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PLANEJAMENTO ANUAL - FILOSOFIA 1º ANO

PRIMEIRO TRIMESTRE

Justificativa

Estudar Filosofia e seus conceitos, como a origem e o contexto histórico, o


pensamento mítico e a tragédia, é fundamental para compreender a evolução do
pensamento humano. Autores como Sócrates, Platão e Aristóteles
fundamentaram a ética, a política e a ontologia, enquanto as correntes
helenísticas e a Patrística oferecem reflexões sobre a vida e a condição humana.
Esse conhecimento fornece bases críticas para a análise da relação entre filosofia,
ciência e senso comum, contribuindo para a formação de um pensamento crítico
e reflexivo.
Habilidades especificas a serem desenvolvidas

Compreender e articular conhecimentos filosóficos de diferentes linguagens,


estruturas/conteúdos e modos discursivos, associando-os às possíveis soluções
para situações-problema da sociedade contemporânea. Analisar de modo crítico,
textos escritos e imagens de diferentes estruturas, fazendo articulação com as
correntes filosóficas e considerando suas relações com o contexto sociopolítico,
econômico e religioso contemporâneo. Analisar de modo crítico, textos escritos e
imagens de diferentes estruturas, fazendo articulação com as correntes filosóficas
e considerando suas relações com o contexto sócio-político, econômico e religioso
contemporâneo.
Objetos de conhecimento/Eixo/Campo de atuação social

Filosofia: origem e contexto histórico, conceitos; Pensamento Mítico; A tragédia


(Ésquilo, Sófocles e Eurípides). Fatalismo; Os Pré-Socráticos e o lógos. Filosofia,
Ciência e Senso Comum. Os conceitos de pólis e ágora. Sócrates, Platão e
Aristóteles. Metafísica/ontologia. Correntes Helenísticas: Cinismo, Estoicismo,
Epicurismo e Ceticismo. Plotino e o neoplatonismo. Patrística grega e latina.
Agostinho de Hipona livre-arbítrio e predestinação.
Procedimentos Metodológicos

Debate Filosófico, Análise de Textos, Diálogo Socrático, Atividades Interativas


usando As Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), emprego
da ludicidade por meio de jogos, simulações ou dinâmicas de grupo que
envolvam os conceitos filosóficos.
Procedimentos Avaliativos / Estratégias de Avaliação

Instrumentos avaliativos escritos, apresentações orais, atividades práticas


individuais e coletivas.

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Quando dizemos que a filosofia nasceu na Grécia, pontuamos que a Grécia do
século V a.C. não possuía um Estado unificado, mas era formada por Cidades-Estados
independentes, as chamadas pólis, que foram o berço da política, da democracia e das
ciências no ocidente. Transformaram a matemática herdada dos orientais em aritmética,
geometria, harmonia e lapidaram o conceito de razão como um pensar metódico,
sistemático, regido por regras e leis universais. Os gregos eram um povo comerciante,
propensos a navegação e ao contato com outras civilizações. A filosofia nascera das
adaptações que os pensadores gregos regimentaram aos conhecimentos adquiridos por
meio dessas influências, e da superação do pensamento mitológico buscando
racionalmente aliar essa nova ordem de pensamento propriamente grega, a vida na
pólis. Mas afinal, o que é a pólis? Como se constituía?

É importante que desfaçamos, antes de mais nada, a ideia comumente passada


de que existia uma única Grécia na Antiguidade. Na verdade, existiam muitas Grécias.
Divididos em um grande número de pólis (ou cidades- -Estado), os seus habitantes
compartilhavam poucas coisas além de uma língua em comum. Dependendo da cidade,
a mulher era vista como igual ou inferior ao homem.
A educação era voltada para a prática política ou militar e o contato com o
estrangeiro poderia ser estimulado ou evitado. Cada cidade possuía o seu deus protetor
e, ao seu lado, um mito rememorado pelos seus habitantes que marcava a sua
superioridade sobre os demais. Não havia igualmente uma capital, apesar da
superioridade evidente das duas pólis mais famosas do mundo antigo: Atenas e Esparta.

3
Segundo os historiadores, a Filosofia teria surgido pela primeira vez na Grécia,
por volta do século VI a. C., na antiga cidade da Ásia Menor chamada Mileto, tendo
como protótipo o pensamento de Tales (c. 624/5 a. C.- 556/8 a. C). Inventor, astrônomo
e matemático – você deve lembrar do seu famoso teorema -, Tales é o resultado de toda
uma série de fatores que lhe permitiram registrar seu nome na história como sendo o
primeiro filósofo. Mileto era uma cidade que mantinha vínculos comerciais bem estreitos
com o Oriente, Egito e outras cidades do sul da atual Itália. A sua localização geográfica
privilegiada permitiu contato com essas culturas e assim o fortalecimento da economia
milésia através do comércio, ocorreu juntamente com a troca de conhecimentos e a
inevitável relativização de valores.
A própria religião grega, politeísta e antropomórfica, revelava-se mais aberta a
novas leituras e manifestações que as posteriores crenças em uma única divindade.
Aliado a esses fatores, temos aquele que é apontado como o de maior relevância em fazer
da Grécia o berço da Filosofia: a invenção da política. A própria pólis teria surgido, dois
séculos antes de Tales nascer, nas comunidades da Ásia Menor.
A maioria delas não era verdadeiramente “democrática” como alguns gostam de
afirmar, mas a vida em seu interior girava em torno das decisões de instituições que
funcionavam como espécies de conselhos e assembleias, ora do povo, ora aristocratas ou
dos magistrados. E em que isso ajudaria a Filosofia? Simples: a prática do diálogo, o
estímulo ao exercício da discussão inerentes ao debate político criaram as condições
ideais para essa nova forma de pensar a realidade que toma como princípio não mais a
fé nos deuses, mas a razão humana. Por isso, frequentemente, ouvimos que a “Filosofia
é filha da pólis”.
Mas seria um equívoco pensarmos que bastou a Filosofia surgir no século VI a.
C. para que os gregos abandonassem as suas crenças. Obviamente, o processo de

