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Universidade católica de Moçambique

Faculdade de gestão de recursos Naturais e mineralogia


Curso de Direito
Nome: Alicia Chirua

Tema: Textos forenses, orientado pela docente: Palvina


Nhambi

Tete, de agosto, 2024


1
Índice
Introdução.............................................................................................................................................3
Objectivo geral..................................................................................................................................3
Objectivos específicos.......................................................................................................................3
Metodologia......................................................................................................................................3
1. Texto forense.................................................................................................................................4
2. O valor estilístico da pontuação.....................................................................................................4
3. A expressão oral............................................................................................................................5
3.1. Oratória forense.....................................................................................................................5
3.1.1. Recursos da expressão oral............................................................................................6
A. Voz........................................................................................................................................6
B. Mímica...................................................................................................................................6
4. Enquadramento na realidade moçambicana...................................................................................6
Conclusão..............................................................................................................................................8
Bibliografia............................................................................................................................................9

2
Introdução

O texto forense é a forma sofisticada de comunicação jurídica, que vai além da transmissão
de informações legais. A estilística jurídica, por sua vez, estuda os elementos formais e
expressivos do direito, analisando como a linguagem influencia decisões e percepções no
âmbito judicial. Entre esses elementos, a pontuação se destaca por seu papel crucial na
clareza e interpretação de textos jurídicos, podendo mudar o sentido de uma sentença e
raciocínio jurídico. A oratória forense é essencial, pois a apresentação clara e persuasiva de
argumentos em tribunais depende do domínio da retórica. Assim, este trabalho explora como
a estilística jurídica, a pontuação e a oratória se interconectam para construir um discurso
jurídico eficaz e impactante, contribuindo para uma comunicação jurídica mais clara e justa.

Posta a analise de todos os pressupostos teóricos abrangentes a generalidade, importa fazer a


descrição dos mais amplos efeitos a que a estilística jurídica e a oratória forense como
componentes dos textos forenses acarretam no âmbito jurídico pátrio, fazendo um
enquadramento de todos estes aspectos ao contexto moçambicano

Objectivo geral
 Investigar o papel da pontuação na clareza e interpretação dos textos jurídicos.

Objectivos específicos
 Identificar características da estilística jurídica presentes nos textos forenses;
 Desenvolver uma compreensão abrangente das interações entre linguagem escrita e
oral no contexto forense;
 Apresentar as principais técnicas de oratória forense.

Metodologia

A metodologia adotada neste estudo será de natureza qualitativa e exploratória, visando a


compreensão profunda dos elementos linguísticos e estilísticos da linguagem jurídica, com
enfoque na estilística jurídica, pontuação, e oratória forense. O objetivo é analisar como esses
componentes influenciam a clareza, a interpretação e a eficácia dos textos jurídicos no
contexto moçambicano.

3
1. Texto forense

Segundo Regina Toledo Damião e Antonio Henriques “Por texto entende-se, assim, a
mensagem, a informação, o discurso. É ela uma série de signos que visam a tornar os signos
referentes de si próprios, criando um campo referencial específico”.1

A palavra "forense" deriva do latim "forensis", que significa "relativo ao fórum" ou "relativo
ao debate público". No contexto moderno, forense é frequentemente associado a áreas como a
medicina legal, a ciência forense.

Neste sentido corresponderam aos textos forenses, a mensagem, a informação, o discurso


forense é frequentemente associado a áreas como a medicina legal, a ciência forense.

2. O valor estilístico da pontuação

A pontuação desempenha um papel que vai além de suas funções gramaticais convencionais,
como a separação de orações, introdução de diálogos e citações, ou indicação de tipos de
frases. Ela é um recurso essencial para dirigir a leitura do receptor, funcionando como uma
espécie de guia que ajusta o ritmo da leitura, ora tornando-o mais acelerado, ora mais
pausado, e, em outros momentos, suavizando ou intensificando o tom, conforme a intenção
do autor. Assim, a pontuação conduz as ideias de maneira a alcançar a interpretação
semântica pretendida pelo emissor da mensagem.

