casos suspeitos.
Investigação de todos os casos suspeitos, com procura dos contactos.
Durante as epidemias, a maioria dos doentes infectados não revela sintomas hemorrágicos, devendo usar-se uma definição de casos
específica, conforme a doença suspeita ou confirmada (e.g., definições de caso para Ébola-Marburgo, CCHF, RVF, Lassa, DHF e febre
amarela).
Caso confirmado: um caso suspeito com confirmação laboratorial ou ligação epidemiológica a um caso ou
surto confirmado.
Nota: Durante um surto, as definição de caso podem ser alteradas, para corresponderem ao evento local.
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de um único caso:
§ Comunicar imediatamente aos níveis apropriados a informação baseada em casos.
§ Os casos suspeitos devem ser isolados dos outros doentes e devem implementar-se medidas rigorosas de
Biosegurança. As precauções normais devem ser reforçadas em toda a unidade de saúde.
§ Tratar e cuidar do doente, com apoio clínico.
§ Colher a amostra com segurança, para confirmar o caso.
§ Fazer o seguimento dos contactos do caso e a procura de casos activos, para encontrar novos casos.
279
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Confirmação laboratorial
Teste de Presença de anticorpos IgM contra o Ébola, Marburgo, CCHF, Lassa ou Febre do Nilo
diagnóstico Ocidental
ou
Para PCR:
Sangue total ou coágulo sanguíneo, soro/plasma ou tecido
280
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Para imunohistoquímica:
§ Fixar a amostra de pele em formalina. A amostra pode ser guardada até 6
semanas. A amostra deixa de ser infecciosa depois de mergulhada em formalina.
§ Armazenar à temperatura ambiente. As amostras fixadas em formalina podem ser
transportadas à temperatura ambiente.
Referências
§ Interim Infection Control Recommendations for Care of Patients with Suspected or Confirmed Filovírus
(Ebola, Marburg) Hemorrhagic Fever. BDP/EPR/WHO, Geneva March 2008.
§ Infection Control for VHF in the African health care setting, WHO, 1998. WHO/EMC
§ WHO recommended Guidelines for Epidemic Preparedness and Response: Ebola Haemorrhagic Fever
(EHF). WO/EMC/DIS/97.7.
§ Infection Control for Viral Hemorrhagic Fevers in the African Health Care Setting WHO/EMC/ESR/98.2
§ Viral Infections of Humans; Epidemiology and Control. 1989. Evans, A.S. (ed). Plenum Medical Book
Company, New York
281
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Objectivos da vigilância
282
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
283
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Amostra Soro
Colheita
As amostras devem ser colhidas em doentes suspeitos.
O anti-HVA IgM fica detectável 5-10 dias após a exposição.
O HBsAg pode ser detectado no soro desde várias semanas antes da
manifestação dos sintomas até dias, semanas ou meses após a
manifestação; persiste nas infecções crónicas. O anti-HBc IgM positivo
normalmente desaparece ao fim de 6 meses.
284
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Referências
§ WHO Recommended Strategies for Prevention and Control of Communicable Diseases;
WHO/CDS/CPE/SMT/2001.13
§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2
§ WHO Fact Sheet No 328, Hepatitis A, revised May 2008.
§ WHO Fact Sheet No 204, Hepatitis B, revised August 2008
§ WHO Fact Sheet No 164, Hepatitis C.
§ WHO Fact Sheet No 280, Hepatitis E, revised January 2005.
§ World Health Organization
[Link]
§ United States, Centers for Disease Control and Prevention
[Link]
th
§ Control of Communicable Diseases Manual, 18 Edition
285
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Objectivos da vigilância
Determinar a causa de um EAAV ou conjunto de EAAV e corrigi-la.
Definição padronizada de caso
Um incidente médico que ocorre após a vacinação, causa preocupação e pensa-se que foi causado pela
vacinação
1. Surveillance of adverse events following immunization. Field guide for managers of immunization
programmes. WHO/EPI/93.02 Rev 1. [Link]
2. Kharabsheh S. Mass psychogenic illness following Td vaccine in Jordan. Bulletin of the WHO 2001. 79 (8);
764-770. [Link]
286
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Objectivos da vigilância
§ Detectar surtos.
§ Monitorizar os programas de controlo e prevenção
(a) Forma cutânea: uma pessoa com lesão da pele evoluindo, durante 1 a 6 dias, de um estádio papular
para um estádio vesicular e, em seguida, para uma escara de pressão escura, invariavelmente
acompanhada por edema, que pode ser suave a extenso
(b) Gastrointestinal: uma pessoa com distúrbios abdominais, caracterizados por náuseas, vómitos e
anorexia, seguidos de febre
(c) Pulmonar (inalação): uma pessoa com pródromo breve, semelhante a doença respiratória viral aguda,
seguida de início rápido de hipoxia, dispneia e elevada temperatura, com prova radiológica de
alargamento do mediastino
(d) Meníngea: uma pessoa com manifestação aguda de febre alta, com ou sem convulsões, perda de
287
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Caso confirmado
Um caso confirmado de antraz num ser humano pode definir-se como um caso clinicamente compatível de
doença cutânea, pulmonar ou gastrointestinal que foi laboratorialmente confirmado por:
Nota: poderá não ser possível demonstrar B. anthracis em amostras clínicas, se o doente tiver sido tratado com
agentes antimicrobianos.
Pessoa: Quadro mostrando o número de casos suspeitos / prováveis / confirmados por data, idade e sexo
Confirmação laboratorial
Teste de Isolamento do Bacillus anthracis, a partir de uma amostra clínica (e.g., sangue, lesões,
diagnóstico corrimentos)
288
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
289
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Preparação,
armazenamento e Estádio vesicular: colher fluido em vesículas intactas, com cotonetes estéris.
transporte das Estádio das escaras: sem remover a escara, introduzir o cotonete por baixo da
amostras extremidade da escara, rodar e colher o material da lesão. Guardar a amostra durante
≤24 h e transportá-la durante ≤2h à temperatura ambiente.
Fezes: colher 5-10 g num recipiente limpo, esterilizado e tapado. Armazenar durante
≤24 h a 4°C. Transportar durante ≤1h à temperatura ambiente.
Resultados
Não existem serviços de diagnóstico de rotina para o antraz. Normalmente, é preciso
requisitá-los com antecedência. Contactar a autoridade nacional competente ou a OMS.
Referências
§ WHO. Anthrax in humans and animals. World Health Organization, Geneva. (2008) (disponível em
[Link] AnthraxGuidelines2008/en/[Link]
§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2
§ WHO Recommended Strategies for the Communicable Diseases Prevention and Control,
WHO/CDS/CPE/SMT/2001.13
§ 2003 WHO Manual for Laboratory Diagnostic of Anthrax ([Link]
Section 58/ Section [Link])
§ "CDC: Anthrax Information for Health Care Providers" ([Link]
[Link])
§ "CDC: Recommended Specimens for Microbiology and Pathology for Diagnostic: Inhalation, Cutaneous, and
Gastrintestinal Anthrax" ([Link]
290
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
291
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Objectivos da vigilância
§ Distribuição geográfica da doença para localizar as áreas e os Municípios endémicos e visa a detecção
precoce de casos e seu tratamento correcto com os antibióticos recomendados pela OMS, assim como a
prevenção das incapacidades
Caso confirmado: um caso suspeito confirmado por, pelo menos, um teste laboratorial (ZN para BAAR, PCR,
cultura ou histologia)
292
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Local: Assinalar os casos por localização das habitações e colorir os municípios endémicos.
Pessoa: Contar, mensalmente, os novos casos detectados por categoria dos doentes (Cat I, II ou III). Analisar a
distribuição por idade e incapacidade, assim como os resultados do tratamento (casos curados, curados
sem limitação dos movimentos ou amputação, recidiva após o tratamento com o antibiótico
recomendado).
Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Mycobacterium ulcerans: Os esfregaços e as amostras da biópsia podem ser enviados
ao laboratório para confirmação por:
§ Coloração de Ziehl-Neelsen para bacilos álcool-ácido-resistentes
§ Cultura
§ PCR
§ Histopatologia
Amostra
Esfregaços
Amostras da biópsia
293
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
A amostra deve ser colhida, antes de se administrar qualquer antibiótico. Deve colher-se
outra amostra no final do tratamento (se o tratamento não for eficaz ou se for indicada
cirurgia)
Preparação,
armazenamento e Colheita da amostra: é importante evitar a contaminação cruzada entre a colheita de
amostras
transporte das
amostras Materiais: cotonetes secos e recipientes.
Armazenar a 4°C
Resultados
A úlcera de Buruli é, normalmente, diagnosticada clinicamente e encontrando bacilos
álcocol-ácido-resistentes (BAAR) em esfregaços de úlceras infectadas e biópsias de
tecidos. Pode também ser identificada, usando a PCR.
Referências
§ Resolution WHA 57.1 on surveillance and control of Mycobacterium ulcerans disease (Buruli ulcer). In: 57th
World Health Assembly, Geneva, 17-22 May 2004; Resolutions and decisions, Annexes. Geneva, WHO;
2004 (WHA57/2004/REC/1: 1-2)
§ Provisional guidance on the role of specific antibiotics in the management of Mycobacterium ulcerans disease
(Buruli ulcer) WHO/CDS/CPE/GBUI/2004.10
§ Buruli ulcer: First programme review meeting for West Africa – Summary report. WHO, WER, 6; 2009 : 43-48
§ Control of Communicable Diseases Manual, 18th Edition
§ District Laboratory Practice in Tropical Countries, Cambridge
§ Ulcere de Buruli , prise en charge de l’infection a Mycobacterium ulcerans
294
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.6 Chikungunya
Introdução
§ A febre de chikungunya é uma doença viral que se propaga pela picada de mosquitos infectados. A doença é
semelhante à febre do dengue e caracteriza-se por dores articulares (artralgias) graves e, por vezes,
persistentes, assim como febre e erupção cutânea. Raramente é fatal. No entanto, a ocorrência generalizada
da doença causa considerável morbilidade e perdas económicas.
§ O termo "chikungunya" é maconde e significa "aquilo que se dobra", em referência à postura arqueada dos
doentes afectados pelas intensas dores articulares associadas com a doença. Epidemias de febre, erupção
cutânea e artrite, semelhantes à febre de Chikungunya, foram registadas já em 1779. Contudo, o vírus foi
isolado, pela primeira vez, entre 1952 e 1953, no homem e em mosquitos, durante uma epidemia na
Tanzânia.
Objectivos da vigilância
§ Detectar rapidamente casos e surtos esporádicos de chikungunya e procurar a verificação laboratorial
§ Identificar as áreas de alto risco, para melhorar a prevenção dos surtos, tomando medidas para evitar as
picadas de mosquitos e eliminar os seus locais de reprodução.
Caso confirmado:
Um caso suspeito, com confirmação laboratorial.
295
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.6 Chikungunya
Resposta ao limiar de acção
Se os casos de chikungunya forem confirmados
§ Normalmente, é suficiente o descanso e o tratamento dos sintomas, para atenuar a dor e a febre,
usando fármacos anti-inflamatórios. A dor articular persistente pode exigir uma terapêutica a longo
prazo com analgésicos e anti-inflamatórios.
§ A prevenção depende inteiramente das medidas que se tomam para evitar as picadas dos mosquitos e
eliminar os seus locais de reprodução.
296
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.6 Chikungunya
Colheita Colher a amostra no primeiro caso suspeito. Os casos suspeitos de CHIK ocorrem em
grupos.
Colher amostras representativas nos casos suspeitos. Se um surto for confirmado,
colher mais amostras dos casos e também de mosquitos das casas afectadas.
Tipo de amostra
§ Sangue da fase aguda (0-10 dias após início)
§ Sangue da fase de convalescença (7 - 21 dias após início)
Momento da colheita:
Quando o doente se apresentar; colher segunda amostra durante a convalescença.
Entre 7 e 21 dias após início.
Referências
§ Weekly Epidemiological Record N° 1, 2005, 80, 1-8; http//[Link]/wer
§ World Health Organization [Link]
§ Sergon et al Seroprevalence of Chikungunya Vírus (CHIKV) Infection on Lamu Island, Kenya, October
2004. Am J Trop Med Hyg. 2008 Feb;78(2):333-337
§ Powers et al. Evolutionary relationships and systematics of the alphavíruses. J Virol. 2001
Nov;75(21):10118-31
297
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
298
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.7 Cólera
Introdução
§ Doença aguda, com diarreia aquosa abundante, causada por Vibrio cholerae, serogrupos O1 ou O139. A
doença é transmitida, sobretudo, pela via fecal – oral, isto é, quando se come ou bebe alimentos ou água
contaminados.
§ A cólera causa mais de 100 000 mortes por ano. Pode produzir epidemias rapidamente progressivas ou
pandemias mundiais. Nas áreas endémicas, podem ocorrer casos esporádicos (menos de 5% de todos os
casos de diarreia não relacionados com o surto) e pequenos surtos.
§ O período de incubação vai de algumas horas a 5 dias, mas, normalmente, dentro dos limites de 2 a 3 dias.
§ Houve um ressurgimento da cólera em África desde meados dos anos 1980, tendo mais de 80% dos casos,
em todo o mundo, ocorrido em 1999. A maioria dos casos ocorreu entre Janeiro e Abril.
§ A cólera pode causar desidratação grave em apenas algumas horas. Nos doentes não tratados, com
desidratação grave, a taxa de letalidade pode exceder 50%. Se os doentes recorrerem à unidade de saúde e
receberem o tratamento correcto, a CFR (Case Fatality Rate) é, normalmente, inferior a 1%. Pelo menos,
90% dos casos são ligeiros e permanecem sem diagnóstico.
§ Factores de risco: comer ou beber alimentos contaminados, tais como peixe não cozinhado ou marisco dos
estuários, não ter acesso contínuo a água potável e alimentos seguros, participar em grandes aglomerados
de pessoas, incluindo cerimónias, como casamentos ou funerais, e contactar com casos fatais de cólera.
§ Outras doenças diarreicas entéricas podem causar diarreia aquosa, especialmente nas crianças menores de
5 anos. Consultar as orientações sumárias sobre diarreia com desidratação.
Objectivos da vigilância
§ Detectar e responder rápidamente e apropriadamente aos casos e surtos de diarreia aquosa. Para confirmar
um surto, colher e transportar amostras de fezes no meio de Cary-Blair.
§ Fazer a notificação imediata dos respectivos casos e óbitos, quando há suspeita de um surto.
299
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.7 Cólera
Se houver suspeita de um único caso:
§ Comunicar imediatamente a informação baseada em casos.
§ Gerir e tratar o caso de acordo com as orientações nacionais.
§ Realçar a importância da lavagem das mãos e dos procedimentos de isolamento.
§ Realizar investigação baseada em casos, para identificar casos semelhantes não notificados anteriormente.
§ Obter amostras de fezes de 5 doentes nos 5 dias seguintes à manifestação de diarreia aquosa aguda e
antes de iniciar o tratamento com antibióticos. Ver as orientações laboratoriais para obter informação sobre
o modo de preparar, armazenar e transportar a amostras.
Resposta ao limiar de acção
Se um caso suspeito for confirmado:
§ Instalar um centro de tratamento na localidade em que os casos ocorram. Tratar os casos no local, em vez
de pedir aos doentes que se desloquem aos centros de tratamento permanentes noutro local.
§ Reforçar a gestão dos casos, incluindo o tratamento.
§ Mobilizar imediatamente a comunidade, para permitir a rápida detecção e tratamento dos casos. Investigar a
disponibilidade de água potável.
§ Trabalhar com os líderes comunitários, para limitar o número de funerais ou outros grandes aglomerados,
para cerimónias ou outras razões, especialmente durante uma epidemia.
§ Abastecer a população em risco com água potável. Promover a preparação segura dos alimentos
(especialmente pescado, fruta e vegetais). Promover a remoção segura dos resíduos humanos.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico semanal dos casos e óbitos e traçar uma curva epidémica durante os surtos.
Comunicar imediatamente a informação baseada em casos e mensalmente, a informação resumida
para a vigilância de rotina.
Local: Assinalar a localização das habitações com casos.
Pessoa: Contar, semanalmente, o número total de casose óbitos Analisar a distribuição dos casos por idade e
sexo. . Avaliar os factores de risco, para melhor controlar os casos .
Confirmação laboratorial
Isolar o V. cholerae da cultura de fezes e determinar o serótipo O1, usando antigénios
Teste de polivalentes para o V. cholerae O1.
diagnóstico
Se desejar, confirmar a identificação com antigénio Inaba e Ogawa.
Se a amostra não for serotipável, considerar o V. cholerae O139 (ver nota na coluna
dos Resultados).
300
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.7 Cólera
Para cada nova zona afectada pelo surto, deve fazer-se a confirmação laboratorial.
Colheita
Colher uma amostra de fezes do primeiro caso suspeito de cólera. Se houver mais de
um caso suspeito, colher amostras de 5 a 10 casos. Colher as fezes de doentes que
correspondam à definição de caso e que:
301
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.7 Cólera
§ Management of the patient with cholera, World Health Organization, 1992. WHO/CDD/SER/91.15 Rev1
(1992)
§ Epidemic diarreial disease preparedness and response--Training and practice. Facilitator and participant
manuals. World Health Organization, 1997. WHO/EMC/DIS/97.3 and WHO/EMC/DIS/97.4
§ “Laboratory Methods for the Diagnostic of Epidemic Dysentery and Cholera.” CDC/WHO, 1999 CDC,
Atlanta, GA, USA
302
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ A febre do dengue é uma pandemia emergente que se propagou em todo o mundo, durante os últimos 30
anos, como consequência das alterações verificadas na ecologia humana. O dengue encontra-se nas regiões
tropicais e subtropicais de todo o mundo, predominantemente nas zonas urbanas e semi-urbanas. Durante as
epidemias de dengue, as taxas de infecção entre as pessoas que não estiveram anteriormente expostas ao
vírus situam-se, normalmente entre 40 a 50%, mas podem atingir 80 a 90%.
§ A febre do dengue é uma doença grave, de tipo gripal, que afecta bebés, crianças pequenas e adultos, mas
raramente é mortal. A febre hemorrágica do dengue (FHD) é uma complicação potencialmente mortal, que se
tornou na primeira causa de hospitalização e morte entre as crianças asiáticas. Existem provas seguras de
que a infecção sequencial, com diferentes serótipos do vírus do dengue, aumenta o risco de doença mais
grave, que pode resultar em síndrome de choque (SCD) e em morte.
§ A actividade do dengue epidémico em África tem consistido, maioritariamente, na febre do dengue clássica,
causada pelo DENV-1 e DENV-2, sem mortalidade associada. O primeiro grande surto de DENV-3 em África
foi documentado em Moçambique, em 1984-1985. Durante esse surto, a maioria dos doentes apresentaram
infecções secundárias e registaram-se 2 mortes atribuíveis à FHD e à síndrome de choque. Em 2008, em
Abidjan – Côte d´Ivoire, verificou-se que a febre amarela e o DENV-3 circulavam em simultâneo, sem
contudo se identificarem casos graves de dengue, nem mortes a ele atribuíveis.
§ Não existe um tratamento específico para o dengue, mas os cuidados médicos apropriados salvam,
frequentemente as vidas dos doentes com febre hemorrágica do dengue.
