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Resultado Bruto e Custo de Mercadorias

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Rachel Sobrinho
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Operaes com Mercadorias

1. Resultado Bruto com Mercadorias (RCM) Resultado Bruto com Mercadorias, ou Resultado com Mercadorias a diferena total entre as Receitas obtidas pelas Vendas e o Custo dessas mercadorias que foram vendidas. Essa diferena bruta no leva em considerao as demais Receitas e Despesas da empresa, como Receitas de Juros, Despesas com Aluguis, Salrios, Impostos etc. Elas aparecem quando se deseja conhecer o Resultado Lquido do Exerccio. O conhecimento desse Resultado Bruto de grande importncia para as empresas comerciais que trabalham com Compra e Venda de Mercadorias; depois de apurado, adicionamos a ele as demais Receitas, e dessa soma sero subtradas as demais Despesas para se obter o Resultado Lquido. Resultado com Mercadorias = Vendas Custo das Mercadorias Vendidas Resultado Lquido do Perodo = Resultado com Mercadorias + Outras Receitas Outras Despesas Poderamos elaborar uma Demonstrao de Resultados de forma dedutiva: se, por exemplo, no fim do ano de 19X9, a Cia. A apresentasse os seguintes valores: Vendas do Ano Custo das Mercadorias Vendidas Receitas de Juros Despesas de Salrios Despesas Diversas 150.000 105.000 1.000 15.000 6.000

poderamos construir uma Demonstrao de sua conta de Resultado de forma dedutiva: Demonstrao de Resultados do ano de 1979 da Cia. A Vendas 150.000 (-) Custo das Mercadorias Vendidas (105.000) 45.000 (=) Resultado Bruto com Mercadorias Lucro Bruto 1.000 (+) Receitas de Juros Soma 46.000 Menos Despesas de Salrios 15.000 Despesas Diversas 6.000 (21.000) Resultado Lquido do Exerccio 25.000 Lucro lquido

Se o Resultado Bruto for positivo, isto , se as Vendas forem maiores do que o Custo das Mercadorias Vendidas, teremos Lucro Bruto com Mercadorias, se for negativo, teremos Prejuzo com Mercadorias. No final, aps computadas as demais Receitas e Despesas, ser obtido o Resultado Lquido do Exerccio, que pode ser Lucro ou Prejuzo do Exerccio.

2. Custo das Mercadorias Vendidas No exemplo anterior, fornecemos o CMV como valor dado. De que forma foi apurado De que maneira se pode calcular o valor do Custo das Mercadorias que vendemos? Basicamente, existem dois sistemas: [Link] Peridico quando efetuamos as vendas sem um controle paralelo e concomitante de nosso Estoque e, portanto, sem controlar o Custo das Mercadorias Vendidas. Quando necessitamos apurar o Resultado obtido com a venda das Mercadorias (RCM), fazemos um levantamento fsico para avaliao do Estoque de Mercadorias existente naquela data; e pela diferena entre o total das Mercadorias disponveis para a venda durante o perodo e esse Estoque Final (apurado extracontabilmente), obtemos o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) desse perodo. 02. Inventrio Permanente quando controlamos de forma contnua o Estoque de Mercadorias, dando-lhe baixa em cada venda, pelo custo dessas Mercadorias Vendidas (CMV). Esse controle permanente efetuado sobre todas as Mercadorias que estiverem disponveis para venda, isto , esse controle efetuado sobre as Mercadorias Vendidas (CMV) e sobre as Mercadorias que no foram vendidas (Estoque Final). Pela soma dos Custos de todas as vendas, teremos o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) total do perodo. No Inventrio Permanente, que ser exposto a seguir, pode-se utilizar uma Ficha de Controle para se conhecer o saldo em Estoque. Mas no Peridico s possvel obter tal saldo com averiguao das existncias fsicas.