4
dessacralização do saber não ocorreu de uma hora para outra, mas foi resultado de um
longo processo histórico no qual, aos poucos, foi-se percebendo que as histórias contadas
pelos antigos poetas não mais eram suficientes para dar conta do real. Ainda assim, por
muito tempo, o mito coexistiu com pensamento filosófico, mantendo-se presente até
mesmo nos escritos de filósofos de renome como Platão (c. 428/7 a.C. - 348/7 a. C.). A
predominância da razão (chamada de logos pelos gregos) na explicação da realidade que
percebemos nos dias de hoje tem sua origem na Filosofia, quando, pela primeira vez,
ocorre um distanciamento da concepção mítica da realidade em direção a uma
explicação que parte da observação e do raciocínio.

As narrativas míticas tentavam responder as questões fundamentais, como: a


origem de todas as coisas, a condição do homem e suas relações com a natureza, com o
outro e com o mundo, enfim, a vida e a morte, questões que a filosofia desenvolveu no
decorrer de sua história. Mas aqui podemos formular outra questão: a filosofia nasceu
da superação dos mitos, mas foi uma superação gradual ou um rompimento súbito? Para
tanto, temos que primeiramente identificar algumas diferenças básicas entre os mitos e
a filosofia. O Mito (Mythos) é narrado pelo poeta-rapsodo, que escolhido pelos deuses
transmitia o testemunho incontestável sobre a origem de todas as coisas, oriundas da
relação sexual entre os deuses, gerando assim, tudo que existe e que existiu.
Os mitos também narram o duelo entre as forças divinas que interferiam
diretamente na vida dos homens, em suas guerras e no seu dia-a-dia, bem como
explicava a origem dos castigos e dos males do mundo, ou seja, a narrativa mítica é uma
genealogia da origem das coisas a partir de lutas e alianças entre as forças que regem o
universo. A filosofia, por outro lado, trata de problematizar o porquê das coisas de
maneira universal, isto é, na sua totalidade. Buscando estruturar explicações para a
origem de tudo nos elementos naturais e primordiais (água, fogo, terra e ar) por meio de
combinações e movimentos. Enquanto o mito está no campo do fantástico e do
maravilhoso, a filosofia não admite contradição, exige lógica e coerência racional e a
autoridade destes conceitos não advém do narrador como no mito, mas da razão
humana, natural em todos os homens.

A divisão em períodos históricos, como tudo o mais no campo da Filosofia, é


palco de grandes polêmicas. No entanto, a fim de deixarmos de lado – pelo menos
provisoriamente – esse complicado debate, optamos por apresentar uma versão bastante
simplificada a partir da linha do tempo abaixo:

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Assim, para fins didáticos, dividimos a História da Filosofia em:

1 Filosofia Antiga (VI a.C – VI d. C): Composta pela escola pré-socrática (de Tales a
Empédocles), pelos filósofos chamados “clássicos” (Sócrates, Platão e os Sofistas), pelo
período sistemático representado por Aristóteles e, finalmente, pelo período helênico
das escolas epicuristas, estoicas, céticas e cínicas tanto gregas quanto romanas.

2 Filosofia Cristã (I d.C. – XIV d. C.): Composta pela Patrística (que abrange desde os
primeiros escritos cristãos até a filosofia de Sto. Agostinho de Hipona) e todo o período
medieval ou escolástico, cujo principal representante foi S. Tomás de Aquino.

3 Filosofia Moderna (XIV d. C. – XIX d. C): Iniciada pelos filósofos renascentistas como
René Descartes, seguidos pelos iluministas, como Immanuel Kant.

4 Filosofia Contemporânea (a partir do final do séc. XIX d.C): Marcada pela reflexão dos
filósofos como Karl Marx e Friedrich Nietzsche até os dias de hoje. A Filosofia tem,
portanto, quase 27 séculos de história. Uma história fascinante, cheia de discussões
acaloradas e teorias que pretendem dar conta, senão da totalidade, da maior parte das
questões que assolam o espírito humano.

A Filosofia abrange uma ampla gama de temas, que podem ser divididos em
diferentes ramos:

Metafísica: é um dos principais ramos, e explora a natureza da realidade, o ser, o tempo,


e a existência.

Epistemologia: estuda a natureza do conhecimento, questionando como sabemos o que


sabemos e o que significa conhecer algo.
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Ética: concentra-se nas questões morais, como o que é o bem e o mal, e quais são os
princípios que devem orientar nossas ações.

Lógica: trata das regras do raciocínio correto, estabelecendo métodos para argumentar
de maneira consistente e evitar falácias.

Filosofia política: examina questões sobre justiça, poder e organização social.

Estética: investiga o conceito de beleza e a natureza da arte."

1- (UEM 2008) Questão 01: Os filósofos pré-socráticos tentaram explicar a diversidade e


a transitoriedade das coisas do universo, reduzindo tudo a um ou mais princípios
elementares, os quais seriam a verdadeira natureza ou ser de todas as coisas. Assinale o
que for correto.