§ As pessoas infectadas são os principais portadores e multiplicadores do vírus, servindo como fonte do vírus
para os mosquitos Aedes aegypti não infectados, que mantêm o ciclo da transmissão urbana do dengue. O
vírus circula no sangue das pessoas infectadas durante 2-7 dias, os quais apresentam febre ao mesmo
tempo. Um ciclo de transmissão selvática foi documentado na África Ocidental, onde o DENV-2 foi
encontrado em macacos. Não existem provas da transmissão pessoa a pessoa.
Objectivos da vigilância
303
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Caso suspeito de febre do dengue: uma pessoa com doença febril aguda, com a duração de 2-7 dias e dois
ou mais dos seguintes sintomas: dores de cabeça, dor retro-orbital, mialgia, artralgia, exantema, manifestações
hemorrágicas ou leucopenia.
Caso confirmado de febre do dengue: um caso suspeito com confirmação laboratorial (anticorpo IgM positivo,
aumento dos títulos de anticorpos IgG, PCR positivo ou isolamento viral).
Febre hemorrágica do dengue: um caso provável ou confirmado de dengue, com tendências hemorrágicas,
como comprovado por um ou mais dos seguintes testes: teste do torniquete positivo; petéquias, equimoses ou
púrpura; sangramento: mucosa, tracto gastrointestinal, pontos de injecção ou outros; hematemese ou melena; e
trombocitopenia (100 000 células ou menos por mm3) e evidência de perda de plasma devido ao aumento da
permeabilidade vascular, manifestada por um ou mais do seguinte: 20% de aumento no hematócrito médio,
para a idade e sexo, 20% de quebra no hematócrito, na sequência da terapia de substituição de volume, em
relação ao valor inicial, sinais de perda de plasma (efusão pleural, ascites, hipoproteinemia).
Síndrome de choque do dengue: todos os critérios acima mencionados, mais evidência de falha circulatória,
manifestada por um pulso rápido e fraco e pressão arterial baixa(≤ 20 mm Hg) ou hipotensão, frio, pele viscosa
e estado mental alterado.
Resposta ao limiar de alerta
304
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Tempo: Fazer, semanal/mensalmente, um gráfico dos casos e óbitos. Traçar uma curva epidémica durante o
surto.
Local: Assinalar a localização das habitações e locais de trabalho com casos, usando mapas precisos.
Pessoa: Taxa de letalidade. Analisar a distribuição por idade e sexo. Percentagem de casos de FHD/SCD e de
hospitalizações.
Confirmação laboratorial
Teste de Demonstração de IgM e IgG por ensaios de anticorpos.
diagnóstico Detecção de sequências genómicas virais por PCR.
Isolamento do vírus do dengue, usando cultura de células.
Ensaios de detecção de antigénios para amostras de fase aguda, quando o PCR ou o
isolamento são negativos.
Nota: existem várias técnicas de diagnóstico para documentar uma infecção pelo vírus
do dengue. O teste ELISA de captura de IgM é o teste básico para o diagnóstico
serológico.
Amostra ELISA: sangue total, soro ou plasma de casos agudos (0-5 dias) e convalescentes (6 ou
mais dias), dependendo de cada caso.
As amostras devem ser colhidas para diagnosticar uma morte suspeita por dengue:
Uma amostra de sangue, para tentar a PCR, o isolamento viral e a serologia. Para fazer
uma autópsia, deve colher-se sangue do coração.
305
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Colheita
Colher uma amostra do primeiro caso suspeito.
Se houver mais do que um caso suspeito, colher amostras de 5 a10 casos suspeitos.
Tipo de amostra
§ Sangue na fase aguda (0-5 dias após início dos sintomas)
§ Sangue na fase de convalescença (≥ 6 dias após início)
Momento da colheita
§ Colher segunda amostra durante a convalescença. Entre os dias 6 e 21 após o
início dos sintomas.
Preparação,
O transporte das amostras deve obedecer às orientações da OMS para o transporte
armazenamento seguro de substâncias infecciosas e amostras para diagnóstico.
e transporte das
amostras Para ELISA ou PCR:
§ Refrigerar o soro ou o coágulo. Para armazenagem a longo prazo, congelar a -20º C
§ Congelar (a -20C ou mais) as amostras de tecido para o isolamento do vírus
Se tiver sido feita uma autópsia e não houver tecidos frescos, deve-se colher para os
estudos imunohistoquímicos, tecidos fixados em formalina.
306
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.9 Diabetes
Introdução
§ A diabetes mellitus (DM) é uma doença crónica generalizada, que ocorre quando o pâncreas não
produz insulina suficiente ou quando o corpo não consegue usar eficazmente a insulina que produz. A
diabetes pode provocar graves complicações de saúde, incluindo doença cardíaca, cegueira,
insuficiência renal e amputações dos membros inferiores.
§ A forma mais comum é a diabetes do tipo 2, que representa mais de 85% dos casos. Outras formas são
menos comuns, como o tipo 1 (10% dos casos), a diabetes específica e a diabetes gestacional (5% dos
casos).
§ Os factores de risco que propiciam o início das diabetes são bem conhecidos e incluem factores não
modificáveis, como a idade (acima dos 45 anos de idade), história familiar e causas da diabetes na
gravidez. Os factores de risco de diabetes modificáveis são a obesidade, a inactividade física e o
consumo excessivo de álcool.
§ A prevalência mundial em 2000 estava estimada em 2,8%, com projecções de 4,8% até 2030. O
número total de pessoas afectadas subirá de 171 milhões, em 2000, para 366 milhões, em 2030, se não
forem tomadas medidas. A mortalidade anual mundial relacionada com a diabetes está estimada em
mais de um milhão.
§ A diabetes deixou de ser considerada uma doença rara em África. As estimativas mais recentes,
baseadas na abordagem STEP-wise da OMS para a monitorização dos factores de risco das doenças
não transmissíveis, indicam uma prevalência entre 1% e 20%. Em alguns países, como as Ilhas
Maurícias, atinge os 20%.
§ A taxa de amputação de membros associada à diabetes varia entre 1,4% e 6,7% dos casos de pé
diabético. Em alguns países africanos, a taxa de mortalidade é superior a 40 por 10 000 habitantes.
§ Na Região Africana, os esforços no sentido de criar um ambiente que reforce a luta contra a diabetes
incluem a adopção de resoluções sobre doenças não transmissíveis, em 2000, a estratégia para as
doenças cardiovasculares, em 2005, e a estratégia para a diabetes mellitus, em 2007. A Organização
Mundial da Saúde e a Federação Internacional da Diabetes (FID) também realizaram acções conjuntas que
contribuíram para a promoção dos conhecimentos sobre a diabetes em África.
Objectivos da vigilância
§ Estimar a magnitude da doença
§ Monitorizar as tendências e os factores de risco
§ Identificar as populações de maior risco (e.g., grupos etários, urbanas vs. rurais)
§ Monitorizar as actividades dos programas de prevenção e controlo
307
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.9 Diabetes
§ Mais fome
§ Urinar frequentemente
Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por idade e outros factores demográficos.
*Os dados sobre as doenças não transmissíveis são analisados para as tendências a longo prazo
Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Medir a glicose no sangue capilar, usando um teste de tira reagente e um medidor de
referências
Medir a glicose no plasma, usando um método de teste colorimétrico para a glicose
oxidase
Definição de caso laboratorial (ver secção 8.0)
Amostra
Plasma
Sangue capilar
308
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.9 Diabetes
Colheita
As medições da glicose do sangue devem ser realizadas no dia e na hora solicitada.
Preparação,
armazenamento e A amostra deve ser analisada tão depressa quanto possível (antes de 2 horas), na
transporte das unidade de saúde em que foi colhida.
amostras
Resultados
Os resultados ficam prontos em poucas horas.
Referências
§ Cardiovascular Diseases in the African Region: Current situation and perspectives, AFR/RC55/12
§ Diabetes prevention and control: a strategy for the African Region, AFR/RC57/7
§ Gojka R et al, Global prevalence of diabetes, Diabetes care 27(5): 1047–1053, 2004.
§ IDF, Diabetes Atlas, 2nd Edition, Brussels, International Diabetes Federation, 2003.
§ WHO, Preventing chronic diseases: A vital investment, Geneva, World Health Organization, 2005.
§ WHO, The burden of mortality attributable to diabetes, Geneva, World Health Organization, 2004.
§ WHO-PEN: Protocols for health promotion, prevention and management of NCDs at primary care level
[Link]
309
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ Os surtos de grande escala podem ser causados por Shigella dysenteriae tipo 1 (SD1), infectando até
30% das populações. A taxa de letalidade pode aproximar-se dos 20% entre as crianças pequenas e
pessoas idosas com desidratação grave.
§ A doença caracteriza-se por febre aguda e diarreia com sangue, podendo igualmente apresentar-se
com sintomas e sinais sistémicos, com desidratação, especialmente nas crianças pequenas.
§ Factor de risco: zonas superpovoadas, com água não potável e mau saneamento (por exemplo,
populações refugiadas com falta de alimentos.
Objectivos da vigilância
§ Detectar e responder prontamente aos surtos de disenteria.
§ Melhorar a percentagem de casos laboratorialmente confirmados e avaliar a proporção verificada como
tipo 1 (SD1).
§ Determinar o padrão de sensibilidade aos antibióticos dos agentes isolados (especialmente SD1), tanto
para a vigilância de rotina como durante os surtos.
Caso confirmado:
Caso suspeito com cultura de fezes positiva para Shigella dysenteriae tipo1.
310
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Pessoa: Contar os casos e os óbitos todos os meses. Durante um surto, contar todas as semanas os
casos. Analisar rotineiramente a distribuição por idade. Avaliar os factores de risco, para melhorar o controlo e a
prevenção das doenças esporádicas e dos surtos.
Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Isolar a Shigella dysenteriae tipo 1 (SD1) em cultura, para confirmar o surto de shigella.
Se SD1 for confirmada, realizar testes de sensibilidade aos antibióticos, com
medicamentos apropriados.
Amostra
Fezes ou esfregaço rectal.
Colheita Para cada nova zona afectada pelo surto, deve fazer-se a confirmação laboratorial.
Colher a amostra quando há suspeita de um surto. Colher as fezes de 5-10 doentes que
tenham diarreia com sangue:
De preferência, guardar as fezes num recipiente limpo e seco. Não contaminar com urina.
Colher uma amostra das fezes, seleccionando as partes da amostra com sangue ou
muco.
Se não for possível colher fezes, obter uma amostra rectal com uma mecha de algodão
limpa.
311
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Consultar as orientações específicas para a doença na Secção 8.0, para mais informação
sobre o potencial epidémico da Shigella dysenteriae 1
Referências
§ Guidelines for the control of epidemics due to Shigella dysenteriae type 1. WHO/CDR/95.4
§ Safe Water Systems for the Developing World: A Handbook for Implementing Household-based Water
Treatment and Safe Storage Projects. Department of Health & Human Services. Centers for Disease Control
and Prevention. Atlanta. 2000
§ “Laboratory Methods for the Diagnostic of Epidemic Dysentery and Cholera”. CDC/WHO, 1999 CDC,
Atlanta, GA, USA
312
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Alguma desidratação -- dois ou mais dos seguintes sinais: agitação, irritabilidade; olhos encovados; sede; perda
de elasticidade da pele, ou
Desidratação grave -- dois ou mais dos seguintes sinais: letargia ou perda de consciência; olhos encovados;
incapacidade de beber ou beber pouco; grande perda de elasticidade da pele.
Caso confirmado:
Caso suspeito confirmado com cultura de fezes, para um agente patogénico entérico conhecido.
Nota: a confirmação laboratorial de um agente específico causador do surto não é recomendada como rotina,
para fins de vigilância.
313
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Confirmação laboratorial
A cultura laboratorial de fezes pode ser usada para confirmar possíveis surtos de agentes específicos, mas não
é necessária para a definição do caso.
Referências
§ Management of childhood illness: Clinical skills training course for first level health facilities. World Health
Organization. WHO/CDR/95.14
§ Integrated Management of Childhood Illness: A WHO/UNICEF Initiative Bulletin of the World Health Organization. Vol. 75,
1997, Supplement 1, 1997. ISBN 92 4 068750 5
314
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.12 Dracunculose
Introdução
§ A dracunculose é comumente conhecida como doença do verme da Guiné. É provocada por um grande
nemátodo, um parasita incapacitante que emerge através da pele da pessoa infectada.
§ Trata-se de uma doença antiga, conhecida desde tempos remotos, que tem, para muitos doentes,
consequências socioeconómicas graves. É transmitida pela ingestão de água contendo um crustáceo
(cíclope) que é infestado por uma forma imatura (larvar) do nemátodo. O cíclope encontra-se na superfície
em fontes de água estagnada (lagoas, poços tradicionais pouco fundos), nas zonas rurais. O nemátodo
fêmea sai da pele do hospedeiro, quando há contacto com a água. O período de incubação é entre 9 a 12
meses e não há tratamento nem vacina contra a doença.
§ O êxito das estratégias de luta contra a doença, aplicadas pelos países endémicos e uma coligação
internacional de parceiros, tem facilitado a irradicação da dracunculose. Em Dezembro de 2008, foram
notificados à OMS 4.619 casos do verme da Guiné, em todo o mundo, em comparação com 892 000 casos
notificados em 1989, o que revela uma redução de 99,47%.
§ Em 1989, a doença era endémica em 20 países, em todo o mundo: Benim, Burkina Faso, Camarões,
República Centro-Africana, Côte d’Ivoire, Chade, Gana, Etiópia, Índia, Paquistão, Quénia, Mali, Mauritânia,
Níger, Nigéria, Sudão, Senegal, Togo, Uganda e Yémen
§ Actualmente, só o Continente Africano continua a ser afectado, com 6 países ainda endémicos, em 2009:
Sudão, Gana, Mali, Etiópia, Nigéria e Níger.
Objectivos da vigilância
§ Conduzir a detecção activa e investigação de todos os casos a nível comunitário. Notificar, mensalmente,
os casos ao nível seguinte.
§ Nas zonas em que a transmissão local da doença do verme da Guiné foi interrompida, manter uma busca
activa de outros casos ou rumores de casos.
§ Notificar todos os casos importados aos países ou áreas de origem.
§ Integrar na vigilância para confirmar a ausência da transmissão.
Definição padronizada de caso
Caso suspeito:
§ Uma pessoa que apresente uma lesão cutânea, com prurido ou bolha e que viva numa área endémica do
verme da Guiné.
§ Caso confirmado: na última fase do programa, é necessária a confirmação dos últimos casos por pessoal
de saúde formado. Seguir as orientações nacionais para a definição de caso confirmado.
Resposta ao limiar de alerta
315
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.12 Dracunculose
Se houver apenas um caso suspeito:
§ Notificar o caso, de acordo com as orientações do programa nacional de erradicação da dracunculose.
§ Tratar a ferida (se houver), para reduzir a incapacidade associada às lesões dolorosas da perna.
§ Fazer a investigação do caso, para confirmar os factores de risco.
§ Melhorar o acesso à água potável, de acordo com as orientações nacionais.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico mensal dos casos.
Local: Assinalar a distribuição das habitações e locais de trabalho, onde se registaram casos notificados.
Pessoa: Contar os casos todos os meses e analisar a distribuição por idade. Enviar relatórios mensais aos
níveis seguintes.
Confirmação laboratorial
Não é necessária a confirmação laboratorial de rotina para a vigilância. O diagnóstico é feito por reconhecimento
visual do verme adulto que sobressai numa lesão cutânea (ver secção 8.0) ou por identificação microscópica das
larvas. Os testes laboratoriais para investigar a dracunculose são limitados, porque as larvas de D. medinensis
são, normalmente, arrastadas pela água. O diagnóstico faz-se, normalmente, quando a bolha rompe e se vê a
extremidade anterior do verme fêmea. Se necessário, a confirmação laboratorial do diagnóstico pode ser feita do
seguinte modo: colocar algumas gotas de água na ferida, recolher e transferir a água para uma lâmina e
examinar as larvas móveis ao microscópio.
Referências
§ Dracunculiasis or guinea-worm, Geneva, World Health Organization, WHO/CDS/CEE/DRA/99.2, 1999 and
WHO/WER N°37 September 2003
§ Control of Communicable Diseases Manual, 18th Edition
§ District Laboratory Practice in Tropical countries, Cambridge
316
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ Estes dois vírus são transmitidos por contacto directo com o sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos
corporais de pessoas infectadas. A transmissão da infecção do vírus Ébola de chimpanzés, gorilas e
antílopes de floresta infectados (vivos e mortos) para os humanos tem sido documentada.
§ Estão em curso estudos ecológicos para identificar os reservatórios naturais dos dois vírus. Existem
evidências do envolvimento de morcegos.
§ As epidemias podem ser dramaticamente propagadas nas unidades de saúde por procedimentos
inadequados das precauções de biossegurança no controlo da infecção.
§ Entre 20e 80% dos doentes têm manifestações hemorrágicas, dependendo da estirpe dos vírus Ébola ou
Marburgo. Os doentes tornam-se cada vez mais infecciosos, à medida que a doença avança.
§ Têm sido notificadas elevadas taxas de letalidade durante as epidemias de Ébola (25 a 90%) e de
Marburg (25 a 80%)
§ Não existe tratamento específico para nenhuma das duas doenças. Os casos graves exigem cuidados
intensivos de suporte vital, visto que os doentes ficam frequentemente desidratados e necessitam de
fluidos intravenosos ou de reidratação oral com soluções que contenham electrólitos.
§ As vias mais comuns de infecção são o contacto próximo com pessoas gravemente doentes, durante os
cuidados em casa ou no hospital, assim como certas práticas funerárias. A transmissão por via de
equipamento, injecção contaminada ou ferimentos causados pela introdução de agulhas, torna a doença
mais grave. A infecção pode igualmente propagar-se através do contacto com vestuário ou roupa de
cama pertencentes a um doente infectado.
Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce de casos, investigação rápida e confirmação laboratorial imediata da etiologia de todos os
casos suspeitos.
§ Investigação de todos os casos suspeitos, com localização dos contactos.
§ Durante as epidemias, para os doentes que não apresentam sintomas de hemorragia, deve-se usar uma
definição de caso específica..
317
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Caso confirmado: um caso suspeito com confirmação laboratorial (anticorpo IgM positivo, PCR positivo ou
isolamento viral) ou ligação epidemiológica aos casos ou surtos confirmados.
Nota: Durante um surto, estas definição de caso podem ser alteradas, para corresponderem à ocorrência local.
Tempo: Fazer um gráfico dos casos e óbitos por dia/semana. Traçar uma curva epidémica durante o
surto.
ou
318
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Para PCR:
Sangue total ou coágulo de sangue, soro/plasma ou tecido
Para imunohistoquímica:
§ Fixar uma amostra de pele em formalina. A amostra pode ser armazenada até 6
semanas. A amostra deixa de ser infecciosa depois de fixada em formalina.
§ Armazenar à temperatura ambiente. As amostras fixadas em formalina podem ser
transportadas à temperatura ambiente.
Resultados Os serviços de diagnóstico das FHV não estão rotineiramente disponíveis. Normalmente,
é necessário requisitá-los antecipadamente. Contactar a autoridade nacional competente
ou a OMS.
Referências
§ Interim Infection Control Recommendations for Care of Patients with Suspected or Confirmed Filovírus
(Ebola, Marburg) Hemorrhagic Fever. BDP/EPR/WHO, Geneva March 2008.
§ Infection Control for VHF in the African health care setting, WHO, 1998. WHO/EMC
§ WHO Fact Sheet No 103, Ebola haemorrhagic fever, revised December 2008
§ Interim Infection Control Recommendations for Care of Patients with Suspected or Confirmed Filovírus
(Ebola, Marburg) Hemorrhagic Fever. BDP/EPR/WHO, Geneva March 2008.