3. Inventrio Permanente Nas mdias e grandes empresas, principalmente, h a necessidade de controle contnuo do valor do estoque de Mercadorias. Consegue-se isso fazendo com que haja a baixa, em cada venda, do custo da mercadoria vendida. 3.1 Contabilizao Nesse sistema, temos, preferencialmente, que registrar todas as compras diretamente na conta de Mercadorias. Contabilizao na compra: Mercadorias a Fornecedores (ou Caixa) Na venda, porm, h necessidade de dois lanamentos: Cliente (ou Caixa) a Vendas (pelo valor da venda) (conta de receita) e Custo das Mercadorias Vendidas (conta de despesa)

a Mercadorias (pelo valor do custo das mercadorias vendidas) Dessa forma, aps cada operao de venda e sua contabilizao, teremos a conta de Vendas atualizada, a de CMV com o total do custo acumulado at a data e a de Mercadorias refletindo o valor exato do estoque. O encerramento se faz, normalmente, com a transferncia das contas de Vendas e CMV para Resultado. 3.2 Registros detalhados de Estoque No Sistema do Inventrio Permanente, o controle do estoque de Mercadorias pode ser simplificado com o uso de ficha de controle. Seu modelo varia de acordo com as necessidades de cada empresa. Mostramos, a seguir, um bastante simplificado, que registra as seguintes movimentaes: Dia 01.06.X9 Estoque inicial de Mercadorias (Ventiladores) de $ 10.000 dez unidades compradas a $ 1.000 cada uma; 02.06.X9 Venda de seis unidades por $ 8.000; 10.06.X9 Compra de quatro unidades a $ 1.000 cada uma; 23.06.X9 Venda de seis unidades por $ 8.500. Contabilizao: Em 02.06.X9 e b) CMV a Mercadorias Em 10.06.X9 c) Mercadorias a Caixa d) Caixa a Vendas e) CMV a Mercadorias 6.000 (pelo valor do custo) ficha

a) Caixa a Vendas

8.000 (pelo valor da venda)

4.000

Em 23.06.X9 e

8.500

6.000 (ficha)

Ficha de Controle de Estoque Mercadorias: Ventiladores Entrada Sada Saldo Data Valor Valor Valor QuantiQuantiQuanti19x9 Unitrio Total $ Unitrio Total $ Unitrio Total $ dade dade dade $ $ $ 1-6 10 1.000 10.000 2-6 6 1.000 6.000 4 1.000 4.000 10-6 4 1.000 4.000 8 1.000 8.000 23-6 6 1.000 6.000 2 1.000 2.000 Soma 4 4.000 12 12.000 2 1.000 2.000

Nessa ficha, na coluna Total da Entrada, figura o registro das Compras; e na coluna Total da Sada, o valor de Custo das Mercadorias Vendidas. A empresa tem a possibilidade de fazer um s lanamento pelo total do CMV do perodo. Dessa forma, s dar baixa das vendas no dia da apurao do resultado, o que vai provocar a no atualizao constante da conta Mercadorias. Isto, todavia, no acarreta maiores problemas, pois, se a ficha estiver atualizada (o que no s desejvel, mas tambm imprescindvel na maioria das vezes), no h a contabilizao do custo de cada venda. Fazendo lanamentos globais para o perodo economizam-se, inclusive, trabalho e tempo, sem prejuzo da acurcia do sistema. Na prtica de hoje, todavia, com a completa informatizao, mesmo empresas de pequeno e mdio porte no conseguem ter esse controle de forma contnua e seus sistemas so integrados, com a contabilizao concomitante das vendas e dos custos das mercadorias vendidas diariamente. Tenhamos em mente que se trata de uma possibilidade a ser utilizada ou no, conforme o interesse e necessidade da entidade e de seu Sistema de Contabilidade. Os lanamentos, no caso do exemplo anterior, se feitos de forma sinttica, seriam: Em 02.06.X9 Caixa a Vendas 8.000 Em 10.06.X9 Mercadorias a Caixa 4.000 Em 23.06.X9 Caixa a Vendas 8.500 Em 30.06.X9 CMV a Mercadorias 12.000 (conforme soma na Ficha de Controle)
Observao O que importa ter, a qualquer momento, o valor do CMV e estoque, sem que seja necessrio proceder ao levantamento fsico. Para isso, basta consultar a Ficha de Estoque. Note que o lanamento da baixa est efetuado no ltimo dia do ms.