Para um redator ou orador utilizar eficientemente os sinais de pontuação, é fundamental um


estudo atento de boas gramáticas, visto que eles são os principais responsáveis por marcar
pausas e entonações no texto. A pausa, associada à duração das frases, está intimamente
ligada à melodia da linguagem.

A figura de linguagem chamada zeugma – onde uma palavra mencionada em uma parte do
período é subentendida em outra parte, anterior ou posterior – representa uma pausa
intelectual que retém a expressão, mantendo-a presente na mente do leitor ou ouvinte, de
modo a captar sua atenção para o pensamento do autor. Por exemplo, ao dizer "uns seguem a
lei; outros, não", a omissão do verbo na segunda parte sugere a continuidade da ideia,
mantendo o foco no contraste entre as ações.

A entonação, por sua vez, distingue valores melódicos, como a diferença entre uma afirmação
e uma interrogação, e pode até contradizer o significado literal das palavras, como ocorre na
ironia, onde a alteração tonal sugere um sentido oposto ao esperado. Considere o caso de um
boato sobre uma jovem vista com outro homem que não seu noivo; uma mulher, ao comentar
com uma vizinha, pode dizer: "Quem diria... quem imaginaria que Lúcia agiria assim!?"
Aqui, as reticências introduzem uma pausa que insinua malícia, e a combinação do ponto de

1
DAMIÃO, Regina Toledo, HENRIQUES, Antonio- curso de Português Juridico, 14º Ed, Editora Atlas Ltda, São
Paulo, 2020. Pg. 154

4
interrogação com o ponto de exclamação sugere surpresa e dúvida, não sobre o fato em si,
mas sobre a percepção das pessoas a respeito dele.

3. A expressão oral
3.1. Oratória forense

Segundo Regina Toledo Damião e Antonio Henriques:

Apesar da nomenclatura em uso, oratória não há de ser entendida no sentido que lhe
reserva a Retórica clássica e, sim, com os contornos significativos da Estilística
contemporânea que trata dos efeitos expressivos da comunicação oral, levando em
conta não só a composição, ou seja, o plano de idéias que o orador vai desenvolver,
mas, ainda, os auxiliares da expressão oral: o timbre da voz, a altura da emissão
vocal, a entoação da frase, o jogo rítmico do corpo, dos braços, da fisionomia, a
postura, enfim, de todos os traços paralinguísticos que caracterizam a tarefa da
oratória.2

A oratória, embora historicamente associada à Retórica clássica, precisa ser compreendida à


luz dos avanços da Estilística contemporânea, que vai além da mera arte de convencer ou
persuadir através da palavra falada. Na Retórica clássica, a ênfase estava na lógica dos
argumentos, na estrutura do discurso e na habilidade de manipular as emoções do público.
Contudo, a Estilística contemporânea amplia essa visão, integrando a oratória a um contexto
mais abrangente, que envolve não apenas o conteúdo verbal, mas também os aspectos
paralinguísticos que influenciam a comunicação oral.

Na Estilística contemporânea, a oratória é vista como um fenômeno expressivo, onde o


impacto do discurso não se limita às palavras escolhidas ou à forma como as ideias são
organizadas. A comunicação oral é, assim, um processo multifacetado que envolve a
totalidade do comportamento expressivo do orador. Elementos como o timbre da voz, a altura
da emissão vocal, e a entoação da frase são componentes fundamentais que contribuem para a
eficácia do discurso. Esses elementos sonoros possuem a capacidade de acentuar ou suavizar
o impacto das palavras, influenciando diretamente a recepção do público.

Além disso, a oratória moderna reconhece a importância do jogo rítmico do corpo e dos
gestos, dos movimentos dos braços, e da fisionomia do orador. A postura e a expressão
corporal, que na Retórica clássica eram aspectos secundários, ganham destaque na Estilística
contemporânea, sendo vistos como partes integrais da comunicação oral. Esses traços
paralinguísticos não apenas complementam as palavras, mas muitas vezes carregam
significados próprios, reforçando ou até contradizendo o conteúdo verbal, o que pode
intensificar a mensagem ou criar um efeito particular na audiência.