§ WHO recommended Guidelines for Epidemic Preparedness and Response: Ebola Haemorrhagic Fever
(EHF). WO/EMC/DIS/97.7.
§ Dengue haemorrhagic fever: diagnostic, treatment, prevention and control. 2nd edition. Geneva: World Health
Organization. 1997.
319
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ Uma doença de transmissão alimentar ocorre quando duas ou mais pessoas partilharam a mesma comida
ou bebida e passado pouco tempo, começaram a ter sintomas.
§ A maioria das pessoas com uma doença de transmissão alimentar não procura cuidados médicos; por isso,
os casos e surtos de doenças de transmissão alimentar não são, normalmente, reconhecidos nem
notificados.
§ Os primeiros sintomas surgem, muitas vezes, no tracto gastrointestinal. Náuseas, vómitos, cólicas
abdominais e diarreia são sintomas frequentes de doenças transmitidas pelos alimentos.
§ Os surtos podem ser localizados, afectando apenas, por exemplo, 2 indivíduos que comeram a mesma
refeição ou produto, mas podem também ocorrer surtos mais vastos e geograficamente disseminados. Os
grandes surtos ocorrem quando os alimentos são contaminados antes da sua distribuição e consumidos por
muitas pessoas, em várias zonas.
§ É necessário proceder à vigilância das doenças de transmissão alimentar, para monitorizar a segurança dos
alimentos e desenvolver acções de promoção da saúde, destinadas aos comerciantes de alimentos, para
que estes apliquem práticas mais seguras de manuseamento dos alimentos e melhorem a sua higiene
pessoal.
Objectivos da vigilância
§ Identificar prontamente qualquer grupo invulgar de doenças potencialmente transmitidas por alimentos, que
possa exigir uma investigação ou resposta da saúde pública.
§ Monitorizar a magnitude das doenças de transmissão alimentar.
§ Identificar alimentos ou práticas alimentares de alto risco.
§ Monitorizar os factores de risco, para as intervenções de saúde pública e de promoção da saúde, em relação
a determinados alimentos e práticas alimentares.
Definição padronizada de caso
Há suspeita de doença de transmissão alimentar quando duas ou mais pessoas se apresentam com sintomas
semelhantes e consumiram os mesmos alimentos ou bebida.
Uma doença de transmissão alimentar define-se de acordo com o agente específico que causou a doença (por
exemplo, cólera, hepatite A, salmonelose ou shigelose).
Uma doença de transmissão alimentar confirmada é um caso laboratorial confirmado de um agente específico,
com uma ligação a uma fonte de alimentos ou bebidas comuns.
Resposta ao limiar de alerta
320
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ Pessoa: Contar os casos e óbitos todos os meses. Durante um surto, contar os casos relacionados com o
surto, por semana.
§ Rever rotineiramente os dados clínicos e os resultados laboratoriais das análises aos alimentos e às
pessoas, para identificar os grupos de casos, por tempo, local ou pessoa. Investigar os surtos suspeitos de
doença alimentar detectados atraves deos dados.
321
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ Gripe A (H1N1) de 2009: Em 11 de Junho de 2009, a OMS declarou uma pandemia mundial devida ao vírus
da gripe A (H1N1) e em 8 de Outubro de 2009, 195 países, territórios e áreas tinham notificado casos e/ou
surtos do vírus pandémico (H1N1). O especto da doença varia desde doença não febril e ligeira do tracto
respiratório superior até pneumonia grave ou fatal.
§ Gripe A (H5N1): um outro subtipo de gripe, H5N1, circula entre as aves há mais de 10 anos. Em 2003,
foram identificadas infecções em pessoas expostas a aves doentes. Desde 2003, o H5N1 está confirmado
em aves de capoeira e/ou aves selvagens em 62 países e 15 países notificaram 442 casos humanos
confirmados de H5N1, com 262 óbitos. A Nigéria notificou, em Janeiro de 2007, um óbito confirmado de
infecção humana pelo vírus da gripe A (H5N1). A maioria dos doentes com H5N1 apresentam sintomas de
febre, tosse e falta de fôlego e pneumonia radiologicamente comprovada. A grande maioria dos casos, para
os quais se dispõe de dados sobre os factores de risco, indicam que o contacto directo com aves de
capoeira vivas ou recentemente mortas é o principal factor de risco para a infecção humana por H5N1. No
entanto, a propagação geográfica continuada deste vírus da gripe aviária altamente patogénico entre as
aves da Ásia, Europa, Médio Oriente e África tem reforçado as preocupações sobre a possibilidade de uma
pandemia de gripe humana H5N1 à escala mundial.
§ Nos termos do RSI (2005), um Estado-Membro terá de notificar à OMS a primeira ocorrência de gripe
humana causada por um novo subtipo, incluindo o vírus da pandemia (H1N1) de 2009.
Objectivos da vigilância
§ Detectar e investigar a primeira prova da transmissão sustentada entre humanos de um vírus da gripe com
potencial pandémico.
§ Avaliar os primeiros casos de gripe pandémica que ocorram num país, para caracterizar a nova doença,
incluindo as suas características clínicas, informação sobre os factores de risco e características
epidemiológicas e virológicas.
§ Monitorizar a evolução da pandemia no país, a nível regional e mundial.
322
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Caso confirmado de H5N1: uma pessoa que corresponda aos critérios de caso suspeito e tenha resultados
laboratoriais positivos e obtidos num laboratório cujos resultados dos testes para o H5N1 sejam aceites pela
OMS como confirmatórios.
Suspeita de infecção pelo vírus pandémico (H1N1) de 2009: uma pessoa que apresente uma doença de tipo
gripal (manifestação súbita de febre > 38 °C e tosse ou garganta inflamada, na ausência de outro diagnóstico),
com história de exposição ao vírus pandémico (H1N1) de 2009.
Infecção confirmada pelo vírus pandémico (H1N1) de 2009: uma pessoa com infecção pelo vírus pandémico
(H1N1) de 2009, confirmada laboratorialmente por um ou mais dos seguintes testes: PCR; cultura de vírus;
aumento quádruplo dos anticorpos neutralizadores específicos do vírus pandémico (H1N1) de 2009.
323
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Local: Assinalar a localização das habitações e locais de trabalho com casos, usando um mapeamento preciso.
Pessoa: Contar, semanalmente, o total de casos e óbitos, relativamente a casos esporádicos e durante os
surtos. Analisar a distribuição por idade e sexo. Caracterizar a doença, em termos de apresentação clínica,
especto da doença, proporção de casos que exigem hospitalização, resultados clínicos,taxa de letalidade, taxa
de ataque por idade/ocupação/consanguinidade.
Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Identificação das infecções pelo vírus da gripe humana por:
324
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Amostra
Para o diagnóstico podem usar-se vários tipos de amostras:
§ Esfregaço da garganta
§ Esfregaço nasofaríngeo
§ Esfregaço nasal.
§ Aspirado nasofaríngeo
§ Doentes entubados: esfregaço traqueal ou fluido de lavagem brônquica
§ Sangue
Colheita de
amostras Obter a amostra 3 dias depois do início dos sintomas,
As amostras iniciais (respiratórias ou sangue) devem ser preferencialmente colhidas em
doentes suspeitos, antes de se iniciar a terapêutica antiviral, mas o tratamento não deve
ser retardado por motivo de colheita de amostras.
As amostras devem ser colhidas em mortos, logo que possível a seguir à morte
Preparação,
armazenamento e As amostras respiratórias devem ser transportadas em meios de transporte de vírus.
Estão disponíveis comercialmente meios que podem ser usados para vários vírus.
transporte das
amostras As amostras enviadas num meio de transporte de vírus, para isolamento viral, devem
ser armazenadas a 4°C e transportadas prontamente para o laboratório. Se a amostra
for transportada nos 2 dias seguintes, pode ser conservada a 4°C; caso contrário, deve
ser congelada a -70 °C ou menos, até ser transportada para o laboratório. O
congelamento e descongelamento repetido devem ser evitados, para prevenir a perda
de qualidade.
Os soros podem ser armazenados a 4°C, durante, aproximadamente uma semana, mas
depois devem ser congelados a -20°C.
O transporte das amostras deve obedecer às orientações da OMS para o transporte
seguro de substâncias infecciosas e amostras para diagnóstico
325
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Referências
§ WHO guidelines for global surveillance during an influenza pandemic, April 2009.
§ WHO updated interim guidance on global surveillance of human infection with pandemic (H1N1) 2009 virus, July 2009.
§ WHO guidelines for investigation of human cases of avian influenza A(H5N1), 2007
§ WHO interim guidelines on infection prevention and control of epidemic- and pandemic-prone acute respiratory diseases
in health care, June 2007.
§ Collecting, preserving and shipping samples for the diagnostic of avian influenza A (H5N1) virus infection. Guide for field
operations, October 2006
§ WHO Rapid Advice Guidelines on pharmacological management of humans infected with avian influenza A (H5N1) virus,
May 2006.
§ WHO interim guidelines on clinical management of humans infected by influenza A(H5N1), August 2007.
§ WHO guidelines for clinical management of human infection with new influenza A (H1N1) virus: Initial Guidance, May
2009.
§ WHO guidelines for pharmacological management of pandemic (H1N1) 2009 influenza and other influenza viruses, 20
August 2009.
§ Recommended laboratory tests to identify avian influenza virus A in samples from humans, WHO, revised August 2007.
§ Collecting, preserving and shipping samples for the diagnostic of avian influenza A (H5N1) virus infection. Guide for field
operations, October 2006 WHO/CDS/EPR/ARO/2006.1
326
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.16 Hipertensão
Introdução
§ Hipertensão ou tensão arterial alta (TAA) é uma condição crónica, em que a pressão do sangue nas
artérias é elevada. É classificada como primária (essencial) ou secundária. A hipertensão “primária” é a
tensão arterial alta, para a qual não se encontra causa. A hipertensão “secundária” é causada por
condições que afectam as artérias, coração, sistema endócrino ou rins.
§ As alterações do estilo de vida que, comprovadamente, baixam a TA incluem: redução do peso nos
indivíduos com excesso de peso ou obesos, redução da quantidade de gordura e sal na dieta e comer
mais frutos e vegetais frescos, aumentar a actividade física e reduzir o consumo de álcool e tabaco.
Objectivos da vigilância
§ Prevenir a hipertensão por detecção precoce e tratamento estandardizado
§ Estimar o fardo da doença e reduzir os factores de risco identificados
§ Monitorizar as actividades de controlo e prevenção
Caso confirmado:
Um indivíduo que se apresente, em, pelo menos, duas ocasiões, com uma medição da tensão arterial em
repouso (baseada na média de 3 leituras) de 140 mm Hg ou mais para a pressão sistólica ou igual ou superior a
90 mm Hg para a pressão diastólica.
327
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.16 Hipertensão
Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por idade e outros factores demográficos.
*Os dados relativos às doenças não transmissíveis são, frequentemente, analisados para tendências a
longo prazo
Confirmação laboratorial
O diagnóstico é clínico.
Referências
§ WHO, Atlas of heart disease and stroke, Geneva, World Health Organization, 2004.
§ Cardiovascular Diseases in the African Region: Current situation and perspectives, AFR/RC55/12
§ [Link]
§ [Link]
§ “The Seventh Report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation, and Treatament
of High Blood Pressure” U.S. Department of health and Human Services, National Institutes of Health,
National Heart, Lung, and Blood Institute, NIH Publication No. 03-5233, December 2003
§ [Link]
328
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ Os agentes patogénicos mais comuns que causam infecções respiratórias são: Streptococcus pneumoniae,
Haemophilus influenzae tipo b (Hib), Staphylococcus aureus e outras espécies bacterianas, o vírus sincicial
respiratório (RSV), vírus do sarampo, vírus da paragripe humana dos tipos 1, 2 e 3 (PIV-1, PIV-2 e PIV-3),
vírus da gripe e vírus da varicela.
§ A ameaça das infecções respiratórias, devidas a novos organismos com potencial epidémico ou pandémico,
exige precauções especiais e preparação. Os eventos de doenças respiratórias que podem constituir uma
emergência de saúde pública de âmbito internacional incluem: Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS);
gripe humana causada por um novo subtipo, incluindo episódios humanos de gripe das aves; peste
pneumónica; e novos agentes que podem causar surtos de SARI em larga escala, com elevada morbilidade
e mortalidade.
§ A vigilância das infecções respiratórias baseia-se na definição de caso da Doença de Tipo Gripal (DTG). A
vigilância baseada em laboratório, ou as investigações usando a definição de caso de DTG, é usada para
identificar o agente patogénico causador da doença.
Objectivos da vigilância
§ Detectar rapidamente eventos invulgares que possam indicar uma mudança na gravidade ou padrão da
doença associada à gripe ou a emergência de uma nova estirpe de gripe
§ Estabelecer e monitorizar casos iniciais de doença respiratória grave, incluindo monitorização da gravidade e
impacto da gripe
§ Descrever e monitorizar os grupos vulneráveis em maior risco de doença grave
§ Detectar alterações antigénicas ou genéticas nos vírus circulantes ou o aparecimento de resistência antiviral.
329
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Um caso confirmado de gripe é um caso que corresponda à definição clínica de caso e seja confirmado
laboratorialmente (os resultados laboratoriais devem ser positivos para o vírus da gripe).
Resposta a um caso suspeito de uma doença respiratória aguda de potencial epidémico ou pandémico
ou a uma ocorrência invulgar de infecção respiratória aguda grave:
330
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Pessoa: Caracterizar a doença em termos de apresentação clínica, especto, incluindo a sua gravidade, contar e
notificar os casos e óbitos, a proporção de casos que exigem hospitalização, resultados clínicos,taxa de
letalidade, taxas de ataque por idade/ocupação/consanguinidade e casos laboratoriais confirmados.
Descrever o nível global de actividade da doença respiratória. Notificação imediata de casos e óbitos.
Durante o surto, analisar a distribuição por idade e sexo. Avaliar imediatamente os factores de risco.
Local: Descrever o grau de perturbação nas escolas, infra-estruturas de saúde, locais de trabalho e pontos de
entrada (PoE). Determinar se existe alguma prova de que o vírus tenha aumentado a sua capacidade
de causar doença humana ou a sua transmissibilidade. Usar igualmente as tendências das vendas de
remédios para a gripe e analgésicos.
Confirmação laboratorial
Mais informações técnicas sobre o papel dos laboratórios podem ser encontradas no Guia da OMS sobre
vigilância sentinela dos vírus da gripe.
Referências
§ World Health Organization – Acute Respiratory Infections
[Link]
§ World Health Organization - Interim guidelines on infection prevention and control of epidemics- and
pandemic-prone acute respiratory diseases in health care, June 2007
[Link]
§ World Health Organization - Guidelines for investigation of human cases of avian influenza A (H5N1),
January 2007.
[Link]
§ World Health Organization - Collecting, preserving and shipping specimens for the diagnostic of avian
influenza A (H5N1) virus infection. Guide for field operations, October 2006.
[Link]
§ World Health Organization - Guidelines for the collection of human specimens for laboratory diagnostic of
avian influenza infection, 12 January 2005.
[Link]
331
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ No seu conjunto, os traumatismos são responsáveis por 10% das mortes em todo o mundo. Todos os
anos, morrem 5,8 milhões de pessoas como consequência de diferentes tipos de traumatismos. De
todos os sistemas com que as pessoas têm de lidar diariamente, o transporte rodoviário é o mais
complexo e o mais perigoso.
§ Uma colisão de trânsito (colisão de veículo motorizado, acidente de veículo motorizado, acidente de
automóvel ou colisão de automóvel) ocorre quando um veículo colide com outro veículo, peão, animal,
destroços na estrada ou outro obstáculo geográfico ou arquitectural. As colisões de trânsito podem
resultar em traumatismos, danos materiais e morte.
§ A nível mundial, o número de pessoas que morrem todos os anos em Traumatismo por acidentes
rodoviários está estimado em 1,2 milhões, podendo o número de feridos elevar-se a 50 milhões.
§ Os traumatismos provocados por acidentes rodoviários continuam a figurar entre as principais causas de
morte e incapacidade entre os jovens com 5 a 44 anos, estando a principal causa de morte na categoria
das pessoas entre os 15 e os 29 anos. A maioria dessas mortes ocorre actualmente entre os “utentes
vulneráveis das estradas” (peões, ciclistas e motociclistas).
§ Sem um aumento dos esforços e sem novas iniciativas, prevê-se que o número total de mortes e
traumatismos por acidentes rodoviários em todo o mundo aumente cerca de 67% até 2020, prevendo-se
que, nos países de baixos e médios rendimentos, as mortes aumentem em 83%.
§ A Região Africana tem a taxa mais elevada de casos fatais de Traumatismo por acidentes rodoviários,
que se situa em 32/100 000 habitantes
§ Os traumatismos por acidentes rodoviários são evitáveis. Podem–se reduzir substancialmente desses
traumatismos, implementando medidas que visem evitar os factores de risco (velocidade excessiva e
inapropriada, condução sob o efeito do álcool, não uso de cintos de segurança e de cadeiras para
crianças e não uso de capacetes pelos ciclistas)
Objectivos da vigilância
§ Estimar e monitorizar a incidência de traumatismos por acidentes rodoviários e suas consequências
§ Identificar os factores de risco e as zonas de alto risco, para informar implementar a política e os
programas de prevenção
332
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Morte por acidente rodoviário: uma pessoa que tenha morrido imediatamente ou no período de 30 dias
como consequência de traumatismo provocado por acidente.
Tempo: Fazer gráficos mensais que mostrem os números relativos a casos e óbitos e traçar curvas anuais
que revelem as tendências
Confirmação laboratorial
Imagiologia dos feridos - quando necessário
Referências
§ WHO-2004, World Health report
§ WHO,2001- Holder Y., Peden M., Krug E. et al(eds) Injury Surveillance Guidelines, Geneva
333
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ A FHCC é endémica em África, tendo sido notificados surtos no Uganda, Mauritânia e África do Sul. A
Mauritânia notifica todos os anos alguns casos e a África do Sul notificou 165 casos laboratorialmente
confirmados, entre 1981 e Março de 2006.
§ Sabe-se que a febre de Lassa é endémica na Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa, mas provavelmente existe
também em outros países da África Ocidental. Alguns estudos indicam que 300 000 a 500 000 casos de
febre de Lassa, com 5 000 mortes, ocorrem todos os anos na África Ocidental.
§ A FHCC propaga-se aos humanos, quer por picadas de carraças, quer através de contacto com tecido animal
virémico, imediatamente após a matança.
§ O reservatório animal do vírus de Lassa é um roedor do género Mastomys. Os Mastomys infectados com o vírus
de Lassa não adoecem, mas expulsam o vírus nos excrementos (urina e fezes) e os humanos, normalmente, são
infectados através do ar ou contacto directo com os excrementos dos roedores infectados. A febre de Lassa pode,
igualmente, propagar-se entre os humanos, através do contacto directo com o sangue, secreções faríngeas,
urina, fezes ou outras secreções corporais de uma pessoa infectada.
§ A transmissão entre pessoas, tanto da FHCC como da Febre de Lassa, tem ocorrido em unidades de saúde, após
exposição ao sangue e secreções de doentes infectados.
§ O período de incubação da FHCC, após a picada de uma carraça, é, geralmente, de 1 a 3 dias (máx. 9 dias) e
após contacto com sangue ou tecidos normalmente é de, e 5 a 6 dias (máx. 13 dias). O período de incubação da
Febre de Lassa varia entre 6 e 21 dias.