4. Atribuio de Preos aos Inventrios Sabemos que vrios fatores influenciam os preos de todo o tipo de Mercadorias: concorrncia, variaes do ndice geral de preos (inflao e deflao), tabelamento imposto pelo governo etc. E, com isso, dificilmente teremos durante o perodo compras feitas pelo mesmo preo. Normalmente, este variar, dando origem ao problema da avaliao do Inventrio e, consequentemente, do Custo das Mercadorias Vendidas. Dever ser dado ao Estoque Final o valor baseado nas ltimas compras? Na mdia das compras do perodo? Na mdia das compras do ltimo ms? No valor corrente dessas mercadorias? 4.1 Variaes com Relao aos Diversos Custos Devem ser analisadas todas as possibilidades de atribuio de valor, sempre com base no custo (valor de aquisio). As principais so as que se acham relacionadas a seguir. 4.1.1 Preo Especfico

Quando possvel fazer a determinao do preo especfico de cada unidade em estoque, pode-se dar baixa, em cada venda, por esse valor; com isso, no Estoque Final, seu valor ser a soma de todos os custos especficos de cada unidade ainda existente. Exemplo: existem em Estoque (valor inicial) cinco automveis usados adquiridos de uma frota de txi por $ 13.000 cada um; ao iniciarmos o perodo novo, s~]ao comprados mais trs, de outra frota por $ 15.000 cada um, e logo em seguida so vendidos dois, por $ 16.000 cada um, porm sabendo-se que um pertence ao lote inicial e o outro foi adquirido no perodo. Daremos, nesse caso, baixa como Custo das Mercadorias Vendidas, do valor especfico da compra de cada um ($ 13.000 + $ 15.000). A Ficha de Controle de Estoque, se adotada, ficaria conforme modelo adiante. Tal tipo de apropriao de custo, entretanto, somente possvel em alguns casos onde a quantidade, ou o valor, ou a prpria caracterstica da mercadoria o permite (isto feito, por exemplo, nesse comrcio de carros usados). Na maioria das vezes no possvel ou economicamente conveniente a identificao do custo especfico de cada unidade. Ficha de Controle de Estoque Preo Especfico Mercadorias: Automveis Usados Entrada Sada Saldo Data Valor Valor Valor QuantiQuantiQuanti19x9 Unitrio Total $ Unitrio Total $ Unitrio Total $ dade dade dade $ $ $ 1-3 5 13.000 65.000 2-3 3 15.000 45.000 5 13.000 65.000 3 15.000 45.000 8 110.000 3-3 1 13.000 13.000 4 13.000 52.000 1 15.000 15.000 2 15.000 30.000 2 28.000 6 82.000

4.1.2 PEPS OU FIFO Com base nesse critrio, daremos baixa no custo da seguinte maneira: o Primeiro que Entra o Primeiro que Sai (tambm conhecido por FIFO first-in-first-out). Assim, medida que ocorrerem as vendas, vamos dando baixa a partir das primeiras compras, o que equivaleria ao raciocnio de que vendemos primeiro as primeiras unidades compradas. Exemplo: se tivermos um estoque inicial, em 01.09.X9, composto de 30 unidades de carros novos (iguais), adquiridos por $ 40.000 cada um, num total de $ 1.200.000 e no ms ocorrerem as seguintes movimentaes: 02.09 Compra de 10 unidades por $ 42.000 cada uma; 03.09 Venda de 03 unidades por $ 50.000 cada uma; 04.09 Venda de 28 unidades por $ 45.000 cada uma; 05.09 Compra de 05 unidades por $ 41.000 cada uma; 06.09 Venda de 10 unidades por $ 48.000 cada uma; faremos com que a baixa de cada venda seja feita pelo preo de custo mais antigo em estoque (o primeiro que entra o primeiro que sai) (essa movimentao financeira no precisa estar atrelada ao fluxo fsico, se esses automveis forem realmente iguais entre si):

Ficha de Controle de Estoque Peps Automveis Novos Entrada Sada Data Valor Valor QuantiQuanti19x9 Unitrio Total $ Unitrio dade dade $ $ 1-9 2-9 10 42.000 420.000 3-9 3 40.000 4-9 27 1 40.000 42.000

Total $

Quantidade 30 30 10 27 10 9 9

120.000 1.080.00 0 42.000

Saldo Valor Unitrio Total $ $ 40.000 1.200.000 40.000 1.200.000 42.000 420.000 42.000 1.080.000 42.000 420.000 42.000 42.000 41.000 41.000 41.000 378.000 378.000 205.000 164.000 164.000