01) Tales de Mileto, o primeiro filósofo segundo Aristóteles, teria afirmado “tudo é
água”, indicando, assim, um princípio material elementar, fundamento de toda a
realidade.

02) Heráclito de Éfeso interessou-se pelo dinamismo do universo. Afirmou que nada
permanece o mesmo, tudo muda; que a mudança é a passagem de um contrário ao outro
e que a luta e a harmonia dos contrários são o que geram e mantêm todas as coisas.

03) Parmênides de Eleia afirmou que o ser não muda. Deduziu a imobilidade e a
unidade do ser do princípio de que “o ser é” e “o não ser não é”, elaborando uma
primeira formulação dos princípios lógicos da identidade e da não contradição.

04) As teorias dos filósofos pré-socráticos foram pouco significativas para o


desenvolvimento da Filosofia e da Ciência, uma vez que os pré-socráticos sofreram
influência do pensamento mítico, e de suas obras apenas restaram fragmentos e
comentários de autores posteriores.

05) Para Demócrito de Abdera, todo o cosmo se constitui de átomos, isto é, partículas
indivisíveis e invisíveis que, movendo-se e agregando-se no vácuo, formam todas as
coisas; geração e corrupção consistiriam, respectivamente, na agregação e na
desagregação dos átomos.

2- Leia o texto:

Mania da Dúvida

Tudo para mim é um duvidar


Com a normalidade sempre em cisão,
E o seu incessante perguntar
Cansa meu coração.
As coisas são e parecem e o nada sustém
O segredo da vida que contém.
A presença de tudo sempre perguntando
Coisas de angústia premente,

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Em terrível hesitação experimentando
A minha mente.
É falsa a verdade?
Qual o seu aparentar já que tudo são sonhos e tudo é sonhar?
Perante o mistério vacila à vontade
Em luta dividida dentro do pensar,
E a Razão cede, qual cobarde,
No encontrar Mais do que as coisas em si revelam ser,
Mas que elas, por si só, não deixam ver.

Alexander Search, heterônimo de Fernando Pessoa

a) A dúvida é um exercício de conformismo ou inconformismo? Justifique.

b) Na primeira estrofe, o autor escreve que ―E o seu incessante perguntar / Cansa meu
coração. Por que o ato de questionar é colocado como sendo algo cansativo?

3- Veja o quadrinho

Miguelito e Mafalda

Disponível em: https://futuroacademico.ucdb.br/tag/tirinha/

Qual a postura de Miguelito diante dos acontecimentos da vida? Sua postura baseia-se
num processo de dúvida ou certeza? Justifique.

4 (UFAC/2004) As lendas sempre foram alicerces para os povos antigos. Os gregos,


por exemplo, tributavam suas origens aos heróis que protagonizam a poesia de
Homero, e os romanos, aos irmãos Rômulo e Remo, filhos do deus Marte, eternizados
no relato do historiador Tito Lívio. Essas explicações lendárias:

a) Sempre se basearam em acontecimentos reais, com o único propósito de explicar o


passado.

b) Alteram ou reinventaram fatos históricos, justificando alguma condição ou ação


posterior dos homens.

c) Confirmaram que as civilizações, em sua origem, não possuem vínculos com seu
passado lendário, denominado idade das trevas.

d) São apenas formas artísticas ou literárias independentes dos interesses políticos, por
serem estéticas.

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5 (UEL/2009) ―Há, porém, algo de fundamentalmente novo na maneira como os Gregos
puseram a serviço do seu problema último – da origem e essência das coisas – as
observações empíricas que receberam do Oriente e enriqueceram com as suas próprias,
bem como no modo de submeter ao pensamento teórico e casual o reino dos mitos,
fundado na observação das realidades aparentes do mundo sensível: os mitos sobre o
nascimento do mundo.
(JAEGER, W. Paidéia. Tradução de Artur M. Parreira. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 197.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a relação entre mito e filosofia na Grécia,
é correto afirmar:

a) Em que pese ser considerada como criação dos gregos, a filosofia se origina no
Oriente sob o influxo da religião e apenas posteriormente chega à Grécia.

b) A filosofia representa uma ruptura radical em relação aos mitos, representando uma
nova forma de pensamento plenamente racional desde as suas origens.

c) Apesar de ser pensamento racional, a filosofia se desvincula dos mitos de forma


gradual.

d) Filosofia e mito sempre mantiveram uma relação de interdependência, uma vez que
o pensamento filosófico necessita do mito para se expressar.

e) O mito já era filosofia, uma vez que buscava respostas para problemas que até hoje
são objeto da pesquisa filosófica.

(UEL- 2003 - adaptada) ―Zeus ocupa o trono do universo. Agora o mundo está
ordenado. Os deuses disputaram entre si, alguns triunfaram. Tudo o que havia de ruim
no céu foi expulso, ou para a prisão do Tártaro ou para a Terra, entre os mortais. E os
homens, o que acontece com eles? Quem são eles? (VERNANT, Jean-Pierre. O universo, os deuses, os
homens. Trad. de Rosa Freire d‘Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 56.)

O texto acima é parte de uma narrativa mítica. Considerando que o mito pode ser uma
forma de conhecimento, assinale a alternativa correta.

a) A verdade do mito obedece a critérios científicos de comprovação.

b) O conhecimento mítico segue um rigoroso método para estabelecer suas verdades.

c) As explicações míticas constroem-se, de maneira filosófica, argumentativa e


autocrítica.

d) O mito busca explicações definitivas acerca do homem e do mundo, e sua verdade


independe de provas.

6- Realize um mapa mental sistematizando os conceitos aprendidos.