§ O início dos sintomas entre os doentes da FHCC é súbito, com febre, mialgia e outros sinais e sintomas. A taxa
de letalidade notificada para a FHCC situa-se entre 3% e 30%.
§ Aproximadamente 80% das infecções humanas pela febre de Lassa são ligeiras ou assintomáticas; os restantes
casos têm doença multissistémica grave. A manifestação da doença em doentes sintomáticos é, normalmente
gradual, começando com febre, fraqueza geral e mal-estar. A febre de Lassa é difícil de distinguir de muitas
outras doenças que causam febre, incluind a malária, shigelose, febre tifóide, febre amarela e outras FHV. A taxa
de letalidade entre os doentes internados é de 1-15%.
§ A terapêutica de apoio geral constitui a base do tratamento do doente com FHCC. É necessária uma
monitorização intensiva, para orientar a substituição do volume e componentes sanguíneos. O medicamento
antiviral, ribavirina, tem sido usado no tratamento da infecção estabelecida da FHCC. Tanto a formulação oral
como a intravenosa parecem ser eficazes. A ribavirina é o tratamento eficaz para a febre de Lassa, quando
administrada logo no início da doença clínica.
Objectivos da vigilância
334
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Caso confirmado de FHCC: um caso suspeito com confirmação laboratorial (anticorpo IgM positivo, PCR,
isolamento viral ou seroconversão de IgG por ELISA ou IFA) ou ligação epidemiológica a casos ou surtos
confirmados.
Caso suspeito de febre de Lassa: doença com início gradual e um ou mais dos seguintes sintomas: mal-estar,
febre, dores de cabeça, inflamação da garganta, tosse, náuseas, vómitos, diarreia, mialgia, dores no peito, perda
de audição e história de contacto com excrementos de roedores ou com um caso de febre de Lassa
Caso confirmado de febre de Lassa: um caso suspeito que seja laboratorialmente confirmado (anticorpo IgM
positivo, PCR ou isolamento do vírus) ou epidemiologicamente ligado a um caso laboratorialmente confirmado.
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de um único caso:
§ Notificar, imediatamente, aos níveis apropriados, a informação baseada no caso.
§ Os casos suspeitos devem ser isolados de outros doentes, devendo também aplicar-se técnicas rigorosas de
biossegurança.
§ As precauções universais de controlo da infecção devem ser reforçadas em todas as unidades de saúde.
§ Gerir e tratar o doente, com cuidados de apoio clínico.
§ Colher uma amostra para confirmar o caso.
§ Acompanhamento dos contactos do caso e pesquisa activa de outros casos.
Resposta ao limiar de acção
Se um único caso for confirmado:
§ Manter práticas rigorosas de controlo da infecção por FHV * durante o surto.
§ Mobilizar a comunidade para a detecção, cuidados precoces e educar a comunidade sobre o modo como a
doença- se transmite e a forma de proceder ao controlo da infecção em casa. Para a FHCC, educar as
populações sobre o modo de transmissão pela carraça e intensificar as actividades de controlo dos roedores
para a febre de Lassa.
§ Conduzir pesquisa activa de outros casos.
§ Solicitar ajuda adicional aos outros níveis, se necessário.
§ Criar uma enfermaria de isolamento, para tratar outros casos que possam surgir no centro de saúde.
Análise e interpretação dos dados
335
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Tempo: Fazer um gráfico dos casos e óbitos por dia/semana. Traçar uma curva epidémica durante o surto.
Para PCR:
Sangue total ou coágulo de sangue, soro/plasma ou tecido
Para imunohistoquímica:
§ Fixar uma pequena amostra da pele em formalina. A amostra pode ser armazenada
até 6 semanas. A amostra deixa de ser infecciosa depois de fixada em formalina.
§ Armazenar à temperatura ambiente. As amostras fixadas em formalina podem ser
transportadas à temperatura ambiente.
Resultados Os serviços de diagnóstico da FHV não estão rotineiramente disponíveis. Normalmente,
é necessário requisitá-los com antecedência. Contactar a autoridade nacional
competente ou a OMS.
Referências
336
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ Infection Control for VHF in the African health care setting, WHO, 1998. WHO/EMC
§ WHO Fact Sheet No 208, Crimean-Congo Haemorrhagic Fever, revised November 2001
337
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.20 Lepra
Introdução
§ A lepra é uma doença crónica causada por micobactérias, que afectam a pele, os nervos e as mucosas das vias
aéreas superiores. A doença é transmitida, principalmente, através do ar, a partir de secreções nasais de doentes
infectados com o bacilo de Hansen e também através de inoculação em feridas. A lepra é endémica em várias
áreas tropicais do mundo, incluindo a África.
§ Os doentes são divididos em dois grupos, dependendo da presença de sinais na pele ou nos nervos:
o Doentes multibacilares (MB) com mais de 5 pensos dérmicos e vários nervos dilatados.
o Doentes paucibacilares (PB), que possuem entre um e cinco pensos dérmicos e apenas um nervo
dilatado.
§ O controlo da lepra melhorou bastante com o uso da terapêutica multimedicamentosa (TMM) recomendada
pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A terapêutica multimedicamentosa, que junta dois ou três
medicamentos (rifampicina, clofazimina e dapsona), é muito eficaz na cura da lepra. No final de 1999, a
prevalência da lepra em países africanos era de 1,6 casos por cada 10 000 habitantes, com cerca de 70 000
casos registados.
§ O período de incubação é de 6 meses a 20 anos ou até mais. A infecção é frequente, mas a doença clínica é rara,
mesmo entre as pessoas que têm contacto pessoal com os doentes. Os doentes multibacilares são os mais
contagiantes, mas o perigo de infecção é reduzido, logo que se inicie a terapêutica multimedicamentosa. A lepra
pode tornar-se mais complicada, se houver nevrite ou reacções leprosas, o que resulta em incapacidade e
invalidez das mãos, pés e olhos.
§ A lepra tem sido historicamente associada ao isolamento social e às suas consequências psicológicas. Este
estigma social ainda persiste em alguns países africanos.
§ Algumas doenças dermatológicas, como a pitiríase versicolor, micose, vitiligo, esclerodermia, psoríase, lúpus
eritematoso sistémico e doença de von Recklinghausen, podem ser confundidas com a lepra.
Objectivos da vigilância
§ Observar as tendências nacionais, no que toca à meta de eliminação da lepra, que é definida como a redução na
prevalência de casos para menos de 1 por cada 10 000 habitantes.
§ Monitorizar regularmente a resistência do bacilo de Hansen aos medicamentos utilizados na terapêutica
multimedicamentosa (TMM).
§ Quando a lepra estiver prestes a ser eliminada, complementar a vigilância de rotina com a vigilância baseada na
comunidade.
Definição padronizada de caso
Caso suspeito:
Uma pessoa que apresente um dos três sinais principais da lepra: lesão hipopigmentada ou avermelhada na pele,
perda ou decréscimo de sensibilidade nos pensos dérmicos, dilatação dos nervos periféricos.
Caso confirmado: Uma pessoa que apresente, pelo menos, dois dos principais sinais da lepra e que ainda não tenha
concluído um tratamento completo da terapêutica multimedicamentosa (TMM).
338
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.20 Lepra
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de um único caso:
§ Comunicar o caso suspeito ao nível apropriado do sistema de saúde.
§ Investigar o caso para procurar os possíveis factores de risco.
§ Iniciar o tratamento adequado do caso:
- Os doentes MB devem ser tratados durante 12 meses com um regime de três medicamentos (12 embalagens
blister de comprimidos MB a tomar num período de 18 meses).
- Os doentes PB devem ser tratados durante 6 meses com um regime de TMM de dois medicamentos (6
embalagens blister de comprimidos PB a tomar num período de 9 meses)
Confirmação laboratorial
Para a vigilância, não são necessárias confirmações laboratoriais de rotina.
Referências
§ Enhanced global Strategy for Further Reducing the Disease Burden due to Leprosy (SEA-GLP-2009.3)
§ WHO Recommended Surveillance Standards WHO/CDS/CSR/ISR/99.2
339
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
340
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ Agentes causais: em África são apenas as filárias Wuchereria bancrofti, Brugia malayi, e Brugia timori
§ Modo de transmissão:são transmitidos por várias espécies de mosquitos. Os vermes filarianos parasitas alojam-se
no sistema linfático humano, produzindo milhões de microfilárias imaturas, que circulam no sangue. As microfilárias
aparecem no sangue periférico 3 a 6 meses depois, se for o verme Brugia malayi, 6 a 12 meses depois, se for o
Wuchereria bancrofti, muitas vezes com periodicidade nocturna. Depois disso, quando o mosquito picar a pessoa
infectada, ele se infecta e pode transmitir a infecção a outras pessoas através da picada, depois de duas
semanas.
§ Descrição clínica:
o A infecção por filária pode ser clinicamente assintomática (mesmo que haja provas laboratoriais de danos
linfáticos e hepáticos); a doença também se pode apresentar com uma ou mais manifestações agudas
(febre, inchaço localizado, síndrome de eosinofilia pulmonar tropical, linfangite).
Objectivos da vigilância
Neste momento, existem três opções e a escolha irá depender da situação local:
1. Notificação mensal de rotina dos dados sobre casos suspeitos e confirmados
2. Inquéritos sentinela às populações (estandardizados e periódicos).
3. Busca activa de casos, através de inquéritos a grupos seleccionados ou através de inquéritos em massa.
Anualmente Notificar a OMS
341
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Caso confirmado:
Uma pessoa com um diagnóstico laboratorial positivo de microfilarémia num esfregaço sanguíneo, antigenemia filarial
ou ecografia com resultado positivo.
As medidas de higiene para as partes do corpo afectadas (e quando necessário, antibióticos e antifúngicos) podem
reduzir o risco de adenolinfangite:
§ Lavar as partes afectadas com sabão e água duas vezes por dia
§ Levantar o membro afectado durante a noite
§ Fazer exercício, de modo a promover o fluxo linfático
§ Manter as unhas curtas e limpas
§ Calçar sapatos confortáveis
§ Utilizar cremes anti-sépticos ou antibióticos, para tratar pequenas feridas ou escoriações ou antibióticos
sistémicos para casos mais graves.
Para o tratamento do portador de filárias, o regime recomendado pelo país deve ser seguido:
§ Em áreas onde não existem, nem oncocercose nem loíase: dar DEC 6 mg/kg dose única.
§ Em áreas onde a oncocercose foi excluída, mas não a loíase: tomar decisões clínicas individualizadas.
A presente estratégia para o controlo da filaríase está, essencialmente, dependente de medidas anti-parasitárias. Para
interromper a transmissão, toda a população em risco, anualmente deve ser administrado uma dose do seguinte:
342
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
NOTA: Em áreas com loíase presente (florestas tropicais da África Subsariana), as intervenções em massa não podem
ser sistematicamente consideradas (a não ser que a oncocercose seja um problema de saúde muito grave), devido ao
risco de reacções adversas graves em doentes com infecções da filária Loa Loa de alta densidade (cerca de 1 em cada
10 000 tratamentos).
É importante informar a população sobre a importância do cumprimento dos tratamentos, quando se faz quimioterapia
em massa.
Esforços adicionais para controlar os vectores não são necessários, no que toca à filaríase linfática. Devem ser
efectuados ao abrigo de outros programas de controlo já existentes, como as intervenções anti-palúdicas.
§ Avaliar o declínio dos índices parasitológicos de microfilarémia, antes de se iniciar MDA e após, pelo menos, quatro
doses de MDA, até que seja atingido o critério de menos de 1% de microfilarémia na população e menos de 0,1% de
antigenemia nas crianças em idade escolar.
Confirmação laboratorial
Teste de · Esfregaço sanguíneo nocturno
diagnóstico
· Teste de antigénios da filária
Esfregaço sanguíneo
Amostras
Sangue
Á noite, entre as 22h e as 2 da manhã
Colheita de A qualquer hora do dia
amostras
Colocar três gotas de sangue numa lâmina de vidro e espalhá-las ao longo da lâmina para
Peparação, fazer três linhas. Depois de aquecer a amostra, colocar a coloração de Giemsa e examiná-la ao
armazenamento e microscópio.
transporte Ou através de um teste rápido de ICT ou com um teste ELISA feito num laboratório.
343
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Referências
§ WHO. Training module on lymphatic filariasis for drug distributors (in countries where onchoerciasis is not co-
endemic). WHO/CDS/CPE/CEE/2000.10 (Parts 1 &2)
§ WHO. Training module on lymphatic filariasis for drug distributors (in countries where onchoerciasis is co-endemic).
WHO/CDS/CPE/CEE/2000.11 (Parts 1 & 2)
§ WHO. The programme to eliminate lymphatic filariasis – essential elements for medical personnel (in countries
where onchoerciasis is not co-endemic). WHO/CDS/CPE/CEE/2000.12
§ WHO. The programme to eliminate lymphatic filariasis – essential elements for medical personnel (in countries
where onchoerciasis is co-endemic). WHO/CDS/CPE/CEE/2000.13
§ WHO. Preparing and implementing a national plan to eliminate filariasis (in countries where onchoerciasis is not co-
endemic). WHO/CDS/CPE/CEE/2000.15
§ WHO. The programme to eliminate lymphatic filariasis (in onchoerciasis co-endemic countries).
WHO//CDS/CPE/CEE/2000.16 Webpage: [Link]/lymphatic_filariasis
344
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.22 Malária
Introdução
§ A malária é uma doença tropical altamente prevalecente, caracterizada por febre após a picada do mosquito
Anopheles fêmea infectado, o qual transmite uma parasita ( Plasmodium falciparum, P. ovale, P. vivax ou P.
malariae). As infecções palúdicas graves são geralmente causadas pelo P. falciparum, as quais podem
resultar em anemia grave e atingir órgãos vitais.
§ A malária é uma das principais causas de doença e morte em muitos países africanos. Registam-se 900 000
mortes por ano em África, sobretudo em crianças menores de 5 anos e grávidas.
§ O período de incubação, desde a picada até os primeiros sintomas, é de 7 a 30 dias, podendo ser mais
longo, sobretudo com as espécies não P. falciparum.
§ Detectar rapidamente as epidemias de malária, sobretudo em zonas de baixa transmissão ou/e de risco
epidémico sazonal ou com uma vasta população de risco.
345
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.22 Malária
Se ocorrer um acréscimo invulgar de novos casos ou mortes por malária relativamente ao mesmo
período dos anos anteriores não epidémicos:
§ Comunicar a suspeita de epidemia ao nível superior
§ Tratar com os anti-palúdicos adequados, de acordo com as recomendações do programa nacional
§ Investigar a causa para o aumento de novos casos
§ Assegurar que os novos casos em crianças de 2 meses a 5 anos sejam tratados de acordo com as
orientações da AIDI
§ Orientar a educação da comunidade no sentido da detecção rápida de casos e do acesso às unidades de
saúde.
Resposta ao limiar de acção
Se o número de novos casos exceder o limite superior de casos registados num período não epidémico
em anos anteriores:
Avaliar e melhorar, consoante as necessidades, as estratégias de prevenção, tais como mosquiteiros
tratados com insecticida de longa duração (MTILD) e pulverização intradomiciliar (PID), para todos
agregados nas áreas de risco de malária.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico do número de casos por mês/semana. Traçar uma curva epidémica durante as
epidemias.
Pessoa: Contar, mensalmente, o número de novos casos e óbitos por malária e analisar os grupos etários
e o momento do início da doença.
Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico § Microscopia: presença de parasitas da malária em esfregaços sanguíneos dos
casos suspeitos
§ Teste de diagnóstico rápido da malária: positivo ou negativo
Sangue
Amostra Geralmente amostra, por punção do dedo, para todas as idades ou outro método
reconhecido para colheita de sangue em crianças muito pequenas
Para o esfregaço de sangue: preparar um esfregaço de sangue para todos os casos
Colheita suspeitos que deram entrada na unidade de internamento ou de acordo com as
orientações nacionais para o tratamento dos casos de malária.
346
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.22 Malária
Esfregaço de sangue:
Preparação, · Colher o sangue directamente para lâminas de microscópio devidamente limpas,
armazenamento e rotuladas e preparar esfregaços espessos e finos.
transporte · Deixar secar completamente os esfregaços
· Colorir usando o corante e a técnica adequada
· Conservar as lâminas coloridas e completamente secas à temperatura ambiente e
fora do alcance da luz solar directa.
347
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.22 Malária
Nota: Estabelecer um limiar de epidemia :
O Programa Nacional de Luta Contra a malária pode auxiliar os municípios e centros de saúde a determinar os
limiares adequados na detecção de eventuais epidemias. Na ausência de um limiar estabelecido pelo programa
nacional, o método que se segue pode ser utilizado para determinar o nível de limiar para uma epidemia de
malária. O limiar é determinado usando a mediana e o 3º quartil de um período de tempo (por exemplo, dados
mensais/semanais de cinco anos de uma unidade de saúde ou Município):
1. Observar o número de casos mensais/semanais de malária, numa determinada unidade de saúde ou
município, ao longo dos últimos 5 anos.
2. Determinar a mediana para cada mês/semana (por exemplo, todos os meses de Janeiro dos últimos 5
anos). Ordenar os dados mensais/semanais de cada mês/semana desses cinco anos, por ordem
ascendente. Identificar o número no meio de cada série de meses/semanas para esses cinco anos. Está
encontrada a mediana. Repetir este processo para cada mês/semana desses cinco anos.
3. Determinar o 3º quartil para a série mensal/semanal, identificando o 4º número mais elevado, a partir da
base, em cada série de dados (uma vez que os dados estão ordenados por ordem ascendente). Esse é o
3º quartil, representando o limite superior do número normal previsível de casos de malária.
4. Marcar o 3º quartil para cada série de dados por mês/semana do período de cinco anos e unir os pontos
com uma linha. Esta linha representa o limite superior do número previsível de casos.
5. Marcar a mediana para cada série de dados por mês/semana do período de cinco anos e unir os pontos
com uma linha. Esta linha representa o limite mais baixo do número previsível de casos.
6. A zona entre as duas linhas (a mediana e o 3º quartil) representa o “canal normal”. Se o número de
casos de malária observados à data se situar entre as duas linhas, o número de novos casos para esse
mês/semana é considerado “normal”. Se o número se encontrar acima do 3º quartil (limite superior),
trata-se de um indício de uma possível epidemia de malária.
É de notar que, para assegurar a detecção precoce e o controlo de epidemias da malária, é recomendável utilizar
dados de vigilância semanal, em zonas mais propensas às epidemias de malária.
Referências
§ Malaria epidemics: Detection and control, forecasting and prevention. Geneva. World Health Organization.
WHO/MAL/98.1084
348
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.23 Malnutrição
Introdução
§ A nível mundial, a subnutrição materna e infantil é a causa subjacente a 3,5 milhões de óbitos, englobando
35% do fardo da doença em crianças menores de 5 anos. Dos 40 países com prevalência de raquitismo
infantil igual ou superior a 40%, 23 situam-se em África.
§ A malnutrição grave pode agir como causa directa de morte ou como causa indirecta, aumentando
drasticamente o número de mortes em crianças com doenças infantis comuns, como a diarreia ou a
pneumonia.
§ Apesar disso, o fardo da mortalidade infantil devida à malnutrição grave continua, em grande medida,
ausente da agenda internacional da saúde e poucos países, mesmo em zonas de alta prevalência, possuem
políticas nacionais específicas que visem abordá-la de forma abrangente.