5-9 5 6-9 Soma 15 625.000 41.000 205.000

5 9 1 41 42.000 41.000 378.000 41.000 1.661.00 0 4 4

O CMV total do perodo (01 a 06/09) ser, portanto, de $ 1.661.000 e o valor do estoque, $ 164.000. Com base nesse critrio teremos, sempre, um valor de estoque baseado nas compras mais recentes e o do CMV nas mais antigas. 4.1.3 UEPS ou LIFO Pode-se fazer o contrrio do sistema anterior, dando como custo o valor da ltima mercadoria entrada; assim, a ltima a Entrar a Primeira a Sair UEPS (ou LIFO, last-in-firstout). Usando a mesma movimentao do exemplo anterior, teramos: Ficha de Controle de Estoque Ueps Automveis Novos Entrada Sada Data Valor Valor QuantiQuanti19x9 Unitrio Total $ Unitrio dade dade $ $ 1-9 2-9 10 42.000 420.000 3-9

Total $

Saldo Valor QuantiUnitrio Total $ dade $ 30 40.000 1.200.000 30 40.000 1.200.000 10 30 42.000 420.000 40.000 1.200.000

4-9 5-9 5 6-9 Soma 15 625.000 41.000 205.000

3 7 21

42.000 42.000 40.000

126.000 294.000 840.000

7 9 9 5

42.000 40.000 40.000 41.000 40.000 40.000

294.000 360.000 360.000 205.000 160.000 160.000

5 5 41

41.000 40.000

205.000 200.000 1.665.00 0

4 4

O CMV ser, agora, de $ 1.665.000, e o valor do estoque final $ 160.000. O CMV estar baseado nas compras mais recentes, e o estoque final nas mais antigas. 4.1.4 Mdia Ponderada Mvel Para evitar o controle de preos por lotes, como nos mtodos anteriores e para fugir aos extremos, existe a possibilidade de se dar como custo o valor mdio das compras. Esse valor mdio bastante alto em sentido, pois pode ser a mdia das compras do perodo ou do ltimo ms etc. O mais utilizado, entretanto, e mais lgico tambm, o valor mdio do custo existente. Chama-se Ponderada Mvel, pois o valor mdio de cada unidade em estoque altera-se pela compra de outras unidades por um preo diferente. Assim, ele se calculado dividindo-se o custo total do estoque pelas unidades existentes. Fazendo-se o controle por esse critrio da movimentao, j utilizado para exemplo, teremos: Ficha de Controle de Estoque MPM Automveis Novos Entrada Sada Data Valor Valor QuantiQuanti19x9 Unitrio Total $ Unitrio dade dade $ $ 1-9 2-9 10 42.000 420.000 3-9 3 40.500 4-9 28 40.500 5-9 6-9 Soma 5 15 41.000 205.000 625.000 10 41 40.678 406.780 1.662.28 0

Total $

Quantidade 30 40 37 9 14 4 4

121.500 1.134.00 0

Saldo Valor Unitrio Total $ $ 40.000 1.200.000 40.500 1.620.000 40.500 1.498.500 40.500 364.500 40.678 40.678 40.678 569.500 162.720 162.720

1 - $ 1.620.000 : 40 = 40.500 2 - $ 569.000 : 14 = 40.678

O CMV apurado foi de $ 1.662.280, e o estoque final, $ 162.720. 4.1.5 Diferena entre os Mtodos

No exemplo utilizado, para os trs critrios apresentados, as vendas foram: 03.09 03 unidades a $ 50.000 = $ 150.000,00 04.09 28 unidades a $ 45.000 = $ 1.260.000,00 06.09 10 unidades a $ 48.000 = $ 480.000,00 Total das Vendas = $ 1.890.000,00 Comparando-se os resultados obtidos pelos critrios apresentados, temos: Peps ou Fifo Ueps ou Lifo Mdia Ponderada Mvel Vendas 1.890.000 Vendas 1.890.000 Vendas 1.890.000 (-) CMV 1.661.000 (-) CMV 1.665.000 (-) CMV 1.662.280 Resultado 229.000 Resultado 225.000 Resultado 227.720 Estoque Final 164.000 Estoque Final 160.000 Estoque Final 162.720

Vemos assim que, se trs empresas tivessem adquirido mercadorias nas mesmas qualidades, pelos mesmos preos, e vendido nas mesmas condies, suas situaes reais seriam as mesmas, com a mesma quantidade de estoque, porm suas demonstraes financeiras seriam diferentes, porque usaram critrios tambm diferentes, embora todos se baseassem no custo de aquisio. Critrios diferentes levam a valores de estoque e resultados lquidos tambm diferentes.