7- Quais fatores motivaram a origem da filosofia na Grécia antiga?

8- O que se estuda em Filosofia?

9- Quais são os períodos da Filosofia?

9
A tradição costuma atribuir a expressão “pré-socráticos” a todos os pensadores
que antecederam o grande filósofo da cidade de Atenas, chamado Sócrates (c. 470/69 -
399 a. C). Essa anterioridade, em sua grande maioria, é histórica. No entanto, alguns pré-
socráticos - como Demócrito de Abdera (c. 460 a. C. – 370 a. C.) - parecem ter vivido na
mesma época que o filósofo ateniense. De qualquer forma, pode-se afirmar com uma
certa convicção que nenhum deles conseguiu alcançar a profundidade e, muito menos,
o grau de abstração típico do pensamento socrático.
Nesse sentido, a anterioridade é, sobretudo, filosófica. A maioria desses
pensadores fez da questão da origem (archê) e da natureza (physis) o seu objeto de
reflexão, mas, por outro lado, também foram incapazes de romper definitivamente com
a estrutura típica do discurso mítico. Veja o exemplo de Parmênides de Eleia.
Considerado o “pai” da lógica pela descoberta dos princípios de identidade e da não
contradição, escreveu todo o seu discurso sob a forma de poemas e dedicou os 32 versos
de seu proêmio a uma espécie de hino de exaltação à deusa da justiça e da verdade, Diké:

E a deusa, com boa vontade, acolheu-me, e em sua mão minha mão direita
tomou, desta maneira proferiu a palavra e me saudou: Ó jovem acompanhado por
aurigas imortais, que, com cavalos, te levam ao alcance de nossa morada, Salve! Porque
nenhuma Partida ruim te enviou a trilhar este caminho, à medida que é um caminho
apartado dos homens, mas sim Norma e Justiça. Mas é preciso que de tudo te instruas:
tanto do intrépido coração da Verdade persuasiva quanto das opiniões de mortais em
que não há fé verdadeira.

Apesar de toda a série de dificuldades em se estudar o pensamento pré-socrático


– sobre o qual só restaram fragmentos - não podemos descartar a sua importância no
desenvolvimento dessa atividade tão complexa que é o filosofar. A fim de facilitar o
primeiro contato com esses filósofos, optamos por dividi-los em três grandes grupos ou
escolas, sabendo, por outro lado, que longe de ser perfeita, essa divisão deixa de lado
pontos divergentes de suas teorias a favor de uma pretensa unidade.
De qualquer forma, só iremos conhecer aqui, com mais propriedade, as filosofias
dos mais proeminentes desse período, a saber: Heráclito de Éfeso (c.535 a. C - 475 a. C.)
e Parmênides de Eleia (c. 530 a. C.- 460 a. C.). Na escola jônica agrupamos os pensadores
que elegeram um único elemento como princípio fundante do real. São eles: Tales (A
água), Anaximandro (O ilimitado), Anaxímenes (O ar), Heráclito (O fogo), Xenófanes (A
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terra). Aqueles pertencentes à escola italiana de Pitágoras (O Número), Parmênides e
seus discípulos Zenão e Melisso (O Ser) desenvolvem teorias bem complexas tomando
como base princípios abstratos e que virão, mais a frente, influenciar o pensamento de
grandes nomes como Sócrates e Platão. Por fim, os filósofos pluralistas (ou de 2ª fase)
que defenderam que a realidade é o resultado de dois ou mais elementos. São eles:
Anaxágoras (A multiplicidade e o Espírito), Empédocles (Os quatro elementos) e os
atomistas Leucipo e Demócrito.
O mobilismo de Heráclito Assim como a maioria dos pré-socráticos, pouco se
sabe da vida de Heráclito de Éfeso. Acredita-se, no entanto, que tenha pertencido à
aristocracia de sua cidade natal, mas que tenha, igualmente, recusado-se a participar do
governo da mesma. Segundo o historiador Diógenes Laércio, possuía um gênio difícil e
era conhecido pelo seu orgulho, bem como pelo seu desprezo pela plebe. Filho de Blóson,
ficou conhecido como o “Obscuro” (skoteinós), em grande parte pela dificuldade de
interpretar-se os seus escritos.
A despeito da opinião de seus adversários, foi um dos primeiros filósofos a
formular um pensamento consistente sobre a natureza dinâmica da realidade, marcada,
sobretudo, pelo conflito (pólemos) entre elementos divergentes. Entendia, em
contrapartida, o logos (literalmente razão, discurso) como o princípio unificador capaz
de demonstrar a existência da unidade detrás da realidade em constante fluxo, e o fogo
(pyr) como o elemento primordial. E, em alguns de seus fragmentos, expressou uma
clara preferência pelo conhecimento originário dos sentidos. Famoso pela sua metáfora
onde afirma que: “nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos” (frag.
nº. 49a.), Heráclito é visto por muitos como o principal representante do mobilismo
grego. Todas as coisas encontram-se em movimento – defendem os mobilistas. Segundo
eles, tudo flui e, portanto, coisa alguma permanece igual a si o tempo todo.
O pensamento heraclítico, apesar de bastante intuitivo – pois percebemos
facilmente o aspecto mutante da realidade em nós mesmos e nas coisas a nossa volta –
foi vítima de enorme preconceito ao longo da história da Filosofia, vindo a ser resgatado
séculos depois pelo filósofo alemão Hegel (1770-1831). Em contrapartida, encontramos
um número expressivo de músicas inspiradas nas máximas de Heráclito. Um bom
exemplo é, sem dúvida, a música de autoria de Lulu Santos e Nelson Motta, “Como uma
onda”:
“Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa, tudo sempre
passará A vida vem em ondas como o mar Num indo e vindo infinito”