§ As crianças menores de cinco anos, as mulheres grávidas e lactantes são as mais vulneráveis. A condição e
ingestão nutricional deficitária das grávidas podem contribuir para recém-nascidos com baixo peso a
nascença (pesados imediatamente após o parto). Um recém-nascido que pese menos de 2500 gramas (2,5
kg) é considerado com baixo peso a nascença (BPN).O BPN é uma das principais determinantes de morte,
doença e incapacidade na primeira infância e infância, repercutindo-se também em consequências para a
saúde na vida adulta.
§ Estão a ser organizados muitos inquéritos esporádicos, mas a vigilância da nutrição encontra-se
actualmente pouco desenvolvida e não possibilita intervenções ligadas à prevenção e tratamento da
malnutrição.
Objectivos da vigilância
§ Alerta precoce e identificação de problemas.
§ Definição de políticas e planeamento.
§ Gestão de programas e avaliação.
§ Avaliação da eficácia da resposta da saúde pública que aborda as causas do baixo peso a nascença,
malnutrição em crianças e malnutrição em mulheres grávidas.
349
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.23 Malnutrição
Recém-nascidos com baixo peso a nascença:
Um recém-nascido com peso à nascença inferior a 2500 gramas
Malnutrição em crianças:
Crianças menores de cinco anos com baixo peso a nascença (indicador: peso para idade <-2 Valor Z)
Crianças dos 6 aos 59 meses com PB <11, 5 cm (risco elevado de mortalidade)
Edema bilateral
Assim que for detectado um caso com PB inferior a 11,5 cm ou for identificada a presença de edema
bilateral,
deve proceder-se a uma investigação atenta e mais aprofundada. A criança deve ainda ser referenciada para um
programa de terapêutica alimentar.
Se o número de casos de insuficiência ponderal inferior a 2,5 kg for igual ou superior a 15%:
Orientar as intervenções no sentido da melhoria dos cuidados pré-natais para as mulheres e neonatais para os
bebés, incluindo cuidados nutricionais (campanhas antitabágicas e contra o alcoolismo, cuidados nutricionais
para as mulheres antes e durante o período pré-natal e durante o período de lactação, profilaxia da malária,
serviços de cuidados aos recém-nascidos, etc.) para os casos de risco de gravidez complicada e tratar os
recém-nascidos, para prevenir a morbilidade e a morte.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico mensal dos casos, para analisar as tendências, e semanal para as situações de
emergência
Pessoa: Contar os casos por mês/semana e analisar a distribuição por idade e sexo
Confirmação laboratorial
350
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.23 Malnutrição
A vigilância não carece de confirmação laboratorial de rotina.
Referências
§ Maternal and child undernutrition: global and regional exposures and health consequences: Black R.E. et al:
The Lancet, Volume 371, Issue 9608, Pages 243 – 260.
§ Gross R, Webb P, Wasting time for wasted children: severe child undernutrition must be resolved in non-
emergency settings. Lancet 2006; 367: 1209-1211.
§ Physical status: the use and interpretation of anthropometry. Report of a WHO Expert Committee. WHO
Technical Report Series, 1995, No 854: 81, 128-130, 198-208.
§ WHO child growth standards and the identification of severe acute malnutrition in infants and children. A Joint
Statement by the World Health Organization and the United Nations Children's Fund
§ A nível mundial, cerca de 80% dos óbitos maternos devem-se a: hemorragias graves (maioritariamente
hemorragias pós-parto), infecções (depois do parto), disfunções ligadas à hipertensão na gravidez
(eclâmpsia) e partos obstruídos. As complicações após um aborto não seguro, são responsáveis por 13%
dos óbitos maternos.
§ Em todos os países em desenvolvimento, a mortalidade materna continua a ser demasiada elevada, com
mais de 500 000 mulheres a morrerem todos os anos, devido a complicações durante a gravidez e parto.
Cerca de metade destas mortes acontecem na África Subsariana, onde o risco de morte materna é de 1 em
22 casos, comparado com 1 em 8000 casos nos países industrializados.
§ A principal causa de morte materna na África Subsariana é a hemorragia, e os partos não assistidos são
arriscados, principalmente em áreas rurais onde os transportes para unidades de saúde constituem um
problema.
Objectivos da vigilância
§ Fazer uma estimativa e monitorizar as taxas de mortalidade materna.
§ Identificar os factores de risco e zonas de risco elevado para a mortalidade materna.
§ Avaliar os programas cujo objectivo é reduzir a mortalidade materna.
351
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por idade e outros factores demográficos.
Confirmação laboratorial
Referências
§ [Link]
§ [Link]
352
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.25 Sarampo
Introdução
§ O sarampo é uma doença febril exantemática causada por um paramixovirus (Morbillivirus), e transmitida
através da propagação de gotículas por via aérea. É a quarta causa de morte nas crianças menores de 5
anos em muitos países africanos.
§ Entre as crianças malnutridas e com deficiência de vitamina A, o sarampo pode causar uma doença grave,
devido ao próprio vírus e às infecções bacterianas que lhe estão associadas, especialmente a pneumonia;
são poucos os casos que chegam a ser graves em crianças vacinadas
§ O sarampo é das infecções humanas mais transmissíveis que existe. Todos os anos acontecem grandes
surtos em zonas que têm acesso a poucas vacinas e onde existe uma acumulação de pessoas que nunca
foram infectadas ou vacinadas. A verdadeira incidência do sarampo é muito superior aos casos que são
notificados.
§ Os factores de risco incluem uma baixa cobertura vacinal (<85 a 90%), o que permite a acumulação de
pessoas muito susceptíveis de apanhar sarampo. Os surtos podem ser explosivos em zonas de grande
densidade populacional.
§ Outras doenças virais, como a rubéola, podem causar ou contribuir para surtos semelhantes.
Objectivos da vigilância
§ Detectar rapidamente casos de febre com doença exantemática:
Em países com o objectivo de eliminar e/ ou controlar sarampo: notificações imediatas dos casos suspeitos e
mortes de pessoas com febre e doença exantemática; confirmar todos os casos suspeitos de sarampo com um
teste de laboratório (geralmente com soro IgM).
Em países com programas avançados de controlo de sarampo: relatórios-síntese sobre os casos e óbitos, para
vigilância de rotina e surtos; confirmar os primeiros cinco casos suspeitos de sarampo, numa unidade de saúde,
por semana, com um teste de laboratório (geralmente com soro IgM).
Caso confirmado:
Um caso suspeito que tenha confirmação laboratorial (com anticorpo IgM positivo) ou um vinculo epidemiológico
a casos confirmados durante um surto.
353
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.25 Sarampo
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de um surto:
§ Notificar o caso suspeito ao nível superior.
§ Colher amostras de sangue para confirmar o surto.
§ Tratar os casos com reidratação oral, vitamina A e antibióticos, para prevenir uma super-infecção bacteriana.
Utilizar precauções de isolamento aéreo se for possível.
§ Investigar o caso ou surto, de modo a identificar as causas do surto.
Resposta ao limiar de acção
Se um surto for confirmado:
§ Melhorar a cobertura vacinal de rotina através do PAV e conduzir actividades suplementares de vacinação
em zonas de baixa cobertura vacinal.
§ Mobilizar antecipadamente a comunidade, de modo a permitir a rápida detecção e um rápido tratamento dos
casos.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico semanal dos casos e óbitos. Traçar uma curva epidémica dos casos de surtos.
Pessoa: Contar o número total de casos e analisá-los por grupo etário e situação vacinal.
Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Presença de anticorpos IgM do vírus do sarampo no soro.
Amostras
Soro
Sangue total
Colheita das
amostras Colher as amostras entre o 3º dia do exantema e o 28º dia após o início do exantema.
§ Colher soro para testar anticorpos, assim que for possível, ou na primeira visita à
unidade de saúde.
354
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.25 Sarampo
Preparação,
armazenamento e § Para crianças, colher entre 1 a 5 ml de sangue venoso, dependendo do tamanho da
criança. Colher num tubo de ensaio, tubo capilar ou tubos microtainer.
transporte das § Separar as células sanguíneas do soro. Deixar o coágulo retrair durante 30 a 60
amostras minutos à temperatura ambiente. Centrifugar a 2000 rpm, durante 10-20 minutos, e
escoar o soro para um tubo de vidro limpo.
§ Se não houver centrifugadora, colocar a amostra no frigorífico durante a noite (4 a 6
horas), até que o coágulo retraia. Escoar o soro na manhã seguinte.
§ Se não houver centrifugadora nem frigorífico, deixar o sangue inclinado durante, pelo
menos, 60 minutos (sem agitar nem transportar num veículo). Escoar o soro para um
tubo limpo.
§ Armazenar o soro a 4°C.
§ Transportar as amostras do soro utilizando embalagens apropriadas, para evitar que
estas se partam ou que haja derrames durante o transporte.
Resultados
As amostras devem chegar ao laboratório até 3 dias após serem colhidas.
Se, pelo menos, 2 dos primeiros 5 casos suspeitos de sarampo forem confirmados no
laboratório, o surto de sarampo é confirmado.
Para prevenir o crescimento excessivo de bactérias, assegurar que o soro está a ser
escoado num tubo de ensaio limpo. O tubo de ensaio não tem de estar asséptico,
apenas limpo.
§ WHO Guidelines for Epidemic Preparedness and Response to Measles Outbreaks WHO/CDS/CSR/ISR/99.1
355
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ A meningite meningocócica é a principal forma de meningite a causar epidemias e continua a ser um enorme
desafio de saúde pública na cintura da meningite africana, uma área que se estende do Senegal até à
Etiópia. Nestes países, grandes surtos podem ocorrer durante a época seca (por exemplo, de Novembro até
Maio). Fora da cintura da meningite, pequenos surtos podem ocorrer ao longo do ano.
§ A transmissão da doença entre humanos faz-se através de grandes gotículas respiratórias vindas do nariz e
garganta das pessoas infectadas.
§ A taxa de ataque é maior entre as crianças menores de 15 anos. As taxas de letalidade estão, , entre os 8-
15%, no caso de pacientes tratados e >70% entre os casos não tratados. Muitos dos sobreviventes sofrem
sequelas a longo prazo, incluindo atraso mental, perda de audição e perda do uso dos membros.
§ O cloranfenicol oleoso é o medicamento de eleição durante as epidemias, pois uma única dose desta
formulação de acção prolongada já provou ser eficaz. A resistência antimicrobiana ao cloranfenicol ainda não
foi detectada em África, mas a resistência às sulfonamidas é comum.
§ Uma vacina conjugada para a meningite meningocócica A foi desenvolvida, é imunogénica tanto em crianças
como em adultos, e espera-se que ofereça uma protecção a longo prazo. Ao introduzir esta vacina
conjugada nos países da cintura da meningite, espera-se que a circulação da Nm A seja dramaticamente
reduzida e que as epidemias de Nm A desapareçam por completo.
Objectivos da vigilância
§ Detectar rapidamente surtos de meningite e confirmar a etiologia desses surtos.
§ Utilizar os dados para planear a quantidade de material de tratamento, vacinação e outras medidas de
prevenção e controlo.
§ Avaliar e monitorizar a propagação, evolução da epidemia e a eficácia das medidas de controlo.
§ Monitorizar a situação, incluindo mudanças nos serogrupos ao longo do ano.
§ Executar testes periódicos de susceptibilidade à penicilina e cloranfenicol.
356
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Caso confirmado: Um caso suspeito que é confirmado através do isolamento de N. meningitidis do LCR ou do
sangue.
Resposta ao limiar de alerta
Limiar de alerta:
§ Para populações entre os 30 000 e os 100 000 habitantes, uma taxa de ataque de 5 casos por 100 habitantes
por semana.
§ Para populações com menos de 30 000 habitantes, 2 casos numa semana ou um aumento no número de casos,
em comparação com o mesmo período de tempo em anos anteriores, em que não houve epidemias.
357
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Local: Em epidemias (e não em situações endémicas), assinalar a localização das famílias com casos e fazer
uma estimativa da distância até à instituição de saúde mais próxima.
Pessoa: Contar todos os casos esporádicos e casos durante um surto. Analisar a distribuição por idade.
Nota: LCR é a amostra preferida para a cultura e exame microscópico. Se o LCR não
estiver disponível, deve-se colher sangue (10 ml em adultos, 1-5 ml em crianças) para a
cultura.
Colheita das Colher amostras de 5 a 10 casos, assim que o limiar de alerta ou de epidemia tenha sido
amostras alcançado
Preparação,
armazenamento e § Preparar o doente e colher de forma asséptica o LCR, colocando-o num tubo de
ensaio esterilizado com tampa.
transporte das § Colocar imediatamente 1 ml de LCR numa garrafa pré-aquecida de um meio de
amostras transporte de culturas.
§ Incubar à temperatura corporal (36º C a 37º C).
§ Nunca refrigerar as amostras que irão ser alvo de culturas.
358
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ WHO Regional Office for Africa Standard Operating Procedures for Enhanced Meningitis Surveillance in Africa,
August 2009
§ Control of epidemic meningococcal disease. WHO Practical Guidelines, 2nd Edition. WHO/EMC/BAC/98.3.
§ “Laboratory Methods for the Diagnosis of Meningitis Caused by Neisseria meningitidis, Streptococcus
pneumoniae and Haemophilus influenzae.” WHO document WHO/CDS/EDC/99.7 WHO, Geneva
359
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.27 Epilepsia
Introduçã
§ A epilepsia é definida como a recorrência de pelo menos, duas crises epilépticas, com a ocorrência súbita de
sinais anormais que podem ser: motores, tónicos, sensíveis, sensoriais, neurovegetativos ou psico-
comportamentais. Estes sintomas podem ou não estar associados a uma perda de consciência. Podem
aparecer a pessoas de qualquer idade.
§ A epilepsia é o resultado mais comum de distúrbios nas células cerebrais, que leva a descargas excessivas dos
neurónios. Dependendo do distúrbio de alguns ou de muitos grupos de células, as crises podem ser parciais ou
generalizadas.
§ As crises com movimentos musculares tónico-clónicos são chamadas de convulsões, espasmos ou ataques. As
convulsões podem aparecer em qualquer idade; nem todas as convulsões significam epilepsia.
§ A epilepsia é frequente na Região e a sua taxa de prevalência vai dos 2,2 a 58 por cada 1000 pessoas. Estudos
de cinco países da África Subsariana mostram uma incidência que vai dos 64 aos 156 por cada 100 000
pessoas/ano.
§ Esta maior incidência pode ser uma consequência de muitos factores de risco, que estão relacionados com
factores de predisposição, como maus cuidados perinatais, traumatismo craniano, consanguinidade.
§ Muitos factores etiológicos estão relacionados com doenças transmissíveis (malária, tuberculose, meningite,
neurocisticercose e o VIH), doenças não transmissíveis (tensão arterial elevada, diabetes, alcoolismo e uso de
drogas ilegais), instalações médicas de fraca qualidade, saúde geral de pouca qualidade e um nível de vida
inferior. Mal-entendidos relacionados com crenças culturais, estigmas e exclusão não facilitam cuidados
apropriados.
§ As mortes e ferimentos acontecem, geralmente devido ao estado de mal epiléptico (especialmente no caso de
um afastamento súbito da medicação), queimaduras e afogamentos.
§ Foi estimado que nos países em desenvolvimento, até 80% das pessoas com epilepsia não recebem
tratamento, ou muitas vezes nem são identificadas. Embora o diagnóstico etiológico da epilepsia possa ser mais
difícil nos países em desenvolvimento, devido às limitações dos recursos de investigação, muitos podem ser
diagnosticados com base num conhecimento clínico e epidemiológico simples.
Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce e intervenção imediata, de modo a prevenir as taxas de morbilidade e mortalidade associadas
à epilepsia.
§ Registar e monitorizar os casos de epilepsia.
360
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.27 Epilepsia
Definição padronizada de caso
Caso suspeito: Uma pessoa com uma crise epiléptica
Suspeita de novo caso: Notificar apenas o primeiro diagnóstico do caso no centro de saúde
Caso confirmado:
Uma pessoa com recorrência de pelo menos, duas crises epilépticas. Uma resposta positiva a tratamento com
quaisquer antiepilépticos reforça a hipótese de um caso confirmado. As crises epilépticas podem durar entre 30
segundos a 3 minutos. Quando são seguidas, sem haver uma pausa, podem levar ao estado de mal epiléptico.
Resposta ao limiar de alerta
Caso suspeito
§ Todo o pessoal de saúde deve procurar sinais precoces de epilepsia. O diagnóstico deve incluir
entrevistas bem estruturadas (descrevendo o tipo de crise da forma mais rigorosa possível) e exame
clínico.
§ Uma vez diagnosticada, procurar as causas subjacentes e associadas. Procurar um aumento anormal do
número de casos e recomendar medidas ambientais apropriadas, caso seja necessário.
Caso confirmado:
§ O tratamento imediato deve ser assegurado, começando com pequenas doses de um medicamento
antiepiléptico e depois aumentando de forma progressiva até que seja atingido um estado regular efectivo.
Em caso de controlo insuficiente das crises, as estratégias de gestão devem ser: aumentar a dose ou tentar
um medicamento alternativo e transferir para um nível superior da estrutura de saúde.
§ A transferência para um nível superior da estrutura de saúde deve ser feita, se as crises persistirem,
independentemente do tratamento farmacológico ou se a primeira crise acontecer num adulto com 30 ou
mais anos.
Resposta ao limiar de acção
Todos os casos: Medidas de informação e educação sobre a epilepsia e factores de risco ao nível da
comunidade.
Análise e interpretação dos dados
Pessoa: Analisar a distribuição por sexo e idade (por grupo etário a partir dos 6 anos)
361
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.27 Epilepsia
Colheita de Glicose – Durante a hospitalização de emergência do paciente (glicemia aleatória)
amostras
Posteriormente confirmada (glicemia em jejum)
Preparação, Utilizar precauções universais, para minimizar a exposição a instrumentos e a quaisquer
armazenamento e fluidos corporais.
transporte das
amostras
Os resultados estarão sempre disponíveis 1 a 3 horas após a chegada ao laboratório
Resultados
Referências:
§ WHO, Epilepsy in the WHO African Region: Bridging the Gap, WHO Regional Office for Africa, Congo, 2004.
§ WHO, Epilepsy: a manual for medical and clinical officers in Africa, World health, Geneva 2002
Objectivos da vigilância
§ Detectar rapidamente os casos de tétano neonatal e investiga-los para confirmar e prevenir outros casos
através de vacinaçãode mulheres grávidas nas áreas adjacentes ao caso confirmado.
§ Identificar as áreas de alto risco e orientar as campanhas de vacinação antitetânica para as mulheres em
idade reprodutiva.
§ Detectar os casos de tétano acidental e investiga-los
362
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Caso confirmado:
Não é recomendada qualquer confirmação laboratorial.
A confirmação do diagnóstico é clínico.
Tempo: Fazer um gráfico mensal dos casos e óbitos. O alvo deverá ser a eliminação em todos os municípios.
Pessoa: Contar o número de casos e óbitos mensais. Analisar a distribuição por idade, sexo, data de início da
doença e estado vacinal. Analisar cada caso de tétano neonatal por práticas de cuidados do cordão
umbilical.
Confirmação laboratorial
Não é necessária confirmação laboratorial.