5. Consideraes Adicionais sobre o Inventrio O inventrio deve abranger, como regra geral, todas as mercadorias de propriedade da empresa, quer estejam em seu poder, quer sob a custdia de terceiros, excludas, porm, as mercadorias de terceiros que estejam em poder da empresa. Portanto, a incluso de mercadorias no inventrio deve basear-se, como regra geral, no critrio da propriedade e no no da posse. Ateno tambm deve ser dada, por ocasio dos inventrios, mercadoria que est em trnsito do vendedor para a empresa, ou em trnsito da empresa para o comprador. Nesses casos, as condies contratuais e o momento exato da liberao despacho que vo determinar a incluso ou no da mercadoria no inventrio da empresa. Na operao de Consignao, o consignante mantm a propriedade da mercadoria at que o consignatrio a venda. Assim, quando aquele remete a mercadoria para este, no registro de venda no consignante nem de compra no consignatrio. Quando o consignatrio vender a mercadoria, a sim este far, ao mesmo tempo, o registro da compra e, concomitantemente, o da venda. Tudo porque o consignatrio poder devolver a mercadoria e nada lhe poder ser cobrado pelo consignante. 6. Inventrio Peridico Quando no efetuado o controle contnuo do Estoque de Mercadorias e, tampouco, do CMV, para determinao desse ltimo necessrio fazer a deduo: CMV = Total das Mercadorias Disponveis para Venda Estoque Final. Se tivssemos: (a) iniciado as atividades do perodo sem estoque no primeiro dia de exerccio; (b) comprado $ 104.500 de Mercadorias (valor total); e (c) um Estoque Final de $ 22.500 (avaliado a preo de custo), calcularamos: Total das Mercadorias Disponveis para Venda no Perodo = Total da Compras = $ 104.500;

CMV = $ 104.500 - $ 22.500 = 82.000 Se, entretanto, ao se iniciar o perodo, houvesse j em estoque $ 23.000 de Mercadorias, teramos: Total Disponvel para Venda = Estoque Inicial + Compras logo, CMV = Estoque Inicial + Compras Estoque Final CMV = 23.000 + 104.500 22.500 = 105.000 Poderamos fazer a seguinte Demonstrao de Resultado na forma dedutiva: Demonstrao de Resultado da Cia. A para o ano de 19X9. Vendas (-) CMV: Estoque inicial (+) Compras do Perodo Mercadorias Disponveis para Venda (-) Estoque Final Lucro Bruto (+) Receitas de Juros (-) Despesas de Salrios (-) Despesas Diversas Lucro Lquido do ano 150.000 23.000 104.500 127.500 (22.500)

Soma 15.000 6.000

(105.000) 45.000 1.000 46.000 (21.000) 25.000

6. Contabilizao do Inventrio Peridico J sabemos que, para a apurao do Resultado com Mercadorias (RCM), no caso do Inventrio Peridico, precisamos do levantamento fsico do Estoque, o que, portanto, nos oferece uma informao extracontbil. Sabemos, tambm, como apurar o RCM aps estarmos de posse desse dado, porm apenas por meio de aplicao das frmulas: CMV = EI + C EF e RCM = V CMV necessrio, no entanto, que contabilizemos essa apurao de RCM, pois a conta Mercadorias precisa ter teu saldo correto, com o valor do Estoque no ltimo dia do perodo, para apresentao em Balano. E Resultado com Mercadorias tambm dever apresentar o Resultado Bruto obtido, para ser transferido para Resultado onde, depois de lanadas as demais Receitas e Despesas, ter-se- o Resultado Final do Perodo. Podemos contabilizar todas as operaes mercantis abrindo uma conta para cada tipo de operao, ou seja, uma para registrar Compras, outra para Vendas e uma terceira, normalmente Mercadorias, para o Registro do valor do Estoque. So essas as trs contas bsicas, utilizadas no perodo: Compras, Vendas e Mercadorias. Exemplo: suponhamos a existncia de um estoque inicial, no primeiro dia do perodo, de $ 67.000. Quando efetuamos uma compra, lanamos seu valor a dbito da conta Compras. Compras a Fornecedores (ou Caixa) Se tivssemos feito uma compra total no perodo, de $ 123.000, essa conta apresentaria o saldo com esta importncia.