O monismo de Parmênides Parmênides de Eleia é o autor do texto mais extenso


dentre todos os pré-socráticos dos quais temos conhecimento. A profundidade de suas
teses, juntamente com o seu incrível grau de abstração, foram responsáveis por
conceder-lhe o título de um dos mais influentes filósofos da Grécia antiga. Segundo
Platão, o próprio Sócrates teria aprendido muito em seu encontro com Parmênides. É o
principal representante do monismo uma vez que em, seu poema (intitulado “Da
Natureza”), defendeu a existência de uma única realidade esférica, imutável, contínua,
eterna e indivisível que, para alguns autores, seria a sua resposta às teses defendidas por
Heráclito. De certo modo, ao optar uma realidade estática, onde a mudança e o
movimento são vistos como ilusões dos sentidos e da opinião humana, Parmênides

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torna-se responsável por inaugurar uma importante vertente da filosofia que tem como
ponto central a distinção entre realidade e aparência. Por fim, para Parmênides:
“pensamento e ser coincidem”. Isto quer dizer que só podemos pensar por meio de
juízos afirmativos ou, em outras palavras, que o pensamento a partir daquilo-que-não-é
(Nada) revela-se impossível. Por essa razão, foi considerado o fundador dos princípios
lógico-ontológicos da identidade e da não contradição, que permanecem inalterados até
os dias de hoje, bem como um dos precursores do discurso metafísico.

O período clássico Chamamos de período clássico da Filosofia, toda a produção


intelectual grega, compreendida entre os anos de 500 a. C. e 338 a. C. e que tem em
Sócrates a sua figura mais importante. Historicamente, os gregos viviam em seu período
de apogeu econômico marcado pela disputa entre a democracia ateniense e a oligarquia
espartana. A Filosofia viu em Atenas o espaço ideal para o seu florescimento, mas foi
apenas com Platão, principal discípulo de Sócrates, que atingiu o seu ponto mais alto.

Sócrates foi um ateniense exemplar. Apesar de sua origem humilde (filho de um


escultor e de uma parteira), serviu como soldado de infantaria na Guerra do Peloponeso,
vindo a dedicar-se à Filosofia através dos ensinamentos de Anaxágoras e Arquelau.
Segundo a tradição, Sócrates teria despertado para a sua verdadeira vocação ao ver um
parto feito por sua mãe, passando a chamar o seu próprio método de maiêutica (em
grego esse termo significa dar à luz, parto). Para ele, a tarefa do filósofo não seria fazer
de seus alunos depósitos do conhecimento de seu mestre, mas, ao contrário, permitir o
nascimento das ideias já existentes. Por meio de perguntas sobre os fundamentos das
coisas e de sua famosa ironia, Sócrates tornou-se o modelo de filósofo recorrente ainda
nos dias de hoje. Sujo e maltrapilho e eternamente distraído com suas reflexões, possuía
uma legião de jovens seguidores que, juntamente com ele, perambulavam pelas ruas da
Cidade de Atenas para ouvir as suas preleções sobre ética.

Diferente dos seus antecessores, Sócrates fora capaz de apresentar argumentos


consistentes, mesmo que por vezes inconclusivos, sobre uma infinidade de temas, em
especial os relacionados à virtude e ao questionamento da natureza humana. Apesar de

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não ter deixado nenhum texto escrito, tornou-se célebre por duas passagens registradas
por seus alunos Platão e Xenofonte: a ida ao oráculo de Delfos e o processo de seu
julgamento. A sua visita à sacerdotisa (ou pitonisa) do mais famoso oráculo daquela
época fez de Sócrates o homem mais sábio do mundo. Humilde, aceitou as palavras do
deus como reflexo de sua própria consciência diante de suas limitações. “A verdadeira
sabedoria – dizia o filósofo – consiste em se saber que nada se sabe”. Essa é de uma das
máximas mais famosas da História que traz consigo a concepção que identifica a
Filosofia não como posse e sim como uma busca incessante da verdade.
O oráculo de Delfos era um dos mais famosos de toda a Grécia antiga. Diversas
figuras importantes para lá se dirigiam, a fim de conhecer as enigmáticas previsões do
deus Apolo ditas através de sua pitonisa. Conta a tradição, que nas paredes do templo
havia um grande número de provérbios e máximas. Uma delas teria inspirado o próprio
Sócrates e sua filosofia: “Conhece-te a ti mesmo!” Outra passagem famosa de Sócrates
aconteceu em tempo de sua condenação. O jovem e desconhecido poeta Meleto
apresentou ao tribunal as seguintes acusações contra ele: 1. Não reconhecer os deuses do
Estado; 2. Introduzir novas e malignas divindades; 3. Corromper a juventude com as
suas ideias. Apesar de sua articulada defesa, Sócrates, com 70 anos, é condenado a morte,
por envenenamento por cicuta, no ano de 399 a. C. Para Platão, a morte de seu amado
professor representou a perda não só para aqueles que tiveram a chance de conhecê-lo,
mas para toda a Atenas, uma vez que ele: “foi o melhor e também o mais sábio e mais
justo dos homens.” (Fedon, LXVI).