Referências
§ Field manual for neonatal tetanus elimination. Geneva, World Health Organization. WHO/V&B/99.14
363
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ A síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) tem como resultado o estágio final da infecção pelo VIH e a
imunossupressão, com números e funções reduzidos de linfócitos T. O envolvimento de órgãos primários
relacionado com o VIH e uma variedade de infecções oportunistas resultam em morte a não ser que se pare
o crescimento do vírus com medicamentos que o consigam destruir (terapêutica anti-retroviral). Quando a
infecção pelo VIH evolui para doença, os sintomas devem-seà incapacidade do sistema imunitário de resistir
a outras doenças infecciosas, chamadas de infecções oportunistas (IO). Entre elas estão a tuberculose,
pneumonia bacteriana, ou sépsis, candidíase orofaríngea, diarreia crónica, infecção crónica da pele, herpes
zóster recorrente e outras.
§ Factores de risco: populações com risco elevado de adquirir o VIH são trabalhadores do sexo, homens e
mulheres com múltiplos parceiros com ou sem outras Infecções transmitidas sexualmente (ITS). Algumas
ITS podem aumentar a transmissão do VIH. Outras pessoas em risco incluem utilizadores de drogas
intravenosas (UDI), receptores de produtos sanguíneos que não foram analisados e recém-nascidos cuja
mãe está infectada com o VIH.
Objectivos da vigilância
§ Monitorizar o impacto das intervenções do VIH/SIDA nas tendências de incidência e prevalência das
infecções por VIH, SIDA e ITS, através de postos-sentinela, inquéritos e estudos especiais (de acordo com
as normas para a vigilância de segunda geração do VIH/SIDA).
§ Estimar o fardo do VIH/SIDA no município, utilizando a informação disponível das populações sentinela que
têm o VIH, para que todos os novos casos de SIDA sejam contados.
§ Monitorizar a epidemiologia local de ITS, como um possível co-factor da transmissão do VIH.
§ Monitorizar a epidemiologia local das infecções oportunistas, incluindo a tuberculose.
§ Melhorar a percentagem de casos suspeitos de VIH/SIDA que são confirmados através da serologia.
§ Melhorar o rastreio do VIH/SIDA.
364
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
· Considera-se que um (a) adulto ou adolescente de mais de 12 anos tem SIDA, quando na presença de
um teste de pesquisa de anticorpos, anti-VIH positivo, apresenta pelo menos uma a duas afecções ou
manisfestações seguintes:
· Perda de peso ( igual ou superior a 10 %) ou caquexia, acompanhado de diarreia e / ou febre,
intermitente, durante um mês, que não podem ser atribuídos a uma outra causa sem relação com a
infecção;
· Miningite cryptocócica;
· Tuberculose pulmonar ou extra pulmonar;
· Sarcoma de Kaposi;
· Perturbações neurológicas suficientes que retiram a autonomia ao paciente nas suas actividades
quotidianas que não podem ser atribuídas a outras causas sem relação com a infecção VIH;
· Cândidiase orofarígea;
· Episódios clínicos de pneumonia recorrente que põem a vida em perigo com ou sem confirmação
etiológica;
· Cancro invasivo do colo do útero
365
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Confirmação laboratorial
Teste de
diagnóstico Adultos e crianças a partir dos 18 meses:
A infecção pelo VIH é diagnosticada com base em:
- Teste positivo do anticorpo VIH (análise imunológica de enzimas rápida ou feita em
laboratório). Este teste é confirmado através de outro teste de anticorpos (análise
imunológica de enzimas rápida ou feita em laboratório), utilizando antigénios diferentes
ou com características operacionais diferentes. e/ou
- Análise virológica positiva do VIH ou dos seus componentes (VIH-ARN ou VIH-ADN ou
o antigénio VIH p24 ultra sensível), confirmada por uma segunda análise virológica
obtida por uma determinação diferente.
Crianças com menos de 18 meses:
A infecção pelo VIH é diagnosticada com base numa análise virológica positiva do VIH
ou dos seus componentes (VIH-ARN ou VIH-ADN ou o antigénio VIH p24 ultra sensível),
confirmada por uma segunda análise virológica, obtida por uma determinação separada,
feita mais de quatro semanas após o nascimento.
O teste positivo de anticorpos do VIH não é recomendado para um diagnóstico definitivo
ou confirmatório do VIH em crianças com menos de 18 meses.
Amostras Soro
Colheita de Obter as amostras de acordo com as estratégias do programa nacional de VIH/SIDA, em
amostras relação à colheita de amostras clínicas ou epidemiológicas.
366
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ WHO Case definitions of HIV for surveillance and revised clinical staging and immunological classification of
HIV-Related disease in adults and children.
§ Guidelines for Second Generation HIV Surveillance, WHO and UNAIDS, 2000 WHO/CDC/CSR/EDC/2000.5
§ Consultation on technical and operational recommendations for clinical laboratory testing harmonization and
standardization, Jan 2008, WHO, CDC
367
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.30 Noma
Introdução
§ O Noma (cancrum oris, stomatitis gangrenosa) é uma infecção bacteriana oportunista, que afecta crianças
entre 1 e 4 anos de idade, caracterizada por gangrena orofacial, que se espalha rapidamente e que evolui de
uma inflamação das gengivas.
§ O Noma é o resultado de interacções complexas entre factores de risco, como falta de higiene, malnutrição,
doenças recorrentes e imunidade comprometida. Doenças que normalmente antecedem o noma incluem o
sarampo, malária, diarreia grave e gengivite ulcerativa necrosante.
§ O noma existe em todo o mundo, mas é mais comum na África Subsariana. Em 1998, a OMS estimou que
140 000 crianças de todo o mundo contraem noma todos os anos e 79% delas morrem devido à doença e
suas complicações.
§ Em África, o noma tem uma maior presença nos países que fazem fronteira com o deserto do Sara, onde
segundo um relatório recente, é estimada uma incidência de 25 000 casos. No entanto, o noma pode
aparecer onde quer que exista pobreza extrema.
§ A detecção precoce e o tratamento com antibióticos são fundamentais, para prevenir deformações graves ou
a morte. Na fase aguda, a morte pode ser prevenida com doses elevadas de penicilina; no entanto, as
deformações só podem ser tratadas com operações dispendiosas.
§ A prevenção deve-se concentrar na educação e conhecimento da doença, melhoramento da nutrição e
higiene familiar, promoção da amamentação exclusiva nos primeiros 3 a 6 meses de vida, acesso a cuidados
pré-natais e vacinação contra as doenças comuns da infância.
§ As características clínicas incluem dores na boca, halitose evidente (mau hálito), sabor fétido, lábio ou
bochecha sensível, linfadenopatia cervical, uma descarga oral purulenta de mau cheiro e uma descoloração
azul-negra da pele e inchaço da área afectada.
§ Os trabalhadores do sistema de saúde devem reconhecer os factores de risco para o noma:
§ Crescimento quase inexistente da criança nos primeiros 6 meses de vida
§ Provas de malnutrição e hábitos dietéticos fracos;
§ Diarreia persistente
§ Úlceras orais em crianças de zonas de risco elevado
§ Mau hálito evidente
Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce e tratamento dos casos
§ Identificação de comunidades e famílias de alto risco
§ Estimativa da incidência da doença e identificação dos factores de risco
368
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por idade, sexo e outros factores demográficos,.
Confirmação laboratorial
Para a vigilância, não são necessárias confirmações laboratoriais de rotina.
369
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Referências
§ Enwonwu, C. (2006). "Noma--the ulcer of extreme poverty." New England Journal of Medicine, The 354(3): 221-
224
§ Enwonwu, C., W. Falkler, et al. (2006). "Noma (cancrum oris)." The Lancet 368(9530): 147-156.
§ Fieger, A., K. Marck, et al. (2003). "An estimation of the incidence of noma in north-west Nigeria." Tropical
medicine & international health 8(5): 402-407.
§ Enwonwu, C. O. (1995). "Noma: a neglected scourge of children in sub-Saharan Africa." Bulletin of the World
Health Organization 73(4): 541-545.
§ Enwonwu, C. O., W. A. Falkler, et al. (1999). "Pathogenesis of cancrum oris (noma): confounding interactions of
malnutrition with infection." The American journal of tropical medicine and hygiene 60(2): 223-232.
9.31 Oncocercose
Introdução
§ Infecção filarial cutânea e ocular causada pelo Onchocerca volvulus, transmitido através da picada da fêmea da
mosca preta Simulium.
§ Estão estimadas cerca de de 18 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo, dos quais 250 000 são
cegas e vive em 26 países africanos. A oncocercose é a segunda maior causa de cegueira infecciosa a nível
mundial. Provoca problemas cutâneos debilitantes que conduzem a um decréscimo da produtividade nas
regiões endémicas. Aldeias inteiras abandonaram as margens férteis de rios, locais em que a mosca preta se
reproduz.
§ O período de incubação vai de anos a décadas, visto serem necessárias infecções repetidas para que a doença
se manifeste. A clínica da doença não é comum em crianças, mesmo nas regiões endémicas.
§ Outras filárias (por exemplo, Loa loa e Mansonella) e outras doenças cutâneas e oculares crónicas podem
conduzir a conclusões clínicas semelhantes.
Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce com o objectivo de reduzir a recorrência da transmissão do parasita nas zonas em que
foi erradicado (zonas abrangidas pelo Programa de Luta contra a Oncocercose).
§ Implementação de vigilância periódica em aldeias-sentinela: proceder o exame médico, usando
dietilcarbamazina (DEC); em caso de reacção positiva ao DEC, confirmar através de exame microscópico
de uma biópsia da pele de cada caso suspeito.
Definição padronizada de caso
370
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.31 Oncocercose
Caso suspeito: Numa zona endémica, uma pessoa com nódulos fibrosos em tecidos subcutâneos.
Caso confirmado: Caso suspeito confirmado laboratorialmente através da presença de um ou mais dos seguintes
sinais: microfilária em amostras de pele, vermes adultos em nódulos ou manifestações oculares típicas (tais como
observação biomicroscópica de microfilária na córnea, câmara anterior ou humor vítreo).
Resposta ao limiar de alerta
Se for detectado um caso suspeito:
§ Notificar o caso de acordo com as orientações nacionais
§ Colher amostra para confirmação do caso
§ Investigar o caso a fim de determinar a sua causa
§ Tratar o caso de acordo com as orientações nacionais.
Resposta ao limiar de acção
Se um caso for confirmado:
§ Conduzir investigação sobre migração para identificar as origens da infecção e iniciar actividades de controlo.
§ Realizar actividades de controlo dos vectores, de acordo com as orientações do programa da Oncocercose
§ Periodicamente efectuar tratamento em massa com ivermectina, em zonas com oncocercose endémica nos
últimos 10 anos.
§ Proceder à busca activa de casos, através de inquéritos à população e amostras de pele (biopsia).
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico trimestral dos casos
Amostra
Amostras de pele:
- Fluido de nódulos
- Crista ilíaca
- Cintura escapular
371
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.31 Oncocercose
Colheita
Colher amostra de pele e fluido de nódulos dos casos suspeitos, 1 hora após a
administração de dietilcarbamazina.
Preparação,
Colocar a amostra num recipiente comum. Juntar algumas gotas de soro fisiológico.
armazenamento e Fechar muito bem antes do transporte para o laboratório. Transportar à temperatura
transporte das ambiente.
amostras
Resultados
O resultado deve estar disponível no prazo de 1 dia.
Referências
§ WHO Recommended Surveillance Standards. Second edition. WHO/CDS/CSR/ISR/99.2
9.32 Peste
Introdução
§ Infecção bacteriana zoonótica sistémica causada por Yersinia pestis (bacilo da peste), geralmente
transmitido ao homem por roedores e respectivas pulgas.
§ Na ausência do tratamento dos casos, a taxa de letalidade pode exceder os 50-60%, no caso da peste
bubónica e ronda os 100% no caso das pestes pneumónica e septicémica. Com o tratamento adequado, a
taxa de letalidade é geralmente <1%.
§ Factor de risco: residência em área rural. Exposição a populações de roedores selvagens ou domésticos
infectados e respectivas pulgas.
Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce de casos e surtos de peste. Verificar a etiologia de todos os casos suspeitos não
associados ao surto e os primeiros 5 a 10 casos a ele associados.
372
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.32 Peste
Caso suspeito:
Uma pessoa com início súbito de febre, arrepios, dor de cabeça, indisposição acentuada, prostração e inchaço
muito doloroso dos gânglios linfáticos e/ou nas virilhas ou tosse com sangue na expectoração, dor torácica e
dificuldade em respirar.
Caso confirmado:
Caso suspeito confirmado através do isolamento da Yersinia pestis no sangue ou aspirado de bubões, ou ligação
epidemiológica a casos confirmados ou ao surto.
Pessoa: Elaborar de imediato, relatório detalhado dos casos e óbitos para a vigilância de rotina. Durante o
surto, contar semanalmente os casos e óbitos. Analisar a distribuição por idades , sexo, início e
avaliar os factores de risco, de forma a melhorar o controlo da doença.
Confirmação laboratorial
373
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.32 Peste
Teste de Isolar a Yersinia pestis no aspirado do bubão ou na cultura de sangue, LCR (líquido
diagnóstico cefalorraquidiano) ou expectoração.
Identificar anticorpos contra o antigénio F1 da Y. pestis no soro.
Colheita Colher amostra do primeiro caso suspeito de peste. Se houver mais do que um caso
suspeito, colher até obter amostras de 5 a 10 casos suspeitos, antes da administração
de antibióticos. Para os bubões, pode injectar-se uma pequena quantidade de soro
fisiológico (1-2 ml) no bubão, para obter uma amostra adequada.
Preparação, § As amostras devem ser colhidas utilizando técnicas assépticas. Os materiais para
armazenamento e cultura devem ser enviados ao laboratório em meio de transporte Cary Blair ou
transporte das congeladas (de preferência com gelo seco (CO2 sólido). As amostras não
amostras conservadas devem chegar ao laboratório no próprio dia.
§ As amostras líquidas (aspiradas) devem ser absorvidas com cotonete estéril e
colocadas em meio de transporte Cary Blair e refrigerar.
§ Se o transporte exigir 24 horas ou mais e não existir meio Cary Blair, congelar a
amostra e transportá-la congelada com acumuladores de frio.
“Laboratory Manual of Plague Diagnostic tests.” CDC/WHO publication, 2000, Atlanta, GA.
374
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.33 Varíola
Introdução
§ A varíola é uma doença contagiosa aguda causada pelo vírus varíola, da família do ortopoxvírus. Outros
membros deste género incluem a varíola bovina, a varíola dos camelos e a varíola dos macacos. O vírus
da varíola dos macacos tem causado, recentemente, as mais graves infecções em humanos pelo poxvírus.
§ A varíola matou 30% dos infectados. Em 1967, quando a OMS lançou um plano intensificado para erradicar a
varíola, a doença ameaçou 60% da população mundial e matou um em cada quatro doentes.
§ A erradicação mundial da varíola foi certificada por uma comissão de eminentes cientistas, em Dezembro de
1979, sendo posteriormente aprovada pela Assembleia Mundial da Saúde em 1980.
§ A varíola apresentou duas formas principais: a varíola maior e a varíola menor. A doença seguiu uma
variante mais ligeira na varíola menor, que tinha uma taxa de letalidade de menos de 1%. A taxa de
letalidade da varíola maior era de cerca de 30%. Há duas formas raras de varíola: a hemorrágica e a
maligna. A primeira era invariavelmente fatal, a erupção era acompanhada de hemorragia das membranas
mucosas e da pele. A varíola maligna era caracterizada por lesões que não evoluíam para a fase pustular,
mas que se mantinham moles e lisas. Era quase sempre fatal.
§ O período de incubação da varíola é de 12–14 dias (limites de 7–17), durante os quais não existem
evidências de expulsão do vírus. Durante este período, a pessoa parece saudável e não pode contagiar os
outros.
§ O período de incubação é seguido de manifestação súbita de sintomas de tipo gripal. Dois a três dias depois,
a temperatura desce e o doente sente-se melhor; depois é que aparece a erupção na cara, como primeira
característica, mãos e antebraços, progredindo, alguns dias depois, para o tronco. As lesões também surgem
nas membranas mucosas do nariz e boca, e transformam-se rapidamente em úlceras após a sua formação,
libertando grandes quantidades de vírus na boca e na garganta. A distribuição centrífuga das lesões, mais
proeminentes nas faces e extremidades do que no tronco, é uma característica que distingue o diagnóstico
da varíola e que permite que qualquer profissional experiente suspeite desta doença. As lesões progridem de
manchas para pápulas e depois para vesículas e para pústulas. Todas as lesões numa dada área, progridem
conjuntamente através destas fases. De 8 a 14 dias após o início dos sintomas, as pústulas formam crostas,
que deixam cicatrizes despigmentadas visíveis após sararem.
§ A varicela (varíola das aves) pode distinguir-se da varíola pelas suas lesões muito mais superficiais, mais
presentes no tronco do que na cara e nas extremidades e pelo desenvolvimento de sucessivas crostas das
lesões na mesma área.
375
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.33 Varíola
§ A varíola é transmitida por via aérea de pessoa para pessoa, pela propagação de gotículas infectadas, por
contágio directo de uma pessoa infectada após o início da febre, especialmente se os sintomas incluírem
tosse. A doença pode ainda ser transmitida por vestuário e roupa de cama contaminados, embora o risco de
infecção por esta via seja muito inferior.
§ A frequência da infecção é mais alta através do contacto directo com um doente, após o início da febre e
durante a primeira semana da erupção, quando o vírus se liberta através do tracto respiratório.
§ Na ausência de imunidade induzida pela vacinação, os seres humanos parecem ser universalmente
susceptíveis à infecção pelo vírus da varíola.
§ A vacina administrada até 4 dias após a exposição ao vírus e antes do aparecimento da erupção, confere
imunidade protectora e pode evitar a infecção ou diminuir a gravidade da doença.
Objectivos da vigilância
§ Detectar e responder de imediato a qualquer caso suspeito de varíola.
Caso suspeito: uma doença com manifestação aguda de febre >38,3º C (101º F), seguida de erupção
caracterizada por vesículas ou pústulas firmes, no mesmo estágio de desenvolvimento, sem outra causa
aparente.
Caso provável: um caso que cumpra a definição clínica de caso, sem confirmação laboratorial, mas com uma
relação epidemiológica com um caso confirmado ou provável.
376
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.33 Varíola
Resposta ao limiar de acção
Se for confirmado um único caso:
§ Manter práticas rigorosas de medidas de controlo da infecção, durante o surto.
§ Mobilizar a comunidade para a detecção precoce e os cuidados que deverão manter.
§ Realizar actividades de educação comunitária sobre o caso confirmado, a via de transmissão da doença e o
modo de implementar o controlo da infecção, no cenário dos cuidados domiciliários e durante o funeral.
§ Procurar activamente outros casos eventuais.
§ Solicitar ajuda adicional aos níveis nacional e internacional.
§ Criar enfermarias de isolamento, para gerir casos adicionais que possam ser admitidos na unidade de
saúde.
Análise e interpretação dos dados
Tempo: Fazer um gráfico dos casos e dos óbitos diariamente/semanalmente/mensalmente. Traçar uma curva
epidémica.
Pessoa: Notificar imediatamente os casos e os óbitos. Durante o surto, contar e notificar os casos e os óbitos.