Quando procedemos venda, lanamos a operao por seu valor total de venda; assim: Clientes (ou Caixa) a Vendas Se o total de vendas do perodo fosse de $ 98.000, seria esse o saldo dessa conta ao final do perodo. A conta Mercadorias permanece intacta durante o perodo e seu saldo, depois da primeira compra ou venda, j no representa o valor do estoque existente; continuar com o valor do estoque de Mercadorias encontrado por ocasio do ltimo Inventrio realizado. Para apurarmos no algebricamente, mas de forma contbil, o valor do CMV, basta transferirmos para uma conta adequada, que vamos chamar de Custo de Mercadorias Vendidas, os trs valores que o compem. Assim, sero transferidos, a seu Dbito, os valores do Estoque Inicial e das Compras e, a seu Crdito, os do Estoque Final. CMV = EI + C EF (Dbito) (Dbito) (Crdito) lgico que no existem as contas chamadas Estoque Inicial e Final; estes so valores da conta de Mercadorias, quando referentes ao incio ou ao fim do perodo. Assim, os lanamentos para apurao do CMV ficaro: Custo das Mercadorias Vendidas a Diversos a Mercadorias (pelo valor do estoque inicial) a Compras (pelo saldo) e Mercadorias a Custo das Mercadorias Vendidas (pelo valor do estoque final) Bastaria, agora, transferirmos Vendas e CMV para o Resultado.

7. Contabilizao de Fatos que alteram os valores de Compras e Vendas 7.1 Devolues e Abatimentos Para o vendedor a devoluo e o abatimento da mercadoria vendida devero, de preferncia, ser registrados em contas prprias. No caso de Devoluo: Devoluo de Vendas a Caixa (ou Clientes) e Mercadorias a CMV (pelo retorno das mercadorias) Este lanamento pode deixar de ser feito se o registro da reentrada das mercadorias for efetuado adequadamente na ficha de controle de estoques. Afinal, o ajuste se dar automaticamente quando se fizer o lanamento do CMV do perodo, por simples diferena.

E, no caso de Abatimento: Abatimento sobre Vendas a Caixa (ou Clientes) Os saldos de tais contas de Devolues e Abatimentos, no fim do perodo, sero jogados contra o saldo de Vendas, para apurao do valor das Vendas Lquidas: Vendas a Diversos a Devoluo de Vendas a Abatimento sobre Vendas Para o comprador a devoluo ou o abatimento alteram o valor de suas compras; na mesma forma que no caso do vendedor, dever ele abrir, de preferncia, contas especficas para tais fatos, para com isso obter melhores informaes> Em seu caso, os lanamentos ficaro: Na Devoluo: Fornecedores (ou Caixa) a Devolues de Compras No Abatimento: Caixa (ou Fornecedores) a Abatimentos sobre Compras No final do ms ou do perodo, os saldos de tais contas sero lanados na de Compras, se estiver utilizando o Inventrio Peridico, ou na de Mercadorias, se estiver usando o Inventrio Permanente. No Peridico: Diversos a Compras Devolues de Compras Abatimentos sobre Compras No Permanente: Diversos a Mercadorias Devoluo de Compras Abatimento sobre Compras

7.2 Descontos Comerciais Descontos Comerciais so os concedidos pelo vendedor em favor do comprador, no ato da compra, em funo de vrios motivos: seja pela grande quantidade que est sendo vendida, seja porque o comprador cliente especial, ou, ainda, porque a empresa imprime catlogos com os preos das mercadorias e, para no alter-los, frequentemente faz a aplicao de percentagens de desconto sobre os mesmos etc.