Diferente dos primeiros filósofos, cujo interesse girava em torno da natureza


(physis) de questões mais gerais de ordem metafísica, os sofistas eram mestres das artes
do discurso. Como profissionais do ensino, cobravam caro pelos seus serviços prestados
à educação dos mais jovens que almejavam ingressar na carreira política. A aparente
despreocupação com a busca da verdade e o fato de serem, em sua maioria, estrangeiros,
constituíram os principais motivos que fizeram da escola sofística uma espécie de
antagonista das ideias filosóficas, em especial as de Sócrates. Assim como o filósofo
ateniense, os sofistas deixaram pouquíssimos escritos, no entanto, sabe-se que os seus
discursos caracterizavam-se por uma espécie de relativismo e convencionalismo,
expressos em sua concepção de linguagem entendida exclusivamente como discurso de
convencimento.

Entre os sofistas mais famosos afiguravam-se Protágoras de Abdera (481 a. C.-


420 a. C.) e Górgias de Leôncio (483 a. C. -376 a. C.). O primeiro ficou célebre pelas
implicações de sua máxima: “O homem é a medida de todas as coisas, das que são que
elas são, das que não são que elas não são”. O segundo pelo seu “Tratado do Não Ser” e
“Elogio de Helena”. Muito se discute sobre eles ainda hoje. Eles eram filósofos ou apenas

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enganadores – a exemplo da opinião de Platão presente em seus muitos diálogos
dedicados a esses pensadores ?
A Filosofia de Platão Platão (437 a.C.- 347 a.C.) foi o mais famoso discípulo de
Sócrates e professor de Aristóteles. Em sua fase inicial, seus escritos têm na figura de
Sócrates o seu principal protagonista e caracterizam-se pela crítica ao conhecimento
sensível e na tentativa de reprodução do pensamento socrático. Mais tarde, Platão -
mesmo que a partir dos ensinamentos do mestre – desenvolve as suas três teorias
principais, a saber:
ƒ A teoria das ideias ou formas (apresentada de modo didático no diálogo
“Fédon”) que defende a existência de dois mundos distintos: o sensível e o inteligível;
ƒ A teoria da linha dividida (explicitada na obra “República”), onde propõe uma
hierarquia entre as diferentes formas de conhecimento;
ƒ A teoria da reminiscência da alma, delineado no “Fedro”. A partir do mito da
parelha alada, Platão justifica a educação como um processo de relembramento
(anamnese, em grego), uma vez que, enquanto almas, havíamos contemplado todas as
ideias existentes, mas que foram esquecidas no ato da encarnação.
É importante ressaltar que as duas primeiras teorias foram uma espécie de
resposta aos problemas deixados pelos pré-socráticos Heráclito e Parmênides, isto é, o
impasse entre o mobilismo universal e o imobilismo. E a última, um recurso à crença
pitagórica da mentempsicose e ao papel de “parteiro” do educador, defendida por
Sócrates.

O pensamento platônico é considerado um marco na história da Filosofia, tanto


pela sua complexidade quanto pela abrangência de temas, e sua influência fez-se sentir
não somente na Grécia, com a sua Academia, mas durante todos os longos séculos da
filosofia cristã. Fundada por Platão, por volta de 387 a. C., em Atenas, é considerada a
primeira escola de Filosofia. Seu principal aluno, Aristóteles, ingressou na Academia
com apenas 17 anos de idade e lá permaneceu por 20 anos, vindo mais tarde (em 335 a.
C.) a fundar a sua própria escola, chamada Liceu. Devido à influência pitagórica, a
Academia de Platão atribuía uma grande importância ao estudo da Matemática e, em
seu pórtico de entrada, havia uma inscrição que dizia: “Que não entre quem não souber
geometria”

Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) foi um dos mais importantes filósofos gregos e o
principal representante da terceira fase da história da filosofia grega “a fase sistemática”.
Escreveu uma série de obras que falavam sobre política, ética, moral e outro campos de
conhecimento e foi professor de Alexandre, o Grande (356 a.C-323 a.C.). Aristóteles
nasceu em Estagira, na Macedônia, em 384 a.C. Com 17 anos, partiu para Atenas e
começou a frequentar a Academia de Platão. Por conta do local de seu nascimento o
autor é chamado comumente de "o Estagirita". De origem aristocrática, causou

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admiração pelo seu comportamento requintado e pela sua inteligência. Logo se tornou
o discípulo predileto do mestre, que observou:
“Minha Academia se compõe de duas partes: o corpo dos estudantes e o cérebro de
Aristóteles”.
Com a morte de Platão, em 347 a.C., o brilhante e famoso aluno se considerava o
substituto natural do mestre na direção da Academia. Porém, foi rejeitado e substituído
por um ateniense nato. Decepcionado, deixou Atenas e partiu para Atarneus, na Ásia
Menor – então grega. Foi conselheiro de estado de um antigo colega, o filósofo político
Hermias. Casou com Pítria, filha adotiva de Hermias, mas quando os persas invadiram
o país e mataram seu governante, ficou novamente sem pátria.
Em 343 a.C., foi convidado por Filipe II da Macedônia para preceptor de seu filho
Alexandre. O rei queria que seu sucessor fosse um requintado filósofo. Assim, como
preceptor na corte da Macedônia durante quatro anos, teve a oportunidade de
prosseguir suas pesquisas e desenvolver muitas das suas teorias.
Quando retornou a Atenas, em 335 a.C., Aristóteles decidiu fundar sua própria
escola chamada Liceu por estar situada no edifício dedicado ao deus Apolo Lício. Além
dos cursos técnicos para os discípulos, dava aula ao povo em geral. No Liceu, estudava-
se geometria, física, química, botânica, Astronomia, Matemática, etc. Em 323 a.C., com a
morte de Alexandre Magno, rei da Macedônia, que então dominava a Grécia, Aristóteles
foi acusado de ter apoiado o governo déspota e resolveu abandonar novamente Atenas.
Um ano depois, em 322 a.C., Aristóteles morreu em Cálcis, na Eubeia. Em seu
testamento determinou a libertação dos seus escravos. A influência de Aristóteles sobre
o desenvolvimento da Filosofia no mundo ocidental foi enorme, notadamente na
Filosofia Cristã de São Tomás de Aquino durante a Idade Média. Sua influência se faz
sentir até os nossos dias.