Analisar a distribuição por idade e sexo. Avaliar imediatamente os factores de risco
Confirmação laboratorial
Isolamento do vírus da varíola de uma amostra clínica
Teste de ou
diagnóstico Teste da reacção em cadeia da polimerase (PCR), para identificação do DNA da Variola
numa amostra clínica
Coágulo*
Fluído vesicular*
Material da pústula*
Amostras de sangue
Nota: as amostras de sangue das pessoas em que a erupção é grave e densa podem ser
difíceis de colher, devido à descamação da pele. Pode ser necessária uma linha central
para acesso, nos casos em que é difícil retirar o sangue periférico. Amostras preferidas
para diagnóstico de doença aguda durante a fase de erupção.
377
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.33 Varíola
Um caso suspeito de varíola é uma emergência médica e de saúde pública. Colher
Colheita de amostras de todos os casos suspeitos, sempre que houver disponibilidade, para conseguir
amostras amostras dos tipos recomendados.
Preparação, As práticas próprias associadas à colheita de amostras nos doentes são também
armazenamento adequadas à colheita das lesões pelo ortopoxvírus. Estas incluem o uso de equipamento
e transporte de protecção individual, incluindo luvas e desinfecção do local antes da colheita. Se se
usar álcool para preparar a lesão a ser colhida, é importante deixar a lesão secar antes de
a colher.
Coágulos:
Colocar assepticamente as crostas/material num recipiente estéril, estanque e congelável.
Armazenamento -20ºC a – 70ºC. Transporte ~6h a 4ºC.
Fluído vesicular:
Colher o fluído de lesões separadas com zaragatoas estéreis separadas. Assegurar-se da
inclusão de material celular da base de cada uma das respectivas vesículas.
Armazenamento -20ºC a - 70 °C. Transporte ~6h a 4ºC.
Colocar 10 cc de sangue num tubo de ensaio em plástico com tampa de mármore, ou num
tubo separador de soro com tampa amarela.
Nota: a aprovação deverá ser obtida antes do envio para um laboratório de referência das
amostras clínicas de um potencial doente de varíola.
Não há serviços de diagnósticos de rotina para a varíola. Normalmente, é necessário
Resultados requisitá-los com antecedência. Contactar as autoridades nacionais responsáveis ou a
OMS.
Referências
378
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.34 Tracoma
Introdução
§ O Tracoma é a causa principal da cegueira e é uma infecção causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e não tem só
tratamento como também se pode evitar.
§ As infecções começam muitas vezes na primeira ou na segunda infância e podem tornar-se crónicas. Se não
forem tratadas. A a infecção pode provocar a retracção da pálpebra que, por sua vez, faz com que as pestanas
rocem no globo ocular, o que resulta numa intensa dor e no ferimento da frente do olho. Em última análise, isso
leva a cegueira irreversível, tipicamente entre os 30 e os 40 anos de idade.
§ O tracoma propaga-se facilmente através do contacto directo, da partilha de toalhas e roupas e ainda através
de moscas que tenham estado em contacto com os olhos ou nariz de uma pessoa infectada.
§ A OMS estima que ocorrem cerca de 6 milhões de casos de cegueira devida ao tracoma e 11 milhões de casos
de triquíase, todos os anos a nível mundial. A prevalência da doença activa nas crianças varia entre 10-40%, em
alguns países africanos.
§ A infecção afecta, em primeiro lugar, as crianças pequenas, ocorrendo a cegueira numa idade posterior. As
meninas estão três vezes mais sujeitas do que os rapazes a sofrer de triquíase. A retracção das pestanas que
pode conduzir à cegueira. As pessoas correm mais riscos de contrair o tracoma em áreas de mau saneamento
básico, falta de latrinas, escassas fontes de água potável e locais onde proliferem as moscas.
§ As principais intervenções recomendadas para prevenir a infecção pelo tracoma incluem: melhor saneamento,
redução dos locais de proliferação de moscas e sensibilização para uma limpeza facial mais cuidada (com água
potável) entre as crianças em risco de contrair a doença. A mudança do aspecto visual assustador causado pelo
tracoma pode ser resolvido com um simples procedimento cirúrgico efectuado a nível local, o qual pode reverter
as pestanas reviradas.
Objectivos da vigilância
Caso confirmado:
Um doente com olhos vermelhos e pegajosos e queixas de dores e comichão nos olhos e cujo exame ocular
confirme uma das fases de infecção por Tracoma, em conformidade com o Sistema Simplificado de Classificação do
Tracoma da OMS. (Ver referências abaixo).
379
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.34 Tracoma
Acções de saúde pública recomendadas
A Organização Mundial da Saúde desenvolveu uma série de intervenções para controlar o tracoma, conhecidas pela
sigla SAFE: Surgery, Antibiotics, Facial cleanliness, and Environmental improvement (cirurgia, antibióticos, limpeza
facial e melhor ambiente).
Local: Assinalar a localização das habitações dos doentes e analisar a sua distribuição.
Pessoa: Analisar a distribuição dos casos por idade e outros factores demográficos.
Confirmação laboratorial
Não é exigida confirmação laboratorial de rotina para a vigilância.
Teste de Detecção do antigéno específico. Testes do ácido nucleico e técnicas de cultura de tecidos.
Ocasionalmente, em células epiteliais em esfregaços corados com Giemsa ou iodo por
diagnóstico microscopia directa.
Amostra
Colheita de raspados da conjuntiva
Colheita de
amostras
Preparação, Após anestesiar a conjuntiva com gotas oculares anestésicas, retirar o corrimento e com uma
armazenamento e espátula de extremidade fina e arredondada, raspar o orifício da conjuntiva. Espalhar a
transporte das amostra uniformemente numa lâmina. Assim que a preparação secar ao ar, se for corada
com Giemsa, fixá-la com metanol durante 2-3 minuto.
amostras
Resultados Fora dos laboratórios especializados, a maioria das infecções oculares são diagnosticadas
clinicamente (ver Anexo 8 sobre definição recomendada de casos para um caso confirmado)
ou imunologicamente.
Referências
380
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.34 Tracoma
§ WHO Trachoma Page [Link]
§ CDC Trachoma
[Link]
9.35 Tripanossomíase
Introdução
§ A tripanossomíase é uma infecção sanguínea, linfática e do sistema nervoso central. Em África, ela é causada
pelos protozoários Trypanosoma burcei rhodesiense e T. b. gambiense, que são transmitidos pela picada da
mosca Glossina infectada (Tsé-tsé).
§ O período de incubação é normalmente, de alguns dias a semanas para as infecções pelo T. b. rhodesiense, e de
meses a anos para as infecções pelo T. b. gambiense. Sem tratamento, ambas as formas são fatais.
§ As estratégias de controlo da tripanossomíase incluem estudos sobre populações humanas e animais, para tratar
das pessoas infectadas, reduzir os reservatórios de gado e controlar o habitat da mosca tsé-tsé (por exemplo,
remoção de arbustos e ervas altas à volta das aldeias e uso de insecticidas residuais).
§ A tuberculose,a malária, a meningite bacteriana, o VIH/SIDA e outras infecções sistémicas ou do sistema nervoso
central podem produzir resultados clínicos semelhantes.
381
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.35 Tripanossomíase
Objectivos da vigilância
Caso suspeito:
Fase precoce: uma úlcera dolorosa, originalmente uma pápula, que evolui para um nódulo no local primário da
picada. Pode ocorrer febre, intensas dores de cabeça, insónia, linfadenopatia indolor, anemia, edema local e
erupção.
Fase tardia: caquexia, sonolência e sinais do sistema nervoso central.
Caso confirmado:
Um caso suspeito confirmado pelo teste de aglutinação em cartão (CATT) ou por isolamento dos
tripanossomas no sangue, nódulos linfáticos ou líquido cefalorraquidiano.
Resposta ao limiar de alerta
Se se observar o aumento do número de casos ou de óbitos num certo período de tempo:
§ Notificar o problema de acordo com as orientações nacionais.
§ Tratar qualquer caso individual suspeito e os casos confirmados com a terapêutica adequada, em ambiente
rigorosamente monitorizado.
§ Colher amostras para confirmação laboratorial.
§ Investigar a causa do aumento do número de casos, para identificar problemas com as actividades de
prevenção.
Resposta ao limiar de acção
Se o número de casos ou de óbitos aumentar para o dobro do número normalmente observado num mesmo
período de tempo dos anos anteriores:
§ Avaliar as actividades de prevenção nas zonas vizinhas dos casos e tomar iniciativas para as melhorar.
§ Efectuar actividades de pesquisa activa de casos, caso se trate de uma área endémica.
§ Efectuar actividades de controlo de vectores especificadas pelas orientações nacionais.
Análise e interpretação dos dados
382
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.35 Tripanossomíase
Tempo: Fazer um gráfico trimestral dos casos.
Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico Presumido:
Serológico: teste da tripanossomíase por aglutinação em cartão (CATT)
Confirmado:
Parasitológico: detecção (microscopia) dos tripanossomas no sangue, aspirados dos
nódulos linfáticos ou LCR
Amostra Sangue total
Aspirados dos nódulos linfáticos
Líquido cefalorraquidiano
Colheita de amostras Caso suspeito de áreas endémicas com febre
Um doente com febre que pode ter estado em contacto com a mosca tsé-tsé.
Referências
§ Control and Surveillance of African Trypanosomiasis. Report of a WHO Expert Committee, Geneva, World Health
Organization, 1998 (WHO Technical Report Series, No. 881).
383
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.36 Tuberculose
Introdução
§ Infecção dos pulmões e de outros órgãos, vulgarmente causada pela Mycobacterium tuberculosis, que se transmite
por contacto directo, através de gotículas infectadas da tosse, espirros ou expectoração. Clinicamente a forma
pulmonar da doença é mais comum do que a forma extra-pulmonar. Os principais sintomas da TB pulmonar são
crónicos: tosse, perda de peso, febre, perda de apetite e suores nocturnos.
§ A tuberculose (TB) é uma importante causa de doença infecciosa e de morte em todo o mundo, com mais de 8
milhões de novos casos e 3 milhões de óbitos por ano. Nos países africanos, anualmente ocorrem cerca de
600.000 novos casos, dentre 1,6 milhões registados em todo o mundo. Estima-se ainda que entre 30 a 50% do
total de novos casos de TB detectados estejam associados com VIH e que 40% de todos os óbitos por SIDA sejam
devidos à TB. Entre os que estão em alto risco de morrer por TB incluem-se pessoas com VIH /SIDA, com
malnutrição e outras condições de imunidade comprometida: crianças menores de cinco anos e bebés.
§ A pandemia mundial do VIH foi a maior causa do aumento de casos de TB, especialmente nos países africanos.
§ A OMS recomenda a estratégia DOTS, Terapêutica Directamente Observada de Curta Duração, para maximizar o
cumprimento e a eficácia do tratamento e para reduzir o desenvolvimento de estirpes resistentes aos
medicamentos. A estratégia DOTS foi implementada em pelo menos, 40 dos 46 Estados-Membros da Região
Africana. Atingiram-se variados graus de sucesso no controlo da TB, sempre que os recursos e a motivação para o
diagnóstico, tratamento e seguimento dos doentes foram os adequados.
§ Clinicamente, a pneumonia bacteriana,a malária, a tripanossomíase, o VIH /SIDA e uma variedade de outras
infecções bacterianas, parasitárias e virais podem causar síndromes semelhantes de febre, tosse, fadiga e perda
de peso ou podem, por si só, precipitar a actividade da TB numa pessoa já infectada. Podem ocorrer outros pontos
de infecção extra-pulmonares, nomeadamente abdominais, após a ingestão de leite de vaca não pasteurizado (M.
bovis).
Objectivos da vigilância
§ Detecção precoce de pessoas com doença infecciosa dos pulmões, para aumentar as hipóteses de melhorar os
resultados clínicos e de reduzir a transmissão da TB.
384
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.36 Tuberculose
Caso suspeito: uma pessoa com tosse durante 3 semanas ou mais.
Caso confirmado:
Caso de TB pulmonar positivo:
a) um doente suspeito com, pelo menos 2 amostras de expectoração positivas para bactérias ácido-álcool
resistentes (BAAR), ou uma amostra de expectoração positiva para BAAR por microscopia e anomalias radiológicas
segundo decisão do médico clínico, ou um esfregaço de expectoração positivo por microscopia e uma cultura
positiva para BAAR.
b) um doente que cumpre todos os critérios seguintes: gravemente doente, com pelo menos duas amostras
de expectoração negativas para BAAR por microscopia, anomalias radiológicas consistentes compátivel
com TB pulmonar extensa (intersticial e miliar), deve haver uma decisão do médico de administrar uma
terapêutica completa por quimioterapia anti-TB, ou
c) um doente cujo esfregaço inicial de expectoração é negativo para BAAR por microscopia e uma amostra
de expectoração positiva por cultura.
Resposta ao limiar de alerta
Se se observar o aumento do número de casos ou de óbitos ao longo de um período de tempo:
§ Notificar o problema ao nível seguinte ou de acordo com as orientações nacionais.
§ Tratar individualmente os casos com observação directa (DOTS), incluindo um apoiante do tratamento.
§ Se for viável, isolar as pessoas, usando práticas de controlo da infecção respiratória, especialmente se houver
suspeita de TB multi-resistente aos medicamentos.
§ Investigar a causa do aumento, incluindo o desempenho do programa DOTS na área em questão.
Resposta ao limiar de acção
Se o número de casos ou de óbitos aumentar para o dobro do número normalmente observado durante o
mesmo período de tempo dos anos anteriores:
§ Avaliar o desempenho do pessoal de saúde com a detecção e tratamento do esfregaço positivo de TB pulmonar e
se necessário, melhorar as práticas.
§ Avaliar o programa DOTS e actuar no sentido de melhorias identificáveis.
§ Realizar testes de sensibilidade aos medicamentos para estabelecer padrões de resistência.
Análise e interpretação dos dados
385
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.36 Tuberculose
Tempo: Fazer gráficos mensais dos casos e dos óbitos.
Local: Assinalar a localização das habitações e dos locais de trabalho dos doentes.
Pessoa: Contar mensalmente, os casos e os óbitos. Analisar trimestralmente a distribuição por idade e sexo.
Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico
Microscopia: Presença do bacilo ácido-álcool resistente (BAAR) em esfregaços corados por
Ziehl Neelsen (ZN)
Cultura e identificação
Aspirados
Colheita de amostras Colher expectoração (não a saliva) para microscopia de esfregaço directo e examinar, pelo
menos, duas amostras coradas, colhidas em dias diferentes.
Preparação, O esfregaço deverá ser examinado na unidade de saúde em que a amostra foi colhida.
armazenamento e As culturas de TB deverão ser embaladas em recipientes estanques, embrulhados em tecido
transporte das de lã e algodão. Transportar, num recipiente à prova de água, para um laboratório de
referência.
amostras
Resultados A microscopia da TB é feita diariamente. A quantidade de micobactérias observadas é
notificada através de vários métodos de notificação. Consultar os critérios usados pelo
laboratório dos exames.
386
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
9.36 Tuberculose
§ Treatment of Tuberculosis: Guidelines for National Programs. WHO/TB/97.230
§ Policy Statement of Prevention Therapy Against TB in People Living with HIV, WHO/TB/98.255
§
§ Laboratory Services in Tuberculosis Control, Parts I, II and III. WHO publications WHO/TB/98.258
th
§ Guidelines to surveillance of drug resistance in tuberculosis 4 ed. WHO/HTM/TB/2009.422
§ A febre tifóide é uma doença bacteriana, causada pela Salmonella typhi. Os sintomas surgem, normalmente, após
1–3 semanas, depois da exposição e podem ser ligeiros ou graves. Incluem febres altas, mal-estar, dores de
cabeça, obstipação ou diarreia, manchas rosadas no peito e aumento do baço e do fígado. O estado saudável do
portador pode seguir-se a uma doença aguda.
§ A febre tifóide continua a constituir um grave problema de saúde pública em todo o mundo, com uma estimativa de
16 a 33 milhões de casos e 500 000 a 600 000 óbitos anuais. No último surto na República Democrática do Congo,
entre 27 de Setembro de 2004 e princípios de Janeiro de 2005, foram notificados cerca de 42. 564 casos de febre
tifóide, incluindo 214 óbitos e 696 casos de peritonite e de perfurações intestinais.
§ Em quase todas as zonas endémicas, a incidência da febre tifóide é mais elevada nas crianças dos 5–19 anos de
idade. A doença é exclusivamente, transmitida por alimentos e água contaminados pelas fezes e a urina de
doentes e portadores da doença.
§ A água poluída é a fonte mais comum de transmissão da febre tifóide. Além disso, os mariscos retirados de águas
contaminadas por esgotos, os vegetais fertilizados com o estrume das fossas e comidos crus, o leite contaminado
e os lacticínios têm revelado ser uma fonte de infecção.
§ A febre tifóide tem sido virtualmente eliminada na maioria das regiões dos países industrializados, com o advento
de instalações sanitárias adequadas. A maioria dos casos nos países desenvolvidos são importados de países
endémicos.
§ As pessoas podem transmitir a doença enquanto a bactéria permanecer no seu corpo; a maior parte das pessoas
são focos contagiosos antes e durante a primeira semana de convalescença, mas cerca de 10% dos doentes não
tratados libertarão bactérias até 3 meses depois.
§ A febre tifóide pode ser tratada com antibióticos. No entanto, a resistência aos antimicrobianos mais comuns está
muito disseminada. Os portadores saudáveis não deverão manusear alimentos.
Objectivos da vigilância
387
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Caso confirmado: Caso suspeito confirmado por isolamento da Salmonella typhi no sangue, medula, fluido intestinal
ou fezes.
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de casos de febre tifóide:
§ Preparar as amostras de fezes ou zaragatoas rectais dos casos suspeitos,para os testes de
laboratóriais,especialmente em situações em que haja suspeita de transmissão alimentar ou hídrica.
§ Notificar e investigar todos os surtos suspeitos de tifo. Pesquisar casos/portadores que são a fonte da infecção e
os veículos (água e alimentos), através dos quais a infecção está a ser transmitida.
§ Tratar os doentes de febre tifóide com antibióticos. Os casos graves deverão receber medidas de apoio clínico,
como a hidratação, tanto oral como intravenosa, o uso de antipiréticos e uma alimentação adequada.
Resposta ao limiar de acção
Tempo: Fazer um gráfico semanal dos casos e dos óbitos. Traçar uma curva epidémica durante os surtos.
Pessoa: Notificar imediatamente a informação sobre os casos e os óbitos. Notificar, mensalmente, o resumo dos
totais. Durante o surto, contar semanalmente os casos e os óbitos. ´
Analisar por idade. Avaliar os factores de risco para melhorar a prevenção de surtos.
Confirmação laboratorial
388
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Fezes
Colheita de amostras Colher amostras, de preferência, antes da administração dos antibióticos.
Preparação, armazenamento 5-10 ml de sangue distribuído por um frasco de cultura de sangue.
Fezes em recipiente próprio.
e transporte
Armazenar as amostras 4-8º C ou à temperatura ambiente, longe do calor e da
luz directa do sol.
Resultados Cultura de sangue de 4 dias a 2 semanas.
389
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ A maioria dos casos são ligeiros e podem não atrair a atenção do sistema de saúde. Os doentes que procuram
cuidados de saúde apresentam, normalmente, sintomas de gripe, como febre, dores de cabeça e dores no corpo.
Ocasionalmente, os doentes podem apresentar uma erupção cutânea no pescoço, tronco, braços e pernas.
§ Podem ser afectadas pessoas de todas as idades e condições. No entanto, quem tem mais de 50 anos de idade
ou sofreu o transplante de um órgão corre um risco maior de doença grave.