Portanto, a oratória, na visão estilística contemporânea, é uma prática comunicativa complexa


e holística, que requer a integração harmoniosa de elementos verbais e não-verbais. Essa
abordagem moderna exige do orador uma sensibilidade e um controle sobre todos os aspectos
de seu desempenho, reconhecendo que a eficácia do discurso está tanto nas palavras
proferidas quanto na maneira como elas são expressas. Em resumo, a oratória contemporânea
2
DAMIÃO, Regina Toledo, HENRIQUES, Antonio- curso de Português Juridico, 14º Ed, Editora Atlas Ltda, São
Paulo, 2020. Pg. 339

5
transcende a mera técnica retórica, configurando-se como uma arte expressiva que envolve
todo o ser do orador e não apenas a sua capacidade de construir argumentos.

3.1.1. Recursos da expressão oral


A. Voz

Regina Toledo Damião e Antonio Henriques referem que “a voz é a matéria-prima da


comunicação oral, não só cativa o receptor, como revela a personalidade de quem fala.” 3

Estes pensadores argumentam que um bom orador cultiva a capacidade vocal, de modo a
emitir sua voz com clareza e agradabilidade, ao mesmo tempo em que a diversifica, ajustando
sua intensidade e tonalidade conforme o tema abordado. A habilidade de ajustar o tom de voz
é crucial para a eficaz transmissão da mensagem. O que se chama de "acento de insistência"
desempenha um papel central no realce do conteúdo expressivo.

A modulação vocal é responsável por criar a atmosfera dramática do discurso oral, sendo
através dela que se comunicam as emoções do orador. Seja em um tom de súplica, de raiva,
ou de comando, a voz é a responsável por dar forma e exteriorizar os aspectos psicológicos
da comunicação, refletindo e amplificando os estados emotivos que o orador deseja transmitir
ao seu público.

B. Mímica

Segundo Regina Toledo Damião e Antonio Henriques “mímica é essencial na comunicação


oral, constituindo-se no jogo fisionômico, acrescido de movimentos dos braços, das mãos e
do corpo.” 4

Estes pensadores atribuem a mímica à função precisadora da palavra. Ela facilita o


entendimento da ideia, realça o pensamento e pode até pela linguagem gestual. O bom orador
desempenha uma linguagem ocular variada e expressiva, olhando de frente a plateia,
movimentando expressivamente os olhos, fazendo-os brilhar ou tornando-os serenos.

4. Enquadramento na realidade moçambicana

O enquadramento dos textos forenses no contexto moçambicano envolve uma abordagem


cuidadosa e específica da linguagem jurídica, que deve ser clara, precisa e acessível para
garantir a eficácia e justiça no sistema jurídico do país. A linguagem utilizada nos
documentos forenses em Moçambique carrega um elevado grau de formalidade e
complexidade, herança direta do sistema jurídico português, que ainda influencia
profundamente a redação e interpretação das peças jurídicas.

A estilística jurídica é um elemento central na elaboração de textos forenses, onde a estrutura


dos argumentos, a escolha apropriada de terminologia técnica, e o uso correto da pontuação
são aspectos que garantem a clareza e a compreensão das intenções legais. Em Moçambique,
3
DAMIÃO, Regina Toledo, HENRIQUES, Antonio- curso de Português Juridico, 14º Ed, Editora Atlas Ltda, São
Paulo, 2020. Pg.342
4
DAMIÃO, Regina Toledo, HENRIQUES, Antonio- curso de Português Juridico, 14º Ed, Editora Atlas Ltda, São
Paulo, 2020. Pg.342

6
erros na utilização da linguagem, especialmente na pontuação, podem comprometer a
interpretação das leis, resultando em possíveis equívocos nas decisões judiciais.