Tais descontos so diferentes de Abatimentos. Enquanto estes so concedidos aps a venda, em funo de avaria ou outro motivo descoberto a posteriori, os Descontos Comerciais j so contratados no ato da venda, quando ficam conhecidos em seu montante. O procedimento mais comum seu no-registro na contabilidade do comprador e do vendedor, com o registro da compra e da venda diretamente pelo valo lquido. Caso, porm, haja necessidade ou interesse da empresa em deixar registrados tais Descontos Comerciais, proceder-se- com eles na mesma forma que no caso das Devolues e Abatimentos, com a abertura de contas especficas de Descontos Comerciais sobre Vendas ou Descontos Comerciais Concedidos, para o vendedor, e Descontos Comerciais sobre Compras ou Descontos Comerciais Obtidos, para o comprador. 7.3 Gastos com Transportes e Outros O custo real de uma mercadoria adquirida no somente o constante da nota fiscal, mas o resultante da soma deste com todos os gastos necessrios para a colocao do produto em condies de venda. Normalmente, sero os custos de fretes os que aparecero com maior freqncia. Seu registro feito, normalmente, a dbito de conta prpria. Gastos com Transportes em Compras a Caixa (ou Contas a Pagar) No Inventrio Peridico, essa conta ir, no encerramento, aumentar o saldo de Compras e, na Demonstrao de Resultados de forma dedutiva, aumentar o total das Compras. No caso, entretanto, de Despesas com Transportes nas Vendas, devem ser lanadas como despesas normais do perodo, a serem computadas na apurao do resultado lquido. Despesas com Transportes/Vendas a Caixa (ou Contas a Pagar)

7.3 Descontos Financeiros Os Descontos Financeiros (no confundir com Descontos Comerciais e, tampouco, com Abatimentos) so os prmios oferecidos pelo vendedor ao comprador, por um pagamento antecipado de dvidas assumidas com transaes de Mercadorias. Por exemplo, o vendedor indica na nota fiscal ou na duplicata, que o valor da dvida X e que ser cobrada dentro de 90 dias, por seu prprio valor; se o valor for pago dentro de 60 dias, o comprador gozar de um desconto de 3% e de um desconto de 5% se paga dentro de 30 dias. Essas porcentagens variam de acordo com o interesse do credor em receber com antecipao, bem como variam as condies, sendo que h os que concedem, inclusive, desconto em favor dos que fazem o pagamento no prprio dia do vencimento. Se o valor da venda for de $ 10.000, para pagamento em 60 dias, com 5% de desconto se o pagamento for em 30 dias, e o cliente aproveitar tal prmio, a contabilizao ficar assim: No Comprador: Fornecedores a Diversos a Caixa

9.500

a Descontos Financeiros Obtidos

500

10.000

No Vendedor Diversos a Clientes Caixa 9.500 Descontos Financeiros Concedidos 500

10.000

Devem ser abertas contas especiais para Descontos Financeiros Obtidos e Concedidos. Quanto ao tratamento para elas, h grandes divergncias. Muitos autores deduzem tais descontos dos valores de Vendas e de Compras, exatamente como fizemos com Devolues, Abatimentos e Descontos Comerciais. Normalmente, todavia, seus saldos so transferidos diretamente para a conta de Resultado, e a demonstrao dedutiva ficar: Vendas (-) Custo das Mercadorias Vendidas Lucro Bruto (+) Descontos Financeiros Obtidos Soma (-) Descontos Financeiros Concedidos (-) Despesas Diversas Lucro Lquido $ 10.000 $ 7.000 $ 3.000 $ 340 $ 3.340 $ (50) $ (190) $ 3.100

Esse tratamento o mais utilizado no Brasil, inclusive por exigncia fiscal.

Exerccio Resolvido As operaes do ms de outubro de 20X0 da Cia. C foram: 01-10 Compra de Mercadorias, a vista - $ 6.500 02-10 Venda de Mercadorias, a prazo, $ 8.000, houve um Desconto Comercial nessa venda, em funo da quantidade; o valor normal da venda seria de $ 8.600; 05-10 Devoluo de parte das vendas do dia 02, $ 1.200; 06-10 Compra de Mercadorias a Prazo, $ 8.000; 07-10 Devoluo de parte das Mercadorias compradas em 06-10, $ 500; 08-10 - Abatimento obtido sobre o restante da compra de 06-10, por danificao da embalagem, $ 800; 09-10 Venda a Prazo de Mercadorias, $ 6.000; 10-10 Pagamento de fretes sobre as compras do dia 06-10, $ 1.000; 15-10 Pagamento de compra feita em 06-10, com desconto de 5% sobre o total, feito pelo lquido de $ 6.365; 20-10 Abatimento concedido sobre a venda de 09-10, $ 1.000; 22-10 Recebimento lquido da venda de 09-10, com desconto de 3% sobrfe a dvida inicial, $ 4.820; 30-10 Pagamento das despesas do ms, $ 1.500.