Platão e Aristóteles

Aristóteles, muitas vezes, fez objeções ao idealismo de seu mestre Platão. Para
Platão existem duas categorias de seres: o mundo sensível (aparência) x mundo
inteligível (essência). Assim, nenhum objeto concreto conseguiria representar a si mesmo
na sua totalidade. Somente a ideia garantiria o conhecimento seguro acessado pelo
intelecto, pela razão. Por sua vez, Aristóteles afirmava que só havia um mundo. A
grande diferença era como conhecemos este mundo, pois captaremos por meio dos
sentidos e do intelecto.
A filosofia de Aristóteles abrange a natureza de Deus (Metafísica), do homem
(Ética) e do Estado (Política).

A metafísica foi um termo utilizado por um dos discípulos de Aristóteles,


Andrônico de Rodes, para classificar os textos aristotélicos destinados a estudar a relação
dos seres e suas essências, para além das relações físicas (meta significa "para além").
Aristóteles afirmava que a filosofia primeira (metafísica) se ocupava da investigação "do
ser enquanto ser". Para Aristóteles, Deus não é o Criador, mas o motor do universo. Deus
não pode ser resultado de alguma ação, não pode ser escravo de amo algum.

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Figura - Teatro grego, disponível em: https://www.todamateria.com.br/teatro-
grego/

Durante o período da antiguidade, o teatro foi muito importante para o


desenvolvimento da civilização grega. Ele surge das celebrações feitas ao Deus Dionísio,
das festividades e do vinho. Essa dramatização surge dos ditirambos, ou seja, dos cantos
dedicados ao Deus Dionísio. Esses cultos à Dionísio foram, aos poucos, se elaborando e
ganhando forma. A partir daí, foi nascendo uma nova arte em Atenas por volta de 550
a.C.: o teatro grego. As mulheres não participavam das atuações, pois não eram
consideradas cidadãs.

Figura- Mascaras gregas. Disponível em:


https://www.todamateria.com.br/teatro-grego/

Dessa forma, as máscaras, antes utilizadas como artefatos ritualísticos, podiam


representar personagens de ambos os sexos. A arquitetura dos teatros gregos possuía
como característica marcante as construções ao ar livre, chamadas de teatros de arena.
Em forma de meia-lua, para uma melhor acústica, eles possuíam uma grande
arquibancada para a plateia. Na época clássica, diversos teatros foram construídos na
Grécia. Merecem destaque o Teatro de Delfos e o Teatro de Dionísio.

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A Tragédia grega foi o primeiro gênero teatral que surgiu na Grécia. Depois dela,
surge a comédia e a tragicomédia, ambos gêneros menores, segundo os gregos. Isso
porque na Tragédia os personagens não eram pessoas comuns, como apareceriam nas
comédias. Além disso, os júris da tragédia envolviam pessoas escolhidas da aristocracia,
enquanto na comédia eram pessoas comuns, escolhidas da plateia. As tragédias eram
textos teatrais que apresentavam histórias trágicas e dramáticas derivadas das paixões
humanas as quais envolveriam personagens nobres e heroicas: deuses, semideuses e
heróis mitológicos. A Tragédia Grega foi um dos gêneros teatrais (ou dramáticos) mais
encenados durante a Grécia Antiga. É considerada o gênero teatral mais antigo, dos
quais se destacam os dramaturgos gregos: Ésquilo (524-456 a.C.), Sófocles (496-406 a.C.)
e Eurípedes (480-406 a.C.).
Do grego, a palavra tragédia (tragoedia) é composta pelos vocábulos, “tragos”
(bode) e “oidé”, (canção), e significa “canção ao bode”. Isso explica a relação com a
origem do termo, posto que durante as celebrações realizadas ao Deus Dionísio, um
bode era sacrificado como oferenda. Por outro lado, a palavra tragédia pode estar
relacionada com o figurino de sátiros (figura mitológica metade humano e metade de
bodes) que alguns homens utilizavam durante as celebrações.

Do Grego, o termo comédia (komoidia), significava um “espetáculo divertido”.


Trata-se, portanto, de um gênero teatral crítico baseado em sátiras, e que abordava
diversos aspectos da sociedade grega de maneira cômica. Vale lembrar que ela era
considerada pelos clássicos como um gênero menor em relação à tragédia. Os júris da
comédia não eram aristocratas, como na tragédia. Dessa forma, eles eram formados por
três pessoas da plateia. Para o filósofo grego Aristóteles, a tragédia era um gênero maior,
que representava os homens "superiores". Já a comédia representava os fatos cotidianos
e, por isso, era apresentada por homens "inferiores", ou seja, os cidadãos da Pólis. Dos
dramaturgos desse gênero, destaca-se Aristófanes.

1- A arte teatral grega se iniciou quando um homem chamado Téspis resolveu usar
uma máscara de Dioniso para interpretar o papel desse deus, conversando com o
coro. Naquele momento, Téspis se comportou como um:

a) diretor de teatro.
b) ator.
c) dançarino.
d) filósofo.
e) músico.