§ Os casos muito graves incluem sinais de encefalite, meningo-encefalite ou meningite. Os sintomas incluem febre
alta, dores de cabeça, rigidez do pescoço, apatia, tremores, convulsões, paralisia flácida e coma.
§ A taxa de letalidade, nos doentes com complicações neurológicas, atinge limites de 4% a 14% e mesmo de 29%,
nos doentes mais idosos.
§ A febre do Nilo Ocidental pode ser prevenida, se se evitarem as picadas de mosquito, especialmente ao
entardecer, quando os mosquitos são mais activos. A exposição aos mosquitos pode ser reduzida, através do uso
de repelentes de insectos, de roupa com mangas e calças compridas, permanência no interior das casas e
drenagem das zonas húmidas de proliferação, como as águas residuais.
§ A confirmação da febre do Nilo Ocidental em doentes com sintomas clínicos exige confirmação laboratorial de
anticorpos IgM específicos no líquido cefalorraquidiano e nas amostras de soro.
§ Dada a não existência de um tratamento específico para a febre do Nilo Ocidental, os doentes com doença grave
são vulgarmente hospitalizados para tratamentos de apoio clínico e cuidados de enfermagem.
Objectivos da vigilância
§ Identificar os factores de risco de infecção e determinar as populações de alto risco a serem visadas pelas
actividades de prevenção
§ Identificar zonas geográficas visadas pelas actividades de prevenção e de controlo.
§ Identificar os casos mais graves, para serem transferidos para cuidados hospitalares.
390
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Caso confirmado:
Confirmação da febre do Nilo Ocidental, através de diagnóstico de laboratório, para identificar IgM específico para esta
febre.
Resposta ao limiar de alerta
Se houver suspeita de um único caso:
§ Notificar de imediato a informação baseada em casos aos níveis adequados.
§ Cuidar e tratar o doente.
§ Colher com segurança a amostra para confirmar o caso.
Resposta ao limiar de acção
Se for confirmado um único caso:
§ Cuidar e tratar o doente.
§ Mobilizar a comunidade através de educação, de forma a promover a adopção de comportamentos que reduzam
o risco de doença, como a protecção contra as picadas de mosquito e a redução dos focos de proliferação dos
mosquitos.
Promover a educação comunitária sobre a forma de transmissão desta febre e o modo de evitar a infecção.
Pessoa: Notificação imediata dos casos e dos óbitos. Durante um surto, fazer a contagem e a notificação dos
casos e dos óbitos. Analisar a distribuição por idade e sexo. Avaliar, imediatamente, os factores de
risco e considerar um pedido de ajuda para melhorar o controlo do surto.
Confirmação laboratorial
Teste de diagnóstico
Presença de anticorpos IgM contra a febre do Nilo Ocidental
Amostra
Para ELISA:
Sangue total, soro ou plasma
Para PCR:
Sangue total ou coágulo sanguíneo, soro/plasma ou tecido
391
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Preparação,
Manusear e transportar as amostras de doentes suspeitos de FHV com extremo cuidado.
armazenamento e Usar vestuário de protecção individual e de biossegurança.
transporte das
amostras Para ELISA ou PCR:
§ Refrigerar o soro ou o coágulo
§ Congelar (-20ºC ou menos) as amostras de tecido para isolamento do vírus.
Para imunohistoquímica:
§ Fixar a amostra de pele em formalina. A amostra pode ser armazenada até 6 semanas.
A amostra não é infecciosa, uma vez em formalina.
Armazenar à temperatura ambiente. As amostras fixadas em formalina podem ser
transportadas à temperatura ambiente.
§ Pedro N. A and Boris Szyfres. Zoonotic and Comunicable Diseases Common to Man and Animals. Third edition,
Volume II. Chlamydioses, Rickettsioses and Viroses, Part II: Viroses Pages 372-376. Pan American Health
Organization, WHO
§ Epidemic/Epizootic West Nile Vírus in the United States: Orientations for Surveillance, Prevention and Control.
[Link]
§ Infecctions Control for Viral Hemorrhagic Fevers in the African Health Care Setting WHO/EMC/ESR/98.2
§ Viral Infections of Humans; Epidemiology and Control. 1989. Evans, A.S. (ed). Plenum Medical Book Company,
New York
392
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
393
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
§ O período
e de incubação é de 3 a 6 dias, após a picada de um mosquito infectado. Cerca de 15% das infecções
umaevoluem
das seguintes evidências:
para febre e icterícia.
§ Detecção de IgM específicos* de febre amarela
§ Detecção de umuma
Embora apenas aumento
minoriaquádruplo nos
de casos IgM
seja da FA
grave, e/ou de
a taxa títulos de anticorpos
letalidade IgG, entre
pode situar-se amostras
entre os 25% de soro
e os agudo
50%, entree
convalescente
os doentes com síndrome de hemorragia, icterícia e doença renal.
§ Detecção de anticorpos neutralizadores específicos do vírus da FA *
§ Factores de risco: casos esporádicos, muitas vezes ligados à ocupação ou localização da aldeia perto de bosques ou
*emEspecíficos da os
locais onde FAmacacos
significa são
que numerosos
os testes dee anticorpos
pessoas não(taisvacinadas.
como, IgM ou anticorpo neutralizador) para outros flavivírus
prevalecentes são negativos. Esses testes devem incluir, pelo menos, IgM para o dengue e febre do Nilo Ocidental, podendo
§ incluir outros internacional
Notificação flavivírus, dependendo
à OMS édafeita
epidemiologia
no prazo local.
de 24 horas.
§ Febres ou hemorrágicas virais (FHV) e outras doenças parasíticas, virais ou bacterianas, tais como a malária, dengue,
umachikungunya,
das seguintesleptospirose,
evidências: hepatite A-E, vírus de Epstein-Barr, febre do Nilo Ocidental, febre Q, antraz, doenças
§ Detecção do genoma
rickettsianas, do vírus tóxica
etc. e exposição da FA podem
no sangue ou outros
simular órgãos,
a febre por PCR
amarela.
§ Detecção do antigénio da febre amarela no sangue, fígado ou outros órgãos, por imunoensaios
§ Isolamento do vírus da febre amarela
§ A infecção e a doença podem ser evitadas por vacinação, com uma eficácia da vacina > 95% e duração da
Resposta
imunizaçãoao de
limiar de alerta
pelo menos 10 anos.
Objectivos
Se um único caso da vigilância
ou grupo for suspeito ou provável:
§ Preencher o formulário de notificação, incluindo a informação clínica, os formulários baseados em casos e verificar a
§ Procurar
situação daconfirmação
vacinaçãoda febre amarela
e história e excluir outras possíveis etiologias de febre com icterícia
de viagens
§§ Fornecer
Colher amostra de sangue, para confirmaçãode
informação, para adoptar medidas controlo apropriadas
laboratorial. Pode colher-se uma amostra convalescente nos doentes-
§§ Identificar as populações em
Diagnosticar e tratar os doentesrisco de febre amarela
§§ Monitorizar a epidemiologia
Notificar imediatamente da doença
ao nível e o Existindo
seguinte. impacto dasum medidas de controlo
caso provável, informar as unidades de saúde próximas
§§ Apoiar a investigação operacional e a inovação
Reforçar a vigilância (aplicar a definição de caso da comunidade, isto é, febre e icterícia)
§Definição
Iniciar umapadronizada de casono terreno, se houver um grupo de casos com febre e icterícia. Obter informação,
investigação preliminar
para determinar o local provável da infecção. Determinar a cobertura da vacinação na comunidade e iniciar o
planeamento da vacinação (no caso de um grupo)
§ Reforçar a vacinação de rotina contra a febre amarela.
394
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Preparação,
Além da resposta ao limiar de§ alerta,Colher
se for
10 confirmado
ml de sangue umvenoso
único caso:
de adultos, 1-5 ml de crianças, num tubo capilar,
§armazenamento e
Continuar/completar microtainer
a investigação ou, se necessário,
epidemiológica, incluindo onum tubo da
rastreio de situação
ensaio normal de vidro.
de vacinação
§transporte § Separar as células
Iniciar a investigação entomológica, se for indicado sanguíneas do soro:
o Deixar o coágulo retrair durante 30 a 60 minutos à temperatura ambiente.
§ Determinar a cobertura vacinal na zona afectada (PAV de rotina, respostas recentes a um surto ou campanhas de
Centrifugar a 2000 rpm, durante 10-20 minutos e verter o soro para um
prevenção) tubo de ensaio limpo.
§ Iniciar a mobilização social, para as intervenções
o Se não seleccionadas
houver centrifugadora, colocar a amostra no frigorífico durante a
§ Continuar a comunicação dos riscos e as acçõesnoite para
(4 a os reduzir, até
6 horas), incluindo o controlo
o coágulo dos vectores,
encolher. Retirar osesoro
for indicado
na manhã
§ Iniciar a vacinação nas aldeias, -municípiosseguinte.
ou cidades afectadas, com base nos achados epidemiológicos
§ Notificar a OMS, através das autoridades o centrais,
Se nãousando
houver ocentrifugadora,
instrumento denem frigorífico,
decisão do RSI deixar o sangue assentar
§ em ângulo
Continuar a reforçar a vacinação de rotina contra durante,
a febre amarela,pelo menos, 60 minutos,
especialmente nas zonas sem agitar nem transportar
remotas
num veículo. Verter o soro para um tubo limpo.
· Armazenar o soro a 4°C.
Análise e interpretação dos dados
Transportar as amostras de soro, usando embalagens apropriadas, para evitar quebras ou
derrames durante o transporte. Se possível, evitar os tubos de vidro para expedição e
Tempo: Fazer gráficos semanais
[Link] casos e óbitos.
Durante os surtos, traçar curvas
A amostra epidémicas
deve chegar (para monitorizar
ao laboratório asposteriores
nos 3 dias tendênciasàdiárias e, depois, semanais).
colheita.
Evitar agitar a amostra, antes do soro ser colhido.
Local: Assinalar a localização - doso casos,
Para evitar atravésexcessivo
crescimento de um mapeamento rigoroso.
de bactérias, certificar-se de que o soro é vertido
para um tubo de ensaio de vidro que esteja limpo. O tubo de ensaio não precisa de ser
Pessoa: esterilizado, basta
Comunicar- imediatamente, que esteja
a informação limpo.
relativa aos casos e óbitos. Notificar semanalmente os
totais sumários. Transportar o soro, num transportador manual de vacinas do PAV, a 4°C-8°C, para evitar
o crescimento excessivo de bactérias (até 7 dias). Se não for refrigerado, o soro
Durante o surto,armazenado
contar os casos
numetubo
os óbitos
limpo diariamente, à medida
estará em boas que ocorrem,
condições, pelo menos,e depois
durante 3 dias.
semanalmente, quando a epidemia amadurecer ou terminar. Analisar as variáveis por pessoa
(idade, sexo, profissão…). Avaliar os factores de risco, para melhorar a prevenção dos surtos
esporádicos.
Resultados
Os resultados laboratoriais devem ser recebidos nos 7 dias subsequentes à recepção da
amostra no laboratório.
Confirmação laboratorial
Referências
Teste de diagnóstico 1. ELISA para a presença de anticorpos IgG e IgM específicos da febre amarela
§ District guidelines for yellow fever
2. surveillance.
A exclusão WHO 1998 WHO/GPVI/EPI/98.09
do dengue, vírus do Nilo Ocidental e outros flavivírus localmente
prevalecentes será necessária para a confirmação de febre amarela.
§ Yellow fever. 1998. WHO/EPI/Gen/98.11
3. PCR, seroneutralização específica da FA, isolamento do vírus ou histopatologia
§ Recommendation of Expert Meeting on Yellow Fever Surveillance and Response in Africa. Brazzaville, Congo, from
13 to 15 October 2010
Amostras Soro, nas fases aguda e convalescente da doença;
Em caso de morte, amostra do fígado post-mortem.
Colheita das amostras Nos 14 dias subsequentes à manifestação dos primeiros sintomas.
Colher amostras, pelo menos, do primeiro ao décimo caso suspeito de febre amarela.
Colher amostras dos últimos casos (com base nas curvas epidémicas), para decidir sobre
o fim da epidemia.
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Referências
Field Guide for Supplementary Activities Aimed at Achieving Polio Eradication. World Health Organization.
WHO global action plan for laboratory containment of wild polio víruses. WHO/V&B/99.32, Geneva, 1999
Manual for the virological investigation of polio, WHO/ EPI/GEN/97.01, Geneva, 2004
Supplement to the Manual for the virological investigation of Polio- WHO/EPI 2007
9.41 Raiva
Introdução · A raiva é uma doença zoonótica (transmitida pelos animais aos seres
humanos) causada por um vírus. A raiva infecta animais domésticos e
selvagens e propaga-se às pessoas através de um contacto próximo
com saliva infectada (através de mordeduras ou de arranhões).
· O vírus da raiva infecta o sistema nervoso central, provocando a
doença no cérebro e eventualmente a morte. Os primeiros sintomas
nas pessoas incluem: febre, dor de cabeça e fraqueza ou mal-estar
geral. À medida que a doença progride, os sintomas incluem; insónia,
ansiedade, confusão, paralisia leve ou parcial, excitação, alucinações,
salivação, dificuldade de engolir e hidrofobia.
· Em pessoas não vacinadas, a raiva é quase sempre fatal, se a
profilaxia pós-exposição não for administrada antes do início dos
sintomas mais graves. A morte ocorre, habitualmente, alguns dias
depois do início dos sintomas neurológicos.
· Os cães são os principais portadores da raiva em África e são
responsáveis pela maioria (aproximadamente 97%) das mortes
humanas por esta doença, em todo o mundo.
· A OMS estima que ocorrem, anualmente, cerca de 55.000 óbitos
humanos em todo o mundo devido à raiva; em África, o número anual
de casos fatais eleva-se a 24.000.
· As pessoas que maior risco correm de contrair a raiva são as que
vivem nas zonas rurais, sendo as crianças as que correm o maior risco
de raiva canina. Cerca de 30 a 60% das vítimas de mordeduras de cães
(o principal modo de transmissão do vírus) são crianças com menos de
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Confirmado
Um caso suspeito laboratorialmente confirmado.
Acções de Para um único caso:
Saúde Pública · Profilaxia pós-exposição, para prevenir a raiva.
Recomendadas · Se a doença evoluir, isolar o doente, para evitar a contaminação de
outras pessoas.
· Vacinar os contactos, se o doente desenvolver a doença.
· Vacinar os cães, gatos e macacos locais, para evitar surtos.
401
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
402
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Laboratory techniques in rabies, Fourth Edition, WHO, edited by F.-X. Meslin and all
Council of State and Territorial Epidemiologists (CSTE). National Surveillance for Human Rabies. CSTE position
statement 09-ID-70. Atlanta: CSTE; June 2009. Available from: [Link]
Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Human Rabies Prevention — United States, 2008: Recomendations of
the Advisory Committee on Immunization Practices. MMWR 2008; 57(RR03):1–26, 28. Available from:
[Link]
Bleck TP, Rupprecht CE. Chapter 160 – Rhabdovíruses. In: Mandell GL, Bennett JE, Dolin R, editors. Principles and
Practice of Infectious Diseases, 6th edition. Philadelphia: Churchill Livingstone; 2005.
403
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Introdução · A Febre do Vale do Rift (FVR) é uma doença viral que afecta,
principalmente, animais e ocasionalmente, os seres humanos. O vírus
pertence ao género Phlebovírus, um dos cinco géneros da família
Bunyaviridae. A doença é frequentemente notificada a seguir de uma
época de fortes chuvas e cheias. O vírus foi isolado pela primeira vez no
Vale do Rift em 1930, numa das províncias do Quénia. Em 1997/98
após cheias do El Niño, a doença foi notificada no Quénia e mais tarde
em 2006 e 2007. Em 2007 e em 2010, a Tanzânia e a África do Sul
foram também afectadas. Houve anteriormente notificação de outros
surtos na Somália, Egipto, Arábia Saudita e Yemén.
· A FVR é sobretudo, transmitida pelos animais (gado bovino, carneiros,
cabras e camelos) aos seres humanos, através de um contacto próximo
com animais infectados (nomeadamente pelo manuseamento da carne
ou dos fluidos corporais e pelo consumo de leite crú). Durante os surtos
registados de FVR em animais, os humanos podem também ser
infectados pela picada de mosquitos infectados ou de outros insectos
que mordem.
· O período de incubação da FVR varia entre 2 a 6 dias. Os sintomas
clínicos incluem uma doença de tipo gripal, com febre súbita, dor de
cabeça, mialgia e dores nas costas. Estes sintomas duram normalmente
4 a 7 dias. As pessoas infectadas recuperam, na sua maioria, por si
próprias. No entanto, uma pequena percentagem (cerca de 1%)
apresentam complicações, como sangue nos vómitos,(Hemoptise)
hemorragia nasal e sangue nas fezes. Outras formas graves da doença
são as infecções dos olhos e a meningo-encefalite.
· O tratamento da FVR nos humanos é sobretudo sintomático, pois não
há tratamento específico para a FVR. São importantes a detecção e o
tratamento precoces da doença. O controlo da FVR nas pessoas, faz-se
através do controlo da doença nos animais, por meio de um programa
sustentado de vacinação e pela limitação do contacto entre os seres
humanos e os animais. O uso de mosquiteiros tratados com insecticida e
os repelentes de insectos podem também reduzir a infecção nas pessoas.
Para além do sofrimento humano e da morte, a FVR tem profundas
implicações económicas na indústria agropecuária. Em cenários de
surtos, as manifestações da doença incluem síndromes febris não
hemorrágicas e dever-se-á considerar a realização de testes de
laboratório nas pessoas com sintomas mais leves que sugiram doença
viral.
404
Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Teste de · A FVR aguda pode ser diagnosticada por diferentes métodos. Testes
serológicos como a ELISA podem confirmar a presença de anticorpos
diagnóstico
IgM específicos do vírus. O próprio vírus pode ser detectado no sangue,
durante a fase precoce da doença ou em tecidos post-mortem, usando
várias técnicas, incluindo testes de detecção do antigénio, como a
ELISA, a RT-PCR, a propagação do vírus (em culturas de células) e a
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
Referências
WHO/EMC Infection control for VHF in the African health care setting, WHO, 1998.
Infection Control for VHF in the African Health Care Setting /CDC (Annexes 11-12)
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
laboratorial
Referências
International Health Regulations, IHR (2005)
AFRO – Technical Guidelines for Integrated Disease Surveillance in the African Region, May 2002
WHO guidelines for investigation of human cases of avian influenza A(H5N1), January 2007.
WHO interim guidelines on infection prevention and control of epidemic- and pandemic-prone acute respiratory disease
in health care, June 2007
WHO guidelines for the collection of human specimens for laboratory diagnosis of avian influenza infection, 12 January
2005
Collecting, preserving and shipping samples for the diagnosis of avian influenza A(H5N1) virus infection. Guide for field
operations, October 2006.
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Manual de Vigilância epidemiológica integrada de doenças e respostas
WHO Interim Guidelines, Infection Prevention and Control of Epidemic- and Pandemic-Prone Acute
Respiratory Diseases in Health Care, June 2007. WHO/CDS/EPR/2007.6.
A practical Guide for SARS laboratories: from samples collection to shipment. WHO, 29 Dec 2003.
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calma. São sinais gerais de perigo para crianças entre 2 meses e 5 anos
de idade: incapacidade de beber ou de mamar, vomitar tudo o que
ingere, convulsões, letargia ou inconsciência.
· Caso confirmado:
· A confirmação radiográfica ou laboratorial de pneumonia não será
viável na maioria dos municípios.
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