Pede-se: Sabendo que o Estoque Final de Mercadorias foi avaliado em $ 3.500 e que o Inicial era de $ 4.000: a) fazer os lanamentos dos livros Dirio e Razo das operaes do ms (usando as trs contas bsicas); b) idem com relao aos ajustes e encerramento; c) elaborar a Demonstrao de Resultado de forma dedutiva. Soluo: Salvador, 01 de outubro de 20X0 Compras a Caixa - 02 Clientes a Vendas - 05 Devoluo de Vendas a Clientes - 06 Compras a Fornecedores - 07 Fornecedores a Devoluo de Compras - 08 Fornecedores a Abatimentos sobre Compras - 09 Clientes a Vendas - 10 Fretes sobre Compras a Caixa - 15 Fornecedores a Diversos a Caixa 6.365 a Descontos Financeiros Obtidos 335 - 20 Abatimentos sobre Vendas a Clientes

6.500

8.000

1.200

8.000

500

800

6.000

1.000

6.700

1.000

- 22 Diversos a Clientes Caixa 4.820 Descontos Financeiros Concedidos 180 5.000

- 30 Despesas Diversas a Caixa AJUSTES - 30 Custo das Mercadorias Vendidas a Diversos a Mercadorias (EI) 4.000 a Compras 14.500 - 30 Diversos a Custo das Mercadorias Vendidas Devolues sobre Compras 500 Adiantamentos sobre Compras 800 - 30 Custo das Mercadorias Vendidas a Fretes sobre Compras - 30 Mercadorias - EF a Custo das Mercadorias Vendidas ENCERRAMENT O - 30 Resultado a Custo das Mercadorias Vendidas - 30 Vendas a Resultado - 30 Resultado a Diversos a Devoluo sobre Venda 1.200 a Abatimentos sobre Vendas 1.000 - 30 Resultado a Diversos a Despesas Diversas 1.500 a Descontos Financeiros Concedidos 180 - 30 Descontos Financeiros Obtidos a Resultado

1.500

18.500

1.300

1.000

3.500

14.700

14.000

2.200

1.680

335

Demonstrao do Resultado da Cia. C Outubro de 20X0 Vendas Brutas 14.000

(-) Devolues (-) Abatimentos Vendas lquidas (-) C M V: Estoque Inicial (+) Compras (+) Fretes (-) Devolues (-) Abatimentos Soma (-) Estoque Final Prejuzo com Mercadorias (+) Descontos Financeiros Obtidos (-) Descontos Financeiros Concedidos (-) Despesas Diversas Prejuzo do Exerccio

(.1.200) (1.000)

(2.200) 11.800

4.000 14.500 1.000 (500) (800) 14.200 18.200 (3.500)

14.700 (2.900) 335 (180) (1.500) (4.245)

Lista de Exerccios sobre Resultado Bruto com Mercadorias

01. Como podemos definir Resultado Bruto com Mercadorias? 02. Quais os sistemas de apurao do CMV? 03. O que Inventrio Peridico? 04. O que Inventrio Permanente? 05. Explique o sistema PEPS na apurao do CMV. 06. Explique o sistema UEPS. 07. O que Mdia Ponderada Mvel? 08. Em termos de lucratividade, qual sistema (PEPS, UEPS e mdia ponderada) apura o maior lucro ? 09. Qual o sistema de apurao de custos que no aceito pelo fisco e porqu? 10. Qual a frmula bsica de apurao do CMV? 11. Como contabilizar Devolues e Abatimentos? D exemplos. 12. Como so tratados os descontos comerciais sob o ponto de vista do comprador e do vendedor? 13. De que forma contabilizamos Gastos com Transportes? 14. Do ponto de vista de quem concede e de quem recebe, como podemos contabilizar os Descontos Financeiros? D Exemplos. 15. Quando e como se d a apurao do Resultado com Mercadorias?

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