2- No teatro grego a tragédia e a comédia eram os dois principais gêneros teatrais,


sobre os quais é correto afirmar:

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01) Nas apresentações das tragédias os atores usavam máscaras de couro, pano ou
madeira. Além de auxiliar na amplificação da voz, a máscara também permitia que o
mesmo ator fizesse mais de um personagem durante a peça, sem revelar sua identidade
ao público.

02) As comédias eram valorizadas pois proporcionavam ao público de classe social


menos favorecida momentos de diversão. Com esse intuito a comédia consagrou
dramaturgos como Ésquilo, Sófocles e Eurípides.

04) Nas tragédias, além dos atores, um elemento fundamental do espetáculo era o coro,
formado por um grupo de pessoas que faziam comentários, reflexões ou falas para,
inclusive, explicar acontecimentos anteriores.

08) Na tragédia grega a figura do herói é caracterizada por sempre cometer uma falha
trágica que desencadeia o fio condutor do espetáculo. Esse recurso objetiva mostrar a
falha de caráter inerente a todo ser humano.

16) Tanto na comédia como na tragédia o ponto central era a improvisação. Era comum
os atores pararem no meio das peças para falar diretamente ao público, pedir sua opinião
e sugerir sua participação nelas.

O conhecimento que se baseia nos mitos tem como característica principal ser
fabuloso. É um conhecimento que advém de uma tradição oral, das narrativas míticas.
Na Grécia antiga, a transmissão desses conhecimentos era tarefa dos poetas-rapsodos.
Essas narrativas remontam histórias sobre o início dos tempos. Dão conta de explicar de
maneira fantasiosa, a origem do mundo e de tudo o que é relevante para a vida daquele
grupo de indivíduos.
Criam-se laços e desenvolvem a ideia de pertencimento a uma comunidade por
partilharem um passado comum. Os mitos atuam como uma memória partilhada,
repleta de imagens de fácil associação e compreensão. Baseadas na crença, as narrativas
míticas reforçam, de forma ilógica e contraditória, imagens e constroem uma consciência
coletiva. A consciência mítica está baseada na crença de que são representações fiéis da
realidade.

A Religião partilha com os tipos de conhecimento o objetivo de explicar o


universo em sua formação e totalidade. A particularidade do conhecimento religioso é
seu embasamento na fé, na crença nas revelações divinas e em seus textos sagrados
oriundos dessas revelações. Com base na fé, a união entre o conhecimento e as religiões,
chamado de teologia, visa estruturar sistemas de conhecimento baseados em verdades
não-demonstráveis e indubitáveis, chamados de dogmas. A religião garante a ligação
entre o que é humano e o que é divino.

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Esses dogmas reforçam um ato de conhecimento comum na religião: a divisão
entre o que é profano e observável e o que é sagrado e misterioso. A partir dessa ideia,
há uma hierarquização dessa divisão, que confirma o poder divino sobre os indivíduos.

O Conhecimento oriundo do senso comum, algumas vezes chamado


de conhecimento empírico, é baseado na generalização de eventos ou interpretações
particulares, tomadas como regra. É um saber básico e superficial das coisas, sem provas
nem demonstração. O senso comum está fundamentado na crença em informações
inverificadas. É um conhecimento transmitido de pessoa para pessoa que, ao final,
constrói todo um sistema de crenças, muitas vezes contraditórias ou preconceituosas.
Apesar de possuir uma lógica frágil e uma interpretação parcial das relações de
causa e efeito, o saber popular do senso comum vem sendo objeto de estudo de diversas
áreas da ciência. A pós-modernidade é responsável pelas críticas à ciência tradicional,
que despreza os saberes construídos de maneira espontânea e popular. Algumas
correntes das ciências contemporâneas buscam uma reconciliação entre a ciência e o
senso comum.

A ciência é, em si mesma, uma área devotada a construção do conhecimento. A


palavra ciência tem origem no latim scientia que pode ser traduzido como
"conhecimento".
Sendo assim o que caracteriza e distingue o conhecimento científico dos demais
é o método. O método científico cumpre a função de impedir ou reduzir ao máximo todo
o tipo de erro ou ambiguidade. O conhecimento científico possui uma pretensão de
verdade a partir da verificação e da validação de seu método.

Figura método científico Disponível em:


https://www.todamateria.com.br/tipos-conhecimento/

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O método científico visa a reprodução e a aplicação dos saberes. A partir do
controle de todas as etapas da investigação espera-se que os resultados possam ser
repetidos e demonstrados diversas vezes, sempre que respeitadas as suas condições.

O conhecimento filosófico mudou a forma de compreensão de si mesmo ao longo


do tempo. Desde os filósofos pré-socráticos na Grécia Antiga até a filosofia produzida
atualmente, muitas alterações ocorreram, como o modo de conceber o mundo.

Escola de Atenas (1511), obra de Rafael, que retrata diversos pensadores. Ao centro, Platão aponta para o céu
(representando o mundo das ideias) e Aristóteles aponta para o chão (representando a política). Ambos cercados por
vários pensadores e personalidades de diversos períodos

A filosofia e a ciência caminham juntas no rigor, na necessidade lógica e no uso


da razão. Entretanto, o método científico, apesar de ter sido produzido filosoficamente,
não se aplica integralmente à produção de conhecimento filosófico. A atividade filosófica
é uma reflexão crítica sobre as bases que tornam todas as formas de conhecimento
possíveis. E, para além disso, volta-se também para a reflexão crítica sobre sua própria
atividade e construção. Abaixo temos um quadro resumindo as características de cada
tipo de conhecimento

Disponível em: https://www.todamateria.com.br/tipos-conhecimento/

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