Além disso, a oratória forense desempenha um papel fundamental dentro do sistema


judiciário moçambicano. A habilidade de advogados e magistrados em expor seus
argumentos de maneira convincente e clara pode influenciar diretamente os resultados dos
processos judiciais. A prática da oratória forense vai além da simples comunicação, exigindo
uma combinação de clareza, lógica e persuasão para assegurar que os argumentos sejam
eficazes.

A realidade sociocultural moçambicana, com sua rica diversidade linguística, apresenta


desafios adicionais na aplicação uniforme da linguagem jurídica. Embora o português seja a
língua oficial, a coexistência de diversas línguas locais influencia o modo como o direito é
compreendido e aplicado na prática. Isso destaca a importância da formação contínua dos
operadores de direito para assegurar que os textos forenses sejam redigidos com precisão e
compreendidos de forma adequada por todos os envolvidos no processo judicial.

Por fim, há um movimento crescente em Moçambique que busca simplificar a linguagem


jurídica, tornando-a mais acessível sem sacrificar a precisão técnica. Essa iniciativa visa
facilitar o acesso à justiça, permitindo que documentos legais sejam compreendidos por uma
parcela maior da população, especialmente aqueles que não têm formação jurídica. A
simplificação da linguagem jurídica é vista como uma forma de democratizar o acesso ao
sistema de justiça, garantindo que todos, independentemente de sua formação, possam
entender e exercer seus direitos.

Em conclusão, o enquadramento dos textos forenses na realidade moçambicana exige um


equilíbrio entre a manutenção da tradição jurídica e a adaptação às necessidades
contemporâneas de clareza e acessibilidade. O aperfeiçoamento contínuo na redação jurídica,
aliado à capacitação dos profissionais do direito, é essencial para fortalecer a justiça em
Moçambique e assegurar que ela seja verdadeiramente acessível a todos.

7
Conclusão
A conclusão do trabalho sobre a importância da linguagem e da estilística jurídica no
contexto forense, com ênfase na realidade moçambicana, sublinha a necessidade de um
cuidado rigoroso na elaboração e interpretação dos textos forenses. A linguagem jurídica,
carregada de formalidade e complexidade, desempenha um papel crucial na clareza e eficácia
das decisões judiciais. A correta utilização dos recursos estilísticos, como a pontuação e a
oratória, é fundamental para a construção de argumentos sólidos e convincentes.

No contexto moçambicano, onde a diversidade linguística e as influências históricas criam


desafios específicos, a formação contínua dos operadores do direito torna-se imprescindível.
A simplificação da linguagem jurídica, sem perder a precisão técnica, emerge como uma
estratégia relevante para democratizar o acesso à justiça e garantir que todos os cidadãos
possam compreender e exercer plenamente seus direitos.

Assim, o equilíbrio entre a tradição jurídica e as demandas contemporâneas por clareza e


acessibilidade deve ser constantemente buscado. Esse esforço contribuirá para o
fortalecimento da justiça em Moçambique, tornando-a mais inclusiva e eficiente, e garantindo
que o sistema jurídico atenda às necessidades de toda a população.

8
Bibliografia
 CARNEIRO, Maria Francisca, direito & estilo-primeiras conjecturas sobre a
estilística jurídica, Revista Jurídica Luso – Brasileira, Ano 3 (2017), nº 2, disponível
em: https://www.cidp.pt/revistas/rjlb/2017/2/2017_02_0000_Capa.pdf acesso em:
07/08.
 ROMERO, Cleber, Fala doutor, técnicas de oratória para advogados, POD editora,
Rio de Janeiro, 2011.
 SÁ, Cristina Manuela, técnicas de comunicação oral e escrita, 1ª Ed, UA editora,
Portugal, 2018 disponível em:
https://ria.ua.pt/bitstream/10773/24945/1/20181212_CEF_CD_Tecnicas
%20Comunicacao%20Oral%20e%20Escrita.pdf acesso em: 07/08
 DAMIÃO, Regina Toledo, HENRIQUES, Antonio- curso de Português Juridico, 14º
Ed, Editora Atlas Ltda, São Paulo, 2020.

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